terça-feira, 24 de março de 2026

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Dia Mundial de Combate à Tuberculose: SIM, podemos acabar com a tuberculose

Dia Mundial de Combate à Tuberculose - 24 de Março

 


O Dia Mundial de Combate à Tuberculose é celebrado em 24 de março. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1982, em referência ao centenário da descoberta do bacilo causador da doença, anunciada pelo cientista Robert Koch em 24 de março de 1882.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria (bacilo) Mycobacterium tuberculosis. Embora atinja principalmente os pulmões, também pode afetar outros órgãos, como ossos, rins e meninges.

A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas eliminadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. A forma pulmonar é a mais comum e a principal responsável pela disseminação da doença.

Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 70 mil novos casos são registrados todos os anos no país, com aproximadamente 4,6 mil mortes associadas à doença.

Quais são os sintomas da tuberculose? 

Os sintomas mais comuns da tuberculose incluem:

- Tosse com ou sem secreção (catarro) por mais de quatro semanas;

- Cansaço excessivo;

- Baixa, geralmente no período da tarde;

- Suor noturno; 

- Falta de apetite;

- Palidez;

- Perda de peso;

- Fraqueza.

Cura e acompanhamento

A tuberculose tem cura, e o cuidado é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para alcançar a recuperação completa, é essencial seguir corretamente as orientações de saúde até o fim. O processo dura, em média, de seis meses a um ano e envolve o uso contínuo de antibióticos. Mesmo com a melhora dos sintomas nas primeiras semanas, a interrupção antes do prazo pode trazer consequências.

Um dos principais desafios no controle da doença é a baixa adesão ao tratamento. Quando o uso dos medicamentos é interrompido, há risco de surgimento da tuberculose multirresistente, forma mais grave que não responde aos remédios mais comuns e tem avançado em todo o mundo.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura, além de reduzir a transmissão e evitar complicações.

Prevenção

A principal forma de proteção na infância é a vacina BCG, que previne as formas mais graves da tuberculose. Além disso, é fundamental identificar os casos precocemente, garantir o acompanhamento adequado das pessoas infectadas e manter ambientes ventilados e arejados.

A tuberculose está diretamente ligada às desigualdades sociais, o que reforça a urgência de ampliar o acesso aos serviços de saúde e promover melhores condições de vida, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Semana Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose

No Brasil, além do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, ocorre, entre os dias 24 e 31 de março, a Semana Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose. A iniciativa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico oportuno e da continuidade do cuidado.


Qualificação profissional no enfrentamento da doença

Fortalecer o cuidado à população também passa pela qualificação dos profissionais de saúde. 
Na UNA-SUS, estão disponíveis dois cursos online, gratuitos e autoinstrucionais sobre a temática da tuberculose. As formações apoiam profissionais e equipes de saúde no enfrentamento da doença, com matrículas abertas até o dia 8 de junho de 2026:

- Introdução ao Diagnóstico Laboratorial de Tuberculose e Outras Micobacterioses 

Público-alvo: 
Profissionais de saúde e demais interessados no tema.

Carga horária:  30 horas

O curso tem como objetivo qualificar profissionais de saúde que atuam, ou desejam atuar, em laboratórios públicos ou privados, no diagnóstico laboratorial de tuberculose e de outras micobactérias não tuberculosas. Durante a formação, os participantes vão compreender as bases conceituais e práticas do funcionamento da rede de laboratórios voltados para o diagnóstico dessas doenças. Acesse aqui.

 

- Manejo da Coinfecção Tuberculose-HIV 

Público-alvo:

Profissionais de saúde de nível superior, especialmente aqueles que já atuam em serviços que prescrevem ou indicam antirretrovirais para pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA).

Carga horária:  60 horas

O curso tem como objetivo fornecer subsídios para que os profissionais de saúde atendam de forma integral e qualificada pessoas coinfectadas por tuberculose e HIV. Para isso, aborda aspectos clínicos, etiológicos e psicossociais da associação entre as doenças, além de apresentar os procedimentos operacionais e as rotinas necessárias para a organização dos serviços que atendem esse público.

O conteúdo inclui o manejo clínico da coinfecção, com foco especial no diagnóstico de tuberculose em pessoas vivendo com HIV, estratégias de apoio psicossocial e orientações sobre a organização dos serviços de saúde. Uma unidade adicional apresenta casos clínicos interativos que simulam situações reais, reforçando o aprendizado prático. Acesse aqui.

Fonte _ UNA-SUS

segunda-feira, 23 de março de 2026

Vacina contra o HPV: entenda por que a dose única é eficaz e pode ajudar a eliminar o câncer do colo do útero

 


A mudança mais recente na estratégia de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Brasil é a adoção do esquema de dose única para a faixa etária de 9 a 14 anos. Essa decisão do Ministério da Saúde não foi arbitrária: ela se baseia em um corpo crescente de evidências científicas robustas que mudam o jogo da prevenção.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicado recentemente na revista The Lancet, indicou que a vacina contra o HPV reduziu em 58% dos casos de câncer de colo de útero e em 67% as lesões pré-cancerosas (NIC3) no Brasil.

O estudo avaliou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2019 e 2023, de mais de 60 milhões de mulheres a cada ano, com idades entre 20 e 24 anos, para analisar o impacto da vacinação no Brasil. Apesar de a estratégia de dose única ainda não ter sido implementada nesta época, os pesquisadores avaliaram apenas a primeira dose oferecida na pesquisa. 

