Imuniza SUS

quinta-feira, 28 de maio de 2026

InfoGripe: número de casos de SRAG continua aumentando em todas as faixas etárias

 


Divulgado nesta quinta-feira (28/5), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua aumentando - em nível nacional - em todas as faixas etárias. A alta de SRAG está associada ao crescimento do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A. O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG, principalmente entre crianças e adolescentes, em alguns estados do Nordeste (Alagoas, Paraíba e Sergipe) e do Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro), além de Amazonas e Santa Catarina. Os casos de SRAG por Covid-19 segue em baixa na maior parte do país, mas mostram sinais de início ou manutenção do crescimento no Ceará, Maranhão e Pará. A análise é referente à Semana Epidemiológica 20, período de 17 a 23 de maio. 

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária sinalizam que o aumento do número de casos de SRAG em crianças de até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR. O aumento de SRAG nas crianças e adolescentes de 5 a 14 anos está associado principalmente ao rinovírus e, nos jovens, adultos e idosos, à influenza A. 

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, alerta que, diante deste período de alta circulação de diversos vírus respiratórios, é essencial que as pessoas elegíveis se vacinem contra a influenza e o VSR. Portella alerta que as vacinas contra esses vírus reduzem as chances de desenvolvimento das formas graves da doença e de óbito.

“A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, avisa.

Além disso, a pesquisadora recomenda a adoção de medidas de etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz com o braço ou um lenço ao tossir e espirrar, evitar compartilhar utensílios de uso pessoal, lavar as mãos com frequência, usar máscara e evitar contato próximo com outras pessoas em caso de sintomas de gripe ou resfriado.


Estados e capitais

Boletim mostra que todas as unidades da Federação - com exceção de Rondônia - estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas). E 20 delas também estão com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 20: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. Os vírus que mais têm contribuído para a alta de SRAG na maioria dos estados são o VSR e, em algumas regiões, influenza A e rinovírus. 

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em todos os estados das regiões Sudeste e Sul, em boa parte da região Nordeste (AL, BA, CE, PB, RN e SE) e alguns estados do norte (PA e AP), além do Mato Grosso do Sul, mas já mostra tendência de interrupção de crescimento ou queda em quase todo o Centro-Oeste (DF, GO e MT), além de alguns estados do norte (AC e AM) e Nordeste (PE e MA). Mesmo sem tendência de aumento, os casos de SRAG por VSR continuam altos no MT, GO e DF.

As hospitalizações por influenza A se mantêm em crescimento em toda a região Sul, e em alguns estados do Sudeste (SP e ES) e Norte (RR e TO). Contudo, mesmo com sinal de interrupção do crescimento ou queda, as hospitalizações por influenza A continuam altas em Minas Gerais e Paraíba. 

O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG, especialmente de crianças e adolescentes, em alguns estados do Nordeste (AL, PB e SE), Sudeste (MG e RJ) e no Amazonas e Santa Catarina.  Os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, mas mostram sinais de início ou manutenção do crescimento no Ceará, Maranhão e Pará. 

De acordo com a atualização, 15 das 27 capitais brasileiras apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 20: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Macapá (AP), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e Teresina (PI).

Dados epidemiológicos

Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 22,4% de influenza A, 4,7% de influenza B, 47,6% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 51,2% de influenza A, 7,2% de influenza B, 13,4% de vírus sincicial respiratório, 17,2% de rinovírus e 9,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 70.211 casos de SRAG, sendo 33.245 (47,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 25.790 (36,7%) negativos, e ao menos 6.309 (9%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 25,4% de influenza A, 2,6% de influenza B, 29,7% de vírus sincicial respiratório, 33,9% de rinovírus e 6,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 22,4% de influenza A, 4,7% de influenza B, 47,6% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Por outro lado, a mortalidade é maior entre os idosos e liderada pela influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade afeta mais a população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ministério da Saúde incorpora vacina pneumocócica 20-valente no Programa Nacional de Imunizações

 


Ministério da Saúde publicou nesta terça-feira (26) a Nota Técnica nº 52/2026 com diretrizes para a utilização da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) — pneumo 20, em estratégias especiais do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida amplia a proteção contra doenças pneumocócicas invasivas em grupos com maior vulnerabilidade clínica e estabelece regras de transição para pacientes que já receberam vacinas anteriores, como a VPC10, VPC13 e VPP23.

Segundo o documento, a VPC20 passa a integrar a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) e amplia a cobertura contra um maior número de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por infecções graves como meningite, pneumonia bacteriana e sepse.

