Imuniza SUS

quinta-feira, 21 de maio de 2026

SUS vai incorporar exame mais eficaz para detectar câncer colorretal

 


Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) que o SUS (Sistema Único de Saúde) adotará um novo exame para o diagnóstico de câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal.

A incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em um evento em Lyon, na França, que marcou o início de uma parceria entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde). A previsão é que o FIT esteja disponível a partir do segundo semestre.

Segundo a pasta, o novo exame poderá ser feito por homensmulheres assintomáticos que tenham entre 50 e 75 anos, faixa etária em que se inicia o rastreamento para o câncer de intestino. Com eficácia de 85% a 92%, o FIT é considerado mais eficaz do que o método utilizado atualmente, de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

À Folha o ministro Alexandre Padilha afirmou que o exame facilita o rastramento porque pode ser feito na atenção primária, excluindo a necessidade de visita a um hospital. "O protocolo de coleta no ambiente extra hospitalar é fundamental para a identificação dos casos assintomáticos", disse.

O câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil. Entre homens, fica atrás apenas do câncer de próstata; entre mulheres, é superado pelo câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que 53,8 mil novos casos de câncer colorretal apareçam por ano no país no triênio 2026-2028.

Olival de Oliveira, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), afirma que a incorporação do FIT no sistema público eleva a qualidade do diagnóstico do câncer do intestino no país. Segundo ele, o exame reduz o índice de falsos positivos e evita gastos desnecessários com colonoscopia no SUS.

"O modelo utilizado atualmente foca em sangue oculto nas fezes, evidenciado por manchas vermelhas. Porém, para funcionar, o paciente precisa fazer dieta com restrição de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes. Por essa particularidade, é comum o falso positivo", explica Oliveira.

O FIT, por sua vez, não exige restrição alimentar. Segundo o especialista, a oferta do exame era uma reivindicação antiga das entidades que representam as especialidades de proctologia e endoscopia.

Para pessoas com menos de 50 anos, o protocolo continua sendo a colonoscopia, feita quando há histórico de câncer entre familiares do paciente ou sintomas da doença. Sem esses dois condicionantes, não é comum o rastreamento em pessoas com menos de 50 anos, idade em que a incidência aumenta.

O FIT detecta marcas de sangue nas fezes invisíveis a olho nu. O método é considerado uma das principais estratégias de rastreamento por ser simples, não invasivo e de baixo custo.

O exame é feito a partir da coleta de uma pequena amostra de fezes em casa, usando um kit fornecido pelo serviço de saúde ou laboratório. O material é então enviado para análise laboratorial, onde busca-se traços de hemoglobina humana, proteína presente no sangue.

O FIT é uma das etapas do rastreio, não a única. Em casos positivos, os pacientes examinados são enviados para colonoscopia, que vai identificar a existência ou não de lesões e alterações como pólipos, inflamações e tumores.

O preparo para a realização de colonoscopia inclui dieta leve e uso de laxantes para limpar completamente o cólon, essencial para que o médico visualize adequadamente a parede intestinal.

O procedimento é realizado com sedação. O médico introduz pelo ânus do paciente um aparelho fino e flexível equipado com câmera, chamado colonoscópio, que percorre o reto e o intestino grosso transmitindo imagens em tempo real para um monitor.

Além de identificar lesões suspeitas, a colonoscopia permite retirar tumores que podem evoluir para câncer e coletar fragmentos de tecido para biópsia. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe alerta para aumento do número de casos de SRAG no país

 


Divulgada nesta quinta-feira (21/5), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. O estudo alerta que a incidência de SRAG se mantém mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem sido impulsionado pela influenza A. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 19, período de 10 a 16 de maio.

A análise destaca ainda que - com exceção de Rondônia - todas as unidades federativas (UF), estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), sendo que 18 delas também estão com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19. São Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Em relação às regiões, a atualização mostra que os casos de SRAG por VSR têm aumentado na maioria dos estados da região Nordeste e no centro-sul. No Norte, o Pará apresenta tendência de aumento das hospitalizações pelo vírus, atingindo uma incidência extremamente alta. Nos demais estados do Norte, assim como no Distrito Federal e em Goiás, as ocorrências graves por VSR estão estáveis ou em queda. Já os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, porém mostram retomada do crescimento no Ceará e Maranhão.

“Diante da alta atividade dos vírus influenza A e VSR, é essencial que a população elegível esteja vacinada contra esses vírus. E mesmo com a baixa circulação da Covid-19, também é importante que a população de risco esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra o vírus, já que ele ainda é uma causa importante de óbitos por SRAG entre os idosos”, ressalta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando no Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins. Nos demais estados, seguem com tendência de queda ou interrupção do crescimento. Contudo, mesmo com indícios de interrupção do crescimento ou queda, as hospitalizações por influenza A continuam altas em Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Sergipe.

Segundo o InfoGripe, 16 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Porto Alegre (RS), Rio de  Janeiro (RJ) e Salvador (BA).

