quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 






Riscos invisíveis podem prejudicar recuperação e aumentar tempo na UTI

 


A UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é, por definição, um ambiente criado para enfrentar situações que ameaçam a vida. Mas, além da doença que levou o paciente ao hospital em primeiro lugar, existem ameaças menos visíveis que podem surgir durante a internação.

Perda de força e diminuição da massa muscular costumam ser problemas recorrentes nas UTIs. Esses efeitos podem começar por várias razões, que vão desde o processo inflamatório decorrente de infecções ou outras doenças graves, passando pelo repouso prolongado, e até o uso de medicamentos que, embora necessários para o cuidado da doença, levam ao enfraquecimento do corpo.

A utilização de certos fármacos somada a restrições na mobilidade também favorecem o surgimento de lesões por pressão, que podem evoluir para úlceras e áreas necrosadas. Não é incomum que os pacientes ainda sofram com alterações no trânsito intestinal ou precisem ficar em jejum por algum período durante a internação, o que faz com que o aporte calórico e proteico não seja adequado.

Outro ponto de preocupação envolve alterações cognitivas desenvolvidas em decorrência da gravidade do quadro inflamatório, das medicações utilizadas, do histórico de condições psicológicas anteriores e do próprio fato de a pessoa estar fora da sua casa ou de um ambiente conhecido. Isso se dá principalmente em indivíduos idosos portadores de doenças neurológicas prévias, que podem enfrentar desequilíbrios no ciclo de sono, ficando agitados durante a noite, confusos e desorientados.

"Essas questões podem prolongar a recuperação, aumentar o tempo de internação na UTI e o tempo de ventilação mecânica, além de impactar a mortalidade dos pacientes e comprometer seu retorno às atividades da vida diária após a alta hospitalar", explica a médica intensivista Amanda Pascoal Valle, que atua como coordenadora da UTI adulto do Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho - Vila Santa Catarina, unidade pública em São Paulo gerida pelo Einstein Hospital Israelita. Mas os perigos não param por aí.

Infecções por bactérias resistentes

As infecções adquiridas no ambiente hospitalar são consideradas uma das maiores ameaças dentro da UTI, principalmente aquelas causadas por bactérias multirresistentes, popularmente conhecidas como superbactérias. Uma vez que o paciente entra no hospital, ele passa a ser exposto a germes, e isso é particularmente perigoso entre quem está na UTI. Essas pessoas tendem a ficar mais vulneráveis devido a condições predisponentes, como cateteres ou tubos que rompem as barreiras protetoras naturais do corpo, algum tipo de imunossupressão induzida pelos remédios ou pela gravidade das próprias condições que as levaram à internação.

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"É um paradoxo: o hospital, que é um lugar de cura, acaba sendo também um ambiente que pode perpetuar a doença, por reunir diferentes microrganismos, inclusive, alguns únicos, que não existem fora dele", afirma o médico intensivista Adriano José Pereira, coordenador médico de Tele-UTI do Einstein. "Essas bactérias estão nas grades da cama, nos botões dos monitores, nas mãos da equipe e nos equipamentos de internação. Tudo pode servir de meio para que elas cheguem ao organismo humano, rompam nossas barreiras naturais e se propaguem em uma infecção."

Nem os antibióticos conseguem impedir esses riscos. Além da bactéria específica que causa infecção, os medicamentos também atingem microrganismos benéficos, prejudicando seu bom funcionamento. Quando utilizadas com frequência e de maneira indiscriminada, essas drogas estimulam o fenômeno biológico de pressão de seleção, no qual bactérias que apresentam características que as tornam mais resistentes ao fármaco utilizado sobrevivem e se reproduzem, enquanto as mais suscetíveis são eliminadas.

Com o passar do tempo, tal seleção favorece a multiplicação e a disseminação das bactérias resistentes, fazendo com que os tratamentos percam eficácia e tornando algumas infecções progressivamente mais difíceis de encerrar. "As bactérias têm uma capacidade impressionante e bastante sofisticada de resistir aos antibióticos. Elas conseguem produzir mecanismos de resistência com muito mais eficiência do que nós, seres humanos, conseguimos sintetizar novas moléculas", avalia Pereira. "Por isso, esse problema não deve ser enfrentado olhando apenas para o antibiótico. Precisamos seguir medidas de segurança rígidas nas UTIs para controlar esses riscos."

A resistência antimicrobiana (RAM) já é uma realidade. Uma pesquisa publicada em julho na Nature Communications revela que cerca de 27% de todos os pacientes admitidos em uma UTI na Índia apresentaram resultados positivos de infecção por bactérias da ordem Enterobacterales que desenvolveram resistência a carbapenêmicos produtores de carbapenemase, um tipo de antibiótico de última linha. A análise genômica mostrou alta concentração de Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, sugerindo eventos de transmissão tanto dentro quanto fora do ambiente hospitalar.