O Ministério da Saúde afirma que a incorporação da vacina busca reduzir hospitalizações e óbitos, além de simplificar esquemas vacinais e diminuir a necessidade de múltiplos imunizantes pneumocócicos em determinados grupos.

Guia Técnico

Nota Técnica

Quem poderá receber a VPC20

A vacina será destinada a pessoas com condições clínicas especiais atendidas pela RIE. Entre os grupos contemplados estão pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, indivíduos com imunodeficiências, doenças cardíacas, pulmonares e renais crônicas, diabetes, fibrose cística e prematuros com até 23 meses de idade.

A nota técnica também prevê diferentes esquemas vacinais conforme a faixa etária. Na prática pediátrica, crianças entre 2 e 6 meses deverão receber três doses e um reforço (12-15 meses), enquanto pessoas com cinco anos ou mais poderão receber dose única, exceto em situações específicas como transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) e terapia CAR-T.


Documento define regras de transição vacinal

O texto também estabelece orientações para pessoas que já iniciaram esquemas anteriores com as vacinas VPC10, VPC13 ou VPP23. Crianças com esquemas incompletos poderão concluir a vacinação com a VPC20, respeitando intervalos e critérios definidos pelo Ministério da Saúde.

Para crianças previamente vacinadas com VPC10


Para crianças previamente vacinadas com VPC13


Já pacientes que receberam duas doses da vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) serão considerados adequadamente vacinados e não precisarão receber dose adicional da nova vacina.

Vacinação de rotina ainda será regulamentada

O Ministério da Saúde destacou que as orientações divulgadas se referem exclusivamente às estratégias especiais da RIE. A vacinação de rotina com a pneumo 20 no SUS deverá ser regulamentada posteriormente por meio de informe técnico específico.

Além disso, a pasta orienta que a aplicação da VPC20 seja iniciada somente após o esgotamento dos estoques das vacinas VPC13 e VPP23 atualmente disponíveis na rede pública.

Fonte _ Estrategia med

terça-feira, 26 de maio de 2026

Acre já vacinou cerca de 4,8 mil gestantes contra vírus que causa bronquiolite em bebês

 


No Mês das Mães, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas no SUS contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês. A vacina, ofertada de forma inédita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege os recém-nascidos desde os primeiros dias de vida, fase em que o risco de complicações respiratórias é maior. No Acre, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, já foram aplicadas 4.735 doses da vacina em gestantes, o que representa 80% de cobertura vacinal no estado.

“O Brasil voltou a ser referência em vacinação. Alcançamos a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos e derrotamos o negacionismo daqueles que atacaram as vacinas e enfraqueceram o Programa Nacional de Imunizações. Em três anos e meio, reconstruímos o PNI, incorporamos novas vacinas e ampliamos, ano após ano, a proteção da população. Seguiremos fortalecendo o SUS para garantir mais acesso à imunização e mais saúde para todos os brasileiros”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O avanço da vacinação já reflete nos indicadores de saúde infantil. De janeiro a abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em comparação com o mesmo período de 2023, passando de 6,8 mil para 3,2 mil casos. Os óbitos também registraram queda de 63% — de 72 para 27 mortes.

A vacina foi incluída na rede pública em 2025, após análise técnica e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A medida representa um avanço significativo para a saúde pública, especialmente considerando que, na rede privada, a mesma vacina pode custar até R$ 1,5 mil.

Ao todo, 1,8 milhão de doses foram distribuídas para a proteção de gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A estratégia está ativa em todo o país, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e busca garantir proteção antes do período de maior circulação do vírus, que costuma atingir o pico entre os meses de abril e maio.

A vacina estimula a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos ao bebê ainda durante a gestação. Essa proteção é fundamental nos primeiros meses de vida, fase de maior vulnerabilidade às complicações respiratórias. Estudos clínicos demonstram eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês nos primeiros 90 dias após o nascimento.

Estratégia ampliada: vacina e anticorpo monoclonal

Além da vacinação de gestantes, o Ministério da Saúde também oferta o nirsevimabe, um imunobiológico que garante proteção imediata contra o VSR. O medicamento é indicado para recém-nascidos prematuros (até 36 semanas e 6 dias de gestação) e crianças de até 23 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, que passa a atuar logo após a aplicação, sem a necessidade de o organismo produzir anticorpos ao longo do tempo. A estratégia complementa as medidas adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês.