5 mitos sobre a vacina do HPV, única que protege contra o câncer de colo de útero
Butantan desmente 10 Fake News sobre a vacina do HPV
Vacina do HPV não acelera vida sexual, nem causa doenças ou muda DNA; desvende 8 mitos sobre o imunizante

“A adoção do esquema de dose única da vacina contra o HPV para crianças e adolescentes, principalmente na faixa etária de 9 a 14 anos, no Brasil, é uma decisão estratégica baseada em evidências robustas de eficácia e em objetivos de saúde pública para aumentar a cobertura vacinal e acelerar a eliminação do câncer do colo do útero”, esclarece o pediatra e gestor médico do Butantan Mário Bochembuzio.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), inclusive, se estende para pessoas de até 20 anos. Com base nisso, o Brasil, em 2025, passou a oferecer a dose única também para jovens de 15 a 19 anos. O grupo prioritário no país inclui ainda imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e pessoas com outras condições específicas, que podem receber a vacina até os 45 anos em um esquema de três doses, conforme disposição do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

“O impacto observado no Brasil confirma que a vacinação contra o HPV é eficaz não apenas em países de alta renda, mas também em contextos com recursos limitados. Esse é um passo fundamental rumo à eliminação global do câncer do colo do útero”, destacam os autores do estudo da Fiocruz Bahia, Thiago Cerqueira-Silva, Manoel Barral-Netto e Viviane Sampaio Boaventura.

Estudos mostram que dose única protege contra câncer de colo de útero

Outros estudos realizados em diferentes partes do mundo, como Costa Rica, Índia, Quênia e Tanzânia, demonstraram que uma única dose oferece um nível de proteção contra o câncer de colo do útero semelhante ao de esquemas com duas ou três doses para pessoas sem imunossupressão. 

A estratégia mundial para acelerar a eliminação do câncer do colo do útero, adotada em 2020, estabeleceu como meta que, até 2030, os países atinjam 90% de cobertura da vacinação contra HPV para meninas aos 15 anos de idade.

A imunização das garotas (atingindo alta cobertura, >80%) tem um efeito benéfico secundário ao reduzir o risco de infecção em meninos. É importante notar que a vacina também é recomendada para eles, conforme o calendário de vacinação de cada país.

Para pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas com HIV, o esquema vacinal é diferente, sendo recomendadas três doses, se possível, ou pelo menos duas doses (com intervalo de 6 meses).

Essa simplificação é um divisor de águas: facilita a logística de imunização, aumenta a cobertura e previne contra o câncer de colo do útero — o terceiro câncer mais mortal entre as brasileiras, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A seguir, estão os principais motivos que embasaram a adoção dessa nova política, conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e a decisão do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, abordadas pelo médico Mário Bochembuzio e na publicação “Controvérsias em Imunizações 2024”, publicado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBiM).

Evidências científicas robustas

O Grupo Consultivo Técnico sobre doenças imunopreveníveis (GTA) da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em reunião de maio de 2023, reforçou a abordagem simplificada, recomendando que os países garantissem que todas as meninas de 9 a 14 anos recebessem pelo menos uma dose da vacina contra o HPV.

A principal razão para a mudança foi a comprovação de que o esquema reduzido é altamente eficaz para a população sem comprometimento do sistema imune.

Estudos robustos demonstram que o esquema de dose única para pessoas de 9 a 20 anos, sem imunossupressão, fornece proteção contra o câncer do colo do útero semelhante à conferida por duas ou três doses.

Entre essas pesquisas está o CVT Trial na Costa Rica e o estudo da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), na Índia, que demonstraram que a dose única da vacina oferece um nível de proteção comparável ao esquema de três doses na prevenção de infecções por HPV 16/18. Essa proteção se mantém por pelo menos 10 anos após a vacinação.

O estudo KEN SHE (Quênia), por exemplo, mostrou uma eficácia de mais de 97% da dose única contra novas infecções persistentes pelos vírus HPV 16/18 em meninas e mulheres jovens africanas.

“Um ponto que foi levado em consideração para adotar essa estratégia é que a resposta sorológica após a vacinação (incluindo a dose única) é muito mais potente do que a resposta após a infecção natural, proporcionando uma proteção imunológica sólida de longo prazo”, esclarece Mario Bochembuzio.

“A vacina é mais eficaz quando administrada em meninas entre 9 e 14 anos. O objetivo é protegê-las antes que se tornem sexualmente ativas e entrem em contato com o vírus pela via sexual”, afirma o gestor médico do Butantan.


Aumento da cobertura vacinal

Segundo a OMS, a simplificação do esquema é uma estratégia fundamental para melhorar o acesso e a adesão, especialmente em países de média e baixa renda, como o Brasil.

Historicamente, o número de doses tem sido considerado um fator preponderante para a baixa adesão ao esquema vacinal completo. A adoção da dose única como tentativa de eliminar a dificuldade de alcançar coberturas adequadas na segunda dose tem surtido efeito: atingiu 82% de cobertura entre as meninas de 9 e 14 anos e 67% entre meninos da mesma faixa etária, enquanto em 2022 a cobertura foi de 78,42% entre as meninas e de 45,46% entre os meninos da mesma faixa etária, segundo o Ministério da Saúde.

