domingo, 16 de agosto de 2026

Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária de Saúde do SUS

 


A amamentação exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 57% de cobertura em 2025. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais, sendo de forma exclusiva até os seis meses.

Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde 2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de consumo alimentar. Este índice indica proporção dos bebês de 0 a seis meses que são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja, recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros líquidos ou alimentos.

Já em 2026, o levantamento parcial aponta que até agosto 59% dos bebês de até seis meses acompanhados pela APS estão em aleitamento materno exclusivo. Desde o início da série, em 2015, as maiores coberturas foram em 2024 e 2025, ambas com 57%.

Os dados do Sisvan se referem exclusivamente àqueles bebês que fazem o acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Um dos levantamentos oficiais mais recentes, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), um inquérito nacional representativo da população brasileira, aponta que 45,8% das crianças brasileiras entre 0 e seis meses recebem leite materno exclusivamente.

A meta da OMS para 2030 é de 60% de aleitamento materno exclusivo em crianças menores de 6 meses.

“A Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na proteção, promoção e apoio à amamentação. É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso. Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas.

Toda família cadastrada na APS é acompanhada pelas equipes de saúde e pode contar com profissionais de saúde qualificados em amamentação, desde a gestação, recebendo apoio em todas as etapas desse processo.

O Sisvan é uma ferramenta estratégica da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e contribui para a promoção da amamentação e alimentação adequada e saudável, a prevenção da desnutrição, do sobrepeso, da obesidade e de outras doenças relacionadas à alimentação. Além disso, fornece informações essenciais para a tomada de decisão pelos gestores e profissionais de saúde em todas as esferas do SUS.

Instituído pela Lei Federal nº 13.435/2017, o Agosto Dourado é o mês dedicado à conscientização e incentivo ao aleitamento materno. Já a Lei 15.221/2025 instituiu, na semana de 15 de agosto, a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães.

Os avanços nas taxas de amamentação nas últimas décadas se devem a iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no âmbito da promoção, proteção e apoio à amamentação, como a ação Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), o Método Canguru, os Postos de Coleta e os Bancos de Leite Humano, as campanhas de mobilização social e a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), uma das legislações mais fortes do mundo, que regula a promoção comercial e evita o uso inapropriado desses produtos, protegendo o direito à amamentação.

Principal ação na APS, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil qualifica os profissionais das UBS quanto à promoção, proteção e apoio à amamentação e alimentação complementar adequada e saudável. Atualmente, são 9.171 tutores formados, que atuam em 2.384 municípios em todo país.

Benefícios da Amamentação

amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais é o método mais econômico e eficaz para a redução da morbimortalidade infantil, tendo um impacto significativo na saúde das crianças, podendo reduzir em até 13% a mortalidade de crianças menores de cinco anos por causas preveníveis.

“A amamentação é uma das estratégias mais eficazes e custo-efetivas para promover o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças, com benefícios também para a saúde das mulheres, das famílias e de toda a sociedade. Investir na amamentação é garantir direitos, promover saúde, prevenir doenças e contribuir para a redução de custos para o sistema de saúde”, disse a coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens.

Segundo a OMS e o Unicef, aproximadamente seis milhões de vidas de crianças são salvas anualmente devido ao aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de vida. Estima-se, ainda, que a adoção universal das práticas recomendadas de aleitamento materno poderia prevenir mais de 820 mil mortes infantis por ano, além de evitar cerca de 20 mil óbitos maternos por câncer de mama.

A amamentação diminui a ocorrência de diarreias, infecções e afecções perinatais, que estão entre as principais causas de mortalidade infantil. Além disso, contribui para o desenvolvimento cognitivo, dos dentes, mastigação, deglutição e fala. Crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver, no futuro, doenças como obesidade e diabetes mellitus tipo 2.

Para as mulheres, a amamentação oferece diversos benefícios, incluindo um menor risco de hemorragia pós-parto, a diminuição das chances de câncer de mama, ovários e endométrio, e reduz as chances de desenvolver diabetes tipo 2, colesterol alto e hipertensão.

Fonte _ Saúde.gov

Bebidas comuns ganham versões com proteínas e fibras, mas benefícios dependem de quantidade

 


Cerveja zero álcool com proteína, refrigerante com fibras e até água com colágeno. As versões "fit" de bebidas comuns estão em alta no mercado de saúde e beleza.

