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Os
casos de estelionato na Justiça de São Paulo vêm crescendo ano após ano e mais
do que dobraram desde que as plataformas de inteligência artificial generativa
começaram a ser disponibilizadas, no fim de 2022. O dado consta de um
levantamento feito pela plataforma Jusbrasil a pedido da Folha.
O
crime de estelionato engloba as fraudes cometidas via Pix, que a Polícia
Federal costuma classificar como "cangaço digital". No total das
decisões dadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre
estelionato em 2025, os números saltaram de 1.073 para 2.270, um aumento em
linha com o avanço no registro de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.
Embora
não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a IA e
o aumento dos crimes na internet,
empresas renomadas de cibersegurança,
como Kaspersky e Crowdstrike, dizem detectar sinais claros do uso da tecnologia
nas ações criminosas.
Entre
os indícios estão o aumento da frequência de campanhas fraudulentas (a IA
permite criar conteúdos em massa), o sumiço de erros ortográficos em mensagens
(ela melhora os erros humanos), a atuação de quadrilhas do exterior no mercado
brasileiro (deixa a tradução mais simples), o uso de deepfakes (os vídeos e
áudios que simulam uma pessoa) e códigos de programação cada vez mais
sofisticados.
Essa descrição coincide com processos consultados pela reportagem. Quadrilhas usaram IA para tentar burlar o reconhecimento facial de aplicativos, produzir anúncios falsos, clonar vozes e até roubar a identidade de famosos no chamado "golpe do amor", quando o criminoso simula um relacionamento afetivo para extorquir dinheiro da vítima.
A
Jusbrasil indica que, ao avaliar as decisões proferidas em 2026 em processos
iniciados entre 2016 e este ano, é possível indicar que houve aumento no número
de processos que ainda movimentam decisões sobre o tema.
As
informações na maioria das ações judiciais, no entanto, são precárias. Entre as
8.338 decisões expedidas pelo TJ-SP em 2026 cujo tema central era estelionato,
3.786 não identificavam se a fraude ocorreu de forma presencial ou virtual. Nas
restantes, 3.621 foram por meios eletrônicos, e 931, pessoalmente.
O uso de IA tampouco é considerado relevante na Justiça e aparece em apenas cinco casos, o que contrasta com estatísticas de referência. Levantamento da Crowdstrike mostra que o uso de IA em golpes pelo mundo avançou 89% e é parte de quase 70% das ações criminosas.
Os
dados evidenciam duas realidades, segundo o delegado da Polícia Civil do Piauí
Alessandro Barreto. Ele afirma que as vítimas preferem buscar a
responsabilização jurídica dos bancos para reaver os valores a procurar as
autoridades policiais para solucionar o caso. "A pessoa consegue o
ressarcimento e considera que resolveu o problema."
Ainda
segundo Barreto, embora as polícias Civis e Federal tenham multiplicado as
operações contra o crime na internet nos últimos anos, uma parcela pequena das
ocorrências se desdobra em investigações, sobretudo devido à dificuldade de
obter informações. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as polícias
no país solucionam apenas 2% dos casos de estelionato.
O
primeiro passo para mudar o cenário, diz o delegado, seria um boletim de
ocorrência bem embasado e mais detalhado, com número de telefone ou email usado
no golpe, dados da conta e da chave Pix e imagens, sempre que possível. "A
fraude é uma epidemia, e melhorar o registro e a confecção dos boletins são os
primeiros passos para enfrentá-la", afirma.
Em
uma tentativa de coibir os crimes virtuais, o governo sancionou lei no início
de maio aumentando as penas para estelionato e furto mediante fraude na
internet. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, contudo, diz que não
dispõe de dados precisos sobre se os crimes ocorreram no ambiente digital ou
físico, repetindo a lacuna vista nos tribunais. Tampouco há dados centralizados
sobre o uso de IA nas fraudes.
