sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Piso Salarial de Enfermagem: STF tem até SEGUNDA-FEIRA para julgar a implementação do PISO SALARIAL da enfermagem


A saga do
piso salarial da enfermagem parece estar chegando ao fim. Ao menos é o que indica o prazo estipulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja julgada a implementação do piso da categoria que, há meses, aguardam uma definição concreta da Suprema Corte.   

Senadores e deputados terão até a próxima segunda-feira (7) para apresentar propostas orçamentárias que possam tornar possível o pagamento do piso salarial da enfermagem. Do contrário, profissionais da saúde correm o risco de ter a suspensão da lei prorrogada.

 

SUSPENSÃO DO PISO SALARIAL DA ENFERMAGEM 

A Lei 14.343/22, que institui um valor base a ser pago para os profissionais da enfermagem, foi sancionada em agosto deste ano, mas, um mês após entrar em vigor, foi suspensa por ordem do ministro Luís Barroso, do STF. 

A decisão de suspender provisoriamente a lei do piso salarial da enfermagem foi tomada com base na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7222, expedida pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos (CNSaúde) 


Confederação questiona no STF piso salarial da enfermagem 
De acordo com a CNSaúde, a lei do piso salarial da enfermagem desrespeitava a auto-organização financeira, administrativa e orçamentária dos entes subnacionais. 

Além disso, a entidade alega que a aprovação da lei poderia aumentar o desemprego, gerar a falência de unidades de saúde ou aumento de repasse de custos no serviço privado.  

A partir dessas alegações, Barroso concedeu um prazo de 60 dias para que entes públicos e privados da área da saúde esclareçam o impacto financeiro, os riscos para a empregabilidade no setor e a eventual redução na qualidade de serviços. 

 
PISO SALARIAL ENFERMAGEM: Barroso suspende lei do piso da enfermagem 

Com isso, senadores e deputados precisam buscar e apresentar alternativas financeiras que possam custear o pagamento, a longo prazo, do piso salarial da enfermagem.


PISO SALARIAL DA ENFERMAGEM PROPOSTAS 

Até o momento, os parlamentares acumulam nove propostas para custear o piso salarial nacional da enfermagem. Alguns deles são: 

O PLP 44/22, que autoriza que estados e municípios utilizem um total de R$ 34 bilhões em recursos ociosos nos fundos regionais de saúde e de assistência social. 

PLP 07/22, que remaneja R$ 2 milhões dos fundos de saúde e de assistência social de estados, Distrito Federal e municípios para entidades privadas, filantrópicas conveniadas ao SUS. 

A desoneração da folha de pagamentos do setor, o aumento dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a destinação de royalties do petróleo e de impostos de jogos de apostas também são alguns dos projetos em discussão.

Fonte_JCne10

Atualização no STF da ADI 7222 da SUSPENSÃO da LEI do Piso Salarial da Enfermagem

 


site STF

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE

Origem: DF - DISTRITO FEDERAL

Relator: MIN. ROBERTO BARROSO

Relator do último incidente: MIN. ROBERTO BARROSO (ADI-MC-Ref)


REQTE.(S)

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS - CNSAÚDE 

 

ADV.(A/S)

CARLOS EDUARDO CAPUTO BASTOS (02462/DF) 

 

INTDO.(A/S)

PRESIDENTE DA REPÚBLICA 


PROC.(A/S)(ES)

ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 

Piso Salarial da Enfermagem: ATÉ O FIM DO MÊS será APROVADA na íntegra proposta para pagar, promete senador

 


Propostas para possibilitar a aplicação do piso salarial da enfermagem estão sendo votadas no Congresso Nacional enquanto a lei do reajuste está suspensa no Supremo Tribunal Federal (STF).

A suspensão do piso salarial da enfermagem tem prazo para acabar nesta sexta-feira (4), mas ainda pode ser prorrogada, caso o STF não considere que os projetos apresentados são viáveis.

