quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Anvisa manda recolher e proíbe venda de bebidas proteicas NotShake Protein
A Anvisa(Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (16) o
recolhimento de bebidas
proteicas NotShake Protein, da NotCo Brasil.
A
medida, publicada no Diário Oficial da União, atinge quatro sabores do
produto: NotShake Protein Morango com Tâmara; NotShake Protein Baunilha com
Coco; NotShake Protein Chocolate; e NotShake Protein Café Caramelo.
Também
ficam proibidas a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e a
utilização dos produtos.
Em
nota, a NotCo afirma que não foi previamente notificada pela Anvisa sobre o
recolhimento do produto, mas "já trabalha para compreender integralmente
as motivações técnicas e regulatórias da decisão".
Segundo
a Anvisa, os produtos não estão registrados como suplemento
alimentar.
As
bebidas contêm suco concentrado de repolho, mas a empresa não comprovou atender
aos requisitos necessários para o uso do ingrediente em suplementos
alimentares, diz a agência.
A
Anvisa também afirma que é inadequada a alegação de "zero lactose".
Diz, ainda, que os estudos apresentados para demonstrar a manutenção das
características do produto durante todo o prazo de validade são insuficientes.
Na
nota enviada à reportagem, a NotCo também "reafirma seu compromisso
inegociável com a qualidade, a segurança alimentar, o controle de qualidade e o
cumprimento da legislação em todas as etapas de sua cadeia produtiva."
Fonte _ Folha/SP
Anvisa proíbe T36, caneta paraguaia com princípio ativo do Mounjaro
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, nesta quarta-feira (16), a
importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e
o uso da caneta
emagrecedora paraguaia T36.
O
produto é vendido como uma versão de tirzepatida, o mesmo princípio ativo
do Mounjaro,
da farmacêutica americana Eli Lilly, hoje o único medicamento à base
dessa substância autorizado a circular no Brasil.
A
T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela produção da
Tirzedral, outra caneta de tirzepatida paraguaia que já
havia sido proibida pela Anvisa. Até a decisão desta quarta, porém, a
T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da agência que barraram outros
produtos paraguaios à base da substância, o que abria uma brecha para a compra
individual.
Segundo
o advogado André Schleich, que atua em processos relacionados às tirzepatidas
paraguaias, a T36 não é um medicamento novo, mas uma nova apresentação
comercial da Tirzedral.
"É
basicamente o mesmo medicamento que a Tirzedral, não tem alteração nenhuma. Só
mudaram a embalagem, mudaram a roupagem. Os dois são produzidos
concomitantemente", afirma.
Em
18 de agosto, a Folha questionou a Anvisa sobre a ausência,
até então, de uma medida específica contra a T36, que vinha circulando em
grupos de venda no WhatsApp desde junho. Em outros casos, a Anvisa chegou a
proibir emagrecedores do Paraguai antes mesmo de chegarem ao mercado. Foi
o caso da Slimex, barrada antes de estar disponível nas prateleiras do
país vizinho.
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Em
resposta à Folha, em 20 de agosto, a Anvisa afirmou que mantinha
monitoramento constante para identificar situações que poderiam justificar
ações de fiscalização.
A
agência confirmou que, até aquele momento, de fato não havia publicado nenhuma
medida específica contra a T36, mas ponderou que, em razão da falta de registro
sanitário desse medicamento no Brasil, sua comercialização no país estava
proibida.
Com
a decisão desta quarta-feira, a T36 passa a ser incluída nas medidas adotadas
pela Anvisa contra as tirzepatidas paraguaias, como TG, Lipoless, Lipoland,
Gluconex e Tirzec, que já haviam sido alvo de medidas da agência.
O
que é a T36?
A
T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, que também produz a Tirzedral. O
registro sanitário foi aprovado em junho deste ano pela Dinavisa (Direção
Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia) e tem validade até abril de 2031.
Segundo
o registro, o medicamento é comercializado em frascos multidose de 2,4 mL, com
doses que variam de 2,5 mg a 15 mg, e é indicado para diabetes tipo
2 e controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a
comorbidades.
