segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Anvisa registra cinco novas canetas de semaglutida
Nesta
quarta-feira (29/7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis agonistas do receptor
de GLP-1. Indicados para o tratamento de diabetes, todos os dispositivos
possuem como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética:
- Owozy -
registro concedido para a empresa Ávita Care Importação e Distribuição de
Produtos Ltda. (CNPJ nº 31.203.582/0001-37)
- Seemasun -
registro concedido para a empresa Sun Farmacêutica do Brasil Ltda. (CNPJ:
05.035.244/0001-23)
- Zempneo -
registro concedido para a empresa Brainfarma Indústria Química e
Farmacêutica S.A. (CNPJ: 05.161.069/0001-10)
- Semavy -
registro concedido para a empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e
Medicamentos S.A. (CNPJ: 61.082.426/0001-26)
- Orsema -
registro concedido para a empresa Ranbaxy Farmacêutica Ltda. (CNPJ
73.663.650/0003-52)
Os
medicamentos aprovados foram registrados por comparação com o produto biológico
Ozempic, sendo indicados para o tratamento de pacientes adultos com diabetes
mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. Os novos dispositivos injetáveis
foram autorizados para uso complementar à dieta e exercícios, quando o uso de
metformina é considerado inapropriado devido a intolerância do paciente ou
contra indicações.
Crescimento de registros
Iniciada
em agosto de 2025, a priorização da análise de medicamentos com semaglutida e
liraglutida foi motivada pelo pedido do Ministério da Saúde em benefício do
Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito do Complexo Econômico-Industrial da
Saúde (Ceis), e pela necessidade de abastecimento do mercado nacional, que
culminou na publicação do Edital de Chamamento 12/2025 da Anvisa.
Paralelamente,
um plano de ação com 125 iniciativas foi colocado em prática pela Anvisa para
reduzir filas de concessão de registros de medicamentos e o tempo de análise
desses pedidos. Essa mobilização foi decisiva para acelerar o processo de
aprovação de novas canetas: 11 dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos
parte do edital já tiveram sua análise concluída, resultando em seis
medicamentos aprovados. O processo de avaliação inclui a realização de estudos
clínicos, avaliação de documentos e inspeção da linha estéril de produção.
Já o
crescimento de pedidos de aprovação de agonistas de GLP-1 está relacionado ao
desenvolvimento, em 2022, de versões sintéticas - criadas em laboratório - do
hormônio natural GLP-1, que estimula a produção de insulina e atua no controle
da saciedade. No total, 68% de todas as solicitações de registro de
dispositivos injetáveis para o tratamento de obesidade e diabetes já
protocoladas na Anvisa são para medicamentos sintéticos. A expiração de
patentes de alguns medicamentos nos últimos anos também tem contribuído para o
aumento de pedidos.
Confira
a Resolução
(RE) 2.941/2026 e a RE
2.942/2026 no Diário Oficial da União (DOU).
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ainda NÃO está aprovada para uso em nenhum lugar do mundo
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Fonte _ Saúde.gov
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Anvisa autoriza estudo clínico da Fiocruz com vacina de mRNA para Covid
No
dia 20 de agosto, a Anvisa autorizou o estudo clínico da Fundação Oswaldo Cruz
de vacina para Covid com uso de mRNA. O estudo de Fase 1 tem o objetivo de
avaliar a segurança e a imunogenicidade do reforço vacinal com a vacina COVID19
(mRNA) de Biomanguinhos/Fiocruz em participantes adultos sadios.
Pesquisadores
e pacientes poderão saber qual vacina estarão recebendo. A tecnologia mRNA tem
se mostrado promissora para o desenvolvimento de vacinas e pode representar um
incremento importante na capacidade tecnológica da área de saúde no Brasil. O
protocolo do estudo pode ser acessado na base de registro de ensaios clínicos
Clinicaltrials.gov, sob número NCT07640308.
O
que são ensaios clínicos?
Estudos
de um novo medicamento realizados em seres humanos. A fase clínica serve para
demonstrar a segurança e eficácia e do medicamento experimental para a
indicação proposta. Havendo a comprovação de que os benefícios superam os
riscos, o medicamento experimental poderá ser registrado pela Anvisa e
disponibilizado no mercado brasileiro, desde que haja a solicitação por parte
da empresa desenvolvedora/patrocinadora do desenvolvimento clínico.
Para
a realização de qualquer pesquisa clínica envolvendo seres humanos, é
obrigatória a aprovação pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs). A anuência
de pesquisa clínica pela Anvisa se aplica somente às pesquisas clínicas que
tenham a finalidade de registro ou pós-registro de medicamentos, por
solicitações de empresas patrocinadoras ou de seus representantes.