Dados epidemiológicos

O cenário atual, em nível nacional, aponta crescimento de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Referente ao ano epidemiológico 2026, foram notificados 63.634 casos de SRAG, sendo 29.517 (46,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 23.594 (37,1%) negativos e cerca de 6.014 (9,5%) aguardando resultado laboratorial.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 24,5% de influenza A, 4,4% de influenza B, 44,5% de vírus sincicial respiratório, 24,4% de rinovírus e 2,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 51,8% de influenza A, 4% de influenza B, 11,4% de vírus sincicial respiratório, 15,4% de rinovírus e 11,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26% de Influenza A, 2,4% de influenza B, 27,4% de vírus sincicial respiratório, 35% de rinovírus e 6,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR, enquanto o aumento de SRAG nas demais faixas. A incidência de SRAG por Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

terça-feira, 19 de maio de 2026

Diretor da OMS diz estar 'profundamente preocupado' com escala e velocidade da epidemia de ebola

 


O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) se declarou "profundamente preocupado com a escala e velocidade" da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo.

"Convocaremos hoje o comitê de emergências para que nos aconselhe sobre recomendações temporárias", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia annual dos Estados-membros da OMS.

A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia de ebola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15 mil mortes na África.

"Não tomei essa decisão levianamente... Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia", afirmou Adhanom Ghebreyesus sobre a declaração de emergência. Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto.

A atual epidemia na República Democrática do Congo teria provocado 131 óbitos e 513 casos suspeitos até o momento, afirmou nesta terça-feira (19) o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba.

"Registramos 131 mortes e temos 513 casos suspeitos", declarou o ministro à televisão nacional. "Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola", explicou.


Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços são baseados principalmente em casos suspeitos.

O balanço anterior do ministro congolês da Saúde mencionava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.
A situação levou a agência de saúde da União Africana (África CDC) a declarar uma "emergência de saúde pública" continental.


Segundo a agência, a declaração permitirá "reforçar a coordenação regional, facilitar a mobilização rápida de recursos financeiros e técnicos, e consolidar os sistemas de vigilância e de laboratório".

O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste do Congo, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade de mineração.

O vírus se propagou para além de Ituri e das fronteiras da RDC, com duas mortes registradas em Uganda, segundo a OMS.

As vítimas são pessoas que viajaram ao país a partir do congo, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que é a doença mão-pé-boca, infecção altamente contagiosa comum em crianças pequenas

 


Muita gente nunca ouviu falar da doença mão-pé-boca (MPB), mas quem já enfrentou o problema, não esquece. "Houve noites que a gente chorava junto, de tanta dor que minha filha sentia", relata a autônoma Viviane Rodrigues, 37 anos.

Ester, 3, contraiu a síndrome de outra criança da família há cerca de quatro meses e, na ocasião, teve muita febre e foi mais afetada na garganta —a escola do menino de 8 anos havia passado por alguns surtos de MPB. "Não foi culpa dele, mas é algo que prolifera muito rápido. Ela tentava mamar e não conseguia, acho que não conseguia engolir nem saliva", lembra a mãe.

Altamente contagiosa, a síndrome MPB é causada por enterovírus como o Coxsackie e é marcada por febre alta, dor de garganta e lesões vesiculares (bolhas), em especial na mucosa bucal, língua, mãos e pés.

Coxsackie é mais comum nos meses de outono e verão no hemisfério Norte, mas, no Brasil, o padrão é menos característico, segundo documento científico da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A transmissão ocorre entre indivíduos pelo contato com secreções respiratórias —como saliva, tosse e espirros— e fecais. "A pessoa infectada pode transmitir o vírus mesmo antes do aparecimento dos sintomas e continuar eliminando o agente infeccioso por semanas, especialmente nas fezes", alerta, por meio de nota, o médico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do departamento científico de Infectologia da SBP.

Nas redes sociais, em postagens sobre o tema, é comum encontrar relatos de pais que contraíram a doença dos filhos, com sintomas como descamações tão intensas que levaram a perda das unhas e até quadros em que o vírus chegou ao sistema nervoso, causando encefalite.

Embora sejam raros, nos últimos anos, a literatura médica observou em epidemias na Ásia casos em que a doença foi fatal, principalmente quando estava presente a cepa viral EV71. Nos óbitos registrados, o vírus atingiu o sistema nervoso central, "provocando alterações circulatórias, cardíacas e edema pulmonar", afirma o relatório da SBP.

Em geral, os sintomas melhoram em duas semanas, com tratamento que costuma ser paliativo, focado em amenizar os sintomas. O pediatra e infectologista Marcos Junqueira do Lago, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que é uma doença que "muito raramente pode até evoluir de uma forma mais grave".

O docente também diz que o MPB costuma acometer o paciente apenas uma vez na vida de forma mais intensa. "Não é impossível ter uma segunda infecção, caso o vírus tenha sofrido alguma mutação, mas normalmente é bem mais branda que a primeira e não é comum, é bastante raro", afirma Lago.

Por essa razão, os principais grupos de risco são os de crianças abaixo dos cinco anos de idade e o de adultos que nunca foram expostos ao vírus.

Como saber se é pé-mão-boca?

O médico Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico do Hospital Infantil Darcy Vargas, diz que as lesões características da MPB costumam ser dolorosas e variam de formato, podendo se apresentar como "bolinhas com líquido dentro", chamadas vesículas ou pápulas. "E, às vezes, são tipo caroços pequenos, que podem ser muito dolorosos, frequentemente nas mãos e nos pés, [além de] úlceras na boca", diz Otsuka.

Outro sintoma que pode surgir de três a oito semanas após a fase aguda é a onicomadese, que consiste no descolamento da unha a partir da base. Apesar de assustar os pais, o quadro costuma melhorar gradualmente com a recuperação total das unhas em cerca de dois meses, sem necessidade de tratamento específico.

