quarta-feira, 29 de julho de 2026
Conselho Curador aprova distribuição de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS para 138,2 milhões de trabalhadores
O Conselho
Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
aprovou, nesta terça-feira (28), a proposta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para a distribuição de R$ 13.042.511.777,08 do resultado
positivo do Fundo referente ao exercício de 2025. O valor corresponde a 89% do
lucro apurado no período, de R$ 14,7 bilhões, e será creditado na primeira
quinzena de agosto para aproximadamente 138,2 milhões de trabalhadores que
possuíam saldo em contas vinculadas do FGTS em 31 de dezembro de 2025.
O
crédito representa um acréscimo de 1,87% na rentabilidade das contas, calculado
proporcionalmente ao saldo existente em 31 de dezembro de 2025. Com a
distribuição, a rentabilidade total das contas no ano alcança 6,90% (TR + 3% ao
ano + distribuição), superando a inflação medida pelo IPCA em 2,53 pontos
percentuais.
Durante
a reunião, foram apresentadas as demonstrações financeiras do FGTS referentes
ao exercício de 2025. O Fundo registrou a maior arrecadação de sua história,
que passou de R$ 192,5 bilhões, em 2024, para R$ 212,56 bilhões, em 2025.
Os
saques também cresceram no período, totalizando R$ 190,4 bilhões, alta de 18,3%
em relação aos R$ 160,9 bilhões registrados no ano anterior.
As
principais modalidades de saque foram:
- Rescisão
contratual e multa rescisória: 31,3%;
- Saque-aniversário:
28,6%;
- Habitação:
14%;
- Aposentadoria:
7,5%;
- Multa
rescisória do saque-aniversário: 7,2%.
Em
2025, o FGTS destinou recursos para ações de calamidade pública em 662
municípios, beneficiando cerca de 283 mil trabalhadores.
Na
área habitacional, o Fundo financiou o atendimento de 633 mil famílias,
resultado 4,2% superior ao registrado em 2024.
Os
ativos do FGTS alcançaram R$ 837,7 bilhões em 2025, impulsionados pelas
operações de crédito e pelas aplicações financeiras.
O
patrimônio líquido também cresceu 6,1%, passando de R$ 118,7 bilhões, em 2024,
para R$ 126 bilhões, em 2025.
As
receitas do Fundo mantiveram trajetória de crescimento, passando de R$ 52,5
bilhões, em 2024, para R$ 64,5 bilhões, em 2025.
Fonte _ MTE
Consumir leite no pós-treino pode ajudar na saciedade, indica estudo
Rico
em proteínas e
minerais, como cálcio, fósforo e potássio,
o leite já
é conhecido como um aliado da recuperação
muscular. Agora, um estudo publicado na revista científica Nutrients
sugere que o alimento também
pode aumentar a sensação de saciedade e
reduzir a ingestão de calorias na refeição seguinte.
A
revisão com meta-análise reuniu resultados de 82 pesquisas, metodologia
considerada uma das mais robustas para avaliar o conjunto das evidências
científicas disponíveis. Embora haja limitações —como diferenças entre os
estudos, no perfil dos participantes, no volume das bebidas utilizadas e em
protocolos de exercícios adotados—, a composição do leite ajuda a explicar
mecanismos potencialmente envolvidos no controle
do apetite.
Uma
das hipóteses envolve a combinação de proteínas, com destaque para o soro do
leite e a caseína. "O soro do leite é rapidamente digerido e absorvido,
promovendo aumento das concentrações de aminoácidos, moléculas orgânicas que
formam proteínas circulantes", explica o endocrinologista Carlos Minanni,
do Einstein
Hospital Israelita.
Esse
processo parece estimular a secreção de hormônios relacionados
à saciedade, sobretudo GLP-1 e
PYY, além de contribuir para a redução da grelina, hormônio associado à fome.
Já a caseína é de digestão lenta, fator que prolonga a sensação de plenitude.
Benefícios
para a recuperação muscular
Se
os efeitos sobre o controle do peso ainda dependem de mais investigações, os
benefícios do leite para a recuperação muscular contam com evidências mais
consolidadas. Além de proteínas de alto valor biológico, oferece água, sais
minerais, entre outros nutrientes importantes para a saúde
muscular.
Há
trabalhos demonstrando que beber leite depois da atividade
física ajuda na síntese proteica muscular, auxilia na reposição
dos estoques de glicogênio (reserva energética) e contribui para a reidratação.
"Também pode atenuar perdas no desempenho em sessões subsequentes de
treinamento," destaca o nutricionista Guilherme de Freitas Miranda, do
Einstein.
