segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Desigualdade na cobertura vacinal contra HPV deixa jovens desprotegidos

 


A geógrafa paranaense Maria Júlia Pimenta era adolescente quando descobriu, em uma consulta de rotina com a ginecologista, que deveria ter tomado a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) anos antes. Até então, ela desconhecia a importância da imunização.

Hoje com 26 anos, Pimenta fez parte da primeira geração a ter acesso pela rede pública à vacina contra os quatro tipos mais comuns do HPV. O imunizante quadrivalente foi incorporado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em 2014. Mas ela descobriu isso aos 17 anos, quando já estava fora da faixa-alvo, que é dos 9 aos 14 anos.

Na consulta, a médica explicou a Pimenta que ela ainda poderia tomar a vacina nonavalente na rede particular. No entanto, são requeridas três doses desse fármaco, que protege contra os mesmos quatro tipos e outros cinco, também frequentes. O custo total de cerca de R$ 2.700 fez com que até hoje ela não tenha se imunizado.

O Ministério da Saúde estabelece a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV até 2030. O país está próximo do objetivo entre o público feminino (86,22% de adesão entre meninas de 9 a 14 anos em 2025), mas o índice cai para meninos da mesma faixa etária (74,55%).


A infecção pelo HPV se dá principalmente pelo contato sexual. É por esse motivo que o SUS determina que crianças e adolescentes sejam o alvo das campanhas. Nessa faixa etária, eles não tiveram exposição ao vírus e também têm uma melhor resposta imunológica.

A aplicação gratuita do imunizante fora dessa faixa etária se limita a casos específicos: pessoas imunossuprimidas de 9 a 45 anos; pessoas vivendo com HIV; transplantados; pacientes com câncer; usuários de PrEP (drogas antirretrovirais usadas antes da exposição ao HIV); vítimas de violência sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.

Reportagens sobre HPV

Projeto da 11ª turma do Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha discute desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas pelo vírus

Vacina contra o HPV é resultado de mais de 150 anos de pesquisas

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Diagnóstico de HPV na gravidez assusta, mas riscos para bebê são baixos

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Vacinação nas escolas amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV

Distância, vergonha e medo são obstáculos para prevenir câncer cervical

Preconceito dificulta detecção de HPV em pessoas transgênero

Especial discute avanços e desafios para prevenir, detectar e tratar doenças causadas pelo HPV

 

O HPV é responsável pela quase totalidade dos casos de câncer do colo do útero e também está associado a cânceres de pênis, ânus, vulva, vagina e orofaringe (região da garganta que fica entre o céu da boca e a glote). Mesmo assim, há desafios a vencer na conscientização sobre a importância da vacina.

Hesitação vacinal no Acre

Dados do Anuário VacinaBR 2025 mostram uma diferença acentuada entre as regiões Norte e Sul do país. Enquanto estados do Sul apresentam coberturas mais elevadas, a região Norte concentra alguns dos menores índices de vacinação.

A menor taxa é do Acre. Em 2024, a cobertura da primeira dose da vacina contra o HPV alcançou 61,1% das meninas no estado. No que mais vacinou, Paraná, a taxa foi de 113,1%.

Índices acima de 100%, como o do Paraná, ocorrem quando o número de vacinados supera a estimativa oficial do público-alvo para a região, porque a população cresceu e o dado não foi atualizado, ou porque entram na conta pessoas vindas de outras regiões.


Entre os meninos, a diferença foi ainda maior: 25,5% no Acre contra 85,4% no Espírito Santo, estado com maior taxa de vacinação entre meninos.

A baixa adesão no Acre pode estar relacionada ao medo. Nos anos de 2016 e 2017, adolescentes apresentaram quadros de desmaios, dores e convulsões após campanha de vacinação nas escolas do estado. Estudos concluíram que não foi a vacina, mas sim o estresse e o pânico que levaram aos sintomas físicos, um fenômeno chamado "reação psicogênica coletiva".

O diretor-executivo do Instituto Questão de Ciência, Paulo Almeida, criador do VacinaBR, acredita que a demora das autoridades acrianas em responder ao problema deu margem para a proliferação de teorias conspiratórias e grupos antivacina na região.

