sexta-feira, 10 de julho de 2026
Anvisa reforça importância de testes específicos para as canetas paraguaias
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou, nesta segunda (6), a importância da
realização de testes específicos para avaliar a segurança e a eficácia das
canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai antes de esses produtos serem
comercializados no Brasil.
A
nota "Canetas do Paraguai NÃO demonstraram equivalência com
medicamentos registrados no Brasil" afirma que "é falsa a
informação de que testes laboratoriais comprovaram a equivalência de canetas
contrabandeadas com os produtos registrados no Brasil".
Publicada
na Folha no último sábado (5), a reportagem "Canetas
emagrecedoras do Paraguai têm princípio ativo equivalente ao do Mounjaro,
mostra análise da Unicamp" afirma que os medicamentos paraguaios
vendidos como versões de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) contêm, de
fato, a substância, conforme revelou o resultado apresentado pela Universidade
de Campinas.
O
estudo da Unicamp analisou a presença, a concentração e a estrutura molecular
do princípio ativo das amostras dos medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless,
Tirzec e Gluconex, produzidas pelos laboratórios paraguaios Catedral, Indufar,
Eticos, Quimfa e Lasca, respectivamente.
A
análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e
segurança dos medicamentos.
Nesta
terça-feira (7), a assessoria de comunicação da Anvisa afirmou à Folha que
a nota não foi publicada em resposta à reportagem, mas em razão da circulação,
nas redes sociais, de informações e interpretações equivocadas sobre os
resultados da análise.
A
Anvisa afirma que identificar a presença da tirzepatida em uma amostra
laboratorial não significa que o medicamento seja equivalente ao produto
registrado no Brasil. Há uma diferença entre comprovar a identidade do
princípio ativo e demonstrar a equivalência de um medicamento como um todo.
Segundo
a Anvisa, o CIATox não é um centro credenciado para estudos de bioequivalência
nem integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. A
agência diz ainda que fabricantes paraguaios também não passaram por inspeções
essenciais exigidas para emitir o registro sanitário brasileiro.
"As
empresas fabricantes dos produtos analisados pela Unicamp não foram avaliadas
na linha de produção, o que afeta diretamente a qualidade do produto final. E
não foram avaliadas pela Anvisa quanto à certificação de Boas Práticas de
Fabricação (BPF), etapa essencial para assegurar a qualidade da fabricação de
medicamentos", afirmou a agência.
Durante
o Fórum
de Saúde promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de
Comércio para o Brasil), na segunda-feira, o diretor-adjunto da Anvisa, Diogo
Penha Soares, disse que a avaliação regulatória considera um conjunto muito
mais amplo de critérios do que a simples identificação da molécula.
Soares
também disse que a Anvisa mantém diálogo permanente com a Dinavisa, autoridade
sanitária do Paraguai. Segundo ele, as duas agências discutem ações de
convergência regulatória e um memorando de entendimento para ampliar a
cooperação técnica. Apesar disso, Soares afirmou que a Anvisa não possui
competência para fiscalizar fabricantes em território paraguaio nem reconhece
automaticamente os registros concedidos pelo país vizinho.
Todas
as canetas analisadas pela Folha possuem registro sanitário
vigente na Dinavisa, mas não na Anvisa. Até o momento, não houve pedidos de
registro dos laboratórios paraguaios para fins de regularização no país,
segundo a agência.
Segundo
a legislação brasileira, o registro depende de solicitação do próprio
fabricante, acompanhada de um dossiê técnico com informações detalhadas sobre
qualidade, segurança e eficácia.
Enquanto
a agência brasileira exige um dossiê estruturado segundo o padrão internacional
CTD (Documento Técnico Comum), a autoridade sanitária paraguaia trabalha com
uma versão mais enxuta da documentação e aceita, para medicamentos novos,
apenas resumos dos estudos de eficácia e segurança, sem exigir os relatórios
clínicos completos.
Representantes
da indústria farmacêutica também divulgaram nota após a publicação da
reportagem. Segundo as entidades, a preocupação não é com a competência dos
pesquisadores da Unicamp nem com o trabalho jornalístico, mas com
interpretações que extrapolem o alcance da análise laboratorial.
