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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Determinantes sociais ampliam desigualdades e exigem ação além da saúde, diz diretor da OMS

 


Os fatores que mais influenciam a saúde das populações estão, em grande parte, fora dos hospitais. Condições de moradia, renda, educação, acesso à tecnologia, mudanças climáticas e decisões econômicas moldam quem vive mais e melhor.

É o que afirma o médico Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para ele, compreender essa teia é essencial para enfrentar desigualdades persistentes, ainda que a complexidade do tema dificulte sua tradução em políticas concretas.


"São todos esses aspectos da sociedade que impactam a saúde. E há muitos: habitação, digitalização, guerras, mudança climática. Não é porque é complexo que devemos ignorar", afirmou Krug, em entrevista à Folha. Ele esteve no Rio de Janeiro na semana passada participando da Cúpula da Parceria para Cidades Saudáveis.

A iniciativa é apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Vital Strategies, e trabalha de forma colaborativa em políticas públicas voltadas à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e lesões passíveis de prevenção.

Segundo ele, houve uma evolução na forma de pensar a saúde pública —do foco em doenças infecciosas e hospitais para a incorporação das doenças crônicas e, mais recentemente, dos fatores sociais que determinam o adoecimento.

Os dados mais recentes da OMS ajudam a dimensionar o problema. Há uma diferença de 33 anos na expectativa de vida entre países com melhores e piores indicadores, enquanto 94% das mortes maternas ocorrem em países de baixa e média renda.

Embora tenha havido avanços, como a queda de 40% na mortalidade materna entre 2000 e 2023, a desigualdade de renda dentro dos países aumentou, agravando os desfechos em saúde. A pandemia da Covid também reverteu parte desses ganhos, atingindo de forma desproporcional as populações mais pobres.

Krug ressalta que esses determinantes têm peso maior do que fatores individuais. "Eles são mais importantes do que a genética e até do que o acesso aos serviços de saúde", afirma. "Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública."

Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública

Etienne Krug

médico e diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS

As disparidades aparecem de forma contundente em diferentes contextos. Entre populações indígenas, a diferença de expectativa de vida ultrapassa uma década em países como Canadá e Austrália e chega a mais de 20 anos em grupos específicos na África.

Na Europa, homens com menor escolaridade vivem mais de dez anos a menos do que aqueles com maior nível educacional em países como Hungria e Polônia. Nos Estados Unidos, a mortalidade materna entre mulheres negras é quase três vezes maior do que entre mulheres brancas.

No Brasil, há disparidades semelhantes. As diferenças de expectativa de vida em São Paulo, por exemplo, chegam a 24 anos. Enquanto moradores do Alto de Pinheiros (zona oeste) vivem em média cerca de 82 a 85 anos, os que moram em áreas como Anhanguera (zona oeste) e Cidade Tiradentes (zona leste) têm uma idade média ao morrer próxima aos 58-62 anos.

O local onde se vive também pesa. Mais da metade da população mundial está em áreas urbanas, e cerca de um quarto vive em assentamentos precários, com maior exposição a doenças. A poluição do ar, outro determinante relevante, está associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano. "Não somos todos afetados da mesma forma", diz Krug. "As populações mais vulneráveis acumulam riscos."

Para avançar, a OMS aposta em uma agenda mais pragmática. Um dos pilares é a criação de métricas comparáveis entre países. "Se não entendermos o tamanho do problema e continuarmos a coletar dados de forma não padronizada, não conseguimos comparar nem monitorar progresso", afirma. A organização lançou um sistema internacional de monitoramento, já adotado por alguns países.

Outra frente é a identificação de políticas custo-efetivas, com destaque para a proteção social. Hoje, mais de 3,8 bilhões de pessoas no mundo não têm qualquer cobertura nessa área. "Sabemos que oferecer algum nível de proteção às populações mais pobres funciona", diz.

Ele reconhece, porém, que o tema enfrenta resistência fiscal. "É difícil, mas a inação também tem um custo. Sem investir, teremos mais doenças e mais gastos no futuro."