Um
estudo da Unicamp (Universidade
de Campinas) encomendado pela Folha, usando cromatografia líquida,
espectrometria de massas e dicroísmo circular, confirmou que amostras de
tirzepatida paraguaia, incluindo a Tirzedral, continham o mesmo princípio ativo
do Mounjaro.
Especialistas
explicaram que a molécula paraguaia não é idêntica ao Mounjaro. Isso porque
encontrar o mesmo princípio ativo é só a ponta do iceberg. A análise não
avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança
dos medicamentos.
A
própria Anvisa afirma que comprovar equivalência terapêutica exige mais do que
identificar a molécula: é preciso avaliar como o produto se comporta dentro do
corpo, além de questões envolvendo a produção farmacêutica, como condições de
fabricação, armazenamento e transporte do produto.
O
que a própria bula não deixa claro
O
documento técnico que acompanha o registro da T36 junto à Dinavisa mostra
números e conclusões de estudos, mas não apresenta qualquer informação que
permita identificar ou checar a pesquisa original.
O
documento afirma, por exemplo, que um "estudo de carcinogenicidade de 2
anos" em ratos machos e fêmeas encontrou aumento de tumores de células C
da tireoide em todas as doses testadas, mas não informa quem conduziu o estudo,
em que instituição, sob que registro ou se os resultados foram publicados em
alguma revista científica revisada por pares.
O
mesmo vale para o estudo citado sobre a interação da tirzepatida com
anticoncepcionais orais e para o "estudo com paracetamol" usado como
modelo para avaliar o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico.
Ambos
aparecem descritos com percentuais precisos de redução de concentração
plasmática, mas sem nenhuma referência que permita localizar o estudo original
e avaliar sua metodologia.
Essa
ausência de rastreabilidade impossibilita verificar se os dados citados na bula
correspondem a testes feitos com o produto paraguaio ou se foram simplesmente
copiados de estudos de outra empresa, sobre outra formulação.
Por
que o registro no Paraguai não vale no Brasil?
Mesmo
que um produto já esteja registrado no Paraguai pela Dinavisa, tenha fabricante
conhecido e seja usado pela população, ele precisa obter registro sanitário na
Anvisa para ser vendido regularmente no Brasil.
"Não
há reconhecimento automático de um país para o outro. O primeiro passo é obter
o registro no Brasil. Só então a empresa passa pela análise de qualidade,
segurança e eficácia, além dos estudos e ensaios clínicos exigidos aqui",
explica a advogada Anna Goulart, especialista em direito da saúde.
Anvisa
e a Dinavisa assinaram
um acordo em 20 de agosto para troca de informações e combate a
produtos ilegais. O documento substitui um memorando firmado em março de 2024 e
passa a valer por cinco anos.
O
documento também prevê compartilhamento de informações sobre boas práticas de
fabricação, ensaios clínicos, alertas sanitários, apreensões e investigações
relacionadas à cadeia de comercialização.
É
seguro usar canetas paraguaias?
Neuton
Dornelas, médico endocrinologista e presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia), afirma que, apesar de usuários relatarem em
redes sociais que têm perdido peso sem efeitos colaterais graves, a experiência
não substitui as evidências exigidas por órgãos reguladores nem elimina os
riscos associados ao uso de medicamentos sem registro sanitário no Brasil.
"O
primeiro grande risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está
recebendo. Também não há garantia sobre a pureza nem sobre a estabilidade do
medicamento, que pode ser comprometida por condições inadequadas de transporte
e armazenamento", diz.
Fonte _ Folha/SP
terça-feira, 15 de setembro de 2026
São Paulo chega a 36 casos de sarampo em 2026; 26 não tinham vacinação completa
O
estado de São Paulo registra
36 casos de sarampo em
2026, segundo informações da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde)
divulgadas nesta terça-feira (15). Até
a última sexta (11), eram 32
casos no estado.
Dos
4 novos registros, 3 são de moradores da cidade de São Paulo: dois meninos
menores de 2 anos, ambos com esquema vacinal incompleto, e uma mulher de 24
anos, com histórico de vacinação.