"A
aprovação de um medicamento pela Anvisa não se resume à confirmação do
princípio ativo. Envolve a avaliação da qualidade farmacêutica, da segurança,
da eficácia, da equivalência terapêutica e da conformidade documental, além da
inspeção das fábricas e do controle contínuo de cada lote. Nenhum desses
produtos passou por esse crivo", diz a nota pública.
Fonte _ Fonte/SP
Anvisa inclui Ozivy, caneta brasileira de semaglutida sintética, na lista de referência para genéricos
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) incluiu o Ozivy,
primeiro remédio brasileiro com semaglutida,
na Lista de Medicamentos de Referência (LMR). A medida foi publicada nesta
sexta-feira (10) no Diário Oficial da União.
Com
isso, o Ozivy passa a ser considerado parâmetro de eficácia, segurança e
qualidade para outros medicamentos à base de semaglutida sintética, genéricos
ou similares, em desenvolvimento no país.
Fabricado
pela farmacêutica EMS, o Ozivy foi aprovado pela Anvisa para tratamento de
diabetes tipo 2. A indicação para obesidade e sobrepeso é off-label (fora da
bula).
O Ozivy
é vendido por preços que variam de R$ 452 a R$ 498, conforme anúncio
feito pela farmacêutica em junho, quando o medicamento começou a ser
comercializado no país.
O
concorrente Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk, custa de R$ 975 —pelo
programa Preço NovoDia (e-commerce) nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg— a R$ 999
na dosagem de 1 mg.
Um
dos critérios para indicação como medicamento de referência é que o produto
contenha princípios ativos sintéticos e semissintéticos registrados como
medicamento novo ou inovador. É o caso do Ozivy, um medicamento à base de
semaglutida sintética.
O
Ozempic não integra a Lista de Medicamentos de Referência porque é um
medicamento biológico, categoria para a qual a legislação brasileira não prevê
genéricos.
Os
medicamentos biológicos são feitos a partir de organismos vivos (fermentação,
manipulação genética), resultando em moléculas grandes e difíceis de replicar
de forma idêntica. Já os sintéticos são feitos por síntese química em
laboratório e geram moléculas menores e mais estáveis, que podem ser copiadas
de forma idêntica entre fabricantes.
O
Ozivy foi o primeiro medicamento produzido pela indústria farmacêutica
brasileira com semaglutida a receber registro da Anvisa. O produto também foi o
primeiro com esse princípio ativo aprovado pela agência reguladora após o fim
da patente da semaglutida no Brasil, em março.
Um
segundo medicamento nacional com semaglutida, o Semavy,
da Hypera Pharma, ainda aguarda registro sanitário da Anvisa e análise
de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
Fonte _ Folha/SP
Anvisa determina apreensão de lotes falsificados do Mounjaro
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta sexta-feira (10) a apreensão
de lotes falsificados do
medicamento Mounjaro,
usado no tratamento de diabetes tipo
2 e obesidade.
A Eli Lilly, farmacêutica que detém registro do Mounjaro, relatou à agência ter encontrado no mercado unidades com características diferentes do produto original, um indício de falsificação.`Os lotes falsificados, fabricados por empresa não identificada, são:
- Mounjaro 10
mg: lote 855044
- Mounjaro 15
mg: lotes D880403, MJR 257, D854901
Segundo
a Anvisa, entre as irregularidades identificadas estão números de série que não
constam nos sistemas da empresa; lotes não reconhecidos; utilização de número
serial incompatível com o lote informado; dispositivo incompatível com o
produto original; e erro de grafia na rotulagem, que constava
"soluction" em vez de "solution".
A
medida proíbe a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos
considerados falsos.
Fonte _ Folha/SP
Por que perdemos o apetite conforme envelhecemos? Hormônios, paladar e solidão podem explicar
Quando
você era mais jovem, tinha muito apetite.
Agora, na casa dos 60 anos, fica satisfeito mais rápido e não consegue comer
como antes. O que está acontecendo?
