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O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) assinou nesta sexta-feira (19) um decreto que prevê o bloqueio de recursos
financeiros das casas de apostas ilegais, que operam sem autorização do Ministério da
Fazenda.
O
governo considera clandestinos os sites de apostas que não passaram pelo
processo de licenciamento da Fazenda. Essas empresas não aderem a regras de boa
conduta na publicidade, por exemplo, e atuam sem pagar uma taxa de R$ 30
milhões ao governo ou coletar impostos. Tampouco respeitam o sistema de
autoexclusão, que impede o acesso das pessoas inscritas às bets regulares.
Segundo Wellington
Lima e Silva, ministro
da Justiça, entre 41% e 51% das bets em funcionamento no país são
ilegais, o que corresponde a 25,2 milhões de brasileiros apostando nessas
plataformas. "O crime organizado tem estímulos para migrar para este setor
e é fundamental que o governo e os órgãos de Estado atuem duramente nessa
perspectiva. E é esse esforço que fazemos aqui", afirmou.
Conforme
pesquisa Datafolha feita em maio, a parcela dos brasileiros com 18
anos ou mais que dizem apostar em bet ou em cassinos online atualmente está em
7%, o que equivale a 11,5 milhões de pessoas.
O
decreto contempla as instituições financeiras que receberam ou registraram
movimentação de recursos advindos das bets irregulares.
"A
partir de agora, com decreto do presidente, um novo documento que será apurado
pela Secretaria de Prêmios e Apostas vai ser enviado às instituições
financeiras, com ciência do Banco Central. Uma vez que receber isso, a
obrigação legal passa a valer, e a instituição financeira terá que bloquear
todas essas contas", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Com
isso, o ministério passa a identificar os responsáveis pelas plataformas e a
bloquear os recursos ligados às bets ilegais. De acordo com Durigan, há cerca
de 300 operadores por trás dos quase 50 mil sites derrubados, que utilizaram 37
instituições financeiras para fazer os pagamentos. O bloqueio precisará ser
confirmado em até 48 horas após a notificação enviada pelo Ministério da
Fazenda. O governo ainda não tem uma estimativa do potencial arrecadatório da
medida.
Durigan
afirmou que as 37 instituições financeiras são reincidentes e têm proximidade
com outras investigações que ocorrem na Polícia Federal.
No
caso dos perfis de redes sociais que divulgam as bets, a pasta tem feito
comunicações com influenciadores e personalidades que anunciam as plataformas
ilegais. Cerca de 800 perfis já foram derrubados.
De
acordo com o governo, os mecanismos se assemelham aos já utilizados na asfixia
financeira ao crime organizado e se tornaram possíveis com a aprovação da Lei
Antifacção, que endureceu punições para integrantes desses grupos.
Caso
haja alguma contestação, as instituições envolvidas poderão apontar razões para
que o bloqueio seja revisto. Se não houver nenhuma manifestação nesse sentido,
a AGU (Advocacia-Geral
da União) irá ajuizar uma ação para haver expropriação dos recursos, que
passarão ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
Além
do congelamento dos recursos, uma portaria publicada nesta quinta-feira (18) no
Diário Oficial da União também regulamentou a responsabilidade solidária de
instituições de pagamento que permitirem transações com bets ilegais, sem
autorização do governo para atuar. Pessoas físicas e jurídicas que divulgarem
essas casas de apostas também serão responsabilizadas.
Segundo
a portaria, a Secretaria de Prêmios e Apostas e a Receita Federal fixarão um
prazo de 24 horas para que as instituições adotem medidas restritivas que
impeçam novas transações.
As
medidas foram em geral bem recebidas entre as associações de bets e do mercado
financeiro. A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) afirmou que as
mudanças representam um avanço na proteção do mercado regulado. Segundo a
entidade, as ações são resultado da cooperação entre a Secretaria de Prêmios e
Apostas, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e representantes do
setor e ajudam a combater um mercado que expõe consumidores a riscos, sonega
impostos e gera concorrência desleal.
O
IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) disse que as ações fortalecem a
arrecadação pública, aumentam a segurança dos apostadores e protegem as
empresas que atuam dentro da legislação.