O
quarto caso é de um homem de 36 anos, morador de Santo André,
também já vacinado. É o primeiro registro da doença neste ano no município do
ABC.
Durante
todo o ano de 2025 foram registrados dois casos de sarampo em todo o território
paulista.
A
capital concentra 32 casos no estado. São
Bernardo do Campo tem dois registros, enquanto Guarulhos e
Santo André têm um caso cada um.
Do
total, 26 pacientes não tinham registro de vacinação contra o sarampo ou
estavam com esquema vacinal incompleto.
O
que é o sarampo e quais são os sintomas?
O
sarampo é uma doença de transmissão respiratória causada por um vírus. Os
sintomas mais comuns são febre alta, manchas
vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite,
coriza, mal-estar e tosse seca.
Como
ocorre a transmissão?
A
transmissão do sarampo acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir,
espirrar, falar ou respirar.
Quais
são as complicações mais sérias?
Pneumonia,
infecção no ouvido, encefalite e
morte.
Qual
população corre mais risco com o sarampo?
As crianças menores
de 5 anos de idade (em especial, abaixo de 1 ano) e pessoas imunodeprimidas.
Qual
é o tratamento?
Não
existe tratamento específico contra o sarampo. Apenas os sintomas são tratados,
para reduzir o desconforto.
Quem
já teve sarampo está imunizado para sempre?
Sim,
quem teve sarampo desenvolve uma imunidade de memória suficiente para se
proteger pelo resto da vida. Quem não sabe se já teve a doença ou não tem
comprovação de vacinação é orientado a se vacinar.
A
vacina contra o sarampo é segura? Tem contraindicações?
Sim,
o imunizante contra o sarampo é seguro e eficaz. É uma das vacinas com menos
restrições de uso. É contraindicada a imunossuprimidos e bebês menores de 6
meses. Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou que já tiveram
reação adversa devem buscar orientação nas unidades de saúde.
Gestantes
não devem tomar a vacina contra o sarampo, pois ela é composta por vírus vivo
atenuado, o que representa risco durante a gravidez.
Onde
posso tomar a vacina do sarampo?
O
imunizante está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades
Básicas de Saúde) dos 645 municípios do estado de São Paulo.
A
vacinação é a principal forma de prevenir a doença. A vacina tríplice viral,
que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível em todas as UBSs
do estado.
Quem
pode se vacinar?
O Ministério
da Saúde recomenda duas doses: a primeira aos 12 meses, com a
vacina tríplice
viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com
a tetraviral (que inclui proteção contra varicela).
Pessoas
de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a
59 anos devem ter pelo menos uma dose. Profissionais de saúde precisam
comprovar duas doses, independentemente da idade.
No
último dia 9, a vacinação contra o sarampo de pessoas com idades entre 6 meses
e 59 anos foi retomada em São Paulo nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros
e Vila Guilherme, todos na zona norte da cidade.
Na
capital paulista, o imunizante está disponível em todas as UBSs e AMAs/UBSs
Integradas, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas
AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário.
Os
moradores podem consultar a unidade mais próxima de sua residência por meio da
plataforma Busca Saúde: buscasaude.prefeitura.sp.gov.br.
Fonte _ Folha/SP
Acordo entre Opas e farmacêutica abre caminho para injeção semestral contra HIV chegar ao Brasil
Um
acordo entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Opas (Organização Pan-Americana
da Saúde),
anunciado nesta terça-feira (15), abre nova via para que países da América
Latina e do Caribe tenham acesso ao lenacapavir, medicamento
injetável aplicado duas vezes por ano para prevenção do HIV.
O
Brasil está entre os 14 países da região que poderão ser beneficiados. Todos estão
fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela empresa
com fabricantes de genéricos e, por isso, dependem de negociações com a Gilead
para aquisição da fórmula.
A
assinatura do acordo, no entanto, não significa que o lenacapavir estará
imediatamente disponível nos países. O comunicado da farmacêutica não informa
preço, nem volume reservado para o Brasil, tampouco cronograma de fornecimento.
