quarta-feira, 29 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 








Conselho Curador aprova distribuição de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS para 138,2 milhões de trabalhadores

 


O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou, nesta terça-feira (28), a proposta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para a distribuição de R$ 13.042.511.777,08 do resultado positivo do Fundo referente ao exercício de 2025. O valor corresponde a 89% do lucro apurado no período, de R$ 14,7 bilhões, e será creditado na primeira quinzena de agosto para aproximadamente 138,2 milhões de trabalhadores que possuíam saldo em contas vinculadas do FGTS em 31 de dezembro de 2025.

O crédito representa um acréscimo de 1,87% na rentabilidade das contas, calculado proporcionalmente ao saldo existente em 31 de dezembro de 2025. Com a distribuição, a rentabilidade total das contas no ano alcança 6,90% (TR + 3% ao ano + distribuição), superando a inflação medida pelo IPCA em 2,53 pontos percentuais.

Durante a reunião, foram apresentadas as demonstrações financeiras do FGTS referentes ao exercício de 2025. O Fundo registrou a maior arrecadação de sua história, que passou de R$ 192,5 bilhões, em 2024, para R$ 212,56 bilhões, em 2025.

Os saques também cresceram no período, totalizando R$ 190,4 bilhões, alta de 18,3% em relação aos R$ 160,9 bilhões registrados no ano anterior.

As principais modalidades de saque foram:

  • Rescisão contratual e multa rescisória: 31,3%;
  • Saque-aniversário: 28,6%;
  • Habitação: 14%;
  • Aposentadoria: 7,5%;
  • Multa rescisória do saque-aniversário: 7,2%.

Em 2025, o FGTS destinou recursos para ações de calamidade pública em 662 municípios, beneficiando cerca de 283 mil trabalhadores.

Na área habitacional, o Fundo financiou o atendimento de 633 mil famílias, resultado 4,2% superior ao registrado em 2024.

Os ativos do FGTS alcançaram R$ 837,7 bilhões em 2025, impulsionados pelas operações de crédito e pelas aplicações financeiras.

O patrimônio líquido também cresceu 6,1%, passando de R$ 118,7 bilhões, em 2024, para R$ 126 bilhões, em 2025.

As receitas do Fundo mantiveram trajetória de crescimento, passando de R$ 52,5 bilhões, em 2024, para R$ 64,5 bilhões, em 2025. 

Fonte _ MTE

Consumir leite no pós-treino pode ajudar na saciedade, indica estudo

 


Rico em proteínas e minerais, como cálciofósforo e potássio, o leite já é conhecido como um aliado da recuperação muscular. Agora, um estudo publicado na revista científica Nutrients sugere que o alimento também pode aumentar a sensação de saciedade e reduzir a ingestão de calorias na refeição seguinte.

A revisão com meta-análise reuniu resultados de 82 pesquisas, metodologia considerada uma das mais robustas para avaliar o conjunto das evidências científicas disponíveis. Embora haja limitações —como diferenças entre os estudos, no perfil dos participantes, no volume das bebidas utilizadas e em protocolos de exercícios adotados—, a composição do leite ajuda a explicar mecanismos potencialmente envolvidos no controle do apetite.

Uma das hipóteses envolve a combinação de proteínas, com destaque para o soro do leite e a caseína. "O soro do leite é rapidamente digerido e absorvido, promovendo aumento das concentrações de aminoácidos, moléculas orgânicas que formam proteínas circulantes", explica o endocrinologista Carlos Minanni, do Einstein Hospital Israelita.

Esse processo parece estimular a secreção de hormônios relacionados à saciedade, sobretudo GLP-1 e PYY, além de contribuir para a redução da grelina, hormônio associado à fome. Já a caseína é de digestão lenta, fator que prolonga a sensação de plenitude.

Benefícios para a recuperação muscular

Se os efeitos sobre o controle do peso ainda dependem de mais investigações, os benefícios do leite para a recuperação muscular contam com evidências mais consolidadas. Além de proteínas de alto valor biológico, oferece água, sais minerais, entre outros nutrientes importantes para a saúde muscular.

Há trabalhos demonstrando que beber leite depois da atividade física ajuda na síntese proteica muscular, auxilia na reposição dos estoques de glicogênio (reserva energética) e contribui para a reidratação. "Também pode atenuar perdas no desempenho em sessões subsequentes de treinamento," destaca o nutricionista Guilherme de Freitas Miranda, do Einstein.