A pressão econômica global agrava o cenário. O valor pago em juros da dívida pelos 75 países mais pobres quadruplicou na última década, reduzindo o espaço para investimentos em saúde, educação e proteção social. "Muitos países estão presos em um ciclo que alimenta a má saúde", afirma.

A transformação digital e as mudanças climáticas ampliam ainda mais as desigualdades. "Durante a Covid, vimos que quem não tinha acesso à internet sequer conseguia informações básicas", diz.

Já o aquecimento global afeta mais intensamente populações vulneráveis, expostas a enchentes, calor extremo e moradias precárias. Em paralelo, o número de pessoas deslocadas à força triplicou nos últimos 15 anos, em meio ao aumento de conflitos.

O relatório também destaca o peso de interesses comerciais. Indústrias como as de alimentos ultraprocessados, combustíveis fósseis, álcool e tabaco respondem por cerca de um terço das mortes evitáveis no mundo —cerca de 19 milhões por ano— e influenciam políticas públicas e o debate científico.

Para Krug, enfrentar os determinantes sociais exige ação coordenada muito além do setor saúde. "Não são apenas os ministros da Saúde. São os de Finanças, Educação, Desenvolvimento Social. E coordenar isso não é fácil", afirma. Ainda assim, ele vê avanços. "Se deixarmos de lado essa parte mais complexa, perdemos a maior oportunidade de melhorar a saúde pública."

A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da PHC (Partnership for Healthy Cities)

Fonte _ Folha/SP

quarta-feira, 1 de abril de 2026

InfoGripe: número de casos de influenza continua aumentando no país

 


Divulgada nesta quarta-feira (1º/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de influenza A continua aumentando no cenário nacional. A análise verificou que a maioria das unidades federativas (UF) no Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estão com nível de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento. A maioria dessas ocorrências de SRAG, que pode causar morte nos casos mais graves, tem sido motivada por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.

Este cenário, de acordo com os pesquisadores, torna ainda mais importante a vacinação contra a influenza. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a ação segue até 30 de maio, com imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os registros apontam que, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,4% de influenza A, 1,5% de influenza B, 17,7% de vírus sincicial respiratório, 45,3% de rinovírus e 7,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Em relação aos óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março.

Diante desse cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por influenza A e o VSR é a vacinação. “Por isso, é fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza. Também é importante que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o VSR, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento”, afirma.

Portella reforçou ainda que a recomendação é que as pessoas que vivem em estados com alta de SRAG - especialmente as que fazem parte dos grupos de risco utilizem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração.” Além disso, é importante também manter a higiene, como lavar sempre as mãos. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”.


Estados e capitais

Observa-se que a maioria das UF do Norte (Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis emanas) até a Semana 12. Acre, Amapá, Goiás, e Ceará continuam com nível de incidência de SRAG em alerta ou risco (últimas duas semanas), porém apresentando sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 12.

Os casos de SRAG associados à influenza A mostram sinais de queda no Pará, Ceará e Pernambuco, mas continuam em crescimento na maior parte do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e em parte do Norte (Amapá e Rondônia) e do Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Além desses estados, o Paraná começou a apresentar sinais de aumento do número de casos.

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentando em muitas UF do Norte (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) e começam a dar sinais de início de aumento no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). As ocorrências de SRAG por metapneumovírus também tem aumentado ainda nas crianças no Distrito Federal e Minas Gerais.

Os registros de SRAG associados ao rinovírus continuam aumentando em muitos estados do Norte (Amapá, Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Mas mostram sinais de interrupção do crescimento em todos os estados do Centro-Oeste e Sul, em alguns estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Pernambuco e Sergipe) e em São Paulo.

Quatorze das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 12: Boa Vista, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Teresina, Natal, João Pessoa Recife, Aracaju, Maceió, Salvador, Belo Horizonte, Vitória  e Rio de Janeiro.

