quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Anvisa manda recolher e proíbe venda de bebidas proteicas NotShake Protein

 


Anvisa(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (16) o recolhimento de bebidas proteicas NotShake Protein, da NotCo Brasil.

A medida, publicada no Diário Oficial da União, atinge quatro sabores do produto: NotShake Protein Morango com Tâmara; NotShake Protein Baunilha com Coco; NotShake Protein Chocolate; e NotShake Protein Café Caramelo.

Também ficam proibidas a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e a utilização dos produtos.

Em nota, a NotCo afirma que não foi previamente notificada pela Anvisa sobre o recolhimento do produto, mas "já trabalha para compreender integralmente as motivações técnicas e regulatórias da decisão".

Segundo a Anvisa, os produtos não estão registrados como suplemento alimentar.

As bebidas contêm suco concentrado de repolho, mas a empresa não comprovou atender aos requisitos necessários para o uso do ingrediente em suplementos alimentares, diz a agência.

A Anvisa também afirma que é inadequada a alegação de "zero lactose". Diz, ainda, que os estudos apresentados para demonstrar a manutenção das características do produto durante todo o prazo de validade são insuficientes.

Na nota enviada à reportagem, a NotCo também "reafirma seu compromisso inegociável com a qualidade, a segurança alimentar, o controle de qualidade e o cumprimento da legislação em todas as etapas de sua cadeia produtiva."

Fonte _ Folha/SP

Anvisa proíbe T36, caneta paraguaia com princípio ativo do Mounjaro

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, nesta quarta-feira (16), a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso da caneta emagrecedora paraguaia T36.

O produto é vendido como uma versão de tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro, da farmacêutica americana Eli Lilly, hoje o único medicamento à base dessa substância autorizado a circular no Brasil.

A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, o mesmo responsável pela produção da Tirzedral, outra caneta de tirzepatida paraguaia que já havia sido proibida pela Anvisa. Até a decisão desta quarta, porém, a T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da agência que barraram outros produtos paraguaios à base da substância, o que abria uma brecha para a compra individual.

Segundo o advogado André Schleich, que atua em processos relacionados às tirzepatidas paraguaias, a T36 não é um medicamento novo, mas uma nova apresentação comercial da Tirzedral.

"É basicamente o mesmo medicamento que a Tirzedral, não tem alteração nenhuma. Só mudaram a embalagem, mudaram a roupagem. Os dois são produzidos concomitantemente", afirma.

Em 18 de agosto, a Folha questionou a Anvisa sobre a ausência, até então, de uma medida específica contra a T36, que vinha circulando em grupos de venda no WhatsApp desde junho. Em outros casos, a Anvisa chegou a proibir emagrecedores do Paraguai antes mesmo de chegarem ao mercado. Foi o caso da Slimex, barrada antes de estar disponível nas prateleiras do país vizinho.

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Em resposta à Folha, em 20 de agosto, a Anvisa afirmou que mantinha monitoramento constante para identificar situações que poderiam justificar ações de fiscalização.

A agência confirmou que, até aquele momento, de fato não havia publicado nenhuma medida específica contra a T36, mas ponderou que, em razão da falta de registro sanitário desse medicamento no Brasil, sua comercialização no país estava proibida.

Com a decisão desta quarta-feira, a T36 passa a ser incluída nas medidas adotadas pela Anvisa contra as tirzepatidas paraguaias, como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec, que já haviam sido alvo de medidas da agência.

O que é a T36?

A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, que também produz a Tirzedral. O registro sanitário foi aprovado em junho deste ano pela Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia) e tem validade até abril de 2031.

Segundo o registro, o medicamento é comercializado em frascos multidose de 2,4 mL, com doses que variam de 2,5 mg a 15 mg, e é indicado para diabetes tipo 2 e controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Um estudo da Unicamp (Universidade de Campinas) encomendado pela Folha, usando cromatografia líquida, espectrometria de massas e dicroísmo circular, confirmou que amostras de tirzepatida paraguaia, incluindo a Tirzedral, continham o mesmo princípio ativo do Mounjaro.

Especialistas explicaram que a molécula paraguaia não é idêntica ao Mounjaro. Isso porque encontrar o mesmo princípio ativo é só a ponta do iceberg. A análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança dos medicamentos.

