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sexta-feira, 12 de junho de 2026

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'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo', diz ex-diretor da Anvisa

 


O médico sanitarista Gonzalo Vecina, que foi o primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse que a vacina do Instituto Butantan contra a dengue que foi suspensa esta semana seria, na sua visão, "aprovada em qualquer lugar do mundo".

Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e que estava sendo aplicada em profissionais de saúde e em moradores de alguns municípios brasileiros após 42 casos de reações severas —incluindo duas mortes suspeitas possivelmente ligadas ao imunizante e ainda sob investigação.

Vacina fez parte do conselho da Fundação Butantan na época em que a vacina contra a dengue entrou em fase de pesquisa clínica, na década passada.

"Dos quase 16 mil pacientes, algo em torno de 11 mil receberam a vacina e 5 mil receberam o placebo", disse Vecina à BBC News Brasil.

"Desses que tomaram a vacina, nós tivemos zero internação. Nenhum teve internação e os efeitos colaterais apresentados eram os esperados de uma vacina tranquila. É um pouquinho de dor, uma coceirinha, nada além dessas condições bem tranquilas."

"Acredito que essa vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única, o que é uma grande vantagem frente à vacina da Takeda [Qdenga], que foi aprovada também com nenhuma contraindicação."

A vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, segue sendo oferecida no SUS a jovens entre 10 e 14 anos. Cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já foram aplicadas no Brasil desde 2024.

Ele destaca a grande diferença entre a amostragem da pesquisa do Butantan —de 16 mil pessoas— e o número de pessoas que recebem a vacina agora.

"No mundo real, são 500 mil pessoas. É óbvio que com o aumento tão exponencial da amostra, eu posso ver coisas que eu não veria em uma amostra menor, apesar de ser uma amostra estatisticamente determinada."

Vecina ressalta que os casos relatados de reações graves são incomuns, e que é importante investigar o que aconteceu com a vacina do Butantan.

"É óbvio que é inaceitável que uma vacina, nos tempos atuais, para uma doença que tenha a letalidade da dengue —que não é uma letalidade exagerada— tenha mortes. É inaceitável que tenha mortes numa vacina dessa", disse.

Ele acredita que a investigação deve durar entre 15 e 30 dias.

"É a busca de uma agulha no palheiro. O palheiro não é muito grande, o que ajuda, são só 42 pessoas, mas a investigação é complexa, você tem que entender o que esses 42 pacientes têm para justificar terem tido eventos adversos graves e mortes."

Por que a vacina contra a dengue foi suspensa?

O Ministério da Saúde já havia vacinado 500 mil pessoas entre profissionais de saúde do país —e posteriormente vacinou parte da população nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e na região de Araguaína, no Tocantins.

No entanto, houve registro de 42 casos de reações raras e inesperadas, que segundo o governo correspondem a 0,008% do total. Essas reações não haviam sido identificadas em estudos clínicos e não estão previstas na bula da vacina.

Conforme a bula da vacina, os efeitos adversos esperados em parte dos vacinados são: dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios.

Entre os sintomas relatados nos 42 casos identificados, houve reações inesperadas: dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.

Três casos foram considerados graves —e dois deles resultaram em mortes. O ministério diz que nenhuma das mortes aconteceu nas três cidades e na região onde a vacinação foi ampliada para a população.

"Não se pode afirmar que os óbitos foram causados pela vacina, mas considerou-se um sinal de alerta que justifica uma investigação aprofundada. Serão verificadas possíveis comorbidades, fatores de risco e outras situações que possam ter contribuído para os óbitos", disse o ministério, em nota.

O governo disse que não há sinais de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses, mas que essas hipóteses também serão investigadas.

As vacinas contra a dengue que já estão nos postos de saúde não serão descartadas ou destruídas. Segundo o ministério, elas devem permanecer armazenadas na rede de frio até que a investigação seja concluída.

Ainda não há data para uma decisão sobre se a vacinação será retomada. Essa decisão depende das investigações em andamento. O governo não divulgou um prazo.

A Anvisa terá um painel de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica sobre a vacina. Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás, esse processo será fundamental para decidir sobre a retomada da vacinação.

