Imuniza SUS

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Atendimento especializado em hospital do Butantan reverte quadro grave de paciente picado por jararaca: “a ciência salva”

 

Registro da família Braga durante a trilha em Garopaba (SC)

O mar cristalino e a natureza exuberante da praia da Ferrugem encantaram a família Braga, que havia deixado o urbano bairro do Jabaquara, na capital paulista, para passar as festas de fim de ano em Garopaba, no litoral catarinense. 

Em 20 de dezembro de 2025, o pai José, de 69 anos, a mãe Maria, de 66 anos, e a filha Amanda, de 37 anos, se instalaram em uma pousada no município localizado a 90 km ao sul da capital Florianópolis, ansiando por explorar o encontro do mar azul com a lagoa cor de ocre, que dá nome à famosa praia.

No dia seguinte, com roupas de banho e chinelos nos pés, decidiram fazer uma trilha por um dos morros locais, rodeados de Mata Atlântica, que chegaria até a praia. Tudo ao redor parecia maravilhoso e um convite para dezenas de selfies. Mas, no meio do caminho, tinha uma serpente, e o que aconteceu depois disso a família nunca mais vai esquecer.

“Estávamos apreciando aquele lugar lindo, mas, de repente, senti uma picada no dedo mindinho do pé esquerdo. Como não doeu muito, eu segui. Depois de uns 20 metros senti a vista escurecer e precisei parar”, conta José Cavalcanti Braga, que é representante comercial de uma distribuidora de medicamentos em São Paulo.

Imprecisão no diagnóstico atrasa tratamento

Ninguém tinha certeza de que se tratava de uma cobra, mas a família preferiu levar Braga, como o pai é conhecido, à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) mais próxima. A hipótese de acidente ofídico foi descartada pela equipe médica, e o cearense natural de Mauriti recebeu um analgésico intravenoso, além de uma receita de antibiótico, e foi liberado. 

No dia seguinte, o patriarca, sempre disposto, estava prostrado, com o pé esquerdo inchado e hematomas espalhados pelo corpo. A família retornou à unidade de saúde, onde outro médico pediu um exame de sangue que não teria apresentado nenhuma anormalidade. “O médico mudou o antibiótico e acrescentou um corticoide e um anti-inflamatório. Comprei os remédios na farmácia, mas senti que o corpo e as mãos começaram a ficar mais doloridos e roxos”, relembra. 

A imprecisão no diagnóstico desesperou a família, que resolveu voltar para São Paulo para ouvir outra opinião médica. Em um hospital particular, Braga já apresentava sangramentos pelo corpo e na urina, dificultando a realização de novos exames. Um médico que analisou o quadro desconfiou de envenenamento por inseto e ligou na noite do dia 23/12 para o Hospital Vital Brazil (HVB), localizado no Instituto Butantan, o único do país especializado no atendimento de acidentes causados por animais peçonhentos.


Somente o soro cura envenenamento

A equipe do HVB analisou fotos e exames e constatou que as equimoses extensas, o distúrbio de coagulação e os dois pontos de picada no pé de Braga condiziam com uma picada de jararaca. Por isso foi recomendada a remoção do representante comercial para a unidade. O patriarca chegou de ambulância no dia 24/12, por volta das 6h.

“Era um quadro potencialmente grave. Se ele tivesse continuado sem o soro, poderia evoluir para complicações renais ou hemorragias graves. Nesses casos, não adianta tentar corrigir só os sintomas, usar antibiótico, porque somente o soro neutraliza o veneno e interrompe todo o processo do envenenamento”, afirma a infectologista Roberta Piorelli, médica do HVB que atendeu José Braga.

O representante comercial ficou impressionado com o atendimento do hospital público. “A doutora Roberta me acolheu, me examinou e falou ‘o senhor foi picado por uma jararaca e vamos aplicar seis ampolas de soro antibotrópico’. Ela sabia o que estava fazendo, senti uma segurança muito grande”, conta.

Braga também se surpreendeu com a sua rápida recuperação após receber o antídoto. “O soro tirou toda aquela dor com a mão. Em poucas horas eu saí da emergência e fui para o quarto. Tive alta no dia seguinte.”