Até o momento, duas propostas a favor do piso salarial da enfermagem foram aprovadas. O PLP 7/2022 passou pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados. O PLP 44/2022 foi aprovado pelo Senado.

Agora, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 44/22 se encontra em tramitação com regime de urgênciaaprovado na Câmara nesta terça-feira (1º). Ele deve ser votado pelo plenário em breve.

Essa alternativa para financiar o reajuste busca realocar fundos originalmente recebidos para o combate da pandemia da covid-19 para outras áreas da saúde, como o piso salarial da enfermagem.

PLP 44/22 tem autoria do senador Luís Carlos Heinze (PP-RS) e é relatado pelo vice-líder do MDB no Senado, Marcelo Castro.


PRAZOS APÓS A APROVAÇÃO DO PLP 44/22 NA CÂMARA

Projeto de Lei Complementar 44/22 está pronto para pauta na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) e para o Plenário (PLEN), a fim de conseguir aprovação na íntegra.

De acordo com o senador Luís Carlos Heinze, em entrevista à Rádio Senado, alguns prazos já estão estimados para o custeio e aplicação da lei do piso salarial da enfermagem.

"Formulamos uma lei que precisa entrar em vigor. É preciso considerar que caberá a regulamentação pelo Poder Executivo. Entretanto, sigo comprometido para que possamos garantir efetividade ainda em 2022", pontuou Heinze.

Segundo com o autor do projeto, a expectativa é que seja completamente aprovado até o fim do mês, mas que não é possível definir quando o piso salarial da enfermagem estrará em vigor de fato.

No entanto, a autorização da lei permitiria que a obtenção desses recursos fosse prorrogada até o fim de 2023.

PLP 44/22 para o piso salarial da enfermagem poderá ser votada em Plenário a qualquer momento, na Ordem do Dia da próxima sessão deliberativa.

PEC dos Enfermeiros: saiba posicionamento da Fehospe após aprovação do piso salarial enfermagem.

Fonte_JCne10

Piso Salarial da Enfermagem: suspensão termina HOJE (04)? REAJUSTE dos ENFERMEIROS vai COMEÇAR a ser pago?

 


Devido à necessidade da apresentação de todas as informações da origem das verbas para custear o piso salarial enfermagem, a medida está suspensa desde o dia 3 de setembro pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso. No entanto, após o prazo de 60 dias, a suspensão da lei está marcada para terminar nesta sexta-feira (4). 

Apesar disso, ainda há um cenário de indefinição acerca da liberação do reajuste, e a possibilidade que a suspensão do piso salarial enfermagem seja prorrogado.

Atualmente, nove projetos de lei para contribuir no custeio do piso salarial enfermagem estão sendo discutidos pelo Congresso - dois foram votados e aprovados.

O primeiro deles, o PLP 7/2022, usará verbas dos fundos de saúde estaduais, distritais e municipais direcionando o aporte financeiro para as Santas Casas.

A segunda medida, o PLP 44/2022, utilizará recursos do Ministério da Saúde que eram utilizados no combate da pandemia da covid-19 para o piso salarial enfermagem.

Em meio às discussões, Mirócles Veras, presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, falou sobre o fim da suspensão da medida:

“A (liminar) não cai automaticamente. Se cair automaticamente, a nossa tensão é muito grande. Esperamos que antes dela cair, tenha uma lei, uma alternativa definitiva para que possamos atender o piso da enfermagem, de técnicos e de parteiras”, destacou.

De acordo com a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), o valor total para conseguir financiar o piso salarial da enfermagem gira em torno de R$ 17,9 bilhões todos os anos.

Fonte_Interior10

Registrada vacina do HPV contra 9 subtipos do vírus

 


Uma nova vacina aprovada pela Anvisa nesta terça-feira (26/12) ampliou a proteção contra o papilomavírus humano (HPV). O novo medicamento é o Gardasil 9 que inclui cinco novos subtipos na proteção com o HPV.

