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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Jornais - informações na madrugada

 






Anvisa reforça importância de testes específicos para as canetas paraguaias

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou, nesta segunda (6), a importância da realização de testes específicos para avaliar a segurança e a eficácia das canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai antes de esses produtos serem comercializados no Brasil.

A nota "Canetas do Paraguai NÃO demonstraram equivalência com medicamentos registrados no Brasil" afirma que "é falsa a informação de que testes laboratoriais comprovaram a equivalência de canetas contrabandeadas com os produtos registrados no Brasil".

Publicada na Folha no último sábado (5), a reportagem "Canetas emagrecedoras do Paraguai têm princípio ativo equivalente ao do Mounjaro, mostra análise da Unicamp" afirma que os medicamentos paraguaios vendidos como versões de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) contêm, de fato, a substância, conforme revelou o resultado apresentado pela Universidade de Campinas.

O estudo da Unicamp analisou a presença, a concentração e a estrutura molecular do princípio ativo das amostras dos medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, produzidas pelos laboratórios paraguaios Catedral, Indufar, Eticos, Quimfa e Lasca, respectivamente.

A análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança dos medicamentos.

Nesta terça-feira (7), a assessoria de comunicação da Anvisa afirmou à Folha que a nota não foi publicada em resposta à reportagem, mas em razão da circulação, nas redes sociais, de informações e interpretações equivocadas sobre os resultados da análise.

A Anvisa afirma que identificar a presença da tirzepatida em uma amostra laboratorial não significa que o medicamento seja equivalente ao produto registrado no Brasil. Há uma diferença entre comprovar a identidade do princípio ativo e demonstrar a equivalência de um medicamento como um todo.

Segundo a Anvisa, o CIATox não é um centro credenciado para estudos de bioequivalência nem integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. A agência diz ainda que fabricantes paraguaios também não passaram por inspeções essenciais exigidas para emitir o registro sanitário brasileiro.

"As empresas fabricantes dos produtos analisados pela Unicamp não foram avaliadas na linha de produção, o que afeta diretamente a qualidade do produto final. E não foram avaliadas pela Anvisa quanto à certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF), etapa essencial para assegurar a qualidade da fabricação de medicamentos", afirmou a agência.

Durante o Fórum de Saúde promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), na segunda-feira, o diretor-adjunto da Anvisa, Diogo Penha Soares, disse que a avaliação regulatória considera um conjunto muito mais amplo de critérios do que a simples identificação da molécula.

Soares também disse que a Anvisa mantém diálogo permanente com a Dinavisa, autoridade sanitária do Paraguai. Segundo ele, as duas agências discutem ações de convergência regulatória e um memorando de entendimento para ampliar a cooperação técnica. Apesar disso, Soares afirmou que a Anvisa não possui competência para fiscalizar fabricantes em território paraguaio nem reconhece automaticamente os registros concedidos pelo país vizinho.

Todas as canetas analisadas pela Folha possuem registro sanitário vigente na Dinavisa, mas não na Anvisa. Até o momento, não houve pedidos de registro dos laboratórios paraguaios para fins de regularização no país, segundo a agência.

Segundo a legislação brasileira, o registro depende de solicitação do próprio fabricante, acompanhada de um dossiê técnico com informações detalhadas sobre qualidade, segurança e eficácia.

Enquanto a agência brasileira exige um dossiê estruturado segundo o padrão internacional CTD (Documento Técnico Comum), a autoridade sanitária paraguaia trabalha com uma versão mais enxuta da documentação e aceita, para medicamentos novos, apenas resumos dos estudos de eficácia e segurança, sem exigir os relatórios clínicos completos.

Representantes da indústria farmacêutica também divulgaram nota após a publicação da reportagem. Segundo as entidades, a preocupação não é com a competência dos pesquisadores da Unicamp nem com o trabalho jornalístico, mas com interpretações que extrapolem o alcance da análise laboratorial.

"A aprovação de um medicamento pela Anvisa não se resume à confirmação do princípio ativo. Envolve a avaliação da qualidade farmacêutica, da segurança, da eficácia, da equivalência terapêutica e da conformidade documental, além da inspeção das fábricas e do controle contínuo de cada lote. Nenhum desses produtos passou por esse crivo", diz a nota pública.