O pesquisador também aponta que alguns médicos manifestam descrença e se mostram receosos em recomendar o imunizante aos pais, intensificando o problema.

Para combater a desinformação —apontada pelo Ministério da Saúde como a principal força do movimento antivacina—, o governo federal retomou as campanhas de vacinação nas escolas.

Segundo Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, a iniciativa também conta com a parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância no Acre, a fim de mapear as particularidades locais e superar a hesitação vacinal.

Renda dos pais não eleva taxas

A educação ainda é o fator preponderante para elevar as taxas de imunização contra o HPV. Um estudo da ARO Einstein, braço de pesquisa do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, se debruçou sobre dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar para entender as dificuldades da cobertura.

Eles analisaram o cenário nacional após 2024, quando o Ministério da Saúde adotou o esquema de dose única, por entender que ela protegia crianças e adolescentes tão bem quanto duas doses.

Os pesquisadores não encontraram correlação imediata entre renda e taxa de imunização.

Um dado inesperado para a equipe foi encontrar números mais baixos entre meninas de estratos sociais mais elevados. Para Lucas Ferreira, coautor do estudo, isso pode ter a ver com a hesitação vacinal entre parcelas mais conservadoras, "que tendem a ter menor adesão [a vacinas em geral]".

Um dos achados do estudo desmente um temor comum entre os pais, o de que a imunização contra uma infecção sexualmente transmissível (IST) estimule o início precoce da vida sexual. "Entre as meninas vacinadas, a atividade começou até mais tarde", esclarece Henrique Fonseca, pesquisador-sênior do estudo e líder da unidade de estudos clínicos em imunologia e vacinas da ARO Einstein.

Essas meninas são também as que têm melhor grau de educação sexual, reforçando a importância de informar diretamente o adolescente.

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Para atender aos jovens que perderam a vacinação na idade certa, o Ministério da Saúde prorrogou até dezembro de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o HPV. Agora, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram nenhuma dose podem procurar as unidades básicas de saúde próximas de casa para receber o imunizante gratuitamente pelo SUS.

Gatti explica que a prorrogação busca reverter a queda na cobertura vacinal ocorrida em 2021 e 2022. O Ministério descarta a ampliação de doses para maiores de 19 anos, focando o público de 9 a 14 anos por recomendação internacional, o que garante maior impacto coletivo na prevenção contra o câncer.

Esta reportagem foi produzida durante o 11º Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha, que teve apoio do Einstein Hospital Israelita e do Laboratório Roche.

Fonte _ Folha/SP

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Exame de sangue detecta câncer de pâncreas inicial em 87% dos casos

 


Um novo exame de sangue sintetizado por pesquisadores dos Estados Unidos identificou 86,8% dos casos de adenocarcinoma do pâncreas nos estágios 1 e 2, em um estudo internacional com 1.785 pessoas.

O teste, chamado Panxeon, combina uma assinatura de dez microRNAs encontrados no sangue com o marcador tumoral CA 19-9 para estimar o risco de câncer. Os resultados foram publicados na quarta-feira (16) na revista Nature Medicine.

A taxa de 86,8% corresponde à sensibilidade do teste —isto é, à proporção de pessoas que tinham câncer nos estágios iniciais e foram identificadas pelo exame. Portanto, o resultado não significa que 87% de todas as pessoas submetidas ao teste receberiam um diagnóstico correto de câncer.

O câncer de pâncreas é frequentemente diagnosticado em fases avançadas, quando as possibilidades de tratamento são mais restritas. Segundo os pesquisadores, atualmente não existe um exame de sangue clinicamente estabelecido capaz de detectar de forma confiável o adenocarcinoma ductal pancreático em estágio inicial.

O Panxeon foi desenvolvido justamente para combinar diferentes sinais biológicos relacionados à doença. Os pesquisadores analisaram dez microRNAs —pequenas moléculas de RNA envolvidas na regulação da atividade dos genes— e os integraram ao nível sanguíneo do CA 19-9.