Sais minerais, como sódio, potássio, cálcio e fósforo, participam da reposição hídrica e de processos metabólicos relacionados à saúde musculoesquelética. O cálcio, em especial, atua na mineralização dos ossos na mineralização dos ossos, contribuindo para fortalecer o esqueleto. "Mais do que a presença isolada de nutrientes específicos, a literatura científica tem destacado a importância da chamada matriz láctea, conceito que considera a interação entre eles", revela Miranda.

Apesar das evidências favoráveis, o leite ainda é excluído do cardápio de muitas pessoas pela crença de que seria um alimento inflamatório. "Do ponto de vista fisiopatológico, não existem mecanismos que sustentem a indução de inflamação sistêmica pelo consumo da bebida em indivíduos saudáveis", afirma o nutricionista.

Segundo ele, revisões de estudos e meta-análises já publicadas não relacionam o consumo habitual de lácteos ao aumento de marcadores inflamatórios. Exceto em casos de intolerância à lactose ou alergia às proteínas do leite — condições que devem ser diagnosticadas por meio de avaliação médica e, quando indicados, exames complementares —, os laticínios podem fazer parte da alimentação cotidiana. "Bebidas lácteas podem representar uma estratégia interessante em um padrão
alimentar equilibrado", afirma Minanni.

O endocrinologista ressalta, porém, que o controle do peso corporal não depende de um único alimento, mas de um conjunto de fatores, como contexto geral da dieta, prática regular de atividade física, qualidade do sono e outros hábitos de vida.

Fonte _ Folha/SP

HIV pode deixar rastro no sistema nervoso mesmo com vírus controlado no sangue, indica estudo

 


Um estudo apresentado na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, sugere que o HIV pode deixar sinais de atividade imunológica no sistema nervoso central mesmo quando o vírus está totalmente suprimido no sangue —achado que reacende o debate sobre o que, de fato, significa controlar a infecção.

A pesquisa acompanhou 79 adolescentes sul-africanos que nasceram com HIV e começaram o tratamento antirretroviral na infância, parte da coorte PAVE-80, um dos estudos mais longos do mundo sobre o tema, com 16 anos de seguimento.

Os cientistas compararam amostras pareadas de sangue e de líquido cefalorraquidiano — fluido que banha o cérebro e a medula espinhal —para responder a uma pergunta que exames de rotina não respondem: se o HIV está controlado no sangue, ele também está "quieto" no sistema nervoso central?

Entre os participantes com supressão viral no sangue —75% do total—, 11 dos 59 adolescentes, cerca de 19%, ainda apresentavam atividade imunológica específica contra o HIV no líquido cefalorraquidiano. Um histórico mais longo de interrupções no tratamento foi mais comum nesse grupo.

Durante a apresentação, a autora do estudo, Shalena Naidoo, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, descreveu a coorte como uma oportunidade rara de entender os efeitos de longo prazo do tratamento precoce e classificou o resultado como "surpreendente".

Ela fez questão de conter alarmismo: o achado não significa que os adolescentes estavam doentes, que o tratamento estava falhando ou que alguém precise trocar de esquema terapêutico.

O que ele mostra é que o ambiente imunológico do sistema nervoso central nem sempre reflete o que ocorre no sangue —os dois compartimentos, ainda que conectados, podem contar histórias biológicas diferentes.

O exame usado (Western blot) detecta a ligação de anticorpos ao HIV, mas não permite saber se eles refletem memória imunológica antiga, transferência passiva do sangue ou produção contínua dentro do sistema nervoso.

A equipe também identificou proteínas no sangue associadas à atividade no fluido, o que pode, no futuro, levar a biomarcadores capazes de sinalizá-la sem recorrer a punções lombares, exame invasivo usado para coletar a amostra.

O estudo é transversal —fotografou os participantes em um único momento— e não permite saber se o sinal reflete vigilância protetora, uma marca de infecção antiga ou inflamação contínua, nem associá-lo a desfechos cognitivos.

Outra coorte (CHER) já havia mostrado que o início precoce do tratamento reduz o risco de doenças cerebrais ligadas ao HIV, e exames de neuroimagem identificaram diferenças sutis na estrutura do cérebro de quem adquiriu o vírus ao nascer —sem vínculo causal estabelecido com o achado atual.

