segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Desigualdade na cobertura vacinal contra HPV deixa jovens desprotegidos
A
geógrafa paranaense Maria Júlia Pimenta era adolescente quando descobriu, em
uma consulta de rotina com a ginecologista, que deveria ter tomado a vacina
contra o HPV
(papilomavírus humano) anos antes. Até então, ela desconhecia a
importância da imunização.
Hoje
com 26 anos, Pimenta fez parte da primeira geração a ter acesso pela rede
pública à vacina contra os quatro tipos mais comuns do HPV. O imunizante
quadrivalente foi incorporado pelo SUS (Sistema Único de
Saúde) em 2014. Mas ela descobriu isso aos 17 anos, quando já estava
fora da faixa-alvo, que é dos 9 aos 14 anos.
Na
consulta, a médica explicou a Pimenta que ela ainda poderia tomar a vacina
nonavalente na rede particular. No entanto, são requeridas três doses
desse fármaco, que protege contra os mesmos quatro tipos e outros cinco, também
frequentes. O custo
total de cerca de R$ 2.700 fez com que até hoje ela não tenha se
imunizado.
O Ministério da Saúde estabelece a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV até 2030. O país está próximo do objetivo entre o público feminino (86,22% de adesão entre meninas de 9 a 14 anos em 2025), mas o índice cai para meninos da mesma faixa etária (74,55%).
A
aplicação gratuita do imunizante fora dessa faixa etária se limita a casos
específicos: pessoas imunossuprimidas de 9 a 45 anos; pessoas vivendo com HIV;
transplantados; pacientes com câncer;
usuários de
PrEP (drogas antirretrovirais usadas antes da exposição ao HIV); vítimas
de violência
sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.
Reportagens
sobre HPV
Projeto
da 11ª turma do Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha discute
desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas pelo vírus
Vacina
contra o HPV é resultado de mais de 150 anos de pesquisas
Ciência
busca novos tratamentos e exames para cânceres causados pelo HPV
Diagnóstico
de HPV na gravidez assusta, mas riscos para bebê são baixos
Desigualdade
na cobertura vacinal contra HPV deixa jovens desprotegidos
Vacinação
nas escolas amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV
Distância,
vergonha e medo são obstáculos para prevenir câncer cervical
Preconceito
dificulta detecção de HPV em pessoas transgênero
Especial
discute avanços e desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas
pelo HPV
O
HPV é responsável pela quase totalidade dos casos de câncer
do colo do útero e também está associado a cânceres de pênis,
ânus,
vulva, vagina
e orofaringe
(região da garganta que fica entre o céu da boca e a glote). Mesmo assim, há
desafios a vencer na conscientização sobre a importância da vacina.
Hesitação
vacinal no Acre
Dados do Anuário VacinaBR 2025 mostram uma
diferença acentuada entre as regiões Norte e Sul do país. Enquanto estados do
Sul apresentam coberturas mais elevadas, a região Norte concentra alguns dos
menores índices de vacinação.
A
menor taxa é do Acre.
Em 2024, a cobertura da primeira dose da vacina contra o HPV alcançou 61,1% das
meninas no estado. No que mais vacinou, Paraná,
a taxa foi de 113,1%.
Índices acima de 100%, como o do Paraná, ocorrem quando o número de vacinados supera a estimativa oficial do público-alvo para a região, porque a população cresceu e o dado não foi atualizado, ou porque entram na conta pessoas vindas de outras regiões.
Entre
os meninos, a diferença foi ainda maior: 25,5% no Acre contra 85,4% no Espírito
Santo, estado com maior taxa de vacinação entre meninos.
A
baixa adesão no Acre pode estar relacionada ao medo. Nos anos de
2016 e 2017, adolescentes apresentaram quadros de desmaios, dores e convulsões
após campanha de vacinação nas escolas do estado. Estudos
concluíram que não foi a vacina, mas sim o estresse e o pânico que
levaram aos sintomas físicos, um fenômeno chamado "reação
psicogênica coletiva".