E o problema tende a piorar. De acordo com um estudo conduzido pelo consórcio Global Burden of Disease (GBD) e publicado em 2024 na revista The Lancet, entre 1990 e 2021, aproximadamente 4,71 milhões de mortes estiveram associadas à RAM. Desse total, 1,14 milhão foram diretamente atribuídas ao problema. A equipe ainda projeta que, se as medidas de combate às superbactérias não forem fortalecidas, até 1,91 milhão de óbitos atribuíveis e outros 8,22 milhões associados à RAM poderão ocorrer em 2050. Acredita-se que essas fatalidades ocorrerão, sobretudo, no sul da Ásia e na América Latina e Caribe.

Medidas de combate aos riscos

Devido à complexidade do desafio, não é todo o hospital que consegue evitar os riscos "invisíveis" da UTI. Mas, com esforço coordenado e coletivo, tampouco se trata de uma missão impossível. Sem registros de infecções hospitalares na UTI adulto há cerca de um ano, o Hospital Municipal Vila Santa Catarina segue à risca os protocolos para a redução de infecções relacionadas à assistência à saúde recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Ministério da Saúde e pelo próprio Einstein.

Entre as medidas adotadas como boas práticas, destaca-se o cuidado com os equipamentos utilizados de internação. "No caso do cateter venoso central, avaliamos todos os dias se ele ainda é necessário e se as medicações administradas por ele poderiam ser infundidas por um acesso periférico menos invasivo", observa Amanda Valle. "Também avaliamos regularmente a sedação do paciente, buscando deixá-la em um valor mínimo para tentar despertar a pessoa e retirá-la da ventilação mecânica o quanto antes, a fim de reduzir o tempo de exposição a esse risco."

Além disso, a higiene das mãos e o uso de máscara aparecem como uma das indicações mais importantes para a prevenção de novas infecções nas UTIs. Isso vale tanto para médicos, enfermeiros e outros profissionais que compõem a equipe de saúde quanto para os acompanhantes dos pacientes, que correm o risco de trazer microrganismos da rua e contaminar um ambiente que precisa permanecer o mais asséptico possível.

É justamente nesse campo que atua o projeto IMPACTO-MR, construído por seis hospitais brasileiros, incluindo o Einstein, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A plataforma, voltada à prevenção, ao controle e ao tratamento das infecções, reúne dados clínicos, microbiológicos, epidemiológicos, ambientais e econômicos.

Dentre as frentes conduzidas pelo Einstein está a investigação do ambiente hospitalar. Estudos realizados entre 2019 e 2022 avaliaram o microbioma de superfícies de UTIs e suas práticas de higienização. "Analisando as diferentes superfícies, encontramos contaminação em 25% das amostras de desinfetante coletadas. Ou seja, verificamos que o microrganismo consegue sobreviver mesmo em contato com o desinfetante, seja porque o produto estava muito diluído e/ou porque foi contaminado na manipulação (por exemplo, durante a utilização de baldes ou panos maciçamente contaminados)", relata Adriano Pereira, que é um dos pesquisadores do IMPACTO-MR no Einstein.

A partir desses resultados, o projeto passou a desenvolver novas pesquisas para testar estratégias capazes de reduzir a transmissão de microrganismos, como por meio do desenvolvimento de agentes desinfetantes e tecnologias de desinfecção sem contato direto, entre eles luz ultravioleta e peróxido de hidrogênio em aerossol.

O objetivo agora é avaliar se intensificar a desinfecção ambiental reduz realmente as infecções, em quais condições isso ocorre, quais seus custos, eventuais efeitos adversos dessas intervenções e como incorporar essas tecnologias de forma viável à rotina dos hospitais brasileiros.

Fonte _ Folha/SP

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 




Eventos religiosos de massa colocam América do Sul em alerta para sarampo, diz Opas



Diante da realização de diversos eventos religiosos de massa na América do Sul, que devem aumentar a circulação de pessoas em viagens nacionais e internacionais nos próximos meses, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) alerta para o alto risco de disseminação do sarampo na região.

A organização convoca países a intensificarem vacinação, vigilância e medidas de resposta rápida.

O aviso consta de nova avaliação regional de risco da Opas, publicada na última sexta (9) em um contexto de surtos em curso, lacunas persistentes na cobertura vacinal e detecção de casos de sarampo em novas áreas geográficas.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, ressalta que o sarampo é altamente contagioso e chama a atenção para as consequências baixa cobertura vacinal nas Américas. Ele pede que as famílias vacinem seus filhos com a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba).

