Criado para levar as informações aos profissionais da enfermagem do Vale do Juruá. Tem o objetivo de fortalecer a Classe da Enfermagem no contexto social, econômico e político.
A
primeira está marcada para o dia 11, quinta-feira, às 14hs30min do horário de Brasília, com os
cantores mexicanos Alejandro Fernández, Belinda Peregrín e Lila
Downs, do cantor venezuelano Danny Ocean, do colombiano J Balvin,
e da cantora sul-africana Tyla, além dos grupos mexicanos Los Ángeles
Azules e Maná.
A
segunda será realizada no dia 12, sexta-feira, às 14hs30min do horário de Brasília,
e contará com apresentações dos canadenses Alanis Morissette, Alessia
Cara, Jessie Reyez, Michael Bublé, Nora Fatehi e William
Prince, a palestina Elyanna, o DJ bengalês Sanjoy, e o
francês Vegedream.
Ainda
na sexta-feira (12), a terceira e última cerimônia de abertura está marcada
para as 20hs30min do horário de Brasília, antecedendo Estados
Unidos x Paraguai,
às 22hs, pelo grupo D, no Estádio SoFi, em Los Angeles.
Entre
as atrações confirmadas, estão os cantores norte-americanos Katy Perry e
Future, a brasileira Anitta, a
sul-coreana LISA, o nigeriano Rema e a sul-africana Tyla
novamente.
Onde
assistir
As
cerimônias de abertura e os jogos serão transmitidos ao vivo na TV aberta
pela Globo e
pelo SBT,
e na TV fechada pelo SporTV. No streaming, a cobertura oficial será feita
pelo Globoplay,
pela CazéTV no YouTube, e
pela GE TV.
O
Brasil parece ter motivos para celebrar neste Dia Nacional da
Imunização, celebrado em 9/6. Depois de um período marcado pela redução
das coberturas e pelo aumento da hesitação vacinal, indicadores mais recentes
apontam uma retomada gradual nos índices de vacinação no país. Ainda assim, é
preciso manter o sinal de alerta, uma vez que a maior parte dos imunizantes
ofertados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda permanece com
índices abaixo dos preconizados – um cenário preocupante, que favorece o
reaparecimento de doenças já controladas, como sarampo e poliomielite.
“Temos
muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender
que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre
seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua”, reforça a gerente de
farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de
Imunizações (SBIm), Mayra Moura.
O
Dia Nacional da Imunização busca chamar a atenção para a importância da
vacinação, tanto individualmente como para a saúde coletiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS),
os imunizantes foram responsáveis por aproximadamente 40% da redução global da
mortalidade infantil nos últimos 50 anos. Desde 1974, estima-se que a vacinação
tenha evitado 154 milhões de mortes em todo o mundo, sendo 95% delas entre
menores de 5 anos.
Coberturas
estão em recuperação, mas metas ainda não foram alcançadas
Os
dados disponibilizados pelos Painéis de Vacinação do Ministério da Saúde revelam
um cenário de recuperação no país desde 2022, quando observou-se uma tendência
de crescimento gradual em diversas coberturas, embora a maioria das vacinas
ainda não tenha alcançado os percentuais considerados ideais para garantir
proteção coletiva, acima de 95%.
Em
2024, por exemplo, apenas três dos 16 imunizantes indicados até o primeiro ano
de vida atingiram as metas preconizadas pelo órgão federal. Foram eles: BCG (98,63%),
capaz de prevenir formas graves de tuberculose, e hepatite B (97,39%)
– ambos aplicados logo após o nascimento; além da primeira dose da tríplice
viral (95,85%), que é administrada aos 12 meses e protege contra
sarampo, caxumba e rubéola.
Já
em 2025, as coberturas de BCG e hepatite B mantiveram-se
acima do índice recomendado de 95%, registrando uma cobertura superior a 99%.
Outro destaque positivo foi a cobertura da vacina contra o rotavírus,
que ficou pouco acima dos 90% – média considerada ideal para esse
imunizante.
Apesar
dos números indicarem uma constante melhora nas coberturas vacinais no Brasil,
até abril de 2026 nenhum dos imunizantes ofertados pelo PNI atingiu a chamada
“meta ótima” de cobertura, sendo que muitas encontram-se abaixo dos 80%. As
mais alarmantes são a da segunda dose da tríplice viral, com 72,54%; da vacina
contra a varicela, com 73,93%; e o primeiro reforço da DTP, com 74,71%.