Especialistas médicos e de nutrição, porém, alertam que não basta ter destaque na embalagem para ser eficaz. "É necessário verificar qual ingrediente foi acrescentado e em que quantidade", ressalta André Camara de Oliveira, endocrinologista e diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Na Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo, o "portfólio wellnessavançou mais de 60% em 2025 em comparação ao ano anterior. A Nestlé, veterana no segmento, já tinha o Nutren Protein 15% e avança no mercado de estética com um produto proteico com colágeno hidrolisado líquido que promete melhoria da pele, unhas e cabelos.

Segundo Oliveira, uma bebida com cerca de 15 a 25 gramas de whey, seja de proteína do leite ou de soja, pode de fato contribuir para a ingestão proteica. O colágeno, porém, "não possui a mesma qualidade para manutenção ou ganho."

"Nas bebidas com fibras, também importa conhecer o tipo: inulina e frutooligossacarídeos [fibra alimentar solúvel] podem provocar gases e distensão abdominal em pessoas sensíveis", afirma o médico.

A recomendação é avaliar a composição completa, considerando açúcar adicionado, calorias, sódio, gordura saturada e cafeína, bem como a presença de poucos corantes, aromatizantes e conservantes e de lupa de alto teor da Anvisa.

A cautela deve ser com excesso de açúcar ou cafeína, combinações de estimulantes e produtos que destacam proteínas, fibras ou vitaminas sem informar claramente as quantidades ou que alegam benefícios como "detox", "queima gordura" ou "fortalece a imunidade" sem evidência.

Fabiana Poltronieri, doutora em Ciência dos Alimentos pela USP e diretora da Asbran (Associação Brasileira de Nutrição), diz que pode ser "tentador beber cerveja com whey, mas o apelo é meramente de marketing."

"Não há nenhum motivo com respaldo nutricional. O mesmo raciocínio vale para água com colágeno, que é uma proteína de baixo valor biológico, inclusive", defende.

A diretora afirma que "faz sentido pensar em cerveja 0% álcool, pois a dependência etílica é um problema de saúde pública", mas vale buscar orientação profissional. "Há produtos que destacam nas embalagens nutrientes, mas que na composição aparecem com um valor inexpressivo", diz.

Bem-estar em alta

A Ambev aponta que o mercado de cervejas sem álcool cresceu 30% no Brasil no último ano. A marca lança em setembro, no Brasil, a Spaten Pro, cerveja escura sem álcool que leva whey protein e colágeno na receita. Cada lata de 350 ml contém 10g de proteína (75% whey hidrolisado e 25% colágeno) e menos de cem calorias. O grupo tem ainda Guaraná Zero com fibras da Antarctica, Corona Cero, Bud Zero, Brahma 0,0% e Skol Zero Zero, Stella Pure Gold e Michelob Ultra.

A Starbucks Brasil, por sua vez, está com uma linha de coberturas, a Cold Foam Proteico, que adiciona 19g de proteína às bebidas geladas de chocolate e baunilha. Em julho, o menu ganhou "leite proteico", adicional do "Baunilha Latte Sem Açúcar Proteico", "Matcha Latte Sem Açúcar Proteico", "Latte Proteico" e "Matcha Latte Proteico". O produto inclui a partir de 23g de proteína extra por porção nas opções quentes e 26g, nas geladas.

O Collagen Drink, da Nestlé, em quatro sabores, tem 2,5 g de colágeno, 100 mg de vitamina C, 12 g de proteínas e cerca de 53 kcal a cada 260 ml.

Mamba Water Protein, do grupo Heineken, se divulga como "suplemento alimentar líquido com 20g de proteína do colágeno + BCAA." A página também afirma tratar-se de uma "água leve, sem açúcar, sem carboidrato e sem glúten", além de não ter lactose.

Aposta na praticidade

Anna Paula Alves, diretora de categoria Cervejeira na Ambev, diz que há uma mudança de comportamento do público e a estratégia é atendê-lo com maior variedade. Esse consumidor busca opções equilibradas, mas sem deixar de lado experiências que já tem com sabores de que gosta.

"Mais do que prometer benefícios específicos, esses lançamentos refletem a evolução do portfólio para acompanhar diferentes expectativas dos consumidores e ampliar as possibilidades de escolha", avalia Alves.

Marcio Avolio, diretor de marketing da Nutrify da Nestlé, diz que o Collagen Drink "foi desenvolvido para transformar o autocuidado em uma experiência mais prática e nutritiva", tornando "a suplementação mais fácil de incorporar" à rotina. "A proposta é oferecer uma opção que combine conveniência, por ser uma bebida pronta para o consumo, sabor leve e ingredientes reconhecidos cientificamente", afirma.