Administrado em dose única, o medicamento oferece proteção por até seis meses e foi disponibilizado prioritariamente em maternidades e na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (CRIE).

Conheça a campanha de Doação de Leite Humano: Um gesto de solidariedade pode salvar vidas

Fonte _ Saúde.gov

NR-1: amplia fiscalização sobre saúde mental no trabalho entra em vigor nesta terça-feira (26)

 


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) entra em vigor nesta terça-feira (26), e amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. Anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, a medida reforça a possibilidade de fiscalização e aplicação de multas.

A nova regra estava prevista para valer em maio de 2025. Após pressão de empresas e sindicatos patronais, o governo decidiu adiar a entrada em vigor por um ano. Agora, diante de novos pedidos de prorrogação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não pretende realizar mais um adiamento.

“Já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”, disse. Segundo o ministro, uma nova mudança só ocorreria com acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que não existe hoje.

O Ministério do Trabalho já divulgou um Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, um Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho e um documento de perguntas e respostas para orientar empresas e trabalhadores sobre a atualização da norma.

Especialistas consideram a medida urgente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e insegurança no emprego.

No ano passado, o g1 revelou com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, registrado em 2024.

Em 2025, o cenário não só se repetiu como se agravou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse motivo, estabelecendo um novo recorde.

O que muda na prática com a atualização da NR‑1?

A principal mudança com a atualização da NR‑1 é que os chamados riscos psicossociais — ligados à forma como o trabalho é organizado — passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.

Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão entram oficialmente no radar da fiscalização.

Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

“A grande inovação foi deixar explícito que o risco psicossocial faz parte do gerenciamento de riscos. Isso já estava incluído, mas não estava claro para as empresas e para a sociedade”, explica Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira, auditor‑fiscal do trabalho e diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

Segundo ele, a fiscalização passa a olhar menos para equipamentos e mais para a forma como o trabalho é organizado. “Quando a gente fala em risco psicossocial, estamos falando de processo de trabalho: carga, metas, jornada, cadeia de comando, sistemas que não funcionam, falta de autonomia.”

Ou seja: a principal mudança é tornar explícito algo que já estava previsto nas normas trabalhistas. Com isso, o Ministério do Trabalho passa a exigir que as empresas olhem não apenas para máquinas, equipamentos ou riscos físicos, mas também para a dinâmica de trabalho dentro das organizações.

 

Como vai funcionar a fiscalização?

Os auditores-fiscais do trabalho têm o direito e o dever de entrar em empresas sem necessidade de autorização judicial para realizar inspeções. Com a atualização da NR-1, a fiscalização passará a olhar para a forma como o trabalho é organizado e executado dentro das empresas.

Na prática, os auditores vão verificar se as empresas identificaram os riscos psicossociais, se eles estão registrados corretamente e se existem medidas concretas para reduzir problemas como pressão excessiva, jornadas abusivas, assédio e sobrecarga de trabalho.

Segundo a auditora-fiscal Odete Reis, a fiscalização será baseada principalmente na análise do trabalho real.

“A gente verifica se o fator de risco está presente e se ele está sendo gerenciado. Isso é feito por observação do ambiente, entrevistas com trabalhadores e análise de documentos”, afirmou.

Durante as inspeções, os auditores poderão analisar jornadas, cobrança por metas, relação entre chefias e funcionários, canais de denúncia, processos internos e documentos como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventários de risco e planos de ação.

Odete ressalta que não é necessário haver um trabalhador já afastado para que a empresa seja cobrada. “Pode ser que ainda não exista afastamento, mas o risco esteja presente. O objetivo da fiscalização é chegar antes do adoecimento, para fazer a prevenção”, afirmou.

A atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ocorrer a partir de denúncias anônimas feitas por trabalhadores, dados da Previdência Social sobre afastamentos por saúde mental e ações de inteligência fiscal, que identificam setores com maior incidência de adoecimento.

Segundo Alexandre Scarpelli, a fiscalização não dependerá apenas de denúncias. “A inspeção do trabalho não atua só por denúncia. A gente cruza denúncias com dados da Previdência e com o conhecimento dos setores onde o risco psicossocial é mais elevado.”

- Isso significa que empresas poderão ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal, principalmente se apresentarem muitos afastamentos por transtornos mentais ou atuarem em setores historicamente mais expostos ao adoecimento.

Empresas poderão ser multadas?

