Primeiro
lote do remédio começa a chegar a territórios indígenas da Amazônia
O
Brasil começou a oferecer um novo tratamento contra a malária para
crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e se tornou o primeiro país do mundo
a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg. O medicamento
é indicado para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg e tem como objetivo
ampliar o controle da doença, que atinge de forma expressiva o público
infantil.
De
acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 50% dos casos de malária registrados
no país ocorrem entre crianças e adolescentes. Até então, desde 2024, a
tafenoquina estava disponível no SUS apenas para jovens e adultos a partir de
16 anos.
A
distribuição do novo medicamento começou nesta semana e será feita de forma
gradual, com prioridade para áreas da Amazônia com maior incidência da doença,
sobretudo territórios indígenas. O primeiro lote prevê a entrega de 126.120
comprimidos da formulação pediátrica, com investimento de cerca de R$ 970 mil.
Segundo
o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, a
incorporação da nova apresentação amplia o acesso a tratamentos mais eficazes e
reforça as estratégias de combate à doença em regiões vulneráveis.
“Esse
é mais um exemplo da potência do Sistema Único de Saúde ao incorporar um
medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os
casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência
sanitária”, afirmou.
Inicialmente,
64.800 comprimidos serão destinados a regiões com maior incidência da doença.
Entre os locais prioritários estão os Distritos Sanitários Especiais Indígenas
(DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio
Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de metade dos
casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.
O
primeiro território a receber o medicamento será o DSEI Yanomami, que terá
14.550 comprimidos da nova formulação. Em 2024, a região também foi a primeira
do país a receber a tafenoquina de 150 mg, voltada a pacientes com mais de 16
anos, como parte de uma estratégia para reforçar o tratamento nas áreas mais
afetadas pela doença.
Dose
única busca aumentar adesão ao tratamento
A
nova apresentação da tafenoquina representa uma mudança importante no
tratamento da malária causada pelo Plasmodium vivax, espécie
responsável por mais de 80% dos casos registrados no Brasil.
O
medicamento é administrado em dose única, o que tende a facilitar o tratamento
em comparação ao esquema anterior, que exigia até 14 dias de medicação. A
estratégia busca melhorar a adesão dos pacientes, especialmente entre crianças,
e reduzir as chances de recaída.
Além
da praticidade, a formulação pediátrica permite ajustar a dose de acordo com o
peso da criança, o que aumenta a eficácia do tratamento. A medida também
contribui para eliminar o parasita do organismo e interromper a cadeia de
transmissão da doença.
Para
garantir a aplicação segura do medicamento, o Ministério da Saúde iniciou
treinamentos com profissionais que atuam nos Distritos Sanitários Especiais
Indígenas. Nesta primeira etapa, cerca de 250 trabalhadores da saúde serão
capacitados para administrar o tratamento e acompanhar os pacientes.
A
tafenoquina pediátrica foi incorporada ao SUS por meio da Portaria nº 64,
publicada em setembro de 2025, após o registro da nova formulação de 50 mg na
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento passou a ser
indicado para pessoas com malária por Plasmodium vivax com peso acima de 10 kg,
desde que não estejam grávidas ou em período de amamentação.
A
mudança representa um avanço no enfrentamento da doença no país, sobretudo em
regiões remotas, onde a continuidade do tratamento costuma ser dificultada por
fatores como distância das unidades de saúde e condições de acesso.
A
malária permanece como um dos principais desafios de saúde pública na região
Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas,
onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade das populações.
Nos
últimos anos, o Ministério da Saúde tem ampliado as estratégias de combate à
doença, com ações como reforço das equipes de saúde, contratação de
profissionais especializados, ampliação do uso de testes rápidos de diagnóstico
e distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração.
Dados
do governo indicam que, entre 2023 e 2025, o território Yanomami registrou
aumento de 103,7% na realização de testes para malária e crescimento de 116,6%
no número de diagnósticos. No mesmo período, houve redução de 70% nas mortes
provocadas pela doença.
A
malária também integra o Programa Brasil Saudável, iniciativa do governo
federal que reúne 14 ministérios e parceiros institucionais para enfrentar
doenças associadas a condições de vulnerabilidade social e ambiental.
Em
2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com
redução de 15% em relação ao ano anterior. Nas áreas indígenas, a queda foi de
16% no mesmo período. Também houve redução de 30% nos casos provocados pelo
Plasmodium falciparum, protozoário responsável pela forma mais grave da doença.
Autoridades
de saúde avaliam que a ampliação do acesso a tratamentos mais simples e
eficazes, aliada ao diagnóstico precoce e às ações de prevenção, pode acelerar
a redução dos casos nos próximos anos, sobretudo nas regiões mais afetadas pela
doença.
Fonte _ Band

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