Fonte _ Fonte/SP

Anvisa inclui Ozivy, caneta brasileira de semaglutida sintética, na lista de referência para genéricos

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) incluiu o Ozivy, primeiro remédio brasileiro com semaglutida, na Lista de Medicamentos de Referência (LMR). A medida foi publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União.

Com isso, o Ozivy passa a ser considerado parâmetro de eficácia, segurança e qualidade para outros medicamentos à base de semaglutida sintética, genéricos ou similares, em desenvolvimento no país.

Fabricado pela farmacêutica EMS, o Ozivy foi aprovado pela Anvisa para tratamento de diabetes tipo 2. A indicação para obesidade e sobrepeso é off-label (fora da bula).

Ozivy é vendido por preços que variam de R$ 452 a R$ 498, conforme anúncio feito pela farmacêutica em junho, quando o medicamento começou a ser comercializado no país.

O concorrente Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk, custa de R$ 975 —pelo programa Preço NovoDia (e-commerce) nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg— a R$ 999 na dosagem de 1 mg.

Um dos critérios para indicação como medicamento de referência é que o produto contenha princípios ativos sintéticos e semissintéticos registrados como medicamento novo ou inovador. É o caso do Ozivy, um medicamento à base de semaglutida sintética.

O Ozempic não integra a Lista de Medicamentos de Referência porque é um medicamento biológico, categoria para a qual a legislação brasileira não prevê genéricos.

Os medicamentos biológicos são feitos a partir de organismos vivos (fermentação, manipulação genética), resultando em moléculas grandes e difíceis de replicar de forma idêntica. Já os sintéticos são feitos por síntese química em laboratório e geram moléculas menores e mais estáveis, que podem ser copiadas de forma idêntica entre fabricantes.

O Ozivy foi o primeiro medicamento produzido pela indústria farmacêutica brasileira com semaglutida a receber registro da Anvisa. O produto também foi o primeiro com esse princípio ativo aprovado pela agência reguladora após o fim da patente da semaglutida no Brasil, em março.

Um segundo medicamento nacional com semaglutida, o Semavy, da Hypera Pharma, ainda aguarda registro sanitário da Anvisa e análise de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

Fonte _ Folha/SP

Anvisa determina apreensão de lotes falsificados do Mounjaro

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta sexta-feira (10) a apreensão de lotes falsificados do medicamento Mounjaro, usado no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

A Eli Lilly, farmacêutica que detém registro do Mounjaro, relatou à agência ter encontrado no mercado unidades com características diferentes do produto original, um indício de falsificação.`Os lotes falsificados, fabricados por empresa não identificada, são:

  • Mounjaro 10 mg: lote 855044
  • Mounjaro 15 mg: lotes D880403, MJR 257, D854901

Segundo a Anvisa, entre as irregularidades identificadas estão números de série que não constam nos sistemas da empresa; lotes não reconhecidos; utilização de número serial incompatível com o lote informado; dispositivo incompatível com o produto original; e erro de grafia na rotulagem, que constava "soluction" em vez de "solution".

A medida proíbe a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos considerados falsos.

Fonte _ Folha/SP

Por que perdemos o apetite conforme envelhecemos? Hormônios, paladar e solidão podem explicar

 


Quando você era mais jovem, tinha muito apetite. Agora, na casa dos 60 anos, fica satisfeito mais rápido e não consegue comer como antes. O que está acontecendo?

É comum as pessoas comerem menos à medida que envelhecem, diz Roger A. Fielding, professor de nutrição na Friedman School of Nutrition Science and Policy da Tufts University. Em uma análise de quase 60 estudos, por exemplo, pesquisadores descobriram que pessoas com 60 anos ou mais consumiam de 16% a 20% menos calorias do que adultos mais jovens.

A grande questão é por quê, diz Barbara Rolls, professora de ciências nutricionais na Penn State. Vários fatores, incluindo a idade da pessoa, podem influenciar o apetite e o quanto ela se sente saciada após comer, então é difícil saber o que pode estar afetando cada um.

Aqui estão alguns possíveis culpados a considerar, segundo especialistas, e o que você pode fazer a respeito.

Os sinais de fome diminuem

Mudanças hormonais que ocorrem com o envelhecimento podem influenciar o quanto você quer comer, afirma Margaret Manus, internista do Houston Methodist Hospital.

Algumas pesquisas limitadas mostraram, por exemplo, que adultos mais velhos produzem menos grelina — um hormônio que faz você sentir fome — do que pessoas mais jovens. Se isso acontece, ou se você continua produzindo a mesma quantidade de grelina, mas seu corpo não responde a ela tão fortemente quanto antes, você pode sentir menos vontade de comer, diz Manus.

