Imuniza SUS

terça-feira, 26 de maio de 2026

NR-1: amplia fiscalização sobre saúde mental no trabalho entra em vigor nesta terça-feira (26)

 


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) entra em vigor nesta terça-feira (26), e amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. Anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, a medida reforça a possibilidade de fiscalização e aplicação de multas.

A nova regra estava prevista para valer em maio de 2025. Após pressão de empresas e sindicatos patronais, o governo decidiu adiar a entrada em vigor por um ano. Agora, diante de novos pedidos de prorrogação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não pretende realizar mais um adiamento.

“Já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”, disse. Segundo o ministro, uma nova mudança só ocorreria com acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que não existe hoje.

O Ministério do Trabalho já divulgou um Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, um Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho e um documento de perguntas e respostas para orientar empresas e trabalhadores sobre a atualização da norma.

Especialistas consideram a medida urgente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e insegurança no emprego.

No ano passado, o g1 revelou com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, registrado em 2024.

Em 2025, o cenário não só se repetiu como se agravou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse motivo, estabelecendo um novo recorde.

O que muda na prática com a atualização da NR‑1?

A principal mudança com a atualização da NR‑1 é que os chamados riscos psicossociais — ligados à forma como o trabalho é organizado — passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.

Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão entram oficialmente no radar da fiscalização.

Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

“A grande inovação foi deixar explícito que o risco psicossocial faz parte do gerenciamento de riscos. Isso já estava incluído, mas não estava claro para as empresas e para a sociedade”, explica Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira, auditor‑fiscal do trabalho e diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

Segundo ele, a fiscalização passa a olhar menos para equipamentos e mais para a forma como o trabalho é organizado. “Quando a gente fala em risco psicossocial, estamos falando de processo de trabalho: carga, metas, jornada, cadeia de comando, sistemas que não funcionam, falta de autonomia.”

Ou seja: a principal mudança é tornar explícito algo que já estava previsto nas normas trabalhistas. Com isso, o Ministério do Trabalho passa a exigir que as empresas olhem não apenas para máquinas, equipamentos ou riscos físicos, mas também para a dinâmica de trabalho dentro das organizações.

 

Como vai funcionar a fiscalização?

Os auditores-fiscais do trabalho têm o direito e o dever de entrar em empresas sem necessidade de autorização judicial para realizar inspeções. Com a atualização da NR-1, a fiscalização passará a olhar para a forma como o trabalho é organizado e executado dentro das empresas.

Na prática, os auditores vão verificar se as empresas identificaram os riscos psicossociais, se eles estão registrados corretamente e se existem medidas concretas para reduzir problemas como pressão excessiva, jornadas abusivas, assédio e sobrecarga de trabalho.

Segundo a auditora-fiscal Odete Reis, a fiscalização será baseada principalmente na análise do trabalho real.

“A gente verifica se o fator de risco está presente e se ele está sendo gerenciado. Isso é feito por observação do ambiente, entrevistas com trabalhadores e análise de documentos”, afirmou.

Durante as inspeções, os auditores poderão analisar jornadas, cobrança por metas, relação entre chefias e funcionários, canais de denúncia, processos internos e documentos como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventários de risco e planos de ação.

Odete ressalta que não é necessário haver um trabalhador já afastado para que a empresa seja cobrada. “Pode ser que ainda não exista afastamento, mas o risco esteja presente. O objetivo da fiscalização é chegar antes do adoecimento, para fazer a prevenção”, afirmou.

A atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ocorrer a partir de denúncias anônimas feitas por trabalhadores, dados da Previdência Social sobre afastamentos por saúde mental e ações de inteligência fiscal, que identificam setores com maior incidência de adoecimento.

Segundo Alexandre Scarpelli, a fiscalização não dependerá apenas de denúncias. “A inspeção do trabalho não atua só por denúncia. A gente cruza denúncias com dados da Previdência e com o conhecimento dos setores onde o risco psicossocial é mais elevado.”

- Isso significa que empresas poderão ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal, principalmente se apresentarem muitos afastamentos por transtornos mentais ou atuarem em setores historicamente mais expostos ao adoecimento.

Empresas poderão ser multadas?

Sim. A multa não será automática com a entrada em vigor da norma, mas poderá ocorrer caso a fiscalização identifique falhas no gerenciamento dos riscos psicossociais.

