Imuniza SUS

terça-feira, 19 de maio de 2026

Diretor da OMS diz estar 'profundamente preocupado' com escala e velocidade da epidemia de ebola

 


O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) se declarou "profundamente preocupado com a escala e velocidade" da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo.

"Convocaremos hoje o comitê de emergências para que nos aconselhe sobre recomendações temporárias", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia annual dos Estados-membros da OMS.

A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia de ebola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15 mil mortes na África.

"Não tomei essa decisão levianamente... Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia", afirmou Adhanom Ghebreyesus sobre a declaração de emergência. Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto.

A atual epidemia na República Democrática do Congo teria provocado 131 óbitos e 513 casos suspeitos até o momento, afirmou nesta terça-feira (19) o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba.

"Registramos 131 mortes e temos 513 casos suspeitos", declarou o ministro à televisão nacional. "Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola", explicou.


Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços são baseados principalmente em casos suspeitos.

O balanço anterior do ministro congolês da Saúde mencionava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.
A situação levou a agência de saúde da União Africana (África CDC) a declarar uma "emergência de saúde pública" continental.


Segundo a agência, a declaração permitirá "reforçar a coordenação regional, facilitar a mobilização rápida de recursos financeiros e técnicos, e consolidar os sistemas de vigilância e de laboratório".

O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste do Congo, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade de mineração.

O vírus se propagou para além de Ituri e das fronteiras da RDC, com duas mortes registradas em Uganda, segundo a OMS.

As vítimas são pessoas que viajaram ao país a partir do congo, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que é a doença mão-pé-boca, infecção altamente contagiosa comum em crianças pequenas

 


Muita gente nunca ouviu falar da doença mão-pé-boca (MPB), mas quem já enfrentou o problema, não esquece. "Houve noites que a gente chorava junto, de tanta dor que minha filha sentia", relata a autônoma Viviane Rodrigues, 37 anos.

Ester, 3, contraiu a síndrome de outra criança da família há cerca de quatro meses e, na ocasião, teve muita febre e foi mais afetada na garganta —a escola do menino de 8 anos havia passado por alguns surtos de MPB. "Não foi culpa dele, mas é algo que prolifera muito rápido. Ela tentava mamar e não conseguia, acho que não conseguia engolir nem saliva", lembra a mãe.

Altamente contagiosa, a síndrome MPB é causada por enterovírus como o Coxsackie e é marcada por febre alta, dor de garganta e lesões vesiculares (bolhas), em especial na mucosa bucal, língua, mãos e pés.

Coxsackie é mais comum nos meses de outono e verão no hemisfério Norte, mas, no Brasil, o padrão é menos característico, segundo documento científico da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A transmissão ocorre entre indivíduos pelo contato com secreções respiratórias —como saliva, tosse e espirros— e fecais. "A pessoa infectada pode transmitir o vírus mesmo antes do aparecimento dos sintomas e continuar eliminando o agente infeccioso por semanas, especialmente nas fezes", alerta, por meio de nota, o médico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do departamento científico de Infectologia da SBP.

Nas redes sociais, em postagens sobre o tema, é comum encontrar relatos de pais que contraíram a doença dos filhos, com sintomas como descamações tão intensas que levaram a perda das unhas e até quadros em que o vírus chegou ao sistema nervoso, causando encefalite.

Embora sejam raros, nos últimos anos, a literatura médica observou em epidemias na Ásia casos em que a doença foi fatal, principalmente quando estava presente a cepa viral EV71. Nos óbitos registrados, o vírus atingiu o sistema nervoso central, "provocando alterações circulatórias, cardíacas e edema pulmonar", afirma o relatório da SBP.

Em geral, os sintomas melhoram em duas semanas, com tratamento que costuma ser paliativo, focado em amenizar os sintomas. O pediatra e infectologista Marcos Junqueira do Lago, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que é uma doença que "muito raramente pode até evoluir de uma forma mais grave".

O docente também diz que o MPB costuma acometer o paciente apenas uma vez na vida de forma mais intensa. "Não é impossível ter uma segunda infecção, caso o vírus tenha sofrido alguma mutação, mas normalmente é bem mais branda que a primeira e não é comum, é bastante raro", afirma Lago.

Por essa razão, os principais grupos de risco são os de crianças abaixo dos cinco anos de idade e o de adultos que nunca foram expostos ao vírus.

Como saber se é pé-mão-boca?

O médico Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico do Hospital Infantil Darcy Vargas, diz que as lesões características da MPB costumam ser dolorosas e variam de formato, podendo se apresentar como "bolinhas com líquido dentro", chamadas vesículas ou pápulas. "E, às vezes, são tipo caroços pequenos, que podem ser muito dolorosos, frequentemente nas mãos e nos pés, [além de] úlceras na boca", diz Otsuka.

Outro sintoma que pode surgir de três a oito semanas após a fase aguda é a onicomadese, que consiste no descolamento da unha a partir da base. Apesar de assustar os pais, o quadro costuma melhorar gradualmente com a recuperação total das unhas em cerca de dois meses, sem necessidade de tratamento específico.

De acordo com Lago, o diagnóstico de pé-mão-boca hoje é facilitado por exames como PCR, técnica de reação em cadeia de polimerase que ficou popular durante a Covid. "Você consegue fazer exame de secreção respiratória e detectar o vírus na saliva da pessoa contaminada e, eventualmente, até nas fezes. Existem também exames de sangue se já teve ou não infecção pelo Coxsackie", afirma o docente.

Tratamento

Não existem medicamentos antivirais específicos para a MPB. A doença é, na maioria das vezes, benigna e autolimitada, durando de sete a dez dias. O tratamento foca no alívio dos sintomas, como controle da febre e da dor —que tendem a melhorar logo na primeira semana.

