domingo, 4 de outubro de 2026

Número de mulheres que desconhecem prevenção do câncer de mama cresce, diz pesquisa

 


A parcela de mulheres brasileiras que afirma não conhecer formas de prevenção ao câncer de mama aumentou de 25% para 29% desde 2024, segundo pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center com a agência de dados Nexus.

O levantamento ouviu 1.038 mulheres, dentro de uma amostra total de 2.015 pessoas em todo o país. O grupo que afirma conhecer os métodos permaneceu praticamente estável, passando de 59% em 2024 para 58% neste ano. Já a parcela que dizia conhecer "mais ou menos" caiu de 16% para 11%.

A pesquisa mostra também uma diferença no comportamento de acordo com o nível de informação. Entre as mulheres que afirmam conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram autoexame das mamas por toque e 65% já fizeram mamografia. Entre as que dizem não conhecer os métodos, os índices são de 30% e 35%, respectivamente.

A distância aparece também entre as mulheres que nunca fizeram nenhum dos dois procedimentos. Elas representam 12% entre as que conhecem as formas de prevenção e 55% entre as que dizem não conhecê-las.

Os dados também apontam diferenças associadas à renda. O percentual de mulheres que já fizeram autoexame varia de 51%, entre aquelas com renda familiar de até um salário mínimo, a 88%, entre as que vivem em famílias com renda superior a cinco salários. O conhecimento sobre prevenção passa de 49% para 79% nos mesmos grupos.

A diferença também aparece conforme o tipo de atendimento de saúde. Entre as mulheres que usam o SUS, 56% dizem conhecer as formas de prevenção, enquanto o índice chega a 69% entre as atendidas pela rede privada.

"A prevenção passa por hábitos de vida, como manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar álcool e tabaco. Já o diagnóstico precoce depende do autoconhecimento do corpo e da mamografia de rotina a partir dos 40 anos", afirma Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo.

Segundo levantamento do próprio hospital feito em 2025 com base no Registro Hospitalar de Câncer, a sobrevida global em cinco anos chega a 96% entre pacientes diagnosticadas no estádio I da doença.

Fonte _ Folha/SP

sábado, 3 de outubro de 2026

PrEP injetável contra HIV deve ser incorporado ao SUS ainda neste ano, mas com acesso limitado

 


A PrEP (profilaxia pré-exposição) injetável contra o HIV deve ser incorporada ao SUS (Sistema Único de Saúde) ainda neste ano, mas a oferta inicial do medicamento deverá ser limitada em quantidade, abrangência geográfica e público atendido.

A previsão é de que o Apretude, nome comercial do cabotegravir, desenvolvido pela GSK/Viiv, não esteja disponível imediatamente em todo o país nem para todas as pessoas que poderiam se beneficiar da prevenção.

A quantidade inicial deve ser pequena, disponibilizada apenas em algumas cidades e para pessoas que apresentam dificuldades de adesão ao comprimido diário, segundo um servidor ligado ao Ministério da Saúde. A farmacêutica já se prepara para atender à demanda da rede pública, porque a incorporação deve acontecer, disse uma pessoa ligada à GSK.

Tanto a pasta quanto a farmacêutica não confirmaram a informação e não deram um prazo específico sobre quando o remédio deve chegar ao sistema público de saúde.

O cabotegravir recebeu recomendação preliminar favorável da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) no início de agosto e acaba de passar por uma consulta pública. Se incorporado, o remédio será o primeiro de longa duração para prevenção ao HIV disponível no SUS.

A GSK afirma que a avaliação do medicamento pela Conitec é um "passo importante para a prevenção do HIV no país". "Os termos do acordo para a disponibilização de cabotegravir estão sendo finalizados e tão logo seja concretizado, a GSK disponibilizará os detalhes", diz a farmacêutica em nota.

O Ministério da Saúde diz, em nota, que estuda oferecer o cabotegravir de longa duração no SUS como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário da PrEP. "No momento, a incorporação do medicamento é analisada pela Conitec."

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A indicação aprovada pela Anvisa é ampla, mas o pedido apresentado pela GSK à Conitec previa inicialmente homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero de 15 a 30 anos, com pelo menos 35 kg.

Durante a avaliação, a Conitec ampliou a população considerada para pessoas sexualmente ativas, a partir de 15 anos, em contextos de maior vulnerabilidade ao HIV, como pessoas em situação de vulnerabilidade que, por razões sociais ou dificuldades de acesso aos serviços, não estejam utilizando a profilaxia em comprimidos.

Os critérios definitivos de elegibilidade e prioridade ainda não foram definidos e dependerão da conclusão do processo de incorporação e das regras de implementação. A apresentação avaliada para o SUS contém 600 mg do medicamento em 3 mL.

O medicamento é um antirretroviral inibidor da integrase, enzima produzida pelo retrovírus do HIV. Ele impede que o vírus se instale nas células do corpo e se multiplique. A aplicação é a cada dois meses, diferentemente dos comprimidos diários oferecidos pelo SUS hoje em dia.

O remédio foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2023 e está disponível para venda em farmácias e aplicação em clínicas médicas por R$ 4.000 a dose, mas não na rede pública.

Em julho, o governo anunciou um acordo de compra do cabotegravir. Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a expectativa do governo era de que o medicamento estivesse disponível "no braço" de pacientes brasileiros ainda neste ano.

Segundo Padilha, o país registrou em 2024 a maior redução na taxa de mortalidade por Aids de sua história, com o número de mortes ficando pela primeira vez abaixo de 10 mil.

