quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vacina contra herpes-zóster é associada a menor risco de demência em idosos

 


A vacinação contra o vírus herpes-zóster em idosos pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver demência, sugere um novo estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine, liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos.

O vírus é o mesmo causador da varicela, ou catapora. Após a primeira infecção, normalmente na infância, ele permanece latente em gânglios do sistema nervoso por décadas. Em pessoas com baixa imunidade, o que inclui os idosos, ele pode "despertar". Ao caminhar pelo sistema nervoso periférico, causa o chamado "cobreiro", doença caracterizada por lesões na pele que provocam coceira, formação de bolhas e que pode levar a um quadro extremamente doloroso.

Mas o vírus também pode atingir o sistema nervoso central, provocando um processo inflamatório crônico que pode causar danos ao cérebro. "O processo inflamatório crônico somado ao envelhecimento compromete o mecanismo de reparação após uma agressão", explica o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita. "Estudos sugerem que esse vírus está associado não só à demência, mas também a quadros vasculares, como acidente vascular cerebral [AVC]."

Segundo os autores do artigo, pesquisas observacionais anteriores sugerem que a vacina contra o herpes-zóster confere proteção ao cérebro. Na tentativa de elucidar essa associação, eles simularam um estudo randomizado usando dados de pacientes que passaram por clínicas ou instituições após alguma condição de saúde ou passaram por longas internações entre os anos de 2017 e 2022.

Foram avaliados registros de mais de 500 mil indivíduos com mais de 66 anos, sem diagnóstico inicial de demência. Ao comparar informações dos que haviam recebido pelo menos uma dose da vacina e daqueles não imunizados, os pesquisadores constataram queda no risco de desenvolver demência entre os vacinados.

Oliveira ressalta que o estudo tem limitações metodológicas, por exemplo, o fato de utilizar registros que podem conter imprecisões sobre os diagnósticos, bem como o grande número de pacientes na amostra total que não puderam ser avaliados. "Ainda assim, há um grande potencial de a vacina ter esse efeito protetor", avalia o neurologista.

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A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação contra o herpes-zóster de rotina para todos os adultos a partir dos 50 anos, mesmo para os que já desenvolveram a doença. Por enquanto, a vacina só está disponível na rede privada.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe: quatro estados apresentam incidência de SRAG com tendência de aumento

 


Divulgado nesta quinta-feira (24/9), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz constata que, no cenário nacional, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mantêm sinal de queda na tendência de longo prazo, (últimas semanas) e de estabilização ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas três semanas). Mas quatro unidades da Federação (UF) - Acre, Maranhão, Rio Grande do Sul e Sergipe - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento na até a Semana Epidemiológica (SE) 37.

O estudo destaca também que cinco UF - Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina - apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. A atualização é referente à SE 37, período de 13 a 19 de setembro.

Os pesquisadores do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Cientifica da Fiocruz, esclarecem que o aumento de SRAG nesses estados está associado, em grande parte, ao rinovírus e, em Sergipe e no Rio Grande do Sul, também ao metapneumovírus. Ambos atingindo especialmente crianças e adolescentes. O estudo aponta também para um incremento de SRAG por Covid-19 no Acre e sinal de retomada do crescimento da influenza B no Rio Grande do Sul.

Segundo os pesquisadores, para as pessoas que moram nas unidades com aumento de SRAG é fundamental manter etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz com lenço de papel ou com o braço ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência e manter distância de pessoas com sintomas de gripe ou resfriado. Para quem está com sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é ficar em casa em isolamento, mas se não for possível, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara. Por fim, é fundamental manter a vacinação em dia.

Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR seguem em queda ou estáveis em níveis baixos de incidência na maior parte do país. Apenas em Roraima os casos de SRAG por VSR estão em um patamar ainda elevado de incidência, apesar da tendência de queda. Em relação à Covid-19, há um leve aumento dos casos graves no Acre, porém em níveis ainda baixos de incidência.

O InfoGripe constatou que 2 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 37: Porto Alegre e Rio Branco.