Outras pesquisas mostraram que as pessoas produzem mais de dois outros hormônios — leptina e colecistocinina, que causam sensação de saciedade — à medida que envelhecem. Como resultado, diz Manus, elas comem menos.

Também há evidências limitadas sugerindo que o estômago esvazia mais lentamente conforme as pessoas envelhecem, afirma Rolls. Essa mudança pode atrasar o momento em que a pessoa sente fome novamente após seu último lanche ou refeição.

E as pessoas tendem a perder massa muscular com a idade, diz Fielding. O músculo queima mais calorias do que a gordura, então pessoas com menos músculo precisarão comer menos, afirma.

A comida se torna menos atraente

Nossos sentidos de olfato e paladar podem diminuir com o tempo, diz Rolls. Em um estudo de 2022 que envolveu 60 participantes, pesquisadores descobriram que entre aqueles com mais de 50 anos, pouco mais da metade tinha problemas com a sensibilidade do paladar e 70% não conseguiam sentir cheiros muito bem.

Se a comida não tem bom gosto ou cheiro, você tende a querer menos dela, afirma Rolls. Em um estudo envolvendo 359 adultos mais velhos na Holanda, pesquisadores descobriram que aqueles que disseram não conseguir sentir bem o gosto tinham menos apetite do que aqueles que relataram sentir o gosto normalmente.

Adultos mais velhos também costumam comer sozinhos, o que pode resultar em comerem menos. Vários estudos mostraram que as pessoas comem mais quando jantam com outras, especialmente com amigos e entes queridos, diz Rolls. Essa tendência pode estar enraizada no fato de que as pessoas passam mais tempo comendo quando estão com outras pessoas — e quanto mais tempo ficam sentadas, mais comem.

Como recuperar o apetite

Se seu apetite diminuiu e você quer recuperá-lo, Manus recomenda exercícios regulares. Quando você queima calorias, seu corpo quer repô-las com comida.

O treinamento com pesos pode ser especialmente útil, diz Manus, porque constrói músculos, o que aumentará ainda mais seu apetite. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças recomendam que adultos com 65 anos ou mais façam exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. Manus recomenda exercícios que envolvam muitas repetições com pesos leves (entre 1 e 5 quilos, por exemplo) ou faixas de resistência.

Se você está comendo menos e está preocupado em desenvolver uma deficiência nutricional, Fielding recomenda seguir uma dieta equilibrada que priorize alimentos ricos em nutrientes, como frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais e fontes magras de proteína. Aqueles que não têm fome para três refeições completas por dia podem ter mais êxito fazendo quatro ou cinco refeições menores ao longo do dia, diz Manus. Calculadoras online práticas podem ajudar a estimar suas necessidades calóricas.

Considere também jantar com amigos e entes queridos, diz Rolls. E tente experimentar ervas e temperos para compensar qualquer perda de olfato e paladar.

Fonte _ Folha/SP

El Niño pode aumentar casos de dengue, doenças respiratórias e problemas de saúde mental, afirma Opas

 

Ar poluído na região central da cidade de São Paulo durante onda de calor e queimadas em setembro de 2024, quando havia influência do El Niño - Danilo Verpa - 12.set.24/Folhapress

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) publicou um relatório que alerta para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a saúde da população nas Américas em 2026 e no início de 2027.

Segundo o documento, a combinação de secas, enchentes, ondas de calor e incêndios florestais pode aumentar o risco de doenças infecciosas, agravar doenças crônicas, ampliar problemas de saúde mental e pressionar os sistemas de saúde da região.

Publicado no último dia 7, o relatório diz que a intensidade dos impactos dependerá das condições climáticas locais, da vulnerabilidade das populações e da capacidade de resposta de cada país.

Entre as principais preocupações estão as doenças transmissíveis. O documento aponta que alterações na temperatura e no regime de chuvas podem favorecer a disseminação de doenças transmitidas pela água, como cólera, além de ampliar a circulação de vetores responsáveis por enfermidades como denguezikachikungunya, malária, febre amarela e oropouche.

O relatório também chama atenção para o impacto das ondas de calor e dos incêndios florestais na saúde. Segundo a análise, temperaturas elevadas aumentam o risco de estresse térmico, desidratação e exaustão por calor, podendo também agravar doenças cardiovasculares e respiratórias.

