A
tecnologia de insumos médicos tem avançado a níveis nunca antes imaginados.
Hoje, já é possível detectar infecções em suturas por informações que chegam
diretamente aos smartphones e computadores de médicos e pacientes. Mas o
avanço, capaz de salvar vidas, ainda não está disponível para todos devido ao
seu custo elevado.
A
boa notícia é que existem pessoas que querem mudar essa realidade. É o caso de
Dasia Taylor, uma estudante de apenas 17 anos que descobriu uma forma bem mais
barata de identificar infecções em feridas pós-cirúrgicas. Depois de vencer uma
feira de ciências estadual e se tornar finalista em uma competição nacional, a
jovem agora busca patentear a sua invenção.
Dasia
mora em Iowa City, nos Estados Unidos, e começou a trabalhar no projeto em
outubro de 2019, depois que sua professora de química, Carolyn Walling,
compartilhou informações sobre feiras de ciências em todo o estado com a
classe.
Identificando
o problema
Durante
a sua pesquisa para definir um tema, a estudante viu que as infecções após
cesarianas em alguns países na África, como Serra Leoa, atingem até 20% das
mulheres que dão à luz desta forma, número considerado alto pelos médicos.
Engajada
na luta pela igualdade racial e social, Dasia encontrou as informações sobre as
suturas "inteligentes", mas viu que elas não conseguiriam chegar aos
países mais pobres. Decidiu, então, começar a pesquisar maneiras de tornar essa
tecnologia mais acessível.
Em
2020, depois que sua escola fez a transição para o ensino remoto devido à
pandemia, ela conseguiu autorização para usar o laboratório em dias alternados.
Lá, passava de quatro a cinco horas diárias trabalhando em seus experimentos.
"Descobri
que a beterraba muda de cor no ponto de pH perfeito", disse em
entrevista à revista do Instituto Smithsonian. Ela percebeu que o suco de
beterraba vermelho brilhante torna-se roxo escuro quando entra em contato com
um ambiente menos ácido, como o da pele com infecção.
O
próximo passo foi encontrar um fio de sutura que segurasse a tinta. Para isso,
testou dez materiais diferentes, incluindo o fio de sutura padrão, para
verificar sua compatibilidade com o corante. No fim, descobriu que o fio de
algodão com poliéster era o que mais se adequava à sua invenção.
Reconhecimento
Ao
desenvolver sua pesquisa, ela ganhou prêmios em várias feiras regionais de
ciências antes de avançar para o cenário nacional. Em janeiro, Dasia foi
nomeada uma das 40 finalistas da Regeneron Science Talent Search, a competição
de ciência e matemática mais antiga e prestigiada do país para alunos do último
ano do ensino médio.
Apesar
de não ter ficado entre os dez primeiros colocados da feira, Dasia foi
escolhida pelos finalistas, após uma votação, como ganhadora do Prêmio Seaborg,
tornando-a porta-voz de seu grupo. "Eu pretendo continuar minha pesquisa e
garantir que este projeto seja lançado e as pessoas realmente tenham acesso a
essa descoberta. E isso salvará vidas", promete.
Inspiração
para crianças
A
estudante já está conseguindo notar os impactos positivos de seu trabalho na
sociedade. Ela contou à CNN que ficou muito feliz ao descobrir que sua pesquisa
inspirou crianças em uma escola de ensino fundamental em Massachusetts, que
fica a mais de 1,2 mil km de distância de sua cidade.
A
professora que fez a atividade pediu que a turma lesse o trabalho de Dasia e
que cada um escrevesse um parágrafo sobre a parte que achou mais inspiradora.
Ao receber um documento de 24 páginas com os pensamentos de todos os alunos, a
jovem disse que chorou. "Se eu puder inspirar alguém a fazer algo grande,
esse é o significado de sucesso em minha mente", reflete.
Fonte _ UOL

Nenhum comentário:
Postar um comentário