Dados epidemiológicos

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária indicam que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes continua sendo impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. No entanto, os casos de SRAG associados a ambos os vírus já apresentam sinais de desaceleração do crescimento ou início de queda em alguns estados. O VSR também tem contribuído para o aumento de SRAG em crianças pequenas.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela Covid-19 e influenza A.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

É falso que alumínio presente nas vacinas aumenta casos de autismo

 


Uma desinformação antiga volta a circular nas redes sociais: a de que o alumínio em vacinas infantis aumentaria casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Em vídeo no Instagram, o médico Felipe Belanda Trofino, que frequentemente questiona a eficácia e a segurança da vacinação infantil, volta a sugerir esse vínculo — tese já desmentida repetidas vezes.

Ele também resgata a ideia falsa de que uma suposta “encefalite por alumínio” explicaria sintomas de autismo. Outra mentira, já que vacinas não causam encefalite. Vamos aos fatos. A seguir, confira o que é fato e o que é fake.

Como o alumínio aparece nas vacinas

O alumínio é utilizado como adjuvante, isto é, uma substância que potencializa a resposta imune e ajuda a vacina a funcionar melhor. Sua utilização está consolidada há décadas e não está associada ao aumento de risco de desenvolvimento de doenças atópicas ou neurodesenvolvimentais em crianças.

As quantidades presentes nos imunizantes são muito baixas e não fazem mal à saúde. A segurança dos adjuvantes de alumínio é amplamente documentada, e defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o adjuvante é entendido como parte importante da eficácia de diversas vacinas.

O que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Segundo a OMS, ocorre em cerca de uma a cada 100 crianças. O espectro inclui diferentes graus e manifestações, com sinais que podem surgir ainda nos primeiros meses de vida; o diagnóstico costuma acontecer por volta dos 2 a 3 anos.

O transtorno se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e por interesses e comportamentos repetitivos, variando em gravidade (níveis 1, 2 ou 3).

As causas do TEA têm origem genética: mais de 100 genes já foram associados ao transtorno. Um estudo recente sequenciou o genoma de mais de 20 mil pessoas e identificou 134 genes relacionados ao distúrbio. Por ser multifatorial e complexo, o diagnóstico requer uma avaliação minuciosa e equipe multidisciplinar.

De onde veio o boato

A desinformação que liga vacinas ao autismo ganhou força em 1998, com um estudo publicado na revista The Lancet pelo médico britânico Andrew Wakefield. A pesquisa tinha falhas graves, dados falsos e conflitos de interesse. A farsa foi exposta em 2004 por reportagem investigativa de Brian Deer no The Sunday Times.

Em 2010, Wakefield foi considerado inapto para exercer a medicina pelo Conselho Geral de Medicina do Reino Unido por conduta “irresponsável”, “antiética” e “enganosa”. A própria The Lancet retratou o artigo, reconhecendo que suas conclusões eram falsas. Ainda assim, o estudo fraudulento alimentou movimentos antivacinas e queda de coberturas vacinais em vários países.

O que dizem as evidências confiáveis

  • Não há relação causal entre vacinas e TEA. Uma análise publicada em 2014 na revista Vaccines, envolvendo mais de 1 milhão de crianças, não encontrou associação entre vacinação e autismo.
  • O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS/OMS) confirmou que não existem evidências de relação causal entre a tríplice viral (MMR) e o autismo.
  • Em relação às vacinas MMR e covid-19, diversos estudos foram conduzidos e nenhum demonstrou conexão com o desenvolvimento do TEA.

Vacinas são seguras — e salvam vidas

Vacinas passam por pesquisas rigorosas e são a forma mais segura de prevenir doenças graves. A pandemia de covid-19 — responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil — foi controlada com a vacinação em massa. No Sistema Único de Saúde (SUS), os imunizantes são gratuitos e protegem contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, entre outras.

Por que vacinar crianças e adolescentes

A vacinação protege o indivíduo e a comunidade, evita surtos e salva milhões de vidas. Estima-se que as vacinas contra o sarampo tenham evitado mais de 23 milhões de mortes entre 2000 e 2018 no mundo. Manter o calendário vacinal em dia impede o retorno de doenças altamente contagiosas — como rubéola, tétano e poliomielite. E, mais uma vez, é importante reforçar: vacinas não causam autismo.

