sábado, 15 de agosto de 2026

Maioria dos brasileiros é contra morte assistida, mas opção por interromper tratamento divide país, mostra Datafolha

 


A maioria dos brasileiros é contrária à morte assistida, procedimento médico que põe fim à vida a pedido de um paciente com doença incurável em muito sofrimento. Há dois tipos possíveis da intervenção: a eutanásia, quando o fármaco letal é aplicado por um profissional, e o suicídio assistido, quando a própria pessoa toma a medicação.

Quando a pergunta é sobre interromper tratamentos para doenças sem chances de cura, a população se divide, aponta pesquisa Datafolha, a primeira a sondar a opinião pública sobre o tema no país.

O levantamento ouviu 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do Brasil, nos dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Em relação à eutanásia, 56% se disseram contra (45% totalmente contra e 11% parcialmente contra), e 39% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 17% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.


Sobre o suicídio assistido, a rejeição é maior. Do total, 60% se disseram contra (50% totalmente contra e 10% parcialmente contra), e 35% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 13% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.

Quando a pergunta trata da interrupção de tratamentos que apenas prolongam a vida artificialmente, sem chance de cura, a pedido do paciente ou da família, o resultado é um empate: 48% acham que os médicos deveriam poder interromper esses tratamentos, e 48% acham que não deveriam. Os demais 5% não souberam responder —a soma ultrapassa 100% por questão de arredondamento.


A pesquisa também testou uma formulação mais ampla, sem mencionar diretamente a atuação de um médico, perguntando se os entrevistados concordam ou discordam da afirmação de que cada pessoa deveria poder decidir sobre o fim da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que isso signifique antecipar a morte.

Do total, 51% discordaram (40% discorda totalmente e 11% discorda em parte), e 46% concordaram (28% concorda totalmente e 18% concorda em parte). Apenas 1% não se posicionou, e 2% não souberam responder. Considerada a margem de erro, a diferença entre os dois grupos é a mais estreita da pesquisa, desconsiderando o empate anterior.


Por fim, ao serem questionados, de forma geral, se consideram moralmente aceitável ou moralmente errado um médico ajudar um paciente terminal a encerrar a própria vida a pedido dele, 51% disseram considerar moralmente errado, e 42%, moralmente aceitável. A opção depende da situação foi escolhida por 4% dos entrevistados; outros 3% não souberam responder.


A amostra é formada por 48% de católicos e 27% de evangélicos. Outros 13% dizem não ter religião, 8% se declaram de outras religiões, 2% são espíritas ou kardecistas e 2% praticam a umbanda.

No julgamento moral sobre um médico ajudar um paciente terminal a morrer, considerar a conduta moralmente aceitável vai de 34% entre os evangélicos a 57% entre os que não têm religião —com católicos (41%) e praticantes de outras religiões (46%) numa posição intermediária. Esse mesmo padrão se repete nas demais perguntas.



A idade é o recorte que mais diferencia a opinião dos entrevistados. Na mesma questão, 63% dos entrevistados de 16 a 24 anos consideram a conduta moralmente aceitável, percentual que cai para 48% na faixa de 25 a 34 anos, 43% entre 35 e 44 anos, 38% entre 45 e 59 anos e 29% entre os que têm 60 anos ou mais. O mesmo padrão de queda, geração a geração, se repete nas outras demais perguntas.

O levantamento não tem parâmetro histórico de comparação, por ser o primeiro a sondar a opinião pública sobre o assunto no Brasil —não é possível, por exemplo, dizer se a percepção do tema mudou antes e depois de um caso conhecido, como a morte do escritor Antonio Cícero, que recorreu ao suicídio assistido aos 79 anos, na Suíça.

O Brasil, diferentemente de alguns vizinhos latino-americanos, não tem legislação ou projeto de lei em tramitação para legalizar a prática, o que a advogada especialista em direito médico Luciana Dadalto credita a um silêncio sobre o tema no país.

Apenas em 2025, foi fundada a Eu Decido, primeira associação brasileira em prol do direito à morte assistida, a qual Dadalto preside.

Na América Latina, três países já permitem alguma forma de morte assistida: Colômbia, Equador e Uruguai.

A Colômbia foi pioneira na região: a Corte Constitucional descriminalizou a eutanásia em 1997, ampliou o direito em 2021 para incluir pacientes sem doença terminal e, em 2022, descriminalizou também o suicídio assistido por médico, tornando-se o único país latino-americano a permitir as duas modalidades de morte assistida, embora ainda enfrente entraves burocráticos que dificultam o acesso na prática.

