quarta-feira, 4 de novembro de 2026
OMS alerta para falta de atividade física entre adolescentes
Um
quarto dos adolescentes em todo o mundo praticamente não
pratica nenhuma atividade
física —nem sequer uma hora de exercício por semana—, afirmou a
Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta
quarta-feira (4), alertando que isso aumenta significativamente os riscos à
saúde.
As
novas estimativas globais da OMS constataram que, quando questionado, 1 em cada
4 adolescentes de 11 a 17 anos relata não
ter tido nenhum dia ativo —definido como pelo menos 60 minutos de
atividade física moderada a intensa— na semana anterior.
O
estudo, publicado na revista The Lancet Global Health, baseia-se em centenas de
pesquisas populacionais realizadas em 140 países e territórios, envolvendo mais
de 3,2 milhões de adolescentes, informou a OMS.
Extrapolados,
os resultados representam cerca de 240 milhões de jovens sem nenhum dia ativo
ao longo de uma semana, afirmou a agência de saúde das Nações Unidas.
De
modo geral, os adolescentes que participaram dos estudos relataram, em média,
praticar atividades físicas em 2,7 dias por semana, enquanto apenas 14%
disseram ter sido ativos nos sete dias, mostraram as estimativas.
A
OMS alertou que "a inatividade física é um importante fator de risco para
doenças cardíacas, diabetes
tipo 2 e alguns tipos de câncer".
"Ajudar
os jovens a desenvolver hábitos ativos desde cedo é fundamental para proteger
sua saúde e reduzir a carga global dessas doenças", afirmou a organização
em comunicado.
A
entidade lamentou a falta de avanços, já que a atividade física entre
adolescentes permaneceu "praticamente inalterada" nos últimos 15
anos, e instou as sociedades a intensificarem seus esforços.
"Há
15 anos, o mundo quase não avança em fazer com que os jovens se movimentem, e
as meninas são as que mais ficam para trás", afirmou no comunicado o
diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A
OMS destacou uma persistente desigualdade de gênero na atividade física entre
adolescentes: em quase todos os países e regiões, as meninas são muito menos
ativas do que os meninos.
Segundo
a estimativa, 28% das meninas relataram não ter tido nenhum dia ativo, ante 22%
dos meninos, enquanto apenas 11% delas disseram praticar atividade física todos
os dias, em comparação com 17% deles.
Também
foram observadas grandes diferenças entre os países.
Enquanto
40% dos adolescentes em países como Namíbia, Nepal e Filipinas relataram não
ter tido nenhum dia ativo, mais de 30% dos jovens em Bangladesh e na Sérvia
disseram praticar atividade física diariamente, mostrou o relatório.
Saiba
como escolher a melhor atividade física para crianças e adolescentes
Sedentarismo
faz crianças e adolescentes perderem força muscular, aponta estudo
Sedentarismo
na juventude começa na infância e ameaça saúde futura
"A
solução não é dizer aos adolescentes que se esforcem mais. É criar escolas,
ruas e comunidades onde se movimentar, brincar e ser ativo seja seguro, fácil e
normal", insistiu Tedros.
A
OMS ressaltou que a atividade física é influenciada pelo ambiente em que os
jovens vivem, citando fatores como meios de transporte, acesso a espaços
seguros e a possibilidade de caminhar ou andar de bicicleta com segurança.
O
ambiente escolar, as normas sociais e os estilos de vida cada vez mais
centrados em telas também podem ter grande impacto sobre os níveis de atividade
física.
"Os
países precisam de políticas que tornem a atividade física uma parte fácil,
segura e acessível da vida cotidiana", afirmou a OMS.
Fonte _ Folha/SP
OMS aprova ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o ebola
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou
nesta quarta-feira (4) ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o ebola, em
meio à epidemia na África, que
já matou
mais de 5.300 pessoas.
No
mês passado, teve
início um ensaio com a Ervebo, uma vacina aprovada contra a cepa Zaire
do vírus ebola, a mais comum, mas não contra a variante Bundibugyo, disse a
jornalistas o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Hoje, os
grupos de especialistas da OMS recomendam acrescentar dois candidatos a vacina
a esses ensaios", acrescentou.
Ambos
candidatos agem contra a cepa Bundibugyo, que causou mais de 5.300 mortes na República
Democrática do Congo (RDC) em mais de cinco meses, de um total superior
a 10.400 casos.
Um
caso foi detectado na Nigéria e
outros nove, incluindo
duas mortes, no Quênia, em
outubro.
Uganda
registrou 20 casos, um deles fatal, mas a OMS declarou oficialmente o país
livre do ebola.
Um
dos dois novos candidatos à vacina, ChAdOx1, é um vetor derivado de adenovírus.
Ele foi desenvolvido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em
colaboração com o Serum Institute of India. O outro, concebido pelo grupo
norte-americano Moderna, utiliza a tecnologia de RNA mensageiro.
"As
vacinas são ferramentas poderosas, mas não substituem as medidas comprovadas
que podem salvar vidas agora: atendimento precoce, rastreamento de contatos,
isolamento, sepultamentos seguros e dignos e envolvimento das comunidades com
base na confiança", lembrou o diretor da OMS.
