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quarta-feira, 1 de abril de 2026
É falso que alumínio presente nas vacinas aumenta casos de autismo
Uma
desinformação antiga volta a circular nas redes sociais: a de que o alumínio em
vacinas infantis aumentaria casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Em vídeo no Instagram, o médico Felipe Belanda Trofino, que frequentemente
questiona a eficácia e a segurança da vacinação infantil, volta a sugerir esse
vínculo — tese já desmentida repetidas vezes.
Ele
também resgata a ideia falsa de que uma suposta “encefalite por alumínio”
explicaria sintomas de autismo. Outra mentira, já que vacinas não causam
encefalite. Vamos aos fatos. A seguir, confira o que é fato e o que é fake.
Como
o alumínio aparece nas vacinas
O
alumínio é utilizado como adjuvante, isto é, uma substância que potencializa a
resposta imune e ajuda a vacina a funcionar melhor. Sua utilização está
consolidada há décadas e não está associada ao aumento de risco de
desenvolvimento de doenças atópicas ou neurodesenvolvimentais em crianças.
As
quantidades presentes nos imunizantes são muito baixas e não fazem mal à saúde.
A segurança dos adjuvantes de alumínio é amplamente documentada, e defendida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o adjuvante é entendido
como parte importante da eficácia de diversas vacinas.
O
que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)
O
TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Segundo a OMS, ocorre em cerca de
uma a cada 100 crianças. O espectro inclui diferentes graus e manifestações,
com sinais que podem surgir ainda nos primeiros meses de vida; o diagnóstico
costuma acontecer por volta dos 2 a 3 anos.
O
transtorno se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e
por interesses e comportamentos repetitivos, variando em gravidade (níveis 1, 2
ou 3).
As
causas do TEA têm origem genética: mais de 100 genes já foram associados ao
transtorno. Um estudo recente sequenciou o genoma de mais de 20 mil pessoas e
identificou 134 genes relacionados ao distúrbio. Por ser multifatorial e
complexo, o diagnóstico requer uma avaliação minuciosa e equipe
multidisciplinar.
De
onde veio o boato
A
desinformação que liga vacinas ao autismo ganhou força em 1998, com um estudo
publicado na revista The Lancet pelo médico britânico Andrew Wakefield. A
pesquisa tinha falhas graves, dados falsos e conflitos de interesse. A farsa
foi exposta em 2004 por reportagem investigativa de Brian Deer no The Sunday
Times.
Em
2010, Wakefield foi considerado inapto para exercer a medicina pelo Conselho
Geral de Medicina do Reino Unido por conduta “irresponsável”, “antiética” e
“enganosa”. A própria The Lancet retratou o artigo, reconhecendo que suas
conclusões eram falsas. Ainda assim, o estudo fraudulento alimentou movimentos
antivacinas e queda de coberturas vacinais em vários países.
O
que dizem as evidências confiáveis
- Não há
relação causal entre vacinas e TEA. Uma análise publicada em 2014 na
revista Vaccines, envolvendo mais de 1 milhão de crianças, não encontrou
associação entre vacinação e autismo.
- O Comitê
Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS/OMS) confirmou que não
existem evidências de relação causal entre a tríplice viral (MMR) e o
autismo.
- Em relação às
vacinas MMR e covid-19, diversos estudos foram conduzidos e nenhum
demonstrou conexão com o desenvolvimento do TEA.
Vacinas
são seguras — e salvam vidas
Vacinas
passam por pesquisas rigorosas e são a forma mais segura de prevenir doenças
graves. A pandemia de covid-19 — responsável por mais de 700 mil mortes no
Brasil — foi controlada com a vacinação em massa. No Sistema Único de Saúde
(SUS), os imunizantes são gratuitos e protegem contra doenças como sarampo,
caxumba, rubéola, poliomielite, entre outras.
Por
que vacinar crianças e adolescentes
A
vacinação protege o indivíduo e a comunidade, evita surtos e salva milhões de
vidas. Estima-se que as vacinas contra o sarampo tenham evitado mais de 23
milhões de mortes entre 2000 e 2018 no mundo. Manter o calendário vacinal em
dia impede o retorno de doenças altamente contagiosas — como rubéola, tétano e
poliomielite. E, mais uma vez, é importante reforçar: vacinas não causam
autismo.
Resumindo:
o alumínio presente nas vacinas é seguro, o TEA tem base genética e a hipótese
de ligação entre vacinas e autismo nasceu de um estudo fraudulento já
desmentido e retratado. Vacinar protege e salva vidas. Não deixe a
desinformação se espalhar. Consulte sempre fontes confiáveis como o Ministério
da Saúde ou a OMS.
Fontes
As
referências usadas nesta matéria são:
Vacinas infantis não causam autismo
Por que é mentira que vacinas causam autismo? Conheça a
história por trás desse mito
Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo
Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle
das hepatites virais
Fonte _ Saúde.gov