Para Naidoo, a principal implicação está nas estratégias de cura do HIV, que não podem mais ser avaliadas apenas pelo sangue. O sistema nervoso central é protegido pela barreira hematoencefálica, que limita a entrada de alguns medicamentos, enquanto células de vida longa no cérebro podem abrigar o vírus ou sustentar uma resposta imune.

"Se estamos realmente buscando uma cura, e não apenas a supressão viral, precisamos entender também o que acontece ali", afirmou a pesquisadora.

"Às vezes as descobertas mais importantes não vêm de confirmar o que esperávamos, mas de reconhecer que ainda existe biologia que não compreendemos totalmente."

Naidoo reforçou que o estudo não sugere que a terapia antirretroviral esteja falhando, e que a carga viral no sangue continua sendo medida essencial de sucesso do tratamento —mas que pode não capturar toda a biologia do HIV em outros compartimentos.

O próximo passo é acompanhar os adolescentes ao longo do tempo, cruzando os achados com testes cognitivos e neuroimagem.

Para pessoas que vivem com HIV, disse a pesquisadora, a mensagem é de esperança: a terapia antirretroviral transformou a infecção de doença fatal em condição crônica administrável, e nada no estudo muda essa conquista. O convite é para que cientistas e médicos olhem além do que é mais fácil de medir.

"Nosso objetivo não é apenas ajudar as pessoas a sobreviver, mas garantir que possam viver vidas longas e saudáveis, com todos os aspectos da saúde —incluindo o cérebro— levados em conta", afirmou Naidoo.

Cláudia Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids Society)

Fonte _ Folha/SP

Dois novos casos de pessoas consideradas curadas do HIV são anunciados

 


Dois novos casos de pessoas consideradas curadas ou em remissão prolongada do HIV após um transplante de células-tronco serão apresentados durante conferência internacional de Aids, que acontece no Rio de Janeiro. Agora são 13 registros de pacientes curados de HIV no mundo.

Conhecidos como pacientes Ascent e Kansas City, os casos serão apresentados em uma sessão dedicada às pesquisas sobre cura do HIV, que ocorre nesta quarta (29).

A informação foi antecipada pelo imunologista Christian Gaebler, da Charité Universitätsmedizin Berlin, durante a pré-conferência HIV Cure Without Borders: Science, Community and the Latin America and Caribbean Perspective.

"O paciente Ascent será o número 12 e, depois, o paciente de Kansas City será o número 13", afirmou Gaebler, classificando os resultados como "realmente fascinantes".

O pesquisador não revelou detalhes clínicos do paciente de Kansas City, como o tipo de transplante realizado, há quanto tempo ele interrompeu a terapia antirretroviral ou o período de remissão alcançado.

Os dois casos reforçam um grupo ainda extremamente reduzido de pessoas que eliminaram ou controlam o HIV sem medicamentos após um transplante de células-tronco.

Especialistas enfatizam que esse procedimento não representa uma alternativa terapêutica para a população que vive com HIV.

Todos os pacientes considerados curados ou em remissão prolongada também desenvolveram leucemia ou outro câncer hematológico que exigia um transplante de medula óssea —procedimento complexo, de alto risco e indicado apenas para doenças potencialmente fatais.

"O que podemos fazer é aprender com todos esses casos", disse Gaebler.

Desde o início da epidemia, cerca de 90 milhões de pessoas já viveram ou vivem com HIV. Os 13 casos relacionados a transplantes representam uma fração ínfima desse total, mas vêm oferecendo pistas importantes para o desenvolvimento de estratégias capazes de controlar o vírus sem tratamento contínuo.

O primeiro caso foi o de Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim", apresentado em 2009 após receber um transplante de um doador com duas cópias da mutação CCR5-delta32, alteração genética que impede a expressão funcional do correceptor CCR5, uma das principais portas de entrada do HIV nas células de defesa. Durante anos, acreditou-se que essa mutação fosse indispensável para a cura.

No segundo paciente de Berlim, pesquisadores identificaram anticorpos capazes de neutralizar o HIV e ativar células NK, importantes componentes da resposta imunológica, para destruir células infectadas.

Segundo Gaebler, essa resposta pode ter contribuído para reduzir gradualmente os reservatórios virais — células onde o HIV permanece oculto e que representam o principal obstáculo para uma cura definitiva.

Além dos transplantes, pesquisadores investigam abordagens que possam ser aplicadas a um número muito maior de pessoas vivendo com HIV. Entre elas estão os anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), terapias com células CAR-T, edição genética do CCR5 e novas estratégias de imunoterapia.

