terça-feira, 14 de julho de 2026

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | França x Espanha | SemiFinal

 


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Vamos acompanhar de camarote a briga pela artilharia da Copa do Mundo 2026

Lionel Messi (Argentina): 8 gols

Kylian Mbappé (França): 8 gols

Erling Haaland (Noruega): 7 gols

Harry Kane (Inglaterra): 6 gols

Jude Bellingham (Inglaterra): 6 gols

Ousmane Dembélé (França): 5 gols

Vini Jr. (Brasil): 4 gols

 

Relembre os maiores artilheiros da Copa do Mundo da FIFA

Lionel MessiArgentina, Gols: 21 Copas do Mundo: 6

Kylian MbappéFrança, Gols: 20 Copas do Mundo: 3

Miroslav Klose – Alemanha, Gols: 16 Copas do Mundo: 4

RonaldoBrasil, Gols: 15 Copas do Mundo: 3

Gerd Müller – Alemanha, Gols: 14 Copas do Mundo: 2

Harry KaneInglaterra, Gols: 14 Copas do Mundo: 3

Just Fontaine – França, Gols: 13 Copa do Mundo: 1

PeléBrasil, Gols: 12 Copas do Mundo: 4

Sandor Kocsis – Hungria, Gols: 11 Copas do Mundo: 1

Cristiano Ronaldo – Portugal, Gols: 11 Copas do Mundo: 6

Jürgen Klinsmann – Alemanha, Gols: 11 Copas do Mundo: 3

Helmut Rahn – Alemanha, Gols: 10 Copas do Mundo: 2

Gabriel Batistuta – Argentina, Gols: 10 Copas do Mundo: 3

Gary Lineker – Inglaterra, Gols: 10 Copas do Mundo: 2

Teófilo Cubillas – Peru, Gols: 10 Copas do Mundo: 3

Thomas Muller – Alemanha, Gols: 10 Copas do Mundo: 4

Grzegorz Lato, Gols: 10 Copas do Mundo: 3

AdemirBrasil, Gols: 9 Copas do Mundo: 1

Roberto Baggio – Itália, Gols: 9 Copas do Mundo: 3

Eusébio – Portugal, Gols: 9 Copas do Mundo: 1

JairzinhoBrasil, Gols: 9 Copas do Mundo: 3

Paolo Rossi – Itália, Gols: 9 Copas do Mundo: 2

Karl-Heinz Rümmenigge – Alemanha, Gols: 9 Copas do Mundo: 3

Uwe Seeler – Alemanha, Gols: 9 Copas do Mundo: 4

VaváBrasil, Gols: 9 Copas do Mundo: 2

Christian Vieri – Itália, Gols: 9 Copas do Mundo: 2

David Villa – Espanha, Gols: 9 Copas do Mundo: 3

Vinícius JuniorBrasil, Gols: 5 Copas do Mundo: 2

Fonte _ FIFA

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Anvisa registra nova vacina contra gripe A e B

 


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou hoje  (13/7), no Diário Oficial da União, o registro da Fluprevli (vacina influenza trivalente). O imunizante, com vírus fragmentado e inativado, pode ser usado por adultos e crianças a partir de 6 meses de idade. 

A nova vacina protege contra cepas dos vírus influenza A e B e apresentou eficácia de 73% nos estudos clínicos com adultos e 65% em crianças. 

Apesar do prognóstico geralmente benigno, a influenza é uma infecção respiratória de elevada relevância na Saúde Coletiva, altamente contagiosa, com surtos sazonais, que podem levar a hospitalizações e mortes. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de desenvolver complicações relacionadas à influenza.

A vacina contra influenza já está disponível no Programa Nacional de Imunizações, para crianças até cinco anos, idosos, gestantes e segmentos específicos, incluindo trabalhadores de Saúde. A vacina atual é segura. Conheça os principais boatos sobre a vacina e a resposta da Anvisa:

Uso do mercúrio (Timerosal) 

Ao contrário do que afirmam os boatos, o mercúrio utilizado na vacina (na forma de timerosal) não representa risco à saúde. 

Função: ele atua como conservante, impedindo o crescimento de bactérias e fungos em frascos que contêm várias doses.

