Passe
a madrugada com muita informação e análise das principais notícias do dia.
Hoje a apresentação é de Klauson Dutra.
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Ao
vivo diretamente do Maior São João do Mundo, em Campina Grande.
Shows
do dia 03 de junho:
- Brasas
do Forró;
- Limão
com Mel;
- Dominguinho;
- Solange Almeida.
Ministério
da Saúde anunciou a inclusão de uma calculadora de idade corrigida e das Curvas
Internacionais de Crescimento para Crianças Nascidas Pré-termo no prontuário
eletrônico da Atenção Primária à Saúde (APS), o PEC
e-SUS APS. O sistema passa a disponibilizar uma funcionalidade para a
realização do cálculo automático. A ferramenta já está disponível para os 4.318
municípios os quais utilizam o sistema, o que representa aproximadamente 80%
dos municípios brasileiros.
A
iniciativa significa um avanço importante para a continuidade do cuidado
no Sistema Único de Saúde
(SUS) ao apoiar as equipes na aplicação do Método
Canguru e no acompanhamento adequado do desenvolvimento de
crianças prematuras. Por meio desse método e dos dados gerados é possível
fortalecer o vínculo entre bebês, suas famílias e equipes de saúde.
“Com
essas ferramentas no prontuário eletrônico PEC e-SUS APS profissionais
conseguem reduzir erros e cuidar das crianças com mais precisão e segurança,
além de fortalecer o acompanhamento da saúde dos bebês prematuros desde os
primeiros meses de vida. Precisamos de todas as equipes envolvidas nesse
cuidado, que é multiprofissional. Com o Método Canguru e as novas
funcionalidades, conseguiremos qualificar ainda mais o cuidado neonatal”,
explica a diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral, Karina Correa
Wengerkievicz.
A
nova funcionalidade de idade corrigida foi desenvolvida para possibilitar uma
avaliação mais precisa do crescimento e desenvolvimento de bebês prematuros a
partir de um ajuste na idade cronológica da criança, considerando o número de
semanas de prematuridade ao nascimento. Nesse sentido, se um bebê nasceu dois
meses antes do previsto, quando ele completar quatro meses de vida, seu
desenvolvimento será avaliado como o de um bebê de dois meses. Dessa maneira, a
ferramenta evita comparações inadequadas e avaliações erradas que podem
comprometer a saúde do recém-nascido. As curvas de crescimento do prematuro
também ajudam a acompanhar peso, altura e perímetro encefálico usando
referências específicas para crianças prematuras, qualificando o cuidado
prestado.
Atenção
neonatal
Além
da incorporação da calculadora de idade corrigida e das curvas de crescimento,
o Ministério da Saúde também reforça duas novas iniciativas voltadas à
qualificação da atenção neonatal. As medidas fortalecem práticas reconhecidas
pelo impacto positivo na saúde e no desenvolvimento dos recém-nascidos.
Uma
delas amplia
as recomendações para o contato pele a pele entre mãe e bebê logo após o
nascimento, inclusive em situações como cesarianas, prematuridade e
internação neonatal. A orientação reforça a importância da chamada Hora de Ouro
— período considerado fundamental para a adaptação do recém-nascido à vida
extrauterina — e incentiva a adoção dessa prática como rotina nos serviços de
saúde por seus benefícios para o vínculo afetivo, o aleitamento materno, a
estabilidade fisiológica e a humanização da assistência.
Outra
medida fortalece
a organização do transporte neonatal de alto risco, com foco na
segurança e na qualidade do cuidado durante remoções e transferências de
recém-nascidos em situação crítica. As orientações abrangem equipes,
equipamentos, protocolos assistenciais e organização dos fluxos de atendimento,
contribuindo para a redução de complicações e para o fortalecimento das redes
de atenção neonatal em todo o País.
As
iniciativas dialogam diretamente com os princípios do Método Canguru ao
promoverem cuidado centrado no bebê e na família, atenção baseada em evidências
científicas e integração entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde.
“Quando
falamos em atenção neonatal, estamos falando de uma linha de cuidado que começa
no nascimento e segue por toda a trajetória da criança na rede de saúde.
Fortalecer o contato pele a pele, qualificar o transporte neonatal e ampliar
ferramentas para o acompanhamento dos prematuros são ações complementares que
ajudam a garantir mais segurança, vínculo e qualidade de vida para os
recém-nascidos e suas famílias”, destaca o diretor do Departamento de Atenção
Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHUD), Fernando Figueira.
Os
anúncios foram feitos nesta sexta-feira (29) durante evento em alusão ao Dia
Internacional de Sensibilização do Método Canguru, celebrado em 15 de
maio.