Os casos mais recentes, porém, ampliaram esse entendimento.

Gaebler destacou o paciente de Genebra, que entrou em remissão apesar de receber células de um doador sem a mutação CCR5-delta32, e o segundo paciente de Berlim, cujo doador possuía apenas uma cópia da alteração genética. Esses resultados sugerem que outros mecanismos imunológicos podem contribuir para o controle do vírus.

De acordo com Gaebler, diferentes ensaios clínicos com bNAbs vêm mostrando um padrão semelhante: entre 10% e 20% dos participantes conseguem manter controle parcial ou completo do vírus após a interrupção supervisionada da terapia antirretroviral.

O pesquisador também apresentou resultados preliminares de uma terapia experimental com células CAR-T modificadas para reconhecer o HIV e editadas no gene CCR5. Entre dez participantes, um manteve o vírus controlado por cerca de 90 semanas sem tratamento, enquanto outros cinco apresentaram rebote viral inferior ao esperado.

Os resultados ainda são iniciais e obtidos em estudos pequenos, mas ajudam a orientar o desenvolvimento de terapias que possam, no futuro, permitir que pessoas vivendo com HIV mantenham o vírus sob controle sem depender do uso contínuo de medicamentos.

Cláudia Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids Society)

Fonte _ Folha/SP

O que pode causar morte súbita durante uma corrida e como reduzir os riscos

 


Mortes súbitas, como a do corredor Júlio Barreto, 50, durante a SP City Marathon, neste domingo (26), são raras, mas podem ocorrer mesmo em pessoas aparentemente saudáveis, especialmente quando há doenças cardiovasculares ainda não diagnosticadas, afirmam especialistas ouvidos pela Folha.

A prova tinha percursos de 21,1 km e 42,2 km. Após a conclusão de seu trajeto, Júlio relatou dores no braço, sofreu um mal súbito e caiu e perdeu a consciência enquanto se dirigia a uma ambulância disponibilizada pela organização do evento.

Segundo a cardiologista Thaís Pinheiro Lima, especialista em cardiometabolismo, a morte súbita cardíaca é caracterizada por um óbito inesperado, geralmente precedido de perda abrupta da consciência, e pode ocorrer até uma hora após o início dos sintomas.

"Durante uma corrida de rua, o esforço físico intenso, a desidratação e o aumento de hormônios como cortisol e adrenalina estimulam o sistema nervoso simpático, elevando a frequência cardíaca e podendo desencadear a ruptura de placas de gordura nas artérias coronárias", afirma.

Essa ruptura, segundo a médica, favorece a formação de um coágulo que bloqueia o fluxo de sangue para o coração, provocando um infarto e, em alguns casos, arritmias fatais.

A causa da morte súbita varia. Em atletas jovens, principalmente abaixo dos 35 anos, predominam doenças genéticas ou congênitas, como a cardiomiopatia hipertrófica. Já entre pessoas acima dos 40 anos a principal preocupação é a doença arterial coronariana.

"Mesmo atletas bem condicionados podem ter cardiopatias silenciosas que não dão sintomas no dia a dia, mas se manifestam à medida que o esforço aumenta", afirma o médico do esporte João Branco, que atua com formação de atletas no Rio de Janeiro.

Os especialistas afirmam que a avaliação médica antes de participar de provas de longa distância não deve ser tratada como algo protocolar.

"Não é um mero atestado burocrático, isso é muito importante para salvar vidas, para identificar problemas prévios", diz Lima.

A consulta deve incluir investigação do histórico familiar de morte súbita, exame físico detalhado e eletrocardiograma. Dependendo dos achados, o cardiologista pode solicitar exames complementares.

O preparo para provas de longa distância também deve envolver planejamento do treinamento, com fortalecimento muscular, orientação nutricional e acompanhamento médico.

Os médicos alertam que qualquer alteração em relação ao padrão habitual do corredor exige interrupção imediata da atividade física.

Entre os principais sinais de alerta estão dor no peito, sensação de pressão ou queimação no tórax, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes, tontura, visão turva, sensação de desmaio, náuseas intensas, vômitos, perda da consciência e confusão mental.

"Quando o corpo demonstra algum sinal que foge da realidade ou do que a pessoa sente rotineiramente, isso não pode ser ignorado", afirma Branco.