A própria Anvisa afirma que comprovar equivalência terapêutica exige mais do que identificar a molécula: é preciso avaliar como o produto se comporta dentro do corpo, além de questões envolvendo a produção farmacêutica, como condições de fabricação, armazenamento e transporte do produto.

O que a própria bula não deixa claro

O documento técnico que acompanha o registro da T36 junto à Dinavisa mostra números e conclusões de estudos, mas não apresenta qualquer informação que permita identificar ou checar a pesquisa original.

O documento afirma, por exemplo, que um "estudo de carcinogenicidade de 2 anos" em ratos machos e fêmeas encontrou aumento de tumores de células C da tireoide em todas as doses testadas, mas não informa quem conduziu o estudo, em que instituição, sob que registro ou se os resultados foram publicados em alguma revista científica revisada por pares.

O mesmo vale para o estudo citado sobre a interação da tirzepatida com anticoncepcionais orais e para o "estudo com paracetamol" usado como modelo para avaliar o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico.

Ambos aparecem descritos com percentuais precisos de redução de concentração plasmática, mas sem nenhuma referência que permita localizar o estudo original e avaliar sua metodologia.

Essa ausência de rastreabilidade impossibilita verificar se os dados citados na bula correspondem a testes feitos com o produto paraguaio ou se foram simplesmente copiados de estudos de outra empresa, sobre outra formulação.

Por que o registro no Paraguai não vale no Brasil?

Mesmo que um produto já esteja registrado no Paraguai pela Dinavisa, tenha fabricante conhecido e seja usado pela população, ele precisa obter registro sanitário na Anvisa para ser vendido regularmente no Brasil.

"Não há reconhecimento automático de um país para o outro. O primeiro passo é obter o registro no Brasil. Só então a empresa passa pela análise de qualidade, segurança e eficácia, além dos estudos e ensaios clínicos exigidos aqui", explica a advogada Anna Goulart, especialista em direito da saúde.

Anvisa e a Dinavisa assinaram um acordo em 20 de agosto para troca de informações e combate a produtos ilegais. O documento substitui um memorando firmado em março de 2024 e passa a valer por cinco anos.

O documento também prevê compartilhamento de informações sobre boas práticas de fabricação, ensaios clínicos, alertas sanitários, apreensões e investigações relacionadas à cadeia de comercialização.

É seguro usar canetas paraguaias?

Neuton Dornelas, médico endocrinologista e presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), afirma que, apesar de usuários relatarem em redes sociais que têm perdido peso sem efeitos colaterais graves, a experiência não substitui as evidências exigidas por órgãos reguladores nem elimina os riscos associados ao uso de medicamentos sem registro sanitário no Brasil.

"O primeiro grande risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está recebendo. Também não há garantia sobre a pureza nem sobre a estabilidade do medicamento, que pode ser comprometida por condições inadequadas de transporte e armazenamento", diz.

Fonte _ Folha/SP

terça-feira, 15 de setembro de 2026

São Paulo chega a 36 casos de sarampo em 2026; 26 não tinham vacinação completa

 


O estado de São Paulo registra 36 casos de sarampo em 2026, segundo informações da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde) divulgadas nesta terça-feira (15). Até a última sexta (11), eram 32 casos no estado.

Dos 4 novos registros, 3 são de moradores da cidade de São Paulo: dois meninos menores de 2 anos, ambos com esquema vacinal incompleto, e uma mulher de 24 anos, com histórico de vacinação.

O quarto caso é de um homem de 36 anos, morador de Santo André, também já vacinado. É o primeiro registro da doença neste ano no município do ABC.

Durante todo o ano de 2025 foram registrados dois casos de sarampo em todo o território paulista.

A capital concentra 32 casos no estado. São Bernardo do Campo tem dois registros, enquanto Guarulhos e Santo André têm um caso cada um.

Do total, 26 pacientes não tinham registro de vacinação contra o sarampo ou estavam com esquema vacinal incompleto.

O que é o sarampo e quais são os sintomas?

O sarampo é uma doença de transmissão respiratória causada por um vírus. Os sintomas mais comuns são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do sarampo acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

Quais são as complicações mais sérias?

Pneumonia, infecção no ouvido, encefalite e morte.