Em
2026, a data destaca o tema “No aconchego nasce a força” com intuito de
reforçar a potência do vínculo, do acolhimento e da participação da família
como elementos fundamentais para o desenvolvimento, a recuperação e a
sobrevivência dos bebês.
Pais
de Liz, Raquel Rodrigues Silva Moreira e Paulo Henrique Alves Moreira, contaram
a experiência da família com o Método Canguru. "Fomos muito bem acolhidos.
O Método Canguru tem uma importância absurda na nossa vida, foi essencial. A
humanização da equipe fez toda a diferença durante o nosso processo e mudou
nossa visão sobre o atendimento em saúde", contou Raquel.
O
evento também reforçou o convite institucional para o Congresso Mundial do
Método Canguru, que ocorrerá em Brasília, em novembro. A realização do
congresso no País representa reconhecimento internacional da trajetória
brasileira na implementação do Método Canguru e constitui uma oportunidade
estratégica para a troca global de experiências.
Mais
sobre o Método Canguru
É uma estratégia de atenção humanizada ao recém-nascido prematuro e/ou de baixo peso, baseada no contato pele a pele entre o bebê e sua família, promovendo vínculo afetivo, estabilidade clínica e participação ativa da família no cuidado, além da continuidade da atenção após a alta hospitalar.
O
Método Canguru integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança
(PNAISC), contribui para a atenção neonatal segura e humanizada,
para a integralidade do cuidado, para a redução da morbimortalidade neonatal e
para o desenvolvimento infantil saudável. Ele também dialoga com estratégias
nacionais de qualificação da atenção materna, neonatal e infantil, incluindo
a Rede
Alyne e a Estratégia
QualiNEO (qualificação da assistência ao recém-nascido de risco).
O aperfeiçoamento do Método Canguru fortalece a integração entre maternidade,
atenção especializada, atenção primária e demais pontos da Rede de Atenção à
Saúde.
Conheça a campanha de Doação de Leite Humano
Fonte _ Saúde.gov
Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo de futebol masculino vai ser disputada em três países: México, Canadá e Estados Unidos. A 23ª edição da competição, que acontece de 11 de junho a 19 de julho, será a primeira com 48 seleções, um aumento considerável em relação ao modelo adotado de 1998 a 2022, com 32 aspirantes ao troféu.
A mudança no formato vai permitir a presença de nações de diminuta tradição no futebol, com quatro estreantes: Jordânia, Uzbequistão, Cabo Verde e Curaçao. O número de participantes também traz outras novidades, como aumento nos confrontos mata-matas e recorde de duração, somando 39 dias, e de partidas, com 104 jogos.
Confira abaixo as respostas para algumas das principais dúvidas sobre o torneio.
Onde
será a Copa do Mundo?
A
Copa do Mundo de 2026 será disputada em três países: México, Canadá e Estados
Unidos. Será a primeira vez que uma edição do evento acontecerá em mais de um
país ao mesmo tempo.
Por
que a Copa 2026 vai ser em três países?
O
principal motivo que levou a criação da coalizão United 2026, formada por
Canadá, Estados Unidos e México, foi o aumento no número de países
participantes da Copa do Mundo de 2026, passando de 32 para 48 seleções.
Com
a mudança, pensando em infraestrutura e logística, tornou-se necessário mais
cidades-sede para acomodar as delegações. Assim, os três países anunciaram
candidatura conjunta, modelo aprovado pelo Conselho da Fifa em
outubro de 2016, aproveitando a vasta infraestrutura existente, legado de
edições anteriores, como México (1970 e 1986) e EUA (1994).
Quais
são os países que vão para a Copa 2026?
Canadá,
Estados Unidos, México, África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argélia,
Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Cabo
Verde, Qatar, Colômbia, Costa do Marfim, Croácia, Curaçao, Egito, Equador,
Escócia, Espanha, França, Gana, Haiti, Holanda, Inglaterra, Iraque, Japão,
Jordânia, Marrocos, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Portugal,
República Democrática do Congo, República da Coreia, Irã, Senegal, Suécia,
Suíça, República Tcheca, Tunísia, Turquia, Uruguai e Uzbequistão.
Quais
os dias e horários dos primeiros jogos do Brasil?
A
seleção brasileira vai estrear na Copa contra o Marrocos no dia 13 de junho,
sábado, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium. Depois, a equipe
de Carlo
Ancelotti vai encarar o Haiti, no dia 19 de junho, uma
sexta-feira, às 21h30, no Lincoln Financial Field.
O
terceiro jogo pelo Grupo C será contra a Escócia, em 24 de junho, às 19h, no
Hard Rock Stadium, em Miami. Se a seleção brasileira avançar, as partidas da
próxima fase acontecem a partir de 29 de junho.
Quanto
tempo a Copa de 2026 vai durar?
A
Copa do Mundo 2026 terá a maior duração da história da competição de futebol masculino.