O sarampo é uma doença viral transmitida pelo ar. Os principais sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele, que geralmente surgem entre 7 e 14 dias após a exposição. A transmissão acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

As recomendações aos países incluem fortalecer a vigilância e garantir que possam detectar e responder rapidamente aos casos, em especial nos momentos em que o aumento das viagens e dos eventos de massa cria mais oportunidades para a disseminação do vírus.

De 4 de janeiro a 3 de outubro, segundo a Opas, foram registrados 55.792 casos confirmados de sarampo e 77 mortes em 17 países e territórios da região —um aumento de 4,8 vezes no total de casos em comparação com o mesmo período de 2025.

A Guatemala registrou o maior número de casos, seguida por México, Estados Unidos, Peru e Canadá. Juntos, esses cinco países concentraram 99,5% dos casos confirmados. Também há casos na Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá e Uruguai.

As ocorrências de sarampo também aumentaram globalmente em 2026, o que eleva a probabilidade de casos importados associados a viagens internacionais e de transmissão subsequente em comunidades com baixa imunidade. A avaliação de risco da Opas identificou o ressurgimento global da doença como um fator que aumenta a probabilidade de registros importados.

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Por que eventos de massa aumentam o risco

O sarampo é altamente contagioso e pode se espalhar de forma rápida quando introduzido em populações com baixa imunidade, especialmente em locais com grande concentração de pessoas.

Indivíduos com sarampo podem transmitir o vírus antes do aparecimento da erupção cutânea característica, de modo que viajantes infectados expõem outras pessoas sem saber. Eventos de massa e o deslocamento entre países e comunidades facilitam a importação e a disseminação do vírus.

Daniel Salas, gerente executivo do Programa Especial de Imunização Integral da Opas, afirma que quem pretende participar de um evento de massa deve verificar se está protegido contra o sarampo, mesmo aqueles que viajam dentro do próprio país.

Ele acrescenta que pessoas (a partir de 6 meses de idade) que não tenham comprovação de vacinação precisam receber uma dose da vacina contra o sarampo antes de viajar ou participar de eventos, de preferência pelo menos duas semanas antes.

Vacinação continua sendo a principal proteção

Em 2025, a cobertura regional alcançou 88% para a primeira dose da vacina tríplice viral e 85% para a segunda dose, abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos. A persistência de coberturas insuficientes aumentou o número de pessoas suscetíveis ao sarampo.

Essas lacunas decorrem de diversos fatores, entre eles os atrasos na imunização acumulados durante a pandemia de Covid, hesitação vacinal em algumas comunidades, dificuldades operacionais para vacinar oportunamente e barreiras de acesso aos serviços de saúde, que afetam especialmente povos indígenas, migrantes e populações deslocadas.

Estima-se que aproximadamente 1,6 milhão de crianças não tenha recebido nenhuma dose da vacina contra o sarampo nas Américas em 2025.

Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde apresenta campanha com orientações sobre acesso a consultas, exames e cirurgias pelo SUS

 


Ministério da Saúde divulgou a Campanha Nacional de Atendimento Especializado, que reúne orientações sobre como buscar consultas, exames e cirurgias pelo SUS. O conteúdo apresenta o caminho para o atendimento especializado, desde a busca por atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) até o encaminhamento para os serviços disponíveis, por meio do Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025. 

A ação é voltada a pessoas que precisam de avaliação, acompanhamento, exames ou procedimentos especializados. As informações ajudam a identificar quando buscar atendimento e explicam as etapas do cuidado na rede pública, incluindo consultas, exames, acompanhamento e procedimentos. 

Entre os sinais que merecem atenção estão mal-estar, dor de cabeça persistente e vista embaçada. Quem apresenta sintomas ou precisa realizar exames preventivos deve procurar uma UBS ou acessar os serviços disponíveis pelo Meu SUS Digital. 

Na UBS, o paciente é avaliado e, quando há indicação clínica, a central de regulação da secretaria de saúde do município faz o encaminhamento para o serviço adequado. Conforme a necessidade, o cuidado pode incluir consulta com especialista, exames para investigar ou confirmar um diagnóstico, acompanhamento ou cirurgia. Quem tiver indicação de procedimento cirúrgico pode acompanhar pelo Meu SUS Digital a posição na fila e a confirmação da cirurgia. 

Na oncologia, a rede especializada oferece serviços de investigação, diagnóstico e tratamento, incluindo unidades habilitadas para assistência de alta complexidade e radioterapia. 

Como funciona o acesso 

Na UBS, o paciente passa por avaliação e, quando há indicação clínica, a central de regulação da secretaria de saúde do município encaminha o cidadão para o serviço especializado adequado. 