O Ministério do Trabalho afirma que, “durante os 90 dias subsequentes à entrada em vigor, a atuação da Inspeção do Trabalho tende a priorizar ações de orientação, instrução e notificação das organizações quanto à necessidade de adequação, especialmente em relação às novas exigências introduzidas, sem prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis”.

Segundo Odete Reis, o auditor pode multar caso a empresa:

  • não identifique os riscos;
  • identifique os problemas, mas não adote medidas;
  • implemente ações insuficientes;
  • ou deixe de monitorar os riscos ao longo do tempo.

“Se for constatado que a empresa não está fazendo o gerenciamento dos riscos, a gente lavra o auto de infração. A partir daí, o processo segue para o setor de multas e recursos do Ministério do Trabalho”, explicou.

As multas seguem as regras gerais das Normas Regulamentadoras e podem variar conforme o porte da empresa, o número de empregados e a gravidade da infração. Hoje, os valores vão de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações relacionadas à saúde do trabalhador e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança do trabalho.

Segundo Scarpelli, não existe uma “multa única” da NR-1. “A multa vai depender do ponto em que o processo falhou: se foi na identificação do risco, na adoção de medidas ou no monitoramento”, afirmou.

Após a autuação, a empresa ainda pode apresentar defesa em processo administrativo. Apesar da possibilidade de multa, especialistas afirmam que o foco inicial é orientar e induzir mudanças na cultura organizacional.

“Não existe expectativa de que todos os problemas sejam resolvidos de imediato. O que se espera é que as empresas comecem a enfrentar o problema, identifiquem os riscos e estabeleçam um plano de ação”, disse Scarpelli.

A juíza do trabalho Mirella Cahú afirma que a atualização da norma também tem caráter preventivo. “A NR-1 funciona como um alerta: esse tema precisa ser tratado com a mesma seriedade que riscos físicos e biológicos.”

O que as empresas terão que fazer?

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação explícita de incluir riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.

Na prática, isso significa deixar de olhar apenas para acidentes físicos ou exposição a agentes químicos e passar a analisar de forma sistemática como a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.

Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a norma muda o foco da análise. “O risco psicossocial não é do trabalhador, é da atividade e da organização do trabalho.”

Ou seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre características individuais e passa a incluir decisões de gestão, metas, jornadas, relações hierárquicas e condições em que o trabalho é executado.

As empresas terão que identificar situações potencialmente adoecedoras e esses riscos precisarão ser registrados formalmente no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com descrição clara de como afetam a rotina de trabalho e quais áreas ou funções estão mais expostas.

“Não basta perceber o risco. Ele precisa estar documentado, com inventário e plano de ação”, afirma a auditora-fiscal Odete Reis.

Além do registro, as empresas terão que demonstrar que adotaram medidas concretas para enfrentar as causas do problema — e não apenas ações pontuais ou simbólicas.

Isso pode incluir revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas, redistribuição de tarefas, mudanças na forma de cobrança, treinamento de lideranças, criação de políticas contra assédio e fortalecimento de canais de denúncia.

“Gerenciar risco é mudar a organização do trabalho”, resume Odete. Segundo os especialistas, as soluções devem levar em conta o porte da empresa, o tipo de atividade e os riscos específicos de cada ambiente de trabalho.

Ou seja: não existem soluções padronizadas.“Cada atividade tem riscos diferentes e precisa de estratégias próprias, construídas de forma responsável”, afirma Mirella Cahú.

Outro ponto central é que as empresas precisarão acompanhar se as medidas estão funcionando, reavaliar periodicamente os riscos e atualizar o PGR sempre que houver mudanças relevantes na dinâmica de trabalho.

“É um processo contínuo. Identifica, age, reavalia e melhora”, explicou Scarpelli. Durante uma eventual fiscalização, as empresas precisarão comprovar, por meio de documentos e práticas internas, que identificaram os riscos psicossociais e adotaram medidas para enfrentá-los.

“Se o gerenciamento não estiver sendo feito, a empresa pode ser autuada”, alertou Odete Reis. A atualização da NR-1 não obriga empresas a contratar psicólogos, oferecer terapia ou criar programas isolados de bem-estar.

Segundo os especialistas, essas iniciativas podem complementar as ações internas, mas não substituem a obrigação central da norma.