No total, serão 39 dias de competição, somando 104 jogos no total.
Quando
é o último jogo da Copa do Mundo?
A
final acontece no dia 19 de julho, um domingo, às 16h (horário de Brasília), no
MetLife Stadium, em East Rutherford, perto de Nova Jersey e de Nova York.
Como
a Copa do Mundo funciona?
As
48 seleções são divididas em grupos de quatro. Os times se enfrentam uma vez
dentro do grupo, e os dois mais bem classificados passam para a próxima fase.
Também continuam na disputa os oito melhores terceiros colocados. Assim, 32
equipes vão se classificar para o mata-mata, que começa já nas 16-avos de
final. A partir daí, é eliminatória em jogo único. Se empatar, vai para a
prorrogação e pênaltis.
Quais
são os países que o Brasil nunca venceu?
A
seleção brasileira nunca venceu três países em jogos da Copa do Mundo:
Portugal, Noruega e Hungria. Este último, no entanto, não vai disputar o
torneio neste ano. Até a Copa do Mundo do Qatar, a seleção da Suíça também
integrava a lista
dos algozes já enfrentados e nunca vencidos pelos brasileiros. A
equipe brasileira venceu os suíços por 1 a 0 em 28 de novembro de 2022.
Onde
assistir à Copa do Mundo 2026?
A
Copa do Mundo terá transmissão multiplataforma. A CazéTV,
liderada por Casimiro
Miguel, fará a transmissão de todos os 104 jogos no YouTube, enquanto a Globo deve exibir
52 partidas, incluindo jogos exclusivos da TV aberta e exibições em
pacote que inclui o canal por assinatura SporTV e a plataforma online GE TV. Já
o SBT,
em parceria com a N Sports, vai cobrir 32 jogos.
Quem
ganhou a última Copa do Mundo?
A Argentina foi a campeã da Copa do Mundo de 2022 após
vencer a França na final, em disputa de pênaltis, no Qatar.
Veja
a tabela da Copa do Mundo 2026
Clique
aqui e
acesse a tabela para saber todos os dias e horários das partidas do Mundial.
Quais
são os campeões da Copa do Mundo?
Fonte _ Folha/SP
Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, em reunião de Diretoria
Colegiada realizada nesta sexta-feira (29/5), o índice máximo de 5,11% para o
reajuste anual dos planos de saúde de assistência médica
individuais/familiares.
O
percentual é o menor já definido pela ANS, com exceção de 2021, quando houve
reajuste negativo em razão da redução do uso dos serviços de saúde durante o
período de isolamento social da Covid-19, o que levou à diminuição dos custos
das operadoras.
O
índice de 5,11% se aplica a cerca de 7,7 milhões de beneficiários, o
equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de consumidores de planos de assistência
médica no Brasil (dados de março de 2026), e é válido para os contratos
regulamentados – firmados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei
nº 9.656/1998.
“Esse
é o reajuste mais baixo já definido pela ANS, o que traz alívio para o cidadão
que se esforça para manter um plano de saúde para sua família. Nosso objetivo é
sempre buscar o equilíbrio, garantindo a sustentabilidade do setor e a
capacidade de pagamento dos beneficiários”, afirma o diretor-presidente da ANS,
Wadih Damous.
O
percentual foi calculado pela Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos,
apreciado pelo Ministério da Fazenda e aprovado em reunião de Diretoria
Colegiada da Agência. A decisão segue agora para publicação no Diário Oficial
da União.
A
aplicação do reajuste anual só pode ser feita pela operadora no mês de
aniversário do contrato (data de contratação do plano). Para os contratos com
aniversário em maio e junho, a cobrança deverá começar em julho ou, no máximo
em agosto, retroagindo até o mês de aniversário.
“O
resultado é reflexo de uma metodologia baseada no comportamento do setor,
considerando tanto o aumento dos custos assistenciais quanto a frequência de
utilização dos serviços. A fórmula evita aumentos excessivos para o consumidor
e, ao mesmo tempo, garante que os planos continuem oferecendo atendimento de
qualidade e de forma sustentável”, destaca a diretora de Normas e Habilitação
dos Produtos, Lenise Secchin.
Histórico dos percentuais de planos de saúde individuais/familiares
Metodologia
considera uso dos planos e custos do setor
Para definir
o percentual de 2026, a ANS utilizou a metodologia aplicada desde 2019, que
leva em conta:
O
cálculo combina:
O
IVDA reflete a variação das despesas com atendimento aos beneficiários de
planos de saúde, enquanto o IPCA incide sobre custos de natureza não
assistenciais, como despesas administrativas. Na fórmula, o IVDA tem
peso de 80% e o IPCA de 20%. A fórmula do IVDA tem três componentes: a Variação
das Despesas Assistenciais (VDA), a Variação da Receita por Faixa Etária
(VFE) e o Fator de Ganhos de Eficiência (FGE).