Fonte _ Folha/SP
Anvisa aprova Wegovy em comprimido: o que falta para versão oral da caneta emagrecedora chegar às farmácias do Brasil?
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quarta-feira (4) a versão
em comprimido do Wegovy, remédio para obesidade da farmacêutica
dinamarquesa Novo Nordisk.
É o
primeiro medicamento oral da classe dos agonistas de GLP-1, a mesma das
chamadas canetas
emagrecedoras, liberado no país para tratar obesidade e
sobrepeso.
O
comprimido tem o mesmo princípio ativo da caneta, a semaglutida. A diferença é
que ele é tomado uma vez por dia, em vez de uma injeção por semana.
"A
chegada de um GLP-1 em comprimido representa uma nova ferramenta que vai cada
vez mais ampliar as possibilidades de medicações que podem ser utilizadas em
diferentes perfis de pacientes", diz a endocrinologista Cynthia Valério,
presidente eleita da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e
da Síndrome Metabólica).
Ainda
não há preço nem data de lançamento no Brasil. Em nota à imprensa, a Novo
Nordisk diz apenas que o comprimido deve chegar às farmácias brasileiras
"nos próximos trimestres".
A
BBC News Brasil perguntou à empresa qual é a previsão de lançamento e de preço,
mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.
No
exterior, o comprimido está à venda nos Estados
Unidos desde janeiro. Depois chegou aos Emirados Árabes Unidos, ao Reino Unido
e à Alemanha.
O
que falta para o comprimido chegar às farmácias brasileiras
A
aprovação da Anvisa é o primeiro passo. Antes de chegar às prateleiras, o
remédio precisa ter um preço
máximo definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de
Medicamentos), órgão do governo federal que fixa o valor teto de todos os
medicamentos vendidos no país.
Só
depois disso a empresa pode começar a vender. A BBC News Brasil também
perguntou à Novo Nordisk se o pedido de preço já foi feito à CMED, e aguarda
resposta.
A
Novo Nordisk pediu o registro do comprimido à Anvisa em 30 de janeiro deste
ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução
4.249/2026.
O
remédio é indicado para adultos
com obesidade, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) igual ou
maior que 30.
Também
vale para adultos com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) que tenham pelo menos uma
doença associada ao peso, como hipertensão ou diabetes
tipo 2. Em todos os casos, deve ser usado junto com mudanças na
alimentação e prática de atividade física.
Onde
o comprimido já é vendido e quanto custa
Os
Estados Unidos foram o primeiro país a aprovar o comprimido, em dezembro de
2025. A aprovação foi da FDA (Food and Drug Administration), a agência
reguladora de medicamentos americana.
As
vendas começaram em 5 de janeiro. Para quem paga do próprio bolso, o preço vai
de US$ 149 (R$ 816) por mês na dose inicial a US$ 299 (R$ 1,6 mil) nas doses
mais altas.
Segundo
a Novo Nordisk, mais de 7 milhões de prescrições do comprimido já foram
dispensadas nos Estados Unidos desde o lançamento.
Em
junho, os Emirados Árabes Unidos se tornaram o primeiro país fora dos Estados
Unidos a vender o remédio.
No
Reino Unido, a agência reguladora local aprovou o comprimido em junho e as
vendas começaram em julho, em farmácias privadas. Por enquanto, o remédio não é
oferecido pelo sistema público de saúde britânico, o NHS.
A União
Europeia aprovou o comprimido em julho, depois de parecer favorável da
EMA (Agência Europeia de Medicamentos). A Alemanha foi o primeiro país do bloco
a vender o remédio, a partir de 1º de setembro. O comprimido também foi
aprovado no Bahrein.
A
Novo Nordisk diz que pretende levar o comprimido a outros países nos próximos
meses.
Como
o remédio age e por que a dose do comprimido é maior
A semaglutida
imita o GLP-1, hormônio que o intestino libera depois das refeições.
Ele sinaliza ao cérebro que o corpo já recebeu comida, o que reduz a fome, e
faz o estômago esvaziar mais devagar, o que prolonga a sensação de saciedade.
Quando
o remédio é engolido, boa parte da substância se perde no sistema digestivo
antes de chegar ao sangue. Por isso a dose do comprimido é bem maior: 25 mg por
dia na fase de manutenção, contra 2,4 mg por semana na caneta.
O
tratamento começa com 1,5 mg, e a dose sobe aos poucos, passando por 4 mg e 9
mg até chegar aos 25 mg. O comprimido deve ser tomado em jejum, com pouca água.
Depois disso, é preciso esperar pelo menos 30 minutos para comer, beber ou
tomar outros remédios.
Segundo
a Anvisa, quem usa a caneta poderá passar para o comprimido, e quem usa o
comprimido poderá passar para a caneta, quando o médico considerar adequado.
O
que mostrou o estudo que embasou a aprovação
A
aprovação se baseou principalmente no estudo
OASIS 4, publicado na revista científica The New England Journal of
Medicine. Participaram 307 adultos sem diabetes, com obesidade ou com sobrepeso
e alguma doença associada, e os resultados foram medidos depois de 64 semanas.
