segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Pesquisa da USP busca voluntárias para saber como as mulheres vivenciam o parto no Brasil

 



Um estudo do Consórcio Internacional The Birth Experience Study (IC-BESt), sediado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), quer compreender como as mulheres vivenciam o parto no Brasil, tanto nos serviços públicos quanto nos privados, e comparar essas experiências com as recomendações atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para participar da pesquisa, o questionário está disponível neste link.

Independentemente de quando foi o parto, a pesquisa quer ouvir a experiência de mulheres que deram à luz no Brasil.  O objetivo é contribuir para melhorar a assistência ao pré-natal, parto e pós-parto no país. O estudo global sobre atenção obstétrica, nascimento e saúde materna é liderado no Brasil pela professora Simone Diniz e equipe, todos da FSP, e é orientado pelos princípios da justiça reprodutiva e da interseccionalidade, usando métodos quantitativos e qualitativos, com utilização da plataforma Qualtrics.

No componente quantitativo, será realizado um questionário on-line, com participação de mulheres de todo o Brasil, para conhecer experiências positivas e negativas relacionadas ao parto. Grupos organizados de usuárias participaram da adaptação das escalas utilizadas na pesquisa e colaboram na interpretação dos resultados brasileiros.

No componente quantitativo, serão analisados os relatos das participantes em maior profundidade, explorando temas relevantes para a realidade brasileira, como as diferenças entre os setores público e privado e as experiências de grupos específicos, incluindo mulheres pretas, pardas e indígenas, mulheres acima do peso, mulheres com complicações clínicas e homens trans, que contarão com um questionário específico.

Os resultados permitirão comparar a experiência do parto no Brasil com a de outros 15 países participantes do IC-BESt, contribuindo para a produção de conhecimento internacional e para o aprimoramento da assistência ao parto. A participação é voluntária, confidencial e pode fazer a diferença para melhorar a experiência do parto de futuras gerações de mulheres e famílias no Brasil.

Por que a pesquisa é importante? 

Nas últimas décadas, o Brasil alcançou importantes avanços na saúde materna. Hoje, praticamente todos os partos acontecem com a presença de profissionais de saúde. Ainda assim, persistem desafios como o uso frequente de intervenções desnecessárias durante o parto natural. Essas intervenções podem comprometer a experiência das mulheres, aumentar o risco de complicações e contribuir para as elevadas taxas de cesariana.

Por outro lado, a experiência do parto, conceito ligado à forma como cada mulher vivencia e interpreta os acontecimentos, vem recebendo mais atenção da pesquisa científica. Mais do que uma experiência, refere-se aos sentimentos e aos cuidados recebidos durante o trabalho de parto e o nascimento. 

O parto envolve aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais e, como experiência única, é fortemente influenciada pela qualidade da assistência. Para algumas mulheres, o parto é um momento transformador e positivo; para outras, pode se tornar uma experiência negativa ou até traumática.

Estudos internacionais mostram que entre um terço e metade das mulheres descrevem o parto como uma experiência positiva. Por outro lado, entre um quinto e quase metade relatam experiências negativas ou traumáticas. Essas vivências têm impacto importante na saúde e no bem-estar das mulheres, dos bebês e de suas famílias.

Como participar da pesquisa

A participação consiste em responder a um questionário, abordando temas como o acesso ao sistema de saúde, a relação com os profissionais, as intervenções durante o parto, a assistência ao pós-parto e à saúde mental. A pesquisa busca dar voz às mulheres, promover práticas humanizadas e fortalecer políticas públicas voltadas ao parto e aos direitos reprodutivos. Os resultados da pesquisa serão divulgados nas redes sociais, onde as participantes podem acompanhar o estudo. 

O nome e identidade das participantes não serão revelados em nenhum momento. As informações obtidas serão analisadas com total sigilo. A participação não envolve despesas e, em geral, as pessoas ficam mais aliviadas em compartilhar suas experiências. Porém, o conteúdo do questionário pode abordar questões delicadas que podem causar desconforto ou trazer lembranças difíceis. Se este for o seu caso, entre em contato com as redes de apoio indicadas no decorrer do questionário.

O tempo estimado para completar o questionário é de 60 a 90 minutos, dependendo da extensão das suas respostas. Você tem a liberdade de interromper o preenchimento a qualquer momento, sem quaisquer prejuízos. Caso deseje fazer uma pausa, é possível salvar e retomar de onde você parou por até sete dias.