É
comum as pessoas
comerem menos à medida que envelhecem, diz Roger A. Fielding, professor
de nutrição na Friedman School of Nutrition Science and Policy da Tufts
University. Em uma análise de quase 60 estudos, por exemplo, pesquisadores
descobriram que pessoas com 60 anos ou mais consumiam de 16% a 20% menos
calorias do que adultos mais jovens.
A
grande questão é por quê, diz Barbara Rolls, professora de ciências
nutricionais na Penn State. Vários fatores, incluindo a idade da pessoa, podem
influenciar o apetite e o quanto ela se sente saciada após comer, então é
difícil saber o que pode estar afetando cada um.
Aqui
estão alguns possíveis culpados a considerar, segundo especialistas, e o que
você pode fazer a respeito.
Os
sinais de fome diminuem
Mudanças
hormonais que
ocorrem com o envelhecimento podem
influenciar o quanto você quer comer, afirma Margaret Manus, internista do
Houston Methodist Hospital.
Algumas
pesquisas limitadas mostraram, por exemplo, que adultos mais velhos produzem
menos grelina — um hormônio que faz você sentir fome — do que pessoas mais
jovens. Se isso acontece, ou se você continua produzindo a mesma quantidade de
grelina, mas seu corpo não responde a ela tão fortemente quanto antes, você
pode sentir menos vontade de comer, diz Manus.
Outras
pesquisas mostraram que as pessoas produzem mais de dois outros hormônios —
leptina e colecistocinina, que causam sensação de saciedade — à medida que
envelhecem. Como resultado, diz Manus, elas comem menos.
Também
há evidências limitadas sugerindo que o estômago esvazia mais lentamente
conforme as pessoas envelhecem, afirma Rolls. Essa mudança pode atrasar o
momento em que a pessoa sente fome novamente após seu último lanche ou
refeição.
E as
pessoas tendem a perder
massa muscular com a idade, diz Fielding. O músculo queima mais
calorias do que a gordura, então pessoas com menos músculo precisarão comer
menos, afirma.
A
comida se torna menos atraente
Nossos
sentidos de olfato e paladar podem diminuir com o tempo, diz Rolls. Em um
estudo de 2022 que envolveu 60 participantes, pesquisadores descobriram que
entre aqueles com mais de 50 anos, pouco mais da metade tinha problemas com a
sensibilidade do paladar e 70% não conseguiam sentir cheiros muito bem.
Se a
comida não tem bom gosto ou cheiro, você tende a querer menos dela, afirma
Rolls. Em um estudo envolvendo 359 adultos mais velhos na Holanda,
pesquisadores descobriram que aqueles que disseram não conseguir sentir bem o
gosto tinham menos apetite do que aqueles que relataram sentir o gosto
normalmente.
Adultos
mais velhos também costumam comer sozinhos, o que pode resultar em comerem
menos. Vários estudos mostraram que as pessoas comem mais quando jantam com
outras, especialmente com amigos e entes queridos, diz Rolls. Essa tendência
pode estar enraizada no fato de que as pessoas passam mais tempo comendo quando
estão com outras pessoas — e quanto mais tempo ficam sentadas, mais comem.
Como
recuperar o apetite
Se
seu apetite diminuiu e você quer recuperá-lo, Manus recomenda
exercícios regulares. Quando você queima calorias, seu corpo quer
repô-las com comida.
O treinamento
com pesos pode ser especialmente útil, diz Manus, porque constrói
músculos, o que aumentará ainda mais seu apetite. Os Centros de Controle e
Prevenção de Doenças recomendam que adultos com 65 anos ou mais façam
exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. Manus
recomenda exercícios que envolvam muitas repetições com pesos leves (entre 1 e
5 quilos, por exemplo) ou faixas de resistência.
Se
você está comendo menos e está preocupado em desenvolver uma deficiência
nutricional, Fielding recomenda seguir uma dieta equilibrada que priorize
alimentos ricos em nutrientes, como frutas, vegetais, leguminosas, grãos
integrais e fontes magras de proteína. Aqueles que não têm fome para três
refeições completas por dia podem ter mais êxito fazendo quatro ou cinco
refeições menores ao longo do dia, diz Manus. Calculadoras online práticas
podem ajudar a estimar suas necessidades calóricas.
