segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Estudo aponta cinco estratégias para reduzir hesitação vacinal
O
enfrentamento da
hesitação vacinal depende da combinação de cinco estratégias:
comunicação adaptada a diferentes públicos, combate à desinformação,
capacitação de profissionais de saúde,
ampliação do acesso à imunização e ações específicas para gestantes.
É o
que aponta um estudo publicado
nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. O
trabalho reuniu 48 revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2024 sobre
intervenções para reduzir a hesitação vacinal em adultos e gestantes, incluindo
dados referentes às
vacinas contra Covid, influenza,
HPV,
hepatite
B, coqueluche
e pneumococo.
Segundo
os autores, as medidas tendem a funcionar melhor quando aplicadas em conjunto e
adaptadas às necessidades de cada população. A síntese foi elaborada a partir
de uma chamada pública do Ministério
da Saúde para orientar políticas públicas.
A
primeira estratégia é adaptar a comunicação a diferentes públicos. As campanhas
devem considerar as características socioculturais de cada grupo e explicar os
benefícios individuais da vacinação
e sua importância para a proteção coletiva.
Isso
pode incluir informações em outros idiomas para migrantes, linguagem simples
sobre a segurança dos imunizantes e participação de lideranças comunitárias e
religiosas. Influenciadores digitais também podem ampliar o alcance das
mensagens.
"Cada
população, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se
vacinar", afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia
do Instituto de Biociências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul) e uma das autoras do estudo. As estratégias devem considerar "as
características do grupo que se pretende trabalhar e qual é o objetivo",
acrescenta.
Vacina
contra o HPV é resultado de mais de 150 anos de pesquisas
Com
novo registro na capital paulista, São Paulo chega a 41 casos de sarampo
SUS
amplia nova vacina pneumocócica para idosos a partir de 85 anos
Como
nova onda de ataques às vacinas gerou efeito reverso nas redes sociais, segundo
levantamento
Movimento
antivax surgiu com a própria vacina, em 1796, e ganhou força na pandemia da
Covid
A
segunda estratégia é combater a desinformação. Segundo o estudo, autoridades e
profissionais de saúde podem responder a conteúdos falsos nas redes sociais e
divulgar informações científicas em linguagem acessível. O trabalho também
aponta a importância de prevenir a disseminação de informações enganosas, com
medidas como monitoramento e políticas regulatórias.
"É
muito melhor prevenir a desinformação do que trabalhar nela depois que ela já
foi disseminada", afirma Marques.
O
pediatra Juarez Cunha, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações),
afirma que a
falta de confiança nas vacinas, nos profissionais e nas instituições
também pode afastar a população da imunização. Por isso, afirma, é importante
identificar os fatores que interferem na vacinação em cada localidade para
definir as medidas mais adequadas.
A
terceira estratégia é capacitar os profissionais de saúde de forma contínua. Os
treinamentos devem abordar conhecimentos sobre imunização e habilidades de
comunicação, para que os profissionais consigam conversar com a população de
forma clara e acolhedora.
A
recomendação direta durante o atendimento também pode influenciar a decisão de
se vacinar. Para Marques, o vínculo entre profissionais e pacientes é
importante. Cunha acrescenta que os profissionais precisam estar bem informados
para responder às dúvidas, tanto nas unidades de saúde quanto nas redes
sociais.
Para
Rosane Orth Argenta, gestora de saúde e CEO da Saúde Livre Vacinas, rede
privada de clínicas de imunização, a recomendação de vacina precisa partir do
profissional, sem esperar a iniciativa do paciente.
"O
profissional não deve apenas esperar que o paciente pergunte sobre a vacinação.
Ele precisa avaliar o calendário vacinal e recomendar as vacinas
indicadas", afirma.
A
quarta estratégia é ampliar o acesso à vacinação. Nem toda pessoa que deixa de
se vacinar está recusando a imunização. Em alguns casos, a dificuldade é
logística, como a falta de tempo para comparecer a uma unidade de saúde.
Horários
estendidos, atendimento aos fins de semana, unidades móveis e oferta de doses
em escolas, empresas e universidades podem reduzir essas barreiras.
A
quinta frente é voltada a gestantes e puérperas. O estudo recomenda esclarecer
dúvidas sobre possíveis efeitos adversos para a mãe e o bebê e oferecer vacinas
durante o pré-natal e nas maternidades, com orientações e materiais
explicativos.
"Quanto
mais tiver essa relação do profissional de saúde com a gestante, indicando,
recomendando a vacinação, melhor", afirma Marques.
As
recomendações são apresentadas em um momento de recuperação da vacinação
infantil no Brasil. Em 2026, o país deixou a lista dos 20 com maior número de
crianças "zero-dose", segundo estimativas da OMS (Organização Mundial
da Saúde) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
São
consideradas zero-dose as crianças que não receberam a primeira dose da vacina
contra difteria, tétano e coqueluche. No Brasil, a proteção é oferecida pela
pentavalente, que também previne hepatite B e infecções por Haemophilus
influenzae tipo b.
