domingo, 12 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







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Estudo revela fatores por trás de tentativas de suicídio na adolescência

 


Adolescentes que tentaram suicídio frequentemente acumulam experiências de violência, conflitos familiares, isolamento social e dificuldades para lidar com emoções intensas. Sentimentos de abandono, rejeição e falta de pertencimento também fazem parte. É o que aponta um estudo publicado em abril na revista da Escola de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo).

Conduzida por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da UFS (Universidade Federal de Sergipe), a pesquisa ouviu 12 adolescentes entre 14 e 19 anos atendidos em Caps (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) na capital paulista. Entre os fatores mais citados pelos jovens estavam bullying, negligência emocional, discriminação, autolesão e sintomas de ansiedade e depressão.

Os relatos mostram que o sofrimento emocional dos jovens nessa faixa etária costuma ser resultado de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo. "A escuta ativa permite que se sintam valorizados e protagonistas de suas narrativas", diz a enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e uma das autoras do estudo.

"Muitas dessas tentativas, por terem baixa letalidade, nunca chegaram aos serviços de saúde. O sofrimento ficou invisível, sem registro e sem cuidado."

comportamento suicida é complexo e não pode ser explicado por um único fator. "Quando a gente vai falar sobre suicídio, não estamos falando de uma coisa pontual, mas sim de um espectro. É um fenômeno que pode estar ligado a diversos transtornos mentais, não só à depressão, como costuma ser mais associado", explica o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

No estudo brasileiro, foram observadas dificuldades dos adolescentes lidarem com sentimentos como raiva, frustração e vazio emocional. Em alguns casos, as tentativas de suicídio ocorreram em momentos de pico emocional e os jovens relataram episódios de explosões, sensação de perda de controle e comportamentos impulsivos.

É importante saber que raiva, frustração e oscilações de humor fazem parte do desenvolvimento na adolescência. "O desafio é perceber quando essas emoções deixam de ser esperadas para a idade e sinalizam um sofrimento psíquico mais intenso, marcado por sensação de vazio, impulsividade perigosa e dificuldade de pedir ajuda", diz Pedrosa. "É diferente um adolescente ficar irritado porque discutiu com os pais e outro que começa a se cortar para aliviar o sofrimento."

Conflitos familiares apareceram em praticamente todos os relatos dos adolescentes ouvidos no estudo. Segundo Monteiro, muitos descreveram falta de diálogo, ausência de acolhimento e sensação de invisibilidade em casa. "A falta de pertencimento era transversal. Atravessava todos os espaços que deveriam ser de suporte e afeto", relata a pesquisadora.

A família exerce papel central tanto na proteção quanto no agravamento do sofrimento emocional. "O que protege o adolescente não é uma família perfeita, mas uma parentalidade suficientemente boa. É uma família que seja disponível emocionalmente, onde o adolescente se sinta acolhido, escutado e pertencente ao ambiente familiar. Caso contrário, ele pode entrar em sofrimento", alerta o psiquiatra.

Na pesquisa, a escola também aparece como um espaço de sofrimento. Os adolescentes relatam episódios de bullying, humilhação, exclusão social e discriminação relacionada a orientação sexual, identidade de gênero e origem geográfica. Quando essas situações se repetem, o jovem pode internalizar uma ideia de não pertencimento, gerando ansiedade, depressão, vergonha e desesperança.

Romper o silêncio

Quando se fala em suicídio, é importante diferenciar os termos ideação suicida, tentativa de suicídio e autolesão. A ideação geralmente começa com pensamentos recorrentes sobre desaparecer ou morrer. Já a tentativa envolve uma ação com intenção de se matar, mesmo sem lesões graves. A autolesão, por outro lado, busca aliviar sofrimento emocional.

"Uma autolesão não deve ser encarada como drama ou fase. Precisa de intervenção imediata, não necessariamente medicamentosa, mas é preciso intervir", orienta Thiago Pedrosa.