“Oferecer benefícios não resolve se o trabalho continuar adoecendo as pessoas”, afirma Mirella Cahú. “A exigência é mudar práticas de trabalho que geram sofrimento.”

O que muda para os trabalhadores?

A atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.

Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de trabalho”, afirmou.

Isso significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade individual” passam a ser analisadas também como consequência da dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.

Especialistas avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.

Outra mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais.

Fonte _ G1

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Foco na Saúde

 


1ª Semana do Técnico de Enfermagem do CETEAC reúne mais de 700 pessoas e reforça valorização dos profissionais da linha de frente da saúde O CETEAC. Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação.

Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes. A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes.

A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores.

Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.

O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem.

O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente. Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala.

O CETEAC Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação. Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes.

A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes. A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores. Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.


O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem. O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente.

Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala

Fonte _ AC24hs

Instituto Butantan firma parceria com Instituto de Saúde para oferecer cursos de capacitação a profissionais do SUS

 


O Instituto Butantan e o Instituto de Saúde (IS) assinaram acordo para ampliar o acesso aos cursos de Ensino à Distância (EaD) produzidos pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Estabelecida em setembro de 2025, a parceria permite que enfermeiros, médicos, técnicos e agentes de saúde ingressem em ao menos 12 cursos da ESIB por meio do site do IS. O objetivo é integrar os cursos, que envolvem temas como imunização e biologia animal, ao plano de desenvolvimento desses profissionais, fortalecendo o atendimento em áreas como vacinação e acidentes com animais peçonhentos.

O interesse pela plataforma da ESIB por parte do Instituto de Saúde surgiu da necessidade de sanar lacunas identificadas na formação de profissionais da saúde. Com cursos gravados, que podem ser acessados a qualquer momento, o modelo incentiva gestores a indicá-los às suas equipes - conforme a necessidade e área de atuação - e acompanhar a evolução dos profissionais até a certificação.

Embora o foco seja o estado de São Paulo, a divulgação dos cursos em canais especializados ajuda a expandir o alcance da plataforma para outras localidades. Atualmente, os cursos EaD da ESIB já atingem todos os estados brasileiros, com maior concentração no Sudeste, seguido das regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Além do Brasil, os cursos da ESIB já foram realizados por alunos residentes em cerca de 30 países como Argentina, Angola, Japão e Estados Unidos. 

Para o diretor da ESIB e vice-diretor do Instituto Butantan, Rui Curi, a democratização do saber científico é central. “É preciso criar mecanismos para que as pessoas compreendam o que está sendo ensinado. Por mais complexo que possa parecer, há formas alternativas de fazer o conhecimento chegar e ser assimilado”, afirma.

Um exemplo prático é o curso Dengue: do mosquito ao diagnóstico, o primeiro a ser integrado à parceria e que segue aberto ao público geral. Ele une especialistas acerca do vírus da dengue, do mosquito Aedes aegypti e um médico que aborda o contexto clínico da doença, explica a analista de cursos e programas da ESIB, Leticia Sueiro. “São recursos multidisciplinares completos que, muitas vezes, permanecem desconhecidos pelos profissionais”, afirma. Além de a proximidade com instituições parceiras contribuir para que mais profissionais conheçam a ESIB, a colaboração ajuda na identificação de novas demandas de cursos e permite o ajuste de carga horária e de nível técnico das disciplinas com mais precisão.

A ESIB oferece também a capacitação Veneno ou Peçonha? e a formação Anfíbios: anuros e cobras-cegas, integrantes de uma série de cursos sobre escorpiões, aranhas, serpentes e peixes peçonhentos - que está sendo lançada gradualmente na plataforma - para auxiliar profissionais na identificação de animais e sintomas em caso de acidentes.

“Queremos que tanto o paciente quanto o enfermeiro que aplica a dose ou o médico que faz o diagnóstico possam efetivamente aprender com nossos cursos”, diz Rui Curi ao ressaltar o compromisso do Instituto Butantan e da ESIB com a elaboração e a disseminação do conhecimento científico em saúde. 

Para Rui Curi, a missão de divulgar a ciência realizada dentro do Butantan para a população faz parte da vocação educadora do Instituto. “Não entregamos apenas vacinas, damos o subsídio científico para que o usuário tire dúvidas e se sinta seguro, ajudando a esclarecer sua comunidade e família”, conclui.