Em
2025, 50 mil crianças estavam nessa situação, ante 255 mil em 2024. Para
Marques, a recuperação das coberturas vacinais é importante diante do risco de
reintrodução de doenças que haviam deixado de circular de forma sustentada.
Quando elas se tornam menos frequentes, parte da população pode deixar de
reconhecer sua gravidade e os riscos da queda da imunização, diz.
Guatemala,
México, Estados Unidos, Peru e Canadá concentravam 99,5% dos casos confirmados
de sarampo em 2026. Em novembro de 2025, a transmissão endêmica foi
restabelecida no Canadá, levando a região das Américas a perder o status de
livre da circulação endêmica do sarampo, em
meio a um crescimento do movimento antivacina.
No
Brasil, até 5 de outubro, foram registrados 52 casos importados, sendo 41 em
São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, segundo o Ministério da
Saúde. O país mantém o status de livre da circulação endêmica, recuperado em
novembro de 2024. A cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 93,1%
em 2025, abaixo da meta de 95%.
O projeto
Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como
objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.
Fonte _ Folha/SP
domingo, 11 de outubro de 2026
Diagnóstico tardio e dificuldade para erradicar bactéria H. pylori elevam mortes por câncer de estômago
Há
duas décadas, o câncer
de estômago (ou gástrico) mata mais de 12 mil pessoas por ano no
Brasil, e a mais recente projeção do Inca
(Instituto Nacional de Câncer) aponta para uma elevação de casos até 2028,
resultando em mais mortes.
As
estimativas indicam 22,5 mil novos diagnósticos por ano no triênio iniciado em
2026, o terceiro ajuste seguido para cima nas projeções. Nos triênios 2020-2022
e 2023-2025, elas foram de 21,2 mil e 21,4 mil, respectivamente.
A
tendência de alta deve se perpetuar no país pelos próximos anos, segundo
especialistas, na esteira da maior
prevalência da obesidade e do envelhecimento
da população, mas sobretudo pela dificuldade de erradicar a bactéria H. pylori,
principal causa da patologia no mundo.
Um
problema, a julgar pela alta taxa de mortalidade para este tipo de câncer, que
passa dos 60%. O crescimento de casos ocorre enquanto os recursos para
erradicar a H. pylori ainda são escassos, o que mantém as infecções e
eleva a curva de óbitos. O fenômeno já é observado nos últimos 20 anos.
Dados do Inca mostram que, em 2005, 12.435 pessoas morreram por câncer gástrico. Em 2007 foram 13 mil mortes, e 14,1 mil em 2013. Em 2019, alcançou o patamar de 15,1 mil. Em 2024, último ano registrado na base de dados, foram 14,9 mil mortes.
Segundo
o gastroenterologista James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de
Gastroenterologia, a alta taxa de mortalidade está associada ao diagnóstico
tardio. Ele afirma que a condição é silenciosa e as doenças gástricas
são muitas vezes negligenciadas pela população. Além disso, o SUS (Sistema
Único de Saúde)
não consegue monitorar e tratar a infecção pela H. pylori.
"O
câncer de estômago não causa sintomas em grande parte dos acometidos. As
pessoas chegam ao consultório suspeitando de anemia,
problemas gástricos menos relevantes, e já têm o quadro avançado", afirma
Marinho.
Câncer
de estômago é cada vez mais comum em adultos jovens
Imunoterapia
com células CAR-T é aprovada em estudo de fase 2 para câncer gástrico
Açúcar
e sal são vilões na relação entre alimentação e câncer no estômago
Obesidade
avança 118% no Brasil e desafia metas de controle da doença, aponta Vigitel
Empresário
Bryan Johnson revela diagnóstico de gastrite autoimune; entenda a doença
"Estima-se
que 70% da população brasileira tenha infecção com H. pylori. Isso é
apenas uma estimativa, o sistema público não tem condições de oferecer
endoscopia para todo esse contingente, nem exames menos invasivos",
explica.
A H.
pylori é responsável por 78% da carga de câncer gástrico no Brasil, segundo
um estudo que combinou a prevalência estimada da bactéria na população
com o risco associado à infecção.
O
contágio pela H. pylori ocorre por más condições sanitárias e falta de saneamento
básico. Por isso, ela é mais prevalente em países pobres e populações
em vulnerabilidade socioeconômica.
"A
contaminação ocorre sobretudo pelo contato da água com dejetos. Se analisarmos,
por exemplo, comunidades que vivem à beira de córregos poluídos, é muito
provável que a maioria esteja com a bactéria", diz o endoscopista e
gastroenterologista Ismael Maguilnik.
