sábado, 1 de agosto de 2026
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Combinação de gordura abdominal e falta de vitamina D mais que dobra risco de morte após 50 anos
Um
estudo envolvendo mais de 5,5 mil voluntários acima de 50 anos acendeu um
alerta: pessoas que têm obesidade
abdominal e deficiência
de vitamina D apresentam um risco de morte 123% maior do que
aquelas sem as duas condições. Os resultados do trabalho, publicados em maio na revista Diabetes, Obesity
and Metabolism, indicam que, embora cada condição já seja perigosa
isoladamente, juntas elas multiplicam o risco de mortalidade.
"A
obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associado à
inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em
vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando
essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra,
elevando ainda mais o risco de morte", explica Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de
Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador da
pesquisa.
"Por
isso, acompanhar os níveis de vitamina D e tratar o excesso de gordura
abdominal são medidas essenciais para evitar mortes prematuras, principalmente
após os 50 anos", acrescenta.
Realizada
em colaboração com cientistas da University College London (Reino Unido)
e financiada pela Fapesp, a pesquisa acompanhou
5.520 pessoas com 50 anos ou mais por seis anos. Os participantes integram o
English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos de
envelhecimento do mundo.
Os
dados coletados mostram que a deficiência de vitamina D (níveis abaixo de 30
nanomoles por litro de sangue) sozinha representa um risco maior do que a
obesidade abdominal isolada –definida como circunferência abdominal maior que
102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres.
Enquanto
ter apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47%, a deficiência
de vitamina D isolada pode elevar esse risco em até 81%. O estudo mostrou que,
quando as duas condições aparecem juntas, o risco de morte mais que dobra em
comparação àquelas pessoas que não apresentam nem obesidade abdominal e nem
deficiência de vitamina D.
De
acordo com Alexandre, as duas condições criam um ciclo vicioso. Isso porque a
gordura abdominal "sequestra" a vitamina D circulante e a armazena
nos adipócitos (células de gordura), impedindo que ela chegue ao sangue.
"Isso significa que, embora o corpo possa ter a vitamina guardada na
gordura, ela não está livre no sangue para realizar suas funções vitais em
outros órgãos e sistemas", diz.
Outro
fator importante é que pessoas com obesidade apresentam menor expressão de
enzimas necessárias ao metabolismo da vitamina, reduzindo ainda mais sua
disponibilidade. "A obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e
essa deficiência, por sua vez, prejudica o sistema imunológico, agravando a
inflamação crônica já causada pelo excesso de gordura e elevando drasticamente
o risco de mortalidade", explica Alexandre à Agência Fapesp.
Adiciona-se
ainda a esse quadro o fato de que o envelhecimento é marcado naturalmente por
um processo conhecido como inflammaging, um estado de inflamação crônica de
baixo grau. "Em condições normais, a vitamina D atua como reguladora do
sistema imunológico, impedindo que a inflamação se descontrole. Quando seus
níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, instala-se um ambiente
sistêmico desfavorável que acelera doenças cardiovasculares, metabólicas e a
perda muscular", ressalta.
Efeito
em cascata
O
estudo agora publicado é o último de uma série sobre o papel da vitamina D no
envelhecimento. "Em trabalhos anteriores, identificamos um efeito em
cascata. A deficiência de vitamina D acarreta perda de força, que implica
redução da velocidade de caminhada, gerando perda de autonomia e maior
dependência nas atividades diárias", conta Alexandre.
Além
disso, outro estudo do grupo mostrou que a deficiência de vitamina D também
aumenta o risco de declínio cognitivo.
"A
vitamina D é um hormônio com diversas funções. Ela participa da regulação da
pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema nervoso central, do
sistema imunológico e do sistema endócrino. Por isso, quando seus níveis estão
baixos, diversas funções essenciais do organismo ficam comprometidas",
diz.
O artigo Does the combination of abdominal obesity and
vitamin D deficiency increase the risk of death in individuals aged 50 or
older? Evidence from the ELSA study pode ser lido em: https://dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com/doi/10.1111/dom.70839.
Fonte _ Folha/SP
Dispositivos médicos devem ser recolhidos após inspeção da Anvisa
Após
inspeção das linhas de produção de fabricantes internacionais, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da
importação, distribuição, comércio e uso de alguns dispositivos médicos. Dentre
os produtos que devem ser recolhidos pelos detentores dos registros no Brasil
estão, por exemplo, soluções de preenchimento destinadas ao tratamento da
osteoartrite de joelho e ombro, conservantes de tecidos humanos e gases para
uso em oftalmologia. As medidas foram publicadas nesta quinta-feira
(30/07). Saiba quais são os produtos:
- Suprahyal One (lotes
a partir de 11/05/2026) e Suprahyal Duo (lotes a partir
de 11/05/2026) registrados pela empresa Adium S.A. (CNPJ:
55.980.684/0001-27) e fabricados pela empresa espanhola Meiji Pharma Spain
S.A.
- Cryo.On (todos os
lotes) - da empresa Biohealth Comércio e Importação de Equipamentos e
Produtos, Médicos Ltda (CNPJ: 32.014.717/0001-89), fabricado por AL.CHI.MI.A. S.R.L,
localizada em Padova, Itália.
