Imuniza SUS

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Governo do Brasil intensifica vacinação nas escolas públicas e busca alcançar 27 milhões de estudantes

 


Governo do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (22), durante café com jornalistas, a realização da Semana de Vacinação nas Escolas, que acontece entre 24 e 30 de abril. A mobilização leva equipes de saúde a escolas públicas para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes de 9 a 15 anos. A ação integra o Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação, e pretende alcançar 27 milhões de estudantes em 104,9 mil escolas de 5.544 municípios. Além do calendário básico, a estratégia inclui a imunização contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não se vacinaram na idade recomendada, chegando à unidade de ensino médio e Educação de Jovens e Adultos nesse caso.


“Com a vacinação nas escolas, estamos extinguindo a disciplina do negacionismo científico da educação básica. É a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos, atingindo um índice cinco vezes superior à média mundial. Isso é motivo de comemoração, mas não para que as escolas e as equipes de saúde da família baixem a guarda”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

As principais vacinas ofertadas na estratégia são HPVfebre amarelatríplice viraltríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWYCovid-19. Estudantes poderão ser vacinados mediante autorização dos pais ou responsáveis.


Incentivo à vacinação por mensagens diretas ao cidadão

O Ministério da Saúde também usa a tecnologia como aliada para lembrar as famílias quando é a hora de vacinar.  A Caderneta Digital de Vacinação da Criança, no ar há um ano, contabiliza mais de 3,3 milhões de acesso no período – é o mini app mais acessado do Meu SUS Digital. E, a partir de agora, uma nova funcionalidade: quem está cadastrado, recebe lembretes (push) conforme a idade das crianças, incentivando a ida aos postos de saúde o quanto antes para atualizar a caderneta.

Por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança no aplicativo Meu SUS Digital, pais, mães e responsáveis podem acompanhar, em tempo real, o histórico de vacinas, consultar a previsão das próximas doses.

Outra medida é o Governo na Ponta, que consiste no envio de mensagens de serviço para o cidadão, via whatsapp e pelo GovBr. O incentivo à vacinação começou no ano passado, seguindo o calendário de campanhas nacionais de vacinação, com um total de 5 milhões de mensagens enviadas – sendo 2,2 milhões via whatsapp. Este ano, o número já é 20 vezes maior, com 39 milhões de disparos, sendo 10,2 milhões via whatsapp.


Reforço do Saúde na Escola

Nos últimos anos, o Programa Saúde na Escola tem registrado avanços significativos na saúde de crianças e adolescentes.  Entre 2022 e 2025, as atividades de prevenção de violências cresceram 175,4%, a verificação da situação vacinal aumentou 119% e as ações de saúde mental subiram mais de 233%, passando de cerca de 7 mil registros em 2020 para quase 99 mil em 2025.

“A Política Nacional Integrada da Primeira Infância conta com a participação ativa do Ministério da Saúde. É fundamental que as crianças se vacinem na idade adequada e tudo isso deve estar articulado com a escola. Por exemplo, a matrícula e a permanência na escola está ligada ao cartão de vacinação", reforçou o ministro da Educação, Leonardo Barchini.


Aumento nas coberturas infantis

O Ministério da Saúde reverteu a queda histórica nas coberturas vacinais registrada nos anos anteriores, agravada pelos impactos da pandemia de Covid-19. Em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura em relação a 2022. A tríplice viral, que protege contra sarampocaxumba e rubéola, chegou a 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022, mantendo o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do avanço de casos na América do Norte.

A vacinação contra o HPV também avançou. Entre meninas de 9 a 14 anos, a cobertura chegou a 86,11%, e entre meninos, a 74,46%. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial. Além disso, onze estados já atingiram a meta de 90% para o sexo feminino e três estados para o sexo masculino, resultado importante para a prevenção do câncer de colo do útero.

No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025. O número de crianças protegidas é quatro vezes maior em 2025, em relação a 2020.

Entenda a campanha de vacinação nas escolas

Confira a apresentação da campanha

Veja como acessar o Meu SUS Digital

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 16 de abril de 2026

InfoGripe: Casos de SRAG Crescem Em Crianças Menores de 2 Anos

 

Boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado nesta quinta-feira (16/4) alerta para o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos em quatro das cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste). A análise aponta que o crescimento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal fator de elevação dos casos nessa faixa etária. A atualização também indicou que os casos graves por Covid-19 seguem em baixa no Brasil. 