A pesquisa traz questões com alternativas (apenas marcar uma ou mais opções), e outras que são abertas. Nas perguntas abertas, você pode digitar sua resposta, ou usar a função ditado (digitação por voz) no seu celular ou no computador. O preenchimento do questionário não serve como canal de denúncia, mas os organizadores podem dar informações sobre como e onde fazê-lo, se for o caso. 

Para participar da pesquisa, acesse o questionário clicando aqui.

Fonte _ Agencia SP

Dengue: 3 milhões de adolescentes estão com vacinação incompleta

 


Mais de 3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue ainda precisam voltar aos postos de saúde para completar o esquema vacinal.

Como a vacina é aplicada em duas doses, a proteção completa só é adquirida após a segunda, que deve ser tomada três meses depois da primeira. 

Os dados foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em uma palestra na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro, na semana passada.

Gatti mostrou que mais de 11,8 milhões de doses já foram administradas em todo o país, sendo 7,6 milhões como primeira dose, e 4,2 milhões como segunda. 

Além disso, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas. O diretor do PNI lembrou que, no verão, os casos de dengue costumam subir no Brasil, o que pode ocorrer de forma mais intensa nesta temporada, por causa do El Niño.  

"Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal [em que a incidência da doença é mais baixa], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida", complementou. 

Apesar de a farmacêutica japonesa Takeda, fabricante da vacina Qdenga, ter uma capacidade de produção que não atende a toda a população brasileira, o fornecimento para o público-alvo está garantido, afirmou Gatti.

Além das vacinas entregues em 2024 e 2025, o Brasil tem um contrato vigente que prevê a entrega de 9 milhões de doses este ano, e outras 9 milhões em 2027.

Disponível em todo o país

A vacinação contra a dengue no Brasil foi iniciada nos municípios mais afetados pela doença, avançando progressivamente, e já é feita em todo o país. O público-alvo são as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. 

Eder explicou essa decisão durante a palestra. Quando a vacina foi incorporada pelo Sistema Único de Saúde, os dados que comprovavam sua segurança eram mais robustos para a faixa etária de 4 a 16 anos. Dentro desse universo, as chances de adoecer com gravidade são maiores entre 10 e 14 anos. 

"Olhando para o que o mundo e o Brasil produziram de conhecimento nos últimos anos, nós já temos mais dados de segurança e continuamos olhando para isso com muita atenção. A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, até um desejo, mas a gente precisa ter cuidado com as questões operacionais, orçamentárias e de segurança".

Vacina do Butantan

O diretor do PNI também esclareceu que a aplicação da vacina produzida pelo Butantan continua suspensa, após a identificação de três casos de dengue grave adquiridos após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.

Ainda não está confirmado que a vacina tenha causado a doença, mas a coincidência temporal foi considerada um sinal de segurança pelo Ministério da Saúde, que decidiu suspender a vacinação em junho.

"Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete", acrescentou Gatti.

O diretor do PNI classificou a vacina do Butantan como "uma grande esperança para o país".

"É uma tecnologia nacional, e a nossa ideia era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas por ano, o que significa que, em três anos, nós conseguiríamos chegar a toda a população elegível do país. Mas, antes, precisamos sanar todas as lacunas geradas a partir desse sinal de segurança", explicou o diretor do PNI.

Fonte _ Agencia Brasil

Anvisa suspende e recolhe dispositivos médicos irregulares

 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em 23 de outubro de 2026, a suspensão e o recolhimento de diferentes dispositivos médicos após identificar irregularidades sanitárias. As medidas, publicadas no Diário Oficial da União (DOU), atingem testes diagnósticos, materiais utilizados em procedimentos médicos e dispositivos de acesso vascular.

As decisões envolvem irregularidades constatadas em inspeções realizadas em fabricantes e resultado insatisfatório em análise laboratorial. As restrições variam conforme o dispositivo e incluem suspensão de comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso.

Teste diagnóstico para rotavírus tem uso suspenso

O teste rápido Rota-Strip, utilizado para detectar antígenos do rotavírus, teve a comercialização, importação, divulgação e utilização suspensas.

