Imuniza SUS

sexta-feira, 19 de junho de 2026

NOTA OFICIAL Defesa Civil Federal

 


A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra “misantropia” — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas.

Fonte_ instagram Defesa Civil


Celulares recebem alerta com palavra ‘misantropia’ no AC: “violação do sistema”, diz Defesa Civil

 


Moradores de Rio Branco, capital do Acre, foram surpreendidos na noite desta sexta-feira, 19, com um alerta extremo sonoro emitido nos celulares, tendo como remetente, supostamente, o órgão Defesa Civil.

Na mensagem, aparecia apenas a palavra “misantropia”. Pouco depois, o tenente-coronel Cláudio Falcão, da Defesa Civil Municipal, informou que o alerta emitido não partiu da capital acreana e que, aparentemente, pode se tratar de uma “violação do sistema”.

Mais cedo, moradores de outras cidades brasileiras, como Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, também passaram pela mesma situação. O alerta gerou surpresa e confusão, uma vez que o termo não tem relação com fenômenos climáticos ou situações de emergência.

A Defesa Civil em Rio Branco reforçou que assim que tomou conhecimento do ocorrido, a equipe técnica iniciou os procedimentos de verificação junto aos órgãos responsáveis pelo sistema de envio de alertas. As informações preliminares apontam para uma possível falha operacional ou acesso indevido à plataforma, circunstância que está sendo devidamente apurada pelas autoridades competentes.

Segundo o dicionário Michaelis, o termo misantropia significa aversão ou rejeição à humanidade, podendo também se referir a isolamento social, melancolia ou profunda tristeza.

NOTA OFICIAL

A Defesa Civil Municipal de Rio Branco esclarece que o alerta enviado à população nesta data não corresponde a qualquer situação de emergência, desastre natural ou risco iminente registrada no município.

Assim que tomou conhecimento do ocorrido, a equipe técnica iniciou os procedimentos de verificação junto aos órgãos responsáveis pelo sistema de envio de alertas. As informações preliminares apontam para uma possível falha operacional ou acesso indevido à plataforma, circunstância que está sendo devidamente apurada pelas autoridades competentes.

Reiteramos que não há, neste momento, qualquer ocorrência que justifique medidas extraordinárias por parte da população. Todos os serviços de monitoramento e acompanhamento permanecem funcionando normalmente.

A Defesa Civil orienta os cidadãos a desconsiderarem o alerta recebido e a acompanharem informações exclusivamente por meio dos canais oficiais da Prefeitura de Rio Branco e da Defesa Civil Municipal.

Novas informações serão divulgadas oportunamente, conforme o avanço das apurações.

Rio Branco, 19 de junho 2026

DEFESA CIVIL MUNICIPAL DE RIO BRANCO

Fonte _ AC24hs

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ministério da Saúde institui Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente para fortalecer o cuidado em todo o SUS

Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº 11.527, de 9 de junho de 2026, que institui a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente (PNQSP). A iniciativa estabelece diretrizes para promover um cuidado seguro, de qualidade, equitativo e centrado nas pessoas em todos os serviços que integram o Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova política representa um marco para a saúde pública brasileira ao consolidar uma visão ampliada da qualidade do cuidado e da segurança do paciente, com foco em qualificar toda a jornada do usuário na Rede de Atenção à Saúde, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento contínuo do tratamento.

Para o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHUD), Fernando Figueira, a política consolida uma mudança importante na forma de pensar e organizar o cuidado em saúde.

“A qualidade e a segurança do paciente não são responsabilidades de um único profissional ou serviço. Elas precisam estar presentes em toda a trajetória assistencial. Esta política fortalece uma cultura de cuidado baseada no respeito às pessoas, na prevenção de riscos e na busca permanente por melhores resultados em saúde. É um avanço importante para que cada cidadão se sinta acolhido, protegido e seguro ao utilizar o SUS”, destaca Fernando Figueira.

A implementação da PNQSP ocorrerá de forma progressiva e pactuada entre União, estados e municípios, respeitando as diferentes realidades dos territórios brasileiros. O objetivo é consolidar uma cultura permanente de melhoria da qualidade, capaz de gerar resultados mais seguros, eficientes e humanizados para toda a população. 

