domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Atendimento especializado em hospital do Butantan reverte quadro grave de paciente picado por jararaca: “a ciência salva”
Registro da família Braga durante a trilha em Garopaba (SC)
O mar cristalino e a natureza exuberante da praia da Ferrugem encantaram a família Braga, que havia deixado o urbano bairro do Jabaquara, na capital paulista, para passar as festas de fim de ano em Garopaba, no litoral catarinense.
Em
20 de dezembro de 2025, o pai José, de 69 anos, a mãe Maria, de 66 anos, e a
filha Amanda, de 37 anos, se instalaram em uma pousada no município localizado
a 90 km ao sul da capital Florianópolis, ansiando por explorar o encontro do
mar azul com a lagoa cor de ocre, que dá nome à famosa praia.
No
dia seguinte, com roupas de banho e chinelos nos pés, decidiram fazer uma
trilha por um dos morros locais, rodeados de Mata Atlântica, que chegaria até a
praia. Tudo ao redor parecia maravilhoso e um convite para dezenas de selfies.
Mas, no meio do caminho, tinha uma serpente, e o que aconteceu depois disso a
família nunca mais vai esquecer.
“Estávamos
apreciando aquele lugar lindo, mas, de repente, senti uma picada no dedo
mindinho do pé esquerdo. Como não doeu muito, eu segui. Depois de uns 20 metros
senti a vista escurecer e precisei parar”, conta José Cavalcanti Braga, que é
representante comercial de uma distribuidora de medicamentos em São Paulo.
Imprecisão
no diagnóstico atrasa tratamento
Ninguém
tinha certeza de que se tratava de uma cobra, mas a família preferiu levar
Braga, como o pai é conhecido, à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) mais
próxima. A hipótese de acidente ofídico foi descartada pela equipe médica, e o
cearense natural de Mauriti recebeu um analgésico intravenoso, além de uma
receita de antibiótico, e foi liberado.
No
dia seguinte, o patriarca, sempre disposto, estava prostrado, com o pé esquerdo
inchado e hematomas espalhados pelo corpo. A família retornou à unidade de
saúde, onde outro médico pediu um exame de sangue que não teria apresentado
nenhuma anormalidade. “O médico mudou o antibiótico e acrescentou um corticoide
e um anti-inflamatório. Comprei os remédios na farmácia, mas senti que o corpo
e as mãos começaram a ficar mais doloridos e roxos”, relembra.
A imprecisão no diagnóstico desesperou a família, que resolveu voltar para São Paulo para ouvir outra opinião médica. Em um hospital particular, Braga já apresentava sangramentos pelo corpo e na urina, dificultando a realização de novos exames. Um médico que analisou o quadro desconfiou de envenenamento por inseto e ligou na noite do dia 23/12 para o Hospital Vital Brazil (HVB), localizado no Instituto Butantan, o único do país especializado no atendimento de acidentes causados por animais peçonhentos.
Somente
o soro cura envenenamento
A
equipe do HVB analisou fotos e exames e constatou que as equimoses extensas, o
distúrbio de coagulação e os dois pontos de picada no pé de Braga condiziam com
uma picada de jararaca. Por isso foi recomendada a remoção do representante
comercial para a unidade. O patriarca chegou de ambulância no dia 24/12, por
volta das 6h.
“Era
um quadro potencialmente grave. Se ele tivesse continuado sem o soro, poderia
evoluir para complicações renais ou hemorragias graves. Nesses casos, não
adianta tentar corrigir só os sintomas, usar antibiótico, porque somente o soro
neutraliza o veneno e interrompe todo o processo do envenenamento”, afirma a
infectologista Roberta Piorelli, médica do HVB que atendeu José Braga.
O
representante comercial ficou impressionado com o atendimento do hospital
público. “A doutora Roberta me acolheu, me examinou e falou ‘o senhor foi
picado por uma jararaca e vamos aplicar seis ampolas de soro antibotrópico’.
Ela sabia o que estava fazendo, senti uma segurança muito grande”, conta.
Braga
também se surpreendeu com a sua rápida recuperação após receber o antídoto. “O
soro tirou toda aquela dor com a mão. Em poucas horas eu saí da emergência e
fui para o quarto. Tive alta no dia seguinte.”
Geralmente,
pacientes que sofrem acidente por animal peçonhento ficam mais tempo no
hospital em observação. Mas, dada a ótima recuperação de Braga, a equipe médica
do HVB o liberou para passar o Natal em casa, desde que ele voltasse para
algumas consultas ambulatoriais. Depois de um mês, e algumas idas ao hospital,
ele já havia se recuperado totalmente.
