sexta-feira, 31 de julho de 2026

Combinação de gordura abdominal e falta de vitamina D mais que dobra risco de morte após 50 anos

 


Um estudo envolvendo mais de 5,5 mil voluntários acima de 50 anos acendeu um alerta: pessoas que têm obesidade abdominal e deficiência de vitamina D apresentam um risco de morte 123% maior do que aquelas sem as duas condições. Os resultados do trabalho, publicados em maio na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, indicam que, embora cada condição já seja perigosa isoladamente, juntas elas multiplicam o risco de mortalidade.

"A obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associado à inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra, elevando ainda mais o risco de morte", explica Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador da pesquisa.

"Por isso, acompanhar os níveis de vitamina D e tratar o excesso de gordura abdominal são medidas essenciais para evitar mortes prematuras, principalmente após os 50 anos", acrescenta.

Realizada em colaboração com cientistas da University College London (Reino Unido) e financiada pela Fapesp, a pesquisa acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por seis anos. Os participantes integram o English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos de envelhecimento do mundo.

Os dados coletados mostram que a deficiência de vitamina D (níveis abaixo de 30 nanomoles por litro de sangue) sozinha representa um risco maior do que a obesidade abdominal isolada –definida como circunferência abdominal maior que 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres.

Enquanto ter apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47%, a deficiência de vitamina D isolada pode elevar esse risco em até 81%. O estudo mostrou que, quando as duas condições aparecem juntas, o risco de morte mais que dobra em comparação àquelas pessoas que não apresentam nem obesidade abdominal e nem deficiência de vitamina D.

De acordo com Alexandre, as duas condições criam um ciclo vicioso. Isso porque a gordura abdominal "sequestra" a vitamina D circulante e a armazena nos adipócitos (células de gordura), impedindo que ela chegue ao sangue. "Isso significa que, embora o corpo possa ter a vitamina guardada na gordura, ela não está livre no sangue para realizar suas funções vitais em outros órgãos e sistemas", diz.

Outro fator importante é que pessoas com obesidade apresentam menor expressão de enzimas necessárias ao metabolismo da vitamina, reduzindo ainda mais sua disponibilidade. "A obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e essa deficiência, por sua vez, prejudica o sistema imunológico, agravando a inflamação crônica já causada pelo excesso de gordura e elevando drasticamente o risco de mortalidade", explica Alexandre à Agência Fapesp.

Adiciona-se ainda a esse quadro o fato de que o envelhecimento é marcado naturalmente por um processo conhecido como inflammaging, um estado de inflamação crônica de baixo grau. "Em condições normais, a vitamina D atua como reguladora do sistema imunológico, impedindo que a inflamação se descontrole. Quando seus níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, instala-se um ambiente sistêmico desfavorável que acelera doenças cardiovasculares, metabólicas e a perda muscular", ressalta.

Efeito em cascata

O estudo agora publicado é o último de uma série sobre o papel da vitamina D no envelhecimento. "Em trabalhos anteriores, identificamos um efeito em cascata. A deficiência de vitamina D acarreta perda de força, que implica redução da velocidade de caminhada, gerando perda de autonomia e maior dependência nas atividades diárias", conta Alexandre.

Além disso, outro estudo do grupo mostrou que a deficiência de vitamina D também aumenta o risco de declínio cognitivo.

"A vitamina D é um hormônio com diversas funções. Ela participa da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema nervoso central, do sistema imunológico e do sistema endócrino. Por isso, quando seus níveis estão baixos, diversas funções essenciais do organismo ficam comprometidas", diz.

O artigo Does the combination of abdominal obesity and vitamin D deficiency increase the risk of death in individuals aged 50 or older? Evidence from the ELSA study pode ser lido em: https://dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com/doi/10.1111/dom.70839.

Fonte _ Folha/SP

Dispositivos médicos devem ser recolhidos após inspeção da Anvisa

 


Após inspeção das linhas de produção de fabricantes internacionais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da importação, distribuição, comércio e uso de alguns dispositivos médicos. Dentre os produtos que devem ser recolhidos pelos detentores dos registros no Brasil estão, por exemplo, soluções de preenchimento destinadas ao tratamento da osteoartrite de joelho e ombro, conservantes de tecidos humanos e gases para uso em oftalmologia.  As medidas foram publicadas nesta quinta-feira (30/07). Saiba quais são os produtos:

  • Suprahyal One (lotes a partir de 11/05/2026) e Suprahyal Duo (lotes a partir de 11/05/2026) registrados pela empresa Adium S.A. (CNPJ: 55.980.684/0001-27) e fabricados pela empresa espanhola Meiji Pharma Spain S.A. 
  • Cryo.On (todos os lotes) - da empresa Biohealth Comércio e Importação de Equipamentos e Produtos, Médicos Ltda (CNPJ: 32.014.717/0001-89), fabricado por AL.CHI.MI.A.  S.R.L, localizada em Padova, Itália. 