Cuidado seguro em toda a rede

A PNQSP reconhece que a segurança do paciente deve estar presente em todos os serviços de saúde, desde a Atenção Primária à Saúde até os hospitais de alta complexidade, passando pelos ambulatórios especializados, serviços de urgência e emergência, atenção domiciliar, atenção materno-infantil e demais pontos da Rede de Atenção à Saúde.

Isso significa promover práticas que contribuam para um cuidado mais seguro, como a identificação correta dos pacientes, a prevenção de infecções relacionadas à assistência, a segurança no uso de medicamentos, a redução de riscos em procedimentos e cirurgias e a melhoria da comunicação entre profissionais de saúde.

Também garante que as informações acompanhem o paciente ao longo do tratamento e que as transições entre os diferentes serviços ocorram de forma coordenada, contribuindo para o acesso oportuno e melhores resultados em saúde.

Além disso, prevê o fortalecimento dos Núcleos de Segurança do Paciente, estruturas responsáveis por promover ações de prevenção, monitoramento e melhoria contínua da qualidade nos serviços de saúde. Além disso, estabelece estratégias para qualificação permanente dos profissionais, incentivo à inovação, uso de tecnologias digitais e monitoramento de indicadores capazes de orientar decisões e aprimorar o cuidado.

Para a coordenadora-geral de Atenção Hospitalar, Luisa Frazão, a política reforça um compromisso permanente com o fortalecimento do Cuidado Centrado na Pessoa.

“A Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente amplia a compreensão de que qualidade e segurança não são atributos de um serviço isolado, mas de toda a Rede de Atenção à Saúde. Nosso desafio é garantir que cada pessoa receba um cuidado seguro, coordenado e resolutivo, independentemente do local onde acessa o SUS. Para isso, fortalecemos a participação dos pacientes, a gestão de riscos, o uso de evidências e a integração entre os serviços de saúde”, destaca Luisa Frazão.  

Qualidade e acesso lado a lado

A instituição da Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente dialoga diretamente com os esforços do Ministério da Saúde para ampliar o acesso da população aos serviços especializados por meio do Programa Agora Tem Especialistas.

O programa tem promovido a ampliação da oferta de consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados em todo o país, reduzindo o tempo de espera e fortalecendo a capacidade de atendimento do SUS. Nesse cenário, a nova política surge como uma ferramenta estratégica para assegurar que a expansão do acesso aconteça acompanhada de qualidade, segurança e coordenação do cuidado.

Fonte _ Saúde.gov

Anvisa manda recolher lote de antibiótico com fragmento de vidro

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento do lote 2519879 do antibiótico injetável Polycid, da União Química Farmacêutica Nacional, após a empresa notificar a agência sobre a presença de um pedaço de vidro dentro do frasco-ampola. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (18).

A União Química afirma que iniciou o recolhimento voluntário após identificar um problema de qualidade em um frasco do lote do Polycid, antibiótico injetável de uso hospitalar à base de polimixina B.

A empresa diz que nenhum caso de uso indevido ou efeito adverso relacionado ao medicamento foi registrado até o momento.

A reportagem também questionou a União Química sobre o alcance da distribuição do lote, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Outro antibiótico também foi alvo de medida preventiva pela agência. O fosfato de clindamicina, da Hypofarma —indicado para infecções graves na pele, no trato respiratório, nos ossos e nas articulações—, deve ter o lote 24101854 recolhido.

A agência identificou problemas de qualidade no produto: a solução apresentava coloração amarelada e partículas estranhas dentro do frasco lacrado.

A Hypofarma disse que está cumprindo os protocolos regulatórios exigidos e que segue em alinhamento com a Anvisa. A empresa afirmou ainda manter colaboração total com os órgãos competentes.

A Anvisa também determinou o recolhimento do lote 2513588 do soro fisiológico injetável fabricado pela Equipex Indústria Farmacêutica Ltda. A resolução não cita o motivo da decisão.

Folha tentou contato telefônico com a Equipex e não foi atendida na manhã desta quinta.

Fonte _ Folha/SP

Vacina contra HPV reduz mortes de jovens por câncer do colo do útero na Inglaterra

 


A vacina que protege contra o HPV, responsável pelo câncer de colo do útero, reduziu a quase zero o risco de morrer da doença antes dos 30 anos na Inglaterra, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista The Lancet.