“A
imunização tornou-se uma prioridade estratégica do atual momento do país,
resultando em maiores investimentos financeiros e na implementação do
microplanejamento para adaptar as ações às realidades locais. Agora, estamos em
um momento de ajustes finos, já que sair dos 10% para os 50% é mais fácil do
que saltar dos 80% para os 90%”, observa Mayra Moura.
Riscos
de reintrodução de doenças controladas
Outra
cobertura que tem causado preocupação é a da vacinação contra a poliomielite,
uma vez que o Brasil não alcança a meta de 95% desde 2016. Segundo o Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão
de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e
parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a queda na
imunização contra a doença se intensificou entre 2020 e 2021 – período mais
intenso da pandemia de Covid-19 –, mostrando leve recuperação a partir de
2022.
Desde
novembro de 2024, o esquema vacinal contra a doença mudou, sendo a vacina
injetável contra a poliomielite (VIP) aplicada no lugar do imunizante em gotas
(VOP). O atual esquema vacinal contra a doença é de três doses, com aplicação
no segundo, quarto e sexto mês de vida, e uma única dose de reforço aos 15
meses.
Em
2025, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de vacinação contra a
poliomielite,
sendo o Norte a região com o menor índice do país (78,8%). Até abril de 2026, a
cobertura com a VIP foi de 85,16% entre menores de 1 ano e de 77,50% em
crianças de até 1 ano.
Embora
o Brasil esteja livre da circulação do poliovírus selvagem há décadas, as taxas
de imunização menores do que a meta acendem o alerta para o risco de
reintrodução de doenças erradicadas por meio de casos importados.
“As
metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência
de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse
índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando
de doenças que se espalham rapidamente”, pontua a gerente de farmacovigilância
do Instituto Butantan.
O registro de um caso confirmado de sarampo na capital paulista, em março de
2026, ilustra essa vulnerabilidade. O vírus foi contraído por um bebê de seis
meses durante uma viagem em família para a Bolívia, país que enfrenta problemas
com a doença. A criança não estava vacinada, pois ainda não tinha idade para
receber a tríplice viral – de acordo com o calendário do PNI, a primeira dose
do imunizante deve ser aplicada aos 12 meses com um reforço aos 15.
Mayra
Moura explica que em situações como essa, a proteção depende justamente da
chamada imunidade coletiva: ou seja, quanto maior a proporção de
pessoas vacinadas na comunidade, menor a circulação do vírus e o risco de
exposição dos indivíduos vulneráveis.
Apesar
de o Brasil manter o certificado de país livre da circulação endêmica do
sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2024, a
manutenção desse status depende da vigilância epidemiológica contínua e da
manutenção de coberturas vacinais elevadas em todo o território nacional.
HPV
e influenza também são desafios
Indicada
para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, a cobertura da vacina contra
o HPV nunca atingiu de forma homogênea a meta estabelecida de 90%,
desde que integrou a lista do PNI.
Os
dados mais recentes mostram oscilações importantes entre as
coberturas dos públicos feminino e masculino, assim como nas diferentes faixas
etárias contempladas pela estratégia. Em 2026, a cobertura entre meninas de 9 a
14 anos é de 74,14% até o momento, e entre os meninos o número é de 66,14%.
No
entanto, a vacinação aos 9 anos, idade inicial para receber o imunizante,
registra coberturas muito baixas, de apenas 19,85% entre as meninas e de 16,29%
entre os meninos. Entre os adolescentes de 11 a 14 anos há as maiores
coberturas, superiores a 80%.
A
imunização contra o HPV é uma ferramenta fundamental para a prevenção de
diversos tipos de câncer e outras doenças associadas ao papilomavírus humano. O
cenário reforça a necessidade de ampliar as ações de conscientização para
garantir a proteção antes do início da vida sexual, momento em que a vacina
apresenta maior efetividade.
Outra
preocupação das autoridades são as baixas coberturas da vacinação
contra a gripe no país, que protege contra o vírus influenza. O
imunizante é recomendado para crianças de 6 meses a menores de 6 anos,
gestantes, puérperas e pessoas acima dos 60 anos, e deve ser administrado
anualmente, uma vez que o microrganismo tem alta capacidade de mutação.
