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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas e Opas emite alerta

 


O aumento na quantidade de casos de sarampo no continente americano fez a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) emitir um alerta para os países. O número cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025.

O comunicado do escritório regional da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que os números da doença em 2025 e no começo de 2026 são um indicativo de que os Estados precisam agir imediatamente e de maneira coordenada.

Segundo a Opas, em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo nas Américas, incluindo 29 óbitos –dos quais 22 (73%) ocorreram na população indígena. "Esse total representa um aumento de 32 vezes em comparação com os 466 casos notificados em 2024", afirma a organização. Em 2026, já são mais de 1.031 casos.

O ano de 2025 teve o maior número de casos confirmados desde 2019, quando foi registrado o maior número dos últimos 22 anos, com 23.269 registros.

"A Opas insta os Estados Membros a reforçarem, com caráter prioritário, as atividades de vigilância e vacinação de rotina e a garantirem uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos", diz trecho do alerta epidemiológico.

A organização também indica aos Estados atividades complementares de vacinação, isto é, além das que já são desenvolvidas rotineiramente.

Diversos países das Américas têm reportado aumento de casos de sarampo, uma doença que já foi considerada extinta. O aumento das infecções é resultado na queda de imunização, um movimento a nível global que ganhou força a partir de 2019, com a pandemia de Covid.

Autoridades de saúde do continente adotam diferentes estratégias para tentar elevar os percentuais de vacinação. A província de Mendoza, na Argentina, é um exemplo. Denunciou 15 pessoas por não vacinarem seus filhos, o que é obrigatório por lei naquele país. A cidade de São Paulo registrou dois casos de sarampo no ano passado.

A Opas afirma que o aumento de casos confirmados em 2025 é puxado por comunidades com baixa aceitação vacinal em vários países. A faixa etária mais atingida é de 10 a 19 anos, respondendo por 24% do total.

No Brasil foram confirmados 38 casos, distribuídos por seis estados e Distrito Federal. Dez foram contraídos fora do país.

Os casos foram confirmados em Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Maranhão (1) e Distrito Federal (1).

Casos de sarampo em países americanos

Nos Estados Unidos, a situação é epidêmica, com um surto na Carolina do Sul que já ultrapassa 600 casos. O surto, o pior do país em mais de 30 anos, acontece em meio à desconfiança pública com as vacinas, movimento encabeçado pelo grupo político de Donald Trump.

Fonte _ Folha/SP

Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS

 


A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo. 

Até agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

“A chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan, Eolo Morandi.

No Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia (4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.

Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas, segundo o boletim mais recente da organização.

"A chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.

Como diferenciar a dengue da chikungunya? 

A chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da chikungunya.

“A chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.

O nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia, que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela primeira vez na Tailândia em 1958.

“Em alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de vida”, afirma o gestor médico.

Diagnóstico e evolução da doença

O diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.

A preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes. Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão, obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.

“Quando o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses. Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.

Apesar de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece, pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.

Quem corre mais risco de complicações?

A chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é característico dessa fase da vida.

Estudos também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos-  têm maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas associações sejam confirmadas.

“As mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.

O impacto do clima no aumento de casos

As mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.

Enquanto no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes albopictus

Vacinação pode conter surtos futuros

Justamente pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se mostra cada vez mais necessária.

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. 

“O objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”, afirma Eolo Morandi.

Prevenção continua sendo essencial

Enquanto a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial para evitar surtos.

“A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito. O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.

Para evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle do mosquito.

Fonte _ Butantan

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Esporotricose humana entra na lista de notificação compulsória no Brasil

 


A esporotricose humana entrou na lista de notificação compulsória do Ministério da Saúde. A medida vigora desde o dia 23 de janeiro.

Conhecida no passado como "doença do jardineiro", a infecção é causada por fungos do gênero Sporothrix, presentes no solo, em plantas, madeira e matéria orgânica em decomposição, o que explica o nome popular. Ela também pode ser transmitida por pets, como os gatos. Esse meio de transmissão é hoje o principal no Brasil.