No
grupo que tomou o comprimido, a perda média de peso foi de 13,6%. No grupo que
recebeu placebo, foi de 2,2%. Quase um terço dos participantes que tomaram o
comprimido perdeu 20% do peso ou mais.
A
Novo Nordisk diz que a perda de peso com o comprimido é parecida com a obtida
com a caneta de 2,4 mg. Segundo a Anvisa, o tratamento também melhorou vários
marcadores de saúde cardiovascular e metabólica dos participantes.
Os efeitos
colaterais mais
comuns foram gastrointestinais, como náusea e diarreia. Eles afetaram 74% de
quem tomou o comprimido, contra 42% no grupo placebo, e em geral foram leves ou
moderados.
Cerca
de 7% dos participantes que tomaram o remédio pararam o tratamento por causa de
efeitos adversos, contra 6% no grupo placebo.
O
que muda em relação ao Rybelsus, aos genéricos e à pílula concorrente
O
Brasil já tinha um comprimido de semaglutida, o Rybelsus,
também da Novo Nordisk. Ele é indicado para diabetes tipo 2, em doses menores,
e não para tratar obesidade.
O
comprimido chega a um mercado que mudou em 2026. A patente da semaglutida caiu
no Brasil em 20 de março, e, desde agosto, a Anvisa já aprovou versões
genéricas da semaglutida injetável. Por lei, os genéricos precisam custar pelo
menos 35% menos que o remédio de referência.
A
principal concorrente do comprimido da Novo é o Foundayo (orforglipron), pílula
diária para obesidade da americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro.
O Foundayo foi aprovado nos Estados Unidos em abril, mas ainda não tem registro
no Brasil.
Segundo
a endocrinologista Cynthia Valério, a versão oral tende a beneficiar quem não
quer usar injeção, quem prefere tomar o remédio todos os dias em vez de uma vez
por semana e quem tem dificuldade para guardar a caneta, por exemplo porque
viaja muito.
Anvisa
autoriza semaglutida oral de Wegovy para obesidade e sobrepeso
Pacientes
que trocam canetas emagrecedoras por versão oral do Wegovy continuam
emagrecendo, diz estudo da farmacêutica
Como
microdose de medicamentos GLP-1 se tornou uma 'febre' nos EUA
Hypera
descarta redução no preço de caneta emagrecedora com entrada de mais
fabricantes
Anvisa
aprova 5 novas canetas para diabetes e obesidade; total chega a 19 em 2026
O
comprimido, diferentemente da caneta, não precisa ficar em ambiente
refrigerado.
Ela
afirma que o comprimido pode facilitar o início do tratamento e o aumento
gradual da dose em pacientes que usam muitos outros remédios ou têm várias
doenças. Isso permite acompanhar melhor os efeitos colaterais e a tolerância ao
medicamento.
"O
nosso maior desafio hoje é a adesão de longo prazo e a perda de peso
sustentada", afirma a médica. Quem interrompe o tratamento perde os
benefícios que conquistou.
Ela
alerta que o comprimido não terá o efeito esperado se for tomado junto com
outro remédio, com outro líquido que não seja água ou sem respeitar o tempo de
jejum.
"Acaba
sendo um desperdício de energia, de dinheiro, de tempo do paciente sem que haja
boa resposta", diz. "O acompanhamento médico, ele é sempre
necessário."
Para
Valério, garantir o acesso ao tratamento
da obesidade, seja pelo SUS ou pelos planos de saúde, é essencial.
"Entendemos que hoje ainda temos esse grande desafio de incorporação
dessas tecnologias", diz.
Ela
avalia que, no início, o comprimido não deve estar amplamente acessível, e
afirma que a Abeso vai lutar para que as novas terapias sejam oferecidas tanto
no SUS quanto na saúde suplementar.
Fonte _ Folha/SP
Ministério da Saúde projeta alta da dengue em 2027 e quer voltar a usar vacina do Butantan
O Ministério
da Saúde projeta que o impacto do El Niño
sobre o clima deve elevar, em 2027, os casos de arboviroses como dengue e
chikungunya.
O
ministro Alexandre
Padilha (PT) também afirma que deseja retomar a aplicação da vacina
contra a dengue fabricada pelo Instituto Butantan, que teve uso
suspenso em junho após registros de reações adversas severas.
Padilha
diz que ainda aguarda o resultado de análises sobre a segurança da vacina e não
citou prazo para decidir sobre retorno ou não da Butantan-DV ao SUS.
Em
entrevista à imprensa nesta quarta-feira (4), o ministério estimou alta de 20%
a 40% de casos de dengue no próximo ano, mas não detalhou os dados.
Relatório
divulgado pela Fiocruz no começo de outubro projetou
para 2027 cerca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue, número próximo ao
de 2025 (1,66 milhão), sem considerar o impacto do El Niño.
Para
um cenário de El Niño forte, o mesmo documento estima, de setembro deste ano ao
começo de 2027, alta de 49,1% dos casos prováveis no Nordeste, de 68,9%
no Norte, de 84,9% no Sudeste, de 98,4% no Centro-Oeste e de 138,2% no
Sul. O relatório não projeta o ano completo de 2027 com o fenômeno.