Dados epidemiológicos

No quadro nacional, o cenário atual aponta que os casos notificados de SRAG mostram queda na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de estabilização ou oscilação` na tendência de curto prazo (últimas três semanas).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi 3,9% de influenza A, 6,7% de influenza B, 20,4% de vírus sincicial respiratório (VSR), 51,6% de rinovírus e 3,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 13,5% de influenza A, 12,8% de influenza B, 24,1% de VSR, 33,8% de rinovírus e 9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

No ano epidemiológico 2026, até o momento já foram notificados 154.358 casos de SRAG, sendo 83.260 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 55.256 (35,8%) negativos, e ao menos 7.101 (4,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos, observou-se 16,7% de influenza A, 5,5% de influenza B, 40,8% de vírus sincicial respiratório, 31,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade temos o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e rinovírus. Por outro lado, a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o VSR, rinovírus e influenza A.

Em 2026, já foram registrados 6.866 óbitos de SRAG, sendo 3.190 (46,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 3.008 (43,8%) negativos, e ao menos 113 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 35,1% de influenza A, 9,3% de influenza B, 16,5% de vírus sincicial respiratório, 23% de rinovírus e 13,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). 

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz

Ministério da Saúde protocola na Conitec pedido de análise para incorporação de canetas emagrecedoras no SUS

 


Ministério da Saúde protocolou, nesta quinta-feira (24), na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), pedido de análise para a incorporação ao SUS das chamadas canetas emagrecedoras (GLP-1). A medida representa mais um passo da pasta, que, desde 2025, articula com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a mobilização de empresas nacionais e internacionais interessadas em registrar análogos de GLP-1, além de incentivar estudos sobre eficácia.

Em ofício encaminhado à Conitec, a proposta prevê a avaliação da oferta desses medicamentos para o tratamento de pacientes com obesidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que a prevalência da condição no Brasil passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024, aumentando a necessidade de acompanhamento e tratamento por longos períodos, com impactos na mortalidade, na qualidade de vida, na produtividade e nos gastos do sistema de saúde.

O Ministério da Saúde destaca que a iniciativa tem respaldo na primeira diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso, em escala populacional, de terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento da obesidade a longo prazo, publicada no final de 2025. A medida é complementar às estratégias já adotadas pelas políticas vigentes.

A OMS enfatiza a importância do acesso equitativo às terapias com GLP-1 e da preparação dos sistemas de saúde para seu uso. A organização entende que sem políticas deliberadas, o acesso a essas terapias pode exacerbar as disparidades de saúde existentes. E apela para ações urgentes em relação à produção, à acessibilidade e à prontidão dos sistemas de saúde globais.

O documento entregue pelo Ministério da Saúde também aponta redução de 70% nos preços desses produtos no Brasil em menos de um ano, com a ampliação da concorrência. Nesse contexto, a pasta solicita que a Conitec avalie a incorporação ao SUS de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida, princípios ativos sem proteção de patente.

Até o momento, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026, fruto direto da estratégia de fomento do Ministério e da Anvisa, incluindo versões produzidas nacionalmente e medicamentos genéricos. E novos registros ainda são esperados. A ampliação da concorrência fez do Brasil o país com a maior variedade do produto no mundo e derrubou os preços no varejo. 

Estudos em andamento

O Ministério da Saúde, por meio do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), também conduz estudos que avaliam o uso desse tipo de medicamento em pacientes do SUS com obesidade.

A eventual incorporação ao SUS deverá estabelecer os critérios clínicos para acesso ao tratamento, concentrando a utilização nos pacientes em que o controle da obesidade possa produzir benefícios relevantes para a saúde e reduzir complicações ou a necessidade de procedimentos de maior complexidade.

Fonte _ Saúde.gov

Presidente do TSE anuncia que e-Título poderá ser baixado inclusive nos dias de votação

 


Nas eleições deste ano, o aplicativo e-Título poderá ser baixado no dia da votação, tanto no 1º quanto no 2º turno. O anúncio foi feito pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na sessão plenária desta quinta-feira (24). Também haverá concentração de esforços para garantir o funcionamento estável do aplicativo. 

Segundo o ministro, a infraestrutura aprimorada permitirá a emissão do e-Título. Além de permitir a emissão do título de eleitor e de certidões eleitorais, a justificativa da ausência às urnas e a inscrição como mesário voluntário, a nova versão do aplicativo reúne mais serviços em um único ambiente, como a quitação de débitos por Pix ou cartão. A inovação também permite que a Justiça Eleitoral se comunique diretamente com o eleitorado por meio de notificações no celular. 