A fumaça de queimadas e a piora da qualidade do ar podem elevar casos de asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras condições respiratórias, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Quanto à saúde mental, a Opas afirma que perdas econômicas, deslocamentos populacionais, interrupção de serviços e incertezas provocadas por eventos climáticos extremos podem aumentar a demanda por apoio psicossocial. O documento também identifica maior risco de violência de gênero em cenários de deslocamento, superlotação de abrigos e interrupção de serviços públicos.

A análise destaca, ainda, efeitos indiretos como aumento da insegurança alimentar, perdas de safras e maior risco de desnutrição, sobretudo entre crianças menores de 5 anos, gestantes e populações em situação de vulnerabilidade.

De acordo com o documento, tanto secas como enchentes podem comprometer a produção de alimentos, o abastecimento de água e o acesso aos serviços de saúde.

Outro ponto de atenção é a infraestrutura de saúde. A Opas avaliou a vulnerabilidade de 756 hospitais de emergência localizados em áreas potencialmente expostas a inundações costeiras por eventual elevação do nível do mar. Além dos danos físicos às unidades, o relatório cita o risco de interrupções no fornecimento de medicamentos, insumos e outros recursos necessários para manter o atendimento à população.

Para reduzir os impactos, a Opas recomenda que governos fortaleçam a vigilância epidemiológica para doenças sensíveis ao clima, integrem informações meteorológicas e sanitárias para antecipar riscos e ampliem o monitoramento nutricional de grupos vulneráveis.

Também recomenda investimentos em abastecimento de água potável e saneamento, além da adoção de alternativas como telessaúde e equipes móveis para evitar interrupções no atendimento de pacientes com doenças crônicas.

Segundo a Opas, a comunicação de riscos com as comunidades e a coordenação entre diferentes setores também são fundamentais para reduzir os efeitos do El Niño sobre a saúde pública.

Fonte _ Folha/SP

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Jornais - informações na madrugada

 




Aumentar período de acompanhamento pós-parto pode evitar complicações, diz estudo

 


Monitorar a mulher de perto durante seis semanas após o parto pode ajudar a reduzir cerca de um terço das complicações mais graves relacionadas a esse período, mostra um estudo publicado em março na revista científica Canadian Medical Association Journal.

Comorbidades maternas graves são aquelas que resultam em altas taxas de mortalidade, internação ou mesmo incapacidade. Com impacto físico, psicológico e social que pode se estender por anos, elas exigem estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define essa fase como o período de até 42 dias após o parto e tem diretrizes para os cuidados nas primeiras seis semanas.

"Sabe-se que eventos graves continuam ocorrendo após o parto e o artigo mede isso com clareza, apontando a sepse como a principal causa de morbidade", afirma a ginecologista e obstetra Fernanda Sawaguchi Faig, do Einstein Hospital Israelita. "O resultado dá peso epidemiológico a algo que nossa prática já sugere, que boa parte do risco está no pré e pós-parto e não apenas na sala de parto."

O estudo avaliou cerca de 1 milhão de nascimentos na região de Ontário, no Canadá, entre 2012 e 2021. De modo geral, as complicações mais comuns foram hemorragia, pré-eclâmpsia e sepse, além de acidente vascular cerebral (AVC), ruptura uterina, condições cardíacas, embolia, falência renal e histerectomia. Cerca de 16% dessas complicações ocorreram na gravidez, 55% durante o parto e quase 30% no puerpério.

Ao considerar cada etapa (gestação, parto e puerpério), as intercorrências mais comuns foram abdômen agudo, hemorragia severa e sepse, respectivamente. Além disso, quase 4% dessas intercorrências surgiram em mais de um momento.

O chamado abdômen agudo, embora não seja relacionado especificamente à gravidez, pode sinalizar condições como apendicite, e seu reconhecimento precoce evita complicações como perfuração, peritonites, sepse e parto prematuro.

O fato de a gravidez e o parto terem transcorrido bem não exclui complicações após a alta. "A paciente pode ter tido um parto aparentemente sem intercorrência e depois evoluir com endometrite, infecção de ferida operatória, hemorragia secundária, pré-eclâmpsia pós-parto, tromboembolismo, mastite complicada ou cardiomiopatia periparto", exemplifica Faig.