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A partir dessas informações, um modelo computacional produz uma pontuação que estima a probabilidade de a pessoa ter câncer de pâncreas. O estudo também avaliou uma versão baseada apenas na assinatura de microRNAs. Nesse caso, a sensibilidade para câncer pancreático em estágio inicial foi de 83,8%, enquanto a área sob a curva ROC, medida usada para avaliar a capacidade de discriminação do teste, foi de 88,6% na coorte de teste.

A pesquisa foi prospectiva, multicêntrica e observacional e envolveu participantes de quatro países. Os pesquisadores dividiram os participantes em grupos para desenvolver, validar e testar a assinatura molecular.

Na etapa de teste, a combinação entre os microRNAs e o CA 19-9 apresentou sensibilidade de 86,8% para os tumores nos estágios 1 e 2. O desempenho, porém, variou conforme o grupo de pessoas sem câncer usado como comparação.

Entre indivíduos considerados de baixo risco, 3,2% tiveram um resultado falso positivo. Entre aqueles classificados como de alto risco, a taxa foi de 15,6%. Um falso positivo ocorre quando o exame indica a possibilidade de câncer em alguém que não tem a doença.

A diferença é relevante porque o objetivo do teste não seria necessariamente substituir exames de imagem ou confirmar sozinho um diagnóstico. Uma possibilidade, segundo os pesquisadores, é que ele seja usado para ajudar a identificar pessoas que precisam de uma investigação mais detalhada, especialmente aquelas que já apresentam fatores de risco para câncer pancreático.

Lesões pré-cancerosas

O estudo avaliou ainda pessoas com cistos pancreáticos considerados de alto risco. Nesse grupo, o Panxeon identificou 64,3% dos casos de displasia de alto grau, uma alteração que pode preceder o desenvolvimento de um câncer invasivo.

Alguns cistos do pâncreas precisam ser acompanhados de perto e, em determinadas situações, podem levar à indicação de procedimentos para evitar a evolução para câncer. Um exame de sangue poderia, no futuro, ajudar a selecionar quais pacientes precisam de uma investigação mais aprofundada.

Apesar da alta sensibilidade observada no estudo, o Panxeon ainda é experimental. Os próprios autores afirmam que são necessários estudos prospectivos de maior escala para determinar sua utilidade clínica.

A pesquisa também avaliou uma possível aplicação do marcador para acompanhar a evolução da doença. Em um grupo pequeno, de apenas 19 pacientes, os níveis da assinatura de microRNAs diminuíram durante a quimioterapia antes da cirurgia e após o procedimento. Eles voltaram a aumentar antes da ocorrência de uma recidiva. O achado é considerado exploratório devido ao número reduzido de pacientes.

Assim, o principal resultado do trabalho é a demonstração de que uma combinação de marcadores presentes no sangue conseguiu identificar quase nove em cada dez casos de adenocarcinoma pancreático em estágios 1 e 2 entre os participantes avaliados.

Fonte _ Folha/SP

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

InfoGripe: Casos de SRAG Estão Em Queda No País

 


A mais nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão em queda no cenário nacional, com oscilação na tendência de curto prazo e estabilização na tendência de longo prazo. No entanto, seis estados apresentaram, nas últimas duas semanas, incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinais de crescimento: Maranhão, Pará, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande do Sul. Outros quatro estados também registraram incidência de SRAG em níveis que exigem atenção, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Santa Catarina. 

Divulgada nesta quinta-feira (17/9), a atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 36, período de 6 a 12 de setembro. No agregado nacional, o aumento de SRAG concentra-se, sobretudo, na faixa etária de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Rio Grande do Sul, o metapneumovírus também tem contribuído para esse aumento. O Boletim aponta ainda que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o rinovírus e o metapneumovírus se destacam como principais causas de mortalidade em crianças pequenas.

Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e Boletim InfoGripe, Tatiana Portella chama atenção que, mesmo com a baixa de casos de SRAG na maior parte do país, é importante que a população de risco verifique se está em dia com o calendário de vacinação. “Idosos e imunocomprometidos precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses, enquanto os demais grupos prioritários devem tomar doses de reforço uma vez ao ano. Também é essencial que todas as gestantes tomem a vacina contra o VSR a partir da 28 semana de gestação”, ressalta.