Em muitos casos analisados na pesquisa brasileira, a autolesão apareceu antes das tentativas. "O estudo interpreta a autolesão como indicador de sofrimento psíquico intenso e mecanismo de habituação à dor, uma etapa de agravamento progressivo que pode abrir caminho para tentativas de suicídio. Reconhecê-la como sinal de alerta, e não apenas como comportamento a ser corrigido, é fundamental", alerta a enfermeira Girliani Silva de Sousa, pesquisadora da Unifesp que também assina o artigo.

Entre as medidas preventivas estão criar redes de apoio que envolvam família, escola e serviços de saúde. "As circunstâncias identificadas no estudo podem ajudar a reconhecer adolescentes em sofrimento. O que os relatos deixam claro é a necessidade de espaços de escuta, fortalecimento dos vínculos familiares e construção de redes de apoio que atendam o adolescente e sua família de forma integrada", avalia Sousa.

Romper o silêncio em torno do tema também é fundamental. "Falar sobre suicídio não incentiva o suicídio. Isso é um mito. A primeira coisa é levar o sofrimento do adolescente a sério", afirma o médico do Einstein. "Não é só psicoterapia, orientação parental ou medicamento. O mais importante é que o adolescente seja escutado sem julgamento, sem críticas ou sermões, e que os pais procurem ajuda profissional rapidamente."

Veja onde encontrar ajuda

Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio

Oferece grupos de apoio aos enlutados e a familiares de pessoas com ideação suicida, cartilhas informativas sobre prevenção e posvenção e cursos para profissionais.

vitaalere.com.br

Abrases (Associação Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suicídio)

Disponibiliza materiais informativos, como cartilhas e ebooks, e indica grupos de apoio em todas as regiões do país.

abrases.org.br

CVV (Centro de Valorização da Vida)

Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato pelo site e telefone 188.

cvv.org.br

Fonte _ Folha/SP

As mentiras que alimentam ataques contra profissionais de saúde que combatem o ebola: 'Disseram que não era real'

 


"Eles me agarraram por trás e começaram a me socar, a me bater com pás e facões", diz Daniel Uyirwoth Welo, um dos quatro voluntários da Cruz Vermelha feridos quando uma multidão tentou abrir um caixão que continha o corpo de uma pessoa que havia morrido de ebola.

O jovem de 27 anos e seus colegas tentavam realizar um enterro seguro em um cemitério em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, no mês passado, quando foram atacados. O ataque foi motivado por boatos —que circulavam localmente e online— de que o caixão estava vazio.

Algumas pessoas na multidão disseram: "Não, o ebola não existe", disse Welo à BBC Verify —o serviço de checagem de dados da BBC—, acrescentando que outros acreditavam que a equipe da Cruz Vermelha estava lá apenas "para arrecadar dinheiro".

O ataque é um entre vários incidentes ligados à desinformação durante o mais recente surto de ebola, que infectou mais de 1.750 pessoas e matou 600 na República Democrática do Congo desde meados de maio, de acordo com dados do governo.

Alegações falsas que circulam nas áreas afetadas incluem afirmações de que o ebola não existe, que profissionais de saúde estão infectando pessoas deliberadamente ou colhendo seus órgãos, e que a resposta ao ebola é um esquema para ganhar dinheiro.


A BBC Verify identificou 12 casos de resistência da comunidade às medidas de controle do ebola, sete dos quais pudemos verificar usando imagens de redes sociais.

Esses casos incluem ataques a centros de tratamento, agressões a profissionais de saúde e repetidas tentativas de interferir nos procedimentos de sepultamento seguro de pessoas que morreram da doença. O número real provavelmente é maior, já que os incidentes podem ocorrer em áreas remotas e não serem relatados.

Mais recentemente, em 1º de julho, pessoas incendiaram um centro de tratamento de ebola em Bafwabango, província de Ituri, epicentro do surto. A imprensa local noticiou que um policial foi morto após confrontos em torno do corpo de uma pessoa suspeita de ter morrido em decorrência do vírus.