Outro ponto favorável à dose única é que ela resulta em melhor logística e facilitação da introdução da vacina em programas de imunizações, especialmente em países que enfrentam restrições financeiras, falta de disponibilidade da vacina e dificuldades logísticas.

“Os países que adotaram o esquema de dose única têm conseguido registrar aumento nas coberturas vacinais. A simplificação do regime de vacinação permite que os programas cubram maiores proporções das populações adolescentes”, afirma o pediatra.

Aceleração da eliminação do câncer de colo do útero

O esquema simplificado é um catalisador para que o Brasil e outros países alcancem as metas globais de saúde estabelecidas pela OMS até 2030. Uma delas é a estratégia global 90-70-90, que busca eliminar o câncer cervical no mundo atacando em três frentes: 90% de cobertura de vacinação em meninas antes dos 15 anos, 70% de rastreamento em mulheres até 35 anos e 90% de tratamento em mulheres diagnosticadas com a doença. 

A adesão ao esquema de dose única, juntamente com o rastreamento, aceleraria o alcance da meta, com uma redução da incidência de câncer de 69% a 79% nas coortes vacinadas, segundo estudos de modelagem realizados para o Brasil (em parceria com o IARC).

A economia de recursos e a logística simplificada abrem a oportunidade para a inclusão de outros públicos prioritários e a realização de estratégias de resgate (catch up) para adolescentes mais velhos não vacinados (até 19 anos).

Sobre a vacina e o HPV

O HPV (Papilomavírus Humano) é o nome de um grupo de mais de 200 vírus. Os tipos de HPV de alto risco, como o HPV 16 e o HPV 18, são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero em todo o mundo.

“A vacina, além de ser a principal ferramenta para prevenir a infecção por HPV e o câncer do colo do útero, também pode proteger contra outros tipos de câncer relacionados ao HPV, como os de vulva, vagina, ânus, boca, garganta e pênis”, esclarece Mario Bochembuzio.

A urgência de vacinar é sublinhada pelas estatísticas regionais: o câncer é a segunda maior causa de morte entre adultos na região das Américas. A cada ano, 36.797 mulheres na região morrem devido ao câncer do colo do útero.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pelo menos 15 mil casos de câncer em homens são causados pelo HPV por ano. A vacinação de meninos é, portanto, crucial não apenas para a proteção individual deles, mas também para a saúde coletiva. “Ao vacinar os meninos, reduz-se a circulação geral do vírus na população, protegendo a todos e contribuindo para a imunidade de grupo”, conclui o gestor médico do Butantan.

O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, e também tem uso autorizado no Canadá, Reino Unido e Europa. Pessoas imunodeprimidas (vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos); vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos; usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos e portadoras de Papilomatose Respiratória Aguda/PRR a partir de 2 anos de idade precisam tomar três doses da vacina contra o HPV. Já vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos precisam de duas doses do imunizante, segundo a nota técnica nº 16/2025, do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Fonte _ Butantan

domingo, 22 de março de 2026

Santa Missa | Catedral Nossa Senhora da Glória CZS/AC

 


Maioria da população diz que Brasil continua despreparado para nova pandemia, mostra Datafolha

 


A maioria dos brasileiros avalia que o país não aprendeu o suficiente com a pandemia de Covid-19 e segue despreparado para enfrentar uma nova crise sanitária, mostra pesquisa Datafolha encomendada pelo Instituto Todos pela Saúde, entidade sem fins lucrativos que atua na área da epidemiologia.

O levantamento revela que 53% consideram que o Brasil não está preparado para uma futura epidemia ou pandemia, enquanto outros 28% avaliam que o país está pouco preparado. Apenas 18% dizem que há organização para lidar com uma nova emergência, e 1% não sabe.

A pesquisa, feita com 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todo o país, nos dias 10 e 11 de novembro de 2025, revela um cenário de desconfiança generalizada e sensação persistente de vulnerabilidade. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Para especialistas, os dados indicam que a experiência recente da Covid, que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil, ainda não se traduziu em percepção de avanço institucional ou capacidade de resposta.

Segundo o médico Gerson Penna, diretor-presidente do Todos pela Saúde, o problema é mais profundo e antigo: o Brasil segue sem instrumentos institucionais e legais adequados para lidar com futuras pandemias. "Essa história não é de hoje. O Brasil está atrasado", afirma.

Ele diz que o mundo avançou nas últimas décadas na criação de centros especializados em saúde pública, enquanto o país ficou para trás. "Até 2000, existiam 54 instituições desse tipo. Entre 2000 e 2020, foram criadas 39. E, de 2020 para cá, mais 29. O mundo está se preparando, e a gente não."

Deisy Ventura, professora titular da Faculdade de Saúde Pública da USP, diz que o tema deveria estar no centro da agenda política desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Isso deveria ter sido prioridade desde o primeiro ano", afirma.

Para ela, o país falhou em fazer uma avaliação consistente da resposta à pandemia de Covid, deixando de aprender com erros e acertos. "Não houve um balanço sério sobre as cadeias de decisão, os impactos da crise ou a governança da pandemia. Nem sequer construímos uma base jurídica a partir da experiência."

A pesquisa Datafolha aponta que o sentimento predominante entre os brasileiros é de preocupação com novas crises sanitárias. Quase metade dos entrevistados (49%) declara alto nível de apreensão diante do risco de novas epidemias ou pandemias, enquanto 36% manifestam nível médio.