A Zetta,
associação que representa fintechs como Nubank e
Mercado Pago, diz que as medidas ajudam a consolidar um ambiente
mais seguro, transparente e alinhado às melhores práticas regulatórias, além de
ampliar a proteção dos consumidores.
A
Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que objetivo é impedir que
instituições financeiras abram ou mantenham relacionamento com empresas de
apostas irregulares. De acordo com a instituição, a nova regulamentação traz
segurança jurídica para práticas que o setor bancário já vinha adotando.
Na
quinta (18), ocorreu
a Operação Canto da Sorte, contra sites de apostas clandestinos
que atuavam sob licença irregular emitida pela Prefeitura de Bodó, cidade de
2.363 habitantes no Rio Grande do Norte.
Ao
longo de dez meses, a LotSeridó, loteria criada pelo município de Bodó,
licenciou 37 sites e arrecadou R$ 8,3 milhões em taxas, segundo o MP. O volume
indica uma receita declarada de R$ 415 milhões para as casas de apostas
investigadas.
"Fomos
ao STF exigindo cumprimento da lei para que município não tivesse essa
competência e, ao mesmo tempo, os estados tivessem uma competência limitada. A
operação vem com a inteligência do Ministério Público e de autoridades
estaduais e é a primeira de outras que virão nessa esteira", disse
Durigan.
Ainda
de acordo com o ministro, 700 mil pessoas utilizaram o botão de autoexclusão
das casas de aposta disponível no site do gov.br.
VEJA
PROPOSTAS ANUNCIADAS PARA ASFIXIAR BETS ILEGAIS
COMO
SERÁ O PROCESSO DE BLOQUEIO
Fonte _ Folha/SP
A
plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da
madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um
alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao
Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A
mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra
“misantropia” — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um
ataque hacker.
A
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do
Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências
para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições
de segurança forem restabelecidas.
Fonte_ instagram Defesa Civil
Moradores
de Rio Branco, capital do Acre, foram surpreendidos
na noite desta sexta-feira, 19, com um alerta extremo sonoro emitido nos
celulares, tendo como remetente, supostamente, o órgão Defesa Civil.
Na
mensagem, aparecia apenas a palavra “misantropia”. Pouco depois, o
tenente-coronel Cláudio Falcão, da Defesa Civil Municipal, informou que o
alerta emitido não partiu da capital acreana e que, aparentemente, pode se
tratar de uma “violação do sistema”.
Mais
cedo, moradores de outras cidades brasileiras, como Curitiba, Rio
de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal,
também passaram pela mesma situação. O alerta gerou surpresa e confusão, uma
vez que o termo não tem relação com fenômenos climáticos ou situações de
emergência.
A
Defesa Civil em Rio Branco reforçou que assim que tomou conhecimento do
ocorrido, a equipe técnica iniciou os procedimentos de verificação junto aos
órgãos responsáveis pelo sistema de envio de alertas. As informações
preliminares apontam para uma possível falha operacional ou acesso indevido à
plataforma, circunstância que está sendo devidamente apurada pelas autoridades
competentes.
Segundo
o dicionário Michaelis, o termo misantropia significa aversão ou rejeição à
humanidade, podendo também se referir a isolamento social, melancolia ou
profunda tristeza.
NOTA
OFICIAL
A
Defesa Civil Municipal de Rio Branco esclarece que o alerta enviado à população
nesta data não corresponde a qualquer situação de emergência, desastre natural
ou risco iminente registrada no município.
Assim
que tomou conhecimento do ocorrido, a equipe técnica iniciou os procedimentos
de verificação junto aos órgãos responsáveis pelo sistema de envio de alertas.
As informações preliminares apontam para uma possível falha operacional ou
acesso indevido à plataforma, circunstância que está sendo devidamente apurada
pelas autoridades competentes.
Reiteramos
que não há, neste momento, qualquer ocorrência que justifique medidas
extraordinárias por parte da população. Todos os serviços de monitoramento e
acompanhamento permanecem funcionando normalmente.
A
Defesa Civil orienta os cidadãos a desconsiderarem o alerta recebido e a
acompanharem informações exclusivamente por meio dos canais oficiais da
Prefeitura de Rio Branco e da Defesa Civil Municipal.