O
diretor-executivo do Instituto Questão de Ciência, Paulo Almeida, criador do
VacinaBR, acredita que a demora das autoridades acrianas em responder ao
problema deu margem para a proliferação de teorias
conspiratórias e grupos antivacina na região.
O
pesquisador também aponta que alguns médicos manifestam descrença e se mostram
receosos em recomendar o imunizante aos pais, intensificando o problema.
Para
combater a desinformação —apontada pelo Ministério da Saúde como a principal
força do movimento antivacina—, o governo federal retomou as campanhas de
vacinação nas escolas.
Segundo
Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, a iniciativa também
conta com a parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância no Acre, a fim
de mapear as particularidades locais e superar a hesitação vacinal.
Renda
dos pais não eleva taxas
A
educação ainda é o fator preponderante para elevar as taxas de imunização
contra o HPV. Um estudo da ARO Einstein, braço de pesquisa do Einstein
Hospital Israelita, em São Paulo, se debruçou sobre dados da Pesquisa Nacional
de Saúde Escolar para entender as dificuldades da cobertura.
Eles
analisaram o cenário nacional após 2024, quando o Ministério da Saúde adotou o
esquema de dose única, por entender que ela protegia crianças e adolescentes
tão bem quanto duas doses.
Os
pesquisadores não encontraram correlação imediata entre renda e taxa de
imunização.
Um
dado inesperado para a equipe foi encontrar números mais baixos entre meninas
de estratos sociais mais elevados. Para Lucas Ferreira, coautor do estudo, isso
pode ter a ver com a hesitação vacinal entre parcelas mais conservadoras,
"que tendem a ter menor adesão [a vacinas em geral]".
Um
dos achados do estudo desmente um temor comum entre os pais, o de que a
imunização contra uma
infecção sexualmente transmissível (IST) estimule o início precoce da
vida sexual. "Entre as meninas vacinadas, a atividade começou até mais
tarde", esclarece Henrique Fonseca, pesquisador-sênior do estudo e líder
da unidade de estudos clínicos em imunologia e vacinas da ARO Einstein.
Essas
meninas são também as que têm melhor grau de educação
sexual, reforçando a importância de informar diretamente o adolescente.
Leia
mais
Vacinação
contra HPV reduz infecção mesmo entre mulheres não imunizadas, aponta estudo
brasileiro
Vacina
nonavalente contra HPV ganha indicação para tumores de cabeça e pescoço
Câncer
de colo do útero matou 20 mulheres por dia em 2025 no Brasil
Câncer
de pênis causou 2.949 amputações do órgão nos últimos 5 anos
Brasil
registrou quase 7 mil mortes por câncer de ânus na última década
Para
atender aos jovens que perderam a vacinação na idade certa, o Ministério da
Saúde prorrogou
até dezembro de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o HPV.
Agora, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram nenhuma dose
podem procurar as unidades básicas de saúde próximas de casa para receber o
imunizante gratuitamente pelo SUS.
Gatti
explica que a prorrogação busca reverter a queda na cobertura vacinal ocorrida
em 2021 e 2022. O Ministério descarta a ampliação de doses para maiores de 19
anos, focando o público de 9 a 14 anos por recomendação internacional, o que
garante maior impacto coletivo na prevenção contra o câncer.
Esta
reportagem foi produzida durante o 11º
Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha, que
teve apoio do Einstein Hospital Israelita e do Laboratório Roche.
Fonte _ Folha/SP
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Exame de sangue detecta câncer de pâncreas inicial em 87% dos casos
Um
novo exame
de sangue sintetizado por pesquisadores dos Estados
Unidos identificou 86,8% dos casos de adenocarcinoma do pâncreas nos
estágios 1 e 2, em um estudo internacional com 1.785 pessoas.
O
teste, chamado Panxeon, combina uma assinatura de dez microRNAs encontrados no
sangue com o marcador tumoral CA 19-9 para estimar o risco de câncer. Os resultados foram publicados na quarta-feira (16) na
revista Nature
Medicine.
A
taxa de 86,8% corresponde à sensibilidade do teste —isto é, à proporção de
pessoas que tinham câncer nos estágios iniciais e foram identificadas pelo
exame. Portanto, o resultado não significa que 87% de todas as pessoas
submetidas ao teste receberiam um diagnóstico correto de câncer.