O atendimento pode envolver diferentes etapas, conforme a necessidade de cada pessoa, como consulta com especialista, exames para investigar ou confirmar o diagnóstico, acompanhamento ou procedimento cirúrgico. 

Quem tiver indicação de cirurgia também pode acompanhar pelo Meu SUS Digital informações sobre sua posição na fila e a confirmação do procedimento. 

Pacientes que residem a mais de 50 km de um centro de tratamento têm à disposição transporte de ida e volta, com acompanhante, em vans, micro-ônibus e ambulâncias para casos mais delicados. São 3,3 mil veículos destinados a todos os estados do país. 

Telessaúde e Carretas da Saúde 

Entre os serviços disponíveis está a Telessaúde, que permite a realização de teleconsultas e telediagnósticos. A modalidade possibilita que parte do cuidado seja feita a distância, conectando pacientes e profissionais para investigação e acompanhamento de diferentes condições de saúde. 

Os Núcleos de Telessaúde do SUS estão presentes em 4,4 mil municípios de 27 unidades da federação, com atendimentos em 62 especialidades, incluindo diagnóstico remoto em tele-eletrocardiograma, dermatologia e oftalmologia. Ao todo, mais de 10,3 milhões de procedimentos foram realizados desde o início de 2025. A estrutura terá o reforço de 7 mil kits de equipamentos para teleatendimento em UBS de 4,5 mil municípios. 

A população também pode ser encaminhada para atendimento nas Carretas da Saúde do Agora Tem Especialistas, unidades móveis que oferecem serviços especializados em diferentes regiões do país. As carretas de exames de imagem realizam, por exemplo, tomografias e ultrassonografias. As unidades de oftalmologia oferecem avaliações, exames para doenças dos olhos e cirurgias de catarata. Já as voltadas à saúde da mulher realizam mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, biópsias e consultas com especialistas. 

As unidades móveis atendem regiões onde há menor oferta de serviços especializados. Até o final do ano, serão 150 carretas circulando por todas as regiões do país, com novas especialidades disponíveis, como cardiologia e saúde bucal. As carretas realizaram mais de 1,2 milhão de procedimentos, com 458 mil pessoas atendidas em 4.249 municípios brasileiros, 76,2% do total de cidades do país. 

Atendimento em hospitais privados e filantrópicos  

Outra opção de atendimento especializado pelo SUS é o encaminhamento de pacientes para hospitais privados e filantrópicos que participam do Agora Tem Especialistas. A indicação e o encaminhamento são feitos pela regulação estadual ou municipal, e o atendimento é gratuito para o paciente. 

Os hospitais que aderiram ao programa podem receber créditos financeiros, que são trocados por abatimento de impostos federais. Atualmente, 312 instituições em 21 estados atendem pacientes em especialidades como cardiologia, oftalmologia, ortopedia, oncologia, ginecologia e Terapia Renal Substitutiva. Ao todo, estão previstos cerca de 793 mil procedimentos.

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 




Estudo aponta cinco estratégias para reduzir hesitação vacinal

 


O enfrentamento da hesitação vacinal depende da combinação de cinco estratégias: comunicação adaptada a diferentes públicos, combate à desinformação, capacitação de profissionais de saúde, ampliação do acesso à imunização e ações específicas para gestantes.

É o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. O trabalho reuniu 48 revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2024 sobre intervenções para reduzir a hesitação vacinal em adultos e gestantes, incluindo dados referentes às vacinas contra Covid, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.

Segundo os autores, as medidas tendem a funcionar melhor quando aplicadas em conjunto e adaptadas às necessidades de cada população. A síntese foi elaborada a partir de uma chamada pública do Ministério da Saúde para orientar políticas públicas.

A primeira estratégia é adaptar a comunicação a diferentes públicos. As campanhas devem considerar as características socioculturais de cada grupo e explicar os benefícios individuais da vacinação e sua importância para a proteção coletiva.

Isso pode incluir informações em outros idiomas para migrantes, linguagem simples sobre a segurança dos imunizantes e participação de lideranças comunitárias e religiosas. Influenciadores digitais também podem ampliar o alcance das mensagens.

"Cada população, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se vacinar", afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e uma das autoras do estudo. As estratégias devem considerar "as características do grupo que se pretende trabalhar e qual é o objetivo", acrescenta.

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A segunda estratégia é combater a desinformação. Segundo o estudo, autoridades e profissionais de saúde podem responder a conteúdos falsos nas redes sociais e divulgar informações científicas em linguagem acessível. O trabalho também aponta a importância de prevenir a disseminação de informações enganosas, com medidas como monitoramento e políticas regulatórias.