Em nota, a Starbucks declarou que as inovações da marca acompanham a "evolução dos hábitos e das preferências" do público, permitindo aos "consumidores personalizarem e customizarem suas bebidas", reforçando atributos "da experiência Starbucks." A Folha entrou em contato com a Mamba, mas não teve retorno.

Pode ajudar, mas sem substituições

Na visão da CMO (diretora de marketing) Ivete Gama, da rede Ultra Academia, o crescimento de bebidas com atributos funcionais reflete a realidade cada vez mais comum de quem tem rotina agitada, mas visa bem-estar. "Esses produtos podem ser aliados [de quem treina e tem pouco tempo], mas não substituem uma alimentação equilibrada nem os cuidados básicos com o corpo. A saúde não está em um único produto, mas no conjunto de hábitos", diz.

O endocrinologista André Camara de Oliveira reforça que o problema não é o consumo eventual de bebidas ultraprocessadas com quantidade adequada de proteína quando não se pode fazer uma refeição, mas quando estas "substituem regularmente água, leite e alimentos de melhor qualidade nutricional."

O refrigerante zero com fibras, por exemplo, pode ser "menos desfavorável que o açucarado para quem já consumiria refrigerante, apesar de não ser saudável. Não substitui frutas, verduras, feijão ou cereais integrais", ressalta.

A recomendação é seguir o contexto clínico: quem tem doença celíaca, não come glúten; gestante, não bebe álcool; nefropata não deve ingerir muita proteína, entre outros exemplos.

"Na mesma lógica, a cerveja sem álcool com whey pode fornecer proteína, mas isso não a transforma, por si só, em uma bebida adequada para recuperação esportiva, pois devem ser considerados carboidratos, eletrólitos, calorias e teor alcoólico", diz Oliveira.

Poltronieri diz que é importante "não confundir praticante de atividade física com atletas de alto rendimento, que contam com suporte diferenciado" na hora de suplementar.

"A melhor fonte de minerais, vitaminas e macronutrientes ainda são os alimentos e as feiras livres estão no topo da lista quando se pensa no verdadeiro conceito de bem-estar", diz Poltronieri.

O mesmo vale para água, que não deve ser glamourizada. "A população praticante de atividade física deve estar atenta à hidratação, que pode ser feita adequadamente com água. Não há necessidade de bebidas especialmente formuladas para a hidratação corporal e é excelente alternativa para toda a população, sem restrições", finaliza a nutricionista.

Fonte _ Folha/SP

Santa Missa | Catedral Nossa Senhora da Glória | Cruzeiro do Sul/Acre

 


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 Verdes Florestas 95.7 FM


sábado, 15 de agosto de 2026

Maioria dos brasileiros é contra morte assistida, mas opção por interromper tratamento divide país, mostra Datafolha

 


A maioria dos brasileiros é contrária à morte assistida, procedimento médico que põe fim à vida a pedido de um paciente com doença incurável em muito sofrimento. Há dois tipos possíveis da intervenção: a eutanásia, quando o fármaco letal é aplicado por um profissional, e o suicídio assistido, quando a própria pessoa toma a medicação.

Quando a pergunta é sobre interromper tratamentos para doenças sem chances de cura, a população se divide, aponta pesquisa Datafolha, a primeira a sondar a opinião pública sobre o tema no país.

O levantamento ouviu 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do Brasil, nos dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Em relação à eutanásia, 56% se disseram contra (45% totalmente contra e 11% parcialmente contra), e 39% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 17% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.


Sobre o suicídio assistido, a rejeição é maior. Do total, 60% se disseram contra (50% totalmente contra e 10% parcialmente contra), e 35% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 13% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.

Quando a pergunta trata da interrupção de tratamentos que apenas prolongam a vida artificialmente, sem chance de cura, a pedido do paciente ou da família, o resultado é um empate: 48% acham que os médicos deveriam poder interromper esses tratamentos, e 48% acham que não deveriam. Os demais 5% não souberam responder —a soma ultrapassa 100% por questão de arredondamento.


A pesquisa também testou uma formulação mais ampla, sem mencionar diretamente a atuação de um médico, perguntando se os entrevistados concordam ou discordam da afirmação de que cada pessoa deveria poder decidir sobre o fim da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que isso signifique antecipar a morte.

Do total, 51% discordaram (40% discorda totalmente e 11% discorda em parte), e 46% concordaram (28% concorda totalmente e 18% concorda em parte). Apenas 1% não se posicionou, e 2% não souberam responder. Considerada a margem de erro, a diferença entre os dois grupos é a mais estreita da pesquisa, desconsiderando o empate anterior.