Considere
também jantar com amigos e entes queridos, diz Rolls. E tente experimentar
ervas e temperos para compensar qualquer perda de olfato e paladar.
Fonte _ Folha/SP
El Niño pode aumentar casos de dengue, doenças respiratórias e problemas de saúde mental, afirma Opas
Ar
poluído na região central da cidade de São Paulo durante onda de calor e
queimadas em setembro de 2024, quando havia influência do El Niño - Danilo
Verpa - 12.set.24/Folhapress
A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) publicou um relatório que alerta para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a saúde da população nas Américas em 2026 e no início de 2027.
Segundo
o documento, a combinação de secas, enchentes, ondas de calor e incêndios
florestais pode aumentar o risco de doenças infecciosas, agravar doenças
crônicas, ampliar problemas de saúde mental e
pressionar os sistemas de saúde da região.
Publicado
no último dia 7, o relatório diz que a intensidade dos impactos dependerá das
condições climáticas locais, da vulnerabilidade das populações e da capacidade
de resposta de cada país.
Entre
as principais preocupações estão as doenças transmissíveis. O documento aponta
que alterações na temperatura e no regime de chuvas podem favorecer a
disseminação de doenças transmitidas pela água, como cólera,
além de ampliar a circulação de vetores responsáveis por enfermidades
como dengue, zika, chikungunya,
malária, febre amarela e
oropouche.
O
relatório também chama atenção para o impacto das ondas de calor e dos
incêndios florestais na saúde. Segundo a análise, temperaturas elevadas
aumentam o risco de estresse térmico, desidratação e exaustão por calor,
podendo também agravar doenças cardiovasculares e respiratórias.
A
fumaça de queimadas e
a piora da qualidade do ar podem elevar casos de asma, doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras condições
respiratórias, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com
doenças crônicas.
Quanto
à saúde mental, a Opas afirma que perdas econômicas, deslocamentos
populacionais, interrupção de serviços e incertezas provocadas por eventos
climáticos extremos podem aumentar a demanda por apoio psicossocial. O
documento também identifica maior risco de violência de gênero em cenários de
deslocamento, superlotação de abrigos e interrupção de serviços públicos.
A
análise destaca, ainda, efeitos indiretos como aumento da insegurança
alimentar, perdas de safras e maior risco de desnutrição, sobretudo entre
crianças menores de 5 anos, gestantes e populações em situação de
vulnerabilidade.
De
acordo com o documento, tanto secas como enchentes podem comprometer a produção
de alimentos, o abastecimento de água e o acesso aos serviços de saúde.
Outro
ponto de atenção é a infraestrutura de saúde. A Opas avaliou a vulnerabilidade
de 756 hospitais de emergência localizados em áreas potencialmente expostas a
inundações costeiras por eventual elevação do nível do mar. Além dos danos
físicos às unidades, o relatório cita o risco de interrupções no fornecimento
de medicamentos, insumos e outros recursos necessários para manter o
atendimento à população.
Para
reduzir os impactos, a Opas recomenda que governos fortaleçam a vigilância
epidemiológica para doenças sensíveis ao clima,
integrem informações meteorológicas e sanitárias para antecipar riscos e
ampliem o monitoramento nutricional de grupos vulneráveis.
Também
recomenda investimentos em abastecimento de água potável e saneamento, além da
adoção de alternativas como telessaúde e equipes móveis para evitar
interrupções no atendimento de pacientes com doenças crônicas.
Segundo
a Opas, a comunicação de riscos com as comunidades e a coordenação entre
diferentes setores também são fundamentais para reduzir os efeitos do El Niño
sobre a saúde pública.
Fonte _ Folha/SP
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quinta-feira, 9 de julho de 2026
Aumentar período de acompanhamento pós-parto pode evitar complicações, diz estudo
Monitorar
a mulher de perto durante seis semanas após o parto pode ajudar a reduzir cerca
de um terço das complicações
mais graves relacionadas a esse período, mostra um estudo publicado em
março na revista científica Canadian Medical Association Journal.