Esse vírus é o principal fator associado aos cânceres de útero, da vulga, da vagina e do ânus. O Gardasil 9 foi aprovado com indicação para meninos e meninas de 9 a 26 anos. O ideal é que a imunização contra o HPV seja feita antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido por meio de relações sexuais.

Mais proteção contra o HPV

A nova vacina inclui os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58 do HPV, além dos subtipos 6, 11, 16, 18 que existiam na versão anterior do produto. A vacina foi registrada pelo laboratório Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda.

Confira abaixo a indicação completa aprovada para a bula do Gardasil 9:

Gardasil 9 é indicada para a prevenção de cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus; lesões pré-cancerosas ou displásicas; verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo papilomavírus humano (HPV).

Gardasil 9 é indicada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade para prevenir as seguintes doenças:

  • cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus causados pelos tipos de HPV 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58;
  • verrugas genitais (condiloma acuminado) causadas pelos tipos de HPV 6 e 11.

Além de infecções persistentes e das seguintes lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelos tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58:

  • neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de graus 2 e 3 e adenocarcinoma do colo do útero in situ (AIS);
  • neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de grau 1;
  • neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) de graus 2 e 3;
  • neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) de graus 2 e 3;
  • NIV de grau 1 e NIVA de grau 1;
  • neoplasia intraepitelial anal (NIA) de graus 1, 2 e 3.

Gardasil 9 é indicada para meninos e homens de 9 a 26 anos de idade para prevenção do câncer do ânus, lesões pré-cancerosas anais ou displásicas, lesões genitais externas (incluindo verrugas genitais) e infecções persistentes causadas pelo HPV.

Gardasil 9 é indicada para prevenção das seguintes doenças:

  • câncer do ânus causado pelos tipos de HPV 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58;
  • verrugas genitais (condiloma acuminado) causadas pelos tipos de HPV 6 e 11.

Além de infecções persistentes, as seguintes lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelos tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58:

  • neoplasia intraepitelial anal (NIA) de graus 1, 2 e 3.

Quer saber as notícias da Anvisa em primeira mão? Siga-nos no Twitter @anvisa_oficial e Facebook @AnvisaOficial

Fonte _ Anvisa

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Câmara aprova urgência para proposta que pode custear Piso Salarial da Enfermagem

 


A Câmara dos Deputados aprovou  a urgência de um projeto para auxiliar estados e municípios a custearem o piso salarial dos profissionais de enfermagem.

De autoria do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), o projeto permite, até o fim de 2023, que estados e municípios utilizem recursos represados dos fundos de saúde e de assistência social.

PLP 44/2022

 

DEPUTADOS APROVAM URGÊNCIA PARA A VOTAÇÃO DO PROJETO QUE PODE CUSTEAR O PISO DA ENFERMAGEM. A PROPOSTA JÁ FOI APROVADA PELO SENADO NO INÍCIO DE OUTUBRO

A Câmara dos Deputados aprovou  a urgência de um projeto para auxiliar estados e municípios a custearem o piso salarial dos profissionais de enfermagem. A lei que fixou a remuneração mínima da categoria em R$ 4.750 está suspensa desde setembro por decisão do Supremo Tribunal Federal até a indicação de fontes para o pagamento desses salários no setor público.

Desde então, parlamentares começaram a votar projstos que pudessem custear o piso da categoria. De autoria do senador Luis Carlos Heinze, do Progressistas gaúcho, a proposta, que deverá ser votada brevemente pelos deputados, permite, até o fim de 2023, que os estados e municípios utilizem recursos represados dos fundos de saúde e de assistência social.

De acordo com o relator, senador Marcelo Castro, do MDB do Piauí, uma parte dos R$ 34 bilhões hoje parados vai bancar as despesas previstas fazendo com que recursos em caixa dos estados e prefeituras sejam liberados para o piso salarial da enfermagem. Injeção na veia.