Após
as aprovações éticas e regulatórias, o prazo para início da pesquisa clínica é
definido pelo patrocinador do estudo.
Fonte _ ANVISA
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Anvisa suspende fabricação de produtos de limpeza em unidade da Unilever
A Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quarta-feira
(2/9), a suspensão da fabricação de produtos de limpeza na
unidade da Unilever localizada em Vinhedo (SP). A ação é
preventiva e foi adotada após inspeção realizada entre os dias 24 e 28 de
agosto pela Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado
de São Paulo e a Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo, para assegurar
que futuros lotes da empresa não ofereçam risco à saúde pública.
Durante
a inspeção feita pelos três órgãos, foram identificadas falhas nas Boas
Práticas de Fabricação (BPF), que são requisitos que as empresas devem cumprir
para assegurar que a produção conte com sistemas de controle de qualidade
adequados. Entre as inconsistências mapeadas, estão falhas nos controles
realizados durante a fabricação e antes da liberação dos produtos, deficiências
no monitoramento da água utilizada no processo produtivo e fragilidades na
investigação e correção de problemas identificados pela própria empresa.
Segurança
sanitária para a população
A
avaliação das evidências disponíveis até o momento não indicou contaminação
microbiológica ou outros problemas sobre os lotes produzidos na fábrica. Por
esse motivo, não foi determinada a suspensão da comercialização, da
distribuição ou do uso dos produtos já fabricados e disponíveis no mercado, nem
seu recolhimento.
Essa
vistoria faz parte de outras ações integradas de fiscalização sanitária de
empresas fabricantes de saneantes, categoria que inclui produtos destinados à
limpeza, desinfecção e conservação de ambientes. Em 2026, já foram realizadas
sete inspeções em fabricantes, incluindo quatro dos maiores fabricantes do
Brasil. O objetivo das operações é verificar o cumprimento das Boas Práticas de
Fabricação e fortalecer a qualidade e a segurança dos produtos disponibilizados
à população.
Leia
a Resolução
3.443/2026 no Diário Oficial da União.
Fonte _ ANVISA
500 Ultrassons Portáteis fortalecem atendimento nas Unidades Básicas de Saúde - UBS
Ministério
da Saúde recebeu nesta quarta, 2/9, representantes da Alfa Med Sistemas Médicos
e da VMI Médica para registrar ata de preços para aquisição futura de ultrassons
portáteis de bolso. A ata prevê aquisição de 500 unidades com
investimento total de R$ 12,58 milhões para ações da Agência Brasileira de
Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) em Unidades Básicas de Saúde
(UBS).
"Esse
aparelho cabe até no bolso do médico, da enfermeira, que consegue fazer todos
os exames fundamentais de ultrassom, desde ver a situação do bebê dentro da
barriga da mãe, ver problema de vesícula, fazer ultrassom abdominal, ver como é
que está a situação das veias, ver problemas de gânglios, de cistos, de
abscessos. E isso lá na própria UBS. Ou seja, aquilo que às vezes a pessoa é
encaminhada para fazer um agendamento em um hospital, um centro laboratorial,
vai poder ser resolvido na própria Unidade Básica de Saúde", afirmou o
ministro Alexandre Padilha.
"Esse
é um reforço importante das ações do Ministério da Saúde junto com os
municípios, para chegar às equipes do Programa Mais Médicos,
que hoje são 27 mil médicos espalhados por todo o país, e para o fortalecimento
da Atenção Primária em Saúde",
completou Padilha.
Os
estados beneficiados são Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia,
Roraima, Tocantins, Ceará, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio
Grande do Norte, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato
Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Distrito Federal.
Com
os aparelhos, o atendimento da população pelo SUS ganha
velocidade e qualidade, uma vez que a praticidade dos equipamentos portáteis e
resultados instantâneos reduzem tempo de espera.
Os
ultrassons de bolso são utilizados para exames abdominais, obstétricos e
pré-natais; avaliações renais e apoio a bloqueios; identificação de lesões e
sangramentos internos; avaliação de derrame pleural e lesões musculares, apoio
a punções e procedimentos guiados por imagem e tem aplicações em adultos e
crianças, inclusive em contextos externos.
As
500 unidades de ultrassons serão entregues entre 60 e 150 dias, em três etapas,
a partir da data de assinatura do contrato. Cada UBS terá 15 dias para realizar
a verificação técnica do equipamento e emissão do termo recebimento definitivo
antes do pagamento.
Fonte _ Saúde.gov
InfoGripe: cresce número de casos de SRAG em crianças e adolescentes
Divulgada
nesta quinta-feira (3/9), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta manutenção
do sinal de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG),
em nível nacional, nas crianças e adolescentes de até 14 anos. O crescimento
está associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente
à Semana Epidemiológica 34, período de 23 a 29 de agosto.