Maria Cavalcanti Braga lembra com gratidão do atendimento que o marido teve no HVB. “Eles salvaram a vida dele e temos que ser gratos. Chega a ser emocionante porque foi um susto e tanto. Temos que confiar no SUS [Sistema Único de Saúde] e na ciência. A ciência salva”, diz.
O
que fazer e o que não fazer se for mordido por serpente
Roberta
Piorelli alerta que o uso de calçados inadequados é um dos principais fatores
de risco de acidentes com serpentes. “O ideal é não andar em trilhas de chinelo
ou descalço. Mesmo um sapato fechado não impede totalmente a picada, mas reduz
bastante a gravidade da lesão”, orienta.
A
infectologista também destaca a importância de observar atentamente o solo, já
que as serpentes se camuflam na mata, e de procurar imediatamente um serviço de
saúde em caso de acidente.
“Se
for possível e seguro, tire uma foto do animal. Cada região tem uma fauna
diferente, e as características da picada nos ajudam a orientar os colegas
médicos desde o primeiro atendimento”, explica.
Roberta
reforça que práticas populares podem agravar o quadro e devem ser evitadas:
“Não
façam torniquete. Isso não impede o veneno de se espalhar e ainda piora
a circulação, aumentando o risco de necrose. Não façam cortes, não tentem sugar
o veneno, não passem substâncias caseiras como álcool, querosene, urina,
plantas ou qualquer outro produto no ferimento”, alerta.
A
recomendação correta é simples: lave o local com água e sabão e busque
atendimento médico o mais rápido possível.
“O
mais importante é não perder tempo e, na dúvida, ligar para o Hospital
Vital Brazil. Recebemos fotos da lesão, do animal, os exames e orientamos a
condução do caso, além de indicar onde há soro disponível. Informação e rapidez
salvam vidas”, conclui.
Telefones:
(11) 2627-9528 / 2627-9529 / 2627-9530 /
hvb.administracao@butantan.gov.br
Endereço:
Av. Vital Brasil, 1.500, ao lado do heliponto.
24hs - Assistência médica gratuita
Fonte _ Butantan
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
FioCruz atua na preparação do SUS para eventual resposta ao vírus Nipah
Em
sintonia com a avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e
do Ministério da Saúde (MS) sobre o baixo risco de uma pandemia
causada pelo vírus Nipah (NiV), a Fiocruz atua no
apoio à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) nos campos do
diagnóstico e da assistência. Com dois casos confirmados na Índia e sem
registro de circulação do vírus fora do Sudeste Asiático, o cenário atual não
apresenta evidência de disseminação internacional ou risco para a população
brasileira.
“Até
o momento, o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia”, assegura a
coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz,
Tânia Fonseca. “Eventualmente, surgem surtos de Nipah. Isso já aconteceu na
Malásia, em Singapura, na Índia, em Bangladesh, nas Filipinas e, atualmente, de
novo na Índia. O vírus está na lista de patógenos prioritários da OMS, ao lado
de outros com provável potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada”,
enfatiza Fonseca ao explicar que não há qualquer indicação de risco no Brasil e
que é papel da Fiocruz deixar sua estrutura e conjunto de especialistas
preparados diante de uma possibilidade.
No
país, a eventual análise de amostras suspeitas será centralizada no Laboratório
de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergenciais Virais (IOC/Fiocruz),
nomeado como Laboratório de Referência do MS para o vírus Nipah. O Instituto
Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), por sua
vez, assume o papel de unidade hospitalar de referência para assistência em
casos suspeitos.
Transmissão
zoonótica
Com
transmissão associada principalmente a morcegos frugívoros da família
Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras, o transbordamento do vírus e
consequente infecção pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados por
contato com saliva ou urina dos morcegos ou, mais raramente, por contato direto
entre pessoas ou com superfícies contaminadas. Esses morcegos, considerados os
hospedeiros naturais do vírus Nipah, não estão presentes no Brasil.
O
coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli, explica que
as espécies hospedeiras ocorrem na Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões
da África. “Não existem raposas-voadoras no Brasil e nem nas Américas. Além
disso, não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies que
ocorrem aqui no Brasil”, comentou.
O
especialista destaca ainda que “os morcegos desempenham importantes serviços
ecossistêmicos como dispersores de sementes, polinizadores, predadores de
insetos que são pragas agrícolas ou vetores de agentes infecciosos que causam
doenças em humanos e animais e, como qualquer outro grupo animal, têm
importante papel na manutenção de ecossistemas”.
O
fluxo operacional e os protocolos de diagnóstico para o vírus Nipah foram
alinhados pela Fundação e pelo MS em caráter preventivo. O planejamento
estratégico, que assegura a disponibilidade de kits diagnósticos em eventual
necessidade, foi validado junto à Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde
Pública (CGLAB).
