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terça-feira, 9 de junho de 2026

Dia Nacional da Imunização

 




O Brasil parece ter motivos para celebrar neste Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9/6. Depois de um período marcado pela redução das coberturas e pelo aumento da hesitação vacinal, indicadores mais recentes apontam uma retomada gradual nos índices de vacinação no país. Ainda assim, é preciso manter o sinal de alerta, uma vez que a maior parte dos imunizantes ofertados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda permanece com índices abaixo dos preconizados – um cenário preocupante, que favorece o reaparecimento de doenças já controladas, como sarampo e poliomielite. 

“Temos muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua”, reforça a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mayra Moura.

O Dia Nacional da Imunização busca chamar a atenção para a importância da vacinação, tanto individualmente como para a saúde coletiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes foram responsáveis por aproximadamente 40% da redução global da mortalidade infantil nos últimos 50 anos. Desde 1974, estima-se que a vacinação tenha evitado 154 milhões de mortes em todo o mundo, sendo 95% delas entre menores de 5 anos.

Coberturas estão em recuperação, mas metas ainda não foram alcançadas

Os dados disponibilizados pelos Painéis de Vacinação do Ministério da Saúde revelam um cenário de recuperação no país desde 2022, quando observou-se uma tendência de crescimento gradual em diversas coberturas, embora a maioria das vacinas ainda não tenha alcançado os percentuais considerados ideais para garantir proteção coletiva, acima de 95%. 

Em 2024, por exemplo, apenas três dos 16 imunizantes indicados até o primeiro ano de vida atingiram as metas preconizadas pelo órgão federal. Foram eles: BCG (98,63%), capaz de prevenir formas graves de tuberculose, e hepatite B (97,39%) – ambos aplicados logo após o nascimento; além da primeira dose da tríplice viral (95,85%), que é administrada aos 12 meses e protege contra sarampo, caxumba e rubéola. 

Já em 2025, as coberturas de BCG e hepatite B mantiveram-se acima do índice recomendado de 95%, registrando uma cobertura superior a 99%. Outro destaque positivo foi a cobertura da vacina contra o rotavírus, que ficou pouco acima dos 90% – média considerada ideal para esse imunizante. 

Apesar dos números indicarem uma constante melhora nas coberturas vacinais no Brasil, até abril de 2026 nenhum dos imunizantes ofertados pelo PNI atingiu a chamada “meta ótima” de cobertura, sendo que muitas encontram-se abaixo dos 80%. As mais alarmantes são a da segunda dose da tríplice viral, com 72,54%; da vacina contra a varicela, com 73,93%; e o primeiro reforço da DTP, com 74,71%. 

“A imunização tornou-se uma prioridade estratégica do atual momento do país, resultando em maiores investimentos financeiros e na implementação do microplanejamento para adaptar as ações às realidades locais. Agora, estamos em um momento de ajustes finos, já que sair dos 10% para os 50% é mais fácil do que saltar dos 80% para os 90%”, observa Mayra Moura.

Riscos de reintrodução de doenças controladas

Outra cobertura que tem causado preocupação é a da vacinação contra a poliomielite, uma vez que o Brasil não alcança a meta de 95% desde 2016. Segundo o Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a queda na imunização contra a doença se intensificou entre 2020 e 2021 – período mais intenso da pandemia de Covid-19 –, mostrando leve recuperação a partir de 2022. 

Desde novembro de 2024, o esquema vacinal contra a doença mudou, sendo a vacina injetável contra a poliomielite (VIP) aplicada no lugar do imunizante em gotas (VOP). O atual esquema vacinal contra a doença é de três doses, com aplicação no segundo, quarto e sexto mês de vida, e uma única dose de reforço aos 15 meses.

Em 2025, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de vacinação contra a poliomielite, sendo o Norte a região com o menor índice do país (78,8%). Até abril de 2026, a cobertura com a VIP foi de 85,16% entre menores de 1 ano e de 77,50% em crianças de até 1 ano. 

Embora o Brasil esteja livre da circulação do poliovírus selvagem há décadas, as taxas de imunização menores do que a meta acendem o alerta para o risco de reintrodução de doenças erradicadas por meio de casos importados.

“As metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando de doenças que se espalham rapidamente”, pontua a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan.  