Resumindo: o alumínio presente nas vacinas é seguro, o TEA tem base genética e a hipótese de ligação entre vacinas e autismo nasceu de um estudo fraudulento já desmentido e retratado. Vacinar protege e salva vidas. Não deixe a desinformação se espalhar. Consulte sempre fontes confiáveis como o Ministério da Saúde ou a OMS.

Fontes

As referências usadas nesta matéria são:

Vacinas infantis não causam autismo

Por que é mentira que vacinas causam autismo? Conheça a história por trás desse mito

Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo

Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle das hepatites virais

Fonte _ Saúde.gov

terça-feira, 31 de março de 2026

Governo sanciona ampliação da licença-paternidade; veja o que muda e os próximos passos

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias a partir de 2029.

O benefício será concedido aos pais em casos de nascimento, adoção ou obtenção de guarda de criança ou adolescente.

A ampliação da licença-paternidade era discutida no Congresso Nacional há mais de uma década. A Constituição de 1988 já prevê o direito, mas determinou que uma lei específica deveria regulamentar a duração do benefício.

A proposta institui o salário-paternidade como benefício previdenciário e promove alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas normas da seguridade social, com o objetivo de aproximar a proteção à paternidade das garantias já asseguradas à maternidade.

“O projeto também prevê situações em que a licença-paternidade será equiparada à licença-maternidade, como nos casos em que não houver registro da mãe na certidão de nascimento ou quando a adoção ou a guarda for concedida exclusivamente ao pai”, afirma Rodrigo Marques, gestor de relações trabalhistas do PG Advogados.

Para a Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), a aprovação do projeto que amplia a licença-paternidade representa um avanço histórico e um primeiro passo para incentivar uma divisão mais equilibrada do cuidado com os filhos.

Segundo a entidade, a medida pode trazer benefícios como melhora no desenvolvimento infantil, apoio à recuperação das mães e impactos positivos no mercado de trabalho, além de ajudar a reduzir desigualdades de gênero. Entenda abaixo o que diz a nova lei:

1.  O que muda com a nova lei?

2.  Em que situações o benefício pode ser negado?

3.  Em quais casos o benefício pode ser estendido?

4.  Como fica em casais homoafetivos?

5.  O trabalhador terá estabilidade?

6.  Quem terá direito?

7.  Como fica o Programa Empresa Cidadã?

 

O que muda com a nova lei?

Trabalhadores tinham direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela empresa.

Além disso, empresas que participam do Programa Empresa Cidadã podem conceder mais 15 dias de licença aos funcionários e, em troca, recebem deduções no Imposto de Renda.

Pela nova regra, a duração da licença-paternidade passará a ser:

  • 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027;
  • 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028;
  • 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029.

A proposta também prevê que a Previdência Social passará a arcar com o custo do afastamento. Na prática, a empresa continuará pagando o salário normalmente e depois será reembolsada pelo INSS.

O texto garante que o empregado receberá a remuneração integral ou o valor equivalente à média dos últimos seis meses.

O trabalhador também poderá emendar a licença às férias. No entanto, o período não poderá ser dividido.

 

Em que situações o benefício pode ser negado?

Pela nova lei, o benefício poderá ser negado ou suspenso em casos de violência doméstica ou familiaralém de situações de abandono material — quando o pai deixa de prestar assistência financeira à criança.

O salário-paternidade também poderá ser suspenso caso o trabalhador não se afaste efetivamente de suas atividades durante o período da licença.

 

Em quais casos o benefício pode ser estendido?

A lei prevê algumas situações em que o período de licença poderá ser ampliado:

1.  Falecimento da mãe: O pai ou companheiro passa a ter direito ao período da licença-maternidade, que varia de 120 a 180 dias.

2.  Criança com deficiência: Caso o recém-nascido — ou a criança ou adolescente adotado — tenha deficiência, a licença-paternidade será ampliada em um terço. Na prática, isso pode representar cerca de 13, 20 ou aproximadamente 27 dias, dependendo da fase de implementação da nova regra.

3.  Adoção ou guarda unilateral: Quando o pai adota sozinho a criança ou obtém a guarda sem a participação da mãe ou de um companheiro, ele também terá direito ao período equivalente ao da licença-maternidade.

