Esquecer
de tomar um remédio
na hora certa, vez ou outra, é normal. Às vezes, lembramos da dose só no dia
seguinte. Alguns medicamentos de uso contínuo, no entanto, exigem um cuidado
maior, e tomá-los todos os dias no mesmo horário faz diferença.
Seguir
o planejado é importante para manter níveis adequados do princípio ativo no
organismo ao longo do dia, afirmam especialistas. A posologia —ou seja, de
quanto em quanto tempo a dose é tomada— ajuda o medicamento a alcançar o efeito
esperado com segurança, explica a farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da
coordenação técnica do CFF (Conselho
Federal de Farmácia).
O
intervalo entre as doses considera quanto tempo a substância age no organismo e
como é eliminada, diz Saavedra. Há medicamentos de liberação mais rápida, que
exigem maior frequência, e de liberação prolongada, que liberam o princípio
ativo aos poucos e permitem intervalos maiores, ela completa.
Tire
dúvidas sobre horários para tomar remédios
O
que acontece se eu esquecer de tomar o remédio?
Quais
remédios devem ser tomados sempre no mesmo horário?
O
que eu faço se esquecer?
Posso
antecipar a dose?
Existe
um horário ideal?
Posso
tomar vários medicamentos no mesmo horário?
O
que fazer para não esquecer a dose?
Por
isso, alguns remédios precisam de maior pontualidade. Entre eles, estão imunossupressores,
anticonvulsivantes, antibióticos,
anticoncepcionais,
alguns medicamentos psiquiátricos
e para arritmias
cardíacas.
Toda
medicação para tratar uma doença grave deve seguir um rigor com o horário,
afirma Paulo Abrão, presidente da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia).
Atrasos ou perdas de doses podem levar à falha do tratamento, diz.
A
pontualidade melhora a adesão ao tratamento e reduz oscilações que podem
provocar perda de eficácia, efeitos
adversos ou sintomas de descontinuação, explica Antônio Geraldo da
Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
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O
que acontece se eu esquecer de tomar o remédio?
O
atraso ou esquecimento pode reduzir a concentração do medicamento no organismo
e, consequentemente, diminuir seu efeito, explicam os especialistas. O impacto
varia conforme o remédio e o esquema prescrito.
No
caso de antidepressivos e outros fármacos psiquiátricos, o atraso pode causar
reaparecimento de sintomas, oscilações clínicas ou sintomas de descontinuação,
como náusea e insônia,
explica Silva.
Não
é que o remédio precise ser tomado exatamente no mesmo minuto. Os especialistas
dizem que não existe uma margem de esquecimento igual para todos os fármacos.
"Em muitos casos, uma pequena variação de minutos ou até uma hora não
compromete o tratamento, mas isso depende das características do medicamento,
da formulação, frequência das doses e condições do paciente", diz Silva.
Por
isso, o mais seguro é manter o horário o mais próximo possível do estabelecido.
"Pequenos atrasos podem ter pouca importância para alguns tratamentos;
para outros, a regularidade é mais importante", observa Saavedra.
Quais
remédios devem ser tomados sempre no mesmo horário?
Entre
os medicamentos que exigem um cumprimento rigoroso, Silva cita aqueles com
menor duração de ação. No transtorno
de pânico, por exemplo, a crise pode se instalar rapidamente, e nem
sempre há tempo suficiente para que o remédio produza efeito, ele explica.
Abrão
lista os anticonvulsivantes, cujo atraso pode causar crises
ep ilépticas,
e os imunossupressores —se não forem tomados corretamente em transplantes
de rim, por exemplo, podem causar rejeição do órgão, afirma.
No
caso de antibióticos, respeitar o intervalo ajuda o tratamento a funcionar
corretamente, explica Saavedra. O atraso pode tornar infecções resistentes e
mais graves, acrescenta Abrão.
A
regularidade dos anticoncepcionais também é fundamental, afirma a ginecologista
Grazielly Teles, especialista em terapias
hormonais. O ideal é tomar todos os dias num horário semelhante, pois
isso ajuda a manter a regularidade do uso e evita esquecimentos, diz ela.
Um
pequeno atraso não significa, necessariamente, perda da eficácia, observa a
médica. A margem de segurança, no entanto, varia segundo a pílula. As
combinadas, que contêm estrogênio e progestagênio, têm tolerância maior. Um
atraso isolado inferior a 48 horas geralmente não exige o uso de um método
contraceptivo adicional, afirma.
"O
problema é quando ocorrem esquecimentos consecutivos, porque a queda dos níveis
hormonais pode permitir a retomada da atividade ovariana e aumentar o risco de ovulação",
explica Telles. O rigor é maior com pílulas que contêm apenas progestagênio,
pois algumas formulações têm janela de apenas algumas horas, completa.
O
que eu faço se esquecer?
Os
especialistas ressaltam que não existe uma regra única para todos os
medicamentos quando a dose é esquecida. No geral, recomenda-se tomar assim que
lembrar. Mas, se já estiver próximo do horário da dose seguinte, é indicado
pular a esquecida e seguir com o esquema habitual, diz o presidente da ABP.
No
caso de anticoncepcionais, a conduta deve considerar qual pílula é utilizada,
quantos comprimidos foram esquecidos e em que momento da cartela isso
aconteceu, diz Telles.
O
intervalo considerado próximo varia conforme o fármaco e a prescrição. Por
isso, deve-se seguir as orientações da bula ou do profissional que acompanha o
tratamento. Os especialistas também reforçam que o paciente não deve duplicar
ou compensar as doses.
Posso
antecipar a dose?
Tampouco
é indicado antecipar a dose. Antecipá-la ou tomar duas doses muito próximas
pode aumentar a concentração do medicamento no organismo e, consequentemente, o
risco de efeitos adversos ou até de toxicidade,
afirmam os especialistas.
Eles
reforçam que o paciente deve seguir a posologia e duração estabelecidas pelo
médico, sem modificar ou interromper o tratamento por conta própria.
Existe
um horário ideal?
Não
existe um horário ideal para tomar medicamentos, pois cada um tem sua
posologia. O melhor é aquele que respeita a orientação do fármaco e, ao mesmo
tempo, se adapta à rotina do paciente, afirma Saavedra, do CFF.
A
prescrição considera as características e os efeitos da substância.
Medicamentos que causam sonolência costumam ser administrados à noite, e os que
deixam a pessoa alerta, pela manhã.
Outros
pontos devem ser observados, como se o fármaco deve ser ingerido com alimentos
ou antes ou depois das refeições, diz a farmacêutica. Um horário fácil de
lembrar todos os dias favorece o uso, completa.
Quando
houver a necessidade de alteração, o mais seguro é conversar com o profissional
que acompanha o tratamento, ela reforça.
Posso
tomar vários medicamentos no mesmo horário?
Tomar
vários remédios no mesmo horário é comum e não é necessariamente um problema,
segundo Saavedra. Alguns medicamentos, porém, podem interagir entre si,
prejudicar a absorção ou exigir intervalos específicos, diz Abrão, da SPI. A
avaliação é individual e o paciente deve informar tudo o que utiliza.
O
que fazer para não esquecer a dose?
Algumas
estratégias simples podem ajudar a lembrar de tomar o remédio na hora certa.
Abrão sugere programar alarmes no celular, usar aplicativos de lembrete ou
deixar avisos em locais visíveis.
Também
pode ser útil associar a atividades da rotina, como ao tomar café da manhã ou
antes de dormir. Ele conclui: "O importante é criar uma rotina fácil de
seguir e sem alterar os horários por conta própria".
Fonte _ Folha/SP