Também
foram suspensos e deverão ser recolhidos os seguintes produtos
registrados pela empresa brasileira Grossmed Comercial de Produtos
Médicos Ltda. (CNPJ: 05.022.522/0001-08) e fabricados pela empresa italiana
AL.CHI.MI.A. S.R.L:
- Corneal
Chamber
- camara umida para córnea com eusol-c - (todos os lotes);
- Gis Kit para
gás
- (todos os lotes);
- Gás Got c3f8
multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
- Gás Got sf6
multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
- Gás Got sf6
multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
- Hpf
Perfluorocarbono - (todos os lotes);
- Rs-Oil - (todos os
lotes);
- Twin - (todos os
lotes);
- View Ilm - (todos os
lotes )
Vale
esclarecer que para ser comercializado no Brasil, qualquer dispositivo médico
que seja importado deve atender às exigências sanitárias brasileiras.
Acesse
a Resolução (RE) 2.953/2026, RE 2.955/2026 e RE 2.958/2026 no Diário Oficial da União (DOU).
Fonte _ Anvisa
Anvisa determina recolhimento de dispositivo dermatológico
Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta sexta-feira
(31/7) o recolhimento do dispositivo médico Leaf Plasma de Fusão,
fabricados a partir de 26/3/2026. No Brasil, o equipamento é importado
pela Kota Imports Ltda. (CNPJ: 00.325.031/0001-12).
Inspeção
de certificação na fabricante constatou a fabricação de produtos em desacordo
com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 665/2022. Com a
medida, o Leaf Plasma de Fusão não pode ser importado,
distribuído, vendido, divulgado ou utilizado.
Leia
a Resolução 2.982/2026 no Diário Oficial da União (DOU).
Fonte _ Anvisa
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Estudo revela marcadores celulares da mãe e do feto associados à pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia,
uma condição da placenta que afeta gestantes e bebês, é uma das complicações da
gravidez com maior incidência no mundo. Estima-se que de 3% a 8% de todas as
gestações desenvolvam pré-eclâmpsia, de acordo com a OMS (Organização
Mundial da Saúde),
com 46 mil mortes
maternas por ano e até 500 mil mortes de bebês pela doença.
No
entanto, mesmo sendo uma complicação comum,
suas causas não são bem entendidas. A pré-eclâmpsia parece afetar mulheres de
diferentes tipos e idades, embora a mortalidade
fetal e da mãe seja maior em mulheres negras e em países de baixa
ou média renda.
Por
ser tão heterogênea e envolver
fatores como condições prévias da gestante, idade gestacional e gravidez
de risco, bem como indicadores como acesso a tratamentos adequados de
saúde, estudos que busquem compreender as causas da pré-eclâmpsia
são dificultados.
Mas
uma nova pesquisa, publicada na última sexta-feira (24) na revista
Science Advances, avançou mais em direção aos possíveis mecanismos
materno fetais envolvidos na pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia severa, com
potencial para diagnóstico e possíveis terapias.
Coordenada
por Yara Sanchez-Corrales, bolsista de pesquisa computacional no Instituto de
Saúde Infantil da Universidade College de Londres (UCL) e colegas, a pesquisa
avaliou 20 pares materno-fetais entre as semanas 25 e 37 de gestação (6º a 9º
mês), sendo dez com pré-eclâmpsia inicial ou tardia e dez para o grupo
controle.
Elas
foram pareadas em um esquema de semelhança por idade gestacional, de forma que
cada gestante com a condição tivesse sua correspondente na exata semana
gestacional do grupo controle. Isto porque as mudanças hormonais, celulares e
teciduais envolvidas na gravidez mudam a cada semana.
As
pacientes foram recrutadas em hospitais do fundo fiduciário NHS Foundation
Trust, organização semi-autônoma que gerencia parte da rede hospitalar pública
britânica.
Selecionado
o grupo clínico, os pesquisadores analisaram amostras teciduais maternas e
fetais de quatro locais diferentes: membrana corioamniótica (CAM) e vilosidades
placentárias e placa basal (PVBP), tecidos associados ao feto (placenta); e
miométrio e células mononucleadas do sangue periférico (PBMC) maternas.
No
início da gravidez, algumas células placentárias, conhecidas como trofoblastos,
se diferenciam em trofoblastos sinciciais (células maduras), que vão entrar em
contato com o sangue da mãe, e trofoblastos das vilosidades externas (EVT), que
entram na parte mais externa do tecido uterino, remodelando a vascularização
sanguínea.
No
artigo, os cientistas afirmam que a pré-eclâmpsia está associada a uma baixa
invasão dos EVTs no útero, causando um defeito na remodelação vascular, o que
leva a estresse na placenta, isquemia e disfunção endotelial.
A
partir de análises de expressão gênica, sinalização celular e da interface
tecidual materno-fetal, o estudo conseguiu identificar também novos marcadores
celulares associados à forma mais grave da pré-eclâmpsia, dentre eles a hipóxia
(baixo oxigênio celular), a inflamação e a fibrose (cicatrização de tecido).