Novas
informações serão divulgadas oportunamente, conforme o avanço das apurações.
Rio
Branco, 19 de junho 2026
DEFESA
CIVIL MUNICIPAL DE RIO BRANCO
Fonte _ AC24hs
O
CBN Madrugada está no ar.
Passe
a madrugada com muita informação e análise das principais notícias do dia.
A
apresentação é de Klauson Dutra.
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Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº 11.527, de 9 de junho de 2026, que institui a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente (PNQSP). A iniciativa estabelece diretrizes para promover um cuidado seguro, de qualidade, equitativo e centrado nas pessoas em todos os serviços que integram o Sistema Único de Saúde (SUS).
A
nova política representa um marco para a saúde pública brasileira ao consolidar
uma visão ampliada da qualidade do cuidado e da segurança do paciente, com foco
em qualificar toda a jornada do usuário na Rede
de Atenção à Saúde, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento
contínuo do tratamento.
Para
o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência
(DAHUD), Fernando Figueira, a política consolida uma mudança importante
na forma de pensar e organizar o cuidado em saúde.
“A
qualidade e a segurança do paciente não são responsabilidades de um único
profissional ou serviço. Elas precisam estar presentes em toda a trajetória
assistencial. Esta política fortalece uma cultura de cuidado baseada no
respeito às pessoas, na prevenção de riscos e na busca permanente por melhores
resultados em saúde. É um avanço importante para que cada cidadão se sinta
acolhido, protegido e seguro ao utilizar o SUS”, destaca Fernando Figueira.
A
implementação da PNQSP ocorrerá de forma progressiva e pactuada entre União,
estados e municípios, respeitando as diferentes realidades dos territórios
brasileiros. O objetivo é consolidar uma cultura permanente de melhoria da
qualidade, capaz de gerar resultados mais seguros, eficientes e humanizados
para toda a população.
Cuidado
seguro em toda a rede
A
PNQSP reconhece que a segurança do paciente deve estar presente em todos os
serviços de saúde, desde a Atenção Primária à Saúde até
os hospitais de alta complexidade, passando pelos ambulatórios especializados,
serviços de urgência e emergência, atenção domiciliar, atenção materno-infantil
e demais pontos da Rede de Atenção à Saúde.
Isso
significa promover práticas que contribuam para um cuidado mais seguro, como a
identificação correta dos pacientes, a prevenção de infecções relacionadas à
assistência, a segurança no uso de medicamentos, a redução de riscos em
procedimentos e cirurgias e a melhoria da comunicação entre profissionais de
saúde.
Também
garante que as informações acompanhem o paciente ao longo do tratamento e que
as transições entre os diferentes serviços ocorram de forma coordenada,
contribuindo para o acesso oportuno e melhores resultados em saúde.
Além
disso, prevê o fortalecimento dos Núcleos de Segurança
do Paciente, estruturas responsáveis por promover ações de prevenção,
monitoramento e melhoria contínua da qualidade nos serviços de saúde. Além
disso, estabelece estratégias para qualificação permanente dos profissionais,
incentivo à inovação, uso de tecnologias digitais e monitoramento de
indicadores capazes de orientar decisões e aprimorar o cuidado.
Para
a coordenadora-geral de Atenção Hospitalar, Luisa Frazão, a política reforça um
compromisso permanente com o fortalecimento do Cuidado Centrado na Pessoa.
“A
Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente amplia a compreensão de
que qualidade e segurança não são atributos de um serviço isolado, mas de toda
a Rede de Atenção à Saúde. Nosso desafio é garantir que cada pessoa receba um
cuidado seguro, coordenado e resolutivo, independentemente do local onde acessa
o SUS. Para isso, fortalecemos a participação dos pacientes, a gestão de
riscos, o uso de evidências e a integração entre os serviços de saúde”, destaca
Luisa Frazão.
Qualidade
e acesso lado a lado
A
instituição da Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente dialoga
diretamente com os esforços do Ministério da Saúde para ampliar o acesso da
população aos serviços especializados por meio do Programa
Agora Tem Especialistas.
