sexta-feira, 21 de novembro de 2025

InfoGripe: aumentam os casos de SRAG em crianças e adolescentes

 


Divulgado nesta sexta-feira (21/11), o novo Boletim do InfoGripe da Fiocruz sinaliza, no cenário nacional, queda dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de estabilidade na tendência de curto prazo (últimas três semanas). No entanto, a análise destaca o aumento de SRAG, principalmente por rinovírus, em crianças e adolescentes de até 14 anos em cinco estados, em nível de alerta, risco ou alto risco até Semana Epidemiológica (SE) 46 (período de 21 a 27 de novembro): Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. A atualização verificou ainda oito estados apresentam incidência SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco no mesmo período, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

De acordo com o Boletim da Fiocruz, o metapneumovírus e a influenza A também têm contribuído para o aumento de SRAG em crianças no Rio de Janeiro, enquanto o adenovírus tem colaborado para o crescimento de casos no Pará e no Mato Grosso do Sul. No Pará, há também um crescimento de SRAG na população idosa, porém ainda sem identificação do vírus responsável.

Estados e capitais



Oito Unidades Federativas (UFs) apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. É o caso de Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Santa Catarina e Sergipe. 

“Apesar de não apresentarem tendência de aumento, a alta de SRAG nesses estados se concentra principalmente nas crianças e adolescentes de até 14 anos e é causada por diversos vírus respiratórios, sendo o principal o rinovírus”, informa a pesquisadora do Programa de Computação Científica (PROCC/Fiocruz) e do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella. “Contudo, em alguns desses estados a influenza A, o adenovírus, o metapneumovírus e o [Vírus Sincicial Respiratório] VSR também têm contribuído para essa alta”.

Em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e na Bahia, as hospitalizações por influenza A continuam aumentando. No entanto, em São Paulo e no Rio de Janeiro, já mostram sinais de desaceleração. 

Das capitais, apenas Boa Vista (Roraima) apresenta nível de atividade de SRAG considerada de risco (últimas duas semanas), com tendência de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas).

“Diante desse cenário, nós recomendamos o uso de uma boa máscara, como a PFF2 ou a N95, em unidades de saúde e por pessoas que estejam com sintomas de gripe ou resfriado. Também é importante que os pais evitem levar seus filhos para a escola ou creche caso apresentem esses sintomas, para evitar transmitir o vírus para outras crianças”, recomenda Portella. “Além disso, é fundamental que as crianças, assim como os demais grupos prioritários, estejam com a vacinação contra Influenza e Covid-19 em dia”.

Casos e óbitos 

No ano epidemiológico 2025, já foram notificados 211.452 casos de SRAG, sendo 111.267 (52,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 77.726 (36,8%) negativos e ao menos 8.782 (4,2%) estão aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 39% de VSR; 28,6% de rinovírus; 23,2% de influenza A; 8,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,2% de influenza B. Com relação aos óbitos, observou-se 48,9% por influenza A; 23,8% por Sars-CoV-2 (Covid-19); 14,6% por rinovírus; 11,4% por VSR; e 1,8% por influenza B.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 37,8% para rinovírus; 25,3% para influenza A; 14,7% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 5,8% para VSR; e 1,9% para influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 39,4% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 31,7% para influenza A; 14,9% de rinovírus; 3,4% para VSR; e 1% para influenza B.

Fonte _ FioCruz

Comer abacate pode ter impacto no colesterol, mostra pesquisa

 


A polpa cremosa do fruto do abacateiro concentra substâncias benéficas ao organismo, inclusive o coração. Um estudo recém-publicado na revista científica Clinical Nutrition ESPEN reforça o papel desse alimento como aliado da saúde cardiovascular.

Os resultados apontam para uma relação entre o consumo do abacate e a diminuição dos níveis de LDL, o chamado "colesterol ruim", sobretudo em indivíduos com risco cardiovascular elevado. Há evidências, vindas de outras pesquisas, de que manter o equilíbrio das taxas dessa molécula gordurosa ajuda a resguardar as artérias, diminuindo o risco de males como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

"Nosso estudo utilizou um método conhecido como 'umbrella review', que traz uma análise de diversas revisões sistemáticas", comenta um dos autores do trabalho, Vitor Engrácia Valenti, pesquisador do Centro de Revisões Sistemáticas para Saúde Cardiovascular e Metabólica, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Marília.

Segundo Valenti, os estudos avaliados também mostram que, em populações com sobrepeso e diabetes tipo 2, o abacate foi associado à redução da insulina em jejum. "O que sugere benefícios metabólicos adicionais", observa. Embora a revisão indique esse potencial do fruto, o artigo menciona limitações, a exemplo da heterogeneidade dos desfechos e das diferentes metodologias aplicadas nos trabalhos.

Mix cardioprotetor

Mas existem muitos indícios de que os compostos encontrados no fruto apresentam efeitos cardioprotetores. Para começar, ele oferece sais minerais como o potássio e o magnésio, dupla com impacto positivo na regulação da pressão arterial. Também apresenta alto teor de ácidos graxos monoinsaturados, ou seja, de gorduras benéficas, especialmente o ácido oleico, o mesmo tipo que faz a fama do azeite de oliva.

"Vale menção aos polifenóis que têm ação antioxidante e anti-inflamatória", destaca a nutricionista Évelin de Carvalho dos Santos, do Einstein Hospital Israelita. Essa junção de componentes melhora a função endotelial, favorecendo a vasodilatação, num mecanismo que blinda as artérias.

Outro grupo é o dos fitosteróis, substâncias com estrutura semelhante ao do colesterol, que acabam disputando para entrar nas células intestinais. Esse processo interfere com a absorção da molécula gordurosa, diminuindo os níveis do LDL.