Os resultados vêm de uma análise de dados nacionais de saúde da Inglaterra. Entre 2020 e 2024, nenhuma mulher na Inglaterra entre 20 e 24 anos morreu de câncer de colo do útero. É a primeira vez que não se registra nenhuma morte nessa faixa etária.

Entre 2015 e 2019, também houve uma redução de 80% nas mortes por esse câncer entre mulheres jovens de 20 a 24 anos.

vacina foi introduzida para meninas em 2008 e para meninos em 2019 na Inglaterra. Conforme o estudo, as jovens vacinadas aos 12 ou 13 anos apresentam um risco praticamente nulo de morrer de câncer de colo do útero antes dos 30 anos.

Feita pelo Cancer Research UK e pela Queen Mary University of London, a pesquisa mostra que foram evitadas ao todo 200 mortes desde a introdução da vacinação contra o HPV, cujas cepas de alto risco causam praticamente todos os casos de câncer de colo do útero.

"Sabemos que a vacina contra o HPV é extremamente eficaz para conter o câncer de colo do útero antes que se desenvolva e, pela primeira vez, esses resultados mostram que ela salva vidas", disse Michelle Mitchell, diretora-geral do Cancer Research UK.

Na ausência de vacinação, teriam sido registradas 23 mortes entre 2020 e 2024 nessa população de 20 a 24 anos, imunizada em aproximadamente 90% aos 12 e 13 anos, o que alimenta a esperança de conseguir a eliminação progressiva desse tipo de câncer na Inglaterra.

O HPV é um vírus que pode ser transmitido durante relações sexuais e que geralmente não provoca sintomas.

A detecção precoce continua indispensável para todas as mulheres, já que a vacina previne cerca de 90% das infecções que causam câncer, entre outras doenças.

O câncer de colo do útero provoca cerca de 685 mortes por ano na Inglaterra, segundo o NHS, o serviço público de saúde.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe: número de casos de SRAG volta a aumentar entre jovens, adultos e idosos

 

Divulgado nesta quinta-feira (18/6), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já apresentava crescimento em todo o país nas últimas semanas, voltou a aumentar na população de jovens, adultos e idosos. Este cenário é impulsionado pelo aumento das hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) nas crianças pequenas e das hospitalizações pelos vírus da influenza A e B na população de jovens, adultos e idosos.

Em nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento do número de casos de SRAG nas crianças até 4 anos e queda dos casos graves nas crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Referente à Semana Epidemiológica 23, a atualização abrange o período de 7 a 13 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que o importante é que a vacina contra a influenza protege contra os vírus da influenza A e B. Por isso, afirma Portella, é fundamental que as pessoas dos grupos de maior risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, estejam vacinadas. A cientista enfatiza ainda que também é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o vírus sincicial respiratório para proteger seus bebês contra o vírus.

Além disso, diante do leve aumento da Covid-19 em alguns estados, Portella orienta que é importante que a população de risco, como idosos e imunocomprometidos, esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19. “No mais, recomendamos alguns cuidados adicionais, como usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.


Estados e capitais

A análise mostra que 14 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 23: Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Além disso, 9 unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Os casos de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam aumentando na maioria dos estados das regiões Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em alguns estados do Norte (Amapá e Roraima) e Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo). Em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre, Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

Na atualização observa-se que 11 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 23: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).

Além disso, 12 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Rio De Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

A tendência de queda dos casos de SRAG na capital de São Paulo é puxada pela diminuição dos casos de SRAG nas crianças pequenas, associados ao VSR. Contudo, os casos de SRAG nos jovens, adultos e idosos continuam aumentando na capital paulista, provavelmente relacionado ao aumento das hospitalizações por influenza.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 89.725 casos de SRAG, sendo 44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 31.637 (35,3%) negativos e ao menos 7.740 (8,6%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes, por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,6% de influenza A, 3,5% de influenza B, 35% de vírus sincicial respiratório, 31,8% de rinovírus e 5,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. 
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Referente aos óbitos de SRAG em 2026, foram registrados 3.842 óbitos de SRAG, sendo 1.772 (46,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.679 (43,7%) negativos e ao menos 82 (2,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 41,7% de influenza A, 5,8% de influenza B, 9,6% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 20,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos positivos foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

Governo aposta em comunicação direta com os cidadãos para ampliar acesso às políticas do SUS

 


Ministério da Saúde vem intensificando o uso de tecnologias digitais para aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) da população. A estratégia, apresentada no projeto “Serviço na Ponta”, aposta no envio de mensagens personalizadas por canais como WhatsApp, caixa postal do Gov.br e do aplicativo Meu SUS Digital, com o objetivo de ampliar o acesso às políticas públicas e facilitar a interação do cidadão com serviços públicos.