O
programa tem promovido a ampliação da oferta de consultas, exames, cirurgias e
tratamentos especializados em todo o país, reduzindo o tempo de espera e
fortalecendo a capacidade de atendimento do SUS. Nesse cenário, a nova política
surge como uma ferramenta estratégica para assegurar que a expansão do acesso
aconteça acompanhada de qualidade, segurança e coordenação do cuidado.
Fonte _ Saúde.gov
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento do lote
2519879 do antibiótico injetável Polycid, da União
Química Farmacêutica Nacional, após a empresa notificar a agência sobre a
presença de um pedaço de vidro dentro do frasco-ampola. A resolução foi
publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (18).
A
União Química afirma que iniciou o recolhimento voluntário após identificar um
problema de qualidade em um frasco do lote do Polycid, antibiótico injetável de
uso hospitalar à base de polimixina B.
A
empresa diz que nenhum caso de uso indevido ou efeito adverso relacionado ao
medicamento foi registrado até o momento.
A
reportagem também questionou a União Química sobre o alcance da distribuição do
lote, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
Outro
antibiótico também foi alvo de medida preventiva pela agência. O fosfato de
clindamicina, da Hypofarma —indicado para infecções graves na pele, no trato
respiratório, nos ossos e nas articulações—, deve ter o lote 24101854
recolhido.
A
agência identificou problemas de qualidade no produto: a solução apresentava
coloração amarelada e partículas estranhas dentro do frasco lacrado.
A
Hypofarma disse que está cumprindo os protocolos regulatórios exigidos e que
segue em alinhamento com a Anvisa. A empresa afirmou ainda manter colaboração
total com os órgãos competentes.
A
Anvisa também determinou o recolhimento do lote 2513588 do soro fisiológico
injetável fabricado pela Equipex Indústria Farmacêutica Ltda. A resolução não
cita o motivo da decisão.
A Folha tentou
contato telefônico com a Equipex e não foi atendida na manhã desta quinta.
Fonte _ Folha/SP
A
vacina que protege contra o HPV, responsável
pelo câncer de colo do útero, reduziu a quase zero o risco de morrer da
doença antes dos 30 anos na Inglaterra,
segundo estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista The Lancet.
Os
resultados vêm de uma análise de dados nacionais de saúde da Inglaterra. Entre
2020 e 2024, nenhuma mulher na Inglaterra entre 20 e 24 anos morreu de câncer
de colo do útero. É a primeira vez que não se registra nenhuma morte nessa
faixa etária.
Entre
2015 e 2019, também houve uma redução de 80% nas mortes por esse câncer entre
mulheres jovens de 20 a 24 anos.
A vacina
foi introduzida para meninas em 2008 e para meninos em 2019 na
Inglaterra. Conforme o estudo, as jovens vacinadas aos 12 ou 13 anos apresentam
um risco praticamente nulo de morrer de câncer de colo do útero antes dos 30
anos.
Feita
pelo Cancer Research UK e pela Queen Mary University of London, a pesquisa
mostra que foram evitadas ao todo 200 mortes desde a introdução da vacinação contra
o HPV, cujas cepas de alto risco causam praticamente todos os casos de câncer
de colo do útero.
"Sabemos
que a vacina
contra o HPV é extremamente eficaz para conter o câncer de colo do
útero antes que se desenvolva e, pela primeira vez, esses resultados mostram
que ela salva vidas", disse Michelle Mitchell, diretora-geral do Cancer
Research UK.
Na
ausência de vacinação, teriam sido registradas 23 mortes entre 2020 e 2024
nessa população de 20 a 24 anos, imunizada em aproximadamente 90% aos 12 e 13
anos, o que alimenta a esperança de conseguir a eliminação progressiva desse
tipo de câncer na Inglaterra.
O
HPV é um vírus que pode ser transmitido durante relações sexuais e que
geralmente não provoca sintomas.
A
detecção precoce continua indispensável para todas as mulheres, já que a vacina
previne cerca de 90% das infecções que causam câncer, entre outras doenças.
O
câncer de colo do útero provoca cerca de 685 mortes por ano na Inglaterra,
segundo o NHS, o serviço público de saúde.