A insegurança também aparece quando os entrevistados comparam a experiência recente com o futuro. Para 46%, a sensação é de que estariam menos seguros em uma nova pandemia do que estiveram durante a Covid.

De acordo com o médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e pesquisador da Fiocruz, a preocupação dos brasileiros dialoga com as do meio científico. "Há uma certeza de que haverá uma nova pandemia. Só não sabemos quando."

Segundo Ventura, fatores como conflitos armados, reemergência de doenças e avanço do negacionismo científico são elementos que ampliam os riscos. "Os intervalos entre pandemias estão ficando mais curtos. Não há mudança no modo de vida global que indique o contrário", afirma.

Na opinião de Penna, o aumento da percepção de risco não é necessariamente negativo. "O mundo hoje é interligado. Um agente infeccioso pode se espalhar globalmente em poucos dias. As pessoas estão tomando consciência. Isso pode ajudar a pressionar por mudanças estruturais."

Em meio à insegurança, há um ponto de consenso —9 em cada 10 brasileiros afirmam que se sentiriam mais seguros caso o país tivesse um centro de controle de doenças, que seria uma estrutura permanente, técnica e com autonomia operacional, dedicada à resposta a emergências sanitárias.

Penna, que já foi secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, participou da elaboração de uma proposta nesse sentido. "A gente foi buscar inspiração em vários países da Europa, África, Austrália para construir algo adaptado ao SUS. É uma instituição que assessora o governo com base científica nas fases de preparação, resposta e resiliência", explica.

O projeto prevê vinculação ao Ministério da Saúde, mas com governança compartilhada. "Seria uma instituição pública, com conselho presidido pelo ministro da Saúde e participação de estados, municípios e entidades técnicas", afirma.

Para Penna, contudo, a criação do centro só será efetiva se vier acompanhada de uma mudança mais ampla: a aprovação de uma lei nacional de enfrentamento a emergências sanitárias. "A lei é, sem dúvida, a medida mais urgente. Hoje o Brasil não tem instrumento legal permanente para gerir uma pandemia."

Ele lembra que, durante a Covid, o país precisou aprovar uma legislação emergencial, que perdeu validade com o fim da crise. "A gente fica sem base jurídica assim que a emergência acaba. Isso não pode acontecer."

Segundo ele, um projeto já está pronto na Casa Civil e deve ser encaminhado ao Congresso. A proposta estabelece uma política de Estado, suprapartidária, que permita atuação coordenada em futuras crises.

Para Ventura, a saída passa por uma política estruturada, baseada em evidências científicas, com definição clara de responsabilidades e mecanismos de proteção social. E que estabeleça regras sobre governança, vacinação, comunicação e responsabilização. "Sem isso, vamos repetir os mesmos erros, independentemente de quem esteja no governo."

De acordo com a pesquisa, em meio à multiplicidade de fontes de informação, médicos e profissionais de saúde são os mais confiáveis para a população: 58% dizem recorrer a esses especialistas durante emergências sanitárias. Na sequência aparecem a OMS (Organização Mundial da Saúde), com 41%, e o Ministério da Saúde e outras instâncias governamentais (40%).

Políticos, por outro lado, são citados por apenas 3% dos entrevistados como fontes confiáveis de informação. Familiares e amigos aparecem com 20%, enquanto líderes religiosos somam 9%.

A busca por informação é praticamente universal durante uma pandemia: 99% afirmam utilizar algum meio para se informar, recorrendo, em média, a quatro canais diferentes. Profissionais ou unidades de saúde (88%), televisão (78%), redes sociais (72%) e sites de notícias (71%) são os meios mais citados.

Apesar disso, o ambiente informacional segue marcado por incertezas. Seis em cada dez brasileiros (61%) relatam ter tido dificuldade para saber em quem confiar durante uma epidemia ou pandemia, evidenciando o impacto da desinformação. "A propaganda contra a saúde pública continua ativa e sem punição. Isso deixa um péssimo prognóstico para as próximas crises", afirma Ventura.

Fonte _ Folha/SP

sábado, 21 de março de 2026

Inteligência artificial, não sabe o que sabe e não sabe o que não sabe

 


Autor narra os debates a que assistiu no festival de inovação SXSW sobre o avanço da inteligência artificial. Palestrantes abordaram temas como o uso da tecnologia em ofícios criativos, a necessidade de encontros presenciais para impulsionar nossa saúde social e a compreensão sobre como os animais se comunicam.

Estive em Austin, nos EUA, para participar do SXSW (South by Southwest), o maior festival de inovação do mundo. O meu foco foi tomar o pulso da inteligência artificial, assistindo a sessões com acadêmicos, CEOs, pesquisadores, cientistas e artistas.

Em comum, uma sensação curiosa: ninguém ali parecia exatamente calmo. Começando pelo título deste artigo, dito por Sanjay Sarma, professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que completou: "A IA só sabe botar uma palavra atrás da outra". Essa coisa que bota palavras em linha, porém, está mudando o mundo como nunca.

