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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Os animais no DNA do Instituto Butantan: da produção de soros ao compromisso com a conservação e educação ambiental

 


IBu 125 anos

Especialista em envenenamento e lar para animais resgatados do tráfico, Instituto Butantan consegue unir o trabalho pelas pessoas e pelo meio ambiente

Esta matéria contou com a contribuição dos pesquisadores do Instituto Butantan Felipe Grazziotin, Silvia Travaglia Cardoso e Vania Mattaraia. Agradecimento especial ao Centro de Memória do Instituto Butantan

No Especial 125 anos do Instituto Butantan, viaje pela História e pelas histórias que fazem dessa instituição centenária uma referência global em pesquisa, produção e educação científica.

A relação com os animais é parte substancial da rotina do Instituto Butantan desde a sua criação, em 1901. Essa simbiose – um ciclo de cooperação mútua que envolve sociedade, ciência e conservação – é o que equilibra o ecossistema da instituição, possibilitando a produção de soros que salvam vidas, a educação ambiental e o desenvolvimento de pesquisas voltadas à saúde pública e ao bem-estar animal. Juntos, esses pilares tornam o Butantan um protagonista em Saúde Única ou Uma Só Saúde – conceito que conecta saúde humana, animal e ambiental.

Seja na extração de veneno que o médico sanitarista Vital Brazil demonstrava à população curiosa que visitava o Instituto no início do século XX, ou nos atuais museus do Parque da Ciência que recebem cerca de 200 mil visitantes por ano; seja na produção de soros em laboratórios improvisados no começo do século passado, ou nas fábricas que hoje entregam 600 mil frascos de antiveneno anualmente, o Butantan sempre se pautou pelas necessidades das pessoas, dos animais e do meio ambiente.

Por meio do antigo sistema de permuta introduzido por Vital, as serpentes chegavam ao Instituto com a ajuda da população. No imaginário popular, a instituição foi se tornando referência no recebimento de animais peçonhentos, ao mesmo tempo em que conscientizava o público sobre a importância de estudá-los e preservá-los. Mais tarde, passou também a ser casa para espécimes resgatados do tráfico, por meio de operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e das polícias Ambiental, Rodoviária Federal e Civil. 

Para dar conta dessa atuação multifacetada, foi preciso criar uma extensa estrutura voltada ao recebimento e manejo responsável de animais vivos. Há décadas, todos os espécimes que chegam ao Instituto Butantan entram pelo setor de Recepção de Animais, que avalia, registra e concede o destino adequado para cada um. Entre cobras, aranhas e escorpiões, foi se estruturando uma rede composta por quatro frentes: uma dedicada às exposições de caráter educativo; uma com a função de identificar, registrar, armazenar e conservar os animais; uma focada no estudo dos venenos; e outra responsável pela produção de soros.

Auxiliar de laboratório pressionando as glândulas veneníferas de uma jararaca. Sem data. (Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória)


A jornada dos animais no Butantan

Ao longo de seus 125 anos, o Instituto Butantan desenvolveu diferentes mecanismos para receber animais. O primeiro surgiu diante da urgência de se produzir soros contra os acidentes ofídicos, que levou Vital Brazil a estabelecer um sistema de permuta com a população: trabalhadores rurais enviavam serpentes em caixas de madeira especialmente projetadas pelo médico sanitarista, e em troca recebiam soro, instrumentos de contenção para ajudar na captura do animal e material informativo. 

Essa prática deixou de existir há muito tempo e, hoje, os soros só podem ser encontrados nas unidades de saúde e administrados por profissionais qualificados. Apesar disso, a instituição continua sendo referência para os brasileiros que se deparam com animais peçonhentos em suas residências e, por vezes, recebe doações de espécimes que contribuem para apoiar suas pesquisas científicas e a produção de antivenenos.

Devido à sua expertise na área, o Butantan também se tornou parceiro de órgãos federais e estaduais, como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e passou a receber animais apreendidos do tráfico. Nesse caso, a missão do Instituto é cuidar e dar uma nova vida aos bichos resgatados, que não podem ser reintroduzidos na natureza.

Os animais que chegam por doação ou por apreensão podem ser destinados à extração de veneno, para produção de soros; à pesquisa científica; à exposição nos museus e viveiros, como forma de fomentar a educação ambiental; e à coleção zoológica, responsável por descrever espécies, armazená-las e preservá-las.

No caso das serpentes, por exemplo, a maioria das nativas peçonhentas é enviada ao Laboratório de Herpetologia, que mantém um plantel para extração de veneno, enquanto as não peçonhentas ou exóticas (que não ocorrem no Brasil) seguem para os museus ou para outros laboratórios para fins de pesquisa. Todas passam por uma quarentena e atendimento veterinário, a fim de eliminar parasitas e garantir que estão saudáveis. 