O
governo federal concentra as notificações sobre golpes bancários por meio da
Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias, um acordo de cooperação entre
o ministério e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Na
metodologia do projeto, os técnicos apontam que Minas Gerais, Paraíba, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal não informam, no
boletim de ocorrência, se o crime ocorreu em ambiente virtual.
As
administrações estaduais afirmam que não contabilizam os dados de crimes
virtuais por falta de previsão na portaria que regula as estatísticas
policiais.
Com
acesso aos mesmos dados do ministério, a Polícia Federal também não tem
estatísticas consolidadas sobre os crimes digitais no país. Ao abordar o
problema publicamente, servidores da PF utilizam relatórios produzidos por
entidades especializadas, geralmente com recorte global.
Além
disso, a PF também recebe informações dos bancos. De acordo com a Febraban,
cada instituição adota políticas próprias e individualizadas para o envio de
dados sobre fraudes e golpes. "Compartilham, por exemplo, estratégias e
métodos de criminosos, com o objetivo de capacitar os agentes e oficiais no
combate a estes crimes."
Uma
condenação em Goiás ilustra o cenário. Após denúncia do C6 Bank, a Polícia
Civil goiana prendeu um homem que usou inteligência artificial e documentos
vazados na internet para tentar acessar 259 contas no banco, em 709 tentativas.
Segundo
o C6 Bank, o criminoso não teve sucesso na invasão e foi detectado rapidamente.
"As ferramentas do banco barraram as ações fraudulentas, impedindo o
acesso a contas e a realização de qualquer movimentação financeira. Como
reconhecido pela própria decisão judicial, a consumação dos golpes foi
frustrada exclusivamente em razão da intervenção do setor antifraude do Banco
C6", disse a instituição em nota.
Para
Ricardo Vieira, presidente da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de
Cartões de Crédito e Serviços), embora não exista uma capitulação jurídica
clara para indicar o uso de IA no crime, as instituições sabem quais práticas
estão mais vinculadas à tecnologia.
Em meio ao apagão de dados, os processos dos tribunais fornecem pistas sobre o ecossistema do crime. O WhatsApp é a plataforma mais citada nos golpes, com 1.300 menções, seguido por problemas com internet banking (752), ligações telefônicas (405), sites falsos (270) e comércio eletrônico (146). Procurada, a Meta, dona do WhatsApp, não comentou.
Os autos indicam ainda as estratégias mais comuns. Os golpes de falsa venda lideram, com 416 casos —incluindo compradores que pagaram a golpistas e fraudadores que induziram o vendedor a enviar o produto sem fazer o pagamento. As falsas centrais de atendimento, nas quais o estelionatário se passa por um funcionário do banco, aparecem em segundo lugar.
Principais
golpes identificados na Justiça
MÃO
FANTASMA
O
golpe: Os criminosos
induzem a vítima a instalar aplicativos ou vírus que garantem aos invasores o
controle remoto do smartphone.
Caso
real: Uma idosa
foi induzida, durante negociações para a reforma de sua casa, a instalar um
aplicativo e fornecer senhas. O golpista se passou por um dos construtores
contratados. Com o controle do aparelho, os fraudadores contrataram três
empréstimos e transferiram R$ 45,4 mil via Pix
Decisão: O banco da
vítima foi obrigado a pagar R$ 44,7 mil por danos materiais e R$ 5.000 de
indenização por danos morais.
GOLPE
DO FALSO COMPRADOR
O
golpe: Criminosos
induzem vendedores na internet a enviar produtos simulando comprovantes de
pagamentos que nunca foram feitos. É o caso mais frequente no levantamento.
Caso
real: A autora
anunciou móveis por R$ 5.000 em uma plataforma de vendas. A negociação começou
no chat do site e migrou para o WhatsApp. Após receber e-mails falsos que
simulavam a identidade visual da plataforma, a vendedora entregou os bens a um
homem que se apresentou como responsável pelo frete.
Decisão: O juiz
classificou o caso como estelionato e isentou a plataforma de vendas de
responsabilidade, sob o argumento de que a fraude ocorreu fora do ambiente do
site.
