quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Revolução Acreana, história escrita com coragem



O Acre celebra nesta quinta-feira (6) os 124 anos do início da Revolução Acreana, conflito que mudou os rumos da história da região e abriu caminho para a incorporação do território ao Brasil.

A data faz referência ao ataque comandado por Plácido de Castro contra a Intendência Boliviana, em Xapuri, considerado o marco da fase decisiva da guerra que terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

Embora o confronto tenha começado oficialmente em 6 de agosto de 1902, a disputa pelo território vinha se desenhando havia décadas. Até o fim do século XIX, a área pertencia à Bolívia, mas passou a ser ocupada por milhares de migrantes nordestinos que fugiam da seca e encontraram na extração do látex uma oportunidade de trabalho durante o auge do ciclo da borracha.

A intensa presença de brasileiros em uma área oficialmente boliviana aumentou as tensões entre os dois países. Em 1899, ocorreu a primeira grande insurreição, liderada pelo jornalista e diplomata espanhol Luís Gálvez Rodríguez de Arias, que proclamou a República Independente do Acre.

O governo, porém, durou pouco mais de três meses, já que o Exército Brasileiro interveio para cumprir o Tratado de Ayacucho, firmado em 1867, que reconhecia a soberania boliviana sobre a região.

Nos anos seguintes, outras tentativas de resistência foram organizadas até que, em 1902, os seringalistas decidiram convocar o ex-militar gaúcho Plácido de Castro para liderar uma nova ofensiva.

O objetivo era impedir o fortalecimento da administração boliviana e barrar a instalação do Bolivian Syndicate, empresa anglo-americana que havia recebido do governo da Bolívia o direito de explorar economicamente a região.

'Não é guerra, é revolução!'

Na madrugada de 6 de agosto de 1902, Plácido de Castro e um pequeno grupo de revolucionários invadiram a Intendência Boliviana em Xapuri, prenderam militares e deram início à quarta e última fase da Guerra do Acre.

A escolha da data não foi por acaso. Segundo historiadores, o ataque estava inicialmente previsto para julho, mas precisou ser adiado devido ao atraso na chegada das armas. A nova data coincidiu com as comemorações da Independência da Bolívia, estratégia que ajudou a surpreender as tropas bolivianas durante a ofensiva.

Os combates se estenderam por cerca de seis meses e terminaram, militarmente, em janeiro de 1903, após a vitória das forças acreanas. A incorporação definitiva do território ao Brasil, no entanto, só foi oficializada meses depois, em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

O acordo foi negociado pelo Barão do Rio Branco e garantiu ao Brasil a posse do Acre mediante compensações financeiras e territoriais à Bolívia. Até hoje, não há consenso sobre o número de mortos no conflito, mas estimativas apontam que ao menos 500 pessoas perderam a vida durante a guerra.


Legado e debates

Passados 124 anos, a Revolução Acreana continua sendo um dos principais marcos da identidade do estado. A data é celebrada anualmente com programação no bairro Seis de Agosto, em Rio Branco, um dos mais antigos da capital e que recebeu esse nome justamente em homenagem ao início do conflito.

Em 2025, a festa passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município, garantindo proteção às manifestações culturais, desfiles cívicos, jogos tradicionais e demais expressões que preservam a memória da revolução e da formação da comunidade local.

Além das comemorações, a história da Revolução Acreana segue despertando debates entre pesquisadores.

Novos estudos propõem revisões da narrativa tradicional e questionam, por exemplo, o uso da própria expressão "Revolução Acreana", defendendo que o processo de nacionalização do território foi mais complexo do que a versão heroica difundida ao longo do século XX.

Ainda assim, o movimento liderado por Plácido de Castro permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história do Acre e um símbolo da formação do estado brasileiro.

Fonte _ G1

Campanha Municipal de Multivacinação 2026

 


A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, deu início, na última segunda-feira (03), à Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até o dia 1º de setembro.

A mobilização tem como objetivo atualizar a caderneta de vacinação e ampliar a proteção da população contra doenças imunopreveníveis.

Fonte _ CZS

Campanha Nacional de Multivacinação 2026

 


A Campanha Nacional de Multivacinação começa nesta segunda-feira (3) com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos em todo o país.

A mobilização segue até 1º de setembro e terá um Dia D nacional em 22 de agosto para ampliar a cobertura vacinal e alcançar quem está com doses em atraso.