Sais
minerais, como sódio,
potássio, cálcio e fósforo, participam da reposição
hídrica e de processos metabólicos relacionados à saúde musculoesquelética.
O cálcio, em especial, atua na mineralização dos ossos na mineralização dos
ossos, contribuindo para fortalecer o esqueleto. "Mais do que a presença
isolada de nutrientes específicos, a literatura científica tem destacado a
importância da chamada matriz láctea, conceito que considera a interação entre
eles", revela Miranda.
Apesar
das evidências favoráveis, o leite ainda é excluído do cardápio de muitas
pessoas pela crença de que seria um alimento inflamatório. "Do ponto de
vista fisiopatológico, não existem mecanismos que sustentem a indução de
inflamação sistêmica pelo consumo da bebida em indivíduos saudáveis",
afirma o nutricionista.
Segundo
ele, revisões de estudos e meta-análises já publicadas não relacionam o consumo
habitual de lácteos ao aumento de marcadores inflamatórios. Exceto em casos de
intolerância à lactose ou alergia às proteínas do leite — condições que devem
ser diagnosticadas por meio de avaliação médica e, quando indicados, exames
complementares —, os laticínios podem fazer parte da alimentação cotidiana.
"Bebidas lácteas podem representar uma estratégia interessante em um
padrão
alimentar equilibrado", afirma Minanni.
O
endocrinologista ressalta, porém, que o controle do peso corporal não depende
de um único alimento, mas de um conjunto de fatores, como contexto geral da
dieta, prática regular de atividade física, qualidade do sono e outros hábitos
de vida.
Fonte _ Folha/SP
HIV pode deixar rastro no sistema nervoso mesmo com vírus controlado no sangue, indica estudo
Um
estudo apresentado na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio
de Janeiro, sugere que o HIV pode
deixar sinais de atividade imunológica no sistema nervoso central mesmo quando
o vírus está totalmente suprimido no sangue —achado que reacende o debate sobre
o que, de fato, significa controlar
a infecção.
A
pesquisa acompanhou 79 adolescentes sul-africanos que nasceram com HIV e
começaram o tratamento
antirretroviral na infância, parte da coorte PAVE-80, um dos
estudos mais longos do mundo sobre o tema, com 16 anos de seguimento.
Os
cientistas compararam amostras pareadas de sangue e de líquido
cefalorraquidiano — fluido que banha o cérebro e a medula espinhal —para
responder a uma pergunta que exames de rotina não respondem: se o HIV está
controlado no sangue, ele também está "quieto" no sistema nervoso
central?
Entre
os participantes com supressão viral no sangue —75% do total—, 11 dos 59
adolescentes, cerca de 19%, ainda apresentavam atividade imunológica específica
contra o HIV no líquido cefalorraquidiano. Um histórico mais longo de
interrupções no tratamento foi mais comum nesse grupo.
Durante
a apresentação, a autora do estudo, Shalena Naidoo, da Universidade de
Stellenbosch, na África do Sul, descreveu a coorte como uma oportunidade rara
de entender os efeitos de longo prazo do tratamento precoce e classificou o
resultado como "surpreendente".
Ela
fez questão de conter alarmismo: o achado não significa que os adolescentes
estavam doentes, que o tratamento estava falhando ou que alguém precise trocar
de esquema terapêutico.
O
que ele mostra é que o ambiente imunológico do sistema nervoso central nem
sempre reflete o que ocorre no sangue —os dois compartimentos, ainda que
conectados, podem contar histórias biológicas diferentes.
O
exame usado (Western blot) detecta a ligação de anticorpos ao HIV, mas não
permite saber se eles refletem memória imunológica antiga, transferência
passiva do sangue ou produção contínua dentro do sistema nervoso.
A
equipe também identificou proteínas no sangue associadas à atividade no fluido,
o que pode, no futuro, levar a biomarcadores capazes de sinalizá-la sem
recorrer a punções lombares, exame invasivo usado para coletar a amostra.
O
estudo é transversal —fotografou os participantes em um único momento— e não
permite saber se o sinal reflete vigilância protetora, uma marca de infecção
antiga ou inflamação contínua, nem associá-lo a desfechos cognitivos.
Outra
coorte (CHER) já havia mostrado que o início precoce do tratamento reduz o
risco de doenças cerebrais ligadas ao HIV, e exames de neuroimagem
identificaram diferenças sutis na estrutura do cérebro de quem adquiriu o vírus
ao nascer —sem vínculo causal estabelecido com o achado atual.
