quinta-feira, 3 de setembro de 2026

500 Ultrassons Portáteis fortalecem atendimento nas Unidades Básicas de Saúde - UBS

 


Ministério da Saúde recebeu nesta quarta, 2/9, representantes da Alfa Med Sistemas Médicos e da VMI Médica para registrar ata de preços para aquisição futura de ultrassons portáteis de bolso. A ata prevê aquisição de 500 unidades com investimento total de R$ 12,58 milhões para ações da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

"Esse aparelho cabe até no bolso do médico, da enfermeira, que consegue fazer todos os exames fundamentais de ultrassom, desde ver a situação do bebê dentro da barriga da mãe, ver problema de vesícula, fazer ultrassom abdominal, ver como é que está a situação das veias, ver problemas de gânglios, de cistos, de abscessos. E isso lá na própria UBS. Ou seja, aquilo que às vezes a pessoa é encaminhada para fazer um agendamento em um hospital, um centro laboratorial, vai poder ser resolvido na própria Unidade Básica de Saúde", afirmou o ministro Alexandre Padilha.

"Esse é um reforço importante das ações do Ministério da Saúde junto com os municípios, para chegar às equipes do Programa Mais Médicos, que hoje são 27 mil médicos espalhados por todo o país, e para o fortalecimento da Atenção Primária em Saúde", completou Padilha.

Os estados beneficiados são Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Ceará, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.

Com os aparelhos, o atendimento da população pelo SUS ganha velocidade e qualidade, uma vez que a praticidade dos equipamentos portáteis e resultados instantâneos reduzem tempo de espera.

Os ultrassons de bolso são utilizados para exames abdominais, obstétricos e pré-natais; avaliações renais e apoio a bloqueios; identificação de lesões e sangramentos internos; avaliação de derrame pleural e lesões musculares, apoio a punções e procedimentos guiados por imagem e tem aplicações em adultos e crianças, inclusive em contextos externos.

As 500 unidades de ultrassons serão entregues entre 60 e 150 dias, em três etapas, a partir da data de assinatura do contrato. Cada UBS terá 15 dias para realizar a verificação técnica do equipamento e emissão do termo recebimento definitivo antes do pagamento.

Fonte _ Saúde.gov

InfoGripe: cresce número de casos de SRAG em crianças e adolescentes

 


Divulgada nesta quinta-feira (3/9), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta manutenção do sinal de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), em nível nacional, nas crianças e adolescentes de até 14 anos. O crescimento está associado principalmente ao rinovírus. A análise é referente à Semana Epidemiológica 34, período de 23 a 29 de agosto.

A atualização destaca também que 3 das 27 unidades federativas - Alagoas, Goiás e Paraíba - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento até a Semana 34. Segundo o estudo, o aumento de SRAG nesses estados se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos.

Alagoas também registra aumento de SRAG nas faixas etárias de 5 a 14 anos e 15 a 49 anos. O rinovírus é o principal vírus associado a este crescimento, especialmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e na Paraíba, observa-se a contribuição do metapneumovírus.


Estados e capitais

Dez unidades da Federação (UF) também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Seis das 27 capitais registram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com indícios de crescimento de SRAG até a Semana 34: Aracaju, Boa Vista, Goiânia, João Pessoa, Salvador e Vitória.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 14,3% de influenza A, 16,3% de influenza B, 24% de vírus sincicial respiratório, 34,2% de rinovírus e 4,1% de Sars-CoV-2 (Covid -19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 144.599 casos de SRAG, sendo 78.101 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 50.925 (35,2%) negativos, e cerca de 7.323 (5,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,5% de influenza A, 5,4% de influenza B, 41,7% de vírus sincicial respiratório, 30,7% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,6% de influenza A, 6,9% de influenza B, 31,9% de vírus sincicial respiratório, 44,3% de rinovírus e 2,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

As ocorrências de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam caindo na maior parte do país, com exceção de Roraima, onde observa-se uma retomada das hospitalizações pelo vírus. O estudo observa ainda que os casos de SRAG por VSR ainda estão um pouco elevados neste período na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou no país. Porém os casos graves por influenza B tem apresentado aumento nos estados da Bahia, Mato Grosso e Ceará. Em relação à Covid-19, todas as UF estão em um patamar baixo de incidência.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Brasil consolida desenvolvimento de vacinas com RNA mensageiro e amplia respostas contra crises sanitárias

