O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde Alexandre Padilha anunciaram,
nesta sexta-feira (15), a maior entrega já realizada pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o
câncer, garantindo 100% da demanda de medicamentos. Com o investimento de R$
2,2 bilhões, entre as principais inovações estão a criação da nova tabela de
financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo
e a criação, pela primeira vez, do financiamento de cirurgias robóticas
oncológicas na rede pública, além de ampliar acesso à cirurgia de reconstrução
mamária.
“Eu
penso que o estado tem que fazer justiça e dar oportunidade e igualdade a todo
mundo. E eu tinha uma obsessão por isso, porque as pessoas mais humildades são
tratadas como invisíveis. O que estamos fazendo aqui é dizer: o Brasil entrou
numa rota de civilidade e o pobre não será mais tratado como invisível. A gente
não pode prescindir da qualidade pública, não aceito dizer que o público não
presta. O SUS está provando que aquilo que é público, quando é feito com
respeito, dignidade e justiça, o público é muito melhor”, destacou Lula.
Esse
aumento de 35% na oferta dos fármacos na rede pública de saúde beneficia 112
mil pacientes, representando um destrave histórico nos tratamentos oncológicos
de primeira linha, que embora incorporados, aguardavam há até 12 anos para
serem disponibilizados à população. Entre a lista, dez serão adquiridos diretamente pelo
Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os outros serão ofertados por
meio da Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), em que a
compra é realizada pelos centros habilitados no país, com financiamento
federal, e Ata de Negociação Nacional.
Os
medicamentos contemplam 18 tipos de câncer, como mama, pulmão, leucemia,
ovário, estômago. A depender do tipo de tratamento, o paciente pode economizar
até R$ 630 mil, caso fizesse na rede privada. A iniciativa está alinhada ao Componente
de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), política nacional
que assegura o cuidado organizado e contínuo no SUS.
Com
foco nas mulheres, o ministro Padilha anunciou a ampliação do acesso à cirurgia
de reconstrução mamária, que visa democratizar o acesso a procedimentos de alta
complexidade e promover a reabilitação física e psicológica das pacientes de
forma integral. O direito à cirurgia plástica reconstrutiva, anteriormente
limitado a sequelas de tratamento de câncer, passa a abranger todos os casos de
mutilação mamária, seja total ou parcial. Com a ampliação, a estimativa de
investimento é de R$ 27,4 milhões por ano, representando um aumento de
aproximadamente 13% em comparação a 2025.
“Hoje
é um dia muito importante para o SUS. As mulheres são a maioria nesse país,
mães de minorias, e que mais usam o SUS. Quando o filho está lá é mãe quem
está. A saúde das mulheres é uma prioridade absoluta. Exemplo disso é a
expansão da vacina do HPV. E eu acredito que nós vamos, até 2035, chegar no que
a Austrália chegou, que é eliminar o câncer de colo do útero”, destacou o
ministro.
Já
para o tratamento do câncer de próstata, o SUS passa a contar com o
financiamento permanente da cirurgia robótica, com investimento de R$ 50
milhões do Governo do Brasil. A tecnologia permite que o profissional de saúde
tenha maior precisão cirúrgica e melhor visualização das estruturas anatômicas.
Para os pacientes, os benefícios incluem menor perda sanguínea durante a
operação, reduzindo a necessidade de transfusões. Cerca de 5 mil homens poderão
ser beneficiados.
Rede
Alta Performance e saúde digital
Para
que o SUS tenha capacidade de realizar telecirurgias robóticas, foi assinado
pelo ministro o Termo de Execução Descentralizada (TED) voltado à criação da
Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança. A
iniciativa prevê uma solução integrada de alta capacidade entre o Hospital de
Amor, em Barretos (SP), e a unidade localizada em Porto Velho (RO), onde
inicialmente serão realizadas cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e
urológicas.
Com
investimento preliminar de R$ 2 milhões e vigência de 30 meses, a
infraestrutura contempla requisitos técnicos compatíveis com esse tipo de
serviço para aplicações críticas em saúde, que exigem comunicação em tempo
real, transmissão segura de dados e elevada confiabilidade operacional.