Fonte _ Folha/SP
Divulgado
nesta quinta-feira (18/6), o
novo Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já apresentava
crescimento em todo o país nas últimas semanas, voltou a aumentar na população
de jovens, adultos e idosos. Este cenário é impulsionado pelo aumento das
hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) nas
crianças pequenas e das hospitalizações pelos vírus da influenza A
e B na população de jovens, adultos e idosos.
Em
nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento do número de casos de
SRAG nas crianças até 4 anos e queda dos casos graves nas crianças e
adolescentes de 5 a 14 anos. Referente à Semana Epidemiológica 23,
a atualização abrange o período de 7 a 13 de junho.
A
pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação
Científica da Fiocruz, reforça que o importante é que a vacina contra a
influenza protege contra os vírus da influenza A e B. Por isso, afirma
Portella, é fundamental que as pessoas dos grupos de maior risco, como
crianças, idosos e pessoas com comorbidades, estejam vacinadas. A cientista
enfatiza ainda que também é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de
gestação, se vacinem contra o vírus sincicial respiratório para proteger seus
bebês contra o vírus.
Além disso, diante do leve aumento da Covid-19 em alguns estados, Portella orienta que é importante que a população de risco, como idosos e imunocomprometidos, esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19. “No mais, recomendamos alguns cuidados adicionais, como usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.
Estados
e capitais
A
análise mostra que 14 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG
em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de
crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 23:
Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa
Catarina e São Paulo.
Além
disso, 9 unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso,
Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Os
casos de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam aumentando na
maioria dos estados das regiões Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio
Grande do Norte) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em alguns
estados do Norte (Amapá e Roraima) e Sudeste (Rio de Janeiro e
São Paulo). Em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre,
Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, os casos de SRAG por
VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou
queda.
Na
atualização observa-se que 11 das 27 capitais apresentam nível de atividade de
SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de
crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a
semana 23: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS),
Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio
Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).
Além
disso, 12 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Aracaju (SE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), João Pessoa
(PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Rio De Janeiro (RJ),
Salvador (BA) e São Paulo (SP).
A
tendência de queda dos casos de SRAG na capital de São Paulo é puxada pela
diminuição dos casos de SRAG nas crianças pequenas, associados ao VSR. Contudo,
os casos de SRAG nos jovens, adultos e idosos continuam aumentando na capital
paulista, provavelmente relacionado ao aumento das hospitalizações por
influenza.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial
respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus
sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 89.725 casos de SRAG, sendo
44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 31.637 (35,3%) negativos e ao menos 7.740 (8,6%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes, por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Entre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,6% de influenza A, 3,5% de
influenza B, 35% de vírus sincicial respiratório, 31,8% de rinovírus e 5,4% de
Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de
influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças
pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre
os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado
maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior
impacto na população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por
Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Referente
aos óbitos de SRAG em 2026, foram registrados 3.842 óbitos de SRAG, sendo 1.772
(46,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório,
1.679 (43,7%) negativos e ao menos 82 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.
Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 41,7% de influenza A,
5,8% de influenza B, 9,6% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e
20,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os óbitos positivos foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de
influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz
Ministério
da Saúde vem intensificando o uso de tecnologias digitais para aproximar
o Sistema
Único de Saúde (SUS) da população. A estratégia, apresentada no
projeto “Serviço na Ponta”, aposta no envio de mensagens personalizadas por
canais como WhatsApp, caixa postal do Gov.br e do aplicativo Meu SUS Digital, com o objetivo de ampliar o acesso às
políticas públicas e facilitar a interação do cidadão com serviços públicos.
A
iniciativa funciona como um serviço de comunicação ativa, que combina envio de
alertas, lembretes e informações relevantes sobre direitos e programas e
políticas do SUS. Entre as modalidades em operação atualmente estão mensagens
proativas, como avisos de vacinação, campanhas, ações e serviços de saúde, e o
uso de agentes de inteligência artificial para responder dúvidas em tempo real
com informações oficiais do Ministério da Saúde.
Além
de informar, ela busca fortalecer o relacionamento entre a população e o SUS,
promovendo maior sensação de pertencimento e valorização dos serviços públicos
de saúde. Esta estratégia de comunicação foi apresentada na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de
fevereiro de 2026 no intuito de fortalecer a agenda junto aos territórios em
parceria com os gestores estaduais e municipais.