O registro de um caso confirmado de sarampo na capital paulista, em março de 2026, ilustra essa vulnerabilidade. O vírus foi contraído por um bebê de seis meses durante uma viagem em família para a Bolívia, país que enfrenta problemas com a doença. A criança não estava vacinada, pois ainda não tinha idade para receber a tríplice viral – de acordo com o calendário do PNI, a primeira dose do imunizante deve ser aplicada aos 12 meses com um reforço aos 15. 

Mayra Moura explica que em situações como essa, a proteção depende justamente da chamada imunidade coletiva: ou seja, quanto maior a proporção de pessoas vacinadas na comunidade, menor a circulação do vírus e o risco de exposição dos indivíduos vulneráveis. 

Apesar de o Brasil manter o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2024, a manutenção desse status depende da vigilância epidemiológica contínua e da manutenção de coberturas vacinais elevadas em todo o território nacional.

HPV e influenza também são desafios

Indicada para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, a cobertura da vacina contra o HPV nunca atingiu de forma homogênea a meta estabelecida de 90%, desde que integrou a lista do PNI. 

Os dados mais recentes mostram oscilações importantes entre as coberturas dos públicos feminino e masculino, assim como nas diferentes faixas etárias contempladas pela estratégia. Em 2026, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos é de 74,14% até o momento, e entre os meninos o número é de 66,14%.

No entanto, a vacinação aos 9 anos, idade inicial para receber o imunizante, registra coberturas muito baixas, de apenas 19,85% entre as meninas e de 16,29% entre os meninos.  Entre os adolescentes de 11 a 14 anos há as maiores coberturas, superiores a 80%. 

A imunização contra o HPV é uma ferramenta fundamental para a prevenção de diversos tipos de câncer e outras doenças associadas ao papilomavírus humano. O cenário reforça a necessidade de ampliar as ações de conscientização para garantir a proteção antes do início da vida sexual, momento em que a vacina apresenta maior efetividade.

Outra preocupação das autoridades são as baixas coberturas da vacinação contra a gripe no país, que protege contra o vírus influenza. O imunizante é recomendado para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e pessoas acima dos 60 anos, e deve ser administrado anualmente, uma vez que o microrganismo tem alta capacidade de mutação. 

Em 2025, a cobertura dos grupos prioritários alcançou pouco mais da metade do público-alvo nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste. Apenas 1,38% dos municípios das regiões registraram cobertura vacinal significativa, acima dos 80%; enquanto 48,95% marcaram índices de vacinação entre 41% e 60%. Já no Norte, onde a campanha acontece no segundo semestre, por conta da sazonalidade da doença, a cobertura vacinal foi ainda menor: de apenas 47,98%.

Rejeição aos imunizantes

De acordo com a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan, quando o assunto é hesitação vacinal, tem pesado na balança os constantes questionamentos à segurança do produto explorado pelos chamados “antivacinas”. Fundamentado na disseminação de fake News e que ganhou força com a pandemia de Covid-19.

“As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] – que é uma das mais respeitadas no mundo –, antes de serem aplicadas na população”, afirma a especialista. Para isso, os imunizantes são submetidos a uma série de testes que confirmam sua segurança. 

A gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan explica que mesmo depois do aval da Anvisa, esses produtos continuam sendo monitorados. “Enquanto as pessoas estiverem sendo vacinadas, a farmacovigilância estará ativa. O objetivo será sempre garantir que o benefício de um imunizante seja superior a um possível risco que ela possa trazer. Na maioria das vezes, as vacinas desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar e são autolimitadas, ou seja, duram poucos dias”, conclui Mayra Moura.

Fonte _ Butantan

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ministério da Saúde descontinua temporariamente estratégia atual de vacinação do Butantan contra dengue

 



Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a descontinuação temporária da atual estratégia de vacinação da Butantan-DV contra dengue. Com isso, o uso do imunizante fica paralisado para investigação de eventos raros inesperados e incompatíveis com o estudo clínico feito para a aprovação da vacina.  

A medida, adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorre após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância - procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS)

São eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio - e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina. 

"Essa descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, trata-se de uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação. Segundo, ela permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

A estratégia de vacinação com o imunizante do Butantan estava voltada a profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o público de 15 a 49 anos, de três cidades – Botucatu/SP, Maranguape/CE e Nova Lima/MG – e da região de Araguaína em Tocantins. A ação teve início em janeiro deste ano. 