A IA já saiu da fase em que era um futuro e, hoje, não pode nem sequer ser vista como ferramenta. É um agente, um sistema e já está dentro de tudo: nas buscas, antes no Google e agora no ChatGPT; no trabalho, criando e eliminando empregos; na medicina; na escola; no cinema; nas relações sociais, o que é mais preocupante, vide os suicídios induzidos por ela; e no jornalismo, o que é bem delicado.

O medo de perder o emprego é generalizado, mas a IA não quer só fazer o nosso trabalho —quer reorganizar o nosso dia e a nossa vida e está mudando o clima mental do nosso tempo. Antes, a tecnologia era um assunto. Agora, ela virou o ambiente.

O que acontece com a vida comum quando quase tudo pode ser automatizado, assistido, previsto, editado, melhorado, resumido, sugerido, roteirizado e respondido por uma máquina? Confusão. Essa máquina gentil e dócil é encrenca e solução.

Acontece uma disputa, entre velocidade e sentido e entre eficiência e presença. Podemos ficar mais rápidos, mas estamos ficando mais burros. Nossos cérebros estão atrofiando. Há estudos que apontam o declínio cognitivo dos estudantes que usam IA nos seus trabalhos.

Acredito que só a falta de leitura sistemática já atrofia a capacidade narrativa desses jovens. Isso é um desastre, talvez não só para o trabalho metódico, mas para a vida de forma geral. Imagine se você lê pouco e assiste a nada mais longo que cinco minutos?

O cérebro evoluiu para explorar. Quando a exploração acaba, a necessidade do cérebro acaba. Óculos inteligentes, Waze, redes sociais —tudo contribui para essa atrofia. Notou que o Google Maps acabou com nosso senso de direção?


É preciso mais tempo para explorar e ir mais fundo e mais tempo para poder usar o silêncio. Isso não é incentivado pela IA.

Tudo agora caminha para o médio, para o mediano. Eu chamaria isso de MMM (mundo mais ou menos). Tudo sendo homogeneizado: a língua, as imagens. Quem aguenta ver os videozinhos feitos por IA? São um horror de mesmice. Todo o mundo no mesmo tom, falando coisas parecidas. Simples e sem esforço.

O esforço de busca e de exploração —tentar, errar e refazer— faz parte do cenário da criação e da sobrevivência da humanidade. Se pularmos a parte do esforço, não chegaremos a algo realmente autêntico. Nas artes, isso é mais que certo. Steven Spielberg disse que não vai usar a IA em nada que for criativo. Na ciência, devemos contar que a facilidade de leitura de tudo vai ajudar em descobertas mais rapidamente. Mas, reforço, a falta de exploração nos faz seres mirrados.

Improvisação e imaginação são as duas maiores habilidades neste momento confuso, apontou Jack Conte, o músico que fez uma das palestras mais bombásticas do festival, cobrando direitos autorais dos donos das IAs, em um manifesto forte.

Nisso, o Brasil sai na frente. Somos experts em driblar dificuldades com traquitanas e estamos habituados a vencer sem diploma, que já não é o caminho seguro para uma carreira de sucesso. Os saberes da pessoa valem muito mais, não importa onde ela os conseguiu (cursos no YouTube? TikTok?), mas, sim, se ela trabalha bem em grupo, tem empatia, inteligência emocional etc. Uma pessoa talentosa e diplomada pode acabar com um grupo e um trabalho.

Cada vez mais a IA nos leva para as telas. Porém, cada vez mais sentimos falta do contato humano. Claro. Se boa parte da nossa comunicação é não verbal e os diálogos hoje com a IA são quase sempre verbais, estamos sozinhos demais. Já estamos consultando a IA como terapeuta emocional, e parcela considerável de jovens já pensou em namorar uma IA.

Yurina Noguich olhando para seu marido, o personagem gerado por AI chamado Klaus Kim Khung-Hoo 

Kasley Killam, especialista em saúde social, diz que 2026 é o ano analógico, pois as pessoas "desejam que as redes sociais ofereçam experiências sociais genuínas", sendo que mais de 20% fizeram mais amigos neste ano que no ano passado. Esse lance analógico também é visto como nostálgico de um tempo em que havia conexão física entre as pessoas, em que as coisas demoravam para ficar prontas, em que, enfim, o tempo era lento. A velocidade cria ansiedade.

A saúde estava em xeque por causa da internet e suas respostas aleatórias. Agora, está em choque, acelerada pela IA. Além da saúde física e da popular saúde mental e seus burnouts, agora a onda é cuidar da saúde social —a saúde dos relacionamentos. Essa é a nova fronteira. Sem ela, a felicidade passa longe.

Os dados mostram que 871 mil pessoas têm morte prematura por ano no mundo em função do isolamento e da solidão, que pode ser aliviada pela IA, mas não solucionada. Ela pode simular empatia, mas não sente alívio, culpa, luto, desejo, vergonha, ciúme, compaixão ou encantamento. Isso não é um detalhe. É a diferença entre parecer humano e ser humano. A confusão não é saudável. O remédio é mais amigos, mais festas, mais grupos de estudo, mais turismo ou mais caminhadas.

Está nítido que a IA e os novos sistemas de monitoramento de saúde estão mudando a relação das pessoas com o próprio corpo. Hoje, um número crescente de pessoas anda com sensores, relógios, exames no celular e biomarcadores nos anéis. Antes, saúde era um assunto trancado no consultório. Agora, ela vibra no pulso.