O ebola se espalha por contato direto com fluidos corporais infectados e os corpos das vítimas podem permanecer altamente infecciosos após a morte. Os profissionais de saúde queriam enterrar a vítima em segurança, embora essa medida tenha enfrentado resistência repetidas vezes durante o surto, em meio a alegações infundadas de que o ebola não é real.

O surto atual está ligado à espécie Bundibugyo do vírus. Embora ainda não exista vacina ou tratamento aprovado para essa espécie, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que um ensaio clínico com dois tratamentos potenciais já foi iniciado —embora especialistas alertem que a conclusão possa levar meses.

Equipes de resposta de organizações humanitárias e das autoridades congolesas têm realizado enterros seguros, evitando práticas como lavar ou tocar os corpos, que podem disseminar a infecção.

Ritos funerários que envolvem contato com o morto desempenharam um papel importante na disseminação do ebola durante surtos anteriores, tornando os enterros seguros uma forma essencial de limitar a propagação da doença.

Mas as autoridades de saúde afirmam que a desinformação está prejudicando esses esforços.

No final de maio, manifestantes incendiaram equipamentos e duas tendas de isolamento em um centro de tratamento de ebola em Rwampara, depois que parentes de um jovem, supostamente morto em decorrência do vírus, foram impedidos de retirar o corpo para o sepultamento.


Os funerais, que muitas vezes duram vários dias na República Democrática do Congo, estão entre as cerimônias comunitárias e culturais mais importantes do país, com profunda relevância social, cultural e espiritual.

"As mulheres se vestem de noiva e se maquiam... Elas cantam, celebram aquela pessoa, porque é uma jornada, não o fim da vida", disse Julienne Anoko, antropóloga que trabalha com a OMS como oficial de engajamento comunitário, à BBC no mês passado.

Desde então, instalações médicas teriam sido atacadas ou vandalizadas pelo menos mais três vezes.

Profissionais que atuam no combate ao ebola em Ituri disseram à BBC que ideias equivocadas sobre o vírus e o medo do que acontece nos centros de tratamento têm impedido alguns pacientes de buscar atendimento médico prontamente, muitas vezes deixando-os com poucas chances de recuperação quando chegam em busca de ajuda.

Aimé Mbonda Noula, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), afirma que algumas famílias fogem de suas casas quando um parente morre de ebola, abandonando o corpo em vez de notificar as autoridades por medo de serem colocadas em quarentena.

"A maioria das pessoas nessas comunidades pensa que esses centros de tratamento são lugares onde, se você for, você morre", diz ele. "Então, geralmente, as pessoas fogem desses lugares e fogem dos profissionais de saúde."

Outros resistem às mudanças nas práticas funerárias.

"Eles não acreditam que enterros seguros e dignos possam realmente ajudar", diz Babou Rukengeza, da organização beneficente Save The Children.

"Eles dizem: 'este é um membro da minha família, preciso honrá-lo... esta é a última vez que posso tocá-lo'."

No mês passado, dois profissionais que atuavam no combate ao ebola foram atacados na província de Quivu do Norte por pessoas que, segundo relatos, os culpavam pelas mortes em sua comunidade.

Um vídeo verificado pela BBC Verify mostra uma profissional de saúde tentando fugir de um grupo de homens que a agridem com pedaços de madeira. Em outro vídeo, um homem que parece usar uniforme médico rasteja por uma rua enquanto pessoas atiram pedras nele.


Uma avaliação recente realizada pela organização beneficente ActionAid em Ituri sugere que cerca de um terço dos entrevistados não acreditava que o Ebola fosse uma doença real, considerando-o, em vez disso, um fenômeno espiritual ou produto de feitiçaria.

"A desinformação sobre o Ebola é a maior aliada do vírus", disse Wessam Mankoula, dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, à BBC.

"Rumores falsos atrasam o atendimento a pessoas que precisam de ajuda e alimentam ataques contra profissionais e instalações de saúde, prejudicando o controle do surto e dando ao vírus mais oportunidades de se espalhar."

Especialistas afirmam que a desconfiança foi alimentada por décadas de instabilidade no leste da República Democrática do Congo —desde conflitos prolongados até interferências externas e a competição por minerais valiosos, como ouro e coltan, que atraíram empresas estrangeiras e grupos armados.