Também foram suspensos e deverão ser recolhidos os seguintes produtos registrados pela empresa brasileira Grossmed Comercial de Produtos Médicos Ltda. (CNPJ: 05.022.522/0001-08) e fabricados pela empresa italiana AL.CHI.MI.A. S.R.L: 

  • Corneal Chamber - camara umida para córnea com eusol-c - (todos os lotes);
  • Gis Kit para gás - (todos os lotes);
  • Gás Got c3f8 multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
  • Gás Got sf6 multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
  • Gás Got sf6 multi para tamponamento intra ocular - (todos os lotes);
  • Hpf Perfluorocarbono - (todos os lotes);
  • Rs-Oil - (todos os lotes);
  • Twin - (todos os lotes);
  • View Ilm - (todos os lotes )

Vale esclarecer que para ser comercializado no Brasil, qualquer dispositivo médico que seja importado deve atender às exigências sanitárias brasileiras.

Acesse a Resolução (RE) 2.953/2026RE 2.955/2026 e RE 2.958/2026 no Diário Oficial da União (DOU).

Fonte _ Anvisa

Anvisa determina recolhimento de dispositivo dermatológico

 


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta sexta-feira (31/7) o recolhimento do dispositivo médico Leaf Plasma de Fusão, fabricados a partir de 26/3/2026. No Brasil, o equipamento é importado pela Kota Imports Ltda. (CNPJ: 00.325.031/0001-12).

Inspeção de certificação na fabricante constatou a fabricação de produtos em desacordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 665/2022. Com a medida, o Leaf Plasma de Fusão não pode ser importado, distribuído, vendido, divulgado ou utilizado. 

Leia a Resolução 2.982/2026 no Diário Oficial da União (DOU).

Fonte _ Anvisa

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 






Estudo revela marcadores celulares da mãe e do feto associados à pré-eclâmpsia

 


pré-eclâmpsia, uma condição da placenta que afeta gestantes e bebês, é uma das complicações da gravidez com maior incidência no mundo. Estima-se que de 3% a 8% de todas as gestações desenvolvam pré-eclâmpsia, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), com 46 mil mortes maternas por ano e até 500 mil mortes de bebês pela doença.

No entanto, mesmo sendo uma complicação comum, suas causas não são bem entendidas. A pré-eclâmpsia parece afetar mulheres de diferentes tipos e idades, embora a mortalidade fetal e da mãe seja maior em mulheres negras e em países de baixa ou média renda.

Por ser tão heterogênea e envolver fatores como condições prévias da gestante, idade gestacional e gravidez de risco, bem como indicadores como acesso a tratamentos adequados de saúde, estudos que busquem compreender as causas da pré-eclâmpsia são dificultados.

Mas uma nova pesquisa, publicada na última sexta-feira (24) na revista Science Advances, avançou mais em direção aos possíveis mecanismos materno fetais envolvidos na pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia severa, com potencial para diagnóstico e possíveis terapias.

Coordenada por Yara Sanchez-Corrales, bolsista de pesquisa computacional no Instituto de Saúde Infantil da Universidade College de Londres (UCL) e colegas, a pesquisa avaliou 20 pares materno-fetais entre as semanas 25 e 37 de gestação (6º a 9º mês), sendo dez com pré-eclâmpsia inicial ou tardia e dez para o grupo controle.

Elas foram pareadas em um esquema de semelhança por idade gestacional, de forma que cada gestante com a condição tivesse sua correspondente na exata semana gestacional do grupo controle. Isto porque as mudanças hormonais, celulares e teciduais envolvidas na gravidez mudam a cada semana.

As pacientes foram recrutadas em hospitais do fundo fiduciário NHS Foundation Trust, organização semi-autônoma que gerencia parte da rede hospitalar pública britânica.

Selecionado o grupo clínico, os pesquisadores analisaram amostras teciduais maternas e fetais de quatro locais diferentes: membrana corioamniótica (CAM) e vilosidades placentárias e placa basal (PVBP), tecidos associados ao feto (placenta); e miométrio e células mononucleadas do sangue periférico (PBMC) maternas.

No início da gravidez, algumas células placentárias, conhecidas como trofoblastos, se diferenciam em trofoblastos sinciciais (células maduras), que vão entrar em contato com o sangue da mãe, e trofoblastos das vilosidades externas (EVT), que entram na parte mais externa do tecido uterino, remodelando a vascularização sanguínea.

No artigo, os cientistas afirmam que a pré-eclâmpsia está associada a uma baixa invasão dos EVTs no útero, causando um defeito na remodelação vascular, o que leva a estresse na placenta, isquemia e disfunção endotelial.