Mesmo
no cenário em que a Fiocruz não considera o efeito do fenômeno climático, o
número de casos supera o de 2026. Desde janeiro, são 489.197 casos prováveis,
segundo painel do Ministério da Saúde.
"É
lógico que ela pode ter intensidade maior em algumas regiões, onde você vai ter
maior seca, como no semiárido e na Amazônia", afirmou Padilha.
O
ministro disse ainda que o cenário de alta reflete combinação do El Niño
"com a própria realidade epidemiológica" da dengue, que teve queda de
casos nos últimos dois anos. "Isso faz com que você tenha populações mais
suscetíveis a contrair determinados sorotipos."
Padilha
afirmou que o ministério, junto ao comitê de especialistas, segue avaliando os
dados de reações adversas da vacina do Butantan. "Nós acreditamos,
trabalhamos para isso, torcemos para isso, para que a gente possa ter essa
vacina disponível para utilizar. Pelo menos no ano que vem."
Na
mesma entrevista, o ministro disse que levará para a COP31, que será realizada
de 9 a 20 de novembro na Turquia, dados sobre resposta do SUS às mudanças
climáticas, como a construção de unidades de atendimento e hospitais com
reservatórios maiores de água, entre outras medidas.
Pacientes
com dengue chegam em estado mais grave às UTIs do SUS do que na rede privada
Suspensão
da vacina do Butantan cria incerteza sobre ritmo de imunização em massa
Mosquitos
da dengue expandem seu alcance e chegam a novos territórios, incluindo a
Flórida
El
Niño pode elevar casos de dengue no Brasil, com pior cenário no Sul e no
Sudeste
Vacina
contra a dengue
O
ministério anunciou em 8 de junho a decisão de interromper o uso no SUS da
vacina contra a dengue
do Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas
severas, incluindo duas mortes.
Aplicada
em dose única, a Butantan-DV é a principal aposta do governo para proteger a
população em uma estratégia de longo prazo.
Agora,
o SUS tem apenas a Qdenga para a imunização contra a dengue. Em 2024, o
ministério comprou cerca de 10 milhões de doses da farmacêutica Takeda, por R$
1,3 bilhão. A vacina é oferecida ao público de 10 a 14 anos na rede pública.
Padilha
disse que não está em discussão ampliar o público da Qdenga. O produto tem
registro da Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos de idade.
Já o
imunizante do Butantan foi aprovado pela Anvisa no fim de novembro de 2025 para
o público de 12 a 59 anos. No mês seguinte, o Ministério da Saúde assinou a
compra de 3,9 milhões de doses por R$ 367,9 milhões.
Os
estudos também mostraram que a proteção dura cinco anos. O uso, contudo, foi
interrompido para avaliação das reações adversas.
Havia
expectativa de ampliar a produção a 60 milhões de doses, por meio de parceria
com a empresa chinesa WuXi Vaccines. A fabricação da Butantan-DV no laboratório
estrangeiro, porém, ainda dependeria de aval da Anvisa.
A
decisão de suspender temporariamente a aplicação da vacina envolveu debate de
órgãos ligados ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) com participação da
Anvisa, secretarias locais de saúde e
especialistas.
A
busca pela imunização em massa ganhou maior prioridade no SUS após a explosão
de casos da dengue em 2024, quando foram registradas 6.321 mortes. Em 2026, o
ministério soma 368 mortes por dengue e outras 116 em investigação.
Fonte _ Folha/SP
Anvisa autoriza semaglutida oral de Wegovy para obesidade e sobrepeso
A Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, nesta quarta-feira (4), o
registro da via
oral do medicamento Wegovy (semaglutida), da Novo Nordisk. O pedido foi
submetido à agência em 30 de janeiro de 2026. O produto estava disponível no
Brasil apenas na forma de caneta
emagrecedora.
Segundo
a farmacêutica, a expectativa é que o comprimido esteja disponível nas
farmácias brasileiras nos próximos trimestres. Ainda não há previsão de preço.
O Wegovy
é indicado para o tratamento da obesidade e
do sobrepeso,
com a presença de pelo menos uma doença relacionada ao peso
em adultos.
O
remédio precisa ser combinado com uma rotina de exercícios e dieta de baixa
caloria. Essa é a primeira versão em comprimido aprovada no país que atua como
agonista do hormônio
GLP-1 para tratamento de obesidade.
A semaglutida
atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promove redução do peso
corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade.
O
comprimido deve ser ingerido uma vez ao dia, em jejum, com pequena quantidade
de água, pelo menos 30 minutos antes da ingestão de alimentos, bebidas ou
outros medicamentos.
O
tratamento prevê um escalonamento progressivo de dosagem —iniciando com 1,5 mg
e avançando para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose diária de manutenção
recomendada (25 mg).
A
aprovação do registro teve como principal sustentação os resultados do estudo
clínico pivotal de fase 3, denominado OASIS 4, que avaliou a eficácia da
semaglutida oral na dosagem de 25 mg em adultos com obesidade
ou sobrepeso associado
a comorbidades.
Durante
a pesquisa, que acompanhou os participantes ao longo de 64 semanas, o grupo
tratado com a medicação registrou uma perda média de peso
corporal superior a 13%.