Para
Naidoo, a principal implicação está nas estratégias de cura do HIV, que não
podem mais ser avaliadas apenas pelo sangue. O sistema nervoso central é
protegido pela barreira hematoencefálica, que limita a entrada de alguns
medicamentos, enquanto células de vida longa no cérebro podem abrigar o vírus
ou sustentar uma resposta imune.
"Se
estamos realmente buscando uma cura, e não apenas a supressão viral, precisamos
entender também o que acontece ali", afirmou a pesquisadora.
"Às
vezes as descobertas mais importantes não vêm de confirmar o que esperávamos,
mas de reconhecer que ainda existe biologia que não compreendemos
totalmente."
Naidoo
reforçou que o estudo não sugere que a terapia antirretroviral esteja falhando,
e que a carga viral no sangue continua sendo medida essencial de sucesso do
tratamento —mas que pode não capturar toda a biologia do HIV em outros
compartimentos.
O
próximo passo é acompanhar os adolescentes ao longo do tempo, cruzando os
achados com testes cognitivos e neuroimagem.
Para
pessoas que vivem com HIV, disse a pesquisadora, a mensagem é de esperança: a
terapia antirretroviral transformou a infecção de doença fatal em condição
crônica administrável, e nada no estudo muda essa conquista. O convite é para
que cientistas e médicos olhem além do que é mais fácil de medir.
"Nosso
objetivo não é apenas ajudar as pessoas a sobreviver, mas garantir que possam
viver vidas longas e saudáveis, com todos os aspectos da saúde —incluindo
o cérebro— levados em conta", afirmou Naidoo.
Cláudia
Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids
Society)
Fonte _ Folha/SP
Dois novos casos de pessoas consideradas curadas do HIV são anunciados
Dois
novos casos de pessoas
consideradas curadas ou em remissão prolongada do HIV após um
transplante de células-tronco serão apresentados durante conferência
internacional de Aids, que
acontece no Rio de Janeiro. Agora são 13 registros de pacientes curados de HIV
no mundo.
Conhecidos
como pacientes Ascent e Kansas City, os casos serão apresentados em uma sessão
dedicada às pesquisas sobre cura do HIV, que ocorre nesta quarta (29).
A
informação foi antecipada pelo imunologista Christian Gaebler, da Charité
Universitätsmedizin Berlin, durante a pré-conferência HIV Cure Without Borders:
Science, Community and the Latin America and Caribbean Perspective.
"O
paciente Ascent será o número 12 e, depois, o paciente de Kansas City será o
número 13", afirmou Gaebler, classificando os resultados como
"realmente fascinantes".
O
pesquisador não revelou detalhes clínicos do paciente de Kansas City, como o
tipo de transplante realizado, há quanto tempo ele interrompeu a terapia
antirretroviral ou o período de remissão alcançado.
Os
dois casos reforçam um grupo ainda extremamente reduzido de pessoas que
eliminaram ou controlam o HIV sem medicamentos após um transplante de
células-tronco.
Especialistas
enfatizam que esse procedimento não representa uma alternativa terapêutica para
a população que vive com HIV.
Todos
os pacientes considerados curados ou em remissão prolongada também
desenvolveram leucemia ou outro câncer hematológico que exigia um transplante
de medula óssea —procedimento complexo, de alto risco e indicado apenas para
doenças potencialmente fatais.
"O
que podemos fazer é aprender com todos esses casos", disse Gaebler.
Desde
o início da epidemia, cerca de 90 milhões de pessoas já viveram ou vivem com
HIV. Os 13 casos relacionados a transplantes representam uma fração ínfima
desse total, mas vêm oferecendo pistas importantes para o desenvolvimento de
estratégias capazes de controlar o vírus sem tratamento contínuo.
O
primeiro caso foi o de Timothy
Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim", apresentado
em 2009 após receber um transplante de um doador com duas cópias da mutação
CCR5-delta32, alteração genética que impede a expressão funcional do
correceptor CCR5, uma das principais portas de entrada do HIV nas células de
defesa. Durante anos, acreditou-se que essa mutação fosse indispensável para a
cura.
No
segundo paciente de Berlim, pesquisadores identificaram anticorpos capazes de
neutralizar o HIV e ativar células NK, importantes componentes da resposta
imunológica, para destruir células infectadas.
Segundo
Gaebler, essa resposta pode ter contribuído para reduzir gradualmente os
reservatórios virais — células onde o HIV permanece oculto e que representam o
principal obstáculo para uma cura definitiva.
Além
dos transplantes, pesquisadores investigam abordagens que possam ser aplicadas
a um número muito maior de pessoas vivendo com HIV. Entre elas estão os
anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), terapias com células
CAR-T, edição genética do CCR5 e novas estratégias de imunoterapia.
Os
casos mais recentes, porém, ampliaram esse entendimento.