Outra forma de entrada de animais no Butantan é por meio das expedições de campo, realizadas por pesquisadores para conduzir estudos, descobrir novas espécies e acompanhar a saúde de populações. 

Expedição do Butantan na Ilha da Queimada Grande, lar da jararaca-ilhoa, espécie criticamente ameaçada de extinção (Foto: Marília Ruberti)


Uma biblioteca nacional de biodiversidade

“Na conservação, tudo começa com a descrição da espécie, porque não há como conservar o que não se conhece” (Felipe Grazziotin, pesquisador e curador da Coleção Herpetológica do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan)

Imagine por um momento qual seria o impacto ambiental se cada pesquisador do mundo dedicado a jararacas ou cascavéis precisasse ter um exemplar em mãos para conduzir seus estudos. Graças às coleções zoológicas, isso não é necessário: os cientistas podem fazer pesquisas sobre serpentes e outros animais sem usá-los diretamente. As coleções funcionam como “guardiãs” da história evolutiva e da biodiversidade, sendo responsáveis por armazenar, preservar e produzir conhecimento sobre os animais, disponibilizando esses dados para outros cientistas. 

O trabalho do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan envolve identificar novas espécies, entender sua distribuição geográfica e estudar sua evolução. Para identificar a espécie coletada durante uma expedição ou descrevê-la como uma nova espécie, os cientistas utilizam a comparação com os chamados “espécimes-tipo” das coleções zoológicas – os originais usados para descrever a espécie pela primeira vez. Eles são armazenados por décadas e usados como referência permanente, o que ajuda a reduzir o uso de animais vivos em pesquisa e traçar estratégias eficazes de conservação.

Quando um animal entra para a coleção, os pesquisadores realizam a coleta de diversos materiais – veneno, glândulas de veneno, sangue, fezes e tecidos. Isso ajuda a gerar as informações necessárias para que qualquer cientista, no presente ou no futuro, possa estudar aspectos como genética, reprodução e alimentação, contribuindo para a preservação das espécies.

“A amostra temporal é outro fator indispensável: precisamos saber o quanto aquela população mudou ao longo do tempo, coletando espécimes em diferentes espaços temporais. Com isso, conseguimos traçar a evolução da ocupação do solo, da saúde dessas populações e da biodiversidade em si”, diz o pesquisador Felipe Grazziotin.

Vista geral da Coleção de Serpentes. Sem data. (Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória)


Em construção desde o começo do século XX, a Coleção Herpetológica (de serpentes) é a mais antiga do Instituto, e surgiu por uma necessidade de saúde pública. Era preciso um lugar para armazenar as diferentes espécies de cobras peçonhentas que eram base para a produção dos respectivos antivenenos, específicos para cada uma. Com o passar dos anos, a coleção foi se ampliando e passou a incluir outros animais de interesse em saúde, como aranhas, escorpiões, insetos, ácaros e carrapatos.

O acervo de serpentes do Butantan já foi o maior do Brasil e um dos maiores do mundo. A participação da sociedade no antigo sistema de permuta foi peça-chave para o desenvolvimento inicial da coleção. Nas primeiras décadas de 1900, o número de serpentes enviadas ao Instituto crescia exponencialmente: só no ano de 1931, o Instituto recebeu 20.000 exemplares vivos. Até hoje, durante suas expedições no interior do país, o pesquisador Felipe Grazziotin encontra famílias que guardam com orgulho as caixas de transporte de serpentes, que então eram fornecidas pelo Butantan à população, como símbolos dessa colaboração histórica.

Vista de serpente urutu sendo colocada na caixa de transporte. Sem data. (Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória)


Tudo mudou em 2010, quando um incêndio de grandes proporções acometeu o prédio que abrigava o acervo herpetológico do Instituto. A tragédia culminou na perda de mais de 80% dos 96 mil exemplares, e cerca de 900 eram espécimes-tipo – utilizadas na descrição de novas espécies por pesquisadores do mundo todo. O edifício foi reinaugurado em 2013 com um sistema avançado de segurança e prevenção de incêndios, e hoje o laboratório desenvolve projetos inovadores para recuperar e preservar a coleção. Tecnologias como sequenciamento genético e microtomografia computadorizada permitem estudar todos os aspectos dos animais sem precisar manuseá-los.

Atualmente, a entrada de serpentes no Instituto se limita a 1.500 a 2.000 exemplares por ano. A redução dos números reflete uma sociedade mais consciente sobre conservação, que prioriza manter os animais em seu ambiente natural, e os esforços da própria instituição, que trabalha em prol da preservação das espécies em seu habitat nativo.



Veneno que gera conhecimento

As décadas de trabalho com serpentes e outros animais peçonhentos possibilitaram não só que o Instituto Butantan se tornasse referência mundial na fabricação de antivenenos, mas também se especializasse em investigar os componentes das peçonhas e suas diversas aplicações biomédicas.