Vigilância  

A identificação de sinais de alerta após a introdução de uma vacina na rede de saúde segue protocolos internacionais de farmacovigilância.  

Antes de ser incorporada ao SUS, a vacina Butantan-DV passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que demonstraram sua segurança e eficácia. 

A decisão de suspender temporariamente a aplicação do imunizante foi tomada após discussão com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), instâncias compostas por representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e especialistas. 

Cabe destacar que a medida não invalida a eficácia da vacina nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Quem já foi imunizado permanece protegido e a vigilância epidemiológica continua a acompanhar a população vacinada.  

Para quem já recebeu a vacina, a orientação é observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente. 

A partir de agora, as equipes de saúde irão reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade. Também deverão intensificar a notificação de casos, acionar a vigilância local e garantir o encaminhamento imediato para atendimento clínico quando necessário.  

Combate à dengue 

O Ministério da Saúde mantém todas as demais estratégias de combate à dengue em operação, com o objetivo de reduzir a circulação do vírus, prevenir casos graves, diminuir hospitalizações e evitar óbitos. 

Até o fim de maio deste ano, o país registrou queda de 94% no número de casos em relação ao mesmo período de 2024. Foram 365 mil casos prováveis, bem abaixo dos 5,8 milhões contabilizados no mesmo intervalo de 2024. Em relação aos óbitos, a redução foi de 97%, com registro de 178 óbitos em 2026 e, mais de 6,3 mil em 2024. 

Entre as medidas estratégicas adotadas pelo Ministério da Saúde estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o monitoramento contínuo dos casos suspeitos e confirmados, a identificação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, campanhas permanentes de conscientização da população e o apoio técnico e financeiro aos estados e municípios para ações de controle vetorial. 

O Ministério também mantém a distribuição de inseticidas, larvicidas e equipamentos para as equipes locais de vigilância, além da capacitação contínua de profissionais de saúde para o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos pacientes. Outra frente importante é o monitoramento laboratorial dos sorotipos circulantes do vírus da dengue, permitindo respostas mais rápidas diante do aumento da transmissão em determinadas regiões. 

A participação da população continua sendo fundamental para o controle da doença. A recomendação é eliminar recipientes que possam acumular água parada, manter caixas d'água devidamente fechadas, limpar calhas, descartar corretamente resíduos e permitir o acesso dos agentes de combate às endemias quando necessário. 

Perguntas e Respostas

Por que a vacina contra a dengue do Instituto Butantan está sendo descontinuada?

O Ministério da Saúde descontinuou temporariamente a atual estratégia de aplicação da vacina Butantan-DV por precaução. Foram aplicadas 501 mil doses em profissionais de saúde da Atenção Primária, que atuam na linha de frente do SUS, e em pessoas de 15 a 59 anos dos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO). O sistema de monitoramento da vigilância epidemiológica funcionou e detectou um sinal de alarme que precisa ser melhor investigado. A decisão vai permitir investigações mais aprofundadas para avaliar os sinais e não invalida a eficácia da vacina (o estudos clínicos apontaram eficácia geral de 65% e de 80,5% para casos graves).

O Ministério da Saúde agiu com base em dados concretos do sistema de farmacovigilância — não em rumores, associações infundadas ou pressão política. É o oposto do negacionismo: ciência sendo aplicada em tempo real, com transparência.

O SUS segue oferecendo imunização contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina Qdenga, produzida no Japão e oferecida na rede pública desde 2024. Cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil, com impactos visíveis no controle da doença.

Qual foi o problema encontrado?

Foi detectado um sinal de alarme gerado pela farmacovigilância da rede de saúde. De 501 mil pessoas que tomaram a vacina, foram registrados 42 casos de reações raras e inesperadas (correspondente a 0,008% do total) que não haviam sido identificados nos estudos clínicos nem previstos em bula. Também foram identificados três casos graves, dos quais dois evoluíram para óbito. Nenhum deles ocorreu nas três cidades e região onde a vacinação foi ampliada para a população.

Não se pode afirmar que os óbitos foram causados pela vacina, mas considerou-se um sinal de alerta que justifica uma investigação aprofundada. Serão verificadas possíveis comorbidades, fatores de risco e outras situações que possam ter contribuído para os óbitos.

