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AO
VIVO, 24 HORAS DE SPA 2026
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ao vivo no GRANDE PRÊMIO a edição 2026 das 24 Horas de Spa, uma das corridas
mais importantes, desafiadoras e tradicionais do automobilismo mundial.
Durante
24 horas, os melhores pilotos, equipes e fabricantes do planeta enfrentam o
lendário circuito de Spa-Francorchamps em uma prova marcada por velocidade,
estratégia, tráfego intenso, mudanças climáticas e batalhas emocionantes até a
bandeirada final.
Ferrari,
Porsche, BMW, Mercedes-AMG, Lamborghini, McLaren, Aston Martin e outras marcas
disputam a vitória em uma das joias da Tríplice Coroa informal do endurance GT.
O
GRANDE PRÊMIO, a casa do endurance no Brasil, transmite ao vivo a corrida
completa com imagens, narração e comentários em português.
Data:
27 de junho de 2026
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Grande Prêmio da Holanda, válido pela 10ª etapa da temporada, realizado no tradicional TT Circuit Assen
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A
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e Caprichoso do segundo dia de apresentações do festival de
Parintins 2026.
Obs:
Está será uma única live para os dois bois, fique ligado!
A
prevalência do sobrepeso ou obesidade pode
ter um custo equivalente a R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano aos cofres
públicos brasileiros, o equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto)
nacional, aponta análise conduzida pelo Instituto Cordial, realizador do Painel
Brasileiro da Obesidade.
O
valor pode ultrapassar R$ 60,5 bilhões até 2033, de acordo com o levantamento,
financiado pela Novo Nordisk, farmacêutica que produz as canetas Ozempic e
Wegovy.
Para
chegar aos números, os pesquisadores adaptaram ao contexto brasileiro um modelo
fiscal internacional desenvolvido pela consultoria GMAS (Global Market Access
Solutions), cruzando dados de saúde,
mercado de trabalho e arrecadação tributária.
A
análise cruzou microdados da última edição da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde),
de 2019, com variáveis de gênero, idade e mortalidade para medir o peso da
obesidade em três frentes: custos no sistema de saúde, reflexos na renda e
empregabilidade no mercado de trabalho e o impacto fiscal nas contas do
governo.
Para
chegar aos valores finais, os pesquisadores aplicaram modelos de regressão
estatística que compararam os indicadores reais de 2024 com um cenário
hipotético de "prevalência zero" da enfermidade.
O
maior bloco trata dos custos
de saúde associados à doença e suas comorbidades, que alcançam R$
29,56 bilhões anuais.
Em
seguida, vem a perda de arrecadação tributária, estimada em R$ 9,94 bilhões
—dos quais R$ 7,35 bilhões são em impostos diretos, e R$ 2,59 bilhões em
indiretos.
Gastos
com invalidez somam R$ 6,05 bilhões por ano, considerando que mais
de 240 mil aposentadorias no Brasil estão associadas às condições.
Dentro
do sistema público de saúde, os custos diretos associados à obesidade já
ultrapassam R$ 1,89 bilhão ao ano. Do total, R$ 911,6 milhões correspondem a
internações hospitalares e R$ 983,8 milhões, a gastos com medicamentos.
Luís
Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial, diz que esse
valor, na verdade, chega a R$ 29,56 bilhões se forem avaliadas outras doenças
associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes e dislipidemias, e os custos
associados a elas.
Pesquisas
avaliadas pelos autores apontam que, em 2022, o Brasil gastou US$ 654 milhões
(cerca de R$ 3,4 bilhões) com doenças crônicas não transmissíveis associadas a
sobrepeso e obesidade no SUS (Sistema
Único de Saúde), com destaque para doenças cardiovasculares, respiratórias e
neoplasias.
Cada
ponto adicional no IMC (Índice de Massa Corporal) médio da população representa
um custo extra de R$ 387,3 milhões ao sistema público de saúde por ano, afirma
o estudo.
Outro
dado levantado é a disparidade do impacto entre homens e mulheres no mercado de
trabalho. Segundo a pesquisa, mulheres
com obesidade recebem salários entre 4% e 9% menores do que
mulheres sem a condição. A diferença pode chegar a 15%.