Nas mãos e mentes dos pesquisadores do Butantan, os venenos dos animais peçonhentos ganham novos significados por meio de estudos em toxinologia. Essa área busca desvendar os mecanismos por trás do envenenamento e descrever a composição dos venenos, em uma investigação constante de possíveis novos usos para suas moléculas.

Muitos desses trabalhos resultaram na descoberta de proteínas com potencial farmacológico, visando o desenvolvimento de terapias para problemas de saúde como câncer, dor crônica e doenças autoimunes. Exemplo disso é a crotoxina, proteína do veneno da cascavel estudada pelo Instituto há mais de 20 anos, que demonstrou atividade anti-inflamatória e antitumoral em diferentes pesquisas.

Exemplar de cascavel (Foto: José Felipe Batista)


“Graças ao trabalho de gerações de pesquisadores do Butantan, as serpentes brasileiras figuram como as mais estudadas do mundo. Há métodos de pesquisa, como geração de dados genéticos desses animais, que foram feitos pela primeira vez aqui, com as serpentes nativas”, aponta o pesquisador Felipe Grazziotin.

A expertise do Instituto em toxinologia também evoluiu fora do eixo das serpentes, com pesquisas sobre os venenos de escorpiões, aranhas, lagartas, anfíbios e peixes. Na lagarta Lonomia obliqua, por exemplo, cientistas identificaram moléculas com ação de regeneração celular, que apresentam potencial para cicatrização de queimaduras e para tratamento de doenças articulares e degenerativas. Já no veneno do peixe niquim (Thalassophryne nattereri), foi descrito um peptídeo anti-inflamatório que demonstrou atividade contra asma em testes em modelos animais.

Conforme a produção de conhecimento avançava, o Instituto Butantan também se tornou referência na formação de novos profissionais especializados em toxinologia, contando com um dos únicos programas gratuitos de pós-graduação brasileiros voltados à área. Ao mesmo tempo, continuou trazendo a população para perto da ciência, por meio de seus museus, atividades educativas e, mais recentemente, cursos gratuitos voltados ao público geral.

Demonstração com serpente para visita escolar. Sem data. (Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória)


Educar para preservar

O contato próximo com a sociedade civil sempre foi um dos pilares fundamentais do Instituto Butantan. Em 1914, a instituição inaugurou o Serpentário – viveiro de serpentes a céu aberto – e seu primeiro museu, que mostrava parte da coleção zoológica, buscando conscientizar a população sobre animais peçonhentos. Mais tarde, passou a expor espécimes vivas, como serpentes, aranhas, escorpiões e lagartos, no local hoje conhecido como Museu Biológico. O Mão na Cobra, atividade tradicional de divulgação científica do Butantan, é uma das tantas ações que até hoje ajudam a desmistificar as serpentes, comumente vistas como “vilãs”, possibilitando que as pessoas se aproximem de bichos vivos para além dos familiares mamíferos.

“A solução de Vital Brazil foi brilhante: ele transformou ciência em espetáculo. Demonstrações públicas de serpentes e programas educacionais atraíram multidões, que vinham pelo entretenimento e ficavam pela ciência” (Silvia Travaglia-Cardoso e Erika Hingst-Zaher. Where museum meets zoo: Butantan’s living Herpetological Collection. Responsible Herpetoculture Journal. #25 January-February 2026)

Cobra coral e cascavel em exposição no Museu Biológico. Sem data.  (Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória)


Antigamente, os animais ficavam em recintos parecidos entre si, com plantas artificiais e pouco ou nenhum substrato. Quem visita hoje o Museu Biológico do Instituto Butantan encontra recintos personalizados e pensados para cada espécie, com plantas naturais, troncos, abrigos e temperaturas específicas que simulam seu habitat natural. Essa ambientação, além de aumentar o bem-estar dos animais, permite que eles expressem seu comportamento natural. Assim, os pesquisadores conseguem estudá-los e compreendê-los com mais profundidade, gerando conhecimentos indispensáveis para a conservação.

Os atuais recintos do Museu Biológico são construídos para imitar o ambiente natural dos animais (Foto: José Felipe Batista)


Além do Museu Biológico e do Serpentário, o Butantan conta com outras exposições de animais vivos, como o Macacário, que abriga descendentes de uma colônia de macacos Rhesus trazidos da Ásia em 1929; o Reptário, um viveiro com lagartos e quelônios; e o Laboratório de Ecologia e Evolução (LEEv), que apresenta o universo dos répteis brasileiros ameaçados em visitas guiadas e desenvolve pesquisas focadas em conservação. No LEEv, é possível observar serpentes, lagartos, cágados e jabutis em ambientes que simulam seu habitat natural, além de um recinto com três sucuris-verdes.