No Brasil, além de hipertensão e hemorragias, a infecção puerperal é uma das principais causas diretas de morte materna. "Temos forte indicação baseada em evidências para realizar acompanhamento mais frequente e prolongado. O cuidado puerperal deve ser um processo contínuo, não uma única consulta, podendo se estender até 12 semanas após o parto, dependendo do caso."

Isso é mais importante nas mulheres com problemas de pressão arterial, transtorno de humor, diabetes, infecções na ferida operatória, lacerações de terceiro e quarto grau em partos vaginais e dificuldades crônicas ao amamentar.

No estudo, entre os fatores para maior risco de complicações estão a presença de condições como obesidade, hipertensão e diabetes, além de gestação múltipla, cesariana, mães de primeira viagem, grávidas com idades extremas (acima dos 40 anos ou na adolescência), negras e de baixa renda.

"São condições similares à realidade brasileira, e isso é ainda mais importante porque o cuidado puerperal segue inconsistente e as iniquidades são marcantes", observa a ginecologista.

O alto percentual de partos cirúrgicos no Brasil é um ponto de atenção. "Isso não quer dizer que a cesárea cause isoladamente a complicação, mas significa que, em um sistema com muita cesariana, o impacto potencial sobre hemorragia, infecção, placenta acreta em gestações futuras e morbidade grave é mais relevante", pontua.

Embora o Brasil conte com diretrizes bem estabelecidas (que preveem duas consultas no pós-parto, uma na primeira semana e outra entre 30 e 42 dias após o nascimento) e já tenha implementado programas com resultados promissores, ainda há uma lacuna entre o que é recomendado e o que de fato ocorre na prática clínica.

"As desigualdades regionais, raciais e socioeconômicas persistem como desafios importantes para a saúde materna no país", afirma a especialista.

Quando ter atenção

Alguns sinais de alerta exigem avaliação médica imediata, tanto durante a gestação quanto no puerpério. Na gravidez, são:

  • Sangramento
  • Dor de cabeça intensa ou persistente
  • Visão turva
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Dor epigástrica
  • Febre ou calafrios
  • Dor abdominal ou pélvica intensa

No pós-parto, é importante buscar atendimento em casos de:

  • Sangramento excessivo ou com odor forte
  • Corrimento vaginal com mau cheiro
  • Sintomas urinários e redução do volume da urina
  • Convulsões
  • Mal-estar acentuado
  • Pressão arterial elevada
  • Episódios de desmaio

Fonte _ Folha/SP

Anvisa atualiza composição de vacinas contra Covid para acompanhar variantes em circulação

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou nesta quarta-feira (8) as regras para a composição das vacinas contra a Covid-19 que poderão ser comercializadas ou usadas no Brasil.

A norma substitui a regra publicada em março e mantém a recomendação de atualização dos imunizantes para acompanhar a evolução do Sars-CoV-2. O texto detalha quais linhagens podem ser usadas na formulação das vacinas e quais evidências serão exigidas para aprovar outras composições.

Pela regra, divulgada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (9), os imunizantes devem ser monovalentes, ou seja, formulados para estimular a resposta do organismo contra uma única linhagem do Sars-CoV-2. A composição deverá incluir a cepa LP.8.1 ou antígenos derivados da linhagem JN.1, como as sublinhagens XFG ou NB.1.8.1.

A norma também permite outras composições. Para isso, os fabricantes devem comprovar que elas induzem uma resposta ampla de anticorpos neutralizantes, capazes de bloquear a entrada do vírus nas células, ou que são eficazes contra as variantes do coronavírus em circulação no momento da atualização.

A Anvisa prevê um período de transição para a troca de formulação. Vacinas contra a Covid já registradas e produzidas antes da atualização, assim como doses que já estejam distribuídas no país, poderão ser usadas por até nove meses após a agência aprovar a versão atualizada daquele imunizante.

O prazo, porém, pode ser reduzido ou interrompido se houver manifestação expressa da Anvisa em sentido contrário.

Para atualizar uma vacina que não se enquadre nos critérios definidos pela norma, o fabricante deverá apresentar um protocolo específico à agência. O pedido deve incluir, no mínimo, informações sobre produção e qualidade da nova formulação e dados de segurança e eficácia seguindo critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Como o Sars-CoV-2 continua evoluindo e dando origem a novas linhagens, a composição das vacinas precisa ser atualizada periodicamente para acompanhar as variantes em circulação. A estratégia é semelhante à adotada com a vacina da gripe e busca manter a proteção contra as formas mais graves da doença e mortes.