Segurança: a quantidade é ínfima e muitos estudos comprovam que essa formulação específica é eliminada rapidamente pelo corpo, sem causar danos ao sistema nervoso ou aos rins. 

Octoxynol-10 (Triton X-100) 

As notícias falsas alegam que este componente causaria doenças autoimunes ou câncer. A informação não tem base científica. 

Função: esta substância é um detergente usado para fragmentar o vírus durante a fabricação, garantindo que ele seja inativado (morto) e não cause a doença. 

Realidade: apenas traços residuais permanecem no produto final. O Triton X-100 é amplamente utilizado em cosméticos e medicamentos aprovados no mundo inteiro, sem qualquer indício de que cause malformação ou doenças graves. 

Formaldeído (Formol) 

 A tentativa de comparar o formaldeído da vacina com o “formol” usado em concentrações perigosas (como em salões de beleza) é enganosa. 

Presença natural: o corpo humano produz formaldeído naturalmente durante o metabolismo das células. O sangue de um bebê, por exemplo, possui naturalmente uma concentração muito maior da substância do que qualquer vacina. 

Risco de câncer: o formaldeído só é considerado cancerígeno em exposições industriais altas e prolongadas. Nas vacinas, ele é usado em doses residuais mínimas apenas para inativar o vírus, sendo incapaz de causar leucemia ou outros tumores.

Fonte _ Cofen

Jornais - Informações na Madrugada

 





Falta de anestesia e de informação leva brasileira a trocar parto normal por cesárea, aponta Unicef

 


Uma mulher ouve da mãe que o parto normal dói demais. A cesárea, dizem a ela, é mais segura.

pré-natal inadequado não explica os benefícios do parto vaginal nem as opções para aliviar a dor. A decisão final fica nas mãos da equipe médica.

Em um hospital público, o parto começa. Mas a dor é forte. O parceiro pressiona para pedir uma cesárea, a única forma de conseguir anestesia ali —apesar de a analgesia peridural ser um direito. A cirurgia ainda garante a laqueadura.

Esse é um dos cenários que explicam por que a cesárea é a via de nascimento mais comum no Brasil, ainda que sete em cada dez brasileiras prefiram o parto normal no início da gravidez, segundo estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado nesta segunda (13).

OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que as cesarianas representem de 10% a 15% do total de partos. No Brasil, esse percentual chega a 47,6% em hospitais públicos e a 81,3% em hospitais privados.

A pesquisa encomendada pelo Unicef ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde em Belém e São Paulo no início deste ano. O resultado foi analisado junto à revisão de artigos científicos e documentos oficiais dos últimos dez anos.

A preferência pela cesárea é multifatorial, afirma Stephanie Amaral, especialista em Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil. No campo psicológico, o medo da dor e o despreparo pesam na decisão. No campo social, parceiros e familiares interferem. No campo estrutural, falta garantia de anestesia, leitos com apoio ao parto humanizado e informação padronizada.

Em São Paulo, profissionais relataram que a "lei da cesárea" aumentou a pressão por cirurgias sem indicação clínica. A legislação estadual, em vigor desde 2019, garante à mulher o direito de optar pela cesárea mesmo sem necessidade médica. Nos hospitais públicos analisados, a taxa de cesáreas passou de cerca de 20% antes da lei para até 45% depois dela.

Médicos relataram ao estudo que temem processos judiciais caso não optem pela cesárea diante de familiares que cobram uma solução mais rápida para o sofrimento da mulher.

"O que a gente vê do social é muita influência de experiências passadas, principalmente de mulheres próximas. Mães, sogras, mulheres mais velhas. Isso é muito ligado ao individual, porque muitas dessas experiências foram ruins", diz Amaral. O resultado, segundo ela, é uma crença de que o parto normal é algo difícil e a cesárea, algo prático e previsível.

Outra barreira é a laqueadura. A falta de estrutura hospitalar faz a mulher esperar dias após o parto vaginal, enquanto na cesárea ela é feita imediatamente.

Já no setor privado, gestantes têm dificuldade para encontrar médicos que aceitem o parto normal, uma vez que a contratação de uma equipe para isso custa mais do que uma cesárea agendada.