A
partir da infecção, a bactéria causa o que se chama de cascata de Pelayo
Correa, uma sequência de alterações que podem ocorrer no estômago ao longo dos
anos, resultando, em parte dos casos, no câncer gástrico.
A
infecção provoca inflamação da mucosa do estômago
(gastrite crônica). Com a persistência, podem surgir atrofia da mucosa,
metaplasia intestinal (alteração celular em que o revestimento interno do
estômago ou do esôfago muda e passa a se parecer com o tecido do intestino) e,
posteriormente, displasia, considerada uma alteração pré-cancerosa.
Em
alguns pacientes, essa sequência pode culminar no adenocarcinoma gástrico, o
tipo mais comum de câncer de estômago.
Embora
a H. pylori seja a principal responsável pelo câncer gástrico, outros
fatores podem contribuir para o surgimento da patologia. O consumo de alimentos
ricos
em sal é um deles, em que pesa a forte presença dos ultraprocessados
na dieta global.
"Esses
alimentos têm uma grande quantidade de sal e defumados, agressores do tecido
gástrico. Portanto, nem sempre a H. pylori vai resultar no câncer
sozinha, ela vai ter como aliados os hábitos ruins que o sujeito adquire ao
longo da vida", explica Maguilnik.
Outros
fatores de risco associados ao surgimento de cânceres no estômago são tabagismo
e consumo de bebida
alcoólica.
Entre
doenças
crônicas, a obesidade
–galopante no Brasil segundo
pesquisas recentes– também é uma comorbidade facilitadora.
Maguilnik
diz que um teste respiratório à base de carbono 13, não radiativo, seria uma
boa solução para identificar precocemente a H. pylori no estômago e dar
início ao tratamento.
"Essa
é uma luta nossa para tentar convencer as autoridades, seria um grande recurso
e se trata de um procedimento não invasivo. Fazer endoscopia em toda a
população é um sonho quase impossível", diz.
Segundo
o Ministério
da Saúde, não há, até o momento, pedido de incorporação e avaliação da
tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS
(Conitec).
De
acordo com o médico, também existem testes feitos a partir de antígeno nas
fezes, mas com alto índice de negativos.
Para
frear o aumento, os especialistas afirmam que é necessário erradicar a H.
pylori, o que esbarra no problema de diagnóstico.
Mas
não só. Ainda não está claro qual é o tratamento mais eficaz para combater a
bactéria uma vez identificada.
Geralmente,
o tratamento é feito com combinações de antibióticos
associados a um medicamento que reduz a acidez do estômago. Entre os
antibióticos usados estão amoxicilina, claritromicina, metronidazol e
tetraciclina.
A
escolha depende do esquema indicado, de alergias e, cada vez mais, do perfil de
resistência
da bactéria.
A
resistência a alguns antibióticos, contudo, tem aumentado, por isso as
diretrizes mais recentes recomendam evitar esses medicamentos quando não há
evidência de que a bactéria seja sensível a eles.
"Os
antibióticos constituem a ferramenta que temos por ora, mas para isso
precisamos encontrar os pacientes antes da metaplasia e da neoplasia", diz
Maguilnik.
"Sem
controlar a infecção, não vamos diminuir o câncer gástrico. É preciso também
conscientizar as pessoas sobre o consumo de sal, ultraprocessados, álcool e
cigarro. Ou os números continuarão em alta", afirma Marinho.
Os
especialistas recomendam àqueles com histórico de câncer gástrico na família o
início do rastreamento aos 30 anos. Para pessoas sem histórico familiar ou
problemas gástricos, a recomendação é aos 40 anos.
Outras
medidas, como reforçar higienização de alimentos e das mãos e evitar contato
com água de qualidade desconhecida são úteis, embora não resolvam a situação.
O
Ministério da Saúde afirmou ainda que, neste ano, começam a ser
disponibilizados 23 novos medicamentos para tratamento do câncer, o que
representa um aumento de 35% na oferta na rede pública de saúde. "Entre
esses medicamentos está o trastuzumabe, que pode reduzir ou eliminar os tumores
de câncer de estômago HER2 positivo em até 50% dos casos."
O projeto
Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como
objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.
Fonte _ Folha/SP
sábado, 10 de outubro de 2026
Testes de saliva e de sangue buscam detectar endometriose sem cirurgia
Obter
um diagnóstico de endometriose
é notoriamente difícil.
Em
média, leva de sete a nove anos, e muitas pacientes
ouvem que sua dor excruciante é apenas uma cólica menstrual normal ou coisa da
cabeça delas. Mesmo quando encontram um médico disposto a ajudar,
muitas precisam passar por cirurgia para confirmar o diagnóstico, porque os
exames de imagem não detectam a doença de forma confiável. Estima-se que a
doença, na qual um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele,
afete pelo menos 1
em cada dez mulheres em idade reprodutiva.