Como foi o processo de aprovação da vacina?

O Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da vacina por aproximadamente 20 anos, tendo licenciado a tecnologia-semente do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Foram realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, conforme os protocolos vigentes. Mais de 11.000 voluntários foram vacinados e acompanhados por 5 anos para verificação de eficácia e segurança. Com esses dados, a Anvisa autorizou a produção e comercialização da vacina em dezembro de 2025.

A vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80,5% para casos mais graves.

A vacina é segura?

De mais de 500.000 doses aplicadas, os efeitos raros e inesperados apareceram em 0,008% das pessoas que receberam a vacina. A vacina passou por todas as etapas exigidas antes de ser aprovada: desenvolvimento pré-clínico e clínico com 11.000 pessoas vacinadas, estudos de segurança, imunogenicidade e eficácia, incluindo acompanhamento de até 5 anos das pessoas vacinadas.

A vacina não deixa de ser segura quando um sinal é detectado. Trata-se de um alerta que precisa ser investigado com mais profundidade. Essa identificação após a aplicação faz parte do processo e está sendo analisada com todo o rigor.

Por isso, o monitoramento contínuo é essencial, e funciona.

Quem já tomou a vacina corre risco?

Quem tomou a vacina está protegido contra os quatro tipos de dengue: a decisão não invalida a eficácia da vacina. As vacinas, assim como quaisquer outros medicamentos, não estão isentas de eventos raros e inesperados. O risco identificado é raro. Mais de 90% das pessoas vacinadas não apresentaram efeitos colaterais após a vacinação. A grande maioria dos efeitos relatados são leves e moderados, desaparecendo depois de alguns dias.

A recomendação continua a mesma para quem se vacinou: observar o estado de saúde por até 21 dias após a dose. Procure atendimento imediatamente se apresentar febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral.

Após 21 dias não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.

Quais os efeitos adversos mais comuns?

Conforme a bula da vacina, os efeitos adversos esperados em parte dos vacinados são: dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios

Muito raramente foram detectados casos semelhantes à dengue com febre.

Isso significa que a estratégia de vacinação falhou?

Não. Pelo contrário. A identificação dos casos mostra que os mecanismos de monitoramento e segurança das vacinas funcionam e conseguem detectar rapidamente possíveis sinais de alarme.

Houve problema no armazenamento ou na aplicação da vacina?

Não há evidências de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses. Essas hipóteses continuam sendo verificadas durante as investigações.

O que será feito com as doses que já estão nos postos de saúde?

As vacinas não devem ser descartadas ou destruídas. Elas devem permanecer armazenadas na rede de frio até que a investigação seja concluída.

As vacinas continuam sendo importantes?

Sim. As vacinas continuam sendo uma das principais ferramentas para prevenir doenças e salvar vidas. A investigação de um possível evento adverso raro e inesperado demonstra que o sistema de vigilância está funcionando.

Segundo a OMS, vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3 milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar poliomielite (paralisia infantil) e a rubéola e, no caso do sarampo, o país está livre da doença.

Quando haverá uma decisão sobre a retomada da vacinação?

A decisão dependerá dos resultados das investigações em andamento. O Ministério da Saúde e a Anvisa divulgarão novas orientações assim que houver conclusões técnicas suficientes. A Anvisa terá um painel de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica sobre esta vacina.

Qual é o cenário atual da dengue no Brasil em 2026?

Neste ano, até 30 de maio (SE 21), o Brasil registrou uma redução de 97% nos óbitos e de 94% nos casos prováveis em relação ao mesmo período de 2024.

Porém, a dengue segue como a maior endemia do país. As vacinas continuam sendo armas fundamentais nesse enfrentamento, e vão ajudar a alcançar resultados ainda melhores.

Fonte _ Saúde.gov


Comunicado sobre a vacina contra a dengue

Vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal

O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal. 

No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.

Fonte _ Butantan

Talk Music Brasil

O maior podcast musical do sistema solar, aonde a base é a música e o céu é o limite. Papinho enrolado a gente deixa para a próxima!!