A iniciativa funciona como um serviço de comunicação ativa, que combina envio de alertas, lembretes e informações relevantes sobre direitos e programas e políticas do SUS. Entre as modalidades em operação atualmente estão mensagens proativas, como avisos de vacinação, campanhas, ações e serviços de saúde, e o uso de agentes de inteligência artificial para responder dúvidas em tempo real com informações oficiais do Ministério da Saúde.

Além de informar, ela busca fortalecer o relacionamento entre a população e o SUS, promovendo maior sensação de pertencimento e valorização dos serviços públicos de saúde. Esta estratégia de comunicação foi apresentada na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de fevereiro de 2026 no intuito de fortalecer a agenda junto aos territórios em parceria com os gestores estaduais e municipais.

Os resultados iniciais indicam alto alcance e engajamento. Atualmente, as ações já alcançaram cerca de 100 milhões de comunicações, incluindo campanhas de vacinação, prevenção à dengue e arboviroses, informações sobre o Programa Farmácia Popular, assistência farmacêutica, serviços voltados à saúde das caminhoneiras e caminhoneiros, saúde da mulher e o programa Agora Tem Especialistas.

Outro destaque é o uso de chatbots temáticos, que neste momento atendem demandas específicas de alguns programas e políticas do Ministério da Saúde. Essas ferramentas permitem ao cidadão esclarecer suas dúvidas e consultar rapidamente informações sobre elegibilidade, prazos e serviços disponíveis.

A estratégia também já foi aplicada em campanhas de grande alcance. Na mobilização contra a influenza no ano de 2026, foram disparadas cerca de 10 milhões de mensagens direcionadas ao público prioritário para a vacinação, reforçando o papel da comunicação digital como instrumento das políticas públicas de saúde.

Fonte _ Saúde.gov

Ministério da Saúde lança programa inédito de cuidado domiciliar à pessoa idosa

 


ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lança nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). A iniciativa marca a primeira estratégia nacional de cofinanciamento federal voltada exclusivamente para estruturar e levar Equipes Multiprofissionais (eMulti), às residências de usuários idosos da Atenção Primária à Saúde com limitações funcionais. Para isso, serão investidos cerca de R$ 500 milhões em recursos federais, sendo R$163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027.

O ministro destacou que mais de 3 milhões de idosos acamados são atendidos pelo SUS no Brasil. “Com a implantação do Padi Brasil, mais da metade dessa população passará a contar também com acompanhamento em casa, ampliando o acesso ao cuidado e oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes e às suas famílias”, afirmou.

“Junto ao Programa Farmácia Popular, que oferece gratuitamente medicamentos para diabetes e hipertensão, além de fraldas geriátricas, e ao Agora Tem Especialistas, que está reduzindo o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, estamos fortalecendo ainda mais o cuidado com a saúde da população idosa em todo o país”, acrescentou o ministro Alexandre Padilha.

Com o incremento financeiro, os municípios poderão solicitar novas equipes ou ampliar as já existentes, com aumento da carga horária, contratação de mais profissionais, inclusive médicos especialistas. Ao todo, 2.733 municípios já solicitaram ao Ministério da Saúde a adesão ao Padi Brasil, totalizando 3.677 equipes eMulti, entre ampliações de equipes existentes e implantações de novas equipes. Os números demonstram a demanda dos territórios pelo fortalecimento do cuidado domiciliar à pessoa idosa.