A queda no desempenho também merece atenção. Se um corredor acostumado a determinado ritmo passa a apresentar fadiga prolongada, recuperação mais lenta do que o habitual ou dificuldade para manter o ritmo que antes conseguia sustentar, é recomendável interromper o aumento da carga de treinos e buscar avaliação médica.

"Pode ser uma condição cardiovascular que precisa ser investigada", afirma Branco.

Apesar da repercussão provocada por mortes durante competições, os especialistas afirmam que a corrida de longa distância continua sendo considerada segura para a maioria das pessoas quando realizada com treinamento adequado e avaliação médica.

Segundo Thaís, o risco de sofrer uma parada cardíaca durante a prática esportiva é baixo.

"O esporte não deve ser visto como um fator de risco, mas como um instrumento de prevenção. O desafio é identificar precocemente as pessoas com maior vulnerabilidade cardiovascular para que possam praticar atividade física com segurança", afirma.

A SP City Marathon publicou uma nota de pesar sobre o caso em suas redes sociais. A organização afirma que Barreto recebeu manobras de reanimação ainda no local e foi levado para o hospital, mas não resistiu.


Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde anuncia compra de PrEP injetável de longa duração contra HIV

 


Ministério da Saúde anunciou nesta segunda (27) um acordo de compra do cabotegravir, medicamento antirretroviral injetável usado para a profilaxia pré-exposição (PrEP) desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa majoritariamente controlada pela GSK.

O acordo será submetido à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) na próxima semana, segundo informou o ministro Alexandre Padilha (Saúde) durante a conferência internacional de Aids, que acontece no Rio de Janeiro.

Padilha não confirmou publicamente o valor de US$ 400 (R$ 2.032, na cotação desta segunda) por dose que circulava nos bastidores do evento, mas, questionado diretamente sobre a cifra, indicou que o teto que o governo brasileiro está disposto a pagar equivale a no máximo 10 a 12 vezes o valor oferecido a países como Indonésia e Tailândia —de US$ 40 por dose —, o que aproxima a conta do valor especulado.

Segundo o ministro, o número de doses a serem compradas inicialmente ainda não está definido, pois a negociação com o laboratório segue em aberto. A expectativa do governo é que, aprovada a incorporação pela Conitec, o medicamento já esteja disponível "no braço" de pacientes brasileiros ainda neste ano.

A Anvisa aprovou o cabotegravir em 2023, que passou a ser comercializado no mercado privado em agosto do ano passado. A injeção é aplicada a cada dois meses, enquanto na prevenção usual os comprimidos devem ser ingeridos diariamente. Hoje o medicamento chega ao Brasil com preço de tabela de R$ 4.000.

O anúncio veio acompanhado de um balanço da resposta brasileira à Aids nos últimos anos. Segundo Padilha, o país registrou em 2024 a maior redução na taxa de mortalidade por Aids de sua história, com o número de mortes ficando pela primeira vez abaixo de 10 mil.

Ele atribuiu o resultado à ampliação de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo SUS e ao aumento de 100% nos exames de testagem rápida nos últimos três anos — o que, segundo ele, permitiu identificar novas infecções e iniciar o tratamento mais rapidamente. Hoje, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV no Brasil começam o tratamento no mesmo dia da confirmação, e mais da metade inicia em até 30 dias.

Padilha listou três frentes que, segundo ele, seguem como obstáculos à resposta brasileira à epidemia: a discriminação e o estigma contra pessoas vivendo com HIV, alimentados também por movimentos internacionais que atacam direitos humanos dessa população; o negacionismo científico e a desinformação em saúde; e o acesso a novas tecnologias.

"Inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação. Inovação sem acesso é injustiça", afirmou. Ele anunciou ainda um novo programa de financiamento para acelerar o acesso a exames de imagem e outros procedimentos mais complexos — como órteses e próteses — associados a comorbidades de pessoas vivendo com HIV, área em que, segundo ele, o sistema ainda é mais lento do que na testagem e no início do tratamento antirretroviral.

O ministro também tratou do impasse em torno do lenacapavir, a PrEP injetável de aplicação semestral da Gilead, aprovado pela Anvisa em janeiro deste ano.

Segundo Padilha, o Brasil chegou a se colocar disposto a pagar até dez vezes o valor oferecido a países como Indonésia e Tailândia— mas, mesmo assim, a farmacêutica teria dito não ser possível oferecer o produto ao sistema público brasileiro por esse preço.