Por fim, ao serem questionados, de forma geral, se consideram moralmente aceitável ou moralmente errado um médico ajudar um paciente terminal a encerrar a própria vida a pedido dele, 51% disseram considerar moralmente errado, e 42%, moralmente aceitável. A opção depende da situação foi escolhida por 4% dos entrevistados; outros 3% não souberam responder.


A amostra é formada por 48% de católicos e 27% de evangélicos. Outros 13% dizem não ter religião, 8% se declaram de outras religiões, 2% são espíritas ou kardecistas e 2% praticam a umbanda.

No julgamento moral sobre um médico ajudar um paciente terminal a morrer, considerar a conduta moralmente aceitável vai de 34% entre os evangélicos a 57% entre os que não têm religião —com católicos (41%) e praticantes de outras religiões (46%) numa posição intermediária. Esse mesmo padrão se repete nas demais perguntas.



A idade é o recorte que mais diferencia a opinião dos entrevistados. Na mesma questão, 63% dos entrevistados de 16 a 24 anos consideram a conduta moralmente aceitável, percentual que cai para 48% na faixa de 25 a 34 anos, 43% entre 35 e 44 anos, 38% entre 45 e 59 anos e 29% entre os que têm 60 anos ou mais. O mesmo padrão de queda, geração a geração, se repete nas outras demais perguntas.

O levantamento não tem parâmetro histórico de comparação, por ser o primeiro a sondar a opinião pública sobre o assunto no Brasil —não é possível, por exemplo, dizer se a percepção do tema mudou antes e depois de um caso conhecido, como a morte do escritor Antonio Cícero, que recorreu ao suicídio assistido aos 79 anos, na Suíça.

O Brasil, diferentemente de alguns vizinhos latino-americanos, não tem legislação ou projeto de lei em tramitação para legalizar a prática, o que a advogada especialista em direito médico Luciana Dadalto credita a um silêncio sobre o tema no país.

Apenas em 2025, foi fundada a Eu Decido, primeira associação brasileira em prol do direito à morte assistida, a qual Dadalto preside.

Na América Latina, três países já permitem alguma forma de morte assistida: Colômbia, Equador e Uruguai.

A Colômbia foi pioneira na região: a Corte Constitucional descriminalizou a eutanásia em 1997, ampliou o direito em 2021 para incluir pacientes sem doença terminal e, em 2022, descriminalizou também o suicídio assistido por médico, tornando-se o único país latino-americano a permitir as duas modalidades de morte assistida, embora ainda enfrente entraves burocráticos que dificultam o acesso na prática.

Equador teve a eutanásia autorizada pela Corte Constitucional em fevereiro de 2024 e regulamentada pelo Ministério da Saúde dois meses depois, mas o Legislativo ainda não aprovou uma lei específica sobre o tema, e o projeto segue em debate na Assembleia Nacional.

Uruguai foi o primeiro país da região a legalizar a eutanásia por lei aprovada no Parlamento, não por decisão judicial. A Lei 20.431 foi aprovada em outubro de 2025, mas só passou a valer na prática quando a regulamentação entrou em vigor, em abril de 2026. O país teve seu primeiro caso em maio deste ano, numa paciente com câncer terminal.

O Peru está em debate judicial sobre o tema, sem legislação aprovada, e Cuba abriu uma via legal condicionada em sua nova lei de saúde, mas ainda depende de regulamentação específica futura para que a prática seja de fato aplicada.

No Brasil, a eutanásia é considerada crime de homicídio (artigo 121), com pena de 6 a 20 anos. O parágrafo 1º do texto afirma que o agente que comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral —o que pode ser interpretado como visando a cessar o sofrimento de determinado paciente, cujo estado de saúde é irreversível— poderá ter a pena reduzida de um sexto a um terço, o que significa pena mínima de 4 anos para o homicídio por misericórdia (ação de matar alguém por piedade).

Já quem induz, instiga ou presta auxílio a alguém que comete suicídio —o que inclui o suicídio assistido— está sujeito ao artigo 122 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos, caso o suicídio se consume.

No mundo, 16 países permitem a morte assistida, em parte ou na totalidade de seus territórios: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai, alguns deles, no entanto, ainda sem regulamentação da prática. Outros três avançaram nesse sentido, em estágios distintos: Cuba, França e Peru.


Fonte _ Folha/SP

Dez minutos de exercícios por dia podem evitar casos de demência

 


Incorporar poucos minutos de atividade física por dia pode ter um impacto expressivo na prevenção da demência. Um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Estados Unidos estima que, se adultos que hoje não praticam nenhum exercício passarem a se movimentar ao menos dez minutos por dia, cerca de 420 mil casos de demência poderão ser prevenidos até 2050, com uma economia estimada em até R$ 16 bilhões em custos relacionados à doença.