Cada equipe poderá receber um incremento mensal de até R$ 10 mil por meio do Padi Brasil, totalizando até R$ 57,5 mil por mês, a depender da modalidade da equipe multiprofissional, que pode ser Ampliada, Complementar ou Estratégica. Essas equipes são compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas e categorias profissionais, possibilitando o atendimento por psicólogos, nutricionistas, cardiologistas, geriatras, entre outros especialistas, que atuam de forma integrada às equipes de Saúde da Família, ampliando o acesso ao cuidado especializado. Também haverá repasse de parcela única de implantação para ações de estruturação de ações no território no mesmo valor do incremento.

Atenção primária à Saúde e envelhecimento saudável

A promoção do envelhecimento saudável é uma das prioridades do Governo do Brasil. Nas últimas décadas, a população brasileira passou a viver mais: em 2024, a expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos. Esse avanço representa uma importante conquista social, resultado da melhoria das condições de vida, da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do fortalecimento das políticas públicas. Atualmente 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesse contexto, as equipes da Atenção Primária à Saúde desempenham papel fundamental no acompanhamento da população idosa, identificando precocemente sinais de alerta, fragilidades e condições crônicas. Com o Padi Brasil, esse cuidado será ampliado, levando atendimento multiprofissional especializado até a residência das pessoas idosas com limitações funcionais.

As equipes contam com diversos instrumentos de apoio ao cuidado. Entre eles, destaca-se a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, importante ferramenta para o acompanhamento das condições de saúde dessa população, disponível tanto na versão impressa quanto digital, por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

O Ministério da Saúde também disponibiliza materiais educativos e orientativos voltados a profissionais de saúde, gestores, cuidadores e familiares, abordando temas como a promoção de uma linguagem positiva sobre demência, a prevenção de quedas e a adoção de práticas que contribuam para um envelhecimento saudável e com mais qualidade de vida.

Homenagem ao pioneirismo

Durante o lançamento dos novos recursos, o Ministério da Saúde realizou uma homenagem à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, idealizadora do projeto que inspirou o programa nacional.

Na década de 1990, ela atuou no Hospital Municipal Paulino Werneck, que atende a população da Ilha do Governador e parte da região da Maré. Ao observar que muitos pacientes idosos retornavam repetidamente ao hospital, Guilhermina iniciou uma investigação para compreender as causas dessas reinternações.

Ao constatar que muitos pacientes, após receberem alta, permaneciam sem acompanhamento adequado, Guilhermina liderou a criação do Programa de Atenção Domiciliar (PADI) do Hospital Paulino Werneck, considerado uma experiência inovadora no Sistema Único de Saúde (SUS) carioca. O programa passou a acompanhar pacientes em suas próprias casas, oferecendo assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares.

Fonte _ Saúde.gov

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | México x Coreia do Sul | 2ª Rodada | Fase de Grupos

 


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COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Canadá x Catar | 2ª Rodada | Fase de Grupos

 


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COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Suíça x Bósnia | 2ª Rodada | Fase de Grupos

 


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COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Tchéquia x África do Sul | 2ª Rodada | Fase de Grupos

 


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quarta-feira, 17 de junho de 2026

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Ministério da Saúde amplia acesso a medicamento para pessoas vivendo com HIV ou aids

 


Ministério da Saúde atualizou os critérios para solicitação e autorização do uso do medicamento fostensavir e, com isso, ampliou o acesso ao tratamento para pessoas vivendo com HIV e/ou aids que apresentam vírus multirresistente e necessitam de alternativas terapêuticas mais avançadas. A medida busca evitar que pessoas em situação de maior vulnerabilidade clínica precisem esgotar todas as alternativas terapêuticas antes de terem acesso ao medicamento, ampliando as chances de controle da infecção e de recuperação da resposta ao tratamento.

O fostensavir é indicado para adultos com infecção por HIV-1 multirresistente que apresentam falha virológica. Utilizado em conjunto com outros antirretrovirais, o medicamento integra as opções terapêuticas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para casos mais complexos, ampliando as possibilidades de controle da infecção e de recuperação da resposta ao tratamento.

Com a publicação da Nota Técnica nº 68/2026, o Ministério da Saúde simplifica os critérios de indicação do medicamento, permitindo que mais pessoas possam se beneficiar dessa tecnologia.