Uma ação emergencial para permitir que recursos que já estão nos estados e nos municípios possam ser utilizados de forma diferente das que estão destinadas, por isso mesmo é que estão estagnados, estão parados, porque assim os gestores municipais estaduais vão ter um recurso a mais à sua disposição até o dia 31 de dezembro de 2023.

O relator do projeto na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara é o deputado Pinheirinho, do Progressistas de Minas Gerais. Da Rádio Senado, Pedro Pincer.

Fonte_Senado

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Piso Salarial da Enfermagem - os entraves na garantia de direitos para a categoria

 


A Enfermagem representa o maior contingente de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. São 2.726.744 profissionais, segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que atuam, não apenas no reestabelecimento da saúde, nos hospitais, mas também na Atenção Primária em Saúde, recuperando, prevenindo e promovendo a saúde da população brasileira.  Depois de anos de luta, em 4 de agosto de 2022, foi sancionada pelo Executivo a LEI 14.434/2022, aprovada pelo Congresso Nacional, que regulamenta o piso salarial da Enfermagem. A nova regra prevê o pagamento de R$ 4.750 para enfermeiros; R$ 3.325 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras. Um mês após ser publicada no Diário Oficial da União (DOU), em 4 de setembro, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a lei por 60 dias, até que sejam analisados dados dos estados, municípios, órgãos do governo federal, conselhos e entidades da área da saúde sobre o impacto diante da implementação do piso. Barroso é relator de uma ação de inconstitucionalidade impetrada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos de Serviços (CNSaúde). Enquanto esta matéria era fechada, o Supremo havia começado a analisar, em plenário virtual que deve se estender até o dia 16 de setembro, se mantinha a lei sem efeitos, até a análise dos impactos da medida.

 

Atualmente, o Brasil conta com 670.852 enfermeiros, 1.608.131 técnicos e 447.407 auxiliares, além de 354 parteiras, segundo dados do Cofen. Desse total, são contabilizados pelo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) cerca de 1.221.734 profissionais empregados. Segundo a professora-pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Ialê Falleiros, apesar do alto número de profissionais, de suas atribuições e responsabilidades, a categoria da Enfermagem sempre foi tratada de forma pouco prestigiosa. “São as enfermeiras que coordenam o trabalho de equipe, em geral, as técnicas e auxiliares de enfermagem que acompanham os pacientes durante suas estadias nos serviços de saúde, com um olho no suporte físico e emocional e o outro na realização da rotina prescrita com todo cuidado para eficácia dos tratamentos”, afirma. Apesar da importância, o piso salarial se tornou uma luta histórica da categoria. É o que afirma Daniel Menezes, do Conselho Federal de Enfermagem. “Há mais de 50 anos que se busca esse direito. A profissão foi regulamentada pela primeira vez em 1955 e, desde então, buscamos alguns reconhecimentos, como o piso, e também a jornada máxima semanal. Não temos nenhum direito garantido em lei. O projeto agora vem fazer uma correção dessa dívida histórica que a sociedade tem com a enfermagem, porque estabelecer um piso é erradicar os miseráveis salários que existem ainda sendo praticados no nosso país”, argumenta Menezes. A opinião é reiterada pela presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Município do Rio de Janeiro (SATEMRJ), Miriam Lopes. “A suspensão do piso nacional foi de grande consternação de nossa categoria. Foi uma decisão lamentável, que nós vamos reverter. Foi um ato de covardia com a nossa categoria”, diz.

