quarta-feira, 26 de agosto de 2026
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
InfoGripe: número de casos de SRAG continua apresentando sinal de queda
Divulgada
nesta quinta-feira (20/8), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de
casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua
apresentando sinal de queda nas tendências de longo prazo (últimas seis
semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). De acordo com a análise,
quase todas as unidades da Federação (UF) estão com tendência de queda ou
estabilização dos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis
semanas). A atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 32,
período de 9 a 15 de agosto.
De
acordo com os pesquisadores, a exceção dessa tendência de queda fica para os
estados de Rondônia, Piauí, Bahia e Sergipe, que mostram leve sinal de
crescimento. Os pesquisadores do InfoGripe reforçam que a
vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos
principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19.
Também é essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara.
Estados
e capitais
Segundo
o InfoGripe, 11 UF ainda estão com incidência de SRAG em nível de
alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas: Acre,
Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Há um sinal de início ou manutenção da queda
dos casos de SRAG por VSR no país. Contudo, mesmo com tendência de queda, os
casos de SRAG por VSR continuam altos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro,
Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Os casos
graves por influenza B continuam aumentando no Rio Grande do Sul, mas mostram
sinais de desaceleração do crescimento no Espírito Santos e Minas Gerais.
Em
relação à Covid-19, para todas as UF o número de casos semanais está em um
patamar baixo de incidência. Também há uma manutenção do aumento das
hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, além de São Paulo,
Pernambuco, Amazonas e Sergipe, e de rinovírus em Bahia, São Paulo e Espírito
Santo, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses
estados.
Segundo
a atualização, 4 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em
alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de
SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 32:
Aracaju, Cuiabá, Salvador e Porto Alegre. Além disso, 3 capitais também
apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém
sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belo Horizonte,
Florianópolis e São Luís.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos
foi de 5,1% de influenza A, 9,7% de influenza B, 44,6% de vírus sincicial
respiratório, 32,5% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 17,9% de influenza A, 17,4% de influenza B, 26% de vírus
sincicial respiratório, 31,5% de rinovírus e 5,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 137.551 casos de SRAG, sendo
74.214 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório,
48.040 (34,9%) negativos, e ao menos 7.328 (5,3%) aguardando resultado
laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a
grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação
de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos
positivos do ano corrente, observou-se 18,2% de influenza A, 5,4% de influenza
B, 42,2% de vírus sincicial respiratório, 30,1% de rinovírus e 3,9% de
Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
Os
dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG
entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das
hospitalizações por VSR no país. Na população de 15 a 49 anos, a redução dos
casos de SRAG é explicada principalmente pela diminuição das hospitalizações
por influenza A e B, enquanto entre os idosos ela decorre sobretudo da redução
das hospitalizações por influenza A. Entre crianças de 5 a 14 anos, a queda dos
casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição dos casos graves
por rinovírus.
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como
principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a
segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.
Em
relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior
impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior
impacto na população a partir de 65 anos de idade. A influenza B também
apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a
mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A
incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias
(AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O
documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente
informativo ou de serviço ao cidadão".
Fonte _ FioCruz
domingo, 16 de agosto de 2026
Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária de Saúde do SUS
A amamentação
exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária
(APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 57% de cobertura em 2025. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a
amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais, sendo de
forma exclusiva até os seis meses.
Os
dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde
2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de
consumo alimentar. Este índice indica proporção dos bebês de 0 a seis meses que
são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja,
recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros
líquidos ou alimentos.
Já
em 2026, o levantamento parcial aponta que até agosto 59% dos bebês de até seis
meses acompanhados pela APS estão em aleitamento materno exclusivo. Desde o
início da série, em 2015, as maiores coberturas foram em 2024 e 2025, ambas com
57%.
Os
dados do Sisvan se referem exclusivamente àqueles bebês que fazem o
acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Um dos levantamentos
oficiais mais recentes, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil
(ENANI-2019), um inquérito nacional representativo da população brasileira,
aponta que 45,8% das crianças brasileiras entre 0 e seis meses recebem leite
materno exclusivamente.
A
meta da OMS para 2030 é de 60% de aleitamento materno exclusivo em crianças
menores de 6 meses.
“A
Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na proteção, promoção e apoio à
amamentação. É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a
gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação
e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso.
Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres
se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou a secretária de
Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas.
Toda
família cadastrada na APS é acompanhada pelas equipes de saúde e pode contar
com profissionais de saúde qualificados em amamentação, desde a gestação,
recebendo apoio em todas as etapas desse processo.