Número
de brasileiros com obesidade atendidos na rede básica do SUS aumenta 259% em
dez anos
Por
que as canetas emagrecedoras não funcionam em algumas pessoas
Custo
da obesidade vai além da saúde
Além
do desempenho superior ao do grupo placebo, o tratamento promoveu melhora em
diversos marcadores de saúde cardiometabólica dos pacientes.
O
comprimido Wegovy já havia sido lançado nos Estados
Unidos, no Reino Unido,
na Alemanha
e nos Emirados Árabes Unidos.
A Folha
noticiou recentemente que o número de brasileiros
com obesidade monitorados pelo Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar
e Nutricional), do Ministério
da Saúde, passou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões neste ano
—mais de um terço (36%) de todo o público adulto acompanhado no sistema. A alta
no período foi de 259%.
O
Sisvan reúne informações sobre o estado nutricional da população atendida na Atenção
Primária à Saúde no SUS (Sistema Único de Saúde).
No
mesmo período, os indicadores de sobrepeso saltaram de cerca de 4,19 milhões
para 10,76 milhões —elevação de 156,8%.
Juntas,
as duas condições somam 21,88 milhões de indivíduos. O dado revela que 71,5%
dos adultos assistidos pelo Sisvan estão acima do peso adequado.
Fonte _ Folha/SP
Brasil segue livre do sarampo e intensifica vigilância com busca ativa em todo o país nesta quarta (4)
Dia
S
mobiliza equipes de saúde de estados e municípios para identificar possíveis
casos além da vigilância de rotina. Ação integra as medidas do Ministério da
Saúde para impedir que o vírus volte a circular no país
Brasil
permanece livre da circulação endêmica do sarampo. Para evitar que o vírus volte a ser transmitido
no país, o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, reforça
as ações de vigilância e vacinação. Nesta quarta-feira (4), a pasta realiza o Dia
S, uma mobilização nacional de busca ativa de casos suspeitos, para
ampliar a identificação de possíveis infecções diante dos surtos registrados em
países das Américas.
A
busca ativa mobiliza as equipes de saúde para identificar casos suspeitos ou
confirmados que ainda não tenham sido detectados ou que não tenham chegado aos
serviços de saúde. Durante o Dia S, os profissionais reforçam a
vigilância epidemiológica em comunidades, instituições e laboratórios. A
estratégia inclui visitas a residências, escolas, creches, templos religiosos e
unidades de saúde, em busca de pessoas com sinais e sintomas compatíveis com
sarampo e rubéola.
Além
disso, são analisados os registros de atendimento dos serviços de saúde e
realizados exames laboratoriais em amostras inicialmente investigadas para
outras doenças. Esse conjunto de ações amplia a capacidade de detecção precoce
e permite uma resposta oportuna para interromper a transmissão do vírus.
Esta
é a segunda busca ativa nacional realizada em 2026, após a
primeira, em março. O cenário no país é diferente do registrado em 2019, quando
mais de 20 mil casos foram confirmados e o Brasil perdeu a certificação de país
livre da circulação endêmica do sarampo.
Ações
como o Dia S, os Dias D de vacinação, a
intensificação da vigilância, a garantia da oferta de vacinas e o engajamento
de estados e municípios têm mantido o país livre da circulação endêmica da
doença. Esse conjunto de medidas permitiu ao Brasil recuperar, em 2024, o
certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana
da Saúde (OPAS).
No
próximo sábado (7), o Ministério da Saúde, junto com equipes locais, promove um
Dia D de vacinação contra o sarampo na região da tríplice
fronteira, em parceria com Colômbia e Peru. Nessa área, o risco de disseminação
aumenta diante do intenso trânsito de pessoas e da proximidade de eventos
internacionais. A iniciativa busca ampliar a proteção da população e fortalecer
a capacidade de resposta dos três países.
Entenda
o cenário nacional
Os
casos registrados atualmente no Brasil são importados, quando a infecção ocorre
fora do país, ou têm relação com contatos de casos importados. Até o momento,
foram confirmados 65 casos: 41 em São Paulo, 21 no Amazonas,
dois no Acre e um no Rio de Janeiro.
As
ações de vigilância e vacinação são fundamentais diante do cenário
epidemiológico nas Américas, que registra mais de 57,1 mil casos e 80 óbitos
pela doença. No Peru, país vizinho ao Brasil, foram registrados 2,7 mil casos e
um óbito. A mobilização também atende à recomendação da Comissão Regional de
Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola da
Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A
vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo e está disponível
gratuitamente no SUS para pessoas de 12 meses a 59 anos, conforme as
recomendações do Programa Nacional de Imunizações. Neste ano, mais de 16
milhões de doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba
e rubéola, foram distribuídas para atender à demanda nacional.
Quem
tem doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para verificar a
situação vacinal e atualizar a caderneta, se necessário. Manter altas
coberturas vacinais e fortalecer a vigilância epidemiológica são medidas
essenciais para proteger a população e evitar que casos importados resultem na
circulação sustentada do vírus no Brasil.