Qual população corre mais risco com o sarampo?

As crianças menores de 5 anos de idade (em especial, abaixo de 1 ano) e pessoas imunodeprimidas.

Qual é o tratamento?

Não existe tratamento específico contra o sarampo. Apenas os sintomas são tratados, para reduzir o desconforto.

Quem já teve sarampo está imunizado para sempre?

Sim, quem teve sarampo desenvolve uma imunidade de memória suficiente para se proteger pelo resto da vida. Quem não sabe se já teve a doença ou não tem comprovação de vacinação é orientado a se vacinar.

A vacina contra o sarampo é segura? Tem contraindicações?

Sim, o imunizante contra o sarampo é seguro e eficaz. É uma das vacinas com menos restrições de uso. É contraindicada a imunossuprimidos e bebês menores de 6 meses. Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou que já tiveram reação adversa devem buscar orientação nas unidades de saúde.

Gestantes não devem tomar a vacina contra o sarampo, pois ela é composta por vírus vivo atenuado, o que representa risco durante a gravidez.

Onde posso tomar a vacina do sarampo?

O imunizante está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) dos 645 municípios do estado de São Paulo.

A vacinação é a principal forma de prevenir a doença. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível em todas as UBSs do estado.

Quem pode se vacinar?

Ministério da Saúde recomenda duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui proteção contra varicela).

Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses, independentemente da idade.

No último dia 9, a vacinação contra o sarampo de pessoas com idades entre 6 meses e 59 anos foi retomada em São Paulo nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros e Vila Guilherme, todos na zona norte da cidade.

Na capital paulista, o imunizante está disponível em todas as UBSs e AMAs/UBSs Integradas, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário.

Os moradores podem consultar a unidade mais próxima de sua residência por meio da plataforma Busca Saúde: buscasaude.prefeitura.sp.gov.br.

Fonte _ Folha/SP

Acordo entre Opas e farmacêutica abre caminho para injeção semestral contra HIV chegar ao Brasil

 


Um acordo entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), anunciado nesta terça-feira (15), abre nova via para que países da América Latina e do Caribe tenham acesso ao lenacapavir, medicamento injetável aplicado duas vezes por ano para prevenção do HIV.

O Brasil está entre os 14 países da região que poderão ser beneficiados. Todos estão fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela empresa com fabricantes de genéricos e, por isso, dependem de negociações com a Gilead para aquisição da fórmula.

A assinatura do acordo, no entanto, não significa que o lenacapavir estará imediatamente disponível nos países. O comunicado da farmacêutica não informa preço, nem volume reservado para o Brasil, tampouco cronograma de fornecimento. Cada governo terá de decidir, antes, se adere à iniciativa.

No Brasil, o medicamento já venceu uma etapa regulatória importante. Em janeiro deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, como PrEP (profilaxia pré-exposição), para adultos e adolescentes a partir de 12 anos de idade e com pelo menos 35 kg.

Segundo a agência, a comercialização ainda depende da definição de preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

Para ser oferecido no SUS, o produto também precisa passar pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), que avalia a incorporação de novas tecnologias, e receber decisão favorável do Ministério da Saúde. Em julho, a pasta tentou negociar diretamente com a Gilead a compra do medicamento, mas não teve sucesso nas tratativas.

A farmacêutica afirma que, apesar do acordo com a Opas, pretende continuar suas negociações junto ao governo brasileiro.

O lenacapavir é considerado uma das principais inovações recentes na prevenção do HIV porque reduz a necessidade de tomar comprimidos todos os dias. Aplicado sob a pele do abdômen a cada seis meses, o remédio bloqueia diferentes etapas do funcionamento do capsídeo, estrutura que envolve o material genético do vírus.

Em nota enviada à reportagem nesta terça, o Ministério da Saúde disse que estuda oferecer o lenacapavir no SUS "como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação". Afirmou também que, neste momento, a Conitec avalia a incorporação do cabotegravir, da GSK/ViiV.

A pasta disse ainda que em agosto se reuniu com a Gilead para tratar da redução de preço do produto e possível transferência de tecnologia para o Brasil.