A
VDA é calculada com base nos dados das demonstrações contábeis e quantidade de
beneficiários enviados pelas operadoras à ANS periodicamente. As bases
utilizadas no cálculo são públicas, conferindo, assim, maior
transparência e previsibilidade.
A
VFE deduz a parcela da variação de despesas das operadoras que já é recomposta
pela variação das mensalidades por mudança de faixa etária. Já o FGE é um
índice de eficiência apurado a partir da variação das despesas assistenciais,
transferindo para os consumidores ganhos de eficiência do
setor e evitando um modelo de repasse automático da variação de custos.
Despesas assistenciais em 2025 e 2024 – Base de cálculo do reajuste
O valor final do plano de saúde é impactado por fatores como a inflação, o aumento ou queda da frequência de uso do plano de saúde e os custos dos serviços médicos e dos insumos, como produtos e equipamentos médicos.
As
despesas assistenciais per capita nos planos individuais regulamentados tiveram
crescimento de 8,32% em 2025 comparado a 2024. Essa variação observada nos
custos assistenciais reflete o aumento dos preços dos serviços e insumos de
saúde, bem como aumento no padrão de consumo de serviços de saúde associado a
fatores como mudanças no perfil etário dos consumidores e incorporações no rol
de procedimentos da saúde suplementar.
Diferença
entre índice de inflação e índice de reajuste de planos de saúde
Os índices de inflação medem a variação de preços de produtos e serviços. Já os índices de reajuste de planos de saúde são “índices de valor”, pois medem a variação combinada não somente de preços, mas também de quantidades consumidas. Dessa forma, o percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços de saúde.
Informações
no boleto
A
partir do anúncio do teto máximo de reajuste, os beneficiários de planos
individuais/familiares devem ficar atentos aos seus boletos de pagamento e
observar se o percentual aplicado é igual ou inferior ao definido pela ANS
(5,11%) e se a cobrança com o índice de reajuste está sendo feita a partir do
mês de aniversário do contrato, que é o mês em que o contrato foi firmado.
Entenda
como o reajuste é aplicado
O índice de reajuste autorizado pela ANS pode ser aplicado somente a partir do mês de aniversário de cada contrato. Para os contratos com data de aniversário em maio e junho, a cobrança deverá começar, em julho ou, no máximo, em agosto, retroagindo até o mês de aniversário do contrato. Confira no exemplo abaixo:
Perguntas e respostas sobre o reajuste 2026.
Saiba
mais sobre o reajuste de planos individuais ou familiares
Portabilidade
de carências
Os
consumidores têm o poder de escolha. Caso entendam que seu plano de saúde não
está lhes atendendo adequadamente, podem optar pela portabilidade de carências
para outra operadora. Para saber as opções disponíveis no mercado para
contratação ou troca via portabilidade de carências, o interessado pode fazer
comparações ao consultar o Buscador
de Planos de Saúde - Guia ANS, no portal da Agência.
Para
saber os requisitos para a realização da portabilidade de carências, confira
aqui.
Em
caso de dúvidas, os consumidores podem entrar em contato com a ANS por meio dos
seguintes canais de atendimento:
Fonte _ Saúde.gov
Divulgado
nesta quinta-feira (28/5), o
novo Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua aumentando - em nível nacional
- em todas as faixas etárias. A alta de SRAG está associada ao crescimento do
número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR)
e influenza A. O rinovírus também tem contribuído para o aumento
de SRAG, principalmente entre crianças e adolescentes, em alguns estados do
Nordeste (Alagoas, Paraíba e Sergipe) e do Sudeste (Minas Gerais e Rio de
Janeiro), além de Amazonas e Santa Catarina. Os casos de SRAG por Covid-19
segue em baixa na maior parte do país, mas mostram sinais de início ou
manutenção do crescimento no Ceará, Maranhão e Pará. A análise é referente à Semana
Epidemiológica 20, período de 17 a 23 de maio.
Os
dados de resultados laboratoriais por faixa etária sinalizam que o aumento do
número de casos de SRAG em crianças de até 4 anos tem sido impulsionado
principalmente pelo VSR. O aumento de SRAG nas crianças e adolescentes de 5 a
14 anos está associado principalmente ao rinovírus e, nos jovens, adultos e
idosos, à influenza A.
A
pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz,
alerta que, diante deste período de alta circulação de diversos vírus
respiratórios, é essencial que as pessoas elegíveis se vacinem contra a
influenza e o VSR. Portella alerta que as vacinas contra esses vírus reduzem as
chances de desenvolvimento das formas graves da doença e de óbito.