Cada governo terá de decidir, antes, se adere à iniciativa.
No
Brasil, o medicamento já venceu uma etapa regulatória importante. Em janeiro
deste ano, a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso do Sunlenca, nome comercial
do lenacapavir, como PrEP (profilaxia pré-exposição), para adultos e
adolescentes a partir de 12 anos de idade e com pelo menos 35 kg.
Segundo
a agência, a comercialização ainda depende da definição de preço máximo pela
CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
Para
ser oferecido no SUS, o produto também precisa passar pela Conitec (Comissão
Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), que avalia a incorporação de
novas tecnologias, e receber decisão favorável do Ministério da Saúde. Em
julho, a pasta tentou negociar diretamente com a Gilead a compra do
medicamento, mas
não teve sucesso nas tratativas.
A
farmacêutica afirma que, apesar do acordo com a Opas, pretende continuar suas
negociações junto ao governo brasileiro.
O
lenacapavir é considerado uma das principais
inovações recentes na prevenção do HIV porque reduz a necessidade
de tomar comprimidos todos os dias. Aplicado sob a pele do abdômen a cada seis
meses, o remédio bloqueia diferentes etapas do funcionamento do capsídeo,
estrutura que envolve o material genético do vírus.
Em
nota enviada à reportagem nesta terça, o Ministério da Saúde disse que estuda
oferecer o lenacapavir no SUS "como alternativa para pessoas que enfrentam
dificuldades de adesão ao uso diário da medicação". Afirmou também que,
neste momento, a Conitec avalia a incorporação do cabotegravir,
da GSK/ViiV.
A pasta disse ainda que em agosto se reuniu com a Gilead para tratar da redução de preço do produto e possível transferência de tecnologia para o Brasil.
Nos
estudos de fase 3 que embasaram a autorização sanitária, não houve infecções
entre as mulheres cisgênero que receberam o medicamento no Purpose 1. No
Purpose 2, feito com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso —com
participação de centros brasileiros—, o lenacapavir reduziu em 96% a incidência
de HIV em comparação com a taxa esperada sem uso de PrEP e foi 89% mais eficaz
do que a profilaxia oral diária.
Os
resultados não transformam o medicamento em vacina, nem eliminam a necessidade
de acompanhamento. Antes de cada aplicação, é preciso confirmar que a pessoa
não tem HIV. A Anvisa alerta para o risco de surgimento de resistência caso
alguém com infecção aguda ainda não identificada receba o medicamento ou demore
a iniciar um tratamento eficaz após uma falha da PrEP.
Em julho de 2025, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou que o lenacapavir fosse oferecido como opção adicional dentro das estratégias de prevenção combinada. A possibilidade de apenas duas aplicações anuais pode ajudar pessoas que enfrentam dificuldade para manter o uso diário da PrEP ou que temem o estigma associado aos comprimidos.
Exclusão
do Brasil provocou reação
O
caminho até o anúncio desta terça-feira foi marcado por pressão de autoridades
sanitárias e organizações da sociedade civil.
Em
outubro de 2024, a Gilead concedeu licenças voluntárias a seis fabricantes para
produzir versões genéricas do lenacapavir destinadas a 120 países de baixa e
média renda. O Brasil e a maior parte da América Latina ficaram de fora.
Naquele
mês, o Conselho Nacional de Saúde aprovou uma moção de repúdio à decisão. O
órgão argumentou que o Brasil havia participado do estudo Purpose 2, mas fora
excluído tanto da licença para genéricos como da lista inicial de países
prioritários para registro.
O
texto também defendeu que o governo retomasse o debate sobre licenciamento
compulsório —a chamada quebra de patente— caso o preço impedisse o acesso pelo
SUS.
A
controvérsia se manteve mesmo depois do aval da Anvisa. Em julho deste ano, o
diretor do Departamento de HIV, Aids,
Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do
Ministério da Saúde, Draurio Barreira, afirmou que o governo e a Gilead não
haviam chegado a um acordo de curto prazo para incorporação do lenacapavir.