Estados e capitais

O Boletim também indica que o período de sazonalidade do VSR já se encerrou ou que os casos graves estão em queda. No entanto, os estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram níveis baixos de incidência. 

Em relação à Covid-19, há um leve aumento dos casos graves em São Paulo. Nas demais unidades federativas, os casos de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência. 

“Nos estados onde ainda há um aumento de SRAG, é importante que a população também tome alguns cuidados extras, como evitar ter contato próximo com pessoas que estão com sintomas de gripe ou resfriado, lavar as mãos com frequência, e manter uma etiqueta respiratória, como cobrir a boca ou nariz com o braço ou lenço de papel ao tossir ou espirrar”, destaca Portella. “Pessoas que já estão com sintomas de gripe ou resfriado: o ideal é ficar em casa em isolamento, mas, se não for possível, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara”. 

Duas das 27 capitais, Belém (PA) e Florianópolis (SC), apresentaram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento de SRAG até a SE 36.

Dados epidemiológicos

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi 52,4% para rinovírus; 22,2% para VSR; 5,9% para influenza B; 3,9% para influenza A; e 2,8% para Sars-CoV-2 (Covid-19).

Em 2026, já foram notificados 151.165 casos de SRAG, sendo 81.572 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 53.771 (35,6%) negativos e cerca de 7.255 (4,8%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 41,1% para VSR; 31,4% para rinovírus; 17% para influenza A; 5,5% para influenza B; e 3,8% para Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Em 2026, já foram registrados 6.663 óbitos por SRAG, sendo 3.112 (46,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.904 (43,6%) negativos e ao menos 112 (1,7%) aguardando resultado laboratorial. Verificou-se que, no ano, 35,4% das mortes foram por influenza A; 22,9% por rinovírus; 16,2% por VSR; 14% por Sars-CoV-2 (Covid-19); e 9,3% por influenza B. 

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças menores de 2 anos, em termos de mortalidade, ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada. 

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório foi de 28,9% por rinovírus; 26,8% por VSR; 14,8% por influenza B; 12% por influenza A; e 5,6% por Sars-CoV-2 (Covid-19).

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Anvisa manda recolher e proíbe venda de bebidas proteicas NotShake Protein

 


Anvisa(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (16) o recolhimento de bebidas proteicas NotShake Protein, da NotCo Brasil.

A medida, publicada no Diário Oficial da União, atinge quatro sabores do produto: NotShake Protein Morango com Tâmara; NotShake Protein Baunilha com Coco; NotShake Protein Chocolate; e NotShake Protein Café Caramelo.

Também ficam proibidas a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e a utilização dos produtos.

Em nota, a NotCo afirma que não foi previamente notificada pela Anvisa sobre o recolhimento do produto, mas "já trabalha para compreender integralmente as motivações técnicas e regulatórias da decisão".

Segundo a Anvisa, os produtos não estão registrados como suplemento alimentar.

As bebidas contêm suco concentrado de repolho, mas a empresa não comprovou atender aos requisitos necessários para o uso do ingrediente em suplementos alimentares, diz a agência.

A Anvisa também afirma que é inadequada a alegação de "zero lactose". Diz, ainda, que os estudos apresentados para demonstrar a manutenção das características do produto durante todo o prazo de validade são insuficientes.

Na nota enviada à reportagem, a NotCo também "reafirma seu compromisso inegociável com a qualidade, a segurança alimentar, o controle de qualidade e o cumprimento da legislação em todas as etapas de sua cadeia produtiva."

Fonte _ Folha/SP

Anvisa proíbe T36, caneta paraguaia com princípio ativo do Mounjaro

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, nesta quarta-feira (16), a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso da caneta emagrecedora paraguaia T36.

O produto é vendido como uma versão de tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro, da farmacêutica americana Eli Lilly, hoje o único medicamento à base dessa substância autorizado a circular no Brasil.

A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela produção da Tirzedral, outra caneta de tirzepatida paraguaia que já havia sido proibida pela Anvisa. Até a decisão desta quarta, porém, a T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da agência que barraram outros produtos paraguaios à base da substância, o que abria uma brecha para a compra individual.

