Divulgada
nesta quinta-feira (21/5), a
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento do
número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no
país. O estudo alerta que a incidência de SRAG se mantém mais elevada nas
crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial
respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem
sido impulsionado pela influenza A. A atualização é referente à Semana
Epidemiológica 19, período de 10 a 16 de maio.
A
análise destaca ainda que - com exceção de Rondônia - todas as unidades
federativas (UF), estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou
alto risco (últimas duas semanas), sendo que 18 delas também estão com indícios
de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana
19. São Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso
do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do
Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.
Em
relação às regiões, a atualização mostra que os casos de SRAG por VSR têm
aumentado na maioria dos estados da região Nordeste e no centro-sul. No Norte,
o Pará apresenta tendência de aumento das hospitalizações pelo vírus, atingindo
uma incidência extremamente alta. Nos demais estados do Norte,
assim como no Distrito Federal e em Goiás, as ocorrências graves por VSR estão
estáveis ou em queda. Já os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior
parte do país, porém mostram retomada do crescimento no Ceará e Maranhão.
“Diante da alta atividade dos vírus influenza A e VSR, é essencial que a população elegível esteja vacinada contra esses vírus. E mesmo com a baixa circulação da Covid-19, também é importante que a população de risco esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra o vírus, já que ele ainda é uma causa importante de óbitos por SRAG entre os idosos”, ressalta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.
Estados
e capitais
As
hospitalizações por influenza A continuam aumentando no Paraná, Rio Grande do
Sul e Tocantins. Nos demais estados, seguem com tendência de queda ou
interrupção do crescimento. Contudo, mesmo com indícios de interrupção do
crescimento ou queda, as hospitalizações por influenza A continuam altas em
Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Sergipe.
Segundo
o InfoGripe, 16 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco
ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de
longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19: Aracaju (SE), Belém (PA),
Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba
(PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN),
Palmas (NA), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).
Dados
epidemiológicos
O
cenário atual, em nível nacional, aponta crescimento de SRAG nas tendências de
longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas).
Referente ao ano epidemiológico 2026, foram notificados 63.634 casos de SRAG,
sendo 29.517 (46,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 23.594 (37,1%) negativos e cerca de 6.014 (9,5%) aguardando
resultado laboratorial.
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 24,5% de influenza A, 4,4% de influenza B, 44,5% de vírus sincicial
respiratório, 24,4% de rinovírus e 2,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 51,8% de influenza A, 4% de influenza B, 11,4% de vírus
sincicial respiratório, 15,4% de rinovírus e 11,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26% de Influenza A, 2,4%
de influenza B, 27,4% de vírus sincicial respiratório, 35% de rinovírus e 6,9%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças
pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre
os idosos, liderado pela influenza A.
Em
relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior
impacto menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na
população a partir de 65 anos de idade.
Os
dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos
casos de SRAG em crianças até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo
VSR, enquanto o aumento de SRAG nas demais faixas. A incidência de SRAG por
Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada
ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz


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