Em
sintonia com a avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e
do Ministério da Saúde (MS) sobre o baixo risco de uma pandemia
causada pelo vírus Nipah (NiV), a Fiocruz atua no
apoio à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) nos campos do
diagnóstico e da assistência. Com dois casos confirmados na Índia e sem
registro de circulação do vírus fora do Sudeste Asiático, o cenário atual não
apresenta evidência de disseminação internacional ou risco para a população
brasileira.
“Até
o momento, o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia”, assegura a
coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz,
Tânia Fonseca. “Eventualmente, surgem surtos de Nipah. Isso já aconteceu na
Malásia, em Singapura, na Índia, em Bangladesh, nas Filipinas e, atualmente, de
novo na Índia. O vírus está na lista de patógenos prioritários da OMS, ao lado
de outros com provável potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada”,
enfatiza Fonseca ao explicar que não há qualquer indicação de risco no Brasil e
que é papel da Fiocruz deixar sua estrutura e conjunto de especialistas
preparados diante de uma possibilidade.
No
país, a eventual análise de amostras suspeitas será centralizada no Laboratório
de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergenciais Virais (IOC/Fiocruz),
nomeado como Laboratório de Referência do MS para o vírus Nipah. O Instituto
Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), por sua
vez, assume o papel de unidade hospitalar de referência para assistência em
casos suspeitos.
Transmissão
zoonótica
Com
transmissão associada principalmente a morcegos frugívoros da família
Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras, o transbordamento do vírus e
consequente infecção pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados por
contato com saliva ou urina dos morcegos ou, mais raramente, por contato direto
entre pessoas ou com superfícies contaminadas. Esses morcegos, considerados os
hospedeiros naturais do vírus Nipah, não estão presentes no Brasil.
O
coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli, explica que
as espécies hospedeiras ocorrem na Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões
da África. “Não existem raposas-voadoras no Brasil e nem nas Américas. Além
disso, não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies que
ocorrem aqui no Brasil”, comentou.
O
especialista destaca ainda que “os morcegos desempenham importantes serviços
ecossistêmicos como dispersores de sementes, polinizadores, predadores de
insetos que são pragas agrícolas ou vetores de agentes infecciosos que causam
doenças em humanos e animais e, como qualquer outro grupo animal, têm
importante papel na manutenção de ecossistemas”.
O
fluxo operacional e os protocolos de diagnóstico para o vírus Nipah foram
alinhados pela Fundação e pelo MS em caráter preventivo. O planejamento
estratégico, que assegura a disponibilidade de kits diagnósticos em eventual
necessidade, foi validado junto à Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde
Pública (CGLAB).
Fonte _ FioCruz

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