quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que uma caminhada pode fazer pela sua saúde

 


Poucas coisas fazem tanto pelo corpo e pela mente quanto caminhar. E nem é necessário percorrer longas distâncias, contar calorias queimadas ou gastar horas: um relatório publicado no The British Journal of Sports Medicine concluiu que andar 11 minutos por dia de forma despretensiosa já reduz os riscos de desenvolver doenças cardíacas, vários tipos de câncer e a mortalidade em geral.

Além de poderoso, é o exercício físico mais democrático que existe: requer apenas um sapato confortável.

Pouco já é muito

Um dos maiores atrativos para calçar o tênis e sair andando é não precisar traçar trajetos megalomaníacos nem caminhar por horas a fio.

Uma pesquisa publicada na Lancet Public Health aponta que caminhadas a partir de 2.300 passos já diminuem o risco cardiovascular —somando outros mil passos, a mortalidade cai mais 15%. A pesquisa recomenda 7.000 passos diários, quantidade suficiente para reduzir em 47% a chance de mortalidade por todas as causas.

Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) reforça a importância de botar o coração para funcionar, recomendando pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana.

Isso significa que, para uma caminhada entrar na conta, é necessário apertar o passo e elevar os batimentos cardíacos a cerca de 60% a 70% da frequência cardíaca máxima, entrando na chamada zona 2 de treinamento —na prática, isso quer dizer que você se sentirá levemente ofegante ao manter uma conversa.

Esse exercício também pode reduzir o risco de alguns tipos de câncer. Um estudo da American Cancer Society acompanhou mulheres cuja única atividade física era caminhar e descobriu que as que andavam sete ou mais horas por semana tinham 14% menos risco de desenvolver câncer de mama do que as que caminhavam três horas ou menos.

De acordo com outro artigo da Harvard Medical School, andar 20 minutos por dia, cinco ou mais vezes por semana, fortalece o sistema imunológico, melhora a lubrificação das articulações e tonifica os músculos que as sustentam, além de prevenir artrite.

Faxina cerebral

Dar uma volta a pé também ajuda a reorganizar a cabeça. Perambular um pouco melhora o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, a memória. Um estudo publicado na revista científica PNAS indica que caminhadas regulares podem aumentar o volume do hipocampo, responsável pelo funcionamento cognitivo. Isso contribui para a prevenção dos efeitos do envelhecimento: depois dos 50, essa região do cérebro encolhe de 1% a 2% ao ano, o que eleva os riscos de demência e outras doenças.

Sabe aquela sensação de ruminar o mesmo pensamento por horas, dias e semanas? Um passeio é capaz de interromper esse looping, baixar a ansiedade e regular o humor. Se isso acontecer perto da natureza, melhor ainda: outro estudo publicado na PNAS mostrou que andar com o verde ao redor reduz a atividade do córtex pré-frontal subgenual, associado ao pensamento repetitivo e à depressão.

Se faltar inspiração, dar alguns passos também vai servir: parece balela, mas a moda do Vale do Silício de fazer reuniões andando em vez de se trancar em uma sala tem respaldo científico. Pesquisadores da Universidade de Stanford descobriram que o movimento dá uma turbinada na criatividade.

Dar uma volta ainda pode ser uma forma de incluir outros tipos de lazer na rotina: dá para ouvir um podcast ou um audiobook, colocar o papo em dia com um amigo ou parente, fazer uma meditação guiada, passear pelo bairro com o pet ou simplesmente aproveitar o silêncio, sem fone e sem tela.

Cidade caminhável

Bater perna é mais prazeroso quando o mundo lá fora colabora com a experiência — e, para muita gente, é também o único jeito de se locomover. No Brasil, 39% dos deslocamentos urbanos são feitos exclusivamente a pé, segundo levantamento da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos).

Seja por escolha, seja por necessidade, ter ruas seguras e calçadas bem cuidadas é um direito básico. Por isso, desde 2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana estabelece que caminhar, pedalar e outros modos de transporte movidos pelo esforço do próprio corpo devem ser prioridade no planejamento urbano.

Isso significa construir cidades pensadas não só para os carros, mas para os pedestres, ampliando áreas de caminhada, espaços verdes e até promovendo o consumo local. Com ruas seguras, fica mais fácil fazer esse investimento na saúde: abrir a porta de casa e sair, sem pensar muito, só aproveitando o caminho.