Fonte _ FioCruz
Ministério da Saúde inicia transição de tratamento de diabetes no SUS com ampliação do uso de insulina mais moderna
O Ministério
da Saúde iniciou o processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a
insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no SUS.
A iniciativa representa um avanço histórico para o cuidado de pessoas que vivem
com Diabete Melito no Brasil e
amplia as opções terapêuticas na rede pública de saúde. É um medicamento mais
moderno, de ação prolongada, que facilita a rotina dos pacientes.
O
projeto-piloto será realizado inicialmente no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito
Federal, contemplando crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com
diabetes tipo 1, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A
estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase.
“A
expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da
importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso é parte de uma
política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do
SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir
medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, destaca o
ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Depois de duas décadas, o Brasil voltou
a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”,
reforça.
A
glargina é uma insulina de ação prolongada – de até 24 horas, facilitando a
manutenção dos níveis de glicose – e de aplicação única no dia. A transição
será feita de forma gradual, a partir da avaliação de cada paciente. Nos quatro
estados, o Ministério da Saúde está promovendo treinamento para auxiliar os
profissionais de saúde da Atenção Primária. Após os primeiros meses,
será feita uma avaliação dos resultados para construção de um cronograma de
expansão para os demais estados do país.
O
tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250, para dois meses, na
rede privada. A ampliação da sua oferta no SUS está alinhada às melhores
práticas internacionais.
Desenvolvimento
tecnológico e autonomia do SUS
A
expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de Parceria para o
Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo o laboratório público
Bio-Manguinhos, da Fiocruz, com a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a
chinesa Gan & Lee. A iniciativa prevê a transferência desta tecnologia para
o Brasil, reforçando o compromisso do atual governo com o fortalecimento da
soberania nacional na produção de medicamentos, vacinas e demais insumos de
saúde.
Em
2025, por meio desta parceria, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do
medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é chegar ao final
de 2026 com capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para o
abastecimento do SUS.
A
autonomia na produção de insulina é fundamental diante de cenário de escassez
global deste insumo. Além da parceria para produção de insulina glargina, o
Ministério da Saúde promoveu também parceria para a fabricação nacional da
insulina NPH e regular, em frascos e tubetes. A parceria envolve a farmacêutica
indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a
Biomm. A transferência de tecnologia entre as empresas já teve início, com
contrato que prevê a produção e entrega de 8 milhões de unidades até 2026.
Dessas, quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões
do governo federal.
Monitoramento
contínuo na rede pública
A
transição é resultado do Grupo de Trabalho da Insulina, implementado pelo
Ministério da Saúde em novembro de 2025, que realizou diversos estudos para
oferecer mudanças e melhorias na insulinoterapia do SUS, considerando o cenário
de restrição global na produção de insulina NPH e regular.
A
escolha dos territórios considerou critérios de representatividade regional e
capacidade de implementação, permitindo a avaliação de diferentes realidades do
país.
Todo
o processo de transição será acompanhado pelo Ministério da Saúde por meio de
monitoramento contínuo de dados e capacitações das equipes das Secretarias
Estaduais e Municipais de Saúde. As formações iniciais, realizadas em parceria
com a Fiocruz e a Biomm, abordam o uso adequado das canetas aplicadoras de
insulina e a administração correta do medicamento.
Os
treinamentos iniciaram no dia 27 de janeiro e devem encerrar até meados de
fevereiro. Ao final deste ciclo, as equipes de saúde, diretamente envolvidas na
condução da transição, estarão aptas para iniciar o processo em seus
territórios.
SUS
oferta tratamento integral aos pacientes com diabetes
O
SUS garante assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico,
e monitoramento até o tratamento, conforme o quadro clínico de cada paciente. A
Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada e o responsável pelo
acompanhamento contínuo realizado por equipes multiprofissionais. Atualmente,
são ofertados quatro tipos de insulina: humanas NPH e Regular, e análogas de
ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para o tratamento do
diabetes mellitus.
Fonte _ Saúde.gov
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas e Opas emite alerta
O
aumento na quantidade de casos de sarampo no
continente americano fez a Opas (Organização
Pan-Americana de Saúde) emitir
um alerta para os países. O número cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025.
O
comunicado do escritório regional da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma
que os números da doença em 2025 e no começo de 2026 são um indicativo de que
os Estados precisam agir imediatamente e de maneira coordenada.