"A gente é confiante que a vacina é uma importante arma no enfrentamento da dengue e nós temos que basear essa retomada em dados muito rigorosos, muito criteriosos na metodologia científica. O Butantan não está fazendo torcidas, ele está respeitando a evidência dos dados e continuamos a fazer isso para respeitar a história de dedicação ao desenvolvimento de novos produtos usando esses preceitos científicos fundamentais", destacou.

O que é a vacina contra a dengue do Butantan?

A vacina do Butantan contra a dengue começou a ser disponibilizada em dezembro do ano passado, após aprovação da Anvisa.

Antes disso, a Qdenga havia sido incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) pelo Ministério da Saúde de forma gratuita. Ela segue em uso.

Segundo o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da sua vacina por aproximadamente 20 anos, e licenciou sua tecnologia ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

Foram realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, conforme os protocolos vigentes. Mais de 11 mil voluntários foram vacinados e acompanhados por cinco anos.

A vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80,5% para casos mais graves.

Segundo o ministério, "a vacina não deixa de ser segura quando um sinal é detectado. Trata-se de um alerta que precisa ser investigado com mais profundidade."

A dengue é considerada a maior endemia do país. Até 30 de maio, o Brasil teve redução de 97% nas mortes por dengue e de 94% nos casos prováveis, na comparação com 2024, segundo dados do governo.

"As vacinas continuam sendo armas fundamentais nesse enfrentamento, e vão ajudar a alcançar resultados ainda melhores", disse o ministério.

"Segundo a OMS, vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3 milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar poliomielite (paralisia infantil) e a rubéola e, no caso do sarampo, o país está livre da doença."

O diretor do Butantan também ressaltou a importância da vacinação no enfrentamento de doenças transmissíveis

A vacinação é uma das principais medidas de enfrentamento de doenças transmissíveis e que mais salvaram vidas ao longo da história.

"Nós temos um ganho de qualidade de vida, de expectativa de vida, que vem sendo disponível para os brasileiros através da imunização infantil, dos adolescentes, adultos e de pessoas de mais idade", destacou.

Este texto foi publicado originalmente aqui.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe: cresce número de hospitalizações por VSR e influenza A e B

 


Divulgada nesta quinta-feira (11/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz sinaliza para um cenário de aumento do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também pela influenza A e influenza B. A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho.

A análise verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas): Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco - Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

“É importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar. Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2. E o mais importante, é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, orienta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado na maioria dos estados das regiões Nordeste (AL, BA, CE, MA, PI, RN e SE), Sudeste (MG, RJ e SP) e Sul (PR, SC e RS) e em alguns estados do Norte (AP e RR). Mesmo com sinal de interrupção do crescimento ou queda, o número de casos de SRAG associados ao VSR continua alto em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre, Pará, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco.

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando em toda a Região Sul, além de Roraima e Rio Grande do Norte. Já os casos graves por influenza B estão aumentando especialmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A atualização mostra que 10 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 22: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Salvador (BA).

Segundo a análise, nove capitais também registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Manaus (AM), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

O aumento de SRAG na maioria dessas capitais ocorre especialmente nas crianças menores de 2 anos ou crianças e adolescentes até 14 anos. Em Curitiba e Rio Branco também há aumento dos casos de SRAG entre os idosos.

Dados epidemiológicos

Em relação aos casos positivos do ano corrente, verificou-se que 24,4% de influenza A, 3,1% de influenza B, 33,1% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 5,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 82.544 casos de SRAG, sendo 40.259 (48,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 29.404 (35,6%) negativos, e ao menos 7.319 (8,9%) aguardando resultado laboratorial. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Em 2026 já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG, sendo 1.641 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.575 (43,9%) negativos e ao menos 76 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente observou-se 41,9% de influenza A, 4,9% de influenza B, 9,1% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 21% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

Tire dúvidas sobre a interrupção temporária da vacinação contra dengue com a Butantan-DV

 


A vacinação contra a dengue com a Butantan-DV no Sistema Único de Saúde (SUS) foi temporariamente interrompida, de forma preventiva, por orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta segunda (8), para garantir a segurança da população nas próximas etapas da imunização.

A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, e dois óbitos, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. 

A Butantan-DV, vacina tetravalente contra dengue de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan, foi aprovada pela Anvisa em novembro de 2025 e começou a ser aplicada no Brasil em janeiro de 2026 em pessoas de 15 a 59 anos em um projeto piloto realizado em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Ceará. Em fevereiro de 2026, o Ministério da Saúde começou a vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde em todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, neste período 501 mil pessoas receberam a vacina.