Outro
resultado diz respeito ao papel das células imunológicas da mãe, especialmente
nos casos de pré-eclâmpsia grave. Na pesquisa, foram identificados marcadores
proteicos de ativação do sistema imune, como interferons (IFN-1) e interleucina
6 (IL-6), que podem acabar produzindo uma resposta
inflamatória exacerbada. Além disso, o mecanismo de autorregulação de
componentes anti-inflamatórios, como das interleucinas e citocinas 6, estava
reduzido ou desativado.
Células
que devem atuar nesse controle, como os macrófagos (que fazem a apoptose
celular), apresentaram proliferação acentuada na fase inicial da pré-eclâmpsia
tanto no miométrio como na membrana corioamniótica, comportamento oposto ao
observado nos tecidos placentários, de acordo com os dados.
Isso
sugere que a morte dessas células na placenta provoca a fibrose, ao mesmo tempo
que leva ao aumento de macrófagos nos tecidos maternos para combater a
inflação. "Tais fenômenos marcam a perda da homeostase desses tecidos sob
a condição de pré-eclâmpsia grave", escrevem os autores.
Por
fim, a baixa adesão celular na barreira
materno-fetal e a inflamação
alterada no endotélio contribuem para o estágio
inicial da pré-eclâmpsia, afirmam os cientistas.
O
estudo, porém, tem limitações, conforme anotado pelos próprios autores, em
especial o baixo número de participantes (20) e a possibilidade de que algumas
células maiores não tenham sido identificadas nas análises de transcriptômica.
O uso da tecnologia em resoluções ainda menores (a nível subcelular, por
exemplo) pode ajudar a revelar novos marcadores da doença, escrevem.
Com
uma ampliação da coorte inicial, os pesquisadores corroboraram os achados por
meio da detecção dos marcadores usando uma técnica que busca fragmentos
proteicos de inflamação na fase inicial da doença. Segundo os autores, esse
achado pode abrir novos caminhos para exames
diagnósticos de pré-eclâmpsia, contribuindo assim para a detecção
precoce da condição e para a prevenção.
"Em
conclusão, apresentamos novos mecanismos de desenvolvimento de pré-eclâmpsia
grave, doença sem opções terapêuticas, revelando respostas específicas de
tecidos e células que poderão ser consideradas no futuro em abordagens
terapêuticas. Dada a gravidade das disfunções iniciais moleculares em
comparação com a sua apresentação tardia, uma intervenção oportuna durante a
gestação traz benefícios para a mãe e o feto e poderia alterar o prognóstico
extremamente desfavorável da pré-eclâmpsia grave", dizem.
Fonte _ Folha/SP
"Minha dor de cabeça de 10 dias era um câncer cerebral terminal"
Josh
Smith, de Wrexham, no País de Gales,
começou a ter episódios de confusão
mental e dores
de cabeça em janeiro, mas acreditava que estava "apenas
cansado".
Depois
de passar dez dias seguidos sentindo dores, sua esposa, preocupada, o arrastou
para uma consulta médica —a primeira dele em cerca de 12 anos.
"Sempre
evitei ir ao médico", conta. "Existe aquela expectativa de que homem
tem que aguentar firme e seguir em frente. Eu só tomava paracetamol e
tentava dormir mais cedo."
Segundo
ele, o clínico geral "não encontrou nada de errado", receitou
mais analgésicos e
o encaminhou a um oftalmologista, que também não identificou qualquer problema.
Mas
Kelly, 33, continuou desconfiada. "Eu sabia que alguma coisa não estava
certa. Lembro de dizer que havia sinais de alerta, mas nos disseram que não
havia motivo para preocupação."
Dias
depois, Josh se levantou para ir trabalhar, mas Kelly mais uma vez interveio e
insistiu para que ele fosse ao pronto-socorro do Hospital Wrexham Maelor,
porque a dor havia ficado insuportável.
"Era
como se alguém estivesse empurrando a parte de trás dos meus olhos para
fora", contou. "Eu nunca senti nada parecido. Era uma dor
inacreditável."
Embora
inicialmente tenha recebido alta com uma prescrição de morfina,
a dor continuou. E, no dia seguinte, uma tomografia revelou um tumor cerebral
de 4,5 centímetros.
"Eles
nos levaram para uma sala reservada e mostraram o exame. No começo, eu nem
fiquei triste, fiquei realmente em choque", disse Josh.
"Pensei:
'Talvez tenham pegado a pessoa errada' ou 'será que tem alguma sujeira na
tela?'."
Josh
foi encaminhado ao The Walton Centre, em Liverpool, onde recebeu o diagnóstico
de glioblastoma —uma forma agressiva de tumor
cerebral com expectativa média de vida de 12 a 18 meses. Em
seguida, passou por uma cirurgia que removeu 95% do tumor.
Josh
tem 34 anos e está entre as cerca de 3.200 pessoas diagnosticadas anualmente
com glioblastoma no Reino Unido,
segundo a organização Brain Tumour Research.
De
acordo com a organização, apenas um terço das pessoas com esse tipo de tumor
sobrevive por mais de 12 meses, enquanto 4% chegam a sobreviver cinco anos ou
mais.
No
entanto, o tratamento para esse tipo de câncer não
registra avanços significativos há duas décadas.