A decisão abrange os testes fabricados a partir de 9 de fevereiro de 2026 pela Coris Bioconcept. Segundo a Anvisa, uma inspeção realizada no fabricante, por solicitação da Nanosens Ltda., identificou fabricação em desacordo com as normas vigentes.

Inspeção sanitária leva ao recolhimento de três dispositivos

Uma inspeção realizada entre 2 e 5 de fevereiro de 2026 na empresa Precision Concepts Costa Rica S.A., também identificada como Biomerics Alajuela, constatou descumprimento de exigências sanitárias.

A Anvisa determinou o recolhimento de três dispositivos fabricados a partir de 5 de fevereiro de 2026: Estilete de Ablação Endovenosa para Radiofrequência CLOSURERFS Covidien, Cavix Cervical Cage e Kit Cânula CORUS Spinal System-X.

A fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e utilização desses materiais também estão suspensas.

Cateter BD Angioccath apresenta resultado insatisfatório

A agência também determinou o recolhimento do dispositivo BD Angioccath, produzido pela Becton Dickinson Indústrias Cirúrgicas Ltda.

A medida ocorreu após laudo da Fundação Ezequiel Dias (Funed) apresentar resultado insatisfatório no ensaio de verificação de superfície.

Com isso, a venda, distribuição e utilização do dispositivo estão suspensas. A nota da Anvisa não informa ocorrência de eventos adversos em pacientes nem especifica os lotes do BD Angioccath afetados.

Fonte _ Portal Afya

Anvisa proíbe venda de picolé com melatonina e suplemento de proteína

 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta segunda (26), recolher e proibir a comercialização de dois produtos alimentícios, um picolé e um suplemento, por conterem ingredientes que não passaram por avaliação de segurança. 

O Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0., fabricado pela empresa ABB Gelateria Ltda, está proibido porque ingredientes do produto, a melatonina e o inositol, foram autorizados apenas para uso em suplementos alimentares e em composto líquido pronto para consumo (inositol). 

A Anvisa determinou ainda o recolhimento do produto Body Strong Proetein, sabor cacau, da marca Equaliv. fabricado pela Althaia S.A Indústria Farmacêutica. 

O suplemento alimentar contém peptistrong, que é uma proteína de fava hidrolisada, ingrediente que não passou, segundo a Anvisa, por avaliação de segurança para uso em alimentos. 

Na decisão, a Anvisa explica que houve publicidade irregular com a veiculação de alegações terapêuticas de "prevenção de sarcopenia" e "suporte nutricional para preservação da massa magra em pessoas que usam canetas emagrecedora (GLP-1)". 

Como não houve ausência de regularização sanitária, a Anvisa suspendeu também a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso do produto.

Fonte _ Agencia Brasil

domingo, 25 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Vacinação global contra sarampo caiu após Covid, com aumento de casos e mortalidade em 2023

 


De 2020 a 2023, a cobertura vacinal de crianças de até cinco anos contra o sarampo em todo o mundo caiu, o que provocou um aumento na incidência de casos e mortes pela doença, segundo pesquisa.

A análise publicada pelo Global Burden of Diseases (Carga Global da Doença), estudo epidemiológico mais abrangente no mundo, mostra que a incidência de sarampo em crianças de até cinco anos no mundo caiu de 52,2 milhões de casos, em 1990, para 11,1 milhões, em 2019 (ou uma redução de aproximadamente 79%). Porém, o número saltou para 15,6 milhões em 2023, um aumento de 40%.

Em relação à mortalidade, em 1990 a taxa era de 148 mortes por cem mil crianças de até 5 anos e chegou a 15,3 mortes a cada cem mil em 2019 —registrando uma redução histórica de 90%. O sarampo, então a quarta causa de morte em crianças dessa faixa etária, passou ao 7º lugar, no final de 2019.

Já em 2023, o número voltou a subir, chegando a 18,4 mortes por cem mil, um aumento de 20%. No período que compreende os anos de 2020 a 2023, o sarampo foi a sexta causa de morte em crianças com menos de cinco anos, com 118 mil mortes registradas (eram 105 mil em 2019, ou um aumento de 12%).

O estudo foi publicado na última quarta-feira (21) na revista especializada Nature Medicine.

Dentre as regiões analisadas que mais registraram aumento da incidência de casos e mortes por sarampo entre 2019 e 2023 estão a África Subsaariana (+57,3% de casos e +13,5% de mortes), o Sudeste Asiático (aumento de 39,5% de casos e 27,2% de mortes) e o Norte da África (subida de 37,4% no número de casos e 54% no de mortes).

