O
sistema imune é responsável por proteger o organismo contra infecções causadas
por patógenos, como vírus, bactérias e fungos, e contra outras moléculas e
células estranhas, como as cancerígenas. Repleto de ferramentas complexas, esse
sistema é dividido em dois tipos: a imunidade inata e a imunidade
adaptativa.
A imunidade
inata é aquela que nasce com o indivíduo: trata-se de uma
reação primária e não específica do nosso corpo, que acontece imediatamente
após o contato com um invasor. Essa resposta envolve diferentes tipos de
células, como monócitos, macrófagos, neutrófilos, NK (natural killers) e
células dendríticas, que têm um objetivo comum: eliminar moléculas estranhas.
Essas
células possuem uma gama de receptores em sua superfície, sendo capazes de
reconhecer diversos padrões moleculares estranhos e associados a danos no
organismo.
“As
células do sistema imune inato têm uma ação imediata de controle, a partir da
liberação de uma grande quantidade de citocinas pró-inflamatórias, moléculas
que intensificam a resposta inflamatória e ajudam a matar o microrganismo”,
explica a pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do
Instituto Butantan, Dunia Rodriguez Soto, que é doutora em Imunologia.
Além
disso, algumas dessas células têm capacidade de ingerir e destruir o patógeno,
para depois apresentar seus fragmentos (os antígenos) a outras células de
defesa – os famosos linfócitos T e B –, ajudando a desenvolver a chamada memória
imunológica.
É
nesse momento que entra em cena a imunidade adaptativa: ao serem
expostos ao antígeno, os linfócitos aprendem a reconhecê-lo e ficam preparados
para combatê-lo de forma rápida e eficaz caso ele apareça novamente. O
linfócito T tem a função de destruir as células infectadas, enquanto o
linfócito B produz os anticorpos, proteínas que se ligam ao antígeno circulante
para destruí-lo.
A imunidade adaptativa é um recurso de defesa mais sofisticado e exclusivo dos vertebrados – peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, como os humanos.
E
a imunidade adquirida pelas vacinas?
Todas
essas etapas acontecem tanto quando temos uma infecção e ficamos doentes, como
quando recebemos uma vacina. A diferença é que o imunizante não provoca uma
infecção de fato, somente simula o invasor para induzir uma resposta por meio
da apresentação de antígenos. Assim, o corpo aprende a reconhecer aquele
microrganismo e, quando entra em contato com ele novamente, já tem as armas
necessárias para se proteger.
A
maioria das vacinas é aplicada no braço, na camada superficial da pele, justamente
porque esse local concentra muitas células do sistema imune inato, capazes
de reconhecer vários tipos de antígenos. As mucosas em geral, como a boca e o
nariz, também possuem grande quantidade dessas células – afinal, essas regiões
são a porta de entrada dos microrganismos e precisam de uma camada extra de
proteção. Por isso, também existem imunizantes de aplicação oral, como a famosa
gotinha contra poliomielite (paralisia infantil).
A
administração de vacinas por via oral é mais desafiadora, pois o antígeno
encontra muitas barreiras que podem destruí-lo antes que ele seja absorvido,
como a acidez do estômago. No entanto, existem tecnologias, como
nanopartículas, que ajudam a “encapsular” e proteger o antígeno da vacina para
que ele conclua seu objetivo.
Recentemente,
alguns imunizantes de aplicação intranasal também têm sido desenvolvidos, como
uma vacina contra Covid-19 aprovada na Índia em 2023.
Mantenha
sua carteira de vacinação em dia
Todos
os anos, a vacinação previne de 3,5 milhões a 5 milhões de mortes no
mundo todo por doenças como difteria, tétano, coqueluche, gripe e
sarampo, segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS). Outras enfermidades graves, como a
varíola, só foram erradicadas graças à imunização.
As
vacinas são as maiores aliadas do nosso sistema imune, e mantê-las atualizadas
é a melhor forma de se proteger contra doenças graves. Fique atento ao calendário
nacional de imunização do Ministério da Saúde e veja quais são os
imunizantes indicados para cada faixa etária.
Fonte _ Butantan


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