Segundo
a Opas, em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo nas Américas,
incluindo 29 óbitos –dos quais 22 (73%) ocorreram na população
indígena. "Esse total representa um aumento de 32 vezes em
comparação com os 466 casos notificados em 2024", afirma a organização. Em
2026, já são mais de 1.031 casos.
O
ano de 2025 teve o maior número de casos confirmados desde 2019, quando foi
registrado o maior número dos últimos 22 anos, com 23.269 registros.
"A
Opas insta os Estados Membros a reforçarem, com caráter prioritário, as
atividades de vigilância e vacinação de
rotina e a garantirem uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos",
diz trecho do alerta epidemiológico.
A
organização também indica aos Estados atividades complementares de vacinação,
isto é, além das que já são desenvolvidas rotineiramente.
Diversos
países das Américas têm reportado aumento de casos de sarampo, uma doença que
já foi considerada extinta. O aumento das infecções é resultado na queda de
imunização, um movimento a nível global que ganhou força a partir de 2019, com
a pandemia de Covid.
Autoridades
de saúde do continente adotam diferentes estratégias para tentar elevar os
percentuais de vacinação. A província de Mendoza, na Argentina,
é um exemplo. Denunciou 15 pessoas por não vacinarem seus filhos, o que é
obrigatório por lei naquele país. A cidade de São Paulo registrou dois casos de
sarampo no ano passado.
A
Opas afirma que o aumento de casos confirmados em 2025 é puxado por comunidades
com baixa aceitação vacinal em vários países. A faixa etária mais atingida é de
10 a 19 anos, respondendo por 24% do total.
No
Brasil foram confirmados 38 casos, distribuídos por seis estados e Distrito
Federal. Dez foram contraídos fora do país.
Os
casos foram confirmados em Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2),
São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Maranhão (1) e Distrito Federal (1).
Casos
de sarampo em países americanos
- Argentina: 36
- Belize: 44
- Bolívia: 597
- Brasil: 38
- Canadá: 5.436 - 2
mortes
- Costa Rica: 1
- El
Salvador:
1
- Estados
Unidos:
2.242 - 3 mortes
- Guatemala: 1
- México: 6.428 - 24
mortes
- Paraguai: 49
- Peru: 5
- Uruguai: 13
Nos
Estados Unidos, a situação é epidêmica, com um surto na Carolina do Sul que já
ultrapassa 600 casos. O surto, o pior do país em mais de 30 anos, acontece em
meio à desconfiança pública com as vacinas, movimento encabeçado pelo grupo
político de Donald Trump.
Fonte _ Folha/SP
Chikungunya: como se proteger da doença que corre risco de causar nova epidemia, segundo OMS
A
chikungunya é uma doença viral, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e
Aedes albopictus, que vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil
e no mundo.
Até
agosto de 2025, aproximadamente 317 mil casos e 135 mortes foram relacionados à
chikungunya em 16 países e territórios das Américas, África, Ásia e Europa, de
acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).
Destes, quase 120 mil casos e 106 mortes foram relatados no Brasil, o país com
a maior incidência e o maior número de óbitos pela doença das Américas, segundo
a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).
“A
chikungunya é uma doença endêmica no Brasil, com surtos mais intensos em
períodos chuvosos e regiões de clima quente, e com o mosquito adaptado às áreas
urbanas. Por isso, precisamos manter atenção constante, mesmo fora de grandes
epidemias, porque o risco sempre existe”, explica o gestor médico do Butantan,
Eolo Morandi.
No
Brasil, em 2025, foram notificados mais de 125 mil casos e 121 óbitos, segundo
o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde.
Os estados de Mato Grosso (49.377), Mato Grosso do Sul (13.485) e Rondônia
(4.671) registraram os maiores números de casos prováveis e os maiores
coeficientes de incidência de casos por 100 mil habitantes no país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o
risco de uma epidemia global de Chikungunya devido a três fatores: mudanças
climáticas, aumento da urbanização e de viajantes para áreas endêmicas. O
Brasil responde por 96% dos casos confirmados e 72% das mortes nas Américas,
segundo o boletim mais recente da organização.
"A
chikungunya não é uma doença amplamente conhecida, mas foi detectada e
transmitida em 119 países em todo o mundo, colocando 5,6 bilhões de pessoas em
risco", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS e líder da equipe de
arbovírus, em Genebra, durante anúncio em julho deste ano.
Como
diferenciar a dengue da chikungunya?
A
chikungunya e a dengue podem ser facilmente confundidas no exame clínico, por
terem sintomas semelhantes. Ambos os vírus são transmitidos no Brasil pela
picada do Aedes aegypti e se manifestam através de febre, dor
de cabeça, dor atrás dos olhos, vômitos e mal-estar. No entanto, a principal
diferença, segundo Eolo Morandi, está na dor nas articulações típica da
chikungunya.