Fonte _ Folha/SP

FDA aprova primeiro comprimido da classe de remédios que reduz o colesterol 'ruim' em até 60%

 


Medicamento age pelo mesmo mecanismo de tratamentos injetáveis já disponíveis, mas chega ao mercado em versão oral. Expectativa é que a novidade facilite o acesso de pacientes de alto risco ao controle do colesterol.

Um novo capítulo no tratamento do colesterol alto começou nesta quinta-feira (16), quando a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o Lipfendra (enlicitide), o primeiro comprimido de uma classe de medicamentos que, até hoje, só existia na forma de injeção.

Os estudos mostram que o remédio é capaz de reduzir em até 60% os níveis de colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", desempenho semelhante ao dos inibidores de PCSK9 injetáveis, considerados um dos tratamentos mais potentes disponíveis para diminuir o risco cardiovascular.

A expectativa é que a versão oral amplie o acesso a esse tipo de terapia. Embora os medicamentos injetáveis estejam disponíveis há anos, seu uso permanece restrito por fatores como custo elevado, necessidade de aplicações periódicas e menor adesão ao tratamento.

A aprovação do FDA foi baseada em dois estudos clínicos de fase 3, que mostraram que o comprimido reduziu significativamente os níveis de colesterol LDL em uma ampla gama de pacientes, incluindo pessoas com hipercolesterolemia familiar —doença genética que provoca níveis muito elevados de colesterol desde cedo— e pacientes que já faziam uso de estatinas.

Como o novo medicamento funciona

As estatinas continuam sendo o tratamento de primeira escolha para reduzir o colesterol e prevenir infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Elas diminuem a produção de colesterol pelo fígado e conseguem controlar a doença na maior parte dos pacientes.

Mas nem sempre isso é suficiente.

Pessoas com risco cardiovascular elevado, histórico de infarto, doença arterial ou alterações genéticas frequentemente precisam de reduções maiores do LDL do que as estatinas conseguem oferecer sozinhas. É nesse grupo que entram os inibidores de PCSK9.

Enquanto as estatinas bloqueiam uma enzima usada pelo fígado para produzir colesterol, o Lipfendra atua por outro mecanismo: ele inibe a proteína PCSK9, responsável por regular a quantidade de receptores que removem o colesterol LDL da circulação.

O cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), explica que essa proteína reduz o tempo de funcionamento desses receptores. Ao bloqueá-la, o medicamento faz com que eles permaneçam ativos por mais tempo, retirando uma quantidade maior de colesterol da corrente sanguínea.

Segundo as diretrizes mais recentes da American Heart Association e do American College of Cardiology, pessoas com risco cardiovascular acima da média devem manter o LDL abaixo de 70 mg/dL. Para quem já sofreu um infarto ou apresenta risco muito elevado, a recomendação é atingir menos de 55 mg/dL.

Mattar afirma que as diretrizes publicadas nos últimos anos, incluindo as brasileiras, europeias e americanas, vêm reforçando uma estratégia de controle cada vez mais rigoroso do colesterol.

"Quanto mais baixo o LDL, melhor. E quanto mais cedo a gente conseguir reduzir esse colesterol, menor será a chance de o paciente desenvolver doença aterosclerótica ao longo da vida", afirma.

Comprimido pode ampliar o uso da classe

O mecanismo de ação do Lipfendra não é uma novidade. O que muda é a forma de administração.

Hoje, os medicamentos dessa classe são vendidos apenas como injetáveis, caso do Repatha, da Amgen, e do Praluent, desenvolvido por Regeneron e Sanofi.

Há ainda a inclisirana, medicamento aplicado a cada seis meses que reduz a produção da proteína PCSK9 por um mecanismo diferente e costuma ser indicada para pacientes com dificuldade de manter o uso diário de comprimidos.

Esses medicamentos já demonstraram reduzir em cerca de 20% o risco de infarto, AVC e morte por doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco quando usados em associação às estatinas.

Nos estudos apresentados pela Merck, o comprimido alcançou reduções do LDL semelhantes às observadas com os injetáveis, sem aumento relevante de efeitos adversos em comparação com o placebo. A empresa conduz agora um estudo para avaliar se a versão oral também será capaz de reduzir infartos, AVCs e mortes cardiovasculares na mesma proporção.