"É muito melhor prevenir a desinformação do que trabalhar nela depois que ela já foi disseminada", afirma Marques.

O pediatra Juarez Cunha, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirma que a falta de confiança nas vacinas, nos profissionais e nas instituições também pode afastar a população da imunização. Por isso, afirma, é importante identificar os fatores que interferem na vacinação em cada localidade para definir as medidas mais adequadas.

A terceira estratégia é capacitar os profissionais de saúde de forma contínua. Os treinamentos devem abordar conhecimentos sobre imunização e habilidades de comunicação, para que os profissionais consigam conversar com a população de forma clara e acolhedora.

A recomendação direta durante o atendimento também pode influenciar a decisão de se vacinar. Para Marques, o vínculo entre profissionais e pacientes é importante. Cunha acrescenta que os profissionais precisam estar bem informados para responder às dúvidas, tanto nas unidades de saúde quanto nas redes sociais.

Para Rosane Orth Argenta, gestora de saúde e CEO da Saúde Livre Vacinas, rede privada de clínicas de imunização, a recomendação de vacina precisa partir do profissional, sem esperar a iniciativa do paciente.

"O profissional não deve apenas esperar que o paciente pergunte sobre a vacinação. Ele precisa avaliar o calendário vacinal e recomendar as vacinas indicadas", afirma.

A quarta estratégia é ampliar o acesso à vacinação. Nem toda pessoa que deixa de se vacinar está recusando a imunização. Em alguns casos, a dificuldade é logística, como a falta de tempo para comparecer a uma unidade de saúde.

Horários estendidos, atendimento aos fins de semana, unidades móveis e oferta de doses em escolas, empresas e universidades podem reduzir essas barreiras.

A quinta frente é voltada a gestantes e puérperas. O estudo recomenda esclarecer dúvidas sobre possíveis efeitos adversos para a mãe e o bebê e oferecer vacinas durante o pré-natal e nas maternidades, com orientações e materiais explicativos.

"Quanto mais tiver essa relação do profissional de saúde com a gestante, indicando, recomendando a vacinação, melhor", afirma Marques.

As recomendações são apresentadas em um momento de recuperação da vacinação infantil no Brasil. Em 2026, o país deixou a lista dos 20 com maior número de crianças "zero-dose", segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

São consideradas zero-dose as crianças que não receberam a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche. No Brasil, a proteção é oferecida pela pentavalente, que também previne hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b.

Em 2025, 50 mil crianças estavam nessa situação, ante 255 mil em 2024. Para Marques, a recuperação das coberturas vacinais é importante diante do risco de reintrodução de doenças que haviam deixado de circular de forma sustentada. Quando elas se tornam menos frequentes, parte da população pode deixar de reconhecer sua gravidade e os riscos da queda da imunização, diz.

Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá concentravam 99,5% dos casos confirmados de sarampo em 2026. Em novembro de 2025, a transmissão endêmica foi restabelecida no Canadá, levando a região das Américas a perder o status de livre da circulação endêmica do sarampo, em meio a um crescimento do movimento antivacina.

No Brasil, até 5 de outubro, foram registrados 52 casos importados, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, segundo o Ministério da Saúde. O país mantém o status de livre da circulação endêmica, recuperado em novembro de 2024. A cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 93,1% em 2025, abaixo da meta de 95%.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP


domingo, 11 de outubro de 2026

Diagnóstico tardio e dificuldade para erradicar bactéria H. pylori elevam mortes por câncer de estômago

 


Há duas décadas, o câncer de estômago (ou gástrico) mata mais de 12 mil pessoas por ano no Brasil, e a mais recente projeção do Inca (Instituto Nacional de Câncer) aponta para uma elevação de casos até 2028, resultando em mais mortes.

As estimativas indicam 22,5 mil novos diagnósticos por ano no triênio iniciado em 2026, o terceiro ajuste seguido para cima nas projeções. Nos triênios 2020-2022 e 2023-2025, elas foram de 21,2 mil e 21,4 mil, respectivamente.

A tendência de alta deve se perpetuar no país pelos próximos anos, segundo especialistas, na esteira da maior prevalência da obesidade e do envelhecimento da população, mas sobretudo pela dificuldade de erradicar a bactéria H. pylori, principal causa da patologia no mundo.

Um problema, a julgar pela alta taxa de mortalidade para este tipo de câncer, que passa dos 60%. O crescimento de casos ocorre enquanto os recursos para erradicar a H. pylori ainda são escassos, o que mantém as infecções e eleva a curva de óbitos. O fenômeno já é observado nos últimos 20 anos.