“A
chikungunya causa dores articulares muito mais intensas e prolongadas. É comum
o paciente sentir dor até nas grandes articulações e ficar bastante debilitado
por semanas ou meses. Já a dengue costuma causar quadros mais graves e
internações, mas seus sintomas duram menos tempo”, explica.
O
nome chikungunya deriva de uma palavra na língua Kimakonde, do sul da Tanzânia,
que significa “aquilo que se curva” e descreve a postura
contorcida de pessoas infectadas com fortes dores nas articulações. A doença
foi descrita pela primeira vez na Tanzânia em 1952 e o vírus foi isolado pela
primeira vez na Tailândia em 1958.
“Em
alguns casos, especialmente entre pessoas com comorbidades como diabetes,
hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas, as dores podem se tornar
crônicas, persistindo por três a cinco anos e comprometendo a qualidade de
vida”, afirma o gestor médico.
Diagnóstico
e evolução da doença
O
diagnóstico é feito tanto clinicamente, pelos sintomas, quanto
laboratorialmente. “Nos primeiros 5 a 7 dias da infecção, pode-se usar o exame
de sangue PCR viral para determinar a presença do vírus. Após 10 a 15 dias, a
identificação pode ser feita pela presença de anticorpos no organismo, que
confirmam o contato com o vírus”, explica Eolo Morandi.
A
preocupação central é a cronificação das doenças articulares, ou seja, quando
os sintomas de dor nas articulações se tornam duradouros ou permanentes.
Pessoas que apresentam a doença articular nos primeiros 7 dias e têm
comorbidades associadas correm mais o risco de ter dores crônicas. As
comorbidades que predispõem a essa condição incluem diabetes, hipertensão,
obesidade, artrites reumatoides ou doenças neurológicas.
“Quando
o quadro se cronifica, ele pode persistir por um longo período, até 36 meses.
Essa persistência, mesmo após o período inflamatório agudo, debilita e limita a
pessoa, comprometendo suas atividades diárias e laborais”, afirma Eolo Morandi.
Apesar
de geralmente apresentar um quadro leve e não levar a hospitalizações, a
chikungunya pode deixar marcas duradouras. “Quem tem chikungunya não esquece,
pois ela causa um quadro bem típico, com potencial complicações de longo prazo
e a pessoa fica muito debilitada”, ressalta o médico.
Quem
corre mais risco de complicações?
A
chikungunya pode causar complicações ainda mais sérias em recém-nascidos e em
idosos. Os bebês ainda não têm o sistema imunológico completamente formado,
enquanto os idosos costumam apresentar uma resposta imune enfraquecida, o que é
característico dessa fase da vida.
Estudos
também sugerem que mulheres -que no Brasil representam 60% dos casos- têm
maior chance de apresentar dores articulares severas, possivelmente por fatores
hormonais e imunológicos. Porém, são necessários mais estudos para que essas
associações sejam confirmadas.
“As
mulheres costumam buscar mais o serviço de saúde, e os casos acabam sendo mais
diagnosticados entre elas”, ressalta Eolo, citando outro fator que pode estar
relacionado à maior notificação dos casos de chikungunya em mulheres.
O
impacto do clima no aumento de casos
As
mudanças climáticas também influenciam a expansão da chikungunya. “Com o
aumento das temperaturas em zonas temperadas, os mosquitos como o Aedes
albopictus começaram a se multiplicar mais intensamente na Europa e
nos Estados Unidos”, explica Eolo Morandi.
Enquanto
no Brasil o vetor da Chikungunya é o Aedes aegypti, em locais como
a América do Norte e a Europa os casos estão mais atrelados a picadas do Aedes
albopictus.
Vacinação
pode conter surtos futuros
Justamente
pelo impacto das mudanças no clima é que uma vacina contra a chikungunya se
mostra cada vez mais necessária.
Em
abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a
vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em
parceria com a farmacêutica Valneva.
“O
objetivo no Brasil é conter surtos e reduzir o impacto da doença. Como somos um
país endêmico, a vacinação tem um papel importante no controle epidemiológico”,
afirma Eolo Morandi.
Prevenção
continua sendo essencial
Enquanto
a vacina não chega à população, o controle do mosquito continua sendo essencial
para evitar surtos.
“A
vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os cuidados com o mosquito.
O combate ao vetor é responsabilidade de todos”, reforça o gestor médico.
Para
evitar a proliferação do inseto, evite deixar água parada em vasos, caixas e
pneus; use repelente e roupas que cubram braços e pernas; mantenha o quintal
limpo e calhas desobstruídas; colabore com as ações de fiscalização e controle
do mosquito.