"Não vamos drenar o recurso que é fruto dos impostos dos cidadãos brasileiros [em] interesse de lucro de uma empresa apenas", disse, reiterando que o país segue disposto a negociar, mas não a pagar valores considerados fora da realidade orçamentária do SUS.

Padilha anunciou também que a Fiocruz assinara nesta terça (28) um acordo com a farmacêutica MSD (a Merck fora dos Estados Unidos e do Canadá) para acompanhar o desenvolvimento de uma nova PrEP oral de uso prolongado — o MK-8527, ainda em estudos clínicos, dos quais o Brasil participa.

Segundo o ministro, a expectativa é que a colaboração evolua, no futuro, para uma parceria de produção e inclusão do medicamento no SUS.

A parceria ganhou contornos mais tensos durante a coletiva de imprensa, quando o ministro foi questionado sobre o fato de o Brasil ter sido excluído do acordo de licenciamento voluntário para produção de genéricos do MK-8527 anunciado pela MSD dias antes da conferência—apesar de o país integrar os 16 que participam dos estudos clínicos Expressive.

Padilha reconheceu que "não é a primeira vez que o Brasil não é escolhido para receber essas condições de acesso à medicação", mas afirmou que isso não impede o país de negociar diretamente com a farmacêutica.

Ele não respondeu de forma direta se o governo brasileiro cogita adotar o licenciamento compulsório do medicamento — instrumento previsto em acordos internacionais que permite a produção de um genérico sem autorização da patente —, limitando-se a reforçar a recusa a "preços estratosféricos" e a diferença entre negociar com um sistema público universal, como o SUS, e com países que dependem de sistemas privados de saúde.

Ele também citou o papel do Brasil na articulação regional por meio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), afirmando que as negociações do país levam em conta também o acesso de vizinhos latino-americanos às mesmas tecnologias.

O anúncio de Padilha ocorreu ao lado de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), e de Jarbas Barbosa, diretor da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), em coletiva que antecedeu a cerimônia de abertura da AIDS 2026 — a primeira vez que a conferência internacional acontece na América do Sul.

Tedros afirmou que as novas infecções por HIV caíram 42% no mundo desde 2010, e as mortes relacionadas à Aids, 57% no mesmo período, mas alertou que os cortes de financiamento internacional colocam esses avanços em risco.

Ele chamou o lenacapavir de "divisor de águas" na prevenção, mas defendeu que o momento exige mais recursos, não menos, além de proteção a organizações lideradas por comunidades afetadas e o fim de leis que criminalizam populações-chave.

Já Barbosa destacou que a região das Américas soma hoje mais de 325 mil pessoas em uso de PrEP, mas ainda precisa de quase 1 milhão de pessoas a mais em acesso à profilaxia para reduzir de forma consistente as novas infecções — 10% dos casos de Aids na região ainda são diagnosticados tardiamente.

Por meio de comunicado, a Gillead, fabricante do lenacapavir, informou que compartilha a urgência de ampliar o acesso às opções de prevenção do HIV, incluindo o lenacapavir semestral para prevenção do HIV.

As discussões sobre acesso na América Latina e no Caribe, diz a farmacêutica, estão ocorrendo por múltiplas frentes, incluindo conversas regionais em andamento com a Opas.

Em relação ao Brasil, a Gilead diz que segue os processos regulatórios, de precificação e de
reembolso estabelecidos no sistema de saúde brasileiro. Informa também que está avaliando possíveis oportunidades para apoiar o acesso sustentável de longo prazo por meio do desenvolvimento de capacidade regional de fabricação em parceria com organizações locais na América Latina, incluindo o Brasil, sujeitas a avaliações de viabilidade regulatória, técnica e econômica.

"Nosso foco permanece na ampliação do acesso ao lenacapavir por meio do compromisso sem precedentes da Gilead com países de baixa renda e alta carga da doença. Continuaremos trabalhando com governos, comunidades e parceiros regionais para ajudar a levar essa inovação às pessoas e comunidades que mais possam se beneficiar dela", conclui a nota.