Equador teve a eutanásia autorizada pela Corte Constitucional em fevereiro de 2024 e regulamentada pelo Ministério da Saúde dois meses depois, mas o Legislativo ainda não aprovou uma lei específica sobre o tema, e o projeto segue em debate na Assembleia Nacional.

Uruguai foi o primeiro país da região a legalizar a eutanásia por lei aprovada no Parlamento, não por decisão judicial. A Lei 20.431 foi aprovada em outubro de 2025, mas só passou a valer na prática quando a regulamentação entrou em vigor, em abril de 2026. O país teve seu primeiro caso em maio deste ano, numa paciente com câncer terminal.

O Peru está em debate judicial sobre o tema, sem legislação aprovada, e Cuba abriu uma via legal condicionada em sua nova lei de saúde, mas ainda depende de regulamentação específica futura para que a prática seja de fato aplicada.

No Brasil, a eutanásia é considerada crime de homicídio (artigo 121), com pena de 6 a 20 anos. O parágrafo 1º do texto afirma que o agente que comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral —o que pode ser interpretado como visando a cessar o sofrimento de determinado paciente, cujo estado de saúde é irreversível— poderá ter a pena reduzida de um sexto a um terço, o que significa pena mínima de 4 anos para o homicídio por misericórdia (ação de matar alguém por piedade).

Já quem induz, instiga ou presta auxílio a alguém que comete suicídio —o que inclui o suicídio assistido— está sujeito ao artigo 122 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos, caso o suicídio se consume.

No mundo, 16 países permitem a morte assistida, em parte ou na totalidade de seus territórios: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai, alguns deles, no entanto, ainda sem regulamentação da prática. Outros três avançaram nesse sentido, em estágios distintos: Cuba, França e Peru.


Fonte _ Folha/SP

Dez minutos de exercícios por dia podem evitar casos de demência

 


Incorporar poucos minutos de atividade física por dia pode ter um impacto expressivo na prevenção da demência. Um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Estados Unidos estima que, se adultos que hoje não praticam nenhum exercício passarem a se movimentar ao menos dez minutos por dia, cerca de 420 mil casos de demência poderão ser prevenidos até 2050, com uma economia estimada em até R$ 16 bilhões em custos relacionados à doença.

Num cenário em que a inatividade física fosse completamente eliminada, a economia poderia chegar a R$ 23 bilhões, segundo a análise, publicada em 2025 no Brazilian Journal of Psychiatry. Os autores combinaram dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com informações do Global Burden of Disease, conduzido nos EUA.

Os resultados indicam que 14,9% dos casos de demência no Brasil estão ligados à inatividade física —que não é sinônimo de sedentarismo. A primeira é a prática de menos de 150 minutos semanais de exercícios, tempo recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Já o comportamento sedentário é o tempo que a pessoa passa sentada, deitada ou reclinada, com baixo gasto energético.

"Do ponto de vista populacional, sabemos que 1 em cada 15 casos de demência no mundo pode ser atribuído à inatividade física, o que equivale a um caso novo a cada 42 segundos, que poderiam ser prevenidos com a atividade física", afirma o profissional de educação física Natan Feter, um dos autores do estudo.

O artigo projeta que o número de brasileiros vivendo com demência pode saltar de cerca de 1,9 milhão em 2019 para 5,7 milhões em 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional.

Esse crescimento traz também impacto econômico: sete anos atrás, o custo estimado da doença no país já era de US$ 35,3 bilhões, sendo que a maior parte desse valor está relacionada a cuidados informais prestados por familiares.

Exercício em prol do cérebro

A ciência acumulou evidências importantes nas últimas décadas sobre o papel do exercício na saúde cerebral. A prática regular de atividade física melhora a função cognitiva, reduz o risco de eventos cerebrovasculares, como AVC, e estimula mecanismos ligados a criação e sobrevivência de neurônios.

"Tudo isso ajuda a entender o papel protetor da atividade física no risco de demência", observa Feter, que atua como pesquisador associado no departamento de Ciências Biológicas da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA.

O comportamento sedentário também aparece como um fator de risco relevante, elevando a probabilidade de desenvolver o problema entre 17% e 30%.

"Pessoas que passam mais de dez horas por dia nesse tipo de comportamento têm risco aumentado de demência", alerta a geriatra Thaís Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita.