“A
vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação
e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a
influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades,
gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, avisa.
Além disso, a pesquisadora recomenda a adoção de medidas de etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz com o braço ou um lenço ao tossir e espirrar, evitar compartilhar utensílios de uso pessoal, lavar as mãos com frequência, usar máscara e evitar contato próximo com outras pessoas em caso de sintomas de gripe ou resfriado.
Estados
e capitais
O Boletim mostra
que todas as unidades da Federação - com exceção de Rondônia - estão com
incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas
semanas). E 20 delas também estão com sinal de crescimento na tendência de
longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 20: Acre,
Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso
do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio
Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. Os
vírus que mais têm contribuído para a alta de SRAG na maioria dos estados são o
VSR e, em algumas regiões, influenza A e rinovírus.
Os
casos de SRAG por VSR continuam aumentado em todos os estados das regiões
Sudeste e Sul, em boa parte da região Nordeste (AL, BA, CE, PB, RN e SE) e
alguns estados do norte (PA e AP), além do Mato Grosso do Sul,
mas já mostra tendência de interrupção de crescimento ou queda em quase todo o
Centro-Oeste (DF, GO e MT), além de alguns estados do norte (AC
e AM) e Nordeste (PE e MA). Mesmo sem tendência de aumento, os casos de SRAG
por VSR continuam altos no MT, GO e DF.
As
hospitalizações por influenza A se mantêm em crescimento em toda a região Sul,
e em alguns estados do Sudeste (SP e ES) e Norte (RR e TO).
Contudo, mesmo com sinal de interrupção do crescimento ou queda, as
hospitalizações por influenza A continuam altas em Minas Gerais e
Paraíba.
O
rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG, especialmente de
crianças e adolescentes, em alguns estados do Nordeste (AL, PB e SE), Sudeste
(MG e RJ) e no Amazonas e Santa Catarina. Os casos de SRAG por Covid-19
estão em baixa na maior parte do país, mas mostram sinais de início ou
manutenção do crescimento no Ceará, Maranhão e Pará.
De
acordo com a atualização, 15 das 27 capitais brasileiras apresentam nível de
atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com
sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a
Semana Epidemiológica 20: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa
Vista (RR), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Macapá (AP),
Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC),
Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e Teresina (PI).
Dados
epidemiológicos
Nas
4 últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de
22,4% de influenza A, 4,7% de influenza B, 47,6% de vírus sincicial
respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 51,2% de influenza A, 7,2% de influenza B, 13,4% de vírus
sincicial respiratório, 17,2% de rinovírus e 9,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 70.211 casos de SRAG, sendo
33.245 (47,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 25.790 (36,7%) negativos, e ao menos 6.309 (9%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Dentre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 25,4% de influenza A, 2,6% de
influenza B, 29,7% de vírus sincicial respiratório, 33,9% de rinovírus e 6,4%
de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 22,4% de influenza A, 4,7% de
influenza B, 47,6% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,3%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças
pequenas e está associada principalmente ao VSR. Por outro lado, a mortalidade
é maior entre os idosos e liderada pela influenza A.
Em
relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior
impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade afeta mais a
população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por Covid-19 segue
em baixa em todas as faixas etárias.
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz
O Ministério
da Saúde publicou nesta terça-feira (26) a Nota Técnica nº 52/2026
com diretrizes para a utilização da vacina pneumocócica conjugada
20-valente (VPC20) — pneumo 20, em estratégias especiais do Sistema
Único de Saúde (SUS). A medida amplia a proteção contra
doenças pneumocócicas invasivas em grupos com maior vulnerabilidade clínica
e estabelece regras de transição para pacientes que já
receberam vacinas anteriores, como a VPC10, VPC13 e VPP23.
Segundo
o documento, a VPC20 passa a integrar a Rede de Imunobiológicos para Pessoas
com Situações Especiais (RIE) e amplia a cobertura contra um maior número de
sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por
infecções graves como meningite, pneumonia bacteriana e sepse.
O
Ministério da Saúde afirma que a incorporação da vacina busca reduzir
hospitalizações e óbitos, além de simplificar esquemas vacinais e
diminuir a necessidade de múltiplos imunizantes pneumocócicos em determinados
grupos.
Quem poderá receber a VPC20
A
vacina será destinada a pessoas com condições clínicas especiais atendidas pela
RIE. Entre os grupos contemplados estão pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes
oncológicos, transplantados, indivíduos com imunodeficiências, doenças
cardíacas, pulmonares e renais crônicas, diabetes, fibrose cística e prematuros
com até 23 meses de idade.
A nota técnica também prevê diferentes esquemas vacinais conforme a faixa etária. Na prática pediátrica, crianças entre 2 e 6 meses deverão receber três doses e um reforço (12-15 meses), enquanto pessoas com cinco anos ou mais poderão receber dose única, exceto em situações específicas como transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) e terapia CAR-T.