A
atualização destaca também que 3 das 27 unidades federativas - Alagoas, Goiás e
Paraíba - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco
nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento até a Semana 34. Segundo o
estudo, o aumento de SRAG nesses estados se concentra principalmente nas
crianças de até 4 anos.
Alagoas também registra aumento de SRAG nas faixas etárias de 5 a 14 anos e 15 a 49 anos. O rinovírus é o principal vírus associado a este crescimento, especialmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e na Paraíba, observa-se a contribuição do metapneumovírus.
Estados
e capitais
Dez
unidades da Federação (UF) também apresentam incidência de SRAG em níveis de
alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de
longo prazo: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio
Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Seis
das 27 capitais registram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto
risco, com indícios de crescimento de SRAG até a Semana 34: Aracaju, Boa Vista,
Goiânia, João Pessoa, Salvador e Vitória.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial
respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 14,3% de influenza A, 16,3% de influenza B, 24% de vírus
sincicial respiratório, 34,2% de rinovírus e 4,1% de Sars-CoV-2 (Covid -19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 144.599 casos de SRAG, sendo
78.101 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório,
50.925 (35,2%) negativos, e cerca de 7.323 (5,1%) aguardando resultado
laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de
influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7%
de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dentre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de
influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8%
de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de
influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como
principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus
também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas.
A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
As
ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo na
maior parte do país, com exceção de Roraima, onde observa-se uma retomada das
hospitalizações pelo vírus. O estudo observa ainda que os casos de SRAG por VSR
ainda estão um pouco elevados neste período na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso
do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.
O
período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Porém os casos
graves por influenza B tem apresentado aumento nos estados da Bahia, Mato
Grosso e Ceará. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de
incidência.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham
as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é
permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao
cidadão".
Fonte _ FioCruz
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Brasil consolida desenvolvimento de vacinas com RNA mensageiro e amplia respostas contra crises sanitárias
Ministério
da Saúde investiu R$ 210 milhões no desenvolvimento de plataformas de RNA
mensageiro (mRNA) no Brasil, uma estratégia para ampliar a capacidade
científica, tecnológica e produtiva do país e garantir respostas próprias a
emergências sanitárias. A iniciativa reúne três centros nacionais com
capacidade para desenvolver vacinas com essa tecnologia — Fiocruz, Instituto
Butantan e Centro de Competência em Vacinas da UFMG — e já produz resultados
concretos: a Fiocruz vai iniciar os estudos clínicos da primeira vacina
desenvolvida integralmente no país com RNA mensageiro.
Esses
investimentos fazem parte do fortalecimento do Complexo
Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e da redução da dependência
de tecnologias externas. Por meio do Novo PAC Saúde, foram destinados R$ 77
milhões à plataforma de RNAm da Fiocruz e R$ 73 milhões ao Butantan, enquanto o
Centro de Competência em Vacinas da UFMG recebeu R$ 60 milhões. Os recursos
apoiam a infraestrutura de pesquisa e produção, o desenvolvimento de produtos
estratégicos para o SUS e a realização de estudos clínicos.
Mais
do que viabilizar uma vacina específica, a estratégia cria uma infraestrutura
tecnológica nacional capaz de gerar diferentes vacinas e produtos de interesse
do SUS. A tecnologia de RNA mensageiro funciona como uma plataforma: as
instruções utilizadas para estimular o sistema imunológico podem ser
modificadas de acordo com o agente infeccioso ou a doença que se pretende
combater. Por isso, as estruturas apoiadas pelo Ministério da Saúde também têm
potencial para o desenvolvimento de produtos contra doenças como leishmaniose e
tuberculose, além de aplicações terapêuticas, inclusive na área de câncer.
A
iniciativa integra ainda o Programa Nacional de Inovação Radical, criado pelo
Ministério da Saúde para aproximar a pesquisa científica das necessidades do
SUS e transformar conhecimento em soluções concretas, como vacinas,
medicamentos, diagnósticos e terapias. A política organiza uma carteira de
projetos estratégicos e amplia o acesso de pesquisadores e instituições à
infraestrutura científica e tecnológica avançada, fortalecendo a articulação
entre governo, academia, setor produtivo e parceiros estratégicos.
“Enquanto
tem país que cortou o investimento em RNA mensageiro, rasgou o contrato com
empresa, parou pesquisa, o Brasil tem três plataformas, vem avançando e se
preparando cada vez mais para o desenvolvimento de vacinas. Temos muito orgulho
de que vamos nos apropriar, enquanto país, dessa plataforma tecnológica”,
afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Primeira
vacina em testes clínicos
A
primeira vacina com RNA Mensageiro é contra a Covid-19 e foi desenvolvida pelo
Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) a partir da
plataforma própria de RNAm, cuja planta piloto é a primeira da América Latina
com certificação de Boas Práticas de Fabricação.