 


Ministério da Saúde investiu R$ 210 milhões no desenvolvimento de plataformas de RNA mensageiro (mRNA) no Brasil, uma estratégia para ampliar a capacidade científica, tecnológica e produtiva do país e garantir respostas próprias a emergências sanitárias. A iniciativa reúne três centros nacionais com capacidade para desenvolver vacinas com essa tecnologia — Fiocruz, Instituto Butantan e Centro de Competência em Vacinas da UFMG — e já produz resultados concretos: a Fiocruz vai iniciar os estudos clínicos da primeira vacina desenvolvida integralmente no país com RNA mensageiro.

Esses investimentos fazem parte do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e da redução da dependência de tecnologias externas. Por meio do Novo PAC Saúde, foram destinados R$ 77 milhões à plataforma de RNAm da Fiocruz e R$ 73 milhões ao Butantan, enquanto o Centro de Competência em Vacinas da UFMG recebeu R$ 60 milhões. Os recursos apoiam a infraestrutura de pesquisa e produção, o desenvolvimento de produtos estratégicos para o SUS e a realização de estudos clínicos.

Mais do que viabilizar uma vacina específica, a estratégia cria uma infraestrutura tecnológica nacional capaz de gerar diferentes vacinas e produtos de interesse do SUS. A tecnologia de RNA mensageiro funciona como uma plataforma: as instruções utilizadas para estimular o sistema imunológico podem ser modificadas de acordo com o agente infeccioso ou a doença que se pretende combater. Por isso, as estruturas apoiadas pelo Ministério da Saúde também têm potencial para o desenvolvimento de produtos contra doenças como leishmaniose e tuberculose, além de aplicações terapêuticas, inclusive na área de câncer.

A iniciativa integra ainda o Programa Nacional de Inovação Radical, criado pelo Ministério da Saúde para aproximar a pesquisa científica das necessidades do SUS e transformar conhecimento em soluções concretas, como vacinas, medicamentos, diagnósticos e terapias. A política organiza uma carteira de projetos estratégicos e amplia o acesso de pesquisadores e instituições à infraestrutura científica e tecnológica avançada, fortalecendo a articulação entre governo, academia, setor produtivo e parceiros estratégicos.

“Enquanto tem país que cortou o investimento em RNA mensageiro, rasgou o contrato com empresa, parou pesquisa, o Brasil tem três plataformas, vem avançando e se preparando cada vez mais para o desenvolvimento de vacinas. Temos muito orgulho de que vamos nos apropriar, enquanto país, dessa plataforma tecnológica”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Primeira vacina em testes clínicos

A primeira vacina com RNA Mensageiro é contra a Covid-19 e foi desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) a partir da plataforma própria de RNAm, cuja planta piloto é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação.

“A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)”, diz o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

O estudo clínico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliará a vacina como dose de reforço, conforme a estratégia atualmente prevista no calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI). O recrutamento dos voluntários para a primeira fase do estudo está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027.

A vacina passou por estudos pré-clínicos, que demonstraram eficácia na proteção contra a doença, além de avaliações toxicológicas e estudos de escalonamento. Agora, na Fase 1 dos testes clínicos, serão avaliadas principalmente a segurança e a capacidade de resposta da vacina. Os participantes serão acompanhados durante um ano.

Essa vacina é o primeiro produto desenvolvido na plataforma de RNAm de Bio-Manguinhos/Fiocruz. Mas o potencial da tecnologia vai além da Covid-19. A tecnologia de RNA mensageiro permite utilizar uma mesma plataforma e modificar as instruções destinadas ao sistema imunológico de acordo com o agente ou doença que se pretende combater.

Butantan e CTV-RNA

Além da Fiocruz, os investimentos do Ministério da Saúde impulsionam uma carteira diversificada de projetos baseados em RNA mensageiro e outras aplicações de RNA. No Centro de Competência em Vacinas da UFMG (CTV-RNA), estão em desenvolvimento projetos para vacinas contra dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza, além de soluções terapêuticas inovadoras, como imunoterapia contra o câncer baseada em siRNA, vacinas contra o câncer com antígenos tumorais e uma metodologia para CAR-T baseada em RNA.