Gaebler
destacou o paciente de Genebra, que entrou em remissão apesar de receber
células de um doador sem a mutação CCR5-delta32, e o segundo paciente de
Berlim, cujo doador possuía apenas uma cópia da alteração genética. Esses
resultados sugerem que outros mecanismos imunológicos podem contribuir para o
controle do vírus.
De
acordo com Gaebler, diferentes ensaios clínicos com bNAbs vêm mostrando um
padrão semelhante: entre 10% e 20% dos participantes conseguem manter controle
parcial ou completo do vírus após a interrupção supervisionada da terapia
antirretroviral.
O
pesquisador também apresentou resultados preliminares de uma terapia
experimental com células CAR-T modificadas para reconhecer o HIV e editadas no
gene CCR5. Entre dez participantes, um manteve o vírus controlado por cerca de
90 semanas sem tratamento, enquanto outros cinco apresentaram rebote viral
inferior ao esperado.
Os
resultados ainda são iniciais e obtidos em estudos pequenos, mas ajudam a
orientar o desenvolvimento de terapias que possam, no futuro, permitir que
pessoas vivendo com HIV mantenham o vírus sob controle sem depender do uso
contínuo de medicamentos.
Cláudia
Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids
Society)
Fonte _ Folha/SP
O que pode causar morte súbita durante uma corrida e como reduzir os riscos
Mortes
súbitas, como a do corredor Júlio Barreto, 50, durante a SP City Marathon,
neste domingo (26), são raras, mas podem ocorrer mesmo em pessoas aparentemente
saudáveis, especialmente quando há doenças
cardiovasculares ainda não diagnosticadas, afirmam especialistas
ouvidos pela Folha.
A
prova tinha percursos de 21,1 km e 42,2 km. Após a conclusão de seu trajeto,
Júlio relatou dores no braço, sofreu um mal
súbito e caiu e perdeu a consciência enquanto se dirigia a uma
ambulância disponibilizada pela organização do evento.
Segundo
a cardiologista Thaís Pinheiro Lima, especialista em cardiometabolismo, a morte
súbita cardíaca é caracterizada por um óbito inesperado, geralmente precedido
de perda abrupta da consciência, e pode ocorrer até uma hora após o início dos
sintomas.
"Durante
uma corrida de
rua, o esforço físico intenso, a desidratação e o aumento de hormônios
como cortisol e
adrenalina estimulam o sistema nervoso simpático, elevando a frequência
cardíaca e podendo desencadear a ruptura de placas de gordura nas artérias
coronárias", afirma.
Essa
ruptura, segundo a médica, favorece a formação de um coágulo que bloqueia o
fluxo de sangue para o coração, provocando um infarto e, em alguns casos, arritmias
fatais.
A
causa da morte súbita varia. Em atletas jovens, principalmente abaixo dos 35
anos, predominam doenças genéticas ou congênitas, como a cardiomiopatia
hipertrófica. Já entre pessoas acima dos 40 anos a principal
preocupação é a doença arterial coronariana.
"Mesmo
atletas bem condicionados podem ter cardiopatias silenciosas que não dão
sintomas no dia a dia, mas se manifestam à medida que o esforço aumenta",
afirma o médico do esporte João Branco, que atua com formação de atletas no Rio
de Janeiro.
Os
especialistas afirmam que a avaliação médica antes de participar de provas de
longa distância não deve ser tratada como algo protocolar.
"Não
é um mero atestado burocrático, isso é muito importante para salvar vidas, para
identificar problemas prévios", diz Lima.
A
consulta deve incluir investigação do histórico familiar de morte súbita, exame
físico detalhado e eletrocardiograma. Dependendo dos achados, o cardiologista
pode solicitar exames complementares.
O
preparo para provas de longa distância também deve envolver planejamento do
treinamento, com fortalecimento muscular, orientação nutricional e
acompanhamento médico.
Os
médicos alertam que qualquer alteração em relação ao padrão habitual do
corredor exige interrupção imediata da atividade
física.
Entre
os principais sinais de alerta estão dor no peito, sensação de pressão ou
queimação no tórax, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações
persistentes, tontura, visão turva, sensação de desmaio, náuseas intensas,
vômitos, perda da consciência e confusão mental.
"Quando
o corpo demonstra algum sinal que foge da realidade ou do que a pessoa sente
rotineiramente, isso não pode ser ignorado", afirma Branco.
A
queda no desempenho também merece atenção. Se um corredor acostumado a
determinado ritmo passa a apresentar fadiga prolongada, recuperação mais lenta
do que o habitual ou dificuldade para manter o ritmo que antes conseguia
sustentar, é recomendável interromper o aumento da carga de treinos e buscar
avaliação médica.