O
governo do País de Gales informou que está desenvolvendo uma estratégia
de combate
ao câncer com foco em pesquisa, inovação e ampliação do acesso a
ensaios clínicos.
Desde
a realização da cirurgia, Josh passou sessões de radioterapia e
continua em tratamento com quimioterapia no
Hospital Glan Clwyd, em Rhyl, no condado de Denbighshire. Mas ele foi informado
de que a doença não tem cura.
"É
terminal... Ainda estou fazendo quimioterapia e
espero que isso faça a diferença, mas, no momento, ainda existe muita
incerteza."
"Eu
só espero que consigam manter a doença estável. Prometi à Kelly que vou tirar
a árvore
de Natal do sótão para ela, para que não precise lidar com as
aranhas —esse é o meu objetivo atual."
Mesmo
diante da incerteza, Josh prefere concentrar sua energia no presente e
reconhece que sua história poderia ter tido um desfecho diferente se não fosse
a insistência da esposa. "Se tivesse continuado ignorando os sintomas,
talvez eu não estivesse aqui hoje."
“Tento
aproveitar cada dia ao máximo”
Antes
da cirurgia, o maior medo de Josh não era apenas a cirurgia em si, mas a
possibilidade de perder aquilo que sempre considerou parte essencial de quem
ele é: seu senso de humor e sua personalidade.
"Eu
sempre gostei de rir... Eu queria sair de lá ainda sendo eu mesmo, e consegui
continuar sendo quem eu sou."
Assim
que acordou após a cirurgia, sua primeira preocupação foi pedir à esposa uma
comida específica: KFC.
"No
caminho para o hospital, passamos por um KFC,
então provavelmente foi por isso que aquilo ficou na minha cabeça",
explicou.
"Eles
ficaram preocupados e tiveram que pedir um Uber Eats com urgência porque eu não
parava de pedir."
"Eu nem gostava tanto de KFC antes disso, mas estava com muita vontade. Meu irmão estava comigo e ficou chateado porque eu comi tudo e não ofereci nada a ele."
Antes
do diagnóstico, Josh e Kelly faziam planos para o futuro: queriam viajar em uma
van adaptada e estavam tentando ter um filho.
Com
a nova realidade imposta pela doença, o casal decidiu concentrar energia em
criar novas lembranças juntos.
Josh
escalou o Yr Wyddfa —também conhecido como Snowdon—, participou de uma corrida
do tipo parkrun, praticou stand
up paddle, teve a experiência de ser tratador de animais por um dia no
Chester Zoo, plantou flores no jardim e fez muitas caminhadas com seus cães,
Olive e Teddy.
"Estamos
apenas tentando aproveitar cada dia ao máximo", disse Josh.
"Tento
acordar cedo todos os dias e preparar um café para a Kelly. É muito fácil ficar
preso a esses pensamentos, então você precisa se manter ocupado."
O
jovem disse que nunca conseguirá agradecer o suficiente aos profissionais do
NHS —o serviço público de saúde do Reino Unido—
que cuidaram dele, acrescentando que a "gentileza das pessoas", de
forma geral, o impressionou profundamente.
"Eu
não sabia nada sobre tumores cerebrais antes disso", contou. "É
impressionante ver quantas pessoas são afetadas por isso e como você
simplesmente não ouve falar. Agora parece que vejo isso em todos os
lugares."
Ele
acrescentou que a doença "não escolhe suas vítimas" e que descobrir
que crianças também podem ser afetadas o motivou ainda mais a compartilhar sua
história.
Agora,
Josh apoia pedidos por mais investimentos em pesquisas, "mesmo que isso
ajude apenas uma pessoa".
Josh
e Kelly estão apoiando uma campanha que pede ao governo do País de Gales mais
investimentos em pesquisas sobre tumores cerebrais.
Kelly
afirmou: "Existem opções e tratamentos em desenvolvimento que dão
esperança às famílias, mas eles nem sempre estão disponíveis aqui no Reino
Unido. Isso é extremamente frustrante."
O
governo do País de Gales informou que seu Plano de Câncer para o País de Gales,
previsto para ser publicado em fevereiro de 2027, irá "apresentar a
abordagem para pesquisa, inovação e ampliação do acesso a ensaios clínicos,
para que os pacientes possam se beneficiar de novos tratamentos".
"Também estamos planejando uma Conferência sobre Câncer no País de Gales para reunir especialistas e compartilhar boas práticas no cuidado de pacientes com câncer", afirmou o governo. O texto foi publicado originalmente aqui.
Fonte _ Folha/SP
A vida após o infarto: cuidados não acabam depois do stent
O infarto agudo
do miocárdio, popularmente conhecido como ataque
cardíaco, continua sendo a principal causa de morte no Brasil: entre
300 mil e 400 mil brasileiros sofrem um infarto todos os anos, segundo
estimativas do Ministério
da Saúde.
Trata-se
de um problema grave, que acarreta uma morte a cada cinco a sete casos
registrados no país.
Apesar
dos números alarmantes, os avanços da cardiologia moderna fizeram com que o
diagnóstico deixasse de ser encarado como uma sentença definitiva.
Hoje,
quando o atendimento é realizado rapidamente e o paciente segue as
recomendações médicas, ele pode viver por muitos anos com qualidade
de vida. Porém, o principal desafio nesse processo é combater a falsa
sensação de que o tratamento termina após a alta hospitalar.