Por outro lado, atividades realizadas sentado, mas que estimulam o cérebro, como leitura ou jogos de memória, não parecem ter a mesma associação com a doença.

"Na prática clínica, observamos que idosos mais ativos têm menor incidência de demência. Isso reforça a ideia de que tudo o que faz bem ao coração também faz bem ao cérebro: alimentação saudável, atividade física regular e controle da pressão e do colesterol", diz Ioshimoto.

No estudo, observou-se que os maiores benefícios ocorrem justamente quando a pessoa sai do zero e passa a fazer algum nível de atividade. "Cada minuto que a pessoa consegue adicionar na rotina diminui o risco de demência", frisa Natan Feter.

A meta dos dez minutos

A ideia de trabalhar com pequenas doses de atividade física surgiu justamente da percepção de que metas mais ambiciosas, como atingir os 150 minutos semanais recomendados pelas diretrizes internacionais, podem ser difíceis para grande parte da população.

Dez minutos por dia podem ser uma caminhada no bairro, ir à academia, realizar exercícios de fortalecimento muscular em casa ou mesmo optar por ficar de pé por dez minutos ao dia.

Na avaliação de Thaís Ioshimoto, a meta é realista para a maioria das pessoas. E, entre idosos que começam a se exercitar, os ganhos vão além da aptidão física.

"Qualquer atividade física é válida, o importante é se movimentar. O exercício melhora o humor, aumenta a socialização e muitas vezes acaba estimulando outras mudanças positivas, como melhorar a alimentação", afirma.

Apesar de os resultados reforçarem o papel das escolhas individuais, os pesquisadores destacam que a prática de exercícios também depende de condições sociais, já que a maioria das pessoas trabalha o dia inteiro e passa horas em deslocamento. Quando sobra tempo, muitas vezes não encontram ambientes seguros ou infraestrutura adequada para se exercitar.

"Precisamos entender a atividade física como um direito humano. Por isso, além de incentivar pequenas mudanças de comportamento, é fundamental investir em políticas públicas que ampliem o acesso a oportunidade", conclui Feter.

Fonte _ Folha/SP

Mundo vive "'epidemia de estupidez'"

 


O médico e escritor Drauzio Varella sabe bem o que é conviver com a desinformação —há cerca de 10 anos, ele vê sua imagem e voz sendo usadas na disseminação de notícias e propagandas falsas.

Falando no evento BBC World Service: Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade, nesta sexta-feira (14), Varella brincou que deve ser o maior vendedor de remédios falsos do Brasil, talvez da América Latina.

Mas a verdade é que, há várias décadas, Varella vem se dedicando profundamente à comunicação de informações cientificamente embasadas.

Ele só não imaginaria que, nos anos 2020, iria se deparar com uma "epidemia de estupidez" que rejeita o uso de máscaras contra a covid-19 e vacinas, afirmou.

"Ignorância é uma coisa, estupidez é outra. Eu sou ignorante em muitas coisas. Cada um de nós", explicou. "O ignorante aprende quando ele é ensinado; o estúpido não, porque o estúpido acha que ele sabe."

O médico participou de um evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país.

Ele foi entrevistado pelo jornalista da BBC João Fellet.

Varella contou que desde a epidemia de Aids, na década de 1980, profissionais de saúde como ele lidam com colocações falsas, como a que chamava a então nova doença de "peste gay".

"Não é possível uma coisa dessas, porque olha as implicações epidemiológicas que você tem com uma afirmação ignorante e preconceituosa como essa. Se é peste gay, as mulheres, teoricamente, estavam protegidas. Os homens heterossexuais também. Mas existe alguma doença sexualmente transmissível que poupe um dos sexos? Toda doença sexualmente transmissível, por definição, é sexualmente transmissível."

Segundo o médico, foi nessa época que ele passou a se dedicar também à comunicação, fazendo campanhas de rádio com informações sobre a Aids.

Mais de 30 anos depois, a desinformação apareceu com novas facetas na pandemia de coronavírus.

"A covid foi uma grande surpresa, porque nós imaginávamos que já tínhamos passado de certos pontos."

Ele cita, por exemplo, a disseminação de campanhas contra as vacinas.

"Sempre tivemos movimentos antivacinas no Brasil, mas eram muito restritos a uma camada, em geral a classe média alta", lembrou Varella.