“Quanto mais serviços digitais oferecemos, maior é a nossa responsabilidade de garantir que eles estejam disponíveis quando o eleitorado deles precisar. Nossa equipe manterá a sala de prontidão de hoje até que se ultimem as eleições no dia 25 de outubro, para que possamos acompanhar de perto o funcionamento do e-Título e para assegurarmos que os serviços digitais permaneçam disponíveis e estáveis", afirmou o presidente do TSE.

A estratégia adotada para as Eleições 2026 considera o aumento expressivo dos acessos ao aplicativo nos dias de votação.


Espaço e-Título

Kassio Nunes Marques também anunciou a criação do Espaço e-Título no subsolo do TSE, uma estrutura física que irá acomodar as equipes responsáveis pelos aplicativos utilizados pela Justiça Eleitoral. 

“A ideia é concentrar as equipes técnicas e permitir uma rápida identificação de algum eventual problema, uma responsividade maior, tudo no sentido de prover um serviço cada vez melhor para a eleitora e para o eleitor brasileiros”, explicou o secretário de Tecnologia da Informação (STI), Júlio Valente.

O espaço contará com profissionais das áreas técnica, de negócio, de suporte, banco de dados e segurança. “Criamos um espaço onde ficam fornecedores, empresas, servidores, unidades técnicas e negociais responsáveis pelo e-Título. A gente consegue, de maneira mais tempestiva, resolver qualquer problema e monitorar os indicadores de utilização do serviço", ressaltou a coordenadora de Arquitetura, Identificação e Inovação (Coai/STI), Grace Porto. 

Já a assessora-chefe de Gestão de Identificação (AGI), Marília Loyola, destacou a importância da iniciativa adotada pelo Tribunal. “Hoje o aplicativo é utilizado por mais de 60 milhões de pessoas, então ele demanda uma equipe que seja rápida e que a gente tenha respostas eficientes para conseguir atender o eleitorado”, pontuou.  


Download e primeiro acesso 

Em eleições anteriores, o download e o primeiro acesso ao e-Título eram interrompidos no dia do pleito como medida preventiva para reduzir a sobrecarga do sistema. A medida permitia priorizar o funcionamento do aplicativo para eleitoras e eleitores que já haviam realizado o primeiro acesso e ativado a ferramenta. 

Neste ano, o trabalho de preparação e monitoramento da infraestrutura tem como objetivo evitar a necessidade dessa interrupção. 

A Justiça Eleitoral, no entanto, recomenda que eleitoras e eleitores baixem o e-Título e realizem a ativação com antecedência. A orientação contribui para reduzir a demanda concentrada e permite conferir previamente as funcionalidades e os dados disponíveis no aplicativo. 

Quem tem biometria cadastrada e fotografia digital poderá utilizar o e-Título como documento oficial de identificação na hora de votar. O 1º turno será realizado em 4 de outubro e o 2º turno, onde houver, no dia 25 do mesmo mês.

Fonte _ TSE

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Faz mal tomar remédio fora do horário? Atrasar antibióticos e medicamentos de uso contínuo pode prejudicar tratamento

 


Esquecer de tomar um remédio na hora certa, vez ou outra, é normal. Às vezes, lembramos da dose só no dia seguinte. Alguns medicamentos de uso contínuo, no entanto, exigem um cuidado maior, e tomá-los todos os dias no mesmo horário faz diferença.

Seguir o planejado é importante para manter níveis adequados do princípio ativo no organismo ao longo do dia, afirmam especialistas. A posologia —ou seja, de quanto em quanto tempo a dose é tomada— ajuda o medicamento a alcançar o efeito esperado com segurança, explica a farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da coordenação técnica do CFF (Conselho Federal de Farmácia).

O intervalo entre as doses considera quanto tempo a substância age no organismo e como é eliminada, diz Saavedra. Há medicamentos de liberação mais rápida, que exigem maior frequência, e de liberação prolongada, que liberam o princípio ativo aos poucos e permitem intervalos maiores, ela completa.

Tire dúvidas sobre horários para tomar remédios

O que acontece se eu esquecer de tomar o remédio?

Quais remédios devem ser tomados sempre no mesmo horário?

O que eu faço se esquecer?

Posso antecipar a dose?

Existe um horário ideal?

Posso tomar vários medicamentos no mesmo horário?

O que fazer para não esquecer a dose?