 

Caso não tivesse sido suspensa, a nova lei garantiria, desde o dia 5 de setembro, o pagamento do piso salarial para a enfermagem em hospitais privados e filantrópicos. Já o SUS, tem até o ano que vem para ajustar o orçamento. A contestação da CNSaúde alegou que a mudança traria impactos nas contas de unidades de saúde particulares pelo país e nas contas públicas de estados e municípios. Já o ministro do STF argumentou que é necessária uma fonte de recursos para viabilizar o pagamento do piso. Para Falleiros, a reação não foi surpresa. “Desde que foi instituída, nos anos 1990, a Confederação tem impetrado ações de inconstitucionalidade contra adicional noturno, adicional de insalubridade, contra as trinta horas da enfermagem. Os argumentos são sempre os mesmos: repetem que os recursos são escassos e os ameaçam dizendo que o impacto econômico sobre o aumento ou a garantia de seus direitos ocasionará demissões, fechamento de serviços públicos prestados pelo setor privado, aumento dos custos dos serviços e o repasse para os usuários dos aumentos nos valores dos planos de saúde”, explica a professora-pesquisadora da EPSJV.

 

Segundos dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para o cumprimento dos pisos será necessário um incremento orçamentário anual de R$ 4,4 bilhões para os municípios, R$ 1,3 bilhão  para os estados e R$ 53 milhões para a União. A Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) argumentou ser necessário um aporte de R$ 6,3 bilhões ao ano, enquanto para as empresas privadas, haveria um aumento de 12,81% com os novos pisos. Entre as possibilidades de financiamento do piso estão a correção dos valores da tabela do SUS, a desoneração da folha de pagamento do setor da saúde e a compensação das dívidas dos estados com a União. Para o conselheiro do Cofen, o discurso de que setores privados não conseguiriam sustentar o reajuste é antigo. “Esse discurso dos setores privados, especialmente dos setores filantrópicos, da aplicação do valor mínimo, é antigo.

 

Historicamente, essas instituições dizem que precisam de mais financiamento. O principal ponto de embate é que o setor filantrópico, as Santas Casas, e o próprio serviço público, estados e municípios, precisam ter mais financiamento na saúde. Nós concordamos enquanto cidadãos e enquanto profissão. Historicamente, nesses últimos anos, a saúde vem sendo desfinanciada, então a gente defende esse financiamento até para melhorar a qualidade do serviço, não só para custear o piso da enfermagem. É para a qualidade do atendimento, para a prestação do serviço, para a compra de materiais, o uso de tecnologias. Nesse sentido, o financiamento é defendido por todos e isso precisa ser visto, mas essa tarefa é do Congresso Nacional e do Executivo”, afirma Menezes. Quanto ao setor privado, o conselheiro é enfático. “O [setor] privado, com fins lucrativos, é o segmento que mais tem lucrado nos últimos anos. Só na pandemia, no ano de 2020, os convênios de saúde, os planos privados aumentaram em mais de 20% seu faturamento. Nesse sentido, estamos bastante consternados com essa suspensão, porque entendemos que toda essa análise não se sustenta”.

 


Dados de 2018 do Observatório dos Técnicos em Saúde, da EPSJV, demonstram que há cerca de seis vezes mais profissionais de enfermagem atendendo no SUS, do que fora dele. Para Ialê Falleiros, os dados são importantes pois revelam como deve se dar a relação entre trabalhadores e organizações. “Quem deve pautar essa relação é o poder público, tendo o interesse público na melhoria dos serviços e nas condições de vida daqueles que se dedicam aos cuidados de saúde da maioria da população como foco central. As contas públicas devem se adequar a isso, e não o contrário, como advogam os empresários do setor e os seus representantes instalados na máquina pública. O piso regulamentado é o mínimo que se espera, principalmente, após os últimos três anos de pandemia de Covid-19”.

