sexta-feira, 30 de outubro de 2026

SUS detecta quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco



Desde que o exame molecular de rastreio de HPV em mulheres começou a ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 9.904 testes apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco, que é o subtipo do vírus associado ao risco de câncer do colo do útero. 

O exame DNA-HPV é indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2013 e começou a ser utilizado pelo SUS no início do ano em substituição ao teste Papanicolau. A vantagem do exame molecular é que ele é capaz de detectar a presença do vírus antes mesmo de ele evoluir para uma lesão pré-cancerígena, o que ajuda a prevenir e a identificar de forma precoce muitos casos de câncer de colo do útero.

Um estudo realizado pelo Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com mulheres de um programa na cidade de Indaiatuba, em São Paulo, mostrou que o uso do exame de DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer de colo do útero. 

Enquanto a média de idade de rastreamento desse tipo de câncer pelo exame Papanicolau é de 49,3 anos, com o teste molecular de DNA a média de idade foi de 39,6 anos. 

Até agora, 26 estados já utilizam o novo protocolo. O Espírito Santo, estado que ainda não fez a substituição, deve receber os novos testes ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde (MS). 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. O tumor é o terceiro mais comum em mulheres no País, mas se detectado precocemente tem chances de cura que superam os 95%.

Fonte _ AgenciaBrasil

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Jornais - Informações na Madrugada

 







Controlar o vírus da hepatite B ainda não significa curar a doença

 


Ter uma vacina disponível é essencial para prevenir a hepatite B, mas não é suficiente quando parte da população não consegue acessá-la. No Brasil, essa dificuldade é particularmente relevante em áreas extensas da Amazônia e da região Norte, onde as distâncias, o transporte limitado e a oferta irregular de serviços podem dificultar a vacinação, o diagnóstico e o acompanhamento médico.

A vacina contra a hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS e, desde 2016, está disponível para pessoas de todas as idades. Ainda assim, pessoas nascidas antes da ampliação do calendário vacinal ou que não tiveram acesso aos serviços de saúde podem permanecer suscetíveis. Em 2025, 4.600 casos confirmados foram registrados no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Esses números representam casos detectados e notificados, e não necessariamente todas as infecções adquiridas no mesmo ano. Como a hepatite B pode permanecer sem sintomas por longos períodos, muitas pessoas só descobrem a infecção durante exames de rotina, doações de sangue, consultas pré-natais ou investigações de outras condições de saúde.

Quando a infecção se torna crônica

A idade em que ocorre a infecção influencia sua evolução. A maioria dos adultos consegue eliminar o vírus espontaneamente e desenvolve imunidade duradoura. Porém, quando a infecção acontece nos primeiros anos de vida, o risco de se tornar crônica é muito maior.

A hepatite B se torna crônica quando o organismo não consegue eliminar o vírus, que permanece no fígado. O HBV não costuma destruir as células diretamente: grande parte do dano resulta da tentativa do sistema imune de reconhecer e eliminar as células que carregam componentes virais. Se essa resposta persistir por muitos anos, ela pode contribuir para lesão hepática, fibrose e cirrose.

Globalmente, estima-se que centenas de milhões de pessoas vivam com hepatite B crônica. No Brasil, o SUS oferece tratamento gratuito para os pacientes que precisam dele. Medicamentos como tenofovir e entecavir impedem uma etapa essencial da multiplicação do HBV (vírus da hepatite B). Com isso, reduzem a quantidade de vírus no sangue e o risco de complicações.

Mas controlar a multiplicação do vírus não é o mesmo que eliminá-lo completamente. Mesmo quando o tratamento reduz o HBV a níveis muito baixos no sangue, formas persistentes do DNA viral podem permanecer dentro das células hepáticas.

Um reservatório dentro da célula

Após entrar no hepatócito, o DNA do HBV pode ser convertido em uma molécula circular e estável chamada DNA circular covalentemente fechado, ou cccDNA. Sua função pode ser entendida de maneira simples: o cccDNA funciona como um reservatório do vírus dentro do núcleo da célula. A partir dele, a célula pode continuar produzindo proteínas virais.

Enquanto o cccDNA permanecer ativo, o vírus pode voltar a se multiplicar se o tratamento for interrompido. Além disso, partes do DNA do HBV podem se integrar ao material genético da célula hospedeira. Essas sequências integradas não são necessariamente capazes de produzir todas as etapas do ciclo viral, mas podem contribuir para a produção contínua de proteínas virais, especialmente o antígeno de superfície do HBV, conhecido como HBsAg.