A partir de análises de expressão gênica, sinalização celular e da interface tecidual materno-fetal, o estudo conseguiu identificar também novos marcadores celulares associados à forma mais grave da pré-eclâmpsia, dentre eles a hipóxia (baixo oxigênio celular), a inflamação e a fibrose (cicatrização de tecido).

Outro resultado diz respeito ao papel das células imunológicas da mãe, especialmente nos casos de pré-eclâmpsia grave. Na pesquisa, foram identificados marcadores proteicos de ativação do sistema imune, como interferons (IFN-1) e interleucina 6 (IL-6), que podem acabar produzindo uma resposta inflamatória exacerbada. Além disso, o mecanismo de autorregulação de componentes anti-inflamatórios, como das interleucinas e citocinas 6, estava reduzido ou desativado.

Células que devem atuar nesse controle, como os macrófagos (que fazem a apoptose celular), apresentaram proliferação acentuada na fase inicial da pré-eclâmpsia tanto no miométrio como na membrana corioamniótica, comportamento oposto ao observado nos tecidos placentários, de acordo com os dados.

Isso sugere que a morte dessas células na placenta provoca a fibrose, ao mesmo tempo que leva ao aumento de macrófagos nos tecidos maternos para combater a inflação. "Tais fenômenos marcam a perda da homeostase desses tecidos sob a condição de pré-eclâmpsia grave", escrevem os autores.

Por fim, a baixa adesão celular na barreira materno-fetal e a inflamação alterada no endotélio contribuem para o estágio inicial da pré-eclâmpsia, afirmam os cientistas.

O estudo, porém, tem limitações, conforme anotado pelos próprios autores, em especial o baixo número de participantes (20) e a possibilidade de que algumas células maiores não tenham sido identificadas nas análises de transcriptômica. O uso da tecnologia em resoluções ainda menores (a nível subcelular, por exemplo) pode ajudar a revelar novos marcadores da doença, escrevem.

Com uma ampliação da coorte inicial, os pesquisadores corroboraram os achados por meio da detecção dos marcadores usando uma técnica que busca fragmentos proteicos de inflamação na fase inicial da doença. Segundo os autores, esse achado pode abrir novos caminhos para exames diagnósticos de pré-eclâmpsia, contribuindo assim para a detecção precoce da condição e para a prevenção.

"Em conclusão, apresentamos novos mecanismos de desenvolvimento de pré-eclâmpsia grave, doença sem opções terapêuticas, revelando respostas específicas de tecidos e células que poderão ser consideradas no futuro em abordagens terapêuticas. Dada a gravidade das disfunções iniciais moleculares em comparação com a sua apresentação tardia, uma intervenção oportuna durante a gestação traz benefícios para a mãe e o feto e poderia alterar o prognóstico extremamente desfavorável da pré-eclâmpsia grave", dizem.

Fonte _ Folha/SP

"Minha dor de cabeça de 10 dias era um câncer cerebral terminal"

 


Josh Smith, de Wrexham, no País de Gales, começou a ter episódios de confusão mental e dores de cabeça em janeiro, mas acreditava que estava "apenas cansado".

Depois de passar dez dias seguidos sentindo dores, sua esposa, preocupada, o arrastou para uma consulta médica —a primeira dele em cerca de 12 anos.

"Sempre evitei ir ao médico", conta. "Existe aquela expectativa de que homem tem que aguentar firme e seguir em frente. Eu só tomava paracetamol e tentava dormir mais cedo."

Segundo ele, o clínico geral "não encontrou nada de errado", receitou mais analgésicos e o encaminhou a um oftalmologista, que também não identificou qualquer problema.

Mas Kelly, 33, continuou desconfiada. "Eu sabia que alguma coisa não estava certa. Lembro de dizer que havia sinais de alerta, mas nos disseram que não havia motivo para preocupação."

Dias depois, Josh se levantou para ir trabalhar, mas Kelly mais uma vez interveio e insistiu para que ele fosse ao pronto-socorro do Hospital Wrexham Maelor, porque a dor havia ficado insuportável.

"Era como se alguém estivesse empurrando a parte de trás dos meus olhos para fora", contou. "Eu nunca senti nada parecido. Era uma dor inacreditável."

Embora inicialmente tenha recebido alta com uma prescrição de morfina, a dor continuou. E, no dia seguinte, uma tomografia revelou um tumor cerebral de 4,5 centímetros.

"Eles nos levaram para uma sala reservada e mostraram o exame. No começo, eu nem fiquei triste, fiquei realmente em choque", disse Josh.

"Pensei: 'Talvez tenham pegado a pessoa errada' ou 'será que tem alguma sujeira na tela?'."

Josh foi encaminhado ao The Walton Centre, em Liverpool, onde recebeu o diagnóstico de glioblastoma —uma forma agressiva de tumor cerebral com expectativa média de vida de 12 a 18 meses. Em seguida, passou por uma cirurgia que removeu 95% do tumor.