Sim. A multa não será automática com a entrada em vigor da norma, mas poderá ocorrer caso a fiscalização identifique falhas no gerenciamento dos riscos psicossociais.

O Ministério do Trabalho afirma que, “durante os 90 dias subsequentes à entrada em vigor, a atuação da Inspeção do Trabalho tende a priorizar ações de orientação, instrução e notificação das organizações quanto à necessidade de adequação, especialmente em relação às novas exigências introduzidas, sem prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis”.

Segundo Odete Reis, o auditor pode multar caso a empresa:

  • não identifique os riscos;
  • identifique os problemas, mas não adote medidas;
  • implemente ações insuficientes;
  • ou deixe de monitorar os riscos ao longo do tempo.

“Se for constatado que a empresa não está fazendo o gerenciamento dos riscos, a gente lavra o auto de infração. A partir daí, o processo segue para o setor de multas e recursos do Ministério do Trabalho”, explicou.

As multas seguem as regras gerais das Normas Regulamentadoras e podem variar conforme o porte da empresa, o número de empregados e a gravidade da infração. Hoje, os valores vão de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações relacionadas à saúde do trabalhador e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança do trabalho.

Segundo Scarpelli, não existe uma “multa única” da NR-1. “A multa vai depender do ponto em que o processo falhou: se foi na identificação do risco, na adoção de medidas ou no monitoramento”, afirmou.

Após a autuação, a empresa ainda pode apresentar defesa em processo administrativo. Apesar da possibilidade de multa, especialistas afirmam que o foco inicial é orientar e induzir mudanças na cultura organizacional.

“Não existe expectativa de que todos os problemas sejam resolvidos de imediato. O que se espera é que as empresas comecem a enfrentar o problema, identifiquem os riscos e estabeleçam um plano de ação”, disse Scarpelli.

A juíza do trabalho Mirella Cahú afirma que a atualização da norma também tem caráter preventivo. “A NR-1 funciona como um alerta: esse tema precisa ser tratado com a mesma seriedade que riscos físicos e biológicos.”

O que as empresas terão que fazer?

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação explícita de incluir riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.

Na prática, isso significa deixar de olhar apenas para acidentes físicos ou exposição a agentes químicos e passar a analisar de forma sistemática como a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.

Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a norma muda o foco da análise. “O risco psicossocial não é do trabalhador, é da atividade e da organização do trabalho.”

Ou seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre características individuais e passa a incluir decisões de gestão, metas, jornadas, relações hierárquicas e condições em que o trabalho é executado.

As empresas terão que identificar situações potencialmente adoecedoras e esses riscos precisarão ser registrados formalmente no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com descrição clara de como afetam a rotina de trabalho e quais áreas ou funções estão mais expostas.

“Não basta perceber o risco. Ele precisa estar documentado, com inventário e plano de ação”, afirma a auditora-fiscal Odete Reis.

Além do registro, as empresas terão que demonstrar que adotaram medidas concretas para enfrentar as causas do problema — e não apenas ações pontuais ou simbólicas.

Isso pode incluir revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas, redistribuição de tarefas, mudanças na forma de cobrança, treinamento de lideranças, criação de políticas contra assédio e fortalecimento de canais de denúncia.

“Gerenciar risco é mudar a organização do trabalho”, resume Odete. Segundo os especialistas, as soluções devem levar em conta o porte da empresa, o tipo de atividade e os riscos específicos de cada ambiente de trabalho.

Ou seja: não existem soluções padronizadas.“Cada atividade tem riscos diferentes e precisa de estratégias próprias, construídas de forma responsável”, afirma Mirella Cahú.

Outro ponto central é que as empresas precisarão acompanhar se as medidas estão funcionando, reavaliar periodicamente os riscos e atualizar o PGR sempre que houver mudanças relevantes na dinâmica de trabalho.

“É um processo contínuo. Identifica, age, reavalia e melhora”, explicou Scarpelli. Durante uma eventual fiscalização, as empresas precisarão comprovar, por meio de documentos e práticas internas, que identificaram os riscos psicossociais e adotaram medidas para enfrentá-los.

“Se o gerenciamento não estiver sendo feito, a empresa pode ser autuada”, alertou Odete Reis. A atualização da NR-1 não obriga empresas a contratar psicólogos, oferecer terapia ou criar programas isolados de bem-estar.

Segundo os especialistas, essas iniciativas podem complementar as ações internas, mas não substituem a obrigação central da norma.