Os
resultados iniciais indicam alto alcance e engajamento. Atualmente, as ações já
alcançaram cerca de 100 milhões de comunicações, incluindo campanhas de
vacinação, prevenção à dengue e arboviroses, informações sobre o Programa
Farmácia Popular, assistência farmacêutica, serviços voltados à saúde das
caminhoneiras e caminhoneiros, saúde da mulher e o programa Agora Tem Especialistas.
Outro
destaque é o uso de chatbots temáticos, que neste momento atendem demandas
específicas de alguns programas e políticas do Ministério da Saúde. Essas
ferramentas permitem ao cidadão esclarecer suas dúvidas e consultar rapidamente
informações sobre elegibilidade, prazos e serviços disponíveis.
A
estratégia também já foi aplicada em campanhas de grande alcance. Na
mobilização contra a influenza no ano de 2026, foram disparadas cerca de 10
milhões de mensagens direcionadas ao público prioritário para a vacinação,
reforçando o papel da comunicação digital como instrumento das políticas
públicas de saúde.
Fonte _ Saúde.gov
ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, lança nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro,
o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil).
A iniciativa marca a primeira estratégia nacional de cofinanciamento federal
voltada exclusivamente para estruturar e levar Equipes Multiprofissionais
(eMulti), às residências de usuários idosos da Atenção
Primária à Saúde com limitações funcionais. Para isso, serão
investidos cerca de R$ 500 milhões em recursos federais, sendo R$163,2 milhões
em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027.
O
ministro destacou que mais de 3 milhões de idosos acamados são atendidos pelo
SUS no Brasil. “Com a implantação do Padi Brasil, mais da metade dessa
população passará a contar também com acompanhamento em casa, ampliando o
acesso ao cuidado e oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes e às suas
famílias”, afirmou.
“Junto
ao Programa Farmácia Popular, que oferece gratuitamente medicamentos para
diabetes e hipertensão, além de fraldas geriátricas, e ao Agora Tem
Especialistas, que está reduzindo o tempo de espera por consultas, exames e
cirurgias, estamos fortalecendo ainda mais o cuidado com a saúde da população
idosa em todo o país”, acrescentou o ministro Alexandre Padilha.
Com
o incremento financeiro, os municípios poderão solicitar novas equipes ou
ampliar as já existentes, com aumento da carga horária, contratação de mais
profissionais, inclusive médicos especialistas. Ao todo, 2.733 municípios já
solicitaram ao Ministério da Saúde a adesão ao Padi Brasil, totalizando 3.677
equipes eMulti, entre ampliações de equipes existentes e implantações de novas
equipes. Os números demonstram a demanda dos territórios pelo fortalecimento do
cuidado domiciliar à pessoa idosa.
Cada
equipe poderá receber um incremento mensal de até R$ 10 mil por meio do Padi
Brasil, totalizando até R$ 57,5 mil por mês, a depender da modalidade da equipe
multiprofissional, que pode ser Ampliada, Complementar ou Estratégica. Essas
equipes são compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas e
categorias profissionais, possibilitando o atendimento por psicólogos,
nutricionistas, cardiologistas, geriatras, entre outros especialistas, que
atuam de forma integrada às equipes de Saúde da Família, ampliando o acesso ao
cuidado especializado. Também haverá repasse de parcela única de implantação
para ações de estruturação de ações no território no mesmo valor do incremento.
Atenção
primária à Saúde e envelhecimento saudável
A
promoção do envelhecimento saudável é uma das prioridades do Governo do Brasil.
Nas últimas décadas, a população brasileira passou a viver mais: em 2024, a
expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos. Esse avanço representa uma
importante conquista social, resultado da melhoria das condições de vida, da
ampliação do acesso aos serviços de saúde e do fortalecimento das políticas
públicas. Atualmente 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Nesse
contexto, as equipes da Atenção Primária à Saúde desempenham papel fundamental
no acompanhamento da população idosa, identificando precocemente sinais de
alerta, fragilidades e condições crônicas. Com o Padi Brasil, esse cuidado será
ampliado, levando atendimento multiprofissional especializado até a residência
das pessoas idosas com limitações funcionais.