A
análise dos microdados da PNS de 2019 mostrou que a participação de mulheres na
força de trabalho cai progressivamente conforme o IMC aumenta, mas o padrão não
se repete entre homens com a mesma intensidade.
"O
impacto cultural no corpo das mulheres é muito pior. Isso no mercado de
trabalho se reflete
em salários mais baixos também, cargos piores, e isso acaba impactando
na massa salarial das pessoas", afirma Meyer, complementando que isso
também afeta a arrecadação tributária.
Para
os homens, parte dos modelos analisados mostra que a obesidade não apresenta
efeito estatisticamente significativo sobre salários, enquanto em outros, está
associada a melhores resultados.
Para
Meyer, não necessariamente a obesidade em homens está associada ao sucesso na
carreira, mas talvez homens em posições de liderança apresentam maior índice de
obesidade.
O
estudo conclui que investir em prevenção e tratamento é uma estratégia fiscal,
além de sanitária. Segundo os autores, pequenas reduções na prevalência da
doença têm efeito imediato nas contas públicas: cada 1% de queda nos índices de
obesidade gera uma economia de R$ 444,6 milhões por ano.
Para
que esse cenário seja alcançado, Meyer reforça a necessidade do investimento em
políticas públicas. "A obesidade já está sendo entendida como doença e tem
que ser lidada no contexto da saúde pública.
Então, sua resposta vai no caminho de o que a gente tem que fazer na saúde
pública."
Segundo
ele, o caminho passa pela atualização das linhas de cuidado nacionais,
envolvendo equipes multiprofissionais e a capacitação desses profissionais para
o acolhimento da pessoa com obesidade. "A palavra de ordem agora é
implementação de política pública", afirma.
O
tratamento da obesidade tem ganhado maior atenção com a popularização dos
medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. No
Brasil, os medicamentos autorizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) para o tratamento da obesidade são: Saxenda e Olire (liraglutida),
Wegovy e Poviztra (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), Povitztra
(semaglutida).
No
último mês, a Novo Nordisk fez uma nova
submissão à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no SUS) para incorporar o medicamento Wegovy no sistema público de
saúde brasileiro. A proposta da farmacêutica é atender pacientes com obesidade
que já sofreram
infarto.
Na
submissão feita em 2025, abrangendo um público mais amplo, a comissão negou o
pedido ao apontar impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres públicos. Por isso, a
empresa diz ampliar o desconto para 59%, estimando que 38.598 pacientes poderão
receber o tratamento, ao custo de R$ 500 milhões a R$ 650 milhões por ano.
"A
proposta considera dados clínicos robustos, incluindo evidências de redução de
eventos cardiovasculares, e foi estruturada para apoiar uma avaliação de
custo-efetividade no contexto do SUS", afirma o vice-presidente de
assuntos corporativos e sustentabilidade da Novo Nordisk no Brasil, Leonardo
Bia.
Fonte _ Folha/SP
Os
casos de Srag
(Síndrome Respiratória Aguda Grave) causados pelo VSR (vírus
sincicial respiratório) caíram entre bebês de até seis meses depois que o SUS
(Sistema Único de Saúde) passou a oferecer a vacina contra o VSR para
gestantes, em dezembro do ano passado. O vírus é a principal causa de bronquiolite e
de internações por doenças respiratórias em bebês.
Segundo
dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação
Oswaldo Cruz), foram registrados 14.677 casos nessa faixa etária até a 20ª
semana epidemiológica (23 de maio), o menor número desde 2023. A queda é de
16,6% ante o mesmo período de 2025, quando houve 17.604 registros.
Aplicada
na gestante a partir da 28ª semana de gravidez, a vacina protege o bebê por
meio da transferência de anticorpos pela placenta, do nascimento até os seis
meses de vida, intervalo em que os recém-nascidos correm maior risco de formas
graves da doença.
A
queda de casos graves aparece só nessa faixa etária. Entre crianças mais
velhas, fora do alcance da proteção materna, os casos subiram até 23 de maio,
na comparação com o mesmo período de 2025, e atingiram o maior patamar da
série. Na faixa de 6 a 12 meses, passaram de 9.967 para 11.161 (alta de 12%);
entre 1 e 2 anos, de 10.103 para 11.466 (13,5%); e entre 2 e 4 anos, de 8.597
para 10.121 (17,7%).