A estratégia prevê que profissionais de saúde avaliem a situação vacinal de cada criança e adolescente e apliquem, na mesma visita, todas as vacinas indicadas conforme a idade.

A campanha não tem uma única vacina como foco, mas busca recuperar esquemas incompletos do Calendário Nacional de Vacinação.

➡️Entre os imunizantes que poderão ser oferecidos estão as vacinas contra:

  • Poliomielite
  • Sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral)
  • Difteria, tétano e coqueluche
  • Hepatites A e B
  • Rotavírus
  • Meningites
  • Febre amarela
  • HPV
  • Dengue – nos municípios onde ela integra o calendário
  • Influenza
  • Covid-19

A oferta vai depender da idade da criança ou adolescente e das doses já registradas na caderneta.

Segundo o Ministério da Saúde, a campanha faz parte do esforço para recuperar as coberturas vacinais após a queda observada nos últimos anos.

O documento que orienta a estratégia destaca que, apesar da melhora dos índices desde 2023, ainda há diferenças importantes entre estados e municípios, o que mantém diversas pessoas suscetíveis a doenças preveníveis por vacinação.

Para ampliar o alcance da campanha, estados e municípios poderão adotar ações como vacinação em escolas, unidades móveis, horários estendidos nas salas de vacina e busca ativa de crianças e adolescentes com esquemas incompletos.

Vacinação contra o sarampo ampliada em SP

Além da estratégia nacional, o Ministério da Saúde recomendou que Guarulhos, São Bernardo do Campo e o município de São Paulo ampliem a vacinação contra o sarampo para todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos durante a campanha de multivacinação.

A medida foi adotada após a identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas localidades.

Em 2026, o Brasil confirmou 17 casos de sarampo, dos quais 14 seguem em acompanhamento no estado de São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 11 na capital.

Segundo o ministério, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas aos estados e municípios neste ano, e cerca de 2,9 milhões de doses foram aplicadas.

A pasta também reforça a recomendação da chamada "dose zero" para crianças de 6 a 11 meses em locais com circulação do vírus.

O Ministério da Saúde ressalta que manter a caderneta de vacinação atualizada é a principal forma de prevenir o sarampo e evitar a reintrodução da doença no país.

Fonte _ G1

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Os riscos de dormir pouco e por que algumas pessoas precisam de menos horas de sono

 


Muitas pessoas convivem com dificuldades para dormir ao longo da vida. Às vezes, a percepção de uma noite mal dormida é apenas uma sensação; em outras, ela é reforçada por dados fornecidos por dispositivos de monitoramento.

Paradoxalmente, a tecnologia criada para ajudar a acompanhar o sono também pode aumentar a preocupação com ele. Alertas constantes sobre horário de dormir e avaliações negativas da qualidade do sono podem elevar os níveis de ansiedade, acelerar os batimentos cardíacos e dificultar ainda mais o adormecer.

Mesmo assim, nem sempre uma noite considerada ruim pelos indicadores se traduz em cansaço ou prejuízo no dia seguinte. Muitas vezes, a percepção do sono e o funcionamento real do organismo não coincidem completamente.

"Quando você está privado de sono, seu julgamento piora", afirma Catia Reis, pesquisadora do sono da Universidade de Lisboa, em conversa com a DW.

Dormir mais tempo aos fins de semana, mesmo quando nos sentimos bem durante a semana, é um sinal claro de déficit acumulado de sono, diz ela.

O que a ciência sabe sobre quem precisa de poucas horas de sono

Catia Reis estuda diferentes condições relacionadas ao sono, incluindo os efeitos do jet lag (desconforto físico e mental causado por viagens entre fusos horários diferentes, geralmente em voos longo) e da privação de sono em atletas.

Em uma de suas pesquisas, ela comparou os níveis de sonolência de pacientes com apneia do sono, condição em que a respiração para repetidamente durante a noite, com os níveis de sonolência de pessoas que trabalham em turnos.

A pesquisadora confrontou avaliações subjetivas feitas pelos próprios participantes da pesquisa e os testes clínicos objetivos aplicados por ela.

Ela identificou uma discrepância intrigante: quanto mais sonolentas as pessoas estavam, menos capazes se tornavam de avaliar com precisão o próprio nível de sonolência. Em outras palavras, o cérebro deixa de funcionar adequadamente. E isso é preocupante, já que ele desempenha um papel central no sono.