“Oferecer benefícios não resolve se o trabalho continuar adoecendo as pessoas”, afirma Mirella Cahú. “A exigência é mudar práticas de trabalho que geram sofrimento.”

O que muda para os trabalhadores?

A atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.

Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de trabalho”, afirmou.

Isso significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade individual” passam a ser analisadas também como consequência da dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.

Especialistas avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.

Outra mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais.

Fonte _ G1

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Foco na Saúde

 


1ª Semana do Técnico de Enfermagem do CETEAC reúne mais de 700 pessoas e reforça valorização dos profissionais da linha de frente da saúde O CETEAC. Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação.

Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes. A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes.

A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores.

Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.

O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem.

O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente. Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala.

O CETEAC Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação. Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes.

A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes. A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores. Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.


O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem. O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente.

Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala

Fonte _ AC24hs

Instituto Butantan firma parceria com Instituto de Saúde para oferecer cursos de capacitação a profissionais do SUS

 


O Instituto Butantan e o Instituto de Saúde (IS) assinaram acordo para ampliar o acesso aos cursos de Ensino à Distância (EaD) produzidos pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Estabelecida em setembro de 2025, a parceria permite que enfermeiros, médicos, técnicos e agentes de saúde ingressem em ao menos 12 cursos da ESIB por meio do site do IS. O objetivo é integrar os cursos, que envolvem temas como imunização e biologia animal, ao plano de desenvolvimento desses profissionais, fortalecendo o atendimento em áreas como vacinação e acidentes com animais peçonhentos.

O interesse pela plataforma da ESIB por parte do Instituto de Saúde surgiu da necessidade de sanar lacunas identificadas na formação de profissionais da saúde. Com cursos gravados, que podem ser acessados a qualquer momento, o modelo incentiva gestores a indicá-los às suas equipes - conforme a necessidade e área de atuação - e acompanhar a evolução dos profissionais até a certificação.

Embora o foco seja o estado de São Paulo, a divulgação dos cursos em canais especializados ajuda a expandir o alcance da plataforma para outras localidades. Atualmente, os cursos EaD da ESIB já atingem todos os estados brasileiros, com maior concentração no Sudeste, seguido das regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Além do Brasil, os cursos da ESIB já foram realizados por alunos residentes em cerca de 30 países como Argentina, Angola, Japão e Estados Unidos. 

Para o diretor da ESIB e vice-diretor do Instituto Butantan, Rui Curi, a democratização do saber científico é central. “É preciso criar mecanismos para que as pessoas compreendam o que está sendo ensinado. Por mais complexo que possa parecer, há formas alternativas de fazer o conhecimento chegar e ser assimilado”, afirma.

Um exemplo prático é o curso Dengue: do mosquito ao diagnóstico, o primeiro a ser integrado à parceria e que segue aberto ao público geral. Ele une especialistas acerca do vírus da dengue, do mosquito Aedes aegypti e um médico que aborda o contexto clínico da doença, explica a analista de cursos e programas da ESIB, Leticia Sueiro. “São recursos multidisciplinares completos que, muitas vezes, permanecem desconhecidos pelos profissionais”, afirma. Além de a proximidade com instituições parceiras contribuir para que mais profissionais conheçam a ESIB, a colaboração ajuda na identificação de novas demandas de cursos e permite o ajuste de carga horária e de nível técnico das disciplinas com mais precisão.

A ESIB oferece também a capacitação Veneno ou Peçonha? e a formação Anfíbios: anuros e cobras-cegas, integrantes de uma série de cursos sobre escorpiões, aranhas, serpentes e peixes peçonhentos - que está sendo lançada gradualmente na plataforma - para auxiliar profissionais na identificação de animais e sintomas em caso de acidentes.

“Queremos que tanto o paciente quanto o enfermeiro que aplica a dose ou o médico que faz o diagnóstico possam efetivamente aprender com nossos cursos”, diz Rui Curi ao ressaltar o compromisso do Instituto Butantan e da ESIB com a elaboração e a disseminação do conhecimento científico em saúde. 

Para Rui Curi, a missão de divulgar a ciência realizada dentro do Butantan para a população faz parte da vocação educadora do Instituto. “Não entregamos apenas vacinas, damos o subsídio científico para que o usuário tire dúvidas e se sinta seguro, ajudando a esclarecer sua comunidade e família”, conclui.