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 Zé Leandro





domingo, 7 de junho de 2026

Como os profissionais de saúde estão tratando o ebola e se mantendo seguros

 


Os profissionais de saúde no leste da República Democrática do Congo correm contra o tempo para ajudar pacientes com ebola a controlar os sintomas da doença, proteger a si e evitar a propagação do vírus. Enquanto isso, o número de casos continua aumentando.

Todos os pacientes, de casos suspeitos e confirmados, são isolados, e todas as pessoas que entram em contato com eles devem usar EPIs (equipamentos de proteção individual) e outros dispositivos para reduzir o risco de transmissão.

Um desses equipamentos é a "Cube", uma unidade de tratamento autônoma para doenças altamente infecciosas, transparente, que permite que os pacientes recebam atendimento médico sem contato direto com os profissionais de saúde.

Criada após o surto de ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, a ONG médica Akina (Alliance for International Medical Action) desenvolveu a estrutura "Cube".


A estrutura permite que equipes médicas tratem pacientes do lado de fora, usando luvas em formato de túnel acopladas à unidade.

"Você não precisa usar o equipamento completo de proteção individual para entrar em contato com os pacientes, então este é um dispositivo muito importante nesse tipo de surto", afirma o médico Papys Lame, coordenador da resposta ao ebola da Alima.

Lame disse à BBC que a estrutura garante "o padrão de atendimento necessário, uma experiência positiva para o paciente e a proteção dos profissionais de saúde".

Mas, embora sejam úteis, não há unidades suficientes na República Democrática do Congo para o número de casos suspeitos de ebola.

Segundo a Alima, duas estruturas "Cubes" chegaram no fim de semana a Bunia, capital provincial de Ituri e epicentro do surto, e devem começar a ser usadas em breve. Outras duas estão a caminho da cidade.

Os estoques de EPIs também são limitados. No dia 29 de maio, o Conselho Internacional de Enfermeiros alertou para a escassez e afirmou que os enfermeiros na República Democrática do Congo "temem por sua segurança porque não têm equipamentos necessários para se proteger".

vírus ebola se espalha de uma pessoa para outra por meio do contato com fluidos corporais infectados.

A demora na confirmação dos casos nos primeiros dias do surto permitiu que o vírus se espalhasse de Ituri para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, além da vizinha Uganda.

"Infelizmente, o ebola começa de forma muito vaga, com dor de cabeça, febre e sensação de fraqueza", explica o médico Armand Sprecher.

Sprecher é especialista em medicina de emergência e epidemiologista especializado em ebola da organização Médicos Sem Fronteiras.

"As pessoas sentem o que chamamos de mal-estar, dores musculares e nas articulações, e depois desenvolvem vômito, dor abdominal e diarreia", afirmou Sprecher à BBC.

Ele acrescentou que esses sintomas "são comuns em muitas doenças". Doenças infecciosas frequentes na região, como malária e febre tifoide, compartilham sintomas iniciais com o ebola.

Um sintoma menos comum do ebola, que pode aparecer mais tarde, é o sangramento, incluindo pelo nariz, gengivas e vagina, além de sangue no vômito e nas fezes.

Todas as pessoas que apresentam sintomas do vírus são inicialmente classificadas como casos suspeitos e encaminhadas para centros de tratamento.

Lame, da Alima, afirma que as pessoas com suspeita de ebola passam por coleta de amostras para determinar se estão infectadas pelo vírus e, caso o primeiro teste dê negativo, uma nova amostra é coletada 48 horas depois.

Se o segundo teste também der negativo, o paciente deixa de ser considerado um caso suspeito e é encaminhado para um hospital ou centro de saúde para cuidados adicionais ou é liberado para casa, caso não apresente mais sintomas.

Para aqueles que testam positivo, o coordenador da Alima afirma que os sintomas são tratados até desaparecerem e que os pacientes "precisam ter dois resultados laboratoriais negativos antes de receber alta".

Embora pacientes com Ebola precisem ficar isolados para evitar a transmissão do vírus, Lame ressaltou a importância do bem-estar psicológico dos doentes, algo que a "Cube" ajuda a preservar.

Segundo Lame, o formato da estrutura permite que pessoas visitem familiares internados. Em surtos anteriores, explicou, "os pacientes eram separados de suas famílias e comunidades e frequentemente relutavam em buscar tratamento".