Num cenário em que a inatividade física fosse completamente eliminada, a economia poderia chegar a R$ 23 bilhões, segundo a análise, publicada em 2025 no Brazilian Journal of Psychiatry. Os autores combinaram dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com informações do Global Burden of Disease, conduzido nos EUA.

Os resultados indicam que 14,9% dos casos de demência no Brasil estão ligados à inatividade física —que não é sinônimo de sedentarismo. A primeira é a prática de menos de 150 minutos semanais de exercícios, tempo recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Já o comportamento sedentário é o tempo que a pessoa passa sentada, deitada ou reclinada, com baixo gasto energético.

"Do ponto de vista populacional, sabemos que 1 em cada 15 casos de demência no mundo pode ser atribuído à inatividade física, o que equivale a um caso novo a cada 42 segundos, que poderiam ser prevenidos com a atividade física", afirma o profissional de educação física Natan Feter, um dos autores do estudo.

O artigo projeta que o número de brasileiros vivendo com demência pode saltar de cerca de 1,9 milhão em 2019 para 5,7 milhões em 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional.

Esse crescimento traz também impacto econômico: sete anos atrás, o custo estimado da doença no país já era de US$ 35,3 bilhões, sendo que a maior parte desse valor está relacionada a cuidados informais prestados por familiares.

Exercício em prol do cérebro

A ciência acumulou evidências importantes nas últimas décadas sobre o papel do exercício na saúde cerebral. A prática regular de atividade física melhora a função cognitiva, reduz o risco de eventos cerebrovasculares, como AVC, e estimula mecanismos ligados a criação e sobrevivência de neurônios.

"Tudo isso ajuda a entender o papel protetor da atividade física no risco de demência", observa Feter, que atua como pesquisador associado no departamento de Ciências Biológicas da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA.

O comportamento sedentário também aparece como um fator de risco relevante, elevando a probabilidade de desenvolver o problema entre 17% e 30%.

"Pessoas que passam mais de dez horas por dia nesse tipo de comportamento têm risco aumentado de demência", alerta a geriatra Thaís Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita.

Por outro lado, atividades realizadas sentado, mas que estimulam o cérebro, como leitura ou jogos de memória, não parecem ter a mesma associação com a doença.

"Na prática clínica, observamos que idosos mais ativos têm menor incidência de demência. Isso reforça a ideia de que tudo o que faz bem ao coração também faz bem ao cérebro: alimentação saudável, atividade física regular e controle da pressão e do colesterol", diz Ioshimoto.

No estudo, observou-se que os maiores benefícios ocorrem justamente quando a pessoa sai do zero e passa a fazer algum nível de atividade. "Cada minuto que a pessoa consegue adicionar na rotina diminui o risco de demência", frisa Natan Feter.

A meta dos dez minutos

A ideia de trabalhar com pequenas doses de atividade física surgiu justamente da percepção de que metas mais ambiciosas, como atingir os 150 minutos semanais recomendados pelas diretrizes internacionais, podem ser difíceis para grande parte da população.

Dez minutos por dia podem ser uma caminhada no bairro, ir à academia, realizar exercícios de fortalecimento muscular em casa ou mesmo optar por ficar de pé por dez minutos ao dia.

Na avaliação de Thaís Ioshimoto, a meta é realista para a maioria das pessoas. E, entre idosos que começam a se exercitar, os ganhos vão além da aptidão física.

"Qualquer atividade física é válida, o importante é se movimentar. O exercício melhora o humor, aumenta a socialização e muitas vezes acaba estimulando outras mudanças positivas, como melhorar a alimentação", afirma.

Apesar de os resultados reforçarem o papel das escolhas individuais, os pesquisadores destacam que a prática de exercícios também depende de condições sociais, já que a maioria das pessoas trabalha o dia inteiro e passa horas em deslocamento. Quando sobra tempo, muitas vezes não encontram ambientes seguros ou infraestrutura adequada para se exercitar.

"Precisamos entender a atividade física como um direito humano. Por isso, além de incentivar pequenas mudanças de comportamento, é fundamental investir em políticas públicas que ampliem o acesso a oportunidade", conclui Feter.

Fonte _ Folha/SP

Mundo vive "'epidemia de estupidez'"

 


O médico e escritor Drauzio Varella sabe bem o que é conviver com a desinformação —há cerca de 10 anos, ele vê sua imagem e voz sendo usadas na disseminação de notícias e propagandas falsas.

