Divulgada
nesta quinta-feira (7/5), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário
nacional, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
apresenta sinal de aumento. A alta de SRAG é causada pelo período sazonal de
maior circulação dos vírus da influenza A e do vírus sincicial
respiratório (VSR). Com exceção do Paraná e de São Paulo, sinalizam
incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com tendência de
crescimento nas últimas semanas, os estados do Acre, Alagoas,
Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do
Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os casos de SRAG por Covid-19 estão com
indícios de aumento no Ceará e Maranhão. A atualização é referente à Semana
Epidemiológica 17, período de 26 de abril a 2 de maio.
Já
era esperado observar um aumento no número de casos tanto de influenza A quanto
de VSR nesta época do ano, devido a sazonalidade dos vírus, cujo pico costuma
ocorrer em meados de maio. No entanto, como o início do período sazonal da
influenza A começou um pouco mais cedo neste ano, especialmente nas regiões
Norte e Nordeste, já é possível observar uma queda antecipada dos casos
confirmados pelo vírus em muitos estados dessas regiões.
Ainda
assim, a influenza A permanece em níveis elevados em diversos estados, o que
reforça a importância da vacinação, “especialmente entre os grupos de maior
risco, para prevenir casos graves e óbitos”, afirma a pesquisadora Tatiana
Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação
Científica da Fiocruz.
O
aumento de SRAG na maioria das capitais ocorre nas crianças menores de 2 anos.
Porém, os pesquisadores do InfoGripe chamam atenção que em Maceió, Palmas e
Campo Grande também há crescimento de casos de SRAG na população idosa.
“Quanto
aos casos de SRAG associados ao rinovírus já apresentam sinal de interrupção do
crescimento ou queda na maior parte do país, mas continuam aumentando no
Amazonas, Pará, Mato Grosso e Santa Catarina”, informa Portella.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 28,9% de influenza A, 3,7% de influenza B, 38% de vírus sincicial respiratório, 26,8% de rinovírus e 3,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 49,2% de influenza A, 4,3% de influenza B, 7,8% de vírus sincicial respiratório, 19,5% de rinovírus e 14,1% de Sars-CoV-2.
Estados
e capitais
A
análise aponta também que as ocorrências de SRAG associadas à influenza A
continuam aumentando em toda a região Sul (PR, SC e RS), em alguns estados do Norte
(AC, RO e RR) e do Sudeste (SP e ES), além de Alagoas. Por
outro lado, já apresentam tendência de queda em boa parte do Nordeste (BA, CE,
MA, PB, PE, PI, RN e SE), em alguns estados do Norte (AM, AP e PA) e em Mato
Grosso. O estudo constatou também que uma parte significativa do
Centro-Oeste (GO, DF e MS), além de Minas Gerais e Tocantins, estão com sinal
de interrupção do crescimento.
O
InfoGripe alerta também que os registros de SRAG por VSR, que afetam
especialmente crianças menores de 2 anos, continuam aumentando em estados de
todas as regiões do país (AP, BA, CE, DF, ES, MA, MG, MS, PA, PB, PE, PR, RJ,
RN, RS, SC e SP). “Porém, já apresentam indícios de queda no Acre,
Goiás, Roraima e Rondônia, além de estabilidade ou oscilação em Alagoas,
Amazonas, Mato Grosso, Sergipe e Tocantins”, observa a pesquisadora.
O
Boletim observa que 18 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em
alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de
SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 17. É o
caso de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS),
Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Joao Pessoa (PB), Macapá (AP),
Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC),
Rio De Janeiro (RJ), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).
Dados
epidemiológicos
Em
2026, já foram notificados 51.794 casos de SRAG, sendo 23.213 (44,8%) com
resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 19.441 (37,5%)
negativos e cerca de 5.333 (10,3%) aguardando resultado laboratorial. Em
relação aos casos positivos do ano corrente, 26,4% foram de influenza A, 2,1%
de influenza B, 23,2% de vírus sincicial respiratório, 37,4% de rinovírus e 8%
de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 28,9% de influenza A, 3,7% de
influenza B, 38% de vírus sincicial respiratório, 26,8% de rinovírus e 3,1% de
Sars-CoV-2.
Incidência
e mortalidade
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR e ao rinovírus. Por outro lado, a mortalidade é maior
entre os idosos, liderada pela influenza A e Covid-19. Quanto aos casos de SRAG
por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças
menores de 2 anos, enquanto a mortalidade continua impactou mais a população a
partir de 65 anos de idade.
Os
dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos
casos de SRAG em crianças menores de dois anos tem sido impulsionado pelo VSR.
Já o sinal de estabilização dos casos de SRAG em crianças a partir dos 5 anos,
adolescentes, adultos e idosos reflete a desaceleração do crescimento das
hospitalizações por influenza A no país, embora o cenário seja heterogêneo
entre os estados.
O
Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz


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