 

Por isso, alguns remédios precisam de maior pontualidade. Entre eles, estão imunossupressores, anticonvulsivantes, antibióticos, anticoncepcionais, alguns medicamentos psiquiátricos e para arritmias cardíacas.

Toda medicação para tratar uma doença grave deve seguir um rigor com o horário, afirma Paulo Abrão, presidente da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia). Atrasos ou perdas de doses podem levar à falha do tratamento, diz.

A pontualidade melhora a adesão ao tratamento e reduz oscilações que podem provocar perda de eficácia, efeitos adversos ou sintomas de descontinuação, explica Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

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O que acontece se eu esquecer de tomar o remédio?

O atraso ou esquecimento pode reduzir a concentração do medicamento no organismo e, consequentemente, diminuir seu efeito, explicam os especialistas. O impacto varia conforme o remédio e o esquema prescrito.

No caso de antidepressivos e outros fármacos psiquiátricos, o atraso pode causar reaparecimento de sintomas, oscilações clínicas ou sintomas de descontinuação, como náusea e insônia, explica Silva.

Não é que o remédio precise ser tomado exatamente no mesmo minuto. Os especialistas dizem que não existe uma margem de esquecimento igual para todos os fármacos. "Em muitos casos, uma pequena variação de minutos ou até uma hora não compromete o tratamento, mas isso depende das características do medicamento, da formulação, frequência das doses e condições do paciente", diz Silva.

Por isso, o mais seguro é manter o horário o mais próximo possível do estabelecido. "Pequenos atrasos podem ter pouca importância para alguns tratamentos; para outros, a regularidade é mais importante", observa Saavedra.

Quais remédios devem ser tomados sempre no mesmo horário?

Entre os medicamentos que exigem um cumprimento rigoroso, Silva cita aqueles com menor duração de ação. No transtorno de pânico, por exemplo, a crise pode se instalar rapidamente, e nem sempre há tempo suficiente para que o remédio produza efeito, ele explica.

Abrão lista os anticonvulsivantes, cujo atraso pode causar crises ep ilépticas, e os imunossupressores —se não forem tomados corretamente em transplantes de rim, por exemplo, podem causar rejeição do órgão, afirma.

No caso de antibióticos, respeitar o intervalo ajuda o tratamento a funcionar corretamente, explica Saavedra. O atraso pode tornar infecções resistentes e mais graves, acrescenta Abrão.

A regularidade dos anticoncepcionais também é fundamental, afirma a ginecologista Grazielly Teles, especialista em terapias hormonais. O ideal é tomar todos os dias num horário semelhante, pois isso ajuda a manter a regularidade do uso e evita esquecimentos, diz ela.

Um pequeno atraso não significa, necessariamente, perda da eficácia, observa a médica. A margem de segurança, no entanto, varia segundo a pílula. As combinadas, que contêm estrogênio e progestagênio, têm tolerância maior. Um atraso isolado inferior a 48 horas geralmente não exige o uso de um método contraceptivo adicional, afirma.

"O problema é quando ocorrem esquecimentos consecutivos, porque a queda dos níveis hormonais pode permitir a retomada da atividade ovariana e aumentar o risco de ovulação", explica Telles. O rigor é maior com pílulas que contêm apenas progestagênio, pois algumas formulações têm janela de apenas algumas horas, completa.

O que eu faço se esquecer?

Os especialistas ressaltam que não existe uma regra única para todos os medicamentos quando a dose é esquecida. No geral, recomenda-se tomar assim que lembrar. Mas, se já estiver próximo do horário da dose seguinte, é indicado pular a esquecida e seguir com o esquema habitual, diz o presidente da ABP.

No caso de anticoncepcionais, a conduta deve considerar qual pílula é utilizada, quantos comprimidos foram esquecidos e em que momento da cartela isso aconteceu, diz Telles.

O intervalo considerado próximo varia conforme o fármaco e a prescrição. Por isso, deve-se seguir as orientações da bula ou do profissional que acompanha o tratamento. Os especialistas também reforçam que o paciente não deve duplicar ou compensar as doses.

Posso antecipar a dose?

Tampouco é indicado antecipar a dose. Antecipá-la ou tomar duas doses muito próximas pode aumentar a concentração do medicamento no organismo e, consequentemente, o risco de efeitos adversos ou até de toxicidade, afirmam os especialistas.