Por um lado, isso é bom. Podemos descobrir mais cedo o que antes só aparecia tarde, mas isso também tem um custo psíquico. Acordamos, olhamos para o relógio e descobrimos que dormimos mal, nos recuperamos mal, respiramos mal. Nem tomamos café e já temos a saúde transformada em planilha. Ansiedade. Ansiedade. Ansiedade.

Mas não só de sombras inteligentes viveu esse SXSW. Existem facilitadores da vida criados pela IA. Está chegando o tempo em que teremos um agente (ChatGPT, Claude etc.) que fará pesquisa e comprará coisas para nós. Daremos as diretrizes e a IA irá às compras. Uma lista de supermercado junto com o dinheiro máximo disponível, um prazo, um endereço e um cartão de crédito são os perímetros de ação para começar.


Com o tempo e o nosso feedback, essas compras serão melhoradas em todos os quesitos: preço, prazo, qualidade etc. Você teria coragem de delegar, de A a Z, as compras do mês para uma IA? Programar e comprar sua viagem de férias, como um agente de viagens? Isso só não está acontecendo por uma questão de segurança.

Até o fim de 2027, a IA vai ser seu agente de supermercado e outras coisas. No livro "2041", de Kai-Fu Lee e Chen Qiufan, você pode ler dez histórias que tratam desse futuro, em que as IAs serão nossas companheiras pessoais, com nome e tudo, e saberão mais de nós que nós mesmos —mas ainda sem emoção.

Outro ponto nessa conversa: os agentes de compras vão procurar coisas com segurança e confiança. Ou seja, vão pesquisar não apenas preço e qualidade, mas também o quanto o consumidor confia naquela empresa. Para isso, valem a avaliação do Google, reportagens de jornais ou a posição no Reclame Aqui.

As marcas vão ter que ficar muito espertas e criar narrativas diferenciadas nos seus sites. Também deverão ter narrativas conversacionais, para que os agentes entendam e confiem naquela marca. Ou seja, muito emprego à vista para refazer o plano de ação de todas as marcas em todas as plataformas.

Hoje, a IA faz muita coisa bem. Em alguns casos, muito bem: organiza informações, resume textos, analisa exames, sugere caminhos, ajuda pesquisadores a cruzar hipóteses, empresas a encurtar processos, criadores a prototipar ideias que antes morreriam no orçamento.

Também já ajuda o jornalismo, um lugar muito sensível e necessário neste dias de polarização e fake news. O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, não usou meias palavras quando foi perguntado sobre o que seria do mundo sem o jornalismo: "Estaríamos fodidos!".

O New York Times apresentou uma palestra com o seu "chefe de IA" que foi um alento. Com uma equipe reduzida liderada por Zach Seward, o jornal tem como visão que a IA deve ajudar jornalistas a descobrir histórias, não os substituir. Para ele, o maior potencial da IA no jornalismo é na investigação e pesquisa. Ou seja, IA para analisar dados gigantescos, por exemplo, e jornalistas para interpretar e investigar. A IA pode transcrever centenas de horas de vídeo para o texto ser organizado e pesquisado. Pode ler manuscritos indecifráveis e fazer uma busca semântica em textos, apontando possíveis caminhos de investigação. Sempre com transparência junto aos leitores, o New York Times inova e aponta caminhos concretos para o futuro do jornalismo.

E se os bichos falassem, entre si e com as plantas, o que iríamos descobrir? Para começar, os bichos falam e nós estamos começando a entender essa falação monumental. A Terra está cheia de linguagem, sentido, cultura e inteligência, apenas fora do alcance dos nossos sentidos limitados.


A IA, segundo Aza Raskin, do Earth Species Project, vai ajudar a abrir essa percepção e produzirá uma das maiores mudanças de consciência da história humana: da visão da natureza como cenário ou recurso à sua percepção como uma comunidade de mentes, vozes e mundos. Entender a comunicação entre todos os seres vivos vai nos revelar uma teia de saberes jamais imaginados.

E entre os seres mortos? Alguma novidade? Sim. Agora, já temos os fantasmas generativos, simulações de pessoas vivas ou mortas criadas com IA a partir de seus dados. Podemos usar emails, redes sociais, voz, vídeo, arquivos pessoais etc. Uma pessoa será criada ou recriada em vários formatos possíveis: chatbot, voz interativa, avatar em vídeo ou VR e até agentes autônomos. Vamos poder interagir profundamente com pessoas que já morreram.

Claro que ninguém será ressucitado, mas uma representação comportamental plausível vai ser construída. Imaginemos isso na educação. Poderemos ter um avatar de Santos Dumont conversando e respondendo todas as nossas perguntas, como se ele estivesse ali. Por outro lado, pode ser estranho, se não assustador, ter de volta um ente querido que morreu para conversar com você.

Ninguém ainda afirma nada com muita certeza, nem mesmo sobre a famigerada questão energética —sabemos que a IA consome uma enormidade de energia—, mas os otimistas dizem que as soluções para isso virão da própria IA. Será?

O que me impactou é que a IA é mato hoje. Está por todo lado, e precisamos roçar para poder entender melhor. Sinto que, em um futuro próximo, deixaremos de ser refratários ao seu uso e ela conviverá conosco de forma quase invisível.

Ficará a pergunta: fui eu ou foi a IA quem fez? Acho que a resposta será: eu também sou IA.

O autor viajou a convite da InvestSP (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade).