Comorbidades
maternas graves são aquelas que resultam
em altas taxas de mortalidade, internação ou mesmo incapacidade. Com
impacto físico, psicológico e social que pode se estender por anos, elas exigem
estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces.
A
OMS (Organização Mundial da Saúde) define
essa fase como o período de até 42 dias após o parto e tem diretrizes para os
cuidados nas primeiras seis semanas.
"Sabe-se
que eventos graves continuam ocorrendo após o parto e o artigo mede isso com
clareza, apontando a sepse como a principal causa de morbidade", afirma a
ginecologista e obstetra Fernanda Sawaguchi Faig, do Einstein Hospital
Israelita. "O resultado dá peso epidemiológico a algo que nossa prática já
sugere, que boa parte do risco está no pré e pós-parto e não apenas na sala de
parto."
O
estudo avaliou cerca de 1 milhão de nascimentos na região de Ontário, no
Canadá, entre 2012 e 2021. De modo geral, as complicações mais comuns foram
hemorragia, pré-eclâmpsia e sepse, além de acidente vascular cerebral (AVC),
ruptura uterina, condições cardíacas, embolia, falência renal e histerectomia.
Cerca de 16% dessas complicações ocorreram na gravidez, 55% durante o parto e
quase 30% no puerpério.
Ao
considerar cada etapa (gestação, parto e puerpério), as intercorrências mais
comuns foram abdômen agudo, hemorragia severa e sepse, respectivamente. Além
disso, quase 4% dessas intercorrências surgiram em mais de um momento.
O
chamado abdômen agudo, embora não seja relacionado especificamente à gravidez,
pode sinalizar condições como apendicite, e seu reconhecimento precoce evita
complicações como perfuração, peritonites, sepse e parto prematuro.
O
fato de a gravidez e
o parto terem transcorrido bem não exclui complicações após a alta. "A
paciente pode ter tido um parto aparentemente sem intercorrência e depois
evoluir com endometrite, infecção de ferida operatória, hemorragia secundária,
pré-eclâmpsia pós-parto, tromboembolismo, mastite complicada ou cardiomiopatia
periparto", exemplifica Faig.
No
Brasil, além de hipertensão e hemorragias, a infecção puerperal é uma das
principais causas diretas de morte materna. "Temos forte indicação baseada
em evidências para realizar acompanhamento mais frequente e prolongado. O
cuidado puerperal deve ser um processo contínuo, não uma única consulta,
podendo se estender até 12 semanas após o parto, dependendo do caso."
Isso
é mais importante nas mulheres com problemas de pressão arterial, transtorno de
humor, diabetes, infecções na ferida operatória, lacerações de terceiro e
quarto grau em partos vaginais e dificuldades crônicas ao amamentar.
No
estudo, entre os fatores para maior risco de complicações estão a presença de
condições como obesidade, hipertensão e diabetes, além de gestação múltipla,
cesariana, mães de primeira viagem, grávidas com idades extremas (acima dos 40
anos ou na adolescência), negras e de baixa renda.
"São
condições similares à realidade brasileira, e isso é ainda mais importante
porque o cuidado puerperal segue inconsistente e as iniquidades são
marcantes", observa a ginecologista.
O
alto percentual de partos cirúrgicos no Brasil é um ponto de atenção.
"Isso não quer dizer que a cesárea cause isoladamente a complicação, mas
significa que, em um sistema com muita cesariana, o impacto potencial sobre
hemorragia, infecção, placenta acreta em gestações futuras e morbidade grave é
mais relevante", pontua.
Embora
o Brasil conte com diretrizes bem estabelecidas (que preveem duas consultas no
pós-parto, uma na primeira semana e outra entre 30 e 42 dias após o nascimento)
e já tenha implementado programas com resultados promissores, ainda há uma
lacuna entre o que é recomendado e o que de fato ocorre na prática clínica.
"As
desigualdades regionais, raciais e socioeconômicas persistem como desafios
importantes para a saúde materna no país", afirma a especialista.
