Divulgada
nesta quinta-feira (30/10), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta
para manutenção do aumento do número de casos de graves de influenza A em São
Paulo e indícios do avanço do vírus no Rio de Janeiro e Espírito Santo. A
análise já alertava para uma segunda onda bastante atípica do vírus para esta
época do ano em Goiás e no Distrito Federal, onde os casos começam a diminuir.
A
análise é referente à Semana Epidemiológica 43, período de 19 de
agosto a 25 de outubro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde
(SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece
suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
A
pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo
Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, aponta que o rinovírus tem impulsionado o
aumento do número de casos de SRAG em crianças e/ou adolescentes no Acre,
Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Além
disso, o metapneumovírus também tem contribuído para o crescimento do número de
casos de SRAG em crianças no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina,
além do adenovírus no Mato Grosso do Sul.
As
hospitalizações por Covid-19 continuam aumentando em toda a Região Sul e em São
Paulo, mas ainda em níveis baixos de incidência. O único estado que apresenta
incidência moderada de casos graves pelo vírus é o Espírito Santo, mas os casos
de SRAG entre os idosos apresentam sinal de queda.
“Diante
do cenário de aumento dos casos de SRAG por Covid-19 e influenza A em alguns
estados, é fundamental que a população mais vulnerável, como idosos, pessoas
com comorbidades e imunocomprometidos, que têm maior risco de desenvolver
quadros mais graves dessas doenças, mantenham a vacinação em dia contra esses
vírus. Para quem mora em regiões com alta de casos de SRAG, recomendamos o uso
de máscara em locais fechados, com maior aglomeração de pessoas e dentro dos
postos de saúde”, afirma a cientista.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos
foi de 22,5% de influenza A, 1,4% de influenza B, 7,2% de vírus sincicial
respiratório, 38,4% de rinovírus e 14,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos no mesmo recorte
temporal foi de 20,2% de influenza A, 2,8% de influenza B, 3,9% de vírus
sincicial respiratório, 27,5% de rinovírus e 44,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dentre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% são de Influenza A, 1,2%
de influenza B, 40,6% de vírus sincicial respiratório, 28% de rinovírus e 8,1%
de Sars-CoV-2 (Covid-19)). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 22,5% de influenza A, 1,4% de
influenza B, 7,2% de vírus sincicial respiratório, 38,4% de rinovírus e 14,7%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2025, já foram notificados 200.652 casos de SRAG, sendo
105.721 (52,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 72.766 (36,3%) negativos, e ao menos 9.039 (4,5%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Estados
e capitais
Observa-se
que 6 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de
alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na
tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 43: Acre,
Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins.
A alta do número de casos de SRAG com tendência de crescimento nesses estados
se concentra especialmente nas crianças e/ou adolescentes de até 14 anos e tem
sido impulsionada em grande parte pelo rinovírus.
No
Espírito Santo há um aumento dos casos de SRAG na população de jovens e adultos
de 15 a 49 anos, associado principalmente à influenza A. No Tocantins há sinal
de crescimento do número de casos de SRAG na população de 50 a 64 anos,
possivelmente também relacionado à influenza A.
Os
casos graves por influenza A continuam aumentando em São Paulo e mostram sinais
de início de expansão para o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em Goiás e
no Distrito Federal, os casos graves pelo vírus mostram sinal de início ou
manutenção de queda.
Verificou-se
ainda a manutenção do aumento das notificações de SRAG por Covid-19 no Sul
(Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em São Paulo, porém ainda em
níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os
idosos, associados à Covid-19, começaram a dar sinal de início de queda, mas
estão em um patamar considerado moderado para a região.
Cinco
das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto
risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de
longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 43: Aracaju, Campo Grande,
Florianópolis, Palmas e São Luís.
Óbitos
Em
relação aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 11.967 óbitos de SRAG,
sendo 6.129 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 4.723 (39,5%) negativos, e ao menos 193 (1,6%) aguardando
resultado laboratorial.
Dentre
os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,7% são de influenza A, 1,8%
de influenza B, 11,7% de vírus sincicial respiratório, 14,3% de rinovírus e
23,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os óbitos positivos foi de 20,2% de influenza A, 2,8% de
influenza B, 3,9% de vírus sincicial respiratório, 27,5% de rinovírus e 44,9%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Fonte _ FioCruz


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