Mas, enquanto equipes médicas trabalham sem parar para tratar os sintomas de pessoas com Ebola, os testes e a confirmação dos casos têm avançado lentamente. O ICN também afirmou haver escassez de kits de testagem.

As autoridades afirmam que já houve mais de 282 casos confirmados de Ebola, incluindo 42 mortes, além de mais de 1.000 casos suspeitos, dos quais mais de 220 terminaram em morte.

Atualmente, não existem medicamentos aprovados contra a espécie Bundibugyo, responsável por este surto, por isso os pacientes recebem principalmente cuidados de suporte e tratamento para os sintomas.

Isso inclui oxigênio e ventilação para ajudar na respiração, além de fluidos intravenosos para evitar desidratação e repor eletrólitos perdidos em episódios de vômito e diarreia.

Também não há vacina aprovada, embora vacinas experimentais estejam em desenvolvimento.

Por causa da demora na confirmação dos casos, Sprecher, da organização Médicos Sem Fronteiras, afirma que os profissionais de saúde não têm o "mapeamento habitual da transmissão" observado em surtos anteriores de ebola, a maioria deles causada pela variante mais comum do vírus, conhecida como Zaire.

"Antes, conseguíamos saber se a doença estava passando por uma vila, por uma família ou por pessoas que participaram de um funeral. Então, quando o paciente chegava até nós, podíamos perguntar: 'Você esteve naquele funeral?' ou 'Você mora nesta vila?'"

"Não temos esse tipo de informação para nos orientar", explica Sprecher.

Os profissionais de saúde costumam estar entre os grupos mais expostos ao risco e precisam lidar com diversos fatores, incluindo a própria saúde física e mental.

Dezesseis profissionais de saúde tiveram diagnóstico confirmado de Ebola durante este surto.

Na semana passada, cinco pessoas receberam alta após se recuperarem da doença. Quatro eram enfermeiros e uma trabalhava em laboratório.

"Perdemos pacientes, e isso é psicologicamente difícil", afirma Lame, da Alima, acrescentando: "Somos humanos, então naturalmente temos medo de estar sob risco constante diante de uma doença para a qual não existe tratamento."

O trabalho também é "fisicamente exaustivo", especialmente por causa do clima equatorial da região.

Sprecher, da organização Médicos Sem Fronteiras, afirma que, mesmo quando há equipamentos de proteção individual disponíveis, usá-los "é um problema, porque, assim que você veste aquilo, começa a sentir muito, muito calor", o que impede jornadas longas de trabalho.

"Você tem cerca de uma hora antes de precisar tirar o equipamento, porque as pessoas superaquecem e suam muito. Esse suor não evapora para resfriar o corpo, apenas se acumula dentro das botas, enquanto elas continuam com calor, começam a ficar tontas e a perder a clareza mental."

"Se os profissionais de saúde não estiverem mais seguros,então não é mais seguro para eles trabalharem lá", explica Sprecher.

Tanto Lame quanto Sprecher afirmam que existem protocolos de segurança para proteger os profissionais de saúde, incluindo o trabalho em duplas.

"Existe um sistema de parceiros", explica Sprecher. "Enquanto você realiza uma tarefa, há um observador externo acompanhando e alertando você. Por exemplo, se suas mãos forem inconscientemente em direção ao rosto, ele dirá: 'Não toque no rosto, cuidado!'"

Makati Tagirabo (à esquerda) e Baraka Bulambula (à direita) foram dois dos enfermeiros que se recuperaram de Ebola neste surto mais recente

Durante uma visita a Ituri no fim de semana, o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu às comunidades que colaborassem com as autoridades de saúde após moradores atacarem centros médicos em protesto contra as rígidas regras de sepultamento.

Os corpos de pessoas com suspeita de terem morrido por Ebola não podem ser manipulados por familiares, para evitar o risco de transmissão do vírus.

Outro fator que dificulta a resposta ao surto é o conflito em andamento na República Democrática do Congo.

Antes da visita, Ghebreyesus considerou a província como o centro de uma "colisão catastrófica entre doença e conflito" e afirmou que não seria possível "construir confiança nas comunidades ou isolar os doentes enquanto as bombas continuam caindo".

Ituri está sob regime militar desde 2021, quando a autoridade civil foi substituída por um general do Exército em uma tentativa de neutralizar dezenas de grupos armados que atuam na região.