A regra ocorre após pequenos surtos urbanos da doença no país. Em 2023, um alerta da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) classificou a transmissão como descontrolada. Segundo o Ministério da Saúde, a obrigatoriedade de notificação auxilia no rastreamento da doença para o controle das infecções e no planejamento de ações conjuntas entre a saúde e o controle de zoonoses.

Em humanos, a doença costuma se manifestar como um nódulo ou ferida na pele, que pode evoluir ao longo dos vasos linfáticos e formar uma sequência de lesões. Elas não têm uma forma específica e exigem biópsia para um diagnóstico preciso, segundo a dermatologista Christiana Blattner, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Na maioria dos casos, a infecção fica restrita à pele e ao tecido subcutâneo, camada imediatamente abaixo da superfície do corpo. A doença, contudo, pode se tornar mais grave em pessoas com a imunidade comprometida, atingindo outros órgãos, como pulmões, ossos, articulações e até o sistema nervoso central. Essa forma ocorre principalmente em pacientes com HIVcâncer, uso prolongado de corticoides ou transplantados, e pode causar infecções graves e dores intensas.

"É bem raro, mas, se ocorrer, o problema pode se agravar. Daí a necessidade do diagnóstico precoce", explica a médica.

Já nos animais, especialmente nos gatos, a doença tende a ser mais agressiva, com múltiplas feridas abertas, secreção abundante e maior capacidade de transmissão. A médica destaca que os animais, assim como os humanos, são vítimas da infecção, e não responsáveis. Assim, devem receber os mesmos critérios de precaução dispensados às pessoas.

"O fungo está na terra, nas plantas; o gato não é o hospedeiro vilão, mas sim vítima", explica Christiana. Pela facilidade de contato com o fungo, há risco de infecção em ambientes de lazer, como parques e praias, mas é possível se prevenir sem pânico.

"Usar calçado, luvas e blusas de manga comprida ao manusear plantas e árvores, por exemplo, é uma forma de evitar o contato com o fungo", diz a médica. A infecção, ela destaca, ocorre quando há um trauma na pele, como um arranhão em espinhos, ou uma mordida do pet.

"É bom lembrar que jardineiros e profissionais que trabalham com animais devem usar equipamentos de proteção para evitar os riscos. Trata-se de uma doença que não mata, mas causa lesões importantes", explica Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis.

Para Furtado, a notificação compulsória auxilia no controle de focos. "Com a notificação, verificam-se os locais de infecção, entende-se como as pessoas adquiriram a doença e se existem animais infectados. Com isso, é possível orientar a prevenção a partir do perfil dos infectados."

"A notificação também revela a quantidade de casos no Brasil, faz barulho, dá visibilidade à doença e ajuda na conscientização", diz Christiana.

O tratamento para a esporotricose é feito com antifúngicos, principalmente o itraconazol, por períodos que podem variar de semanas a meses, dependendo da gravidade e da resposta do paciente. Tanto em humanos quanto em animais, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e reduzir a disseminação da doença.

Fonte _ Folha/SP

Nipah, gripe k, aviária: as doenças no radar de infectologistas em 2026

 


A recente confirmação de dois casos do vírus Nipah na Índia acendeu um alerta em diversos países. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), todas as 190 pessoas que tiveram contato direto com os infectados foram testadas e liberadas, mas a possibilidade de uma contaminação em massa assustou a comunidade internacional.

Essa não é a primeira vez que o Nipah chama atenção. Desde 2001, Índia e Bangladesh relatam surtos em frequência quase anual. Segundo a infectologista Priscilla Sawada, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, o risco pandêmico desse vírus é baixo. "Trata-se de uma doença zoonótica, cuja principal fonte de infecção são os morcegos frutíferos do gênero 'Pteropus', espécies que não existem no Brasil, estando restritas a Ásia, Oceania e parte do leste da África", explica.

A alta letalidade desse agente infeccioso —entre 40% e 75%— limita sua capacidade de disseminação sustentada. O contágio pode ocorrer com o consumo de frutas que foram contaminadas por animais doentes ou a partir do contato muito próximo com pessoas e animais infectados.