Em
2025, a cobertura dos grupos prioritários alcançou pouco mais da metade do
público-alvo nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste. Apenas
1,38% dos municípios das regiões registraram cobertura vacinal significativa,
acima dos 80%; enquanto 48,95% marcaram índices de vacinação entre 41% e
60%. Já no Norte, onde a campanha acontece no segundo
semestre, por conta da sazonalidade da doença, a cobertura vacinal foi ainda
menor: de apenas 47,98%.
Rejeição
aos imunizantes
De
acordo com a gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan, quando o
assunto é hesitação vacinal, tem pesado na balança os constantes
questionamentos à segurança do produto explorado pelos chamados “antivacinas”.
Fundamentado na disseminação de fake News e que ganhou força com a pandemia de
Covid-19.
“As
vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como
qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] – que é uma das mais
respeitadas no mundo –, antes de serem aplicadas na população”, afirma a
especialista. Para isso, os imunizantes são submetidos a uma série de testes
que confirmam sua segurança.
A
gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan explica que mesmo depois do
aval da Anvisa, esses produtos continuam sendo monitorados. “Enquanto as
pessoas estiverem sendo vacinadas, a farmacovigilância estará ativa. O objetivo
será sempre garantir que o benefício de um imunizante seja superior a um
possível risco que ela possa trazer. Na maioria das vezes, as vacinas
desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da
aplicação, febre baixa e mal-estar e são autolimitadas, ou seja, duram poucos
dias”, conclui Mayra Moura.
Ministério
da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a descontinuação temporária da
atual estratégia de vacinação da Butantan-DV contra dengue. Com isso, o uso do
imunizante fica paralisado para investigação de eventos raros inesperados e
incompatíveis com o estudo clínico feito para a aprovação da
vacina.
A
medida, adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da
Saúde e a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorre após o registro
de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos
persistentes e sangramentos. Dentre eles, três foram classificados como graves,
incluindo dois óbitos. A identificação desses episódios foi feita pela
farmacovigilância - procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um
novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde
(SUS).
São
eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas
até 30 de maio - e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles
com a vacina.
"Essa
descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, trata-se de uma ação de precaução
que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda
mais quando estamos falando de vacinação. Segundo, ela permite que o Ministério
da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos,
em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações
suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”,
destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A
estratégia de vacinação com o imunizante do Butantan estava voltada a
profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o
público de 15 a 49 anos, de três cidades – Botucatu/SP, Maranguape/CE e Nova
Lima/MG – e da região de Araguaína em Tocantins. A ação teve início em janeiro
deste ano.
Vigilância
A
identificação de sinais de alerta após a introdução de uma vacina na rede de
saúde segue protocolos internacionais de farmacovigilância.
Antes
de ser incorporada ao SUS, a vacina Butantan-DV passou por todas as etapas de
avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que demonstraram
sua segurança e eficácia.
A
decisão de suspender temporariamente a aplicação do imunizante foi tomada após
discussão com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e
outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em
Imunização (Ctai), instâncias compostas por representantes do Ministério da
Saúde, da Anvisa e especialistas.
Cabe
destacar que a medida não invalida a eficácia da vacina nem altera as
evidências de proteção observadas até o momento. Quem já foi imunizado
permanece protegido e a vigilância epidemiológica continua a acompanhar a
população vacinada.
Para
quem já recebeu a vacina, a orientação é observar o estado de saúde por 21 dias
após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa,
vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de
desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico
imediatamente.
A
partir de agora, as equipes de saúde irão reforçar a vigilância de pacientes
vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o
reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade. Também deverão intensificar
a notificação de casos, acionar a vigilância local e garantir o encaminhamento
imediato para atendimento clínico quando necessário.
Combate
à dengue
O
Ministério da Saúde mantém todas as demais estratégias de combate à dengue em
operação, com o objetivo de reduzir a circulação do vírus, prevenir casos
graves, diminuir hospitalizações e evitar óbitos.
Até
o fim de maio deste ano, o país registrou queda de 94% no número de casos em
relação ao mesmo período de 2024. Foram 365 mil casos prováveis, bem abaixo dos
5,8 milhões contabilizados no mesmo intervalo de 2024. Em relação aos óbitos, a
redução foi de 97%, com registro de 178 óbitos em 2026 e, mais de 6,3 mil em
2024.