“A
consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a
emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma
base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do
Sistema Único de Saúde (SUS)”, diz o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
O
estudo clínico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliará
a vacina como dose de reforço, conforme a estratégia atualmente prevista no
calendário do Programa
Nacional de Imunizações (PNI). O recrutamento dos voluntários para a
primeira fase do estudo está previsto para começar no primeiro trimestre de
2027.
A
vacina passou por estudos pré-clínicos, que demonstraram eficácia na proteção
contra a doença, além de avaliações toxicológicas e estudos de escalonamento.
Agora, na Fase 1 dos testes clínicos, serão avaliadas principalmente a
segurança e a capacidade de resposta da vacina. Os participantes serão
acompanhados durante um ano.
Essa
vacina é o primeiro produto desenvolvido na plataforma de RNAm de
Bio-Manguinhos/Fiocruz. Mas o potencial da tecnologia vai além da Covid-19. A
tecnologia de RNA mensageiro permite utilizar uma mesma plataforma e modificar
as instruções destinadas ao sistema imunológico de acordo com o agente ou
doença que se pretende combater.
Butantan
e CTV-RNA
Além
da Fiocruz, os investimentos do Ministério da Saúde impulsionam uma carteira
diversificada de projetos baseados em RNA mensageiro e outras aplicações de
RNA. No Centro de Competência em Vacinas da UFMG (CTV-RNA), estão em
desenvolvimento projetos para vacinas contra dengue, malária, doença de Chagas,
leishmaniose visceral e influenza, além de soluções terapêuticas inovadoras,
como imunoterapia contra o câncer baseada em siRNA, vacinas contra o câncer com
antígenos tumorais e uma metodologia para CAR-T baseada em RNA.
No
Instituto Butantan, os recursos apoiam a implantação de uma unidade de
desenvolvimento e produção de vacinas de RNA mensageiro, inicialmente voltada à
produção de imunizantes contra Covid-19 e Raiva.
O
projeto integra uma estratégia de cooperação internacional, com participação do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Organização
Pan-Americana da Saúde (Opas), para transformar a plataforma brasileira em um
ativo de saúde de alcance global.
Fonte _ Saúde.gov
terça-feira, 1 de setembro de 2026
AGU derruba 18 grupos e canais que vendiam passaportes vacinais falsos no Telegram
A Advocacia-Geral
da União (AGU) notificou o Telegram após o Ministério da Saúde identificar 18
grupos e canais na plataforma que comercializavam ilegalmente comprovantes e
passaportes vacinais falsificados. Após a notificação, o aplicativo removeu os
grupos e canais denunciados e também excluiu a conta de um usuário identificado
na apuração.
Os
responsáveis pelos grupos ofereciam documentos falsificados e anunciavam,
inclusive, a possibilidade de inserir registros adulterados nos sistemas
oficiais de informação do Sistema Único de Saúde (SUS).
A
notificação foi encaminhada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da
Democracia (PNDD), da AGU, com base em relatório produzido pelo Ministério da
Saúde. O documento apontou que a comercialização de documentos falsos
compromete a integridade da política nacional de imunização e dos sistemas
públicos de informação em saúde.
O
relatório do Ministério da Saúde também apontou que a circulação de pessoas não
vacinadas com documentos fraudulentos prejudica as estratégias de vigilância,
bloqueio e controle de doenças imunopreveníveis. A prática pode ainda gerar uma
falsa percepção sobre a cobertura vacinal e mascarar a existência de bolsões de
baixa vacinação, dificultando a identificação de populações mais
vulneráveis.
Além
da notificação ao Telegram, a AGU encaminhou as evidências reunidas pelo
Ministério da Saúde à Polícia Federal (PF), para apuração de possíveis
crimes.
Dever
de cuidado das plataformas
Na
notificação, a AGU destacou que a comercialização e a circulação de documentos
vacinais falsificados podem violar direitos constitucionais relacionados ao
acesso à informação e à saúde, além de dispositivos do Código de Defesa do
Consumidor, do Código Penal e do Marco Civil da Internet.
O
documento também cita o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a
responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilícitos publicados por
terceiros. A AGU ressaltou ainda os deveres atribuídos às empresas de
tecnologia no enfrentamento à circulação de conteúdos criminosos ou
ilícitos.
Violação
dos termos de uso
A
AGU também apontou que os grupos identificados pelo Ministério da Saúde
violavam os próprios termos de uso do Telegram, que proíbem o compartilhamento
de conteúdos ilegais e estabelecem medidas como a remoção de conteúdo e o
banimento de contas.