As
equipes contam com diversos instrumentos de apoio ao cuidado. Entre eles,
destaca-se a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, importante
ferramenta para o acompanhamento das condições de saúde dessa população,
disponível tanto na versão impressa quanto digital, por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
O
Ministério da Saúde também disponibiliza materiais educativos e orientativos
voltados a profissionais de saúde, gestores, cuidadores e familiares, abordando
temas como a promoção de uma linguagem positiva sobre demência, a prevenção de
quedas e a adoção de práticas que contribuam para um envelhecimento saudável e
com mais qualidade de vida.
Homenagem
ao pioneirismo
Durante
o lançamento dos novos recursos, o Ministério da Saúde realizou uma homenagem à
médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, idealizadora do
projeto que inspirou o programa nacional.
Na
década de 1990, ela atuou no Hospital Municipal Paulino Werneck, que atende a
população da Ilha do Governador e parte da região da Maré. Ao observar que
muitos pacientes idosos retornavam repetidamente ao hospital, Guilhermina
iniciou uma investigação para compreender as causas dessas reinternações.
Ao
constatar que muitos pacientes, após receberem alta, permaneciam sem
acompanhamento adequado, Guilhermina liderou a criação do Programa de Atenção
Domiciliar (PADI) do Hospital Paulino Werneck, considerado uma experiência
inovadora no Sistema Único de Saúde (SUS) carioca. O programa passou a
acompanhar pacientes em suas próprias casas, oferecendo assistência médica, de
enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares.
Fonte _ Saúde.gov
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Ministério
da Saúde atualizou os critérios para solicitação e autorização do uso do
medicamento fostensavir e, com isso, ampliou o acesso ao tratamento para
pessoas vivendo com HIV e/ou aids que apresentam vírus multirresistente
e necessitam de alternativas terapêuticas mais avançadas. A medida busca evitar
que pessoas em situação de maior vulnerabilidade clínica precisem esgotar todas
as alternativas terapêuticas antes de terem acesso ao medicamento, ampliando as
chances de controle da infecção e de recuperação da resposta ao tratamento.
O
fostensavir é indicado para adultos com infecção por HIV-1 multirresistente que
apresentam falha virológica. Utilizado em conjunto com outros antirretrovirais,
o medicamento integra as opções terapêuticas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) para casos mais complexos, ampliando as possibilidades de
controle da infecção e de recuperação da resposta ao tratamento.
Com
a publicação da Nota
Técnica nº 68/2026, o Ministério da Saúde simplifica os critérios de
indicação do medicamento, permitindo que mais pessoas possam se beneficiar
dessa tecnologia.
Na
prática, a avaliação para acesso ao fostensavir passa a ocorrer mais cedo na
trajetória terapêutica de pessoas com HIV multirresistente. Entre as mudanças,
foram ampliadas as possibilidades de solicitação para pacientes com histórico
de uso de múltiplas classes de antirretrovirais, falha virológica confirmada e
evidências de resistência a diferentes medicamentos já utilizados no
tratamento. A atualização também permite que casos com forte suspeita clínica
de multirresistência, mesmo quando não há histórico completo de exames de
genotipagem disponível, possam ser avaliados para uso da terapia.
"Ao
ampliar e qualificar o acesso ao fostensavir, fortalecemos nosso compromisso
com a equidade e com a oferta das melhores opções terapêuticas disponíveis. É
mais um passo para garantir cuidado de qualidade e melhores perspectivas de
saúde para quem mais precisa", destacou coordenador-geral de Vigilância de
HIV e Aids do Ministério da Saúde, Artur Kalichman.
Cuidado
integral e resposta ampliada ao HIV
A ampliação do
acesso ao fostensavir faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério da
Saúde para fortalecer a prevenção, a vigilância e o cuidado integral das
pessoas vivendo com HIV. O Brasil mantém uma das maiores políticas públicas de
enfrentamento ao HIV do mundo, com acesso universal e gratuito ao diagnóstico,
ao tratamento e ao acompanhamento clínico pelo SUS.
