O
Acre celebra nesta quinta-feira (6) os 124 anos do início da Revolução Acreana,
conflito que mudou os rumos da história da região e abriu caminho para a
incorporação do território ao Brasil.
A
data faz referência ao ataque
comandado por Plácido de Castro contra a Intendência Boliviana, em
Xapuri, considerado o marco da fase decisiva da guerra que terminou com a assinatura
do Tratado de Petrópolis.
Embora
o confronto tenha começado oficialmente em 6 de agosto de 1902, a
disputa pelo território vinha se desenhando havia décadas. Até o fim do
século XIX, a área pertencia à Bolívia, mas passou
a ser ocupada por milhares de migrantes nordestinos que fugiam da
seca e encontraram na extração do látex uma oportunidade de trabalho durante o
auge do ciclo da borracha.
A
intensa presença de brasileiros em uma área oficialmente boliviana aumentou as
tensões entre os dois países. Em
1899, ocorreu a primeira grande insurreição, liderada pelo jornalista e
diplomata espanhol Luís Gálvez Rodríguez de Arias, que proclamou a República
Independente do Acre.
O
governo, porém, durou pouco mais de três meses, já que o Exército
Brasileiro interveio para cumprir o Tratado
de Ayacucho, firmado em 1867, que reconhecia a soberania
boliviana sobre a região.
Nos
anos seguintes, outras tentativas de resistência foram organizadas até
que, em 1902, os seringalistas decidiram convocar o ex-militar gaúcho
Plácido de Castro para liderar uma nova ofensiva.
O
objetivo era impedir o fortalecimento da administração boliviana e barrar
a instalação do Bolivian Syndicate, empresa anglo-americana que havia recebido
do governo da Bolívia o direito de explorar economicamente a região.
'Não
é guerra, é revolução!'
Na
madrugada de 6 de agosto de 1902, Plácido de Castro e um pequeno grupo de
revolucionários invadiram a Intendência Boliviana em Xapuri, prenderam
militares e deram início à quarta e última fase da Guerra do Acre.
A
escolha da data não foi por acaso. Segundo historiadores, o ataque
estava inicialmente previsto para julho, mas precisou ser adiado devido
ao atraso na chegada das armas. A nova data coincidiu com as
comemorações da Independência da Bolívia, estratégia que ajudou a surpreender
as tropas bolivianas durante a ofensiva.
Os
combates se estenderam por cerca de seis meses e
terminaram, militarmente, em janeiro de 1903, após a vitória das forças
acreanas. A incorporação definitiva do território ao Brasil, no entanto,
só foi oficializada meses depois, em 17 de novembro de 1903, com a assinatura
do Tratado de Petrópolis.
O acordo foi negociado pelo Barão do Rio Branco e garantiu ao Brasil a posse do Acre mediante compensações financeiras e territoriais à Bolívia. Até hoje, não há consenso sobre o número de mortos no conflito, mas estimativas apontam que ao menos 500 pessoas perderam a vida durante a guerra.
Legado
e debates
Passados
124 anos, a Revolução Acreana continua sendo um dos principais marcos
da identidade do estado. A data é celebrada anualmente com programação
no bairro Seis de Agosto, em Rio Branco, um dos mais antigos da capital
e que recebeu esse nome justamente em homenagem ao início do conflito.
Em
2025, a festa passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial do
município, garantindo proteção às manifestações culturais, desfiles
cívicos, jogos tradicionais e demais expressões que preservam a memória da
revolução e da formação da comunidade local.
Além
das comemorações, a história da Revolução Acreana segue despertando
debates entre pesquisadores.
Novos
estudos propõem
revisões da narrativa tradicional e questionam, por exemplo, o uso
da própria expressão "Revolução Acreana", defendendo que o processo
de nacionalização do território foi mais complexo do que a versão heroica
difundida ao longo do século XX.
Ainda
assim, o movimento liderado por Plácido de Castro permanece como um dos
episódios mais emblemáticos da história do Acre e um símbolo da formação do
estado brasileiro.
Fonte _ G1


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