Para
muitas, um teste não invasivo confiável seria o santo graal. Agora, várias
startups afirmam tê-lo encontrado e oferecem o diagnóstico de endometriose por
meio da análise de moléculas de RNA na saliva, proteínas no sangue ou sinais
elétricos no trato gastrointestinal.
"A
premissa é boa, porque atualmente o padrão de atendimento é invasivo", diz
Ja Hyun Shin, especialista em cirurgia ginecológica da Weill Cornell Medicine.
Mas,
até agora, segundo ela e outros especialistas, as evidências sobre os novos
testes se limitam a estudos pequenos, com pacientes que talvez não sejam
representativas da população em geral.
Katherine
Burns, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de
Cincinnati, que
estuda endometriose e também tem a doença, diz entender a ansiedade
das pacientes: ela sofreu por cerca de 10 anos sem diagnóstico e teria tentado
qualquer coisa para obter respostas e alívio. "Mas uma das coisas que
aprendi ao longo do caminho é que é preciso fazer perguntas", afirmou.
Veja
o que sabemos sobre os novos testes.
O
que está sendo comercializado?
A
Food and Drug Administration (FDA), agência
reguladora dos Estados Unidos, não aprovou nenhum teste não invasivo para
endometriose. Mas várias empresas oferecem produtos "apenas para fins de
pesquisa" ou por meio de uma brecha regulatória que a FDA tentou, sem
sucesso, fechar.
Às
vezes, a endometriose aparece em ressonâncias magnéticas ou ultrassonografias,
mas muitas vezes isso não acontece. Assim, para muitas mulheres, a única forma
de obter um diagnóstico definitivo é um cirurgião procurar lesões e realizar
biópsias. A premissa dos novos testes é que eles podem detectar biomarcadores —
isto é, alterações em fluidos ou funções do organismo — associados à doença.
Um
deles, chamado Endotest, analisa a saliva em busca de um padrão de microRNAs,
moléculas envolvidas na regulação dos genes. Outro, o EndoSure, mede a
atividade elétrica gastrointestinal. Um terceiro, o EndomTest, procura duas
proteínas no sangue. Cada teste é respaldado por pelo menos um estudo revisado
por pares, conduzido ou financiado por seu fabricante.
Um
quarto teste, da Xella Health, usa um algoritmo proprietário de inteligência
artificial para analisar biomarcadores sanguíneos, sintomas e histórico médico
e estimar o risco de endometriose, mas sua precisão não foi avaliada
publicamente. A Xella também está desenvolvendo um teste com fluido menstrual,
baseado, até o momento, em uma análise não publicada de 28 amostras — número
insuficiente para tirar conclusões, considerando o quanto a endometriose pode
variar de uma paciente para outra, segundo Stacey Missmer, professora de saúde da mulher da
Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan.
'Não sou louca': como mulheres enfrentam até 20 anos de dor
pélvica devido a preconceito
Endometriose atinge uma em cada dez mulheres no mundo e causa
dor severa
Planos de saúde passam a cobrir DIU hormonal contra
endometriose
Ciclo menstrual irregular pode indicar Somp; saiba como a
condição afeta o corpo
Entenda por que meninos e homens devem falar sobre menstruação
Quais
são as evidências?
Os
estudos iniciais do Endotest e do EndoSure constataram que eles identificaram
corretamente mais de 90% das pessoas com e sem endometriose. Mas os estudos
tinham limitações, segundo muitos especialistas, entre elas o tamanho, os tipos
de pacientes e o fato de terem sido financiados ou conduzidos pelos fabricantes
dos produtos.
O
principal estudo do Endotest envolveu 971 pacientes; o do EndoSure, 154. Nos
dois casos, a maioria tinha endometriose. Os testes podem apresentar um
desempenho enganosamente bom em populações de "alta prevalência" como
essas, porque há poucas oportunidades de diagnosticar equivocadamente pessoas
que têm outras condições, diz Tamer Seckin, cirurgião especializado em
endometriose e fundador da Endometriosis Foundation of America.
Um
estudo recente do Endotest realizado por pesquisadores independentes encontrou
resultados menos expressivos, mas era pequeno e foi conduzido com uma população
pouco representativa. Dois estudos pequenos realizados na Bélgica e no Brasil
também analisaram o EndoSure, mas ainda não passaram por revisão por pares e
incluíram tão poucas pessoas sem endometriose que os pesquisadores não
conseguiram estimar de forma confiável a eficácia do teste para identificá-las
corretamente.
A
Ziwig, fabricante do Endotest, afirmou que estavam em andamento "estudos
prospectivos em condições reais envolvendo até 25.000 mulheres". Mark
Noar, presidente-executivo do EndoSure, disse que a empresa também estava
realizando estudos com populações mais amplas.