Preço menor que o dos injetáveis

Além da praticidade de um comprimido diário, a Merck aposta em um preço inferior ao dos medicamentos concorrentes.

Nos Estados Unidos, o Lipfendra terá preço de tabela de US$ 315 para um tratamento de 30 dias e deve chegar às farmácias nas próximas semanas.

Os inibidores de PCSK9 injetáveis atualmente comercializados custam entre US$ 500 e US$ 600 por mês, ou até mais, dependendo da cobertura dos planos de saúde.

Segundo a American Heart Association, cerca de um em cada quatro adultos americanos apresenta níveis elevados de colesterol LDL.

O que vem pela frente

A aprovação do Lipfendra ocorre em um momento de rápida evolução dos tratamentos para redução do colesterol. Além dos medicamentos já disponíveis, pesquisadores estudam novas terapias que buscam tornar o tratamento mais simples e aumentar a adesão dos pacientes.

Segundo Mattar, a tendência observada nas diretrizes brasileiras, europeias e americanas é intensificar cada vez mais o controle do colesterol, especialmente entre pessoas com maior risco cardiovascular.

Enquanto as estatinas seguem como primeira escolha para a maioria dos pacientes, a chegada do primeiro comprimido da classe dos inibidores de PCSK9 amplia as opções para quem precisa de uma redução mais intensa do colesterol.

Ainda falta confirmar se o medicamento terá o mesmo impacto dos injetáveis na redução de infartos e AVCs, mas os resultados obtidos até agora indicam que ele pode oferecer a mesma eficácia com a praticidade de um comprimido diário.

Fonte _ G1

Leva remédios na bolsa? Como saber se é precaução ou hipocondria

 


Uma dor de cabeça inesperada, uma crise de alergia ou uma cólica durante o trabalho. Ter um medicamento à mão para situações específicas parece uma medida de bom senso. O problema começa quando a necessidade de estar preparado para qualquer desconforto transforma bolsas, mochilas e até carros em pequenas farmácias móveis.

"Levar um ou dois medicamentos essenciais na bolsa, como um anti-histamínico para quem tem alergia grave ou broncodilatador para quem tem asma, é prevenção legítima", aponta o cardiologista Murilo Meneses Nunes, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

O sinal de alerta aparece quando a pessoa passa a carregar diversos medicamentos para sintomas hipotéticos e sente insegurança ao sair de casa sem eles. Analgésicos, antiácidos, anti-inflamatórios, remédios para dormir e outros itens passam a funcionar como uma espécie de seguro contra qualquer mal-estar futuro.

Quem sofre de transtorno de ansiedade de doença — condição popularmente conhecida como hipocondria — costuma interpretar sensações normais como sinais de enfermidades graves. Além disso, busca confirmação constante em consultas, exames, familiares ou pesquisas na internet. Uma dor de cabeça leve pode ser vista como algo preocupante. Um desconforto digestivo passageiro pode gerar medo de uma doença séria. O resultado é um estado permanente de vigilância.

"A preocupação assume lugar central na vida da pessoa, afetando trabalho, relacionamentos e lazer", aponta Nunes.

O transtorno pode surgir em qualquer um, mas tende a ser mais frequente entre indivíduos com histórico de ansiedade ou depressão, pessoas que vivenciaram experiências traumáticas envolvendo doenças e aqueles com forte necessidade de controle ou traços perfeccionistas. Tudo para "garantir" que nada de ruim vai acontecer. Também costuma aparecer com mais frequência na meia-idade, período em que aumentam as preocupações com o envelhecimento e quando costumam surgir as primeiras doenças crônicas.

Outro comportamento comum é a automedicação preventiva. Em vez de esperar a melhora natural de um sintoma leve, a pessoa toma remédios imediatamente para tentar impedir que ele evolua. E isso pode criar um ciclo vicioso.

"Quanto mais a pessoa foca nas sensações físicas e se medica, mais ansiosa ela fica. O ideal é desenvolver tolerância a desconfortos menores e confiar na capacidade do organismo de se autorregular", aconselha o cardiologista.