"Mas isso era um movimento marginal que não tinha nenhuma repercussão na sociedade. E de repente você vê médicos formados, alguns na faculdade que eu me formei, na USP, falando contra as vacinas. Mas como assim? Como aconteceu isso? É um fenômeno mundial."

Para o médico, que há anos apresenta quadros de saúde no programa da TV Globo Fantástico e tem na internet o Portal Drauzio Varella, poucas pessoas podem ser convencidas racionalmente.

"Convencer com palavras já não é fácil. Convencer por mecanismos racionais, você só convence as pessoas que são racionais. E os racionais são minoria na sociedade. As outras pessoas você vai convencer se você conseguir emocioná-las", explicou, citando exemplos de produções tocantes que conduziu no Fantástico.

Autor de livros como Estação Carandiru e O Sentido das Águas - histórias do Rio Negro, Varella fez duras críticas à empresa Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp.

Segundo o médico, ele e sua equipe perceberam ao longo do tempo que a empresa "não tem interesse" algum de tirar conteúdo falso do ar.

Ele contou que, recentemente, uma senhora o parou na rua para falar que um remédio que ela havia comprado, falsamente anunciado com a imagem de Varella, não estava "ajudando nada".

"Como é que alguém pratica um crime desse? Porque isso é crime, é crime contra a saúde pública. Deveria ser inafiançável. Vai no YouTube, vê se tem essas notícias falsas. Não tem, pelo menos em meu nome", afirmou o médico, indicando que o YouTube deve ter alguma tecnologia pra barrar esse tipo de "estelionato".

"A Meta é uma empresa imoral. Eles são sócios desses bandidos, desses estelionatários, desses criminosos."

Em julho, Varella fez críticas semelhantes à Meta na 24ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Diante da fala do médico na Flip, a empresa afirmou em nota que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos "assim que identificados".

"Estamos sempre intensificando nossos esforços utilizando tecnologia de reconhecimento facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas. Além do trabalho de identificação e remoção, iniciamos ações judiciais contra anunciantes fraudulentos que usam imagens de figuras públicas indevidamente. Recomendamos, ainda, que as pessoas denunciem, pelas próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas", afirmou a Meta.

Fonte _ Folha/SP

Novenário Nossa Senhora da Glória - Festa da Padroeira 2026 - Encerramento

 


Missa: 17hs

Procissão: Após a Missa

Show: Sueli Façanha

Programação do Novenário de Nossa Senhora da Glória 2026, click aqui

 Verdes Florestas 95.7 FM

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alimentos gordurosos aumentam risco de câncer colorretal

 


A lista de riscos à saúde associados a alimentos ricos em gordura e pobres em fibras é extensa: colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) ou colesterol "ruim", artérias obstruídas, ganho de peso, doenças cardíacas, sobrecarga hepática, picos de açúcar no sangue, má digestão, e a lista continua...

Um novo estudo realizado por uma equipe de pesquisadores alemães demonstrou como as chamadas dietas ocidentais podem levar ao desenvolvimento de um dos cânceres de maior incidência e mortalidade em adultos com menos de 50 anos, o câncer colorretal.

Os pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, da RWTH Aachen e do Instituto Alemão de Nutrição Humana Potsdam-Rehbrücke (DIfE) descobriram que essas dietas aumentam a produção de ácido deoxicólico no intestino.

Os resultados foram publicados na edição de agosto de 2026 da revista Gut, especializada em gastroenterologia e hepatologia.

"O que torna nosso estudo especial é que ele demonstra a causalidade", afirmou à DW Annika Osswald, autora principal do estudo e doutoranda no Instituto Alemão de Nutrição Humana. "Até agora, sabíamos apenas que havia algum tipo de conexão entre [um certo] ácido biliar secundário e o câncer colorretal."

Como o ácido biliar está ligado ao câncer colorretal?

A gordura dos alimentos que ingerimos desencadeia a produção de ácidos biliares primários no fígado. Esses ácidos são importantes: seu corpo precisa deles para decompor e absorver as gorduras. A maioria dos ácidos biliares primários é reabsorvida e retorna ao fígado.

Mas uma pequena fração chega ao cólon, onde certas bactérias os convertem em ácidos biliares secundários, incluindo um chamado ácido deoxicólico (DCA). Quanto mais alimentos gordurosos você consome, maior a concentração de DCA no seu cólon. E é aí que os problemas começam.