Não há vacina ou tratamento específico para a doença, o que a torna mais preocupante. A enfermidade causa febre, infecções respiratórias agudas e inflamações no cérebro. Além disso, um a cada cinco infectados pode ter sequelas neurológicas de longo prazo, segundo a OMS.

De olho no cenário global

Apesar das preocupações com o Nipah, ele não é a única doença em que os infectologistas estão de olho para evitar surtos ou pandemias. Em 2026, o cenário global promete ser marcado tanto pela circulação antecipada de vírus respiratórios humanos, como a variante do Influenza A conhecida como gripe K, quanto pela presença cada vez mais constante de vírus da gripe aviária, como os subtipos H5N1 e H5N5. No Brasil, a atenção também se volta à expansão de arboviroses e ao avanço da sífilis.

No final de 2025, autoridades de saúde alertaram para o aumento de casos na Europa e nos Estados Unidos da gripe K, cujos primeiros casos foram confirmados no Brasil em meados de dezembro. Mas não se trata de uma nova doença: o agente causador é o vírus da gripe comum, mais especificamente a variante H3N2 do subclado K, que deu o "apelido" à doença. A mudança de subclado indica uma mutação sutil na estrutura viral, o que pode ter potencializado levemente a capacidade de transmissão da gripe, segundo análises preliminares.

"Os vírus Influenza têm uma capacidade de sofrer mutações naturais regularmente. O que colocou esse subclado em destaque foi sua circulação de forma precoce e muito acelerada no Hemisfério Norte, antes do pico do inverno", analisa a infectologista Maria Daniela Bergamasco, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein Hospital Israelita.

Apesar de isso reforçar a importância de medidas preventivas, como a vacinação, não é preciso gerar alarde. "Essa não é uma variante especialmente mais agressiva, ela causa apenas sintomas comuns da síndrome gripal de Influenza A H3N2", esclarece Bergamasco. A Influenza A costuma provocar febre alta, tosse e congestão nasal. Ela tende a ser mais grave entre grupos de risco, como idosos, crianças menores de 5 anos, pessoas transplantadas e com doenças pulmonares crônicas.

Quanto à prevenção, medidas universais de higiene que se tornaram populares durante a pandemia de Covid-19 continuam válidas para evitar infecções respiratórias, incluindo o uso de máscara, especialmente em quem tem sintomas, e a higiene constante das mãos.

"A vacinação segue como ferramenta central de prevenção. Embora o imunizante atual não seja adaptado para este subclado específico, ele oferece uma proteção relevante. Além disso, é uma doença para a qual temos muitos tratamentos disponíveis", afirma a infectologista. "Pacientes devem buscar atendimento médico diante de sintomas para a realização de testes virais que permitam acompanhar a situação epidemiológica e fazer o tratamento."

Gripe aviária no radar

Outras infecções virais respiratórias estão em permanente observação. Nos últimos dois anos, as formas de gripe aviária H5N1 e H5N5 causaram surtos em aves selvagens por todo o mundo. Foram registrados casos em diversas espécies de mamíferos, inclusive humanos que tiveram contato direto com animais contaminados.

A boa notícia é que não há registro de contaminação entre pessoas. "O risco de transmissão entre humanos permanece baixo", assegura Maria Daniela Bergamasco. Ainda assim, o agente infeccioso merece atenção constante. "Como outros vírus influenza, essas variantes acumulam mutações ao longo do tempo. O maior risco atual é de fato associado à gripe K, mas os influenzas aviários demandam vigilância contínua", frisa a médica do Einstein.

Arboviroses em expansão

Outro grupo de doenças com crescimento recente são as arboviroses, doenças virais transmitidas por mosquitos. Embora velhas conhecidas como a dengue e a febre amarela ainda sejam responsáveis pelos quadros mais graves, há novas enfermidades ganhando protagonismo, como a febre oropouche.