Por isso, reduzir de forma eficaz e duradoura o HBsAg é uma das principais metas no desenvolvimento de estratégias para alcançar a chamada cura funcional da hepatite B. Nesse contexto, cura funcional significa manter o vírus sob controle, com perda sustentada do HBsAg e ausência de HBV detectável no sangue após o tratamento.

leia mais

Só 1 em cada 4 pessoas com hepatite B no Brasil sabe que tem a doença

Vacina contra hepatite B para recém-nascidos entra em debate nos EUA

Doença do fígado causada por álcool avança no Brasil; mortes crescem mais no Norte

Uma estratégia baseada em RNA de interferência

É nesse ponto que entra o RNA de interferência, ou RNAi. Essa estratégia utiliza pequenas moléculas de RNA que reconhecem, dentro da célula, moléculas de RNA produzidas a partir do material genético do vírus. Essas moléculas virais carregam as informações necessárias para que a célula produza proteínas do HBV. Quando o RNAi reconhece uma dessas moléculas, ela é eliminada antes de ser utilizada na produção de proteínas.

No caso do HBV, o RNAi pode ser desenvolvido para reconhecer moléculas de RNA responsáveis pela produção de proteínas virais, incluindo o HBsAg. Ao eliminar essas moléculas, a estratégia reduz a quantidade de proteínas virais produzidas pela célula.

A tecnologia de RNAi já é utilizada em medicamentos aprovados para diferentes doenças, incluindo algumas que afetam o fígado. No caso do HBV, diferentes moléculas de RNAi podem ser desenhadas para reconhecer regiões específicas do material genético viral, permitindo atingir diferentes proteínas do vírus.

Foi nesse contexto que desenvolvemos uma pesquisa. Em laboratório, introduzimos a sequência genética do HBV em células hepáticas cultivadas e testamos diferentes candidatos baseados em RNAi. Entre os candidatos avaliados, um deles apresentou os resultados mais promissores, com redução dos níveis de HBsAg nas culturas celulares.

Esse resultado é importante, mas ainda é inicial. O modelo utilizado permite avaliar a produção de proteínas virais, mas não reproduz todos os passos de uma infecção natural. Por isso, ainda precisamos verificar se o efeito se mantém por períodos mais longos e se também ocorre em modelos celulares que representem melhor a infecção pelo HBV.

Sozinho, o RNAi provavelmente não eliminará todos os reservatórios do vírus, mas pode contribuir para um controle mais efetivo e duradouro da doença. Ainda serão necessários anos de pesquisa antes de avaliar essa abordagem em pacientes. Por enquanto, o objetivo é verificar se os resultados obtidos em células cultivadas se mantêm em modelos mais complexos, com eficácia e segurança suficientes.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

Fonte _ Folha/SP

Anvisa aprova 5 novas canetas para diabetes e obesidade; total chega a 19 em 2026

 


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quinta-feira (29) o registro de cinco novas canetas emagrecedoras à base de liraglutida e semaglutida, medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Com as novas autorizações, o número de canetas aprovadas pela agência somente neste ano chega a 19: 12 de semaglutida, seis de liraglutida e uma nova versão de Mounjaro (tirzepatida).

Entre as novidades estão Aribet (liraglutida), Sevema (semaglutida) e Embeltah (semaglutida), indicadas para diabetes, e as canetas Lyrza (liraglutida) e Wylovol (liraglutida), para o tratamento da obesidade em conjunto com mudanças na alimentação e prática de exercícios físicos.

veja as canetas já aprovadas pela anvisa

Semaglutida

Liraglutida

Tirzepatida

Dulaglutida

A ampliação do número de marcas não significa que todos os produtos possam ser usados indiscriminadamente. A indicação aprovada, a dose e as características de cada medicamento devem ser consideradas na escolha do tratamento.

Para a endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG), a escolha entre os medicamentos deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças do paciente, os estudos disponíveis para cada produto e a possibilidade de manter o tratamento por longos períodos.

Esse último ponto pode ser decisivo. Obesidade e diabetes são doenças crônicas e, segundo especialistas, o tratamento farmacológico frequentemente precisa ser mantido por meses ou anos.