Falando no evento BBC World Service: Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade, nesta sexta-feira (14), Varella brincou que deve ser o maior vendedor de remédios falsos do Brasil, talvez da América Latina.

Mas a verdade é que, há várias décadas, Varella vem se dedicando profundamente à comunicação de informações cientificamente embasadas.

Ele só não imaginaria que, nos anos 2020, iria se deparar com uma "epidemia de estupidez" que rejeita o uso de máscaras contra a covid-19 e vacinas, afirmou.

"Ignorância é uma coisa, estupidez é outra. Eu sou ignorante em muitas coisas. Cada um de nós", explicou. "O ignorante aprende quando ele é ensinado; o estúpido não, porque o estúpido acha que ele sabe."

O médico participou de um evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país.

Ele foi entrevistado pelo jornalista da BBC João Fellet.

Varella contou que desde a epidemia de Aids, na década de 1980, profissionais de saúde como ele lidam com colocações falsas, como a que chamava a então nova doença de "peste gay".

"Não é possível uma coisa dessas, porque olha as implicações epidemiológicas que você tem com uma afirmação ignorante e preconceituosa como essa. Se é peste gay, as mulheres, teoricamente, estavam protegidas. Os homens heterossexuais também. Mas existe alguma doença sexualmente transmissível que poupe um dos sexos? Toda doença sexualmente transmissível, por definição, é sexualmente transmissível."

Segundo o médico, foi nessa época que ele passou a se dedicar também à comunicação, fazendo campanhas de rádio com informações sobre a Aids.

Mais de 30 anos depois, a desinformação apareceu com novas facetas na pandemia de coronavírus.

"A covid foi uma grande surpresa, porque nós imaginávamos que já tínhamos passado de certos pontos."

Ele cita, por exemplo, a disseminação de campanhas contra as vacinas.

"Sempre tivemos movimentos antivacinas no Brasil, mas eram muito restritos a uma camada, em geral a classe média alta", lembrou Varella.

"Mas isso era um movimento marginal que não tinha nenhuma repercussão na sociedade. E de repente você vê médicos formados, alguns na faculdade que eu me formei, na USP, falando contra as vacinas. Mas como assim? Como aconteceu isso? É um fenômeno mundial."

Para o médico, que há anos apresenta quadros de saúde no programa da TV Globo Fantástico e tem na internet o Portal Drauzio Varella, poucas pessoas podem ser convencidas racionalmente.

"Convencer com palavras já não é fácil. Convencer por mecanismos racionais, você só convence as pessoas que são racionais. E os racionais são minoria na sociedade. As outras pessoas você vai convencer se você conseguir emocioná-las", explicou, citando exemplos de produções tocantes que conduziu no Fantástico.

Autor de livros como Estação Carandiru e O Sentido das Águas - histórias do Rio Negro, Varella fez duras críticas à empresa Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp.

Segundo o médico, ele e sua equipe perceberam ao longo do tempo que a empresa "não tem interesse" algum de tirar conteúdo falso do ar.

Ele contou que, recentemente, uma senhora o parou na rua para falar que um remédio que ela havia comprado, falsamente anunciado com a imagem de Varella, não estava "ajudando nada".

"Como é que alguém pratica um crime desse? Porque isso é crime, é crime contra a saúde pública. Deveria ser inafiançável. Vai no YouTube, vê se tem essas notícias falsas. Não tem, pelo menos em meu nome", afirmou o médico, indicando que o YouTube deve ter alguma tecnologia pra barrar esse tipo de "estelionato".

"A Meta é uma empresa imoral. Eles são sócios desses bandidos, desses estelionatários, desses criminosos."

Em julho, Varella fez críticas semelhantes à Meta na 24ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Diante da fala do médico na Flip, a empresa afirmou em nota que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos "assim que identificados".

"Estamos sempre intensificando nossos esforços utilizando tecnologia de reconhecimento facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas. Além do trabalho de identificação e remoção, iniciamos ações judiciais contra anunciantes fraudulentos que usam imagens de figuras públicas indevidamente. Recomendamos, ainda, que as pessoas denunciem, pelas próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas", afirmou a Meta.

Fonte _ Folha/SP

Novenário Nossa Senhora da Glória - Festa da Padroeira 2026 - Encerramento

 


Missa: 17hs

Procissão: Após a Missa

Show: Sueli Façanha

Programação do Novenário de Nossa Senhora da Glória 2026, click aqui

 Verdes Florestas 95.7 FM

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alimentos gordurosos aumentam risco de câncer colorretal

 


A lista de riscos à saúde associados a alimentos ricos em gordura e pobres em fibras é extensa: colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) ou colesterol "ruim", artérias obstruídas, ganho de peso, doenças cardíacas, sobrecarga hepática, picos de açúcar no sangue, má digestão, e a lista continua...