A polpa contém ainda as fibras solúveis que se ligam aos ácidos biliares - compostos envolvidos na digestão das gorduras -, arrastando-os pelas fezes. Com essa eliminação, há uma necessidade do organismo de repor os tais ácidos, resultando também na redução das taxas de colesterol da circulação.

Do campo ao prato

Nativo da área que engloba o México e uma parte da América Central, o abacateiro tem nome científico Persea americana. Conta-se que era árvore sagrada e entrava em antigos rituais indígenas.

A espécie pertence à família Lauraceae — a mesma do louro usado para temperar o feijão — e suas folhas também exalam um perfume característico. Existem diferentes variedades, desde os grandes, como o Quintal, que é pescoçudo e pode pesar quase um quilo, até os pequeninos, caso do Hass, conhecido como avocado, que tem casca rugosa e escura, passando pelos médios como o Breda, o Margarida e o Ouro Verde.

Ainda que apresentem diferentes consistências, tamanhos e cores, todos são calóricos, por isso, é importante ir devagar com as porções. Não dá para recomendar uma quantidade, tudo vai depender do perfil, do cotidiano e das atividades de cada pessoa.

"Para incluir no dia a dia, a sugestão é manter o equilíbrio, respeitando as preferências", ensina a nutricionista do Einstein. "Uma opção interessante é amassar o abacate até formar uma pastinha e temperar com sal, pimenta e limão." A preparação fica ótima para incrementar torradas, numa versão conhecida como avocado toast, que faz sucesso mundo afora.

Tem também o guacamole, receita clássica mexicana que leva cebola, tomate, limão, coentro e pimenta. Além de servir como petisco nas tortilhas, pode compor saladas ou acompanhar carnes e pescados.

O fruto aparece ainda em sobremesas, em forma de cremes, sorvetes e até coberturas de tortas. Cabe mencionar a tradicional "vitamina", que é a receita do abacate batido no liquidificador com leite e açúcar, muito apreciada no Brasil. Versátil, o fruto pode marcar presença desde cedo, no café da manhã, até o jantar, fica ao gosto do consumidor.

Fonte _ Terra

Em ação com o Ministério da Saúde, AGU notifica Meta contra médicos antivacina que exploram população com venda de tratamentos falsos


 

Advocacia-Geral da União (AGU), a partir da representação do Ministério da Saúde, enviou notificação extrajudicial à empresa Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, pedindo a remoção imediata de publicações feitas por três médicos com informações falsas sobre vacinas. O documento solicita que as publicações hospedadas em suas plataformas digitais ou a identificação das postagens como conteúdo desinformativo sejam excluídas, além da sua redução de alcance, devido à violação da legislação nacional e dos próprios Termos de Uso da Meta. 

Os médicos Roberto Zeballos, Francisco Cardoso e Paulo Porto de Melo, todos filiados ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, comercializam tratamentos sem respaldo científico, além de venderem cursos e materiais relacionados ao tema. 

As medidas estão fundamentadas em nota técnica entregue pelo Ministério da Saúde à AGU, que comprova a falsidade das publicações analisadas. Os perfis identificados nas redes sociais promovem narrativas que desestimulam a vacinação, divulgam diagnósticos inexistentes, como a chamada ‘síndrome pós-Spike’, e oferecem cursos e tratamentos sem comprovação científica, incluindo supostos ‘kits de detox vacinal’. Essas práticas, além de não terem base em evidências, podem induzir hesitação vacinal e favorecer a ocorrência de doenças preveníveis. 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que tais condutas representam “a combinação perigosa de negacionismo e ganância”, semelhante ao que ocorreu durante a pandemia de Covid-19, com a prescrição de cloroquina e ivermectina. “O Brasil não tem mais um governo leniente em relação ao negacionismo, como ocorreu anteriormente. Não vamos permitir que profissionais usem sua posição para lucrar com mentiras, tirar proveito da população e ameaçar a saúde pública”, afirmou.  

Documento da AGU reforça teor enganoso das postagens e “vantagem indevida” 

Na notificação à Meta, a AGU sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento recente sobre o Marco Civil da Internet, definiu o entendimento de que os provedores de aplicações de internet deverão ser responsabilizados pelos conteúdos gerados por terceiros nos casos em que, tendo ciência inequívoca do cometimento de atos ilícitos, não procederem à remoção imediata do conteúdo. 

"Além de afrontarem a Constituição Federal e a legislação infraconstitucional, os referidos vídeos também violam frontalmente as próprias normas e políticas internas da Meta em matéria de desinformação, incluindo remoção em caso desinformação sobre vacinas", diz trecho da notificação à Meta. 

As medidas são as primeiras de uma série de ações jurídicas conduzidas pela AGU e Ministério da Saúde para coibir práticas que ameaçam a saúde pública e garantir o direito constitucional da população à saúde, previsto no artigo 196 da Constituição Federal. 

Segurança das vacinas 

As vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil são seguras, eficazes e monitoradas por órgãos reguladores nacionais, como a Anvisa, e internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA). Alegações de toxicidade da proteína Spike não têm respaldo científico. A proteína é produzida de forma controlada e temporária para induzir resposta imunológica, prevenindo formas graves da doença. 

Riscos de tratamento sem comprovação científica 

O Ministério da Saúde alerta ainda para riscos da comercialização de tratamentos sem comprovação, como banhos de bórax, dietas de desintoxicação com alta ingestão de gorduras para "ligar as toxinas" das vacinas, o uso de suplementos como zinco e vitaminas C e D e medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina. Tais práticas podem configurar infrações sanitárias, publicidade enganosa e crime de charlatanismo, sujeitando os responsáveis a sanções penais e administrativas. 

