A
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta
quinta-feira (14/5), sinaliza que todas as unidades federativas (UF) apresentam
alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O
aumento de SRAG no país ocorre principalmente nas crianças menores de 2 anos e
é impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR). As demais
faixas etárias apresentam estabilização do número de casos. O estudo destaca
também que as hospitalizações por influenza A continuam
aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte
(Roraima e Tocantins) e do Sudeste (São Paulo e Espírito Santo). A atualização
é referente à Semana Epidemiológica 18, período de 3 a 9 de maio.
“A
principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A
é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de
agravamento por esses vírus se vacinem. A vacina contra o VSR é aplicada em
gestantes a partir da 28ª semana e protege os bebês principalmente durante os
seis primeiros meses de vida. Também existem anticorpos monoclonais contra o
VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras
ou menores de dois anos com comorbidades. Já a vacina anual contra a influenza
é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com
comorbidades e crianças de até 6 anos”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella,
do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação
Científica da Fiocruz.
O Boletim mostra que em relação aos óbitos registrados no período, as mortes por influenza A respondem por 51,8% dos casos. A seguir vem as por rinovírus com 15,4%, Sars-CoV-2 (Covid-19) com 11,8%, 11,4% por vírus sincicial respiratório e influenza B com 4% dos casos. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos. Os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no Maranhão e no Ceará.
Estados
e capitais
O
número de hospitalizações por influenza A, informam os pesquisadores do
InfoGripe, continua aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns
estados do Norte (RO e TO) e do Sudeste (SP e ES). O rinovírus também tem
contribuído para o aumento de SRAG em alguns estados do Norte (AM, AP), Sudeste
(MG e RJ) e Sul (RS, SC). Segundo a análise, estão com incidência de SRAG em
nível de alerta de risco ou alto risco Acre, Amapá, Amazonas,
Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio
Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e
Tocantins.
As
ocorrências de SRAG por VSR têm aumentado em estados de todas as regiões. No
entanto, já apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda em boa
parte da região Norte (AM, RR, RO, TO) e em alguns estados do Centro-Oeste (GO
e MT). Por outro lado, os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior
parte do país e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no MA e CE.
O Boletim verificou
que 15 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco
ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na
tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 18. São elas Belém
(PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC),
Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio
Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e
Teresina (PI).
Dados
epidemiológicos
Em
nível nacional, o cenário atual sinaliza aumento na tendência de longo prazo
(últimas seis semanas) e estabilidade ou oscilação na tendência de curto prazo
(últimas três semanas). Em 2026, já foram notificados 57.585 casos de SRAG,
sendo 26.338 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 21.500 (37,3%) e cerca 5.653 (9,8%) aguardando resultado
laboratorial.
A
nova edição do sinaliza ainda que este ano já foram verificados 26,3% de
influenza A, 2,2% de influenza B, 25,3% de vírus sincicial respiratório, 36,1%
de rinovírus e 7,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas últimas semanas
epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,2% de
influenza A, 3,7% de influenza B, 41,5% de vírus sincicial respiratório, 25,5%
de rinovírus e 2,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Os
dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos
casos de SRAG em crianças menores de 2 anos tem sido impulsionado pelo VSR. Já
o sinal de estabilização dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 14 anos e
acima de 15 anos reflete a desaceleração do crescimento ou queda das
hospitalizações por rinovírus e influenza A, respectivamente, em muitos
estados.
Incidência
e mortalidade
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças
pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a
mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A. Em relação aos
casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas
crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na
população a partir de 65 anos.
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada
ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz


Nenhum comentário:
Postar um comentário