GOLPE
DA FALSA VENDA
O
golpe: O comprador
paga por um bem anunciado por um preço atraente, mas o falso comerciante
desaparece após receber o dinheiro.
Caso
real: Durante a
negociação de um veículo de R$ 70 mil, um fraudador replicou o anúncio com
preço inferior, omitindo dados e impedindo o contato direto entre o comprador e
o verdadeiro dono. Pelo WhatsApp, o golpista convenceu o comprador a depositar
R$ 40 mil na conta de um terceiro e enviou um comprovante falso ao vendedor,
que liberou o carro.
Decisão: A Justiça
julgou o pedido parcialmente procedente. O negócio foi rescindido, o veículo
retornou ao vendedor, mas este foi condenado a ressarcir metade do valor pago
pelo comprador ao estelionatário (R$ 20 mil).
FALSO
FUNCIONÁRIO E FALSA CENTRAL
O
golpe: O criminoso
liga para a vítima fingindo ser funcionário ou gerente do banco para relatar
uma falsa urgência na conta. Versões modernas usam IA para imitar vozes de
atendentes e usam ferramentas de mascaramento de chamadas (spoofing).
Caso
real: Uma cliente
recebeu a ligação de um suposto funcionário do banco orientando sua filha a
fazer ajustes no aplicativo. A instrução resultou na contratação de um
empréstimo e na transferência do valor via Pix para terceiros. Em outro caso
correlato, a vítima clicou em um link enviado por mensagem após receber o
telefonema, gerando prejuízo de R$ 14,1 mil.
Decisão: No caso da
contratação do empréstimo, o magistrado considerou o pedido improcedente e
liberou o banco da indenização. No segundo caso, a Justiça reconheceu a
responsabilidade civil e determinou o dever de indenizar apenas por parte da
instituição de pagamento que recebeu o valor, afastando a culpa do banco de
origem.
GOLPE
DO AMOR
O
golpe: Criminosos
seduzem as vítimas em redes sociais com perfis e fotos falsas para pedir
dinheiro. Softwares de IA conseguem reproduzir voz e aparência de pessoas
públicas para aplicar a fraude.
Caso
real: A vítima
conheceu o réu nas redes sociais e perdeu cerca de R$ 136 mil. Após estabelecer
o vínculo afetivo, o golpista convenceu a mulher a abrir uma empresa com ele e
contrair financiamentos de veículos e empréstimos utilizando assinaturas
falsas.
Decisão: A Justiça
condenou o réu pelo crime de estelionato continuado, com imposição de pena de
prisão e fixação de indenização para reparar os danos causados.
TROCA
DE CHIP (SIM SWAP)
O
golpe: Os
criminosos assumem o controle da linha telefônica da vítima transferindo o
número para um novo chip (SIM card) com a ajuda de dados vazados ou
funcionários corrompidos de operadoras. Com o número clonado, redefinem senhas
de emails e bancos.
Caso
real: Um usuário teve a
linha transferida sem autorização. A falha permitiu que fraudadores acessassem
suas contas de email e sua carteira na corretora de criptoativos, realizando
transferências indevidas do exterior.
Decisão: O pedido foi
julgado procedente, e a operadora de telefonia foi condenada a pagar R$ 44,7
mil por danos materiais e R$ 5.000 por danos morais devido à falha de segurança
na custódia da linha.
Saiba
como se proteger de fraudes e contestar transações: Orientações do
Procon-SP para compras online:
Recomendações
técnicas de segurança digital:
Como
acionar o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix:
Ao
notar que foi vítima de um golpe, o usuário deve acionar imediatamente o seu
banco. Pelas regras do Banco Central, a instituição deve guiar o cliente pelas
seguintes etapas:
Seleção
da transação: O aplicativo
deve direcionar o usuário para o extrato para apontar a transferência exata do
golpe;
Tipificação
do crime:
O cliente deve assinalar o tipo de fraude sofrida no menu, baseado nas opções
padrão do Banco Central:
1.