Desde 2023, carregada pelo mosquito maruim, a doença saiu da regão amazônica, onde era endêmica, e se espalhou pelo país. Em 2024, o Ministério da Saúde registrou duas mortes pela condição. "Ela não tem uma vacina, então a prevenção envolve evitar a exposição à picada do maruim, com uso de repelentes e controle de sua reprodução, que ocorre nos mesmos contextos da arbovirose mais conhecida, a dengue", detalha Bergamasco.

Falando em dengue, o imunizante anunciado no final de 2025 pelo Instituto Butantan, em São Paulo, promete começar a mudar o cenário da doença a partir deste ano, ao lado da vacina Qdenga, aplicada desde 2024. Contudo, até que a vacinação chegue à maioria da população, evitar a reprodução do mosquito Aedes aegypti ainda é a melhor forma de diminuir os casos de dengue, cujo pico ocorre logo no começo do ano.

"O verão é uma época propícia para a reprodução dos mosquitos, por isso é essencial estar de olho neles. Todas as arboviroses podem ser muito preocupantes, mas a dengue é uma das mais frequentes a levar a casos graves. É fundamental não descuidarmos da prevenção neste ano, já que os casos têm quebrado recordes sucessivos nos últimos verões", alerta a infectologista.

Sífilis volta a ameaçar

Não são apenas enfermidades virais que merecem acompanhamento. Uma doença bacteriana, a sífilis, tem crescido de maneira expressiva no Brasil e no mundo. Ela integra o grupo das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e quebrou recordes de casos nos últimos anos. Em 2024, foram 256 mil registros, segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, e dados preliminares indicam que em 2025 podem ter sido mais.

O avanço da IST ocorre por múltiplos fatores, como não usar preservativo e a falta de testagem. Não há indícios de resistência bacteriana ao tratamento com benzetacil, que segue disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). "A chave está mesmo na conscientização", afirma Bergamasco. Além disso, estratégias adicionais de prevenção combinada estão em avaliação, como a DoxiPEP, uma profilaxia pós-exposição para infecções bacterianas, mas que ainda depende de dados para definição de uso amplo.

Fonte _ Folha/SP

Vacina contra chikungunya do Butantan começa a ser distribuída em Mirassol (SP); entenda como vai funcionar a estratégia piloto

 


Nesta segunda (2/2), o município de Mirassol, na região noroeste do estado de São Paulo, será o primeiro do Brasil a proteger sua população com a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Em 2025, a doença viral, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, atingiu 129 mil pessoas e causou pelo menos 120 mortes no Brasil, de acordo com o Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde.

A iniciativa, que faz parte de um projeto piloto, vai envolver outros 9 municípios de Minas Gerais, Sergipe e Ceará. A seleção dos municípios se deu a partir de um estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027.


A vacinação em regiões endêmicas (onde o vírus circula) é essencial para avaliar a efetividade de um imunizante – ou seja, o quanto ele é capaz de reduzir as infecções. Para isso, o Instituto Butantan irá monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya nos municípios participantes da estratégia e comparar os dados entre vacinados e não vacinados. O Instituto também irá conduzir estudos pós-comercialização a fim de monitorar a segurança da vacina a longo prazo. Após a vacinação, as equipes dos postos de saúde estarão disponíveis para orientar as pessoas interessadas em participar dos ensaios clínicos.

Sobre a vacina

A vacina do Butantan contra a chikungunya é a primeira do mundo a ser disponibilizada para prevenir a doença. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, ela teve sua segurança e capacidade de gerar anticorpos comprovadas em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos e publicados na revista científica The Lancet. Dos 4 mil voluntários adultos que participaram da pesquisa, 98,9% produziram anticorpos neutralizantes. Além do Brasil, o produto já foi aprovado para uso no Canadá, Reino Unido e Europa.

Por ser desenvolvido com tecnologia de vírus atenuado, o imunizante não é indicado para pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, pessoas que tenham mais de uma condição médica crônica ou mal controlada (comorbidades) e mulheres grávidas ou que estejam amamentando. Entre as principais reações adversas que podem ocorrer após a aplicação da vacina estão dor de cabeça, enjoo, cansaço, dor muscular, dor nas articulações, febre e reações no local da injeção (sensibilidade, dor, vermelhidão, endurecimento, inchaço).