"Pode
ser uma condição cardiovascular que precisa ser investigada", afirma
Branco.
Apesar
da repercussão provocada por mortes durante competições, os especialistas
afirmam que a corrida de longa distância continua sendo considerada segura para
a maioria das pessoas quando realizada com treinamento adequado e avaliação
médica.
Segundo
Thaís, o risco de sofrer uma parada cardíaca durante a prática esportiva é
baixo.
"O
esporte não deve ser visto como um fator de risco, mas como um instrumento de
prevenção. O desafio é identificar precocemente as pessoas com maior
vulnerabilidade cardiovascular para que possam praticar atividade física com
segurança", afirma.
A SP City Marathon publicou uma nota de pesar sobre o caso em suas redes sociais. A organização afirma que Barreto recebeu manobras de reanimação ainda no local e foi levado para o hospital, mas não resistiu.
Fonte _ Folha/SP
Ministério da Saúde anuncia compra de PrEP injetável de longa duração contra HIV
O Ministério
da Saúde anunciou nesta segunda (27) um acordo de compra do cabotegravir,
medicamento antirretroviral
injetável usado para a profilaxia pré-exposição
(PrEP) desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa majoritariamente
controlada pela GSK.
O
acordo será submetido à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no SUS) na próxima
semana, segundo informou o ministro Alexandre
Padilha (Saúde)
durante a conferência internacional de Aids, que
acontece no Rio de
Janeiro.
Padilha
não confirmou publicamente o valor de US$ 400 (R$ 2.032, na cotação desta
segunda) por dose que circulava nos bastidores do evento, mas, questionado
diretamente sobre a cifra, indicou que o teto que o governo brasileiro está
disposto a pagar equivale a no máximo 10 a 12 vezes o valor oferecido a países
como Indonésia e Tailândia —de US$ 40 por dose —, o que aproxima a conta do
valor especulado.
Segundo
o ministro, o número de doses a serem compradas inicialmente ainda não está
definido, pois a negociação com o laboratório segue em aberto. A expectativa do
governo é que, aprovada a incorporação pela Conitec, o medicamento já esteja
disponível "no braço" de pacientes brasileiros ainda neste ano.
A
Anvisa aprovou o cabotegravir em 2023, que passou a ser comercializado no
mercado privado em agosto do ano passado. A injeção é aplicada a cada dois
meses, enquanto na prevenção usual os comprimidos devem ser ingeridos
diariamente. Hoje o medicamento chega ao Brasil com preço de tabela de R$
4.000.
O
anúncio veio acompanhado de um balanço da resposta brasileira à Aids nos
últimos anos. Segundo Padilha, o país registrou em 2024 a maior redução na taxa
de mortalidade por Aids de sua história, com o número de mortes ficando pela
primeira vez abaixo de 10 mil.
Ele
atribuiu o resultado à ampliação de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo
SUS e ao aumento de 100% nos exames de testagem rápida nos últimos três anos —
o que, segundo ele, permitiu identificar novas infecções e iniciar o tratamento
mais rapidamente. Hoje, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV no Brasil
começam o tratamento no mesmo dia da confirmação, e mais da metade inicia em
até 30 dias.
Padilha
listou três frentes que, segundo ele, seguem como obstáculos à resposta
brasileira à epidemia: a discriminação e o estigma contra pessoas vivendo com
HIV, alimentados também por movimentos internacionais que atacam direitos
humanos dessa população; o negacionismo científico e a desinformação em saúde;
e o acesso a novas tecnologias.
"Inovação
sem acesso não deveria ser chamada de inovação. Inovação sem acesso é
injustiça", afirmou. Ele anunciou ainda um novo programa de financiamento
para acelerar o acesso a exames de imagem e outros procedimentos mais complexos
— como órteses e próteses — associados a comorbidades de pessoas vivendo com
HIV, área em que, segundo ele, o sistema ainda é mais lento do que na testagem
e no início do tratamento antirretroviral.
O
ministro também tratou do impasse em torno do lenacapavir, a PrEP injetável de
aplicação semestral da Gilead, aprovado pela Anvisa em janeiro deste ano.
Segundo
Padilha, o Brasil chegou a se colocar disposto a pagar até dez vezes o valor
oferecido a países como Indonésia e Tailândia— mas, mesmo assim, a farmacêutica
teria dito não ser possível oferecer o produto ao sistema público brasileiro
por esse preço.
"Não
vamos drenar o recurso que é fruto dos impostos dos cidadãos brasileiros [em]
interesse de lucro de uma empresa apenas", disse, reiterando que o país
segue disposto a negociar, mas não a pagar valores considerados fora da
realidade orçamentária do SUS.