"A doença não exige internação, existe só observação clínica, acompanhamento, tratamento sintomático. Caso haja alguma alteração neurológica ou física, exames vão ser feitos, mas isso é extremamente raro", ressalta Lago.

Além disso, é recomendado fazer a higiene das lesões para evitar contaminação. O uso de laser para aliviar sintomas ou melhorar a cicatrização é uma terapia que precisa ser indicada e acompanhada pelo médico responsável.

Prevenção

Os cuidados preventivos consistem em hábitos de higiene básicos, como lavar as mãos sempre que for ao banheiro ou fizer uma troca de fralda. Otsuka recomenda ainda evitar beijar crianças na boca ou próxima a esta parte do corpo e "higienizar adequadamente brinquedos e superfícies", uma vez que crianças pequenas tendem a morder objetos.

"Nos pequenos, o principal desafio está relacionado à dor causada pelas lesões na boca, que pode dificultar a ingestão de líquidos e alimentos, aumentando o risco de desidratação, a complicação mais comum", diz Sáfadi.

A SBP informa que a MPB "não é considerada de notificação compulsória, entretanto, a ocorrência de dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto."

Crianças com sintomas também não devem ser enviadas para escola. Para Rodrigues, mesmo com período de incubação, estar atento é uma medida simples e pode preservar os colegas de muito sofrimento. "Se você tem um filho em ano letivo e vê que está com esse problema, não deixe ele ir para a escola, cuide em casa para que não passe para outra criança", reforça a mãe.

Fonte _ Folha/SP

Laboratórios recolhem corticoide injetável e remédios para colesterol

 


Duas farmacêuticas anunciaram nesta segunda-feira (18) o recolhimento voluntário de corticoide e medicamentos para controle do colesterol após identificar problemas na produção.

A Cimed Indústria S.A. e a Hypofarma relataram as ocorrências à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e as suspensões de comercialização, distribuição e uso foram publicadas no Diário Oficial da União.

A Cimed diz suspeitar que cartuchos de rosuvastatina cálcica 20 mg tenham sido misturados aos de atorvastatina cálcica 40 mg. Os medicamentos têm o mesmo número de lote (2424299).

Já a Hypofarma recolheu o lote 25091566 do fosfato dissódico de dexametasona 4 mg/ml, um corticoide injetável apresentado em caixa com 50 ampolas.

Quem tiver adquirido qualquer um dos medicamentos deve suspender o uso e entrar em contato com o SAC das respectivas empresas para informações sobre o recolhimento e a devolução dos produtos.

Os dois medicamentos da Cimed são usados para reduzir os níveis de colesterol LDL (colesterol ruim) e triglicerídes no sangue. Também elevam o HDL (colesterol bom) e são receitados para prevenir doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs.

Quem acredita estar tomando atorvastatina 40 mg pode, na prática, estar consumindo rosuvastatina 20 mg sem saber. Embora pertençam à mesma classe, as estatinas, as duas substâncias têm doses e indicações que variam conforme o perfil do paciente.

A troca pode representar risco porque cada medicamento é prescrito de forma individualizada. A dose correta depende do histórico do paciente, de outros remédios que ele usa e do nível de colesterol que precisa ser controlado.

Quanto ao corticoide da Hypofarma, o problema identificado é a turvação da solução quando o medicamento é diluído em associação a determinados outros remédios. A empresa afirma que o recolhimento é restrito ao lote mencionado e que acompanha o caso junto às autoridades sanitárias.

O fosfato dissódico de dexametasona é um corticoide sintético usado no tratamento de condições inflamatórias severas, distúrbios alérgicos e doenças autoimunes. Também é indicado para edemas, como o edema cerebral em algumas condições neurológicas, e para distúrbios endócrinos.

Em nota, a Hypofarma afirma que "a medida demonstra o compromisso histórico da empresa com a segurança dos pacientes, a transparência de seus processos e o rigor dos controles de qualidade".

Fonte _ Folha/SP

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Governo do Brasil garante oferta de 23 novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer no SUS

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde Alexandre Padilha anunciaram, nesta sexta-feira (15), a maior entrega já realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o câncer, garantindo 100% da demanda de medicamentos. Com o investimento de R$ 2,2 bilhões, entre as principais inovações estão a criação da nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo e a criação, pela primeira vez, do financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública, além de ampliar acesso à cirurgia de reconstrução mamária.

“Eu penso que o estado tem que fazer justiça e dar oportunidade e igualdade a todo mundo. E eu tinha uma obsessão por isso, porque as pessoas mais humildades são tratadas como invisíveis. O que estamos fazendo aqui é dizer: o Brasil entrou numa rota de civilidade e o pobre não será mais tratado como invisível. A gente não pode prescindir da qualidade pública, não aceito dizer que o público não presta. O SUS está provando que aquilo que é público, quando é feito com respeito, dignidade e justiça, o público é muito melhor”, destacou Lula.

Esse aumento de 35% na oferta dos fármacos na rede pública de saúde beneficia 112 mil pacientes, representando um destrave histórico nos tratamentos oncológicos de primeira linha, que embora incorporados, aguardavam há até 12 anos para serem disponibilizados à população. Entre a lista, dez serão adquiridos diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os outros serão ofertados por meio da Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), em que a compra é realizada pelos centros habilitados no país, com financiamento federal, e Ata de Negociação Nacional.

Os medicamentos contemplam 18 tipos de câncer, como mama, pulmão, leucemia, ovário, estômago. A depender do tipo de tratamento, o paciente pode economizar até R$ 630 mil, caso fizesse na rede privada. A iniciativa está alinhada ao Componente de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), política nacional que assegura o cuidado organizado e contínuo no SUS.

