As
chamadas canetas emagrecedoras deixaram de ser exclusivas de quem pode pagar
mais. Em menos de um ano, o preço desses medicamentos caiu cerca de 70% nas
farmácias, e o Ministério da Saúde agora trabalha para ampliar o acesso por
meio da incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Para
o Ministério da Saúde, diferentes medidas desde 2025 viabilizaram uma maior
oferta, o que abre a perspectiva de incorporação das canetas emagrecedoras ao
SUS. “Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a
tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e
chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o
acesso. Deixou de ser só para ricos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha.
A
queda de preços veio com multiplicação de produtos disponíveis no mercado. A
partir de um chamamento realizado pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, ainda
no ano passado, para estimular a entrada de novos fabricantes, 16 novos
produtos foram registrados apenas em 2026, incluindo genéricos e similares. E
pelo menos quatro deles são produzidos no Brasil. Segundo dados do
mercado, o número de pessoas que usam canetas emagrecedoras passou de
aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
Queda
nos preços
A
ampliação da concorrência, a possibilidade de produção nacional e a
multiplicação de apresentações disponíveis criaram condições para uma nova
etapa, agora em escala pública. “Na farmácia, o preço já está 70% mais
barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso
nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos
projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer
esses produtos e incorporar no SUS”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha.
A
partir dos resultados, o Ministério apresentou esta semana um pedido de
avaliação desse tipo de medicamento pela Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no SUS (Conitec), responsável pela incorporação de novas
tecnologias no SUS.
"Quando
a gente fala em incorporar ao SUS, não estamos falando de incorporar um milagre
estético. Estamos falando de incorporar uma medicação que, combinada com outras
ações de alimentação e atividade física, certamente poderá ter um impacto muito
positivo, inclusive nos custos do sistema de saúde. Vai reduzir o volume de
cirurgias bariátricas, de internações por doenças cardiovasculares e de
internações por recidiva de câncer, por exemplo”, destaca Padilha.
Diretriz
internacional
A
iniciativa está alinhada às recomendações mais recentes da Organização Mundial
da Saúde (OMS) sobre o uso de terapias baseadas em GLP-1 – as canetas
emagrecedoras – no tratamento da obesidade. A entidade destaca a importância
dessas terapias dentro de estratégias mais amplas de cuidado, associadas a
alimentação saudável, atividade física e outras medidas de saúde pública, além
da necessidade de ampliar o acesso e reduzir os preços.
“No
final do ano passado, lançamos a nova portaria da Academia da Saúde, que prevê
chegar a quase 2 mil unidades, com novo investimento não só para compra de
equipamento, mas para a contratação de nutricionista, educador físico,
fisioterapeuta. O Ministério colocou esses recursos, os municípios aderiram, a
gente criou um outro ambiente no SUS para esse enfrentamento”, destaca Padilha.
As
atividades da Academia da Saúde cresceram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil
em 2025, um salto de 48,5%. A política prevê 582 novos estabelecimentos
credenciados em 448 municípios de todas as regiões do país, com investimentos
de R$ 80,7 milhões. Integrada à Atenção Primária, a Academia da Saúde oferece
atividades físicas e outras ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e
produção do cuidado nos territórios.
Fonte _ Saúde.gov

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