No Instituto Butantan, os recursos apoiam a implantação de uma unidade de desenvolvimento e produção de vacinas de RNA mensageiro, inicialmente voltada à produção de imunizantes contra Covid-19 e Raiva.

O projeto integra uma estratégia de cooperação internacional, com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), para transformar a plataforma brasileira em um ativo de saúde de alcance global.

Fonte _ Saúde.gov

terça-feira, 1 de setembro de 2026

AGU derruba 18 grupos e canais que vendiam passaportes vacinais falsos no Telegram

 


A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Telegram após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos e canais na plataforma que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes vacinais falsificados. Após a notificação, o aplicativo removeu os grupos e canais denunciados e também excluiu a conta de um usuário identificado na apuração. 

Os responsáveis pelos grupos ofereciam documentos falsificados e anunciavam, inclusive, a possibilidade de inserir registros adulterados nos sistemas oficiais de informação do Sistema Único de Saúde (SUS)

A notificação foi encaminhada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), da AGU, com base em relatório produzido pelo Ministério da Saúde. O documento apontou que a comercialização de documentos falsos compromete a integridade da política nacional de imunização e dos sistemas públicos de informação em saúde. 

O relatório do Ministério da Saúde também apontou que a circulação de pessoas não vacinadas com documentos fraudulentos prejudica as estratégias de vigilância, bloqueio e controle de doenças imunopreveníveis. A prática pode ainda gerar uma falsa percepção sobre a cobertura vacinal e mascarar a existência de bolsões de baixa vacinação, dificultando a identificação de populações mais vulneráveis. 

Além da notificação ao Telegram, a AGU encaminhou as evidências reunidas pelo Ministério da Saúde à Polícia Federal (PF), para apuração de possíveis crimes. 

Dever de cuidado das plataformas 

Na notificação, a AGU destacou que a comercialização e a circulação de documentos vacinais falsificados podem violar direitos constitucionais relacionados ao acesso à informação e à saúde, além de dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, do Código Penal e do Marco Civil da Internet. 

O documento também cita o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilícitos publicados por terceiros. A AGU ressaltou ainda os deveres atribuídos às empresas de tecnologia no enfrentamento à circulação de conteúdos criminosos ou ilícitos. 

Violação dos termos de uso 

A AGU também apontou que os grupos identificados pelo Ministério da Saúde violavam os próprios termos de uso do Telegram, que proíbem o compartilhamento de conteúdos ilegais e estabelecem medidas como a remoção de conteúdo e o banimento de contas. 

A atuação integra as ações do Ministério da Saúde de enfrentamento à desinformação e de proteção da integridade das informações relacionadas à vacinação no país.

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

SUS vai ofertar três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão

 


O mês de agosto é marcado por ações de conscientização sobre o câncer de pulmão. Para ampliar e qualificar o cuidado às pessoas com a doença no Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde vai disponibilizar três novos medicamentos de alta tecnologia: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. Os tratamentos, alguns deles com mais de 12 anos de espera, serão financiados integralmente pelo Governo Federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco). Ao todo, serão beneficiados cerca de 1,9 mil pacientes.

A oferta será efetivada de acordo com as tratativas de aquisição com fornecedores e características operacionais de cada tecnologia, com previsão de entrega gradual a partir de outubro. Entre os medicamentos estão duas terapias-alvo orais (brigatinibe e gefitinibe), que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. A administração pode ser realizada na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos, proporcionando maior comodidade em comparação aos demais esquemas convencionais de quimioterapia. Juntos, os medicamentos custam mais de R$ 604,2 mil por ano na rede privada.

Já o durvalumabe é uma imunoterapia que estimula ou potencializa a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos, sendo indicado para pessoas com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser tratadas com cirurgia. O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes e, na rede privada, pode custar mais de R$ 643 mil por ano.

“Estamos em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS. A ampliação das opções de tratamento é fundamental para fortalecer o cuidado e representa um avanço na assistência oncológica, com potencial para beneficiar ainda mais pacientes e salvar vidas”, disse a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri.

Por meio da AF-Onco, serão ofertados 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública e contemplando novas tecnologias e a expansão de indicações de uso. A iniciativa amplia a equidade no acesso às tecnologias em todo o país, fortalece a continuidade do cuidado segurança aos pacientes. A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões, financiado pela União. 