O levantamento é referente à Semana Epidemiológica (SE 14), período de 5 a 11 de abril. O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

“O VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG em crianças pequenas, e uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para que seus bebês fiquem protegidos nos primeiros meses de vida”, explica a pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella. “Além disso, com o aumento das hospitalizações por influenza A em diversos estados do país, também é fundamental que a população prioritária que ainda não se vacinou procure um posto de saúde o quanto antes para receber a dose anual da vacina”. 

Capitais e estados 



No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam estabilidade nas tendências de curto e longo prazo. Em relação aos estados, o novo Boletim aponta que 14 das 27 UFs continuam com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14, localizadas nas regiões Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Piaui, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro).

Sobre o VSR, o quadro de crescimento foi constado em todo o Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), além de em muitos estados do Norte (Acre, Pará, Tocantins e Roraima) e Nordeste (Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia).

Com relação a influenza A, a nova edição do Boletim mostra que as ocorrências continuam aumentando em boa parte da região Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de  em algumas regiões do Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Por outro lado, o estudo sinaliza que os casos de SRAG associados à influenza A se mantêm em queda em muitos estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco), além do Pará e do Rio de Janeiro. 

Já os casos de SRAG associados ao rinovírus apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país. No entanto, continuam aumentando no Pará e Mato Grosso.

Sobre as capitais, quatorze das 27 apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14: Rio Branco (Acre), Belém (Pará), Palmas (Tocantins), Cuiabá (Mato Grosso do Sul), Campo Grande (Mato Grosso), São Luís (Maranhão), Teresina (Piauí), João Pessoa (Paraíba), Recife (Pernambuco), Aracaju (Sergipe), Maceió (Alagoas), Belo Horizonte (Minas Gerais), Vitória (Espírito Santo) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).

Incidência e mortalidade 

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem impactado mais crianças de até quatro anos e idosos, enquanto a mortalidade continua apresentando maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 37.244 casos, sendo 15.816 (42,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) negativos e ao menos 3.990 (10,7%) aguardando resultado. Entre os casos positivos do ano corrente, os pesquisadores do Boletim InfoGripe verificaram que 41,1% foram de rinovírus 25,5% de influenza A; 17,4% de VSR; 10,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,7% de influenza B.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 33% para rinovírus; 32,2% para influenza A; 26,3% para VSR; 5,5% para Sars-CoV-2 (Covid-19); e 2,4% para influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 40,8% para influenza A; 26,9% para rinovírus; 23,3% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 5,3% para VSR; e 4,1% para influenza B.

Fonte _ FioCruz

Acre recebe mais de 5 mil doses da vacina contra a covid-19

 


Nesta semana, o Ministério da Saúde enviou mais 2,2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 para todos os estados e o Distrito Federal, garantindo estoque suficiente para atender às demandas regionais. O Acre recebeu 5.406 doses do imunizante. Com essa entrega, o total de doses distribuídas pela pasta nos primeiros meses deste ano chega a 6,3 milhões. Os estoques estão garantidos em todo o país.  

As vacinas ofertadas pelo SUS são as mais atualizadas contra as cepas em circulação e seguem recomendadas de forma prioritária para os grupos mais vulneráveis. “As vacinas continuam sendo a principal forma de prevenir casos graves, hospitalizações e mortes pela doença. O Brasil tem doses suficientes e segue garantindo o acesso da população à imunização”, afirma o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.  

O Ministério da Saúde mantém quantitativo suficiente em estoque para atender todo o país. A distribuição das doses às unidades de saúde e a organização da logística local são de responsabilidade dos estados e municípios, que gerenciam seus estoques, controle de validade e aplicação das doses.  

O envio é feito por meio de pauta automática, baseada em critérios como estimativa da população-alvo e o número de doses aplicadas. Estados podem formalizar solicitações adicionais caso identifiquem necessidades excepcionais. Quando acionado, o Ministério realiza o envio de mais doses.  

Abastecimento contínuo em todo o país  

Entre janeiro e março de 2026, o Ministério da Saúde enviou 4,1 milhões de doses aos estados, com 2 milhões já aplicadas. Na oportunidade, o estado do Acre foi contemplado com 21.212 doses.

Com a nova remessa enviada esta semana, a Pasta dá continuidade ao envio regular e se soma aos estoques regionais para crianças e adultos, reforçando a estratégia de ampliação da cobertura vacinal.  