Segundo ele, a proposta brasileira foi de US$ 400 por pessoa por ano.
A
Gilead não confirmou o valor, nem informou qual preço buscava. Disse apenas que
as conversas continuavam e que havia assinado um memorando de entendimento com
a Fiocruz para estudar uma possível transferência de tecnologia.
Fonte _ Folha/SP
Ministério da Saúde vai ofertar pneumo20 para quem tem mais de 85 anos
Ministério
da Saúde começou a disponibilizar, pela primeira vez, a vacina
pneumocócica 20-valente conjugada (pneumo 20) para pessoas com 85 anos
ou mais. O imunizante já está disponível no SUS para
o início da vacinação desse público, ampliando a proteção contra a doença
pneumocócica e suas formas graves, como pneumonia e meningite. O objetivo é
contribuir para reduzir o risco de complicações, hospitalizações e
óbitos entre as pessoas mais idosas. A estimativa é de que mais de 2,3 milhões
de pessoas façam parte do público-alvo em todo o país.
Com
o avançar da idade, as infecções pneumocócicas tendem a apresentar maior
gravidade, risco de complicações e taxas de mortalidade mais elevadas. Entre os
fatores que aumentam essa vulnerabilidade, estão o processo natural de
envelhecimento do sistema imunológico (imunossenescência), e a maior frequência
de comorbidades. Essas condições aumentam o risco de evolução desfavorável das
infecções respiratórias, hospitalização e necessidade de cuidados intensivos.
Além das consequências respiratórias, podem ocorrer comprometimentos cardíacos,
renais e do sistema nervoso central, entre outros.
Dados
nacionais reforçam a importância da proteção desse público. Entre pessoas
idosas nesta faixa etária, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as
causas foi de 3.097,7 por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 por 100 mil
em 2025. Já entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por
pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e de 743,1 por 100
mil em 2025.
A
nova vacina, a pneumo 20, incorporada no Calendário
Nacional de Vacinação em junho deste ano para crianças menores de
5 anos, amplia a proteção contra 20 sorotipos de Streptococcus
pneumoniae. A bactéria é apontada como a causa mais comum de
infecções respiratórias em todas as faixas etárias. A vacinação é uma
importante estratégia para prevenir a doença.
Distribuição
das doses
A
distribuição das doses destinadas ao novo público-alvo começou neste mês de
setembro. Os próximos envios serão definidos considerando, entre outros
critérios, a população elegível, a média mensal de doses aplicadas e os
estoques disponíveis nos estados.
A
meta é vacinar pelo menos 90% das 2.337.775 pessoas com 85 anos ou mais
estimadas no país. Para receber o imunizante, é necessário apresentar documento
que comprove a idade, sem necessidade de prescrição médica.
Esquema
de vacinação
A
recomendação da Pneumo 20 considera o histórico de vacinação contra a doença e
define diferentes condutas de acordo com as vacinas já recebidas. A orientação
é a seguinte:
- 85 anos ou
mais, sem vacinação pneumocócica prévia: 1 dose
única da Pneumo 20.
- Recebeu
apenas 1 dose de Pneumo 13 ou Pneumo 15: 1 dose
da Pneumo 20, respeitando intervalo mínimo de 2 meses.
- Recebeu
apenas 1 dose de Pneumo 23: 1 dose da Pneumo 20, com
intervalo mínimo de 1 ano.
- Recebeu 2
doses de Pneumo 23: não há indicação de
Pneumo 20 na estratégia.
- Recebeu 1
dose de Pneumo 13 ou Pneumo 15 + 1 dose de Pneumo 23: não há
indicação de Pneumo 20 na estratégia.
A
vacinação será ofertada nas unidades de saúde, por estratégias extramuros ou em
domicílio. A orientação do Ministério da Saúde é realizar busca ativa das
pessoas elegíveis sem registro das doses necessárias para conferir proteção ou
com esquema incompleto, com prioridade para aquelas com dificuldade de acesso
aos serviços, restrição de mobilidade, fragilidade, comorbidades, dependência
funcional ou insuficiência de suporte familiar e social.