Josh tem 34 anos e está entre as cerca de 3.200 pessoas diagnosticadas anualmente com glioblastoma no Reino Unido, segundo a organização Brain Tumour Research.

De acordo com a organização, apenas um terço das pessoas com esse tipo de tumor sobrevive por mais de 12 meses, enquanto 4% chegam a sobreviver cinco anos ou mais.

No entanto, o tratamento para esse tipo de câncer não registra avanços significativos há duas décadas.

O governo do País de Gales informou que está desenvolvendo uma estratégia de combate ao câncer com foco em pesquisa, inovação e ampliação do acesso a ensaios clínicos.

Desde a realização da cirurgia, Josh passou sessões de radioterapia e continua em tratamento com quimioterapia no Hospital Glan Clwyd, em Rhyl, no condado de Denbighshire. Mas ele foi informado de que a doença não tem cura.

"É terminal... Ainda estou fazendo quimioterapia e espero que isso faça a diferença, mas, no momento, ainda existe muita incerteza."

"Eu só espero que consigam manter a doença estável. Prometi à Kelly que vou tirar a árvore de Natal do sótão para ela, para que não precise lidar com as aranhas —esse é o meu objetivo atual."

Mesmo diante da incerteza, Josh prefere concentrar sua energia no presente e reconhece que sua história poderia ter tido um desfecho diferente se não fosse a insistência da esposa. "Se tivesse continuado ignorando os sintomas, talvez eu não estivesse aqui hoje."

Tento aproveitar cada dia ao máximo

Antes da cirurgia, o maior medo de Josh não era apenas a cirurgia em si, mas a possibilidade de perder aquilo que sempre considerou parte essencial de quem ele é: seu senso de humor e sua personalidade.

"Eu sempre gostei de rir... Eu queria sair de lá ainda sendo eu mesmo, e consegui continuar sendo quem eu sou."

Assim que acordou após a cirurgia, sua primeira preocupação foi pedir à esposa uma comida específica: KFC.

"No caminho para o hospital, passamos por um KFC, então provavelmente foi por isso que aquilo ficou na minha cabeça", explicou.

"Eles ficaram preocupados e tiveram que pedir um Uber Eats com urgência porque eu não parava de pedir."

"Eu nem gostava tanto de KFC antes disso, mas estava com muita vontade. Meu irmão estava comigo e ficou chateado porque eu comi tudo e não ofereci nada a ele."


Antes do diagnóstico, Josh e Kelly faziam planos para o futuro: queriam viajar em uma van adaptada e estavam tentando ter um filho.

Com a nova realidade imposta pela doença, o casal decidiu concentrar energia em criar novas lembranças juntos.

Josh escalou o Yr Wyddfa —também conhecido como Snowdon—, participou de uma corrida do tipo parkrun, praticou stand up paddle, teve a experiência de ser tratador de animais por um dia no Chester Zoo, plantou flores no jardim e fez muitas caminhadas com seus cães, Olive e Teddy.

"Estamos apenas tentando aproveitar cada dia ao máximo", disse Josh.

"Tento acordar cedo todos os dias e preparar um café para a Kelly. É muito fácil ficar preso a esses pensamentos, então você precisa se manter ocupado."

O jovem disse que nunca conseguirá agradecer o suficiente aos profissionais do NHS —o serviço público de saúde do Reino Unido— que cuidaram dele, acrescentando que a "gentileza das pessoas", de forma geral, o impressionou profundamente.

"Eu não sabia nada sobre tumores cerebrais antes disso", contou. "É impressionante ver quantas pessoas são afetadas por isso e como você simplesmente não ouve falar. Agora parece que vejo isso em todos os lugares."

Ele acrescentou que a doença "não escolhe suas vítimas" e que descobrir que crianças também podem ser afetadas o motivou ainda mais a compartilhar sua história.

Agora, Josh apoia pedidos por mais investimentos em pesquisas, "mesmo que isso ajude apenas uma pessoa".

Josh e Kelly estão apoiando uma campanha que pede ao governo do País de Gales mais investimentos em pesquisas sobre tumores cerebrais.

Kelly afirmou: "Existem opções e tratamentos em desenvolvimento que dão esperança às famílias, mas eles nem sempre estão disponíveis aqui no Reino Unido. Isso é extremamente frustrante."

O governo do País de Gales informou que seu Plano de Câncer para o País de Gales, previsto para ser publicado em fevereiro de 2027, irá "apresentar a abordagem para pesquisa, inovação e ampliação do acesso a ensaios clínicos, para que os pacientes possam se beneficiar de novos tratamentos".

"Também estamos planejando uma Conferência sobre Câncer no País de Gales para reunir especialistas e compartilhar boas práticas no cuidado de pacientes com câncer", afirmou o governo. O texto foi publicado originalmente aqui.