Esse
contraste sustenta a relação entre a vacina e a queda de casos de bronquiolite
entre bebês de até 6 meses, segundo Tatiana Portella, pesquisadora do
InfoGripe.
"Como
essa tendência de redução das hospitalizações no grupo vacinado não foi
observada no grupo não vacinado, é muito provável que essa diminuição seja
decorrência da vacina", afirma.
Os
bebês de até seis meses costumam concentrar o maior volume de casos graves.
Como as faixas mais velhas tiveram alta neste ano, seria de esperar aumento
também entre os recém-nascidos.
O
pediatra Eduardo Jorge Lima, presidente do Departamento de Imunizações da SBP
(Sociedade Brasileira de Pediatria), afirma que os dados que mostram redução de
casos de SRAG por VSR em bebês de até seis meses são consistentes com o que se
espera da estratégia, mas alerta que ainda não permitem concluir relação de
causa e efeito.
"Os
dados são bastante interessantes porque mostram uma redução justamente na faixa
etária que esperamos proteger com a vacinação materna. Esse achado é
biologicamente plausível e compatível com o mecanismo de ação da vacina",
afirma. "Mas é importante diferenciar associação de causalidade."
Segundo
ele, são necessários estudos de efetividade mais amplos para confirmar o
impacto da estratégia. Esses estudos, segundo Portella, estão sendo conduzidos
pela Fiocruz, mas ainda sem data para divulgação.
Para
as crianças que não são alcançadas pela vacina materna, as alternativas são
limitadas. Não há vacina contra o VSR voltada a crianças mais velhas.
O
que o SUS oferece a parte desse público é o nirsevimabe,
anticorpo de ação imediata contra o vírus. Lima afirma que as duas
estratégias, com a vacina para a gestante, são complementares e ampliam a
proteção dos bebês contra uma das principais causas de internação no primeiro
ano de vida.
Ele
é voltado para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36
semanas e 6 dias, e para crianças de até 23 meses com comorbidades como
cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de
Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias
aéreas.
Diferentemente
da vacina, que estimula o organismo a produzir a própria resposta ao longo do
tempo, o nirsevimabe é um anticorpo pronto, que age logo após a aplicação.
O
VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos
registros de pneumonia em crianças menores de dois anos, segundo o Ministério
da Saúde. Em 2025, o país registrou 120.176 casos de Srag por vírus
respiratórios; desses, 43.946 (36,6%) foram causados pelo VSR, e 36.218
hospitalizações ocorreram em menores de dois anos.
Fonte _ Folha/SP
Enchentes,
inundações e enxurradas já atingiram milhares de pessoas no Brasil, deixando
perdas materiais, danos à infraestrutura e mortes. Um
estudo que analisou desastres hidrológicos registrados no país entre 2000 e
2023, a partir de índices inéditos, mostra que as perdas humanas e os
prejuízos à infraestrutura de saúde não se distribuem de forma uniforme no
país, e seus impactos atingem com mais intensidade a Região Norte.
O
estudo, desenvolvido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e
Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), se debruçou em avaliar os
prejuízos imediatos causados por desastres hidrológicos no Brasil, tendo como
foco as perdas humanas e danos à infraestrutura de saúde. Realizada em parceria
com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade
Federal do Alagoas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da London
School of Hygiene and Tropical Medicine, a pesquisa desenvolveu três
indicadores para medir esses impactos.
Um
deles é o Índice de Perdas Humanas (Human Loss Index - HLI), composto por
informações sobre mortes, feridos, enfermos, desabrigados, desalojados e
desaparecidos. Há ainda o Índice de Perdas na Infraestrutura de Saúde (Health
Infrastructure Loss Index - HII), que considera a quantidade de unidades de
saúde danificadas ou destruídas, o valor monetário dos danos materiais às
instalações de saúde pública e prejuízos associados à assistência médica, à
saúde pública e ao atendimento médico de emergência. E o Índice Geral de
Severidade (General Severity Index - GSI), que combina os dois anteriores.