 Na prática, a avaliação para acesso ao fostensavir passa a ocorrer mais cedo na trajetória terapêutica de pessoas com HIV multirresistente. Entre as mudanças, foram ampliadas as possibilidades de solicitação para pacientes com histórico de uso de múltiplas classes de antirretrovirais, falha virológica confirmada e evidências de resistência a diferentes medicamentos já utilizados no tratamento. A atualização também permite que casos com forte suspeita clínica de multirresistência, mesmo quando não há histórico completo de exames de genotipagem disponível, possam ser avaliados para uso da terapia.

"Ao ampliar e qualificar o acesso ao fostensavir, fortalecemos nosso compromisso com a equidade e com a oferta das melhores opções terapêuticas disponíveis. É mais um passo para garantir cuidado de qualidade e melhores perspectivas de saúde para quem mais precisa", destacou coordenador-geral de Vigilância de HIV e Aids do Ministério da Saúde, Artur Kalichman.

Cuidado integral e resposta ampliada ao HIV

 A ampliação do acesso ao fostensavir faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde para fortalecer a prevenção, a vigilância e o cuidado integral das pessoas vivendo com HIV. O Brasil mantém uma das maiores políticas públicas de enfrentamento ao HIV do mundo, com acesso universal e gratuito ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento clínico pelo SUS.

Entre as principais ações estão a oferta gratuita da terapia antirretroviral para todas as pessoas diagnosticadas com HIV, a disponibilização da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), a distribuição de preservativos e autotestes, além da ampliação do acesso aos testes rápidos em serviços de saúde de todo o país.

O Ministério da Saúde também investe continuamente na vigilância epidemiológica e laboratorial, permitindo identificar populações mais vulneráveis e orientar políticas públicas baseadas em evidências. O acompanhamento regular da carga viral e da contagem de linfócitos CD4, oferecido pelo SUS, possibilita avaliar a efetividade do tratamento e intervir precocemente quando necessário.

Com a atualização dos critérios para uso do fostensavir, o Ministério da Saúde reforça seu compromisso de incorporar novas tecnologias, qualificar a assistência e assegurar que tratamentos inovadores cheguem às pessoas que mais precisam, fortalecendo a resposta do SUS ao HIV e à aids.

Acesse a nota técnica com os critérios para o uso do medicamento

Fonte _ Saúde.gov

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Uzbequistão x Colômbia | 1ª Rodada | Fase de Grupos

 


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Vacina contra Covid reduz risco de infarto e AVC em idosos, aponta estudo

 


Estudo publicado na última segunda-feira (15) no JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves associados à doença, como infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte com origem cardiovascular, em comparação a pessoas que receberam apenas a vacina da gripe.

Os pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da Universidade Washington em St. Louis analisaram os prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos que receberam a vacina contra gripe entre setembro e dezembro de 2024.

Desse total, 349.085 tomaram também a vacina contra Covid no mesmo dia. Essa comparação, segundo a pesquisa, foi feita para reduzir o "viés do vacinado saudável", que pressupõe que pessoas que se vacinam tendem a ter comportamentos de saúde melhores em geral.

Os participantes receberam as formulações 2024-2025 das vacinas Moderna (65,4%) e Pfizer-BioNTech (34,1%), entre outras, como Novavax (0,5%). O estudo foi financiado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, e os autores declararam não ter conflito de interesses.

Os participantes foram acompanhados por até oito meses. Durante esse período, os pesquisadores registraram quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados à Covid: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e internação por insuficiência cardíaca.

Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos cardiovasculares.

Nos demais grupos os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, não é possível afirmar com segurança que a vacina da Covid protegeu essas faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos participantes era de 70 anos.

De acordo com o estudo, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados à Covid foram evitados, em comparação ao grupo que não tomou a vacina. Os pesquisadores destacam que, ao considerar todos os eventos cardiovasculares —não apenas os confirmadamente ligados à Covid—, o número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil pessoas.

Em uma população de 1 milhão de pessoas, os autores estimam que a vacinação poderia evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em oito meses.

O estudo enfatiza que a eficácia relativa da vacina foi estatisticamente significativa nos subgrupos com e sem comorbidades. Ainda assim, o benefício absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar crônica, diabetes e imunossupressão.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa projeção deve ser interpretada com cautela, dado o caráter observacional do estudo e o fato de ter sido realizado apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente branca, masculina e com idade avançada.