O
Sisvan é uma ferramenta estratégica da Política Nacional de Alimentação e
Nutrição (PNAN) e contribui para a promoção da amamentação e alimentação
adequada e saudável, a prevenção da desnutrição, do sobrepeso, da obesidade e
de outras doenças relacionadas à alimentação. Além disso, fornece informações
essenciais para a tomada de decisão pelos gestores e profissionais de saúde em
todas as esferas do SUS.
Instituído
pela Lei Federal nº 13.435/2017, o Agosto Dourado é o mês dedicado à
conscientização e incentivo ao aleitamento materno. Já a Lei 15.221/2025
instituiu, na semana de 15 de agosto, a Semana Nacional de Conscientização
sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães.
Os
avanços nas taxas de amamentação nas últimas décadas se devem a iniciativas
desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no âmbito da promoção, proteção e apoio
à amamentação, como a ação Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), a Estratégia
Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), a Iniciativa Hospital Amigo da Criança
(IHAC), o Método Canguru, os Postos de Coleta e os Bancos de Leite Humano, as
campanhas de mobilização social e a Norma Brasileira de Comercialização de
Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e
Mamadeiras (NBCAL), uma das legislações mais fortes do mundo, que regula a
promoção comercial e evita o uso inapropriado desses produtos, protegendo o
direito à amamentação.
Principal
ação na APS, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil qualifica os profissionais
das UBS quanto à promoção, proteção e apoio à amamentação e alimentação
complementar adequada e saudável. Atualmente, são 9.171 tutores formados, que
atuam em 2.384 municípios em todo país.
Benefícios
da Amamentação
A amamentação desde a primeira hora de vida até os
dois anos ou mais é o método mais econômico e eficaz para a redução da
morbimortalidade infantil, tendo um impacto significativo na saúde das
crianças, podendo reduzir em até 13% a mortalidade de crianças menores de cinco
anos por causas preveníveis.
“A
amamentação é uma das estratégias mais eficazes e custo-efetivas para promover
o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças, com benefícios também
para a saúde das mulheres, das famílias e de toda a sociedade. Investir na
amamentação é garantir direitos, promover saúde, prevenir doenças e contribuir
para a redução de custos para o sistema de saúde”, disse a coordenadora-geral
de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens.
Segundo
a OMS e o Unicef, aproximadamente seis milhões de vidas de crianças são salvas
anualmente devido ao aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês
de vida. Estima-se, ainda, que a adoção universal das práticas recomendadas de
aleitamento materno poderia prevenir mais de 820 mil mortes infantis por ano,
além de evitar cerca de 20 mil óbitos maternos por câncer de mama.
A
amamentação diminui a ocorrência de diarreias, infecções e afecções perinatais,
que estão entre as principais causas de mortalidade infantil. Além disso,
contribui para o desenvolvimento cognitivo, dos dentes, mastigação, deglutição
e fala. Crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver, no futuro,
doenças como obesidade e diabetes mellitus tipo 2.
Para
as mulheres, a amamentação oferece diversos benefícios, incluindo um menor
risco de hemorragia pós-parto, a diminuição das chances de câncer de mama,
ovários e endométrio, e reduz as chances de desenvolver diabetes tipo 2,
colesterol alto e hipertensão.
Fonte _ Saúde.gov
Bebidas comuns ganham versões com proteínas e fibras, mas benefícios dependem de quantidade
Cerveja
zero álcool com proteína, refrigerante com fibras e até água com colágeno. As
versões "fit" de bebidas comuns estão
em alta no mercado de saúde e
beleza.
Especialistas
médicos e de nutrição, porém, alertam que não basta ter destaque na embalagem
para ser eficaz. "É necessário verificar qual ingrediente foi acrescentado
e em que quantidade", ressalta André Camara de Oliveira, endocrinologista
e diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Na
Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo, o "portfólio
wellness" avançou mais de 60% em 2025 em comparação ao ano
anterior. A Nestlé, veterana no segmento, já tinha o Nutren Protein 15% e
avança no mercado de estética com um produto proteico com colágeno hidrolisado
líquido que promete melhoria da pele, unhas e cabelos.
Segundo
Oliveira, uma bebida com cerca de 15 a 25 gramas de whey, seja de proteína do
leite ou de soja, pode de fato contribuir para a ingestão proteica. O colágeno,
porém, "não possui a mesma qualidade para manutenção ou ganho."
"Nas
bebidas com fibras, também importa conhecer o tipo: inulina e
frutooligossacarídeos [fibra alimentar solúvel] podem provocar gases e
distensão abdominal em pessoas sensíveis", afirma o médico.
A
recomendação é avaliar a composição completa, considerando açúcar adicionado,
calorias, sódio, gordura saturada e cafeína, bem como a presença de poucos
corantes, aromatizantes e conservantes e de lupa
de alto teor da Anvisa.