Fonte _ Folha/SP

A vida após o infarto: cuidados não acabam depois do stent

 


infarto agudo do miocárdio, popularmente conhecido como ataque cardíaco, continua sendo a principal causa de morte no Brasil: entre 300 mil e 400 mil brasileiros sofrem um infarto todos os anos, segundo estimativas do Ministério da Saúde.

Trata-se de um problema grave, que acarreta uma morte a cada cinco a sete casos registrados no país.

Apesar dos números alarmantes, os avanços da cardiologia moderna fizeram com que o diagnóstico deixasse de ser encarado como uma sentença definitiva.

Hoje, quando o atendimento é realizado rapidamente e o paciente segue as recomendações médicas, ele pode viver por muitos anos com qualidade de vida. Porém, o principal desafio nesse processo é combater a falsa sensação de que o tratamento termina após a alta hospitalar.

infarto é consequência de uma doença que continua existindo mesmo depois do procedimento realizado para desobstruir a artéria do coração. A recuperação, portanto, depende do tratamento realizado na urgência e dos cuidados adotados pelo resto da vida.

"Após o tratamento do infarto, a predisposição do paciente para novos eventos continua existindo", adverte o cardiologista Pedro Lemos, diretor de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita. "É preciso reconhecer essa predisposição e trabalhar para reduzir o risco de recorrência."

Agilidade é tudo

infarto agudo do miocárdio ocorre quando uma das artérias que irrigam o coração é obstruída, impedindo que o músculo cardíaco receba oxigênio adequadamente. Quanto mais tempo passa após a obstrução da artéria coronária, maior é o risco de sequelas e morte.

Muitos pacientes chegam tardiamente aos serviços de saúde por desconhecerem os sintomas ou por minimizarem a dor no peito. Em alguns casos, poucas horas podem fazer a diferença entre uma recuperação satisfatória e um comprometimento permanente do músculo cardíaco.

"Quando a pessoa começa a sentir os sinais de alarme, como dor no peito, deve procurar assistência médica o quanto antes. Dependendo do tipo de infarto, há apenas poucas horas para mitigar seus efeitos; quanto mais tempo passa, menor a chance de salvar a parte do coração que está em sofrimento", ressalta Lemos.

Embora o quadro seja considerado uma emergência médica, a doença costuma começar muito antes do surgimento dos sintomas.

Ao longo dos anos, placas de gordura podem se acumular nas paredes das artérias, em um processo conhecido como aterosclerose. Quando essas placas se rompem, podem formar coágulos capazes de interromper completamente a passagem do sangue.

"Em alguns pacientes, essas placas sofrem um processo de instabilização, com formação de coágulos, provocando o fechamento completo da artéria e o infarto", descreve o cardiologista intervencionista Guy Fernando de Almeida Prado Junior, também do Einstein.

Angioplastia bem-sucedida não significa cura

Na maioria dos casos, o tratamento do infarto agudo do miocárdio consiste na realização de uma angioplastia coronária. Nesse procedimento minimamente invasivo, cateteres são utilizados para desobstruir a artéria e implantar um stent metálico, que ajuda a manter a região aberta e o sangue circulando.

Os stents utilizados atualmente são altamente seguros e eficazes. Entretanto, o sucesso do procedimento não elimina a necessidade da terapia medicamentosa. Pelo contrário: as primeiras semanas após o infarto são consideradas um período crítico, no qual o risco de formação de novos coágulos permanece elevado. Daí a importância dos cuidados com medicamentos que reduzem a chance de coágulos.

Tradicionalmente, usam-se juntos dois tipos de medicações antiagregantes: o AAS (ácido acetilsalicílico) e um outro bloqueador, mais potente, das plaquetas (prasugrel ou ticagrelor). Esse esquema, com duas drogas associadas para "afinar o sangue", consolidou-se como um dos principais aliados no tratamento desses pacientes nas últimas décadas.

Com a evolução das técnicas de angioplastia, especialistas passaram a questionar se seria possível interromper o uso do AAS mais precocemente e passar a usar somente o outro medicamento mais potente. A dúvida não é trivial: o uso combinado dos dois remédios pode trazer como efeito colateral o aumento do risco de sangramentos.

Foi em busca de responder a essa questão que se originou o estudo NEO-MINDSET, liderado por Pedro Lemos e Guy Prado, do Einstein. Publicada em agosto de 2025 no New England Journal of Medicine, a análise foi conduzida em 50 centros de pesquisa do Brasil. A equipe avaliou em 3,4 mil pessoas se a retirada do AAS logo após a angioplastia poderia ser uma estratégia segura para pacientes diagnosticados com síndrome coronariana aguda.

Os resultados revelaram que os benefícios da retirada precoce do ácido acetilsalicílico não compensam os riscos durante o primeiro mês após o infarto.

"Embora a estratégia esteja associada a uma redução dos episódios de sangramento, esse período continua sendo considerado crítico para a formação de coágulos, tornando indispensável a proteção oferecida pela combinação dos medicamentos antitrombóticos", avalia Prado.