Modelos de aquisição por meio da AF-Onco

A nova política organiza a aquisição e abastecimento dos estoques do SUS, para medicamentos oncológicos, em três modalidades principais:

  • Centralizada:  compra e distribuição realizadas diretamente pelo Ministério da Saúde - como o brigatinibe;
  • Descentralizada: aquisição realizada diretamente pelos hospitais e gestores locais, com repasse federal via Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade (APAC) - como o gefitinibe;
  • Ata de Negociação Nacional: negociação de preço único nacional pelo Ministério da Saúde, com execução pelos gestores a partir do levantamento anual de demanda das unidades de saúde habilitadas para o cuidado oncológico - como o durvalumabe.

Cuidado ofertado no SUS

No SUS, o tratamento do câncer de pulmão é ofertado de forma integral nos serviços habilitados em oncologia, de acordo com as características clínicas e moleculares de cada caso. A assistência inclui cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias sistêmicas e terapias-alvo para grupos específicos de pacientes, conforme as diretrizes clínicas e as tecnologias disponibilizadas no sistema.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

InfoGripe: número de casos de SRAG continua apresentando sinal de queda

 


Divulgada nesta quinta-feira (20/8), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua apresentando sinal de queda nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). De acordo com a análise, quase todas as unidades da Federação (UF) estão com tendência de queda ou estabilização dos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas). A atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 32, período de 9 a 15 de agosto.

De acordo com os pesquisadores, a exceção dessa tendência de queda fica para os estados de Rondônia, Piauí, Bahia e Sergipe, que mostram leve sinal de crescimento. Os pesquisadores do InfoGripe reforçam que a vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19.

Também é essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara.


Estados e capitais

Segundo o InfoGripe, 11 UF ainda estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas: Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Há um sinal de início ou manutenção da queda dos casos de SRAG por VSR no país. Contudo, mesmo com tendência de queda, os casos de SRAG por VSR continuam altos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Os casos graves por influenza B continuam aumentando no Rio Grande do Sul, mas mostram sinais de desaceleração do crescimento no Espírito Santos e Minas Gerais.

Em relação à Covid-19, para todas as UF o número de casos semanais está em um patamar baixo de incidência. Também há uma manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, além de São Paulo, Pernambuco, Amazonas e Sergipe, e de rinovírus em Bahia, São Paulo e Espírito Santo, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses estados.

Segundo a atualização, 4 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 32: Aracaju, Cuiabá, Salvador e Porto Alegre. Além disso, 3 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belo Horizonte, Florianópolis e São Luís.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 5,1% de influenza A, 9,7% de influenza B, 44,6% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 1,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 17,9% de influenza A, 17,4% de influenza B, 26% de vírus sincicial respiratório, 31,5% de rinovírus e 5,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 137.551 casos de SRAG, sendo 74.214 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 48.040 (34,9%) negativos, e ao menos 7.328 (5,3%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 18,2% de influenza A, 5,4% de influenza B, 42,2% de vírus sincicial respiratório, 30,1% de rinovírus e 3,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das hospitalizações por VSR no país. Na população de 15 a 49 anos, a redução dos casos de SRAG é explicada principalmente pela diminuição das hospitalizações por influenza A e B, enquanto entre os idosos ela decorre sobretudo da redução das hospitalizações por influenza A. Entre crianças de 5 a 14 anos, a queda dos casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição dos casos graves por rinovírus.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".

Fonte _ FioCruz

domingo, 16 de agosto de 2026

Brasil registra 57% de amamentação exclusiva entre bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária de Saúde do SUS

 


A amamentação exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 57% de cobertura em 2025. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais, sendo de forma exclusiva até os seis meses.

Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde 2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de consumo alimentar. Este índice indica proporção dos bebês de 0 a seis meses que são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja, recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros líquidos ou alimentos.

Já em 2026, o levantamento parcial aponta que até agosto 59% dos bebês de até seis meses acompanhados pela APS estão em aleitamento materno exclusivo. Desde o início da série, em 2015, as maiores coberturas foram em 2024 e 2025, ambas com 57%.

Os dados do Sisvan se referem exclusivamente àqueles bebês que fazem o acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Um dos levantamentos oficiais mais recentes, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), um inquérito nacional representativo da população brasileira, aponta que 45,8% das crianças brasileiras entre 0 e seis meses recebem leite materno exclusivamente.