Padilha
anunciou também que a Fiocruz assinara nesta terça (28) um acordo com a
farmacêutica MSD (a Merck fora dos Estados Unidos e do Canadá) para acompanhar
o desenvolvimento de uma nova PrEP oral de uso prolongado — o MK-8527, ainda em
estudos clínicos, dos quais o Brasil participa.
Segundo
o ministro, a expectativa é que a colaboração evolua, no futuro, para uma
parceria de produção e inclusão do medicamento no SUS.
A
parceria ganhou contornos mais tensos durante a coletiva de imprensa, quando o
ministro foi questionado sobre o fato de o Brasil ter sido excluído do acordo
de licenciamento voluntário para produção de genéricos do MK-8527 anunciado
pela MSD dias antes da conferência—apesar de o país integrar os 16 que
participam dos estudos clínicos Expressive.
Padilha
reconheceu que "não é a primeira vez que o Brasil não é escolhido para
receber essas condições de acesso à medicação", mas afirmou que isso não
impede o país de negociar diretamente com a farmacêutica.
Ele
não respondeu de forma direta se o governo brasileiro cogita adotar o
licenciamento compulsório do medicamento — instrumento previsto em acordos
internacionais que permite a produção de um genérico sem autorização da patente
—, limitando-se a reforçar a recusa a "preços estratosféricos" e a
diferença entre negociar com um sistema público universal, como o SUS, e com
países que dependem de sistemas privados de saúde.
Ele
também citou o papel do Brasil na articulação regional por meio da Opas
(Organização Pan-Americana da Saúde), afirmando que as negociações do país
levam em conta também o acesso de vizinhos latino-americanos às mesmas
tecnologias.
O
anúncio de Padilha ocorreu ao lado de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral
da OMS (Organização
Mundial da Saúde), e de Jarbas Barbosa, diretor da Opas (Organização
Pan-Americana da Saúde), em coletiva que antecedeu a cerimônia de abertura da
AIDS 2026 — a primeira vez que a conferência internacional acontece na América
do Sul.
Tedros
afirmou que as novas infecções por HIV caíram 42% no mundo desde 2010, e as
mortes relacionadas à Aids, 57% no mesmo período, mas alertou que os cortes de
financiamento internacional colocam esses avanços em risco.
Ele
chamou o lenacapavir de "divisor de águas" na prevenção, mas defendeu
que o momento exige mais recursos, não menos, além de proteção a organizações
lideradas por comunidades afetadas e o fim de leis que criminalizam
populações-chave.
Já
Barbosa destacou que a região das Américas soma hoje mais de 325 mil pessoas em
uso de PrEP, mas ainda precisa de quase 1 milhão de pessoas a mais em acesso à
profilaxia para reduzir de forma consistente as novas infecções — 10% dos casos
de Aids na região ainda são diagnosticados tardiamente.
Por
meio de comunicado, a Gillead, fabricante do lenacapavir, informou que
compartilha a urgência de ampliar o acesso às opções de prevenção do HIV,
incluindo o lenacapavir semestral para prevenção do HIV.
As
discussões sobre acesso na América Latina e no Caribe, diz a farmacêutica,
estão ocorrendo por múltiplas frentes, incluindo conversas regionais em
andamento com a Opas.
Em
relação ao Brasil, a Gilead diz que segue os processos regulatórios, de
precificação e de
reembolso estabelecidos no sistema de saúde brasileiro. Informa também que está
avaliando possíveis oportunidades para apoiar o acesso sustentável de longo
prazo por meio do desenvolvimento de capacidade regional de fabricação em
parceria com organizações locais na América Latina, incluindo o Brasil,
sujeitas a avaliações de viabilidade regulatória, técnica e econômica.
"Nosso
foco permanece na ampliação do acesso ao lenacapavir por meio do compromisso
sem precedentes da Gilead com países de baixa renda e alta carga da doença.
Continuaremos trabalhando com governos, comunidades e parceiros regionais para
ajudar a levar essa inovação às pessoas e comunidades que mais possam se
beneficiar dela", conclui a nota.
Cláudia
Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids
Society)
Fonte _ Folha/SP
terça-feira, 28 de julho de 2026
Mortalidade por hepatite viral atinge 1 a cada 5 pacientes com 80 anos no SUS
Um
em cada cinco pacientes com 80 anos ou mais internados por hepatite
viral no SUS (Sistema
Único de Saúde)
morre durante a hospitalização. A mortalidade chega a 20,9% nesse grupo etário,
segundo levantamento do Grupo IAG Saúde com base em dados do DataSUS, que
mapeou 42.314 internações por hepatites virais entre 2016 e 2025.