Feito por quem produz conhecimento

A credibilidade da plataforma da ESIB é respaldada pelo seu corpo docente, formado pelos próprios pesquisadores do Instituto Butantan que atuam no desenvolvimento de imunizantes e nos laboratórios de pesquisa, descrevendo e estudando espécies peçonhentas e seus venenos para a produção de imunobiológicos. “Quem ministra o conteúdo é quem efetivamente produz o conhecimento”, destaca o diretor. Desde 2018, a instituição oferece especializações presenciais, semipresenciais e cursos online ao vivo e EaD nas áreas de conhecimento do Instituto Butantan.

Ao todo, os cursos EaD já somavam 64.836 inscritos em abril deste ano, com destaque para Vacinas e Imunidade, que lidera a procura com 24.421 inscrições. Em 2025, o alcance total da plataforma - considerando todas as modalidades - chegou a 130 mil usuários. 

Os cursos de curta duração da ESIB também estão abertos ao público geral interessado nos temas da instituição.

Serviço

Acesse o site da ESIB para conhecer os cursos 

Fonte _ Butantan

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Por que o governo do Brasil é obcecado por vacinas

 


Nos últimos meses, mais de 1 milhão de médicos e enfermeiros no Brasil foram vacinados contra a dengue. A doença transmitida por mosquitos é um problema perene, e a vacinação contra a dengue normalmente depende de doses estrangeiras caras. Mas este ano, pela primeira vez, a vacina é nacional. Aprovada em novembro, a Butantan-DV é a primeira imunização de dose única do mundo contra a dengue (uma dose é mais fácil do que duas, especialmente quando se vacina populações pobres e rurais).

É também a primeira vacina totalmente desenvolvida no Brasil. O Instituto Butantan, uma instituição de pesquisa pertencente ao estado de São Paulo, cuidou da formulação, dos testes e da fabricação. Em 4 de maio, a produção de uma vacina contra a chikungunya, outra doença transmitida por mosquitos, também foi aprovada pelo instituto. Ele está trabalhando em uma vacina para a zika, diz Esper Kallás, diretor do Butantan.

Esse é o tipo de "soberania médica" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja. Lula, como é popularmente conhecido, voltou ao poder em 2023 após a pandemia de Covid. A onda da doença expôs a fragilidade do setor farmacêutico brasileiro. A participação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) produzidos domesticamente era de apenas 5% no início da pandemia —menor do que em Bangladesh—, segundo dados da Abiquifi, associação comercial brasileira.

Cadeias de suprimentos globais apertadas deixaram o Brasil sem seringas e anestésicos, quanto mais vacinas. Uma vacina brasileira, a ButanVac, foi abandonada devido ao desempenho insatisfatório. Mais de 700 mil pessoas morreram de Covid no Brasil.

Essa fragilidade criou pressão política por melhorias. Lula assumiu a bandeira. Mas antes, o setor farmacêutico definhava durante seus dois primeiros mandatos como presidente, de 2003 a 2010. Depois que governos de direita liberalizaram e reduziram tarifas sobre o setor nos anos 1990, ele desistiu efetivamente de pesquisa e desenvolvimento em favor de produzir medicamentos genéricos e fazer o trabalho de "envase e acabamento" final para marcas estrangeiras. Seus esforços para criar "campeãs nacionais" enfrentaram dificuldades.

A maioria das empresas estava satisfeita vendendo genéricos. Um programa de empréstimos para empresas de saúde criado pelo BNDES, o banco de desenvolvimento estatal do país, teve baixa adesão. Um programa de transferência de tecnologia de 2009 avançou pouco. China e Coreia do Sul dispararam na frente em pesquisa e desenvolvimento; a Índia aumentou sua produção de genéricos. O Brasil ficou estagnado no meio, diz Jorge Guimarães, ex-presidente da Embrapii, a agência de inovação industrial.



O sucesso recente do Butantan é resultado de uma abordagem nova e mais vigorosa. Mais dinheiro é um elemento. Desde 2023, o orçamento do Ministério da Saúde aumentou 30%. Em 2024, o BNDES mais que dobrou o valor que empresta para empresas de saúde (veja o gráfico). Faz parte de um programa industrial mais amplo para o "complexo econômico-industrial da saúde" com um orçamento de cerca de US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).