Um novo estudo realizado por uma equipe de pesquisadores alemães demonstrou como as chamadas dietas ocidentais podem levar ao desenvolvimento de um dos cânceres de maior incidência e mortalidade em adultos com menos de 50 anos, o câncer colorretal.

Os pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, da RWTH Aachen e do Instituto Alemão de Nutrição Humana Potsdam-Rehbrücke (DIfE) descobriram que essas dietas aumentam a produção de ácido deoxicólico no intestino.

Os resultados foram publicados na edição de agosto de 2026 da revista Gut, especializada em gastroenterologia e hepatologia.

"O que torna nosso estudo especial é que ele demonstra a causalidade", afirmou à DW Annika Osswald, autora principal do estudo e doutoranda no Instituto Alemão de Nutrição Humana. "Até agora, sabíamos apenas que havia algum tipo de conexão entre [um certo] ácido biliar secundário e o câncer colorretal."

Como o ácido biliar está ligado ao câncer colorretal?

A gordura dos alimentos que ingerimos desencadeia a produção de ácidos biliares primários no fígado. Esses ácidos são importantes: seu corpo precisa deles para decompor e absorver as gorduras. A maioria dos ácidos biliares primários é reabsorvida e retorna ao fígado.

Mas uma pequena fração chega ao cólon, onde certas bactérias os convertem em ácidos biliares secundários, incluindo um chamado ácido deoxicólico (DCA). Quanto mais alimentos gordurosos você consome, maior a concentração de DCA no seu cólon. E é aí que os problemas começam.

Osswald e seus colegas realizaram testes em camundongos em laboratório. "No cerne do nosso trabalho para comprovar a causalidade estavam os modelos de camundongos", explicou a cientista.

A equipe de pesquisa implantou bactérias produtoras de DCA em camundongos. Os cientistas controlavam completamente o microbioma intestinal desses animais. Em seguida, os cientistas induziram câncer colorretal nesses camundongos e em outros sem as bactérias. Os que tinham bactérias produtoras de DCA no intestino apresentaram maior crescimento tumoral do que os camundongos que não as tinham.

A divisão celular nos camundongos com DCA também aumentou. Isso torna mais provável o desenvolvimento de câncer, porque multiplica as chances de erros de replicação do DNA. Essas mutações de DNA durante a divisão celular podem se acumular e levar ao câncer.

Para verificar se o processo que eles observaram em camundongos também ocorre em humanos, os pesquisadores analisaram amostras de fezes de mais de mil pessoas, com e sem câncer colorretal. Genes de bactérias produtoras de DCA foram encontrados com mais frequência em pessoas com câncer colorretal.

"Nossos resultados mostram o quanto uma dieta ocidental rica em gordura e as mudanças associadas no microbioma intestinal podem afetar a saúde intestinal humana", disse o microbiologista Sören Ocvirk, outro autor do estudo.

Osswald afirma que o trabalho da equipe é fundamental e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ainda assim, a comprovação da causalidade entre bactérias intestinais produtoras de DCA e o aumento do crescimento tumoral aponta para possíveis tratamentos de câncer colorretal.

Por que é vital entender melhor o câncer colorretal

O câncer colorretal é o único tipo de câncer cuja taxa de mortalidade em pessoas com menos de 50 anos aumentou nas últimas décadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado no jornal científico Journal of the American Medical Association em janeiro de 2026.

O número de mortes por câncer cerebral, câncer de mama, leucemia e câncer de pulmão diminuiu nos EUA entre 1990 e 2023. Mas o número de mortes por câncer colorretal aumentou 1,1% ao ano, a partir de 2005.

Quando detectado precocemente, o câncer que começa no cólon ou no reto é tratável.

Mas os sintomas frequentemente não se manifestam nos estágios iniciais da doença. Quando aparecem, podem ser interpretados erroneamente como sintomas de condições menos graves, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável. Os sintomas do câncer colorretal incluem:

  • sangue nas fezes
  • diarreia ou constipação intermitente, ou constante
  • dor abdominal persistente
  • gases ou cólicas
  • sensação de inchaço

Outro obstáculo para a detecção precoce é que algumas pessoas podem se sentir constrangidas em discutir os sintomas de problemas colorretais com seu médico. Portanto, não tenha vergonha, converse com seu médico.

Como esses estudos podem ajudar no tratamento?

Uma opção a ser considerada no futuro pode ser o transplante de microbiota intestinal.