Eles reforçam que o paciente deve seguir a posologia e duração estabelecidas pelo médico, sem modificar ou interromper o tratamento por conta própria.

Existe um horário ideal?

Não existe um horário ideal para tomar medicamentos, pois cada um tem sua posologia. O melhor é aquele que respeita a orientação do fármaco e, ao mesmo tempo, se adapta à rotina do paciente, afirma Saavedra, do CFF.

A prescrição considera as características e os efeitos da substância. Medicamentos que causam sonolência costumam ser administrados à noite, e os que deixam a pessoa alerta, pela manhã.

Outros pontos devem ser observados, como se o fármaco deve ser ingerido com alimentos ou antes ou depois das refeições, diz a farmacêutica. Um horário fácil de lembrar todos os dias favorece o uso, completa.

Quando houver a necessidade de alteração, o mais seguro é conversar com o profissional que acompanha o tratamento, ela reforça.

Posso tomar vários medicamentos no mesmo horário?

Tomar vários remédios no mesmo horário é comum e não é necessariamente um problema, segundo Saavedra. Alguns medicamentos, porém, podem interagir entre si, prejudicar a absorção ou exigir intervalos específicos, diz Abrão, da SPI. A avaliação é individual e o paciente deve informar tudo o que utiliza.

O que fazer para não esquecer a dose?

Algumas estratégias simples podem ajudar a lembrar de tomar o remédio na hora certa. Abrão sugere programar alarmes no celular, usar aplicativos de lembrete ou deixar avisos em locais visíveis.

Também pode ser útil associar a atividades da rotina, como ao tomar café da manhã ou antes de dormir. Ele conclui: "O importante é criar uma rotina fácil de seguir e sem alterar os horários por conta própria".

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Desigualdade na cobertura vacinal contra HPV deixa jovens desprotegidos

 


A geógrafa paranaense Maria Júlia Pimenta era adolescente quando descobriu, em uma consulta de rotina com a ginecologista, que deveria ter tomado a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) anos antes. Até então, ela desconhecia a importância da imunização.

Hoje com 26 anos, Pimenta fez parte da primeira geração a ter acesso pela rede pública à vacina contra os quatro tipos mais comuns do HPV. O imunizante quadrivalente foi incorporado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em 2014. Mas ela descobriu isso aos 17 anos, quando já estava fora da faixa-alvo, que é dos 9 aos 14 anos.

Na consulta, a médica explicou a Pimenta que ela ainda poderia tomar a vacina nonavalente na rede particular. No entanto, são requeridas três doses desse fármaco, que protege contra os mesmos quatro tipos e outros cinco, também frequentes. O custo total de cerca de R$ 2.700 fez com que até hoje ela não tenha se imunizado.

O Ministério da Saúde estabelece a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV até 2030. O país está próximo do objetivo entre o público feminino (86,22% de adesão entre meninas de 9 a 14 anos em 2025), mas o índice cai para meninos da mesma faixa etária (74,55%).


A infecção pelo HPV se dá principalmente pelo contato sexual. É por esse motivo que o SUS determina que crianças e adolescentes sejam o alvo das campanhas. Nessa faixa etária, eles não tiveram exposição ao vírus e também têm uma melhor resposta imunológica.

A aplicação gratuita do imunizante fora dessa faixa etária se limita a casos específicos: pessoas imunossuprimidas de 9 a 45 anos; pessoas vivendo com HIV; transplantados; pacientes com câncer; usuários de PrEP (drogas antirretrovirais usadas antes da exposição ao HIV); vítimas de violência sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.

Reportagens sobre HPV

Projeto da 11ª turma do Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha discute desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas pelo vírus

Vacina contra o HPV é resultado de mais de 150 anos de pesquisas

Ciência busca novos tratamentos e exames para cânceres causados pelo HPV

Diagnóstico de HPV na gravidez assusta, mas riscos para bebê são baixos

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Vacinação nas escolas amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV

Distância, vergonha e medo são obstáculos para prevenir câncer cervical

Preconceito dificulta detecção de HPV em pessoas transgênero

Especial discute avanços e desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas pelo HPV

 

O HPV é responsável pela quase totalidade dos casos de câncer do colo do útero e também está associado a cânceres de pênis, ânus, vulva, vagina e orofaringe (região da garganta que fica entre o céu da boca e a glote). Mesmo assim, há desafios a vencer na conscientização sobre a importância da vacina.