A
partir de dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), os
pesquisadores analisaram a frequência, intensidade e distribuição desses
eventos ao longo do tempo e do território brasileiro. Embora muitas vezes
tratados como “naturais”, esses desastres resultam da combinação entre mudanças
climáticas, vulnerabilidades socioeconômicas, ação humana e ausência ou
inadequação de políticas públicas, atingindo com maior intensidade populações
já vulnerabilizadas e regiões com menor capacidade de resposta.
De
acordo com a pesquisadora líder do estudo, Gisele Paixão Pereira, as perdas
humanas apresentam maior distribuição no território brasileiro, mas no que
tange a infraestrutura de saúde, a análise indicou uma maior concentração dos
impactos na Região Norte. “Do ponto de vista territorial, os
municípios da região amazônica, especialmente Japurá e Atalaia do Norte,
registraram os maiores índices combinados de perdas. Esses resultados refletem
vulnerabilidades associadas ao isolamento geográfico, à fragilidade da
infraestrutura local e às desigualdades socioeconômicas”, explica.
Ainda
segundo a pesquisadora, o impacto dos desastres hidrológicos na Região
Norte também está associado à presença de populações indígenas, que
costumam ser mais vulnerabilizadas historicamente aos impactos dos eventos
climáticos extremos. O mesmo ocorre com populações ribeirinhas e moradores de
municípios isolados.
“No Norte,
os impactos são agravados pela fragilidade das unidades de saúde, marcada por
deficiências estruturais, ausência de protocolos de emergência e escassez de
recursos humanos e materiais, o que frequentemente leva à interrupção dos
serviços durante eventos extremos”, pontua.
Os
territórios refletidos nos impactos
Em
nível nacional, os resultados sugerem que a ocorrência de desastres afetou
principalmente áreas residenciais, em vez de instalações de saúde pública. E,
ao longo dos anos, as perdas humanas variaram menos, com alguns picos em 2006,
2011, 2015 e 2019. Já os danos à infraestrutura de saúde, ocorreram com menor
frequência, com valores máximos em 2012, 2019 e 2023. Nesses casos, a
capacidade de atendimento em momentos críticos foi comprometida.
Os
municípios pequenos, isolados e socialmente vulnerabilizados são os que mais
sofreram com os impactos de desastres hidrológicos no Brasil, locais onde as
unidades de saúde operam com fragilidades estruturais, escassez de
profissionais e limitações de recursos. Os maiores níveis de severidade foram
identificados em municípios do Amazonas, com destaque para Japurá, que
registrou o maior Índice Geral de Severidade, seguido por Careiro da Várzea e
Atalaia do Norte, todos no estado do Amazonas.
Além
deles, os autores identificaram municípios severamente afetados em diferentes
regiões do país. No Nordeste, inundações têm se tornado uma ameaça crescente,
agravada por vulnerabilidades sociais e deficiências estruturais. No Sul e
Sudeste, a maior renda média não elimina fragilidades na infraestrutura urbana
e na gestão de riscos. Esse resultado evidencia que os impactos dos desastres
hidrológicos não se restringem à Amazônia, alcançando também regiões com perfis
socioeconômicos e capacidades institucionais distintas.
“Os
desastres hidrológicos no Brasil são fortemente influenciados por desigualdades
sociais, planejamento urbano deficiente e políticas preventivas frágeis. As
perdas humanas e de infraestrutura de saúde afetam desproporcionalmente as
populações vulnerabilizadas, agravando as desigualdades pré-existentes”,
observa Gisele.
Diante
do aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos associados às
mudanças climáticas, Gisele e os demais autores defendem estratégias integradas
que combinem adaptação climática, redução da pobreza e das desigualdades
sociais e regionais, bem como o fortalecimento da infraestrutura pública urbana
e de saúde. Ela também destaca que as iniciativas internacionais, como o acordo
global adotado pelas Nações Unidas, o Marco de Sendai para a Redução do Risco
de Desastres e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das
Nações Unidas (ONU), frisam a importância da redução da mortalidade, quantidade
de pessoas afetadas e perdas econômicas nas consequências de desastres. Para
isso, Gisele destaca a importância de haver monitoramento e relatos dos
impactos de eventos extremos. Uma das maneiras de realizar isso é tendo os
índices desenvolvidos como ferramenta.