A
atuação integra as ações do Ministério da Saúde de enfrentamento à
desinformação e de proteção da integridade das informações relacionadas à
vacinação no país.
Fonte _ Saúde.gov
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
SUS vai ofertar três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão
O mês
de agosto é marcado por ações de conscientização sobre o câncer de pulmão. Para
ampliar e qualificar o cuidado às pessoas com a doença no Sistema Único de Saúde
(SUS), o Ministério da Saúde vai disponibilizar três novos medicamentos
de alta tecnologia: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. Os tratamentos,
alguns deles com mais de 12 anos de espera, serão financiados integralmente
pelo Governo Federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica
Oncológica (AF-Onco). Ao todo, serão beneficiados cerca de 1,9 mil pacientes.
A
oferta será efetivada de acordo com as tratativas de aquisição com fornecedores
e características operacionais de cada tecnologia, com previsão de entrega
gradual a partir de outubro. Entre os medicamentos estão duas terapias-alvo
orais (brigatinibe e gefitinibe), que atuam diretamente sobre alterações
específicas das células cancerígenas. A administração pode ser realizada na
casa do paciente com menor incidência de eventos adversos, proporcionando maior
comodidade em comparação aos demais esquemas convencionais de quimioterapia.
Juntos, os medicamentos custam mais de R$ 604,2 mil por ano na rede privada.
Já o
durvalumabe é uma imunoterapia que estimula ou potencializa a capacidade do
sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos, sendo indicado para
pessoas com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser tratadas com
cirurgia. O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes e, na
rede privada, pode custar mais de R$ 643 mil por ano.
“Estamos
em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais
ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS. A ampliação das opções de
tratamento é fundamental para fortalecer o cuidado e representa um avanço na
assistência oncológica, com potencial para beneficiar ainda mais pacientes e
salvar vidas”, disse a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde,
Fernanda De Negri.
Por
meio da AF-Onco, serão ofertados 23 medicamentos oncológicos de alto custo,
ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública e contemplando novas
tecnologias e a expansão de indicações de uso. A iniciativa amplia a equidade
no acesso às tecnologias em todo o país, fortalece a continuidade do cuidado
segurança aos pacientes. A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam
contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões,
financiado pela União.
Modelos
de aquisição por meio da AF-Onco
A
nova política organiza a aquisição e abastecimento dos estoques do SUS, para
medicamentos oncológicos, em três modalidades principais:
- Centralizada: compra
e distribuição realizadas diretamente pelo Ministério da Saúde - como o
brigatinibe;
- Descentralizada: aquisição
realizada diretamente pelos hospitais e gestores locais, com repasse
federal via Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta
Complexidade (APAC) - como o gefitinibe;
- Ata de
Negociação Nacional: negociação de preço
único nacional pelo Ministério da Saúde, com execução pelos gestores a
partir do levantamento anual de demanda das unidades de saúde habilitadas
para o cuidado oncológico - como o durvalumabe.
Cuidado
ofertado no SUS
No
SUS, o tratamento do câncer de pulmão é ofertado de forma integral nos serviços
habilitados em oncologia, de acordo com as características clínicas e
moleculares de cada caso. A assistência inclui cirurgia, radioterapia,
quimioterapia, terapias sistêmicas e terapias-alvo para grupos específicos de
pacientes, conforme as diretrizes clínicas e as tecnologias disponibilizadas no
sistema.
Fonte _ Saúde.gov
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
InfoGripe: número de casos de SRAG continua apresentando sinal de queda
Divulgada
nesta quinta-feira (20/8), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de
casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua
apresentando sinal de queda nas tendências de longo prazo (últimas seis
semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). De acordo com a análise,
quase todas as unidades da Federação (UF) estão com tendência de queda ou
estabilização dos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis
semanas). A atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 32,
período de 9 a 15 de agosto.
De
acordo com os pesquisadores, a exceção dessa tendência de queda fica para os
estados de Rondônia, Piauí, Bahia e Sergipe, que mostram leve sinal de
crescimento. Os pesquisadores do InfoGripe reforçam que a
vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos
principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19.
Também é essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara.
Estados
e capitais
Segundo
o InfoGripe, 11 UF ainda estão com incidência de SRAG em nível de
alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas: Acre,
Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Há um sinal de início ou manutenção da queda
dos casos de SRAG por VSR no país. Contudo, mesmo com tendência de queda, os
casos de SRAG por VSR continuam altos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro,
Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Os casos
graves por influenza B continuam aumentando no Rio Grande do Sul, mas mostram
sinais de desaceleração do crescimento no Espírito Santos e Minas Gerais.