Em gravidezes de baixo risco, a cesariana é associada a piores desfechos tanto para a mãe como para o recém-nascido. Estudos apontam que recorrer ao procedimento sem indicação médica pode triplicar o risco de morte materna e aumentar em cinco vezes a chance de embolia amniótica.

No setor privado, mulheres com melhor informação escolhem parto normal. Um médico de Belém, ouvido em anonimato pelo estudo, descreveu a diferença social.

"Uma paciente bem estruturada financeiramente, que teve preparação no pré-natal, vai chegar aqui e vai ter seu parto normal. É diferente de uma paciente que só teve dinheiro para pagar o plano de saúde, que não fez fisioterapia, que não teve orientação. Ela diz que quer o parto normal, mas quando sente a primeira dor, já pede cesariana."

No SUS, o desejo pela via vaginal muitas vezes nasce da necessidade de se recuperar rápido para cuidar do bebê sozinha, o que significa aguentar um parto dolorido devido a uma vulnerabilidade social, diz Amaral. Segundo ela, o parto normal nem sempre é humanizado no país e mulheres enfrentam falta de preparo de equipes médicas, que não garantem uma experiência adequada.

O Brasil discute a garantia de um parto humanizado para todas as mulheres há mais de uma década. O Projeto de Lei 6.567/2013, que chegou à Câmara vindo do Senado naquele ano, obriga o SUS e hospitais conveniados a seguir diretrizes mínimas de parto humanizado. O texto ainda aguarda designação de relator na Comissão de Saúde.

Leis estaduais que garantem à mulher o direito de escolher a cesárea avançaram mais rápido. São Paulo aprovou a sua em 2019, em regime de urgência. O Pará seguiu o mesmo caminho em 2020.

Essa diferença de ritmo fala por si só, diz Amaral. "A humanização do parto não se refere à via de nascimento, se refere ao respeito, ao cuidado. Existe um debate importante em relação ao termo violência obstétrica, que não é aceito pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). A mulher ganhar protagonismo no momento do parto, estar mais informada, às vezes não é tão interessante [para alguns]."

Avanços recentes incluem a nova caderneta da gestante com espaço para plano de parto, reconhecimento da doula e possível inclusão de obstetriz nas equipes de maternidade.

Mas o desafio segue sendo colocar essas mudanças em prática, diz Amaral. Entre 2022 e 2025, apenas 8,6% das mulheres receberam analgesia durante o parto vaginal no SUS, apesar de ser um direito constitucional. Na rede privada, o índice sobe para 32%, segundo levantamento da Fiocruz.

Enquanto o sistema não muda, a saída passa por a mulher conhecer os próprios direitos, diz Amaral. "É chato a gente ter que se preparar e ter que demandar direito, mas é uma das formas de garantir que as mulheres tenham uma experiência positiva de parto."

Para reforçar esse acesso à informação, o Unicef lançou uma plataforma online com conteúdo sobre os benefícios do parto vaginal, os direitos da mulher na gestação e no parto, e orientações práticas para o pré-natal, incluindo a elaboração do plano de parto. O material está disponível neste link.

"O sonho de todo mundo que trabalha nessa área, e de toda mulher, é que o parto seja ressignificado. Que nenhuma mulher, no momento tão importante que é o nascimento do filho, tenha que viver desrespeito", diz Amaral.

Fonte _ Folha/SP

Oxford inicia 1º ensaio clínico em humanos de vacina contra nova cepa do ebola



A Universidade de Oxford lançou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina contra a cepa Bundibugyo do vírus do ebola, com o objetivo de acelerar os esforços para combater um surto que se espalha pela República Democrática do Congo e Uganda.

O estudo em fase inicial, conhecido como BD-Ebov, avaliará a segurança e a resposta imunológica da vacina ChAdOx1 BDBV em 50 adultos saudáveis com idades entre 18 e 55 anos em Oxford, informou a universidade nesta segunda-feira (13).

O recrutamento já começou, e a vacinação deve começar nas próximas semanas, dependendo da aprovação regulatória.

A vacina foi desenvolvida por cientistas do Grupo de Vacinas e do Instituto de Ciências Pandêmicas de Oxford, utilizando a mesma plataforma de vetor viral da vacina contra a Covid da Oxford/AstraZeneca.