 

Para Isabella Koster, diretora Científica da Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco), durante a pandemia, a enfermagem reforçou ainda mais seu profissionalismo atuando na linha de frente. “[Esses profissionais] se expuseram à contaminação, trabalharam em condições precárias, inseguras e insalubres, se afastaram das suas famílias, mas mantiveram o cuidado, mesmo que dentro dessas condições, com a melhor qualidade possível. Na Atenção Primária, atuaram junto às comunidades, acolhendo as pessoas com sintomas, organizando os fluxos e os novos processos de trabalho, orientando os cuidados com a doença e para o isolamento social e domiciliar, fizeram a vacinação acontecer de forma ampla e rápida em todo o território nacional, concomitantemente à manutenção do calendário vacinal e outras campanhas. Buscaram manter a todo custo os serviços funcionando para realizar as linhas de cuidado, envolvendo as doenças crônicas e transmissíveis, a saúde da mulher, da criança, entre outras. E hoje, estão buscando restabelecimento e reestruturação dos processos de trabalho junto com outros profissionais, considerando os aspectos endêmicos da Covid-19, assim como os seus efeitos prolongados na saúde da população, junto com a piora das condições de saúde gerais que vem buscando acesso e tentando recuperar a sua saúde”, ressaltou.

 

Impactos financeiros

Enquanto o ministro Barroso afirma que a nova decisão dependerá de documento detalhado sobre os impactos orçamentários do piso, além da adoção de medidas que resolvam a questão, visto que entidades do setor de saúde afirmam que o aumento de despesa pode acarretar redução de quadro de pessoal e eliminação de leitos hospitalares. O Cofen e outros órgãos afirmam que o estudo já foi apresentado ao Congresso, antes da aprovação do projeto de lei. “Nós acabamos de fazer uma consulta para o Painel de Informações do Fundo Nacional de Saúde, disponível no site do Ministério da Saúde e, hoje, há R$ 35 bilhões disponíveis para os projetos dos estados. Esse saldo não está alocado em nenhuma despesa, ou seja, está disponível para os cofres públicos estaduais, que poderia ser uma fonte, nesse primeiro momento, para custear esse financiamento. Em relação ao impacto dos R$ 16 bilhões, é bom lembrar que muitos profissionais de enfermagem já ganham salários acima do piso, o piso corrige, na verdade, os salários miseráveis, aqueles que ganham menos. Nesse sentido, no grupo de trabalho da Câmara, a gente já pôde comprovar e está no relatório técnico, que o salário da enfermagem reflete 2,7% do PIB da Saúde. A aplicação do piso representaria 4% do orçamento do SUS. Isso representa 2% de acréscimo na massa salarial dos contratantes. Em relação aos planos de saúde, para esses, a aplicação do piso representa apenas 4,8% do seu faturamento (com dados de 2020).  São esses os dados que fazem o contraponto, o dinheiro existe sim, ele só precisa ser melhor distribuído”, conclui Menezes.

 

O impacto se mostra realmente significante quando se avalia a atuação dos profissionais nos diversos níveis do sistema de saúde e as condições desse trabalho. “Estamos falando de um contingente de cerca de dois milhões de trabalhadoras, onde 85% são mulheres. A maior parte da equipe é composta por técnicas e auxiliares de enfermagem, demonstrando a força da profissionalização técnica da categoria profissional. No entanto, há problemas no quantitativo em relação à população e na distribuição de profissionais pelo país de forma não-equitativa. Toda a enfermagem se forma e se especializa essencialmente por instituições privadas, ou seja, elas autofinanciam a sua própria formação e especialização, e a profissão ainda é atravessada pelas questões interseccionais, envolvendo marcadores sociais e raciais, de classe, raça e gênero. Estamos falando aqui de mulheres, negras, mães-solo, em situações socioeconômicas vulneráveis, que se deparam com condições de trabalho, emprego e renda no mercado árido mergulhado na égide do patriarcado”, explica a diretora Científica da Abefaco.