A
cautela deve ser com excesso de açúcar ou cafeína, combinações de estimulantes
e produtos que destacam proteínas, fibras ou vitaminas sem informar claramente
as quantidades ou que alegam benefícios como "detox", "queima
gordura" ou "fortalece a imunidade" sem evidência.
Fabiana
Poltronieri, doutora em Ciência dos Alimentos pela USP e diretora da Asbran
(Associação Brasileira de Nutrição), diz que pode ser "tentador beber
cerveja com whey, mas o apelo é meramente de marketing."
"Não
há nenhum motivo com respaldo nutricional. O mesmo raciocínio vale para água
com colágeno, que é uma proteína
de baixo valor biológico, inclusive", defende.
A
diretora afirma que "faz sentido pensar em cerveja 0% álcool, pois a
dependência etílica é um problema de saúde pública", mas vale buscar
orientação profissional. "Há produtos que destacam nas embalagens
nutrientes, mas que na composição aparecem com um valor inexpressivo",
diz.
Bem-estar
em alta
A
Ambev aponta que o mercado de cervejas
sem álcool cresceu 30% no Brasil no último ano. A marca lança em
setembro, no Brasil, a Spaten Pro, cerveja escura sem álcool que leva whey
protein e colágeno na receita. Cada lata de 350 ml contém 10g de proteína (75%
whey hidrolisado e 25% colágeno) e menos de cem calorias. O grupo
tem ainda Guaraná Zero com fibras da Antarctica, Corona Cero, Bud Zero, Brahma
0,0% e Skol Zero Zero, Stella Pure Gold e Michelob Ultra.
A
Starbucks Brasil, por sua vez, está com uma linha de coberturas, a Cold Foam
Proteico, que adiciona 19g de proteína às bebidas geladas de chocolate e
baunilha. Em julho, o menu ganhou "leite proteico", adicional do
"Baunilha Latte Sem Açúcar Proteico", "Matcha Latte Sem Açúcar
Proteico", "Latte Proteico" e "Matcha Latte Proteico".
O produto inclui a partir de 23g de proteína extra por porção nas opções
quentes e 26g, nas geladas.
O
Collagen Drink, da Nestlé, em quatro sabores, tem 2,5 g de colágeno, 100 mg de
vitamina C, 12 g de proteínas e cerca de 53 kcal a cada 260 ml.
Mamba
Water Protein, do grupo Heineken, se divulga como "suplemento alimentar
líquido com 20g de proteína do colágeno + BCAA." A página também afirma
tratar-se de uma "água leve, sem açúcar, sem carboidrato e sem
glúten", além de não ter lactose.
Aposta
na praticidade
Anna
Paula Alves, diretora de categoria Cervejeira na Ambev, diz que há uma mudança
de comportamento do público e a estratégia é atendê-lo com maior variedade.
Esse consumidor busca opções equilibradas, mas sem deixar de lado experiências
que já tem com sabores de que gosta.
"Mais
do que prometer benefícios específicos, esses lançamentos refletem a evolução
do portfólio para acompanhar diferentes expectativas dos consumidores e ampliar
as possibilidades de escolha", avalia Alves.
Marcio
Avolio, diretor de marketing da Nutrify da Nestlé, diz que o Collagen Drink
"foi desenvolvido para transformar o autocuidado em uma experiência mais
prática e nutritiva", tornando "a suplementação mais fácil de
incorporar" à rotina. "A proposta é oferecer uma opção que combine
conveniência, por ser uma bebida pronta para o consumo, sabor leve e
ingredientes reconhecidos cientificamente", afirma.
Em
nota, a Starbucks declarou que as inovações da marca acompanham a
"evolução dos hábitos e das preferências" do público, permitindo aos
"consumidores personalizarem e customizarem suas bebidas", reforçando
atributos "da experiência Starbucks." A Folha entrou
em contato com a Mamba, mas não teve retorno.
Pode
ajudar, mas sem substituições
Na
visão da CMO (diretora de marketing) Ivete Gama, da rede Ultra Academia, o
crescimento de bebidas com atributos funcionais reflete a realidade cada vez
mais comum de quem tem rotina agitada, mas visa bem-estar. "Esses produtos
podem ser aliados [de quem treina e tem pouco tempo], mas não substituem
uma alimentação equilibrada
nem os cuidados básicos com o corpo. A saúde não está em um único produto, mas
no conjunto de hábitos", diz.
O
endocrinologista André Camara de Oliveira reforça que o problema não é o
consumo eventual de bebidas ultraprocessadas com quantidade
adequada de proteína quando não se pode fazer uma refeição, mas
quando estas "substituem regularmente água, leite e alimentos de melhor
qualidade nutricional."
O
refrigerante zero com fibras, por exemplo, pode ser "menos desfavorável
que o açucarado para quem já consumiria refrigerante, apesar de não ser
saudável. Não substitui frutas, verduras, feijão ou cereais integrais",
ressalta.
