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poluído na região central da cidade de São Paulo durante onda de calor e
queimadas em setembro de 2024, quando havia influência do El Niño - Danilo
Verpa - 12.set.24/Folhapress
A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) publicou um relatório que alerta para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a saúde da população nas Américas em 2026 e no início de 2027.
Segundo
o documento, a combinação de secas, enchentes, ondas de calor e incêndios
florestais pode aumentar o risco de doenças infecciosas, agravar doenças
crônicas, ampliar problemas de saúde mental e
pressionar os sistemas de saúde da região.
Publicado
no último dia 7, o relatório diz que a intensidade dos impactos dependerá das
condições climáticas locais, da vulnerabilidade das populações e da capacidade
de resposta de cada país.
Entre
as principais preocupações estão as doenças transmissíveis. O documento aponta
que alterações na temperatura e no regime de chuvas podem favorecer a
disseminação de doenças transmitidas pela água, como cólera,
além de ampliar a circulação de vetores responsáveis por enfermidades
como dengue, zika, chikungunya,
malária, febre amarela e
oropouche.
O
relatório também chama atenção para o impacto das ondas de calor e dos
incêndios florestais na saúde. Segundo a análise, temperaturas elevadas
aumentam o risco de estresse térmico, desidratação e exaustão por calor,
podendo também agravar doenças cardiovasculares e respiratórias.
A
fumaça de queimadas e
a piora da qualidade do ar podem elevar casos de asma, doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras condições
respiratórias, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com
doenças crônicas.
Quanto
à saúde mental, a Opas afirma que perdas econômicas, deslocamentos
populacionais, interrupção de serviços e incertezas provocadas por eventos
climáticos extremos podem aumentar a demanda por apoio psicossocial. O
documento também identifica maior risco de violência de gênero em cenários de
deslocamento, superlotação de abrigos e interrupção de serviços públicos.
A
análise destaca, ainda, efeitos indiretos como aumento da insegurança
alimentar, perdas de safras e maior risco de desnutrição, sobretudo entre
crianças menores de 5 anos, gestantes e populações em situação de
vulnerabilidade.
De
acordo com o documento, tanto secas como enchentes podem comprometer a produção
de alimentos, o abastecimento de água e o acesso aos serviços de saúde.
Outro
ponto de atenção é a infraestrutura de saúde. A Opas avaliou a vulnerabilidade
de 756 hospitais de emergência localizados em áreas potencialmente expostas a
inundações costeiras por eventual elevação do nível do mar. Além dos danos
físicos às unidades, o relatório cita o risco de interrupções no fornecimento
de medicamentos, insumos e outros recursos necessários para manter o
atendimento à população.
Para
reduzir os impactos, a Opas recomenda que governos fortaleçam a vigilância
epidemiológica para doenças sensíveis ao clima,
integrem informações meteorológicas e sanitárias para antecipar riscos e
ampliem o monitoramento nutricional de grupos vulneráveis.
Também
recomenda investimentos em abastecimento de água potável e saneamento, além da
adoção de alternativas como telessaúde e equipes móveis para evitar
interrupções no atendimento de pacientes com doenças crônicas.
Segundo
a Opas, a comunicação de riscos com as comunidades e a coordenação entre
diferentes setores também são fundamentais para reduzir os efeitos do El Niño
sobre a saúde pública.
Fonte _ Folha/SP

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