Geralmente, pacientes que sofrem acidente por animal peçonhento ficam mais tempo no hospital em observação. Mas, dada a ótima recuperação de Braga, a equipe médica do HVB o liberou para passar o Natal em casa, desde que ele voltasse para algumas consultas ambulatoriais. Depois de um mês, e algumas idas ao hospital, ele já havia se recuperado totalmente. 

Maria Cavalcanti Braga lembra com gratidão do atendimento que o marido teve no HVB. “Eles salvaram a vida dele e temos que ser gratos. Chega a ser emocionante porque foi um susto e tanto. Temos que confiar no SUS [Sistema Único de Saúde] e na ciência. A ciência salva”, diz.


O que fazer e o que não fazer se for mordido por serpente

Roberta Piorelli alerta que o uso de calçados inadequados é um dos principais fatores de risco de acidentes com serpentes. “O ideal é não andar em trilhas de chinelo ou descalço. Mesmo um sapato fechado não impede totalmente a picada, mas reduz bastante a gravidade da lesão”, orienta.

A infectologista também destaca a importância de observar atentamente o solo, já que as serpentes se camuflam na mata, e de procurar imediatamente um serviço de saúde em caso de acidente.

“Se for possível e seguro, tire uma foto do animal. Cada região tem uma fauna diferente, e as características da picada nos ajudam a orientar os colegas médicos desde o primeiro atendimento”, explica.

Roberta reforça que práticas populares podem agravar o quadro e devem ser evitadas:

Não façam torniquete. Isso não impede o veneno de se espalhar e ainda piora a circulação, aumentando o risco de necrose. Não façam cortes, não tentem sugar o veneno, não passem substâncias caseiras como álcool, querosene, urina, plantas ou qualquer outro produto no ferimento”, alerta.

A recomendação correta é simples: lave o local com água e sabão e busque atendimento médico o mais rápido possível.

O mais importante é não perder tempo e, na dúvida, ligar para o Hospital Vital Brazil. Recebemos fotos da lesão, do animal, os exames e orientamos a condução do caso, além de indicar onde há soro disponível. Informação e rapidez salvam vidas”, conclui.

Hospital Vital Brazil

Telefones: (11) 2627-9528 / 2627-9529 / 2627-9530 / (11) 3723-6969 / (11) 91472-2902 Orientação telefônica:  24 horas por dia

hvb.administracao@butantan.gov.br

Endereço: Av. Vital Brasil, 1.500, ao lado do heliponto.

24hs - Assistência médica gratuita

Fonte _ Butantan

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

FioCruz atua na preparação do SUS para eventual resposta ao vírus Nipah

 


Em sintonia com a avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) sobre o baixo risco de uma pandemia causada pelo vírus Nipah (NiV), a Fiocruz atua no apoio à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) nos campos do diagnóstico e da assistência. Com dois casos confirmados na Índia e sem registro de circulação do vírus fora do Sudeste Asiático, o cenário atual não apresenta evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira.

“Até o momento, o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia”, assegura a coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Tânia Fonseca. “Eventualmente, surgem surtos de Nipah. Isso já aconteceu na Malásia, em Singapura, na Índia, em Bangladesh, nas Filipinas e, atualmente, de novo na Índia. O vírus está na lista de patógenos prioritários da OMS, ao lado de outros com provável potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada”, enfatiza Fonseca ao explicar que não há qualquer indicação de risco no Brasil e que é papel da Fiocruz deixar sua estrutura e conjunto de especialistas preparados diante de uma possibilidade.  

No país, a eventual análise de amostras suspeitas será centralizada no Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergenciais Virais (IOC/Fiocruz), nomeado como Laboratório de Referência do MS para o vírus Nipah. O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), por sua vez, assume o papel de unidade hospitalar de referência para assistência em casos suspeitos.

Transmissão zoonótica  

Com transmissão associada principalmente a morcegos frugívoros da família Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras, o transbordamento do vírus e consequente infecção pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados por contato com saliva ou urina dos morcegos ou, mais raramente, por contato direto entre pessoas ou com superfícies contaminadas. Esses morcegos, considerados os hospedeiros naturais do vírus Nipah, não estão presentes no Brasil.  

O coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli, explica que as espécies hospedeiras ocorrem na Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões da África. “Não existem raposas-voadoras no Brasil e nem nas Américas. Além disso, não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies que ocorrem aqui no Brasil”, comentou.

O especialista destaca ainda que “os morcegos desempenham importantes serviços ecossistêmicos como dispersores de sementes, polinizadores, predadores de insetos que são pragas agrícolas ou vetores de agentes infecciosos que causam doenças em humanos e animais e, como qualquer outro grupo animal, têm importante papel na manutenção de ecossistemas”.  

O fluxo operacional e os protocolos de diagnóstico para o vírus Nipah foram alinhados pela Fundação e pelo MS em caráter preventivo. O planejamento estratégico, que assegura a disponibilidade de kits diagnósticos em eventual necessidade, foi validado junto à Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB).

Fonte _ FioCruz

Ministério da Saúde inicia transição de tratamento de diabetes no SUS com ampliação do uso de insulina mais moderna

 


O Ministério da Saúde iniciou o processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no SUS. A iniciativa representa um avanço histórico para o cuidado de pessoas que vivem com Diabete Melito no Brasil e amplia as opções terapêuticas na rede pública de saúde. É um medicamento mais moderno, de ação prolongada, que facilita a rotina dos pacientes.  

O projeto-piloto será realizado inicialmente no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, contemplando crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase.

“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso é parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”, reforça. 

A glargina é uma insulina de ação prolongada – de até 24 horas, facilitando a manutenção dos níveis de glicose – e de aplicação única no dia. A transição será feita de forma gradual, a partir da avaliação de cada paciente. Nos quatro estados, o Ministério da Saúde está promovendo treinamento para auxiliar os profissionais de saúde da Atenção Primária. Após os primeiros meses, será feita uma avaliação dos resultados para construção de um cronograma de expansão para os demais estados do país.

O tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250, para dois meses, na rede privada. A ampliação da sua oferta no SUS está alinhada às melhores práticas internacionais.

Desenvolvimento tecnológico e autonomia do SUS

A expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, com a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a chinesa Gan & Lee. A iniciativa prevê a transferência desta tecnologia para o Brasil, reforçando o compromisso do atual governo com o fortalecimento da soberania nacional na produção de medicamentos, vacinas e demais insumos de saúde.

Em 2025, por meio desta parceria, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é chegar ao final de 2026 com capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para o abastecimento do SUS.

A autonomia na produção de insulina é fundamental diante de cenário de escassez global deste insumo. Além da parceria para produção de insulina glargina, o Ministério da Saúde promoveu também parceria para a fabricação nacional da insulina NPH e regular, em frascos e tubetes. A parceria envolve a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm. A transferência de tecnologia entre as empresas já teve início, com contrato que prevê a produção e entrega de 8 milhões de unidades até 2026. Dessas, quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.

Monitoramento contínuo na rede pública

A transição é resultado do Grupo de Trabalho da Insulina, implementado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2025, que realizou diversos estudos para oferecer mudanças e melhorias na insulinoterapia do SUS, considerando o cenário de restrição global na produção de insulina NPH e regular.

A escolha dos territórios considerou critérios de representatividade regional e capacidade de implementação, permitindo a avaliação de diferentes realidades do país.

Todo o processo de transição será acompanhado pelo Ministério da Saúde por meio de monitoramento contínuo de dados e capacitações das equipes das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. As formações iniciais, realizadas em parceria com a Fiocruz e a Biomm, abordam o uso adequado das canetas aplicadoras de insulina e a administração correta do medicamento.

Os treinamentos iniciaram no dia 27 de janeiro e devem encerrar até meados de fevereiro. Ao final deste ciclo, as equipes de saúde, diretamente envolvidas na condução da transição, estarão aptas para iniciar o processo em seus territórios.

SUS oferta tratamento integral aos pacientes com diabetes 

O SUS garante assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico, e monitoramento até o tratamento, conforme o quadro clínico de cada paciente. A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada e o responsável pelo acompanhamento contínuo realizado por equipes multiprofissionais. Atualmente, são ofertados quatro tipos de insulina: humanas NPH e Regular, e análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas e Opas emite alerta

 


O aumento na quantidade de casos de sarampo no continente americano fez a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) emitir um alerta para os países. O número cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025.