De acordo com Lago, o diagnóstico de pé-mão-boca hoje é facilitado por exames como PCR, técnica de reação em cadeia de polimerase que ficou popular durante a Covid. "Você consegue fazer exame de secreção respiratória e detectar o vírus na saliva da pessoa contaminada e, eventualmente, até nas fezes. Existem também exames de sangue se já teve ou não infecção pelo Coxsackie", afirma o docente.

Tratamento

Não existem medicamentos antivirais específicos para a MPB. A doença é, na maioria das vezes, benigna e autolimitada, durando de sete a dez dias. O tratamento foca no alívio dos sintomas, como controle da febre e da dor —que tendem a melhorar logo na primeira semana.

"A doença não exige internação, existe só observação clínica, acompanhamento, tratamento sintomático. Caso haja alguma alteração neurológica ou física, exames vão ser feitos, mas isso é extremamente raro", ressalta Lago.

Além disso, é recomendado fazer a higiene das lesões para evitar contaminação. O uso de laser para aliviar sintomas ou melhorar a cicatrização é uma terapia que precisa ser indicada e acompanhada pelo médico responsável.

Prevenção

Os cuidados preventivos consistem em hábitos de higiene básicos, como lavar as mãos sempre que for ao banheiro ou fizer uma troca de fralda. Otsuka recomenda ainda evitar beijar crianças na boca ou próxima a esta parte do corpo e "higienizar adequadamente brinquedos e superfícies", uma vez que crianças pequenas tendem a morder objetos.

"Nos pequenos, o principal desafio está relacionado à dor causada pelas lesões na boca, que pode dificultar a ingestão de líquidos e alimentos, aumentando o risco de desidratação, a complicação mais comum", diz Sáfadi.

A SBP informa que a MPB "não é considerada de notificação compulsória, entretanto, a ocorrência de dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto."

Crianças com sintomas também não devem ser enviadas para escola. Para Rodrigues, mesmo com período de incubação, estar atento é uma medida simples e pode preservar os colegas de muito sofrimento. "Se você tem um filho em ano letivo e vê que está com esse problema, não deixe ele ir para a escola, cuide em casa para que não passe para outra criança", reforça a mãe.

Fonte _ Folha/SP

Laboratórios recolhem corticoide injetável e remédios para colesterol

 


Duas farmacêuticas anunciaram nesta segunda-feira (18) o recolhimento voluntário de corticoide e medicamentos para controle do colesterol após identificar problemas na produção.

A Cimed Indústria S.A. e a Hypofarma relataram as ocorrências à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e as suspensões de comercialização, distribuição e uso foram publicadas no Diário Oficial da União.

A Cimed diz suspeitar que cartuchos de rosuvastatina cálcica 20 mg tenham sido misturados aos de atorvastatina cálcica 40 mg. Os medicamentos têm o mesmo número de lote (2424299).

Já a Hypofarma recolheu o lote 25091566 do fosfato dissódico de dexametasona 4 mg/ml, um corticoide injetável apresentado em caixa com 50 ampolas.

Quem tiver adquirido qualquer um dos medicamentos deve suspender o uso e entrar em contato com o SAC das respectivas empresas para informações sobre o recolhimento e a devolução dos produtos.

Os dois medicamentos da Cimed são usados para reduzir os níveis de colesterol LDL (colesterol ruim) e triglicerídes no sangue. Também elevam o HDL (colesterol bom) e são receitados para prevenir doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs.

Quem acredita estar tomando atorvastatina 40 mg pode, na prática, estar consumindo rosuvastatina 20 mg sem saber. Embora pertençam à mesma classe, as estatinas, as duas substâncias têm doses e indicações que variam conforme o perfil do paciente.

A troca pode representar risco porque cada medicamento é prescrito de forma individualizada. A dose correta depende do histórico do paciente, de outros remédios que ele usa e do nível de colesterol que precisa ser controlado.

Quanto ao corticoide da Hypofarma, o problema identificado é a turvação da solução quando o medicamento é diluído em associação a determinados outros remédios. A empresa afirma que o recolhimento é restrito ao lote mencionado e que acompanha o caso junto às autoridades sanitárias.

O fosfato dissódico de dexametasona é um corticoide sintético usado no tratamento de condições inflamatórias severas, distúrbios alérgicos e doenças autoimunes. Também é indicado para edemas, como o edema cerebral em algumas condições neurológicas, e para distúrbios endócrinos.

Em nota, a Hypofarma afirma que "a medida demonstra o compromisso histórico da empresa com a segurança dos pacientes, a transparência de seus processos e o rigor dos controles de qualidade".

Fonte _ Folha/SP

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Governo do Brasil garante oferta de 23 novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer no SUS

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde Alexandre Padilha anunciaram, nesta sexta-feira (15), a maior entrega já realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o câncer, garantindo 100% da demanda de medicamentos. Com o investimento de R$ 2,2 bilhões, entre as principais inovações estão a criação da nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo e a criação, pela primeira vez, do financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública, além de ampliar acesso à cirurgia de reconstrução mamária.

