A
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quinta-feira
(29) o registro de cinco novas canetas
emagrecedoras à base de liraglutida e semaglutida, medicamentos
utilizados no tratamento do diabetes
tipo 2 e da obesidade.
Com
as novas autorizações, o número de canetas aprovadas pela agência
somente neste ano chega a 19: 12 de semaglutida, seis de liraglutida
e uma nova versão de Mounjaro (tirzepatida).
Entre
as novidades estão Aribet (liraglutida), Sevema (semaglutida) e Embeltah
(semaglutida), indicadas para diabetes, e as canetas Lyrza (liraglutida) e
Wylovol (liraglutida), para o tratamento da obesidade em conjunto com mudanças
na alimentação e prática de exercícios físicos.
veja
as canetas já aprovadas pela anvisa
A
ampliação do número de marcas não significa que todos os produtos possam ser
usados indiscriminadamente. A indicação aprovada, a dose e as características
de cada medicamento devem ser consideradas na escolha do tratamento.
Para
a endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e
Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG), a escolha entre
os medicamentos deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso,
outras doenças do paciente, os estudos disponíveis para cada produto e a
possibilidade de manter o tratamento por longos períodos.
Esse
último ponto pode ser decisivo. Obesidade e diabetes são doenças crônicas e,
segundo especialistas, o tratamento farmacológico frequentemente precisa ser
mantido por meses ou anos.
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Por
isso, um medicamento com maior potencial de perda de peso, como é o caso do Mounjaro (única
tirzepatida aprovada pela Anvisa, da Eli Lilly), pode não ser a melhor opção se
o paciente não conseguir arcar com seu custo continuamente.
Os
possíveis efeitos colaterais também influenciam na definição do medicamento. As
substâncias dessa classe atuam sobre o sistema gastrointestinal e podem causar
sintomas como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e outras alterações
do hábito intestinal.
O
sucesso comercial e clínico desses compostos também abriu caminho para uma nova
corrida entre as grandes farmacêuticas: encontrar moléculas mais eficazes, com
menos efeitos colaterais e em formatos mais simples de usar, como comprimidos
orais —quatro
estão em fase avançada.
CagriSema,
survodutida e retatrutida estão em fase avançada de testes clínicos pela Novo
Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todas estão em fase
3, a etapa final antes do pedido de aprovação a agências reguladoras como a FDA, dos
Estados Unidos, e a Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O
orforglipron já passou pelos testes e
foi aprovado pela FDA em abril. Fabricada pela Lilly, a molécula é de
uso oral e vendida nos EUA sob o nome comercial Foundayo, mas ainda não chegou
ao Brasil. A expectativa é de que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no
segundo semestre de 2027.
Veja
quais canetas já receberam aval da Anvisa este ano e quais outras estão
disponíveis.
Semaglutida
A
semaglutida imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo
organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Ao ativar os
receptores de GLP-1, a substância ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite
e aumenta a sensação de saciedade, podendo contribuir para a perda de peso.
Em
26 de maio, a Anvisa aprovou o Ozivy,
da EMS, primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após
a queda da patente da substância. O produto é indicado para adultos com
diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Em 10 de julho, o Ozivy passou a
integrar a
Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa.
Em
29 de julho, a agência aprovou
cinco medicamentos à base de semaglutida: Owozy, da Ávita Care;
Seemasun, da Sun Farmacêutica; Zempneo, da Brainfarma; Semavy,
da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy. As indicações informadas para os produtos são
para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.
Em
17 de agosto, a EMS também obteve o registro do
primeiro medicamento genérico de semaglutida do país. O produto não
terá nome comercial, como determina a legislação para genéricos. Na mesma data,
também foi aprovado o Semaclique, da Germed, na categoria de medicamento
similar.
Na
semana seguinte, em 24 de agosto, a Anvisa aprovou o
segundo genérico de semaglutida, da Germed. Os medicamentos similares
são identificados pela marca ou nome comercial. E, ao contrário dos
medicamentos genéricos, nem todo similar pode ser trocado pelo medicamento de
referência.