"Existe uma base muito sólida de desconfiança em relação a tudo que vem de fora, inclusive do governo central", afirma Jean-Vivien Mombouli, que já assessorou governos de toda a região sobre como responder a surtos de Ebola.

Autoridades de saúde argumentam que conter o surto agora depende tanto da reconstrução da confiança quanto do tratamento médico, alertando que, sem a aceitação das comunidades, não poderão realizar seu trabalho.

"A desconfiança é o verdadeiro campo de batalha", escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, nas redes sociais em junho. "Conquistaremos a confiança e venceremos esta batalha."

Fonte _ Folha/SP

sábado, 11 de julho de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 



Técnicos de Enfermagem são convidados a participar de pesquisa sobre manejo das emoções

 


Técnicos de Enfermagem de todo o país podem participar de uma pesquisa que busca compreender como esses profissionais lidam com as emoções despertadas no ambiente de trabalho e de que forma essas experiências influenciam a saúde mental.

O estudo “Manejo das Emoções no Trabalho do Técnico de Enfermagem” é desenvolvido pelo psicólogo Wiverson de Oliveira, mestrando em Psicologia pela Universidade Salgado de Oliveira (Centro Universo Goiânia).

A proposta é compreender como as interações dos técnicos de Enfermagem com pacientes e colegas de trabalho, bem como as emoções despertadas nessas relações, repercutem na saúde mental desses profissionais, que atuam diariamente em contextos de elevada exigência emocional.

A participação é voluntária, anônima e realizada exclusivamente de forma online. O questionário reúne perguntas sobre o perfil sociodemográfico dos participantes e sobre as emoções vivenciadas no ambiente de trabalho, com tempo estimado de aproximadamente 15 minutos para preenchimento. Os pesquisadores informam que todas as respostas serão tratadas de forma sigilosa e sem identificação dos participantes.

Segundo o pesquisador, a colaboração dos técnicos de Enfermagem é fundamental para ampliar o conhecimento sobre os fatores emocionais presentes na prática profissional e contribuir para o desenvolvimento de estudos e estratégias voltados à promoção da saúde mental da categoria.

Os interessados em participar podem responder ao questionário por meio do link: https://forms.gle/ex55n4C2Fq9bimwZ7.

Fonte _ Cofen

Maior apreensão de canetas emagrecedoras encontra 5.850 produtos em van na Ponte da Amizade

 


A Receita Federal registrou, nesta sexta-feira (10), a maior apreensão de canetas emagrecedoras já feita na aduana internacional da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR).

Uma van com placas do Paraguai, conduzida por um motorista paraguaio e com quatro passageiros, três deles brasileiros, foi flagrada no final da tarde com 5.850 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento quando tentava cruzar a ponte, na fronteira entre os dois países.

As canetas emagrecedoras estavam escondidas no capô do veículo, em condições totalmente inadequadas de transporte e próximas a fontes de calor. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, precisa ser mantida em refrigeração para ter eficácia.

Segundo a Receita Federal, os servidores do órgão abordaram a van e, aparentemente, todos os passageiros transportavam mercadorias compatíveis com a cota de viajante, de US$ 500 (R$ 2.555, ao câmbio desta sexta).

Quando, porém, os agentes de repressão ao contrabando pediram ao motorista para abrir o capô do veículo, ele teria simulado atender a ordem e fugiu em direção ao Paraguai.

O compartimento foi, então, aberto e os servidores que atuam na alfândega encontraram as 5.850 ampolas de medicamentos para emagrecimento ocultas sob o capô. Além da tirzepatida, havia também retatrutida, medicamento ainda em caráter experimental e que oficialmente não existe no mercado em nenhum país do mundo —mas já é encontrado em várias marcas no Paraguai.

Até então, a maior apreensão já registrada na região da tríplice fronteira tinha ocorrido em 29 de abril de 2024, quando 4.598 canetas emagrecedoras foram encontradas numa fiscalização na BR-277, rodovia que liga a fronteira à capital do Paraná, Curitiba.