O Instituto Serum da Índia, que é parceiro no programa, informou que fabricou e estocou cerca de 620 mil doses da potencial vacina em duas semanas e forneceu 4.000 doses experimentais para o estudo de fase inicial.

Em maio, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou priorizar a vacina ChAdOx1 BDBV, juntamente com uma candidata de dose única conhecida como rVSV Bundibugyo, que está sendo desenvolvida pela Iniciativa Internacional para a Vacina contra a Aids, para avaliação clínica como parte da resposta ao surto em curso.

A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) informou que investirá inicialmente até US$ 8,6 milhões (R$ 43,9 milhões) no desenvolvimento da vacina.

Também estão em andamento os preparativos para estudos clínicos adicionais em Uganda, sujeitos à aprovação regulatória, por meio de parcerias que incluem o Conselho de Pesquisa Médica/Instituto de Pesquisa de Vírus de Uganda e a Unidade de Pesquisa de Uganda da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Caso o ensaio em fase inicial seja bem-sucedido, a Cepi afirmou que trabalhará com a Universidade de Oxford e o Instituto Serum para apoiar os estudos em fase avançada necessários para solicitar autorização de uso de emergência ou aprovação regulatória completa.

Os parceiros afirmaram que seu objetivo é garantir o fornecimento rápido e acessível de vacinas para os países afetados.

Fonte _ Folha/SP

Eurofarma anuncia parceria para trazer nova vacina contra chikungunya ao Brasil

 


A farmacêutica brasileira Eurofarma anunciou, nesta segunda-feira (13), ter fechado parceria com o laboratório dinamarquês Bavarian Nordic para trazer ao país uma nova vacina contra a chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

A empresa já submeteu o pedido de registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em junho, dando início ao processo de aprovação do imunizante batizado CHIKV VLP.

Trata-se de uma vacina de dose única, produzida com a tecnologia de VLP ("virus like particles", ou partículas semelhantes ao vírus). O método reproduz a estrutura externa do patógeno sem conter seu material genético, o que impede a replicação e a infecção.

Em estudos clínicos, o imunizante induziu anticorpos neutralizantes em diferentes faixas etárias, incluindo adolescentes e idosos, segundo a Eurofarma. Já é aprovado a partir dos 12 anos nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá, sob o nome comercial Vimkunya.

Se aprovado no Brasil, o produto será a segunda vacina contra a chikungunya autorizada no país. A primeira, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, teve registro concedido pela Anvisa em abril de 2025 e passou a ter produção nacional autorizada em maio deste ano.

A vacina do Butantan usa vírus atenuado e é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos, sendo contraindicada para gestantes e imunossuprimidos. Já a tecnologia da Eurofarma, por não conter material genético replicante, permite aplicação em faixa etária mais ampla.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o mundo registrou mais de 500 mil casos de chikungunya em 2025, com cerca de 186 mortes. No Brasil, foram quase 130 mil casos e 120 óbitos no mesmo período.

Um alerta epidemiológico publicado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e pela OMS em fevereiro deste ano aponta um aumento sustentado de casos entre o fim de 2025 e o início de 2026, incluindo a retomada da transmissão em regiões que não registravam o vírus havia anos, como partes das regiões centro-oeste e sudeste do Brasil.

A doença já foi identificada em mais de 110 países e tende a se espalhar com o aquecimento global, que favorece a proliferação do mosquito transmissor. Embora a letalidade seja baixa, a chikungunya pode evoluir para quadros crônicos de dor articular incapacitante.

Fonte _ Folha/SP

Pesquisadoras brasileiras avançam em vacina contra a malária

 


Pesquisadores brasileiros identificaram um conjunto inédito de proteínas do parasita Plasmodium.

Essa descoberta é um passo fundamental para o desenvolvimento de uma vacina universal ou mais abrangente, capaz de proteger contra diferentes espécies do parasita e atuar em várias fases da doença.

Cientistas da UFMG e da Fiocruz identificaram novas estruturas que prometem ampliar a eficácia da imunização.