Os riscos escondidos na automedicação

Além de alimentar a preocupação excessiva com a saúde, o uso frequente de medicamentos sem orientação também pode trazer consequências físicas. Anti-inflamatórios não esteroidais (como ibuprofeno e diclofenaco) podem causar lesões no estômago, sangramento gastrointestinal, danos renais e aumento do risco cardiovascular quando utilizados com frequência. Mesmo o paracetamol, frequentemente considerado seguro, pode provocar toxicidade hepática grave em doses acima das recomendadas.

Já medicamentos para dormir vendidos sem prescrição podem causar dependência, sonolência diurna e quedas em idosos.

"O problema é que a facilidade de acesso cria a falsa impressão de que esses medicamentos são inofensivos", alerta o médico do Einstein. Por isso, mesmo aqueles isentos de prescrição merecem orientação profissional. Nesse sentido, o farmacêutico pode ajudar a garantir um uso mais seguro e responsável desses produtos.

O uso recorrente de medicamentos ainda pode atrasar diagnósticos. Uma dor tratada constantemente com analgésicos ou uma azia controlada com antiácidos pode mascarar doenças que precisam de avaliação médica. Outro risco pouco conhecido são as interações medicamentosas, quando um remédio interfere na ação de outro.

Em termos de saúde mental, vale buscar avaliação médica ou psicológica quando a preocupação com doenças causa sofrimento ou interfere na vida diária. Sinais de alerta incluem ansiedade intensa ao ficar sem medicamentos, pesquisas compulsivas sobre sintomas, consultas frequentes para o mesmo problema, dificuldade em aceitar resultados normais de exames e uso recorrente de remédios sem orientação.

Terapias, especialmente a cognitivo-comportamental, ajudam a reduzir o medo constante de adoecer e a reconstruir uma relação mais equilibrada com o próprio corpo.

"Quanto mais cedo o tratamento, melhor o prognóstico. É importante entender que essa preocupação não é ‘frescura’, é um transtorno real que causa sofrimento genuíno, mas que responde bem ao tratamento adequado", diz Murilo Nunes.

O calor também faz mal aos remédios

Nem sempre o perigo está só na forma de utilizar o medicamento. Às vezes, está em como ele é guardado.

Deixar remédios permanentemente na bolsa, no porta-luvas ou no console do carro é mais comum do que parece. O problema é que calor, luz e umidade podem alterar a estabilidade química dos fármacos e levar comprimidos, cápsulas e medicamentos líquidos a sofrerem degradação, reduzindo sua eficácia e, em alguns casos, comprometendo sua segurança. Dentro de um veículo estacionado sob o sol, por exemplo, a temperatura pode ultrapassar os 60°C.

Além disso, a embalagem original, como blister e cartela, desempenha um papel fundamental na proteção do medicamento.

"Ela tem por finalidade identificar e proteger o princípio ativo contra agentes externos presentes na atmosfera, os quais podem alterar quimicamente ou, até mesmo, contaminar o medicamento", explica o farmacêutico Alexandre Bechara, doutor em farmacologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador do Grupo Técnico de Trabalho em Educação Farmacêutica do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo).

Guardar comprimidos soltos também aumenta o risco de erros de identificação e dificulta o controle da validade. Mudanças de cor, perda da efervescência, comprimidos que grudam na embalagem e soluções que precipitam podem indicar deterioração. A recomendação é manter os medicamentos na embalagem original e em temperatura entre 15-30°C, longe da luz solar e de umidade.

O que vale carregar e como transportar

Para a maioria das pessoas, não existe necessidade de transportar uma grande quantidade de medicamentos. Faz sentido manter por perto remédios prescritos para condições crônicas ou situações de emergência previamente diagnosticadas, como fontes rápidas de glicose para pessoas com diabetes com hipoglicemia.

Já medicamentos como antibióticos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares potentes e remédios controlados não devem ser carregados ou utilizados sem necessidade e orientação adequada. Todo medicamento tem potencial para causar danos quando usado incorretamente.

"Não existem substâncias seguras, mas sim formas seguras de utilizar as substâncias", ressalta o farmacêutico.

Quando o transporte dos medicamentos é inevitável, alguns cuidados extras ajudam a preservar a eficácia dos produtos. Nesses casos, Bechara recomenda transportar os remédios na embalagem original e levá-los na bagagem de mão, nunca na mala despachada, por conta de variações de temperatura que podem ocorrer, por exemplo, nos compartimentos de carga dos aviões.