Com isso, as apreensões neste ano já somam 115.647 canetas e ampolas, ante as 7.479 de 2025, o que representa um crescimento de 1.446,3% em comparação com o ano passado.

No último dia 3, um casal e uma criança já tinham sido flagrados com 2.707 canetas e ampolas de tirzepatida de 15 mg e retatrutida e, também nesta sexta, um fundo falso no filtro de ar de uma moto do Paraguai abrigava 52 caixas de ampolas de TG, uma das marcas do "Mounjaro paraguaio".

A apreensão na van somou cerca de R$ 735 mil em medicamentos, conforme a Receita Federal, que apontou uma série de problemas. O primeiro é a irregularidade na importação, já que a entrada no Brasil de todas as marcas de tirzepatida provenientes do Paraguai é proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As canetas emagrecedoras paraguaias, porém, se espalharam pelo país devido ao preço, à facilidade de compra e à fiscalização deficiente na fronteira.

O tratamento mensal de Mounjaro de 15 mg (com quatro canetas, para aplicações semanais) custa a partir de R$ 3.499 no Brasil. Para quem compra nas farmácias de Ciudad del Este, no entanto, a versão paraguaia do medicamento custa em média R$ 430, sem a necessidade de apresentação de receita médica.

Além do ingresso ilegal do produto no país, a Receita afirmou que as canetas eram transportadas em condições incompatíveis com as recomendações da fabricante, que exigem armazenamento refrigerado. Sem isso, qualidade, eficácia e segurança ficam comprometidos.

Os passageiros foram ouvidos e liberados, enquanto as unidades de tirzepatida e o veículo foram encaminhados à alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu para apreensão (da van) e armazenamento para posterior destruição (das canetas).

Fabricante do Mounjaro, a farmacêutica Eli Lilly afirma que o medicamento que produz exige controle de temperatura em toda a cadeia, com condições rigorosas de armazenamento, transporte e manuseio.

"Quando produtos que alegam conter tirzepatida circulam fora dos canais autorizados e da cadeia de distribuição regulada, não há garantia de que esses requisitos foram cumpridos. Isso expõe os pacientes ao risco de receber um produto contaminado ou ineficaz", diz a empresa.

As canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade.

Entidades médicas apontam riscos à saúde com o uso de medicamentos que não têm aval da Anvisa. Há duas apresentações do medicamento no Paraguai: em canetas e em ampolas, que ocupam menos espaço e por isso têm a preferência de pequenos e grandes contrabandistas para ingresso no Brasil.

Fonte _ Folha/SP

'Uma refeição nas férias me deixou com 38 parasitas no cérebro'

 


Lowri Denman percebeu que algo estava errado quando encontrou, horrorizada, uma solitária com um metro de comprimento quando foi ao banheiro. parasita "tinha aparência totalmente nojenta, como uma fita crepe com pequenas cristas", descreve ela, que tem 42 anos e mora no País de Gales.

Aquele foi o primeiro sintoma de neurocisticercose. A doença deixou a mulher com 38 parasitas no cérebro, causando dores de cabeça intensas, convulsões e psicose. No Reino Unido, pouquíssimas pessoas recebem o diagnóstico da infecção cerebral, causada pelas larvas da tênia do porco.

Denman entrou para este grupo e passou anos lutando até recuperar sua saúde. Agora, ela quer transformar sua provação em algo positivo, ampliando o conhecimento sobre esta condição.

Viagem à Índia

Em 2007, Denman saiu em uma viagem de três meses pela Índia. Foi lá que ela provavelmente contraiu a infecção, segundo seu médico, Brendan Healy, especialista em doenças infecciosas e microbiologia. Denman havia decidido evitar comer carne durante a viagem, para se precaver contra possíveis intoxicações alimentares. Mas Healy acredita que ela tenha inadvertidamente comido carne de porco contendo ovos microscópicos de tênia.