Sobre a chikungunya

A chikungunya costuma causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos, além de dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e gerar problemas neurológicos. O principal impacto da doença é que a dor nas articulações pode se tornar crônica e durar de meses a anos. Sem um antiviral específico disponível, o tratamento é feito com antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação. 

O maior impacto da chikungunya ocorre quando ela evolui para a fase crônica, que pode atingir até metade dos pacientes. Nesses casos, a dor nas articulações pode perdurar por meses ou anos, prejudicando a qualidade de vida e impedindo atividades laborais. Um estudo da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, avaliou 500 pacientes e mostrou que uma em cada oito pessoas diagnosticadas com a arbovirose apresentou dor articular persistente por três anos após a infecção. 


Em outra pesquisa, cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte compararam um grupo de pacientes com chikungunya crônica e um grupo de pessoas saudáveis, e observaram diferenças significativas na saúde física e mental. Os indivíduos afetados pela forma crônica da doença tiveram um risco 13 vezes maior de desenvolver depressão, além de 76 vezes mais chance de ter problemas de locomoção.

Fonte _ Butantan

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Grammy 2026

 


Maior premiação da música dos Estados Unidos, o Grammy 2026 acontecerá neste domingo (1º), em Los Angeles.

g1 reúne abaixo as principais informações sobre o evento, os artistas indicados e as previsões de especialistas.

Quais cantores farão shows no Grammy 2026?

Entre os principais shows já confirmados desta edição, estão:

  • Lady Gaga
  • Bruno Mars
  • Justin Bieber
  • Addison Rae
  • KATSEYE
  • Lola Young
  • Olivia Dean
  • Clipse & Pharrell Williams
  • Sabrina Carpenter
  • Sombr
  • The Marías

Qual a previsão de especialistas sobre quem vai ganhar o Grammy 2026?

A disputa pelo maior prêmio, de Álbum do Ano, tem fortes concorrentes, incluindo Sabrina Carpenter, Justin Bieber e o novato Leon Thomas. Mas a maior parte dos especialistas prevê que a disputa fica entre Lady Gaga, Bad Bunny e Kendrick Lamar. E vai ser acirrado.

Pela lógica, Kendrick aparece como favorito lógico por liderar as indicações com “GNX”. Mas o fato de ele já ter sido um dos grandes vencedores de 2025 pode pesar contra.

Já Lady Gaga, a segunda mais indicada desta edição, nunca ganhou nas categorias principais e retornou com força no disco “Mayhem" — para alguns votantes, pode ser a oportunidade de reconhecê-la tardiamente pelo corpo de sua carreira. Ela é a principal aposta.

Mas se tem alguém que pode desbancar Gaga, é Bad Bunny. Ele fez história ao concorrer nas três categorias principais cantando em espanhol, com um álbum que bate de frente com o momento político americano. Mas a Recording Academy não costuma valorizar artistas que não cantam em inglês – resta saber se ele conseguirá quebrar esse padrão e convencer os votantes.

Nas categorias de Gravação e Música do Ano, o k-pop pode levar seu primeiro Grammy com “APT.”, de Rosé e Bruno Mars ou “Golden”, do filme "Guerreiras do K-Pop", respectivamente. Mas “Abracadabra”, de Lady Gaga, e “Luther”, de Kendrick Lamar e SZA também são grandes concorrentes.

O Brasil tem chances no Grammy 2026?

Desta vez, não tem Anitta. Os grandes nomes brasileiros para ficar de olho são Caetano Veloso e Maria Bethânia, que foram indicados à categoria de Melhor Álbum de Música Global pelo disco "Caetano e Bethânia Ao Vivo". E eles têm chances, sim, de levar.

Onde assistir à cerimônia do Grammy 2026?

No Brasil, a cerimônia será transmitida ao vivo pelo canal pago TNT e pela plataforma de streaming Max, a partir das 21h15 (horário de Brasília).

O comediante sul-africano Trevor Noah retorna como apresentador do Grammy, mantendo seu posto desde 2021.

Quem são os indicados ao Grammy 2026?