O
câncer de pâncreas é frequentemente diagnosticado em fases
avançadas, quando as possibilidades de tratamento são mais restritas. Segundo
os pesquisadores, atualmente não existe um exame de sangue clinicamente
estabelecido capaz de detectar de forma confiável o adenocarcinoma ductal
pancreático em estágio inicial.
O
Panxeon foi desenvolvido justamente para combinar diferentes sinais biológicos
relacionados à doença. Os pesquisadores analisaram dez microRNAs —pequenas
moléculas de RNA envolvidas na regulação da atividade dos genes— e os
integraram ao nível sanguíneo do CA 19-9.
FDA aprova remédio que prolonga vida de pacientes com câncer de
pâncreas avançado
Entenda a droga contra câncer de pâncreas que oncologistas
aplaudiram de pé em congresso mundial
Casos de câncer de pâncreas crescem entre jovens, aponta estudo
Crescem casos de câncer de pâncreas antes dos 50 anos; aumento
é maior entre mulheres
A
partir dessas informações, um modelo computacional produz uma pontuação que
estima a probabilidade de a pessoa ter câncer de pâncreas. O estudo também
avaliou uma versão baseada apenas na assinatura de microRNAs. Nesse caso, a
sensibilidade para câncer pancreático em estágio inicial foi de 83,8%, enquanto
a área sob a curva ROC, medida usada para avaliar a capacidade de discriminação
do teste, foi de 88,6% na coorte de teste.
A pesquisa foi prospectiva,
multicêntrica e observacional e envolveu participantes de quatro países. Os
pesquisadores dividiram os participantes em grupos para desenvolver, validar e
testar a assinatura molecular.
Na
etapa de teste, a combinação entre os microRNAs e o CA 19-9 apresentou
sensibilidade de 86,8% para os tumores nos estágios 1 e 2. O desempenho, porém,
variou conforme o grupo de pessoas sem câncer usado como comparação.
Entre
indivíduos considerados de baixo risco, 3,2% tiveram um resultado falso
positivo. Entre aqueles classificados como de alto risco, a taxa foi de 15,6%.
Um falso positivo ocorre quando o exame indica a possibilidade de câncer em
alguém que não tem a doença.
A
diferença é relevante porque o objetivo do teste não seria necessariamente
substituir exames de imagem ou confirmar sozinho um diagnóstico. Uma
possibilidade, segundo os pesquisadores, é que ele seja usado para ajudar a
identificar pessoas que precisam de uma investigação mais detalhada,
especialmente aquelas que já apresentam fatores de risco para câncer
pancreático.
Lesões
pré-cancerosas
O
estudo avaliou ainda pessoas com cistos pancreáticos considerados de alto
risco. Nesse grupo, o Panxeon identificou 64,3% dos casos de displasia de alto
grau, uma alteração que pode preceder o desenvolvimento de um câncer invasivo.
Alguns
cistos do pâncreas precisam ser acompanhados de perto e, em
determinadas situações, podem levar à indicação de procedimentos para evitar a
evolução para câncer. Um exame de sangue poderia, no futuro, ajudar a
selecionar quais pacientes precisam de uma investigação mais aprofundada.
Apesar
da alta sensibilidade observada no estudo, o Panxeon ainda é experimental. Os
próprios autores afirmam que são necessários estudos prospectivos de maior
escala para determinar sua utilidade clínica.
A
pesquisa também avaliou uma possível aplicação do marcador para acompanhar a
evolução da doença. Em um grupo pequeno, de apenas 19 pacientes, os níveis da
assinatura de microRNAs diminuíram durante a quimioterapia antes da cirurgia e
após o procedimento. Eles voltaram a aumentar antes da ocorrência de uma
recidiva. O achado é considerado exploratório devido ao número reduzido de
pacientes.
Assim,
o principal resultado do trabalho é a demonstração de que uma combinação de
marcadores presentes no sangue conseguiu identificar quase nove em cada dez
casos de adenocarcinoma pancreático em estágios 1 e 2 entre os participantes
avaliados.
