Divulgada nesta
quinta-feira (29/1), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra um cenário
nacional epidemiológico que aponta manutenção de queda dos casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG). Esse declínio se deve à baixa
circulação de diversos vírus respiratórios na maioria dos estados. A principal
exceção é a influenza A, que tem impulsionado o aumento do número de casos de
SRAG em alguns estados no Norte. A análise é referente à Semana
Epidemiológica 3, período de 18 a 24 de janeiro.
Os estados do Acre,
Amazonas e Roraima apresentam incidência de SRAG em nível de risco ou alto
risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo
prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 03. A pesquisadora Tatiana Portella, do
Programa de Computação Científica da Fiocruz, responsável pelo Boletim
InfoGripe, observou que o aumento acelerado de SRAG no Amazonas e Acre
continua sendo impulsionado pela influenza A, atingindo principalmente jovens,
adultos e idosos, e pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta as
crianças pequenas.
“Em relação a
Roraima, o crescimento de SRAG se concentra nos idosos, mas ainda não há dados
de resultado laboratorial suficientes para determinar o vírus responsável.
Também se observa um início ou manutenção do aumento das hospitalizações por
VSR na Paraíba, influenza A no Pará e Covid-19 no Rio de Janeiro e Rio Grande
do Sul, porém ainda em níveis baixos, sem impactar os casos de SRAG nesses
estados”, informa Portella.
“Diante dessa alta
de influenza A em alguns estados do Norte, é essencial que a população
prioritária da região, como indígenas, idosos e pessoas com comorbidades, se
vacine o quanto antes contra o vírus. A vacina contra a influenza é bastante
segura e é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos”, afirma
Portella.
Nas quatro últimas
semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,1% de
influenza A, 2,3% de influenza B, 10,7% de vírus sincicial respiratório, 32,6%
de rinovírus e 20,4% de Sars-CoV-2 (Covid -19). Entre os óbitos, a presença destes
mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 28,3% de
influenza A, 3,5% de influenza B, 1,8% de vírus sincicial respiratório, 15,9%
de rinovírus e 41,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Estados e capitais
Acre, Amazonas e
Roraima apresentam incidência de SRAG em nível de risco ou alto risco (últimas
duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6
semanas) até a Semana 03. Apenas 4 das 27 capitais apresentam nível de
atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com
sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas)
até a semana 03: Boa Vista (RR), João Pessoa (PB), Manaus (AM) Rio Branco
(AC).
Dados
epidemiológicos
Em nível nacional,
o cenário atual que SRAG apresenta sinal de queda nas tendências de longo prazo
(últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). No ano
epidemiológico de 2026, já foram notificados 3.211 casos de SRAG, 863 (26,9%)
com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1235 (38,5%)
negativos, e ao menos 866 (27%) aguardando resultado.
Quanto aos casos
positivos deste ano, 19,9% são de influenza A, 2,0% de influenza B, 12,3% de
vírus sincicial respiratório, 31,9% de rinovírus e 21,7% de Sars-CoV-2
(Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os
casos positivos foi de 20,1% de influenza A, 2,3% de influenza B, 10,7% de
vírus sincicial respiratório, 32,6% de rinovírus e 20,4% de Sars-CoV-2
(Covid-19).
Incidência e
mortalidade
A incidência e a
mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o
padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias
analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas. Já
a mortalidade se concentra principalmente nos idosos.
A incidência de
SRAG por Sars-CoV-2 e influenza A é maior entre crianças pequenas e idosos,
enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os idosos. Em relação aos demais
vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se
concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao
rinovírus e ao metapneumovírus.
Fonte _ FioCruz


Nenhum comentário:
Postar um comentário