Combate à desinformação 

A ação faz parte do Saúde com Ciência, uma inciativa interministerial lançada pelo Governo Federal para enfrentar a desinformação em saúde. Coordenado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o programa conta com o apoio da AGU, da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).  

Desde 2023, o programa monitora publicações nas redes sociais e já analisou mais de 100 mil conteúdos falsos, com remoções realizadas por meio de notificações extrajudiciais.  

O portal oficial Saúde com Ciência disponibiliza alertas sobre fake news, materiais educativos e um canal para que a população envie conteúdos suspeitos para análise. A iniciativa também integra a Vaccine Safety Net, rede global da Organização Mundial da Saúde (OMS) que certifica sites confiáveis sobre imunização.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Gonorreia está se tornando cada vez mais resistente a antibióticos, alerta a OMS

 


A gonorreia, uma IST (infecção sexualmente transmissível), está se tornando cada vez mais resistente a antibióticos, alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde) na quarta-feira (19), com base nos dados do Programa Ampliado de Vigilância Antimicrobiana da Gonorreia (EGASP, na sigla em inglês).

O relatório, que monitora a disseminação da doença e sua resitência a medicamentos, mostrou que, entre 2022 e 2024, a resistência à ceftriaxona e à cefixima —principais antibióticos usados para tratar a IST— aumentou de 0,8% para 5% e de 1,7% para 11%, respectivamente, com cepas resistentes detectadas em mais países.

Já a resistência à azitromicina permaneceu estável em 4%. Camboja e Vietnã registraram as maiores taxas de resistência.

A divulgação dos dados coincide com a Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Antimicrobiana, um esforço da OMS em conscientizar a respeito de infecções resistentes a medicamentos.

O EGASP, lançado pela organização em 2015, coleta dados laboratoriais e clínicos de países em cinco regiões do mundo para monitorar a resistência medicamentosa e orientar as diretrizes de tratamento.

Em 2024, o EGASP recebeu dados de 12 países —Brasil, Camboja, Índia, Indonésia, Malawi, Filipinas, Catar, África do Sul, Suécia, Tailândia, Uganda e Vietnã—, que reportaram um total de 3.615 casos de gonorreia.

Em 2022, apenas quatro países enviaram informações. De acordo com a organização, o aumento da participação indica maior comprometimento dos países em acompanhar e controlar essas infecções.

Mais da metade dos casos sintomáticos em homens (52%) ocorreram na região denominada Pacífico Ocidental pela OMS, especialmente nas Filipinas (28%), Vietnã (12%), Camboja (9%) e Indonésia (3%).

Na sequência vêm a região Africana, com 28% dos casos; Sudeste Asiático (13%, com destaque para a Tailândia); Mediterrâneo Oriental (4%, especialmente Catar); e Américas (2%, com destaque para o Brasil).

A idade média dos pacientes foi de 27 anos, variando entre 12 e 94 anos. Entre os infectados, 20% eram homens que fazem sexo com homens, e 42% relataram múltiplos parceiros sexuais nos últimos 30 dias.

Apesar dos esforços para o monitoramento, a OMS afirma que o EGASP tem recursos financeiros insuficientes e relatórios incompletos. Diz, ainda, que faltam dados sobre mulheres e infecções em locais fora dos órgãos genitais.

Segundo o relatório, é necessário realizar investimento imediato, especialmente nos sistemas nacionais de vigilância, para manter e ampliar o monitoramento global da resistência da gonorreia aos antibióticos, melhorar a capacidade de diagnóstico e garantir acesso equitativo a novos tratamentos para ISTs.

"Este esforço global é essencial para rastrear, prevenir e responder à gonorreia resistente a medicamentos e para proteger a saúde pública em todo o mundo", disse Tereza Kasaeva, diretora do departamento de HIV, Tuberculose, Hepatite e ISTs da OMS, em comunicado.

"A OMS apela a todos os países para que abordem os níveis crescentes de ISTs e integrem a vigilância da gonorreia nos programas nacionais de combate", acrescentou.

Fonte _ Folha

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Estudo defende ensaios clínicos mais inclusivos para ampliar proteção vacinal

 


Em artigo publicado (12/11) na revista científica Cell Host & Microbe da editora Cell Press (grupo Elsevier), pesquisadores da Fiocruz analisam desigualdades na cobertura vacinal entre grupos vulneráveis à Covid-19 grave e propõem estratégias mais inclusivas para garantir equidade na imunização de gestantes, idosos e pessoas imunocomprometidas. Segundo o estudo, apesar da eficácia comprovada das vacinas na prevenção de casos graves e mortes, a adesão entre esses grupos de alto risco continua preocupantemente baixa em diversas regiões do mundo. Os cientistas discutem fatores como barreiras de acesso, desinformação e a falta de dados específicos sobre segurança e eficácia para essas populações.

“Vacinas eficazes só cumprem integralmente seu papel quando chegam a quem mais precisa. Isso exige políticas baseadas em evidências, comunicação clara e ensaios clínicos verdadeiramente inclusivos”, afirmam os pesquisadores da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, Manoel Barral e Thiago Cerqueira no texto do artigo, que foi intitulado Otimização da proteção vacinal para populações de alto risco (tradução livre). Essas conclusões reforçam a urgência de estratégias mais equitativas e baseadas em evidências científicas, garantindo que os benefícios das vacinas alcancem todos os grupos populacionais.