Foi apenas três anos depois, em 2010, que a mulher descobriu a tênia. Ela foi ao médico, mas os exames de fezes mostraram resultados satisfatórios. Ela também se sentia bem, de forma que seguiu com a vida normalmente. Um ano depois, começou a sentir dores de cabeça terríveis, e em 2011 sofreu sua primeira convulsão. "Eu realmente comecei a ter dificuldades para encontrar certas palavras", relembra. "De repente, eu estava em uma ambulância e me perguntava: 'Como isso aconteceu? Por quê?'."

Denman passou por uma internação hospitalar, um exame de ressonância magnética e uma tomografia computadorizada, até que foi chamada para ouvir os resultados.

"O médico fez com que eu me sentasse e disse que havia encontrado 38 parasitas no meu cérebro'", relembra ela. "Minha mãe e eu ficamos com o queixo caído. 'O que diabos significa isso?'."

Inicialmente, elas pensaram que fosse toxoplasmose, uma infecção transmitida pelo contato com fezes de gato infectadas. Mas a mãe de Denman perguntou se a convulsão poderia estar relacionada à tênia que ela havia descoberto um ano antes. Novas investigações a levaram a finalmente receber o diagnóstico de neurocisticercose. "Naquele momento, tínhamos muitas perguntas porque simplesmente não sabíamos o que aconteceria com a minha saúde", ela conta.

Como a doença é contraída

A tênia do porco tem o nome científico Taenia solium. Ela é encontrada em todo o mundo, mas as infecções são mais comuns em partes da América Latina, sul e sudeste da Ásia e na África subsaariana. A falta de saneamento básico ajuda o parasita a se reproduzir. Ele é mais comum em regiões onde as pessoas vivem em contato com porcos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que até 8,3 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de neurocisticercose, com ou sem sintomas. Ela pode ser evitada, mas é uma das principais causas de epilepsia em regiões onde a doença é comum. É possível contrair a tênia comendo carne de porco crua ou mal cozida, mas isso não causa diretamente a neurocisticercose.

Uma pessoa portadora do parasita pode eliminar os ovos microscópicos nas fezes. Mas, se ela não lavar bem as mãos depois de usar o banheiro, poderá contaminar água ou alimentos com os ovos, que serão engolidos por outra pessoa. Dentro do corpo, os ovos se transformam em larvas, que podem formar cistos em diversos órgãos, incluindo os músculos, o coração e os olhos. Este processo é conhecido como cisticercose.

Quando os cistos se desenvolvem no cérebro ou na medula espinhal, surge a neurocisticercose, que é a forma mais grave da doença. Denman ficou internada por duas semanas no hospital. Ela recebeu medicamentos antiparasitários e esteroides, e o tratamento pareceu funcionar por algum tempo.

Ela teve boa saúde por vários anos, até um dia em que desmaiou no trabalho. Foram então feitos novos exames de imagens que mostraram enormes inchaços em seu cérebro, em volta dos parasitas. Após o desmaio, ela passou a sofrer de confusão, dormência e formigamento no corpo. Ela acabou deixando seu emprego e mudando-se para a casa de seu pai.

Denman recebeu esteroides que alteraram sua aparência e, com a vida mais limitada, começou a sentir desânimo, até que sua saúde mental entrou em colapso. "Começou a surgir essa paranoia e psicose", relembra ela. "Veio uma forte ansiedade, com ataques de pânico." Denman passou seis semanas em um hospital neuropsiquiátrico. "Fiquei fora de controle. Minha família estava enlouquecendo com a escalada da situação."

Para recuperar a saúde, ela precisou percorrer um longo caminho, até conseguir voltar a trabalhar em 2022. Brenan Healy conta que Denman foi uma paciente única em sua carreira. O caso foi discutido por muitos especialistas importantes do Reino Unido e dos Estados Unidos.

"Haverá muitos especialistas em doenças infecciosas pelo país que nunca irão observar um caso como este, de tão raro que é", afirma ele. Após anos de cuidados médicos, os parasitas finalmente calcificaram no cérebro de Denman. "Não precisei de cirurgia para retirá-los fisicamente", ela conta.