Com foco nas mulheres, o ministro Padilha anunciou a ampliação do acesso à cirurgia de reconstrução mamária, que visa democratizar o acesso a procedimentos de alta complexidade e promover a reabilitação física e psicológica das pacientes de forma integral. O direito à cirurgia plástica reconstrutiva, anteriormente limitado a sequelas de tratamento de câncer, passa a abranger todos os casos de mutilação mamária, seja total ou parcial. Com a ampliação, a estimativa de investimento é de R$ 27,4 milhões por ano, representando um aumento de aproximadamente 13% em comparação a 2025.

“Hoje é um dia muito importante para o SUS. As mulheres são a maioria nesse país, mães de minorias, e que mais usam o SUS. Quando o filho está lá é mãe quem está. A saúde das mulheres é uma prioridade absoluta. Exemplo disso é a expansão da vacina do HPV. E eu acredito que nós vamos, até 2035, chegar no que a Austrália chegou, que é eliminar o câncer de colo do útero”, destacou o ministro.

Já para o tratamento do câncer de próstata, o SUS passa a contar com o financiamento permanente da cirurgia robótica, com investimento de R$ 50 milhões do Governo do Brasil. A tecnologia permite que o profissional de saúde tenha maior precisão cirúrgica e melhor visualização das estruturas anatômicas. Para os pacientes, os benefícios incluem menor perda sanguínea durante a operação, reduzindo a necessidade de transfusões. Cerca de 5 mil homens poderão ser beneficiados.

Rede Alta Performance e saúde digital

Para que o SUS tenha capacidade de realizar telecirurgias robóticas, foi assinado pelo ministro o Termo de Execução Descentralizada (TED) voltado à criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança. A iniciativa prevê uma solução integrada de alta capacidade entre o Hospital de Amor, em Barretos (SP), e a unidade localizada em Porto Velho (RO), onde inicialmente serão realizadas cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e urológicas.

Com investimento preliminar de R$ 2 milhões e vigência de 30 meses, a infraestrutura contempla requisitos técnicos compatíveis com esse tipo de serviço para aplicações críticas em saúde, que exigem comunicação em tempo real, transmissão segura de dados e elevada confiabilidade operacional.

Mais recursos para o Hospital de Amor

O Ministério da Saúde está garantindo mais recursos para custeio das ações de prevenção e controle do câncer no Hospital de Amor de Barretos, que contará com parcela suplementar no valor de R$ 129 milhões. O estabelecimento registra cerca de 600 novos casos oncológicos infantojuvenis anualmente.

Na ocasião, o presidente Lula e o ministro da Saúde participaram do lançamento da pedra fundamental do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Hospital de Amor e do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD). A ação consolida o complexo Hospital de Amor/Fundação Pio XII como um dos principais polos de inovação em saúde da América Latina, integrando assistência, ensino e pesquisa de alta complexidade.

Novos aceleradores lineares e expansão do tratamento oncológico

Outro marco dos anúncios em Barretos foi a assinatura do edital de compra de até 80 aceleradores lineares, que deve ampliar em 25% a oferta de tratamento de radioterapia em um ano. A contratação ocorre no âmbito do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde – PERSUS II, com foco na substituição de equipamentos obsoletos, na instalação de aparelhos em estruturas já existentes e na ampliação tecnológica dos serviços.

“No câncer, tempo é vida e hoje vamos dar mais um passo histórico. Nós estamos colocando aquilo que tem de mais moderno para o tratamento de radioterapia. Este ano chegamos ao marco histórico que é ter pelo menos um equipamento de radioterapia em cada estado. Além disso, temos hoje o Governo do Brasil distribuindo veículos a todo o país para promover dignidade ao paciente no caminho até a terapia. O nosso país está construindo a maior rede pública para diagnóstico e tratamento de câncer do mundo", enfatizou Padilha.

No ano passado, com o programa Agora Tem Especialistas, o país bateu recorde de procedimentos oncológicos no SUS. Foram realizados 189.949 procedimentos de radioterapia, um aumento de 22% em comparação com 2022, quando foram registrados 155.355 atendimentos. O recorde se repetiu na quimioterapia, que registrou crescimento de 20% na comparação entre os 4,7 milhões de atendimentos realizados em 2025 e os 3,9 milhões registrados em 2022.

Paralelamente, o Agora Tem Especialistas promoveu o maior mutirão de saúde da mulher da história do SUS, com 230 mil exames e cirurgias realizados em 900 hospitais públicos e filantrópicos de 516 municípios, ampliando o rastreamento e a detecção precoce do câncer em todo o país. Na área diagnóstica, o Super Centro para Diagnóstico do Câncer — iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o A.C.Camargo Cancer Center — já reduziu em 80% o tempo de espera por laudos de biópsia no SUS. O que antes levava mais de 25 dias hoje é concluído em cerca de cinco dias, prazo decisivo para o início oportuno do tratamento oncológico.

Além disso, o Agora Tem Especialistas descentralizou o atendimento com as Carretas da Saúde, que já alcançaram mais de 1.700 municípios brasileiros com consultas e exames em regiões de vazio assistencial. Somente em saúde da mulher, já foram mais de 166 mil procedimentos, contribuindo para zerar filas em 40 municípios.

Garantia de transporte até o tratamento

Ainda na solenidade no Hospital de Amor, o ministro Alexandre Padilha entregou oito micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde para municípios dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, totalizando investimento de R$ 1,4 milhão.