A cobertura da vacina contra o sarampo, cujo esquema vacinal inclui duas doses —uma aos doze meses de idade e um reforço aos 15 meses— aumentou progressivamente de 1990 a 2019, mas o crescimento estagnou a partir de 2020. A cobertura da D1 (primeira dose) era de 67,2% em 1990, passando para 83,5% em 2019 e depois apresentando uma queda para 81% em 2023.

Para a D2, a cobertura vacinal passou de 14,4%, em 1990, para 68,4%, em 2019, e 71,4%, em 2023 —que os autores reconhecem ser uma pequena melhora, mas ainda ocorre em ritmo lento. Mais ainda, chamam a atenção para o número de crianças zero-dose, número de crianças que não receberam a vacina na idade indicada, que subiu de 19,3 milhões, em 2019, para 22,2 milhões em 2023.

Países de alta renda, especialmente do continente europeu, tiveram, nos últimos anos, a maior carga da doença em mais de 25 anos, com mais de 127 mil casos registrados em países como Polônia, França, Alemanha e Itália.

No estudo, os cientistas atribuem a estagnação da cobertura a diversos fatores, incluindo fragilidades do sistema de saúde, dificuldades no acesso a imunizantes e também a disruptura dos serviços de vacinação durante a pandemia da Covid.

Isso pode refletir, em parte, o desmantelamento de políticas públicas de imunização, o enfraquecimento da confiança da população em imunizantes e a dificuldade para adesão ao programa de vacinação em locais em conflito ou com outras emergências sanitárias.

Para garantir a imunidade de rebanho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) prevê uma cobertura de 95% ou mais para as duas doses da vacina contra o sarampo em crianças de 1 a 5 anos. Estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apontou que, em todo o mundo, 48 milhões de crianças deixaram de ser vacinadas no período da pandemia.

Além disso, alguns países, como os Estados Unidos, viram um aumento substantivo do número de estados que aceitam algum tipo de licença médica para negar a obrigatoriedade da vacina, passando de 3,6% (em todo o território americano) para mais de 5% em 2023 —há hoje 17 estados onde algum tipo de desobrigação da vacina é aceito.

O caso do Brasil é particular, pois o país recebeu a certificação de eliminação do sarampo pela Opas-OMS em 2016, mas a perdeu em 2019, com aumento de casos registrados da doença. O país registrou, de 2020 a 2022, quatro das principais vacinas do calendário infantil (BCG, pólio, DTP e tetraviral) abaixo da meta. Estes indicadores começaram a crescer em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e chegaram a uma cobertura preconizada em 15 dos 16 imunizantes infantis no final de 2024.

Em 2024, com a recuperação das taxas de cobertura vacinal e sem registros de casos autóctones desde 2022, o país voltou a receber a certificação de eliminação do sarampo.

Casos de sarampo registrados neste ano em São Paulo, porém, preocupam especialistas.

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"O sarampo, quando a cobertura vacinal cai muito abaixo dos 95% [preconizados], é muito difícil controlar" afirma a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine. "Uma pessoa infectada pode infectar outras 15 pessoas, por isso é importante que a gente olhe a situação com muita preocupação."

Também em 2024, o presidente Donald Trump escolheu como seu secretário na área de saúde Robert F. Kennedy Jr., conhecido por suas posições publicamente contrárias às vacinas. Assim como o presidente Trump, ele já associou as vacinas contra sarampo ao autismo, o que não tem respaldo científico.

Os Estados Unidos estão no momento enfrentando um dos piores surtos de sarampo das últimas décadas, com 4.588 casos e cinco mortes confirmadas.

Segundo Garrett, é muito mais fácil perder a confiança nas vacinas do que recuperá-la. "Qualquer governo que enfraqueça os programas de imunização ou legitime a desinformação sobre vacinas estará aumentando o risco de surtos e colocando em perigo conquistas de saúde pública que levaram décadas para serem alcançadas."

O mesmo tipo de campanha foi divulgada, durante o início da pandemia, pelo então presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente disse publicamente não confiar nas vacinas.

Um estudo do SoU_Ciência (Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), de 2023, apontou que a rejeição à vacinação entre os eleitores de Bolsonaro chega a 27,2% contra 2,2% dos que declaram apoio a Lula.