Hesitação vacinal no Acre

Dados do Anuário VacinaBR 2025 mostram uma diferença acentuada entre as regiões Norte e Sul do país. Enquanto estados do Sul apresentam coberturas mais elevadas, a região Norte concentra alguns dos menores índices de vacinação.

A menor taxa é do Acre. Em 2024, a cobertura da primeira dose da vacina contra o HPV alcançou 61,1% das meninas no estado. No que mais vacinou, Paraná, a taxa foi de 113,1%.

Índices acima de 100%, como o do Paraná, ocorrem quando o número de vacinados supera a estimativa oficial do público-alvo para a região, porque a população cresceu e o dado não foi atualizado, ou porque entram na conta pessoas vindas de outras regiões.


Entre os meninos, a diferença foi ainda maior: 25,5% no Acre contra 85,4% no Espírito Santo, estado com maior taxa de vacinação entre meninos.

A baixa adesão no Acre pode estar relacionada ao medo. Nos anos de 2016 e 2017, adolescentes apresentaram quadros de desmaios, dores e convulsões após campanha de vacinação nas escolas do estado. Estudos concluíram que não foi a vacina, mas sim o estresse e o pânico que levaram aos sintomas físicos, um fenômeno chamado "reação psicogênica coletiva".

O diretor-executivo do Instituto Questão de Ciência, Paulo Almeida, criador do VacinaBR, acredita que a demora das autoridades acrianas em responder ao problema deu margem para a proliferação de teorias conspiratórias e grupos antivacina na região.

O pesquisador também aponta que alguns médicos manifestam descrença e se mostram receosos em recomendar o imunizante aos pais, intensificando o problema.

Para combater a desinformação —apontada pelo Ministério da Saúde como a principal força do movimento antivacina—, o governo federal retomou as campanhas de vacinação nas escolas.

Segundo Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, a iniciativa também conta com a parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância no Acre, a fim de mapear as particularidades locais e superar a hesitação vacinal.

Renda dos pais não eleva taxas

A educação ainda é o fator preponderante para elevar as taxas de imunização contra o HPV. Um estudo da ARO Einstein, braço de pesquisa do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, se debruçou sobre dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar para entender as dificuldades da cobertura.

Eles analisaram o cenário nacional após 2024, quando o Ministério da Saúde adotou o esquema de dose única, por entender que ela protegia crianças e adolescentes tão bem quanto duas doses.

Os pesquisadores não encontraram correlação imediata entre renda e taxa de imunização.

Um dado inesperado para a equipe foi encontrar números mais baixos entre meninas de estratos sociais mais elevados. Para Lucas Ferreira, coautor do estudo, isso pode ter a ver com a hesitação vacinal entre parcelas mais conservadoras, "que tendem a ter menor adesão [a vacinas em geral]".

Um dos achados do estudo desmente um temor comum entre os pais, o de que a imunização contra uma infecção sexualmente transmissível (IST) estimule o início precoce da vida sexual. "Entre as meninas vacinadas, a atividade começou até mais tarde", esclarece Henrique Fonseca, pesquisador-sênior do estudo e líder da unidade de estudos clínicos em imunologia e vacinas da ARO Einstein.

Essas meninas são também as que têm melhor grau de educação sexual, reforçando a importância de informar diretamente o adolescente.

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Câncer de colo do útero matou 20 mulheres por dia em 2025 no Brasil

Câncer de pênis causou 2.949 amputações do órgão nos últimos 5 anos

Brasil registrou quase 7 mil mortes por câncer de ânus na última década

 

Para atender aos jovens que perderam a vacinação na idade certa, o Ministério da Saúde prorrogou até dezembro de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o HPV. Agora, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram nenhuma dose podem procurar as unidades básicas de saúde próximas de casa para receber o imunizante gratuitamente pelo SUS.

Gatti explica que a prorrogação busca reverter a queda na cobertura vacinal ocorrida em 2021 e 2022. O Ministério descarta a ampliação de doses para maiores de 19 anos, focando o público de 9 a 14 anos por recomendação internacional, o que garante maior impacto coletivo na prevenção contra o câncer.

Esta reportagem foi produzida durante o 11º Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha, que teve apoio do Einstein Hospital Israelita e do Laboratório Roche.