Quando
ter atenção
Alguns
sinais de alerta exigem avaliação médica imediata, tanto durante a gestação
quanto no puerpério. Na gravidez, são:
- Sangramento
- Dor de cabeça
intensa ou persistente
- Visão turva
- Falta de ar
- Dor no peito
- Dor
epigástrica
- Febre ou
calafrios
- Dor abdominal
ou pélvica intensa
No
pós-parto, é importante buscar atendimento em casos de:
- Sangramento
excessivo ou com odor forte
- Corrimento
vaginal com mau cheiro
- Sintomas
urinários e redução do volume da urina
- Convulsões
- Mal-estar
acentuado
- Pressão
arterial elevada
- Episódios de
desmaio
Fonte _ Folha/SP
Anvisa atualiza composição de vacinas contra Covid para acompanhar variantes em circulação
A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou nesta quarta-feira (8) as regras
para a composição das vacinas contra a Covid-19 que poderão ser comercializadas
ou usadas no Brasil.
A
norma substitui a regra
publicada em março e mantém a recomendação de atualização dos
imunizantes para acompanhar a evolução do Sars-CoV-2. O texto detalha quais
linhagens podem ser usadas na formulação das vacinas e quais evidências serão
exigidas para aprovar outras composições.
Pela
regra, divulgada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (9), os
imunizantes devem ser monovalentes, ou seja, formulados para estimular a
resposta do organismo contra uma única linhagem do Sars-CoV-2. A composição
deverá incluir a cepa LP.8.1 ou antígenos derivados da linhagem JN.1, como as
sublinhagens XFG ou NB.1.8.1.
A
norma também permite outras composições. Para isso, os fabricantes devem
comprovar que elas induzem uma resposta ampla de anticorpos neutralizantes,
capazes de bloquear a entrada do vírus nas células, ou que são eficazes contra
as variantes do coronavírus em
circulação no momento da atualização.
A
Anvisa prevê um período de transição para a troca de formulação. Vacinas contra
a Covid já registradas e produzidas antes da atualização, assim como doses que
já estejam distribuídas no país, poderão ser usadas por até nove meses após a
agência aprovar a versão atualizada daquele imunizante.
O
prazo, porém, pode ser reduzido ou interrompido se houver manifestação expressa
da Anvisa em sentido contrário.
Para
atualizar uma vacina que não se enquadre nos critérios definidos pela norma, o
fabricante deverá apresentar um protocolo específico à agência. O pedido deve
incluir, no mínimo, informações sobre produção e qualidade da nova formulação e
dados de segurança e eficácia seguindo critérios da OMS (Organização Mundial
da Saúde).
Como
o Sars-CoV-2 continua evoluindo e dando origem a novas linhagens, a composição
das vacinas precisa ser atualizada periodicamente para acompanhar as variantes
em circulação. A estratégia é semelhante à adotada com a vacina da gripe e
busca manter a proteção contra as formas mais graves da doença e mortes.
Para
a população, a mudança significa que as vacinas passarão a ter uma composição
mais próxima das linhagens do vírus em circulação. A atualização não invalida
as doses já tomadas, que seguem importantes na proteção contra casos graves e
mortes, mas reforça a necessidade de seguir as recomendações de reforço.
Fonte _ Folha/SP
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quarta-feira, 8 de julho de 2026
Vacina é a nova esperança contra tumores cerebrais
Os tumores
cerebrais são difíceis de tratar. Mesmo aqueles que podem ser
operados raramente conseguem ser removidos completamente por cirurgia. A
quimioterapia e radioterapia fazem
parte do tratamento padrão. Ainda assim, pacientes com tumores agressivos
frequentemente vivem no máximo cinco anos após o diagnóstico.
Em
um estudo realizado por pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer
(DKFZ), da Faculdade de Medicina de Mannheim, do Hospital Universitário de
Heidelberg e de outras instituições, 33 pacientes receberam, além do tratamento
convencional, uma vacina experimental.
No
início de julho, a equipe publicou os resultados do acompanhamento de longo
prazo na revista científica Nature.