A meta da OMS para 2030 é de 60% de aleitamento materno exclusivo em crianças menores de 6 meses.

“A Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na proteção, promoção e apoio à amamentação. É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso. Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas.

Toda família cadastrada na APS é acompanhada pelas equipes de saúde e pode contar com profissionais de saúde qualificados em amamentação, desde a gestação, recebendo apoio em todas as etapas desse processo.

O Sisvan é uma ferramenta estratégica da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e contribui para a promoção da amamentação e alimentação adequada e saudável, a prevenção da desnutrição, do sobrepeso, da obesidade e de outras doenças relacionadas à alimentação. Além disso, fornece informações essenciais para a tomada de decisão pelos gestores e profissionais de saúde em todas as esferas do SUS.

Instituído pela Lei Federal nº 13.435/2017, o Agosto Dourado é o mês dedicado à conscientização e incentivo ao aleitamento materno. Já a Lei 15.221/2025 instituiu, na semana de 15 de agosto, a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães.

Os avanços nas taxas de amamentação nas últimas décadas se devem a iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no âmbito da promoção, proteção e apoio à amamentação, como a ação Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), o Método Canguru, os Postos de Coleta e os Bancos de Leite Humano, as campanhas de mobilização social e a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), uma das legislações mais fortes do mundo, que regula a promoção comercial e evita o uso inapropriado desses produtos, protegendo o direito à amamentação.

Principal ação na APS, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil qualifica os profissionais das UBS quanto à promoção, proteção e apoio à amamentação e alimentação complementar adequada e saudável. Atualmente, são 9.171 tutores formados, que atuam em 2.384 municípios em todo país.

Benefícios da Amamentação

amamentação desde a primeira hora de vida até os dois anos ou mais é o método mais econômico e eficaz para a redução da morbimortalidade infantil, tendo um impacto significativo na saúde das crianças, podendo reduzir em até 13% a mortalidade de crianças menores de cinco anos por causas preveníveis.

“A amamentação é uma das estratégias mais eficazes e custo-efetivas para promover o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças, com benefícios também para a saúde das mulheres, das famílias e de toda a sociedade. Investir na amamentação é garantir direitos, promover saúde, prevenir doenças e contribuir para a redução de custos para o sistema de saúde”, disse a coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens.

Segundo a OMS e o Unicef, aproximadamente seis milhões de vidas de crianças são salvas anualmente devido ao aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de vida. Estima-se, ainda, que a adoção universal das práticas recomendadas de aleitamento materno poderia prevenir mais de 820 mil mortes infantis por ano, além de evitar cerca de 20 mil óbitos maternos por câncer de mama.

A amamentação diminui a ocorrência de diarreias, infecções e afecções perinatais, que estão entre as principais causas de mortalidade infantil. Além disso, contribui para o desenvolvimento cognitivo, dos dentes, mastigação, deglutição e fala. Crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver, no futuro, doenças como obesidade e diabetes mellitus tipo 2.

Para as mulheres, a amamentação oferece diversos benefícios, incluindo um menor risco de hemorragia pós-parto, a diminuição das chances de câncer de mama, ovários e endométrio, e reduz as chances de desenvolver diabetes tipo 2, colesterol alto e hipertensão.

Fonte _ Saúde.gov

Bebidas comuns ganham versões com proteínas e fibras, mas benefícios dependem de quantidade

 


Cerveja zero álcool com proteína, refrigerante com fibras e até água com colágeno. As versões "fit" de bebidas comuns estão em alta no mercado de saúde e beleza.

Especialistas médicos e de nutrição, porém, alertam que não basta ter destaque na embalagem para ser eficaz. "É necessário verificar qual ingrediente foi acrescentado e em que quantidade", ressalta André Camara de Oliveira, endocrinologista e diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Na Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo, o "portfólio wellnessavançou mais de 60% em 2025 em comparação ao ano anterior. A Nestlé, veterana no segmento, já tinha o Nutren Protein 15% e avança no mercado de estética com um produto proteico com colágeno hidrolisado líquido que promete melhoria da pele, unhas e cabelos.

Segundo Oliveira, uma bebida com cerca de 15 a 25 gramas de whey, seja de proteína do leite ou de soja, pode de fato contribuir para a ingestão proteica. O colágeno, porém, "não possui a mesma qualidade para manutenção ou ganho."