A distribuição é feita pelo Ministério da Saúde diretamente às secretarias estaduais de saúde (SES), responsáveis pela logística de recebimento e distribuição das doses aos municípios.  

Quem deve se vacinar?   

O esquema de vacinação contra a covid-19 no Brasil segue diretrizes atualizadas, estruturadas conforme faixa etária e condições de saúde, com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis:  

  • Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;  
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;  
  • Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;  
  • Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);  
  • População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.  

A estratégia de vacinação também contempla outros grupos especiais, como trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios.  

A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e manter a proteção em dia.  

Cenário epidemiológico  

covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, com potencial de agravamento, especialmente em grupos de maior risco, podendo evoluir para óbito. Em 2026, até 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal (SG) por covid-19. Também foram notificados 30.871 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 4,7% por covid-19 (1.456 casos), com 188 óbitos de SRAG por covid-19.  

Diante desse cenário, a vacinação continua sendo a principal forma de proteção. As vacinas oferecidas gratuitamente pelo SUS são seguras e eficazes para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos. Por isso, é fundamental manter o esquema vacinal atualizado, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Fonte _ Saúde.gov

Ministério da Saúde envia mais 2,2 milhões de doses contra Covid-19 e mantém estoques garantidos no país

 


Nesta semana, o Ministério da Saúde enviou mais 2,2 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 para todos os estados e o Distrito Federal, garantindo estoque suficiente para atender às demandas regionais. Com essa entrega, o total de doses distribuídas pela pasta nos primeiros meses deste ano chega a 6,3 milhões. Os estoques estão garantidos em todo o país.

As vacinas ofertadas pelo SUS são as mais atualizadas contra as cepas em circulação e seguem recomendadas de forma prioritária para os grupos mais vulneráveis. “As vacinas continuam sendo a principal forma de prevenir casos graves, hospitalizações e mortes pela doença. O Brasil tem doses suficientes e segue garantindo o acesso da população à imunização”, afirma o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.

O Ministério da Saúde mantém estoque para atender todo o país. A distribuição das doses às unidades de saúde e a organização da logística local são de responsabilidade dos estados e municípios, que gerenciam seus estoques, controle de validade e aplicação das doses.

O envio é feito por meio de pauta automática, baseada em critérios como estimativa da população-alvo e o número de doses aplicadas. Estados podem formalizar solicitações adicionais caso identifiquem necessidades excepcionais. Quando acionado, o Ministério realiza o envio de mais doses.

 

Abastecimento contínuo em todo o país

Entre janeiro e março de 2026, o Ministério da Saúde enviou 4,1 milhões de doses aos estados, com 2 milhões já aplicadas. A nova remessa, com mais 2,2 milhões de doses enviada nesta semana, dá continuidade ao envio regular e se soma aos estoques regionais para crianças e adultos, reforçando a estratégia de ampliação da cobertura vacinal.

A distribuição é feita pelo Ministério da Saúde diretamente às secretarias estaduais de saúde (SES), responsáveis pela logística de recebimento e distribuição das doses aos municípios.

 

Quem deve se vacinar?

  • O esquema de vacinação contra a Covid-19 no Brasil segue diretrizes atualizadas, estruturadas conforme faixa etária e condições de saúde, com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis:
  • Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;
  • Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;
  • Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);
  • População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.

A estratégia de vacinação também contempla outros grupos especiais, como trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios.

A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e manter a proteção em dia.

 

Cenário epidemiológico

A Covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, com potencial de agravamento, especialmente em grupos de maior risco, podendo evoluir para óbito. Em 2026, até 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal (SG) por Covid-19. Também foram notificados 30.871 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 4,7% por Covid-19 (1.456 casos), com 188 óbitos de SRAG por Covid-19.

Diante desse cenário, a vacinação continua sendo a principal forma de proteção. As vacinas oferecidas gratuitamente pelo SUS são seguras e eficazes para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos. Por isso, é fundamental manter o esquema vacinal atualizado, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Fonte _ Saúde.gov

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Ministério da Saúde vai qualificar 160 profissionais no Acre para ampliar a oferta de implante contraceptivo

 


Ministério da Saúde iniciou a segunda fase das oficinas de qualificação para a inserção do implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel no SUS, conhecido como Implanon. A previsão é qualificar mais 11 mil profissionais, entre médicos e enfermeiros, para ampliar a oferta do método na rede pública. Serão mais 32 treinamentos em todo o país, com foco em municípios com menos de 50 mil habitantes. No Acre, a oficina será realizada em Rio Branco nos dias 15 e 16 de abril. A previsão é que 160 profissionais da atenção primária do estado sejam treinados para ofertar métodos contraceptivos, incluindo a inserção do Implanon, além de abordagens que visam o diálogo sobre a saúde sexual e reprodutiva do paciente.   