Grandes áreas das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde casos de Ebola foram registrados, estão sob controle do grupo rebelde M23.

"Os profissionais da linha de frente estão arriscando tudo, enquanto os ataques às unidades de saúde tornam quase impossível rastrear casos e seus contatos", escreveu Ghebreyesus, da OMS, na rede social X ao pedir que todas as partes envolvidas no conflito concordem com um cessar-fogo para permitir acesso seguro às equipes médicas.

Apesar disso, algumas organizações humanitárias conseguiram entrar em áreas controladas pelos rebeldes.

A Alima afirmou à BBC que mantém profissionais de saúde em regiões sob controle rebelde, incluindo Goma, a maior cidade do leste da República Democrática do Congo.

Da mesma forma, a organização Médicos Sem Fronteiras afirmou ter reformado e reaberto um centro de tratamento de Ebola em Goma, além de apoiar o treinamento de profissionais de saúde na cidade.

O texto original está publicado aqui.

Fonte _ Folha/SP

Estudo identifica mutação rara ligada à hipoglicemia grave

 


Tremores, sudorese, confusão mental, fraqueza, sonolência, dor de cabeça, tontura, visão turva e convulsões são sintomas de hipoglicemia. O nível de açúcar no sangue abaixo de 55 mg/dL exige atenção imediata (70 mg/dL é o limite de alerta).

Muitas vezes subdiagnosticada, a condição é associada a pessoas com diabete e rara em quem não tem a doença. Nos casos raros, pode ser causada por complicações após cirurgia bariátrica, tumores produtores de insulina (insulinoma) e doenças hepáticas ou hormonais. Há crianças que nascem com hipoglicemia e a desenvolvem ao longo da vida, e existem as causas autoimunes de anticorpos que podem prejudicar o controle da glicemia e fazê-la baixar demais.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em parceria com a Unicamp propõe uma estratégia de rastreamento clínico mais acessível e econômica. O trabalho foi publicado em maio de 2026 na revista Frontiers in Endocrinology. O método visa identificar pacientes com hipoglicemia hiperinsulinêmica associada a mutações no gene do receptor de insulina (INSR).

O receptor de insulina permite a entrada da glicose nas células. Quando apresenta defeitos, o organismo produz quantidades exageradas de insulina na tentativa de compensar a falha. Esse excesso provoca crises de hipoglicemia.

"Pensamos numa forma de tornar o diagnóstico clínico mais fácil para selecionar esses pacientes candidatos ao teste molecular, que na rede privada custa em torno de R$ 5.000", afirma o endocrinologista Ramon Marcelino do Nascimento, autor principal da pesquisa.

"Quando começamos a investigar, percebemos que os parentes tinham hipoglicemia também. É como um sintoma inespecífico, ou seja, passa mal, fica sudoreico, taquicárdico, e a pessoa não valoriza", afirma.

O trabalho identificou 18 novos casos, que representam quase um terço de todos os já descritos no mundo. Até então, apenas cerca de 50 pacientes haviam sido documentados na literatura científica global.

Para isso, o estudo selecionou 94 pacientes com hipoglicemia hiperinsulinêmica —condição em que o excesso de insulina provoca quedas bruscas de açúcar no sangue—, avaliados entre janeiro de 2020 e janeiro de 2025. Todos são acompanhados em uma clínica especializada do Ambulatório de Endocrinologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Foram selecionados indivíduos com peso normal (IMC abaixo de 25), mas que apresentavam sinais clínicos de resistência à insulina. Também foram aplicados critérios de exclusão.

Dos 94 selecionados, 5 tinham as condições e a disponibilidade de participar da pesquisa. Primeiro foi feito um teste para avaliar o DNA desses pacientes (sequenciamento do exoma). Em um segundo momento foi solicitado que os familiares de primeiro grau deles comparecessem ao ambulatório para avaliação, com exames mais simples e coleta de DNA para um teste mais barato que se chama Sanger. Assim, chegou-se aos 18, e coube à Unicamp fornecer os testes moleculares.

"O sequenciamento por Sanger é muito mais barato do que o sequenciamento por exoma, mas ele só vê uma parte muito específica do DNA. Então, se não sabemos onde é a mutação, pedimos o Exoma."