Fonte _ Folha/SP
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
InfoGripe: Casos de SRAG Estão Em Queda No País
A
mais nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que os casos de
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão em queda no
cenário nacional, com oscilação na tendência de curto prazo e estabilização na
tendência de longo prazo. No entanto, seis estados apresentaram, nas últimas
duas semanas, incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinais
de crescimento: Maranhão, Pará, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande
do Sul. Outros quatro estados também registraram incidência de SRAG em níveis
que exigem atenção, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas,
Mato Grosso, Roraima e Santa Catarina.
Divulgada
nesta quinta-feira (17/9), a atualização é referente à Semana
Epidemiológica (SE) 36, período de 6 a 12 de setembro. No agregado
nacional, o aumento de SRAG concentra-se, sobretudo, na faixa etária de 2 a 14
anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Rio Grande do Sul, o
metapneumovírus também tem contribuído para esse aumento. O Boletim aponta
ainda que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o rinovírus e o
metapneumovírus se destacam como principais causas de mortalidade em crianças
pequenas.
Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e Boletim InfoGripe, Tatiana Portella chama atenção que, mesmo com a baixa de casos de SRAG na maior parte do país, é importante que a população de risco verifique se está em dia com o calendário de vacinação. “Idosos e imunocomprometidos precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses, enquanto os demais grupos prioritários devem tomar doses de reforço uma vez ao ano. Também é essencial que todas as gestantes tomem a vacina contra o VSR a partir da 28 semana de gestação”, ressalta.
Estados
e capitais
O Boletim
também indica que o período de sazonalidade do VSR já se encerrou ou que os
casos graves estão em queda. No entanto, os estados de Minas Gerais, Mato
Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram níveis
baixos de incidência.
Em
relação à Covid-19, há um leve aumento dos casos graves em São Paulo. Nas
demais unidades federativas, os casos de SRAG por Covid-19 estão em um patamar
baixo de incidência.
“Nos
estados onde ainda há um aumento de SRAG, é importante que a população também
tome alguns cuidados extras, como evitar ter contato próximo com pessoas que
estão com sintomas de gripe ou resfriado, lavar as mãos com frequência, e
manter uma etiqueta respiratória, como cobrir a boca ou nariz com o braço ou
lenço de papel ao tossir ou espirrar”, destaca Portella. “Pessoas que já estão
com sintomas de gripe ou resfriado: o ideal é ficar em casa em isolamento, mas,
se não for possível, o recomendado é sair de casa usando uma boa
máscara”.
Duas
das 27 capitais, Belém (PA) e Florianópolis (SC), apresentaram nível de
atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento de
SRAG até a SE 36.
Dados
epidemiológicos
Nas
últimas quatro semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi 52,4% para rinovírus; 22,2% para VSR; 5,9% para influenza B; 3,9% para
influenza A; e 2,8% para Sars-CoV-2 (Covid-19).
Em
2026, já foram notificados 151.165 casos de SRAG, sendo 81.572 (54%) com
resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 53.771 (35,6%)
negativos e cerca de 7.255 (4,8%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os
casos positivos do ano corrente, observou-se 41,1% para VSR; 31,4% para
rinovírus; 17% para influenza A; 5,5% para influenza B; e 3,8% para Sars-CoV-2
(Covid-19).
Incidência
e mortalidade
Em
2026, já foram registrados 6.663 óbitos por SRAG, sendo 3.112 (46,7%) com
resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.904 (43,6%)
negativos e ao menos 112 (1,7%) aguardando resultado laboratorial. Verificou-se
que, no ano, 35,4% das mortes foram por influenza A; 22,9% por rinovírus; 16,2%
por VSR; 14% por Sars-CoV-2 (Covid-19); e 9,3% por influenza B.
A
incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das
faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais
elevado nas crianças menores de 2 anos, em termos de mortalidade, ocorre o
inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos com
resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório foi de 28,9% por
rinovírus; 26,8% por VSR; 14,8% por influenza B; 12% por influenza A; e 5,6%
por Sars-CoV-2 (Covid-19).