A desconfiança na vacinação está também nos discursos do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), filho primogênito de Jair. Ele já questionou a vacinação e disse que "a vacina [da Covid-19] não foi testada como as outras sempre foram", uma alegação falsa, já que os estudos das vacinas contra a Covid passaram por todos os ritos necessários. O candidato do PL também afirmou, durante a CPI da Covid, que "não iria tomar a vacina" por "recomendação médica".

Em entrevistas posteriores, já cotado para a candidatura à presidência, Flávio disse que se vacinou, em uma tentativa de se distanciar de posicionamentos antivacina.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP

Eleições 2026 I Cobertura do segundo turno das eleições para Governo do Acre e Presidência

 


O ac24horas promove mais uma supercobertura das Eleições 2026.

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Mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores voltam às urnas para o 2º turno.

Brasileiras e brasileiros escolhem presidente e vice-presidente da República.

Em cinco estados e no Distrito Federal, também há votação para governadora ou governador.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

InfoGripe: três estados têm incidência de SRAG em nível de alerta ou risco, com sinal de crescimento

 


Divulgada nesta quinta-feira (22/10), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinal de queda na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de estabilização ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas três semanas). No entanto, segundo os pesquisadores, 3 das 27 unidades da Federação (UF) apresentam incidência de SRAG em nível de alerta ou risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica (SE) 41: Goiás, Mato Grosso e Sergipe. A análise é referente à SE 41, período de 11 a 17 de outubro.

Em Sergipe, o aumento de SRAG tem sido impulsionado pelo metapneumovírus, enquanto em Goiás está associado principalmente ao rinovírus. Em ambos os estados, o aumento ocorre especialmente entre crianças pequenas. Em Mato Grosso, o aumento de SRAG tem sido impulsionado principalmente pela Covid-19. Além disso, três UF também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Segundo os pesquisadores do InfoGripe, “apesar de o número de casos de SRAG por Covid-19 estar em níveis baixos na maior parte do país, é importante que as pessoas dos grupos prioritários verifiquem se estão com as doses de reforço da vacina em dia. Lembrando que idosos e imunocomprometidos precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses. Os demais grupos de risco devem tomar a dose de reforço uma vez ao ano”.


Estados e capitais

Em nível nacional, observa-se um aumento dos casos de SRAG por metapneumovírus, além de um leve crescimento dos casos graves por rinovírus e Covid-19. No entanto, os casos graves por Covid-19 permanecem em níveis baixos no país.

Os casos de SRAG por metapneumovírus estão aumentando principalmente nos estados do Centro-Sul (São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina) e Nordeste (Bahia, Pernambuco e Sergipe). Em relação à Covid-19, há sinais de aumento dos casos graves em Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, nesses dois últimos estados, a incidência de SRAG por Covid-19 permanece em níveis muito baixos.

De acordo com o InfoGripe, 5 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 41: Aracaju (SE), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ).

O aumento de SRAG em Aracaju e Cuiabá ocorre especialmente entre crianças pequenas, enquanto, em Palmas, concentra-se nas crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Em João Pessoa, o aumento é observado principalmente na faixa etária de 50 a 64 anos. Na capital do Rio de Janeiro, ocorre entre crianças menores de 2 anos, adolescentes e adultos de 15 a 64 anos.

Além disso, quatro capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belém (PA), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Rio Branco (AC).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,4% de influenza A, 5,3% de influenza B, 12% de vírus sincicial respiratório (VSR), 53,7% de rinovírus e 5,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 6,9% de influenza A, 9,8% de influenza B, 8,8% de vírus sincicial respiratório, 38,2% de rinovírus e 23,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 166.131 casos de SRAG, sendo 88.981 (53,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 60.426 (36,4%) negativos, e ao menos 7.416 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 15,8% de influenza A, 5,5% de influenza B, 39,4% de vírus sincicial respiratório, 33% de rinovírus, e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média1, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade temos o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao rinovírus, VSR e metapneumovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o rinovírus, VSR, influenza A e Covid-19.

O rinovírus também se destaca como principal causa de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”. 