Para a população, a mudança significa que as vacinas passarão a ter uma composição mais próxima das linhagens do vírus em circulação. A atualização não invalida as doses já tomadas, que seguem importantes na proteção contra casos graves e mortes, mas reforça a necessidade de seguir as recomendações de reforço.

Fonte _ Folha/SP

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | França x Marrocos | Quartas de Final

 


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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Jornais - informações na madrugada

 







Vacina é a nova esperança contra tumores cerebrais

 


Os tumores cerebrais são difíceis de tratar. Mesmo aqueles que podem ser operados raramente conseguem ser removidos completamente por cirurgia. A quimioterapia e radioterapia fazem parte do tratamento padrão. Ainda assim, pacientes com tumores agressivos frequentemente vivem no máximo cinco anos após o diagnóstico.

Em um estudo realizado por pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ), da Faculdade de Medicina de Mannheim, do Hospital Universitário de Heidelberg e de outras instituições, 33 pacientes receberam, além do tratamento convencional, uma vacina experimental.

No início de julho, a equipe publicou os resultados do acompanhamento de longo prazo na revista científica Nature. E há motivos para um otimismo cauteloso: 66% dos participantes ainda estavam vivos após oito anos, e 42% não apresentaram crescimento ou retorno do tumor durante esse período.

Segundo Michael Platten, diretor da Clínica Universitária de Neurologia de Mannheim e um dos principais autores do estudo, o resultado mais surpreendente foi o fato de que, em muitos pacientes, o tumor não voltou por um período tão longo.

Vacina não previne o câncer

As vacinas –como as contra sarampo, caxumba ou Covid-19, por exemplo– normalmente são associadas à prevenção de doenças ou ao treinamento do sistema imunológico para reduzir a gravidade de uma infecção. Essas são chamadas de vacinas preventivas.

Já as vacinas terapêuticas têm um objetivo diferente: destruir um tumor por meio da ativação do sistema imunológico.

No caso da terapia desenvolvida por Platten e sua equipe, a vacina é direcionada a uma mutação genética encontrada apenas em determinados tumores cerebrais. Todos os 33 participantes do estudo sofriam de astrocitomas de alto grau.

Os astrocitomas pertencem ao grupo dos gliomas e estão entre os tumores mais comuns do sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal. Eles são classificados em quatro graus de gravidade, variando de relativamente benignos a altamente agressivos.

Os astrocitomas de grau 3 e 4, que crescem rapidamente e são considerados agressivos, compartilham uma mutação genética específica, que é justamente o alvo da vacina.

Esse gene codifica uma enzima chamada IDH1. Devido à mutação, um componente da proteína é alterado, criando uma nova estrutura proteica que favorece o crescimento mais rápido do tumor. A vacina ensina o sistema imunológico a reconhecer essa estrutura como algo estranho ao organismo e a atacá-la.

A vacina testada no estudo ativou o sistema imunológico de duas maneiras. Produziu linfócitos T, que atacam diretamente as células tumorais e estimulou a formação de linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos contra o tumor. Segundo Platten, o objetivo é "impedir que o tumor volte após a conclusão do tratamento, neste caso uma radioquimioterapia".

Eficácia a ser comprovada

Ulrich Herrlinger, diretor de Neuro-oncologia do Hospital Universitário de Bonn, que não participou do estudo, considera o trabalho uma oportunidade real para os pacientes.

De acordo com ele, os astrocitomas de alto grau têm uma probabilidade próxima de 100% de voltar a crescer e, em algum momento, tornar-se impossíveis de tratar. As causas desses tumores ainda são desconhecidas. Como afirma o pesquisador, "ninguém sabe por que exatamente determinada pessoa é afetada".

Por isso, os resultados obtidos pela equipe de Michael Platten são tão promissores. Herrlinger destaca que, se fosse possível manter o sistema imunológico ativo de forma permanente, haveria esperança de controlar o tumor por longo prazo.

Tanto Platten quanto Herrlinger alertam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Com apenas 33 pacientes, não é possível tirar conclusões definitivas. O próximo passo será um estudo controlado e randomizado de grande porte, que já está sendo planejado.

Segundo Platten, o projeto terá início em março de 2027 e envolverá mais de 200 pacientes. Ele estima que serão necessários cerca de nove anos para obter resultados suficientemente robustos. Somente então será possível determinar com segurança quão eficaz a vacina realmente é e se doses de reforço podem potencializar a resposta imunológica.