Entre
as principais ações estão a oferta gratuita da terapia antirretroviral para
todas as pessoas diagnosticadas com HIV, a disponibilização da Profilaxia
Pré-Exposição (PrEP) e da Profilaxia Pós-Exposição (PEP),
a distribuição de preservativos e autotestes, além da ampliação do acesso aos
testes rápidos em serviços de saúde de todo o país.
O
Ministério da Saúde também investe continuamente na vigilância epidemiológica e
laboratorial, permitindo identificar populações mais vulneráveis e orientar
políticas públicas baseadas em evidências. O acompanhamento regular da carga
viral e da contagem de linfócitos CD4, oferecido pelo SUS, possibilita avaliar
a efetividade do tratamento e intervir precocemente quando necessário.
Com
a atualização dos critérios para uso do fostensavir, o Ministério da Saúde
reforça seu compromisso de incorporar novas tecnologias, qualificar a
assistência e assegurar que tratamentos inovadores cheguem às pessoas que mais
precisam, fortalecendo a resposta do SUS ao HIV e à aids.
Acesse a nota técnica com os critérios para o uso do
medicamento
Fonte _ Saúde.gov
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Estudo
publicado na última segunda-feira (15) no JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina
atualizada contra a Covid-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos
cardiovasculares graves associados à doença, como
infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e
morte com origem cardiovascular, em comparação a pessoas que receberam apenas
a vacina
da gripe.
Os
pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da
Universidade Washington em St. Louis analisaram os prontuários eletrônicos de
mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos que receberam a vacina
contra gripe entre setembro e dezembro de 2024.
Desse
total, 349.085 tomaram também a vacina contra Covid no mesmo dia. Essa
comparação, segundo a pesquisa, foi feita para reduzir o "viés do vacinado
saudável", que pressupõe que pessoas que se vacinam tendem a ter
comportamentos de saúde melhores
em geral.
Os
participantes receberam as formulações 2024-2025 das vacinas Moderna (65,4%) e
Pfizer-BioNTech (34,1%), entre outras, como Novavax (0,5%). O estudo foi
financiado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, e os autores
declararam não ter conflito de interesses.
Os
participantes foram acompanhados por até oito meses. Durante esse período, os
pesquisadores registraram quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados
à Covid: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e
internação por insuficiência cardíaca.
Os
resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre
pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos
cardiovasculares.
Nos
demais grupos os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja,
não é possível afirmar com segurança que a vacina da Covid protegeu essas
faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos
participantes era de 70 anos.
De
acordo com o estudo, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos
cardiovasculares graves associados à Covid foram evitados, em comparação ao
grupo que não tomou a vacina. Os pesquisadores destacam que, ao considerar
todos os eventos cardiovasculares —não apenas os confirmadamente ligados à
Covid—, o número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil
pessoas.
Em
uma população de 1 milhão de pessoas, os autores estimam que a vacinação poderia
evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em oito
meses.
O
estudo enfatiza que a eficácia relativa da vacina foi estatisticamente
significativa nos subgrupos com e sem comorbidades. Ainda assim, o benefício
absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes,
como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar
crônica, diabetes e
imunossupressão.
Os
pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa projeção deve ser interpretada
com cautela, dado o caráter observacional do estudo e o fato de ter sido
realizado apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente
branca, masculina e com idade avançada.
Os
autores também pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a
registrada nos primeiros anos da pandemia, o que atribuem à evolução do vírus,
à imunidade adquirida por infecções anteriores e à maior dificuldade de
detectar infecções em um cenário em que os testes são realizados com menos
frequência.
Por
que a vacina protege o coração?
A
pesquisa indica que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia processos
inflamatórios e de coagulação que danificam os vasos sanguíneos e aumentam o
risco de formação de trombos, que são coágulos que podem provocar infarto ou
AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina reduz esses mecanismos de
dano vascular.
Os
pesquisadores alertam, ainda, que o benefício sobre eventos cardiovasculares de
outras causas foi muito maior do que o observado nos casos comprovadamente
associados à Covid. Para os autores, isso indica que uma parcela significativa
das complicações cardiovasculares provocadas pelo vírus ocorre em pessoas que
não chegam a testar positivo para a doença.
Fonte _ Folha/SP