O artigo destaca que a maioria das vacinas é desenvolvida e testada em populações de baixo risco, excluindo justamente os grupos mais vulneráveis. Essa “proteção por exclusão” cria lacunas importantes de evidência científica e dificulta decisões de saúde pública, além de favorecer a disseminação de notícias falsas.

Os pesquisadores observam que esse cenário começa a evoluir. O ensaio clínico da vacina Abrysvo (Pfizer), aprovada para gestantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR), demonstra que é possível realizar estudos seguros e eficazes com populações tradicionalmente excluídas.

A análise ainda conclui que a inclusão de populações vulneráveis nos ensaios clínicos e nas estratégias de imunização é tanto uma questão científica quanto de justiça social. Gestantes, idosos e indivíduos com comorbidades estáveis devem ser considerados elegíveis para estudos clínicos, salvo quando houver evidências concretas de risco.

Os pesquisadores também apontam o papel crucial dos estudos observacionais, fundamentais para compreender a efetividade das vacinas em condições reais. Esses estudos foram essenciais para identificar, por exemplo, o declínio da imunidade contra a Covid-19 e orientar a adoção de doses de reforço em diversos países.

Cobertura vacinal desigual reflete barreiras sociais e estruturais

Análises recentes mostram que a cobertura vacinal entre populações vulneráveis é de 10 a 20% menor do que na população geral. Entre gestantes, por exemplo, a adesão à vacina contra a Covid-19 nos Estados Unidos chegou a apenas 16% em 2021, com fortes disparidades raciais — 6% entre mulheres negras e 25% entre mulheres asiáticas. Em 2025, a taxa permanece próxima de 14%.

Entre pessoas vivendo com HIV, a adesão vacinal varia de 19 a 90%, com menores índices em países africanos e do Mediterrâneo Oriental. Já entre idosos, as menores coberturas foram registradas em países africanos (mediana de 47% para a primeira dose de reforço), enquanto a Europa apresenta os índices mais elevados.

Os autores também apontam que desigualdades socioeconômicas, hesitação vacinal, desinformação e politização das campanhas estão entre os principais fatores que sustentam essas disparidades.

Evidências recentes mostram, por exemplo, que idosos e pessoas imunocomprometidas respondem de forma diferente às vacinas convencionais. A senescência imunológica reduz a produção de anticorpos e a duração da proteção, reforçando a necessidade de formulações e esquemas de doses personalizados. Mesmo entre os imunocomprometidos (em que a eficácia pode ser menor) a vacinação continua oferecendo proteção substancial contra hospitalizações e mortes.

Fonte _ FioCruz

Ministro da Saúde reafirma meta do Brasil de vacinar 90% das meninas contra o HPV durante seminário da OPAS

 


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou as principais ações do Brasil para eliminar o câncer do colo do útero, reforçando três pilares fundamentais: prevenção, rastreamento organizado e tratamento adequado. Durante sua participação no seminário virtual “Rumo à Eliminação do Câncer do Colo do Útero nas Américas”, promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nesta segunda-feira (17), ele reforçou que a meta do país é vacinar 90% das meninas contra o HPV

O encontro marcou o lançamento do Dia Mundial de Eliminação do Câncer do Colo do Útero, celebrado a partir de 17 de novembro, e destacou avanços importantes do Brasil, como o teste molecular DNA-HPV, desenvolvido integralmente pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e lançado este ano para fortalecer a estratégia de rastreamento. 

“Nenhuma mulher deveria temer a uma doença evitável, por isso a nossa meta é vacinar 90% das meninas. São mais de 38 mil salas de vacina integradas à Atenção Primária, que é o fio condutor da nossa política de prevenção. Em cada uma dessas salas, nossos profissionais, em sua maioria mulheres, acolhem, vacinam, testam e acompanham as pacientes ao longo de toda a linha de cuidado”, afirmou o ministro Padilha. 

vacinação é uma das principais ações para prevenir e eliminar a doença. Atualmente, a cobertura vacinal alcança mais de 82% das meninas e cerca de 67% dos meninos entre 9 e 14 anos. O Brasil introduziu a vacina contra o HPV para meninas em 2014 e, em 2017, ampliou a imunização para meninos, fortalecendo a equidade de gênero em saúde. Desde abril de 2024, o país adota a dose única da vacina HPV para adolescentes, alinhado às recomendações da OMS e da OPAS. Em 2025, a faixa etária foi temporariamente ampliada até 19 anos para garantir a vacinação de todos os adolescentes. 

Tecnologias inovadoras no SUS 

Em agosto deste ano, o Ministério da Saúde passou a implementar no SUS o teste de biologia molecular DNA-HPV, um método moderno e inovador que representa um avanço para o rastreamento organizado do câncer do colo do útero. O exame substituirá gradualmente a citologia convencional. Segundo Alexandre Padilha, trata-se de um método mais sensível, que permite um intervalo de cinco anos quando o resultado é negativo, aumentando a eficiência do rastreamento e reduzindo a sobrecarga dos serviços de saúde. 

O novo modelo de rastreamento começou como projeto-piloto em 12 estados e será ampliado para todo o país até 2026. “É uma tecnologia 100% nacional, acompanhada de novos manuais de implementação”, destacou Padilha. 

Agora Tem Especialistas promove equidade no cuidado 

A doença afeta principalmente mulheres de 25 a 64 anos que mais dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e vivem em áreas com menor acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento. 

Além da ampliação da vacinação, um avanço crucial implementado pelo Ministério da Saúde é o programa “Agora Tem Especialistas”, que reúne ações para garantir atendimento adequado e em tempo oportuno às mulheres que necessitam de colposcopia, biópsia ou tratamento, reduzindo desigualdades e fortalecendo a linha de cuidado. 