Muitos
especialistas disseram considerar promissora a tecnologia de microRNA por trás
do Endotest, embora ainda não esteja aperfeiçoada. Embora não haja muitos
estudos sobre o Endotest, o potencial geral dos microRNAs como biomarcadores
foi mais estudado.
As
evidências sobre a tecnologia do EndoSure, que analisa sinais elétricos
intestinais, são mais preliminares, segundo Seckin, Shin e Ted Lee, diretor de
cirurgia ginecológica minimamente invasiva da NYU Langone Health.
Christine
Metz, professora dos Feinstein Institutes for Medical Research, da Northwell
Health, disse que o estudo inicial do EndoSure era promissor. Mas Metz observou
que diversas doenças, medicamentos e outros fatores podem afetar a motilidade
intestinal; por isso, são necessárias mais pesquisas para confirmar se os
sinais medidos pelo EndoSure são específicos da endometriose.
Quanto
ao EndomTest, a opção baseada em proteínas, um pequeno estudo realizado por seu
desenvolvedor mostrou quase nenhum falso positivo, mas muitos falsos negativos:
ele identificou apenas 46,2% das pessoas com endometriose. Andrew Levin, CEO da
empresa que licenciou o teste, diz que outros estudos estavam em andamento. E,
apesar da ausência de falsos positivos no estudo, o teste se baseia, em parte,
em uma proteína cujos níveis aumentam em muitas doenças. A empresa afirma que a
análise conjunta de duas proteínas torna o teste mais preciso, mas Seckin e
Missmer se mostraram céticos.
O
que vem a seguir?
É
possível que um teste atualmente disponível no mercado — ou uma versão
modificada dele — seja validado dentro de alguns anos.
"Considero
essas iniciativas primeiros passos muito promissores", diz Beyaz.
Enquanto
isso, os especialistas enfatizaram que os médicos podem ter segurança de que
muitas pacientes têm endometriose com base nos sintomas e no exame físico e
tratá-las de acordo com essa avaliação. "Poderíamos fazer muito, muito
melhor desde já se simplesmente ouvíssemos nossas pacientes", diz Hugh
Taylor, professor e chefe do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e
Ciências Reprodutivas da Faculdade de Medicina de Yale, que estuda o microRNA
como marcador de endometriose.
Os
novos testes talvez sejam mais úteis para pacientes cujos sintomas são
ambíguos, como aquelas com infertilidade
sem causa aparente, mas sem dor, ou adolescentes com sintomas leves que
possam ser sinais iniciais de endometriose.
Além
do Endotest, um grande ensaio clínico está avaliando um exame de sangue de
microRNA chamado DotEndo, baseado nas pesquisas de Taylor. Taylor integra o
conselho consultivo científico da empresa. O ensaio foi elaborado em consulta
com a FDA, disse Heather Bowerman, fundadora e CEO da DotLab, fabricante do
teste. Se os resultados forem bons, afirmou ela, a DotLab poderá solicitar a
aprovação da FDA já em 2027, embora ainda não tenha decidido qual caminho
regulatório seguirá.
Ao
mesmo tempo, novas descobertas ressaltam o quanto os pesquisadores talvez ainda
desconheçam.
Um
artigo recente da equipe de Taylor foi um dos primeiros a relatar que
adolescentes com endometriose em estágio inicial podem apresentar marcadores de
microRNA diferentes dos observados em adultas. Isso pode significar que sejam
necessários testes diferentes, diz a autora principal, Alla Vash-Margita,
professora associada de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas de
Yale.
Taylor
diz acreditar que "teremos métodos não invasivos de diagnóstico da
endometriose em um futuro próximo". Mas acrescenta: "É difícil saber
se algum dos que estamos vendo agora será o melhor teste".
Fonte _ Folha/SP
Anvisa libera testes em humanos de vacina brasileira contra malária
A
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o início dos testes
em humanos da Vivaxin, vacina contra a malária vivax, causada pelo Plasmodium
vivax. O imunizante é desenvolvido pelo Centro de Tecnologia de Vacinas
(CTVacinas) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Segundo
o Ministério da Saúde,
trata-se da primeira vacina do mundo contra essa espécie do parasita,
responsável pela maioria dos casos no Brasil —em 2025, foram 118.037 registros.
A fase
1 vai avaliar a segurança do imunizante e a capacidade de estimular
resposta imunológica em 48 voluntários de 18 a 59 anos, sem infecção prévia,
acompanhados por 360 dias. A pasta prevê investimento de R$ 12 milhões para as
três fases de ensaios clínicos.
As
duas vacinas disponíveis hoje contra a malária foram criadas para proteger
contra o P. falciparum, predominante na África. O P. vivax prevalece
nas Américas e na Ásia.