Leia mais

O que se sabe sobre o potencial anti-inflamatório das canetas emagrecedoras

Canetas para emagrecer exigem mudança de hábitos para manter efeito

Estudos investigam como canetas emagrecedoras podem tratar vício em álcool e outras drogas

Canetas emagrecedoras podem desacelerar o envelhecimento, aponta estudo

Magreza a todo custo depois dos 40 expõe mulheres a maiores riscos e transtornos alimentares

Por que as canetas emagrecedoras não funcionam em algumas pessoas

Canetas emagrecedoras podem influenciar a evolução do câncer?

Além do peso: canetas emagrecedoras já tratam apneia do sono e doenças hepáticas e renais

Por isso, um medicamento com maior potencial de perda de peso, como é o caso do Mounjaro (única tirzepatida aprovada pela Anvisa, da Eli Lilly), pode não ser a melhor opção se o paciente não conseguir arcar com seu custo continuamente.

Os possíveis efeitos colaterais também influenciam na definição do medicamento. As substâncias dessa classe atuam sobre o sistema gastrointestinal e podem causar sintomas como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e outras alterações do hábito intestinal.

O sucesso comercial e clínico desses compostos também abriu caminho para uma nova corrida entre as grandes farmacêuticas: encontrar moléculas mais eficazes, com menos efeitos colaterais e em formatos mais simples de usar, como comprimidos orais —quatro estão em fase avançada.

CagriSema, survodutida e retatrutida estão em fase avançada de testes clínicos pela Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todas estão em fase 3, a etapa final antes do pedido de aprovação a agências reguladoras como a FDA, dos Estados Unidos, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O orforglipron já passou pelos testes e foi aprovado pela FDA em abril. Fabricada pela Lilly, a molécula é de uso oral e vendida nos EUA sob o nome comercial Foundayo, mas ainda não chegou ao Brasil. A expectativa é de que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027.

Veja quais canetas já receberam aval da Anvisa este ano e quais outras estão disponíveis.

Semaglutida

A semaglutida imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Ao ativar os receptores de GLP-1, a substância ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, podendo contribuir para a perda de peso.

Em 26 de maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após a queda da patente da substância. O produto é indicado para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Em 10 de julho, o Ozivy passou a integrar a Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa.

Em 29 de julho, a agência aprovou cinco medicamentos à base de semaglutida: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy. As indicações informadas para os produtos são para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.

Em 17 de agosto, a EMS também obteve o registro do primeiro medicamento genérico de semaglutida do país. O produto não terá nome comercial, como determina a legislação para genéricos. Na mesma data, também foi aprovado o Semaclique, da Germed, na categoria de medicamento similar.

Na semana seguinte, em 24 de agosto, a Anvisa aprovou o segundo genérico de semaglutida, da Germed. Os medicamentos similares são identificados pela marca ou nome comercial. E, ao contrário dos medicamentos genéricos, nem todo similar pode ser trocado pelo medicamento de referência.

Em 31 de agosto, foi aprovado o Yluméc, da EMS, registrado como medicamento similar, na modalidade clone.

Nesta quarta, mais duas foram aprovadas: Embeltah e Sevema, da indiana OneSource Specialty, ambas para diabetes.

Veja lista das 12 canetas de semaglutidas aprovadas em 2026:

1.  Ozivy, da EMS (26 de maio)

2.  Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos (29 de julho)

3.  Owozy, da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos (29 de julho)

4.  Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica (29 de julho)

5.  Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil (29 de julho)

6.  Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica (29 de julho)

7.  Semaglutida genérica da EMS (17 de agosto)

8.  Semaclique, da Germed (17 de agosto)

9.  Semaglutida genérica da Germed (24 de agosto)

10.                   Yluméc, da EMS (31 de agosto)

11.                   Embeltah, da Biocon (29 de outubro)

12.                   Sevema, da OneSource Specialty (29 de outubro).

Os novos medicamentos aprovados ainda precisam passar por outras etapas antes de chegar às farmácias. Entre elas está a definição do preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

Antes da entrada dos novos produtos aprovados em 2026, o mercado brasileiro já havia recebido outras opções de medicamentos à base de semaglutida por meio de uma parceria entre a Eurofarma e a Novo Nordisk.

Desde outubro de 2025, a Eurofarma comercializa o Extensior e o Poviztra. De acordo com a farmacêutica, os produtos são idênticos aos medicamentos de referência da Novo Nordisk: o Extensior ao Ozempic e o Poviztra ao Wegovy.