Feito por quem produz conhecimento

A credibilidade da plataforma da ESIB é respaldada pelo seu corpo docente, formado pelos próprios pesquisadores do Instituto Butantan que atuam no desenvolvimento de imunizantes e nos laboratórios de pesquisa, descrevendo e estudando espécies peçonhentas e seus venenos para a produção de imunobiológicos. “Quem ministra o conteúdo é quem efetivamente produz o conhecimento”, destaca o diretor. Desde 2018, a instituição oferece especializações presenciais, semipresenciais e cursos online ao vivo e EaD nas áreas de conhecimento do Instituto Butantan.

Ao todo, os cursos EaD já somavam 64.836 inscritos em abril deste ano, com destaque para Vacinas e Imunidade, que lidera a procura com 24.421 inscrições. Em 2025, o alcance total da plataforma - considerando todas as modalidades - chegou a 130 mil usuários. 

Os cursos de curta duração da ESIB também estão abertos ao público geral interessado nos temas da instituição.

Serviço

Acesse o site da ESIB para conhecer os cursos 

Fonte _ Butantan

sexta-feira, 22 de maio de 2026

MS lança curso básico sobre vigilância da qualidade da água para consumo humano

 


Ministério da Saúde (MS) lançou, na segunda-feira (18), o Curso Básico de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). A formação é ofertada na modalidade de Ensino à Distância (EaD), em formato autoinstrucional, e tem como objetivo fortalecer a capacitação contínua e permanente dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Vigilância em Saúde Ambiental das secretarias estaduais e municipais de saúde.

A atividade contribui para o aprimoramento das ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano em todo o país. O curso é uma realização da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) em parceria com a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).

O curso possui carga horária de 50 horas e aborda conteúdos fundamentais para qualificação técnica das equipes responsáveis pela vigilância da água para consumo humano. O tema é estratégico para a promoção da saúde pública e prevenção de doenças de veiculação hídrica. O trabalho de aprimoramento e divulgação do conhecimento é conduzido pela equipe da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador.

Nesta primeira edição, em caráter piloto, 260 participantes de todas as Unidades da Federação foram inscritos. A turma terá duração de 10 semanas e contará com representantes indicados pelas secretarias de saúde estaduais e municipais. Trata-se da reformulação de um curso ofertado anteriormente disponibilizados, no formato de tutoria.

Após a conclusão da turma piloto, a formação será disponibilizada ao público em geral, na plataforma da UNA-SUS, em formato de livre demanda, conforme cronograma divulgado posteriormente. A proposta amplia o acesso e fortalece a estratégia de educação permanente no âmbito do SUS.

Confira os cursos disponíveis na UNA-SUS

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Por que o governo do Brasil é obcecado por vacinas

 


Nos últimos meses, mais de 1 milhão de médicos e enfermeiros no Brasil foram vacinados contra a dengue. A doença transmitida por mosquitos é um problema perene, e a vacinação contra a dengue normalmente depende de doses estrangeiras caras. Mas este ano, pela primeira vez, a vacina é nacional. Aprovada em novembro, a Butantan-DV é a primeira imunização de dose única do mundo contra a dengue (uma dose é mais fácil do que duas, especialmente quando se vacina populações pobres e rurais).

É também a primeira vacina totalmente desenvolvida no Brasil. O Instituto Butantan, uma instituição de pesquisa pertencente ao estado de São Paulo, cuidou da formulação, dos testes e da fabricação. Em 4 de maio, a produção de uma vacina contra a chikungunya, outra doença transmitida por mosquitos, também foi aprovada pelo instituto. Ele está trabalhando em uma vacina para a zika, diz Esper Kallás, diretor do Butantan.

Esse é o tipo de "soberania médica" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja. Lula, como é popularmente conhecido, voltou ao poder em 2023 após a pandemia de Covid. A onda da doença expôs a fragilidade do setor farmacêutico brasileiro. A participação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) produzidos domesticamente era de apenas 5% no início da pandemia —menor do que em Bangladesh—, segundo dados da Abiquifi, associação comercial brasileira.

Cadeias de suprimentos globais apertadas deixaram o Brasil sem seringas e anestésicos, quanto mais vacinas. Uma vacina brasileira, a ButanVac, foi abandonada devido ao desempenho insatisfatório. Mais de 700 mil pessoas morreram de Covid no Brasil.

Essa fragilidade criou pressão política por melhorias. Lula assumiu a bandeira. Mas antes, o setor farmacêutico definhava durante seus dois primeiros mandatos como presidente, de 2003 a 2010. Depois que governos de direita liberalizaram e reduziram tarifas sobre o setor nos anos 1990, ele desistiu efetivamente de pesquisa e desenvolvimento em favor de produzir medicamentos genéricos e fazer o trabalho de "envase e acabamento" final para marcas estrangeiras. Seus esforços para criar "campeãs nacionais" enfrentaram dificuldades.