Documento
define regras de transição vacinal
O
texto também estabelece orientações para pessoas que já iniciaram
esquemas anteriores com as vacinas VPC10, VPC13 ou VPP23. Crianças com
esquemas incompletos poderão concluir a vacinação com a VPC20, respeitando
intervalos e critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
Para crianças previamente vacinadas com VPC10
Para crianças previamente vacinadas com VPC13
Já
pacientes que receberam duas doses da vacina pneumocócica polissacarídica
23-valente (VPP23) serão considerados adequadamente vacinados e não precisarão
receber dose adicional da nova vacina.
Vacinação
de rotina ainda será regulamentada
O
Ministério da Saúde destacou que as orientações divulgadas se referem
exclusivamente às estratégias especiais da RIE. A vacinação de rotina com a
pneumo 20 no SUS deverá ser regulamentada posteriormente por meio de informe
técnico específico.
Além
disso, a pasta orienta que a aplicação da VPC20 seja iniciada somente após o
esgotamento dos estoques das vacinas VPC13 e VPP23 atualmente disponíveis na
rede pública.
Fonte _ Estrategia med
No
Mês das Mães, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas
no SUS contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal
causador da bronquiolite em bebês. A vacina, ofertada de forma inédita
pelo Sistema
Único de Saúde (SUS), protege os recém-nascidos desde os primeiros dias
de vida, fase em que o risco de complicações respiratórias é maior. No Acre,
entre dezembro de 2025 e maio de 2026, já foram aplicadas 4.735 doses da vacina
em gestantes, o que representa 80% de cobertura vacinal no estado.
“O
Brasil voltou a ser referência em vacinação. Alcançamos a maior cobertura
vacinal infantil dos últimos nove anos e derrotamos o negacionismo daqueles que
atacaram as vacinas e enfraqueceram o Programa Nacional de Imunizações. Em três
anos e meio, reconstruímos o PNI, incorporamos novas vacinas e ampliamos, ano
após ano, a proteção da população. Seguiremos fortalecendo o SUS para garantir
mais acesso à imunização e mais saúde para todos os brasileiros”, afirma o
ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O
avanço da vacinação já reflete nos indicadores de saúde infantil. De janeiro a
abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em comparação com o
mesmo período de 2023, passando de 6,8 mil para 3,2 mil casos. Os óbitos também
registraram queda de 63% — de 72 para 27 mortes.
A
vacina foi incluída na rede pública em 2025, após análise técnica e
recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS
(Conitec). A medida representa um avanço significativo para a saúde pública,
especialmente considerando que, na rede privada, a mesma vacina pode custar até
R$ 1,5 mil.
Ao
todo, 1,8 milhão de doses foram distribuídas para a proteção de gestantes a
partir da 28ª semana de gestação. A estratégia está ativa em todo o país, nas
Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e busca garantir proteção antes do período de
maior circulação do vírus, que costuma atingir o pico entre os meses de abril e
maio.
A
vacina estimula a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos ao bebê
ainda durante a gestação. Essa proteção é fundamental nos primeiros meses de
vida, fase de maior vulnerabilidade às complicações respiratórias. Estudos
clínicos demonstram eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias
graves em bebês nos primeiros 90 dias após o nascimento.
Estratégia
ampliada: vacina e anticorpo monoclonal
Além
da vacinação de gestantes, o Ministério da Saúde também oferta o nirsevimabe,
um imunobiológico que garante proteção imediata contra o VSR. O medicamento é
indicado para recém-nascidos prematuros (até 36 semanas e 6 dias de gestação) e
crianças de até 23 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas e
doenças pulmonares crônicas.
Diferentemente
das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um
anticorpo monoclonal pronto, que passa a atuar logo após a aplicação, sem a
necessidade de o organismo produzir anticorpos ao longo do tempo. A estratégia
complementa as medidas adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de
bronquiolite em bebês.
Administrado
em dose única, o medicamento oferece proteção por até seis meses e foi
disponibilizado prioritariamente em maternidades e na Rede de Imunobiológicos
para Pessoas com Situações Especiais (CRIE).
Conheça a campanha de Doação de Leite Humano: Um gesto
de solidariedade pode salvar vidas
Fonte _ Saúde.gov
A
atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) entra em vigor nesta
terça-feira (26), e amplia a responsabilidade das empresas sobre os
riscos à saúde mental dos trabalhadores. Anunciada pelo Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, a medida reforça a
possibilidade de fiscalização e aplicação de multas.
A
nova regra estava prevista para valer em maio de 2025. Após pressão de empresas
e sindicatos patronais, o governo decidiu
adiar a entrada em vigor por um ano. Agora, diante de novos pedidos de
prorrogação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou
que não pretende realizar mais um adiamento.