Em uma nova análise dos achados, esta recém-publicada no periódico EuroIntervention, os pesquisadores investigaram o efeito do medicamento em um grupo de pacientes submetidos a angioplastias mais complexas, como aqueles que precisaram implantar vários stents ou tratar obstruções mais extensas nas artérias coronárias. Nesses casos, a retirada precoce do AAS também esteve associada a menos sangramentos, mas os resultados mostraram que ela não pode substituir, com segurança, o esquema terapêutico recomendado durante as primeiras semanas após o infarto.

A conclusão é de que, independentemente da complexidade do procedimento realizado, os primeiros meses continuam sendo um período que exige atenção redobrada e adesão rigorosa ao cuidado prescrito.

"Nossos resultados reforçam a recomendação já adotada pelas diretrizes médicas internacionais: é realmente necessário manter o tratamento por, pelo menos, um mês", destaca o diretor do Einstein.

Cuidados para além do cateterismo

Depois da alta hospitalar, o tratamento passa a depender, em grande medida, do próprio paciente. A prevenção de um segundo infarto exige o controle rigoroso dos principais fatores de risco cardiovascular.

Diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo estão diretamente relacionados ao desenvolvimento da doença arterial coronária. Muitas vezes, essas condições já estavam presentes antes do primeiro infarto e permanecem ativas se não forem tratadas adequadamente.

A combinação entre medicamentos e mudanças no estilo de vida representa o principal pilar da prevenção secundária –nome dado ao conjunto de estratégias utilizadas para evitar que a doença volte a se manifestar. Mais do que recomendações complementares, os hábitos saudáveis passam a ser considerados parte integrante do tratamento cardiovascular.

A prática regular de atividade física contribui para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e da glicemia, além de reduzir a necessidade de alguns medicamentos ao longo do tempo.

Manter um peso saudável, por meio de dieta equilibrada, também é fundamental, já que a obesidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento e à piora dos fatores de risco associados ao infarto.

"Um tratamento adequado do evento agudo somado a uma prevenção a longo prazo garante sobrevida com excelente qualidade de vida, e essa é uma conquista importante dos dias atuais", frisa Pedro Lemos, sobre os achados acerca da conduta medicamentosa após o infarto.

"Estamos realizando uma pesquisa de impacto mundial. É o Brasil levando ciência de alta qualidade para o restante do mundo, sobre a doença que mais mata no planeta."

Fonte _ Folha/SP

Nova vacina experimental contra o HIV mira partes do vírus que não mudam

 


Em um momento em que as estratégias de prevenção contra o HIV brilham como nunca, com injeções semestrais e a promessa de um comprimido mensal, um estudo publicado nesta semana na revista Nature e divulgado durante a conferência internacional de Aids no Rio de Janeiro trouxe um lembrete silencioso de que a ciência não desistiu do objetivo mais ambicioso: uma vacina.

O trabalho descreve o que os autores chamam de primeira demonstração de que uma vacina baseada em uma nova estratégia ("germline-targeting") consegue induzir anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV circulando no sangue de animais vacinados —não apenas em células de memória, como haviam mostrado estudos anteriores.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Scripps Research Institute, da Califórnia (EUA), e da IAVI (International Aids Vaccine Initiative), com participação do Fred Hutchinson Cancer Center e da Emory University, foi feita em macacos-rhesus.

A dificuldade histórica em desenvolver uma vacina contra o HIV está na altíssima variabilidade genética do vírus. A estratégia tenta contornar isso ensinando o sistema imunológico, em etapas, a produzir os chamados anticorpos amplamente neutralizantes, moléculas raras encontradas naturalmente em algumas pessoas com HIV, capazes de neutralizar múltiplas variantes do vírus ao mirar regiões que ele não consegue modificar facilmente.

Para Vincent Muturi-Kioi, pesquisador queniano à frente do programa de desenvolvimento de vacinas da IAVI, o avanço reforça por que uma vacina continua sendo necessária, mesmo diante dos ganhos recentes da prevenção.

Segundo ele, o número de novas infecções por HIV no mundo caiu de 2,5 milhões por ano em 2004 para cerca de 1,2 milhão hoje —mas isso não é suficiente. "A meta não é controlar a epidemia. A meta é eliminá-la", disse, avaliando que uma vacina será necessária para levar o mundo até o patamar zero de novas infecções. Ele também citou o uso de plataformas de mRNA como um acelerador do programa, permitindo produzir e testar candidatos vacinais com mais velocidade e a um custo menor.

Questionado sobre por que a estratégia de germline-targeting é considerada um ponto de virada histórico no campo, o pesquisador explicou que ela treina o sistema imunológico para mirar partes do vírus que não mudam, ao contrário de abordagens tradicionais, que dão ao patógeno mais brechas para escapar da resposta imune. Segundo ele, se a técnica funcionar para o HIV, poderá ser aplicada a outras doenças de alta variabilidade genética, como o ebola.