Enquanto dormimos, o organismo realiza diversas funções de recuperação. Ele elimina toxinas absorvidas pelos alimentos e pelo ambiente, restaura energia e consolida processos essenciais para a aprendizagem e a memória.

"O sono envolve muitas partes do cérebro", afirma Ying-Hui Fu, pesquisadora do sono da Universidade da Califórnia em San Francisco. "Quase todas as doenças cerebrais, incluindo as neurológicas e psiquiátricas, podem estar associadas a problemas de sono."

Em média, uma pessoa precisa de 7,5 a 8,5 horas de sono por noite.

Ainda assim, de tempos em tempos surgem relatos de pessoas que se orgulham de dormir poucas horas por noite, como se isso demonstrasse dedicação extrema ao trabalho. Um exemplo recente é o da primeira-ministra do JapãoSanae Takaichi, que afirmou dormir entre zero e três horas por noite desde que assumiu o cargo.

No entanto, mesmo que a privação crônica de sono seja voluntária ou resultado de um hábito, não se trata de uma estratégia saudável no longo prazo.

No melhor dos cenários, um déficit prolongado de sono pode levar ao acúmulo de toxinas no organismo, aumentando o risco de doenças cardíacas e cerebrais. No pior, pode ser fatal.

"Existem apenas duas coisas mais importantes para a nossa saúde do que o sono", diz Fu à DW. "Uma é o ar. Sem ar, morremos em poucos minutos. A outra é a água. Sem água, morremos em poucos dias. Sem comida, conseguimos viver por meses. Mas sem sono provavelmente sobreviveríamos apenas algumas semanas."

E isso vale para todos os animais, acrescenta ela. "Se não dormimos, morremos."

A exceção: quem naturalmente dorme pouco

Existem, porém, exceções. Algumas pessoas conseguem dormir menos de seis horas por noite e não apenas se sentem bem como realmente apresentam boa saúde, disposição e qualidade de vida. São os chamados "dormidores naturais de curta duração" (natural short sleepers).

Pesquisadores acreditam que essas pessoas tenham variações genéticas que lhes permitem prosperar com menos horas de sono. Fu cita o caso de uma pessoa de 80 anos com essa característica que continuava competindo em provas de triatlo.

Em 2009, o laboratório de Fu identificou a primeira dessas variações, no gene DEC2. Dez anos depois, os pesquisadores publicaram um estudo sugerindo uma ligação entre a síndrome do sono curto natural e o gene ADRB1. Posteriormente, outras variantes genéticas associadas ao fenômeno foram encontradas nos genes NPSR1, GRM1 e SIK3, entre outros, que ainda estão sendo investigados.

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Os cientistas preferem falar em "variações" genéticas, não em "mutações", já que o segundo termo costuma estar associado a efeitos negativos para a saúde. Até o momento, o sono natural de curta duração não parece trazer os mesmos riscos observados em pessoas que dormem pouco por hábito ou porque sofrem de privação de sono.

As funções desses genes são variadas. DEC2 ajuda a regular a duração dos ciclos de sono e vigília; ADRB1 participa da sinalização cardíaca e neuronal; NPSR1 contribui para regular estados de alerta e ansiedade; GRM1 está ligado ao funcionamento cerebral e pode ter relação com a depressão; e SIK3 participa da regulação celular, metabólica e inflamatória. Cada uma dessas descobertas exigiu anos de pesquisa.

"Cada indivíduo possui entre 500 e mil variações exclusivas em seu genoma. Identificar qual delas realmente causa determinado efeito é extremamente difícil", explica Fu.

Sono melhor impacta a humanidade

O número de pessoas identificadas como "dormidoras naturais de curta duração" ainda é pequeno. Mesmo assim, Fu diz acreditar que o fenômeno seja mais comum do que estudos atuais indicam.

Grande parte das descobertas da pesquisadora se baseia em famílias que compartilham a mesma variação genética. O motivo é metodológico: se vários parentes apresentam a mesma alteração genética e todos permanecem saudáveis dormindo apenas entre quatro e seis horas por noite, há uma forte indicação de que aquela variação esteja relacionada ao fenômeno. Ainda assim, a pesquisa está apenas começando.

"Sabemos que essas pessoas têm melhor desempenho e são mais saudáveis. A explicação mais lógica é que a qualidade do sono delas é superior", diz Fu.