Os veículos serão utilizados no transporte de pacientes que necessitam de consultas, exames e tratamentos especializados e contínuos, especialmente pacientes em radioterapia e hemodiálise, que precisam se deslocar entre municípios para atendimento na rede pública de saúde. Ao todo, o Ministério da Saúde investiu R$ 1,4 bilhão na aquisição de 3,3 mil veículos destinados a todos os estados do país.

Valorização dos sanitaristas no Brasil

Ainda na oportunidade, o ministro da Saúde também homenageou o sanitarista Carlos Haroldo Piancastelli com a entrega da Carteira Nacional de Sanitaristas. Esse momento marca a regulamentação da profissão, que é um avanço estratégico para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil, contribuindo para a maior segurança institucional e valorização profissional.

Fonte _ Saúde.gov


quinta-feira, 14 de maio de 2026

InfoGripe: aumenta número de casos de SRAG em crianças menores de 2 anos

 


A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (14/5), sinaliza que todas as unidades federativas (UF) apresentam alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O aumento de SRAG no país ocorre principalmente nas crianças menores de 2 anos e é impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR). As demais faixas etárias apresentam estabilização do número de casos. O estudo destaca também que as hospitalizações por influenza A continuam aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (Roraima e Tocantins) e do Sudeste (São Paulo e Espírito Santo). A atualização é referente à Semana Epidemiológica 18, período de 3 a 9 de maio.

“A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de agravamento por esses vírus se vacinem. A vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana e protege os bebês principalmente durante os seis primeiros meses de vida. Também existem anticorpos monoclonais contra o VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades. Já a vacina anual contra a influenza é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Boletim mostra que em relação aos óbitos registrados no período, as mortes por influenza A respondem por 51,8% dos casos. A seguir vem as por rinovírus com 15,4%, Sars-CoV-2 (Covid-19) com 11,8%, 11,4% por vírus sincicial respiratório e influenza B com 4% dos casos. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos. Os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no Maranhão e no Ceará.


Estados e capitais

O número de hospitalizações por influenza A, informam os pesquisadores do InfoGripe, continua aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (RO e TO) e do Sudeste (SP e ES). O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG em alguns estados do Norte (AM, AP), Sudeste (MG e RJ) e Sul (RS, SC). Segundo a análise, estão com incidência de SRAG em nível de alerta de risco ou alto risco Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

As ocorrências de SRAG por VSR têm aumentado em estados de todas as regiões. No entanto, já apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda em boa parte da região Norte (AM, RR, RO, TO) e em alguns estados do Centro-Oeste (GO e MT). Por outro lado, os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no MA e CE.

Boletim verificou que 15 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 18. São elas Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).

Dados epidemiológicos

Em nível nacional, o cenário atual sinaliza aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e estabilidade ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026, já foram notificados 57.585 casos de SRAG, sendo 26.338 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 21.500 (37,3%) e cerca 5.653 (9,8%) aguardando resultado laboratorial.

A nova edição do sinaliza ainda que este ano já foram verificados 26,3% de influenza A, 2,2% de influenza B, 25,3% de vírus sincicial respiratório, 36,1% de rinovírus e 7,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,2% de influenza A, 3,7% de influenza B, 41,5% de vírus sincicial respiratório, 25,5% de rinovírus e 2,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças menores de 2 anos tem sido impulsionado pelo VSR. Já o sinal de estabilização dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 14 anos e acima de 15 anos reflete a desaceleração do crescimento ou queda das hospitalizações por rinovírus e influenza A, respectivamente, em muitos estados.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A. Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

terça-feira, 12 de maio de 2026

Maior força de trabalho do SUS, enfermagem vive explosão de cursos a distância

 


A explosão dos cursos de enfermagem no Brasil, impulsionada pelo setor privado e pelo ensino a distância, acendeu um alerta sobre a qualidade da formação da principal força de trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde).

Relatório técnico divulgado nesta terça-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem, mostra que o número de vagas em cursos superiores privados da área saltou de 120 mil para mais de 503 mil entre 2010 e 2023, alta superior a 300%.

Grande parte desse crescimento ocorreu na modalidade EAD (educação a distância), cuja oferta disparou 1.408% no período e hoje já responde por metade das vagas disponíveis na rede privada. Em 2023, somente os cursos privados a distância somavam 253 mil vagas —número superior ao total de vagas presenciais públicas e privadas.


O documento, baseado no estudo "Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil", lançado ano passado pelo Ministério da Saúde, aponta que o setor privado concentra 90,7% das instituições de ensino de enfermagem do país.

A expansão acelerada, porém, convive com um problema estrutural: parte expressiva das vagas não é ocupada ou acaba abandonada. Nos cursos presenciais privados, cerca de metade das vagas permanece ociosa em razão da evasão.

Na rede pública, a retenção é maior, mas cerca de 30% das vagas também ficam sem preenchimento. A preocupação ganhou força após a pandemia de Covid-19, que evidenciou a dependência dos sistemas de saúde em relação à enfermagem.

Hoje, a categoria representa cerca de 70% da força de trabalho em saúde no Brasil e 59% no mundo. Apesar do crescimento acelerado do número de profissionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima um déficit global de cerca de 6 milhões de enfermeiros.

O relatório também chama atenção para desigualdades regionais históricas. Sudeste e Sul concentram a maior parte das escolas, cursos e matrículas, enquanto estados do Norte e do Nordeste seguem com menor densidade de profissionais.

Em 2018, por exemplo, o Pará registrava 14,1 enfermeiros por 10 mil habitantes, menos de um terço da densidade observada no Distrito Federal, com 49,3 profissionais por 10 mil habitantes.