A
recomendação é seguir o contexto clínico: quem tem doença celíaca, não come
glúten; gestante, não bebe álcool; nefropata não deve ingerir muita proteína,
entre outros exemplos.
"Na
mesma lógica, a cerveja sem álcool com whey pode fornecer proteína, mas isso
não a transforma, por si só, em uma bebida adequada para recuperação esportiva,
pois devem ser considerados carboidratos, eletrólitos, calorias e teor
alcoólico", diz Oliveira.
Poltronieri
diz que é importante "não confundir praticante de atividade física com
atletas de alto rendimento, que contam com suporte diferenciado" na hora
de suplementar.
"A
melhor fonte de minerais, vitaminas e macronutrientes ainda são os alimentos e
as feiras livres estão no topo da lista quando se pensa no verdadeiro conceito
de bem-estar", diz Poltronieri.
O
mesmo vale para água, que não deve ser glamourizada. "A população
praticante de atividade física deve estar atenta à hidratação, que pode ser
feita adequadamente com água. Não há necessidade de bebidas especialmente
formuladas para a hidratação corporal e é excelente alternativa para toda a
população, sem restrições", finaliza a nutricionista.
Fonte _ Folha/SP
sábado, 15 de agosto de 2026
Maioria dos brasileiros é contra morte assistida, mas opção por interromper tratamento divide país, mostra Datafolha
A
maioria dos brasileiros é contrária à morte assistida, procedimento médico que
põe fim à vida a pedido de um paciente com doença incurável em muito
sofrimento. Há dois tipos possíveis da intervenção: a eutanásia,
quando o fármaco letal é aplicado por um profissional, e o suicídio
assistido, quando a própria pessoa toma a medicação.
Quando
a pergunta é sobre interromper tratamentos para doenças sem chances de cura, a
população se divide, aponta pesquisa Datafolha,
a primeira a sondar a opinião pública sobre o tema no país.
O
levantamento ouviu 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do
Brasil, nos dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais,
para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Em relação à eutanásia, 56% se disseram contra (45% totalmente contra e 11% parcialmente contra), e 39% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 17% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.
Sobre
o suicídio assistido, a rejeição é maior. Do total, 60% se disseram contra (50%
totalmente contra e 10% parcialmente contra), e 35% se disseram a favor (22%
totalmente a favor e 13% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram,
e 3% não souberam responder.
Quando a pergunta trata da interrupção de tratamentos que apenas prolongam a vida artificialmente, sem chance de cura, a pedido do paciente ou da família, o resultado é um empate: 48% acham que os médicos deveriam poder interromper esses tratamentos, e 48% acham que não deveriam. Os demais 5% não souberam responder —a soma ultrapassa 100% por questão de arredondamento.
A
pesquisa também testou uma formulação mais ampla, sem mencionar diretamente a
atuação de um médico, perguntando se os entrevistados concordam ou discordam da
afirmação de que cada pessoa deveria poder decidir sobre o fim
da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que
isso signifique antecipar a morte.
Do total, 51% discordaram (40% discorda totalmente e 11% discorda em parte), e 46% concordaram (28% concorda totalmente e 18% concorda em parte). Apenas 1% não se posicionou, e 2% não souberam responder. Considerada a margem de erro, a diferença entre os dois grupos é a mais estreita da pesquisa, desconsiderando o empate anterior.
Por fim, ao serem questionados, de forma geral, se consideram moralmente aceitável ou moralmente errado um médico ajudar um paciente terminal a encerrar a própria vida a pedido dele, 51% disseram considerar moralmente errado, e 42%, moralmente aceitável. A opção depende da situação foi escolhida por 4% dos entrevistados; outros 3% não souberam responder.
A
amostra é formada por 48% de católicos e 27% de evangélicos. Outros 13% dizem
não ter religião, 8% se declaram de outras religiões, 2% são espíritas ou
kardecistas e 2% praticam a umbanda.
No julgamento moral sobre um médico ajudar um paciente terminal a morrer, considerar a conduta moralmente aceitável vai de 34% entre os evangélicos a 57% entre os que não têm religião —com católicos (41%) e praticantes de outras religiões (46%) numa posição intermediária. Esse mesmo padrão se repete nas demais perguntas.
A
idade é o recorte que mais diferencia a opinião dos entrevistados. Na mesma
questão, 63% dos entrevistados de 16 a 24 anos consideram a conduta moralmente
aceitável, percentual que cai para 48% na faixa de 25 a 34 anos, 43% entre 35 e
44 anos, 38% entre 45 e 59 anos e 29% entre os que têm 60 anos ou mais. O mesmo
padrão de queda, geração a geração, se repete nas outras demais perguntas.