"Nas bebidas com fibras, também importa conhecer o tipo: inulina e frutooligossacarídeos [fibra alimentar solúvel] podem provocar gases e distensão abdominal em pessoas sensíveis", afirma o médico.

A recomendação é avaliar a composição completa, considerando açúcar adicionado, calorias, sódio, gordura saturada e cafeína, bem como a presença de poucos corantes, aromatizantes e conservantes e de lupa de alto teor da Anvisa.

A cautela deve ser com excesso de açúcar ou cafeína, combinações de estimulantes e produtos que destacam proteínas, fibras ou vitaminas sem informar claramente as quantidades ou que alegam benefícios como "detox", "queima gordura" ou "fortalece a imunidade" sem evidência.

Fabiana Poltronieri, doutora em Ciência dos Alimentos pela USP e diretora da Asbran (Associação Brasileira de Nutrição), diz que pode ser "tentador beber cerveja com whey, mas o apelo é meramente de marketing."

"Não há nenhum motivo com respaldo nutricional. O mesmo raciocínio vale para água com colágeno, que é uma proteína de baixo valor biológico, inclusive", defende.

A diretora afirma que "faz sentido pensar em cerveja 0% álcool, pois a dependência etílica é um problema de saúde pública", mas vale buscar orientação profissional. "Há produtos que destacam nas embalagens nutrientes, mas que na composição aparecem com um valor inexpressivo", diz.

Bem-estar em alta

A Ambev aponta que o mercado de cervejas sem álcool cresceu 30% no Brasil no último ano. A marca lança em setembro, no Brasil, a Spaten Pro, cerveja escura sem álcool que leva whey protein e colágeno na receita. Cada lata de 350 ml contém 10g de proteína (75% whey hidrolisado e 25% colágeno) e menos de cem calorias. O grupo tem ainda Guaraná Zero com fibras da Antarctica, Corona Cero, Bud Zero, Brahma 0,0% e Skol Zero Zero, Stella Pure Gold e Michelob Ultra.

A Starbucks Brasil, por sua vez, está com uma linha de coberturas, a Cold Foam Proteico, que adiciona 19g de proteína às bebidas geladas de chocolate e baunilha. Em julho, o menu ganhou "leite proteico", adicional do "Baunilha Latte Sem Açúcar Proteico", "Matcha Latte Sem Açúcar Proteico", "Latte Proteico" e "Matcha Latte Proteico". O produto inclui a partir de 23g de proteína extra por porção nas opções quentes e 26g, nas geladas.

O Collagen Drink, da Nestlé, em quatro sabores, tem 2,5 g de colágeno, 100 mg de vitamina C, 12 g de proteínas e cerca de 53 kcal a cada 260 ml.

Mamba Water Protein, do grupo Heineken, se divulga como "suplemento alimentar líquido com 20g de proteína do colágeno + BCAA." A página também afirma tratar-se de uma "água leve, sem açúcar, sem carboidrato e sem glúten", além de não ter lactose.

Aposta na praticidade

Anna Paula Alves, diretora de categoria Cervejeira na Ambev, diz que há uma mudança de comportamento do público e a estratégia é atendê-lo com maior variedade. Esse consumidor busca opções equilibradas, mas sem deixar de lado experiências que já tem com sabores de que gosta.

"Mais do que prometer benefícios específicos, esses lançamentos refletem a evolução do portfólio para acompanhar diferentes expectativas dos consumidores e ampliar as possibilidades de escolha", avalia Alves.

Marcio Avolio, diretor de marketing da Nutrify da Nestlé, diz que o Collagen Drink "foi desenvolvido para transformar o autocuidado em uma experiência mais prática e nutritiva", tornando "a suplementação mais fácil de incorporar" à rotina. "A proposta é oferecer uma opção que combine conveniência, por ser uma bebida pronta para o consumo, sabor leve e ingredientes reconhecidos cientificamente", afirma.

Em nota, a Starbucks declarou que as inovações da marca acompanham a "evolução dos hábitos e das preferências" do público, permitindo aos "consumidores personalizarem e customizarem suas bebidas", reforçando atributos "da experiência Starbucks." A Folha entrou em contato com a Mamba, mas não teve retorno.