Segundo o advogado André Schleich, que atua em processos relacionados às tirzepatidas paraguaias, a T36 não é um medicamento novo, mas uma nova apresentação comercial da Tirzedral.

"É basicamente o mesmo medicamento que a Tirzedral, não tem alteração nenhuma. Só mudaram a embalagem, mudaram a roupagem. Os dois são produzidos concomitantemente", afirma.

Em 18 de agosto, a Folha questionou a Anvisa sobre a ausência, até então, de uma medida específica contra a T36, que vinha circulando em grupos de venda no WhatsApp desde junho. Em outros casos, a Anvisa chegou a proibir emagrecedores do Paraguai antes mesmo de chegarem ao mercado. Foi o caso da Slimex, barrada antes de estar disponível nas prateleiras do país vizinho.

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Em resposta à Folha, em 20 de agosto, a Anvisa afirmou que mantinha monitoramento constante para identificar situações que poderiam justificar ações de fiscalização.

A agência confirmou que, até aquele momento, de fato não havia publicado nenhuma medida específica contra a T36, mas ponderou que, em razão da falta de registro sanitário desse medicamento no Brasil, sua comercialização no país estava proibida.

Com a decisão desta quarta-feira, a T36 passa a ser incluída nas medidas adotadas pela Anvisa contra as tirzepatidas paraguaias, como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec, que já haviam sido alvo de medidas da agência.

O que é a T36?

A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, que também produz a Tirzedral. O registro sanitário foi aprovado em junho deste ano pela Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia) e tem validade até abril de 2031.

Segundo o registro, o medicamento é comercializado em frascos multidose de 2,4 mL, com doses que variam de 2,5 mg a 15 mg, e é indicado para diabetes tipo 2 e controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Um estudo da Unicamp (Universidade de Campinas) encomendado pela Folha, usando cromatografia líquida, espectrometria de massas e dicroísmo circular, confirmou que amostras de tirzepatida paraguaia, incluindo a Tirzedral, continham o mesmo princípio ativo do Mounjaro.

Especialistas explicaram que a molécula paraguaia não é idêntica ao Mounjaro. Isso porque encontrar o mesmo princípio ativo é só a ponta do iceberg. A análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança dos medicamentos.

A própria Anvisa afirma que comprovar equivalência terapêutica exige mais do que identificar a molécula: é preciso avaliar como o produto se comporta dentro do corpo, além de questões envolvendo a produção farmacêutica, como condições de fabricação, armazenamento e transporte do produto.

O que a própria bula não deixa claro

O documento técnico que acompanha o registro da T36 junto à Dinavisa mostra números e conclusões de estudos, mas não apresenta qualquer informação que permita identificar ou checar a pesquisa original.

O documento afirma, por exemplo, que um "estudo de carcinogenicidade de 2 anos" em ratos machos e fêmeas encontrou aumento de tumores de células C da tireoide em todas as doses testadas, mas não informa quem conduziu o estudo, em que instituição, sob que registro ou se os resultados foram publicados em alguma revista científica revisada por pares.

O mesmo vale para o estudo citado sobre a interação da tirzepatida com anticoncepcionais orais e para o "estudo com paracetamol" usado como modelo para avaliar o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico.

Ambos aparecem descritos com percentuais precisos de redução de concentração plasmática, mas sem nenhuma referência que permita localizar o estudo original e avaliar sua metodologia.

Essa ausência de rastreabilidade impossibilita verificar se os dados citados na bula correspondem a testes feitos com o produto paraguaio ou se foram simplesmente copiados de estudos de outra empresa, sobre outra formulação.

Por que o registro no Paraguai não vale no Brasil?

Mesmo que um produto já esteja registrado no Paraguai pela Dinavisa, tenha fabricante conhecido e seja usado pela população, ele precisa obter registro sanitário na Anvisa para ser vendido regularmente no Brasil.

"Não há reconhecimento automático de um país para o outro. O primeiro passo é obter o registro no Brasil. Só então a empresa passa pela análise de qualidade, segurança e eficácia, além dos estudos e ensaios clínicos exigidos aqui", explica a advogada Anna Goulart, especialista em direito da saúde.