Apesar disso, Platten acredita que os resultados atuais justificam um otimismo cauteloso. Afinal, como ele próprio afirma, esperança nunca é demais.

Fonte _ Folha/SP

Centro de pesquisa brasileiro usará smartwatches para detectar doenças

 


Os relógios e anéis inteligentes costumam ser vistos apenas como acessórios para contar passos, calorias ou monitorar o sono, mas no projeto Viva Bem eles são considerados peças-chave para o avanço da medicina preventiva.

O novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA), parceria entre FapespUnicamp e Samsung, vai usar inteligência artificial para transformar esses dispositivos em ferramentas de diagnóstico precoce. A meta é rastrear alterações biológicas sutis e antecipar a identificação de condições graves, como a doença de Parkinson e distúrbios cardíacos, antes de os sintomas se manifestarem.

Hoje, os smartwatches e smart rings possuem uma série de sensores capazes de medir, entre outras coisas, a frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura, a condutividade elétrica da pele, a composição corporal, incluindo o nível de hidratação, e os movimentos.

A proposta dos pesquisadores do Viva Bem é empregar, nos próximos anos, algoritmos e tecnologias de IA capazes de processar todos esses dados simultaneamente. Ao combiná-los, será possível extrair e identificar padrões sutis, que servirão como medidas objetivas para o monitoramento de diversas condições de saúde.

"Já constatamos, por meio de um projeto desenvolvido anteriormente, que a ansiedade e o estresse, por exemplo, causam mudanças na condutividade elétrica da pele detectáveis por um relógio inteligente", diz Anderson Rocha, professor do Instituto de Computação da Unicamp e coordenador do Viva Bem.

No caso do Parkinson, tecnologias de IA podem analisar tremores e alterações na forma de andar (padrão da marcha) e de sono para identificar indícios anos antes do diagnóstico clínico tradicional. Já na saúde cardiovascular, a tecnologia poderá atuar como um eletrocardiograma contínuo, identificando arritmias, padrões anômalos de pressão e riscos de infarto ou AVC a partir da variabilidade cardíaca.

Além disso, distúrbios no sono detectados por IA em smartwatches podem atuar como preditores de doenças neurodegenerativas. Em idosos, a tecnologia poderá identificar o declínio na força e na independência de movimento com meses de antecedência, permitindo intervenções preventivas contra quedas, exemplificou Rocha.

"Nosso objetivo não é substituir o médico. Queremos apontar para o usuário quando ele deve procurar um especialista, de modo a garantir uma melhor qualidade de vida", ponderou o pesquisador.

Corpo único

Para que os diagnósticos feitos por meio da IA desenvolvida sejam confiáveis, serão seguidas diretrizes rígidas. Uma delas será treinar o sistema para compreender que cada corpo é único, abandonando a abordagem convencional, que avalia apenas o padrão médio das pessoas, em favor da variabilidade individual.

Outra diretriz é a da explicabilidade. O sistema precisará não apenas indicar um risco, mas deverá explicar por que chegou àquela conclusão. "Isso é fundamental para que o médico confie na sugestão da IA e tome decisões clínicas seguras", avaliou Rocha.

O foco das pesquisas será o desenvolvimento de algoritmos e tecnologias de IA que sejam embarcáveis; ou seja, que rodem diretamente no relógio ou anel inteligente, visando permitir um processamento eficiente e em tempo real.

Dados sensíveis

Na avaliação do pesquisador, uma das grandes vantagens do uso de smartwatches para a realização de pesquisa em saúde é que os dados são coletados durante a rotina normal do usuário, revelando padrões que uma consulta médica pontual de 15 minutos poderia não detectar.

A fim de garantir a segurança e a privacidade, a gestão dos dados coletados também seguirá diretrizes rigorosas. Todas as coletas deverão ser realizadas estritamente com a aprovação de comitês de ética, contando com a participação voluntária das pessoas, que darão consentimento após receberem explicações detalhadas sobre o processo.

A Samsung focará a coleta nos sinais captados pelos seus próprios sensores e dispositivos (como o Galaxy Watch e o Galaxy Ring) e integrará essas informações à sua plataforma de dados, dentro dos protocolos de pesquisa do centro.

A iniciativa de criação do CPA, com investimento inicial de R$ 20 milhões, é um desdobramento de um hub de inovação colaborativa mantido pela Unicamp e pela Samsung.

Fonte _ Folha/SP