O governo faz empréstimos e doações para empresas brasileiras, além de adquirir participações acionárias. O objetivo é aumentar a participação de medicamentos e equipamentos médicos produzidos localmente de 45% em 2024 para 70% em 2033. Uma fábrica sendo construída perto do Rio de Janeiro vai quadruplicar a capacidade do Brasil de finalizar vacinas parcialmente processadas.

Novas leis também ajudaram. O governo mudou as regras para pesquisa clínica em 2025 para acelerar a aprovação de ensaios. Isso deve ajudar investigações iniciais sobre novos medicamentos, onde a relativa inexperiência da Anvisa, a agência reguladora, estava sufocando a inovação, diz Reginaldo Arcuri, da FarmaBrasil, uma associação comercial. O Senado também deve votar uma estratégia nacional de saúde que daria preferência adicional a fabricantes nacionais em compras públicas.

A fuga de cérebros era outro problema. Quase 7.000 pesquisadores deixaram o Brasil entre 2015 e 2022, segundo um instituto de pesquisa. O governo Lula respondeu com programas para atrair e reter cientistas, bem como para fomentar parcerias com brasileiros trabalhando no exterior. Um deles, "Conhecimento Brasil", tinha um orçamento de mais de US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) para gastar em pesquisa em 2025 e conseguiu atrair 600 cientistas de volta para casa.

Outros US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) foram destinados a pesquisas no exterior. Este ano, o projeto vai financiar mil doutorados e investir mais US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) em, entre outras coisas, atrair estrangeiros. Os Estados Unidos são um alvo suculento, diz Alexandre Padilha, o ministro da Saúde, já que a agenda anticientífica de Donald Trump está afastando pesquisadores.

Lula também está de olho em benefícios mais amplos. A economia do Brasil funciona com exportações de commodities. Ele espera que dominar a biotecnologia traga retornos extraordinários e habilidades transferíveis para a manufatura como um todo. O governo também espera que impulsionar a indústria farmacêutica doméstica possa reduzir o alto custo de importar medicamentos para o sistema público de saúde, o maior sistema de saúde pública universal e gratuito do mundo.

O Ministério da Saúde diz que o governo economizou US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) entre 2011 e 2017 graças aos preços mais baixos cobrados por empresas usando IFAs nacionais. Não está claro se o governo inclui os custos dos pesados subsídios por trás desses números.

Há obstáculos para um boom farmacêutico brasileiro. A cultura é o mais complicado. Poucas empresas farmacêuticas se importam com os objetivos de Lula. Seu negócio de genéricos rende lucro consistente com pouco risco. O fato de o Estado estar financiando tudo abre espaço para acusações de concorrência desleal. O governo Trump tem uma investigação pendente sobre as políticas industriais do Brasil, incluindo no setor farmacêutico.

Suas coisas, meus preços

A atitude relaxada de Lula em relação à propriedade intelectual também pode ser um problema. Ele supostamente considerou escalar a briga com Trump encerrando as patentes brasileiras de corporações americanas. Nenhuma empresa farmacêutica quer investir em um país que pode confiscar sua propriedade. Lula também precisa lidar com algumas escolhas difíceis.

Preços altos de medicamentos são impopulares, mas usar tetos de preços para manter os remédios baratos pode desencorajar P&D (pesquisa e desenvolvimento) privado. A autarquia pode colocar mais de uma indústria sob controle estatal, mas também pode desestimular a inovação.

O desenvolvimento de novos medicamentos está acontecendo no Butantan. Mas o instituto se beneficia de um alinhamento incomum de pesquisa, regulação e fabricação em torno das necessidades —e do dinheiro— do Estado. O Brasil não pode esperar replicar isso em toda a indústria. A Merck, uma gigante farmacêutica multinacional, gasta cerca de US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões) por ano em pesquisa e desenvolvimento, aproximadamente dez vezes todo o gasto farmacêutico estatal do Brasil, mesmo após a expansão de Lula.

Na melhor das hipóteses, o Estado pode desenvolver alguns produtos, como vacinas, onde a economia de saúde pública faz sentido. Um boom mais amplo exige que Lula abandone sua desconfiança da iniciativa privada. Enquanto se prepara para concorrer à presidência pela sétima vez em outubro, isso parece improvável.