No caso de fármacos que exigem refrigeração, como insulinas e algumas canetas de medicamentos injetáveis, o ideal é utilizar bolsas térmicas apropriadas, com controle de temperatura (deve estar entre 2°C e 8°C) e sem contato direto com gelo.

Também é importante levar receitas e documentos médicos, especialmente quando se trata de medicamentos controlados, além de verificar com antecedência a política da companhia aérea sobre o transporte desses produtos e permissão para a posse de substâncias em outros países, em caso de viagens ao exterior.

Fonte _ Folha/SP

Tomar relaxante muscular sempre que sente dor pode oferecer riscos à saúde, dizem especialistas

 


Após um dia de trabalho, quando o pescoço ou a lombar começam a incomodar, a resposta imediata costuma ser alcançar o remédio relaxante muscular mais próximo. Isso também acontece após um treino mais pesado na academia ou uma má noite de sono, mas o hábito oferece mais riscos do que se imagina.

Segundo especialistas, o problema envolve desde sonolência e queda de pressão até a possibilidade de mascarar uma lesão que precisaria de outro tratamento.

Os relaxantes musculares não agem diretamente no músculo que dói. Eles atuam no sistema nervoso central, bloqueando os neurotransmissores responsáveis pela tensão da fibra muscular, explica a cardiologista Ligia Trevizan, do Hospital Municipal M'Boi Mirim, gerido pelo Einstein.

É esse mecanismo que explica a sonolência, a lentidão e a redução dos reflexos associados ao medicamento. O efeito está relacionado ao maior risco de acidentes de trânsito e de trabalho.

"Pode diminuir reflexo e coordenação, e isso aumenta o risco de a pessoa prender a mão numa prensa, por exemplo", diz o ortopedista João Polydoro, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Além disso, o remédio trata o sintoma e não a causa, afirma o médico, o que é um perigo porque pode mascarar uma hérnia de disco, uma compressão nervosa ou uma inflamação de tendão.

Pacientes com problemas renais, cardíacos e no fígado devem ter ainda mais cuidado com a automedicação, dizem os especialistas.

O fígado e os rins são responsáveis por metabolizar e eliminar o remédio, e problemas nesses órgãos podem potencializar seu efeito, segundo Trevizan. O relaxante também pode descompensar uma arritmia já existente ou interagir com remédios cardíacos, diz Polydoro.

A queda de pressão e tontura, acompanhadas da sonolência, são perigosas principalmente para idosos, segundo os especialistas, uma vez que podem ocasionar queda.

Já pacientes que utilizam remédios para depressão, opioides e benzodiazepínicos devem ficar atentos.

A combinação pode aumentar a sedação e deprimir ainda mais o sistema nervoso central.

"Cada organismo metaboliza o remédio de um jeito, sobretudo quando há outras medicações em uso. Por isso, a interação medicamentosa deve ser avaliada antes de qualquer prescrição", diz a cardiologista Trevizan.

O que fazer em vez de se automedicar

Os especialistas oferecem outras formas de se cuidar antes de recorrer ao remédio sem prescrição. O primeiro passo é tratar a causa da dor, não apenas o sintoma, afirma Trevizan. Esse é o único jeito de individualizar o tratamento para cada paciente.

Um exercício orientado para fortalecer a musculatura pode ser indicado em casos de dor crônica nas costas, a depender da causa identificada. A fisioterapia, diz Polydoro, tem resultados comprovados para dores cervicais e lombares.

O ortopedista recomenda ainda a prevenção da dor. Ajustes no ambiente de trabalho, como altura da tela do computador, cadeira adequada e apoio para as costas podem ajudar. Pausas de 15 minutos a cada duas horas para alongamento também reduzem a sobrecarga muscular.

Compressas de calor local são outra medida não medicamentosa que pode aliviar o desconforto, segundo o ortopedista.

Para quem sente dor após exercícios físicos, ele recomenda avaliar se há excesso de carga ou técnica inadequada, e não apenas recorrer ao remédio.

"É importante saber que o relaxante muscular geralmente não é para tomar sempre. Ele é um tratamento de curto prazo. E se a dor fica sempre ali e está recorrente, é mais importante saber qual é a causa em vez de passar a depender de um remédio que alivia o sintoma", diz Polydoro.