“Estou confiante de que, com o governo do presidente Lula ao lado do povo brasileiro, o Brasil conseguirá atingir a meta global da OMS até 2030: 90% de cobertura vacinal, 70% de rastreamento e 90% de tratamento adequado. Eliminar o câncer do colo do útero é um compromisso de saúde pública”, afirmou Padilha.

Fonte _ Saúde.gov

Como a corrida ajuda na ansiedade, segundo a ciência

 


Quem convive com ansiedade já ouviu conselhos como dormir bem, cuidar da alimentação e se exercitar. Entre essas recomendações, a corrida se destaca: não é apenas um treino para o corpo, mas também um aliado poderoso da mente —e a ciência explica por quê.

Passar pelos primeiros quilômetros de corrida —ou até pelos primeiros minutos, dependendo da sua experiência— não é fácil: o corpo reclama, o coração dispara, a respiração fica curta, as pernas pesam.

Enquanto isso, o organismo trabalha: uma série de reações fisiológicas e psicológicas entram em ação, liberando substâncias que fazem com que a recompensa valha a pena, segundo pesquisadores.

Um dos levantamentos mais amplos já realizados sobre o tema, a revisão "A Scoping Review of the Relationship between Running and Mental Health" (em português, "Uma revisão exploratória da relação entre corrida e saúde mental"), analisou 116 estudos sobre corrida e saúde mental publicados entre 1970 e 2019.

O trabalho concluiu que sessões de corrida —mesmo curtas, entre 10 e 60 minutos— estão associadas à melhora do humor, da ansiedade e dos sintomas depressivos.

Os autores destacam que tanto a corrida recreativa quanto treinos regulares têm potencial de reduzir estresse e aumentar o bem-estar psicológico, embora níveis muito altos de prática (como em maratonistas ou corredores compulsivos) possam gerar efeitos negativos.

Durante a corrida, o corpo e o cérebro entram em ação de formas complexas, liberando substâncias químicas que ajudam a reduzir a ansiedade e promovem sensação de prazer e bem-estar.

De acordo com Marco Túlio de Mello, professor titular do Departamento de Esportes da UFMG, uma das primeiras substâncias liberadas é a beta-endorfina.

"A beta-endorfina atua principalmente na redução da dor, ajudando a diminuir impactos negativos, como microlesões que podem ocorrer durante o exercício. Mas muitas pessoas acreditam que a sensação de prazer vem diretamente dela. Na verdade, ela funciona como um gatilho para a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e satisfação", explica.

É a dopamina que realmente gera a recompensa sentida durante e após a corrida —e quanto mais a pessoa gosta de correr, mais intenso e prazeroso é esse efeito.

Outro aspecto importante, destaca Ricardo Mario Arida professor do departamento de Fisiologia da Unifesp, é que durante um esforço contínuo, como a corrida, há liberação de noradrenalina, serotonina e dopamina.

"Esses neurotransmissores regulam o funcionamento do sistema nervoso. Em pessoas com ansiedade ou depressão, eles estão alterados; o exercício ajuda a modulá-los e a melhorar os sintomas."

Na prática, isso significa que o corpo passa a produzir, de forma natural, substâncias que ajudam a estabilizar o humor e reduzir a tensão. A serotonina, por exemplo, está ligada à sensação de bem-estar e equilíbrio emocional; a dopamina reforça a motivação e o prazer; e a noradrenalina melhora a atenção e a disposição. Quando esses níveis se equilibram, o cérebro responde com menos sinais de ansiedade e um humor mais estável.

O professor acrescenta que mesmo uma ou duas sessões de exercício já podem alterar o estado de humor, e a prática regular prolonga esses efeitos, tornando-os mais duradouros.

Além dos neurotransmissores, outros sistemas entram em cena.

O sistema opioide, que libera endorfinas, atua tanto no sistema nervoso central quanto na periferia —reduzindo a sensação de dor, aliviando tensões musculares e promovendo uma sensação geral de conforto e bem-estar.

Já o sistema endocanabinoide, formado por receptores espalhados pelo cérebro e pelo corpo, também é ativado durante a corrida. Ele ajuda a regular o humor, o apetite e o estresse, contribuindo para sensações de relaxamento e calma.

Ambos trabalham em conjunto para gerar o chamado "euforia do corredor", aquela leveza e tranquilidade que muitas pessoas descrevem depois de correr.

É por conta da produção e liberação dessas substâncias que atividades aeróbicas de baixa a moderada intensidade e longa duração —como corrida, ciclismo, caminhada ou natação— são particularmente eficazes para liberar essas substâncias e reduzir níveis de cortisol, o hormônio ligado ao estresse.

Mas a corrida ser uma opção tão recomendada está no fato de que costuma ser bastante acessível, conforme explica a psicóloga do esporte Anna Vitória Renaux, da Confederação Brasileira de Atletismo.

"É um esporte pouco técnico. Diferente da natação, em que é preciso aprender a respirar e coordenar os movimentos, ou do tênis, por exemplo, que exige fundamentos e prática, correr é algo natural e instintivo. A gente começa a andar, acelera um pouco e, de repente, está correndo."

Segundo ela, isso facilita a adesão e faz com que a pessoa perceba resultados de forma rápida. "Basta uma roupa confortável, um tênis e um espaço livre. Não tem ganhador ou perdedor. Se você corre sozinha, sempre sai ganhando. Ontem foram 20 minutos, depois de alguns dias já consegue 30... Essa sensação de evolução e autoeficácia é extremamente positiva para a saúde mental."