Pode ajudar, mas sem substituições

Na visão da CMO (diretora de marketing) Ivete Gama, da rede Ultra Academia, o crescimento de bebidas com atributos funcionais reflete a realidade cada vez mais comum de quem tem rotina agitada, mas visa bem-estar. "Esses produtos podem ser aliados [de quem treina e tem pouco tempo], mas não substituem uma alimentação equilibrada nem os cuidados básicos com o corpo. A saúde não está em um único produto, mas no conjunto de hábitos", diz.

O endocrinologista André Camara de Oliveira reforça que o problema não é o consumo eventual de bebidas ultraprocessadas com quantidade adequada de proteína quando não se pode fazer uma refeição, mas quando estas "substituem regularmente água, leite e alimentos de melhor qualidade nutricional."

O refrigerante zero com fibras, por exemplo, pode ser "menos desfavorável que o açucarado para quem já consumiria refrigerante, apesar de não ser saudável. Não substitui frutas, verduras, feijão ou cereais integrais", ressalta.

A recomendação é seguir o contexto clínico: quem tem doença celíaca, não come glúten; gestante, não bebe álcool; nefropata não deve ingerir muita proteína, entre outros exemplos.

"Na mesma lógica, a cerveja sem álcool com whey pode fornecer proteína, mas isso não a transforma, por si só, em uma bebida adequada para recuperação esportiva, pois devem ser considerados carboidratos, eletrólitos, calorias e teor alcoólico", diz Oliveira.

Poltronieri diz que é importante "não confundir praticante de atividade física com atletas de alto rendimento, que contam com suporte diferenciado" na hora de suplementar.

"A melhor fonte de minerais, vitaminas e macronutrientes ainda são os alimentos e as feiras livres estão no topo da lista quando se pensa no verdadeiro conceito de bem-estar", diz Poltronieri.

O mesmo vale para água, que não deve ser glamourizada. "A população praticante de atividade física deve estar atenta à hidratação, que pode ser feita adequadamente com água. Não há necessidade de bebidas especialmente formuladas para a hidratação corporal e é excelente alternativa para toda a população, sem restrições", finaliza a nutricionista.

Fonte _ Folha/SP

Santa Missa | Catedral Nossa Senhora da Glória | Cruzeiro do Sul/Acre

 


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sábado, 15 de agosto de 2026

Maioria dos brasileiros é contra morte assistida, mas opção por interromper tratamento divide país, mostra Datafolha

 


A maioria dos brasileiros é contrária à morte assistida, procedimento médico que põe fim à vida a pedido de um paciente com doença incurável em muito sofrimento. Há dois tipos possíveis da intervenção: a eutanásia, quando o fármaco letal é aplicado por um profissional, e o suicídio assistido, quando a própria pessoa toma a medicação.

Quando a pergunta é sobre interromper tratamentos para doenças sem chances de cura, a população se divide, aponta pesquisa Datafolha, a primeira a sondar a opinião pública sobre o tema no país.

O levantamento ouviu 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do Brasil, nos dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Em relação à eutanásia, 56% se disseram contra (45% totalmente contra e 11% parcialmente contra), e 39% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 17% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.


Sobre o suicídio assistido, a rejeição é maior. Do total, 60% se disseram contra (50% totalmente contra e 10% parcialmente contra), e 35% se disseram a favor (22% totalmente a favor e 13% parcialmente a favor). Outros 2% não se posicionaram, e 3% não souberam responder.

Quando a pergunta trata da interrupção de tratamentos que apenas prolongam a vida artificialmente, sem chance de cura, a pedido do paciente ou da família, o resultado é um empate: 48% acham que os médicos deveriam poder interromper esses tratamentos, e 48% acham que não deveriam. Os demais 5% não souberam responder —a soma ultrapassa 100% por questão de arredondamento.


A pesquisa também testou uma formulação mais ampla, sem mencionar diretamente a atuação de um médico, perguntando se os entrevistados concordam ou discordam da afirmação de que cada pessoa deveria poder decidir sobre o fim da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que isso signifique antecipar a morte.

Do total, 51% discordaram (40% discorda totalmente e 11% discorda em parte), e 46% concordaram (28% concorda totalmente e 18% concorda em parte). Apenas 1% não se posicionou, e 2% não souberam responder. Considerada a margem de erro, a diferença entre os dois grupos é a mais estreita da pesquisa, desconsiderando o empate anterior.