“Eu penso que o estado tem que fazer justiça e dar oportunidade e igualdade a todo mundo. E eu tinha uma obsessão por isso, porque as pessoas mais humildades são tratadas como invisíveis. O que estamos fazendo aqui é dizer: o Brasil entrou numa rota de civilidade e o pobre não será mais tratado como invisível. A gente não pode prescindir da qualidade pública, não aceito dizer que o público não presta. O SUS está provando que aquilo que é público, quando é feito com respeito, dignidade e justiça, o público é muito melhor”, destacou Lula.

Esse aumento de 35% na oferta dos fármacos na rede pública de saúde beneficia 112 mil pacientes, representando um destrave histórico nos tratamentos oncológicos de primeira linha, que embora incorporados, aguardavam há até 12 anos para serem disponibilizados à população. Entre a lista, dez serão adquiridos diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os outros serão ofertados por meio da Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), em que a compra é realizada pelos centros habilitados no país, com financiamento federal, e Ata de Negociação Nacional.

Os medicamentos contemplam 18 tipos de câncer, como mama, pulmão, leucemia, ovário, estômago. A depender do tipo de tratamento, o paciente pode economizar até R$ 630 mil, caso fizesse na rede privada. A iniciativa está alinhada ao Componente de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), política nacional que assegura o cuidado organizado e contínuo no SUS.

Com foco nas mulheres, o ministro Padilha anunciou a ampliação do acesso à cirurgia de reconstrução mamária, que visa democratizar o acesso a procedimentos de alta complexidade e promover a reabilitação física e psicológica das pacientes de forma integral. O direito à cirurgia plástica reconstrutiva, anteriormente limitado a sequelas de tratamento de câncer, passa a abranger todos os casos de mutilação mamária, seja total ou parcial. Com a ampliação, a estimativa de investimento é de R$ 27,4 milhões por ano, representando um aumento de aproximadamente 13% em comparação a 2025.

“Hoje é um dia muito importante para o SUS. As mulheres são a maioria nesse país, mães de minorias, e que mais usam o SUS. Quando o filho está lá é mãe quem está. A saúde das mulheres é uma prioridade absoluta. Exemplo disso é a expansão da vacina do HPV. E eu acredito que nós vamos, até 2035, chegar no que a Austrália chegou, que é eliminar o câncer de colo do útero”, destacou o ministro.

Já para o tratamento do câncer de próstata, o SUS passa a contar com o financiamento permanente da cirurgia robótica, com investimento de R$ 50 milhões do Governo do Brasil. A tecnologia permite que o profissional de saúde tenha maior precisão cirúrgica e melhor visualização das estruturas anatômicas. Para os pacientes, os benefícios incluem menor perda sanguínea durante a operação, reduzindo a necessidade de transfusões. Cerca de 5 mil homens poderão ser beneficiados.

Rede Alta Performance e saúde digital

Para que o SUS tenha capacidade de realizar telecirurgias robóticas, foi assinado pelo ministro o Termo de Execução Descentralizada (TED) voltado à criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança. A iniciativa prevê uma solução integrada de alta capacidade entre o Hospital de Amor, em Barretos (SP), e a unidade localizada em Porto Velho (RO), onde inicialmente serão realizadas cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e urológicas.

Com investimento preliminar de R$ 2 milhões e vigência de 30 meses, a infraestrutura contempla requisitos técnicos compatíveis com esse tipo de serviço para aplicações críticas em saúde, que exigem comunicação em tempo real, transmissão segura de dados e elevada confiabilidade operacional.

Mais recursos para o Hospital de Amor

O Ministério da Saúde está garantindo mais recursos para custeio das ações de prevenção e controle do câncer no Hospital de Amor de Barretos, que contará com parcela suplementar no valor de R$ 129 milhões. O estabelecimento registra cerca de 600 novos casos oncológicos infantojuvenis anualmente.

Na ocasião, o presidente Lula e o ministro da Saúde participaram do lançamento da pedra fundamental do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Hospital de Amor e do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD). A ação consolida o complexo Hospital de Amor/Fundação Pio XII como um dos principais polos de inovação em saúde da América Latina, integrando assistência, ensino e pesquisa de alta complexidade.

Novos aceleradores lineares e expansão do tratamento oncológico

Outro marco dos anúncios em Barretos foi a assinatura do edital de compra de até 80 aceleradores lineares, que deve ampliar em 25% a oferta de tratamento de radioterapia em um ano. A contratação ocorre no âmbito do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde – PERSUS II, com foco na substituição de equipamentos obsoletos, na instalação de aparelhos em estruturas já existentes e na ampliação tecnológica dos serviços.

“No câncer, tempo é vida e hoje vamos dar mais um passo histórico. Nós estamos colocando aquilo que tem de mais moderno para o tratamento de radioterapia. Este ano chegamos ao marco histórico que é ter pelo menos um equipamento de radioterapia em cada estado. Além disso, temos hoje o Governo do Brasil distribuindo veículos a todo o país para promover dignidade ao paciente no caminho até a terapia. O nosso país está construindo a maior rede pública para diagnóstico e tratamento de câncer do mundo", enfatizou Padilha.

No ano passado, com o programa Agora Tem Especialistas, o país bateu recorde de procedimentos oncológicos no SUS. Foram realizados 189.949 procedimentos de radioterapia, um aumento de 22% em comparação com 2022, quando foram registrados 155.355 atendimentos. O recorde se repetiu na quimioterapia, que registrou crescimento de 20% na comparação entre os 4,7 milhões de atendimentos realizados em 2025 e os 3,9 milhões registrados em 2022.