Fonte _ Folha/SP

Anvisa manda recolher lotes de água Mamba Water contamidos com bactéria; conheça os riscos

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (15) o recolhimento de dois lotes de água Mamba Water após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma encontrada recentemente em produtos Ypê.

Consumidores que tiverem produtos dos lotes afetados devem interromper o consumo. A medida afeta a Mamba Water Água Mineral sem Gás, em lata de 350 ml, dos lotes 13 e 14. O lote 13 foi fabricado em 3 de abril de 2026 e tem validade até 3 de abril de 2027. O lote 14 foi fabricado em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de abril de 2027.

A ingestão de pequenas quantidades da bactéria geralmente não causa doença em pessoas saudáveis, mas o risco aumenta em caso de exposição a uma carga bacteriana elevada e entre pessoas imunossuprimidas ou gravemente enfermas, segundo especialistas.

"Quando a carga bacteriana é muito elevada ou a pessoa apresenta fatores de risco, a bactéria pode causar uma infecção. Nesses casos, pode provocar gastroenterite, com sintomas como diarreia, dor abdominal, náusea e vômito", afirma Gabriela Leite de Camargo, infectologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas.

"Se houver febre, vômito persistente, diarreia intensa ou piora clínica, [o consumidor deve] procurar atendimento", diz Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas. "Não se deve tomar antibiótico por conta própria", acrescenta.

Em nota ao mercado, a Mamba Water afirma que cerca de 82% do volume dos lotes envolvidos já havia sido bloqueado preventivamente e permanecia fora de circulação comercial.

A empresa diz não ter registro de reclamações ou de impactos à saúde de consumidores relacionados aos lotes em seus canais de atendimento. A marca orienta que consumidores que tenham unidades dos lotes afetados não consumam o produto e entrem em contato para solicitar reembolso.

Saiba como identificar o lote da água Mamba Water - Divulgação/Mamba Water

 

A Mamba Water afirma, ainda, que os produtos foram envasados em uma unidade autorizada e que "medidas corretivas foram adotadas junto ao fornecedor".

Pseudomonas aeruginosa esteve recentemente no centro de uma medida da Anvisa contra produtos da Ypê. A agência determinou o recolhimento de lotes de detergentes, sabão líquido para lavar roupas e desinfetantes da marca e suspendeu a produção na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), após identificar falhas em etapas críticas do processo produtivo.

Presente em ambientes hospitalares, a Pseudomonas aeruginosa é até cem vezes mais resistente a antibióticos do que bactérias comuns. Possui uma taxa global de mortalidade que pode variar de 32% a 58% em casos graves, como infecções na corrente sanguínea ou pneumonia associada à ventilação.

A bactéria é considerada oportunista, ou seja, o risco de quadros graves tende a ser maior entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com câncer, com HIV, transplantados, idosos e internados em unidades de terapia intensiva. O tratamento é feito com antibióticos.

"É uma bactéria que tem mecanismos naturais e adquiridos de resistência, e isso pode limitar bastante o antibiótico disponível para tratar aquela infecção", afirma Lacerda.

OMS (Organização Mundial da Saúde) identifica a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde pública mundial.

Um estudo da Universidade Politécnica de Hong Kong, publicado em 2025 na revista Microorganisms, classifica a Pseudomonas aeruginosa como uma das principais causas de infecções hospitalares.

Os pesquisadores destacam a capacidade de formar biofilmes, colônias protegidas por uma matriz viscosa que atua como um escudo físico, permitindo que a bactéria sobreviva até mesmo em ambientes hostis, como frascos de produtos de limpeza.

Em pessoas saudáveis, a pele e as mucosas normalmente dificultam a entrada do microrganismo. O risco, porém, depende de fatores como a quantidade de bactérias presente e a forma de exposição.

Em ambiente doméstico, o contato com a Pseudomonas aeruginosa pode causar irritação na pele, alergias, coceiras e ardências nos olhos. Há ainda riscos de problemas respiratórios e dermatite, uma inflamação na pele caracterizadas por coceira, vermelhidão e descamação.

Fonte _ Folha/SP

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 









Tem Copa do Mundo? Tem, mas aqui na GPTV, o canal de TV do GRANDE PRÊMIO, tem 24 Horas de Le Mans AO VIVO, programas de F1, MotoGP, Indy e transmissões e corridas completas de WEC, Fórmula E, IMSA SportsCar, ELMS, ALMS, IGTC. Tem cobertura 24 horas do mundo do esporte a motor. Sinal aberto da TV para o YouTube.