Fui
enganado por um golpista e realizei uma transação voluntária;
2.
Outra
pessoa transferiu recursos da minha conta sem acesso à minha senha;
3.
Fui
ameaçado ou tive minha liberdade restringida para fazer a transação
(sequestro-relâmpago);
4.
Um
fraudador usou minha senha sem autorização.
Relato
descritivo: Caso
selecione "outro tipo de golpe", o cliente dispõe de um campo de
texto de até 2.000 caracteres para detalhar o ocorrido. O envio de boletins de
ocorrência e capturas de tela acelera a análise. Se considerada procedente, os
recursos são bloqueados na conta de destino e devolvidos em até 11 dias.
Fonte _ Folha/SP
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Nelson
Rodrigues dizia
que o futebol brasileiro cuidava da integridade das canelas, mas se esquecia do
emocional do jogador. A ciência concorda com o cronista tricolor e
acrescenta: também merece atenção o coração de quem assiste a uma partida.
Com
o início da Copa do Mundo,
a medicina reforça: na arquibancada ou no sofá, o estresse emocional intenso
pode causar sérios danos e até levar à morte.
A
atriz e jornalista Angelita Campelo, 45, sabe bem disso. Após uma partida
decisiva que definia o futuro do Fluminense na Série A do Brasileirão, em 2024,
contra o Palmeiras, o nervosismo levou a carioca direto para a emergência com
a pressão
arterial elevadíssima. "Não tive um infarto porque
Deus não quis", relata.
Torcedora
da seleção da Espanha, apontada como uma das favoritas ao título do Mundial
deste ano, ela diz estar preparada para fortes emoções: "Acho que a final
vai ser entre Espanha e Argentina. Se for, já sei que vou sofrer."
Presidente
do Conselho Diretor do InCor (HCFMUSP), o cardiologisa Roberto
Kalil Filho afirma que doenças cardiovasculares são a principal
causa de morte no Brasil, com um óbito a cada 90 segundos.
O
sofrimento do torcedor brasileiro agrava o quadro: uma pesquisa da USP de 2013
apontou aumento de 16% nos infartos em dias de jogos do Brasil. Na Alemanha,
outro estudo, de 2006, mostrou que emergências cardíacas mais que dobraram
durante a Copa do Mundo.
Isso
acontece porque, durante situações de estresse emocional intenso, como ansiedade e raiva,
alguns vasos podem se estreitar temporariamente, reduzindo a quantidade de
sangue que chega ao coração.
Diego
Garcia, diretor médico da Amil, acrescenta que disputas de pênaltis geram alta
adrenalina. "O coração não responde apenas ao esforço físico, mas também
às emoções", diz.
No
Brasil, o cenário piora com jogos noturnos, somando a privação
de sono à tensão. Ricardo Casalino, cardiologista do Grupo Amil,
alerta que a combinação pode elevar a pressão arterial.
"É
um cenário propício para eventos cardiovasculares", afirma, lembrando que
esses jogos também costumam ser um convite ao consumo de álcool.
Kalil
afirma que um episódio isolado de ficar acordado até mais tarde dificilmente
provocará problemas em pessoas saudáveis, mas faz um alerta quanto aos
excessos.
"A
preocupação existe quando a privação de sono se soma a estresse intenso,
excesso de álcool, tabagismo ou doenças cardiovasculares preexistentes."
Pacientes hipertensos e
com outros fatores de risco para doenças cardíacas —como colesterol
elevado, obesidade e diabetes—
devem ter atenção redobrada e seguir o tratamento com rigidez. A recomendação
de evitar o consumo abusivo de sal, bebida alcoólica e cigarro vale para todos.
Se
houver dor no peito, a regra de ouro é não esperar o apito final e buscar
atendimento médico imediato, diz Casalino. Falta de ar, suor excessivo e náusea
também são sinais de perigo.
Ignorar
esses alertas pode ser fatal. A jornalista Danielle Muller, 41, conta que seu
tio sempre assistia aos jogos do Flamengo bem nervoso. Na final da Taça
Guanabara de 2007, teve um infarto fulminante.