Paralelamente, o Agora Tem Especialistas promoveu o maior mutirão de saúde da mulher da história do SUS, com 230 mil exames e cirurgias realizados em 900 hospitais públicos e filantrópicos de 516 municípios, ampliando o rastreamento e a detecção precoce do câncer em todo o país. Na área diagnóstica, o Super Centro para Diagnóstico do Câncer — iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o A.C.Camargo Cancer Center — já reduziu em 80% o tempo de espera por laudos de biópsia no SUS. O que antes levava mais de 25 dias hoje é concluído em cerca de cinco dias, prazo decisivo para o início oportuno do tratamento oncológico.

Além disso, o Agora Tem Especialistas descentralizou o atendimento com as Carretas da Saúde, que já alcançaram mais de 1.700 municípios brasileiros com consultas e exames em regiões de vazio assistencial. Somente em saúde da mulher, já foram mais de 166 mil procedimentos, contribuindo para zerar filas em 40 municípios.

Garantia de transporte até o tratamento

Ainda na solenidade no Hospital de Amor, o ministro Alexandre Padilha entregou oito micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde para municípios dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, totalizando investimento de R$ 1,4 milhão.

Os veículos serão utilizados no transporte de pacientes que necessitam de consultas, exames e tratamentos especializados e contínuos, especialmente pacientes em radioterapia e hemodiálise, que precisam se deslocar entre municípios para atendimento na rede pública de saúde. Ao todo, o Ministério da Saúde investiu R$ 1,4 bilhão na aquisição de 3,3 mil veículos destinados a todos os estados do país.

Valorização dos sanitaristas no Brasil

Ainda na oportunidade, o ministro da Saúde também homenageou o sanitarista Carlos Haroldo Piancastelli com a entrega da Carteira Nacional de Sanitaristas. Esse momento marca a regulamentação da profissão, que é um avanço estratégico para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil, contribuindo para a maior segurança institucional e valorização profissional.

Fonte _ Saúde.gov


Ministério da Saúde leva para Cruzeiro do Sul (AC) carreta de saúde da mulher para diagnóstico precoce de câncer de mama e do útero no SUS

 


Desde terça-feira (12), pacientes do SUS de Cruzeiro do Sul (AC) e região passam a contar com os serviços especializados em saúde da mulher da carreta do programa Agora Tem Especialistas, do Governo do Brasil. Focada no diagnóstico precoce de câncer de mama e do colo do útero, a unidade móvel ofertará centenas de consultas ginecológicas, mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, além de biópsias, para mulheres previamente agendadas e encaminhadas pela secretaria de saúde local.

As carretas levam o cuidado para mais perto da população, reduzindo a necessidade de deslocamentos para grandes centros, sendo possível atender outras regiões menores ao redor dos municípios em que estiveram. Desde outubro de 2025, as carretas já atenderam as populações de mais de 2 mil cidades.

No Acre, a iniciativa do Governo do Brasil também levou o cuidado especializado em saúde da mulher para mais perto da população de outros municípios. As carretas já passaram por Rio Branco, Brasiléia e Tarauacá, reduzindo a necessidade de deslocamentos para grandes centros.

Ao todo, são 76 carretas de saúde em todo o país, que, em apenas seis meses, percorreram mais de 36,3 mil km em todo o país. Isso representa quase uma volta completa ao redor do planeta Terra ou quase sete viagens do Oiapoque ao Chuí; o que revela o esforço do Governo do Brasil em levar mais exames e cirurgias para cada vez mais pessoas.

Mapa da saúde: veja locais que passam a contar com as carretas do Governo do Brasil

Além do município acreano, nesta semana outras sete cidades de seis estados serão contempladas com carretas do Agora Tem Especialistas, que levam mais atendimento onde a população está.

As unidades móveis geralmente são instaladas em regiões de difícil-acesso, alta demanda reprimida ou cidades-polo, locais referência para povoados ao redor. Com estrutura moderna e equipe multiprofissional, elas ofertam desde consultas até exames e procedimentos essenciais para o diagnóstico e tratamento.

Entre quinta (14) e sábado (16), as populações de Guajará (AM), São João das Missões (MG), Araçuaí (MG), Castanhal (PA) e Fazenda Rio Grande (PR) também passam a contar com os atendimentos das carretas de saúde da mulher.

Já uma carreta de exames de imagem chega ao município de Pirenopólis (GO), garantindo acesso a exames essenciais para diagnóstico e encaminhamento adequado dos pacientes no SUS, contribuindo para reduzir o tempo de esperar e acelerar o início do tratamento.

Em Viamão (RS) chega uma unidade móvel de oftalmologia, com consultas especializadas, exames como mapeamento de retina e ultrassom ocular, além de cirurgias de catarata e outros procedimentos que já devolveram a visão para mais de 17,7 mil pessoas.

Agora tem Especialistas: mais saúde e menor tempo de espera

Para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado, o programa também atua com mutirões em finais de semana; a reativação de espaços ociosos em hospitais públicos; a ampliação do horário de atendimento em policlínicas; o provimento de mais médicos especialistas; o atendimento gratuito a pacientes do SUS em hospitais privados e filantrópicos que têm como contrapartida o recebimento de créditos financeiros para abatimento de tributos federais; entre outras iniciativas que já garantiram números expressivos de cirurgias eletivas, com a marca de 14,9 milhões de procedimentos em 2025 — um aumento de 42% em relação a 2022 —, além da marca inédita de 1,3 milhão de exames e 14 milhões de internações.