Recinto das sucuris-verdes no Laboratório de Ecologia e Evolução foi inaugurado em fevereiro de 2026. (Foto: José Felipe Batista)


Grande parte dos animais expostos no Parque da Ciência são resgatados do comércio ilegal pelo Ibama e pela polícia. Muitos são exóticos (espécies que não ocorrem no Brasil) e alguns são nativos, mas não é possível determinar a sua origem exata nem as condições em que eles estavam vivendo. Pela segurança do próprio animal e do meio ambiente, ele não pode ser reintroduzido na natureza, pois poderia gerar um desequilíbrio ecológico entre as espécies locais. Além disso, teria dificuldade para caçar e sobreviver por ter crescido em cativeiro.

Ao serem acolhidos pelo Butantan, esses animais ganham uma nova possibilidade de vida. Tornam-se símbolos da educação ambiental, contribuindo para a conscientização sobre os impactos do tráfico animal e a importância da preservação das espécies. No Brasil, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados ilegalmente da natureza a cada ano.

Serpente asiática víbora-dos-lábios-brancos, resgatada do tráfico animal em 2023 e hoje exposta no Museu Biológico (Foto: José Felipe Batista)


No Butantan, os animais passam por acompanhamento veterinário periodicamente. “Hoje em dia, temos veterinários especializados inclusive em aranhas. O cuidado foi se aprimorando, o que também aumentou a longevidade de todos esses animais”, conta a pesquisadora do Museu Biológico Silvia Regina Travaglia Cardoso. Uma das serpentes mais velhas em exposição é a sucuri carinhosamente apelidada de Muzinha, que vive no Butantan há mais de 20 anos e impressiona visitantes com seus mais de 5 metros de comprimento e 97 kg.

O Instituto também oferece capacitação para o Corpo de Bombeiros e a polícia ambiental, ensinando os profissionais sobre o manejo seguro de serpentes e outros animais peçonhentos. Além disso, promove ações educativas para moradores de comunidades isoladas, que vivem em maior risco de sofrer acidentes com serpentes.

A sucuri Muzinha, habitante do Museu Biológico (Foto: Marília Ruberti)


Ética e bem-estar animal como motores

Com recintos que se aproximam da vida na natureza, viveiros ao ar livre, estratégias para reduzir o uso de modelos vivos em pesquisa e trabalhos de conservação, o Butantan mantém a ética e o bem-estar animal como norte de suas atividades. A prática do enriquecimento ambiental, que norteia a criação dos recintos do Museu Biológico e dos outros espaços de manutenção de animais vivos do Butantan, oferece estímulos sensoriais, sociais, cognitivos, estruturais ou alimentares imprevisíveis, semelhantes ao que eles encontrariam na natureza, contribuindo para sua saúde cognitiva.

Os habitantes do Macacário, por exemplo, vivem em um espaço com lago, balanços, pneus e troncos para escalar, permitindo que eles expressem seu comportamento natural. Herdeiros dos macacos trazidos para o Brasil em 1929 para contribuir na pesquisa de uma vacina contra a febre amarela, hoje esses animais figuram como pequenos educadores ambientais, sendo a única colônia de macacos Rhesus no país aberta à visitação do público.

O Macacário abriga uma colônia de macacos Rhesus (Foto: Comunicação Butantan)


Um elemento essencial para a manutenção de todo esse complexo é o Biotério Central, responsável pela criação de animais de laboratório, que fornece alimentação para os exemplares das exposições e da produção de soros, contribui para o desenvolvimento das pesquisas do Instituto e capacita profissionais na área de bioterismo. Um recente projeto de expansão da área deu origem ao Centro de Bem-Estar Animal, que visa o desenvolvimento de modelos experimentais mais precisos, alinhando o Butantan ao movimento global de redução do uso animal em testes.

Ainda com esse objetivo, o Instituto investe em modelos experimentais inovadores, como o zebrafish (peixe paulistinha). A espécie possui alta similaridade genética com seres humanos, é de fácil manejo e permite a realização de testes sem procedimentos invasivos, contribuindo para reduzir o uso de mamíferos em laboratório.

“O Butantan é uma instituição de vanguarda – nós já tínhamos as nossas próprias comissões de ética antes de haver legislação sobre o uso de animais em pesquisa no Brasil. O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal [CONCEA] foi criado em 2008 e trouxe muitos ganhos para o bem-estar animal”, reflete a pesquisadora e diretora do Biotério Central do Butantan, Vania Mattaraia.

No LEEv, visitantes podem aprender sobre a jararaca-ilhoa (Foto: José Felipe Batista)


Somado a isso, entre os esforços de conservação animal, destacam-se projetos voltados às serpentes insulares, como a jararaca-ilhoa, residente da Ilha da Queimada Grande – popularmente chamada de “Ilha das Cobras”. A partir da manutenção ex situ (fora do ambiente natural), os cientistas investigam aspectos como reprodução, alimentação e uso do habitat, buscando viabilizar a preservação genética e o aumento da população da espécie ameaçada.