Fonte _ Folha/SP

SUS vai incorporar exame mais eficaz para detectar câncer colorretal

 


Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) que o SUS (Sistema Único de Saúde) adotará um novo exame para o diagnóstico de câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal.

A incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em um evento em Lyon, na França, que marcou o início de uma parceria entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde). A previsão é que o FIT esteja disponível a partir do segundo semestre.

Segundo a pasta, o novo exame poderá ser feito por homensmulheres assintomáticos que tenham entre 50 e 75 anos, faixa etária em que se inicia o rastreamento para o câncer de intestino. Com eficácia de 85% a 92%, o FIT é considerado mais eficaz do que o método utilizado atualmente, de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

À Folha o ministro Alexandre Padilha afirmou que o exame facilita o rastramento porque pode ser feito na atenção primária, excluindo a necessidade de visita a um hospital. "O protocolo de coleta no ambiente extra hospitalar é fundamental para a identificação dos casos assintomáticos", disse.

O câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil. Entre homens, fica atrás apenas do câncer de próstata; entre mulheres, é superado pelo câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que 53,8 mil novos casos de câncer colorretal apareçam por ano no país no triênio 2026-2028.

Olival de Oliveira, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), afirma que a incorporação do FIT no sistema público eleva a qualidade do diagnóstico do câncer do intestino no país. Segundo ele, o exame reduz o índice de falsos positivos e evita gastos desnecessários com colonoscopia no SUS.

"O modelo utilizado atualmente foca em sangue oculto nas fezes, evidenciado por manchas vermelhas. Porém, para funcionar, o paciente precisa fazer dieta com restrição de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes. Por essa particularidade, é comum o falso positivo", explica Oliveira.

O FIT, por sua vez, não exige restrição alimentar. Segundo o especialista, a oferta do exame era uma reivindicação antiga das entidades que representam as especialidades de proctologia e endoscopia.

Para pessoas com menos de 50 anos, o protocolo continua sendo a colonoscopia, feita quando há histórico de câncer entre familiares do paciente ou sintomas da doença. Sem esses dois condicionantes, não é comum o rastreamento em pessoas com menos de 50 anos, idade em que a incidência aumenta.

O FIT detecta marcas de sangue nas fezes invisíveis a olho nu. O método é considerado uma das principais estratégias de rastreamento por ser simples, não invasivo e de baixo custo.

O exame é feito a partir da coleta de uma pequena amostra de fezes em casa, usando um kit fornecido pelo serviço de saúde ou laboratório. O material é então enviado para análise laboratorial, onde busca-se traços de hemoglobina humana, proteína presente no sangue.

O FIT é uma das etapas do rastreio, não a única. Em casos positivos, os pacientes examinados são enviados para colonoscopia, que vai identificar a existência ou não de lesões e alterações como pólipos, inflamações e tumores.

O preparo para a realização de colonoscopia inclui dieta leve e uso de laxantes para limpar completamente o cólon, essencial para que o médico visualize adequadamente a parede intestinal.

O procedimento é realizado com sedação. O médico introduz pelo ânus do paciente um aparelho fino e flexível equipado com câmera, chamado colonoscópio, que percorre o reto e o intestino grosso transmitindo imagens em tempo real para um monitor.

Além de identificar lesões suspeitas, a colonoscopia permite retirar tumores que podem evoluir para câncer e coletar fragmentos de tecido para biópsia. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe alerta para aumento do número de casos de SRAG no país

 


Divulgada nesta quinta-feira (21/5), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. O estudo alerta que a incidência de SRAG se mantém mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem sido impulsionado pela influenza A. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 19, período de 10 a 16 de maio.

A análise destaca ainda que - com exceção de Rondônia - todas as unidades federativas (UF), estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), sendo que 18 delas também estão com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19. São Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Em relação às regiões, a atualização mostra que os casos de SRAG por VSR têm aumentado na maioria dos estados da região Nordeste e no centro-sul. No Norte, o Pará apresenta tendência de aumento das hospitalizações pelo vírus, atingindo uma incidência extremamente alta. Nos demais estados do Norte, assim como no Distrito Federal e em Goiás, as ocorrências graves por VSR estão estáveis ou em queda. Já os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, porém mostram retomada do crescimento no Ceará e Maranhão.