Fonte _ Folha/SP

sexta-feira, 20 de março de 2026

InfoGripe indica aumento da circulação de influenza A no Brasil

 


O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta para o aumento da circulação da influenza A no país antes de sua sazonalidade convencional: o vírus costuma apresentar alta atividade no outono e no inverno. O outono tem início nesta sexta-feira (20/3) e a análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 10, período de 8 a 14 de março. O Boletim indica que a influenza A segue avançando em nível nacional, impulsionando o aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Mato Grosso e na maioria dos estados do Nordeste (exceto Piauí) e em alguns estados do Norte (Amapá, Pará e Rondônia) e do Sudeste (Rio de Janeiro e Espírito Santo). 

O Ministério da Saúde definiu três estratégias nacionais de vacinação para 2026, com foco na ampliação da cobertura vacinal e na redução de doenças imunopreveníveis. A campanha de vacinação contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste será realizada de 28 de março a 30 de maio, com o Dia D marcado para o primeiro dia da ação. "A principal forma de prevenção contra os casos graves e óbitos é a vacina. Já temos a vacina contra o VSR para as gestantes e no dia 28 começa a vacinação contra a influenza A para os grupos prioritários", afirma a pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz.

A atualização mostra que, em nível nacional, o cenário atual aponta que os casos notificados de SRAG indicam aumento na tendência de longo prazo. Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 20.311 casos de SRAG, sendo 7.523 (37%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 8.398 (41,3%) negativos e cerca de 2.853 (14%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.


Estados e capitais

Segundo a análise, o número de casos SRAG apresenta sinal de aumento no cenário nacional nas tendências de longo (últimos seis meses) e de curto prazo (últimos três meses). Todos os estados, exceto Piauí, sinalizam crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo até a SE 10.

Crianças e adolescentes têm sido afetados principalmente pelo rinovírus. Entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O vírus sincicial respiratório (VSR) também tem contribuído para o aumento de SRAG nas crianças pequenas. Já a Covid-19 afeta principalmente os idosos (embora esteja concentrado apenas em alguns estados do Sudeste, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo) e apresenta ainda níveis baixos de incidência. Com relação ao aumento das hospitalizações, as principais causas tem sido o rinovírus (especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos), a influenza A e o VSR.

Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de dois anos em muitos estados do Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), além de em alguns estados Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) e Nordeste (Paraíba e Sergipe). Entre os estados, 20 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O Boletim verificou que 18 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a SE 10: Aracaju (Sergipe), Belo Horizonte (Minas Gerais), Brasília (Distrito Federal), Boa Vista (Roraima), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Cuiabá (Mato Grosso), Fortaleza (Ceará), Goiânia (Goiás), João Pessoa (Paraíba), Macapá (Amapá), Maceió (Alagoas), Manaus (Amazonas), Natal (Rio Grande do Norte), Porto Velho (Rondônia), Recife (Pernambuco), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Salvador (Bahia) e São Luís (Maranhão).

Prevalência de casos e óbitos

Em 2026, os casos positivos se deram em 41,9% devido ao rinovírus; em 21,8% à influenza A; em 14,7% ao Sars-CoV-2 (Covid-19); em 13,4% ao VSR; e em 1,5% à influenza B. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 45,4% para o rinovírus; 25,4% para a influenza A; 13,4% para o VSR; 11,3% para o Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,3% para influenza B.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 37,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19); 28,6% de influenza A; 21,8% de rinovírus; 4,5% de VSR; e 2,5% de influenza B. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos positivos foi de 30,8% para influenza A; 30,8% para Sars-CoV-2; 27,5% para rinovírus; 5,5% para VSR; e 2,7% para influenza B.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

No maior mutirão da história do SUS exclusivo para mulheres, programa Agora Tem Especialistas ofertará mais de 660 procedimentos no Acre

 


Neste final de semana, o estado do Acre participa de um mutirão inédito do programa Agora Tem Especialistas, exclusivo para mulheres. Realizada pelo Ministério da Saúde, a iniciativa é a maior da história do SUS. Ao todo, serão ofertadas cerca de 230 mil cirurgias e exames de média e alta complexidade em todos os estados e no Distrito Federal. No Acre, serão quase 676 procedimentos para pacientes previamente agendados. A novidade deste mutirão - o quarto promovido pelo programa do Governo do Brasil - é o implante Implanon, moderno método contraceptivo subdérmico, considerado mais vantajoso em relação aos demais por sua alta eficácia e longa duração (3 anos).

Promovida no Mês da Mulher, a ação envolve, em todo o país, mais de 940 hospitais públicos, privados e filantrópicos, que, juntos, ofertarão procedimentos para pacientes do SUS previamente encaminhadas pelos gestores municipais de saúde, de acordo com os critérios das centrais de regulação. Estão agendados para este sábado (21) e domingo (22) atendimentos em especialidades como ginecologia, oncologia, oftalmologia e ortopedia. No Acre, dois estabelecimentos de saúde realizarão, por exemplo, cirurgias de catarata e de tratamento de varizes, além de procedimentos como plástica mamária não estética.