Entre
as medidas estratégicas adotadas pelo Ministério da Saúde estão o
fortalecimento da vigilância epidemiológica, o monitoramento contínuo dos casos
suspeitos e confirmados, a identificação e eliminação de criadouros do
mosquito Aedes aegypti, campanhas permanentes de
conscientização da população e o apoio técnico e financeiro aos estados e
municípios para ações de controle vetorial.
O
Ministério também mantém a distribuição de inseticidas, larvicidas e
equipamentos para as equipes locais de vigilância, além da capacitação contínua
de profissionais de saúde para o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos
pacientes. Outra frente importante é o monitoramento laboratorial dos sorotipos
circulantes do vírus da dengue, permitindo respostas mais rápidas diante do
aumento da transmissão em determinadas regiões.
A
participação da população continua sendo fundamental para o controle da doença.
A recomendação é eliminar recipientes que possam acumular água parada, manter
caixas d'água devidamente fechadas, limpar calhas, descartar corretamente
resíduos e permitir o acesso dos agentes de combate às endemias quando
necessário.
Perguntas
e Respostas
Por
que a vacina contra a dengue do Instituto Butantan está sendo descontinuada?
O
Ministério da Saúde descontinuou temporariamente a atual estratégia de
aplicação da vacina Butantan-DV por precaução. Foram aplicadas 501 mil doses em
profissionais de saúde da Atenção Primária, que atuam na linha de frente do
SUS, e em pessoas de 15 a 59 anos dos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape
(CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO). O sistema de
monitoramento da vigilância epidemiológica funcionou e detectou um sinal de
alarme que precisa ser melhor investigado. A decisão vai permitir investigações
mais aprofundadas para avaliar os sinais e não invalida a eficácia da vacina (o
estudos clínicos apontaram eficácia geral de 65% e de 80,5% para casos graves).
O
Ministério da Saúde agiu com base em dados concretos do sistema de
farmacovigilância — não em rumores, associações infundadas ou pressão política.
É o oposto do negacionismo: ciência sendo aplicada em tempo real, com
transparência.
O
SUS segue oferecendo imunização contra a dengue para crianças e adolescentes de
10 a 14 anos com a vacina Qdenga, produzida no Japão e oferecida na rede
pública desde 2024. Cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil,
com impactos visíveis no controle da doença.
Qual
foi o problema encontrado?
Foi
detectado um sinal de alarme gerado pela farmacovigilância da rede de saúde. De
501 mil pessoas que tomaram a vacina, foram registrados 42 casos de reações
raras e inesperadas (correspondente a 0,008% do total) que não haviam sido
identificados nos estudos clínicos nem previstos em bula. Também foram
identificados três casos graves, dos quais dois evoluíram para óbito. Nenhum
deles ocorreu nas três cidades e região onde a vacinação foi ampliada para a
população.
Não
se pode afirmar que os óbitos foram causados pela vacina, mas considerou-se um
sinal de alerta que justifica uma investigação aprofundada. Serão verificadas
possíveis comorbidades, fatores de risco e outras situações que possam ter
contribuído para os óbitos.
Como
foi o processo de aprovação da vacina?
O
Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da vacina por aproximadamente
20 anos, tendo licenciado a tecnologia-semente do Instituto Nacional de Saúde
dos Estados Unidos (NIH). Foram realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3,
conforme os protocolos vigentes. Mais de 11.000 voluntários foram vacinados e
acompanhados por 5 anos para verificação de eficácia e segurança. Com esses
dados, a Anvisa autorizou a produção e comercialização da vacina em dezembro de
2025.
A
vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80,5%
para casos mais graves.
A
vacina é segura?
De
mais de 500.000 doses aplicadas, os efeitos raros e inesperados apareceram em
0,008% das pessoas que receberam a vacina. A vacina passou por todas as etapas
exigidas antes de ser aprovada: desenvolvimento pré-clínico e clínico com
11.000 pessoas vacinadas, estudos de segurança, imunogenicidade e eficácia,
incluindo acompanhamento de até 5 anos das pessoas vacinadas.
A
vacina não deixa de ser segura quando um sinal é detectado. Trata-se de um
alerta que precisa ser investigado com mais profundidade. Essa identificação
após a aplicação faz parte do processo e está sendo analisada com todo o rigor.