Catia Reis também pede cautela. Para ela, ainda existem poucos estudos sobre os chamados "dormidores naturais de curta duração".

"Quando avaliamos pessoas que dormem pouco por hábito e aumentamos seu tempo de sono, percebemos que elas melhoram seu desempenho", afirma. "O problema é que ainda não temos estudos de longo prazo suficientes com os dormidores naturais."

Fu concorda. Mas ressalta que obter financiamento para esse tipo de pesquisa continua um desafio.

"Meu objetivo é ajudar todas as pessoas a terem um sono de qualidade. Porque, se conseguirmos isso, a incidência de todas as doenças diminuirá", diz. "Todo o espectro de doenças seria reduzido. Você consegue imaginar o impacto disso para a humanidade?"

Fonte _ Folha/SP

Folha e Umane renovam parceria para cobertura de Saúde Pública

 

Médico atende paciente na UBS Vila Caiuba, em Perus, na zona norte de São Paulo - Jardiel Carvalho - 10.abr.26/Folhapress


Folha renova a parceria com a associação Umane para mais uma temporada do Projeto Saúde Pública, iniciado em 2023. O objetivo é mostrar como a população brasileira está sendo atendida no SUS (Sistema Único de Saúde) e quais são os avanços e os desafios da rede pública.

Reportagens e entrevistas sobre diferentes temas, como índices de vacinação e incorporação de novas tecnologias, são publicadas semanalmente no site e no jornal impresso.

A Umane é uma associação civil sem fins lucrativos que impulsiona programas para melhorar a saúde pública no país. Seu repertório de ações inclui iniciativas para o fortalecimento da atenção primária, da saúde materno-infantil e da atenção integral às doenças crônicas e fatores de risco.

Estabelecer laços com iniciativas da sociedade civil para produção de conteúdo editorial reforça a atenção do jornal à expertise de agentes que atuam como fonte de informação para assuntos de interesse público. São exemplos, além do Saúde Pública, os núcleos Vida Pública e Folha Estudantes.

Sob o guarda-chuva da parceria, a Folha já publicou reportagens sobre temas como a explosão de cursos de enfermagem a distância no Brasil, que alerta para a qualidade de formação da principal força de trabalho do SUS; a evasão do pré-natal entre gestantes, com maior incidência entre as que vivem nas regiões Norte e Nordeste do país; e a estreia da primeira formulação pediátrica de tafenoquina para o tratamento da malária na Amazônia – antecipada em primeira mão pelo jornal, em março.

No último ano, foram produzidas ainda séries que abordam os gargalos para tratamento de doenças crônicas no SUS e os desafios do envelhecimento da população para a saúde pública.

Para Thaís Junqueira, superintendente-geral da Umane, a parceria fortalece a cobertura de saúde pautada pelo rigor técnico e pelas evidências científicas.

"Fortalecer o debate público sobre saúde requer disseminar cada vez mais informações de qualidade e baseadas em evidências. Fomentar o Projeto Saúde Pública, da Folha, tem sido uma forma de contribuir para que temas da saúde pública ganhem mais visibilidade, profundidade e espaço qualificado. Iniciativas de jornalismo independente e com rigor científico são fundamentais para ampliar a conscientização da sociedade, estimular a prevenção de doenças e estimular decisões mais informadas", afirma.

Fonte_ Folha/SP

Expoacre 2026 - 5ª noite de exposição

 




Semana Mundial da Amamentação

 


Na Semana Mundial da Amamentação, o tema convida à reflexão sobre a importância e os benefícios do leite materno para a mulher, a criança e a sociedade.


A amamentação é recomendada desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais, sendo de forma exclusiva até os seis meses.


Além de fornecer os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento saudáveis da criança, o aleitamento materno também contribui para a proteção contra doenças e infecções.


Cada experiência é única e, diante de dúvidas ou dificuldades, a orientação de profissionais de saúde pode fazer a diferença.


Saiba mais em gov.br/saúde



terça-feira, 4 de agosto de 2026

Veja como funciona e como obter vitamina C

 


Esta é a edição da newsletter Cuide-se. Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se abaixo: Cuide-se

Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

Após falarmos por aqui sobre a vitamina D, chegou a vez da vitamina C.