4.  Parto antecipado: A licença-paternidade também será estendida e garantida nesses casos, independente do motivo para atencipação do parto.

5.  Internação da mãe ou do recém-nascido: O início da licença poderá ser adiado e passará a contar apenas após a alta hospitalar da mãe ou da criança.

6.  Ausência do nome da mãe no registro civil: Se no registro de nascimento não constar o nome da mãe, o pai terá direito a uma licença equivalente à licença-maternidade de 120 dias, além da estabilidade no emprego prevista nesses casos.

 

Como fica em casais homoafetivos?

O Supremo Tribunal Federal já decidiu, em casos específicos, pela concessão de licença-maternidade em casais homoafetivos. No entanto, a aplicação das regras para casais formados por dois homens ainda depende de análise caso a caso.

De acordo com a nova lei, um dos integrantes do casal poderá receber a equiparação à licença e ao salário-maternidade.

O texto também estabelece que, em casos de adoção por casais homoafetivos, uma pessoa poderá usufruir do período referente à licença-maternidade, enquanto a outra terá direito ao período vinculado à licença-paternidade.


A ampliação da licença-paternidade para 20 dias representa um avanço, mas ainda é uma mudança tímida. O Brasil continua adotando um modelo que concentra o cuidado com o recém-nascido quase exclusivamente na mulher e ainda não avançou para uma política efetiva de licença parental compartilhada, além de não contemplar plenamente as novas configurações familiares.

— Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do A. C Burlamaqui Advogados.

 

O trabalhador terá estabilidade?

Assim como ocorre com as trabalhadoras grávidas, o projeto cria uma proteção contra demissão sem justa causa.

A proposta proíbe a demissão arbitrária durante o período da licença e também por até 30 dias após o retorno ao trabalho.

Caso o trabalhador seja dispensado nesse período, poderá ter direito à reintegração ao emprego ou a uma indenização equivalente ao dobro da remuneração referente ao período de estabilidade.

 

Quem terá direito?

Outra mudança amplia o número de trabalhadores que poderão acessar o benefício. Atualmente, o direito está concentrado principalmente em trabalhadores com carteira assinada.

Com a nova regra, passam a ter direito:

  • trabalhadores com carteira assinada;
  • autônomos;
  • empregados domésticos;
  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • demais segurados do INSS.

 

Como fica o Programa Empresa Cidadã?

Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã poderão continuar ampliando a licença-paternidade em 15 dias adicionais em troca de deduções no Imposto de Renda.

Com a nova lei, porém, esses 15 dias passarão a ser somados aos 20 dias previstos na legislação, e não mais aos cinco dias atualmente garantidos.

Fonte _ G1

segunda-feira, 30 de março de 2026

O que o estresse faz com a sua pele e como lidar com isso

 


Mudou de casa e as espinhas apareceram de repente? Ou passou por um término de relação e o eczema piorou? Pode não ser coincidência.

Há muito tempo se suspeita que o estresse afeta a pele. Mas, nas últimas décadas, pesquisas vêm aprofundando a compreensão de como funciona essa conexão entre mente e pele —o que tem ajudado tanto no tratamento de doenças dermatológicas quanto na saúde da pele de forma geral.

O estresse pode ter uma série de efeitos: desde agravar crises de acne até provocar ressecamento e sensibilidade, aumentar o risco de infecções e piorar —ou até desencadear— condições como eczema, psoríase e urticária.

"A sua pele é impactada tanto por estresses físicos quanto emocionais", explica a dermatologista Alia Ahmed, especialista em psicodermatologia, uma área emergente que considera mente e pele de forma integrada.

Ela conta que avalia não apenas os sintomas físicos dos pacientes, mas também o bem-estar psicológico —perguntando sobre humor, ansiedade, episódios de choro, padrões de sono, alimentação e prática de exercícios.

"Dermatologistas muitas vezes se sentem como detetives", diz. Isso porque o estado da pele —o maior órgão do corpo— pode ser um importante indicador da saúde geral de uma pessoa.

Como o estresse afeta a pele?

Cérebro e pele se desenvolvem a partir do mesmo grupo de células nas fases iniciais do embrião - e permanecem intimamente conectados.