O infarto é
consequência de uma doença que continua existindo mesmo depois do procedimento
realizado para desobstruir a artéria do coração. A recuperação, portanto,
depende do tratamento realizado na urgência e dos cuidados adotados pelo resto
da vida.
"Após
o tratamento do infarto, a predisposição do paciente para novos eventos
continua existindo", adverte o cardiologista Pedro Lemos, diretor de
Cardiologia do Einstein Hospital Israelita. "É preciso reconhecer essa
predisposição e trabalhar para reduzir o risco de recorrência."
Agilidade
é tudo
O infarto agudo
do miocárdio ocorre quando uma das artérias que irrigam o coração é obstruída,
impedindo que o músculo cardíaco receba oxigênio adequadamente. Quanto mais
tempo passa após a obstrução da artéria coronária,
maior é o risco de sequelas e morte.
Muitos
pacientes chegam tardiamente aos serviços de saúde por desconhecerem os
sintomas ou por minimizarem a dor
no peito. Em alguns casos, poucas horas podem fazer a diferença entre
uma recuperação satisfatória e um comprometimento permanente do músculo
cardíaco.
"Quando
a pessoa começa a sentir os sinais de alarme, como dor
no peito, deve procurar assistência médica o quanto antes. Dependendo
do tipo de infarto, há apenas poucas horas para mitigar seus efeitos; quanto
mais tempo passa, menor a chance de salvar a parte do coração que está em
sofrimento", ressalta Lemos.
Embora
o quadro seja considerado uma emergência médica, a doença costuma começar muito
antes do surgimento dos sintomas.
Ao
longo dos anos, placas
de gordura podem se acumular nas paredes das artérias, em um
processo conhecido como aterosclerose. Quando essas placas se rompem, podem
formar coágulos capazes de interromper completamente a passagem do sangue.
"Em
alguns pacientes, essas placas sofrem um processo de instabilização, com
formação de coágulos, provocando o fechamento completo da artéria e o
infarto", descreve o cardiologista intervencionista Guy Fernando de
Almeida Prado Junior, também do Einstein.
Angioplastia
bem-sucedida não significa cura
Na
maioria dos casos, o tratamento do infarto agudo
do miocárdio consiste na realização de uma angioplastia coronária. Nesse
procedimento minimamente invasivo, cateteres são utilizados para desobstruir a
artéria e implantar um stent metálico, que ajuda a manter a região aberta e o
sangue circulando.
Os stents utilizados
atualmente são altamente seguros e eficazes. Entretanto, o sucesso do
procedimento não elimina a necessidade da terapia medicamentosa. Pelo
contrário: as primeiras semanas após o infarto são
consideradas um período crítico, no qual o risco de formação de novos coágulos
permanece elevado. Daí a importância dos cuidados com medicamentos que reduzem
a chance de coágulos.
Tradicionalmente,
usam-se juntos dois tipos de medicações antiagregantes: o AAS (ácido
acetilsalicílico) e um outro bloqueador, mais potente, das plaquetas (prasugrel
ou ticagrelor). Esse esquema, com duas drogas associadas para "afinar o
sangue", consolidou-se como um dos principais aliados no tratamento desses
pacientes nas últimas décadas.
Com
a evolução das técnicas de angioplastia, especialistas passaram a questionar se
seria possível interromper o uso do AAS mais
precocemente e passar a usar somente o outro medicamento mais potente. A dúvida
não é trivial: o uso combinado dos dois remédios pode trazer como efeito
colateral o aumento do risco de sangramentos.
Foi
em busca de responder a essa questão que se originou o estudo NEO-MINDSET,
liderado por Pedro Lemos e Guy Prado, do Einstein. Publicada em agosto de 2025
no New England Journal of Medicine, a análise foi conduzida em 50 centros de
pesquisa do Brasil. A equipe avaliou em 3,4 mil pessoas se a retirada do AAS logo
após a angioplastia poderia ser uma estratégia segura para pacientes
diagnosticados com síndrome coronariana aguda.
Os
resultados revelaram que os benefícios da retirada precoce do ácido
acetilsalicílico não compensam os riscos durante o primeiro mês após o infarto.
"Embora
a estratégia esteja associada a uma redução dos episódios de sangramento, esse
período continua sendo considerado crítico para a formação de coágulos,
tornando indispensável a proteção oferecida pela combinação dos medicamentos
antitrombóticos", avalia Prado.
Em
uma nova análise dos achados, esta recém-publicada no periódico
EuroIntervention, os pesquisadores investigaram o efeito do medicamento em um
grupo de pacientes submetidos a angioplastias mais
complexas, como aqueles que precisaram implantar vários stents ou tratar
obstruções mais extensas nas artérias coronárias. Nesses casos, a retirada
precoce do AAS também esteve associada a menos sangramentos, mas os resultados
mostraram que ela não pode substituir, com segurança, o esquema terapêutico
recomendado durante as primeiras semanas após o infarto.
A
conclusão é de que, independentemente da complexidade do procedimento
realizado, os primeiros meses continuam sendo um período que exige atenção
redobrada e adesão rigorosa ao cuidado prescrito.