A
pasta também recomenda aproveitar a oportunidade para atualizar as demais
vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação do Idoso. Para pessoas
de 60 a 84 anos acamadas ou institucionalizadas e com condições clínicas
especiais, a pneumo 20 permanece disponível na estratégia especial já
estabelecida pelo Programa
Nacional de Imunizações (PNI). A ampliação da vacinação para
outras faixas etárias está prevista de forma gradativa, de acordo com critérios
de vulnerabilidade e risco.
Fonte _ Saúde.gov
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
O que causa cãibra e como aliviar a dor da contração muscular
Quem
já passou por um episódio de cãibra sabe
que ela vem de maneiras inesperadas. Você pode estar fazendo
um exercício e vir aquela dor intensa ou até estar dormindo e
sentir aquela pontada na panturrilha.
E
o que é? É
uma contração muscular súbita, involuntária e dolorosa.
Por
que ela acontece? É multifatorial, mas médicos listam as causas mais
comuns:
- Fadiga
muscular:
quando a pessoa exige da musculatura mais do que ela consegue sustentar
naquele momento, desregulando o ciclo natural de contração e relaxamento
das fibras musculares.
"É como se, por exemplo, o 'acelerador' da contração ficasse pressionado o tempo inteiro, enquanto que o 'freio' funcionasse menos. Ele tá mais estimulando e menos relaxando", explica o ortopedista Moisés Cohen, professor de ortopedia e medicina do esporte. - Medicamentos: remédios
como estatinas (usadas
para o colesterol) e diuréticos podem
interferir na mecânica das células musculares ou no equilíbrio de fluidos,
deixando a musculatura mais vulnerável a dores e contraturas.
- Condições
de saúde: doenças
como hipotireoidismo, problemas renais, hepáticos, circulatórios ou o
estreitamento do canal da coluna lombar (estenose) também podem provocar
ou agravar o quadro.
Onde? É mais comum ocorrer nos membros inferiores, como a panturrilha,
e pode surgir no pé, na parte posterior da coxa ou até, de forma incomum, nas
mãos.
"Em geral,
são músculos que passam por duas articulações ao mesmo tempo, o que os deixa
mais vulneráveis a esse desequilíbrio", explica o ortopedista José Otávio
Tomé, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Na calada da noite… é comum a cãibra ocorrer durante o
sono.
Diferentemente daquela associada ao exercício físico, nesse caso
ela possui mecanismos e fatores desencadeantes específicos.
"Costuma acompanhar outras condições, como distúrbios
circulatórios, gravidez, doenças renais ou hepáticas, uso de determinados
medicamentos e o próprio processo de envelhecimento", explica Tomé.
Durante a cãibra... é difícil pensar quando se está com dor,
mas, de imediato, é preciso fazer um alongamento lento no sentido oposto ao da
contração.
Exemplo: na panturrilha, empurre ou puxe a ponta do pé para
cima, em direção à canela.
Realize o movimento com calma e sem forçar, pois um alongamento
violento pode lesionar fibras musculares que já se encontram contraídas ao
máximo.
Após a musculatura destravar, evite movimentar ou contrair
novamente a região para não disparar um novo espasmo.
Depois da cãibra... pode ainda ficar dolorido, por isso,
massagear suavemente o local auxilia no relaxamento da musculatura e ajuda a
aliviar o desconforto.
E a tal da banana? Quem nunca ouviu dizer que se não come banana,
dá cãibra, pois saiba que isso é mito.
Por quê? As contrações são causadas por fadiga muscular e desequilíbrio
no controle nervoso, e não pela falta isolada de potássio.
Não existem evidências científicas de que comer alimentos ricos
em potássio logo antes ou depois do esforço evite o problema.
"Quando falta potássio a ponto de causar cãibra de verdade,
é geralmente por alguma doença, como problema renal ou diarreia persistente, e
não porque a pessoa deixou de comer uma fruta", explica Tomé.
Sim, mas... não precisa deixar de comer banana, o alimento é rico em
vitaminas do complexo B e sais minerais.