Quando nos sentimos estressados, o cérebro desencadeia uma série de reações que liberam hormônios como cortisol e adrenalina na corrente sanguínea.

Em pequenas doses, essa resposta —conhecida como reação "de luta ou fuga"— pode nos deixar mais alertas e ajudar a dar conta das tarefas do dia a dia.

Mas, quando prolongada, ela pode aumentar a inflamação no organismo, agravando doenças inflamatórias da pele.

Além disso, esses hormônios podem enfraquecer a barreira cutânea —a camada externa que protege a pele. Isso facilita a perda de hidratação e permite a entrada de irritantes e alérgenos, como pólen e fragrâncias, o que pode levar ao ressecamento e à sensibilidade, explica Ahmed.

Ao mesmo tempo, o estresse reduz os peptídeos antimicrobianos —pequenas moléculas que normalmente eliminam germes— na pele, tornando as infecções mais prováveis.

Há também evidências de que ele pode piorar a acne, inclusive ao estimular a produção de uma substância oleosa chamada sebo, que pode obstruir os poros e favorecer o surgimento de espinhas.

E, como destaca a médica Alia Ahmed, o estresse também pode prejudicar o sono - o que compromete a capacidade de regeneração da pele.

Ciclos viciosos

Os sinais de estresse também fazem com que células da pele liberem substâncias como a histamina, que provocam coceira —alimentando o chamado ciclo coceira-ato de coçar.

"Você sente coceira, se coça, causa mais danos à pele e isso faz com que a coceira aumente ainda mais", explica Alia Ahmed. "E aí você começa a se irritar consigo mesmo: por que não consigo parar de me coçar? Isso eleva ainda mais o nível de estresse - que, por sua vez, intensifica a coceira."

A própria experiência de ter um problema de pele também pode agravar o quadro, acrescenta ela, citando o exemplo de condições como o eczema: "Você se coça, isso afeta sua qualidade de vida, você se sente mal porque as pessoas comentam —e fica ainda mais estressado. E aí todo o problema se retroalimenta, criando um ciclo vicioso."

Reduzir o estresse ajuda?

"O estresse pode se tornar prejudicial quando começamos a sentir que não conseguimos controlá-lo", explica Rajita Sinha, professora de psiquiatria, neurociência e estudos da criança na Universidade Yale.

Nesse ponto, podem surgir sinais físicos, como dores de cabeça ou problemas no estômago, além de sintomas como lapsos de memória, irritabilidade ou dificuldade para dormir.

Ela recomenda adotar medidas como buscar apoio e praticar mais atividade física. Há evidências de que o exercício regular pode reduzir os níveis basais de cortisol —e que atividades mais intensas podem ajudar a conter picos de cortisol relacionados ao estresse.

A professora também sugere a prática de meditação mindfulness. Quando feita de forma regular, estudos indicam que ela pode fortalecer o córtex pré-frontal —região do cérebro responsável por funções mais complexas, como o raciocínio— aumentando sua espessura e melhorando sua conexão com outras áreas cerebrais.

Terapias baseadas em mindfulness também têm mostrado resultados promissores na melhora da qualidade de vida e dos sintomas físicos em algumas doenças de pele. Em um estudo com pacientes com psoríase, por exemplo, aqueles que receberam esse tipo de terapia, além do tratamento convencional, apresentaram melhores resultados do que os que não receberam.

Será que estou mesmo lidando com o estresse?

A médica Alia Ahmed diz que recomenda que seus pacientes testem diferentes estratégias para lidar com o estresse, a fim de descobrir quais funcionam melhor para cada um.

As opções vão desde exercícios de relaxamento feitos na cama antes de dormir até meditação em movimento, para pessoas mais ativas, ou técnicas de "aterramento", que ajudam a "trazer você de volta ao momento presente", especialmente para quem se distrai com facilidade ou fica preso em pensamentos repetitivos.

Mas, segundo ela, relaxar de verdade pode ser mais difícil do que parece.

"Vejo muitas pessoas de alto desempenho no consultório", afirma —incluindo aquelas com rotinas exigentes no trabalho ou em casa, como cuidar dos filhos ou de pais idosos.