Liraglutida

Outra substância que ganhou novos produtos neste ano foi a liraglutida, também pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.

Em 1º de junho, a Anvisa aprovou a Liraclick, da Germed. Em 8 de setembro, a Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS, destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Os produtos têm como matriz os medicamentos Olire e Lirux, da própria EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025. O Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto o Lirux é indicado para diabetes tipo 2.

Tanto o Olire quanto o Lirux são comercializados na apresentação de 6 mg em canetas. Ambos são anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet. Por lei, genéricos devem custar no mínimo 35% a menos que os medicamentos de referência.

Nesta quinta, foram mais três aprovadas contendo esta substância: Aribet, Lyrza e Wylovol, fabricadas pela indiana Biocon —a primeira para diabetes e as outras para obesidade.

Uma diferença prática da liraglutida em comparação à semaglutida e à tirzepatida é a frequência de aplicação. Enquanto estas são administradas, em geral, uma vez por semana, a liraglutida costuma exigir aplicação diária.

Tirzepatida

A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento da farmacêutica Eli Lilly aprovado pela Anvisa e utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conforme as indicações autorizadas.

Diferentemente da semaglutida, ela atua sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico, o GLP-1 e o GIP, sendo classificada como um agonista duplo.

A tirzepatida continua sob patente no Brasil. Por isso, o Mounjaro é a única opção aprovada pela Anvisa com esse princípio ativo.

Em 18 de março, a Anvisa aprovou o registro da versão multidose do Mounjaro. A nova apresentação, diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis no mercado, utiliza uma versão reutilizável, que permite múltiplas aplicações a partir de um mesmo frasco.

Dulaglutida

A dulaglutida é outra substância da família dos agonistas do receptor de GLP-1. No Brasil, seu principal medicamento de referência é o Trulicity, da Eli Lilly, aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2. Até o momento, não há versões genéricas ou similares no país, já que o medicamento ainda está protegido por patente.

Fonte _ Folha/SP

Acre inicia implementação de teste molecular para detecção precoce do câncer do colo do útero pelo SUS

 


Acre iniciou a implementação do teste molecular DNA-HPV para detecção precoce do câncer do colo do útero pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No estado, a coleta do exame pode ser realizada em Rio Branco. A estratégia integra a ampliação gradual da nova tecnologia de rastreamento no país, que já está disponível em 26 unidades da federação.  

O exame identifica a presença do papilomavírus humano (HPV), principal fator associado ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, incluindo os tipos 16 e 18, relacionados a maior risco para a doença. A tecnologia permite detectar infecções antes do surgimento de lesões, favorecendo o acompanhamento das mulheres e o encaminhamento oportuno para investigação e tratamento, quando necessário.

Entre as vantagens do teste molecular está a possibilidade de ampliar para cinco anos o intervalo até a próxima coleta quando o resultado é negativo, conforme as recomendações de rastreamento. O método também reduz a ocorrência de amostras insatisfatórias e contribui para agilizar a liberação dos resultados.

Avanço nacional

Em todo o Brasil, a estratégia já contabiliza 153 mil amostras coletadas em 2025 e 2026. Desse total, 93 mil foram processadas em 2026, ou seja, já passaram por análise laboratorial. Dessas, 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco.

O exame preventivo Papanicolau permanece disponível e segue sendo uma ferramenta segura e eficaz de prevenção enquanto a nova tecnologia está sendo incorporada. Para apoiar estados e municípios nesse processo, o Ministério da Saúde conta ainda com as ações do programa Agora Tem Especialistas, que contribuem para aumentar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados necessários ao diagnóstico e acompanhamento das pacientes.

Acesso ao teste 

A coleta para o teste molecular é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas pelo protocolo, também pode ser feita por autocoleta, após instrução de um profissional de saúde, ampliando as possibilidades de acesso das mulheres ao rastreamento. 

Todas as unidades da federação, com exceção do Espírito Santo, já receberam os materiais necessários e já iniciaram a realização dos exames em pelo menos um município. No estado do ES, o início da estratégia depende da conclusão das etapas de organização local, com previsão de envio de materiais ainda este ano.  
 
Os kits de coleta são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz). O Ministério da Saúde também avalia outras tecnologias que atendam aos padrões de qualidade exigidos pelo SUS para garantir o avanço da estratégia. 
 