O
levantamento não tem parâmetro histórico de comparação, por ser o primeiro a
sondar a opinião pública sobre o assunto no Brasil —não é possível, por
exemplo, dizer se a percepção do tema mudou antes e depois de um caso
conhecido, como a morte
do escritor Antonio Cícero, que recorreu
ao suicídio assistido aos 79 anos, na Suíça.
O
Brasil, diferentemente de alguns vizinhos latino-americanos, não
tem legislação ou projeto de lei em tramitação para legalizar a
prática, o que a advogada especialista em direito médico Luciana Dadalto
credita a um silêncio sobre o tema no país.
Apenas
em 2025, foi fundada a Eu Decido, primeira associação brasileira em prol do
direito à morte
assistida, a qual Dadalto preside.
Na
América Latina, três países já permitem alguma forma de morte assistida:
Colômbia, Equador e Uruguai.
A
Colômbia foi pioneira na região: a Corte Constitucional descriminalizou a
eutanásia em 1997, ampliou o direito em 2021 para incluir pacientes sem doença
terminal e, em 2022, descriminalizou também o suicídio assistido por médico,
tornando-se o único país latino-americano a permitir as duas modalidades de
morte assistida, embora ainda enfrente entraves burocráticos que dificultam o
acesso na prática.
O Equador
teve a eutanásia autorizada pela Corte Constitucional em fevereiro de 2024 e
regulamentada pelo Ministério da Saúde dois
meses depois, mas o Legislativo ainda não aprovou uma lei específica sobre o
tema, e o projeto segue em debate na Assembleia Nacional.
O Uruguai
foi o primeiro país da região a legalizar a eutanásia por lei
aprovada no Parlamento, não por decisão judicial. A Lei 20.431 foi aprovada em
outubro de 2025, mas só passou a valer na prática quando a regulamentação
entrou em vigor, em abril de 2026. O país teve seu primeiro caso em maio deste
ano, numa paciente com câncer terminal.
O
Peru está em debate judicial sobre o tema, sem legislação aprovada, e Cuba
abriu uma via legal condicionada em sua nova lei de saúde, mas
ainda depende de regulamentação específica futura para que a prática seja de
fato aplicada.
No
Brasil, a eutanásia é considerada crime de homicídio (artigo 121), com pena de
6 a 20 anos. O parágrafo 1º do texto afirma que o agente que comete o crime
impelido por motivo de relevante valor social ou moral —o que pode ser
interpretado como visando a cessar o sofrimento de determinado paciente, cujo
estado de saúde é irreversível— poderá ter a pena reduzida de um sexto a um
terço, o que significa pena mínima de 4 anos para o homicídio por misericórdia
(ação de matar alguém por piedade).
Já
quem induz, instiga ou presta auxílio a alguém que comete suicídio —o que
inclui o suicídio assistido— está sujeito ao artigo 122 do Código Penal, com
pena de reclusão de dois a seis anos, caso o suicídio se consume.
No mundo, 16 países permitem a morte assistida, em parte ou na totalidade de seus territórios: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai, alguns deles, no entanto, ainda sem regulamentação da prática. Outros três avançaram nesse sentido, em estágios distintos: Cuba, França e Peru.
Fonte _ Folha/SP
Dez minutos de exercícios por dia podem evitar casos de demência
Incorporar
poucos minutos de atividade
física por dia pode ter um impacto expressivo
na prevenção da demência. Um estudo conduzido por pesquisadores do
Brasil e do Estados Unidos estima que, se adultos que hoje não praticam nenhum
exercício passarem a se movimentar ao menos dez minutos por dia, cerca de 420
mil casos de demência poderão
ser prevenidos até 2050, com uma economia estimada em até R$ 16
bilhões em custos relacionados à doença.
Num
cenário em que a inatividade física fosse completamente eliminada, a economia
poderia chegar a R$ 23 bilhões, segundo a análise, publicada em 2025 no Brazilian Journal of
Psychiatry. Os autores combinaram dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde,
realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), com informações do Global Burden of Disease,
conduzido nos EUA.
Os
resultados indicam que 14,9% dos casos
de demência no Brasil estão ligados à inatividade física —que não
é sinônimo de sedentarismo. A primeira é a prática de menos de 150 minutos
semanais de exercícios, tempo recomendado pela OMS (Organização Mundial da
Saúde). Já o comportamento sedentário é o tempo que a pessoa passa sentada,
deitada ou reclinada, com baixo gasto energético.
"Do
ponto de vista populacional, sabemos que 1 em cada 15 casos de demência no
mundo pode ser atribuído à inatividade física, o que equivale a um caso novo a
cada 42 segundos, que poderiam ser prevenidos com a atividade física",
afirma o profissional de educação física Natan Feter, um dos autores do estudo.