Cláudia Collucci a jornalista viajou a convite da IAS (International Aids Society)

Fonte _ Folha/SP

terça-feira, 28 de julho de 2026

Mortalidade por hepatite viral atinge 1 a cada 5 pacientes com 80 anos no SUS

 


Um em cada cinco pacientes com 80 anos ou mais internados por hepatite viral no SUS (Sistema Único de Saúde) morre durante a hospitalização. A mortalidade chega a 20,9% nesse grupo etário, segundo levantamento do Grupo IAG Saúde com base em dados do DataSUS, que mapeou 42.314 internações por hepatites virais entre 2016 e 2025.

mortalidade hospitalar sobe de forma constante com a idade: de 6,5% entre adultos de 18 a 59 anos, passa para 14,2% na faixa de 60 a 69 anos, chega a 16,1% entre 70 e 79 anos e atinge 20,9% a partir dos 80 anos. A mortalidade global, considerando todas as faixas etárias, foi de 7,8% no período.

O levantamento ganha relevância no Julho Amarelo, mês de conscientização sobre a doença, que tem no dia 28 de julho o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. Trata-se de infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves.

Em muitos casos as infecções são silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Podem, no entanto, se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

O levantamento considerou apenas internações em que a hepatite viral foi o diagnóstico principal, segundo os códigos B15 a B19 da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), o que garante que a hospitalização teve a hepatite como causa central, não como comorbidade.

Segundo Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o achado sobre a mortalidade em idosos mostra que o prognóstico da hepatite não depende só do vírus.

"Não é apenas o vírus isoladamente que define o prognóstico. É a combinação entre a infecção, a idade, as condições clínicas preexistentes e o momento em que o diagnóstico é realizado", afirma.

Ele chama atenção para o fato de o Brasil estar envelhecendo com uma parcela da população que adquiriu hepatite B ou C décadas atrás, mas não teve diagnóstico. "Se não ampliarmos a testagem e o cuidado longitudinal, provavelmente veremos mais internações complexas nessa população", diz.

As infecções causadas pelos vírus das hepatites B, C e D frequentemente se tornam crônicas. A doença pode evoluir por décadas sem o devido diagnóstico, podendo ser a causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer no fígado e necessidade de transplante do órgão.

Outro achado é que a mortalidade entre pacientes internados por hepatite crônica (10,1%) é maior do que nos casos agudos (7,1%).

Para Barbosa, isso tem explicação clínica. "A hepatite aguda é um episódio recente de inflamação do fígado e, em muitos pacientes, pode evoluir para recuperação completa. Já a hepatite crônica significa que o vírus permaneceu no organismo durante muito tempo, provocando agressão contínua ao tecido hepático", afirma.

O infectologista reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de risco. "Muitas pessoas se sentem bem, mas o processo de lesão continua acontecendo. Este é um dos grandes desafios das hepatites virais."

Desigualdade regional

A análise dos dados do DataSUS aponta o Norte como a região com maior incidência de internações por hepatites virais, com 39,7 hospitalizações por 100 mil habitantes —reflexo, segundo Barbosa, da maior circulação de hepatite B e, em algumas áreas, de hepatite D na região amazônica. Acre, Rondônia, Amazonas e Pará estão entre os estados com mais internações.

Já o Nordeste registrou a maior mortalidade hospitalar entre as regiões (9,1%), e o maior tempo médio de internação (8,1 dias). O Sul, por outro lado, registrou a menor mortalidade (6,5%) e a menor permanência hospitalar (6 dias).

"Eu evitaria atribuir essas diferenças apenas à biologia do vírus. Elas também refletem desigualdades de acesso, distribuição irregular de especialistas, capacidade diagnóstica, organização da rede e disponibilidade de acompanhamento", afirma o infectologista.

O SUS oferece vacina contra as hepatites A e B, além de diagnóstico e tratamento para as hepatites B e C. O Ministério da Saúde estabeleceu como meta a eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

"Já temos ferramentas muito eficazes. O desafio não está apenas na existência dessas tecnologias, mas em fazê-las chegar às pessoas certas no momento certo", afirma Barbosa, citando idosos, pessoas que receberam transfusões antigas, usuários de drogas e população privada de liberdade como grupos prioritários para ampliação da testagem.

"A hepatite pode ser silenciosa, mas suas consequências não são. O que precisamos evitar é que o hospital seja o primeiro lugar em que essa doença finalmente apareça", conclui.

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 






Anvisa aprova novo medicamento para tratar doenças autoinflamatórias

 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (27/7) o registro do medicamento Kineret (anacinra), indicado para o tratamento das seguintes doenças autoinflamtórias: artrite reumatoide, síndromes de febres periódicas e doença de Still

As três condições clínicas são caracterizadas por inflamação sistêmica persistente ou recorrente, podendo estar associadas a importante comprometimento da qualidade de vida, incapacidade funcional e complicações potencialmente graves. 