“Diante da alta atividade dos vírus influenza A e VSR, é essencial que a população elegível esteja vacinada contra esses vírus. E mesmo com a baixa circulação da Covid-19, também é importante que a população de risco esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra o vírus, já que ele ainda é uma causa importante de óbitos por SRAG entre os idosos”, ressalta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando no Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins. Nos demais estados, seguem com tendência de queda ou interrupção do crescimento. Contudo, mesmo com indícios de interrupção do crescimento ou queda, as hospitalizações por influenza A continuam altas em Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Sergipe.

Segundo o InfoGripe, 16 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Porto Alegre (RS), Rio de  Janeiro (RJ) e Salvador (BA).

Dados epidemiológicos

O cenário atual, em nível nacional, aponta crescimento de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Referente ao ano epidemiológico 2026, foram notificados 63.634 casos de SRAG, sendo 29.517 (46,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 23.594 (37,1%) negativos e cerca de 6.014 (9,5%) aguardando resultado laboratorial.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 24,5% de influenza A, 4,4% de influenza B, 44,5% de vírus sincicial respiratório, 24,4% de rinovírus e 2,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 51,8% de influenza A, 4% de influenza B, 11,4% de vírus sincicial respiratório, 15,4% de rinovírus e 11,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26% de Influenza A, 2,4% de influenza B, 27,4% de vírus sincicial respiratório, 35% de rinovírus e 6,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR, enquanto o aumento de SRAG nas demais faixas. A incidência de SRAG por Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

terça-feira, 19 de maio de 2026

Diretor da OMS diz estar 'profundamente preocupado' com escala e velocidade da epidemia de ebola

 


O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) se declarou "profundamente preocupado com a escala e velocidade" da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo.

"Convocaremos hoje o comitê de emergências para que nos aconselhe sobre recomendações temporárias", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia annual dos Estados-membros da OMS.

A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia de ebola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15 mil mortes na África.

"Não tomei essa decisão levianamente... Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia", afirmou Adhanom Ghebreyesus sobre a declaração de emergência. Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto.

A atual epidemia na República Democrática do Congo teria provocado 131 óbitos e 513 casos suspeitos até o momento, afirmou nesta terça-feira (19) o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba.

"Registramos 131 mortes e temos 513 casos suspeitos", declarou o ministro à televisão nacional. "Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola", explicou.


Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços são baseados principalmente em casos suspeitos.

O balanço anterior do ministro congolês da Saúde mencionava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.
A situação levou a agência de saúde da União Africana (África CDC) a declarar uma "emergência de saúde pública" continental.


Segundo a agência, a declaração permitirá "reforçar a coordenação regional, facilitar a mobilização rápida de recursos financeiros e técnicos, e consolidar os sistemas de vigilância e de laboratório".

O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste do Congo, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade de mineração.

O vírus se propagou para além de Ituri e das fronteiras da RDC, com duas mortes registradas em Uganda, segundo a OMS.

As vítimas são pessoas que viajaram ao país a partir do congo, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que é a doença mão-pé-boca, infecção altamente contagiosa comum em crianças pequenas

 


Muita gente nunca ouviu falar da doença mão-pé-boca (MPB), mas quem já enfrentou o problema, não esquece. "Houve noites que a gente chorava junto, de tanta dor que minha filha sentia", relata a autônoma Viviane Rodrigues, 37 anos.

Ester, 3, contraiu a síndrome de outra criança da família há cerca de quatro meses e, na ocasião, teve muita febre e foi mais afetada na garganta —a escola do menino de 8 anos havia passado por alguns surtos de MPB. "Não foi culpa dele, mas é algo que prolifera muito rápido. Ela tentava mamar e não conseguia, acho que não conseguia engolir nem saliva", lembra a mãe.

Altamente contagiosa, a síndrome MPB é causada por enterovírus como o Coxsackie e é marcada por febre alta, dor de garganta e lesões vesiculares (bolhas), em especial na mucosa bucal, língua, mãos e pés.

Coxsackie é mais comum nos meses de outono e verão no hemisfério Norte, mas, no Brasil, o padrão é menos característico, segundo documento científico da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A transmissão ocorre entre indivíduos pelo contato com secreções respiratórias —como saliva, tosse e espirros— e fecais. "A pessoa infectada pode transmitir o vírus mesmo antes do aparecimento dos sintomas e continuar eliminando o agente infeccioso por semanas, especialmente nas fezes", alerta, por meio de nota, o médico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do departamento científico de Infectologia da SBP.