Nos estudos de fase 3 que embasaram a autorização sanitária, não houve infecções entre as mulheres cisgênero que receberam o medicamento no Purpose 1. No Purpose 2, feito com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso —com participação de centros brasileiros—, o lenacapavir reduziu em 96% a incidência de HIV em comparação com a taxa esperada sem uso de PrEP e foi 89% mais eficaz do que a profilaxia oral diária.

Os resultados não transformam o medicamento em vacina, nem eliminam a necessidade de acompanhamento. Antes de cada aplicação, é preciso confirmar que a pessoa não tem HIV. A Anvisa alerta para o risco de surgimento de resistência caso alguém com infecção aguda ainda não identificada receba o medicamento ou demore a iniciar um tratamento eficaz após uma falha da PrEP.

Em julho de 2025, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou que o lenacapavir fosse oferecido como opção adicional dentro das estratégias de prevenção combinada. A possibilidade de apenas duas aplicações anuais pode ajudar pessoas que enfrentam dificuldade para manter o uso diário da PrEP ou que temem o estigma associado aos comprimidos.


Exclusão do Brasil provocou reação

O caminho até o anúncio desta terça-feira foi marcado por pressão de autoridades sanitárias e organizações da sociedade civil.

Em outubro de 2024, a Gilead concedeu licenças voluntárias a seis fabricantes para produzir versões genéricas do lenacapavir destinadas a 120 países de baixa e média renda. O Brasil e a maior parte da América Latina ficaram de fora.

Naquele mês, o Conselho Nacional de Saúde aprovou uma moção de repúdio à decisão. O órgão argumentou que o Brasil havia participado do estudo Purpose 2, mas fora excluído tanto da licença para genéricos como da lista inicial de países prioritários para registro.

O texto também defendeu que o governo retomasse o debate sobre licenciamento compulsório —a chamada quebra de patente— caso o preço impedisse o acesso pelo SUS.

A controvérsia se manteve mesmo depois do aval da Anvisa. Em julho deste ano, o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, afirmou que o governo e a Gilead não haviam chegado a um acordo de curto prazo para incorporação do lenacapavir. Segundo ele, a proposta brasileira foi de US$ 400 por pessoa por ano.

A Gilead não confirmou o valor, nem informou qual preço buscava. Disse apenas que as conversas continuavam e que havia assinado um memorando de entendimento com a Fiocruz para estudar uma possível transferência de tecnologia.

Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde vai ofertar pneumo20 para quem tem mais de 85 anos

 


Ministério da Saúde começou a disponibilizar, pela primeira vez, a vacina pneumocócica 20-valente conjugada (pneumo 20) para pessoas com 85 anos ou mais. O imunizante já está disponível no SUS para o início da vacinação desse público, ampliando a proteção contra a doença pneumocócica e suas formas graves, como pneumonia e meningite. O objetivo é contribuir para reduzir o risco de complicações, hospitalizações e óbitos entre as pessoas mais idosas. A estimativa é de que mais de 2,3 milhões de pessoas façam parte do público-alvo em todo o país.

Com o avançar da idade, as infecções pneumocócicas tendem a apresentar maior gravidade, risco de complicações e taxas de mortalidade mais elevadas. Entre os fatores que aumentam essa vulnerabilidade, estão o processo natural de envelhecimento do sistema imunológico (imunossenescência), e a maior frequência de comorbidades. Essas condições aumentam o risco de evolução desfavorável das infecções respiratórias, hospitalização e necessidade de cuidados intensivos. Além das consequências respiratórias, podem ocorrer comprometimentos cardíacos, renais e do sistema nervoso central, entre outros.

Dados nacionais reforçam a importância da proteção desse público. Entre pessoas idosas nesta faixa etária, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as causas foi de 3.097,7 por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 por 100 mil em 2025. Já entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e de 743,1 por 100 mil em 2025.

A nova vacina, a pneumo 20, incorporada no Calendário Nacional de Vacinação em junho deste ano para crianças menores de 5 anos, amplia a proteção contra 20 sorotipos de Streptococcus pneumoniae. A bactéria é apontada como a causa mais comum de infecções respiratórias em todas as faixas etárias. A vacinação é uma importante estratégia para prevenir a doença.

Distribuição das doses

A distribuição das doses destinadas ao novo público-alvo começou neste mês de setembro. Os próximos envios serão definidos considerando, entre outros critérios, a população elegível, a média mensal de doses aplicadas e os estoques disponíveis nos estados.