“A
construção desses indicadores pode funcionar como uma ferramenta estratégica
para a governança do risco de desastres, apoiando gestores na identificação de
áreas mais vulneráveis, na priorização de investimentos preventivos e no
planejamento de ações de resposta, recuperação e reconstrução”, enfatiza
Gisele. Os resultados do estudo apontam que cidades mais preparadas e menos
vulnerabilizadas socialmente tendem a sofrer menos perdas diante de eventos
climáticos extremos.
Fonte _ FioCruz
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Tirando
o Delay da transmissão do jogo no YouTube na TV
Todos
os anos, meses antes da vacinação contra a gripe começar,
cientistas de diferentes partes do mundo se deparam com uma pergunta crucial:
quais versões do vírus influenza terão maior probabilidade de circular nas
temporadas seguintes de influenza nos hemisférios Norte e Sul? A resposta é
construída com o auxílio de uma extensa rede global de vigilância que
monitora continuamente a evolução do vírus e orienta a composição das próximas
vacinas que serão produzidas – caso da versão trivalente fabricada pelo
Instituto Butantan e disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
“Trata-se
de um esforço contínuo coordenado pela Organização Mundial da Saúde [OMS], que
envolve centenas de laboratórios distribuídos por mais de 130 países”, afirma a
especialista em vírus respiratórios e pós-doutoranda do Centro para Vigilância
Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) do Instituto Butantan Isabela Carvalho
Brcko.
Esse
trabalho de vigilância permite transformar dados coletados em diferentes partes
do globo na composição de milhões de doses capazes de proteger a população
contra o Influenza, vírus em constante transformação. Segundo dados da OMS, cerca de um bilhão de casos de
gripe sazonal ainda ocorrem todos os anos no mundo, dos quais três a cinco
milhões podem evoluir para quadros mais graves.
Nem
todo vírus da gripe é igual
O
vírus influenza possui uma série de peculiaridades, a começar pela sua
variedade. Hoje, existem três tipos do agente infeccioso conhecidos pela
comunidade científica e que circulam entre os humanos: o Influenza A, B e C –
porém, apenas os dois primeiros podem provocar epidemias sazonais.
A
chamada gripe “A”, por exemplo, é classificada em subtipos de acordo com a
combinação de duas proteínas encontradas em sua superfície: a hemaglutinina
(HA), que está associada ao reconhecimento e à infecção das células do trato
respiratório; e a neuraminidase (NA), responsável pela liberação de partículas
virais no organismo.
Até
o momento, já foram descritos 18 subtipos de hemaglutinina e 11 de
neuraminidase. As combinações que circulam amplamente entre a população humana
são influenza A(H1N1) e A(H3N2); por conta disso, ambos os subtipos precisam
ser contemplados na formulação da vacina da gripe.
Embora também possua hemaglutinina e neuraminidase, o vírus influenza “B” é subdividido de acordo com suas duas linhagens conhecidas: Victoria e Yamagata. Porém, desde 2020, não há registros de circulação dessa última linhagem. A hipótese dos cientistas é que o subtipo possa ter sido extinto devido às restrições sanitárias e sociais impostas pela pandemia de Covid-19. Sendo assim, a OMS vem recomendando apenas a inclusão da cepa Victoria na composição do imunizante trivalente.
Um
vírus em constante transformação
Outra
característica relevante do vírus influenza é sua rápida capacidade de sofrer
mutações – uma estratégia biológica e evolutiva que assegura a “sobrevivência”
do microrganismo. “Geralmente, essas transformações se acumulam na região do
epítopo, a ‘cabeça’ da hemaglutinina. A área é responsável por reconhecer e se
fixar nas células saudáveis do hospedeiro”, explica Isabela Brcko.
Com
o passar do tempo, essas mutações vão se acumulando até que o vírus acabe
“escapando” da resposta imunológica do organismo, dando origem a uma nova
variante do vírus. É justamente por conta dessa variação antigênica que
uma pessoa pode se infectar várias vezes com os vírus influenza ao longo da
vida, o que gera a necessidade de revisões constantes da vacina da gripe.
“Nem
todos os vírus da gripe mudam no mesmo ritmo. O subtipo A(H3N2), por exemplo,
possui uma velocidade de mutação maior que o A(H1N1). Já o Influenza B é ainda
mais lento”, observa a pós-doutoranda do CeVIVAS.