Por
isso, o monitoramento contínuo é essencial, e funciona.
Quem
já tomou a vacina corre risco?
Quem
tomou a vacina está protegido contra os quatro tipos de dengue: a decisão não
invalida a eficácia da vacina. As vacinas, assim como quaisquer outros
medicamentos, não estão isentas de eventos raros e inesperados. O risco
identificado é raro. Mais de 90% das pessoas vacinadas não apresentaram efeitos
colaterais após a vacinação. A grande maioria dos efeitos relatados são leves e
moderados, desaparecendo depois de alguns dias.
A
recomendação continua a mesma para quem se vacinou: observar o estado de saúde
por até 21 dias após a dose. Procure atendimento imediatamente se apresentar
febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura,
sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
Após
21 dias não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
Quais
os efeitos adversos mais comuns?
Conforme
a bula da vacina, os efeitos adversos esperados em parte dos vacinados são: dor
de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço extremo,
coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios
Muito
raramente foram detectados casos semelhantes à dengue com febre.
Isso
significa que a estratégia de vacinação falhou?
Não.
Pelo contrário. A identificação dos casos mostra que os mecanismos de
monitoramento e segurança das vacinas funcionam e conseguem detectar
rapidamente possíveis sinais de alarme.
Houve
problema no armazenamento ou na aplicação da vacina?
Não
há evidências de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses.
Essas hipóteses continuam sendo verificadas durante as investigações.
O
que será feito com as doses que já estão nos postos de saúde?
As
vacinas não devem ser descartadas ou destruídas. Elas devem permanecer
armazenadas na rede de frio até que a investigação seja concluída.
As
vacinas continuam sendo importantes?
Sim.
As vacinas continuam sendo uma das principais ferramentas para prevenir doenças
e salvar vidas. A investigação de um possível evento adverso raro e inesperado
demonstra que o sistema de vigilância está funcionando.
Segundo
a OMS, vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3
milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar poliomielite
(paralisia infantil) e a rubéola e, no caso do sarampo, o país está livre da
doença.
Quando
haverá uma decisão sobre a retomada da vacinação?
A
decisão dependerá dos resultados das investigações em andamento. O Ministério
da Saúde e a Anvisa divulgarão novas orientações assim que houver conclusões
técnicas suficientes. A Anvisa terá um painel de especialistas para aprofundar
a investigação epidemiológica sobre esta vacina.
Qual
é o cenário atual da dengue no Brasil em 2026?
Neste
ano, até 30 de maio (SE 21), o Brasil registrou uma redução de 97% nos óbitos e
de 94% nos casos prováveis em relação ao mesmo período de 2024.
Porém,
a dengue segue como a maior endemia do país. As vacinas continuam sendo armas
fundamentais nesse enfrentamento, e vão ajudar a alcançar resultados ainda
melhores.
Vacinação
contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para
reavaliação da estratégia vacinal
O
Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacinação contra a dengue
será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da
estratégia vacinal.
No
momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em
razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de
gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou
não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da
população nas próximas etapas da vacinação.
O
Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a
saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e
a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina,
realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos
vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89%
contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional.
Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP),
Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se
mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
O
Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando
com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina
para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em
breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto
Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para
enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.
Os profissionais
de saúde no leste da República
Democrática do Congo correm contra o tempo para ajudar pacientes
com ebola a
controlar os sintomas da doença, proteger a si e evitar a propagação do vírus.
Enquanto isso, o número de casos continua aumentando.
Todos
os pacientes, de casos suspeitos e confirmados, são isolados, e todas as
pessoas que entram em contato com eles devem usar EPIs (equipamentos de
proteção individual) e outros dispositivos para reduzir o risco de transmissão.
Um
desses equipamentos é a "Cube", uma unidade de tratamento autônoma
para doenças altamente infecciosas, transparente, que permite que os pacientes
recebam atendimento médico sem contato direto com os profissionais
de saúde.
Criada
após o surto de ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, a ONG médica Akina
(Alliance for International Medical Action) desenvolveu a estrutura
"Cube".
A
estrutura permite que equipes médicas tratem pacientes do lado de fora, usando
luvas em formato de túnel acopladas à unidade.