Band Jornalismo

domingo, 12 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







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Direto de Guajará Mirim-RO

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Estudo revela fatores por trás de tentativas de suicídio na adolescência

 


Adolescentes que tentaram suicídio frequentemente acumulam experiências de violência, conflitos familiares, isolamento social e dificuldades para lidar com emoções intensas. Sentimentos de abandono, rejeição e falta de pertencimento também fazem parte. É o que aponta um estudo publicado em abril na revista da Escola de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo).

Conduzida por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da UFS (Universidade Federal de Sergipe), a pesquisa ouviu 12 adolescentes entre 14 e 19 anos atendidos em Caps (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) na capital paulista. Entre os fatores mais citados pelos jovens estavam bullying, negligência emocional, discriminação, autolesão e sintomas de ansiedade e depressão.

Os relatos mostram que o sofrimento emocional dos jovens nessa faixa etária costuma ser resultado de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo. "A escuta ativa permite que se sintam valorizados e protagonistas de suas narrativas", diz a enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e uma das autoras do estudo.

"Muitas dessas tentativas, por terem baixa letalidade, nunca chegaram aos serviços de saúde. O sofrimento ficou invisível, sem registro e sem cuidado."

comportamento suicida é complexo e não pode ser explicado por um único fator. "Quando a gente vai falar sobre suicídio, não estamos falando de uma coisa pontual, mas sim de um espectro. É um fenômeno que pode estar ligado a diversos transtornos mentais, não só à depressão, como costuma ser mais associado", explica o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

No estudo brasileiro, foram observadas dificuldades dos adolescentes lidarem com sentimentos como raiva, frustração e vazio emocional. Em alguns casos, as tentativas de suicídio ocorreram em momentos de pico emocional e os jovens relataram episódios de explosões, sensação de perda de controle e comportamentos impulsivos.

É importante saber que raiva, frustração e oscilações de humor fazem parte do desenvolvimento na adolescência. "O desafio é perceber quando essas emoções deixam de ser esperadas para a idade e sinalizam um sofrimento psíquico mais intenso, marcado por sensação de vazio, impulsividade perigosa e dificuldade de pedir ajuda", diz Pedrosa. "É diferente um adolescente ficar irritado porque discutiu com os pais e outro que começa a se cortar para aliviar o sofrimento."

Conflitos familiares apareceram em praticamente todos os relatos dos adolescentes ouvidos no estudo. Segundo Monteiro, muitos descreveram falta de diálogo, ausência de acolhimento e sensação de invisibilidade em casa. "A falta de pertencimento era transversal. Atravessava todos os espaços que deveriam ser de suporte e afeto", relata a pesquisadora.

A família exerce papel central tanto na proteção quanto no agravamento do sofrimento emocional. "O que protege o adolescente não é uma família perfeita, mas uma parentalidade suficientemente boa. É uma família que seja disponível emocionalmente, onde o adolescente se sinta acolhido, escutado e pertencente ao ambiente familiar. Caso contrário, ele pode entrar em sofrimento", alerta o psiquiatra.

Na pesquisa, a escola também aparece como um espaço de sofrimento. Os adolescentes relatam episódios de bullying, humilhação, exclusão social e discriminação relacionada a orientação sexual, identidade de gênero e origem geográfica. Quando essas situações se repetem, o jovem pode internalizar uma ideia de não pertencimento, gerando ansiedade, depressão, vergonha e desesperança.

Romper o silêncio

Quando se fala em suicídio, é importante diferenciar os termos ideação suicida, tentativa de suicídio e autolesão. A ideação geralmente começa com pensamentos recorrentes sobre desaparecer ou morrer. Já a tentativa envolve uma ação com intenção de se matar, mesmo sem lesões graves. A autolesão, por outro lado, busca aliviar sofrimento emocional.

"Uma autolesão não deve ser encarada como drama ou fase. Precisa de intervenção imediata, não necessariamente medicamentosa, mas é preciso intervir", orienta Thiago Pedrosa.

Em muitos casos analisados na pesquisa brasileira, a autolesão apareceu antes das tentativas. "O estudo interpreta a autolesão como indicador de sofrimento psíquico intenso e mecanismo de habituação à dor, uma etapa de agravamento progressivo que pode abrir caminho para tentativas de suicídio. Reconhecê-la como sinal de alerta, e não apenas como comportamento a ser corrigido, é fundamental", alerta a enfermeira Girliani Silva de Sousa, pesquisadora da Unifesp que também assina o artigo.