Veja como a campanha Agora Tem Especialistas amplia o cuidado no SUS

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 14 de maio de 2026

InfoGripe: aumenta número de casos de SRAG em crianças menores de 2 anos

 


A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (14/5), sinaliza que todas as unidades federativas (UF) apresentam alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O aumento de SRAG no país ocorre principalmente nas crianças menores de 2 anos e é impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR). As demais faixas etárias apresentam estabilização do número de casos. O estudo destaca também que as hospitalizações por influenza A continuam aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (Roraima e Tocantins) e do Sudeste (São Paulo e Espírito Santo). A atualização é referente à Semana Epidemiológica 18, período de 3 a 9 de maio.

“A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de agravamento por esses vírus se vacinem. A vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana e protege os bebês principalmente durante os seis primeiros meses de vida. Também existem anticorpos monoclonais contra o VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades. Já a vacina anual contra a influenza é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Boletim mostra que em relação aos óbitos registrados no período, as mortes por influenza A respondem por 51,8% dos casos. A seguir vem as por rinovírus com 15,4%, Sars-CoV-2 (Covid-19) com 11,8%, 11,4% por vírus sincicial respiratório e influenza B com 4% dos casos. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos. Os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no Maranhão e no Ceará.


Estados e capitais

O número de hospitalizações por influenza A, informam os pesquisadores do InfoGripe, continua aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (RO e TO) e do Sudeste (SP e ES). O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG em alguns estados do Norte (AM, AP), Sudeste (MG e RJ) e Sul (RS, SC). Segundo a análise, estão com incidência de SRAG em nível de alerta de risco ou alto risco Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

As ocorrências de SRAG por VSR têm aumentado em estados de todas as regiões. No entanto, já apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda em boa parte da região Norte (AM, RR, RO, TO) e em alguns estados do Centro-Oeste (GO e MT). Por outro lado, os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no MA e CE.

Boletim verificou que 15 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 18. São elas Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).

Dados epidemiológicos

Em nível nacional, o cenário atual sinaliza aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e estabilidade ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026, já foram notificados 57.585 casos de SRAG, sendo 26.338 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 21.500 (37,3%) e cerca 5.653 (9,8%) aguardando resultado laboratorial.

A nova edição do sinaliza ainda que este ano já foram verificados 26,3% de influenza A, 2,2% de influenza B, 25,3% de vírus sincicial respiratório, 36,1% de rinovírus e 7,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,2% de influenza A, 3,7% de influenza B, 41,5% de vírus sincicial respiratório, 25,5% de rinovírus e 2,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças menores de 2 anos tem sido impulsionado pelo VSR. Já o sinal de estabilização dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 14 anos e acima de 15 anos reflete a desaceleração do crescimento ou queda das hospitalizações por rinovírus e influenza A, respectivamente, em muitos estados.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A. Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

terça-feira, 12 de maio de 2026

Maior força de trabalho do SUS, enfermagem vive explosão de cursos a distância

 


A explosão dos cursos de enfermagem no Brasil, impulsionada pelo setor privado e pelo ensino a distância, acendeu um alerta sobre a qualidade da formação da principal força de trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde).

Relatório técnico divulgado nesta terça-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem, mostra que o número de vagas em cursos superiores privados da área saltou de 120 mil para mais de 503 mil entre 2010 e 2023, alta superior a 300%.

Grande parte desse crescimento ocorreu na modalidade EAD (educação a distância), cuja oferta disparou 1.408% no período e hoje já responde por metade das vagas disponíveis na rede privada. Em 2023, somente os cursos privados a distância somavam 253 mil vagas —número superior ao total de vagas presenciais públicas e privadas.


O documento, baseado no estudo "Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil", lançado ano passado pelo Ministério da Saúde, aponta que o setor privado concentra 90,7% das instituições de ensino de enfermagem do país.

A expansão acelerada, porém, convive com um problema estrutural: parte expressiva das vagas não é ocupada ou acaba abandonada. Nos cursos presenciais privados, cerca de metade das vagas permanece ociosa em razão da evasão.

Na rede pública, a retenção é maior, mas cerca de 30% das vagas também ficam sem preenchimento. A preocupação ganhou força após a pandemia de Covid-19, que evidenciou a dependência dos sistemas de saúde em relação à enfermagem.

Hoje, a categoria representa cerca de 70% da força de trabalho em saúde no Brasil e 59% no mundo. Apesar do crescimento acelerado do número de profissionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima um déficit global de cerca de 6 milhões de enfermeiros.

O relatório também chama atenção para desigualdades regionais históricas. Sudeste e Sul concentram a maior parte das escolas, cursos e matrículas, enquanto estados do Norte e do Nordeste seguem com menor densidade de profissionais.

Em 2018, por exemplo, o Pará registrava 14,1 enfermeiros por 10 mil habitantes, menos de um terço da densidade observada no Distrito Federal, com 49,3 profissionais por 10 mil habitantes.

Na avaliação do médico e pesquisador Mario Dal Poz, professor titular da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autor principal do relatório, a expansão desordenada ameaça a qualidade futura da assistência no SUS.

"A enfermagem é a espinha dorsal do SUS. A expansão acelerada sem planejamento regional e o avanço do ensino à distância colocam em xeque a qualidade do cuidado que o sistema de saúde entrega à população", afirma.