Na avaliação do médico e pesquisador Mario Dal Poz, professor titular da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autor principal do relatório, a expansão desordenada ameaça a qualidade futura da assistência no SUS.

"A enfermagem é a espinha dorsal do SUS. A expansão acelerada sem planejamento regional e o avanço do ensino à distância colocam em xeque a qualidade do cuidado que o sistema de saúde entrega à população", afirma.

Segundo Dal Poz, a formação em enfermagem exige aquisição de habilidades práticas e competências clínicas que não podem ser reduzidas a um modelo predominantemente remoto. Para ele, o país precisa ampliar a oferta pública e fortalecer mecanismos de avaliação e fiscalização dos cursos privados e do EAD.

A enfermeira e pesquisadora da Uerj Helena Leal, uma das autoras do relatório, reforça que o avanço do ensino a distância em enfermagem ocorreu de forma descontrolada, impulsionado principalmente pela redução de custos das instituições privadas.

Segundo ela, a enfermagem precisa de formação prática intensiva e supervisão presencial. "Exige destreza, habilidade e treinamento in loco." Ela avalia que laboratórios de simulação ajudam, mas não substituem o contato com pacientes nem o acompanhamento de professores preparados.

Além da graduação, o levantamento analisou mais de 5.500 cursos técnicos de enfermagem registrados entre 2009 e 2024. Nesse segmento, o ensino presencial ainda predomina. Mesmo assim, os pesquisadores identificaram falhas importantes nos sistemas de informação sobre a formação técnica, especialmente no Sistec (Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica).

Foram encontrados problemas como ausência de dados sobre matrículas, campos em branco e erros na identificação dos cursos, revelando fragilidades históricas no monitoramento da educação profissional.

Após a exclusão de registros inconsistentes, o estudo identificou 5.509 unidades de ensino com oferta de cursos técnicos em enfermagem. São Paulo lidera, com 1.218 cursos registrados, seguido por Minas Gerais (774) e Rio de Janeiro (504). No total, foram registradas cerca de 3 milhões de matrículas em cursos técnicos entre 2009 e 2024.

Os pesquisadores alertam que a expansão acelerada do setor privado pode estimular cursos com infraestrutura precária, fragilidade pedagógica e baixa integração entre teoria e prática.

Helena Leal chama atenção para problemas como estágios pouco supervisionados e cursos sem qualidade mínima, por falta de reconhecimento dos cursos. "Alguns profissionais nem sequer conseguem registrar seus diplomas nos conselhos regionais."

Também critica a fragilidade da fiscalização dos cursos técnicos e do EAD e afirma que o país ainda carece de sistemas confiáveis para monitorar evasão, qualidade da formação e distribuição regional dos profissionais.

O EAD avançou também sobre a pós-graduação, especialmente em áreas como oncologia, gerontologia, saúde mental, neurologia e atenção domiciliar. Em algumas especialidades, a maioria dos egressos já vem da modalidade a distância —caso de neurologia (90%), saúde mental (85%) e gerontologia (82,5%)—, o que acendeu alerta sobre a formação prática desses profissionais em áreas clínicas complexas.

O documento revela fragilidades na regulação e no monitoramento das especializações, como ausência de critérios nacionais para currículos, falta de padronização dos cursos e lacunas nos registros profissionais.

Entre as recomendações do relatório estão maior controle sobre a abertura de cursos, revisão das regras do ensino a distância, fortalecimento da fiscalização de estágios e práticas presenciais e ampliação da oferta pública em regiões carentes de profissionais.

O levantamento traça ainda um panorama demográfico da enfermagem brasileira. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mostram que o número de enfermeiros passou de cerca de 215 mil em 2010 para 524 mil em 2021, enquanto os técnicos de enfermagem saltaram de 415 mil para quase 1,2 milhão no mesmo período.

Os pesquisadores identificaram mudanças importantes no perfil da categoria. Embora as mulheres continuem majoritárias, houve aumento da participação masculina, sobretudo entre os enfermeiros.

O estudo aponta ainda um envelhecimento gradual da força de trabalho. "Há uma mudança da faixa etária de 25 a 34 anos para faixa etária de 35 a 44 anos, especialmente entre os técnicos de enfermagem, que atinge também um pico até a faixa etária de 40 a 50 anos", observa Kênia Lara Silva, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e também coautora do estudo.

Segundo ela, essa é uma questão que deve ser objeto de preocupação das políticas públicas e da organização interna da profissão. "Há o próprio desgaste que se vai tendo ao longo da exposição ao trabalho e que pode ser acirrada quando se considera as pessoas nas faixas etárias mais avançadas, reduzindo, inclusive, esse potencial para o trabalho."

As análises revelam uma forte desigualdade racial e de gênero dentro da enfermagem brasileira. Segundo Kênia, as mulheres negras concentram-se nas faixas de menor rendimento da profissão, enquanto homens brancos ocupam majoritariamente os percentis salariais mais altos.

projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde lança a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante

 


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta terça-feira (12), na Maternidade Escola da UFRJ/HU Brasil, no Rio de Janeiro, a nova Caderneta Brasileira da Gestante, em versão digital, disponível em aplicativo. O documento, estratégico na qualificação do pré-natal e na organização da linha de cuidado materno-infantil em todo o país, também traz novidades como informações de cidadania, incluindo saúde mental, luto materno e violência obstétrica, além de permitir que a gestante realize o acompanhamento mais qualificado de forma mais prática e ágil, com a integração dos diferentes pontos da rede assistencial na palma da mão.

Durante o lançamento, o ministro também apresentou a nova campanha de incentivo à doação de leite humano do Ministério da Saúde. Os bancos de leite garantem a oferta de leite humano para bebês prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais, além de oferecer orientação e suporte para que mais mulheres possam amamentar com segurança.