O
projeto foi apresentado neste sábado (10) pelo ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, em visita ao CTVacinas, que integra o Centro Nacional de
Vacinas (CNVacinas). O ministério prevê, ainda, investir R$ 161,5 milhões em
projetos de imunizantes e testes inovadores liderados pela unidade ou em
parceria.
"O
início do estudo clínico desta vacina, desenvolvida integralmente em uma
universidade pública brasileira, representa um avanço na busca por novas
ferramentas de enfrentamento à doença", disse Padilha.
Além
da vacina contra a malária, o centro trabalha em outros projetos, como no
desenvolvimento de vacina terapêutica para doença de Chagas, vacina para Mpox,
vacina nasal contra a Covid-19 e testes rápidos de diagnóstico.
Fonte _ Folha/SP
Brasil avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra malária vivax
Brasil
avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra a malária causada
pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no
país. Neste sábado (10), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da
apresentação do estudo, que recebeu autorização da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes em humanos. O imunizante, chamado de
Vivaxin, é fruto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas
(CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia é 100%
nacional, com incentivo previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para
os ensaios clínicos de fases I, II e III.
“O
país tem conseguido reduzir os casos e os óbitos por malária, mas a doença
ainda é um problema importante para o país e para o mundo. O início do estudo
clínico dessa vacina, desenvolvida integralmente em uma universidade pública
brasileira, representa um avanço na busca por novas ferramentas de
enfrentamento à doença e reforça a capacidade do Brasil de desenvolver soluções
científicas próprias para ampliar a proteção da população”, destacou o
ministro.
O
estudo clínico de fase I avaliará a segurança da vacina, possíveis reações à
aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em 48
participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O
acompanhamento clínico será feito por 360 dias. O avanço na pesquisa da
tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de
prevenção contra a doença, que, em 2025, registrou 118.037 casos no território
nacional. As duas vacinas contra malária recomendadas atualmente foram
desenvolvidas para outra espécie do parasita, o Plasmodium falciparum,
predominante na África. O P. vivax predomina nas Américas e na Ásia.
O CTVacinas integra o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), um complexo científico estratégico para ampliar a capacidade do país de desenvolver vacinas e outras tecnologias de saúde. A previsão de investimento do Ministério da Saúde é de R$ 161,5 milhões em projetos para o desenvolvimento de imunizantes e testes inovadores, liderados pela unidade ou em parceria, por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), sendo R$ 135,5 milhões destinados a projetos do próprio Centro.
Além
da vacina contra a malária, o CTVacinas atua em outros projetos: uma plataforma
de testes rápidos para diagnóstico de emergências sanitárias e agravos críticos
para o SUS e sua validação por meio da produção de um TR para hepatite delta;
vacina terapêutica para doença de Chagas; desenvolvimento de testes
diagnósticos para malária e leishmaniose tegumentar; vacina para MPox baseada
no vírus MVA; e vacina nasal de nanopartículas, para o controle da covid-19.
A
unidade também atua para ampliar a capacidade brasileira em tecnologias de RNA
mensageiro, uma plataforma na qual as instruções utilizadas para estimular o
sistema imunológico podem ser modificadas de acordo com o agente infeccioso ou
a doença que se pretende combater. O CTVacinas foi aprovado como Centro de
Competência em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), em uma parceria entre
o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial
(Embrapii), com R$ 60 milhões para quatro anos.
FarmaVax
Durante
a visita do ministro Alexandre Padilha, também foi firmado um acordo entre a
Hemobrás, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), a
FarmaVax, unidade EMBRAPII de Inovação de Fármacos e Vacinas da UFMG – da qual
o CTVacinas faz parte – e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP)
para pesquisa, desenvolvimento e inovação. O projeto, com investimento de R$ 5
milhões e vigência de 12 meses, prevê o desenvolvimento de terapia genética
para hemofilias A e B utilizando sistemas avançados de entrega por
nanopartículas. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6
milhão pela EMBRAPII e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.
A
iniciativa integra os esforços para fortalecer a capacidade nacional de
desenvolver e produzir medicamentos biológicos estratégicos para o SUS. No caso
do emicizumabe, medicamento biológico utilizado no tratamento da hemofilia A,
está em avaliação uma proposta de armazenamento do Banco de Células Mestre na
unidade da empresa na Basileia, na Suíça, com garantias de acesso e
fornecimento para viabilizar a transferência de tecnologia e a produção
nacional. O arranjo definitivo deverá assegurar a absorção tecnológica pela
Hemobrás.
Hospital
Santa Rita é referência em alta complexidade cardiovascular
Em
Contagem (MG), o ministro visita a hemodinâmica do Hospital Santa Rita,
referência regional no diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares e
vasculares de alta complexidade, com suporte cardiológico 24 horas. Entre os
procedimentos ofertados estão cateterismos, angioplastias, ablação de arritmias
e implantes de marcapasso.