Fonte _ Saúde.gov
Por que NENHUM outro estado é como o Acre
Em
1867, o próprio Brasil assinou um tratado reconhecendo que aquela terra era da
Bolívia.
Em
1900, chegou a devolvê-la.
Três
anos depois, pagou 2 milhões de libras esterlinas para ficar com ela.
O
mapa mostra por que nenhum outro estado é como o Acre.
Neste
vídeo:
• A
linha reta de 1867 que dizia: Bolívia
• O
mito do cavalo
• Os
rios que levaram cearenses e nordestinos até os seringais
•
Luis Gálvez, Plácido de Castro e a Revolução Acreana
• O
Tratado de Petrópolis e a Ferrovia Madeira-Mamoré
•
Chico Mendes, os geoglifos e o jacaré gigante
• O
Acre como porta do Brasil para o Pacífico
O
mapa não mente.
FONTES
Tratado
de Ayacucho (1867) e Tratado de Petrópolis (1903); Museu Histórico Nacional
(Questão Acreana); Portal Amazônia; Sesc SP (A Terra dos Seringais); Revista
Pesquisa FAPESP e Iphan (geoglifos); IBGE (Censo 2022, Contas Regionais 2023,
pontos extremos); Defesa Civil de Rio Branco; Lei 4.070/1962; Lei 11.662/2008,
referendo de 2010 e Lei 12.876/2013 (fuso horário); Datamar News (rota do
Pacífico). Distâncias em linha reta calculadas pelo canal.
CRÉDITOS
DAS FOTOS
(domínio público, via Wikimedia Commons)
•
Ferrovia Madeira-Mamoré (2 fotos): Dana Merrill, Acervo do Museu Paulista da
USP
•
Plácido de Castro: A Pátria Brazileira (Virgílio Cardoso de Oliveira)
•
Barão do Rio Branco: autor desconhecido
•
Luis Gálvez: autor desconhecido
ILUSTRAÇÕES
As
cenas históricas e de paisagem são ilustrações artísticas digitais, não
fotografias.
CRÉDITOS
DOS MAPAS
Imagem de satélite: Sentinel-2 cloudless - https://s2maps.eu by EOX IT Services GmbH (Contains modified Copernicus
Sentinel data 2016 & 2017), CC BY 4.0. Relevo: Terrain Tiles (Mapzen/AWS), com
dados SRTM e GMTED2010 (USGS) e ETOPO1 (NOAA). Limites: IBGE e Natural Earth.
O Brasil que você nunca viu fica no Acre!
Explore
o Acre, um dos estados mais surpreendentes da Amazônia brasileira!
Nesta
viagem, descobrimos o fascinante Rio Croa, os misteriosos geoglifos milenares,
paisagens de Cruzeiro do Sul, rios de águas impressionantes e as tradições dos
povos indígenas.
Um
documentário sobre as belezas naturais, a história, a cultura e os lugares
pouco conhecidos que revelam a verdadeira grandeza do Acre.
Nosso
agradecimento e parabéns a todos os produtores de imagens que registram e
compartilham as maravilhas dessa terra!
O
trabalho de vocês é fundamental para mostrar ao mundo a beleza do Acre.
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algum autor não tenha recebido o devido reconhecimento nos créditos, pedimos
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terça-feira, 3 de novembro de 2026
Nanotecnologia verde desenvolvida por pesquisadores do Instituto Butantan combate parasitas da esquistossomose e larvas de Aedes aegypti
Inovação
com patente concedida pelo INPI mostra que nanopartículas de prata produzidas
com substrato de origem fúngica eliminam patógenos preservando o ecossistema
aquático
Utilizando
o conceito de nanotecnologia verde, cientistas do Laboratório de
Desenvolvimento e Inovação (LDI) do Instituto Butantan desenvolveram nanopartículas
de prata com altíssima eficácia contra o parasita causador da esquistossomose (Schistosoma
mansoni) e contra larvas do mosquito Aedes aegypti, causador de
doenças como dengue, zika e chikungunya.
As
nanopartículas formadas a partir da reação de compostos produzidos pelo fungo
Aspergillus tubingensis com sal de prata eliminam esses patógenos de ambientes
aquáticos, sem causar desequilíbrio no ecossistema, mantendo a vida dos
microcrustáceos e peixes.
Os
resultados do estudo foram publicados em artigo científico na prestigiada
revista internacional Environmental Science: Nano, do grupo editorial
britânico Royal Society of Chemistry (RSC).
Sob
coordenação da pesquisadora científica do LDI, Ana Olivia de Souza, em
colaboração com o pesquisador Edison Barbieri, do Instituto de Pesca de São
Paulo, o trabalho foi desenvolvido pelo pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro
durante seu doutorado, com a participação de especialistas do Laboratório de
Parasitologia do Butantan.
"Nós
temos algumas espécies de fungos que são efetivas na formação de nanopartículas
metálicas. De todas as que avaliamos no laboratório, as nanopartículas obtidas
com substratos produzidos pelo Aspergillus tubingensis foram as que
apresentaram a maior atividade biocida e antimicrobiana, aliada a uma alta
estabilidade ", afirma Ana Olivia de Souza.