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham
as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é
permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao
cidadão".
Fonte _ FioCruz
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Anvisa manda recolher e proíbe venda de bebidas proteicas NotShake Protein
A Anvisa(Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (16) o
recolhimento de bebidas
proteicas NotShake Protein, da NotCo Brasil.
A
medida, publicada no Diário Oficial da União, atinge quatro sabores do
produto: NotShake Protein Morango com Tâmara; NotShake Protein Baunilha com
Coco; NotShake Protein Chocolate; e NotShake Protein Café Caramelo.
Também
ficam proibidas a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e a
utilização dos produtos.
Em
nota, a NotCo afirma que não foi previamente notificada pela Anvisa sobre o
recolhimento do produto, mas "já trabalha para compreender integralmente
as motivações técnicas e regulatórias da decisão".
Segundo
a Anvisa, os produtos não estão registrados como suplemento
alimentar.
As
bebidas contêm suco concentrado de repolho, mas a empresa não comprovou atender
aos requisitos necessários para o uso do ingrediente em suplementos
alimentares, diz a agência.
A
Anvisa também afirma que é inadequada a alegação de "zero lactose".
Diz, ainda, que os estudos apresentados para demonstrar a manutenção das
características do produto durante todo o prazo de validade são insuficientes.
Na
nota enviada à reportagem, a NotCo também "reafirma seu compromisso
inegociável com a qualidade, a segurança alimentar, o controle de qualidade e o
cumprimento da legislação em todas as etapas de sua cadeia produtiva."
Fonte _ Folha/SP
Anvisa proíbe T36, caneta paraguaia com princípio ativo do Mounjaro
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, nesta quarta-feira (16), a
importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e
o uso da caneta
emagrecedora paraguaia T36.
O
produto é vendido como uma versão de tirzepatida, o mesmo princípio ativo
do Mounjaro,
da farmacêutica americana Eli Lilly, hoje o único medicamento à base
dessa substância autorizado a circular no Brasil.
A
T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela produção da
Tirzedral, outra caneta de tirzepatida paraguaia que já
havia sido proibida pela Anvisa. Até a decisão desta quarta, porém, a
T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da agência que barraram outros
produtos paraguaios à base da substância, o que abria uma brecha para a compra
individual.
Segundo
o advogado André Schleich, que atua em processos relacionados às tirzepatidas
paraguaias, a T36 não é um medicamento novo, mas uma nova apresentação
comercial da Tirzedral.
"É
basicamente o mesmo medicamento que a Tirzedral, não tem alteração nenhuma. Só
mudaram a embalagem, mudaram a roupagem. Os dois são produzidos
concomitantemente", afirma.
Em
18 de agosto, a Folha questionou a Anvisa sobre a ausência,
até então, de uma medida específica contra a T36, que vinha circulando em
grupos de venda no WhatsApp desde junho. Em outros casos, a Anvisa chegou a
proibir emagrecedores do Paraguai antes mesmo de chegarem ao mercado. Foi
o caso da Slimex, barrada antes de estar disponível nas prateleiras do
país vizinho.
Leia
mais sobre Emagrecedores Paraguaios
Anvisa
aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade em 2026; veja quais são e
seus preços
Em
fase de testes e sem aprovação em nenhum país, caneta de retatrutida é
contrabandeada do Paraguai
Caneta
emagrecedora ocupa lugar que já foi de videocassete e uísque no contrabando via
Paraguai
Ação
coletiva desafia Anvisa e pede importação de canetas emagrecedoras paraguaias
Justiça
autoriza importação de canetas paraguaias para que pacientes não suspendam
tratamento
Quadrilhas
pagam R$ 500 para mulas trazerem canetas emagrecedoras do Paraguai
Estudantes
de medicina brasileiros são cooptados pelo crime para contrabandear canetas
paraguaias
Contrabando
cresce, e canetas emagrecedoras do Paraguai se espalham no Brasil
Em
resposta à Folha, em 20 de agosto, a Anvisa afirmou que mantinha
monitoramento constante para identificar situações que poderiam justificar
ações de fiscalização.