O comunicado do escritório regional da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que os números da doença em 2025 e no começo de 2026 são um indicativo de que os Estados precisam agir imediatamente e de maneira coordenada.

Segundo a Opas, em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo nas Américas, incluindo 29 óbitos –dos quais 22 (73%) ocorreram na população indígena. "Esse total representa um aumento de 32 vezes em comparação com os 466 casos notificados em 2024", afirma a organização. Em 2026, já são mais de 1.031 casos.

O ano de 2025 teve o maior número de casos confirmados desde 2019, quando foi registrado o maior número dos últimos 22 anos, com 23.269 registros.

"A Opas insta os Estados Membros a reforçarem, com caráter prioritário, as atividades de vigilância e vacinação de rotina e a garantirem uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos", diz trecho do alerta epidemiológico.

A organização também indica aos Estados atividades complementares de vacinação, isto é, além das que já são desenvolvidas rotineiramente.

Diversos países das Américas têm reportado aumento de casos de sarampo, uma doença que já foi considerada extinta. O aumento das infecções é resultado na queda de imunização, um movimento a nível global que ganhou força a partir de 2019, com a pandemia de Covid.

Autoridades de saúde do continente adotam diferentes estratégias para tentar elevar os percentuais de vacinação. A província de Mendoza, na Argentina, é um exemplo. Denunciou 15 pessoas por não vacinarem seus filhos, o que é obrigatório por lei naquele país. A cidade de São Paulo registrou dois casos de sarampo no ano passado.

A Opas afirma que o aumento de casos confirmados em 2025 é puxado por comunidades com baixa aceitação vacinal em vários países. A faixa etária mais atingida é de 10 a 19 anos, respondendo por 24% do total.

No Brasil foram confirmados 38 casos, distribuídos por seis estados e Distrito Federal. Dez foram contraídos fora do país.

Os casos foram confirmados em Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Maranhão (1) e Distrito Federal (1).

Casos de sarampo em países americanos

Nos Estados Unidos, a situação é epidêmica, com um surto na Carolina do Sul que já ultrapassa 600 casos. O surto, o pior do país em mais de 30 anos, acontece em meio à desconfiança pública com as vacinas, movimento encabeçado pelo grupo político de Donald Trump.

Fonte _ Folha/SP

Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS

 


A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo. 

Até agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

“A chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan, Eolo Morandi.

No Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia (4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.

Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas, segundo o boletim mais recente da organização.

"A chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.

Como diferenciar a dengue da chikungunya? 

A chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da chikungunya.

“A chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.

O nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia, que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela primeira vez na Tailândia em 1958.

“Em alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de vida”, afirma o gestor médico.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.

A preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes. Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão, obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.

“Quando o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses. Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.

Apesar de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece, pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.

Quem corre mais risco de complicações?

A chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é característico dessa fase da vida.

Estudos também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos-  têm maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas associações sejam confirmadas.

“As mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.

O impacto do clima no aumento de casos

As mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.

Enquanto no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes albopictus

Vacinação pode conter surtos futuros

Justamente pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se mostra cada vez mais necessária.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. 

“O objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”, afirma Eolo Morandi.

Prevenção continua sendo essencial

Enquanto a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial para evitar surtos.

“A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito. O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.

Para evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle do mosquito.

Fonte _ Butantan

Estudo apresenta panorama do surto histórico de dengue em 2024

 


O surto de dengue que atingiu Minas Gerais em 2024 impôs pressão inédita aos serviços de saúde. Foi nesse contexto que pesquisadores da Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal de Minas (UFMG), conduziram um estudo que hoje funciona como um retrato detalhado da epidemia, reunindo dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos de pacientes hospitalizados. Publicada no Journal of Medical Virology, a pesquisa acompanhou 556 pacientes internados no Hospital Eduardo de Menezes, referência em doenças infecciosas no estado, entre os meses de março e maio de 2024. Desse total, 169 pacientes tiveram dados clínicos e laboratoriais completos analisados de forma detalhada.