"Ele
tinha 66 anos, pressão alta e obesidade. Histórico familiar de problemas no
coração. Tomava remédios, mas, infelizmente, não com a regularidade que
deveria", conta. "Ele já era vulnerável, e o futebol era um gatilho
que a gente nunca levou a sério o suficiente", lamenta.
Fonte _ Folha/SP
O Ministério
da Saúde libera, nesta sexta-feira (12), R$ 10,7 milhões para
fortalecer a infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) no Acre.
Os recursos contemplam novas obras autorizadas por meio do Pix da Saúde,
equipamentos para ampliar a realização de cirurgias e exames especializados e o
ressarcimento de valores gastos em unidade de atendimento concluída no âmbito
do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Saúde.
Os
investimentos no Acre integram a mobilização nacional de entregas na saúde do
Governo do Brasil. Ao todo, foram liberados R$ 577,2 milhões por meio do Pix da
Saúde para acelerar a expansão da infraestrutura do SUS em todos os estados
brasileiros.
"O
governo do presidente Lula retomou o investimento na saúde pública brasileira.
Estamos tirando obras do papel, concluindo empreendimentos que estavam parados
e levando equipamentos de alta tecnologia para todas as regiões do país. Cada
obra inaugurada representa um compromisso que saiu do papel e virou atendimento
para a população. Quando entregamos unidades de saúde e novos equipamentos para
os hospitais, estamos ampliando o acesso da população a atendimento de
qualidade, estamos reduzindo desigualdades e fortalecendo a capacidade do SUS
de cuidar das pessoas perto de onde elas vivem”, destaca o ministro da Saúde,
Alexandre Padilha.
Do
total destinado para a população acreana, R$ 4,5 milhões serão para o início de
duas novas obras do Novo PAC Saúde no estado. Os investimentos contemplam uma Unidade
Básica de Saúde (UBS) e um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS),
ambos no município de Porto Acre.
Com
as novas autorizações, o Acre passa a contabilizar 13 obras da
saúde com ordens de serviço emitidas desde o início do Novo PAC, reforçando os
investimentos voltados à ampliação do acesso da população aos serviços públicos
de saúde.
Além
das obras, o estado receberá quatro novos equipamentos estratégicos para
ampliar a capacidade de atendimento especializado do SUS. Serão entregues três
combos de cirurgia geral, destinados aos municípios de Brasiléia,
Cruzeiro do Sul e Rio Branco, e um combo de cirurgia
oftalmológica para a capital acreana. O investimento total nessa etapa
é de R$ 6,1 milhões.
Os
equipamentos integram a estratégia do Ministério da Saúde para ampliar a oferta
de cirurgias eletivas, reduzir filas de espera e fortalecer o diagnóstico
precoce de doenças. Os combos cirúrgicos incluem equipamentos de alta
tecnologia capazes de estruturar novas salas cirúrgicas ou modernizar
estruturas já existentes. Já os equipamentos oftalmológicos contribuirão para
ampliar a capacidade de realização de procedimentos especializados,
especialmente cirurgias de catarata.
O Acre
também será contemplado com o ressarcimento de uma obra concluída no âmbito do
Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Saúde. O município de Assis
Brasil receberá recursos referentes à regularização de uma Unidade
Básica de Saúde finalizada e colocada em funcionamento.
SUS
fortalecido em todo o país
As
entregas do Acre integram uma grande mobilização nacional de
entregas do Novo PAC, que tem como objetivo ampliar e qualificar a
infraestrutura do SUS em todo o país, reduzindo desigualdades regionais e
fortalecendo a capacidade de atendimento da rede pública de saúde.
Ao
todo, nesta sexta-feira (12), foram liberados R$ 577,2 milhões por meio do Pix
da Saúde para acelerar a expansão da infraestrutura do SUS em todo o país. Os
recursos serão destinados a 393 empreendimentos por meio do Novo PAC Saúde, com
foco na ampliação da capacidade de atendimento da rede pública e na redução dos
vazios assistenciais, especialmente em regiões com maior dificuldade de acesso
aos serviços de saúde.