Artrite reumatoide (AR) 

O novo medicamento, em combinação com metotrexato é indicado para o tratamento dos sinais e sintomas da AR em adultos com resposta inadequada ao metotrexato isoladamente. 

Síndromes de febres periódicas  

Kineret é indicado para o tratamento das seguintes síndromes de febre periódica autoinflamatória em adultos, adolescentes, crianças e bebês com 8 meses ou mais e peso corporal de 10 kg ou mais: 

  • Síndromes periódicas associadas à criopirina (CAPS)  
  • Febre Familiar do Mediterrâneo (FFM)

Doença de Still 

O produto é indicado ainda para adultos, adolescentes, crianças e bebês com 8 meses de idade ou mais, e com peso corporal de 10 kg ou mais, para o tratamento da doença de Still, incluindo artrite idiopática juvenil sistêmica (AIJS) e doença de Still do adulto (DSA)

Confira a Resolução (RE) 2.871/2026.

Fonte _ Anvisa

Ministério da Saúde no WhatsApp: o que é e como usar chatbot

 


Ministério da Saúde lançou um novo canal para esclarecer dúvidas referentes a saúde, como imunização, fake news, horários de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde, entre outros temas. A novidade se trata de um chatbot, que funciona como um assistente virtual no WhatsApp. Para usar, basta adicionar o número na agenda do telefone, localizar o contato no mensageiro e iniciar a interação.

Vale destacar que a conversa acontece conforme as preferências dos usuários, ou seja, são disponibilizados diversos menus para que as pessoas escolham sobre quais temas desejam falar. Todas as informações estarão disponíveis na palma da mão, com acesso rápido e prático, evitando dúvidas sobre as iniciativas do governo federal. A seguir, saiba mais sobre o novo chatbot do Ministério da Saúde e veja como iniciar a interação no seu celular.

Para que serve o chatbot do Ministério da Saúde no WhatsApp?

O novo chatbot do Ministério da Saúde reúne informações importantes sobre imunização e outras temáticas frequentes na área da saúde, além de trabalhar no combate às fake news. O canal é oficial e foi lançado pelo programa Saúde com Ciência, visando esclarecer dúvidas de forma confiável. O acesso se dá pelo aplicativo WhatsApp, utilizado por grande parte dos brasileiros, permitindo consultas rápidas e práticas. Vale destacar que as interações são gratuitas e estão disponíveis a qualquer momento - basta adicionar o número (61) 99381- 8399 aos contatos do seu telefone.

Como usar o chatbot do Ministério da Saúde no WhatsApp?

Passo 1. Abra o aplicativo “Telefone” no seu celular – o nome pode mudar de acordo com cada modelo de aparelho. Toque na opção “Criar contato” e, em seguida, insira o nome “Ministério da Saúde” e o número (61) 99381-8399. Selecione “Salvar”.


Passo 2. Vá para o WhatsApp e toque sobre a opção de “nova conversa”. Em seguida, selecione o ícone de três pontos, na parte superior direita da tela.


Passo 3. Aperte “Atualizar” para que o número adicionado seja disponibilizado na lista do mensageiro. Em seguida, toque sobre o contato do Ministério da Saúde.


Passo 4. Inicie a interação com o chatbot mandando um “Oi”. Depois disso, toque em “Sim” ou “Não” para responder se gostaria de receber notificações sobre as ações do Ministério da Saúde. Em seguida, responda com números conforme os temas de seu interesse. Por exemplo, digite 1 para informações sobre “Serviços do SUS” ou 2 para “Vacinação”, entre outras pautas. Nos passos seguintes, prossiga a interação segundo os assuntos que você desejar.


Fonte _ TechTudo

Multivacinação 2026: atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes

 


Multivacinação 2026: estratégia para a atualização da caderneta de vacinação das crianças e dos adolescentes menores de 15 anos.

 Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente /SVSA

domingo, 26 de julho de 2026

WRC Rally 2026 – Vídeos em estado bruto (Pure Raw): melhores momentos da temporada

 


WRC Delfi Rally Estonia 2026 – No limite, ataque total, velocidade máxima, som puro, sem filtros, pé embaixo, alta qualidade – Compilação de vídeos do Rally da Estônia 2026.

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