Também conhecida como ácido ascórbico, ela desempenha múltiplas funções atuando desde a proteção celular até a estruturação de tecidos. Suas ações incluem:

  • Contribuir para a integridade do epitélio respiratório, que funciona como uma das primeiras linhas de defesa contra microrganismos;
  • Estimular a produção de anticorpos;
  • Participar da produção de colágeno, proteína que fornece suporte estrutural para os tecidos do corpo humano;
  • Atuar com ação antioxidante contra os radicais livres;
  • Aumentar a absorção de ferro pelo organismo.

E como obter vitamina C? A alimentação é a principal e mais recomendada forma de obter esse nutriente.

Entre as fontes estão frutas cítricas e tropicais, como laranja, limão, kiwi, abacaxi, acerola e morango, que podem ser consumidas in natura ou em sucos.

Qual é a quantidade necessária? Pequenas porções diárias são suficientes; uma única laranja ou de uma a duas porções de frutas variadas já atendem, diz Celso Cukier, nutrólogo do Einstein Hospital Israelita.

"Diferentemente das vitaminas lipossolúveis, a vitamina C é hidrossolúvel. Portanto, os excessos tendem a ser eliminados, com pouca retenção pelo organismo. Por isso, o consumo diário ou quase diário é vantajoso para repor essas necessidades, já que ela não fica armazenada no corpo", explica Cukier.

Tem que suplementar? Apenas para situações específicas e sob orientação profissional

É recomendada quando há deficiência confirmada laboratorialmente ou risco nutricional real, como em casos de má absorção intestinal ou grandes restrições alimentares.

Em excesso faz maldecorrente de suplementação sem orientação médica, pode ser prejudicial à saúde por diversos motivos, que vão desde desconfortos gastrointestinais até riscos graves para os rins e o sangue.

É verdade que a vitamina C

é essencial para a pele? Sim, ela participa da manutenção da estrutura, da proteção e da pigmentação do tecido cutâneo.

"A falta de vitamina C causa um impacto na firmeza e na estrutura da pele porque ela é obrigatória na hidroxilação do colágeno, uma etapa essencial para a formação dessa proteína. Com a deficiência, há um comprometimento da maturação e da estabilidade do colágeno", explica a médica Marcelle Nogueira, dermatologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Presente em cremes e séruns, ela também tem ação antioxidante, ajuda a neutralizar os radicais livres produzidos pela radiação ultravioleta, diz Nogueira.

pode melhorar manchas na pele? Sim, quando utilizada em produtos dermatológicos, a vitamina C pode auxiliar na redução da hiperpigmentação e do melasma.

Segundo Nogueira, isso ocorre por meio da inibição, de forma dose dependente da tirosinase, uma enzima importante para a melanogênese, processo de produção de melanina na pele.

Além disso, outra etapa importante nesse processo é a acidificação intramelanocítica, que reduz a atividade dessa enzima dentro dos melanócitos, as células responsáveis pela produção do pigmento.

...protege contra o envelhecimento da pele? Contribui, mas não é capaz de resolver sozinho todos os efeitos do envelhecimento cutâneo.

Segundo Nogueira, podem ser necessários outros procedimentos dermatológicos e ativos tópicos associados na formulação para potencializar os resultados e ajudar a vitamina C a exercer esse efeito ao longo do tempo.

previne resfriados e gripe? Não, apesar do seu papel na resposta imunológica, estudos demonstraram que a vitamina C não reduz o risco de resfriados na população, diz Ekaterini Goudouris, coordenadora do departamento científico de Erros Inatos da Imunidade da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

De acordo com Goudouris, o consumo regular do nutriente pode diminuir de forma discreta a duração dos episódios de resfriado. No entanto, iniciar a suplementação apenas depois do surgimento dos sintomas também não apresenta benefícios comprovados.

O que mais você precisa saber

Notícias sobre saúde e bem-estar

Drenagem linfática deixa a pele mais saudável? Não há evidência de que melhore a pele a longo prazo, mas a técnica pode promover relaxamento e aumentar o fluxo sanguíneo, o que pode oferecer alguma redução do inchaço facial.

Quando frutas e legumes ainda são seguros para comer? Um morango mofado compromete toda a porção, e cenouras murchas devem ser evitadas. Os prazos de validade e o ambiente em que os produtos são armazenados costumam ser indicadores úteis.