Os pesquisadores da Fiocruz Minas conseguiram responder quais sorotipos estavam circulando, quem eram os pacientes mais graves, quais exames ajudavam a prever complicações e, principalmente, se os casos atendidos no hospital refletiam o que acontecia na população em geral. “Era uma preocupação nossa entender melhor esse quadro. E a gente viu que os pacientes do hospital espelhavam exatamente o que estava circulando em Belo Horizonte e na região metropolitana”, explica o pesquisador Pedro Augusto Alves, um dos coordenadores do estudo. 

As análises confirmaram a ampla predominância do vírus dengue tipo 1 (DENV-1), responsável por 86% das infecções identificadas. O tipo 2 respondeu por 12% dos casos e o tipo 3 apareceu de forma residual. A proporção praticamente coincidiu com a observada em estudos de vigilância realizados com a Prefeitura de Belo Horizonte, envolvendo pacientes que não chegaram a ser internados, um indicativo de que a coorte hospitalar refletia com fidelidade o cenário epidemiológico do território. “Podia ser que a internação estivesse mais associada a um sorotipo específico, diferente do que estivesse predominante. Mas não. A proporção era praticamente a mesma: 86% de dengue 1, 12% de dengue 2 e alguns casos de dengue 3”, relata Pedro. 

Do ponto de vista laboratorial, cerca de 60% dos casos confirmados foram detectados por métodos moleculares, como PCR. O número é considerado expressivo porque muitos pacientes já chegavam ao hospital com vários dias de sintomas, quando a carga viral e, consequentemente a chance de detecção, tende a cair.

Já a sorologia, exame que detecta o nível de anticorpos, mostrou que 78% dos pacientes apresentavam IgM positivo, um tipo de anticorpo compatível com infecção recente, e 92% tinham IgG, que indica contato prévio com o vírus. “O IgG alto mostra que a maioria absoluta já tinha tido dengue antes. Ou seja, estávamos lidando principalmente com segunda ou terceira infecção, não com primo-infecção”, explica o pesquisador. Esse dado ajuda a entender a dinâmica do surto e reforça a complexidade imunológica envolvida em epidemias sucessivas.

Outro importante resultado do estudo foi a indicação da trombocitopenia, que é a queda no número de plaquetas, como marcador clínico de gravidade. A equipe conseguiu acompanhar esse indicador ao longo dos dias de internação, produzindo informações úteis para a prática médica.

“A queda no número de plaquetas era um dos sinais mais considerados para definir pela necessidade de internação. Durante uns oito dias você via a queda, depois entre o oitavo e o décimo dia começava a melhorar. Mas tinha um grupo que não se recuperava e ficava internado por mais tempo”, conta Pedro. Segundo ele, esse indicador ajudou a diferenciar pacientes com evolução mais favorável daqueles com risco maior de complicações, como extravasamento de plasma e choque. “Acompanhar a trombocitopenia ao longo da internação é importante para entender quem pode evoluir para casos mais graves”.

O estudo também observou tendência de quadros mais severos associados ao sorotipo 2, algo já descrito na literatura científica. “Na literatura existem relatos de dengue 2 relacionado a doença mais grave. O nosso trabalho reforça essa preocupação”, diz. “Se esse sorotipo aumentar de circulação numa população já sensibilizada pelo dengue 1, pode haver mais casos graves”.

Diagnóstico em meio à crise

Além de gerar conhecimento científico, a pesquisa teve impacto direto na assistência. O estudo começou quase como uma operação emergencial. Com a explosão de casos, o hospital recebia diariamente pacientes com sinais de alarme, mas muitos testes rápidos davam negativo. Isso criava insegurança clínica: era dengue mesmo ou outra doença? “O hospital ficou numa situação meio no escuro”, lembra Pedro. “Entravam muitos pacientes com sintomatologia típica, mas sem confirmação”.