Mais do que uma atualização editorial, que também traz orientações sobre doação de leite e amamentação, a nova versão da Caderneta da Gestante incorpora evidências científicas atualizadas, qualifica o registro das informações clínicas e amplia o acesso das gestantes a orientações sobre gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido. A nova edição também passa a incorporar temas fundamentais para a integralidade do cuidado, como saúde mental, luto materno e parental, equidade, direitos das gestantes, enfrentamento das violências e cuidado compartilhado.

“Tradicionalmente, as nossas cadernetas da gestante eram as cadernetas do pré-natal, porque as orientações, os registros, as informações eram quase exclusivamente daquilo que se faz no pré-natal, o que é muito importante, pois a gente sabe que uma boa gestação começa ali, no pré-natal que é realizado na Atenção Primária” destacou o Ministro Alexandre Padilha.

Agora, a gestante passa a contar com as versões física e digital da Caderneta Brasileira da Gestante. Serão distribuídos 3,2 milhões de exemplares em todo o Brasil, além da disponibilização da versão digital, integrada ao aplicativo Meu SUS Digital. O miniapp foi desenvolvido para que a gestante navegue pelos conteúdos por capítulos e temas, além de utilizar uma ferramenta de busca para localizar rapidamente as informações desejadas.

Alinhada aos princípios norteadores da Rede Alyne, a iniciativa reforça o compromisso da pasta com uma assistência mais humanizada, integrada e resolutiva. O foco principal permanece na redução da mortalidade materna e na mitigação das desigualdades históricas no atendimento, assegurando que o SUS ofereça um padrão de excelência desde o primeiro contato da gestante com a unidade de saúde até o período pós-parto.

Abordagem Integral e Humanizada

O Ministério da Saúde incorporou, como campos de registro, informações sobre acompanhante, métodos de alívio da dor, posições para o parto, procedimentos a serem evitados e expectativas para a cesariana, além de orientações sobre os cuidados específicos do período puerperal e a necessidade de suporte da rede de apoio e da família à pessoa puérpera. "A expectativa é a gente qualificar esse momento tão especial para as famílias brasileiras que é o momento do parto” indicou Padilha.

A estrutura da nova caderneta dedica seções exclusivas ao enfrentamento da violência de gênero e à garantia de direitos fundamentais. O combate às iniquidades sociais é abordado de forma ativa, com conteúdo específico voltado ao enfrentamento do racismo institucional e das disparidades raciais que ainda persistem nos indicadores de saúde.

A caderneta também avança ao reconhecer as especificidades das populações do campo, da floresta e das águas. Ao incluir informações adaptadas a essas realidades, o Ministério da Saúde garante que o cuidado seja sensível às diferentes formas de vivenciar a gestação em um país de dimensões continentais e grande pluralidade cultural. Esse movimento reafirma a valorização da atenção primária como espaço de construção de um cuidado materno integral, equitativo e centrado nas necessidades reais das mulheres e de seus núcleos familiares.

Campanha de doação de Leite Humano


Ainda com o olhar voltado à saúde materna e do bebê, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também apresentou nesta terça-feira (12) a campanha de doação de leite humano do Ministério da Saúde, com o tema “Solidariedade que nutre, vida que cresce”. O objetivo da iniciativa é sensibilizar a sociedade sobre a importância do leite humano para a saúde dos bebês, além de ampliar o número de novas doadoras voluntárias e o volume de leite humano coletado e distribuído para recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados no Brasil.

Entre 2020 e 2025, 3,6 milhões de mulheres doaram leite materno, contribuindo para o atendimento de 46,8 milhões de mulheres e beneficiando 4,1 milhões de recém-nascidos. Mais de 4,2 milhões de litros de leite foram coletados pelos 239 Bancos de Leite Humano distribuídos em todo o território nacional.

Segundo dados do Sistema de Informação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), a cada 12 mulheres acompanhadas pelos Bancos de Leite Humano (BLH), uma se torna doadora.

Acesse a nova campanha de doação de leite humano

Como acessar a Caderneta Brasileira da Gestante


O acesso à Caderneta Brasileira da Gestante é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente nas lojas oficiais para celulares Android e iOS. A funcionalidade também pode ser acessada pela versão web da plataforma.

1. Instale o aplicativo

Baixe o aplicativo Meu SUS Digital gratuitamente nas lojas oficiais:

App Store — para iOS

Google Play — para Android

Também é possível acessar pela versão web do Meu SUS Digital.

2. Entre na sua conta

Abra o aplicativo Meu SUS Digital ou acesse a versão web da plataforma.

Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Gov.br.

3. Acesse a Caderneta Brasileira da Gestante

Na tela inicial, vá até a seção Miniapps.

Selecione o miniapp “Caderneta Brasileira da Gestante”.

Leia e aceite o Termo de Responsabilidade, quando solicitado.

Após o acesso, a caderneta estará disponível para consulta.

A partir desse processo, a gestante poderá acessar a versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante e consultar informações oficiais sobre pré-natal, parto, puerpério, cuidados com o bebê, vacinação, alimentação, saúde mental, direitos e rede de apoio, diretamente pelo celular ou navegador, com praticidade e segurança.