Trabalhando com e pelos animais, instituições como o Butantan reforçam a importância de conhecer e preservar a biodiversidade e de conectar a sociedade com a ciência. As portas abertas, por meio de museus, viveiros e da própria natureza que habita o Parque da Ciência, servem como um instrumento educativo e uma lembrança de que a nossa saúde também está ligada à saúde animal e ambiental, e que cuidar do ambiente é cuidar de todos nós.

"Nosso legado de ciência cidadã, iniciado por Vital Brazil há mais de um século, continua por meio de programas educativos que transformam o medo em fascínio e os visitantes em defensores da conservação de répteis e anfíbios." (Silvia Travaglia-Cardoso e Erika Hingst-Zaher. Where museum meets zoo: Butantan’s living Herpetological Collection. Responsible Herpetoculture Journal. #25 January-February 2026)

Atividade da Semana de Férias no Butantan, com os "Astros do Museu Biológico". (Foto: José Felipe Batista)


Referências:

Calleffo, M. E. V., & Barbarini, C. C. (2007). A origem e a constituição dos acervos ofiológicos do Instituto Butantan. Cadernos De História Da Ciência, 3(2), 73–100.

https://doi.org/10.47692/cadhistcienc.2007.v3.35725

Canter, Henrique Moisés. 100 anos de Butantan. 2000.

TEIXEIRA-COSTA, Luiz Antônio; HINGST-ZAHER, E. Vital Brazil: um pioneiro na prática da ciência cidadã. Cadernos de História da Ciência, v. 10, p. 2014-54, 2015. Disponível em:

https://ohs.coc.fiocruz.br/artigo/vital-brazil-um-pioneiro-na-pratica-da-ciencia-cidada/.

Travaglia-Cardoso, Silvia Regina. Hingst-Zaher, Erika. Where museum meets zoo: Butantan’s living Herpetological Collection. Responsible Herpetoculture Journal. #25 January-February 2026.

Vaz, Eduardo. Fundamentos da História do Instituto Butantan – Seu desenvolvimento. 1949.

Fonte _ Butantan

Semana da Enfermagem Fiocruz 2026 debate ciência, ética e política do cuidado

 


V Semana da Enfermagem Fiocruz vai reunir, na próxima quinta-feira (7/5), cerca de 300 profissionais de diferentes unidades da Fundação. Inspirada pelo tema nacional proposto pela Associação Brasileira de Enfermagem (Aben)Técnica, ética e política: pilares inegociáveis do cuidado de enfermagem, a edição de 2026 traz como eixo central Enfermagem Fiocruz: ciência e SUS como expressões técnicas, éticas e políticas do cuidadoAcesse a programação completa.



A abertura do evento contará com as presenças do vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, que representará o presidente da Fundação, e dos diretores do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Antonio Flavio, do Hospital Federal da Lagoa (HFL/Fiocruz), Lívia Menezes, do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Estevão Portela, e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Marco Antônio Menezes. A representante das responsáveis técnicas de enfermagem será a enfermeira Paloma Acioly, do IFF. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) terá como representante a segunda-tesoureira, Ellen Peres.

V Semana da Enfermagem Fiocruz busca ampliar reflexões sobre três dimensões indissociáveis do exercício profissional. A técnica, sustentada pela produção científica; a ética, como base da segurança do paciente e da responsabilidade profissional; e a política, como elemento estruturante da gestão e da governança do cuidado.

Desde 2022 a iniciativa é incentivada pela Presidência da Fiocruz como parte das ações voltadas à valorização da enfermagem no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Este ano, o evento ganha um significado especial com a integração da equipe de enfermagem do HFL ao corpo institucional da Fiocruz, oficializada pelo Ministério da Saúde (MS) por meio da Portaria nº 1.357, de 28 de setembro de 2023. O momento marca a união de experiências e saberes que fortalecem a capacidade de resposta do SUS diante dos desafios contemporâneos da saúde pública.

O encontro reforça a liderança do enfermeiro não apenas na organização do cuidado à beira do leito, mas também nos espaços estratégicos de tomada de decisão, reafirmando a importância da participação qualificada da enfermagem nas instâncias superiores de gestão. Em um cenário de crescente complexidade assistencial, a valorização da liderança técnica e ética da enfermagem torna-se elemento central para a sustentabilidade do cuidado, contribuindo para maior resolutividade, humanização e eficiência no cuidado prestado à população.

Na Fiocruz, estão envolvidas com a organização da Semana o Instituto Nacional de Infectologia (INI), o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), o Hospital Federal da Lagoa (HFL), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, o Centro de Referência Professor Hélio Fraga e o Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust), em uma articulação da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e da Diretoria Executiva. O evento se insere no contexto de integração dos hospitais federais do Rio de Janeiro, promovido pelo Ministério da Saúde.

Serviço
V Semana da Enfermagem Fiocruz

Data: 7 de maio (quinta-feira);

Local: Hotel Windsor Florida;

Endereço: Rua Ferreira Viana 81, Flamengo, Rio de Janeiro);

Horário: 8h às 17hs.