Capacitação profissional  

A implantação do DNA-HPV vem sendo acompanhada por um processo de capacitação em parceria com estados e municípios. Treinamentos presenciais e online já foram realizados nas 27 unidades da Federação para preparar gestores e responsáveis por coordenar a implementação da estratégia nos territórios. 

Esses profissionais atuam como multiplicadores, apoiando a qualificação das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos demais serviços envolvidos no rastreamento. A preparação inclui não apenas o uso do novo protocolo e das orientações do INCA, mas também a reorganização dos fluxos de atendimento para garantir que as mulheres recebam acompanhamento adequado em todas as etapas do cuidado. 
 
Cobertura Vacinal 

Vale destacar também que o Brasil superou a média mundial de cobertura vacinal contra o HPV entre meninas e meninos de 9 a 14 anos, alcançando 87% de cobertura entre as meninas e 74% entre os meninos, em 2025.

Câncer do Colo do Útero 

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. Com o diagnóstico oportuno, as chances de cura são de 100%.

A doença pode não apresentar sintomas no início. Mas alguns sinais merecem atenção e devem ser investigados por um profissional de saúde: 

  • Sangramento durante ou após a relação sexual; 
  • Sangramento entre as menstruações; 
  • Sangramento depois da menopausa; 
  • Dor durante a relação sexual; 
  • Corrimento vaginal com sangue ou com mau cheiro. 

Nos casos mais avançados, podem aparecer outros sintomas, como: 

  • Dor na região da pelve ou na parte baixa das costas; 
  • Cansaço intenso; 
  • Problemas nos rins; 
  • Inchaço e dor nas pernas. 

Fonte _ Saúde.gov

InfoGripe: cinco estados têm SRAG em nível de alerta ou risco, com sinal de crescimento

 


Divulgada nesta quinta-feira (29/10), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que 5 das 27 unidades da Federação (UF) - Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Maranhão - apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta ou risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a Semana Epidemiológica (SE) 42, período de 18 a 24 de outubro. Em Sergipe, o aumento do número de casos de SRAG tem sido impulsionado pelo metapneumovírus, especialmente entre crianças pequenas.

O estudo aponta também que duas UF apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo - Roraima e Santa Catarina. No cenário nacional, o número de casos de SRAG está com tendência de estabilização ou oscilação nas últimas seis semanas e aumento nas últimas três semanas.

A atualização verificou ainda queda do número de casos de SRAG por metapneumovírus e estabilização de rinovírus e um leve crescimento dos casos graves por Covid-19, em nível nacional. No entanto, os casos graves por Covid-19 permanecem em níveis baixos no país. “Mesmo com o baixo número de hospitalizações por Covid-19 é muito importante que as pessoas dos grupos prioritários verifiquem se estão em dia com a vacina contra o vírus. Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses”, alerta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

Em Mato Grosso, segundo o InfoGripe, o aumento do número de casos de SRAG tem sido impulsionado principalmente pelo vírus Sars-CoV-2. Em Mato Grosso do Sul o incremento é causado pelo rinovírus e pelo Sars-CoV-2. No Maranhão e no Amapá o estudo verificou que não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus responsável pelo aumento do número de casos de SRAG.

As ocorrências de SRAG por metapneumovírus estão aumentando principalmente nos estados das regiões Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Nordeste (Bahia, Pernambuco e Sergipe). O estudo observou ainda um sinal de leve aumento dos casos de SRAG na faixa etária de 50 a 64 anos, e estabilização dos casos de SRAG nas demais faixas etárias. Em relação à Covid-19, há sinais de aumento dos casos graves em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, nesses três últimos estados, a incidência de SRAG por Covid-19 permanece em níveis muito baixos.

Cinco das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 42: Aracaju (SE), Belém (PA), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ).