Os autores também pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a registrada nos primeiros anos da pandemia, o que atribuem à evolução do vírus, à imunidade adquirida por infecções anteriores e à maior dificuldade de detectar infecções em um cenário em que os testes são realizados com menos frequência.

Por que a vacina protege o coração?

A pesquisa indica que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia processos inflamatórios e de coagulação que danificam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de formação de trombos, que são coágulos que podem provocar infarto ou AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina reduz esses mecanismos de dano vascular.

Os pesquisadores alertam, ainda, que o benefício sobre eventos cardiovasculares de outras causas foi muito maior do que o observado nos casos comprovadamente associados à Covid. Para os autores, isso indica que uma parcela significativa das complicações cardiovasculares provocadas pelo vírus ocorre em pessoas que não chegam a testar positivo para a doença.

Fonte _ Folha/SP

Brasil registrou 120 mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos

 


O estudo Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, lançado nesta quarta-feira (17/6), apresenta dados inéditos sobre mortes atribuíveis às ondas de calor no país nos últimos 20 anos. O estudo caracteriza padrão de exposição a eventos de ondas de calor e os efeitos na saúde humana em todo o território nacional. Os achados reforçam o calor extremo como ameaça à saúde pública e destacam a necessidade de fortalecer a agenda de adaptação, diante do aquecimento global e da intensificação e frequência de ondas de calor. As análises foram conduzidas por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob a coordenação das equipes técnicas dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, com o objetivo de apoiar a formulação de ações para o enfretamento do calor extremo e fortalecer a integração entre produção científica e políticas setoriais. Acesse o estudo.

Os dados de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e cardiovascular ocorridas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em 5.566 municípios, entre os anos de 2000 e 2019, estimaram em aproximadamente 120 mil óbitos associados ao calor extremo no país. Esse valor equivale a 0,6% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas (acidentes e violências). Os resultados revelam de modo consistente a associação entre a exposição ao calor extremo e ondas de calor e o aumento da mortalidade. Os efeitos foram mais pronunciados entre idosos, com óbitos por causas respiratórias, mulheres e pessoas com menor escolaridade. São resultados que indicam e reforçam a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade. De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira”, destaca a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável por conduzir o estudo.

"A pesquisa traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes. Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, é o que estamos fazendo a partir da implementação do Programa Cidades Verdes Resilientes com o Plano Nacional de Arborização Urbana, a iniciativa ArborizaCidades fomentando apoio a planos e projetos de arborização urbana para enfrentar o calor extremo, a elaboração da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza e o Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento. Tudo isso é indispensável para apoiar estados e municípios a serem capazes de proteger a saúde da população diante de um clima cada vez mais quente. A agenda de resfriamento urbano é uma agenda de prevenção, adaptação e proteção da vida", detalha o diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do projeto ProAdapta, Maurício Guerra.

Em âmbito nacional, o estudo explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares do SUS. Na população em geral foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões. O estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.


Para crianças menores de 10 anos, as gastroenterites (diarreias) foram a causa de internação mais fortemente associada às ondas de calor em todas as macrorregiões do país. A condição pode estar associada à maior suscetibilidade à desidratação, à imaturidade dos mecanismos de termorregulação e às alterações ambientais que afetam a qualidade da água e o armazenamento de alimentos durante períodos de calor extremo.   

Na população idosa, indivíduos com mais de 60 anos mostraram alta sensibilidade em causas respiratórias, renais e metabólicas (diabetes). Segundo os pesquisadores, do ponto de vista fisiopatológico, esses efeitos podem estar associados à redução da capacidade de termorregulação, à maior prevalência de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que interferem no balanço hídrico e eletrolítico, favorecendo a desidratação e a disfunção renal. O estudo sugere que, durante ondas de calor mais severas, internações por doenças cardiovasculares podem evoluir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

“Na morbidade hospitalar, exploramos diferentes desfechos de saúde, um tema ainda pouco estudado no país. Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade. Esses resultados reforçam a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis”, explica o supervisor de Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação do projeto Ciência&Clima, Sávio Raeder.

A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas. Contudo, a análise sinaliza que a exposição às ondas de calor não ocorre de modo homogêneo no território nacional. Há variações de frequência, duração e intensidade entre as sete zonas climáticas do país, que foram adotadas neste estudo por sua maior sensibilidade de captar a relação entre saúde e os eventos de ondas de calor.

