Autoridades
da Food and Drug Administration (FDA), equivalente americano à
Anvisa, impediram a publicação de estudos sobre a segurança de vacinas contra a
covid-19 e o herpes-zóster financiados com recursos públicos. O veto acirra a
preocupação sobre a integridade científica da pasta, sob comando do secretário
de Saúde Robert F. Kennedy Jr.
O
porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Andrew Nixon,
confirmou a denúncia de veto a publicações, feita
pelo jornal New York Times. “Os autores fizeram afirmações amplas
que não eram sustentadas pelos dados. O FDA agiu para preservar a integridade
do processo científico”, alegou, em declaração à
Reuters. A comunidade
científica americana discorda.
O
herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da catapora e pode gerar
complicações graves, especialmente em pessoas idosas e com baixa imunidade. No
Brasil, a vacina é aprovada pela Anvisa, mas ainda não foi incorporada ao SUS.
A covid-19 teve 7,1 milhões de mortes confirmadas em todo o mundo e a vacina
está disponível gratuitamente no SUS. Centenas de estudos comprovam a
segurança da vacina, associada a redução da mortalidade inclusive
em gestantes e bebês.
Campanha
anti-vacina preocupa cientistas
Os
Estados Unidos sairam
da Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro deste ano,
citando a resposta à pandemia e a “burocracia” da entidade. A gestão de RFK Jr
vem sendo marcada pela negativa de consensos científicos e controvérsias. 77
ganhadores do prêmio Nobel publicaram uma carta ao Senado
norte-americano, pedindo a não-confirmação do secretário, indicado pelo
presidente Donald Trump.
O
diretor responsável pela avaliação e pesquisas de vacinas na FDA, Peter
Marks, renunciou
ao cargo em 2025, citando a pressão anti-vacina do secretário RFK
Jr. “Eu estava disposto a trabalhar para esclarecer as preocupações do
secretário quanto à segurança das vacinas”, afirmou, em carta amplamente
repercutida pela imprensa norte-americana. “No entanto, ficou claro que verdade
e transparência não são desejadas pelo secretário, que prefere a confirmação
subserviente de sua desinformação e mentiras”.
De
Olho na Resolução
Responsável
não apenas pela administração e prescrição de vacinas, mas também pelo
acompanhamento de seus efeitos adversos, a Enfermagem tem um papel histórico
como “guardiã” das vacinas no Brasil. Cerca de 189 mil profissionais de
Enfermagem garantem a aplicação de mais de 300 milhões de doses anuais, em mais
de 39 mil salas de vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS). As
atribuições de enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem no processo de
vacinação está regulamentada pela Resolução
795/2025.
“Vacinas
estão diretamente relacionadas à queda da mortalidade em diferentes faixas
etárias, mas sobretudo de crianças. Enfermagem tem como atribuição
conscientizar os responsáveis pelas crianças da relevância e a necessidade do
esquema de imunização”, destaca a enfermeira Ivone Amazonas, da Câmara Técnica
de Enfermagem em Saúde da Criança.
Fonte _ COFEN

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