Healy explica que Denman recebeu tratamento para "matar todos os ovos e, felizmente, eles agora parecem ter saído pelo outro lado". Sua última convulsão ocorreu em 2017, mas ela continuará sendo medicada contra a epilepsia pelo resto da vida.

Denman conta que ficou determinada a criar algo positivo com a sua provação. "O que quero, agora, é progredir na vida e difundir o conhecimento sobre esta doença", afirma ela. "Estou feliz por estar viva, saudável e novamente em boa forma. E nunca me esqueço de valorizar isso."

Fonte _ Folha/SP

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Argentina x Suíça | Quartas de Final

 


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Programa Vacinação nas Escolas

 


Prefeitura de Cruzeiro do Sul institui Programa de Vacinação nas Escolas Públicas para fortalecer a imunização de crianças e adolescentes

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul instituiu o Programa de Vacinação nas Escolas Públicas do município, iniciativa que amplia as estratégias de imunização e reforça a proteção de crianças e adolescentes. O decreto, assinado pelo prefeito Zequinha Lima e publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, 10, estabelece a realização de ações de vacinação no ambiente escolar em parceria entre as secretarias municipais de Saúde e Educação.

O programa será direcionado, prioritariamente, aos estudantes da educação infantil e do ensino fundamental das escolas públicas e das instituições de ensino que recebem recursos públicos. De acordo com o planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, as ações também poderão contemplar alunos do ensino médio, ensino superior e demais integrantes da comunidade escolar, conforme a disponibilidade de imunizantes e as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

As atividades serão coordenadas pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenação Municipal de Imunização, das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e do Programa Saúde na Escola, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. A previsão é que as ações ocorram, preferencialmente, uma vez por ano, podendo ser ampliadas durante campanhas específicas ou em situações que exijam busca ativa para atualização da cobertura vacinal.

O decreto também define que as unidades de ensino deverão informar pais e responsáveis, com antecedência mínima de cinco dias, sobre a realização das ações. Para estudantes menores de 18 anos, será necessária autorização do responsável e o envio da caderneta de vacinação para avaliação da equipe de saúde. Caso o documento não esteja disponível, o atendimento será realizado normalmente, com consulta aos sistemas oficiais de imunização e emissão de um novo cartão, quando necessário.

Outra medida prevista é o envio, pelas escolas, no início de cada ano letivo, de uma versão digitalizada ou fotografada da carteira de vacinação dos estudantes para a Unidade Básica de Saúde de referência. A iniciativa permitirá que as equipes acompanhem a situação vacinal dos alunos e promovam a atualização das doses em atraso de forma mais eficiente.

O secretário municipal de Saúde, Rafael Gomes, destacou que o programa representa um importante avanço na prevenção de doenças e no fortalecimento da saúde pública.

“Com essa integração entre Saúde e Educação, conseguimos facilitar o acesso às vacinas e ampliar a cobertura vacinal entre nossas crianças e adolescentes. O ambiente escolar é um espaço estratégico para promover a prevenção, garantindo mais proteção aos estudantes e contribuindo para a saúde de toda a comunidade.”

Fonte _ Cruzeiro do Sul


O Programa Saúde na Escola do Ministério da Saúde e Ministério da Educação está levando vacinação para mais de 30 milhões de estudantes em todo o país.

COPA DO MUNDO FIFA™ 2026 | Noruega x Inglaterra | Quartas de Final

 


Assista à Noruega x Inglaterra AO VIVO E COM IMAGENS, pelas quartas de Final da Copa do Mundo FIFA 2026™ na CazéTV!

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Todos os 104 jogos da maior Copa de todos os tempos você só assiste na CazéTV!

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Jornais - informações na madrugada

 






Anvisa reforça importância de testes específicos para as canetas paraguaias

 


Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou, nesta segunda (6), a importância da realização de testes específicos para avaliar a segurança e a eficácia das canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai antes de esses produtos serem comercializados no Brasil.