+ Formas de prevenção: Bruno Rudelli, médico ortopedista do Hospital
Sírio-Libanês, indica algumas medidas:
·
Condicionamento
muscular: como a
fadiga é o principal gatilho do desequilíbrio neurogênico, fortalecer a
musculatura é o ponto-chave para evitar que o músculo entre em exaustão.
·
Progressão
lenta de treino: o
treino deve ser programado com evoluções graduais de volume e intensidade,
evitando aumentos brutos ou repentinos de esforço.
·
Qualidade
do sono e alimentação:
ter uma boa rotina de sono é indispensável tanto para o reparo muscular quanto
para o bom funcionamento do sistema nervoso central.
Quando
buscar um médico?
·
Episódios
recorrentes que ocorrem semanalmente ou diversas vezes na semana.
·
Crises
que surgem durante o repouso sem relação com esforço físico.
·
Permanência
de dor intensa, inchaço, hematoma ou fraqueza no local nas horas seguintes ao
episódio.
O
que você precisa saber
Notícias
sobre saúde e bem-estar
Como
saber que estou com deficiência de ferro? Além
da fadiga, sintoma
característico, queda de cabelo, dores de cabeça, falta de ar e tontura podem
ser sinais de alerta. Inflamação da língua e alterações nas unhas também podem
ser sintomas em casos graves.
Prisão
de ventre? Consumo
de 21 a 38 gramas de fibras por dia pode ajudar o intestino
a funcionar, segundo especialistas. O ideal é priorizar alimentos como
maçã com casca, kiwi e ameixas secas.
Fonte _ Folha/SP
Vacina contra HPV passa a ser indicada a crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual
O Ministério
da Saúde passou a recomendar a vacinação contra
o HPV para
meninas e meninos a partir dos 2 anos de idade que tenham sido vítimas de violência
sexual. Até então, a vacina era oferecida para crianças vítimas de
abuso com 9 anos ou mais.
De
acordo com nota técnica da pasta, a medida foi tomada devido ao aumento
dos casos de estupro e estupro de vulnerável nos últimos anos, com
alta expressiva entre crianças menores de 9 anos. "Dados das secretarias
estaduais de Segurança Pública corroboram esse cenário, indicando aumento
progressivo dos casos, especialmente entre meninas negras e em situação de
vulnerabilidade social", diz trecho do documento.
A
nota técnica cita números do Atlas da
Violência 2026, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), segundo o qual os casos de violência sexual contra crianças de 0 a 4
anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845 em 2024. Na faixa etária de 5 a 14
anos, saltaram de 6.594 para 29.135.
Com
a nova recomendação, crianças a partir dos 2 anos vítimas de violência sexual
poderão receber uma dose da vacina quadrivalente, após avaliação do serviço de
referência ou do profissional de saúde responsável
pelo atendimento da vítima.
O
HPV (papilomavírus humano) é uma família de mais de 200 tipos de vírus. A
infecção costuma desaparecer sozinha, mas a permanência prolongada de alguns
tipos, chamados de alto risco, pode provocar alterações nas células e
causar câncer.
Entre
os mais de 200 tipos de HPV, 12 são considerados de alto risco e estão
associados a seis tipos de câncer: colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e
orofaringe. No SUS, a vacina
quadrivalente protege contra quatro tipos do vírus, 6, 11, 16 e 18, sendo os
dois primeiros de baixo risco (associados principalmente a verrugas genitais),
e os dois últimos, de alto risco.
A
vacina não é capaz de evitar ou reverter eventual infecção por HPV decorrente
de estupro. O imunizante, contudo, ainda poderá proteger a vítima contra os
outros tipos do vírus aos quais não tenha sido exposta.
Para
Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), isso é
relevante especialmente diante do risco de recorrência da violência sexual, uma
vez que os abusos contra crianças costumam ser cometidos por pessoas próximas,
como familiares, conhecidos e vizinhos, e podem se repetir.