“Já
houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para
novo adiamento”, disse. Segundo o ministro, uma nova mudança só ocorreria com
acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que não existe
hoje.
O
Ministério do Trabalho já divulgou um Manual de Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais, um Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais
Relacionados ao Trabalho e um documento de perguntas e respostas para orientar
empresas e trabalhadores sobre a atualização da norma.
Especialistas
consideram a medida urgente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho
(OIT), mais
de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados
a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e
insegurança no emprego.
No
ano passado, o g1 revelou
com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o
Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com
o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos,
registrado em 2024.
Em
2025, o cenário não só se repetiu como se agravou: mais
de meio milhão de licenças foram concedidas por esse motivo,
estabelecendo um novo recorde.
O
que muda na prática com a atualização da NR‑1?
A
principal mudança com a atualização da NR‑1 é que os chamados riscos
psicossociais — ligados à forma como o trabalho é organizado — passam a
integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de
riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.
Na
prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio
moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia
e falhas de gestão entram oficialmente no radar da fiscalização.
Esses
fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de
ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de
Gerenciamento de Riscos (PGR).
“A
grande inovação foi deixar explícito que o risco psicossocial faz parte do
gerenciamento de riscos. Isso já estava incluído, mas não estava claro para as
empresas e para a sociedade”, explica Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira,
auditor‑fiscal do trabalho e diretor do Departamento de Segurança e Saúde do
Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
Segundo
ele, a fiscalização passa a olhar menos para equipamentos e mais para a
forma como o trabalho é organizado. “Quando a gente fala em risco
psicossocial, estamos falando de processo de trabalho: carga, metas, jornada,
cadeia de comando, sistemas que não funcionam, falta de autonomia.”
Ou
seja: a
principal mudança é tornar explícito algo que já estava previsto nas normas
trabalhistas. Com isso, o Ministério do Trabalho passa a exigir que as
empresas olhem não apenas para máquinas, equipamentos ou riscos físicos, mas
também para a dinâmica de trabalho dentro das organizações.
Como
vai funcionar a fiscalização?
Os
auditores-fiscais do trabalho têm o direito e o dever de entrar em empresas sem
necessidade de autorização judicial para realizar inspeções. Com a atualização
da NR-1, a fiscalização passará a olhar para a forma como o trabalho é
organizado e executado dentro das empresas.
Na
prática, os auditores vão verificar se as empresas identificaram os riscos
psicossociais, se eles estão registrados corretamente e se existem medidas
concretas para reduzir problemas como pressão excessiva, jornadas abusivas,
assédio e sobrecarga de trabalho.
Segundo
a auditora-fiscal Odete Reis, a fiscalização será baseada principalmente na
análise do trabalho real.
“A
gente verifica se o fator de risco está presente e se ele está sendo
gerenciado. Isso é feito por observação do ambiente, entrevistas com
trabalhadores e análise de documentos”, afirmou.
Durante
as inspeções, os auditores poderão analisar jornadas, cobrança por metas,
relação entre chefias e funcionários, canais de denúncia, processos internos e
documentos como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventários de
risco e planos de ação.
Odete
ressalta que não é necessário haver um trabalhador já afastado para que a
empresa seja cobrada. “Pode ser que ainda não exista afastamento, mas o risco
esteja presente. O objetivo da fiscalização é chegar antes do adoecimento, para
fazer a prevenção”, afirmou.
A
atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ocorrer a partir de denúncias
anônimas feitas por trabalhadores, dados da Previdência Social sobre
afastamentos por saúde mental e ações de inteligência fiscal, que identificam
setores com maior incidência de adoecimento.
Segundo
Alexandre Scarpelli, a fiscalização não dependerá apenas de denúncias. “A
inspeção do trabalho não atua só por denúncia. A gente cruza denúncias com
dados da Previdência e com o conhecimento dos setores onde o risco psicossocial
é mais elevado.”
-
Isso significa que empresas poderão ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal, principalmente
se apresentarem muitos afastamentos por transtornos mentais ou atuarem em
setores historicamente mais expostos ao adoecimento.
Empresas
poderão ser multadas?
Sim.
A multa não será automática com a entrada em vigor da norma, mas poderá ocorrer
caso a fiscalização identifique falhas no gerenciamento dos riscos
psicossociais.
O
Ministério do Trabalho afirma que, “durante os 90 dias subsequentes à entrada
em vigor, a atuação da Inspeção do Trabalho tende a priorizar ações de
orientação, instrução e notificação das organizações quanto à necessidade de
adequação, especialmente em relação às novas exigências introduzidas, sem
prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis”.