Fonte _ Butantan
Estudo apresenta panorama do surto histórico de dengue em 2024
O
surto de dengue que atingiu Minas Gerais em 2024 impôs pressão inédita aos
serviços de saúde. Foi nesse contexto que pesquisadores da Fiocruz, em parceria
com a Universidade Federal de Minas (UFMG), conduziram um estudo que hoje
funciona como um retrato detalhado da epidemia, reunindo dados clínicos,
laboratoriais e epidemiológicos de pacientes hospitalizados. Publicada
no Journal of Medical Virology, a pesquisa acompanhou 556
pacientes internados no Hospital Eduardo de Menezes, referência em doenças
infecciosas no estado, entre os meses de março e maio de 2024. Desse total, 169
pacientes tiveram dados clínicos e laboratoriais completos analisados de forma
detalhada.
Os
pesquisadores da Fiocruz Minas conseguiram responder quais sorotipos estavam
circulando, quem eram os pacientes mais graves, quais exames ajudavam a prever
complicações e, principalmente, se os casos atendidos no hospital refletiam o
que acontecia na população em geral. “Era uma preocupação nossa entender melhor
esse quadro. E a gente viu que os pacientes do hospital espelhavam exatamente o
que estava circulando em Belo Horizonte e na região metropolitana”, explica o
pesquisador Pedro Augusto Alves, um dos coordenadores do estudo.
As
análises confirmaram a ampla predominância do vírus dengue tipo 1 (DENV-1),
responsável por 86% das infecções identificadas. O tipo 2 respondeu por 12% dos
casos e o tipo 3 apareceu de forma residual. A proporção praticamente coincidiu
com a observada em estudos de vigilância realizados com a Prefeitura de Belo
Horizonte, envolvendo pacientes que não chegaram a ser internados, um
indicativo de que a coorte hospitalar refletia com fidelidade o cenário
epidemiológico do território. “Podia ser que a internação estivesse mais
associada a um sorotipo específico, diferente do que estivesse predominante.
Mas não. A proporção era praticamente a mesma: 86% de dengue 1, 12% de dengue 2
e alguns casos de dengue 3”, relata Pedro.
Do
ponto de vista laboratorial, cerca de 60% dos casos confirmados foram
detectados por métodos moleculares, como PCR. O número é considerado expressivo
porque muitos pacientes já chegavam ao hospital com vários dias de sintomas,
quando a carga viral e, consequentemente a chance de detecção, tende a cair.
Já a
sorologia, exame que detecta o nível de anticorpos, mostrou que 78% dos
pacientes apresentavam IgM positivo, um tipo de anticorpo compatível com
infecção recente, e 92% tinham IgG, que indica contato prévio com o vírus. “O
IgG alto mostra que a maioria absoluta já tinha tido dengue antes. Ou seja,
estávamos lidando principalmente com segunda ou terceira infecção, não com
primo-infecção”, explica o pesquisador. Esse dado ajuda a entender a dinâmica
do surto e reforça a complexidade imunológica envolvida em epidemias
sucessivas.
Outro
importante resultado do estudo foi a indicação da trombocitopenia, que é a
queda no número de plaquetas, como marcador clínico de gravidade. A equipe
conseguiu acompanhar esse indicador ao longo dos dias de internação, produzindo
informações úteis para a prática médica.
“A
queda no número de plaquetas era um dos sinais mais considerados para definir
pela necessidade de internação. Durante uns oito dias você via a queda, depois
entre o oitavo e o décimo dia começava a melhorar. Mas tinha um grupo que não
se recuperava e ficava internado por mais tempo”, conta Pedro. Segundo ele,
esse indicador ajudou a diferenciar pacientes com evolução mais favorável
daqueles com risco maior de complicações, como extravasamento de plasma e
choque. “Acompanhar a trombocitopenia ao longo da internação é importante para
entender quem pode evoluir para casos mais graves”.
O
estudo também observou tendência de quadros mais severos associados ao sorotipo
2, algo já descrito na literatura científica. “Na literatura existem relatos de
dengue 2 relacionado a doença mais grave. O nosso trabalho reforça essa
preocupação”, diz. “Se esse sorotipo aumentar de circulação numa população já
sensibilizada pelo dengue 1, pode haver mais casos graves”.
Diagnóstico
em meio à crise
Além
de gerar conhecimento científico, a pesquisa teve impacto direto na
assistência. O estudo começou quase como uma operação emergencial. Com a
explosão de casos, o hospital recebia diariamente pacientes com sinais de
alarme, mas muitos testes rápidos davam negativo. Isso criava insegurança
clínica: era dengue mesmo ou outra doença? “O hospital ficou numa situação meio
no escuro”, lembra Pedro. “Entravam muitos pacientes com sintomatologia típica,
mas sem confirmação”.