A mortalidade
hospitalar sobe de forma constante com a idade: de 6,5% entre
adultos de 18 a 59 anos, passa para 14,2% na faixa de 60 a 69 anos, chega a
16,1% entre 70 e 79 anos e atinge 20,9% a partir dos 80 anos. A mortalidade
global, considerando todas as faixas etárias, foi de 7,8% no período.
O
levantamento ganha relevância no Julho Amarelo, mês de
conscientização sobre a doença, que tem no dia 28 de julho o Dia
Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. Trata-se de infecções que
atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves.
Em
muitos casos as infecções são silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas.
Podem, no entanto, se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura,
enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes
claras.
O
levantamento considerou apenas internações em que a hepatite viral foi o
diagnóstico principal, segundo os códigos B15 a B19 da CID-10 (Classificação
Internacional de Doenças), o que garante que a hospitalização teve a hepatite como
causa central, não como comorbidade.
Segundo
Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp
(Universidade Estadual Paulista) e integrante da diretoria da Sociedade
Brasileira de Clínica Médica, o achado sobre a mortalidade em idosos mostra que
o prognóstico
da hepatite não depende só do vírus.
"Não
é apenas o vírus isoladamente que define o prognóstico. É a combinação entre a
infecção, a idade, as condições clínicas preexistentes e o momento em que o
diagnóstico é realizado", afirma.
Ele
chama atenção para o fato de o Brasil estar envelhecendo com uma parcela da
população que adquiriu hepatite B ou C décadas atrás, mas não teve diagnóstico.
"Se não ampliarmos a testagem e o cuidado longitudinal, provavelmente
veremos mais internações complexas nessa população", diz.
As
infecções causadas pelos vírus das hepatites
B, C e D frequentemente se tornam crônicas. A doença pode evoluir por
décadas sem o devido diagnóstico, podendo ser a causa de fibrose avançada
ou de cirrose,
que podem levar ao desenvolvimento de câncer
no fígado e necessidade de transplante do órgão.
Outro
achado é que a mortalidade entre pacientes internados por hepatite crônica
(10,1%) é maior do que nos casos agudos (7,1%).
Para
Barbosa, isso tem explicação clínica. "A hepatite aguda é um episódio
recente de inflamação do fígado e, em muitos pacientes, pode evoluir para
recuperação completa. Já a hepatite crônica significa que o vírus permaneceu no
organismo durante muito tempo, provocando agressão contínua ao tecido
hepático", afirma.
O
infectologista reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de
risco. "Muitas pessoas se sentem bem, mas o processo de lesão continua
acontecendo. Este é um dos grandes desafios das hepatites virais."
Desigualdade
regional
A
análise dos dados do DataSUS aponta o Norte como a região com maior incidência
de internações por hepatites virais, com 39,7 hospitalizações por 100 mil
habitantes —reflexo, segundo Barbosa, da maior circulação de hepatite B e, em
algumas áreas, de hepatite D na região amazônica. Acre, Rondônia, Amazonas e
Pará estão entre os estados com mais internações.
Já o
Nordeste registrou a maior mortalidade hospitalar entre as regiões (9,1%), e o
maior tempo médio de internação (8,1 dias). O Sul, por outro lado, registrou a
menor mortalidade (6,5%) e a menor permanência hospitalar (6 dias).
"Eu
evitaria atribuir essas diferenças apenas à biologia do vírus. Elas também
refletem desigualdades de acesso, distribuição irregular de especialistas,
capacidade diagnóstica, organização da rede e disponibilidade de
acompanhamento", afirma o infectologista.
O
SUS oferece vacina contra
as hepatites A e B, além de diagnóstico e tratamento para as hepatites B e C. O
Ministério da Saúde estabeleceu como meta a eliminação das hepatites virais
como problema de saúde pública até
2030.
"Já
temos ferramentas muito eficazes. O desafio não está apenas na existência
dessas tecnologias, mas em fazê-las chegar às pessoas certas no momento
certo", afirma Barbosa, citando idosos, pessoas que receberam transfusões
antigas, usuários de drogas e população privada de liberdade como grupos
prioritários para ampliação da testagem.
"A
hepatite pode ser silenciosa, mas suas consequências não são. O que precisamos
evitar é que o hospital seja o primeiro lugar em que essa doença finalmente
apareça", conclui.
Fonte _ Folha/SP
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Anvisa aprova novo medicamento para tratar doenças autoinflamatórias
A Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira
(27/7) o registro do medicamento Kineret (anacinra),
indicado para o tratamento das seguintes doenças autoinflamtórias: artrite
reumatoide, síndromes de febres periódicas e doença de Still.