"Você
não precisa usar o equipamento completo de proteção individual para entrar em
contato com os pacientes, então este é um dispositivo muito importante nesse
tipo de surto", afirma o médico Papys Lame, coordenador da resposta ao
ebola da Alima.
Lame
disse à BBC que a estrutura garante "o padrão de atendimento necessário,
uma experiência positiva para o paciente e a proteção dos profissionais de
saúde".
Mas,
embora sejam úteis, não há unidades suficientes na República
Democrática do Congo para o número de casos suspeitos de ebola.
Segundo
a Alima, duas estruturas "Cubes" chegaram no fim de semana a Bunia,
capital provincial de Ituri e epicentro do surto, e devem começar a ser usadas
em breve. Outras duas estão a caminho da cidade.
Os
estoques de EPIs também são limitados. No dia 29 de maio, o Conselho
Internacional de Enfermeiros alertou para a escassez e afirmou que os
enfermeiros na República
Democrática do Congo "temem por sua segurança porque não têm
equipamentos necessários para se proteger".
O vírus ebola
se espalha de uma pessoa para outra por meio do contato com fluidos corporais
infectados.
A
demora na confirmação dos casos nos primeiros dias do surto permitiu que o
vírus se espalhasse de Ituri para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul,
além da vizinha Uganda.
"Infelizmente,
o ebola começa de forma muito vaga, com dor de cabeça, febre e sensação de
fraqueza", explica o médico Armand Sprecher.
Sprecher
é especialista em medicina de emergência e epidemiologista especializado em
ebola da organização Médicos Sem Fronteiras.
"As
pessoas sentem o que chamamos de mal-estar, dores musculares e nas
articulações, e depois desenvolvem vômito, dor abdominal e diarreia",
afirmou Sprecher à BBC.
Ele
acrescentou que esses sintomas "são comuns em muitas doenças".
Doenças infecciosas frequentes na região, como malária e
febre tifoide, compartilham sintomas iniciais com o ebola.
Um
sintoma menos comum do
ebola, que pode aparecer mais tarde, é o sangramento,
incluindo pelo nariz, gengivas e vagina, além de sangue no vômito e nas fezes.
Todas
as pessoas que apresentam sintomas do vírus são inicialmente classificadas como
casos suspeitos e encaminhadas para centros de tratamento.
Lame,
da Alima, afirma que as pessoas com suspeita
de ebola passam por coleta de amostras para determinar se estão
infectadas pelo vírus e, caso o primeiro teste dê negativo, uma nova amostra é
coletada 48 horas depois.
Se o
segundo teste também der negativo, o paciente deixa de ser considerado um caso
suspeito e é encaminhado para um hospital ou centro de saúde para cuidados
adicionais ou é liberado para casa, caso não apresente mais sintomas.
Para
aqueles que testam positivo, o coordenador da Alima afirma que os sintomas são
tratados até desaparecerem e que os pacientes "precisam ter dois
resultados laboratoriais negativos antes de receber alta".
Embora pacientes com
Ebola precisem ficar isolados para evitar a transmissão do vírus, Lame
ressaltou a importância do bem-estar psicológico dos doentes, algo que a
"Cube" ajuda a preservar.
Segundo
Lame, o formato da estrutura permite que pessoas visitem familiares internados.
Em surtos anteriores, explicou, "os pacientes eram separados de suas
famílias e comunidades e frequentemente relutavam em buscar tratamento".
Mas,
enquanto equipes médicas trabalham sem parar para tratar os sintomas de pessoas
com Ebola,
os testes e a confirmação dos casos têm avançado lentamente. O ICN também
afirmou haver escassez de kits de testagem.
As
autoridades afirmam que já houve mais de 282 casos confirmados de
Ebola, incluindo 42 mortes, além de mais de 1.000 casos suspeitos, dos
quais mais de 220 terminaram em morte.
Atualmente,
não existem medicamentos aprovados contra a espécie Bundibugyo, responsável por
este surto, por isso os pacientes recebem principalmente cuidados de suporte e
tratamento para os sintomas.
Isso
inclui oxigênio e ventilação para ajudar na respiração, além de fluidos
intravenosos para evitar desidratação e repor eletrólitos perdidos em episódios
de vômito e
diarreia.
Também
não hávacina aprovada,
embora vacinas experimentais estejam em desenvolvimento.