O aumento de SRAG em Aracaju e Cuiabá ocorre especialmente entre crianças pequenas. Em João Pessoa, o aumento é observado principalmente na faixa etária de 50 a 64 anos. Em Belém, o aumento se dá entre crianças de 2 a 4 anos e adultos de 50 a 64 anos. Já na capital do Rio de Janeiro ocorre entre crianças menores de 2 anos e adultos de 15 a 49 anos. O InfoGripe mostra também que duas capitais apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo - Brasília (DF) e Florianópolis (SC).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 4,1% de influenza A, 5,4% de influenza B, 11,5% de vírus sincicial respiratório (VSR), 53,3% de rinovírus e 6,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 4,8% de influenza A, 7,6% de influenza B, 8,6% de VSR, 42,9% de rinovírus e 19% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 168.814 casos de SRAG, sendo 90.200 (53,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 61.754 (36,6%) negativos, e ao menos 7.351 (4,4%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 15,7% de influenza A, 5,5% de influenza B, 39,1% de VSR, 33,3% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças de até 2 anos, em termos de mortalidade ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao rinovírus, VSR e ao metapneumovírus. A pesquisadora Tatiana Portella ressalta que o rinovírus também se destaca como principal causa de mortalidade nas crianças de até 2 anos. Já a incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Tratamento completo contra câncer de mama poderia evitar 33% das mortes ante atual protocolo do SUS, diz estudo

 


Um estudo brasileiro indica que o uso de uma combinação mais eficaz de medicamentos no tratamento do câncer de mama HER2-positivo, um dos mais agressivos da doença, poderia diminuir significativamente o número de mortes em comparação com a estratégia tradicionalmente usada no SUS (Sistema Único de Saúde).

Com dados de 22,4 mil mulheres atendidas na rede pública, a pesquisa estima que um esquema terapêutico mais completo, que inclui um medicamento não oferecido pelo SUS, poderia reduzir em 33,7% o número de mortes ante a estratégia atualmente disponível. Trata-se de um modelo matemático preditivo, ou seja, as mortes são estimativas, não resultados reais.

Publicada na revista The Breast, a pesquisa "Impacto das terapias anti-HER2 nas mortes potencialmente evitáveis por câncer de mama HER2-positivo em estágios II e III no sistema público de saúde brasileiro", avaliou o impacto de três protocolos de tratamento para esse tipo de doença, que representa de 15% a 20% dos casos de câncer de mama.

"Os resultados mostram que quando a gente não usa o melhor tratamento, isso pode impactar em milhões ou milhares de vidas", afirma o mastologista André Mattar, da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), que coordenou a pesquisa.

A proteína HER2 favorece o crescimento e a multiplicação das células, o que pode tornar a doença mais agressiva. Durante anos, a estratégia utilizada no SUS para esse subtipo combinou quimioterapia e trastuzumabe, medicamento que bloqueia a proteína.

Mais recentemente, o T-DM1 também passou a ser oferecido na rede pública. A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) recomendou o medicamento em 2022 e ele foi aprovado em 2023. A disponibilização efetiva ocorreu apenas em outubro de 2025.

O medicamento combina um anticorpo direcionado ao HER2 com uma substância que atua contra as células tumorais. Ele pode ser utilizado após a cirurgia quando ainda há doença invasiva residual, ou seja, quando o tratamento anterior não eliminou completamente o tumor.

leia mais

Medicamentos diminuem risco de mortalidade no câncer de mama, mas acesso no SUS é limitado

Testes genéticos ajudam a rastrear câncer de mama; entenda para quais casos são indicados

Direitos de pacientes com câncer de mama incluem tratamento e cirurgia de reconstrução; saiba mais

Pacientes com câncer recorrem à IA para entender exames, e especialistas orientam uso

Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama avançado

Estudos clínicos demonstraram que outro medicamento, o pertuzumabe, pode aumentar a resposta ao tratamento antes da cirurgia. Ele atua sobre a proteína HER2, mas em um ponto diferente daquele atingido pelos outros medicamentos. O pertuzumabe, porém, não está disponível no SUS.

Os pesquisadores compararam três estratégias terapêuticas com esses três medicamentos. O primeiro cenário reproduziu o tratamento tradicional do SUS com o trastuzumabe. O segundo acrescentou o T-DM1 ao protocolo, enquanto o terceiro simulou uma estratégia completa, com os dois anteriores e com o pertuzumabe.

No primeiro cenário, a média projetada de mortes foi de 3.606. No segundo cenário, a média chegou a 2.672, uma redução de 25,9% dos óbitos. Na terceira estratégia, regime padrão-ouro, a média de óbitos alcançou 2.390, representando uma queda de 33,7% no número de mortes.

Segundo Mattar, a combinação de trastuzumabe, pertuzumabe e T-DM1 permite oferecer o tratamento mais completo entre os cenários analisados. "Deixar de tratar as pessoas de maneira adequada pode ter um potencial muito grande de deixar de curar essas pessoas."