O avanço na pesquisa básica ocorre, porém, num momento em que a profilaxia pré-exposição (PrEP) vive sua fase de maior sucesso. Segundo Esper Kallás, infectologista e diretor do Instituto Butantan (SP), que esteve na conferência, isso torna cada vez mais difícil, do ponto de vista prático, justificar e desenhar novos ensaios clínicos de vacina.

Com opções de longa duração cada vez mais eficazes e convenientes —do cabotegravir ao lenacapavir, passando por um novo comprimido de dose mensal ainda em teste—, Kallás pondera que fica mais difícil demonstrar, de forma estatisticamente conclusiva, que uma vacina adicionaria proteção significativa numa população que já tem acesso a uma PrEP altamente eficaz.

"Como que você vai provar que uma vacina é útil na disponibilidade de PrEP?", questionou, descrevendo esse tipo de desenho de estudo como "extremamente difícil".

Ainda assim, ele defende que a vacina continua tendo um lugar. Isso porque a PrEP depende de identificação de risco, mas cerca de metade das pessoas que adquirem o HIV hoje não pertence aos grupos tradicionalmente considerados de maior vulnerabilidade.

Kallás citou como exemplos uma mulher casada infectada pelo marido, um homem heterossexual com múltiplas parceiras ou um casal gay monogâmico em que um dos parceiros tem um relacionamento paralelo —situações em que nem o paciente, nem o sistema de saúde identificam a necessidade de PrEP a tempo.

Ele observou ainda que o estigma em torno da prevenção vem diminuindo. Citou até aplicativos de relacionamento que já permitem à pessoa declarar se usa PrEP ou se vive com HIV em carga viral indetectável. Mas reconheceu que a circulação do vírus fora do padrão de risco tradicional seguirá sendo o principal argumento a favor de uma vacina.

Para Kallás, o campo ainda enfrenta uma lacuna biológica de fundo: não existe hoje nenhuma vacina contra o HIV comprovadamente eficaz. Também não se sabe que tipo de estratégia poderia oferecer proteção prolongada —de dois, cinco ou dez anos—, muito além dos cerca de seis meses hoje oferecidos pelas melhores opções injetáveis de PrEP.

Segundo ele, a área vem convergindo cada vez mais para candidatos capazes de induzir anticorpos neutralizantes de amplo espectro e alta potência, o que é exatamente a lógica por trás do estudo com macacos publicado esta semana. Isso representa um retorno ao foco em anticorpos após anos em que parte da pesquisa apostava mais na chamada imunidade celular.

Mesmo reconhecendo que o sucesso da PrEP poderia, em tese, tornar uma vacina dispensável, Muturi-Kioi disse que essa seria uma boa notícia, não um fracasso. "Significaria que já teríamos vencido, atingido nossa meta, sem precisar de uma", afirmou. Ele descreveu o trabalho atual como uma preparação para o cenário em que a expansão da PrEP não for suficiente para impedir a reemergência do vírus.

A meta da IAVI, explicou o pesquisador, é iniciar um ensaio de eficácia de fase 3 para a próxima geração de candidatos vacinais dentro da próxima década —desde que os sinais já observados em animais se confirmem também em humanos.

Como foi o estudo com macacos

No estudo, 24 macacos-rhesus receberam entre cinco e sete doses ao longo de mais de dois anos, mirando uma região do envelope viral chamada supersítio V3-glycan. O primeiro imunizante recrutou as raras células precursoras dos anticorpos desejados. Os reforços seguintes, com formulações cada vez mais parecidas com cepas reais do HIV, guiaram essas células por sucessivos ciclos de maturação.

Ao final, doses com nanopartículas contendo múltiplas cópias do antígeno viral converteram a resposta de memória em anticorpos efetivamente circulantes. Em mais da metade dos animais que completaram o regime, a vacinação gerou anticorpos com até 67% de amplitude de neutralização em relação a um anticorpo humano de referência. Em 44% dos casos, essa atividade também apareceu no sangue —o que de fato indicaria proteção contra uma exposição real ao vírus.

O animal com melhor resposta atingiu 84% de amplitude, patamar que os autores estimam corresponder a uma proteção entre 75% e 90% contra diferentes cepas do HIV, comparável ao de "neutralizadores de elite" —o pequeno grupo de pessoas que desenvolve naturalmente esse tipo de anticorpo após a infecção.

Porém, os próprios pesquisadores reconhecem limitações. O regime testado exigiu sete doses ao longo de dois anos, cronograma inviável para uma vacina de uso amplo, e a durabilidade da proteção ainda não foi avaliada. O primeiro componente do esquema, batizado N332-GT5, já está sendo testado isoladamente em um ensaio clínico com humanos.