Veja abaixo os indicados nas principais categorias (e a lista completa aqui):

Álbum do Ano

  • Debi Tirar Más Fotos - Bad Bunny
  • Swag - Justin Bieber
  • Man's Best Friend - Sabrina Carpenter
  • Let God Sort 'Em Out - Clipse, Pusha T, Malice
  • Mayhem - Lady Gaga
  • GNX - Kendrick Lamar
  • Mutt - Leon Thomas
  • Chromakopia - Tyler, The Creator

Gravação do Ano

  • DtMF - Bad Bunny
  • Manchild - Sabrina Carpenter
  • Anxiety - Doechii
  • Wildflower - Billie Eilish
  • Abracadabra - Lady Gaga
  • Luther - Kendrick Lamar e SZA
  • The Subway - Chappell Roan
  • Apt. - Rosé, Bruno Mars

Música do Ano

  • Golden - HUNTR/X: EJAE, Audrey Nuna, Rei Ami (KPop Demon Hunters)
  • Luther - Kendrick Lamar, SZA
  • Manchild - Sabrina Carpenter
  • Wildflower - Billie Eilish
  • Dtmf - Bad Bunny
  • Abracadabra - Lady Gaga
  • Anxiety - Doechii
  • Apt. - Rosé, Bruno Mars

Artista Revelação

  • Olivia Dean
  • Katseye
  • The Marias
  • Addison Rae
  • sombr
  • Leon Thomas
  • Alex Warren
  • Lola Young

Fonte _ G1

Santa Missa 4º Domingo do Tempo Comum | Catedral N. Sª da Glória | Cruzeiro do Sul/Acre

 


Carretas de saúde do Agora Tem Especialistas já levaram atendimento especializado para 100 municípios de todo o Brasil

 


Em pouco mais de três meses, as carretas do Agora Tem Especialistas levaram atendimento especializado em saúde da mulher, oftalmologia e exames de imagem a 100 municípios de todos os estados. A iniciativa amplia a assistência no SUS, reduz o tempo de espera e já zerou filas por serviços especializados em pelo menos 15 cidades, incluindo diagnósticos de câncer de mama, exames ginecológicos, cirurgias de catarata e exames de imagem. 

Em Mauá (SP), onde celebrou o marco de 100 cidades a receberem as carretas do governo federal, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou mais uma rodada de deslocamento. A partir desta sexta-feira (30), o município paulista e outras 31 cidades de 20 estados começam os atendimentos nas carretas do governo federal com pacientes agendados e encaminhados pelos gestores de saúde locais. 

“O Agora Tem Especialistas nasceu para levar atendimento especializado para onde antes faltava, para encurtar distâncias, reduzir filas e garantir que a assistência chegue mais perto do povo. Já fizemos isso em 100 municípios por onde as carretas de saúde passaram, garantindo mais saúde, mais diagnósticos, mais tratamento. Hoje, ela chega aqui em Mauá e em outras cidades do Brasil, porque o nosso objetivo é continuar ampliando o acesso ao SUS onde ele é mais necessário”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.  

Hoje, na cidade paulista, o ministro lançou o início dos atendimentos na carreta de exames de imagem que vai beneficiar não apenas os mauaenses, mas, também, as pessoas que vivem nos municípios do entorno: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Na unidade móvel do governo federal, os pacientes encaminhados pelos gestores de saúde locais poderão ser submetidos a tomografias e ultrassonografias, essenciais para a descoberta precoce de doenças e para definição de condutas médicas. 

Com as novas carretas que hoje entram em operação, já são 47 unidades móveis cuidando dos brasileiros que vivem em locais de difícil acesso, com alta demanda por assistência especializada e cidades-polo. Elas contam com equipe multiprofissional e estão totalmente estruturadas com insumos e equipamentos. 