Mais
recursos para o Hospital de Amor
O
Ministério da Saúde está garantindo mais recursos para custeio das ações de
prevenção e controle do câncer no Hospital de Amor de Barretos, que contará com
parcela suplementar no valor de R$ 129 milhões. O estabelecimento registra
cerca de 600 novos casos oncológicos infantojuvenis anualmente.
Na
ocasião, o presidente Lula e o ministro da Saúde participaram do lançamento da
pedra fundamental do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do
Hospital de Amor e do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente
Invasivas (IRCAD). A ação consolida o complexo Hospital de Amor/Fundação Pio
XII como um dos principais polos de inovação em saúde da América Latina,
integrando assistência, ensino e pesquisa de alta complexidade.
Novos
aceleradores lineares e expansão do tratamento oncológico
Outro
marco dos anúncios em Barretos foi a assinatura do edital de compra de até 80
aceleradores lineares, que deve ampliar em 25% a oferta de tratamento de
radioterapia em um ano. A contratação ocorre no âmbito do Plano de Expansão da
Radioterapia no Sistema Único de Saúde – PERSUS II, com foco na substituição de
equipamentos obsoletos, na instalação de aparelhos em estruturas já existentes
e na ampliação tecnológica dos serviços.
“No
câncer, tempo é vida e hoje vamos dar mais um passo histórico. Nós estamos
colocando aquilo que tem de mais moderno para o tratamento de radioterapia.
Este ano chegamos ao marco histórico que é ter pelo menos um equipamento de
radioterapia em cada estado. Além disso, temos hoje o Governo do Brasil
distribuindo veículos a todo o país para promover dignidade ao paciente no
caminho até a terapia. O nosso país está construindo a maior rede pública para
diagnóstico e tratamento de câncer do mundo", enfatizou Padilha.
No
ano passado, com o programa Agora Tem Especialistas, o país bateu recorde de
procedimentos oncológicos no SUS. Foram realizados 189.949 procedimentos de
radioterapia, um aumento de 22% em comparação com 2022, quando foram
registrados 155.355 atendimentos. O recorde se repetiu na quimioterapia, que
registrou crescimento de 20% na comparação entre os 4,7 milhões de atendimentos
realizados em 2025 e os 3,9 milhões registrados em 2022.
Paralelamente,
o Agora Tem Especialistas promoveu o maior mutirão de saúde da mulher da
história do SUS, com 230 mil exames e cirurgias realizados em 900 hospitais
públicos e filantrópicos de 516 municípios, ampliando o rastreamento e a
detecção precoce do câncer em todo o país. Na área diagnóstica, o Super Centro
para Diagnóstico do Câncer — iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com
o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o A.C.Camargo Cancer Center — já
reduziu em 80% o tempo de espera por laudos de biópsia no SUS. O que antes
levava mais de 25 dias hoje é concluído em cerca de cinco dias, prazo decisivo
para o início oportuno do tratamento oncológico.
Além
disso, o Agora Tem Especialistas descentralizou o atendimento com as Carretas
da Saúde, que já alcançaram mais de 1.700 municípios brasileiros com consultas
e exames em regiões de vazio assistencial. Somente em saúde da mulher, já foram
mais de 166 mil procedimentos, contribuindo para zerar filas em 40 municípios.
Garantia
de transporte até o tratamento
Ainda
na solenidade no Hospital de Amor, o ministro Alexandre Padilha entregou oito
micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde para
municípios dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, totalizando
investimento de R$ 1,4 milhão.
Os
veículos serão utilizados no transporte de pacientes que necessitam de
consultas, exames e tratamentos especializados e contínuos, especialmente
pacientes em radioterapia e hemodiálise, que precisam se deslocar entre
municípios para atendimento na rede pública de saúde. Ao todo, o Ministério da
Saúde investiu R$ 1,4 bilhão na aquisição de 3,3 mil veículos destinados a
todos os estados do país.
Valorização
dos sanitaristas no Brasil
Ainda
na oportunidade, o ministro da Saúde também homenageou o sanitarista Carlos
Haroldo Piancastelli com a entrega da Carteira Nacional de Sanitaristas. Esse
momento marca a regulamentação da profissão, que é um avanço estratégico para o
fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil, contribuindo para a
maior segurança institucional e valorização profissional.
Fonte _ Saúde.gov

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