Como os testes rápidos têm menor sensibilidade, especialmente após vários dias de sintomas, muitos resultados eram falsos negativos. “A primeira resposta nossa foi diagnóstico. Ajudar o hospital a entender se aquilo tudo era dengue mesmo”. Com a combinação de PCR e sorologia, o grupo conseguiu oferecer respostas mais precisas, reduzindo incertezas e apoiando a tomada de decisão médica. “Essa junção das duas tecnologias foi fundamental. O hospital passou a entender melhor quem era o paciente que estava internando”, afirma o pesquisador.

Realizar uma investigação dessa magnitude durante uma epidemia exigiu mobilização institucional. Segundo Pedro, o trabalho só foi possível graças a parcerias já estabelecidas com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o Hospital Eduardo de Menezes, a UFMG e o laboratório de vigilância da Fiocruz Minas, o Vigilab. O laboratório dispõe de equipamentos automatizados que permitem processar grande volume de amostras rapidamente, algo essencial em surtos.

“Sem o Vigilab, esse estudo não teria sido viabilizado. A gente só consegue processar esse número de amostras por conta do sistema automatizado. Em grandes epidemias, é impossível diagnosticar todo mundo. Mas a vigilância bem estruturada consegue dar respostas rápidas para o sistema”, destaca.

O trabalho também abriu caminho para novas pesquisas, especialmente na área de vigilância genômica. Parte dos vírus já foi sequenciada para identificar não apenas o sorotipo, mas genótipos e linhagens específicas, informações importantes para rastrear a evolução do vírus e comparar a circulação entre regiões. “Não é só dengue 1, 2 ou 3. Dentro de cada sorotipo existem linhagens diferentes”, explica. “Isso ajuda a entender como o vírus está evoluindo localmente e como se relaciona com o de outros estados”.

Esses dados também alimentam bancos históricos que permitirão análises futuras. “Pode ser que em 2035 alguém queira comparar um dengue 2 com o que sequenciamos agora. Se a gente não sequenciar hoje, essa informação se perde”. O sequenciamento é realizado no âmbito da Rede Genômica Fiocruz, criada durante a pandemia de Covid-19 e hoje ampliada para outros vírus. A Fiocruz Minas é uma das que mais sequenciam arbovírus no país.

Legado

Além de descrever o passado recente, o estudo deixa lições para o enfrentamento das próximas epidemias, pois demonstra a importância de integrar assistência hospitalar, diagnóstico laboratorial, vigilância epidemiológica e pesquisa científica, além de reforçar a necessidade de preparação contínua. “Foi uma força-tarefa gigantesca, mas mostrou que a gente consegue dar respostas rápidas quando existe estrutura e parceria”, avalia Pedro.

Com a perspectiva de ampliação da vacinação e a circulação dinâmica de sorotipos, como o reemergente dengue 2, o monitoramento constante será cada vez mais estratégico. “O cenário ainda é de muita incerteza. Por isso, esses dados são fundamentais para orientar decisões clínicas e de saúde pública”, ressalta o pesquisador.

Fonte _ FioCruz

SUS passa a oferecer imunobiológico para proteger bebês e crianças com comorbidades contra a bronquiolite

 


O Ministério da Saúde iniciou a oferta no SUS do nirsevimabe, anticorpo que garante proteção imediata contra o vírus sincicial respiratório, principal causa de bronquiolite e de internações em bebês. A estratégia é voltada a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades. Com 300 mil doses distribuídas, todos os estados estão abastecidos para o início imediato da aplicação. 

Diferentemente da vacina tradicional, o nirsevimabe é um anticorpo pronto que atua logo após a administração, sem a necessidade de estimular o organismo a desenvolver resposta imunológica ao longo do tempo. A incorporação do imunizante complementa as estratégias já adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês. 

Em dezembro, o Ministério da Saúde disponibilizou no SUS, de forma inédita, a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, estratégia que protege o bebê ainda durante a gravidez. Desde o início da vacinação, mais de 1 milhão de doses foram disponibilizadas, com cerca de 425 mil aplicações realizadas até o momento. 

Com a ampliação das estratégias de prevenção, o Ministério da Saúde se antecipa ao pico sazonal da bronquiolite, que ocorre a partir de março, e garante proteção, prevenção e cuidado integral às crianças, contribuindo para a redução de casos graves e de hospitalizações. 