Renaux acredita que é justamente essa combinação —simplicidade, autonomia e retorno emocional— que torna a corrida um terreno fértil para o bem-estar físico e psicológico.

Remédio para mente

Correr também é um exercício mental. Passar pelo desconforto dos primeiros minutos, lidar com o cansaço e seguir até o fim exige foco, paciência e resiliência —qualidades que se fortalecem a cada treino.

E é justamente essa dimensão psicológica da corrida que ajuda a aliviar a ansiedade: ao perceber que consegue superar pequenos desafios, o corredor reforça a sensação de controle e autoconfiança, aspectos muitas vezes abalados em quadros ansiosos.

Segundo a psicóloga do esporte Anna Vitória Renaux, estabelecer metas graduais e realistas é essencial para transformar a corrida em uma fonte de prazer— e não de frustração.

"Quando a pessoa define objetivos alcançáveis, ela vive o processo e não apenas o resultado. Correr com amigos, com o parceiro, com o cachorro... tudo isso é sobre a experiência. Essa forma de encarar o exercício ajuda a atravessar as fases mais difíceis do início e fortalece o sentimento de autoeficácia", explica.

Para além dos efeitos químicos no cérebro, há um aspecto simbólico: cada treino concluído reforça disciplina, superação e senso de competência —pilares importantes na regulação emocional e na redução dos sintomas de ansiedade.

De acordo com Renaux, essa percepção de evolução constante —correr um pouco mais, sentir-se melhor, manter um compromisso consigo mesmo— funciona como um antídoto natural contra a sensação de descontrole que acompanha a ansiedade.

O professor Ricardo Mario Arida, da Unifesp, acrescenta que o benefício pode ser ainda maior quando a atividade é feita em grupo. "A socialização com outras pessoas —em grupos de corrida, academias ou treinos coletivos— ajuda a reduzir ainda mais os sintomas de ansiedade e depressão. Quem se exercita em ambientes com interação social tende a apresentar melhoras mais expressivas na saúde mental do que quem treina sozinho", afirma.

Mas, como todo remédio, a corrida também requer dose certa. Renaux alerta que o excesso pode se tornar um problema quando a pessoa passa a negligenciar o sono, o convívio social ou o trabalho.

"Se outras áreas da vida começam a encolher para caber o tanto que a corrida ocupa, é sinal de desequilíbrio. O ideal é que ela seja uma parte da rotina, não o centro dela."

'O melhor exercício é o que você gosta de fazer'

O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física em intensidade moderada ou mais alta, distribuídos ao longo da semana.

Por isso, os especialistas reforçam que não adianta treinar por uma ou duas semanas e depois parar por longos períodos. No fim das contas, o movimento que mais faz bem é aquele que você consegue manter — com prazer e disciplina.

Embora a corrida e outros exercícios aeróbicos tenham efeito mais evidente sobre a ansiedade, o professor Alex Arida, da Unifesp, lembra que a musculação também traz benefícios, especialmente quando feita de forma regular e com intensidade moderada, priorizando a resistência em vez da hipertrofia.

"O importante é que a prática de exercício, seja aeróbica ou de resistência, seja constante para que os efeitos positivos sobre ansiedade e bem-estar se consolidem", afirma.

Túlio Arida, da UFMG, reforça que o gosto pela atividade faz toda a diferença: "É diferente colocar para correr alguém que não gosta de correr e alguém que gosta. A dopamina é liberada desde o início da ação da beta-endorfina, então a corrida dá um prazer mais rápido. Já a musculação provoca satisfação de forma mais gradual, mas também contribui para reduzir a ansiedade."

Para quem não gosta de correr ou sente preguiça, a dica é simples: encontrar uma atividade que realmente dê prazer.

"O melhor exercício é aquele que você gosta de fazer", resume o professor da Unifesp.

O texto foi publicado originalmente aqui.

Fonte _ Folha

Radioterapia pode ser desnecessária para muitas pacientes com câncer de mama, diz estudo

 


Um novo estudo com um período de acompanhamento longo descobriu que a radioterapia na parede torácica não fez absolutamente nenhuma diferença na sobrevida de mulheres com câncer de mama em estágio inicial que foram tratadas com mastectomia, cirurgia de linfonodos e medicamentos anticancerígenos avançados.

Os resultados do ensaio clínico randomizado foram publicados no The New England Journal of Medicine.

A radiação tem desempenhado um papel importante no tratamento do câncer de mama há muito tempo, embora os médicos a tenham utilizado com mais parcimônia em estágios iniciais da doença nos últimos anos, à medida que os avanços no diagnóstico e no tratamento melhoraram as taxas de sobrevida.

As mulheres participantes do estudo apresentavam risco intermediário, ou seja, tinham câncer em estágio II com um a três linfonodos afetados, ou tumores com características agressivas e sem comprometimento linfonodal.

A maioria das pacientes não havia feito quimioterapia antes das cirurgias, o que reduz a necessidade de radioterapia, afirmou Ian Kunkler, investigador principal do estudo internacional e um dos autores principais do artigo.

Os resultados corroboram uma tendência já em curso, afirmou ele, "rumo à redução da radioterapia em grupos de pacientes de menor risco". Os riscos para essas mulheres são baixos, e a quimioterapia suficientemente eficaz, para dispensar a necessidade de radiação.

"Agora demonstramos que, com os tratamentos anticancerígenos contemporâneos, o risco de recorrência é muito, muito baixo. Suficientemente baixo para evitar a radioterapia na maioria dos pacientes", disse Kunkler.