E há motivos para um otimismo cauteloso: 66% dos participantes ainda estavam
vivos após oito anos, e 42% não apresentaram crescimento ou retorno do tumor
durante esse período.
Segundo
Michael Platten, diretor da Clínica Universitária de Neurologia de Mannheim e
um dos principais autores do estudo, o resultado mais surpreendente foi o fato
de que, em muitos pacientes, o tumor não voltou por um período tão longo.
Vacina
não previne o câncer
As vacinas –como
as contra sarampo, caxumba ou Covid-19,
por exemplo– normalmente são associadas à prevenção de doenças ou ao
treinamento do sistema imunológico para reduzir a gravidade de uma infecção.
Essas são chamadas de vacinas preventivas.
Já
as vacinas terapêuticas têm um objetivo diferente: destruir um tumor por meio
da ativação do sistema imunológico.
No
caso da terapia desenvolvida por Platten e sua equipe, a vacina é direcionada a
uma mutação genética encontrada apenas em determinados tumores cerebrais. Todos
os 33 participantes do estudo sofriam de astrocitomas de alto grau.
Os
astrocitomas pertencem ao grupo dos gliomas e estão entre os tumores mais
comuns do sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal.
Eles são classificados em quatro graus de gravidade, variando de relativamente
benignos a altamente agressivos.
Os
astrocitomas de grau 3 e 4, que crescem rapidamente e são considerados
agressivos, compartilham uma mutação genética específica, que é justamente o
alvo da vacina.
Esse
gene codifica uma enzima chamada IDH1. Devido à mutação, um componente da
proteína é alterado, criando uma nova estrutura proteica que favorece o
crescimento mais rápido do tumor. A vacina ensina o sistema imunológico a
reconhecer essa estrutura como algo estranho ao organismo e a atacá-la.
A
vacina testada no estudo ativou o sistema imunológico de duas maneiras.
Produziu linfócitos T, que atacam diretamente as células tumorais e estimulou a
formação de linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos contra o
tumor. Segundo Platten, o objetivo é "impedir que o tumor volte após a
conclusão do tratamento, neste caso uma radioquimioterapia".
Eficácia
a ser comprovada
Ulrich
Herrlinger, diretor de Neuro-oncologia do Hospital Universitário de Bonn, que
não participou do estudo, considera o trabalho uma oportunidade real para os
pacientes.
De
acordo com ele, os astrocitomas de alto grau têm uma probabilidade próxima de
100% de voltar a crescer e, em algum momento, tornar-se impossíveis de tratar.
As causas desses tumores ainda são desconhecidas. Como afirma o pesquisador,
"ninguém sabe por que exatamente determinada pessoa é afetada".
Por
isso, os resultados obtidos pela equipe de Michael Platten são tão promissores.
Herrlinger destaca que, se fosse possível manter o sistema imunológico ativo de
forma permanente, haveria esperança de controlar o tumor por longo prazo.
Tanto
Platten quanto Herrlinger alertam que os resultados devem ser interpretados com
cautela. Com apenas 33 pacientes, não é possível tirar conclusões definitivas.
O próximo passo será um estudo controlado e randomizado de grande porte, que já
está sendo planejado.
Segundo
Platten, o projeto terá início em março de 2027 e envolverá mais de 200
pacientes. Ele estima que serão necessários cerca de nove anos para obter
resultados suficientemente robustos. Somente então será possível determinar com
segurança quão eficaz a vacina realmente é e se doses de reforço podem
potencializar a resposta imunológica.
Apesar
disso, Platten acredita que os resultados atuais justificam um otimismo
cauteloso. Afinal, como ele próprio afirma, esperança nunca é demais.
Fonte _ Folha/SP
Centro de pesquisa brasileiro usará smartwatches para detectar doenças
Os relógios
e anéis inteligentes costumam ser vistos apenas como acessórios
para contar
passos, calorias ou monitorar o sono, mas no
projeto Viva Bem eles são considerados peças-chave para o avanço da medicina
preventiva.