Segundo Dal Poz, a formação em enfermagem exige aquisição de habilidades práticas e competências clínicas que não podem ser reduzidas a um modelo predominantemente remoto. Para ele, o país precisa ampliar a oferta pública e fortalecer mecanismos de avaliação e fiscalização dos cursos privados e do EAD.

A enfermeira e pesquisadora da Uerj Helena Leal, uma das autoras do relatório, reforça que o avanço do ensino a distância em enfermagem ocorreu de forma descontrolada, impulsionado principalmente pela redução de custos das instituições privadas.

Segundo ela, a enfermagem precisa de formação prática intensiva e supervisão presencial. "Exige destreza, habilidade e treinamento in loco." Ela avalia que laboratórios de simulação ajudam, mas não substituem o contato com pacientes nem o acompanhamento de professores preparados.

Além da graduação, o levantamento analisou mais de 5.500 cursos técnicos de enfermagem registrados entre 2009 e 2024. Nesse segmento, o ensino presencial ainda predomina. Mesmo assim, os pesquisadores identificaram falhas importantes nos sistemas de informação sobre a formação técnica, especialmente no Sistec (Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica).

Foram encontrados problemas como ausência de dados sobre matrículas, campos em branco e erros na identificação dos cursos, revelando fragilidades históricas no monitoramento da educação profissional.

Após a exclusão de registros inconsistentes, o estudo identificou 5.509 unidades de ensino com oferta de cursos técnicos em enfermagem. São Paulo lidera, com 1.218 cursos registrados, seguido por Minas Gerais (774) e Rio de Janeiro (504). No total, foram registradas cerca de 3 milhões de matrículas em cursos técnicos entre 2009 e 2024.

Os pesquisadores alertam que a expansão acelerada do setor privado pode estimular cursos com infraestrutura precária, fragilidade pedagógica e baixa integração entre teoria e prática.

Helena Leal chama atenção para problemas como estágios pouco supervisionados e cursos sem qualidade mínima, por falta de reconhecimento dos cursos. "Alguns profissionais nem sequer conseguem registrar seus diplomas nos conselhos regionais."

Também critica a fragilidade da fiscalização dos cursos técnicos e do EAD e afirma que o país ainda carece de sistemas confiáveis para monitorar evasão, qualidade da formação e distribuição regional dos profissionais.

O EAD avançou também sobre a pós-graduação, especialmente em áreas como oncologia, gerontologia, saúde mental, neurologia e atenção domiciliar. Em algumas especialidades, a maioria dos egressos já vem da modalidade a distância —caso de neurologia (90%), saúde mental (85%) e gerontologia (82,5%)—, o que acendeu alerta sobre a formação prática desses profissionais em áreas clínicas complexas.

O documento revela fragilidades na regulação e no monitoramento das especializações, como ausência de critérios nacionais para currículos, falta de padronização dos cursos e lacunas nos registros profissionais.

Entre as recomendações do relatório estão maior controle sobre a abertura de cursos, revisão das regras do ensino a distância, fortalecimento da fiscalização de estágios e práticas presenciais e ampliação da oferta pública em regiões carentes de profissionais.

O levantamento traça ainda um panorama demográfico da enfermagem brasileira. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mostram que o número de enfermeiros passou de cerca de 215 mil em 2010 para 524 mil em 2021, enquanto os técnicos de enfermagem saltaram de 415 mil para quase 1,2 milhão no mesmo período.

Os pesquisadores identificaram mudanças importantes no perfil da categoria. Embora as mulheres continuem majoritárias, houve aumento da participação masculina, sobretudo entre os enfermeiros.

O estudo aponta ainda um envelhecimento gradual da força de trabalho. "Há uma mudança da faixa etária de 25 a 34 anos para faixa etária de 35 a 44 anos, especialmente entre os técnicos de enfermagem, que atinge também um pico até a faixa etária de 40 a 50 anos", observa Kênia Lara Silva, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e também coautora do estudo.

Segundo ela, essa é uma questão que deve ser objeto de preocupação das políticas públicas e da organização interna da profissão. "Há o próprio desgaste que se vai tendo ao longo da exposição ao trabalho e que pode ser acirrada quando se considera as pessoas nas faixas etárias mais avançadas, reduzindo, inclusive, esse potencial para o trabalho."

As análises revelam uma forte desigualdade racial e de gênero dentro da enfermagem brasileira. Segundo Kênia, as mulheres negras concentram-se nas faixas de menor rendimento da profissão, enquanto homens brancos ocupam majoritariamente os percentis salariais mais altos.

projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde lança a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante

 


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta terça-feira (12), na Maternidade Escola da UFRJ/HU Brasil, no Rio de Janeiro, a nova Caderneta Brasileira da Gestante, em versão digital, disponível em aplicativo. O documento, estratégico na qualificação do pré-natal e na organização da linha de cuidado materno-infantil em todo o país, também traz novidades como informações de cidadania, incluindo saúde mental, luto materno e violência obstétrica, além de permitir que a gestante realize o acompanhamento mais qualificado de forma mais prática e ágil, com a integração dos diferentes pontos da rede assistencial na palma da mão.

Durante o lançamento, o ministro também apresentou a nova campanha de incentivo à doação de leite humano do Ministério da Saúde. Os bancos de leite garantem a oferta de leite humano para bebês prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais, além de oferecer orientação e suporte para que mais mulheres possam amamentar com segurança.