Osswald e seus colegas realizaram testes em camundongos em laboratório. "No cerne do nosso trabalho para comprovar a causalidade estavam os modelos de camundongos", explicou a cientista.

A equipe de pesquisa implantou bactérias produtoras de DCA em camundongos. Os cientistas controlavam completamente o microbioma intestinal desses animais. Em seguida, os cientistas induziram câncer colorretal nesses camundongos e em outros sem as bactérias. Os que tinham bactérias produtoras de DCA no intestino apresentaram maior crescimento tumoral do que os camundongos que não as tinham.

A divisão celular nos camundongos com DCA também aumentou. Isso torna mais provável o desenvolvimento de câncer, porque multiplica as chances de erros de replicação do DNA. Essas mutações de DNA durante a divisão celular podem se acumular e levar ao câncer.

Para verificar se o processo que eles observaram em camundongos também ocorre em humanos, os pesquisadores analisaram amostras de fezes de mais de mil pessoas, com e sem câncer colorretal. Genes de bactérias produtoras de DCA foram encontrados com mais frequência em pessoas com câncer colorretal.

"Nossos resultados mostram o quanto uma dieta ocidental rica em gordura e as mudanças associadas no microbioma intestinal podem afetar a saúde intestinal humana", disse o microbiologista Sören Ocvirk, outro autor do estudo.

Osswald afirma que o trabalho da equipe é fundamental e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ainda assim, a comprovação da causalidade entre bactérias intestinais produtoras de DCA e o aumento do crescimento tumoral aponta para possíveis tratamentos de câncer colorretal.

Por que é vital entender melhor o câncer colorretal

O câncer colorretal é o único tipo de câncer cuja taxa de mortalidade em pessoas com menos de 50 anos aumentou nas últimas décadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado no jornal científico Journal of the American Medical Association em janeiro de 2026.

O número de mortes por câncer cerebral, câncer de mama, leucemia e câncer de pulmão diminuiu nos EUA entre 1990 e 2023. Mas o número de mortes por câncer colorretal aumentou 1,1% ao ano, a partir de 2005.

Quando detectado precocemente, o câncer que começa no cólon ou no reto é tratável.

Mas os sintomas frequentemente não se manifestam nos estágios iniciais da doença. Quando aparecem, podem ser interpretados erroneamente como sintomas de condições menos graves, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável. Os sintomas do câncer colorretal incluem:

  • sangue nas fezes
  • diarreia ou constipação intermitente, ou constante
  • dor abdominal persistente
  • gases ou cólicas
  • sensação de inchaço

Outro obstáculo para a detecção precoce é que algumas pessoas podem se sentir constrangidas em discutir os sintomas de problemas colorretais com seu médico. Portanto, não tenha vergonha, converse com seu médico.

Como esses estudos podem ajudar no tratamento?

Uma opção a ser considerada no futuro pode ser o transplante de microbiota intestinal.

"Você poderia transplantar a microbiota intestinal [o conjunto de microorganismos que vivem naturalmente no intestino] de pessoas com menos bactérias produtoras de DCA em pacientes com câncer colorretal", disse Osswald. "Isso poderia potencialmente retardar o crescimento do tumor."

A melhor opção, é claro, é prevenir o câncer colorretal. Embora algumas pessoas possam ter predisposição genética para desenvolver câncer colorretal, muito depende de fatores relacionados ao estilo de vida.

Comer de forma saudável, reduzir a quantidade de carne e alimentos gordurosos e não fumar diminuem o risco de câncer colorretal.

Fonte _ Folha/SP

Alerta sobre sarampo nas Américas reforça importância de intensificar vacinação no Brasil

 


O avanço do sarampo nas Américas reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Em alerta epidemiológico divulgado em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que a Região das Américas registra, em 2026, o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos e mantém risco muito alto para a saúde pública devido à ocorrência de surtos ativos. Diante desse cenário, a organização recomenda o fortalecimento da vacinação, da vigilância epidemiológica e da resposta rápida aos casos.

A situação reforça a importância da Campanha de Multivacinação do Ministério da Saúde, que segue até 1º de setembro em todo o país. A estratégia é voltada para crianças e adolescentes menores de 15 anos e oferece a oportunidade de verificar a caderneta e atualizar as doses que estiverem em atraso, incluindo a proteção contra o sarampo. 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e a circulação do vírus em outros países aumenta a possibilidade de importação de casos. No Brasil, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância e vacinação para evitar a reintrodução e a transmissão sustentada da doença. O país recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela OPAS e mantém esse status.  