Embora algumas digam que vão à academia ou fazem caminhadas diárias para relaxar, Ahmed observa que, ao investigar melhor, muitas continuam pensando nas tarefas que ainda precisam cumprir. "A sua mente também precisa ter espaço para descansar durante essas atividades", ressalta.

O panorama geral

Além de reduzir o estresse, a médica Alia Ahmed afirma que a pele precisa de "um pouco de tudo" - incluindo cuidados adequados com a pele e eventuais tratamentos médicos, além de uma boa alimentação, sono e estilo de vida.

Ela ressalta que isso deve ser mantido ao longo do tempo para que haja uma melhora consistente na saúde da pele —o que pode, inclusive, ajudar o paciente a identificar outros fatores que desencadeiam seus problemas dermatológicos.

Segundo Ahmed, a abordagem holística da psicodermatologia também pode trazer benefícios mais amplos: "Não só vejo melhora nas condições de pele dos meus pacientes, como também ouço deles que estão se sentindo melhor mentalmente."

Fonte _ Folha/SP

Variante BA.3.2 da Covid já chegou a 23 países e se espalha pelos EUA

 


Identificada pela primeira vez em novembro de 2024 na África, a variante BA.3.2 da Covid-19 chegou a 23 países até fevereiro deste ano e agora se espalha rapidamente pelos Estados Unidos. Detectada em pacientes e em sistemas de esgoto de 29 estados americanos, a cepa, apelidada de Cicada, preocupa especialistas por ser diferente de outras variantes que já circularam, o que pode reduzir a eficácia das vacinas disponíveis.

Kyle B. Enfield, professor de medicina na Universidade de Virgínia (EUA), diz a seguir o que é preciso saber:

Como pneumologista e intensivista, atendo muitos pacientes com alto risco de Covid-19 grave devido a doenças pulmonares crônicas, além de pessoas que vivem com Covid longa. A pergunta mais frequente é: quanto precisamos nos preocupar com as novas variantes do vírus?

Até o momento, não há indícios de que a BA.3.2 seja mais perigosa ou cause doença mais grave do que as variantes que circularam no inverno de 2025 e 2026 nos EUA. Por ser significativamente diferente delas, porém, a vacina atual contra a Covid-19 pode não ser tão eficaz.

De onde veio a variante BA.3.2?

A BA.3.2 descende da variante ômicron, que surgiu no final de 2021.

Em comparação com as cepas predominantes do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, a BA.3.2 carrega de 70 a 75 alterações genéticas na proteína spike, estrutura que permite a entrada do vírus nas células. É também essa parte que as vacinas usam para induzir o sistema imunológico a reconhecer o patógeno.

Pesquisadores identificaram a BA.3.2 pela primeira vez em novembro de 2024, na África. A variante iniciou sua disseminação global em 2025 e havia chegado a 23 países até fevereiro de 2026. O primeiro caso nos EUA foi detectado em um viajante que chegou ao país em junho de 2025. Desde então, foi encontrada em pacientes e em sistemas de esgoto de 29 estados.

O monitoramento de águas residuais é um dos métodos mais precoces para detectar mudanças de cepas, embora o número de estados que enviam dados ao CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). dos EUA, tenha diminuído desde 2022, após o auge da pandemia.

O que torna a variante BA.3.2 diferente?

Todos os vírus sofrem mutações ao longo do tempo, e o que causa a Covid-19 faz isso especialmente rápido. A cada replicação dentro de uma célula, seu material genético pode sofrer alterações. A maioria dessas mudanças desaparece, mas algumas conferem vantagem ao vírus, facilitando sua disseminação.

Essas alterações dificultam o reconhecimento pelo sistema imunológico.

É como reencontrar pessoas 25 anos após o fim da escola: mudanças na aparência não impedem o reconhecimento, mas podem torná-lo mais lento. Se o contato fosse frequente ao longo do tempo, a identificação seria imediata. Da mesma forma, mudanças no material genético do vírus afetam a eficácia das vacinas, que "treinam" o sistema imunológico com base nas versões mais comuns em circulação.