Os achados, segundo o pesquisador, fortalecem o papel do Brasil na produção de conhecimento sobre doenças metabólicas raras e podem contribuir para protocolos diagnósticos mais eficientes em diferentes países.

O reconhecimento precoce desses sinais clínicos pode reduzir o tempo até o diagnóstico correto e melhorar o acompanhamento dos pacientes.

"Para muitas pessoas, descobrir a causa genética das crises de hipoglicemia significa finalmente entender a própria doença e receber um acompanhamento mais adequado. É um passo importante para que a condição deixe de ser negligenciada", diz Nascimento.

Fonte _ Folha/SP

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sábado, 6 de junho de 2026

Brasil precisa conectar pacientes e voluntários aos centros de pesquisa, dizem especialistas

 


Encontrar candidatos elegíveis para estudos clínicos é um desafio para os centros de pesquisa brasileiros, disseram médicos e pesquisadores durante a segunda edição do Clinical Research Summit Latin America, realizado em maio pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

"Não temos esse encontro de informações. É comum aos centros de pesquisa que têm estudos não completar o número de pacientes, e às vezes os pacientes não identificam o local onde há o estudo de que poderiam participar. Essa aproximação traria oportunidade aos pacientes brasileiros e um avanço mais rápido nas pesquisas", disse José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani, diretor de ensino, pesquisa e inovação do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

O objetivo pesquisa clínica é testar a segurança e eficácia de novos medicamentos, vacinas ou tratamentos antes que sejam aprovados para uso na população.

Cirurgião oncológico e pesquisador, Fregnani afirma que a poderia ser aplicado um sistema de referenciamento, a exemplo do que ocorre na fila do transplante. O paciente com indicação clínica seria inscrito numa lista, e um sistema inteligente faria a conexão entre o voluntário e o centro que desenvolve a pesquisa de interesse.

"O Ministério da Saúde, com o apoio das instituições Proadi-SUS [Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS], poderia construir um sistema desse tipo", diz. "Isso aceleraria a pesquisa clínica no país. Se eu preciso incluir 20 pacientes no estudo, mas só incluo dez, na próxima vez a indústria vai pensar duas vezes antes de trazer a pesquisa. Melhorar a taxa de recrutamento confere credibilidade ao Brasil."

Para o oncologista clínico José Roberto Rossari, coordenador das pesquisas em oncologia do Hospital Moinhos de Vento, o problema vai além e envolve também a logística dos pacientes.

"Há uma dificuldade em integrar informações e tornar factível. Só ter a informação talvez não acrescente nada. Adianta eu saber de um estudo clínico em Belém se essa paciente mora no interior do Rio Grande do Sul? Como ela vai se mudar para Belém? São coisas que do ponto de vista logístico podem ser mais complicadas de racionalizar do que simplesmente identificarmos oportunidades", disse Rossari.

Na avaliação do infectologista Alexandre Schwazbold, professor e chefe do Centro de Pesquisa Clínica da Universidade Federal de Santa Maria, uma alternativa seria criar um cadastro de voluntários.

"Poderia ter um banco onde as pessoas se voluntariassem, assim como o de medula óssea. Por que não aconteceu? Acho que pesquisa clínica é algo novo no Brasil. Tirando os centros de referência no Rio, em São Paulo, talvez no Rio Grande do Sul, no Paraná, pouca pesquisa clínica foi feita aqui. O próprio Ministério da Saúde nunca teve isso como um capítulo importante", afirmou.

A seleção de voluntários para pesquisa clínica no Brasil tem como caminhos a indicação de médicos, a divulgação na mídia e a busca nos serviços que atuam com o perfil de população desejada. Universidades e centros de saúde e de pesquisa realizam a procura.

Em Porto Alegre, o Instituto de Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento procura voluntários acima de 18 anos para um estudo clínico voltado ao tratamento de amiloidose cardíaca. A doença, rara e de difícil diagnóstico, se caracteriza pelo acúmulo de proteínas no coração. Pode levar à insuficiência cardíaca e à morte, em casos mais graves. Os principais sintomas são fraqueza e cansaço, condições comuns e que se confundem com outras doenças.

A participação é gratuita. Interessados podem entrar em contato via WhatsApp no número (51) 3314-3209 ou preencher o formulário online para triagem inicial.

Fonte _ Folha/SP