 

Para o Cofen, o SATEMRJ, a Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade e dezenas de outras entidades da categoria, permanece a luta pela defesa da constitucionalidade do piso salarial. Acolhendo um pedido da categoria, o ministro Barroso autorizou a entrada de cinco entidades da enfermagem e cinco entidades representativas dos hospitais como Amicus Curiae (instituição que ingressa no processo com a função de fornecer subsídios ao órgão julgador).  As entidades também têm mostrado ser mais viável a proposta de reajuste de valores da tabela de procedimentos do SUS e a desoneração da folha de pagamento na área de saúde para financiar o piso salarial da categoria. “Durante a pandemia, nossos técnicos e auxiliares de enfermagem estiveram na porta dos leitos, cuidando dos pacientes com ética e profissionalismo. As pessoas foram para a varanda, os jornalistas [nos] chamaram de guerreiros, mas nós queremos o reconhecimento financeiro. É o financeiro que sustenta nossa família, é o financeiro que dá alimento para nossos filhos e netos e que nos ajuda a pagar as contas”, afirmou a presidente do SATEMRJ.

Fonte_FioCruz

Piso Salarial da Enfermagem: pedido de URGÊNCIA para votação na Câmara é acatado em defesa do piso - aoVIVO

 


O pedido de urgência para votação do Projeto de Lei Complementar 44/2022, a favor do piso salarial da enfermagem, será votado pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (1º).

A proposta tem como relator o senador Marcelo Castro (MSD/PI) e foi aprovada por unanimidade no dia 4 de outubro, pelos líderes do Senado Federal, sendo automaticamente remetida à Câmara.

A pauta prevê a liberação de fundos para financiar o piso salarial da enfermagem a partir de saldos financeiros de emendas e gastos no combate à pandemia da covid-19.

A lei do piso salarial da enfermagem está suspensa até a próxima sexta-feira (4), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), devido à busca por novas soluções orçamentárias para o pagamento do reajuste.

PISO SALARIAL ENFERMAGEM: Barroso suspende lei do piso da enfermagem

Para que o PLP 44/22 seja aprovado, precisa ter a maioria absoluta de votos favoráveis na Casa, ou seja, ter, pelo menos, a defesa de 257 deputados na proposta para o piso salarial da enfermagem.

O QUE ACONTECE SE O PLP 44/22 FOR APROVADO?

Caso o projeto do piso salarial da enfermagem seja aprovado pela maioria dos líderes da Câmara dos Deputados, passará para sanção presidencial, que ainda tem Jair Bolsonaro como representante.

As propostas só passarão para decisão do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já se mostrou favorável à aplicação do piso salarial da enfermagem, a partir de janeiro de 2023.

O presidente terá um prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar o PLP 44/22, que decidirá o futuro do pagamento do piso salarial da enfermagem para a categoria.

PEC dos Enfermeiros: saiba posicionamento da Fehospe após aprovação do piso salarial enfermagem

Se o presidente vetar a proposta, ela voltará para votação no Congresso Nacional. Para rejeitar um veto, é preciso que a maioria absoluta de deputados (257) e senadores (41) acatem a recusa.

Já em caso de aprovação do Presidente da República, serão direcionados os recursos inutilizados dos Estados, Distrito Federal e Municípios para o financiamento da área da saúde, como o custeio do piso salarial da enfermagem.

Em entrevista à Rádio Senado, Marcelo Castro revelou como planeja remanejar as verbas do orçamento para viabilizar o piso salarial da enfermagem.

"[O PL 44/2022] Permite que Estados e municípios utilizem os recursos de saúde que estão lá sem serem utilizados", explicou o relator.

"Hoje, o levantamento que se tem é de aproximadamente 32 bilhões de reais, um valor muito expressivo", acrescentou o senador.

"A categoria dos enfermeiros, fique tranquila porque o piso salarial nacional é constitucional, é legal e será cumprida por todos obrigatoriamente", prometeu Castro.

De acordo com o artigo 155 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, a apreciação do PLP 44/22 em defesa do piso salarial da enfermagem é um regime de urgência que altera a Lei Complementar nº 172, de 15 de abril de 2020, e a Lei nº 14.029, de 28 de julho de 2020.