A
agência confirmou que, até aquele momento, de fato não havia publicado nenhuma
medida específica contra a T36, mas ponderou que, em razão da falta de registro
sanitário desse medicamento no Brasil, sua comercialização no país estava
proibida.
Com
a decisão desta quarta-feira, a T36 passa a ser incluída nas medidas adotadas
pela Anvisa contra as tirzepatidas paraguaias, como TG, Lipoless, Lipoland,
Gluconex e Tirzec, que já haviam sido alvo de medidas da agência.
O
que é a T36?
A
T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, que também produz a Tirzedral. O
registro sanitário foi aprovado em junho deste ano pela Dinavisa (Direção
Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia) e tem validade até abril de 2031.
Segundo
o registro, o medicamento é comercializado em frascos multidose de 2,4 mL, com
doses que variam de 2,5 mg a 15 mg, e é indicado para diabetes tipo
2 e controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a
comorbidades.
Um
estudo da Unicamp (Universidade
de Campinas) encomendado pela Folha, usando cromatografia líquida,
espectrometria de massas e dicroísmo circular, confirmou que amostras de
tirzepatida paraguaia, incluindo a Tirzedral, continham o mesmo princípio ativo
do Mounjaro.
Especialistas
explicaram que a molécula paraguaia não é idêntica ao Mounjaro. Isso porque
encontrar o mesmo princípio ativo é só a ponta do iceberg. A análise não
avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança
dos medicamentos.
A
própria Anvisa afirma que comprovar equivalência terapêutica exige mais do que
identificar a molécula: é preciso avaliar como o produto se comporta dentro do
corpo, além de questões envolvendo a produção farmacêutica, como condições de
fabricação, armazenamento e transporte do produto.
O
que a própria bula não deixa claro
O
documento técnico que acompanha o registro da T36 junto à Dinavisa mostra
números e conclusões de estudos, mas não apresenta qualquer informação que
permita identificar ou checar a pesquisa original.
O
documento afirma, por exemplo, que um "estudo de carcinogenicidade de 2
anos" em ratos machos e fêmeas encontrou aumento de tumores de células C
da tireoide em todas as doses testadas, mas não informa quem conduziu o estudo,
em que instituição, sob que registro ou se os resultados foram publicados em
alguma revista científica revisada por pares.
O
mesmo vale para o estudo citado sobre a interação da tirzepatida com
anticoncepcionais orais e para o "estudo com paracetamol" usado como
modelo para avaliar o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico.
Ambos
aparecem descritos com percentuais precisos de redução de concentração
plasmática, mas sem nenhuma referência que permita localizar o estudo original
e avaliar sua metodologia.
Essa
ausência de rastreabilidade impossibilita verificar se os dados citados na bula
correspondem a testes feitos com o produto paraguaio ou se foram simplesmente
copiados de estudos de outra empresa, sobre outra formulação.
Por
que o registro no Paraguai não vale no Brasil?
Mesmo
que um produto já esteja registrado no Paraguai pela Dinavisa, tenha fabricante
conhecido e seja usado pela população, ele precisa obter registro sanitário na
Anvisa para ser vendido regularmente no Brasil.
"Não
há reconhecimento automático de um país para o outro. O primeiro passo é obter
o registro no Brasil. Só então a empresa passa pela análise de qualidade,
segurança e eficácia, além dos estudos e ensaios clínicos exigidos aqui",
explica a advogada Anna Goulart, especialista em direito da saúde.
Anvisa
e a Dinavisa assinaram
um acordo em 20 de agosto para troca de informações e combate a
produtos ilegais. O documento substitui um memorando firmado em março de 2024 e
passa a valer por cinco anos.
O
documento também prevê compartilhamento de informações sobre boas práticas de
fabricação, ensaios clínicos, alertas sanitários, apreensões e investigações
relacionadas à cadeia de comercialização.
É
seguro usar canetas paraguaias?
Neuton
Dornelas, médico endocrinologista e presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia), afirma que, apesar de usuários relatarem em
redes sociais que têm perdido peso sem efeitos colaterais graves, a experiência
não substitui as evidências exigidas por órgãos reguladores nem elimina os
riscos associados ao uso de medicamentos sem registro sanitário no Brasil.