Filas zeradas e novos destinos

Até o final do ano, 150 carretas do Agora Tem Especialistas devem reforçar ainda mais o atendimento para a rede pública, reduzindo o tempo de espera e zerando filas, como aconteceu no período em que estiveram em Brasiléia (AC), Santana do Ipanema (AL), Tauá (CE), Crato (CE), Ceilândia (DF), Cariacica (ES), Taiobeiras (MG), Princesa Isabel (PB), Garanhuns (PE), Paracambi (RJ), Urucânia (MG), Parnamirim (RN), Ariquemes (RO), Canoinhas (SC) e Ribeirão Preto (SP). Nesse município paulista, o programa devolveu a visão para mais de 1 mil pessoas que fizeram cirurgia de catarata. 

Nesta nova rodada de deslocamento, as unidades móveis do governo federal chegam a estes municípios: Tarauacá (AC), Guarapari (ES), Tartarugalzinho (AP), Ribeira do Pombal (BA), Barreiras (BA), Acopiara (CE), Quixadá (CE), Porangatu (GO), Caxias (MA), Coxim (MS), Acará (PA), Mamanguape (PB), Sapé (PB), Telêmaco Borba (PR), Sepetiba (RJ), Cacoal (RO), Itabaiana (SE), Guaraí (TO), Mazagão (AP), Cruz das Almas (BA), Mauriti (CE), Inhumas (GO), Camanducaia (MG), Cajazeiras (PB), Mafra (SC), Mauá (SP), Serra Talhada (PE), Santa Cruz (RN), Salinas (MG), Eunápolis (BA), Várzea Grande (MT) e Porto Velho (RO). 

Todas as unidades móveis ofertam consultas especializadas. Além disso, as de saúde da mulher realizam mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginal e até biópsias para diagnosticar precocemente câncer de mama e de colo de útero; e as oftalmológicas, avaliações de bebês, crianças e adultos, ultrassons e cirurgias de catarata. Já as de exames de imagem contribuem para o diagnóstico precoce de doenças e decisões de condutas médicas, a partir da oferta de tomografias e ultrassonografias. 

Mais UPAS, policlínicas e maternidades

Também em Mauá (SP), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou três portarias que autorizam o repasse de mais de R$ 13 milhões para auxiliar na construção de três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no município. Os recursos possibilitarão à população mauaense uma estrutura moderna, acolhedora e eficaz para o atendimento em saúde. Os valores serão repassados ao Fundo Municipal de Saúde, responsável pela gestão dos recursos e pela prestação de contas ao Ministério da Saúde sobre o andamento das obras. 

Em Guarulhos (SP), o ministro anunciou outra medida do Agora Tem Especialistas: a construção de uma policlínica no município com recursos do Novo PAC, garantidos pela pasta. São R$ 30 milhões de investimento federal na unidade: R$ 17 milhões para as obras e R$ 13 milhões para a aquisição de equipamentos. 

“O Ministério da Saúde, junto com o governo federal, está fazendo o maior investimento da história em infraestrutura do SUS: são R$ 31,5 bilhões pelo Novo PAC para construir unidades, ampliar a oferta especializada, equipar serviços e garantir mais atendimentos. O impacto dessa policlínica aqui, de Guarulhos, vai ser enorme, porque, ao atender as regiões do entorno, mais de um milhão de pessoas serão beneficiadas”, destacou Padilha nesta sexta-feira (30), durante a cerimônia que autorizou o início das obras. 

A nova policlínica viabilizará a ampliação da oferta de serviços em especialidades médicas, o fortalecimento da continuidade do cuidado em todas as faixas etárias, além de contribuir para reduzir complicações de doenças crônicas, diminuir hospitalizações e a fila de espera por consultas e exames especializados no município e região. 

Com recursos do Novo PAC Saúde, além de Guarulhos, hoje outras obras também tiveram autorização para começarem: uma policlínica em Nova Iguaçu (RJ) e uma maternidade em Águas Lindas de Goiás (GO). Na quarta-feira (28), o mesmo aconteceu em Japeri (RJ), que ganhará uma maternidade; e na segunda-feira (2), será em Várzea Grande (MT). Para a construção dessas três maternidades e duas policlínicas, o investimento total chega a R$ 369 milhões do Novo PAC Saúde. 

Outras assinaturas para construção de novos estabelecimentos de saúde estão previstas para a próxima semana.

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