"Nossos
resultados reforçam a recomendação já adotada pelas diretrizes médicas
internacionais: é realmente necessário manter o tratamento por, pelo menos, um
mês", destaca o diretor do Einstein.
Cuidados
para além do cateterismo
Depois
da alta hospitalar, o tratamento passa a depender, em grande medida, do próprio
paciente. A prevenção de um segundo infarto exige o controle rigoroso dos
principais fatores de risco
cardiovascular.
Diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado,
tabagismo, obesidade e
sedentarismo estão diretamente relacionados ao desenvolvimento da doença
arterial coronária. Muitas vezes, essas condições já estavam presentes antes do
primeiro infarto e permanecem ativas se não forem tratadas adequadamente.
A
combinação entre medicamentos e mudanças no estilo
de vida representa o principal pilar da prevenção secundária –nome
dado ao conjunto de estratégias utilizadas para evitar que a doença volte a se
manifestar. Mais do que recomendações complementares, os hábitos saudáveis
passam a ser considerados parte integrante do tratamento cardiovascular.
A
prática regular de atividade
física contribui para o controle
da pressão arterial, dos níveis de colesterol e da glicemia, além de
reduzir a necessidade de alguns medicamentos ao longo do tempo.
Manter
um peso saudável, por meio de dieta equilibrada, também é fundamental, já que
a obesidade está
diretamente relacionada ao desenvolvimento e à piora dos fatores de risco
associados ao infarto.
"Um
tratamento adequado do evento agudo somado a uma prevenção a longo prazo
garante sobrevida com excelente qualidade de vida, e essa é uma conquista
importante dos dias atuais", frisa Pedro Lemos, sobre os achados acerca da
conduta medicamentosa após o infarto.
"Estamos
realizando uma pesquisa de impacto mundial. É o Brasil levando ciência de alta
qualidade para o restante do mundo, sobre a doença que mais mata no
planeta."
Fonte _ Folha/SP
Nova vacina experimental contra o HIV mira partes do vírus que não mudam
Em
um momento em que as estratégias de prevenção contra o HIV brilham como nunca,
com injeções semestrais e a promessa de um comprimido mensal, um estudo
publicado nesta semana na revista Nature e divulgado durante a conferência
internacional de Aids no
Rio de Janeiro trouxe um lembrete silencioso de que a ciência não desistiu do
objetivo mais ambicioso: uma
vacina.
O
trabalho descreve o que os autores chamam de primeira demonstração de que uma
vacina baseada em uma nova estratégia ("germline-targeting") consegue
induzir anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV circulando no sangue
de animais vacinados —não apenas em células de memória, como haviam mostrado
estudos anteriores.
A
pesquisa, conduzida por pesquisadores do Scripps Research Institute, da
Califórnia (EUA), e da IAVI (International Aids Vaccine Initiative), com
participação do Fred Hutchinson Cancer Center e da Emory University, foi feita
em macacos-rhesus.
A
dificuldade histórica em desenvolver uma vacina contra o HIV está na altíssima
variabilidade genética do vírus. A estratégia tenta contornar isso ensinando o
sistema imunológico, em etapas, a produzir os chamados anticorpos
amplamente neutralizantes, moléculas raras encontradas naturalmente em
algumas pessoas com HIV, capazes de neutralizar múltiplas variantes do vírus ao
mirar regiões que ele não consegue modificar facilmente.
Para
Vincent Muturi-Kioi, pesquisador queniano à frente do programa de
desenvolvimento de vacinas da IAVI, o avanço reforça por que uma vacina
continua sendo necessária, mesmo diante dos ganhos recentes da prevenção.
Segundo
ele, o
número de novas infecções por HIV no mundo caiu de 2,5 milhões por
ano em 2004 para cerca de 1,2 milhão hoje —mas isso não é suficiente. "A
meta não é controlar a epidemia. A meta é eliminá-la", disse, avaliando
que uma vacina será necessária para levar o mundo até o patamar zero de novas
infecções. Ele também citou o uso de plataformas de mRNA como um acelerador do
programa, permitindo produzir e testar candidatos vacinais com mais velocidade
e a um custo menor.
Questionado
sobre por que a estratégia de germline-targeting é considerada um ponto de
virada histórico no campo, o pesquisador explicou que ela treina o sistema
imunológico para mirar partes do vírus que não mudam, ao contrário de
abordagens tradicionais, que dão ao patógeno mais brechas para escapar da
resposta imune. Segundo ele, se a técnica funcionar para o HIV, poderá ser
aplicada a outras doenças de alta variabilidade genética, como o ebola.
O
avanço na pesquisa básica ocorre, porém, num momento em que a profilaxia
pré-exposição (PrEP) vive sua fase de maior sucesso. Segundo Esper
Kallás, infectologista e diretor do Instituto Butantan (SP), que esteve na
conferência, isso torna cada vez mais difícil, do ponto de vista prático,
justificar e desenhar novos ensaios clínicos de vacina.
Com
opções de longa duração cada vez mais eficazes e convenientes —do cabotegravir ao lenacapavir,
passando por um novo comprimido de dose mensal ainda em teste—, Kallás pondera
que fica mais difícil demonstrar, de forma estatisticamente conclusiva, que uma
vacina adicionaria proteção significativa numa população que já tem acesso a
uma PrEP altamente eficaz.