Fonte _ FioCruz

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Ministério da Saúde inicia oferta no SUS de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia em todas as regiões do país

 


O Ministério da Saúde começa a ofertar, a partir dessa semana, nove novos medicamentos para tratamento de câncer no SUS. São produtos de alta tecnologia, que impactam na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão e linfomas, entre outros. A expectativa é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim do ano, ampliando em 35% as alternativas na rede pública de saúde. Esta é a maior inclusão tecnológica para o cuidado do câncer já realizada e atenderá 100% da demanda por esses produtos.

Muitos desses medicamentos eram aguardados há mais de dez anos: estavam incorporados ao SUS, mas sem a efetiva oferta nos serviços. A mudança veio com o Agora Tem Especialistas, iniciativa lançada em 2025 pelo Ministério da Saúde que visa consolidar a maior rede pública de cuidado do câncer para reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento no SUS. Em relação à oferta de medicamentos, foi instituída a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco) que definiu como cada tecnologia chegaria à população.

“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo. Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para viabilizar a oferta dos 23 novos medicamentos, o Ministério da Saúde assumiu a compra e negociação direta de 10 fármacos, articulou a realização de uma ata de preço para aquisição com menor preço pelos estados de outros nove e, para os outros quatro, ampliou os repasses para garantir o custeio nos serviços oncológicos do SUS. O impacto será R$ 4 bilhões por ano.

Novos medicamentos têm 13 indicações de câncer, com impacto na qualidade de vida

Os nove novos medicamentos são para 13 indicações diferentes para tratamento de câncer, com previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas. A disponibilização tem início em 20 centros de tratamento, localizados em todas as regiões do Brasil. A expectativa é expandir para todos os demais centros do país até o fim do ano. O impacto anual só na aquisição desses produtos será de R$ 155,4 milhões por ano.

A lista inclui medicamentos de alto custo, como o abemaciclibe, fármaco indicado para alguns tipos de câncer de mama, que pode custar R$ 366 mil na rede privada. Com a oferta no SUS, o acesso será ampliado para todos os pacientes que precisam desse tratamento.  Outro medicamento que passa a ser ofertado para uma nova indicação na rede pública é o pazopanibe, opção para pacientes com câncer renal metastático. Já o trastuzumabe, utilizado no SUS para o tratamento do câncer de mama, tem seu uso ampliado para pacientes com câncer de estômago.

Esses nove tratamentos atuam de formas diferentes, de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente. Entre os principais benefícios estão o aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida. Há ainda indicações para depois da cirurgia, quando não há mais sinal visível de tumor, com o objetivo de evitar que a doença volte.

As unidades de saúde que participam desta etapa de implementação estão localizadas em 17 estados contemplando toda as regiões do país: SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO, SE. Os pacientes serão atendidos por equipes capacitadas e com familiarização ao novo sistema, que está mais digital e integrado e com os fluxos de solicitação, registro e controle dos tratamentos mais modernos.

Saiba quais são os novos medicamentos

  • trastuzumabe — câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
  • abemaciclibe — câncer de mama precoce (RH+, Her2-, linfonodo +) ou avançado/metastático;
  • acetato de lanreotida — tumores neuroendócrinos;
  • pazopanibe — câncer de rim de células claras metastático;
  • rituximabe — leucemia linfocítica crônica (1ª linha), linfoma folicular, linfoma difuso;
  • abiraterona — câncer de próstata resistente à hormonioterapia não metastático e metastático e sensível à hormonioterapia e metastático
  • gefitinibe — câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha
  • TSH recombinante (alfatirotropina) — câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo
  • sunitinibe — câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe

SUS distribui exame para início do rastreamento do câncer de intestino

O SUS, agora, passará a indicar o rastreamento de câncer de intestino. Uma mudança fundamental para o diagnóstico precoce da doença. O Ministério da Saúde começa a distribuir para os estados 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início em novembro em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

O FIT será utilizado como exame de triagem para identificar quais pessoas precisarão realizar colonoscopia para confirmação do diagnóstico. A estratégia é voltada a homens e mulheres assintomáticos, entre 50 e 75 anos. De realização simples e semelhante a um teste de gravidez, o método detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O exame tem precisão de até 92%.

Entre as vantagens do FIT estão a praticidade, a rapidez do resultado e o menor custo. O método também permite direcionar a realização de colonoscopias para quem apresenta indicação, evitando procedimentos invasivos e desconfortáveis desnecessários em pessoas com resultado negativo.