A nota "Canetas do Paraguai NÃO demonstraram equivalência com medicamentos registrados no Brasil" afirma que "é falsa a informação de que testes laboratoriais comprovaram a equivalência de canetas contrabandeadas com os produtos registrados no Brasil".

Publicada na Folha no último sábado (5), a reportagem "Canetas emagrecedoras do Paraguai têm princípio ativo equivalente ao do Mounjaro, mostra análise da Unicamp" afirma que os medicamentos paraguaios vendidos como versões de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) contêm, de fato, a substância, conforme revelou o resultado apresentado pela Universidade de Campinas.

O estudo da Unicamp analisou a presença, a concentração e a estrutura molecular do princípio ativo das amostras dos medicamentos Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, produzidas pelos laboratórios paraguaios Catedral, Indufar, Eticos, Quimfa e Lasca, respectivamente.

A análise não avaliou a presença de impurezas e contaminantes, nem a eficácia e segurança dos medicamentos.

Nesta terça-feira (7), a assessoria de comunicação da Anvisa afirmou à Folha que a nota não foi publicada em resposta à reportagem, mas em razão da circulação, nas redes sociais, de informações e interpretações equivocadas sobre os resultados da análise.

A Anvisa afirma que identificar a presença da tirzepatida em uma amostra laboratorial não significa que o medicamento seja equivalente ao produto registrado no Brasil. Há uma diferença entre comprovar a identidade do princípio ativo e demonstrar a equivalência de um medicamento como um todo.

Segundo a Anvisa, o CIATox não é um centro credenciado para estudos de bioequivalência nem integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. A agência diz ainda que fabricantes paraguaios também não passaram por inspeções essenciais exigidas para emitir o registro sanitário brasileiro.

"As empresas fabricantes dos produtos analisados pela Unicamp não foram avaliadas na linha de produção, o que afeta diretamente a qualidade do produto final. E não foram avaliadas pela Anvisa quanto à certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF), etapa essencial para assegurar a qualidade da fabricação de medicamentos", afirmou a agência.

Durante o Fórum de Saúde promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), na segunda-feira, o diretor-adjunto da Anvisa, Diogo Penha Soares, disse que a avaliação regulatória considera um conjunto muito mais amplo de critérios do que a simples identificação da molécula.

Soares também disse que a Anvisa mantém diálogo permanente com a Dinavisa, autoridade sanitária do Paraguai. Segundo ele, as duas agências discutem ações de convergência regulatória e um memorando de entendimento para ampliar a cooperação técnica. Apesar disso, Soares afirmou que a Anvisa não possui competência para fiscalizar fabricantes em território paraguaio nem reconhece automaticamente os registros concedidos pelo país vizinho.

Todas as canetas analisadas pela Folha possuem registro sanitário vigente na Dinavisa, mas não na Anvisa. Até o momento, não houve pedidos de registro dos laboratórios paraguaios para fins de regularização no país, segundo a agência.

Segundo a legislação brasileira, o registro depende de solicitação do próprio fabricante, acompanhada de um dossiê técnico com informações detalhadas sobre qualidade, segurança e eficácia.

Enquanto a agência brasileira exige um dossiê estruturado segundo o padrão internacional CTD (Documento Técnico Comum), a autoridade sanitária paraguaia trabalha com uma versão mais enxuta da documentação e aceita, para medicamentos novos, apenas resumos dos estudos de eficácia e segurança, sem exigir os relatórios clínicos completos.

Representantes da indústria farmacêutica também divulgaram nota após a publicação da reportagem. Segundo as entidades, a preocupação não é com a competência dos pesquisadores da Unicamp nem com o trabalho jornalístico, mas com interpretações que extrapolem o alcance da análise laboratorial.

"A aprovação de um medicamento pela Anvisa não se resume à confirmação do princípio ativo. Envolve a avaliação da qualidade farmacêutica, da segurança, da eficácia, da equivalência terapêutica e da conformidade documental, além da inspeção das fábricas e do controle contínuo de cada lote. Nenhum desses produtos passou por esse crivo", diz a nota pública.

Fonte _ Fonte/SP