1 - Qual foi a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa sobre a Butantan-DV?

O Instituto Butantan informa que, seguindo a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue com a Butantan-DV foi, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal. A vacina segue com seu registro válido e as doses já estocadas devem permanecer em cadeias de frio apropriadas.

2 - Quem já estava sendo vacinado com a Butantan-DV?

Profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde – médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde, entre outros – além da população em geral nas cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e do público de 59 anos em geral em algumas localidades, como o estado de São Paulo. A vacinação está suspensa preventivamente para todos os públicos. 

Nestes três municípios onde houve vacinação em massa da população, o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

3 - Crianças foram vacinadas com a Butantan-DV?

Não. O SUS está utilizando outro imunizante contra a dengue, aplicado em duas doses, para a vacinação do público de 10 a 14 anos. Essa estratégia de vacinação será mantida.

4 - Por que a vacinação com a Butantan-DV sofreu interrupção preventiva?

A orientação é uma medida preventiva ocorrida em razão do registro de 42 casos de reação adversa, três deles com sinal de gravidade, e dois com evolução para óbito, que podem ou não estar relacionados à vacinação. Estes dados correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30/5, segundo o sistema de farmacovigilância do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

5 - O que acontece com quem já se vacinou com a Butantan-DV?

Quem já se vacinou com a Butantan-DV segue protegido contra quatro tipos do vírus da dengue. A decisão de descontinuar a estratégia de vacinação temporariamente é uma medida preventiva e não invalida a eficácia da vacina. Cabe ressaltar que a Butantan-DV teve eficácia global de 65% e de 80,5% contra casos de dengue grave e dengue com sinais de alarme em estudo publicado na revista científica internacional Nature Medicine.

A orientação é observar o estado de saúde por até 21 dias após a aplicação da vacina e procurar atendimento médico imediato neste período em caso de aparecimento de sintomas como febre e dor abdominal.

6 - Quais são as reações mais comuns após o uso da Butantan-DV?

A maioria dos efeitos relatados após a aplicação da Butantan-DV são leves ou moderados, desaparecendo depois de alguns dias. Os mais comuns são dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios.

7 - Até quantos dias após a aplicação da Butantan-DV as reações podem aparecer?

A orientação é observar o estado de saúde por até 21 dias após a aplicação da vacina.

8 - Quando devo procurar atendimento médico após a vacinação com a Butantan-DV?

Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.

9 - O Instituto Butantan vai colaborar com os próximos passos?

Sim. O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados.

10 - A vacinação poderá ser retomada? 

A decisão dependerá dos resultados das investigações em andamento. O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS.

Ainda não é possível estabelecer um prazo para isso. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.

11 - Quem eu posso procurar em caso de dúvidas ou avisar sobre efeitos adversos?

Em caso de dúvidas ou relatos de eventos adversos após vacinação com a Butantan-DV, entre em contato com o Sistema de Atendimento ao Consumidor (SAC) do Instituto Butantan:

E-mail: sac@butantan.gov.br

Telefone (ligação gratuita): 0800 701 2850

WhatsApp: (11) 99414-3504

Fonte _ Butantan

quinta-feira, 11 de junho de 2026

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

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Cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2026

 


Cerimônia de abertura do México

A primeira está marcada para o dia 11, quinta-feira, às 14hs30min do horário de Brasília, com os cantores mexicanos Alejandro Fernández, Belinda Peregrín e Lila Downs, do cantor venezuelano Danny Ocean, do colombiano J Balvin, e da cantora sul-africana Tyla, além dos grupos mexicanos Los Ángeles Azules e Maná.

O show antecede a primeira partida desta Copa: México x África do Sul, marcada para as 16hs de Brasília, no Estado Banorte, na Cidade do México, pelo grupo A.

Cerimônia de abertura do Canadá

A segunda será realizada no dia 12, sexta-feira, às 14hs30min do horário de Brasília, e contará com apresentações dos canadenses Alanis Morissette, Alessia Cara, Jessie Reyez, Michael Bublé, Nora Fatehi e William Prince, a palestina Elyanna, o DJ bengalês Sanjoy, e o francês Vegedream.

Em seguida, às 16hs, começa Canadá x Bósnia-Herzegovina, primeira partida do grupo B, no BMO Field.