Em
relação à Covid-19, para todas as UF o número de casos semanais está em um
patamar baixo de incidência. Também há uma manutenção do aumento das
hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, além de São Paulo,
Pernambuco, Amazonas e Sergipe, e de rinovírus em Bahia, São Paulo e Espírito
Santo, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses
estados.
Segundo
a atualização, 4 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em
alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de
SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 32:
Aracaju, Cuiabá, Salvador e Porto Alegre. Além disso, 3 capitais também
apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém
sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belo Horizonte,
Florianópolis e São Luís.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos
foi de 5,1% de influenza A, 9,7% de influenza B, 44,6% de vírus sincicial
respiratório, 32,5% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 17,9% de influenza A, 17,4% de influenza B, 26% de vírus
sincicial respiratório, 31,5% de rinovírus e 5,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 137.551 casos de SRAG, sendo
74.214 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório,
48.040 (34,9%) negativos, e ao menos 7.328 (5,3%) aguardando resultado
laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a
grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação
de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos
positivos do ano corrente, observou-se 18,2% de influenza A, 5,4% de influenza
B, 42,2% de vírus sincicial respiratório, 30,1% de rinovírus e 3,9% de
Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
Os
dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG
entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das
hospitalizações por VSR no país. Na população de 15 a 49 anos, a redução dos
casos de SRAG é explicada principalmente pela diminuição das hospitalizações
por influenza A e B, enquanto entre os idosos ela decorre sobretudo da redução
das hospitalizações por influenza A. Entre crianças de 5 a 14 anos, a queda dos
casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição dos casos graves
por rinovírus.
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como
principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a
segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.
Em
relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior
impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior
impacto na população a partir de 65 anos de idade. A influenza B também
apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a
mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A
incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias
(AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O
documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente
informativo ou de serviço ao cidadão".
Fonte _ FioCruz
domingo, 16 de agosto de 2026
Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária de Saúde do SUS
A amamentação
exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária
(APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 57% de cobertura em 2025. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a
amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais, sendo de
forma exclusiva até os seis meses.
Os
dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde
2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de
consumo alimentar. Este índice indica proporção dos bebês de 0 a seis meses que
são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja,
recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros
líquidos ou alimentos.
Já
em 2026, o levantamento parcial aponta que até agosto 59% dos bebês de até seis
meses acompanhados pela APS estão em aleitamento materno exclusivo. Desde o
início da série, em 2015, as maiores coberturas foram em 2024 e 2025, ambas com
57%.
Os
dados do Sisvan se referem exclusivamente àqueles bebês que fazem o
acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Um dos levantamentos
oficiais mais recentes, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil
(ENANI-2019), um inquérito nacional representativo da população brasileira,
aponta que 45,8% das crianças brasileiras entre 0 e seis meses recebem leite
materno exclusivamente.
A
meta da OMS para 2030 é de 60% de aleitamento materno exclusivo em crianças
menores de 6 meses.
“A
Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na proteção, promoção e apoio à
amamentação. É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a
gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação
e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso.
Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres
se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou a secretária de
Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas.
Toda
família cadastrada na APS é acompanhada pelas equipes de saúde e pode contar
com profissionais de saúde qualificados em amamentação, desde a gestação,
recebendo apoio em todas as etapas desse processo.
O
Sisvan é uma ferramenta estratégica da Política Nacional de Alimentação e
Nutrição (PNAN) e contribui para a promoção da amamentação e alimentação
adequada e saudável, a prevenção da desnutrição, do sobrepeso, da obesidade e
de outras doenças relacionadas à alimentação. Além disso, fornece informações
essenciais para a tomada de decisão pelos gestores e profissionais de saúde em
todas as esferas do SUS.
Instituído
pela Lei Federal nº 13.435/2017, o Agosto Dourado é o mês dedicado à
conscientização e incentivo ao aleitamento materno. Já a Lei 15.221/2025
instituiu, na semana de 15 de agosto, a Semana Nacional de Conscientização
sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães.
Os
avanços nas taxas de amamentação nas últimas décadas se devem a iniciativas
desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no âmbito da promoção, proteção e apoio
à amamentação, como a ação Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), a Estratégia
Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), a Iniciativa Hospital Amigo da Criança
(IHAC), o Método Canguru, os Postos de Coleta e os Bancos de Leite Humano, as
campanhas de mobilização social e a Norma Brasileira de Comercialização de
Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e
Mamadeiras (NBCAL), uma das legislações mais fortes do mundo, que regula a
promoção comercial e evita o uso inapropriado desses produtos, protegendo o
direito à amamentação.
Principal
ação na APS, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil qualifica os profissionais
das UBS quanto à promoção, proteção e apoio à amamentação e alimentação
complementar adequada e saudável. Atualmente, são 9.171 tutores formados, que
atuam em 2.384 municípios em todo país.