A maioria das empresas estava satisfeita vendendo genéricos. Um programa de empréstimos para empresas de saúde criado pelo BNDES, o banco de desenvolvimento estatal do país, teve baixa adesão. Um programa de transferência de tecnologia de 2009 avançou pouco. China e Coreia do Sul dispararam na frente em pesquisa e desenvolvimento; a Índia aumentou sua produção de genéricos. O Brasil ficou estagnado no meio, diz Jorge Guimarães, ex-presidente da Embrapii, a agência de inovação industrial.



O sucesso recente do Butantan é resultado de uma abordagem nova e mais vigorosa. Mais dinheiro é um elemento. Desde 2023, o orçamento do Ministério da Saúde aumentou 30%. Em 2024, o BNDES mais que dobrou o valor que empresta para empresas de saúde (veja o gráfico). Faz parte de um programa industrial mais amplo para o "complexo econômico-industrial da saúde" com um orçamento de cerca de US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).

O governo faz empréstimos e doações para empresas brasileiras, além de adquirir participações acionárias. O objetivo é aumentar a participação de medicamentos e equipamentos médicos produzidos localmente de 45% em 2024 para 70% em 2033. Uma fábrica sendo construída perto do Rio de Janeiro vai quadruplicar a capacidade do Brasil de finalizar vacinas parcialmente processadas.

Novas leis também ajudaram. O governo mudou as regras para pesquisa clínica em 2025 para acelerar a aprovação de ensaios. Isso deve ajudar investigações iniciais sobre novos medicamentos, onde a relativa inexperiência da Anvisa, a agência reguladora, estava sufocando a inovação, diz Reginaldo Arcuri, da FarmaBrasil, uma associação comercial. O Senado também deve votar uma estratégia nacional de saúde que daria preferência adicional a fabricantes nacionais em compras públicas.

A fuga de cérebros era outro problema. Quase 7.000 pesquisadores deixaram o Brasil entre 2015 e 2022, segundo um instituto de pesquisa. O governo Lula respondeu com programas para atrair e reter cientistas, bem como para fomentar parcerias com brasileiros trabalhando no exterior. Um deles, "Conhecimento Brasil", tinha um orçamento de mais de US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) para gastar em pesquisa em 2025 e conseguiu atrair 600 cientistas de volta para casa.

Outros US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) foram destinados a pesquisas no exterior. Este ano, o projeto vai financiar mil doutorados e investir mais US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) em, entre outras coisas, atrair estrangeiros. Os Estados Unidos são um alvo suculento, diz Alexandre Padilha, o ministro da Saúde, já que a agenda anticientífica de Donald Trump está afastando pesquisadores.

Lula também está de olho em benefícios mais amplos. A economia do Brasil funciona com exportações de commodities. Ele espera que dominar a biotecnologia traga retornos extraordinários e habilidades transferíveis para a manufatura como um todo. O governo também espera que impulsionar a indústria farmacêutica doméstica possa reduzir o alto custo de importar medicamentos para o sistema público de saúde, o maior sistema de saúde pública universal e gratuito do mundo.

O Ministério da Saúde diz que o governo economizou US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) entre 2011 e 2017 graças aos preços mais baixos cobrados por empresas usando IFAs nacionais. Não está claro se o governo inclui os custos dos pesados subsídios por trás desses números.

Há obstáculos para um boom farmacêutico brasileiro. A cultura é o mais complicado. Poucas empresas farmacêuticas se importam com os objetivos de Lula. Seu negócio de genéricos rende lucro consistente com pouco risco. O fato de o Estado estar financiando tudo abre espaço para acusações de concorrência desleal. O governo Trump tem uma investigação pendente sobre as políticas industriais do Brasil, incluindo no setor farmacêutico.

Suas coisas, meus preços

A atitude relaxada de Lula em relação à propriedade intelectual também pode ser um problema. Ele supostamente considerou escalar a briga com Trump encerrando as patentes brasileiras de corporações americanas. Nenhuma empresa farmacêutica quer investir em um país que pode confiscar sua propriedade. Lula também precisa lidar com algumas escolhas difíceis.