O
artigo projeta que o número de brasileiros vivendo com demência pode saltar de
cerca de 1,9 milhão em 2019 para 5,7 milhões em 2050, impulsionado
principalmente pelo envelhecimento populacional.
Esse
crescimento traz também impacto econômico: sete anos atrás, o custo estimado da
doença no país já era de US$ 35,3 bilhões, sendo que a maior parte desse valor
está relacionada a cuidados informais prestados por familiares.
Exercício
em prol do cérebro
A
ciência acumulou evidências importantes nas últimas décadas sobre o papel do
exercício na saúde cerebral. A prática regular de atividade física melhora a
função cognitiva, reduz o risco de eventos cerebrovasculares, como AVC, e
estimula mecanismos ligados a criação e sobrevivência de neurônios.
"Tudo
isso ajuda a entender o papel protetor da atividade física no risco de
demência", observa Feter, que atua como pesquisador associado no
departamento de Ciências Biológicas da Universidade do Sul da Califórnia, nos
EUA.
O
comportamento sedentário também aparece como um fator de risco relevante,
elevando a probabilidade de desenvolver o problema entre 17% e 30%.
"Pessoas
que passam mais de dez horas por dia nesse tipo de comportamento têm risco
aumentado de demência", alerta a geriatra Thaís Ioshimoto, do Einstein
Hospital Israelita.
Por
outro lado, atividades realizadas sentado, mas que estimulam o cérebro, como
leitura ou jogos de memória, não parecem ter a mesma associação com a doença.
"Na
prática clínica, observamos que idosos mais ativos têm menor incidência de
demência. Isso reforça a ideia de que tudo o que faz bem ao coração também faz
bem ao cérebro: alimentação saudável, atividade física regular e controle da
pressão e do colesterol", diz Ioshimoto.
No
estudo, observou-se que os maiores benefícios ocorrem justamente quando a
pessoa sai do zero e passa a fazer algum nível de atividade. "Cada minuto
que a pessoa consegue adicionar na rotina diminui o risco de demência",
frisa Natan Feter.
A
meta dos dez minutos
A
ideia de trabalhar com pequenas doses de atividade física surgiu justamente da
percepção de que metas mais ambiciosas, como atingir os 150 minutos semanais
recomendados pelas diretrizes internacionais, podem ser difíceis para grande
parte da população.
Dez
minutos por dia podem ser uma caminhada no bairro, ir à academia, realizar
exercícios de fortalecimento muscular em casa ou mesmo optar por ficar de pé
por dez minutos ao dia.
Na
avaliação de Thaís Ioshimoto, a meta é realista para a maioria das pessoas. E,
entre idosos que começam a se exercitar, os ganhos vão além da aptidão física.
"Qualquer
atividade física é válida, o importante é se movimentar. O exercício melhora o
humor, aumenta a socialização e muitas vezes acaba estimulando outras mudanças
positivas, como melhorar a alimentação", afirma.
Apesar
de os resultados reforçarem o papel das escolhas individuais, os pesquisadores
destacam que a prática de exercícios também depende de condições sociais, já
que a maioria das pessoas trabalha o dia inteiro e passa horas em deslocamento.
Quando sobra tempo, muitas vezes não encontram ambientes seguros ou
infraestrutura adequada para se exercitar.
"Precisamos
entender a atividade física como um direito humano. Por isso, além de
incentivar pequenas mudanças de comportamento, é fundamental investir em
políticas públicas que ampliem o acesso a oportunidade", conclui Feter.
Fonte _ Folha/SP
Mundo vive "'epidemia de estupidez'"
O
médico e escritor Drauzio Varella sabe
bem o que é conviver com a desinformação —há cerca de 10 anos, ele vê sua
imagem e voz sendo usadas na disseminação de
notícias e propagandas falsas.
Falando
no evento BBC World Service: Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade,
nesta sexta-feira (14), Varella brincou que deve ser o maior vendedor de
remédios falsos do Brasil, talvez da América
Latina.
Mas
a verdade é que, há várias décadas, Varella vem se dedicando profundamente à
comunicação de informações cientificamente embasadas.
Ele
só não imaginaria que, nos anos 2020, iria se deparar com uma "epidemia
de estupidez" que rejeita o uso de máscaras contra a covid-19 e
vacinas, afirmou.
"Ignorância
é uma coisa, estupidez é outra. Eu sou ignorante em muitas coisas. Cada um de
nós", explicou. "O ignorante aprende quando ele é ensinado; o
estúpido não, porque o estúpido acha que ele sabe."
O
médico participou de um evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela
BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país.
Ele
foi entrevistado pelo jornalista da BBC João Fellet.
Varella
contou que desde a epidemia de Aids, na
década de 1980, profissionais de saúde como ele lidam com colocações falsas,
como a que chamava a então nova
doença de "peste gay".