“Hoje mostramos que o SUS é do tamanho do Brasil. O mutirão está presente em todos os estados, de norte a sul, nas periferias, nos grandes centros e nas grandes e pequenas cidades. Em uma ação inédita, o Ministério da Saúde reuniu hospitais públicos, privados, universitários e filantrópicos em uma iniciativa nacional que demonstra que, quando há prioridade, o cuidado chega. Isso é possível graças à força do programa Agora Tem Especialistas, que garante atendimento rápido, diagnóstico precoce e cirurgia no tempo certo para milhares de brasileiras”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Participam desta ação de valorização da saúde da mulher, Santas Casas e outras instituições filantrópicas; os hospitais federais e dos institutos nacionais de Cardiologia (INC), de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e de Câncer (INCA) localizados no Rio de Janeiro (RJ); e os 45 hospitais universitários federais da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), que são ligados ao Ministério da Educação e estão localizados em 25 estados. 

Mutirões integram iniciativas para acelerar atendimentos especializados

Os mutirões de atendimentos do SUS são parte de uma série de iniciativas do Agora Tem Especialistas. Nas três primeiras edições, em 2025, brasileiros e brasileiras de todo o país, inclusive de territórios indígenas, foram submetidos a mais de 127 mil procedimentos, levando mais atendimento para a população e reduzindo o tempo de espera.

Criado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Saúde, o programa objetiva ampliar o acesso da população à saúde especializada para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias na rede pública de todo país. As ações em andamento incluem carretas de saúde da mulher, oftalmológicas e de exames de imagem, que já percorreram mais de 138 regiões de saúde em todo o país; a ampliação de horários de funcionamento de serviços de saúde; o provimento e formação de mais médicos especialistas; e a parceria com hospitais privados para atendimento complementar e gratuito ao SUS mediante abatimento de dívidas federais vencidas ou a vencer.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 19 de março de 2026

Anvisa determina recolhimento de esmaltes em gel da Impala por substância que pode afetar fertilidade

 


A Anvisa determinou que a Impala recolha todos os lotes de esmaltes em gel por conterem um ingrediente proibido pelo órgão. Os produtos são o Plus Gel Esmalte Impala Gel, Esmalte Gel Impala Gel Plus, Gel Plus Impala Esmalte Gel, Esmalte Gel Plus Impala e Top Coat Gel Impala Gel Plus Clear.

A medida, anunciada nesta segunda-feira (16), foi tomada após a empresa do grupo Mundial SA comunicar sobre o recolhimento voluntário, segundo nota do órgão de vigilância sanitária. A Impala afirma que passou a restringir o uso da substância em produtos cosméticos assim que tomou conhecimento da proibição e adotou medidas imediatas de adequação regulatória.

"Importante esclarecer que nem todos os produtos da linha Impala Gel Plus continham TPO em sua composição. A medida, portanto, se restringe exclusivamente às tonalidades específicas da linha que utilizavam a substância", diz a nota.

A empresa orienta os clientes a entrar em contato com o SAC para receber orientações ou esclarecimentos adicionais.

Os produtos têm na formulação o TPO (Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide), substância vetada na produção de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes no Brasil, que pode estar presente em produtos usados para fazer unhas artificiais em gel ou esmaltes em gel, que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED

A proibição foi decretada em outubro do ano passado pela Anvisa —junto com outra substância, a DMPT—, como medida para proteger a saúde de quem usa o produto e, sobretudo, dos profissionais que trabalham com eles.

A Anvisa partiu de estudos internacionais feitos em animais que confirmaram que a substância apresenta riscos, como ser tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade. A União Europeia também baniu o ingrediente recentemente.

O texto publicado no Diário Oficial diz que "os eventos adversos dessas substâncias estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas, de modo que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor, o que, contudo, não afasta a necessidade de uma medida tempestiva de proibição dessas substâncias".

A resolução foi publicada em 30 de outubro de 2025 e estabeleceu o prazo de 90 dias para que a comercialização dos produtos já existentes fosse concluída --ou seja, até 2 de fevereiro deste ano. A Impala afirma que em 28 de janeiro já havia comunicado distribuidores e clientes sobre a interrupção das vendas e recolhimento dos itens.

A diretora Daniela Marreco diz na decisão que "ainda que o risco ocupacional seja mais intenso, usuárias e usuários também estão sujeitos aos efeitos nocivos decorrentes da exposição, reforçando sua dimensão social".

"Cabe destacar que os referidos produtos foram desenvolvidos e comercializados em conformidade com o marco regulatório vigente à época de sua fabricação e comercialização, tendo sido a medida adotada pela empresa motivada pela posterior atualização normativa que alterou os critérios de utilização da referida substância em cosméticos", diz a Impala em nota.

Veja a lista completa de produtos que serão recolhidos

  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Inspiradora Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Expressiva Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Enigmática Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Envolvente Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Talentosa Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Ousada Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Branco Puro Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Forte Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Artista Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Preto Intenso Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Espontânea Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Otimista Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Motivada Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Sempre Clássica Blister
  • Esmalte Gel - Impala Gel Plus - Cremoso - Sonhadora Blister
  • Top Coat Camuflagem Impala Gel Plus - Crystal Rose - Blister
  • Top Coat Camuflagem Impala Gel Plus - Crystal Nude - Blister
  • Top Coat Camuflagem Impala Gel Plus - Crystal Shimmer - Blister
  • Top Coat Camuflagem Impala Gel Plus - Crystal Soft - Blister
  • Top Coat Gel - Impala Gel Plus - Clear Blister

 

Fonte _ Folha/SP