Cerimônia de abertura dos Estados Unidos

Ainda na sexta-feira (12), a terceira e última cerimônia de abertura está marcada para as 20hs30min do horário de Brasília, antecedendo Estados Unidos x Paraguai, às 22hs, pelo grupo D, no Estádio SoFi, em Los Angeles.

Entre as atrações confirmadas, estão os cantores norte-americanos Katy Perry e Future, a brasileira Anitta, a sul-coreana LISA, o nigeriano Rema e a sul-africana Tyla novamente.

Onde assistir

As cerimônias de abertura e os jogos serão transmitidos ao vivo na TV aberta pela Globo e pelo SBT, e na TV fechada pelo SporTV. No streaming, a cobertura oficial será feita pelo Globoplay, pela CazéTV no YouTube, e pela GE TV.

Fonte _ Folha/SP

terça-feira, 9 de junho de 2026

Dia Nacional da Imunização

 




O Brasil parece ter motivos para celebrar neste Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9/6. Depois de um período marcado pela redução das coberturas e pelo aumento da hesitação vacinal, indicadores mais recentes apontam uma retomada gradual nos índices de vacinação no país. Ainda assim, é preciso manter o sinal de alerta, uma vez que a maior parte dos imunizantes ofertados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda permanece com índices abaixo dos preconizados – um cenário preocupante, que favorece o reaparecimento de doenças já controladas, como sarampo e poliomielite. 

“Temos muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua”, reforça a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mayra Moura.

O Dia Nacional da Imunização busca chamar a atenção para a importância da vacinação, tanto individualmente como para a saúde coletiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes foram responsáveis por aproximadamente 40% da redução global da mortalidade infantil nos últimos 50 anos. Desde 1974, estima-se que a vacinação tenha evitado 154 milhões de mortes em todo o mundo, sendo 95% delas entre menores de 5 anos.

Coberturas estão em recuperação, mas metas ainda não foram alcançadas

Os dados disponibilizados pelos Painéis de Vacinação do Ministério da Saúde revelam um cenário de recuperação no país desde 2022, quando observou-se uma tendência de crescimento gradual em diversas coberturas, embora a maioria das vacinas ainda não tenha alcançado os percentuais considerados ideais para garantir proteção coletiva, acima de 95%. 

Em 2024, por exemplo, apenas três dos 16 imunizantes indicados até o primeiro ano de vida atingiram as metas preconizadas pelo órgão federal. Foram eles: BCG (98,63%), capaz de prevenir formas graves de tuberculose, e hepatite B (97,39%) – ambos aplicados logo após o nascimento; além da primeira dose da tríplice viral (95,85%), que é administrada aos 12 meses e protege contra sarampo, caxumba e rubéola. 

Já em 2025, as coberturas de BCG e hepatite B mantiveram-se acima do índice recomendado de 95%, registrando uma cobertura superior a 99%. Outro destaque positivo foi a cobertura da vacina contra o rotavírus, que ficou pouco acima dos 90% – média considerada ideal para esse imunizante. 

Apesar dos números indicarem uma constante melhora nas coberturas vacinais no Brasil, até abril de 2026 nenhum dos imunizantes ofertados pelo PNI atingiu a chamada “meta ótima” de cobertura, sendo que muitas encontram-se abaixo dos 80%. As mais alarmantes são a da segunda dose da tríplice viral, com 72,54%; da vacina contra a varicela, com 73,93%; e o primeiro reforço da DTP, com 74,71%. 

“A imunização tornou-se uma prioridade estratégica do atual momento do país, resultando em maiores investimentos financeiros e na implementação do microplanejamento para adaptar as ações às realidades locais. Agora, estamos em um momento de ajustes finos, já que sair dos 10% para os 50% é mais fácil do que saltar dos 80% para os 90%”, observa Mayra Moura.

Riscos de reintrodução de doenças controladas

Outra cobertura que tem causado preocupação é a da vacinação contra a poliomielite, uma vez que o Brasil não alcança a meta de 95% desde 2016. Segundo o Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a queda na imunização contra a doença se intensificou entre 2020 e 2021 – período mais intenso da pandemia de Covid-19 –, mostrando leve recuperação a partir de 2022. 

Desde novembro de 2024, o esquema vacinal contra a doença mudou, sendo a vacina injetável contra a poliomielite (VIP) aplicada no lugar do imunizante em gotas (VOP). O atual esquema vacinal contra a doença é de três doses, com aplicação no segundo, quarto e sexto mês de vida, e uma única dose de reforço aos 15 meses.