Entre
2023 e 2026, a unidade registrou 20.778 atendimentos e internações pelo SUS,
sendo 8.750 (42%) em 2026, ano em que iniciou a assistência de alta
complexidade cardiovascular, após habilitação pelo Ministério da Saúde, em
dezembro de 2025.
A
estrutura conta com 163 leitos, dos quais 62 são destinados ao SUS. A oferta
inclui leitos clínicos, cirúrgicos e de UTI para pacientes da rede pública.
Fonte _ Saúde.gov
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
InfoGripe alerta para a importância da vacinação contra Covid-19 e VSR
Divulgado
nesta quinta-feira (8/10), o
novo Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, os
casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam
sinal de oscilação ou estabilização nas últimas seis semanas e de crescimento
na tendência de curto prazo nas últimas três semanas. Em relação aos casos de
SRAG por vírus respiratório, observa-se que o rinovírus,
metapneumovírus e Sars-CoV-2 apresentam tendência
de aumento em nível nacional. No entanto, os novos casos semanais de SRAG por
Covid-19 ainda estão baixos no país.
Segundo
os pesquisadores do InfoGripe, “apesar da baixa de casos de SRAG na
maior parte do país, é importante que a população prioritária verifique se está
em dia com a vacinação contra a Covid-19. No caso das gestantes, é fundamental
também se vacinar contra o VSR”, ressaltam. Em nível nacional, observa-se um
leve sinal de retomada do crescimento dos casos de SRAG nas crianças e
adolescentes de 2 a 14 anos e estabilização dos casos nas demais faixas
etárias.
“Os casos de SRAG por rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento em nível nacional. Contudo, os novos casos semanais de SRAG por Covid-19 ainda estão baixos. As ocorrências de SRAG por VSR e influenza B estão em queda e as hospitalizações por influenza A estão estáveis em níveis baixos de incidência”, informam os pesquisadores.
Estados
e capitais
Em
nível regional, observa-se que 3 das 27 unidades federativas - Alagoas, Roraima
e Sergipe - apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto
risco nas últimas duas semanas com indícios de crescimento nas últimas seis
semanas até a Semana Epidemiológica 39.
Segundo
a atualização, o aumento de SRAG nesses estados ocorre principalmente em
crianças e adolescentes. Em Alagoas e Sergipe esse incremento está associado ao
metapneumovírus. Em Roraima, ainda não há dados suficientes para determinar o
vírus responsável.
O
estudo aponta ainda que cinco unidades também apresentam incidência de SRAG em
níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na
tendência de longo prazo: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande
do Sul e Santa Catarina.
Cinco
das 27 capitais - Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória -
apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas
últimas duas semanas, com sinal de crescimento de SRAG nas últimas seis
semanas, até a Semana 39.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 2,7% de influenza A, 6,5% de influenza B, 15,8% de vírus sincicial
respiratório, 52,5% de rinovírus e 4,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 10,9% de influenza A, 14,7% de influenza B, 15,5% de vírus
sincicial respiratório, 37,2% de rinovírus e 9,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Os
casos notificados de SRAG sinalizam estabilização ou oscilação nas últimas 6
semanas e crescimento na tendência de curto prazo nas últimas três semanas.
No
ano epidemiológico 2026 já foram notificados 161.053 casos de SRAG, sendo
86.534 (53,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 58.143 (36,1%) negativos e cerca de 7.270 (4,5%) aguardando
resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se
16,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 40% de vírus sincicial respiratório,
32,5% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Os
casos de SRAG por metapneumovírus têm aumentado em diversos estados das regiões
Sul (Paraná e Santa Catarina), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito
Santo), Nordeste (Alagoas, Bahia, Paraíba. Pernambuco e Sergipe) e no Mato
Grosso do Sul. Os casos de SRAG por rinovírus têm aumentado no Acre,
Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul
e Santa Catarina. Em relação à Covid-19, há um leve sinal de aumento dos casos
graves no Acre, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e em São
Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência.
Incidência
e mortalidade
A
incidência e mortalidade semanal média - nas últimas oito semanas
epidemiológicas - mantém o cenário típico de maior impacto nos extremos das
faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais
elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade temos o inverso, com
a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao rinovírus, VSR e metapneumovírus. Já a mortalidade é maior
entre os idosos, tendo como principal causa o VSR, rinovírus e influenza A. O
VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas
crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as
faixas etárias.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham
as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é
permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao
cidadão".