"Como
que você vai provar que uma vacina é útil na disponibilidade de PrEP?",
questionou, descrevendo esse tipo de desenho de estudo como "extremamente
difícil".
Ainda
assim, ele defende que a vacina continua tendo um lugar. Isso porque a PrEP
depende de identificação de risco, mas cerca de metade das pessoas que adquirem
o HIV hoje não
pertence aos grupos tradicionalmente considerados de maior vulnerabilidade.
Kallás
citou como exemplos uma mulher casada infectada pelo marido, um homem
heterossexual com múltiplas parceiras ou um casal gay monogâmico em que um dos
parceiros tem um relacionamento paralelo —situações em que nem o paciente, nem
o sistema de saúde identificam
a necessidade de PrEP a tempo.
Ele
observou ainda que o estigma
em torno da prevenção vem diminuindo. Citou até aplicativos de
relacionamento que já permitem à pessoa declarar se usa PrEP ou se vive com HIV
em carga viral indetectável. Mas reconheceu que a circulação do vírus fora do
padrão de risco tradicional seguirá sendo o principal argumento a favor de uma
vacina.
Para
Kallás, o campo ainda enfrenta uma lacuna biológica de fundo: não existe hoje
nenhuma vacina contra o HIV comprovadamente eficaz. Também não se sabe que tipo
de estratégia poderia oferecer proteção prolongada —de dois, cinco ou dez
anos—, muito além dos cerca de seis meses hoje oferecidos pelas melhores
opções injetáveis de PrEP.
Segundo
ele, a área vem convergindo cada vez mais para candidatos capazes de induzir
anticorpos neutralizantes de amplo espectro e alta potência, o que é exatamente
a lógica por trás do estudo com macacos publicado esta semana. Isso representa
um retorno ao foco em anticorpos após anos em que parte da pesquisa apostava
mais na chamada imunidade celular.
Mesmo
reconhecendo que o sucesso da PrEP poderia, em tese, tornar uma vacina
dispensável, Muturi-Kioi disse que essa seria uma boa notícia, não um fracasso.
"Significaria que já teríamos vencido, atingido nossa meta, sem precisar
de uma", afirmou. Ele descreveu o trabalho atual como uma preparação para
o cenário em que a expansão da PrEP não for suficiente para impedir a
reemergência do vírus.
A
meta da IAVI, explicou o pesquisador, é iniciar um ensaio de eficácia de fase 3
para a próxima geração de candidatos vacinais dentro da próxima década —desde
que os sinais já observados em animais se confirmem também em humanos.
Como
foi o estudo com macacos
No
estudo, 24 macacos-rhesus receberam entre cinco e sete doses ao longo de mais
de dois anos, mirando uma região do envelope viral chamada supersítio
V3-glycan. O primeiro imunizante recrutou as raras células precursoras dos
anticorpos desejados. Os reforços seguintes, com formulações cada vez mais
parecidas com cepas reais do HIV, guiaram essas células por sucessivos ciclos
de maturação.
Ao
final, doses com nanopartículas contendo múltiplas cópias do antígeno viral
converteram a resposta de memória em anticorpos efetivamente circulantes. Em
mais da metade dos animais que completaram o regime, a vacinação gerou
anticorpos com até 67% de amplitude de neutralização em relação a um anticorpo
humano de referência. Em 44% dos casos, essa atividade também apareceu no
sangue —o que de fato indicaria proteção contra uma exposição real ao vírus.
O
animal com melhor resposta atingiu 84% de amplitude, patamar que os autores
estimam corresponder a uma proteção entre 75% e 90% contra diferentes cepas do
HIV, comparável ao de "neutralizadores de elite" —o pequeno grupo de
pessoas que desenvolve naturalmente esse tipo de anticorpo após a infecção.
Porém,
os próprios pesquisadores reconhecem limitações. O regime testado exigiu sete
doses ao longo de dois anos, cronograma inviável para uma vacina de uso amplo,
e a durabilidade da proteção ainda não foi avaliada. O primeiro componente do
esquema, batizado N332-GT5, já está sendo testado isoladamente em um ensaio
clínico com humanos.
Cláudia
Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids
Society).
Fonte _ Folha/SP
Anvisa determina apreensão de lote de Mounjaro falsificado
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quinta-feira (30) a
apreensão de um lote suspeito de falsificação do medicamento
Mounjaro. O lote alvo da medida é o D881474, com o número de
série 302199651396.
As
unidades identificadas com a combinação devem ser apreendidas e não podem ser
distribuídas, comercializadas ou utilizadas. Até o momento não há evidências de
que outros lotes do medicamento tenham sido falsificados.
A
orientação é que consumidores adquiram medicamentos apenas
em estabelecimentos regularizados e verifiquem as informações da embalagem
antes da utilização. Caso haja suspeita de falsificação, o produto não deve ser
usado e o caso deve ser comunicado às autoridades sanitárias.