O novo ciclo já passou por Vitória (ES), João Pessoa (PB), Recife (PE), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Salvador (BA) nos primeiros meses de 2026. As oficinas são presenciais e combinam teoria e prática com uso de simuladores anatômicos, supervisionadas por facilitadores do Ministério da Saúde. A carga horária foi ampliada para 12 horas no caso de enfermeiros e 6 horas para médicos, com foco na prática segura e no cumprimento das normativas profissionais. Os encontros também incluem espaços de diálogo com gestores locais para fortalecer a implementação nos territórios. 

Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 500 mil unidades para todos os estados, priorizando municípios com mais de 50 mil habitantes e critérios de vulnerabilidade social. O Acre já recebeu cerca de 1.700 implantes.  E para 2026, está prevista a entrega de mais 1,3 milhão de unidades do Implanon.  

A realização das novas oficinas é mais uma etapa da estratégia de implementação do Implanon no SUS, que busca qualificar os profissionais para inserção, retirada e manejo de possíveis intercorrências e reforçar a conduta nas consultas em saúde sexual e reprodutiva com uma abordagem abrangente, que inclui direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrualenfrentamento ao racismo, abordagem às violências na atenção primária à saúde e todos os demais métodos contraceptivos ofertados no SUS.

 

Primeiro ciclo alcançou mais de 2,8 mil profissionais em todo o país 

A primeira fase das oficinas, realizada entre outubro e dezembro de 2025, percorreu 27 estados com 30 oficinas. Ezequiel Martins, enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília (DF), reforça que a formação vai além da técnica. “A atividade trouxe discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de mais segurança para realizar o procedimento”, afirma. 

Ao todo, participaram aproximadamente 2,9 mil profissionais e gestores, alcançando 682 municípios. Desse total, cerca de 1,8 mil médicos e enfermeiros foram qualificados para realizar a inserção e retirada do Implanon. 

O novo ciclo busca consolidar a oferta do implante no SUS, aliando ampliação de acesso, qualificação das equipes e integração ao cuidado em saúde sexual e reprodutiva. 

 

Sobre o Implanon 

O implante subdérmico é um método considerado vantajoso para prevenir a gravidez não planejada por sua longa duração e alta eficácia, podendo atuar no organismo por até três anos.  Após esse tempo, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção. 

O Implanon integra o rol de métodos contraceptivos gratuitos do SUS – que inclui preservativos externos e internos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais combinados e de progestagênio, pílulas de emergência, laqueadura tubária bilateral e vasectomia, entre outros. O Ministério da Saúde reforça, contudo, que o uso de preservativos é indispensável, por ser o único método que garante proteção simultânea contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Determinantes sociais ampliam desigualdades e exigem ação além da saúde, diz diretor da OMS

 


Os fatores que mais influenciam a saúde das populações estão, em grande parte, fora dos hospitais. Condições de moradia, renda, educação, acesso à tecnologia, mudanças climáticas e decisões econômicas moldam quem vive mais e melhor.

É o que afirma o médico Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para ele, compreender essa teia é essencial para enfrentar desigualdades persistentes, ainda que a complexidade do tema dificulte sua tradução em políticas concretas.


"São todos esses aspectos da sociedade que impactam a saúde. E há muitos: habitação, digitalização, guerras, mudança climática. Não é porque é complexo que devemos ignorar", afirmou Krug, em entrevista à Folha. Ele esteve no Rio de Janeiro na semana passada participando da Cúpula da Parceria para Cidades Saudáveis.

A iniciativa é apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Vital Strategies, e trabalha de forma colaborativa em políticas públicas voltadas à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e lesões passíveis de prevenção.

Segundo ele, houve uma evolução na forma de pensar a saúde pública —do foco em doenças infecciosas e hospitais para a incorporação das doenças crônicas e, mais recentemente, dos fatores sociais que determinam o adoecimento.

Os dados mais recentes da OMS ajudam a dimensionar o problema. Há uma diferença de 33 anos na expectativa de vida entre países com melhores e piores indicadores, enquanto 94% das mortes maternas ocorrem em países de baixa e média renda.