Fonte _ FioCruz
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Ministério da Saúde apresenta campanha com orientações sobre acesso a consultas, exames e cirurgias pelo SUS
Ministério
da Saúde divulgou a Campanha Nacional de Atendimento Especializado, que
reúne orientações sobre como buscar consultas, exames e cirurgias pelo SUS. O
conteúdo apresenta o caminho para o atendimento especializado, desde a busca
por atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) até o
encaminhamento para os serviços disponíveis, por meio do Agora Tem Especialistas,
criado pela Lei nº 15.233/2025.
A
ação é voltada a pessoas que precisam de avaliação, acompanhamento, exames ou
procedimentos especializados. As informações ajudam a identificar quando buscar
atendimento e explicam as etapas do cuidado na rede pública, incluindo
consultas, exames, acompanhamento e procedimentos.
Entre os sinais que merecem atenção estão mal-estar, dor de cabeça persistente e vista embaçada. Quem apresenta sintomas ou precisa realizar exames preventivos deve procurar uma UBS ou acessar os serviços disponíveis pelo Meu SUS Digital.
Na
UBS, o paciente é avaliado e, quando há indicação clínica, a central de
regulação da secretaria de saúde do município faz o encaminhamento para o
serviço adequado. Conforme a necessidade, o cuidado pode incluir consulta com
especialista, exames para investigar ou confirmar um diagnóstico,
acompanhamento ou cirurgia. Quem tiver indicação de procedimento cirúrgico pode
acompanhar pelo Meu SUS Digital a posição na fila e a confirmação da
cirurgia.
Na
oncologia, a rede especializada oferece serviços de investigação, diagnóstico e
tratamento, incluindo unidades habilitadas para assistência de alta
complexidade e radioterapia.
Como
funciona o acesso
Na
UBS, o paciente passa por avaliação e, quando há indicação clínica, a central
de regulação da secretaria de saúde do município encaminha o cidadão para o
serviço especializado adequado.
O
atendimento pode envolver diferentes etapas, conforme a necessidade de cada
pessoa, como consulta com especialista, exames para investigar ou confirmar o
diagnóstico, acompanhamento ou procedimento cirúrgico.
Quem
tiver indicação de cirurgia também pode acompanhar pelo Meu SUS Digital
informações sobre sua posição na fila e a confirmação do procedimento.
Pacientes
que residem a mais de 50 km de um centro de tratamento têm à disposição
transporte de ida e volta, com acompanhante, em vans, micro-ônibus e
ambulâncias para casos mais delicados. São 3,3 mil veículos destinados a todos
os estados do país.
Telessaúde
e Carretas da Saúde
Entre
os serviços disponíveis está a Telessaúde, que permite a realização
de teleconsultas e telediagnósticos. A modalidade possibilita que parte do
cuidado seja feita a distância, conectando pacientes e profissionais para
investigação e acompanhamento de diferentes condições de saúde.
Os
Núcleos de Telessaúde do SUS estão presentes em 4,4 mil municípios de 27
unidades da federação, com atendimentos em 62 especialidades, incluindo
diagnóstico remoto em tele-eletrocardiograma, dermatologia e oftalmologia. Ao
todo, mais de 10,3 milhões de procedimentos foram realizados desde o início de
2025. A estrutura terá o reforço de 7 mil kits de equipamentos para
teleatendimento em UBS de 4,5 mil municípios.
A
população também pode ser encaminhada para atendimento nas Carretas da Saúde do
Agora Tem Especialistas, unidades móveis que oferecem serviços especializados
em diferentes regiões do país. As carretas de exames de imagem realizam, por
exemplo, tomografias e ultrassonografias. As unidades de oftalmologia oferecem
avaliações, exames para doenças dos olhos e cirurgias de catarata. Já as
voltadas à saúde da mulher realizam mamografias, ultrassonografias pélvicas e
transvaginais, biópsias e consultas com especialistas.
As
unidades móveis atendem regiões onde há menor oferta de serviços
especializados. Até o final do ano, serão 150 carretas circulando por todas as
regiões do país, com novas especialidades disponíveis, como cardiologia e saúde bucal. As carretas realizaram
mais de 1,2 milhão de procedimentos, com 458 mil pessoas atendidas em 4.249
municípios brasileiros, 76,2% do total de cidades do país.
Atendimento
em hospitais privados e filantrópicos
Outra
opção de atendimento especializado pelo SUS é o encaminhamento de pacientes
para hospitais privados e filantrópicos que participam do Agora Tem
Especialistas. A indicação e o encaminhamento são feitos pela regulação
estadual ou municipal, e o atendimento é gratuito para o paciente.
Os
hospitais que aderiram ao programa podem receber créditos financeiros, que são
trocados por abatimento de impostos federais. Atualmente, 312 instituições em
21 estados atendem pacientes em especialidades como cardiologia, oftalmologia,
ortopedia, oncologia, ginecologia e Terapia Renal Substitutiva. Ao todo, estão
previstos cerca de 793 mil procedimentos.
Fonte _ Saúde.gov