"Você poderia transplantar a microbiota intestinal [o conjunto de microorganismos que vivem naturalmente no intestino] de pessoas com menos bactérias produtoras de DCA em pacientes com câncer colorretal", disse Osswald. "Isso poderia potencialmente retardar o crescimento do tumor."

A melhor opção, é claro, é prevenir o câncer colorretal. Embora algumas pessoas possam ter predisposição genética para desenvolver câncer colorretal, muito depende de fatores relacionados ao estilo de vida.

Comer de forma saudável, reduzir a quantidade de carne e alimentos gordurosos e não fumar diminuem o risco de câncer colorretal.

Fonte _ Folha/SP

Alerta sobre sarampo nas Américas reforça importância de intensificar vacinação no Brasil

 


O avanço do sarampo nas Américas reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Em alerta epidemiológico divulgado em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que a Região das Américas registra, em 2026, o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos e mantém risco muito alto para a saúde pública devido à ocorrência de surtos ativos. Diante desse cenário, a organização recomenda o fortalecimento da vacinação, da vigilância epidemiológica e da resposta rápida aos casos.

A situação reforça a importância da Campanha de Multivacinação do Ministério da Saúde, que segue até 1º de setembro em todo o país. A estratégia é voltada para crianças e adolescentes menores de 15 anos e oferece a oportunidade de verificar a caderneta e atualizar as doses que estiverem em atraso, incluindo a proteção contra o sarampo. 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e a circulação do vírus em outros países aumenta a possibilidade de importação de casos. No Brasil, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância e vacinação para evitar a reintrodução e a transmissão sustentada da doença. O país recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela OPAS e mantém esse status.  

Em 2025, as Américas já haviam registrado 14.891 casos confirmados de sarampo e 29 mortes, número 32 vezes maior que o registrado em 2024. O total de 2025 foi o maior na região desde 2019, quando foram registrados 23.269 casos. Em 2026, o cenário se agravou: até 13 de junho, eram 22.324 casos confirmados em 17 países e territórios, com 38 óbitos. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentram 97% dos casos. 

No Brasil, em 2026, até o momento, há registro de 24 casos de sarampo, relacionados à importação do vírus. Três foram encerrados sem risco de disseminação e 21 permanecem em acompanhamento em São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital. 

Vacinação é a principal forma de prevenção 

Diante da identificação de casos no Brasil, o Ministério da Saúde ampliou a estratégia de vacinação contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nessas localidades, a orientação é vacinar, de forma indiscriminada, pessoas de 6 meses a 59 anos durante a campanha, conforme as recomendações específicas para cada faixa etária. Em São Paulo, 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram destinadas ao reforço do abastecimento, garantindo a continuidade da ação de bloqueio vacinal. 

Para crianças de 6 a 11 meses, a vacina contra o sarampo é administrada como dose zero, adicional e que não substitui as doses previstas na rotina aos 12 e 15 meses. Para as demais idades, a necessidade de vacinação é verificada pelos profissionais de saúde de acordo com a idade e o histórico vacinal. 

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampocaxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser vacinadas por determinadas condições de saúde. 

A estratégia contra o sarampo integra uma mobilização mais ampla. Além da tríplice viral, a Multivacinação contempla vacinas que protegem contra doenças como poliomielite, meningites, pneumonias, coqueluche, febre amarela, influenza, covid-19, HPV e dengue, entre outras. A campanha também marca a primeira edição da Multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. 

A recomendação do Ministério da Saúde é que pais e responsáveis aproveitem a Campanha de Multivacinação para levar crianças e adolescentes a uma unidade de saúde e conferir a situação vacinal.  A estratégia também é uma oportunidade para ampliar a proteção contra doenças que podem voltar a circular quando há queda nas coberturas vacinais. O Dia D de Mobilização Nacional será realizado em 22 de agosto, com ações de vacinação em todo o país. 

Brasil mantém vigilância e reforça vacinação 

O Ministério da Saúde acompanha continuamente a situação epidemiológica do sarampo no Brasil e nas Américas e orienta estados e municípios sobre medidas de vigilância, investigação de casos e vacinação. A pasta também tem intensificado estratégias para alcançar pessoas não vacinadas ou com doses em atraso. 

A recomendação é simples: quem tem criança ou adolescente em casa deve conferir a caderneta e procurar uma unidade de saúde para colocar a vacinação em dia. Manter as vacinas atualizadas é uma das principais medidas para proteger a população e impedir que doenças controladas ou eliminadas voltem a se espalhar.

Fonte _ Saúde.gov