Fonte _ Folha/SP

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Exame de sangue detecta câncer de pâncreas inicial em 87% dos casos

 


Um novo exame de sangue sintetizado por pesquisadores dos Estados Unidos identificou 86,8% dos casos de adenocarcinoma do pâncreas nos estágios 1 e 2, em um estudo internacional com 1.785 pessoas.

O teste, chamado Panxeon, combina uma assinatura de dez microRNAs encontrados no sangue com o marcador tumoral CA 19-9 para estimar o risco de câncer. Os resultados foram publicados na quarta-feira (16) na revista Nature Medicine.

A taxa de 86,8% corresponde à sensibilidade do teste —isto é, à proporção de pessoas que tinham câncer nos estágios iniciais e foram identificadas pelo exame. Portanto, o resultado não significa que 87% de todas as pessoas submetidas ao teste receberiam um diagnóstico correto de câncer.

O câncer de pâncreas é frequentemente diagnosticado em fases avançadas, quando as possibilidades de tratamento são mais restritas. Segundo os pesquisadores, atualmente não existe um exame de sangue clinicamente estabelecido capaz de detectar de forma confiável o adenocarcinoma ductal pancreático em estágio inicial.

O Panxeon foi desenvolvido justamente para combinar diferentes sinais biológicos relacionados à doença. Os pesquisadores analisaram dez microRNAs —pequenas moléculas de RNA envolvidas na regulação da atividade dos genes— e os integraram ao nível sanguíneo do CA 19-9.

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A partir dessas informações, um modelo computacional produz uma pontuação que estima a probabilidade de a pessoa ter câncer de pâncreas. O estudo também avaliou uma versão baseada apenas na assinatura de microRNAs. Nesse caso, a sensibilidade para câncer pancreático em estágio inicial foi de 83,8%, enquanto a área sob a curva ROC, medida usada para avaliar a capacidade de discriminação do teste, foi de 88,6% na coorte de teste.

A pesquisa foi prospectiva, multicêntrica e observacional e envolveu participantes de quatro países. Os pesquisadores dividiram os participantes em grupos para desenvolver, validar e testar a assinatura molecular.

Na etapa de teste, a combinação entre os microRNAs e o CA 19-9 apresentou sensibilidade de 86,8% para os tumores nos estágios 1 e 2. O desempenho, porém, variou conforme o grupo de pessoas sem câncer usado como comparação.

Entre indivíduos considerados de baixo risco, 3,2% tiveram um resultado falso positivo. Entre aqueles classificados como de alto risco, a taxa foi de 15,6%. Um falso positivo ocorre quando o exame indica a possibilidade de câncer em alguém que não tem a doença.

A diferença é relevante porque o objetivo do teste não seria necessariamente substituir exames de imagem ou confirmar sozinho um diagnóstico. Uma possibilidade, segundo os pesquisadores, é que ele seja usado para ajudar a identificar pessoas que precisam de uma investigação mais detalhada, especialmente aquelas que já apresentam fatores de risco para câncer pancreático.

Lesões pré-cancerosas

O estudo avaliou ainda pessoas com cistos pancreáticos considerados de alto risco. Nesse grupo, o Panxeon identificou 64,3% dos casos de displasia de alto grau, uma alteração que pode preceder o desenvolvimento de um câncer invasivo.

Alguns cistos do pâncreas precisam ser acompanhados de perto e, em determinadas situações, podem levar à indicação de procedimentos para evitar a evolução para câncer. Um exame de sangue poderia, no futuro, ajudar a selecionar quais pacientes precisam de uma investigação mais aprofundada.

Apesar da alta sensibilidade observada no estudo, o Panxeon ainda é experimental. Os próprios autores afirmam que são necessários estudos prospectivos de maior escala para determinar sua utilidade clínica.

A pesquisa também avaliou uma possível aplicação do marcador para acompanhar a evolução da doença. Em um grupo pequeno, de apenas 19 pacientes, os níveis da assinatura de microRNAs diminuíram durante a quimioterapia antes da cirurgia e após o procedimento. Eles voltaram a aumentar antes da ocorrência de uma recidiva. O achado é considerado exploratório devido ao número reduzido de pacientes.

Assim, o principal resultado do trabalho é a demonstração de que uma combinação de marcadores presentes no sangue conseguiu identificar quase nove em cada dez casos de adenocarcinoma pancreático em estágios 1 e 2 entre os participantes avaliados.

Fonte _ Folha/SP