Fonte _ Folha/SP

Anvisa pode aprovar mais oito canetas emagrecedoras e o combate aos produtos do Paraguai

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pode aprovar mais oito canetas emagrecedoras até o fim de 2026 e aposta no aumento da concorrência para reduzir preços, ampliar o acesso da população aos medicamentos e enfraquecer o mercado ilegal.

Das 24 canetas incluídas no edital de priorização publicado em agosto do ano passado, seis já receberam registro e cinco tiveram os pedidos negados.

Atualmente, outros 13 pedidos seguem em análise. Um deles deve ter a avaliação concluída ainda neste mês e, segundo a Anvisa, apresenta boas perspectivas de aprovação. Outros sete processos, cuja análise começou neste semestre, devem ser concluídos até dezembro.

Cinco pedidos adicionais ainda aguardam o início da avaliação e devem entrar na fila nos próximos meses ou no início de 2027.

As informações foram apresentadas pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, e os diretores da agência durante encontro com jornalistas nesta terça-feira (4).

Para acelerar as análises, a Anvisa adotou um modelo de avaliação otimizada, no qual equipes técnicas analisam simultaneamente diferentes pedidos de registro, aumentando a produtividade sem abrir mão do rigor técnico.

Safatle afirmou que o Brasil possui atualmente o maior número de canetas emagrecedoras regularizadas entre as principais agências reguladoras internacionais.

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Ação coletiva desafia Anvisa e pede importação de canetas emagrecedoras paraguaias

 Na avaliação do diretor-presidente, o aumento do número de fabricantes autorizados deve ampliar a oferta e reduzir os preços.

"Quando você amplia a concorrência, gera novos entrantes regularizados, com produtos cuja eficácia, segurança e qualidade foram avaliadas pela Anvisa. Isso tende a reduzir os preços, ampliar o acesso e ocupar boa parte do espaço hoje explorado pelo mercado irregular", afirmou.

A regularização também é vista pela agência como uma estratégia para combater o contrabando e a comercialização de produtos sem registro.

Cerco ao mercado ilegal

Paralelamente ao aumento da oferta de medicamentos regularizados, a Anvisa afirma ter reforçado a fiscalização sobre farmácias de manipulação, distribuidoras e importadores de insumos farmacêuticos ativos utilizados na produção dessas substâncias.

A principal preocupação, segundo Safatle, são as canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai.

Como a Folha mostrou, influenciadores, ex-BBBs, atrizes e cantores brasileiros usaram o Instagram para promover laboratórios paraguaios e canetas emagrecedoras sem registro na Anvisa. No entanto, não há nenhum pedido de análise e nem aprovação pela agência reguladora brasileira.

Segundo a agência, muitos desses produtos entram no Brasil sem qualquer controle sanitário e são transportados em condições inadequadas de conservação, inclusive escondidos dentro de pneus de veículos, sem refrigeração.

Além disso, Safatle aponta que há nesse mercado canetas com concentrações incorretas do princípio ativo ou impurezas capazes de causar danos graves à saúde. Ele pontuou que há registros de pacientes internados em unidades de terapia intensiva após utilizarem esses produtos irregulares.

A avaliação da agência é que a forma mais eficaz de reduzir esse mercado é ampliar a disponibilidade de medicamentos registrados, com preços mais acessíveis, mantendo ao mesmo tempo operações de fiscalização em parceria com a Polícia Federal, a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

Segundo Safatle, resoluções recentes publicadas pela Anvisa também fortaleceram a atuação dos órgãos de fiscalização nas fronteiras, permitindo ações mais rigorosas contra produtos sem registro.

Como parte dessa estratégia, a Anvisa está em fase final de negociação para assinar um novo memorando de entendimento com a autoridade sanitária do Paraguai.

O acordo prevê intercâmbio permanente de informações, dados e experiências para facilitar a identificação de produtos irregulares e monitorar os medicamentos comercializados na região de fronteira.

Segundo a agência, a cooperação permitirá identificar com maior rapidez produtos autorizados apenas no Paraguai, mas não possuem registro no Brasil, além de medicamentos que sequer foram lançados oficialmente no mercado internacional, mas já circulam de forma ilegal.

Durante a conversa, a Anvisa divulgou ainda que colocou em prática um plano com 125 medidas voltadas à redução das filas de análise.

Foi criado um painel de monitoramento em tempo real para acompanhar diariamente os processos, permitindo ajustes rápidos na gestão das equipes.

