Quem
já teve a doença pode contrair outros sorotipos do vírus da dengue e por isso
deve tomar a Butantan-DV para ficar completamente protegido
A
vacina tetravalente contra dengue de dose única desenvolvida pelo Instituto
Butantan, a Butantan-DV, é indicada mesmo para quem já contraiu dengue.
Isso
porque existem quatro tipos de vírus da dengue (DENV-1, DENV- 2, DENV- 3 e
DENV4) e uma pessoa pode adoecer até quatro vezes, já que fica imune apenas ao
vírus que contraiu inicialmente. Assim, mesmo quem já teve dengue deve se
vacinar, com intuito de prevenir uma nova infecção pelos outros sorotipos para
o qual o corpo ainda não desenvolveu proteção.
“A
pessoa que já teve a doença pode ter de novo, e a vacina protege contra os
diferentes tipos do vírus. Por isso, ela continua sendo recomendada para quem
teve dengue. Porém, a pessoa só deve receber o imunizante seis meses depois de
ter tido a doença”, ressalta a gerente de farmacovigilância do Butantan e
membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mayra Moura.
A
Butantan-DV somente é contraindicada para pessoas com histórico de reação
alérgica grave a qualquer um dos componentes da vacina; pessoas com algum tipo
de imunossupressão ou alteração da imunidade, ou seja, por doença ou pelo uso
de medicamentos; gestantes ou mulheres em período de amamentação.
A Butantan-DV foi aprovada no Brasil pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para
ser usada em pessoas de 12 a 59 anos, de acordo com a indicação feita na
bula do imunizante.
A
vacina contra dengue foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI),
do Ministério da Saúde, e começou a ser aplicada em janeiro de 2026 em pessoas
de 15 a 59 anos em um projeto piloto realizado em cidades de São Paulo, Minas
Gerais e Ceará. Em fevereiro, o Ministério da Saúde começou a vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde em
todo o país.
O
Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a dengue, utilizando as
vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), independentemente
de infecção prévia.
Saiba
mais sobre a Butantan-DV
Os
resultados do ensaio clínico de fase 3 da Butantan-DV revelaram uma eficácia de 80,5% contra casos de dengue grave e
dengue com sinais de alarme (desfecho combinado) ao longo de cinco
anos. O estudo, publicado
na prestigiada revista científica Nature Medicine,
acompanhou quase 17 mil pessoas no Brasil e confirmou que a proteção se mantém
sólida em longo prazo.
No
que diz respeito à eficácia geral para prevenir a dengue
sintomática (causada por qualquer sorotipo), o imunizante atingiu a
marca de 65% durante os cinco anos de monitoramento.
Além da alta proteção contra quadros severos, o estudo demonstrou que a Butantan-DV protegeu contra hospitalizações por dengue, já que não houve nenhum registro de internação no grupo vacinado, contra oito casos no grupo placebo.
O
imunizante utiliza vírus vivos, mas "enfraquecidos" (atenuados) em
laboratório, para que não causem a doença enquanto são capazes de estimular uma
resposta imune. As cepas utilizadas são baseadas em uma tecnologia
originalmente desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados
Unidos (NIH, na sigla em inglês).
Saiba
mais sobre a doença
A
dengue é uma arbovirose [doença transmitida por artrópodes,
como mosquitos e carrapatos], que tem como vetor a fêmea do mosquito Aedes
aegypti.
Os
primeiros sintomas da dengue são febre alta, dores no corpo e atrás dos
olhos, vermelhidão na pele e fadiga. Nessa fase, a doença é
classificada como dengue clássica ou dengue sem sinais de alerta, e
pode ser controlada com hidratação intensa e certas medicações até seu
desaparecimento, em alguns dias.
Em
uma minoria, outros sintomas mais específicos podem surgir, como dores
abdominais, vômitos intensos, desidratação, falta de apetite e sangramentos nas
mucosas. Essa é a fase da dengue com sinais de alerta, nome
dado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por indicar uma gravidade do
quadro clínico. Nesse momento, é importante ter acompanhamento médico.
Fonte _ Butantan
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