Embora tenha havido avanços, como a queda de 40% na mortalidade materna entre 2000 e 2023, a desigualdade de renda dentro dos países aumentou, agravando os desfechos em saúde. A pandemia da Covid também reverteu parte desses ganhos, atingindo de forma desproporcional as populações mais pobres.

Krug ressalta que esses determinantes têm peso maior do que fatores individuais. "Eles são mais importantes do que a genética e até do que o acesso aos serviços de saúde", afirma. "Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública."

Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública

Etienne Krug

médico e diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS

As disparidades aparecem de forma contundente em diferentes contextos. Entre populações indígenas, a diferença de expectativa de vida ultrapassa uma década em países como Canadá e Austrália e chega a mais de 20 anos em grupos específicos na África.

Na Europa, homens com menor escolaridade vivem mais de dez anos a menos do que aqueles com maior nível educacional em países como Hungria e Polônia. Nos Estados Unidos, a mortalidade materna entre mulheres negras é quase três vezes maior do que entre mulheres brancas.

No Brasil, há disparidades semelhantes. As diferenças de expectativa de vida em São Paulo, por exemplo, chegam a 24 anos. Enquanto moradores do Alto de Pinheiros (zona oeste) vivem em média cerca de 82 a 85 anos, os que moram em áreas como Anhanguera (zona oeste) e Cidade Tiradentes (zona leste) têm uma idade média ao morrer próxima aos 58-62 anos.

O local onde se vive também pesa. Mais da metade da população mundial está em áreas urbanas, e cerca de um quarto vive em assentamentos precários, com maior exposição a doenças. A poluição do ar, outro determinante relevante, está associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano. "Não somos todos afetados da mesma forma", diz Krug. "As populações mais vulneráveis acumulam riscos."

Para avançar, a OMS aposta em uma agenda mais pragmática. Um dos pilares é a criação de métricas comparáveis entre países. "Se não entendermos o tamanho do problema e continuarmos a coletar dados de forma não padronizada, não conseguimos comparar nem monitorar progresso", afirma. A organização lançou um sistema internacional de monitoramento, já adotado por alguns países.

Outra frente é a identificação de políticas custo-efetivas, com destaque para a proteção social. Hoje, mais de 3,8 bilhões de pessoas no mundo não têm qualquer cobertura nessa área. "Sabemos que oferecer algum nível de proteção às populações mais pobres funciona", diz.

Ele reconhece, porém, que o tema enfrenta resistência fiscal. "É difícil, mas a inação também tem um custo. Sem investir, teremos mais doenças e mais gastos no futuro."

A pressão econômica global agrava o cenário. O valor pago em juros da dívida pelos 75 países mais pobres quadruplicou na última década, reduzindo o espaço para investimentos em saúde, educação e proteção social. "Muitos países estão presos em um ciclo que alimenta a má saúde", afirma.

A transformação digital e as mudanças climáticas ampliam ainda mais as desigualdades. "Durante a Covid, vimos que quem não tinha acesso à internet sequer conseguia informações básicas", diz.

Já o aquecimento global afeta mais intensamente populações vulneráveis, expostas a enchentes, calor extremo e moradias precárias. Em paralelo, o número de pessoas deslocadas à força triplicou nos últimos 15 anos, em meio ao aumento de conflitos.

O relatório também destaca o peso de interesses comerciais. Indústrias como as de alimentos ultraprocessados, combustíveis fósseis, álcool e tabaco respondem por cerca de um terço das mortes evitáveis no mundo —cerca de 19 milhões por ano— e influenciam políticas públicas e o debate científico.

Para Krug, enfrentar os determinantes sociais exige ação coordenada muito além do setor saúde. "Não são apenas os ministros da Saúde. São os de Finanças, Educação, Desenvolvimento Social. E coordenar isso não é fácil", afirma. Ainda assim, ele vê avanços. "Se deixarmos de lado essa parte mais complexa, perdemos a maior oportunidade de melhorar a saúde pública."

A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da PHC (Partnership for Healthy Cities)

Fonte _ Folha/SP

quarta-feira, 1 de abril de 2026

InfoGripe: número de casos de influenza continua aumentando no país

 


Divulgada nesta quarta-feira (1º/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de influenza A continua aumentando no cenário nacional. A análise verificou que a maioria das unidades federativas (UF) no Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estão com nível de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento. A maioria dessas ocorrências de SRAG, que pode causar morte nos casos mais graves, tem sido motivada por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.