"Não
é possível uma coisa dessas, porque olha as implicações epidemiológicas que
você tem com uma afirmação ignorante e preconceituosa como essa. Se é peste
gay, as mulheres, teoricamente, estavam protegidas. Os homens heterossexuais
também. Mas existe alguma doença
sexualmente transmissível que poupe um dos sexos? Toda doença
sexualmente transmissível, por definição, é sexualmente transmissível."
Segundo
o médico, foi nessa época que ele passou a se dedicar também à comunicação,
fazendo campanhas de rádio com informações sobre a Aids.
Mais
de 30 anos depois, a desinformação apareceu com novas facetas na pandemia de
coronavírus.
"A
covid foi uma grande surpresa, porque nós imaginávamos que já tínhamos passado
de certos pontos."
Ele
cita, por exemplo, a disseminação de campanhas contra as vacinas.
"Sempre
tivemos movimentos antivacinas no Brasil, mas eram muito restritos a uma
camada, em geral a classe média alta", lembrou Varella.
"Mas
isso era um movimento marginal que não tinha nenhuma repercussão na sociedade.
E de repente você vê médicos formados, alguns na faculdade que eu me formei, na
USP, falando contra as vacinas. Mas como assim? Como aconteceu isso? É um
fenômeno mundial."
Para
o médico, que há anos apresenta quadros de saúde no programa da TV Globo
Fantástico e tem na internet o Portal Drauzio Varella, poucas pessoas podem ser
convencidas racionalmente.
"Convencer
com palavras já não é fácil. Convencer por mecanismos racionais, você só
convence as pessoas que são racionais. E os racionais são minoria na sociedade.
As outras pessoas você vai convencer se você conseguir emocioná-las",
explicou, citando exemplos de produções tocantes que conduziu no Fantástico.
Autor
de livros como Estação Carandiru e O Sentido das Águas - histórias do Rio
Negro, Varella fez duras críticas à empresa Meta, dona do
Instagram, Facebook e WhatsApp.
Segundo
o médico, ele e sua equipe perceberam ao longo do tempo que a empresa "não
tem interesse" algum de tirar conteúdo falso do ar.
Ele
contou que, recentemente, uma senhora o parou na rua para falar que um remédio
que ela havia comprado, falsamente anunciado com a imagem de Varella, não
estava "ajudando nada".
"Como
é que alguém pratica um crime desse? Porque isso é crime, é crime contra a
saúde pública. Deveria ser inafiançável. Vai no YouTube, vê se tem essas
notícias falsas. Não tem, pelo menos em meu nome", afirmou o médico,
indicando que o YouTube deve ter alguma tecnologia pra barrar esse tipo de
"estelionato".
"A
Meta é uma empresa imoral. Eles são sócios desses bandidos, desses
estelionatários, desses criminosos."
Em
julho, Varella fez críticas semelhantes à Meta na 24ª Flip (Festa
Literária Internacional de Paraty).
Diante
da fala
do médico na Flip, a empresa afirmou em nota que não permite atividades
fraudulentas e que remove anúncios enganosos "assim que
identificados".
"Estamos
sempre intensificando nossos esforços utilizando tecnologia de reconhecimento
facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de
segurança e alertas. Além do trabalho de identificação e remoção, iniciamos
ações judiciais contra anunciantes fraudulentos que usam imagens de figuras
públicas indevidamente. Recomendamos, ainda, que as pessoas denunciem, pelas
próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas", afirmou a Meta.
Fonte _ Folha/SP
Novenário Nossa Senhora da Glória - Festa da Padroeira 2026 - Encerramento
Missa:
17hs
Procissão:
Após a Missa
Show:
Sueli Façanha
Programação
do Novenário de Nossa Senhora da Glória 2026, click aqui
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Alimentos gordurosos aumentam risco de câncer colorretal
A
lista de riscos à saúde associados
a alimentos ricos em gordura e pobres em fibras é extensa: colesterol LDL
(lipoproteína de baixa densidade) ou colesterol "ruim", artérias
obstruídas, ganho de peso, doenças cardíacas, sobrecarga hepática, picos de
açúcar no sangue, má digestão, e a lista continua...
Um
novo estudo realizado por uma equipe de pesquisadores alemães demonstrou como
as chamadas dietas ocidentais podem levar ao desenvolvimento de um dos cânceres
de maior incidência e mortalidade em adultos com menos de 50 anos, o
câncer colorretal.
Os
pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, da RWTH Aachen e do Instituto
Alemão de Nutrição Humana Potsdam-Rehbrücke (DIfE) descobriram que essas dietas
aumentam a produção de ácido deoxicólico no intestino.
Os
resultados foram publicados na edição de agosto de 2026 da revista Gut,
especializada em gastroenterologia e hepatologia.