Entre as medidas preventivas estão criar redes de apoio que envolvam família, escola e serviços de saúde. "As circunstâncias identificadas no estudo podem ajudar a reconhecer adolescentes em sofrimento. O que os relatos deixam claro é a necessidade de espaços de escuta, fortalecimento dos vínculos familiares e construção de redes de apoio que atendam o adolescente e sua família de forma integrada", avalia Sousa.

Romper o silêncio em torno do tema também é fundamental. "Falar sobre suicídio não incentiva o suicídio. Isso é um mito. A primeira coisa é levar o sofrimento do adolescente a sério", afirma o médico do Einstein. "Não é só psicoterapia, orientação parental ou medicamento. O mais importante é que o adolescente seja escutado sem julgamento, sem críticas ou sermões, e que os pais procurem ajuda profissional rapidamente."

Veja onde encontrar ajuda

Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio

Oferece grupos de apoio aos enlutados e a familiares de pessoas com ideação suicida, cartilhas informativas sobre prevenção e posvenção e cursos para profissionais.

vitaalere.com.br

Abrases (Associação Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suicídio)

Disponibiliza materiais informativos, como cartilhas e ebooks, e indica grupos de apoio em todas as regiões do país.

abrases.org.br

CVV (Centro de Valorização da Vida)

Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato pelo site e telefone 188.

cvv.org.br

Fonte _ Folha/SP

As mentiras que alimentam ataques contra profissionais de saúde que combatem o ebola: 'Disseram que não era real'

 


"Eles me agarraram por trás e começaram a me socar, a me bater com pás e facões", diz Daniel Uyirwoth Welo, um dos quatro voluntários da Cruz Vermelha feridos quando uma multidão tentou abrir um caixão que continha o corpo de uma pessoa que havia morrido de ebola.

O jovem de 27 anos e seus colegas tentavam realizar um enterro seguro em um cemitério em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, no mês passado, quando foram atacados. O ataque foi motivado por boatos —que circulavam localmente e online— de que o caixão estava vazio.

Algumas pessoas na multidão disseram: "Não, o ebola não existe", disse Welo à BBC Verify —o serviço de checagem de dados da BBC—, acrescentando que outros acreditavam que a equipe da Cruz Vermelha estava lá apenas "para arrecadar dinheiro".

O ataque é um entre vários incidentes ligados à desinformação durante o mais recente surto de ebola, que infectou mais de 1.750 pessoas e matou 600 na República Democrática do Congo desde meados de maio, de acordo com dados do governo.

Alegações falsas que circulam nas áreas afetadas incluem afirmações de que o ebola não existe, que profissionais de saúde estão infectando pessoas deliberadamente ou colhendo seus órgãos, e que a resposta ao ebola é um esquema para ganhar dinheiro.


A BBC Verify identificou 12 casos de resistência da comunidade às medidas de controle do ebola, sete dos quais pudemos verificar usando imagens de redes sociais.

Esses casos incluem ataques a centros de tratamento, agressões a profissionais de saúde e repetidas tentativas de interferir nos procedimentos de sepultamento seguro de pessoas que morreram da doença. O número real provavelmente é maior, já que os incidentes podem ocorrer em áreas remotas e não serem relatados.

Mais recentemente, em 1º de julho, pessoas incendiaram um centro de tratamento de ebola em Bafwabango, província de Ituri, epicentro do surto. A imprensa local noticiou que um policial foi morto após confrontos em torno do corpo de uma pessoa suspeita de ter morrido em decorrência do vírus.

O ebola se espalha por contato direto com fluidos corporais infectados e os corpos das vítimas podem permanecer altamente infecciosos após a morte. Os profissionais de saúde queriam enterrar a vítima em segurança, embora essa medida tenha enfrentado resistência repetidas vezes durante o surto, em meio a alegações infundadas de que o ebola não é real.

O surto atual está ligado à espécie Bundibugyo do vírus. Embora ainda não exista vacina ou tratamento aprovado para essa espécie, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que um ensaio clínico com dois tratamentos potenciais já foi iniciado —embora especialistas alertem que a conclusão possa levar meses.