Nas redes sociais, em postagens sobre o tema, é comum encontrar relatos de pais que contraíram a doença dos filhos, com sintomas como descamações tão intensas que levaram a perda das unhas e até quadros em que o vírus chegou ao sistema nervoso, causando encefalite.

Embora sejam raros, nos últimos anos, a literatura médica observou em epidemias na Ásia casos em que a doença foi fatal, principalmente quando estava presente a cepa viral EV71. Nos óbitos registrados, o vírus atingiu o sistema nervoso central, "provocando alterações circulatórias, cardíacas e edema pulmonar", afirma o relatório da SBP.

Em geral, os sintomas melhoram em duas semanas, com tratamento que costuma ser paliativo, focado em amenizar os sintomas. O pediatra e infectologista Marcos Junqueira do Lago, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que é uma doença que "muito raramente pode até evoluir de uma forma mais grave".

O docente também diz que o MPB costuma acometer o paciente apenas uma vez na vida de forma mais intensa. "Não é impossível ter uma segunda infecção, caso o vírus tenha sofrido alguma mutação, mas normalmente é bem mais branda que a primeira e não é comum, é bastante raro", afirma Lago.

Por essa razão, os principais grupos de risco são os de crianças abaixo dos cinco anos de idade e o de adultos que nunca foram expostos ao vírus.

Como saber se é pé-mão-boca?

O médico Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico do Hospital Infantil Darcy Vargas, diz que as lesões características da MPB costumam ser dolorosas e variam de formato, podendo se apresentar como "bolinhas com líquido dentro", chamadas vesículas ou pápulas. "E, às vezes, são tipo caroços pequenos, que podem ser muito dolorosos, frequentemente nas mãos e nos pés, [além de] úlceras na boca", diz Otsuka.

Outro sintoma que pode surgir de três a oito semanas após a fase aguda é a onicomadese, que consiste no descolamento da unha a partir da base. Apesar de assustar os pais, o quadro costuma melhorar gradualmente com a recuperação total das unhas em cerca de dois meses, sem necessidade de tratamento específico.

De acordo com Lago, o diagnóstico de pé-mão-boca hoje é facilitado por exames como PCR, técnica de reação em cadeia de polimerase que ficou popular durante a Covid. "Você consegue fazer exame de secreção respiratória e detectar o vírus na saliva da pessoa contaminada e, eventualmente, até nas fezes. Existem também exames de sangue se já teve ou não infecção pelo Coxsackie", afirma o docente.

Tratamento

Não existem medicamentos antivirais específicos para a MPB. A doença é, na maioria das vezes, benigna e autolimitada, durando de sete a dez dias. O tratamento foca no alívio dos sintomas, como controle da febre e da dor —que tendem a melhorar logo na primeira semana.

"A doença não exige internação, existe só observação clínica, acompanhamento, tratamento sintomático. Caso haja alguma alteração neurológica ou física, exames vão ser feitos, mas isso é extremamente raro", ressalta Lago.

Além disso, é recomendado fazer a higiene das lesões para evitar contaminação. O uso de laser para aliviar sintomas ou melhorar a cicatrização é uma terapia que precisa ser indicada e acompanhada pelo médico responsável.

Prevenção

Os cuidados preventivos consistem em hábitos de higiene básicos, como lavar as mãos sempre que for ao banheiro ou fizer uma troca de fralda. Otsuka recomenda ainda evitar beijar crianças na boca ou próxima a esta parte do corpo e "higienizar adequadamente brinquedos e superfícies", uma vez que crianças pequenas tendem a morder objetos.

"Nos pequenos, o principal desafio está relacionado à dor causada pelas lesões na boca, que pode dificultar a ingestão de líquidos e alimentos, aumentando o risco de desidratação, a complicação mais comum", diz Sáfadi.

A SBP informa que a MPB "não é considerada de notificação compulsória, entretanto, a ocorrência de dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto."

Crianças com sintomas também não devem ser enviadas para escola. Para Rodrigues, mesmo com período de incubação, estar atento é uma medida simples e pode preservar os colegas de muito sofrimento. "Se você tem um filho em ano letivo e vê que está com esse problema, não deixe ele ir para a escola, cuide em casa para que não passe para outra criança", reforça a mãe.

Fonte _ Folha/SP