A
utilização de fungos em nanotecnologia verde é uma abordagem inovadora e
sustentável. Diferente dos métodos químicos convencionais de síntese de
nanopartículas metálicas, que empregam reagentes tóxicos, solventes poluentes e
geram resíduos agressivos ao meio ambiente, o processo biológico empregado no
Instituto Butantan utiliza o secretoma (conjunto de proteínas e substâncias
produzidas pelo microrganismo) do fungo para a formação das
nanopartículas.
Isso
é possível porque os fungos atuam como verdadeiras "nanofábricas".
Na reação com íons metálicos (no caso do Butantan, foram usados íons de prata)
as biomoléculas presentes no secretoma do fungo promovem a formação das
nanopartículas.
Essas biomoléculas atuam simultaneamente na redução dos íons de prata e na estabilização das nanopartículas criando um biocida biogênico, de origem natural, utilizado para controlar, neutralizar ou eliminar organismos vivos nocivos, como bactérias, fungos ou insetos.
O
trabalho foi desenvolvido pelo pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro com coordenação
da pesquisadora científica do LDI, Ana Olivia de Souza
Da
bancada à parceria com a Parasitologia
Inicialmente
focada na caracterização físico-química e na avaliação de propriedades
antimicrobianas contra fungos e bactérias patogênicas para humanos e plantas, a
equipe de Ana Olivia percebeu que a tecnologia possuía um potencial muito mais
amplo. O passo decisivo ocorreu quando os pesquisadores do LDI decidiram unir
forças com os especialistas em doenças parasitárias da instituição.
“Sabendo
que a esquistossomose é um grave problema de saúde pública que praticamente não
possui opções de tratamento preventivo no ambiente, testamos as nanopartículas
diretamente contra as cercárias [larva infectante do verme]. Ficamos
impressionados com os resultados", diz o pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro.
A
esquistossomose, causada pelo helminto S. mansoni, afeta mais de 200
milhões de pessoas no mundo e permanece endêmica em diversas regiões do Brasil.
A transmissão ocorre quando o indivíduo entra em contato com águas doces
contaminadas por cercárias — a forma larval infectante liberada pelos caramujos
aquáticos do gênero Biomphalaria.
O
tratamento da doença é realizado com o medicamento praziquantel e a aplicação
de moluscicidas químicos nos corpos d'água auxiliam no controle para exterminar
os caramujos.
Entretanto,
os moluscicidas químicos tradicionalmente usados, como a niclosamida, são
altamente tóxicos para peixes, anfíbios e invertebrados aquáticos,
apresentam elevado custo e se acumulam no ambiente.
“Em vez de atingir a população de caramujos e destruir o ecossistema local, a nanopartícula biogênica tem maior seletividade e elimina diretamente a cercária, o elo infectante da cadeia epidemiológica”, esclarece Ana Olivia de Souza.
A
utilização de fungos em nanotecnologia verde é uma abordagem inovadora e
sustentável
Ataque
cirúrgico à cercária da esquistossomose
Os
resultados publicados pela revista científica Environmental Science: Nano,
demonstraram a alta eficiência das nanopartículas de prata micogênicas, que em
baixa concentração eliminou 100% das cercárias de S.mansoni em somente
duas horas de exposição.
"Com
a nanopartícula no ambiente aquático, a cercária é eliminada rapidamente antes
de conseguir infectar o ser humano ou reinfectar o caramujo. Assim, é possível
interromper o ciclo de transmissão da doença sem precisar erradicar o caramujo
nem destruir a fauna aquática local", explica Luiz Gustavo Ribeiro.
O estudo avaliou também o impacto das nanopartículas nos diferentes estágios de desenvolvimento do caramujo Biomphalaria glabrata. Os estágios embrionários iniciais (blástula e gástrula) mostraram-se sensíveis à ação das nanopartículas em baixas concentrações, o que contribui para controlar a superpopulação do hospedeiro intermediário. Já os caramujos adultos demonstraram ser significativamente mais resistentes, confirmando a ação seletiva das nanopartículas sobre as formas infecciosas do parasita.
A
pesquisadora Ana Olivia de Souza confere a qualidade da amostra no Laboratório
de Desenvolvimento e Inovação
Nova
arma de combate ao Aedes aegypti e às arboviroses
Outra
abordagem do estudo foi expandir os testes para o mosquito Aedes aegypti
que é um grande desafio de saúde pública no país.
Em
colaboração com pesquisadores do Laboratório de Parasitologia, especialistas em
vetores, as nanopartículas foram testadas e apresentaram ação contra larvas do
mosquito no quarto e último estágio de desenvolvimento após 48 horas de
exposição contínua na água. A ação larvicida progressiva impede que o mosquito
atinja a fase adulta, impedindo a proliferação do vetor na origem. Os
resultados comprovaram a versatilidade da inovação nanotecnológica do
Butantan.
"Diante
do cenário recorrente de epidemias de dengue no Brasil e do surgimento de
populações de mosquitos resistentes aos inseticidas químicos tradicionais,
pensamos: por que não testar a nanopartícula contra as larvas do Aedes
aegypti? Vimos que ela funciona como um nanobioinseticida muito potente.