Fonte_JCne10


Câmara aprova urgência para projeto que pode ser opção para custear piso dos enfermeiros

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou quatro acordos internacionais na sessão deliberativa virtual desta terça-feira (1º), além de requerimentos de urgência para duas propostas. Em seguida, a Ordem do Dia foi encerrada.

Foi aprovada a urgência para o Projeto de Lei Complementar (PLP) 44/22, do Senado, que prorroga para 2023 a liberação de recursos dos fundos estaduais e municipais de saúde e assistência social. O texto poderá ser uma alternativa para financiamento do piso salarial dos profissionais de enfermagem.

Conheça a tramitação de projetos de lei complementar

O piso da enfermagem, aprovado pela Câmara e pelo Senado, está suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ministro Roberto Barroso, autor da decisão, a criação desse piso sem uma fonte de recursos garantida levaria a demissões no setor e colocaria em risco a prestação de serviços de saúde.

Profissionais de enfermagem protestam contra suspensão do piso salarial, enquanto Congresso busca recursos

Setor elétrico

Os deputados aprovaram também pedido de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 365/22, que susta duas resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que tratam da definição da metodologia de cálculo das Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (Tust).

“Na prática, as resoluções levarão a uma transferência de renda de geradores das regiões Norte e Nordeste para as regiões Sul e Sudeste, além de alterar a lógica de expansão do setor elétrico e aumentarão as tarifas de energia para os consumidores”, disse o autor da proposta, deputado Danilo Forte (União-CE).

Acordos internacionais

Os quatro projetos de decreto legislativo aprovados pelos deputados referendam acordos internacionais assinados pelo Brasil com outros países. São eles:

o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 215/21, que aprova o acordo de Previdência Social firmado entre Brasil e Índia em 2020.

o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 331/21, que referenda acordo assinado entre Brasil e Emirados Árabes Unidos para cooperação e assistência mútua em assuntos aduaneiros, firmado em 2019.

o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 289/21, que aprova acordo assinado entre Brasil e Peru para o estabelecimento de uma zona de integração fronteiriça, firmado em Lima, em 2009.

o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 645/21, que referenda o acordo assinado entre Brasil e Marrocos para cooperação jurídica em temas relacionados ao direito civil e ao direito processual civil.

Os quatro acordos seguem para análise do Senado.

Conheça a tramitação de projetos de decreto legislativo

Fonte_Camara_LEG

Governo Federal sanciona Projeto de Lei que estabelece o Piso Salarial Nacional da Enfermagem

 


Governo Federal sancionou, nesta quinta-feira (4), a lei que estabelece o piso salarial nacional dos profissionais da enfermagem. A nova legislação fixa a remuneração mínima mensal para enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e obstetrizes. A cerimônia teve a presença do Presidente da República, Jair Bolsonaro, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).



De acordo com a justificativa da proposição legislativa, a iniciativa reconhece que a atuação do profissional de enfermagem é essencial na prevenção, manutenção e recuperação da saúde dos brasileiros, além de ser imprescindível para a recuperação do paciente em todas as fases do diagnóstico clínico. Esses profissionais também exercem papel fundamental no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Projeto de Lei 2.564/2020, aprovado em junho pelo Congresso Nacional, altera a Lei nº 7.498, de 1986. O novo piso salarial estabelecido para enfermeiros, contratados em regime CLT, é de R$ 4.750. Já o mínimo salarial para técnicos de enfermagem será de R$ 3.325 mensais. Auxiliares e obstetrizes irão receber o piso de R$ 2.375 mensais.

A sanção presidencial teve um veto no artigo que previa o reajuste anual com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Segundo a justificativa, isso promoveria a indexação deste piso salarial a índice de reajuste automático, e geraria a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies de reajuste para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público, em violação ao disposto no inciso XIII do caput do art. 37 da Constituição.

Além disso, a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária, no caso, o INPC, afrontaria a autonomia dos entes federativos para concederem os reajustes aos seus servidores.

Fonte_GOV