Equipes de resposta de organizações humanitárias e das autoridades congolesas têm realizado enterros seguros, evitando práticas como lavar ou tocar os corpos, que podem disseminar a infecção.

Ritos funerários que envolvem contato com o morto desempenharam um papel importante na disseminação do ebola durante surtos anteriores, tornando os enterros seguros uma forma essencial de limitar a propagação da doença.

Mas as autoridades de saúde afirmam que a desinformação está prejudicando esses esforços.

No final de maio, manifestantes incendiaram equipamentos e duas tendas de isolamento em um centro de tratamento de ebola em Rwampara, depois que parentes de um jovem, supostamente morto em decorrência do vírus, foram impedidos de retirar o corpo para o sepultamento.


Os funerais, que muitas vezes duram vários dias na República Democrática do Congo, estão entre as cerimônias comunitárias e culturais mais importantes do país, com profunda relevância social, cultural e espiritual.

"As mulheres se vestem de noiva e se maquiam... Elas cantam, celebram aquela pessoa, porque é uma jornada, não o fim da vida", disse Julienne Anoko, antropóloga que trabalha com a OMS como oficial de engajamento comunitário, à BBC no mês passado.

Desde então, instalações médicas teriam sido atacadas ou vandalizadas pelo menos mais três vezes.

Profissionais que atuam no combate ao ebola em Ituri disseram à BBC que ideias equivocadas sobre o vírus e o medo do que acontece nos centros de tratamento têm impedido alguns pacientes de buscar atendimento médico prontamente, muitas vezes deixando-os com poucas chances de recuperação quando chegam em busca de ajuda.

Aimé Mbonda Noula, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), afirma que algumas famílias fogem de suas casas quando um parente morre de ebola, abandonando o corpo em vez de notificar as autoridades por medo de serem colocadas em quarentena.

"A maioria das pessoas nessas comunidades pensa que esses centros de tratamento são lugares onde, se você for, você morre", diz ele. "Então, geralmente, as pessoas fogem desses lugares e fogem dos profissionais de saúde."

Outros resistem às mudanças nas práticas funerárias.

"Eles não acreditam que enterros seguros e dignos possam realmente ajudar", diz Babou Rukengeza, da organização beneficente Save The Children.

"Eles dizem: 'este é um membro da minha família, preciso honrá-lo... esta é a última vez que posso tocá-lo'."

No mês passado, dois profissionais que atuavam no combate ao ebola foram atacados na província de Quivu do Norte por pessoas que, segundo relatos, os culpavam pelas mortes em sua comunidade.

Um vídeo verificado pela BBC Verify mostra uma profissional de saúde tentando fugir de um grupo de homens que a agridem com pedaços de madeira. Em outro vídeo, um homem que parece usar uniforme médico rasteja por uma rua enquanto pessoas atiram pedras nele.


Uma avaliação recente realizada pela organização beneficente ActionAid em Ituri sugere que cerca de um terço dos entrevistados não acreditava que o Ebola fosse uma doença real, considerando-o, em vez disso, um fenômeno espiritual ou produto de feitiçaria.

"A desinformação sobre o Ebola é a maior aliada do vírus", disse Wessam Mankoula, dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, à BBC.

"Rumores falsos atrasam o atendimento a pessoas que precisam de ajuda e alimentam ataques contra profissionais e instalações de saúde, prejudicando o controle do surto e dando ao vírus mais oportunidades de se espalhar."

Especialistas afirmam que a desconfiança foi alimentada por décadas de instabilidade no leste da República Democrática do Congo —desde conflitos prolongados até interferências externas e a competição por minerais valiosos, como ouro e coltan, que atraíram empresas estrangeiras e grupos armados.

"Existe uma base muito sólida de desconfiança em relação a tudo que vem de fora, inclusive do governo central", afirma Jean-Vivien Mombouli, que já assessorou governos de toda a região sobre como responder a surtos de Ebola.

Autoridades de saúde argumentam que conter o surto agora depende tanto da reconstrução da confiança quanto do tratamento médico, alertando que, sem a aceitação das comunidades, não poderão realizar seu trabalho.

"A desconfiança é o verdadeiro campo de batalha", escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, nas redes sociais em junho. "Conquistaremos a confiança e venceremos esta batalha."

Fonte _ Folha/SP