Dados do Inca mostram que, em 2005, 12.435 pessoas morreram por câncer gástrico. Em 2007 foram 13 mil mortes, e 14,1 mil em 2013. Em 2019, alcançou o patamar de 15,1 mil. Em 2024, último ano registrado na base de dados, foram 14,9 mil mortes.


Segundo o gastroenterologista James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia, a alta taxa de mortalidade está associada ao diagnóstico tardio. Ele afirma que a condição é silenciosa e as doenças gástricas são muitas vezes negligenciadas pela população. Além disso, o SUS (Sistema Único de Saúde) não consegue monitorar e tratar a infecção pela H. pylori.

"O câncer de estômago não causa sintomas em grande parte dos acometidos. As pessoas chegam ao consultório suspeitando de anemia, problemas gástricos menos relevantes, e já têm o quadro avançado", afirma Marinho.

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"Estima-se que 70% da população brasileira tenha infecção com H. pylori. Isso é apenas uma estimativa, o sistema público não tem condições de oferecer endoscopia para todo esse contingente, nem exames menos invasivos", explica.

A H. pylori é responsável por 78% da carga de câncer gástrico no Brasil, segundo um estudo que combinou a prevalência estimada da bactéria na população com o risco associado à infecção.

O contágio pela H. pylori ocorre por más condições sanitárias e falta de saneamento básico. Por isso, ela é mais prevalente em países pobres e populações em vulnerabilidade socioeconômica.

"A contaminação ocorre sobretudo pelo contato da água com dejetos. Se analisarmos, por exemplo, comunidades que vivem à beira de córregos poluídos, é muito provável que a maioria esteja com a bactéria", diz o endoscopista e gastroenterologista Ismael Maguilnik.

A partir da infecção, a bactéria causa o que se chama de cascata de Pelayo Correa, uma sequência de alterações que podem ocorrer no estômago ao longo dos anos, resultando, em parte dos casos, no câncer gástrico.

A infecção provoca inflamação da mucosa do estômago (gastrite crônica). Com a persistência, podem surgir atrofia da mucosa, metaplasia intestinal (alteração celular em que o revestimento interno do estômago ou do esôfago muda e passa a se parecer com o tecido do intestino) e, posteriormente, displasia, considerada uma alteração pré-cancerosa.

Em alguns pacientes, essa sequência pode culminar no adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer de estômago.

Embora a H. pylori seja a principal responsável pelo câncer gástrico, outros fatores podem contribuir para o surgimento da patologia. O consumo de alimentos ricos em sal é um deles, em que pesa a forte presença dos ultraprocessados na dieta global.

"Esses alimentos têm uma grande quantidade de sal e defumados, agressores do tecido gástrico. Portanto, nem sempre a H. pylori vai resultar no câncer sozinha, ela vai ter como aliados os hábitos ruins que o sujeito adquire ao longo da vida", explica Maguilnik.

Outros fatores de risco associados ao surgimento de cânceres no estômago são tabagismo e consumo de bebida alcoólica.

Entre doenças crônicas, a obesidade –galopante no Brasil segundo pesquisas recentes– também é uma comorbidade facilitadora.

Maguilnik diz que um teste respiratório à base de carbono 13, não radiativo, seria uma boa solução para identificar precocemente a H. pylori no estômago e dar início ao tratamento.

"Essa é uma luta nossa para tentar convencer as autoridades, seria um grande recurso e se trata de um procedimento não invasivo. Fazer endoscopia em toda a população é um sonho quase impossível", diz.

Segundo o Ministério da Saúde, não há, até o momento, pedido de incorporação e avaliação da tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

De acordo com o médico, também existem testes feitos a partir de antígeno nas fezes, mas com alto índice de negativos.

Para frear o aumento, os especialistas afirmam que é necessário erradicar a H. pylori, o que esbarra no problema de diagnóstico.

Mas não só. Ainda não está claro qual é o tratamento mais eficaz para combater a bactéria uma vez identificada.

Geralmente, o tratamento é feito com combinações de antibióticos associados a um medicamento que reduz a acidez do estômago. Entre os antibióticos usados estão amoxicilina, claritromicina, metronidazol e tetraciclina.

A escolha depende do esquema indicado, de alergias e, cada vez mais, do perfil de resistência da bactéria.

A resistência a alguns antibióticos, contudo, tem aumentado, por isso as diretrizes mais recentes recomendam evitar esses medicamentos quando não há evidência de que a bactéria seja sensível a eles.

"Os antibióticos constituem a ferramenta que temos por ora, mas para isso precisamos encontrar os pacientes antes da metaplasia e da neoplasia", diz Maguilnik.

"Sem controlar a infecção, não vamos diminuir o câncer gástrico. É preciso também conscientizar as pessoas sobre o consumo de sal, ultraprocessados, álcool e cigarro. Ou os números continuarão em alta", afirma Marinho.