Este cenário, de acordo com os pesquisadores, torna ainda mais importante a vacinação contra a influenza. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a ação segue até 30 de maio, com imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os registros apontam que, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,4% de influenza A, 1,5% de influenza B, 17,7% de vírus sincicial respiratório, 45,3% de rinovírus e 7,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Em relação aos óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março.

Diante desse cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por influenza A e o VSR é a vacinação. “Por isso, é fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza. Também é importante que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o VSR, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento”, afirma.

Portella reforçou ainda que a recomendação é que as pessoas que vivem em estados com alta de SRAG - especialmente as que fazem parte dos grupos de risco utilizem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração.” Além disso, é importante também manter a higiene, como lavar sempre as mãos. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”.


Estados e capitais

Observa-se que a maioria das UF do Norte (Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis emanas) até a Semana 12. Acre, Amapá, Goiás, e Ceará continuam com nível de incidência de SRAG em alerta ou risco (últimas duas semanas), porém apresentando sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 12.

Os casos de SRAG associados à influenza A mostram sinais de queda no Pará, Ceará e Pernambuco, mas continuam em crescimento na maior parte do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e em parte do Norte (Amapá e Rondônia) e do Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Além desses estados, o Paraná começou a apresentar sinais de aumento do número de casos.

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentando em muitas UF do Norte (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) e começam a dar sinais de início de aumento no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). As ocorrências de SRAG por metapneumovírus também tem aumentado ainda nas crianças no Distrito Federal e Minas Gerais.

Os registros de SRAG associados ao rinovírus continuam aumentando em muitos estados do Norte (Amapá, Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Mas mostram sinais de interrupção do crescimento em todos os estados do Centro-Oeste e Sul, em alguns estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Pernambuco e Sergipe) e em São Paulo.

Quatorze das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 12: Boa Vista, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Teresina, Natal, João Pessoa Recife, Aracaju, Maceió, Salvador, Belo Horizonte, Vitória  e Rio de Janeiro.

Dados epidemiológicos

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária indicam que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes continua sendo impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. No entanto, os casos de SRAG associados a ambos os vírus já apresentam sinais de desaceleração do crescimento ou início de queda em alguns estados. O VSR também tem contribuído para o aumento de SRAG em crianças pequenas.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela Covid-19 e influenza A.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

É falso que alumínio presente nas vacinas aumenta casos de autismo

 


Uma desinformação antiga volta a circular nas redes sociais: a de que o alumínio em vacinas infantis aumentaria casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Em vídeo no Instagram, o médico Felipe Belanda Trofino, que frequentemente questiona a eficácia e a segurança da vacinação infantil, volta a sugerir esse vínculo — tese já desmentida repetidas vezes.

Ele também resgata a ideia falsa de que uma suposta “encefalite por alumínio” explicaria sintomas de autismo. Outra mentira, já que vacinas não causam encefalite. Vamos aos fatos. A seguir, confira o que é fato e o que é fake.

Como o alumínio aparece nas vacinas

O alumínio é utilizado como adjuvante, isto é, uma substância que potencializa a resposta imune e ajuda a vacina a funcionar melhor. Sua utilização está consolidada há décadas e não está associada ao aumento de risco de desenvolvimento de doenças atópicas ou neurodesenvolvimentais em crianças.

As quantidades presentes nos imunizantes são muito baixas e não fazem mal à saúde. A segurança dos adjuvantes de alumínio é amplamente documentada, e defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o adjuvante é entendido como parte importante da eficácia de diversas vacinas.

O que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Segundo a OMS, ocorre em cerca de uma a cada 100 crianças. O espectro inclui diferentes graus e manifestações, com sinais que podem surgir ainda nos primeiros meses de vida; o diagnóstico costuma acontecer por volta dos 2 a 3 anos.

O transtorno se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e por interesses e comportamentos repetitivos, variando em gravidade (níveis 1, 2 ou 3).

As causas do TEA têm origem genética: mais de 100 genes já foram associados ao transtorno. Um estudo recente sequenciou o genoma de mais de 20 mil pessoas e identificou 134 genes relacionados ao distúrbio. Por ser multifatorial e complexo, o diagnóstico requer uma avaliação minuciosa e equipe multidisciplinar.