Como
os testes rápidos têm menor sensibilidade, especialmente após vários dias de
sintomas, muitos resultados eram falsos negativos. “A primeira resposta nossa
foi diagnóstico. Ajudar o hospital a entender se aquilo tudo era dengue mesmo”.
Com a combinação de PCR e sorologia, o grupo conseguiu oferecer respostas mais
precisas, reduzindo incertezas e apoiando a tomada de decisão médica. “Essa
junção das duas tecnologias foi fundamental. O hospital passou a entender
melhor quem era o paciente que estava internando”, afirma o pesquisador.
Realizar
uma investigação dessa magnitude durante uma epidemia exigiu mobilização
institucional. Segundo Pedro, o trabalho só foi possível graças a parcerias já
estabelecidas com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o Hospital
Eduardo de Menezes, a UFMG e o laboratório de vigilância da Fiocruz Minas, o
Vigilab. O laboratório dispõe de equipamentos automatizados que permitem
processar grande volume de amostras rapidamente, algo essencial em surtos.
“Sem
o Vigilab, esse estudo não teria sido viabilizado. A gente só consegue
processar esse número de amostras por conta do sistema automatizado. Em grandes
epidemias, é impossível diagnosticar todo mundo. Mas a vigilância bem
estruturada consegue dar respostas rápidas para o sistema”, destaca.
O
trabalho também abriu caminho para novas pesquisas, especialmente na área de
vigilância genômica. Parte dos vírus já foi sequenciada para identificar não
apenas o sorotipo, mas genótipos e linhagens específicas, informações
importantes para rastrear a evolução do vírus e comparar a circulação entre
regiões. “Não é só dengue 1, 2 ou 3. Dentro de cada sorotipo existem linhagens
diferentes”, explica. “Isso ajuda a entender como o vírus está evoluindo
localmente e como se relaciona com o de outros estados”.
Esses
dados também alimentam bancos históricos que permitirão análises futuras. “Pode
ser que em 2035 alguém queira comparar um dengue 2 com o que sequenciamos
agora. Se a gente não sequenciar hoje, essa informação se perde”. O
sequenciamento é realizado no âmbito da Rede Genômica Fiocruz, criada durante a
pandemia de Covid-19 e hoje ampliada para outros vírus. A Fiocruz Minas é uma
das que mais sequenciam arbovírus no país.
Legado
Além
de descrever o passado recente, o estudo deixa lições para o enfrentamento das
próximas epidemias, pois demonstra a importância de integrar assistência
hospitalar, diagnóstico laboratorial, vigilância epidemiológica e pesquisa
científica, além de reforçar a necessidade de preparação contínua. “Foi uma
força-tarefa gigantesca, mas mostrou que a gente consegue dar respostas rápidas
quando existe estrutura e parceria”, avalia Pedro.
Com
a perspectiva de ampliação da vacinação e a circulação dinâmica de sorotipos,
como o reemergente dengue 2, o monitoramento constante será cada vez mais
estratégico. “O cenário ainda é de muita incerteza. Por isso, esses dados são
fundamentais para orientar decisões clínicas e de saúde pública”, ressalta o
pesquisador.
Fonte _ FioCruz
SUS passa a oferecer imunobiológico para proteger bebês e crianças com comorbidades contra a bronquiolite
O Ministério
da Saúde iniciou a oferta no SUS do
nirsevimabe, anticorpo que garante proteção imediata contra o vírus sincicial
respiratório, principal causa de bronquiolite e de internações
em bebês. A estratégia é voltada a recém-nascidos prematuros, com idade
gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com
comorbidades. Com 300 mil doses distribuídas, todos os estados estão
abastecidos para o início imediato da aplicação.
Diferentemente
da vacina tradicional, o nirsevimabe é um anticorpo pronto que
atua logo após a administração, sem a necessidade de estimular o organismo a
desenvolver resposta imunológica ao longo do tempo. A incorporação do
imunizante complementa as estratégias já adotadas pelo SUS para prevenir casos
graves de bronquiolite em bebês.
Em
dezembro, o Ministério da Saúde disponibilizou no SUS, de forma
inédita, a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes a partir
da 28ª semana de gestação, estratégia que protege o bebê ainda durante a
gravidez. Desde o início da vacinação, mais de 1 milhão de doses foram
disponibilizadas, com cerca de 425 mil aplicações realizadas até o
momento.