"O
primeiro grande risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está
recebendo. Também não há garantia sobre a pureza nem sobre a estabilidade do
medicamento, que pode ser comprometida por condições inadequadas de transporte
e armazenamento", diz.
Fonte _ Folha/SP
terça-feira, 15 de setembro de 2026
São Paulo chega a 36 casos de sarampo em 2026; 26 não tinham vacinação completa
O
estado de São Paulo registra
36 casos de sarampo em
2026, segundo informações da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde)
divulgadas nesta terça-feira (15). Até
a última sexta (11), eram 32
casos no estado.
Dos
4 novos registros, 3 são de moradores da cidade de São Paulo: dois meninos
menores de 2 anos, ambos com esquema vacinal incompleto, e uma mulher de 24
anos, com histórico de vacinação.
O
quarto caso é de um homem de 36 anos, morador de Santo André,
também já vacinado. É o primeiro registro da doença neste ano no município do
ABC.
Durante
todo o ano de 2025 foram registrados dois casos de sarampo em todo o território
paulista.
A
capital concentra 32 casos no estado. São
Bernardo do Campo tem dois registros, enquanto Guarulhos e
Santo André têm um caso cada um.
Do
total, 26 pacientes não tinham registro de vacinação contra o sarampo ou
estavam com esquema vacinal incompleto.
O
que é o sarampo e quais são os sintomas?
O
sarampo é uma doença de transmissão respiratória causada por um vírus. Os
sintomas mais comuns são febre alta, manchas
vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite,
coriza, mal-estar e tosse seca.
Como
ocorre a transmissão?
A
transmissão do sarampo acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir,
espirrar, falar ou respirar.
Quais
são as complicações mais sérias?
Pneumonia,
infecção no ouvido, encefalite e
morte.
Qual
população corre mais risco com o sarampo?
As crianças menores
de 5 anos de idade (em especial, abaixo de 1 ano) e pessoas imunodeprimidas.
Qual
é o tratamento?
Não
existe tratamento específico contra o sarampo. Apenas os sintomas são tratados,
para reduzir o desconforto.
Quem
já teve sarampo está imunizado para sempre?
Sim,
quem teve sarampo desenvolve uma imunidade de memória suficiente para se
proteger pelo resto da vida. Quem não sabe se já teve a doença ou não tem
comprovação de vacinação é orientado a se vacinar.
A
vacina contra o sarampo é segura? Tem contraindicações?
Sim,
o imunizante contra o sarampo é seguro e eficaz. É uma das vacinas com menos
restrições de uso. É contraindicada a imunossuprimidos e bebês menores de 6
meses. Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou que já tiveram
reação adversa devem buscar orientação nas unidades de saúde.
Gestantes
não devem tomar a vacina contra o sarampo, pois ela é composta por vírus vivo
atenuado, o que representa risco durante a gravidez.
Onde
posso tomar a vacina do sarampo?
O
imunizante está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades
Básicas de Saúde) dos 645 municípios do estado de São Paulo.
A
vacinação é a principal forma de prevenir a doença. A vacina tríplice viral,
que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível em todas as UBSs
do estado.
Quem
pode se vacinar?
O Ministério
da Saúde recomenda duas doses: a primeira aos 12 meses, com a
vacina tríplice
viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com
a tetraviral (que inclui proteção contra varicela).
Pessoas
de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a
59 anos devem ter pelo menos uma dose. Profissionais de saúde precisam
comprovar duas doses, independentemente da idade.
No
último dia 9, a vacinação contra o sarampo de pessoas com idades entre 6 meses
e 59 anos foi retomada em São Paulo nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros
e Vila Guilherme, todos na zona norte da cidade.
Na
capital paulista, o imunizante está disponível em todas as UBSs e AMAs/UBSs
Integradas, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas
AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário.
Os
moradores podem consultar a unidade mais próxima de sua residência por meio da
plataforma Busca Saúde: buscasaude.prefeitura.sp.gov.br.
Fonte _ Folha/SP