O chamado rearranjo antigênico também é uma possibilidade. A situação envolve um processo de mutação muito mais brusco, como a troca completa de um ou mais segmentos do genoma viral. “São mudanças que podem impactar diretamente a infectividade, que é a capacidade de dispersão do vírus, fazendo com que ele se replique rapidamente; ou a virulência, provocando uma doença com sintomas mais fortes – ou seja, com maior gravidade”, completa a especialista.
O
Brasil na vigilância global do influenza
Desde
o final da década de 1940, a vigilância do vírus da gripe é realizada pela OMS.
O objetivo é recomendar atualizações anuais na composição dos imunizantes
capazes de atuar no combate à doença, aplicados nos hemisférios Sul e Norte,
além de identificar precocemente mutações alarmantes, agilizando a adoção de
estratégias que ajudem a conter a disseminação e o impacto do vírus no mundo.
Atualmente,
esse trabalho é encabeçado pelo Sistema Global de Vigilância e Resposta à Gripe
(GISRS, na sigla em inglês), uma rede que compreende cerca de centenas de
laboratórios espalhados por mais de 130 países. O Brasil contribui com um grupo
nacional de vigilância constituído por 27 Laboratórios Estaduais Centrais de
Saúde Pública (Lacens), além de outros três laboratórios de referência para
influenza credenciados junto à OMS. São eles: a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ); o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo (SP);
e o Instituto Evandro Chagas, em Ananindeua (PA).
Isabela
Brcko explica que o monitoramento do vírus influenza já começa no próprio posto
de saúde. Batizadas de “sentinelas”, essas unidades têm a responsabilidade de
coletar amostras de pacientes que apresentam Síndrome Gripal (SG) – infecção
respiratória com potencial de disseminação – e Síndrome Respiratória Aguda
Grave (SRAG) – infecção severa que causa dificuldade respiratória – de forma
contínua e padronizada, de acordo com normas estabelecidas pelo Ministério da
Saúde.
Parte
dessas amostras são encaminhadas aos Lacens, que vão fazer um primeiro trabalho
de identificação e caracterização dos vírus influenza que estão circulando no
país. Depois, todos os meses cada Lacen é responsável por remeter cerca de dez
amostras virais ao seu respectivo centro de referência. Esses três grandes
laboratórios, por sua vez, são responsáveis por conduzir análises
complementares, como caracterizações antigênicas e genéticas, além de testes de
resistência viral.
Após
essa etapa, os laboratórios da Fiocruz, Adolfo Lutz e Evandro Chagas
compartilham uma série de informações e materiais, como isolados virais,
amostras clínicas e dados complementares, com o Centro de Controle e Prevenção
de Doenças (CDC, na sigla em inglês), localizado na cidade de Atlanta, nos
Estados Unidos.
Referência
na vigilância do vírus influenza nas Américas, o CDC conduz avaliações ainda
mais avançadas do que aquelas já realizadas nos centros locais. “Um deles é o
chamado teste de titulação, que vai apontar se as vacinas que estão sendo
aplicadas naquela temporada possuem um grau alto, médio ou baixo de proteção em
relação ao subtipo examinado”, esclarece a especialista do CeVivas.
Concluída as análises, o CDC consolida os principais dados científicos encaminhados pelos diversos países que integram a região das Américas e os compartilha com a OMS.
Vigilância
que orienta a proteção da população
De
posse das informações enviadas pelos centros de referência das Américas, Reino
Unido, Austrália e Japão, os especialistas da OMS realizam uma análise profunda
dos dados compartilhados, a fim de construir uma visão global dos vírus que
estão “em alta” em diferentes partes do planeta, e sobre como eles podem estar
evoluindo.
“O
critério de seleção das novas cepas envolve uma matemática complexa, em que é
preciso considerar os tipos de vírus que estão circulando com maior frequência
globalmente, além daqueles que, embora circulem menos, podem ‘escapar’ das
vacinas em uso”, observa Isabela Brcko.
Esse
escape vacinal (ou mismatch) ao qual à especialista se refere pode
acabar reduzindo a eficácia do imunizante, uma vez que o organismo que recebeu
a vacina foi “treinado” para combater um alvo ligeiramente diferente da ameaça
real.