Fonte _ FioCruz

Ministério da Saúde inicia entrega de 3,3 mil veículos para transporte de pacientes do SUS em todo o país

 


Ministério da Saúde vai garantir o transporte de pacientes do SUS que precisam ser atendidos longe de casa. Estados e municípios de todo o país começam a receber 3,3 mil veículos, entre vans, micro-ônibus e ambulâncias, para deslocamentos de mais de 50 km até os serviços de saúde. A iniciativa, parte do programa Agora Tem Especialistas - Caminhos da Saúde, visa ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias e a continuidade de tratamentos contra o câncer e hemodiálise. O investimento na compra dos veículos foi de R$ 1,4 bilhão e é executado pelo Novo PAC.

É a primeira vez que o Ministério da Saúde compra e oferta transporte sanitário diretamente a estados e municípios, enfrentando um dos principais obstáculos no acesso à saúde especializada: a distância entre o local de residência do paciente e os serviços de média e alta complexidade. Dos 3.300 veículos adquiridos, 1.824 serão entregues diretamente às prefeituras para usos em múltiplas finalidades, enquanto os outros 1.476 vão ser direcionados ao transporte de pacientes de radioterapia e hemodiálise.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa representa uma mudança concreta na vida destes brasileiros. No caso do tratamento de câncer, os pacientes do SUS em média precisam se deslocar mais de 140 km. “Muitas pessoas precisam acordar de madrugada, viajar por horas, passar o dia inteiro em tratamento e retornar apenas à noite, muitas vezes em condições precárias. Esse é o caminho do sofrimento que o governo do presidente Lula está transformando. Pelo Agora Tem Especialistas, o Caminhos da Saúde garante dignidade, segurança e qualidade no deslocamento até o atendimento”, afirma.

Transporte para garantir acesso dos pacientes a atendimento

Os veículos destinados a atender pacientes da radioterapia e hemodiálise serão distribuídos pelos estados às macrorregiões contempladas, permitindo que gestores locais organizem rotas, fluxos e tipos de transporte de acordo com a realidade de cada território.

A destinação dos veículos do Agora Tem Especialistas - Caminhos da Saúde segue critérios técnicos que consideram as desigualdades no acesso à saúde e a organização regional do SUS. A previsão é que todas as macrorregiões de saúde do país sejam contempladas, com reforço para aquelas com maior número de casos de câncer e maior dependência do SUS.

Para o transporte de pacientes em radioterapia, a divisão leva em conta a oferta de serviços de aceleradores lineares e a necessidade de deslocamento. No caso da hemodiálise, os critérios consideram a distância até os serviços de terapia renal substitutiva. A definição do arranjo para uso dos veículos será pactuada entre o estado e seus municípios na respectiva Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

Mais equipamentos e mais recursos para radioterapia no SUS

Além de garantir o transporte, o programa Agora Tem Especialistas também atua para otimizar o uso dos aceleradores lineares disponíveis no país. Cada equipamento tem capacidade para realizar cerca de 700 tratamentos por ano, mas muitos ainda operam abaixo desse potencial.

Para garantir que esses aceleradores atuem em sua capacidade máxima, o Ministério da Saúde estabeleceu incentivos para que os serviços ampliem o atendimento, em um total de R$ 906 milhões por ano. Com isso, cada unidade pode ganhar até 30% mais, dentro de uma nova forma de financiamento que supera de vez a antiga Tabela SUS.

Além disso, neste governo, foram adquiridos mais de 100 aceleradores lineares e já são quase 40 novos aparelhos entregues desde 2023, reforçando a capacidade de atendimento e garantindo mais rapidez no início do tratamento. Com mais equipamentos de ponta, o Ministério da Saúde fortalece os centros regionais de tratamento de câncer, garantindo também atendimento mais perto de casa.

Com essas medidas, somadas a expansão do diagnóstico, consultas e cirurgias, o Governo do Brasil, pelo Agora Tem Especialistas, realiza o maior acesso a assistência oncológica da história do SUS.

O programa visa expandir o atendimento especializado no país e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias em áreas prioritárias. A iniciativa prevê também a realização de mutirões - incluindo, em março deste ano, o maior mutirão voltado à saúde da mulher, com 230 mil atendimentos; a oferta de serviços pelas Carretas das Saúde, unidades móveis que já atenderam pacientes de mais de 1.700 municípios; e o atendimento de pacientes do SUS por hospitais privados a partir de créditos financeiros para quitar impostos com a União.

Entre os resultados o SUS bateu recorde de cirurgias em 2025, com um total de 14,9 milhões de procedimentos, 42% mais que em 2022. Também registrou recorde de exames (1,3 milhão) e de internações (14 milhões).