O
novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA), parceria entre Fapesp, Unicamp e Samsung,
vai usar inteligência
artificial para transformar esses dispositivos em ferramentas de
diagnóstico precoce. A meta é rastrear alterações biológicas sutis e antecipar
a identificação de condições graves, como a doença de Parkinson e
distúrbios cardíacos, antes de os sintomas se manifestarem.
Hoje,
os smartwatches e smart rings possuem uma série de sensores capazes de medir,
entre outras coisas, a frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura,
a condutividade elétrica da pele, a composição corporal, incluindo o nível de
hidratação, e os movimentos.
A
proposta dos pesquisadores do Viva Bem é empregar, nos próximos anos,
algoritmos e tecnologias de IA capazes de processar todos esses dados
simultaneamente. Ao combiná-los, será possível extrair e identificar padrões
sutis, que servirão como medidas objetivas para o monitoramento
de diversas condições de saúde.
"Já
constatamos, por meio de um projeto desenvolvido anteriormente, que a ansiedade e
o estresse,
por exemplo, causam mudanças na condutividade elétrica da pele detectáveis por
um relógio inteligente", diz Anderson Rocha, professor do Instituto de
Computação da Unicamp e coordenador do Viva Bem.
No
caso do Parkinson, tecnologias de IA podem analisar tremores e alterações na
forma de andar (padrão da marcha) e de sono para identificar indícios anos
antes do diagnóstico clínico tradicional. Já na saúde cardiovascular, a
tecnologia poderá atuar como um eletrocardiograma contínuo, identificando
arritmias, padrões anômalos de pressão e riscos de infarto ou AVC a
partir da variabilidade cardíaca.
Além
disso, distúrbios no sono detectados por IA em smartwatches podem atuar como
preditores de doenças neurodegenerativas. Em idosos, a
tecnologia poderá identificar o declínio na força e na independência de
movimento com meses de antecedência, permitindo intervenções preventivas contra
quedas, exemplificou Rocha.
"Nosso
objetivo não é substituir o médico. Queremos apontar para o usuário quando ele
deve procurar um especialista, de modo a garantir uma melhor qualidade de
vida", ponderou o pesquisador.
Corpo
único
Para
que os diagnósticos feitos por meio da IA desenvolvida sejam confiáveis, serão
seguidas diretrizes rígidas. Uma delas será treinar o sistema para compreender
que cada corpo é único, abandonando a abordagem convencional, que avalia apenas
o padrão médio das pessoas, em favor da variabilidade individual.
Outra
diretriz é a da explicabilidade. O sistema precisará não apenas indicar um
risco, mas deverá explicar por que chegou àquela conclusão. "Isso é
fundamental para que o médico confie na sugestão da IA e tome decisões clínicas
seguras", avaliou Rocha.
O
foco das pesquisas será o desenvolvimento de algoritmos e tecnologias de IA que
sejam embarcáveis; ou seja, que rodem diretamente no relógio ou anel
inteligente, visando permitir um processamento eficiente e em tempo real.
Dados
sensíveis
Na
avaliação do pesquisador, uma das grandes vantagens do uso de smartwatches para
a realização de pesquisa em saúde é que os dados são coletados durante a rotina
normal do usuário, revelando padrões que uma consulta médica pontual de 15
minutos poderia não detectar.
A
fim de garantir a segurança e a privacidade, a gestão dos dados coletados
também seguirá diretrizes rigorosas. Todas as coletas deverão ser realizadas
estritamente com a aprovação de comitês de ética, contando com a participação
voluntária das pessoas, que darão consentimento após receberem explicações
detalhadas sobre o processo.
A
Samsung focará a coleta nos sinais captados pelos seus próprios sensores e
dispositivos (como o Galaxy Watch e o Galaxy Ring) e integrará essas
informações à sua plataforma de dados, dentro dos protocolos de pesquisa do
centro.
A
iniciativa de criação do CPA, com investimento inicial de R$ 20 milhões, é um
desdobramento de um hub de inovação colaborativa mantido pela Unicamp e pela
Samsung.
Fonte _ Folha/SP








