Divulgado
nesta quinta-feira (23/10), o
novo Boletim InfoGripe da Fiocruz indica que as hospitalizações
por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associadas à influenza A seguem
aumentando no estado de São Paulo. Na capital paulista, o aumento de casos já
atingiu o nível de alerta. No Norte do país (Acre,
Amazônia e Roraima), no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, o rinovírus se
mantém como um dos principais responsáveis pelo aumento de SRAG, especialmente
em crianças e adolescentes. No Espírito Santo, os casos associados à Covid-19
em idosos permanecem estáveis, mas ainda em um patamar considerado alto para a
região.
A
análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 42, que abrange
o período de 12 a 18 de outubro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único
de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG. A iniciativa oferece
suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para
ações, preparações e respostas a eventos em saúde pública.
Pesquisadora
do Programação de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e responsável pelo
boletim InfoGripe, Tatiana Portella reforça a necessidade da população de maior
risco estar em dia com a vacinação. “Nessa nova edição do Boletim, a gente
observa um cenário epidemiológico muito parecido com o da semana passada”,
comenta. “A vacinação é a principal forma de prevenção contra as formas mais
graves e óbitos causados por esses vírus”.
Estados
e capitais
De
acordo com a análise, seis das 27 unidades federativas apresentam incidência de
SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal
de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 42: Acre,
Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
Além
disso, 11 estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul e Sergipe.
No
Amazonas, o rinovírus mostra sinal de interrupção do crescimento de casos. Em
Santa Catarina, para além do rinovírus, o aumento dos casos de SRAG nas
crianças de até dois anos também tem sido impulsionado pelo
metapneumovírus.
Casos
graves de influenza A já mostram sinais de interrupção do crescimento em Goiás
e queda no Distrito Federal. Com relação à Covid-19, ainda há a manutenção do
aumento das notificações graves nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul) e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de
incidência.
Em
Tocantins, ainda não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus
que tem impulsionado o crescimento de SRAG no estado.
Sobre
as capitais, observa-se que seis das 27 capitais apresentam nível de atividade
de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de
crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a SE
42: Aracaju (Sergipe), Belém (Pará), Cuiabá (Mato Grosso), Palmas (Tocantins), Rio
Branco (Acre) e São Paulo (São Paulo). O aumento de SRAG tem ocorrido
principalmente em crianças e adolescentes de até 14 anos. Em São Paulo e
Palmas, também há um aumento de SRAG na população idosa.
Além
disso, 10 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Boa Vista (Roraima), Brasília (Distrito Federal), Florianópolis (Santa
Catarina), João Pessoa (Paraíba), Manaus (Amazonas), Porto Alegre (Rio Grande
do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Salvador (Bahia), São Luís (Maranhão)
e Vitória (Espírito Santo).
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência de casos positivos foi de
38,8% para rinovírus; 21,1% para influenza A; 15,7% para Sars-CoV-2 (Covid-19);
7,8% para vírus sincicial respiratório (VSR); e 1,5% pata influenza B. Já a
prevalência de óbitos positivos foi de 49,5% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 22,3%
para rinovírus; 18,5% para influenza A; 5,4% para VSR; e 3,3% para influenza B.
Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações
em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção
do resultado laboratorial associado.
Em
2025, já foram notificados 197.033 casos de SRAG, sendo 103.885 (52,7%) com
resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 71.215 (36,1%)
negativos e ao menos 9.040 (4,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os
casos positivos para o ano corrente, observou-se 41,1% foram causados por VSR;
27,8% por rinovírus; 23,3% por influenza A; 8,1% por Sars-CoV-2 (Covid-19); e
1,2% por influenza B.
Com
relação aos óbitos por SRAG em 2025, já foram registrados 11.777 casos, sendo
6.043 (51,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 4.642 (39,4%) negativos e ao menos 187 (1,6%) aguardando
resultado laboratorial. Dentre as causas dos óbitos, observou-se 50% ocorreram
devido à influenza A; 23,2% ao Sars-CoV-2 (Covid-19); 11,7% ao VSR; 14,1% ao
rinovírus; e 1,8% a influenza B.
Fonte _ FioCruz


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