O estudo incluiu mais de 1.600 mulheres com doença em estágio inicial, metade das quais havia recebido radioterapia e a outra metade não. Após um acompanhamento mediano de 9,6 anos, as taxas de sobrevida foram semelhantes: 81,4% entre as pacientes que receberam radioterapia e 81,9% entre as que não receberam.

A radiação não teve impacto no tempo de vida das mulheres sem recorrência da doença, nem efeito sobre a disseminação da doença da mama para outras partes do corpo.

Ainda assim, aquelas que receberam radioterapia apresentaram um risco significativamente menor de recorrência do câncer na parede torácica. Mas o número de recorrências foi muito pequeno: dos 29 pacientes que apresentaram uma recorrência, nove (ou 1,1%) haviam recebido radioterapia e 20 (ou 2,5%) não.

Embora a radioterapia já esteja sendo usada com menos frequência em pacientes de baixo risco, as descobertas ajudarão a esclarecer o tratamento para mulheres com risco intermediário.

"Ficou claro que, para cânceres de baixo risco, não era necessária radioterapia após a mastectomia, enquanto que, para pacientes de alto risco, a radioterapia era necessária e deveria ser realizada mesmo após a mastectomia", disse o Dr. Harold Burstein, oncologista clínico do Dana Farber Cancer Institute e professor da Harvard Medical School, que não participou do estudo.

"Isso deixou em aberto a questão do grupo intermediário de pacientes — ainda havia dúvidas se a adição de radioterapia seria benéfica", disse ele. Os resultados do estudo sugerem que a radiação não é necessária para essas mulheres.

"Sabemos que quase todos os pacientes apresentam alguns efeitos colaterais da radioterapia, que podem se desenvolver mesmo anos após o tratamento", disse Nicola Russell, uma das autoras principais do estudo, realizado pelo Conselho de Pesquisa Médica (Medical Research Council), pela Organização Europeia para Pesquisa e Tratamento do Câncer (European Organization for Research and Treatment of Cancer) e pelo Grupo Internacional de Câncer de Mama (Breast International Group).

A curto prazo, a radiação pode causar efeitos semelhantes a queimaduras solares e outras alterações na pele, além de dor e inchaço. Em casos raros, pode levar à inflamação pulmonar e também aumentar o risco de linfedema, uma condição que causa inchaço nos braços e pode ser grave.

A radiação também pode complicar a reconstrução mamária imediatamente após a mastectomia, bem como em reconstruções posteriores, pois altera a textura da pele, tornando-a menos elástica e mais propensa a cicatrizes.

Os pesquisadores alertaram que pacientes com maior risco de recorrência e disseminação do câncer ainda podem se beneficiar da radioterapia.

Fonte _ Folha

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Instituto Butantan firma parceria para desenvolver terapia de anticorpos pioneira contra febre amarela

 


Com o objetivo de aprimorar seu portfólio de produtos imunobiológicos, com foco especial em doenças negligenciadas e infecciosas, o Instituto Butantan firmou uma parceria estratégica com a empresa de biotecnologia Mabloc, sediada em Washington, nos Estados Unidos, para co-desenvolver e fabricar o MBL-YFV-01 — uma terapia inovadora com anticorpos monoclonais para infecção pelo vírus da febre amarela (YFV).

O medicamento MBL-YFV-01 será indicado como tratamento da doença para moradores de áreas endêmicas que não foram vacinados e acabaram sendo infectados.

A parceria ocorre em meio à escalada de surtos de febre amarela no Brasil, incluindo casos humanos confirmados em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Apesar da disponibilidade de uma vacina viva atenuada, milhões de pessoas permanecem em risco devido à baixa imunização. Uma opção terapêutica pós-exposição continua sendo uma necessidade médica.

“Enquanto o mercado tradicional se concentra em terapias de alto retorno financeiro, o Butantan direciona seus esforços para onde a necessidade é maior — desenvolver anticorpos monoclonais, medicamentos altamente eficazes, mas de custo elevado, reafirmando nosso compromisso de transformar pesquisa em impacto social e colocar a saúde pública acima de qualquer interesse econômico”, afirma o diretor de Inovação e Licenciamento de Tecnologia do Instituto Butantan, Cristiano Gonçalves.

A Mabloc, empresa de biotecnologia impulsionada por inteligência artificial, que desenvolve terapias com anticorpos monoclonais para doenças infecciosas, detém licenças e patentes relacionadas a anticorpos monoclonais altamente específicos com grande capacidade de neutralização viral.


O MBL-YFV-01 é um anticorpo monoclonal humano descoberto por meio da plataforma BRAID™, de propriedade da Mabloc, que utiliza inteligência artificial para identificar e otimizar rapidamente potenciais anticorpos. Em um estudo com modelos animais publicado em 2023 na Science Translational Medicine, uma dose única de 50 mg/kg de MBL-YFV-01 controlou totalmente a viremia e preveniu a doença grave e a morte.

"A capacidade de intervir durante a fase aguda da doença, com risco de vida, é o que torna o MBL-YFV-01 único. Embora a vacinação proteja a maioria da população, ainda há locais onde a imunização não é largamente acessível", afirma o diretor de Desenvolvimento de Produtos da Mabloc, Michael Ricciardi. "Com a comprovada capacidade do Butantan de fabricação de produtos biológicos e de ensaios clínicos, esta parceria nos permite responder rapidamente a surtos reais e levar uma terapia extremamente necessária às mãos de médicos e pacientes. Este será o primeiro medicamento específico para o tratamento da febre amarela", ressalta.

Os anticorpos monoclonais (mAbs) são uma classe de medicamentos produzidos a partir de diferentes tecnologias que identificam uma sequência genética e tratam uma variedade de doenças infecciosas, autoimunes e cancerígenas com efeitos colaterais mínimos ou inexistentes. O Butantan possui um Laboratório de Biofármacos que estuda novos anticorpos monoclonais e uma fábrica onde podem ser produzidos diferentes anticorpos monoclonais.