Por
causa da demora na confirmação dos casos, Sprecher, da organização Médicos Sem
Fronteiras, afirma que osprofissionais
de saúde não têm o "mapeamento habitual da transmissão"
observado em surtos anteriores de ebola, a maioria deles causada pela variante
mais comum do vírus, conhecida como Zaire.
"Antes,
conseguíamos saber se a doença estava passando por uma vila, por uma família ou
por pessoas que participaram de um funeral. Então, quando o paciente chegava
até nós, podíamos perguntar: 'Você esteve naquele funeral?' ou 'Você mora nesta
vila?'"
"Não
temos esse tipo de informação para nos orientar", explica Sprecher.
Dezesseis
profissionais de saúde tiveram diagnóstico confirmado de Ebola durante este
surto.
Na
semana passada, cinco pessoas receberam alta após se recuperarem da doença.
Quatro eram enfermeiros e uma trabalhava em laboratório.
"Perdemos
pacientes, e isso é psicologicamente difícil", afirma Lame, da Alima,
acrescentando: "Somos humanos, então naturalmente temos medo de estar sob
risco constante diante de uma doença para a qual não existe tratamento."
O
trabalho também é "fisicamente exaustivo", especialmente por causa do
clima equatorial da região.
Sprecher,
da organização Médicos Sem Fronteiras, afirma que, mesmo quando há equipamentos
de proteção individual disponíveis, usá-los "é um problema, porque, assim
que você veste aquilo, começa a sentir muito, muito calor", o que impede
jornadas longas de trabalho.
"Você
tem cerca de uma hora antes de precisar tirar o equipamento, porque as pessoas
superaquecem e suam muito. Esse suor não evapora para resfriar o corpo, apenas
se acumula dentro das botas, enquanto elas continuam com calor, começam a ficar
tontas e a perder a clareza mental."
"Se
os profissionais de saúde não estiverem mais seguros,então não é mais seguro
para eles trabalharem lá", explica Sprecher.
Tanto
Lame quanto Sprecher afirmam que existem protocolos de segurança para proteger
os profissionais de saúde, incluindo o trabalho em duplas.
"Existe
um sistema de parceiros", explica Sprecher. "Enquanto você realiza
uma tarefa, há um observador externo acompanhando e alertando você. Por
exemplo, se suas mãos forem inconscientemente em direção ao rosto, ele dirá:
'Não toque no rosto, cuidado!'"
Makati
Tagirabo (à esquerda) e Baraka Bulambula (à direita) foram dois dos enfermeiros
que se recuperaram de Ebola neste surto mais recente
Durante
uma visita a Ituri no fim de semana, o diretor-geral da OMS(Organização
Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu às comunidades que
colaborassem com as autoridades de saúde após moradores atacarem centros
médicos em protesto contra as rígidas regras de sepultamento.
Os
corpos de pessoas com suspeita de terem morrido por Ebola não podem ser
manipulados por familiares, para evitar o risco de transmissão do vírus.
Antes
da visita, Ghebreyesus considerou a província como o centro de uma
"colisão catastrófica entre doença e conflito" e afirmou que não
seria possível "construir confiança nas comunidades ou isolar os doentes
enquanto as bombas continuam caindo".
Ituri
está sob regime militar desde 2021, quando a autoridade civil foi substituída
por um general do Exército em uma tentativa de neutralizar dezenas de grupos
armados que atuam na região.
Grandes
áreas das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde casos de Ebola foram
registrados, estão sob controle do grupo rebelde M23.
"Os
profissionais da linha de frente estão arriscando tudo, enquanto os ataques
às unidades
de saúde tornam quase impossível rastrear casos e seus
contatos", escreveu Ghebreyesus, da OMS, na rede
socialX ao pedir que todas as partes envolvidas no conflito
concordem com um cessar-fogopara
permitir acesso seguro às equipes médicas.
Apesar
disso, algumas organizações humanitárias conseguiram entrar em áreas
controladas pelos rebeldes.
A
Alima afirmou à BBC que mantém profissionais de saúde em regiões sob controle
rebelde, incluindo Goma, a maior cidade do leste da República
Democrática do Congo.
Da
mesma forma, a organização Médicos Sem Fronteiras afirmou ter reformado e
reaberto um centro de tratamento de Ebola em Goma, além de apoiar o treinamento
de profissionais de saúde na cidade.