Quem pode receber o imunizante? 

O nirsevimabe é destinado a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas: cardiopatia congênitabroncodisplasiaimunocomprometimento grave, síndrome de Downfibrose cística, doença neuromuscularanomalias congênitas das vias aéreas. 

Por que a oferta pelo SUS é fundamental 

O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. 

Em 2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratórios de importância em saúde pública. Desse total, 43.946 casos (36,6%) foram diagnosticados como vírus sincicial respiratório (VSR). Entre os casos de VSR, mais de 36.218 hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos, o que corresponde a 82,5% dos registros no período.

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Esporotricose humana entra na lista de notificação compulsória no Brasil

 


A esporotricose humana entrou na lista de notificação compulsória do Ministério da Saúde. A medida vigora desde o dia 23 de janeiro.

Conhecida no passado como "doença do jardineiro", a infecção é causada por fungos do gênero Sporothrix, presentes no solo, em plantas, madeira e matéria orgânica em decomposição, o que explica o nome popular. Ela também pode ser transmitida por pets, como os gatos. Esse meio de transmissão é hoje o principal no Brasil.

A regra ocorre após pequenos surtos urbanos da doença no país. Em 2023, um alerta da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) classificou a transmissão como descontrolada. Segundo o Ministério da Saúde, a obrigatoriedade de notificação auxilia no rastreamento da doença para o controle das infecções e no planejamento de ações conjuntas entre a saúde e o controle de zoonoses.

Em humanos, a doença costuma se manifestar como um nódulo ou ferida na pele, que pode evoluir ao longo dos vasos linfáticos e formar uma sequência de lesões. Elas não têm uma forma específica e exigem biópsia para um diagnóstico preciso, segundo a dermatologista Christiana Blattner, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Na maioria dos casos, a infecção fica restrita à pele e ao tecido subcutâneo, camada imediatamente abaixo da superfície do corpo. A doença, contudo, pode se tornar mais grave em pessoas com a imunidade comprometida, atingindo outros órgãos, como pulmões, ossos, articulações e até o sistema nervoso central. Essa forma ocorre principalmente em pacientes com HIVcâncer, uso prolongado de corticoides ou transplantados, e pode causar infecções graves e dores intensas.

"É bem raro, mas, se ocorrer, o problema pode se agravar. Daí a necessidade do diagnóstico precoce", explica a médica.

Já nos animais, especialmente nos gatos, a doença tende a ser mais agressiva, com múltiplas feridas abertas, secreção abundante e maior capacidade de transmissão. A médica destaca que os animais, assim como os humanos, são vítimas da infecção, e não responsáveis. Assim, devem receber os mesmos critérios de precaução dispensados às pessoas.

"O fungo está na terra, nas plantas; o gato não é o hospedeiro vilão, mas sim vítima", explica Christiana. Pela facilidade de contato com o fungo, há risco de infecção em ambientes de lazer, como parques e praias, mas é possível se prevenir sem pânico.

"Usar calçado, luvas e blusas de manga comprida ao manusear plantas e árvores, por exemplo, é uma forma de evitar o contato com o fungo", diz a médica. A infecção, ela destaca, ocorre quando há um trauma na pele, como um arranhão em espinhos, ou uma mordida do pet.

"É bom lembrar que jardineiros e profissionais que trabalham com animais devem usar equipamentos de proteção para evitar os riscos. Trata-se de uma doença que não mata, mas causa lesões importantes", explica Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis.

Para Furtado, a notificação compulsória auxilia no controle de focos. "Com a notificação, verificam-se os locais de infecção, entende-se como as pessoas adquiriram a doença e se existem animais infectados. Com isso, é possível orientar a prevenção a partir do perfil dos infectados."

"A notificação também revela a quantidade de casos no Brasil, faz barulho, dá visibilidade à doença e ajuda na conscientização", diz Christiana.

O tratamento para a esporotricose é feito com antifúngicos, principalmente o itraconazol, por períodos que podem variar de semanas a meses, dependendo da gravidade e da resposta do paciente. Tanto em humanos quanto em animais, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e reduzir a disseminação da doença.

Fonte _ Folha/SP