Confira a distribuição dos veículos por estado

Veja a lista detalhada

Conheça a campanha do Agora tem Especialistas

Fonte _ Saúde.gov

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Gripe: vacinação de crianças, gestantes e idosos deve ser intensificada antes do inverno

 


A circulação da influenza começou mais cedo neste ano. Para ampliar a proteção, o Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação, especialmente entre crianças, gestantes e idosos, grupos com maior risco de desenvolver complicações e precisar de hospitalização. A vacina é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no SUS para os públicos prioritários. Para proteger os bebês contra a bronquiolite, a vacinação contra o vírus sincicial respiratório também está disponível para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.

Até 18 de abril de 2026, o Brasil registrou 5,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza e 352 mortes. Apesar da antecipação da circulação do vírus antes do inverno, período de maior transmissão, a expectativa é de que o pico deste ano fique abaixo do observado no mesmo período de 2025.

Em parte do país, os casos já apresentam desaceleração. Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Tocantins e Distrito Federal registram queda ou interrupção do crescimento, sinalizando possível estabilização da circulação viral. Ainda assim, 17 estados seguem com tendência de aumento dos casos nas últimas semanas.

Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste e segue até 30 de maio. Mais de 17 milhões de doses já foram distribuídas no país, com 11,6 milhões aplicadas em crianças, idosos e gestantes.

Para ampliar o alcance da ação, o Governo do Brasil enviou mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca reforçar a divulgação de informações oficiais, ampliar a confiança nos canais institucionais e incentivar a vacinação. Na Região Norte, a vacinação ocorre no segundo semestre, conforme a sazonalidade local.

A campanha é realizada anualmente, pois o vírus sofre mutações frequentes e novas cepas passam a circular a cada temporada. Por isso, o Ministério da Saúde atualiza a composição das vacinas em todas as campanhas. O imunizante pode ser aplicado junto a outras vacinas do Calendário Nacional, incluindo a vacina contra a Covid-19

Com base na análise da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as vacinas atuais contra a influenza reduzem hospitalizações, com efetividade de 30% a 40% entre adultos e de até 75% em crianças.

 Vírus Sincicial Respiratório

Além da vacina contra a gripe, o SUS oferece imunização contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia protege os bebês nos primeiros meses de vida.

Como complemento, o Ministério da Saúde incorporou o nirsevimabe ao SUS em fevereiro. O imunizante é indicado para recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com pelo menos uma das seguintes condições: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalias congênitas das vias aéreas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal que atua imediatamente após a aplicação, sem necessidade de estimular resposta imunológica ao longo do tempo. A incorporação do produto reforça as estratégias do SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês.

Conheça a Estratégia de Vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório em gestantes

Fonte _ Saúde.gov

InfoGripe: maior parte do país tem incidência de SRAG em nível de alerta ou risco

 


Divulgada nesta quarta-feira (29/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta que a maioria das unidades federativas (UF) do país apresenta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco. As exceções são Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Este cenário reflete o período de sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A no país. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 16, período de 19 a 25 de abril.

Outro quadro preocupante é que os casos de SRAG por VSR, que afetam principalmente crianças de até 2 anos, continuam aumentando em UF de todas as regiões. É o caso do Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. Por outro lado, apresentam sinal de queda no Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Goiás, Maranhão e Tocantins têm indícios de estabilidade ou de estabilização.

“A principal forma de proteção contra os casos graves de VSR e influenza é a vacinação. Por isso, é essencial que a população que faz parte dos grupos prioritários, como crianças, idosos e pessoas com comorbidade, tomem a dose atualizada da vacina durante o período da campanha, para ficarem protegidas no momento de maior circulação desses vírus. A vacina contra o VSR pode ser administrada em qualquer época do ano e é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, garantindo a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida”, ressaltou a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

A análise constatou que 16 estados apresentam sinal de aumento de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 16: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins.

Boletim aponta que as ocorrências de SRAG associadas à influenza A mantém crescimento em estados do Centro-Sul (DF, ES, MG, MS, PR, SC, RS e SP), em alguns estados do Norte (AC, RO e RR) e Nordeste (AL e PB). No entanto, apresentam tendência de queda em boa parte das regiões Norte (AM, AP, PA, TO), Nordeste (BA, CE, MA, PR, PI, RN), além do MT. Goiás e Sergipe e sinalizam interrupção do aumento.

InfoGripe verificou que 13 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 16. É o caso de Belém (PA), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (NA), Natal (RN), Palmas (TO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Teresina (PI) e Vitoria (ES).

Dados epidemiológicos

Em relação aos casos positivos registrados este ano, a análise verificou que 26,4% foram de influenza A, 1,9% de influenza B, 21,5% de vírus sincicial respiratório, 38,3% de rinovírus e 8,5% de Sars-CoV-2. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 31,6% de influenza A, 2,9% de influenza B, 36,2% de vírus sincicial respiratório, 26% de rinovírus e 3% de Sars-CoV-2.