A
aplicação da vacina antes dos 9 anos não substitui a vacinação
de rotina, indicada dos 9 aos 14 anos em esquema de dose única. Isso
ocorre porque ainda não se sabe por quanto tempo permanece a proteção obtida
tão cedo. Por isso, quem receber a vacina antes dos 9 anos deverá seguir o
calendário normalmente ao chegar a essa idade.
O Programa
Nacional de Imunizações (PNI) já prevê vacinação contra HPV a
partir dos 2 anos para pessoas com papilomatose respiratória recorrente, doença
que provoca lesões nas vias respiratórias. A nota do ministério cita essa
experiência como parte da justificativa para estabelecer 2 anos como idade
mínima, embora não apresente dados específicos sobre essa população.
A
principal evidência citada na nota ténica para a vacinação de crianças pequenas
é um estudo realizado na Colômbia, no México e no
Panamá com 74 meninas de 4 a 6 anos. Elas receberam duas doses de uma vacina
bivalente contra os tipos 16 e 18 do vírus e foram acompanhadas por 36 meses.
O
estudo encontrou resposta imunológica elevada e sustentada e não identificou
evento adverso grave relacionado à vacinação. Os autores ressaltaram, porém,
que o número de participantes era pequeno e que seriam necessárias pesquisas
adicionais. Além disso, a eficácia clínica da vacina em crianças de 2 e 3 anos
não foi avaliada.
Fonte _ Folha/SP
SUS já vacinou mais de 4 mil crianças contra doenças pneumocócicas no Acre
Mais
de 4,5 mil crianças menores de 5 anos já foram vacinadas com a Pneumo 20
pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) no Acre. Em todo o Brasil, mais de 1
milhão de crianças dessa faixa etária receberam o imunizante desde o início da
estratégia nacional de vacinação, em junho deste ano. Incorporada ao Calendário
Nacional de Vacinação em 2026, a vacina protege contra 20
sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, ampliando a proteção contra
doenças pneumocócicas, como pneumonia e meningite.
“A
inclusão da Pneumo 20 no SUS amplia o acesso das crianças à proteção contra
doenças causadas por 20 sorotipos da bactéria pneumococo. Na rede privada, o
valor da vacina pode chegar a R$ 600. Desde a incorporação ao Calendário
Nacional de Vacinação, mais de 1 milhão de crianças já receberam a vacina no
país”, afirmou o ministro da Saúde.
A
Pneumo 20 oferece cobertura mais abrangente porque inclui também os sorotipos
3, 6A e 19A, associados à doença pneumocócica invasiva no Brasil, e protege
contra a otite média, que pode causar complicações, incluindo perda auditiva.
A
vacinação é a principal forma de prevenir as formas graves das doenças
pneumocócicas. Além de proteger cada criança vacinada, a ampliação da cobertura
contribui para reduzir internações, complicações e mortes, especialmente na
primeira infância, período em que as crianças estão entre os grupos mais
vulneráveis.
Entre
2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4
mil mortes pela doença, com taxa de letalidade de 30%. Entre crianças menores
de 5 anos, foram registrados 589 casos e 187 óbitos no período.
Como
fica o esquema vacinal
Com
a incorporação da Pneumo 20 ao Calendário Nacional de Vacinação, a Pneumo 10
será substituída gradualmente no esquema infantil. Durante esse período, os
estoques disponíveis da Pneumo 10 continuarão sendo utilizados. Por isso,
temporariamente, o esquema combinará as duas vacinas.
A
vacinação será realizada da seguinte forma:
- Crianças que
estão iniciando o esquema: recebem a Pneumo 20 aos
2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O
intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias.
- Crianças que
já completaram o esquema com a Pneumo 10: não
precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20.
- Crianças que
começaram o esquema com a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 na rede privada: podem
completar a vacinação com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos
recomendados.
Após
o término dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil serão
realizadas com a Pneumo 20.
Pais
e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada e
procurar uma unidade de saúde para verificar se há doses pendentes. O histórico
de vacinação também pode ser acompanhado pela Caderneta Digital de Saúde da
Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
Fonte _ Saúde.gov









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