Os especialistas recomendam àqueles com histórico de câncer gástrico na família o início do rastreamento aos 30 anos. Para pessoas sem histórico familiar ou problemas gástricos, a recomendação é aos 40 anos.

Outras medidas, como reforçar higienização de alimentos e das mãos e evitar contato com água de qualidade desconhecida são úteis, embora não resolvam a situação.

O Ministério da Saúde afirmou ainda que, neste ano, começam a ser disponibilizados 23 novos medicamentos para tratamento do câncer, o que representa um aumento de 35% na oferta na rede pública de saúde. "Entre esses medicamentos está o trastuzumabe, que pode reduzir ou eliminar os tumores de câncer de estômago HER2 positivo em até 50% dos casos."

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP

Missa de Posse Canônica Pe. Francisco Nepomuceno

 


Paróquia São Francisco Guajará Amazonas

 Verdes Florestas 95.7 FM

 


sábado, 10 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 




Testes de saliva e de sangue buscam detectar endometriose sem cirurgia

 


Obter um diagnóstico de endometriose é notoriamente difícil.

Em média, leva de sete a nove anos, e muitas pacientes ouvem que sua dor excruciante é apenas uma cólica menstrual normal ou coisa da cabeça delas. Mesmo quando encontram um médico disposto a ajudar, muitas precisam passar por cirurgia para confirmar o diagnóstico, porque os exames de imagem não detectam a doença de forma confiável. Estima-se que a doença, na qual um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele, afete pelo menos 1 em cada dez mulheres em idade reprodutiva.

Para muitas, um teste não invasivo confiável seria o santo graal. Agora, várias startups afirmam tê-lo encontrado e oferecem o diagnóstico de endometriose por meio da análise de moléculas de RNA na saliva, proteínas no sangue ou sinais elétricos no trato gastrointestinal.

"A premissa é boa, porque atualmente o padrão de atendimento é invasivo", diz Ja Hyun Shin, especialista em cirurgia ginecológica da Weill Cornell Medicine.

Mas, até agora, segundo ela e outros especialistas, as evidências sobre os novos testes se limitam a estudos pequenos, com pacientes que talvez não sejam representativas da população em geral.

Katherine Burns, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati, que estuda endometriose e também tem a doença, diz entender a ansiedade das pacientes: ela sofreu por cerca de 10 anos sem diagnóstico e teria tentado qualquer coisa para obter respostas e alívio. "Mas uma das coisas que aprendi ao longo do caminho é que é preciso fazer perguntas", afirmou.

Veja o que sabemos sobre os novos testes.

O que está sendo comercializado?

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, não aprovou nenhum teste não invasivo para endometriose. Mas várias empresas oferecem produtos "apenas para fins de pesquisa" ou por meio de uma brecha regulatória que a FDA tentou, sem sucesso, fechar.

Às vezes, a endometriose aparece em ressonâncias magnéticas ou ultrassonografias, mas muitas vezes isso não acontece. Assim, para muitas mulheres, a única forma de obter um diagnóstico definitivo é um cirurgião procurar lesões e realizar biópsias. A premissa dos novos testes é que eles podem detectar biomarcadores — isto é, alterações em fluidos ou funções do organismo — associados à doença.

Um deles, chamado Endotest, analisa a saliva em busca de um padrão de microRNAs, moléculas envolvidas na regulação dos genes. Outro, o EndoSure, mede a atividade elétrica gastrointestinal. Um terceiro, o EndomTest, procura duas proteínas no sangue. Cada teste é respaldado por pelo menos um estudo revisado por pares, conduzido ou financiado por seu fabricante.

Um quarto teste, da Xella Health, usa um algoritmo proprietário de inteligência artificial para analisar biomarcadores sanguíneos, sintomas e histórico médico e estimar o risco de endometriose, mas sua precisão não foi avaliada publicamente. A Xella também está desenvolvendo um teste com fluido menstrual, baseado, até o momento, em uma análise não publicada de 28 amostras — número insuficiente para tirar conclusões, considerando o quanto a endometriose pode variar de uma paciente para outra, segundo Stacey Missmer, professora de saúde da mulher da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan.

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Quais são as evidências?

Os estudos iniciais do Endotest e do EndoSure constataram que eles identificaram corretamente mais de 90% das pessoas com e sem endometriose. Mas os estudos tinham limitações, segundo muitos especialistas, entre elas o tamanho, os tipos de pacientes e o fato de terem sido financiados ou conduzidos pelos fabricantes dos produtos.