Por fim, ao serem questionados, de forma geral, se consideram moralmente aceitável ou moralmente errado um médico ajudar um paciente terminal a encerrar a própria vida a pedido dele, 51% disseram considerar moralmente errado, e 42%, moralmente aceitável. A opção depende da situação foi escolhida por 4% dos entrevistados; outros 3% não souberam responder.


A amostra é formada por 48% de católicos e 27% de evangélicos. Outros 13% dizem não ter religião, 8% se declaram de outras religiões, 2% são espíritas ou kardecistas e 2% praticam a umbanda.

No julgamento moral sobre um médico ajudar um paciente terminal a morrer, considerar a conduta moralmente aceitável vai de 34% entre os evangélicos a 57% entre os que não têm religião —com católicos (41%) e praticantes de outras religiões (46%) numa posição intermediária. Esse mesmo padrão se repete nas demais perguntas.



A idade é o recorte que mais diferencia a opinião dos entrevistados. Na mesma questão, 63% dos entrevistados de 16 a 24 anos consideram a conduta moralmente aceitável, percentual que cai para 48% na faixa de 25 a 34 anos, 43% entre 35 e 44 anos, 38% entre 45 e 59 anos e 29% entre os que têm 60 anos ou mais. O mesmo padrão de queda, geração a geração, se repete nas outras demais perguntas.

O levantamento não tem parâmetro histórico de comparação, por ser o primeiro a sondar a opinião pública sobre o assunto no Brasil —não é possível, por exemplo, dizer se a percepção do tema mudou antes e depois de um caso conhecido, como a morte do escritor Antonio Cícero, que recorreu ao suicídio assistido aos 79 anos, na Suíça.

O Brasil, diferentemente de alguns vizinhos latino-americanos, não tem legislação ou projeto de lei em tramitação para legalizar a prática, o que a advogada especialista em direito médico Luciana Dadalto credita a um silêncio sobre o tema no país.

Apenas em 2025, foi fundada a Eu Decido, primeira associação brasileira em prol do direito à morte assistida, a qual Dadalto preside.

Na América Latina, três países já permitem alguma forma de morte assistida: Colômbia, Equador e Uruguai.

A Colômbia foi pioneira na região: a Corte Constitucional descriminalizou a eutanásia em 1997, ampliou o direito em 2021 para incluir pacientes sem doença terminal e, em 2022, descriminalizou também o suicídio assistido por médico, tornando-se o único país latino-americano a permitir as duas modalidades de morte assistida, embora ainda enfrente entraves burocráticos que dificultam o acesso na prática.

Equador teve a eutanásia autorizada pela Corte Constitucional em fevereiro de 2024 e regulamentada pelo Ministério da Saúde dois meses depois, mas o Legislativo ainda não aprovou uma lei específica sobre o tema, e o projeto segue em debate na Assembleia Nacional.

Uruguai foi o primeiro país da região a legalizar a eutanásia por lei aprovada no Parlamento, não por decisão judicial. A Lei 20.431 foi aprovada em outubro de 2025, mas só passou a valer na prática quando a regulamentação entrou em vigor, em abril de 2026. O país teve seu primeiro caso em maio deste ano, numa paciente com câncer terminal.

O Peru está em debate judicial sobre o tema, sem legislação aprovada, e Cuba abriu uma via legal condicionada em sua nova lei de saúde, mas ainda depende de regulamentação específica futura para que a prática seja de fato aplicada.

No Brasil, a eutanásia é considerada crime de homicídio (artigo 121), com pena de 6 a 20 anos. O parágrafo 1º do texto afirma que o agente que comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral —o que pode ser interpretado como visando a cessar o sofrimento de determinado paciente, cujo estado de saúde é irreversível— poderá ter a pena reduzida de um sexto a um terço, o que significa pena mínima de 4 anos para o homicídio por misericórdia (ação de matar alguém por piedade).

Já quem induz, instiga ou presta auxílio a alguém que comete suicídio —o que inclui o suicídio assistido— está sujeito ao artigo 122 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos, caso o suicídio se consume.

No mundo, 16 países permitem a morte assistida, em parte ou na totalidade de seus territórios: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai, alguns deles, no entanto, ainda sem regulamentação da prática. Outros três avançaram nesse sentido, em estágios distintos: Cuba, França e Peru.


Fonte _ Folha/SP