A meta é vacinar pelo menos 90% das 2.337.775 pessoas com 85 anos ou mais estimadas no país. Para receber o imunizante, é necessário apresentar documento que comprove a idade, sem necessidade de prescrição médica.

Esquema de vacinação

A recomendação da Pneumo 20 considera o histórico de vacinação contra a doença e define diferentes condutas de acordo com as vacinas já recebidas. A orientação é a seguinte:

  • 85 anos ou mais, sem vacinação pneumocócica prévia: 1 dose única da Pneumo 20. 
  • Recebeu apenas 1 dose de Pneumo 13 ou Pneumo 15: 1 dose da Pneumo 20, respeitando intervalo mínimo de 2 meses. 
  • Recebeu apenas 1 dose de Pneumo 23: 1 dose da Pneumo 20, com intervalo mínimo de 1 ano. 
  • Recebeu 2 doses de Pneumo 23: não há indicação de Pneumo 20 na estratégia. 
  • Recebeu 1 dose de Pneumo 13 ou Pneumo 15 + 1 dose de Pneumo 23: não há indicação de Pneumo 20 na estratégia.

A vacinação será ofertada nas unidades de saúde, por estratégias extramuros ou em domicílio. A orientação do Ministério da Saúde é realizar busca ativa das pessoas elegíveis sem registro das doses necessárias para conferir proteção ou com esquema incompleto, com prioridade para aquelas com dificuldade de acesso aos serviços, restrição de mobilidade, fragilidade, comorbidades, dependência funcional ou insuficiência de suporte familiar e social.

A pasta também recomenda aproveitar a oportunidade para atualizar as demais vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação do Idoso. Para pessoas de 60 a 84 anos acamadas ou institucionalizadas e com condições clínicas especiais, a pneumo 20 permanece disponível na estratégia especial já estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A ampliação da vacinação para outras faixas etárias está prevista de forma gradativa, de acordo com critérios de vulnerabilidade e risco.

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O que causa cãibra e como aliviar a dor da contração muscular

 


Quem já passou por um episódio de cãibra sabe que ela vem de maneiras inesperadas. Você pode estar fazendo um exercício e vir aquela dor intensa ou até estar dormindo e sentir aquela pontada na panturrilha.

E o que é? É uma contração muscular súbita, involuntária e dolorosa.

Por que ela acontece? É multifatorial, mas médicos listam as causas mais comuns:

  • Fadiga muscular: quando a pessoa exige da musculatura mais do que ela consegue sustentar naquele momento, desregulando o ciclo natural de contração e relaxamento das fibras musculares.

    "É como se, por exemplo, o 'acelerador' da contração ficasse pressionado o tempo inteiro, enquanto que o 'freio' funcionasse menos. Ele tá mais estimulando e menos relaxando", explica o ortopedista Moisés Cohen, professor de ortopedia e medicina do esporte.
  • Medicamentos: remédios como estatinas (usadas para o colesterol) e diuréticos podem interferir na mecânica das células musculares ou no equilíbrio de fluidos, deixando a musculatura mais vulnerável a dores e contraturas.
  • Condições de saúde: doenças como hipotireoidismo, problemas renais, hepáticos, circulatórios ou o estreitamento do canal da coluna lombar (estenose) também podem provocar ou agravar o quadro.

 

Onde? É mais comum ocorrer nos membros inferiores, como a panturrilha, e pode surgir no pé, na parte posterior da coxa ou até, de forma incomum, nas mãos.

"Em geral, são músculos que passam por duas articulações ao mesmo tempo, o que os deixa mais vulneráveis a esse desequilíbrio", explica o ortopedista José Otávio Tomé, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Na calada da noite… é comum a cãibra ocorrer durante o sono.

Diferentemente daquela associada ao exercício físico, nesse caso ela possui mecanismos e fatores desencadeantes específicos.

"Costuma acompanhar outras condições, como distúrbios circulatórios, gravidez, doenças renais ou hepáticas, uso de determinados medicamentos e o próprio processo de envelhecimento", explica Tomé.

Durante a cãibra... é difícil pensar quando se está com dor, mas, de imediato, é preciso fazer um alongamento lento no sentido oposto ao da contração.