Em 2025, as Américas já haviam registrado 14.891 casos confirmados de sarampo e 29 mortes, número 32 vezes maior que o registrado em 2024. O total de 2025 foi o maior na região desde 2019, quando foram registrados 23.269 casos. Em 2026, o cenário se agravou: até 13 de junho, eram 22.324 casos confirmados em 17 países e territórios, com 38 óbitos. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentram 97% dos casos. 

No Brasil, em 2026, até o momento, há registro de 24 casos de sarampo, relacionados à importação do vírus. Três foram encerrados sem risco de disseminação e 21 permanecem em acompanhamento em São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital. 

Vacinação é a principal forma de prevenção 

Diante da identificação de casos no Brasil, o Ministério da Saúde ampliou a estratégia de vacinação contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nessas localidades, a orientação é vacinar, de forma indiscriminada, pessoas de 6 meses a 59 anos durante a campanha, conforme as recomendações específicas para cada faixa etária. Em São Paulo, 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram destinadas ao reforço do abastecimento, garantindo a continuidade da ação de bloqueio vacinal. 

Para crianças de 6 a 11 meses, a vacina contra o sarampo é administrada como dose zero, adicional e que não substitui as doses previstas na rotina aos 12 e 15 meses. Para as demais idades, a necessidade de vacinação é verificada pelos profissionais de saúde de acordo com a idade e o histórico vacinal. 

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampocaxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser vacinadas por determinadas condições de saúde. 

A estratégia contra o sarampo integra uma mobilização mais ampla. Além da tríplice viral, a Multivacinação contempla vacinas que protegem contra doenças como poliomielite, meningites, pneumonias, coqueluche, febre amarela, influenza, covid-19, HPV e dengue, entre outras. A campanha também marca a primeira edição da Multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. 

A recomendação do Ministério da Saúde é que pais e responsáveis aproveitem a Campanha de Multivacinação para levar crianças e adolescentes a uma unidade de saúde e conferir a situação vacinal.  A estratégia também é uma oportunidade para ampliar a proteção contra doenças que podem voltar a circular quando há queda nas coberturas vacinais. O Dia D de Mobilização Nacional será realizado em 22 de agosto, com ações de vacinação em todo o país. 

Brasil mantém vigilância e reforça vacinação 

O Ministério da Saúde acompanha continuamente a situação epidemiológica do sarampo no Brasil e nas Américas e orienta estados e municípios sobre medidas de vigilância, investigação de casos e vacinação. A pasta também tem intensificado estratégias para alcançar pessoas não vacinadas ou com doses em atraso. 

A recomendação é simples: quem tem criança ou adolescente em casa deve conferir a caderneta e procurar uma unidade de saúde para colocar a vacinação em dia. Manter as vacinas atualizadas é uma das principais medidas para proteger a população e impedir que doenças controladas ou eliminadas voltem a se espalhar.

Fonte _ Saúde.gov

Novenário Nossa Senhora da Glória - Festa da Padroeira 2026

 


9ª Noite

Maria, Mãe da abundância

Dedicada aos Empresários e Empreendedores em geral

Terço: 18:00h

Novena: 18:00h

Missa: 19:00h

Município Homenageado: Cruzeiro do Sul/Acre

Diocese de Cruzeiro do Sul - Acre

 Verdes Florestas 95.7 FM

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

InfoGripe: maior parte do país tem tendência de queda ou estabilização de casos de SRAG

 


A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (13/8), mostra que 23 das 27 unidades da Federação (UF) apresentam tendência de queda ou estabilização do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A exceção fica para Rondônia, Mato Grosso, Bahia e Sergipe, que apresentam um leve sinal de crescimento. Quanto ao nível de risco, ainda há 14 das 27 UF com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco: Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 31, período de 2 a 8 de agosto.

Os pesquisadores do InfoGripe voltam a reforçar que a vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19. Também é essencial, de acordo com os especialistas, que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde, e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara.


Estados e capitais

A atualização aponta que há sinal de início ou manutenção da queda dos casos de SRAG por VSR no país. Contudo, mesmo com tendência de queda, os casos de SRAG por VSR continuam altos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou, porém, mesmo com sinal de queda, os casos graves pelo vírus continuam altos em Minas Gerais e Roraima. Os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados do Centro-Sul (Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul), mas mostram sinais de desaceleração do crescimento no Rio de Janeiro e Santa Catarina e queda no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Em relação à Covid-19, há um leve sinal de aumento dos casos graves no Maranhão e Amazonas, mas os casos semanais ainda estão em um patamar baixo de incidência. Também há uma manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, além de São Paulo, Pernambuco e Amazonas, e de rinovírus em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses estados.