Ele atribuiu o resultado à ampliação de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo SUS e ao aumento de 100% nos exames de testagem rápida nos últimos três anos —o que, segundo ele, permitiu identificar novas infecções e iniciar o tratamento mais rapidamente.

Hoje, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV no Brasil começam o tratamento no mesmo dia da confirmação, e mais da metade inicia em até 30 dias.

Existem diversas estratégias de prevenção disponíveis no SUS, como camisinha, PrEP oral de uso diário e a PEP (profilaxia pós-exposição) —a PrEP, como o próprio nome já diz, é indicada para prevenir e proteger contra uma infecção de HIV, enquanto a PEP deve ser tomada em até 72 horas após uma relação desprotegida para impedir que a infecção ocorra.

Antes de iniciar a PrEP oral e injetável, porém, é necessário confirmar que a pessoa não tem HIV.

A principal diferença da PrEP injetável de longa duração em relação à PrEP oral está na forma de administração. Enquanto a de uso diário disponível no SUS é feita principalmente com comprimidos, o cabotegravir é aplicado no músculo.

São duas doses iniciais, com intervalo de um mês, seguidas por uma aplicação a cada dois meses, explica o infectologista Vinicius Borges, idealizador do perfil @doutormaravilha. Ele acompanha o assunto há 12 anos e cria conteúdos sobre o tema para cerca de 250 mil seguidores.

Para Borges, a mudança pode ampliar as possibilidades de prevenção justamente para pessoas que têm dificuldade de manter uma medicação diária. Há pacientes que esquecem os comprimidos, enfrentam dificuldades para manter uma rotina de tratamento ou não querem guardar um frasco de PrEP em casa por causa do estigma relacionado ao HIV.

"Aí essa injeção a cada dois meses é bem mais simples. Quanto mais opções a gente oferece, maior a chance de se encaixar na vida das pessoas", afirma Borges.

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais da metade dos usuários (55%) descontinuaram o uso da PrEP oral, com taxas ainda maiores entre os mais jovens —68% para menores de 18 anos.

O infectologista também diz que o cabotegravir pode ser uma alternativa para pessoas que não se adaptaram à PrEP oral por questões relacionadas à função renal. Segundo ele, o medicamento injetável não apresenta a mesma preocupação renal associada à PrEP oral.

Para Borges, o efeito adverso mais comum é uma reação no local da aplicação, como dor, sensibilidade, inchaço ou formação de um nódulo. Esses eventos tendem a ser leves ou moderados e desaparecem com o tempo. Também podem ocorrer dor de cabeça e mal-estar.

Na avaliação do infectologista, a incorporação também exigirá estrutura para aplicação das doses, testagem adequada, profissionais capacitados e acompanhamento dos pacientes.

"A população está vivendo cada vez mais e mantendo uma vida sexual ativa por mais tempo. A PrEP injetável pode ser uma solução para essas pessoas. Mas a injeção sozinha não resolve tudo. A prevenção envolve um conjunto de medidas de saúde sexual que acompanham o usuário", diz.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Fonte _ Folha/SP

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

InfoGripe: SRAG aumenta em crianças no Rio de Janeiro e Sergipe

 


Divulgado nesta quinta-feira (1º/10), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta para o crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças nos estados do Rio de Janeiro e Sergipe. A análise apontou que, em relação às ocorrências de SRAG, apenas o metapneumovírus e o Sars-CoV-2 (Covid-19) apresentam tendência de aumento no país. O estudo indicou ainda que há indícios de incremento dos casos graves de Covid-19 no Acre e em São Paulo, porém em níveis ainda baixos de incidência. A atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 38, período de 20 a 26 de setembro.

Nas regiões Sul (Paraná e Santa Catarina), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe), a atualização verificou incremento das ocorrências de SRAG por metapneumovírus. Outros cinco estados (Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina) também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco e alto risco, mas sem sinal de crescimento a longo prazo.

“Os registros semanais de SRAG por Covid-19 ainda se encontram em um nível baixo. Já os casos de SRAG por influenza B estão aumentando nos estados da Bahia e Mato Grosso, e mostram sinais de interrupção de crescimento no Rio Grande do Sul”, informa a pesquisadora do Boletim InfoGripe, realizado pelo Programa de Computação Cientifica (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella.


Estados e capitais

Segundo o Boletim, duas das 27 unidades federativas brasileiras (Rio de Janeiro e Sergipe) apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento até a SE 38. O aumento de SRAG nesses estados ocorre especialmente nas crianças de até 4 anos e está associado ao metapneumovírus e ao rinovírus.

Três das 27 capitais indicam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento de SRAG nas últimas 6 semanas até a SE 38: Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio Branco (Acre) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).

Situação nacional

Em 2026, já foram notificados 157.908 casos de SRAG, sendo 85.087 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 56.799 (36%) negativos, e cerca de 7.090 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos no ano, 40,4% foram por vírus sincicial respiratório (SR); 32,1% por rinovírus; 16,4% por influenza A; 5,5% por influenza B; e 3,8% por Sars-CoV-2 (Covid-19).

O cenário atual aponta que os casos de SRAG apresentam queda nas últimas seis semanas e de crescimento nas últimas três semanas. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 52,4% para rinovírus; 18,1% para VSR; 6,7% para influenza B; 4% para Sars-CoV-2 (Covid-19); e 3,2% de influenza A.

Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi 34,7% para rinovírus; 22,3% para VSR; 13,2% para influenza A; 13,2% para Influenza B; e 9,1% para Sars-CoV-2 (Covid-19).

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão". 

Fonte _ FioCruz