Com
a ampliação das estratégias de prevenção, o Ministério da Saúde se antecipa ao
pico sazonal da bronquiolite, que ocorre a partir de março, e garante proteção,
prevenção e cuidado integral às crianças, contribuindo para a redução de casos
graves e de hospitalizações.
Quem
pode receber o imunizante?
O nirsevimabe é destinado
a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6
dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas: cardiopatia
congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave,
síndrome de Down, fibrose cística, doença
neuromuscular e anomalias congênitas das
vias aéreas.
Por
que a oferta pelo SUS é fundamental
O vírus
sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de
bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois
anos.
Em
2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave
(SRAG) por vírus respiratórios de importância em saúde pública. Desse total,
43.946 casos (36,6%) foram diagnosticados como vírus sincicial respiratório
(VSR). Entre os casos de VSR, mais de 36.218 hospitalizações ocorreram em
crianças menores de dois anos, o que corresponde a 82,5% dos registros no
período.
Fonte _ Saúde.gov
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Esporotricose humana entra na lista de notificação compulsória no Brasil
A
esporotricose humana entrou na lista de notificação compulsória do Ministério
da Saúde. A medida vigora desde o dia 23 de janeiro.
Conhecida
no passado como "doença do jardineiro", a infecção é
causada por fungos do gênero Sporothrix, presentes no solo,
em plantas,
madeira e matéria orgânica em decomposição, o que explica o nome popular. Ela
também pode ser transmitida por pets, como
os gatos.
Esse meio de transmissão é hoje o principal no Brasil.
A
regra ocorre após pequenos surtos urbanos da doença no país. Em 2023, um alerta
da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) classificou
a transmissão como descontrolada. Segundo o Ministério da Saúde, a
obrigatoriedade de notificação auxilia no rastreamento da doença para o
controle das infecções e no planejamento de ações conjuntas entre a saúde e
o controle de zoonoses.
Em
humanos, a doença costuma se manifestar como um nódulo ou ferida
na pele, que pode evoluir ao longo dos vasos linfáticos e formar uma
sequência de lesões. Elas não têm uma forma específica e exigem biópsia para um
diagnóstico preciso, segundo a dermatologista Christiana Blattner, da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Dermatológica.
Na
maioria dos casos, a infecção fica restrita à pele e ao tecido subcutâneo,
camada imediatamente abaixo da superfície do corpo. A doença, contudo, pode se
tornar mais grave em pessoas com a imunidade comprometida, atingindo outros
órgãos, como pulmões, ossos, articulações e até o sistema nervoso central. Essa
forma ocorre principalmente em pacientes com HIV, câncer,
uso prolongado de corticoides ou transplantados, e pode causar infecções graves
e dores intensas.
"É
bem raro, mas, se ocorrer, o problema pode se agravar. Daí a necessidade do
diagnóstico precoce", explica a médica.
Já
nos animais,
especialmente nos gatos, a doença tende a ser mais agressiva, com múltiplas
feridas abertas, secreção abundante e maior capacidade de transmissão. A médica
destaca que os animais, assim como os humanos, são vítimas da infecção, e não
responsáveis. Assim, devem receber os mesmos critérios de precaução dispensados
às pessoas.
"O
fungo está na terra, nas plantas; o gato não
é o hospedeiro vilão, mas sim vítima", explica Christiana. Pela facilidade
de contato com o fungo, há risco de infecção em ambientes de lazer, como
parques e praias, mas é possível se prevenir sem pânico.
"Usar
calçado, luvas e blusas de manga comprida ao manusear plantas e árvores, por
exemplo, é uma forma de evitar o contato com o fungo", diz a médica. A
infecção, ela destaca, ocorre quando há um trauma na pele, como um arranhão em
espinhos, ou uma mordida do pet.
"É
bom lembrar que jardineiros e profissionais que trabalham com animais devem
usar equipamentos de proteção para evitar os riscos. Trata-se de uma doença que
não mata, mas causa lesões importantes", explica Juvencio Furtado,
infectologista do Hospital Heliópolis.
Para
Furtado, a notificação compulsória auxilia no controle de focos. "Com a
notificação, verificam-se os locais de infecção, entende-se como as pessoas
adquiriram a doença e se existem animais infectados. Com isso, é possível
orientar a prevenção a partir do perfil dos infectados."
"A
notificação também revela a quantidade de casos no Brasil, faz barulho, dá
visibilidade à doença e ajuda na conscientização", diz Christiana.
O
tratamento para a esporotricose é feito com antifúngicos, principalmente o
itraconazol, por períodos que podem variar de semanas a meses, dependendo da
gravidade e da resposta do paciente. Tanto em humanos quanto em animais, o
diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e reduzir a
disseminação da doença.
Fonte _ Folha/SP

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