"O
que torna nosso estudo especial é que ele demonstra a causalidade",
afirmou à DW Annika Osswald, autora principal do estudo e doutoranda no
Instituto Alemão de Nutrição Humana. "Até agora, sabíamos apenas que havia
algum tipo de conexão entre [um certo] ácido biliar secundário e o câncer colorretal."
Como
o ácido biliar está ligado ao câncer colorretal?
A
gordura dos alimentos que ingerimos desencadeia a produção de ácidos biliares
primários no fígado. Esses ácidos são importantes: seu corpo precisa deles para
decompor e absorver as gorduras. A maioria dos ácidos biliares primários é
reabsorvida e retorna ao fígado.
Mas
uma pequena fração chega ao cólon, onde certas bactérias os convertem em ácidos
biliares secundários, incluindo um chamado ácido deoxicólico (DCA). Quanto mais
alimentos gordurosos você consome, maior a concentração de DCA no seu cólon. E
é aí que os problemas começam.
Osswald
e seus colegas realizaram testes em camundongos em laboratório. "No cerne
do nosso trabalho para comprovar a causalidade estavam os modelos de
camundongos", explicou a cientista.
A
equipe de pesquisa implantou bactérias produtoras de DCA em camundongos. Os
cientistas controlavam completamente o microbioma intestinal desses animais. Em
seguida, os cientistas induziram câncer colorretal nesses camundongos e em
outros sem as bactérias. Os que tinham bactérias produtoras de DCA no intestino
apresentaram maior crescimento tumoral do que os camundongos que não as tinham.
A
divisão celular nos camundongos com DCA também aumentou. Isso torna mais
provável o desenvolvimento de câncer, porque multiplica as chances de erros de
replicação do DNA. Essas mutações de DNA durante a divisão celular podem se
acumular e levar ao câncer.
Para
verificar se o processo que eles observaram em camundongos também ocorre em
humanos, os pesquisadores analisaram amostras de fezes de mais de mil pessoas,
com e sem câncer colorretal. Genes de bactérias produtoras de DCA foram
encontrados com mais frequência em pessoas com câncer colorretal.
"Nossos
resultados mostram o quanto uma dieta ocidental rica em gordura e as mudanças
associadas no microbioma intestinal podem afetar a saúde intestinal
humana", disse o microbiologista Sören Ocvirk, outro autor do estudo.
Osswald
afirma que o trabalho da equipe é fundamental e que mais pesquisas precisam ser
feitas. Ainda assim, a comprovação da causalidade entre bactérias intestinais
produtoras de DCA e o aumento do crescimento tumoral aponta para possíveis
tratamentos de câncer colorretal.
Por
que é vital entender melhor o câncer colorretal
O
câncer colorretal é o único tipo de câncer cuja taxa de mortalidade em pessoas
com menos de 50 anos aumentou nas últimas décadas. Essa é a
conclusão de um estudo publicado no jornal científico Journal of the American
Medical Association em janeiro de 2026.
O
número de mortes por câncer cerebral, câncer de mama, leucemia e câncer de
pulmão diminuiu nos EUA entre 1990 e 2023. Mas o número de mortes por câncer
colorretal aumentou 1,1% ao ano, a partir de 2005.
Quando
detectado precocemente, o câncer que começa no cólon ou no reto é tratável.
Mas os
sintomas frequentemente não se manifestam nos estágios iniciais da
doença. Quando aparecem, podem ser interpretados erroneamente como sintomas de
condições menos graves, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável. Os
sintomas do câncer colorretal incluem:
- sangue nas
fezes
- diarreia ou
constipação intermitente, ou constante
- dor abdominal
persistente
- gases ou
cólicas
- sensação de
inchaço
Outro
obstáculo para a detecção precoce é que algumas pessoas podem se sentir
constrangidas em discutir os sintomas de problemas colorretais com seu médico.
Portanto, não tenha vergonha, converse com seu médico.
Como
esses estudos podem ajudar no tratamento?
Uma
opção a ser considerada no futuro pode ser o transplante de microbiota
intestinal.
"Você
poderia transplantar a microbiota intestinal [o conjunto de microorganismos que
vivem naturalmente no intestino] de pessoas com menos bactérias produtoras de
DCA em pacientes com câncer colorretal", disse Osswald. "Isso poderia
potencialmente retardar o crescimento do tumor."
A
melhor opção, é claro, é prevenir o câncer colorretal. Embora algumas pessoas
possam ter predisposição genética para desenvolver câncer colorretal, muito
depende de fatores relacionados ao estilo de vida.
Comer
de forma saudável, reduzir a quantidade de carne e alimentos gordurosos e não
fumar diminuem o risco de câncer colorretal.
Fonte _ Folha/SP