Comparada a outros biopesticidas relatados na literatura internacional, a nossa
nanopartícula micogênica exige doses substancialmente menores para atingir
quase 100% de letalidade nas larvas", afirma Luiz Gustavo Ribeiro.
Entre
os vírus transmitidos pelo A. aegypti, o da dengue parece ser o que se
espalha mais rápido pelo mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de metade da
população mundial está agora em risco de contrair dengue, com uma estimativa de
100 a 400 milhões de infecções a cada ano, enquanto o Brasil vive surtos e
epidemias constantemente; com mais de 1 milhão de casos em 2025, e 6,6 milhões
na epidemia de 2024.
O
segredo da seletividade e preservação ambiental
Um
dos aspectos mais relevantes do trabalho publicado na Environmental Science:
Nano foi a rigorosa avaliação ecotoxicológica conduzida em parceria com o
Instituto de Pesca. A grande preocupação da comunidade científica ao introduzir
qualquer novo biocida na natureza é o impacto sobre os organismos não-alvo que
compõem o ecossistema aquático.
Para
avaliar essa questão, a equipe testou a nanopartícula em organismos
bioindicadores padrão, como zebrafish usado como organismo modelo, nos
microcrustáceos Daphnia magna (conhecida como “pulga-d'água”) e Cypricercus
centrura, e em peixes de água doce como tilápia (Oreochromis niloticus),
lambari (Deuterodon iguape) e cará (Geophagus brasiliensis). Além
disso, os testes foram conduzidos em organismo costeiro, como o
camarão-fantasma (Palaemon pandaliformis).
Os
testes mostraram que os organismos não-alvo foram significativamente menos
sensíveis às nanopartículas do que os alvos, cercárias e larvas do mosquito A.
aegypti. Como exemplo, a concentração necessária para matar exemplares dos
microcrustáceos seria 22 vezes superior à concentração necessária para matar o
parasita da esquistossomose.
"As
biomoléculas produzidas e secretadas pelo fungo Aspergillus tubingensis formam
um revestimento ao redor do núcleo de prata. Essa camada externa funciona como
uma cápsula protetora que modula a liberação dos íons de prata de forma lenta e
gradual, evitando picos agudos de toxicidade que afetariam peixes e
microcrustáceos. É exatamente esse revestimento que confere a alta seletividade
do nosso material em relação aos organismos alvo", destaca Ana Olivia de
Souza.
Para esclarecer o mecanismo de funcionamento das biomoléculas, a pesquisadora faz uma analogia com medicamentos de liberação prolongada. "Alguns medicamentos precisam ser tomados a cada quatro ou oito horas porque são absorvidos e eliminados do corpo rapidamente, enquanto outros revestidos e de liberação controlada liberam o princípio ativo aos poucos no organismo, permitindo que a pessoa tome menos medicamentos por dia. Na água, nossa nanopartícula faz o mesmo: a corona biomolecular libera gradualmente a prata, mantendo a ação biocida contra larvas e cercárias por mais tempo e sem agredir o ecossistema aquático", explica.
Luiz
Gustavo Ribeiro: "Ficamos impressionados com os resultados dos testes das
nanopartículas contra as cercárias"
Estabilidade
de 5 anos e patente concedida pelo INPI
Um
dos maiores desafios para a comercialização de nanobioinseticidas de origem
biológica é manter a estabilidade ao longo do tempo, ou seja, evitar que se
degradem.
Porém,
as nanopartículas desenvolvidas no Instituto Butantan são altamente estáveis em
temperatura ambiente, mantendo o tamanho, a morfologia e a mesma eficiência
biocida após mais de cinco anos. A estabilidade foi confirmada por análises de
espalhamento dinâmico de luz (DLS) e microscopia eletrônica de transmissão.
O
reconhecimento da originalidade e do caráter inovador do trabalho foi
evidenciado com a concessão oficial da carta-patente do processo pelo Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ao Instituto Butantan, em 21 de julho
de 2026.
"A
concessão da patente pelo INPI, evidencia o potencial e garante a proteção
intelectual da tecnologia e abre portas para parcerias de desenvolvimento
industrial", comenta a pesquisadora científica do LDI.
Dispositivos
biodegradáveis e o futuro no conceito One Health
Com
a validação científica de bancada concluída e a patente assegurada, os
pesquisadores do LDI já trabalham na próxima fase da tecnologia durante o
pós-doutorado de Luiz Gustavo Ribeiro.
Atualmente
produzida na forma de uma suspensão, a nanopartícula está sendo associada a
outros materiais para facilitar o transporte e o armazenamento de grandes
quantidades, assim como o uso em diferentes escalas.
"É
uma tecnologia totalmente alinhada ao conceito de Saúde Única (One Health),
integrando saúde humana, animal e preservação ambiental”, ressalta Luiz Gustavo
Ribeiro.
Para
a pesquisadora Ana Olivia de Souza, “trata-se de uma tecnologia e inovação
sustentável que utiliza a biodiversidade brasileira a um custo viável para a
saúde pública, refletindo exatamente o compromisso que o Instituto Butantan
mantém ao longo de seus 125 anos de história: desenvolver ciência de excelência
com impacto direto na vida da população”, conclui.
Fonte _ Butantan








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