De onde veio o boato

A desinformação que liga vacinas ao autismo ganhou força em 1998, com um estudo publicado na revista The Lancet pelo médico britânico Andrew Wakefield. A pesquisa tinha falhas graves, dados falsos e conflitos de interesse. A farsa foi exposta em 2004 por reportagem investigativa de Brian Deer no The Sunday Times.

Em 2010, Wakefield foi considerado inapto para exercer a medicina pelo Conselho Geral de Medicina do Reino Unido por conduta “irresponsável”, “antiética” e “enganosa”. A própria The Lancet retratou o artigo, reconhecendo que suas conclusões eram falsas. Ainda assim, o estudo fraudulento alimentou movimentos antivacinas e queda de coberturas vacinais em vários países.

O que dizem as evidências confiáveis

  • Não há relação causal entre vacinas e TEA. Uma análise publicada em 2014 na revista Vaccines, envolvendo mais de 1 milhão de crianças, não encontrou associação entre vacinação e autismo.
  • O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS/OMS) confirmou que não existem evidências de relação causal entre a tríplice viral (MMR) e o autismo.
  • Em relação às vacinas MMR e covid-19, diversos estudos foram conduzidos e nenhum demonstrou conexão com o desenvolvimento do TEA.

Vacinas são seguras — e salvam vidas

Vacinas passam por pesquisas rigorosas e são a forma mais segura de prevenir doenças graves. A pandemia de covid-19 — responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil — foi controlada com a vacinação em massa. No Sistema Único de Saúde (SUS), os imunizantes são gratuitos e protegem contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, entre outras.

Por que vacinar crianças e adolescentes

A vacinação protege o indivíduo e a comunidade, evita surtos e salva milhões de vidas. Estima-se que as vacinas contra o sarampo tenham evitado mais de 23 milhões de mortes entre 2000 e 2018 no mundo. Manter o calendário vacinal em dia impede o retorno de doenças altamente contagiosas — como rubéola, tétano e poliomielite. E, mais uma vez, é importante reforçar: vacinas não causam autismo.

Resumindo: o alumínio presente nas vacinas é seguro, o TEA tem base genética e a hipótese de ligação entre vacinas e autismo nasceu de um estudo fraudulento já desmentido e retratado. Vacinar protege e salva vidas. Não deixe a desinformação se espalhar. Consulte sempre fontes confiáveis como o Ministério da Saúde ou a OMS.

Fontes

As referências usadas nesta matéria são:

Vacinas infantis não causam autismo

Por que é mentira que vacinas causam autismo? Conheça a história por trás desse mito

Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo

Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle das hepatites virais

Fonte _ Saúde.gov

terça-feira, 31 de março de 2026

Governo sanciona ampliação da licença-paternidade; veja o que muda e os próximos passos

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias a partir de 2029.

O benefício será concedido aos pais em casos de nascimento, adoção ou obtenção de guarda de criança ou adolescente.

A ampliação da licença-paternidade era discutida no Congresso Nacional há mais de uma década. A Constituição de 1988 já prevê o direito, mas determinou que uma lei específica deveria regulamentar a duração do benefício.

A proposta institui o salário-paternidade como benefício previdenciário e promove alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas normas da seguridade social, com o objetivo de aproximar a proteção à paternidade das garantias já asseguradas à maternidade.

“O projeto também prevê situações em que a licença-paternidade será equiparada à licença-maternidade, como nos casos em que não houver registro da mãe na certidão de nascimento ou quando a adoção ou a guarda for concedida exclusivamente ao pai”, afirma Rodrigo Marques, gestor de relações trabalhistas do PG Advogados.

Para a Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), a aprovação do projeto que amplia a licença-paternidade representa um avanço histórico e um primeiro passo para incentivar uma divisão mais equilibrada do cuidado com os filhos.

Segundo a entidade, a medida pode trazer benefícios como melhora no desenvolvimento infantil, apoio à recuperação das mães e impactos positivos no mercado de trabalho, além de ajudar a reduzir desigualdades de gênero. Entenda abaixo o que diz a nova lei:

1.  O que muda com a nova lei?

2.  Em que situações o benefício pode ser negado?

3.  Em quais casos o benefício pode ser estendido?

4.  Como fica em casais homoafetivos?

5.  O trabalhador terá estabilidade?

6.  Quem terá direito?

7.  Como fica o Programa Empresa Cidadã?

 

O que muda com a nova lei?

Trabalhadores tinham direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela empresa.