Preços altos de medicamentos são impopulares, mas usar tetos de preços para manter os remédios baratos pode desencorajar P&D (pesquisa e desenvolvimento) privado. A autarquia pode colocar mais de uma indústria sob controle estatal, mas também pode desestimular a inovação.

O desenvolvimento de novos medicamentos está acontecendo no Butantan. Mas o instituto se beneficia de um alinhamento incomum de pesquisa, regulação e fabricação em torno das necessidades —e do dinheiro— do Estado. O Brasil não pode esperar replicar isso em toda a indústria. A Merck, uma gigante farmacêutica multinacional, gasta cerca de US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões) por ano em pesquisa e desenvolvimento, aproximadamente dez vezes todo o gasto farmacêutico estatal do Brasil, mesmo após a expansão de Lula.

Na melhor das hipóteses, o Estado pode desenvolver alguns produtos, como vacinas, onde a economia de saúde pública faz sentido. Um boom mais amplo exige que Lula abandone sua desconfiança da iniciativa privada. Enquanto se prepara para concorrer à presidência pela sétima vez em outubro, isso parece improvável.

Fonte _ Folha/SP

SUS vai incorporar exame mais eficaz para detectar câncer colorretal

 


Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) que o SUS (Sistema Único de Saúde) adotará um novo exame para o diagnóstico de câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal.

A incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em um evento em Lyon, na França, que marcou o início de uma parceria entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde). A previsão é que o FIT esteja disponível a partir do segundo semestre.

Segundo a pasta, o novo exame poderá ser feito por homensmulheres assintomáticos que tenham entre 50 e 75 anos, faixa etária em que se inicia o rastreamento para o câncer de intestino. Com eficácia de 85% a 92%, o FIT é considerado mais eficaz do que o método utilizado atualmente, de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

À Folha o ministro Alexandre Padilha afirmou que o exame facilita o rastramento porque pode ser feito na atenção primária, excluindo a necessidade de visita a um hospital. "O protocolo de coleta no ambiente extra hospitalar é fundamental para a identificação dos casos assintomáticos", disse.

O câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil. Entre homens, fica atrás apenas do câncer de próstata; entre mulheres, é superado pelo câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que 53,8 mil novos casos de câncer colorretal apareçam por ano no país no triênio 2026-2028.

Olival de Oliveira, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), afirma que a incorporação do FIT no sistema público eleva a qualidade do diagnóstico do câncer do intestino no país. Segundo ele, o exame reduz o índice de falsos positivos e evita gastos desnecessários com colonoscopia no SUS.

"O modelo utilizado atualmente foca em sangue oculto nas fezes, evidenciado por manchas vermelhas. Porém, para funcionar, o paciente precisa fazer dieta com restrição de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes. Por essa particularidade, é comum o falso positivo", explica Oliveira.

O FIT, por sua vez, não exige restrição alimentar. Segundo o especialista, a oferta do exame era uma reivindicação antiga das entidades que representam as especialidades de proctologia e endoscopia.

Para pessoas com menos de 50 anos, o protocolo continua sendo a colonoscopia, feita quando há histórico de câncer entre familiares do paciente ou sintomas da doença. Sem esses dois condicionantes, não é comum o rastreamento em pessoas com menos de 50 anos, idade em que a incidência aumenta.

O FIT detecta marcas de sangue nas fezes invisíveis a olho nu. O método é considerado uma das principais estratégias de rastreamento por ser simples, não invasivo e de baixo custo.

O exame é feito a partir da coleta de uma pequena amostra de fezes em casa, usando um kit fornecido pelo serviço de saúde ou laboratório. O material é então enviado para análise laboratorial, onde busca-se traços de hemoglobina humana, proteína presente no sangue.

O FIT é uma das etapas do rastreio, não a única. Em casos positivos, os pacientes examinados são enviados para colonoscopia, que vai identificar a existência ou não de lesões e alterações como pólipos, inflamações e tumores.

O preparo para a realização de colonoscopia inclui dieta leve e uso de laxantes para limpar completamente o cólon, essencial para que o médico visualize adequadamente a parede intestinal.

O procedimento é realizado com sedação. O médico introduz pelo ânus do paciente um aparelho fino e flexível equipado com câmera, chamado colonoscópio, que percorre o reto e o intestino grosso transmitindo imagens em tempo real para um monitor.

Além de identificar lesões suspeitas, a colonoscopia permite retirar tumores que podem evoluir para câncer e coletar fragmentos de tecido para biópsia. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.

Fonte _ Folha/SP