Em
31 de agosto, foi
aprovado o Yluméc, da EMS, registrado como medicamento similar, na
modalidade clone.
Nesta
quarta, mais duas foram aprovadas: Embeltah e Sevema, da indiana OneSource
Specialty, ambas para diabetes.
Veja
lista das 12 canetas de semaglutidas aprovadas em 2026:
1.
Ozivy,
da EMS (26 de maio)
2.
Semavy,
da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos (29 de julho)
3.
Owozy,
da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos (29 de julho)
4.
Zempneo,
da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica (29 de julho)
5.
Seemasun,
da Sun Farmacêutica do Brasil (29 de julho)
6.
Orsema,
da Ranbaxy Farmacêutica (29 de julho)
7.
Semaglutida
genérica da EMS (17 de agosto)
8.
Semaclique,
da Germed (17 de agosto)
9.
Semaglutida
genérica da Germed (24 de agosto)
10.
Yluméc,
da EMS (31 de agosto)
11.
Embeltah,
da Biocon (29 de outubro)
12.
Sevema,
da OneSource Specialty (29 de outubro).
Os
novos medicamentos aprovados ainda precisam passar por outras etapas antes de
chegar às farmácias. Entre elas está a definição do preço pela CMED (Câmara de
Regulação do Mercado de Medicamentos).
Antes
da entrada dos novos produtos aprovados em 2026, o mercado brasileiro já havia
recebido outras opções de medicamentos à base de semaglutida por meio de uma
parceria entre a Eurofarma e a Novo Nordisk.
Desde
outubro de 2025, a Eurofarma
comercializa o Extensior e o Poviztra. De acordo com a farmacêutica, os
produtos são idênticos aos medicamentos de referência da Novo Nordisk: o
Extensior ao Ozempic e o Poviztra ao Wegovy.
Liraglutida
Outra
substância que ganhou novos produtos neste ano foi a liraglutida, também
pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Em
1º de junho, a Anvisa aprovou a Liraclick, da Germed. Em 8 de setembro, a
Anvisa aprovou dois
medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS, destinados
ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Os
produtos têm como matriz os medicamentos Olire e Lirux, da própria EMS, que
começaram a chegar às farmácias no fim de 2025. O Olire é destinado ao
tratamento da obesidade, enquanto o Lirux é indicado para diabetes tipo 2.
Tanto
o Olire quanto o Lirux são comercializados na apresentação de 6 mg em canetas.
Ambos são anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na
internet. Por lei, genéricos devem custar no mínimo 35% a menos que os
medicamentos de referência.
Nesta
quinta, foram mais três aprovadas contendo esta substância: Aribet, Lyrza e
Wylovol, fabricadas pela indiana Biocon —a primeira para diabetes e as outras
para obesidade.
Uma
diferença prática da liraglutida em comparação à semaglutida e à tirzepatida é
a frequência de aplicação. Enquanto estas são administradas, em geral, uma vez
por semana, a liraglutida costuma exigir aplicação diária.
Tirzepatida
A
tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento da farmacêutica Eli
Lilly aprovado pela Anvisa e utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da
obesidade, conforme as indicações autorizadas.
Diferentemente
da semaglutida, ela atua sobre dois hormônios envolvidos no controle
metabólico, o GLP-1 e o GIP, sendo classificada como um agonista duplo.
A
tirzepatida continua sob patente no Brasil. Por isso, o Mounjaro é a única
opção aprovada pela Anvisa com esse princípio ativo.
Em
18 de março, a Anvisa aprovou o registro da versão multidose do Mounjaro.
A nova apresentação, diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis no
mercado, utiliza uma versão reutilizável, que permite múltiplas aplicações a
partir de um mesmo frasco.
Dulaglutida
A
dulaglutida é outra substância da família dos agonistas do receptor de GLP-1.
No Brasil, seu principal medicamento de referência é o Trulicity, da Eli Lilly,
aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2. Até o momento, não há versões
genéricas ou similares no país, já que o medicamento ainda está protegido por
patente.
Fonte _ Folha/SP

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