Exemplo: na panturrilha, empurre ou puxe a ponta do pé para cima, em direção à canela.

Realize o movimento com calma e sem forçar, pois um alongamento violento pode lesionar fibras musculares que já se encontram contraídas ao máximo.

Após a musculatura destravar, evite movimentar ou contrair novamente a região para não disparar um novo espasmo.

Depois da cãibra... pode ainda ficar dolorido, por isso, massagear suavemente o local auxilia no relaxamento da musculatura e ajuda a aliviar o desconforto.

E a tal da banana? Quem nunca ouviu dizer que se não come banana, dá cãibra, pois saiba que isso é mito.

Por quê? As contrações são causadas por fadiga muscular e desequilíbrio no controle nervoso, e não pela falta isolada de potássio.

Não existem evidências científicas de que comer alimentos ricos em potássio logo antes ou depois do esforço evite o problema.

"Quando falta potássio a ponto de causar cãibra de verdade, é geralmente por alguma doença, como problema renal ou diarreia persistente, e não porque a pessoa deixou de comer uma fruta", explica Tomé.

Sim, mas... não precisa deixar de comer banana, o alimento é rico em vitaminas do complexo B e sais minerais.

+ Formas de prevenção: Bruno Rudelli, médico ortopedista do Hospital Sírio-Libanês, indica algumas medidas:

·         Condicionamento muscular: como a fadiga é o principal gatilho do desequilíbrio neurogênico, fortalecer a musculatura é o ponto-chave para evitar que o músculo entre em exaustão.

·         Progressão lenta de treino: o treino deve ser programado com evoluções graduais de volume e intensidade, evitando aumentos brutos ou repentinos de esforço.

·         Qualidade do sono e alimentação: ter uma boa rotina de sono é indispensável tanto para o reparo muscular quanto para o bom funcionamento do sistema nervoso central.

Quando buscar um médico?

·         Episódios recorrentes que ocorrem semanalmente ou diversas vezes na semana.

·         Crises que surgem durante o repouso sem relação com esforço físico.

·         Permanência de dor intensa, inchaço, hematoma ou fraqueza no local nas horas seguintes ao episódio.

O que você precisa saber

Notícias sobre saúde e bem-estar

Como saber que estou com deficiência de ferro? Além da fadiga, sintoma característico, queda de cabelo, dores de cabeça, falta de ar e tontura podem ser sinais de alerta. Inflamação da língua e alterações nas unhas também podem ser sintomas em casos graves.

Prisão de ventre? Consumo de 21 a 38 gramas de fibras por dia pode ajudar o intestino a funcionar, segundo especialistas. O ideal é priorizar alimentos como maçã com casca, kiwi e ameixas secas.

Fonte _ Folha/SP

Vacina contra HPV passa a ser indicada a crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual

 


Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o HPV para meninas e meninos a partir dos 2 anos de idade que tenham sido vítimas de violência sexual. Até então, a vacina era oferecida para crianças vítimas de abuso com 9 anos ou mais.

De acordo com nota técnica da pasta, a medida foi tomada devido ao aumento dos casos de estupro e estupro de vulnerável nos últimos anos, com alta expressiva entre crianças menores de 9 anos. "Dados das secretarias estaduais de Segurança Pública corroboram esse cenário, indicando aumento progressivo dos casos, especialmente entre meninas negras e em situação de vulnerabilidade social", diz trecho do documento.

A nota técnica cita números do Atlas da Violência 2026, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), segundo o qual os casos de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845 em 2024. Na faixa etária de 5 a 14 anos, saltaram de 6.594 para 29.135.

Com a nova recomendação, crianças a partir dos 2 anos vítimas de violência sexual poderão receber uma dose da vacina quadrivalente, após avaliação do serviço de referência ou do profissional de saúde responsável pelo atendimento da vítima.

O HPV (papilomavírus humano) é uma família de mais de 200 tipos de vírus. A infecção costuma desaparecer sozinha, mas a permanência prolongada de alguns tipos, chamados de alto risco, pode provocar alterações nas células e causar câncer.

Entre os mais de 200 tipos de HPV, 12 são considerados de alto risco e estão associados a seis tipos de câncer: colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. No SUS, a vacina quadrivalente protege contra quatro tipos do vírus, 6, 11, 16 e 18, sendo os dois primeiros de baixo risco (associados principalmente a verrugas genitais), e os dois últimos, de alto risco.