Mais do que uma atualização editorial, que também traz orientações sobre doação de leite e amamentação, a nova versão da Caderneta da Gestante incorpora evidências científicas atualizadas, qualifica o registro das informações clínicas e amplia o acesso das gestantes a orientações sobre gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido. A nova edição também passa a incorporar temas fundamentais para a integralidade do cuidado, como saúde mental, luto materno e parental, equidade, direitos das gestantes, enfrentamento das violências e cuidado compartilhado.

“Tradicionalmente, as nossas cadernetas da gestante eram as cadernetas do pré-natal, porque as orientações, os registros, as informações eram quase exclusivamente daquilo que se faz no pré-natal, o que é muito importante, pois a gente sabe que uma boa gestação começa ali, no pré-natal que é realizado na Atenção Primária” destacou o Ministro Alexandre Padilha.

Agora, a gestante passa a contar com as versões física e digital da Caderneta Brasileira da Gestante. Serão distribuídos 3,2 milhões de exemplares em todo o Brasil, além da disponibilização da versão digital, integrada ao aplicativo Meu SUS Digital. O miniapp foi desenvolvido para que a gestante navegue pelos conteúdos por capítulos e temas, além de utilizar uma ferramenta de busca para localizar rapidamente as informações desejadas.

Alinhada aos princípios norteadores da Rede Alyne, a iniciativa reforça o compromisso da pasta com uma assistência mais humanizada, integrada e resolutiva. O foco principal permanece na redução da mortalidade materna e na mitigação das desigualdades históricas no atendimento, assegurando que o SUS ofereça um padrão de excelência desde o primeiro contato da gestante com a unidade de saúde até o período pós-parto.

Abordagem Integral e Humanizada

O Ministério da Saúde incorporou, como campos de registro, informações sobre acompanhante, métodos de alívio da dor, posições para o parto, procedimentos a serem evitados e expectativas para a cesariana, além de orientações sobre os cuidados específicos do período puerperal e a necessidade de suporte da rede de apoio e da família à pessoa puérpera. "A expectativa é a gente qualificar esse momento tão especial para as famílias brasileiras que é o momento do parto” indicou Padilha.

A estrutura da nova caderneta dedica seções exclusivas ao enfrentamento da violência de gênero e à garantia de direitos fundamentais. O combate às iniquidades sociais é abordado de forma ativa, com conteúdo específico voltado ao enfrentamento do racismo institucional e das disparidades raciais que ainda persistem nos indicadores de saúde.

A caderneta também avança ao reconhecer as especificidades das populações do campo, da floresta e das águas. Ao incluir informações adaptadas a essas realidades, o Ministério da Saúde garante que o cuidado seja sensível às diferentes formas de vivenciar a gestação em um país de dimensões continentais e grande pluralidade cultural. Esse movimento reafirma a valorização da atenção primária como espaço de construção de um cuidado materno integral, equitativo e centrado nas necessidades reais das mulheres e de seus núcleos familiares.

Campanha de doação de Leite Humano


Ainda com o olhar voltado à saúde materna e do bebê, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também apresentou nesta terça-feira (12) a campanha de doação de leite humano do Ministério da Saúde, com o tema “Solidariedade que nutre, vida que cresce”. O objetivo da iniciativa é sensibilizar a sociedade sobre a importância do leite humano para a saúde dos bebês, além de ampliar o número de novas doadoras voluntárias e o volume de leite humano coletado e distribuído para recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados no Brasil.

Entre 2020 e 2025, 3,6 milhões de mulheres doaram leite materno, contribuindo para o atendimento de 46,8 milhões de mulheres e beneficiando 4,1 milhões de recém-nascidos. Mais de 4,2 milhões de litros de leite foram coletados pelos 239 Bancos de Leite Humano distribuídos em todo o território nacional.

Segundo dados do Sistema de Informação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), a cada 12 mulheres acompanhadas pelos Bancos de Leite Humano (BLH), uma se torna doadora.

Acesse a nova campanha de doação de leite humano

Como acessar a Caderneta Brasileira da Gestante


O acesso à Caderneta Brasileira da Gestante é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente nas lojas oficiais para celulares Android e iOS. A funcionalidade também pode ser acessada pela versão web da plataforma.

1. Instale o aplicativo

Baixe o aplicativo Meu SUS Digital gratuitamente nas lojas oficiais:

App Store — para iOS

Google Play — para Android

Também é possível acessar pela versão web do Meu SUS Digital.

2. Entre na sua conta

Abra o aplicativo Meu SUS Digital ou acesse a versão web da plataforma.

Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Gov.br.

3. Acesse a Caderneta Brasileira da Gestante

Na tela inicial, vá até a seção Miniapps.

Selecione o miniapp “Caderneta Brasileira da Gestante”.

Leia e aceite o Termo de Responsabilidade, quando solicitado.

Após o acesso, a caderneta estará disponível para consulta.

A partir desse processo, a gestante poderá acessar a versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante e consultar informações oficiais sobre pré-natal, parto, puerpério, cuidados com o bebê, vacinação, alimentação, saúde mental, direitos e rede de apoio, diretamente pelo celular ou navegador, com praticidade e segurança.

Acesse o Meu SUS Digital

Conheça a Caderneta Brasileira da Gestante

Fonte _ Saúde.gov