Benefícios
da Amamentação
A amamentação desde a primeira hora de vida até os
dois anos ou mais é o método mais econômico e eficaz para a redução da
morbimortalidade infantil, tendo um impacto significativo na saúde das
crianças, podendo reduzir em até 13% a mortalidade de crianças menores de cinco
anos por causas preveníveis.
“A
amamentação é uma das estratégias mais eficazes e custo-efetivas para promover
o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças, com benefícios também
para a saúde das mulheres, das famílias e de toda a sociedade. Investir na
amamentação é garantir direitos, promover saúde, prevenir doenças e contribuir
para a redução de custos para o sistema de saúde”, disse a coordenadora-geral
de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens.
Segundo
a OMS e o Unicef, aproximadamente seis milhões de vidas de crianças são salvas
anualmente devido ao aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês
de vida. Estima-se, ainda, que a adoção universal das práticas recomendadas de
aleitamento materno poderia prevenir mais de 820 mil mortes infantis por ano,
além de evitar cerca de 20 mil óbitos maternos por câncer de mama.
A
amamentação diminui a ocorrência de diarreias, infecções e afecções perinatais,
que estão entre as principais causas de mortalidade infantil. Além disso,
contribui para o desenvolvimento cognitivo, dos dentes, mastigação, deglutição
e fala. Crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver, no futuro,
doenças como obesidade e diabetes mellitus tipo 2.
Para
as mulheres, a amamentação oferece diversos benefícios, incluindo um menor
risco de hemorragia pós-parto, a diminuição das chances de câncer de mama,
ovários e endométrio, e reduz as chances de desenvolver diabetes tipo 2,
colesterol alto e hipertensão.
Fonte _ Saúde.gov
Bebidas comuns ganham versões com proteínas e fibras, mas benefícios dependem de quantidade
Cerveja
zero álcool com proteína, refrigerante com fibras e até água com colágeno. As
versões "fit" de bebidas comuns estão
em alta no mercado de saúde e
beleza.
Especialistas
médicos e de nutrição, porém, alertam que não basta ter destaque na embalagem
para ser eficaz. "É necessário verificar qual ingrediente foi acrescentado
e em que quantidade", ressalta André Camara de Oliveira, endocrinologista
e diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Na
Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo, o "portfólio
wellness" avançou mais de 60% em 2025 em comparação ao ano
anterior. A Nestlé, veterana no segmento, já tinha o Nutren Protein 15% e
avança no mercado de estética com um produto proteico com colágeno hidrolisado
líquido que promete melhoria da pele, unhas e cabelos.
Segundo
Oliveira, uma bebida com cerca de 15 a 25 gramas de whey, seja de proteína do
leite ou de soja, pode de fato contribuir para a ingestão proteica. O colágeno,
porém, "não possui a mesma qualidade para manutenção ou ganho."
"Nas
bebidas com fibras, também importa conhecer o tipo: inulina e
frutooligossacarídeos [fibra alimentar solúvel] podem provocar gases e
distensão abdominal em pessoas sensíveis", afirma o médico.
A
recomendação é avaliar a composição completa, considerando açúcar adicionado,
calorias, sódio, gordura saturada e cafeína, bem como a presença de poucos
corantes, aromatizantes e conservantes e de lupa
de alto teor da Anvisa.
A
cautela deve ser com excesso de açúcar ou cafeína, combinações de estimulantes
e produtos que destacam proteínas, fibras ou vitaminas sem informar claramente
as quantidades ou que alegam benefícios como "detox", "queima
gordura" ou "fortalece a imunidade" sem evidência.
Fabiana
Poltronieri, doutora em Ciência dos Alimentos pela USP e diretora da Asbran
(Associação Brasileira de Nutrição), diz que pode ser "tentador beber
cerveja com whey, mas o apelo é meramente de marketing."
"Não
há nenhum motivo com respaldo nutricional. O mesmo raciocínio vale para água
com colágeno, que é uma proteína
de baixo valor biológico, inclusive", defende.
A
diretora afirma que "faz sentido pensar em cerveja 0% álcool, pois a
dependência etílica é um problema de saúde pública", mas vale buscar
orientação profissional. "Há produtos que destacam nas embalagens
nutrientes, mas que na composição aparecem com um valor inexpressivo",
diz.
Bem-estar
em alta
A
Ambev aponta que o mercado de cervejas
sem álcool cresceu 30% no Brasil no último ano. A marca lança em
setembro, no Brasil, a Spaten Pro, cerveja escura sem álcool que leva whey
protein e colágeno na receita. Cada lata de 350 ml contém 10g de proteína (75%
whey hidrolisado e 25% colágeno) e menos de cem calorias. O grupo
tem ainda Guaraná Zero com fibras da Antarctica, Corona Cero, Bud Zero, Brahma
0,0% e Skol Zero Zero, Stella Pure Gold e Michelob Ultra.