A vacina não é capaz de evitar ou reverter eventual infecção por HPV decorrente de estupro. O imunizante, contudo, ainda poderá proteger a vítima contra os outros tipos do vírus aos quais não tenha sido exposta.

Para Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), isso é relevante especialmente diante do risco de recorrência da violência sexual, uma vez que os abusos contra crianças costumam ser cometidos por pessoas próximas, como familiares, conhecidos e vizinhos, e podem se repetir.

A aplicação da vacina antes dos 9 anos não substitui a vacinação de rotina, indicada dos 9 aos 14 anos em esquema de dose única. Isso ocorre porque ainda não se sabe por quanto tempo permanece a proteção obtida tão cedo. Por isso, quem receber a vacina antes dos 9 anos deverá seguir o calendário normalmente ao chegar a essa idade.

Programa Nacional de Imunizações (PNI) já prevê vacinação contra HPV a partir dos 2 anos para pessoas com papilomatose respiratória recorrente, doença que provoca lesões nas vias respiratórias. A nota do ministério cita essa experiência como parte da justificativa para estabelecer 2 anos como idade mínima, embora não apresente dados específicos sobre essa população.

A principal evidência citada na nota ténica para a vacinação de crianças pequenas é um estudo realizado na Colômbia, no México e no Panamá com 74 meninas de 4 a 6 anos. Elas receberam duas doses de uma vacina bivalente contra os tipos 16 e 18 do vírus e foram acompanhadas por 36 meses.

O estudo encontrou resposta imunológica elevada e sustentada e não identificou evento adverso grave relacionado à vacinação. Os autores ressaltaram, porém, que o número de participantes era pequeno e que seriam necessárias pesquisas adicionais. Além disso, a eficácia clínica da vacina em crianças de 2 e 3 anos não foi avaliada.

Fonte _ Folha/SP

SUS já vacinou mais de 4 mil crianças contra doenças pneumocócicas no Acre

 


Mais de 4,5 mil crianças menores de 5 anos já foram vacinadas com a Pneumo 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Acre. Em todo o Brasil, mais de 1 milhão de crianças dessa faixa etária receberam o imunizante desde o início da estratégia nacional de vacinação, em junho deste ano. Incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2026, a vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, ampliando a proteção contra doenças pneumocócicas, como pneumonia e meningite.

A inclusão da Pneumo 20 no SUS amplia o acesso das crianças à proteção contra doenças causadas por 20 sorotipos da bactéria pneumococo. Na rede privada, o valor da vacina pode chegar a R$ 600. Desde a incorporação ao Calendário Nacional de Vacinação, mais de 1 milhão de crianças já receberam a vacina no país”, afirmou o ministro da Saúde.

A Pneumo 20 oferece cobertura mais abrangente porque inclui também os sorotipos 3, 6A e 19A, associados à doença pneumocócica invasiva no Brasil, e protege contra a otite média, que pode causar complicações, incluindo perda auditiva.

A vacinação é a principal forma de prevenir as formas graves das doenças pneumocócicas. Além de proteger cada criança vacinada, a ampliação da cobertura contribui para reduzir internações, complicações e mortes, especialmente na primeira infância, período em que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis.

Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes pela doença, com taxa de letalidade de 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram registrados 589 casos e 187 óbitos no período.

Como fica o esquema vacinal

Com a incorporação da Pneumo 20 ao Calendário Nacional de Vacinação, a Pneumo 10 será substituída gradualmente no esquema infantil. Durante esse período, os estoques disponíveis da Pneumo 10 continuarão sendo utilizados. Por isso, temporariamente, o esquema combinará as duas vacinas.

A vacinação será realizada da seguinte forma:

  • Crianças que estão iniciando o esquema: recebem a Pneumo 20 aos 2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias.
  • Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10: não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20.
  • Crianças que começaram o esquema com a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 na rede privada: podem completar a vacinação com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos recomendados.

Após o término dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil serão realizadas com a Pneumo 20.

Pais e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada e procurar uma unidade de saúde para verificar se há doses pendentes. O histórico de vacinação também pode ser acompanhado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

Fonte _ Saúde.gov