O estudo mostra ainda que, nas últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 31,6% de influenza A, 2,9% de influenza B, 36,2% de vírus sincicial respiratório, 26% de rinovírus e 3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,9% de influenza A, 4,3% de influenza B, 8,3% de vírus sincicial respiratório, 20,5% de rinovírus e 16,9% de Sars-CoV-2. Em 2026 já foram notificados 46.344 casos de SRAG, sendo 20.523 (44,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 17.702 (38,2%) negativos e ao menos 4.816 (10,4%) aguardando resultado laboratorial.

Óbitos

Em 2026, foram registrados 1.960 óbitos de SRAG, sendo 852 (43,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 880 (44,9%) negativos, e ao menos 50 (2,6%) aguardando resultado laboratorial. Em 2026, entre os óbitos positivos, o InfoGripe constatou que 39,1% foram por influenza A, 3,2% de influenza B, 5,8% de vírus sincicial respiratório, 22,2% de rinovírus e 27,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos foi de 46,9% de influenza A, 4,3% de influenza B, 8,3% de vírus sincicial respiratório, 20,5% de rinovírus e 16,9% de Sars-CoV-2

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, eles têm apresentado maior impacto nas crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade continua apresentando maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Caixa libera dinheiro de antigo fundo PIS/Pasep

 


Empregados com carteira assinada e servidores públicos que trabalharam de 1971 a 1988 e estão na fila para sacar as cotas do antigo fundo Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) podem reaver o valor. A Caixa Econômica Federal começou a pagar nesta segunda-feira (27) um novo lote de valores esquecidos.

Nesta rodada, recebem aqueles que pediram o ressarcimento até 31 de marçoO valor médio pago varia de R$ 2,8 mil a R$ 2,9 mil, dependendo do tempo de trabalho e do salário da época.

Quem tem direito

Podem sacar os valores:

  • Trabalhadores com carteira assinada entre 1971 e 1988;
  • Servidores públicos do mesmo período;
  • Herdeiros ou dependentes legais, em caso de falecimento;
  • Quem pediu o dinheiro até 31 de março.

O benefício não tem relação com o abono salarial atual do PIS/Pasep, pago anualmente. Trata-se de cotas de um fundo antigo, extinto em 2020.

Como consultar se há dinheiro disponível

A consulta é feita pelo portal Repis Cidadão, com login via conta Gov.br nos níveis prata e ouro.

Passo a passo:

  • Acesse o site e faça login com CPF e senha;
  • Informe o número do PIS/Pasep ou NIS (se solicitado);
  • Clique em “pesquisar”;
  • O sistema indicará se há valores e como proceder;
  • Também é possível consultar pelo aplicativo do FGTS.

Como pedir o pagamento

O pedido pode ser feito de duas formas:

Pelo aplicativo FGTS:

  • Acesse “Mais”;
  • Clique em “Ressarcimento PIS/Pasep”;
  • Envie os documentos e acompanhe o pedido.

Em uma agência da Caixa:

  • Leve documento oficial com foto

O pagamento é feito por crédito em conta. Quem não tiver conta na Caixa receberá automaticamente uma poupança social digital, movimentada pelo app Caixa Tem.

E no caso de herdeiros?

Herdeiros também podem solicitar o valor, desde que apresentem:

  • Documento de identificação
  • Certidão de dependentes ou autorização judicial
  • Documento que comprove vínculo com o titular

Calendário de pagamentos

O pagamento depende da data em que o pedido foi feito. 
 

Pedido feito até

Recebe em

31/3/2026

 27/4/2026 (lote atual)

30/4/2026

25/5/2026

31/5/2026

25/6/2026

30/6/2026

27/7/2026

31/7/2026

25/8/2026

31/8/2026

25/9/2026

30/9/2026

26/10/2026

31/10/2026

25/11/2026

30/11/2026

28/12/2026

31/12/2026

janeiro de 2027

Fonte: Caixa Econômica Federal

O que é o fundo PIS/Pasep

Criado na década de 1970, o fundo reunia recursos para complementar a renda de trabalhadores e servidores. Em 1988, ele foi substituído pelo modelo atual de abono salarial.

Os valores não sacados foram transferidos em 2020 para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, depois, ao Tesouro Nacional. Agora, o governo permite o resgate mediante pedido.

Prazo para sacar

O pedido pode ser feito até setembro de 2028. Após esse prazo, os valores serão incorporados definitivamente ao Tesouro, sem possibilidade de saque.

Canais de dúvidas

A Caixa oferece atendimento pelos seguintes canais:

  • Telefone: 0800-726-0207
  • SAC: 0800-726-0101
  • Ouvidoria: 0800-725-7474
  • Sitecaixa.gov.br

A orientação é verificar o quanto antes se há valores disponíveis para evitar perder o prazo.

Fonte _ AgenciaBrasil