Segundo o InfoGripe, 2 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 31: Belém (PA) e Porto Velho (RO). Além disso, 6 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Manaus (AM), Rio Branco (AC) e São Luís (MA).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 6,5% de influenza A, 9,2% de influenza B, 50,4% de vírus sincicial respiratório, 29% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 20,1% de influenza A, 18,1% de influenza B, 34,7% de vírus sincicial respiratório, 24,3% de rinovírus e 5,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 133.709 casos de SRAG, sendo 72.061 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 46.505 (34,8%) negativos, e ao menos 7.372 (5,5%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 18,6% de influenza A, 5,2% de influenza B, 42,2% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das hospitalizações por VSR no país. Na população de 15 a 49 anos a redução dos casos de SRAG é explicada principalmente pela diminuição das hospitalizações por influenza A e B, enquanto entre os idosos ela decorre sobretudo da redução das hospitalizações por influenza A. Entre crianças de 5 a 14 anos, a queda dos casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição dos casos graves por rinovírus.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz

Novenário Nossa Senhora da Glória - Festa da Padroeira 2026

 


8ª Noite

Maria, Mãe que ampara e cuida

Dedicada aos Trabalhadores da saúde

Terço: 18hs

Novena: 18hs30min

Missa: 19hs

Município Homenageado: Envira/Am Diocese de Cruzeiro do Sul/Acre

 Verdes Florestas 95.7 FM

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Mudanças climáticas do El Niño agravam quadros alérgicos; saiba como amenizar problema

 


Aumento das temperaturas, mudanças na umidade do ar e períodos de chuvas intensas ou estiagem, a depender da região do Brasil, são as características do El Niño, responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.

Com ele, as mudanças climáticas ficam mais intensas. O fenômeno reflete de forma indireta na saúde, intensificando quadros de alergias respiratórias.

A presidente da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), Fátima Rodrigues Fernandes, esclarece que o bem-estar respiratório está diretamente condicionado aos fatores climáticos.

Segundo a especialista, a exposição à poluição atmosférica combinada a variações térmicas extremas agride e fragiliza as vias aéreas.

"O El Niño não é o culpado pelas doenças ou pelo agravamento delas. São as alterações climáticas que levam a uma exacerbação do fenômeno, o que causa as complicações."

A médica diz que a asma, a rinite alérgica e as infecções respiratórias são as condições mais frequentes. A especialista argumenta que a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), apesar de não ser alérgica, pode aparecer junto da asma.

As chuvas e as enchentes, como as que ocorrem no Sul, aumentam a quantidade de fungos dentro e fora das casas. Outro problema tem como exemplo recente o que ocorreu no Rio Grande do Sul, em 2024: os pacientes foram forçados a interromper os cuidados com a saúde. "As pessoas descontinuaram seus tratamentos, ficaram sem acesso à saúde, ao controle de doenças, à compra de medicamentos e consultas. E agora parece que já temos algum grau disso também. São fatores de agravo, além das condições da casa e do ambiente externo", explica Fátima Rodrigues.

E não são só as alergias, alerta a especialista. As ondas de calor e a secura do ar descompensam doenças cardíacas, causam desidratação, insolação e exaustão física.

Quais são as principais medidas práticas para reduzir alérgenos dentro de casa?

A mais importante é a limpeza mecânica do ambiente, com remoção de ácaros, mofo e poeira. Recomenda-se aspirar colchões, travesseiros, almofadas e sofás com aspiradores de filtro HEPA; trocar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana; evitar brinquedos de pelúcia; e limpar superfícies com pano úmido. Evite também fumaça de cigarro, gasolina e produtos de limpeza com cheiro forte. Para alérgicos a ácaros, mofo e pelos de animais, o ideal é deixar a casa arejada e bem ventilada.

Por que o pólen representa um desafio diferente dos outros alérgenos domésticos?

O pólen é um alérgeno externo, o que impossibilita limpar o ambiente para eliminá-lo. Além disso, as mudanças climáticas causadas pelo El Niño alteram o ciclo das plantas e a polinização, podendo prolongar as estações polínicas. Pessoas sensíveis ao pólen devem manter a casa fechada e vedar janelas para impedir a entrada dos grãos de pólen vindos de fora.