Em 2025, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de vacinação contra a poliomielite, sendo o Norte a região com o menor índice do país (78,8%). Até abril de 2026, a cobertura com a VIP foi de 85,16% entre menores de 1 ano e de 77,50% em crianças de até 1 ano. 

Embora o Brasil esteja livre da circulação do poliovírus selvagem há décadas, as taxas de imunização menores do que a meta acendem o alerta para o risco de reintrodução de doenças erradicadas por meio de casos importados.

“As metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando de doenças que se espalham rapidamente”, pontua a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan.  

O registro de um caso confirmado de sarampo na capital paulista, em março de 2026, ilustra essa vulnerabilidade. O vírus foi contraído por um bebê de seis meses durante uma viagem em família para a Bolívia, país que enfrenta problemas com a doença. A criança não estava vacinada, pois ainda não tinha idade para receber a tríplice viral – de acordo com o calendário do PNI, a primeira dose do imunizante deve ser aplicada aos 12 meses com um reforço aos 15. 

Mayra Moura explica que em situações como essa, a proteção depende justamente da chamada imunidade coletiva: ou seja, quanto maior a proporção de pessoas vacinadas na comunidade, menor a circulação do vírus e o risco de exposição dos indivíduos vulneráveis. 

Apesar de o Brasil manter o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2024, a manutenção desse status depende da vigilância epidemiológica contínua e da manutenção de coberturas vacinais elevadas em todo o território nacional.

HPV e influenza também são desafios

Indicada para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, a cobertura da vacina contra o HPV nunca atingiu de forma homogênea a meta estabelecida de 90%, desde que integrou a lista do PNI. 

Os dados mais recentes mostram oscilações importantes entre as coberturas dos públicos feminino e masculino, assim como nas diferentes faixas etárias contempladas pela estratégia. Em 2026, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos é de 74,14% até o momento, e entre os meninos o número é de 66,14%.

No entanto, a vacinação aos 9 anos, idade inicial para receber o imunizante, registra coberturas muito baixas, de apenas 19,85% entre as meninas e de 16,29% entre os meninos.  Entre os adolescentes de 11 a 14 anos há as maiores coberturas, superiores a 80%. 

A imunização contra o HPV é uma ferramenta fundamental para a prevenção de diversos tipos de câncer e outras doenças associadas ao papilomavírus humano. O cenário reforça a necessidade de ampliar as ações de conscientização para garantir a proteção antes do início da vida sexual, momento em que a vacina apresenta maior efetividade.

Outra preocupação das autoridades são as baixas coberturas da vacinação contra a gripe no país, que protege contra o vírus influenza. O imunizante é recomendado para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e pessoas acima dos 60 anos, e deve ser administrado anualmente, uma vez que o microrganismo tem alta capacidade de mutação. 

Em 2025, a cobertura dos grupos prioritários alcançou pouco mais da metade do público-alvo nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste. Apenas 1,38% dos municípios das regiões registraram cobertura vacinal significativa, acima dos 80%; enquanto 48,95% marcaram índices de vacinação entre 41% e 60%. Já no Norte, onde a campanha acontece no segundo semestre, por conta da sazonalidade da doença, a cobertura vacinal foi ainda menor: de apenas 47,98%.

Rejeição aos imunizantes

De acordo com a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan, quando o assunto é hesitação vacinal, tem pesado na balança os constantes questionamentos à segurança do produto explorado pelos chamados “antivacinas”. Fundamentado na disseminação de fake News e que ganhou força com a pandemia de Covid-19.

“As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] – que é uma das mais respeitadas no mundo –, antes de serem aplicadas na população”, afirma a especialista. Para isso, os imunizantes são submetidos a uma série de testes que confirmam sua segurança. 

A gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan explica que mesmo depois do aval da Anvisa, esses produtos continuam sendo monitorados. “Enquanto as pessoas estiverem sendo vacinadas, a farmacovigilância estará ativa. O objetivo será sempre garantir que o benefício de um imunizante seja superior a um possível risco que ela possa trazer. Na maioria das vezes, as vacinas desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar e são autolimitadas, ou seja, duram poucos dias”, conclui Mayra Moura.

Fonte _ Butantan