O pesquisador reconhece que a incorporação de medicamentos precisa considerar o orçamento público e a concorrência entre diferentes prioridades de saúde. O preço de uma ampola de pertuzumabe, que precisa ser aplicado a cada 21 dias, pode variar de R$ 17 mil a R$ 20 mil.

O valor pago pelo sistema público pode ser menor devido a negociações de compra. Mattar estima que o preço possa cair pelo menos 50% em uma negociação para incorporação ao SUS.

O argumento do estudo, porém, é que a avaliação financeira deve levar em conta também o impacto clínico de não oferecer uma terapia mais eficaz para os pacientes.

"A nossa ideia é mostrar que, quando há uma decisão dos órgãos governamentais, isso pode ter um impacto significativo para o paciente que está sendo tratado", afirma.

Fonte _ Folha/SP

Ministério da Saúde inicia oferta no SUS de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia em todas as regiões do país

 


O Ministério da Saúde começa a ofertar, a partir dessa semana, nove novos medicamentos para tratamento de câncer no SUS. São produtos de alta tecnologia, que impactam na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão e linfomas, entre outros. A expectativa é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim do ano, ampliando em 35% as alternativas na rede pública de saúde. Esta é a maior inclusão tecnológica para o cuidado do câncer já realizada e atenderá 100% da demanda por esses produtos.

Muitos desses medicamentos eram aguardados há mais de dez anos: estavam incorporados ao SUS, mas sem a efetiva oferta nos serviços. A mudança veio com o Agora Tem Especialistas, iniciativa lançada em 2025 pelo Ministério da Saúde que visa consolidar a maior rede pública de cuidado do câncer para reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento no SUS. Em relação à oferta de medicamentos, foi instituída a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco) que definiu como cada tecnologia chegaria à população.

“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo. Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para viabilizar a oferta dos 23 novos medicamentos, o Ministério da Saúde assumiu a compra e negociação direta de 10 fármacos, articulou a realização de uma ata de preço para aquisição com menor preço pelos estados de outros nove e, para os outros quatro, ampliou os repasses para garantir o custeio nos serviços oncológicos do SUS. O impacto será R$ 4 bilhões por ano.

Novos medicamentos têm 13 indicações de câncer, com impacto na qualidade de vida

Os nove novos medicamentos são para 13 indicações diferentes para tratamento de câncer, com previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas. A disponibilização tem início em 20 centros de tratamento, localizados em todas as regiões do Brasil. A expectativa é expandir para todos os demais centros do país até o fim do ano. O impacto anual só na aquisição desses produtos será de R$ 155,4 milhões por ano.

A lista inclui medicamentos de alto custo, como o abemaciclibe, fármaco indicado para alguns tipos de câncer de mama, que pode custar R$ 366 mil na rede privada. Com a oferta no SUS, o acesso será ampliado para todos os pacientes que precisam desse tratamento.  Outro medicamento que passa a ser ofertado para uma nova indicação na rede pública é o pazopanibe, opção para pacientes com câncer renal metastático. Já o trastuzumabe, utilizado no SUS para o tratamento do câncer de mama, tem seu uso ampliado para pacientes com câncer de estômago.

Esses nove tratamentos atuam de formas diferentes, de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente. Entre os principais benefícios estão o aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida. Há ainda indicações para depois da cirurgia, quando não há mais sinal visível de tumor, com o objetivo de evitar que a doença volte.

As unidades de saúde que participam desta etapa de implementação estão localizadas em 17 estados contemplando toda as regiões do país: SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO, SE. Os pacientes serão atendidos por equipes capacitadas e com familiarização ao novo sistema, que está mais digital e integrado e com os fluxos de solicitação, registro e controle dos tratamentos mais modernos.

Saiba quais são os novos medicamentos

  • trastuzumabe — câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
  • abemaciclibe — câncer de mama precoce (RH+, Her2-, linfonodo +) ou avançado/metastático;
  • acetato de lanreotida — tumores neuroendócrinos;
  • pazopanibe — câncer de rim de células claras metastático;
  • rituximabe — leucemia linfocítica crônica (1ª linha), linfoma folicular, linfoma difuso;
  • abiraterona — câncer de próstata resistente à hormonioterapia não metastático e metastático e sensível à hormonioterapia e metastático
  • gefitinibe — câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha
  • TSH recombinante (alfatirotropina) — câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo
  • sunitinibe — câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe

SUS distribui exame para início do rastreamento do câncer de intestino

O SUS, agora, passará a indicar o rastreamento de câncer de intestino. Uma mudança fundamental para o diagnóstico precoce da doença. O Ministério da Saúde começa a distribuir para os estados 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início em novembro em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

O FIT será utilizado como exame de triagem para identificar quais pessoas precisarão realizar colonoscopia para confirmação do diagnóstico. A estratégia é voltada a homens e mulheres assintomáticos, entre 50 e 75 anos. De realização simples e semelhante a um teste de gravidez, o método detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O exame tem precisão de até 92%.