Como usar ar-condicionado, umidificadores e desumidificadores de forma segura para alérgicos?

ar-condicionado deve ser limpo e higienizado com frequência, conforme orientação do fabricante. Desumidificadores e umidificadores devem ter controle de umidade e mantê-la entre 40% e 60%. O ar tanto seco quanto úmido, nos extremos, é prejudicial: o excesso de secura irrita as mucosas; o excesso de umidade favorece o crescimento de fungos.

Por que os descongestionantes nasais são considerados problemáticos pelos alergistas?

Eles promovem alívio imediato ao causar vasoconstrição nasal, mas têm efeito rebote: após o uso, a congestão retorna de forma mais intensa do que antes, o que leva o paciente à dependência. Esse quadro é chamado de rinite medicamentosa e exige acompanhamento médico para o desmame e início do tratamento adequado. Os descongestionantes nasais só devem ser usados por, no máximo, um a dois dias, em crises intensas.

Quais são os riscos da automedicação com descongestionantes, especialmente em crianças e idosos?

Em crianças pequenas, esses medicamentos podem penetrar no sistema nervoso central e causar convulsões, alterações neurológicas e arritmias cardíacas. Em idosos, também há risco de complicações cardiovasculares.

Por que a automedicação com antialérgicos é desaconselhada?

Devido à possibilidade de erros no diagnóstico, uso de medicamentos inadequados e efeitos colaterais graves.

Qual é o tratamento ideal para a rinite alérgica?

Sprays nasais anti-inflamatórios, geralmente com corticoide inalatório. Eles atuam diretamente na inflamação da mucosa nasal.

Como diferenciar uma crise alérgica de uma gripe, e é possível ter febre em um quadro alérgico?

A febre é um marcador de infecção, enquanto as alergias costumam se manifestar com coceira, espirros e chiado. No entanto, quadros alérgicos podem apresentar febre quando associados a uma infecção.

O principal fator para identificar uma alergia é a repetição frequente dos sintomas, como espirros, coriza e coceira no nariz e nos olhos (no caso da rinite), ou chiado no peito e falta de ar (no caso da asma). Vale lembrar que indivíduos alérgicos são mais suscetíveis a infecções, pois já possuem uma mucosa inflamada.

Como populações vulneráveis devem se preparar para eventos climáticos extremos?

Crianças, idosos e doentes crônicos devem acompanhar as previsões meteorológicas para se anteciparem a ondas de calor, frentes frias e dias de alta poluição. Em dias muito poluídos, recomenda-se evitar a exposição ao ambiente externo.

Também é importante hidratar bem as mucosas e a pele, além de beber água.

Como eventos climáticos extremos afetam os olhos e qual é a relação com a rinite alérgica?

Os olhos são bastante vulneráveis a eventos climáticos extremos, como ondas de calor e secura do ar, pois não possuem a barreira mucociliar presente nas vias respiratórias. Isso pode causar conjuntivite, caracterizada por coceira, vermelhidão e dificuldade para enxergar —inclusive em pessoas não alérgicas.

Cerca de 80% dos pacientes com rinite alérgica também apresentam conjuntivite. A recomendação é hidratar a mucosa ocular para eliminar detritos e manter o funcionamento normal dos olhos.

Como tratar a ardência nos olhos causada pelo tempo seco e poluição?

Não use colírio de forma aleatória. Existem diferentes tipos, desde lágrimas artificiais até imunossupressores. A escolha depende do diagnóstico de cada paciente. Para a população geral, colírios hidratantes e lubrificantes podem e devem ser usados, especialmente em climas secos.

Quais são os principais tipos de alergia de pele e seus sintomas?

Os principais tipos são dermatite atópica (eczema), urticária e dermatite de contato. Os sintomas incluem coceira intensa, descamação, vermelhidão e, em alguns casos, secreção. Cerca de 20% a 30% dos pacientes podem ter quadros mais graves, com comprometimento de toda a pele e formação de feridas.

Quais complicações oculares podem surgir em pacientes com dermatite atópica?

A coceira intensa nos olhos leva ao ato contínuo de esfregar a região, o que pode causar o ceratocone —a córnea deforma, afina e fica pontiaguda. Casos mais graves podem exigir transplante para evitar a perda da visão.

Fonte _ Folha/SP