Cláudia Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids Society).

Fonte _ Folha/SP

Anvisa determina apreensão de lote de Mounjaro falsificado

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quinta-feira (30) a apreensão de um lote suspeito de falsificação do medicamento Mounjaro. O lote alvo da medida é o D881474, com o número de série 302199651396.

As unidades identificadas com a combinação devem ser apreendidas e não podem ser distribuídas, comercializadas ou utilizadas. Até o momento não há evidências de que outros lotes do medicamento tenham sido falsificados.

A orientação é que consumidores adquiram medicamentos apenas em estabelecimentos regularizados e verifiquem as informações da embalagem antes da utilização. Caso haja suspeita de falsificação, o produto não deve ser usado e o caso deve ser comunicado às autoridades sanitárias.

"Em caso de identificação de unidades do medicamento com suspeita de falsificação, a população e os profissionais de saúde não devem utilizar o produto e devem entrar em contato com a empresa detentora do registro para verificar sua autenticidade", diz a Anvisa

Segundo a agência, a suspeita surgiu após comunicação feita pela própria Eli Lilly, detentora do registro do medicamento no Brasil. Segundo a fabricante, o número de lote até existe no sistema da empresa, porém com um número de série diferente.

A agência afirma que ainda não sabe quantas unidades do produto estão em circulação nem onde elas foram encontradas.

"Não há esta estimativa ou esse nível de detalhamento no momento, pois se trata de produtos irregulares, provavelmente falsificados, ou seja, conduta criminosa, sem qualquer controle de qualidade, quantidades", disse em nota à Folha.

A reportagem também procurou a Eli Lilly para esclarecer como a empresa identificou a existência do produto suspeito e quando tomou conhecimento do caso, além de questionar quantas unidades falsificadas foram identificadas e em quais estados, mas a empresa não respondeu até a publicação do texto.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe: Número de Casos de SRAG Continua Caindo Na Maior Parte Do País

 


Divulgada nesta quinta-feira (30/7), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta para um cenário bem parecido com o da semana passada: a queda no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua sendo impulsionada, principalmente, pela diminuição das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR), em grande parte do país, e pelos vírus da influenza A e B, em algumas regiões. De acordo com o InfoGripe, apenas 3 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 29: Maranhão, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Os especialistas frisam que é importante reforçar que a vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19.  E ressaltam que é essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, além de manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando máscara.


Estados e capitais

De acordo com o InfoGripe, o aumento do número de casos de SRAG no Maranhão, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se concentra especialmente nas crianças pequenas e tem sido impulsionado principalmente pelo VSR. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina os vírus influenza B, rinovírus e metapneumovírus também têm contribuído para o aumento de SRAG. E há um leve aumento dos casos de SRAG nos idosos no Maranhão, possivelmente associado à Covid-19.

Segundo a análise, muitos estados que estavam com queda de SRAG atingiram uma incidência em níveis de segurança ou baixo risco. É o caso de estados do Nordeste (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), do Norte (Pará, Rondônia e Tocantins), Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e também o Distrito Federal. Apesar disso, 12 unidades da Federação (Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe) ainda estão com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco. A alta incidência de SRAG nesses estados está associada principalmente às hospitalizações por VSR e, em algumas regiões, também por influenza A, que, apesar da tendência de queda, ainda permanecem em níveis elevados.

Nos estados de Alagoas, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Sergipe, os casos de SRAG por VSR continuam altos, apesar da tendência de estabilização ou queda. O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou em boa parte do país, contudo, mesmo com sinal de queda, os casos graves pelo vírus continuam altos no Acre, Minas Gerais, Paraná e Roraima Os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados do Centro-Sul (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), mas mostram sinais de interrupção do crescimento ou início de queda no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Em relação à Covid-19, há um sinal de aumento dos casos graves no Maranhão. No Amazonas, as hospitalizações pelo vírus que estavam com tendência de aumento há algumas semanas, agora estão estáveis e em um patamar baixo. Também há um aumento das hospitalizações por metapneumovírus em todo o Sul, além de São Paulo, Pernambuco e Amazonas, e de rinovírus em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses estados.

A atualização aponta que 2 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 29: Rio Branco (AC) e São Luís (MA). Além disso, 12 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade há o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. 

O rinovírus também se destaca como a segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de 2 anos e idosos. Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

A influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 7,7% de influenza A, 9,1% de influenza B, 57,7% de vírus sincicial respiratório, 25,4% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 24,7% de influenza A, 16,1% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 26,3% de rinovírus e 4,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 19,4% de influenza A, 4,9% de influenza B, 41,8% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 4,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 7,7% de influenza A, 9,1% de influenza B, 57,7% de vírus sincicial respiratório, 25,4% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 125.914 casos de SRAG, sendo 67.199 (53,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 43.336 (34,4%) negativos, e ao menos 7.904 (6,3%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz