sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
É falso que alumínio presente nas vacinas aumenta casos de autismo
Uma
desinformação antiga volta a circular nas redes sociais: a de que o alumínio em
vacinas infantis aumentaria casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Em vídeo no Instagram, o médico Felipe Belanda Trofino, que frequentemente
questiona a eficácia e a segurança da vacinação infantil, volta a sugerir esse
vínculo — tese já desmentida repetidas vezes.
Ele
também resgata a ideia falsa de que uma suposta “encefalite por alumínio”
explicaria sintomas de autismo. Outra mentira, já que vacinas não causam
encefalite. Vamos aos fatos. A seguir, confira o que é fato e o que é fake.
Como
o alumínio aparece nas vacinas
O
alumínio é utilizado como adjuvante, isto é, uma substância que potencializa a
resposta imune e ajuda a vacina a funcionar melhor. Sua utilização está
consolidada há décadas e não está associada ao aumento de risco de
desenvolvimento de doenças atópicas ou neurodesenvolvimentais em crianças.
As
quantidades presentes nos imunizantes são muito baixas e não fazem mal à saúde.
A segurança dos adjuvantes de alumínio é amplamente documentada, e defendida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o adjuvante é entendido
como parte importante da eficácia de diversas vacinas.
O
que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)
O
TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Segundo a OMS, ocorre em cerca de
uma a cada 100 crianças. O espectro inclui diferentes graus e manifestações,
com sinais que podem surgir ainda nos primeiros meses de vida; o diagnóstico
costuma acontecer por volta dos 2 a 3 anos.
O
transtorno se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e
por interesses e comportamentos repetitivos, variando em gravidade (níveis 1, 2
ou 3).
As
causas do TEA têm origem genética: mais de 100 genes já foram associados ao
transtorno. Um estudo recente sequenciou o genoma de mais de 20 mil pessoas e
identificou 134 genes relacionados ao distúrbio. Por ser multifatorial e
complexo, o diagnóstico requer uma avaliação minuciosa e equipe
multidisciplinar.
De
onde veio o boato
A
desinformação que liga vacinas ao autismo ganhou força em 1998, com um estudo
publicado na revista The Lancet pelo médico britânico Andrew Wakefield. A
pesquisa tinha falhas graves, dados falsos e conflitos de interesse. A farsa
foi exposta em 2004 por reportagem investigativa de Brian Deer no The Sunday
Times.
Em
2010, Wakefield foi considerado inapto para exercer a medicina pelo Conselho
Geral de Medicina do Reino Unido por conduta “irresponsável”, “antiética” e
“enganosa”. A própria The Lancet retratou o artigo, reconhecendo que suas
conclusões eram falsas. Ainda assim, o estudo fraudulento alimentou movimentos
antivacinas e queda de coberturas vacinais em vários países.
O
que dizem as evidências confiáveis
- Não há
relação causal entre vacinas e TEA. Uma análise publicada em 2014 na
revista Vaccines, envolvendo mais de 1 milhão de crianças, não encontrou
associação entre vacinação e autismo.
- O Comitê
Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS/OMS) confirmou que não
existem evidências de relação causal entre a tríplice viral (MMR) e o
autismo.
- Em relação às
vacinas MMR e covid-19, diversos estudos foram conduzidos e nenhum
demonstrou conexão com o desenvolvimento do TEA.
Vacinas
são seguras — e salvam vidas
Vacinas
passam por pesquisas rigorosas e são a forma mais segura de prevenir doenças
graves. A pandemia de covid-19 — responsável por mais de 700 mil mortes no
Brasil — foi controlada com a vacinação em massa. No Sistema Único de Saúde
(SUS), os imunizantes são gratuitos e protegem contra doenças como sarampo,
caxumba, rubéola, poliomielite, entre outras.
Por
que vacinar crianças e adolescentes
A
vacinação protege o indivíduo e a comunidade, evita surtos e salva milhões de
vidas. Estima-se que as vacinas contra o sarampo tenham evitado mais de 23
milhões de mortes entre 2000 e 2018 no mundo. Manter o calendário vacinal em
dia impede o retorno de doenças altamente contagiosas — como rubéola, tétano e
poliomielite. E, mais uma vez, é importante reforçar: vacinas não causam
autismo.
Resumindo:
o alumínio presente nas vacinas é seguro, o TEA tem base genética e a hipótese
de ligação entre vacinas e autismo nasceu de um estudo fraudulento já
desmentido e retratado. Vacinar protege e salva vidas. Não deixe a
desinformação se espalhar. Consulte sempre fontes confiáveis como o Ministério
da Saúde ou a OMS.
Fontes
As
referências usadas nesta matéria são:
Vacinas infantis não causam autismo
Por que é mentira que vacinas causam autismo? Conheça a
história por trás desse mito
Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo
Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle
das hepatites virais
Fonte _ Saúde.gov
terça-feira, 31 de março de 2026
Governo sanciona ampliação da licença-paternidade; veja o que muda e os próximos passos
O
presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) o projeto
de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no
Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias a partir de 2029.
O
benefício será concedido aos pais em casos de nascimento, adoção ou obtenção de
guarda de criança ou adolescente.
A
ampliação da licença-paternidade era discutida no Congresso Nacional há mais de
uma década. A Constituição de 1988 já prevê o direito, mas determinou
que uma lei específica deveria regulamentar a duração do benefício.
A
proposta institui o salário-paternidade como benefício previdenciário e
promove alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas normas da
seguridade social, com o objetivo de aproximar a proteção à paternidade das
garantias já asseguradas à maternidade.
“O
projeto também prevê situações em que a licença-paternidade será equiparada à
licença-maternidade, como nos casos em que não houver registro da mãe na
certidão de nascimento ou quando a adoção ou a guarda for concedida
exclusivamente ao pai”, afirma Rodrigo Marques, gestor de relações trabalhistas
do PG Advogados.
Para
a Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), a aprovação do projeto que amplia a
licença-paternidade representa um avanço histórico e um primeiro passo para
incentivar uma divisão mais equilibrada do cuidado com os filhos.
Segundo
a entidade, a medida pode trazer benefícios como melhora no desenvolvimento
infantil, apoio à recuperação das mães e impactos positivos no mercado de
trabalho, além de ajudar a reduzir desigualdades de gênero. Entenda abaixo o
que diz a nova lei:
2.
Em
que situações o benefício pode ser negado?
3.
Em
quais casos o benefício pode ser estendido?
4.
Como
fica em casais homoafetivos?
5.
O
trabalhador terá estabilidade?
7.
Como
fica o Programa Empresa Cidadã?
O
que muda com a nova lei?
Trabalhadores
tinham direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela
empresa.
Além
disso, empresas
que participam do Programa Empresa Cidadã podem conceder mais
15 dias de licença aos funcionários e, em troca, recebem deduções no
Imposto de Renda.
Pela
nova regra, a duração da licença-paternidade passará a ser:
- 10 dias, a partir de
1º de janeiro de 2027;
- 15 dias, a partir de
1º de janeiro de 2028;
- 20 dias, a partir de
1º de janeiro de 2029.
A
proposta também prevê que a Previdência Social passará a arcar com o custo do
afastamento. Na prática, a empresa continuará pagando o salário
normalmente e depois será reembolsada pelo INSS.
O
texto garante que o empregado receberá a remuneração integral ou o valor
equivalente à média dos últimos seis meses.
O
trabalhador também poderá emendar a licença às férias. No entanto, o
período não poderá ser dividido.
Em
que situações o benefício pode ser negado?
Pela
nova lei, o benefício poderá ser negado ou suspenso em casos de
violência doméstica ou familiar, além de situações de abandono
material — quando o pai deixa de prestar assistência financeira à
criança.
O
salário-paternidade também poderá ser suspenso caso o trabalhador não
se afaste efetivamente de suas atividades durante o período da
licença.
Em
quais casos o benefício pode ser estendido?
A
lei prevê algumas situações em que o período de licença poderá ser ampliado:
1.
Falecimento da mãe: O pai ou
companheiro passa a ter direito ao período da licença-maternidade, que varia de
120 a 180 dias.
2.
Criança com deficiência: Caso o
recém-nascido — ou a criança ou adolescente adotado — tenha deficiência, a
licença-paternidade será ampliada em um terço. Na prática, isso pode
representar cerca de 13, 20 ou aproximadamente 27 dias, dependendo da fase de
implementação da nova regra.
3.
Adoção ou guarda unilateral: Quando o pai adota
sozinho a criança ou obtém a guarda sem a participação da mãe ou de um
companheiro, ele também terá direito ao período equivalente ao da
licença-maternidade.
4.
Parto antecipado: A
licença-paternidade também será estendida e garantida nesses casos,
independente do motivo para atencipação do parto.
5.
Internação da mãe ou do recém-nascido: O início da
licença poderá ser adiado e passará a contar apenas após a alta hospitalar da
mãe ou da criança.
6.
Ausência do nome da mãe no registro civil: Se no registro
de nascimento não constar o nome da mãe, o pai terá direito a uma licença
equivalente à licença-maternidade de 120 dias, além da estabilidade no emprego
prevista nesses casos.
Como fica em casais homoafetivos?
O Supremo
Tribunal Federal já decidiu, em casos específicos, pela concessão de
licença-maternidade em casais homoafetivos. No entanto, a aplicação das
regras para casais formados por dois homens ainda depende de análise caso a
caso.
De acordo
com a nova lei, um dos integrantes do casal poderá receber a equiparação à
licença e ao salário-maternidade.
O texto
também estabelece que, em casos de adoção por casais homoafetivos, uma pessoa
poderá usufruir do período referente à licença-maternidade, enquanto a outra
terá direito ao período vinculado à licença-paternidade.
A ampliação da licença-paternidade para 20 dias representa um avanço, mas ainda
é uma mudança tímida. O Brasil continua adotando um modelo que concentra o
cuidado com o recém-nascido quase exclusivamente na mulher e ainda não avançou
para uma política efetiva de licença parental compartilhada, além de não
contemplar plenamente as novas configurações familiares.
—
Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do A. C Burlamaqui Advogados.
O
trabalhador terá estabilidade?
Assim
como ocorre com as trabalhadoras grávidas, o projeto cria uma proteção
contra demissão sem justa causa.
A
proposta proíbe a demissão arbitrária durante o período da licença e
também por até 30 dias após o retorno ao trabalho.
Caso
o trabalhador seja dispensado nesse período, poderá ter direito à reintegração
ao emprego ou a uma indenização equivalente ao dobro da remuneração referente
ao período de estabilidade.
Quem
terá direito?
Outra
mudança amplia o número de trabalhadores que poderão acessar o benefício. Atualmente,
o direito está concentrado principalmente em trabalhadores com carteira
assinada.
Com
a nova regra, passam a ter direito:
- trabalhadores
com carteira assinada;
- autônomos;
- empregados
domésticos;
- microempreendedores
individuais (MEIs);
- demais
segurados do INSS.
Como
fica o Programa Empresa Cidadã?
Empresas
participantes do Programa Empresa Cidadã poderão continuar ampliando a
licença-paternidade em 15 dias adicionais em troca de deduções no Imposto de
Renda.
Com
a nova lei, porém, esses 15 dias passarão a ser somados aos 20 dias
previstos na legislação, e não mais aos cinco dias atualmente garantidos.
Fonte _ G1
segunda-feira, 30 de março de 2026
O que o estresse faz com a sua pele e como lidar com isso
Mudou
de casa e as espinhas apareceram de repente? Ou passou por um término de
relação e o eczema piorou? Pode não ser coincidência.
Há
muito tempo se suspeita que o estresse
afeta a pele. Mas, nas últimas décadas, pesquisas vêm aprofundando a
compreensão de como funciona essa conexão entre mente e pele —o que tem ajudado
tanto no tratamento de doenças dermatológicas quanto na saúde da pele de forma
geral.
O
estresse pode ter uma série de efeitos: desde agravar crises de acne até
provocar ressecamento e sensibilidade, aumentar o risco de infecções e piorar
—ou até desencadear— condições como eczema, psoríase e urticária.
"A
sua pele é impactada tanto por estresses físicos quanto emocionais",
explica a dermatologista Alia Ahmed, especialista em psicodermatologia, uma
área emergente que considera mente e pele de forma integrada.
Ela
conta que avalia não apenas os sintomas físicos dos pacientes, mas também o
bem-estar psicológico —perguntando sobre humor, ansiedade,
episódios de choro, padrões de sono, alimentação e prática de exercícios.
"Dermatologistas
muitas vezes se sentem como detetives", diz. Isso porque o estado da pele
—o maior órgão do corpo— pode ser um importante indicador da saúde geral de uma
pessoa.
Como
o estresse afeta a pele?
Cérebro
e pele se desenvolvem a partir do mesmo grupo de células nas fases iniciais do
embrião - e permanecem intimamente conectados.
Quando
nos sentimos estressados,
o cérebro desencadeia uma série de reações que liberam hormônios como cortisol
e adrenalina na corrente sanguínea.
Em
pequenas doses, essa resposta —conhecida como reação "de luta ou
fuga"— pode nos deixar mais alertas e ajudar a dar conta das tarefas do
dia a dia.
Mas,
quando prolongada, ela pode aumentar a inflamação no organismo, agravando
doenças inflamatórias da pele.
Além
disso, esses hormônios podem enfraquecer a barreira cutânea —a camada externa
que protege a pele. Isso facilita a perda de hidratação e permite a entrada de
irritantes e alérgenos, como pólen e fragrâncias, o que pode levar ao
ressecamento e à sensibilidade, explica Ahmed.
Ao
mesmo tempo, o estresse reduz os peptídeos antimicrobianos —pequenas moléculas
que normalmente eliminam germes— na pele, tornando as infecções mais prováveis.
Há
também evidências de que ele pode piorar a acne, inclusive ao estimular a
produção de uma substância oleosa chamada sebo, que pode obstruir os poros e
favorecer o surgimento de espinhas.
E,
como destaca a médica Alia Ahmed, o estresse também pode prejudicar o sono - o
que compromete a capacidade de regeneração da pele.
Ciclos
viciosos
Os sinais
de estresse também fazem com que células da pele liberem
substâncias como a histamina, que provocam coceira —alimentando o chamado ciclo
coceira-ato de coçar.
"Você
sente coceira, se coça, causa mais danos à pele e isso faz com que a coceira
aumente ainda mais", explica Alia Ahmed. "E aí você começa a se
irritar consigo mesmo: por que não consigo parar de me coçar? Isso eleva ainda
mais o nível de estresse - que, por sua vez, intensifica a coceira."
A
própria experiência de ter um problema de pele também pode agravar o quadro,
acrescenta ela, citando o exemplo de condições como o eczema: "Você se
coça, isso afeta sua qualidade de vida, você se sente mal porque as pessoas
comentam —e fica ainda mais estressado. E aí todo o problema se retroalimenta,
criando um ciclo vicioso."
Reduzir
o estresse ajuda?
"O
estresse pode se tornar prejudicial quando começamos a sentir que não
conseguimos controlá-lo", explica Rajita Sinha, professora de psiquiatria,
neurociência e estudos da criança na Universidade Yale.
Nesse
ponto, podem surgir sinais físicos, como dores de cabeça ou problemas no
estômago, além de sintomas como lapsos de memória, irritabilidade ou
dificuldade para dormir.
Ela
recomenda adotar medidas como buscar apoio e praticar mais atividade
física. Há evidências de que o exercício regular pode reduzir os níveis
basais de cortisol —e que atividades mais intensas podem ajudar a conter picos
de cortisol relacionados ao estresse.
A
professora também sugere a prática de meditação mindfulness. Quando feita de
forma regular, estudos indicam que ela pode fortalecer o córtex pré-frontal
—região do cérebro responsável por funções mais complexas, como o raciocínio—
aumentando sua espessura e melhorando sua conexão com outras áreas cerebrais.
Terapias
baseadas em mindfulness também têm mostrado resultados promissores na melhora
da qualidade de vida e dos sintomas físicos em algumas doenças de pele. Em um
estudo com pacientes com psoríase, por exemplo, aqueles que receberam esse tipo
de terapia, além do tratamento convencional, apresentaram melhores resultados
do que os que não receberam.
Será
que estou mesmo lidando com o estresse?
A
médica Alia Ahmed diz que recomenda que seus pacientes testem diferentes
estratégias para lidar com o estresse, a fim de descobrir quais funcionam
melhor para cada um.
As
opções vão desde exercícios
de relaxamento feitos na cama antes de dormir até meditação em
movimento, para pessoas mais ativas, ou técnicas de "aterramento",
que ajudam a "trazer você de volta ao momento presente",
especialmente para quem se distrai com facilidade ou fica preso em pensamentos
repetitivos.
Mas,
segundo ela, relaxar de verdade pode ser mais difícil do que parece.
"Vejo
muitas pessoas de alto desempenho no consultório", afirma —incluindo
aquelas com rotinas exigentes no trabalho ou em casa, como cuidar dos filhos ou
de pais idosos.
Embora
algumas digam que vão à academia ou fazem caminhadas diárias para relaxar,
Ahmed observa que, ao investigar melhor, muitas continuam pensando nas tarefas
que ainda precisam cumprir. "A sua mente também precisa ter espaço para
descansar durante essas atividades", ressalta.
O
panorama geral
Além
de reduzir o estresse, a médica Alia Ahmed afirma que a pele precisa de
"um pouco de tudo" - incluindo cuidados adequados com a pele e
eventuais tratamentos médicos, além de uma boa alimentação, sono e estilo de
vida.
Ela
ressalta que isso deve ser mantido ao longo do tempo para que haja uma melhora
consistente na saúde da pele —o que pode, inclusive, ajudar o paciente a
identificar outros fatores que desencadeiam seus problemas dermatológicos.
Segundo
Ahmed, a abordagem holística da psicodermatologia também pode trazer benefícios
mais amplos: "Não só vejo melhora nas condições de pele dos meus
pacientes, como também ouço deles que estão se sentindo melhor
mentalmente."
Fonte _ Folha/SP
Variante BA.3.2 da Covid já chegou a 23 países e se espalha pelos EUA
Identificada
pela primeira vez em novembro de 2024 na África, a
variante BA.3.2 da Covid-19 chegou a 23 países até fevereiro deste ano e agora
se espalha rapidamente pelos Estados
Unidos. Detectada em pacientes e em sistemas de esgoto de 29 estados
americanos, a cepa, apelidada de Cicada, preocupa especialistas por ser
diferente de outras variantes que já circularam, o que pode reduzir a eficácia
das vacinas
disponíveis.
Kyle
B. Enfield, professor de medicina na Universidade de Virgínia (EUA), diz a
seguir o que é preciso saber:
Como
pneumologista e intensivista, atendo muitos pacientes com alto risco de
Covid-19 grave devido a doenças pulmonares crônicas, além de pessoas que vivem
com Covid longa. A pergunta mais frequente é: quanto precisamos nos preocupar
com as novas variantes do vírus?
Até
o momento, não há indícios de que a BA.3.2 seja mais perigosa ou cause doença
mais grave do que as variantes que circularam no inverno de 2025 e 2026 nos
EUA. Por ser significativamente diferente delas, porém, a vacina atual contra a
Covid-19 pode não ser tão eficaz.
De
onde veio a variante BA.3.2?
A
BA.3.2 descende da variante ômicron, que surgiu no final de 2021.
Em
comparação com as cepas predominantes do Sars-CoV-2, vírus que causa a
Covid-19, a BA.3.2 carrega de 70 a 75 alterações genéticas na proteína spike,
estrutura que permite a entrada do vírus nas células. É também essa parte que
as vacinas usam para induzir o sistema imunológico a reconhecer o patógeno.
Pesquisadores
identificaram a BA.3.2 pela primeira vez em novembro de 2024, na África. A
variante iniciou sua disseminação global em 2025 e havia chegado a 23 países
até fevereiro de 2026. O primeiro caso nos EUA foi detectado em um viajante que
chegou ao país em junho de 2025. Desde então, foi encontrada em pacientes e em
sistemas de esgoto de 29 estados.
O
monitoramento de águas residuais é um dos métodos mais precoces para detectar
mudanças de cepas, embora o número de estados que enviam dados ao CDC (Centros
de Controle e Prevenção de Doenças). dos EUA, tenha diminuído desde 2022, após
o auge
da pandemia.
O
que torna a variante BA.3.2 diferente?
Todos
os vírus sofrem mutações ao longo do tempo, e
o que causa a Covid-19 faz isso especialmente rápido. A cada replicação
dentro de uma célula, seu material genético pode sofrer alterações. A maioria
dessas mudanças desaparece, mas algumas conferem vantagem ao vírus, facilitando
sua disseminação.
Essas
alterações dificultam o reconhecimento pelo sistema imunológico.
É
como reencontrar pessoas 25 anos após o fim da escola: mudanças na aparência
não impedem o reconhecimento, mas podem torná-lo mais lento. Se o contato fosse
frequente ao longo do tempo, a identificação seria imediata. Da mesma forma,
mudanças no material genético do vírus afetam a eficácia das vacinas, que
"treinam" o sistema imunológico com base nas versões mais comuns em
circulação.
As
vacinas atuais contra a Covid-19 foram desenvolvidas para proteger contra cepas
da linhagem JN.1, predominantes nos EUA desde janeiro de 2024. A BA.3.2, no
entanto, difere o suficiente dessas cepas para reduzir a capacidade de
reconhecimento inicial pelo organismo.
Isso
não significa que a vacinação deva ser evitada. Um amplo conjunto de evidências
mostra que as vacinas reduzem hospitalizações e mortes por Covid-19. Quando há
menor correspondência com a variante em circulação, a resposta imune pode ser
mais lenta.
Quais
riscos a variante BA.3.2 representa?
Como
o sistema imunológico pode ter mais dificuldade para reconhecer a BA.3.2, a
variante tende a se disseminar com mais facilidade, o que pode levar a aumento
de casos.
Apesar
da rápida propagação, não há indicação de que esta seja mais perigosa ou cause
quadros mais graves do que variantes que circularam nos últimos anos.
Ainda
assim, a proteção continua importante, sobretudo para pessoas com condições
crônicas, mais suscetíveis a formas graves da doença.
Embora
a incidência de Covid longa tenha diminuído desde o início da pandemia, ela
ainda ocorre em cerca de 3 a cada 100 casos.
Como
se proteger da variante BA.3.2 da Covid
Medidas
básicas ajudam a reduzir o risco de infecção e transmissão:
- Lavar as mãos
após usar o banheiro, antes de preparar alimentos ou comer e após contato
com pessoas doentes
- Ficar em casa
ao apresentar sintomas, tanto para recuperação quanto para evitar
transmissão; pessoas próximas podem ter condições que aumentam o risco de
formas graves
- Priorizar
ambientes abertos e reduzir o tempo de permanência em locais fechados e
cheios
- Em caso de
maior risco individual, buscar orientação de um médico
Este
texto foi publicado originalmente no The
Conversation. Clique aqui para ler
Fonte _ Folha/SP
Fiocruz atua na definição da formulação da vacina contra influenza
Dados
preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios,
incluindo a influenza. Até 14 de março foram notificados 14,3 mil casos de
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos.
Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções
identificadas. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza
e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. E a Fiocruz
desempenha um importante papel na formulação do imunizante.
Mas
por que tomar a vacina todo ano?
Com
subtipos capazes de infectar células humanas e/ou animais, o vírus influenza se
multiplica fazendo cópias de si mesmo dentro do organismo. Durante esse
processo podem ocorrer falhas. Em vez de cópias perfeitas, pequenos erros
acontecem e modificam características do vírus, incluindo proteínas de
superfície, responsáveis pela "aparência" do vírus para o sistema
imunológico. É o que chamamos de mutações. Enquanto umas preocupam pouco,
outras requerem muito cuidado e atenção redobrada.
É aí
que entram cientistas espalhados pelo mundo, muitos deles do Instituto Oswaldo
Cruz (IOC/Fiocruz). Como "detetives", eles se dedicam a investigar
vírus influenza que podem estar "disfarçados" e em livre circulação.
No
âmbito do IOC, as atividades são conduzidas pelo Laboratório de Vírus
Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais, referência
nacional na análise de vírus respiratórios. O setor é responsável por
identificar, caracterizar geneticamente e monitorar a circulação de diferentes
variantes do influenza no país.
À
frente do laboratório, que também atua como referência brasileira junto à rede
internacional de vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS), está a
pesquisadora Marilda Siqueira. Ela e sua equipe monitoram quais
"versões" do vírus estão circulando no país.
“Em
um grande esforço conjunto com o Ministério da Saúde, o Instituto Evandro
Chagas e o Instituto Adolfo Lutz, nós produzimos relatórios que subsidiam
recomendações da OMS sobre a composição da vacina para os hemisférios Norte e
Sul, a partir de análises virológicas e genômicas de centenas de amostras. No
Brasil, essas diretrizes orientam o Ministério na definição da estratégia de
imunização e na encomenda das doses”, explica Siqueira.
Ao
conectar pesquisa laboratorial, vigilância epidemiológica e cooperação global,
o IOC consolida sua posição como um dos principais pilares da resposta
brasileira às doenças respiratórias. Esta é a base essencial para a atualização
anual da vacina e para a resposta oportuna a cenários epidemiológicos em
constante transformação.
A
mobilização liderada pelo Ministério da Saúde em favor da campanha nacional de
vacinação contra a influenza prioriza grupos mais vulneráveis, como idosos,
crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. A campanha segue até 30 de
maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Fonte _ FioCruz
domingo, 29 de março de 2026
Milhões de pessoas são portadoras da bactéria causadora da tuberculose sem saber
Todo
dia 24 de março se comemora o Dia Mundial da Tuberculose. No
entanto, é uma data que passa quase despercebida, talvez porque muitos
a vejam como uma doença do passado. Algo distante, associado a
outra época, a romances ou a contextos muito específicos.
Mas
a realidade é muito menos confortável: a tuberculose
continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no
mundo. E, surpreendentemente, coexiste silenciosamente com muitos de nós.
Uma
bactéria que vive em milhões de pessoas
Estima-se
que uma em cada quatro pessoas no planeta tenha em seu organismo a bactéria
causadora da tuberculose. Sim, uma em cada quatro. Na maioria dos casos, esse microrganismo (Mycobacterium
tuberculosis) permanece "adormecido". Não causa sintomas,
não é facilmente detectada e não gera doença. É o que se conhece como infecção
latente.
Mas
a tranquilidade aparente dessa situação é enganosa. Em determinadas
circunstâncias —por exemplo, quando o sistema imune fica enfraquecido—, a
bactéria pode se ativar e provocar uma doença que afeta principalmente os
pulmões, mas que também pode comprometer outros órgãos.
Isso
significa que a tuberculose não é apenas um problema para quem adoece: é uma
infecção amplamente disseminada, uma espécie de "reserva silenciosa"
global que pode se reativar a qualquer momento.
Problema
global, e profundamente desigual
Em 2021, foram registrados cerca de 9,4 milhões de novos casos
de tuberculose e ocorreram 1,35 milhão de mortes causadas por
essa doença no mundo. São números impressionantes, mas que, por si sós, não
contam toda a história. O mais importante é como eles se distribuem.
A
tuberculose não
afeta a todos da mesma forma. Em muitos países de renda alta, a
incidência da doença tem diminuído de forma sustentada nas últimas décadas. É
pouco frequente, é geralmente diagnosticada precocemente e o tratamento está
disponível.
Por
outro lado, em regiões da África, Ásia e América Latina, continua sendo uma
realidade cotidiana. Nesses locais, fatores como superlotação, pobreza, desnutrição ou acesso
limitado aos serviços de saúde favorecem
a transmissão e a progressão da doença.
Em
outras palavras, a tuberculose não é apenas uma infecção: é também um reflexo
das desigualdades globais.
Avanços
reais, mas muito lentos
Seria
injusto dizer que não houve progresso: houve, e é importante reconhecê-lo.
Desde os anos 90, a incidência e a mortalidade por tuberculose diminuíram
globalmente. A expansão dos programas de controle, o acesso a tratamentos
eficazes e o fortalecimento dos sistemas de vigilância contribuíram para esses
avanços. O ritmo de melhoria, no entanto, não é suficiente.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas ambiciosas na
estratégia "End TB", com objetivos intermediários
para 2020. Entre eles, reduzir a incidência em 20% e a mortalidade em 35% em
relação a 2015. Mas o mundo não atingiu essas metas. Entre 2015 e 2020, a incidência global de tuberculose diminuiu
apenas 6,3% e a mortalidade, 11,9%. Estamos avançando, mas muito mais
lentamente do que o necessário.
Se
mantivermos esse ritmo, será muito difícil atingir as metas estabelecidas para
2035.
Nem
todos avançam no mesmo ritmo
Além
disso, o progresso tem sido desigual. Alguns países alcançaram avanços
notáveis, graças a estratégias inovadoras como a busca ativa de casos, o uso
de tecnologias
mais rápidas de diagnóstico ou programas de apoio social para
garantir que os pacientes concluam o tratamento. Mas esses avanços notáveis
continuam sendo a exceção, não a regra.
Também
há diferenças entre as populações. Por exemplo, dados mostram que os avanços
têm sido mais rápidos em crianças,
mas lentos em idosos, que correm maior risco de morrer de
tuberculose.
Isso
é relevante porque a população mundial está envelhecendo rapidamente e porque,
se não forem adotadas estratégias de controle, esse grupo poderá se tornar um
foco crescente da doença.
Fatores
que continuam a impulsionar a doença
Parte
do desafio reside no fato de que a tuberculose não depende apenas da bactéria,
mas também de fatores que aumentam o risco de desenvolvê-la. Entre eles
destacam-se o tabagismo,
o consumo de álcool e o diabetes. De fato, estimativas recentes sugerem que uma
proporção significativa das mortes por tuberculose poderia ser evitada se esses
fatores fossem reduzidos. Isso reforça a ideia de que a doença não pode ser
abordada de forma isolada: requer uma abordagem integral que combine
intervenções médicas, sociais e de saúde pública.
A
este cenário soma-se um problema ainda mais preocupante: a tuberculose
resistente aos antibióticos. O tratamento padrão é longo e complexo, e
exige adesão estrita. Quando esses tratamentos não são concluídos
adequadamente, ou quando os sistemas de saúde não garantem o acesso contínuo
aos medicamentos, podem surgir cepas resistentes.
Essas
formas de tuberculose são muito mais difíceis de tratar: exigem terapias mais
prolongadas, mais caras e com mais efeitos adversos. E o mais preocupante é que
já estão presentes em várias regiões do mundo.
O
desafio de implementar o conhecimento de forma equitativa
Além
dos números, a tuberculose nos fala de algo mais profundo: fala de
desigualdade, de sistemas de saúde que nem sempre chegam àqueles que mais
precisam, de condições de vida que facilitam a transmissão de doenças que
podemos prevenir. Mas também nos fala de oportunidades.
A
tuberculose pode ser prevenida. É diagnosticável e tratável. Sabemos o que
funciona e como reduzir seu impacto. O problema não é a falta de conhecimento,
é a falta de implementação equitativa desse conhecimento.
Reduzir
seu impacto na América Latina, especialmente nas populações mais vulneráveis da
região, exige uma resposta global coordenada, equitativa e ambiciosa. As
doenças que acreditamos estarem distantes costumam ser as que mais nos
surpreendem quando reaparecem.
Este texto foi
publicado no The
Conversation. Clique aqui para ler a versão original
Fonte _ Folha/SP
quinta-feira, 26 de março de 2026
Ministério da Saúde inclui teste rápido de dengue na tabela do SUS
O Ministério
da Saúde publicou nesta quinta-feira (26) uma portaria sobre a
incorporação do teste rápido de dengue à tabela oficial de procedimentos
do SUS (Sistema
Único de Saúde).
O exame detecta um antígeno do vírus da dengue no sangue, soro ou plasma e é
usado para auxiliar no diagnóstico da doença.
A
pasta afirma que desde 2024 realiza a aquisição e distribuição dos insumos aos
estados.
O
teste rápido de dengue NS1 detecta uma proteína produzida pelo vírus durante a
fase aguda da infecção e é indicado para uso nos primeiros cinco dias após o
início dos sintomas, quando o vírus está em replicação ativa no organismo.
Segundo
a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária), a proteína NS1 está presente nos quatro
sorotipos da dengue. Um resultado positivo confirma a infecção aguda, mas um
resultado negativo não exclui o diagnóstico. O diagnóstico mais rápido da
dengue facilita o início do tratamento adequado.
Embora
a dengue tenha desacelerado
em relação aos anos anteriores, a doença provocou a morte de 28 pessoas
no Brasil em 2026 (até 10 de março), segundo o Painel de Monitoramento das
Arboviroses do Ministério da Saúde.
Há
outros métodos disponíveis para o diagnósico da dengue autorizados pela Anvisa.
Os testes de sorologia detectam anticorpos produzidos pelo sistema imunológico
e são recomendados a partir do sexto dia de sintomas. São úteis para
identificar se o paciente já teve contato com o vírus no passado, mas têm
limitações para distinguir os quatro sorotipos da doença.
Já o
RT-PCR é uma técnica molecular capaz de identificar o material genético do
vírus e diferenciar os sorotipos, com alta sensibilidade mesmo nos estágios
iniciais da infecção —embora possa ter dificuldades quando a carga viral é
baixa.
Fonte _ Folha/SP
quarta-feira, 25 de março de 2026
Santa Luzia (MG), Sete Lagoas (MG) e Lagarto (SE) iniciam vacinação contra a chikungunya
A
partir desta quarta (25/3), toda a população de 18 a 59 anos dos municípios de
Santa Luzia e Sete Lagoas, em Minas Gerais, e Lagarto, em Sergipe, já pode se
dirigir aos postos de saúde para receber gratuitamente a vacina contra a
chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a
farmacêutica franco-austríaca Valneva. A campanha faz parte da estratégia
piloto de vacinação contra a chikungunya, realizada em parceria com o
Ministério da Saúde em municípios que registram grande incidência da doença.
Somados,
Santa Luzia, Sete Lagoas e Lagarto registraram cerca de 22,3 mil casos de
chikungunya entre 2024 e 2025, conforme dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da
Saúde. Em Sete Lagoas, também houve 19 mortes no mesmo período. Já em
relação ao país todo, somente em 2025 foram registrados 129.123 casos e 121
óbitos causados pela doença.
A
seleção das regiões participantes da estratégia piloto se deu a partir de um
estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as
regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027.
Além dos três municípios que iniciam agora a vacinação, já começaram a imunizar
suas populações Mirassol (SP), Sabará (MG), Congonhas (MG), Simão Dias (SE) e
Barra dos Coqueiros (SE).
Podem
se vacinar homens e mulheres residentes de Santa Luzia, Sete Lagoas e Lagarto,
que tenham entre 18 e 59 anos, e não possuam nenhuma das seguintes
contraindicações: ser gestante e/ou lactante; ter reação alérgica a qualquer um
dos componentes da vacina; fazer uso de medicamentos imunossupressores; ter
imunodeficiência congênita; estar em tratamento com quimioterapia ou
radioterapia; ser transplantado de órgão sólido ou de medula óssea há menos de
2 anos; ter alguma doença autoimune; ter uma condição médica mal controlada ou
duas ou mais condições médicas crônicas (comorbidades).
A
vacina contra a chikungunya do Butantan e da Valneva foi a primeira do mundo a
ser aprovada contra a doença. Ela foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil
voluntários de 18 a 65 anos, tendo apresentado um bom perfil de segurança e
alta imunogenicidade: 98,9% dos participantes do ensaio clínico produziram
anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos
seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de
2023.
O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, e também tem uso autorizado no Canadá, Reino Unido e Europa. Pessoas imunodeprimidas (vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos); vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos; usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos e portadoras de Papilomatose Respiratória Aguda/PRR a partir de 2 anos de idade precisam tomar três doses da vacina contra o HPV, segundo a nota técnica nº 16/2025, do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.
Sobre
a chikungunya
A
chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes
aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. Ela pode ser assintomática, ou
causar reações como febre alta (39-40°C), dor intensa e inchaço nas
articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. A dor crônica nas
articulações é sua principal sequela, e pode perdurar por meses ou anos. Em
pessoas que possuem outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças do
coração ou do rim, a chikungunya pode gerar quadros clínicos mais graves,
descompensando as enfermidades pré-existentes e podendo levar a óbito.
Fonte _ Butantan