Segundo
Odete Reis, o auditor pode multar caso a empresa:
“Se
for constatado que a empresa não está fazendo o gerenciamento dos riscos, a
gente lavra o auto de infração. A partir daí, o processo segue para o setor de
multas e recursos do Ministério do Trabalho”, explicou.
As
multas seguem as regras gerais das Normas Regulamentadoras e podem variar
conforme o porte da empresa, o número de empregados e a gravidade da
infração. Hoje, os valores vão de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações
relacionadas à saúde do trabalhador e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança do
trabalho.
Segundo
Scarpelli, não existe uma “multa única” da NR-1. “A multa vai depender do ponto
em que o processo falhou: se foi na identificação do risco, na adoção de
medidas ou no monitoramento”, afirmou.
Após
a autuação, a empresa ainda pode apresentar defesa em processo administrativo.
Apesar da possibilidade de multa, especialistas afirmam que o foco inicial é
orientar e induzir mudanças na cultura organizacional.
“Não
existe expectativa de que todos os problemas sejam resolvidos de imediato. O
que se espera é que as empresas comecem a enfrentar o problema, identifiquem os
riscos e estabeleçam um plano de ação”, disse Scarpelli.
A
juíza do trabalho Mirella Cahú afirma que a atualização da norma também tem
caráter preventivo. “A NR-1 funciona como um alerta: esse tema precisa ser
tratado com a mesma seriedade que riscos físicos e biológicos.”
O
que as empresas terão que fazer?
Com
a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas passam a ter a
obrigação explícita de incluir riscos psicossociais no gerenciamento de riscos
ocupacionais.
Na
prática, isso significa deixar de olhar apenas para acidentes físicos ou
exposição a agentes químicos e passar a analisar de forma sistemática como
a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.
Segundo
a juíza do trabalho Mirella Cahú, a norma muda o foco da análise. “O risco
psicossocial não é do trabalhador, é da atividade e da organização do
trabalho.”
Ou
seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre características
individuais e passa a incluir decisões de gestão, metas, jornadas, relações
hierárquicas e condições em que o trabalho é executado.
As
empresas terão que identificar situações potencialmente
adoecedoras e esses riscos precisarão ser registrados
formalmente no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com descrição
clara de como afetam a rotina de trabalho e quais áreas ou funções estão mais
expostas.
“Não
basta perceber o risco. Ele precisa estar documentado, com inventário e plano
de ação”, afirma a auditora-fiscal Odete Reis.
Além
do registro, as empresas terão que demonstrar que adotaram medidas
concretas para enfrentar as causas do problema — e não apenas ações
pontuais ou simbólicas.
Isso
pode incluir revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas,
redistribuição de tarefas, mudanças na forma de cobrança, treinamento de
lideranças, criação de políticas contra assédio e fortalecimento de canais de
denúncia.
“Gerenciar
risco é mudar a organização do trabalho”, resume Odete. Segundo os
especialistas, as soluções devem levar em conta o porte da empresa, o tipo de
atividade e os riscos específicos de cada ambiente de trabalho.
Ou
seja: não existem soluções padronizadas.“Cada atividade tem riscos diferentes e
precisa de estratégias próprias, construídas de forma responsável”, afirma
Mirella Cahú.
Outro
ponto central é que as empresas precisarão acompanhar se as medidas estão
funcionando, reavaliar periodicamente os riscos e atualizar o PGR sempre que
houver mudanças relevantes na dinâmica de trabalho.
“É
um processo contínuo. Identifica, age, reavalia e melhora”, explicou Scarpelli.
Durante uma eventual fiscalização, as empresas precisarão comprovar,
por meio de documentos e práticas internas, que identificaram os riscos
psicossociais e adotaram medidas para enfrentá-los.
“Se
o gerenciamento não estiver sendo feito, a empresa pode ser autuada”, alertou
Odete Reis. A atualização da NR-1 não obriga empresas a contratar
psicólogos, oferecer terapia ou criar programas isolados de bem-estar.
Segundo
os especialistas, essas iniciativas podem complementar as ações internas, mas
não substituem a obrigação central da norma.
“Oferecer
benefícios não resolve se o trabalho continuar adoecendo as pessoas”, afirma
Mirella Cahú. “A exigência é mudar práticas de trabalho que geram sofrimento.”
O
que muda para os trabalhadores?
A
atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma
questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a
ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão
excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.
Segundo
a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa
de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é
organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de
trabalho”, afirmou.
Isso
significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade
individual” passam a ser analisadas também como consequência da
dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.
Especialistas
avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre
trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já
reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação
com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.
Outra
mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um
trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao
identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos
formalmente registrados de adoecimento.
Segundo
os especialistas ouvidos pelo g1,
a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde
mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros
riscos ocupacionais.
Fonte _ G1