Acesse o Meu SUS Digital

Conheça a Caderneta Brasileira da Gestante

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Governo do Brasil levará conectividade a até 3,8 mil UBS e ampliará a Telessaúde no SUS

 


Governo do Brasil deu mais um passo para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e democratizar o acesso aos serviços digitais. Nesta segunda-feira (11), os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, anunciaram estratégia para levar conectividade a até 3,8 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), em 26 estados e no Distrito Federal, principalmente em regiões remotas. O processo para a contratação das conexões está nos editais lançados hoje, Fust Direto 3 e Acessa Crédito Telecom, e se soma às ações já em curso por meio do Termo de Execução Descentralizada entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Comunicações. O novo edital prevê investimento de até R$ 100 milhões e integra os esforços do programa Agora Tem Especialistas, criado para agilizar diagnósticos, reduzir filas e acelerar atendimentos especializados na rede pública.

“São mais de 6 milhões de atendimentos por Telessaúde no Brasil hoje, graças a todo o impulsionamento feito pelo Governo do Brasil. Hoje, 85% das equipes de Saúde da Família utilizam o prontuário eletrônico, já marcam consultas especializadas e já podem usar o próprio prontuário para realizar teleconsultas. Onde essa estratégia está funcionando, há redução de até 30% nas filas para o atendimento especializado. Batemos o recorde de cirurgias eletivas pelo SUS em 2025: foram 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que em 2022. Essa expansão da Telessaúde vai permitir encaminhar melhor quem precisa fazer cirurgia e resolver problemas na Unidade Básica de Saúde. Então, é um passo fantástico, sobretudo nas áreas mais remotas”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Na prática, o investimento se reflete em benefícios diretos ao cidadão: com internet estável e redes internas de Wi-Fi nas UBS, torna-se possível expandir a oferta de Telessaúde, teleconsultas, telediagnósticos e o uso de equipamentos conectados. Além disso, a iniciativa impulsiona o uso do prontuário eletrônico e a integração de dados clínicos por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), garantindo mais agilidade, segurança e continuidade no cuidado, especialmente para populações rurais, indígenas, ribeirinhas e de periferias urbanas.

CPF como identificador

 A Saúde Digital no Brasil consolidou-se como um pilar fundamental para ampliar o acesso da população ao cuidado e qualificar a gestão do SUS. Com a higienização do Cadastro Nacional de Usuários do SUS, o CadSUS, o Ministério da Saúde avançou na consolidação do CPF como identificador prioritário do cidadão na saúde pública. Até abril de 2026, o sistema alcançou 233,2 milhões de cadastros ativos e reduziu a diferença entre a base do CadSUS e a da Receita Federal para 1,84%, resultado que fortalece a identificação correta dos usuários, amplia a segurança cadastral, reduz inconsistências e contribui para a continuidade do cuidado em toda a rede do SUS.

Esse avanço se soma à expansão da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que já reúne 4,6 bilhões de registros e se consolida como infraestrutura estratégica para a integração segura de informações clínicas em todo o país. A rede permite que dados de diferentes pontos de atenção sejam compartilhados de forma qualificada, apoiando profissionais, gestores e serviços na tomada de decisão e na continuidade do cuidado.

Essa transformação também é ampliada pelas entregas do Novo PAC Saúde, com a distribuição de cerca de 3 mil equipamentos de telessaúde em todo o território nacional. O país já ultrapassou 6 milhões de atendimentos nessa modalidade. Hoje, a tecnologia não é apenas um suporte, mas uma via concreta para conectar municípios, profissionais e usuários a um SUS mais integrado, acessível e resolutivo.

Infraestrutura estruturante e tecnologia de ponta

 O edital Fust Direto 3 foca na implementação de infraestrutura de alta capacidade, com possibilidade de conexão por fibra óptica ou satélite, além da instalação de redes internas de Wi-Fi nas unidades contempladas. Essa conectividade é um pilar estratégico para a qualificação do atendimento, permitindo o uso pleno de sistemas como o e-SUS APS, a ampliação de diagnósticos em tempo real e o fortalecimento da Telessaúde na Atenção Primária.

“A parceria entre o MCom e o Min Saúde garante que a infraestrutura a ser criada represente conectividade significativa de alto impacto para as ações e serviços de saúde. É a primeira vez que recursos do Fust são destinados à saúde”, explica a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad.

Esta nova etapa complementa as ações do Novo PAC. Enquanto a conexão satelital atende localidades de difícil acesso geográfico, a nova etapa apoiada pelo Fust amplia os instrumentos para garantir conectividade às UBS e consolidar a base tecnológica necessária para a Saúde Digital em escala nacional. Em 2023, o país ainda tinha 5.184 UBS sem conectividade adequada.

A combinação entre fibra óptica, satélite, Wi-Fi interno, prontuário eletrônico, Telessaúde e equipamentos digitais cria as condições para ampliar o acesso à Saúde Digital em escala nacional, especialmente nos territórios onde a conectividade ainda é um obstáculo para o cuidado.

Fonte _ Saúde.gov

domingo, 10 de maio de 2026

Dia das Mães

 


As comemorações do Dia das Mães variam de país para país, mas são poucos os lugares no mundo onde a data não é celebrada.

Nas Américas, o dia geralmente é comemorado em maio —no segundo domingo do mês— embora alguns países, como México, Guatemala e El Salvador, celebrem alguns dias antes.

Independentemente da data, essa celebração tradicional se tornou um dos períodos mais importantes do ano para os negócios, principalmente aqueles que vendem cartões, flores, chocolates e outros itens para presente.

Muitos filhos, netos, irmãos e parceiros conhecem bem a data, mas poucos sabem a história por trás da origem do costume de comemorar o amor materno em uma data específica.

Campanha em homenagem a uma mãe

A tradição vem dos gregos, que no início da primavera homenageavam Reia, a mãe de todos os deuses, com rituais e oferendas.

Mas o reconhecimento oficial desse costume começou no século 20, nos Estados Unidos, graças à insistência de uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua.