Como resultado, a agência eliminou completamente os passivos de radiofármacos, produtos para diagnóstico in vitro e equipamentos médicos. Atualmente, resta apenas a fila de materiais de uso médico e ortopédico entre os dispositivos médicos.

A fila considerada mais desafiadora é a de medicamentos sintéticos. Safatle aponta que, antigamente, os produtos podiam ficar retidos em filas que duravam 3, 5 ou até 10 anos.

A meta é praticamente zerar todos os passivos históricos até dezembro deste ano ou até o primeiro trimestre de 2027, fazendo com que a agência passe a trabalhar apenas dentro dos prazos legais de análise.

Entre as iniciativas adotadas está a chamada missão registro, que deslocou cerca de 138 servidores de diferentes áreas para atuar exclusivamente na análise de processos de registro durante o segundo semestre.

A agência também recebeu reforço de aproximadamente 114 novos servidores aprovados em concurso público. Os novos servidores já ajudaram nas análises do segundo semestre, o que pode agilizar ainda mais a redução da fila.

Ainda assim, Safatle afirmou que o quadro continua reduzido, com cerca de 1.600 servidores. Ele avaliou que o número é pequeno se comparado a outras agências pelo mundo. Na Coreia do Sul, por exemplo, há aproximadamente 3.000 funcionários.

Pela primeira vez, segundo a Anvisa, o número de processos concluídos passou a superar o de novos pedidos protocolados, permitindo uma redução efetiva do estoque acumulado. A Anvisa, porém, não divulgou qual é o número de entradas.

Fonte _ Folha/SP

Por que o SUS não distribui nenhum tipo de caneta emagrecedora

 


SUS (Sistema Único de Saúde) não adota nenhum tipo de caneta emagrecedora no tratamento da obesidade. Não há, ao menos por ora, previsão para que esses medicamentos, considerados um importante avanço contra a doença, sejam incorporados à rede pública.

Ministério da Saúde diz, em nota, que o tema tem sido uma das prioridades da pasta nos últimos meses.

Especialistas ouvidos pela DW afirmam que o SUS tem um histórico de dificuldades na adoção de políticas públicas contra a obesidade. Enquanto isso, a doença tem aumentado em ritmo acelerado no país.

Dados divulgados neste ano pelo Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 25,7% dos adultos brasileiros enfrentavam um quadro de obesidade em 2024. Em 2006, o índice era de 11,8%.

O SUS atualmente disponibiliza poucas alternativas para tratar o problema. Não há nenhum medicamento contra a doença. A principal possibilidade é a cirurgia bariátrica, na qual pacientes costumam esperar por anos na fila até conseguir passar pelo procedimento.

Com o avanço da tecnologia das canetas emagrecedoras e os bons resultados relacionados a elas, o Ministério da Saúde tem avaliado incorporar esses remédios à rede pública. Mas o custo elevado dos tratamentos é um obstáculo.

No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou dois pedidos de adoção de medicamentos usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade: a liraglutida, encontrada em remédios como Saxenda e Victoza, e a semaglutida, usada em remédios como Wegovy e Ozempic.

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Os dois pedidos, porém, foram negados. O Ministério da Saúde considerou que esses medicamentos trariam um alto impacto orçamentário, acima de R$ 8 bilhões.

Quebra de patentes facilita adoção pelo SUS

A situação ficou mais favorável a partir de março deste ano, quando a patente da semaglutida expirou. O fim da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk abriu caminho para que empresas brasileiras possam fabricar suas versões dos remédios a um custo menor.

Com isso, o Ministério da Saúde pediu prioridade à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no registro de medicamentos com os princípios ativos dos agonistas de GLP-1, semaglutida e liraglutida, esta última com patente expirada no final de 2024.

Nos últimos meses, a Anvisa recebeu 18 pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida. Em junho, as farmácias receberam a primeira caneta emagrecedora brasileira feita com o princípio ativo, a Ozivy, produzida pelo laboratório EMS.

Nesta quarta-feira (29), a Anvisa aprovou os registros de outros cinco novos medicamentos à base de semaglutida. Foram aprovados Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy; Seemasun, da Sun Farmacêutica; e Owozy, da Ávita Care. Não há detalhes sobre o período em que esses produtos passarão a ser comercializados, muito menos os preços deles.

"Com a entrada de genéricos no mercado e o aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa, sendo esse um fator determinante para a análise de uma possível incorporação ao SUS", disse o Ministério da Saúde em nota à DW.