As
três condições clínicas são caracterizadas por inflamação sistêmica
persistente ou recorrente, podendo estar associadas a importante
comprometimento da qualidade de vida, incapacidade funcional e complicações
potencialmente graves.
Artrite
reumatoide (AR)
O
novo medicamento, em combinação com metotrexato é indicado para o
tratamento dos sinais e sintomas da AR em adultos com resposta inadequada ao
metotrexato isoladamente.
Síndromes
de febres periódicas
Kineret é
indicado para o tratamento das seguintes síndromes de febre
periódica autoinflamatória em adultos, adolescentes, crianças e bebês
com 8 meses ou mais e peso corporal de 10 kg ou mais:
- Síndromes
periódicas associadas à criopirina (CAPS)
- Febre
Familiar do Mediterrâneo (FFM)
Doença
de Still
O
produto é indicado ainda para adultos, adolescentes, crianças e bebês com
8 meses de idade ou mais, e com peso corporal de 10 kg ou mais, para o
tratamento da doença de Still, incluindo artrite idiopática juvenil
sistêmica (AIJS) e doença de Still do adulto (DSA).
Confira
a Resolução (RE) 2.871/2026.
Fonte _ Anvisa
Ministério da Saúde no WhatsApp: o que é e como usar chatbot
O Ministério
da Saúde lançou um novo canal para esclarecer dúvidas referentes a
saúde, como imunização, fake news, horários de funcionamento das Unidades
Básicas de Saúde, entre outros temas. A novidade se trata de um chatbot, que
funciona como um assistente virtual no WhatsApp.
Para usar, basta adicionar o número na agenda do telefone, localizar o contato
no mensageiro e iniciar a interação.
Vale
destacar que a conversa acontece conforme as preferências dos usuários, ou
seja, são disponibilizados diversos menus para que as pessoas escolham sobre
quais temas desejam falar. Todas as informações estarão disponíveis na palma da
mão, com acesso rápido e prático, evitando dúvidas sobre as iniciativas do
governo federal. A seguir, saiba mais sobre o novo chatbot do Ministério da
Saúde e veja como iniciar a interação no seu celular.
Para
que serve o chatbot do Ministério da Saúde no WhatsApp?
O
novo chatbot do Ministério da Saúde reúne informações importantes sobre
imunização e outras temáticas frequentes na área da saúde, além de trabalhar no
combate às fake news. O canal é oficial e foi lançado pelo programa Saúde com
Ciência, visando esclarecer dúvidas de forma confiável. O acesso se dá pelo
aplicativo WhatsApp, utilizado por grande parte dos brasileiros, permitindo
consultas rápidas e práticas. Vale destacar que as interações são gratuitas e
estão disponíveis a qualquer momento - basta adicionar o número (61) 99381-
8399 aos contatos do seu telefone.
Como
usar o chatbot do Ministério da Saúde no WhatsApp?
Passo 1. Abra o aplicativo “Telefone” no seu celular – o nome pode mudar de acordo com cada modelo de aparelho. Toque na opção “Criar contato” e, em seguida, insira o nome “Ministério da Saúde” e o número (61) 99381-8399. Selecione “Salvar”.
Passo 2. Vá para o WhatsApp e toque sobre a opção de “nova conversa”. Em seguida, selecione o ícone de três pontos, na parte superior direita da tela.
Passo 3. Aperte “Atualizar” para que o número adicionado seja disponibilizado na lista do mensageiro. Em seguida, toque sobre o contato do Ministério da Saúde.
Passo 4. Inicie a interação com o chatbot mandando um “Oi”. Depois disso, toque em “Sim” ou “Não” para responder se gostaria de receber notificações sobre as ações do Ministério da Saúde. Em seguida, responda com números conforme os temas de seu interesse. Por exemplo, digite 1 para informações sobre “Serviços do SUS” ou 2 para “Vacinação”, entre outras pautas. Nos passos seguintes, prossiga a interação segundo os assuntos que você desejar.
Fonte _ TechTudo
Multivacinação 2026: atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes
Multivacinação
2026: estratégia para a atualização da caderneta de vacinação das crianças e dos
adolescentes menores de 15 anos.
domingo, 26 de julho de 2026
WRC Rally 2026 – Vídeos em estado bruto (Pure Raw): melhores momentos da temporada
WRC Delfi Rally Estonia 2026 – No limite, ataque total,
velocidade máxima, som puro, sem filtros, pé embaixo, alta qualidade –
Compilação de vídeos do Rally da Estônia 2026.
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