Em 1905, Anna Jarvis iniciou uma campanha pelo que chamou de "Dia das Mães", após a morte de sua mãe, Ann Reeves Jarvis.


Três anos depois, ela organizou uma homenagem para a mãe, mesmo que a data não fosse um feriado oficial, e tornou-se uma ativista da causa.

Sua luta para que o dia fosse oficialmente reconhecido durou anos. A motivação de Jarvis veio de uma oração que sua mãe lhe mostrou certa vez.

"Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que elas prestam à humanidade em todas as áreas da vida", dizia a oração.

A inspiração também veio do trabalho que a própria Ann Reeves realizou durante a Guerra Civil Americana.

Em 1850, no estado da Virgínia Ocidental, ela criou uma espécie de grupo de trabalho com mulheres para cuidar dos soldados e trabalhar por melhorias na saúde pública. Ela chamou esses dias de trabalho de "Dia das Mães".

Anna Jarvis começou sua campanha para reservar um dia especial para as mães enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e outras pessoas importantes.

Alguns políticos zombaram de seus esforços, dizendo que, se o Dia das Mães fosse oficializado, eles também teriam que instituir o "Dia da Sogra".

Em 1911, no entanto, todos os estados da União reconheceram o feriado e, três anos depois, foi oficialmente adotado que o segundo domingo de maio seria comemorado com um feriado em homenagem às mães.

O desejo de Jarvis havia sido atendido e ela finalmente podia se orgulhar de ter sido a "mãe" do Dia das Mães.

No entanto, pouco depois, ele percebeu que havia "criado um monstro". A data comemorativa tornou-se um excelente pretexto para os comerciantes, que aproveitaram a oportunidade para estimular a compra de presentes.

Atividade comercial

A data tornou-se o tema principal das campanhas publicitárias no início de maio e ganhou considerável apoio nas indústrias de flores e cartões.

A história por trás do Dia das Mães — a luta de Jarvis para homenagear o trabalho de sua própria mãe e de outras mulheres — era o roteiro perfeito para impulsionar ainda mais as vendas.

No entanto, a mulher mais responsável pela data comemorativa não gostou da direção comercial que ela havia tomado, então decidiu boicotá-la.

A ativista que outrora lutara pela criação do dia agora se mobilizava para eliminá-lo.

"Jarvis considerava o Dia das Mães sua 'propriedade intelectual e legal', não parte do domínio público", escreveu Katharine Lane Antolini, autora de 'A Comemoração da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães'.

"Ela aspirava que este dia fosse um 'dia sagrado' que homenageasse a mãe que colocava as necessidades de seus filhos acima das suas próprias", acrescentou Antolini.

"Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros, como aconteceu com alguns outros feriados no início do século 20."

Antolini, professora de estudos de gênero em uma universidade na Virgínia Ocidental, mora a cerca de 45 minutos de Grafton, onde fica a igreja que Jarvis e sua mãe frequentavam, hoje o Santuário Internacional do Dia das Mães.

De acordo com a pesquisa de Antolini, Anna Jarvis criticava os comerciantes que "se aproveitavam" do evento, chamando-os de "violadores de direitos autorais, vândalos comerciais e aproveitadores descarados".

Ela chegou a protestar contra floriculturas, que aumentaram seus preços em maio, e ameaçou processar muitas empresas que lucraram com a celebração.

Ela também criticou a enorme indústria de cartões impressos que surgiu em torno da data, argumentando que a maneira de demonstrar apreço e homenagear as mães deveria ser por meio de cartas pessoais, escritas à mão.

Antolini escreve que algumas organizações tentaram alinhar o significado do feriado com a mudança na percepção da maternidade no século XX, combinando o aspecto doméstico com o impacto das mães na comunidade.

Mas Jarvis também rejeitou essa interpretação.

Antes de morrer em 1948, consumida por dívidas e depressão, Jarvis confessou a um jornalista: "Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães."

A data no Brasil

No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932, com um decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954).


"O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana", diz a determinação.

Mas a consolidação da data veio mesmo na época do regime militar de 1964 a 1985.

"Copiava-se tudo dos Estados Unidos e houve, durante a ditadura, uma valorização enorme da família e das mães, em particular", diz a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil.

"A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concurso, valorizado e que ganhava capas de revista", lembra.

Quanto dinheiro o Dia das Mães gera?

Assim como em muitos aspectos comerciais, os Estados Unidos lideram o consumo de bens e serviços relacionados ao Dia das Mães.

Outros países ao redor do mundo não apenas seguiram o exemplo na celebração deste feriado, como também incorporaram fortemente sua importância econômica.

Só nos EUA, as vendas do Dia das Mães representam mais de US$ 23 bilhões.

De acordo com sites especializados, os bens e serviços comprados neste dia não são apenas de filhos para mães. Os consumidores compram para todas as mulheres em suas vidas: filhas, irmãs, avós, madrinhas e outras parentes e amigas.

No Brasil, o Dia das Mães é a segunda data mais importante do varejo nacional.

A expectativa é que em 2026 a celebração movimente quase R$ 38 bilhões nos setores de comércio e serviços no país, levando cerca de 127 milhões de consumidores às compras, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.

A pesquisa indica que os produtos campeões de venda devem estar na categoria moda, seguidos por produtos de beleza, chocolates e flores, e experiências, como almoçar fora ou viajar.

O levantamento revela ainda que os consumidores pretendem gastar em média R$ 294 com as compras e que as principais presenteadas serão mães, seguidas de esposas e sogras.

Porque, como dizem as campanhas, o amor de mãe não tem preço.

Com reportagem adicional de Edison Veiga, de Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

Este texto foi publicado originalmente aqui.

Fonte _ Folha/SP