As vacinas atuais contra a Covid-19 foram desenvolvidas para proteger contra cepas da linhagem JN.1, predominantes nos EUA desde janeiro de 2024. A BA.3.2, no entanto, difere o suficiente dessas cepas para reduzir a capacidade de reconhecimento inicial pelo organismo.

Isso não significa que a vacinação deva ser evitada. Um amplo conjunto de evidências mostra que as vacinas reduzem hospitalizações e mortes por Covid-19. Quando há menor correspondência com a variante em circulação, a resposta imune pode ser mais lenta.

Quais riscos a variante BA.3.2 representa?

Como o sistema imunológico pode ter mais dificuldade para reconhecer a BA.3.2, a variante tende a se disseminar com mais facilidade, o que pode levar a aumento de casos.

Apesar da rápida propagação, não há indicação de que esta seja mais perigosa ou cause quadros mais graves do que variantes que circularam nos últimos anos.

Ainda assim, a proteção continua importante, sobretudo para pessoas com condições crônicas, mais suscetíveis a formas graves da doença.

Embora a incidência de Covid longa tenha diminuído desde o início da pandemia, ela ainda ocorre em cerca de 3 a cada 100 casos.

Como se proteger da variante BA.3.2 da Covid

Medidas básicas ajudam a reduzir o risco de infecção e transmissão:

  • Lavar as mãos após usar o banheiro, antes de preparar alimentos ou comer e após contato com pessoas doentes
  • Ficar em casa ao apresentar sintomas, tanto para recuperação quanto para evitar transmissão; pessoas próximas podem ter condições que aumentam o risco de formas graves
  • Priorizar ambientes abertos e reduzir o tempo de permanência em locais fechados e cheios
  • Em caso de maior risco individual, buscar orientação de um médico

Este texto foi publicado originalmente no The Conversation. Clique aqui para ler

Fonte _ Folha/SP

Fiocruz atua na definição da formulação da vacina contra influenza

 


Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. E a Fiocruz desempenha um importante papel na formulação do imunizante.

Mas por que tomar a vacina todo ano?  

Com subtipos capazes de infectar células humanas e/ou animais, o vírus influenza se multiplica fazendo cópias de si mesmo dentro do organismo. Durante esse processo podem ocorrer falhas. Em vez de cópias perfeitas, pequenos erros acontecem e modificam características do vírus, incluindo proteínas de superfície, responsáveis pela "aparência" do vírus para o sistema imunológico. É o que chamamos de mutações. Enquanto umas preocupam pouco, outras requerem muito cuidado e atenção redobrada.

É aí que entram cientistas espalhados pelo mundo, muitos deles do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Como "detetives", eles se dedicam a investigar vírus influenza que podem estar "disfarçados" e em livre circulação.

No âmbito do IOC, as atividades são conduzidas pelo Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais, referência nacional na análise de vírus respiratórios. O setor é responsável por identificar, caracterizar geneticamente e monitorar a circulação de diferentes variantes do influenza no país.

À frente do laboratório, que também atua como referência brasileira junto à rede internacional de vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS), está a pesquisadora Marilda Siqueira. Ela e sua equipe monitoram quais "versões" do vírus estão circulando no país.

“Em um grande esforço conjunto com o Ministério da Saúde, o Instituto Evandro Chagas e o Instituto Adolfo Lutz, nós produzimos relatórios que subsidiam recomendações da OMS sobre a composição da vacina para os hemisférios Norte e Sul, a partir de análises virológicas e genômicas de centenas de amostras. No Brasil, essas diretrizes orientam o Ministério na definição da estratégia de imunização e na encomenda das doses”, explica Siqueira.  

Ao conectar pesquisa laboratorial, vigilância epidemiológica e cooperação global, o IOC consolida sua posição como um dos principais pilares da resposta brasileira às doenças respiratórias. Esta é a base essencial para a atualização anual da vacina e para a resposta oportuna a cenários epidemiológicos em constante transformação.

A mobilização liderada pelo Ministério da Saúde em favor da campanha nacional de vacinação contra a influenza prioriza grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. A campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Fonte _ FioCruz