Divulgada nesta
quinta-feira (12/2), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta para um cenário
nacional em que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave
(SRAG) apresenta sinal de queda na maioria dos estados. A análise
sublinha que essa redução é um reflexo da baixa circulação de diversos vírus
respiratórios, como a influenza A, Covid-19 e vírus sincicial respiratório
(VSR). A atualização é referente à Semana Epidemiológica 5,
período de 1° a 7 de fevereiro.
A exemplo das
últimas semanas, o InfoGripe mostra que apenas 3 das 27 unidades
federativas – Acre, Amazonas e Roraima – têm nível de
atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com
sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas). A alta
incidência de SRAG no Acre e no Amazonas se deve ao recente aumento das
hospitalizações por influenza A nesses estados, que já apresentam sinal de
reversão do crescimento. No Acre, os casos de VSR continuam
aumentando, mantendo assim os casos de SRAG em crianças pequenas em um patamar
alto.
“Além disso, no Acre
e no Amazonas o aumento de SRAG se concentra entre os idosos a partir dos 65
anos e em adultos de 50 a 64”, diz a pesquisadora do Boletim InfoGripe e do
Programa de Computação Científica da Fiocruz, Tatiana Portella.
Ela ressalta que o
aumento do número de casos de SRAG entre os idosos no Acre e
Amazonas é um padrão característico da Covid-19, mas observa que não há dados
de confirmação laboratorial suficientes para confirmar esse cenário. “O VSR
continua aumentando no Acre, mantendo os casos de SRAG em crianças pequenas em
um patamar alto. A influenza A, que geralmente impulsiona o aumento de SRAG em
jovens, adultos e idosos, já mostra sinais de reversão do crescimento no Acre
e Amazonas”, afirma a pesquisadora. Em Roraima, verifica-se crescimento de SRAG
em crianças de 2 a 4 anos, jovens, em adolescentes e adultos de 15 a 49 anos e
idosos a partir de 65 anos.
Estados e capitais
O InfoGripe mostra
ainda que há um leve aumento das hospitalizações por influenza A no Pará e
Covid-19 no Rio de Janeiro, porém ainda em níveis baixos, sem impacto nos casos
de SRAG nesses estados. Apenas 2 das 27 capitais brasileiras apresentam nível
de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas,
com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (nas últimas seis semanas)
até a semana 5: Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
Dados
epidemiológicos
No país, o cenário
atual sinaliza que que os casos notificados de SRAG apresentam sinal de queda
na tendência de longo prazo e de estabilidade ou oscilação na tendência de
curto prazo. Referente ao ano de 2026, já foram notificados 6.306 casos de
SRAG, sendo 1.905 (30,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 2.767 (43,9%) negativos e cerca 1.154 (18,3%) aguardando
resultado.
Entre os casos
positivos do ano corrente, 33,4% são rinovírus, 21,5% de Sars-CoV-2, 19,3% de
influenza A 1,9% de influenza B e 11,8% de vírus sincicial respiratório. Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos
foi de 33,4% de rinovírus e 22,9% de Sars-CoV-2,19,2% de influenza A, 2,0% de
influenza B e 11,5% de vírus sincicial respiratório.
Incidência e
mortalidade
A incidência e a
mortalidade semanais médias nas últimas oito semanas epidemiológicas mantêm o
padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias
analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas,
enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos.
O estudo verificou
também que a incidência de SRAG por Sars-CoV-2 e influenza A é maior entre
crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os
idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto
nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está
associado principalmente ao rinovírus, metapneumovírus e VSR.
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz


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