Diferentemente do rastreamento do câncer colorretal, que será iniciado, o rastreamento do câncer do colo do útero já está em implementação no SUS, por meio do teste DNA-HPV. Como complemento, o Ministério da Saúde financiará a citologia reflexa em meio líquido, que utiliza a mesma coleta para avaliar amostras com sinais de alerta. O investimento anual será de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.

Com investimento de R$ 46 milhões por ano, o Ministério da Saúde passa a custear as cirurgias videotorácicas oncológicas, que contemplam principalmente o câncer de pulmão. A técnica utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos e é minimamente invasiva. As melhorias para os pacientes incluem a redução do tempo de internação e as complicações pós-operatórias.

Ministério da Saúde garante reajuste do valor dos procedimentos para diagnósticos mais rápidos e precisos

Com a Nova Tabela Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde está enterrando de vez a antiga tabela SUS e garantindo pagamentos três a quatro vezes maiores aos serviços de saúde. No caso da assistência oncológica, parte desses reajustes estão sendo realizados agora tanto para ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos quanto para acelerar o resultado dos exames, garantindo diagnóstico precoce.

Um dos reajustes realizados é o do recurso anual destinado à iodoterapia para o tratamento do câncer de tireoide, que passa por ampliação de 246%.  O aumento é de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões por ano e financia seis tipos de procedimentos. A atualização busca corrigir defasagens, considerando custos como a aquisição do iodo-131, o transporte do radiofármaco, a equipe assistencial, a proteção radiológica, os insumos, a manutenção da estrutura e o gerenciamento de rejeitos.

Para os medicamentos aplicados na veia, o repasse por procedimento passará a ser quatro vezes maior. Já para os medicamentos orais, o valor dobrará. A medida atende a uma demanda antiga dos serviços de saúde habilitados em oncologia, relacionada à necessidade de adequar os valores pagos às condições para a oferta do tratamento no SUS.

Os valores dos procedimentos de anatomia patológica no SUS também passam por atualização para fortalecer os serviços de diagnóstico e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública. Dentre os procedimentos estão biópsias e peças cirúrgicas. A iniciativa fortalece os Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT), que apoiam a análise de biópsias. Dos oito centros previstos, três já foram inaugurados, em Manaus (AM), Teresina (PI) e Diamantina (MG), e cinco estão em obras. Os serviços poderão receber até R$ 30 mil mensais de incentivo, conforme os critérios estabelecidos.

A estratégia inclui ainda o Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center que é o maior hospital exclusivo de câncer do Brasil e agora recebe as lâminas de biópsias de diferentes estados do país para acelerar os resultados. Em alguns estados, demoravam seis a sete meses para um resultado e, com essa parceria, reduziu para oito dias.

A medida prevê ainda o reajuste dos valores de exames e testes diagnósticos para diferentes tipos de câncer, além da inclusão de novos procedimentos no SUS.  São contemplados, por exemplo, sequenciamento genético e teste de biologia molecular. A iniciativa considera a complexidade e o custo de cada exame e conta com investimento anual de R$ 14,5 milhões.

Grupo de trabalho para o câncer infantojuvenil de retinoblastoma

O Ministério da Saúde criará um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha de cuidado do câncer infantojuvenil no Brasil voltada ao retinoblastoma, tumor que afeta a retina. A iniciativa é inédita e tem como objetivo estabelecer uma referência para organizar a assistência a crianças e adolescentes com esse tipo de câncer no SUS, com foco no diagnóstico precoce, na definição dos fluxos de atendimento e no encaminhamento oportuno para serviços especializados.

O principal sinal de alerta para a doença é um reflexo branco na pupila, que pode estar associado ou não ao estrabismo. As crianças com menos de 5 anos são as mais atingidas. O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Quando identificada rapidamente e tratada em serviço especializado, a sobrevida global supera 90%, com possibilidade de preservação do globo ocular e da visão.

Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica

O incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) será prorrogado até 2031. O edital, que é destinado para instituições privadas sem fins lucrativos está com inscrições abertas até 26 de outubro.

O Pronon apoia projetos de prevenção e combate ao câncer, incluindo ações de diagnóstico, tratamento, reabilitação e pesquisa. Em oito anos, mais de 2500 entidades foram habilitadas e mais de 1470 projetos aprovados.

Fonte _ Saúde.gov