A
Starbucks Brasil, por sua vez, está com uma linha de coberturas, a Cold Foam
Proteico, que adiciona 19g de proteína às bebidas geladas de chocolate e
baunilha. Em julho, o menu ganhou "leite proteico", adicional do
"Baunilha Latte Sem Açúcar Proteico", "Matcha Latte Sem Açúcar
Proteico", "Latte Proteico" e "Matcha Latte Proteico".
O produto inclui a partir de 23g de proteína extra por porção nas opções
quentes e 26g, nas geladas.
O
Collagen Drink, da Nestlé, em quatro sabores, tem 2,5 g de colágeno, 100 mg de
vitamina C, 12 g de proteínas e cerca de 53 kcal a cada 260 ml.
Mamba
Water Protein, do grupo Heineken, se divulga como "suplemento alimentar
líquido com 20g de proteína do colágeno + BCAA." A página também afirma
tratar-se de uma "água leve, sem açúcar, sem carboidrato e sem
glúten", além de não ter lactose.
Aposta
na praticidade
Anna
Paula Alves, diretora de categoria Cervejeira na Ambev, diz que há uma mudança
de comportamento do público e a estratégia é atendê-lo com maior variedade.
Esse consumidor busca opções equilibradas, mas sem deixar de lado experiências
que já tem com sabores de que gosta.
"Mais
do que prometer benefícios específicos, esses lançamentos refletem a evolução
do portfólio para acompanhar diferentes expectativas dos consumidores e ampliar
as possibilidades de escolha", avalia Alves.
Marcio
Avolio, diretor de marketing da Nutrify da Nestlé, diz que o Collagen Drink
"foi desenvolvido para transformar o autocuidado em uma experiência mais
prática e nutritiva", tornando "a suplementação mais fácil de
incorporar" à rotina. "A proposta é oferecer uma opção que combine
conveniência, por ser uma bebida pronta para o consumo, sabor leve e
ingredientes reconhecidos cientificamente", afirma.
Em
nota, a Starbucks declarou que as inovações da marca acompanham a
"evolução dos hábitos e das preferências" do público, permitindo aos
"consumidores personalizarem e customizarem suas bebidas", reforçando
atributos "da experiência Starbucks." A Folha entrou
em contato com a Mamba, mas não teve retorno.
Pode
ajudar, mas sem substituições
Na
visão da CMO (diretora de marketing) Ivete Gama, da rede Ultra Academia, o
crescimento de bebidas com atributos funcionais reflete a realidade cada vez
mais comum de quem tem rotina agitada, mas visa bem-estar. "Esses produtos
podem ser aliados [de quem treina e tem pouco tempo], mas não substituem
uma alimentação equilibrada
nem os cuidados básicos com o corpo. A saúde não está em um único produto, mas
no conjunto de hábitos", diz.
O
endocrinologista André Camara de Oliveira reforça que o problema não é o
consumo eventual de bebidas ultraprocessadas com quantidade
adequada de proteína quando não se pode fazer uma refeição, mas
quando estas "substituem regularmente água, leite e alimentos de melhor
qualidade nutricional."
O
refrigerante zero com fibras, por exemplo, pode ser "menos desfavorável
que o açucarado para quem já consumiria refrigerante, apesar de não ser
saudável. Não substitui frutas, verduras, feijão ou cereais integrais",
ressalta.
A
recomendação é seguir o contexto clínico: quem tem doença celíaca, não come
glúten; gestante, não bebe álcool; nefropata não deve ingerir muita proteína,
entre outros exemplos.
"Na
mesma lógica, a cerveja sem álcool com whey pode fornecer proteína, mas isso
não a transforma, por si só, em uma bebida adequada para recuperação esportiva,
pois devem ser considerados carboidratos, eletrólitos, calorias e teor
alcoólico", diz Oliveira.
Poltronieri
diz que é importante "não confundir praticante de atividade física com
atletas de alto rendimento, que contam com suporte diferenciado" na hora
de suplementar.
"A
melhor fonte de minerais, vitaminas e macronutrientes ainda são os alimentos e
as feiras livres estão no topo da lista quando se pensa no verdadeiro conceito
de bem-estar", diz Poltronieri.
O
mesmo vale para água, que não deve ser glamourizada. "A população
praticante de atividade física deve estar atenta à hidratação, que pode ser
feita adequadamente com água. Não há necessidade de bebidas especialmente
formuladas para a hidratação corporal e é excelente alternativa para toda a
população, sem restrições", finaliza a nutricionista.
Fonte _ Folha/SP


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