Sim, temos Verstappen em Nürburgring, Le Mans Classic Series, GTWC (Gran Turismo World Challenge) e muito mais.

Watch GPTV, the official channel of GRANDE PRÊMIO, with LIVE broadcasts, full races, special programs and 24-hour coverage of the world of motorsport.

📺 LG 811 e TCL 1011

📷 Instagram | TikTok | Facebook | Kwai | X/Twitter | Threads: @grandepremio

grandepremio.com.br - https://grandepremio.com.br

Aqui você acompanha:

🔴 Corridas completas e retransmissões (Full races and rebroadcasts)

FIA World Endurance Championship (WEC)

IMSA SportsCar Championship (IMSA)

Fórmula E

IGTC (Campeonato de GT)

European Le Mans Series (ELMS)

Asian Le Mans Series (ALMS)

NLS Series

🏆 Grandes eventos do automobilismo mundial (Major events in world motorsport)

24 Horas de Le Mans

24 Horas de Spa

24 Horas de Nürburgring

Grande Prêmio de Macau

12h de Bathurst

📺 Programas e debates:

Briefing, Paddock GP, Motoca GP, TT GP, WGP, Sprint GP e análises completas sobre Fórmula 1, MotoGP, IndyCar, Fórmula E, WEC e IMSA Sportscar.

📡 Sinal aberto no YouTube — AO VIVO e grátis.

💚 Apoie o GRANDE PRÊMIO

Ajude a ampliar nossa cobertura e trazer mais corridas para a programação:

📩 PIX: gptv@grandepremio.com.br

🎯 Participe do CHEFÃO GP — O Bolão da Temporada 2024 da Fórmula 1

https://www.grandepremio.com.br/chefao/

📰 Últimas notícias de F1:

https://www.grandepremio.com.br/f1/

🎙 Ouça os podcasts do GRANDE PRÊMIO no Spotify:

https://open.spotify.com/show/5OBbp8M...

🌎 Inscreva-se também no nosso canal em espanhol:

@GrandePremioES

📢 Compartilhe esta transmissão AO VIVO:

https://youtube.com/live/9o-vqND7Cs4 #formula1 #WEC #gptv #IMSA #FormulaE #Endurance #LeMans #IndyCar #MotoGP #Automobilismo

GPTV


WRC Rally 2026 On the Limit Max Attack Top Speed Pure Sound Raw Flat Out HIGHT QUALITY Rally Greece 2026 Rally Compilação de Videos Gravadas em 2026

© CWRallyMedia Woifeh andrew88 elias rally 1fan2rallyes#rally #wrc #crash #rallycroatia 🇭🇷 Croatia Rally 🇰🇪 Safari Rally Kenya 🇸🇪 Rally Sweden 🇲🇨 Rallye Monte-Carlo Portugal Canarias

Check More Great Rally Videos:

youtube/CWRallyMedia/videos

youtube/Woifeh/videos

youtube/andrew-ds6sn/videos

youtube/eliasrally/videos

facebook/1fan2rallyes

 rosmanao videos



Vacinação de gestantes no SUS reduz pela metade casos graves de bronquiolite em bebês

 


A vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em crianças, reduziu em 52,5% os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em bebês menores de 6 meses. A vacina, disponível no SUS desde dezembro, protege o bebê ainda na gestação, garantindo imunidade nos primeiros meses de vida, período de maior risco para complicações respiratórias.

Dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde indicam que o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% dos quadros de pneumonia em crianças menores de 2 anos. Sem vacina, a estimativa é que uma em cada cinco crianças infectadas pelo vírus precise de atendimento ambulatorial e que uma em cada 50 seja hospitalizada ao longo do primeiro ano de vida.

“O VSR é um dos principais agentes etiológicos das infecções que acometem o trato respiratório inferior entre lactentes e crianças menores de 2 anos de idade”, afirma a enfermeira Ivone Amazonas, coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

“Além da aplicação das vacinas, o papel da Enfermagem na prevenção das doenças respiratórias passa pelas orientações e apoio aos pais e cuidadores das crianças”, afirma Ivone. Famílias devem ser orientadas a evitar o contato de bebês com crianças e adultos resfriados, fugir de aglomerações, higienizar as mãos, principalmente antes de tocar os bebês. “O aleitamento materno também reduz a susceptibilidade ao VSR”, reforça.