Termos da Parceria

O acordo estabelece a concessão de uma licença exclusiva ao Butantan para o desenvolvimento do anticorpo monoclonal contra a febre amarela, bem como para sua futura comercialização em países de baixa e média renda.

“Anticorpos monoclonais são medicamentos inovadores e altamente específicos, cuja relevância para prevenção e tratamento de doenças infecciosas tem crescido nos últimos anos. Desenvolver este produto passando por toda a rota tecnológica, não só se alinha com a missão do Butantan, como também gera muito aprendizado e competência técnica para o país por meio do investimento em P&D de áreas pouco exploradas pela indústria – o que reafirma nosso compromisso de transformar ciência em impacto social entregando mais uma solução em benefício da saúde pública”, complementa Cristiano Gonçalves.


Importância Clínica 

Um estudo de 2019 com pacientes de febre amarela, publicado no The Lancet Infectious Diseases, demonstrou que a alta carga viral poderia ser uma variável preditora independente de mortalidade. Segundo a pesquisa, 100% dos pacientes investigados com alta carga viral e contagens elevadas de neutrófilos morreram durante a hospitalização. O MBL-YFV-01 reduz a carga viral e pode oferecer uma maneira de diminuir as mortes em casos graves.

“Com o MBL-YFV-01, finalmente teremos o potencial de atingir diretamente o vírus e dar aos pacientes muito doentes uma chance real de sobrevivência”, completa Cristiano.

Situação da febre amarela no Brasil

A febre amarela é causada por um vírus transmitido por mosquitos e tem dois ciclos de transmissão: urbano e silvestre. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), há 47 países endêmicos ou com regiões endêmicas de febre amarela, 34 dos quais na África e 13 na América Central e do Sul. Um estudo modelo baseado em fontes de dados do continente africano estima que, em 2013, houve entre 84 mil e 170 mil casos graves e entre 29 mil e 60 mil mortes por febre amarela naquela região.

Em 2025, a OPAS alertou para um aumento de casos humanos de febre amarela em países das Américas, incluindo a identificação de ocorrências fora da região amazônica, em seu Alerta Epidemiológico Febre Amarela na Região das Américas. Dos 235 casos e 96 mortes por febre amarela notificados em cinco países das Américas até maio deste ano, representando uma taxa de letalidade de 41%, 111 casos e 44 mortes ocorreram no Brasil, o maior percentual na região.

"Em 2024, casos humanos de febre amarela foram notificados principalmente na região amazônica da Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana e Peru. Em 2025, no entanto, os casos foram detectados principalmente no estado de São Paulo e no departamento de Tolima, na Colômbia, regiões fora da região amazônica de ambos os países", destaca o documento da OPAS.

No Brasil, o ciclo da doença é atualmente silvestre, transmitido por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os últimos casos registrados de febre amarela urbana no Brasil datam de 1942, e todos os casos confirmados desde então se devem ao ciclo de transmissão silvestre, segundo o Ministério da Saúde.

Os sintomas mais comuns da febre amarela são dores no corpo e de cabeça, náuseas, febre, perda de apetite e vômitos, que desaparecem em 3 a 4 dias. Em média, 20% dos casos podem evoluir para uma forma grave, com sintomas como pele e fundo dos olhos amarelados, urina escura, dor abdominal e vômito com sangue, segundo a OPAS.

A vacinação é a principal ferramenta de prevenção da doença e, no Brasil, é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a toda a população.

A OPAS alerta que viajantes que visitam regiões endêmicas podem, ocasionalmente, trazer febre amarela para outros países livres da doença. Para evitar a importação da doença, muitos países exigem comprovante de vacinação contra a doença antes da emissão de vistos, principalmente para viajantes provenientes ou que visitaram essas áreas.

Fonte _ Butantan

Vacinação evitou mais de 1 milhão de mortes por câncer de colo uterino em países pobres

 


Uma campanha de três anos para vacinar a população de países de baixa renda contra o HPV (papilomavírus humano) evitou mais de um milhão de mortes por câncer de colo do utero, segundo projeção da aliança internacional Gavi de vacinas, divulgado nesta segunda-feira (17).

"Aproximadamente 86 milhões de meninas estão protegidas contra a principal causa do câncer de colo uterino o —HPV—, graças a um esforço conjunto de três anos entre a Gavi e os países de baixa renda", disse a organização em um comunicado.

A enfermidade afeta principalmente os países de baixa renda, onde são escassos os meios de detecção e de acesso a tratamentos. Os países mais pobres foram responsáveis por 90% das 350 mil mortes pelo câncer de colo do utero em 2022, segundo a instituição.

A presidente da organização, Sania Nishtar, elogiou o que chamou de compromisso excepcional de países, parceiros, sociedade civil e comunidades para alcançar a meta de proteger as 86 milhões meninas imunizadas.

"Este esforço colaborativo conduz a um maior progresso global para a eliminação de uma das enfermidades mais letais que afetam as mulheres", acrescentou, destacando que esse tipo de câncer continua matando uma mulher a cada dois minutos no mundo.

OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda desde 2022 um esquema de vacinação com uma dose contra o HPV —antes eram necessárias duas. Essa mudança permitiu ampliar o acesso aos imunizantes com a reserva de doses existente.

A recomendação da OMS é de que os imunizantes sejam aplicados para crianças com idades de 9 a 14 anos, tanto meninos quanto meninas.

Fonte _ Folha