Por
fim, o resultado dessa difícil equação é anunciado pela OMS duas vezes ao ano,
cerca de seis meses antes do início da campanha de imunização, justamente para
que os produtores tenham tempo hábil para fabricar a vacina atualizada antes da
temporada de inverno – período em que a circulação do vírus influenza aumenta.
Em
fevereiro de cada ano, o foco do anúncio da OMS é o imunizante usado no
hemisfério Norte; já em setembro, acontece a indicação das cepas que deverão
compor as vacinas a serem utilizadas no Sul global.
Para a campanha de 2026 do hemisfério Sul, por exemplo,
foram contempladas as seguintes cepas:
A/Missouri/11/2025
(H1N1)pdm09;
A/Singapura/GP20238/2024
(H3N2); e
B/Áustria/1359417/2021
(linhagem B/Victoria), sendo que as duas primeiras mudaram em relação ao ano
anterior.
Já
para a campanha de 2026/2027 do hemisfério Norte, foram
indicadas as cepas A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09; A/Darwin/1454/2025 (H3N2); e
B/Tóquio/EIS13-175/2025 (linhagem B/Victoria). Todas as três cepas foram
alteradas em relação às vacinas da última campanha na região.
Responsável
pela produção anual de mais de 80 milhões de doses da vacina contra a
gripe, o trabalho no Instituto Butantan começa imediatamente após os
anúncios da OMS, uma vez que a instituição fabrica as formulações de
ambos os hemisférios.
Como é feita a vacina da gripe? PARTE 1: da chegada da cepa à multiplicação do vírus
Importância
da vacinação e o papel do CeVivas
A
vacinação anual contra a gripe continua sendo a principal estratégia para
reduzir casos graves, hospitalizações e mortes associadas ao vírus influenza.
Desde março de 2026, o imunizante trivalente produzido pelo Instituto Butantan
já está disponível nas salas de vacinação das regiões Sul, Sudeste,
Centro-Oeste e Nordeste do país.
Amazonas,
Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins recebem a vacina
da gripe com a composição do hemisfério Norte. Por conta de particularidades do
clima da região Norte, a campanha de imunização contra a gripe acontece no
final do ano.
Apesar
de ter como público principal crianças, gestantes, puérperas e idosos, em
alguns estados – como São Paulo, Goiás e Ceará – o produto está liberado para toda a
população a partir dos 6 meses de vida, sem limite máximo de idade. A medida
foi adotada para combater o avanço do vírus no país frente à baixa cobertura
vacinal. De
acordo com dados do Ministério da Saúde, pouco mais de 40% dos grupos
prioritários receberam o imunizante neste ano de 2026.
“Além
de contribuir para o controle da doença, a vacinação diminui a ‘população’ do
vírus influenza. Isso é importante, pois impacta diretamente no surgimento de
possíveis novas mutações do vírus”, observa Isabela Brcko.
O
Instituto Butantan também tem desempenhado papel estratégico na vigilância
genômica dos vírus influenza circulantes no Brasil por meio do trabalho
realizado pelo CeVivas. Iniciado em 2022, o projeto atua de forma complementar
à rede oficial da OMS, gerando mais dados sobre os vírus influenza no país, e
auxiliando na caracterização do que está efetivamente circulando em território
nacional.
Outro
foco do CeVivas é o desenvolvimento de pesquisas que buscam compreender como as
diferentes regiões do Brasil se conectam na disseminação do vírus. Estudos do
centro identificaram que a região Sudeste possui importância central na
dispersão do influenza para o restante do Brasil, e que o país atua como
“exportador” do vírus para outros países da América do Sul. O mapeamento dessas
rotas pode contribuir com possíveis medidas de saúde pública.
Além
do vírus influenza, o CeVivas atua no entendimento da evolução e ecologia dos
vírus da dengue e do SARS-CoV-2.
Referências
MINISTÉRIO
DA SAÚDE. Guia para a Rede Laboratorial de Vigilância de Influenza no
Brasil
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Vigilância Integrada de Covid-19, Influenza e outros
vírus respiratórios de importância em saúde pública
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Influenza (seasonal)
Fonte _ Butantan