Estas variações também foram observadas entre as regiões brasileiras: enquanto os eventos climáticos foram mais frequentes, longos e persistentes nas regiões Norte e Centro-Oeste, os episódios com maior intensidade, em relação à temperatura média climatológica local, ocorreram no Sul e no Sudeste. Os resultados demonstram como as ondas de calor  podem aumentar a demanda por serviços de saúde pública e contribuir para o agravamento de condições clínicas entre os grupos mais sensíveis.

Metodologia empregada

O estudo envolveu três etapas. A primeira caracterizou a exposição às ondas de calor no Brasil. Foram considerados o número de dias em ondas de calor, o número de eventos climáticos, a duração média dos episódios e a intensidade média em relação à média climatológica do período de referência (1981-2010). A metodologia para realização do estudo adotou o critério mínimo de dois dias consecutivos com temperatura acima do percentil 95 da temperatura média como principal componente da exposição. Além disso, foram analisadas a distribuição espacial e temporal entre 2000 e 2019.  

A segunda etapa explorou as estimativas de risco da exposição às ondas de calor sobre desfechos de morbidade hospitalar atendidos pelo SUS, segundo diferentes definições de ondas de calor, subgrupos populacionais de maior risco (população geral, crianças menores de 10 anos e idosos) e causas específicas. Os principais desfechos estudados foram selecionados de acordo com a plausibilidade biológica, relevância clínica e adequação ao uso de dados administrativos. Foram consideradas as internações hospitalares com a seleção de 680 municípios, que apresentaram séries temporais mais estáveis e robustas entre 2010 e 2019. Por fim, os pesquisadores analisaram a associação entre ondas de calor e mortalidade e estimaram o número de óbitos atribuíveis, considerando as zonas climáticas e as características sociodemográficas (2000-2019).  

Medidas preventivas

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar a sensibilização sobre os riscos das ondas de calor e incrementar os planos de ações em nível municipal. A resposta passa pela implementação de sistemas de monitoramento e alerta antecipado, orientação à população e fortalecimento da capacidade de respostas do SUS. 

Outro aspecto apontado pelo estudo é a necessidade de incorporar sistematicamente informações climáticas nos processos de vigilância epidemiológica e ambiental para melhor identificar os períodos críticos, ampliar a capacidade de antecipação de riscos e subsidiar medidas preventivas e assistenciais. Os maiores impactos observados em grupos de maior vulnerabilidade apontam necessidade de atenção especial a estes segmentos.

A publicação é mais um resultado da iniciativa conjunta dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, em conjunto com a Fiocruz, em aprofundar e avançar no conhecimento científico e na compreensão dos impactos observados da mudança do clima no Brasil. O estudo preenche uma lacuna crítica sobre a associação entre calor extremo e impactos na saúde no âmbito nacional. Na primeira fase do estudo, lançado em outubro de 2025, os técnicos se preocuparam em sintetizar os indicadores e índices utilizados para estabelecer os parâmetros para protocolos de enfrentamento ao calor extremo. 

Saiba mais

Ciência&Clima é um projeto de cooperação técnica internacional executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na sua implementação e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) cujo propósito é auxiliar o governo brasileiro no cumprimento dos compromissos internacionais da agenda de transparência climática junto à Convenção do Clima (UNFCCC).

Acesse: https://www.gov.br/mcti/ciencia-clima

ProAdapta é fruto da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) da Alemanha, no contexto da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI, na sigla em alemão) e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Acesse: https://www.adaptacao.eco.br/

A Fiocruz é a maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina e uma das principais responsáveis pela produção de vacinas, medicamentos e conhecimento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Vinculada ao Ministério da Saúde, atua em pesquisa, ensino, inovação e assistência em saúde. Presente em dez estados e no Distrito Federal, além de manter um escritório em Moçambique, reúne 16 unidades técnico-científicas distribuídas pelo país.

Contato para imprensa

Ciência&Clima – transparência.clima@undp.org (Jussara Peccini)

Fiocruz – ccs@fiocruz.br (Regina Castro)

ProAdapta – tiago.zenero@giz.de (Tiago Zenero)

Fonte _ FioCruz