Além disso, empresas que participam do Programa Empresa Cidadã podem conceder mais 15 dias de licença aos funcionários e, em troca, recebem deduções no Imposto de Renda.

Pela nova regra, a duração da licença-paternidade passará a ser:

  • 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027;
  • 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028;
  • 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029.

A proposta também prevê que a Previdência Social passará a arcar com o custo do afastamento. Na prática, a empresa continuará pagando o salário normalmente e depois será reembolsada pelo INSS.

O texto garante que o empregado receberá a remuneração integral ou o valor equivalente à média dos últimos seis meses.

O trabalhador também poderá emendar a licença às férias. No entanto, o período não poderá ser dividido.

 

Em que situações o benefício pode ser negado?

Pela nova lei, o benefício poderá ser negado ou suspenso em casos de violência doméstica ou familiaralém de situações de abandono material — quando o pai deixa de prestar assistência financeira à criança.

O salário-paternidade também poderá ser suspenso caso o trabalhador não se afaste efetivamente de suas atividades durante o período da licença.

 

Em quais casos o benefício pode ser estendido?

A lei prevê algumas situações em que o período de licença poderá ser ampliado:

1.  Falecimento da mãe: O pai ou companheiro passa a ter direito ao período da licença-maternidade, que varia de 120 a 180 dias.

2.  Criança com deficiência: Caso o recém-nascido — ou a criança ou adolescente adotado — tenha deficiência, a licença-paternidade será ampliada em um terço. Na prática, isso pode representar cerca de 13, 20 ou aproximadamente 27 dias, dependendo da fase de implementação da nova regra.

3.  Adoção ou guarda unilateral: Quando o pai adota sozinho a criança ou obtém a guarda sem a participação da mãe ou de um companheiro, ele também terá direito ao período equivalente ao da licença-maternidade.

4.  Parto antecipado: A licença-paternidade também será estendida e garantida nesses casos, independente do motivo para atencipação do parto.

5.  Internação da mãe ou do recém-nascido: O início da licença poderá ser adiado e passará a contar apenas após a alta hospitalar da mãe ou da criança.

6.  Ausência do nome da mãe no registro civil: Se no registro de nascimento não constar o nome da mãe, o pai terá direito a uma licença equivalente à licença-maternidade de 120 dias, além da estabilidade no emprego prevista nesses casos.

 

Como fica em casais homoafetivos?

O Supremo Tribunal Federal já decidiu, em casos específicos, pela concessão de licença-maternidade em casais homoafetivos. No entanto, a aplicação das regras para casais formados por dois homens ainda depende de análise caso a caso.

De acordo com a nova lei, um dos integrantes do casal poderá receber a equiparação à licença e ao salário-maternidade.

O texto também estabelece que, em casos de adoção por casais homoafetivos, uma pessoa poderá usufruir do período referente à licença-maternidade, enquanto a outra terá direito ao período vinculado à licença-paternidade.


A ampliação da licença-paternidade para 20 dias representa um avanço, mas ainda é uma mudança tímida. O Brasil continua adotando um modelo que concentra o cuidado com o recém-nascido quase exclusivamente na mulher e ainda não avançou para uma política efetiva de licença parental compartilhada, além de não contemplar plenamente as novas configurações familiares.

— Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do A. C Burlamaqui Advogados.

 

O trabalhador terá estabilidade?

Assim como ocorre com as trabalhadoras grávidas, o projeto cria uma proteção contra demissão sem justa causa.

A proposta proíbe a demissão arbitrária durante o período da licença e também por até 30 dias após o retorno ao trabalho.

Caso o trabalhador seja dispensado nesse período, poderá ter direito à reintegração ao emprego ou a uma indenização equivalente ao dobro da remuneração referente ao período de estabilidade.

 

Quem terá direito?

Outra mudança amplia o número de trabalhadores que poderão acessar o benefício. Atualmente, o direito está concentrado principalmente em trabalhadores com carteira assinada.

Com a nova regra, passam a ter direito:

  • trabalhadores com carteira assinada;
  • autônomos;
  • empregados domésticos;
  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • demais segurados do INSS.

 

Como fica o Programa Empresa Cidadã?

Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã poderão continuar ampliando a licença-paternidade em 15 dias adicionais em troca de deduções no Imposto de Renda.

Com a nova lei, porém, esses 15 dias passarão a ser somados aos 20 dias previstos na legislação, e não mais aos cinco dias atualmente garantidos.

Fonte _ G1