A
iniciativa garante o repasse imediato de recursos federais para estados e
municípios após a assinatura da Ordem de Serviço, o que simplifica o início das
obras e agiliza a execução dos investimentos. Desse aporte, R$ 552,6 milhões
serão destinados ao início de 204 obras do Novo PAC Saúde, como Unidades
Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS),
Centros Especializados em Reabilitação (CER) e uma Oficina
Ortopédica. Outros R$ 24,6 milhões serão repassados para o
ressarcimento de 189 obras concluídas no âmbito do Pacto Nacional pela Retomada
de Obras da Saúde.
O
Novo PAC Saúde já destinou R$ 34,7 bilhões para obras, equipamentos e veículos
em todo o país. Entre as ações previstas estão a construção de 2.605 Unidades
Básicas de Saúde (UBSs), 336 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 100
policlínicas, além da entrega de 4.643 ambulâncias do SAMU 192 e 922 Unidades
Odontológicas Móveis (UOMs).
Fonte _ Saúde.gov
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O
médico sanitarista Gonzalo Vecina, que foi o primeiro presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
disse que a vacina do Instituto
Butantan contra a dengue que foi
suspensa esta semana seria, na sua visão, "aprovada em
qualquer lugar do mundo".
O Ministério
da Saúde anunciou na segunda-feira (8) a suspensão temporária da
vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e que estava sendo aplicada em
profissionais de saúde e em moradores de alguns municípios brasileiros após 42
casos de reações severas —incluindo duas
mortes suspeitas possivelmente ligadas ao imunizante e ainda sob
investigação.
Vacina
fez parte do conselho da Fundação Butantan na época em que a vacina contra a
dengue entrou em fase de pesquisa clínica, na década passada.
"Dos
quase 16 mil pacientes, algo em torno de 11 mil receberam a vacina e 5 mil
receberam o placebo", disse Vecina à BBC News Brasil.
"Desses
que tomaram a vacina, nós tivemos zero internação. Nenhum teve internação e os
efeitos colaterais apresentados eram os esperados de uma vacina tranquila. É um
pouquinho de dor, uma coceirinha, nada além dessas condições bem
tranquilas."
"Acredito
que essa vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única,
o que é uma grande vantagem frente à vacina da Takeda [Qdenga], que foi
aprovada também com nenhuma contraindicação."
A
vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, segue sendo
oferecida no SUS a
jovens entre 10 e 14 anos. Cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já
foram aplicadas no Brasil desde 2024.
Ele
destaca a grande diferença entre a amostragem da pesquisa do Butantan —de 16
mil pessoas— e o número de pessoas que recebem a vacina agora.
"No
mundo real, são 500 mil pessoas. É óbvio que com o aumento tão exponencial da
amostra, eu posso ver coisas que eu não veria em uma amostra menor, apesar de
ser uma amostra estatisticamente determinada."
Vecina
ressalta que os casos relatados de reações graves são incomuns, e que é
importante investigar o que aconteceu com a vacina do Butantan.
"É
óbvio que é inaceitável que uma vacina, nos tempos atuais, para uma doença que
tenha a letalidade da dengue —que não é uma letalidade exagerada— tenha mortes.
É inaceitável que tenha mortes numa vacina dessa", disse.
Ele
acredita que a investigação deve durar entre 15 e 30 dias.
"É
a busca de uma agulha no palheiro. O palheiro não é muito grande, o que ajuda,
são só 42 pessoas, mas a investigação é complexa, você tem que entender o que
esses 42 pacientes têm para justificar terem tido eventos adversos graves e
mortes."
Por
que a vacina contra a dengue foi suspensa?
O
Ministério da Saúde já havia vacinado 500 mil pessoas entre profissionais de
saúde do país —e posteriormente vacinou parte da população nos municípios
de Botucatu (SP),
Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e na região de Araguaína,
no Tocantins.