O principal estudo do Endotest envolveu 971 pacientes; o do EndoSure, 154. Nos dois casos, a maioria tinha endometriose. Os testes podem apresentar um desempenho enganosamente bom em populações de "alta prevalência" como essas, porque há poucas oportunidades de diagnosticar equivocadamente pessoas que têm outras condições, diz Tamer Seckin, cirurgião especializado em endometriose e fundador da Endometriosis Foundation of America.

Um estudo recente do Endotest realizado por pesquisadores independentes encontrou resultados menos expressivos, mas era pequeno e foi conduzido com uma população pouco representativa. Dois estudos pequenos realizados na Bélgica e no Brasil também analisaram o EndoSure, mas ainda não passaram por revisão por pares e incluíram tão poucas pessoas sem endometriose que os pesquisadores não conseguiram estimar de forma confiável a eficácia do teste para identificá-las corretamente.

A Ziwig, fabricante do Endotest, afirmou que estavam em andamento "estudos prospectivos em condições reais envolvendo até 25.000 mulheres". Mark Noar, presidente-executivo do EndoSure, disse que a empresa também estava realizando estudos com populações mais amplas.

Muitos especialistas disseram considerar promissora a tecnologia de microRNA por trás do Endotest, embora ainda não esteja aperfeiçoada. Embora não haja muitos estudos sobre o Endotest, o potencial geral dos microRNAs como biomarcadores foi mais estudado.

As evidências sobre a tecnologia do EndoSure, que analisa sinais elétricos intestinais, são mais preliminares, segundo Seckin, Shin e Ted Lee, diretor de cirurgia ginecológica minimamente invasiva da NYU Langone Health.

Christine Metz, professora dos Feinstein Institutes for Medical Research, da Northwell Health, disse que o estudo inicial do EndoSure era promissor. Mas Metz observou que diversas doenças, medicamentos e outros fatores podem afetar a motilidade intestinal; por isso, são necessárias mais pesquisas para confirmar se os sinais medidos pelo EndoSure são específicos da endometriose.

Quanto ao EndomTest, a opção baseada em proteínas, um pequeno estudo realizado por seu desenvolvedor mostrou quase nenhum falso positivo, mas muitos falsos negativos: ele identificou apenas 46,2% das pessoas com endometriose. Andrew Levin, CEO da empresa que licenciou o teste, diz que outros estudos estavam em andamento. E, apesar da ausência de falsos positivos no estudo, o teste se baseia, em parte, em uma proteína cujos níveis aumentam em muitas doenças. A empresa afirma que a análise conjunta de duas proteínas torna o teste mais preciso, mas Seckin e Missmer se mostraram céticos.

O que vem a seguir?

É possível que um teste atualmente disponível no mercado — ou uma versão modificada dele — seja validado dentro de alguns anos.

"Considero essas iniciativas primeiros passos muito promissores", diz Beyaz.

Enquanto isso, os especialistas enfatizaram que os médicos podem ter segurança de que muitas pacientes têm endometriose com base nos sintomas e no exame físico e tratá-las de acordo com essa avaliação. "Poderíamos fazer muito, muito melhor desde já se simplesmente ouvíssemos nossas pacientes", diz Hugh Taylor, professor e chefe do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Ciências Reprodutivas da Faculdade de Medicina de Yale, que estuda o microRNA como marcador de endometriose.

Os novos testes talvez sejam mais úteis para pacientes cujos sintomas são ambíguos, como aquelas com infertilidade sem causa aparente, mas sem dor, ou adolescentes com sintomas leves que possam ser sinais iniciais de endometriose.

Além do Endotest, um grande ensaio clínico está avaliando um exame de sangue de microRNA chamado DotEndo, baseado nas pesquisas de Taylor. Taylor integra o conselho consultivo científico da empresa. O ensaio foi elaborado em consulta com a FDA, disse Heather Bowerman, fundadora e CEO da DotLab, fabricante do teste. Se os resultados forem bons, afirmou ela, a DotLab poderá solicitar a aprovação da FDA já em 2027, embora ainda não tenha decidido qual caminho regulatório seguirá.

Ao mesmo tempo, novas descobertas ressaltam o quanto os pesquisadores talvez ainda desconheçam.

Um artigo recente da equipe de Taylor foi um dos primeiros a relatar que adolescentes com endometriose em estágio inicial podem apresentar marcadores de microRNA diferentes dos observados em adultas. Isso pode significar que sejam necessários testes diferentes, diz a autora principal, Alla Vash-Margita, professora associada de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas de Yale.

Taylor diz acreditar que "teremos métodos não invasivos de diagnóstico da endometriose em um futuro próximo". Mas acrescenta: "É difícil saber se algum dos que estamos vendo agora será o melhor teste".

Fonte _ Folha/SP