Os dados, apresentados nesta terça-feira (14), na 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do SUS, reforçam a importância da vacinação de todas as gestantes. Até agora, mais de 1,2 milhão de doses foram aplicadas no país.

No primeiro semestre de 2026, os casos graves em bebês menores de 6 meses caíram de 14.061 para 6.674, em comparação com o mesmo período de 2025. Nas demais faixas etárias infantis, a redução variou entre 8% e 13%, indicando impacto mais expressivo entre os bebês protegidos pela vacinação materna. Estudo em andamento estima que cerca de 6,8 mil casos graves tenham sido evitados entre crianças menores de 6 meses.

A vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. O imunizante estimula a produção de anticorpos pela mãe, transferidos ao bebê durante a gravidez, protegendo-o nos primeiros meses de vida, quando o risco de hospitalização por VSR é maior.

Prematuros têm proteção adicional

Além da vacinação de gestantes, o SUS oferece o nirsevimabe, imunobiológico que garante proteção imediata contra o VSR. O anticorpo monoclonal é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, que atua imediatamente após a aplicação, sem necessidade de o organismo produzir anticorpos. É administrado em dose única, oferecendo proteção por até seis meses e foi disponibilizado prioritariamente em maternidades e nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Mais de 100 mil doses já foram aplicadas, segundo o Ministério da Saúde.

Fonte _ Cofen

Até 45% dos riscos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados, afirma OMS

 


Até 45% dos riscos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados, afirmou nesta quarta-feira (15) a Organização Mundial da Saúde, citando fatores modificáveis como o tabagismo e a poluição atmosférica.

A demência é a sétima causa principal de morte e uma das principais causas de incapacidade e dependência entre pessoas idosas em todo o mundo.

É causada por doenças cerebrais e afeta a memória, o pensamento e a capacidade funcional.

"Embora não haja cura para a demência, até 45% dos riscos podem ser atribuídos a fatores" modificáveis, como o tabaco, o consumo de álcool, o isolamento social, a inatividade física, a poluição atmosférica e as doenças não transmissíveis (DNT), entre elas a hipertensão e diabetes, destacou a OMS em um comunicado.

Mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo e quase 10 milhões são diagnosticadas a cada ano, acrescentou.

Alzheimer é a forma mais comum de demência e estima-se que representa entre 60 e 70% dos casos.

"Não se trata de um problema distante; afeta a todos nós", escreveu Devora Kestel, diretora do departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OMS, no prólogo das diretrizes atualizadas publicadas nesta quarta-feira sobre como profissionais de saúde e representantes políticos podem ajudar a prevenir ou retardar o aparecimento da demência ao longo de toda a vida.

A agência de saúde da ONU publicou suas primeiras recomendações sobre a demência em 2019, mas destacou que a base de evidências se ampliou consideravelmente deste então.

Embora seja mais frequente a partir de 65 anos, esta condição não é uma consequência inevitável do envelhecimento, insistiu a OMS.

Ênfase na prevenção

"Hoje sabemos mais do que nunca sobre os fatores que influenciam o risco de demência, e estas diretrizes traduzem esse conhecimento em medidas concretas", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Dado que não existe uma cura nem um tratamento modificador da doença amplamente acessível, as diretrizes enfatizam a prevenção como a estratégica mais eficaz para reduzir a incidência futura.

Entre as recomendações estão o controle das condições médicas —entre elas a hipertensão, diabetes e colesterol—, a redução da exposição a fatores ambientais, a estimulação cognitiva e o treinamento para adultos que apresentam comprometimento cognitivo leve.

A OMS insistiu que o investimento em reduzir o risco de demência traria retornos, já que estima-se que essa condição custe à economia mundial 1,3 trilhão de dólares (cerca de 6,5 trilhões de reais) por ano, dos quais aproximadamente metade corresponde a cuidados não remunerados prestados por familiares e amigos.

"Compreender os fatores de risco e tomar medidas para prevenir a demência pode melhorar a saúde e a qualidade de vida, ajudando pessoas a viverem mais, com mais saúde e de forma mais independente", afirmou.

Fonte _ Folha/SP