Anvisa e a Dinavisa assinaram um acordo em 20 de agosto para troca de informações e combate a produtos ilegais. O documento substitui um memorando firmado em março de 2024 e passa a valer por cinco anos.

O documento também prevê compartilhamento de informações sobre boas práticas de fabricação, ensaios clínicos, alertas sanitários, apreensões e investigações relacionadas à cadeia de comercialização.

É seguro usar canetas paraguaias?

Neuton Dornelas, médico endocrinologista e presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), afirma que, apesar de usuários relatarem em redes sociais que têm perdido peso sem efeitos colaterais graves, a experiência não substitui as evidências exigidas por órgãos reguladores nem elimina os riscos associados ao uso de medicamentos sem registro sanitário no Brasil.

"O primeiro grande risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está recebendo. Também não há garantia sobre a pureza nem sobre a estabilidade do medicamento, que pode ser comprometida por condições inadequadas de transporte e armazenamento", diz.

Fonte _ Folha/SP

terça-feira, 15 de setembro de 2026

São Paulo chega a 36 casos de sarampo em 2026; 26 não tinham vacinação completa

 


O estado de São Paulo registra 36 casos de sarampo em 2026, segundo informações da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde) divulgadas nesta terça-feira (15). Até a última sexta (11), eram 32 casos no estado.

Dos 4 novos registros, 3 são de moradores da cidade de São Paulo: dois meninos menores de 2 anos, ambos com esquema vacinal incompleto, e uma mulher de 24 anos, com histórico de vacinação.

O quarto caso é de um homem de 36 anos, morador de Santo André, também já vacinado. É o primeiro registro da doença neste ano no município do ABC.

Durante todo o ano de 2025 foram registrados dois casos de sarampo em todo o território paulista.

A capital concentra 32 casos no estado. São Bernardo do Campo tem dois registros, enquanto Guarulhos e Santo André têm um caso cada um.

Do total, 26 pacientes não tinham registro de vacinação contra o sarampo ou estavam com esquema vacinal incompleto.

O que é o sarampo e quais são os sintomas?

O sarampo é uma doença de transmissão respiratória causada por um vírus. Os sintomas mais comuns são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do sarampo acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

Quais são as complicações mais sérias?

Pneumonia, infecção no ouvido, encefalite e morte.

Qual população corre mais risco com o sarampo?

As crianças menores de 5 anos de idade (em especial, abaixo de 1 ano) e pessoas imunodeprimidas.

Qual é o tratamento?

Não existe tratamento específico contra o sarampo. Apenas os sintomas são tratados, para reduzir o desconforto.

Quem já teve sarampo está imunizado para sempre?

Sim, quem teve sarampo desenvolve uma imunidade de memória suficiente para se proteger pelo resto da vida. Quem não sabe se já teve a doença ou não tem comprovação de vacinação é orientado a se vacinar.

A vacina contra o sarampo é segura? Tem contraindicações?

Sim, o imunizante contra o sarampo é seguro e eficaz. É uma das vacinas com menos restrições de uso. É contraindicada a imunossuprimidos e bebês menores de 6 meses. Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou que já tiveram reação adversa devem buscar orientação nas unidades de saúde.

Gestantes não devem tomar a vacina contra o sarampo, pois ela é composta por vírus vivo atenuado, o que representa risco durante a gravidez.

Onde posso tomar a vacina do sarampo?

O imunizante está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) dos 645 municípios do estado de São Paulo.

A vacinação é a principal forma de prevenir a doença. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível em todas as UBSs do estado.

Quem pode se vacinar?

Ministério da Saúde recomenda duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui proteção contra varicela).

Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses, independentemente da idade.

No último dia 9, a vacinação contra o sarampo de pessoas com idades entre 6 meses e 59 anos foi retomada em São Paulo nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros e Vila Guilherme, todos na zona norte da cidade.

Na capital paulista, o imunizante está disponível em todas as UBSs e AMAs/UBSs Integradas, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário.

Os moradores podem consultar a unidade mais próxima de sua residência por meio da plataforma Busca Saúde: buscasaude.prefeitura.sp.gov.br.

Fonte _ Folha/SP