No
entanto, houve registro de 42 casos de reações raras e inesperadas, que segundo
o governo correspondem a 0,008% do total. Essas reações não haviam sido
identificadas em estudos clínicos e não estão previstas na bula da vacina.
Conforme
a bula da vacina, os efeitos adversos esperados em parte dos vacinados
são: dor
de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço
extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios.
Entre
os sintomas relatados nos 42 casos identificados, houve reações inesperadas:
dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.
Três
casos foram considerados graves —e dois deles resultaram em mortes. O
ministério diz que nenhuma das mortes aconteceu nas três cidades e na região
onde a vacinação foi ampliada para a população.
"Não
se pode afirmar que os óbitos foram causados pela vacina, mas considerou-se um
sinal de alerta que justifica uma investigação aprofundada. Serão verificadas
possíveis comorbidades, fatores de risco e outras situações que possam ter
contribuído para os óbitos", disse o ministério, em nota.
O
governo disse que não há sinais de falhas no armazenamento, transporte ou
aplicação das doses, mas que essas hipóteses também serão investigadas.
As
vacinas contra a dengue que já estão nos postos de saúde não serão descartadas
ou destruídas. Segundo o ministério, elas devem permanecer armazenadas na rede
de frio até que a investigação seja concluída.
Ainda
não há data para uma decisão sobre se a vacinação será retomada. Essa decisão
depende das investigações em andamento. O governo não divulgou um prazo.
A
Anvisa terá um painel de especialistas para aprofundar a investigação
epidemiológica sobre a vacina. Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás,
esse processo será fundamental para decidir sobre a retomada da vacinação.
"A
gente é confiante que a vacina é uma importante arma no enfrentamento da dengue
e nós temos que basear essa retomada em dados muito rigorosos, muito
criteriosos na metodologia científica. O Butantan não está fazendo torcidas,
ele está respeitando a evidência dos dados e continuamos a fazer isso para
respeitar a história de dedicação ao desenvolvimento de novos produtos usando
esses preceitos científicos fundamentais", destacou.
O
que é a vacina contra a dengue do Butantan?
A
vacina do Butantan contra a dengue começou a ser disponibilizada em dezembro do
ano passado, após
aprovação da Anvisa.
Antes
disso, a Qdenga havia sido incorporada no Programa Nacional de Imunizações
(PNI) pelo Ministério da Saúde de forma gratuita. Ela segue em uso.
Segundo
o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da sua
vacina por aproximadamente 20 anos, e licenciou sua tecnologia ao Instituto
Nacional de Saúde dos Estados
Unidos (NIH).
Foram
realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, conforme os protocolos vigentes.
Mais de 11 mil voluntários foram vacinados e acompanhados por cinco anos.
A
vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80,5%
para casos mais graves.
Segundo
o ministério, "a vacina não deixa de ser segura quando um sinal é
detectado. Trata-se de um alerta que precisa ser investigado com mais
profundidade."
A
dengue é considerada a maior endemia do país. Até 30 de maio, o Brasil teve
redução de 97% nas mortes por dengue e de 94% nos casos prováveis, na
comparação com 2024, segundo dados do governo.
"As
vacinas continuam sendo armas fundamentais nesse enfrentamento, e vão ajudar a
alcançar resultados ainda melhores", disse o ministério.
"Segundo
a OMS, vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3
milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar poliomielite
(paralisia infantil) e a rubéola e, no caso do sarampo,
o país está livre da doença."
O
diretor do Butantan também ressaltou a importância da vacinação no
enfrentamento de doenças transmissíveis
A
vacinação é uma das principais medidas de enfrentamento de doenças
transmissíveis e que mais salvaram vidas ao longo da história.
"Nós
temos um ganho de qualidade de vida, de expectativa de vida, que vem sendo
disponível para os brasileiros através da imunização infantil, dos
adolescentes, adultos e de pessoas de mais idade", destacou.
Este
texto foi publicado originalmente aqui.
Fonte _ Folha/SP