"Em
caso de identificação de unidades do medicamento com suspeita de falsificação,
a população e os profissionais de saúde não devem utilizar o produto e devem
entrar em contato com a empresa detentora do registro para verificar sua
autenticidade", diz a Anvisa
Segundo
a agência, a suspeita surgiu após comunicação feita pela própria Eli Lilly,
detentora do registro do medicamento no Brasil. Segundo a fabricante, o número
de lote até existe no sistema da empresa, porém com um número de série
diferente.
A
agência afirma que ainda não sabe quantas unidades do produto estão em
circulação nem onde elas foram encontradas.
"Não
há esta estimativa ou esse nível de detalhamento no momento, pois se trata de
produtos irregulares, provavelmente falsificados, ou seja, conduta criminosa,
sem qualquer controle de qualidade, quantidades", disse em nota à Folha.
A
reportagem também procurou a Eli Lilly para esclarecer como a empresa
identificou a existência do produto suspeito e quando tomou conhecimento do
caso, além de questionar quantas unidades falsificadas foram identificadas e em
quais estados, mas a empresa não respondeu até a publicação do texto.
Fonte _ Folha/SP
InfoGripe: Número de Casos de SRAG Continua Caindo Na Maior Parte Do País
Divulgada
nesta quinta-feira (30/7), a
mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta para um
cenário bem parecido com o da semana passada: a queda no número de casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua sendo impulsionada,
principalmente, pela diminuição das hospitalizações pelo vírus sincicial
respiratório (VSR), em grande parte do país, e pelos vírus da influenza
A e B, em algumas regiões. De acordo com o InfoGripe,
apenas 3 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de
alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na
tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana
Epidemiológica 29: Maranhão, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Os especialistas frisam que é importante reforçar que a vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19. E ressaltam que é essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, além de manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando máscara.
Estados
e capitais
De
acordo com o InfoGripe, o aumento do número de casos de SRAG no
Maranhão, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se concentra especialmente nas
crianças pequenas e tem sido impulsionado principalmente pelo VSR. No Rio
Grande do Sul e em Santa Catarina os vírus influenza B, rinovírus e
metapneumovírus também têm contribuído para o aumento de SRAG. E há um leve
aumento dos casos de SRAG nos idosos no Maranhão, possivelmente associado à
Covid-19.
Segundo
a análise, muitos estados que estavam com queda de SRAG atingiram uma
incidência em níveis de segurança ou baixo risco. É o caso de estados do
Nordeste (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), do
Norte (Pará, Rondônia e Tocantins), Sudeste (São Paulo e Espírito
Santo) e também o Distrito Federal. Apesar disso, 12 unidades da Federação (Acre,
Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe) ainda estão com incidência de
SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco. A alta
incidência de SRAG nesses estados está associada principalmente às
hospitalizações por VSR e, em algumas regiões, também por influenza A, que,
apesar da tendência de queda, ainda permanecem em níveis elevados.
Nos
estados de Alagoas, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de
Janeiro, Roraima, São Paulo e Sergipe, os casos de SRAG por VSR continuam
altos, apesar da tendência de estabilização ou queda. O período da sazonalidade
da influenza A já se encerrou em boa parte do país, contudo, mesmo com
sinal de queda, os casos graves pelo vírus continuam altos no Acre,
Minas Gerais, Paraná e Roraima Os casos graves por influenza B continuam
aumentando em alguns estados do Centro-Sul (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio
de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), mas mostram sinais de
interrupção do crescimento ou início de queda no Ceará, Distrito Federal,
Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
Em
relação à Covid-19, há um sinal de aumento dos casos graves no Maranhão. No
Amazonas, as hospitalizações pelo vírus que estavam com tendência de aumento há
algumas semanas, agora estão estáveis e em um patamar baixo. Também há um
aumento das hospitalizações por metapneumovírus em todo o Sul, além de São
Paulo, Pernambuco e Amazonas, e de rinovírus em Minas Gerais e Rio Grande do
Sul, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses
estados.
A
atualização aponta que 2 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG
em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento
de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 29: Rio
Branco (AC) e São Luís (MA). Além disso, 12 capitais também apresentam
incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de
crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo
Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT),
Curitiba (PR), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS) e Rio de
Janeiro (RJ).
Incidência
e mortalidade
A
incidência e mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das
faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais
elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade há o inverso, com a
população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como
principal causa o vírus da influenza A.
O
rinovírus também se destaca como a segunda principal causa de óbitos entre
crianças menores de 2 anos e idosos. Em relação aos casos de SRAG por influenza
A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos,
enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de
idade.
A
influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos,
enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os
idosos. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas
etárias.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 7,7% de influenza A, 9,1% de influenza B, 57,7% de vírus sincicial
respiratório, 25,4% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 24,7% de influenza A, 16,1% de influenza B, 31,9% de vírus
sincicial respiratório, 26,3% de rinovírus e 4,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dentre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 19,4% de influenza A, 4,9% de
influenza B, 41,8% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 4,2% de
Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 7,7% de influenza A, 9,1% de
influenza B, 57,7% de vírus sincicial respiratório, 25,4% de rinovírus e 1,8%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 125.914 casos de SRAG, sendo
67.199 (53,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 43.336 (34,4%) negativos, e ao menos 7.904 (6,3%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham
as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é
permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao
cidadão".
Fonte _ FioCruz