Já a tirzepatida (Mounjaro), medicamento mais moderno, que simula os hormônios intestinais GLP-1 e o GIP, continua com os valores altos e não faz parte dos planos do SUS. Os tratamentos com esse princípio ativo, que só deve perder a patente daqui a cerca de uma década, partem de R$ 1,5 mil e chegam a R$ 3 mil por mês.

Mais perto do que nunca

No fim de junho, o Ministério da Saúde começou um projeto-piloto em um hospital de Porto Alegre (RS) para ajudar a pasta nas decisões referentes ao uso de medicamentos com semaglutida no SUS.

Esse estudo, chamado Real-Bari, reúne 250 pacientes com obesidade grave, que passaram a receber gratuitamente o tratamento com canetas emagrecedoras. Essas pessoas foram escolhidas porque estão na fila para a bariátrica e precisam emagrecer para fazer a cirurgia.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do programa é avaliar "como o tratamento pode se adaptar à realidade do SUS e o custo relacionado ao uso da terapia".

O país nunca esteve tão perto de ter um medicamento contra a obesidade incorporado ao SUS, avaliam especialistas que há anos acompanham a situação do tratamento contra a doença.

"Com a quebra de patente da semaglutida e a queda drástica de preço, eu estou otimista. Então, espero que agora, em algum momento, eles aprovem [o uso de medicamentos contra a obesidade no SUS]. De repente, agora é a oportunidade para isso, porque a situação atual está muito ruim", diz a endocrinologista Maria Edna de Melo, do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP.

"A semaglutida já chegou a custar cerca de R$ 1,4 mil. Hoje, com a quebra da patente, consegue comprar em promoção por cerca de R$ 330, com o similar. É uma grande diferença em comparação ao que já foi", afirma a médica, que é membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Em junho, a Novo Nordisk, que fabrica Ozempic e Wegovy, apresentou à Conitec um novo pedido de inclusão da semaglutida no SUS. Dessa vez, com desconto de 59% no valor de referência.

Na nova proposta, a empresa limitou o acesso ao medicamento a pacientes com mais de 45 anos, sem diagnóstico de diabetes, com obesidade grave e histórico de infarto. A empresa decidiu restringir a proposta após a negativa do ano passado, que era para um público amplo e foi considerada uma medida de custos elevados.

"A abordagem busca direcionar o tratamento para uma população de maior risco clínico e maior impacto potencial para o sistema de saúde", diz nota da empresa.

Segundo a farmacêutica dinamarquesa, um estudo com a semaglutida mostrou que o medicamento reduziu em 20% o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida.

O período de avaliação e resposta da comissão sobre a proposta é de até 180 dias. Se a incorporação for aprovada, deve haver um processo de licitação.

Ainda que seja aprovada, o perfil dos pacientes pode ser revisto. "Isso ainda pode ser modulado pela Conitec, que pode dizer que identificou que um determinado perfil de paciente é mais adequado", explica Maria Edna.

Com a chegada de novos medicamentos com semaglutida no mercado brasileiro, a Conitec deve receber novas propostas de tratamento com canetas emagrecedoras.

Vai ter caneta emagrecedora para todo mundo no SUS?

Especialistas avaliam que, ao menos na fase inicial, o público que terá acesso a essas medicações será muito restrito. Apesar disso, a medida representará um passo fundamental para avançar no tratamento contra a obesidade no SUS.

"Esses medicamentos trazem benefícios adicionais, como redução da progressão da doença renal e redução de eventos cardiovasculares. Então, é realmente importante que a gente consiga ampliar cada vez mais o acesso para trazer esses benefícios a mais gente", argumenta o endocrinologista Paulo Miranda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SEBM).

"Esse tratamento também pode representar redução de custos do próprio sistema de saúde e da sociedade, como um todo, porque melhora a qualidade de vida e produtividade da pessoa", afirma Maria Edna.

O tratamento contra a obesidade, porém, não se restringe à medicação. Os especialistas frisam que é fundamental que o paciente receba acompanhamento nutricional e orientações sobre atividades físicas.

"A obesidade, assim como diabetes, é uma doença crônica e é necessário planejamento a longo prazo. E isso também exige atenção multiprofissional para que o paciente receba o tratamento adequado", diz Miranda.

Fonte _ Folha/SP