Entre as vantagens do FIT estão a praticidade, a rapidez do resultado e o menor custo. O método também permite direcionar a realização de colonoscopias para quem apresenta indicação, evitando procedimentos invasivos e desconfortáveis desnecessários em pessoas com resultado negativo.

Diferentemente do rastreamento do câncer colorretal, que será iniciado, o rastreamento do câncer do colo do útero já está em implementação no SUS, por meio do teste DNA-HPV. Como complemento, o Ministério da Saúde financiará a citologia reflexa em meio líquido, que utiliza a mesma coleta para avaliar amostras com sinais de alerta. O investimento anual será de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.

Com investimento de R$ 46 milhões por ano, o Ministério da Saúde passa a custear as cirurgias videotorácicas oncológicas, que contemplam principalmente o câncer de pulmão. A técnica utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos e é minimamente invasiva. As melhorias para os pacientes incluem a redução do tempo de internação e as complicações pós-operatórias.

Ministério da Saúde garante reajuste do valor dos procedimentos para diagnósticos mais rápidos e precisos

Com a Nova Tabela Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde está enterrando de vez a antiga tabela SUS e garantindo pagamentos três a quatro vezes maiores aos serviços de saúde. No caso da assistência oncológica, parte desses reajustes estão sendo realizados agora tanto para ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos quanto para acelerar o resultado dos exames, garantindo diagnóstico precoce.

Um dos reajustes realizados é o do recurso anual destinado à iodoterapia para o tratamento do câncer de tireoide, que passa por ampliação de 246%.  O aumento é de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões por ano e financia seis tipos de procedimentos. A atualização busca corrigir defasagens, considerando custos como a aquisição do iodo-131, o transporte do radiofármaco, a equipe assistencial, a proteção radiológica, os insumos, a manutenção da estrutura e o gerenciamento de rejeitos.

Para os medicamentos aplicados na veia, o repasse por procedimento passará a ser quatro vezes maior. Já para os medicamentos orais, o valor dobrará. A medida atende a uma demanda antiga dos serviços de saúde habilitados em oncologia, relacionada à necessidade de adequar os valores pagos às condições para a oferta do tratamento no SUS.

Os valores dos procedimentos de anatomia patológica no SUS também passam por atualização para fortalecer os serviços de diagnóstico e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública. Dentre os procedimentos estão biópsias e peças cirúrgicas. A iniciativa fortalece os Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT), que apoiam a análise de biópsias. Dos oito centros previstos, três já foram inaugurados, em Manaus (AM), Teresina (PI) e Diamantina (MG), e cinco estão em obras. Os serviços poderão receber até R$ 30 mil mensais de incentivo, conforme os critérios estabelecidos.

A estratégia inclui ainda o Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center que é o maior hospital exclusivo de câncer do Brasil e agora recebe as lâminas de biópsias de diferentes estados do país para acelerar os resultados. Em alguns estados, demoravam seis a sete meses para um resultado e, com essa parceria, reduziu para oito dias.

A medida prevê ainda o reajuste dos valores de exames e testes diagnósticos para diferentes tipos de câncer, além da inclusão de novos procedimentos no SUS.  São contemplados, por exemplo, sequenciamento genético e teste de biologia molecular. A iniciativa considera a complexidade e o custo de cada exame e conta com investimento anual de R$ 14,5 milhões.

Grupo de trabalho para o câncer infantojuvenil de retinoblastoma

O Ministério da Saúde criará um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha de cuidado do câncer infantojuvenil no Brasil voltada ao retinoblastoma, tumor que afeta a retina. A iniciativa é inédita e tem como objetivo estabelecer uma referência para organizar a assistência a crianças e adolescentes com esse tipo de câncer no SUS, com foco no diagnóstico precoce, na definição dos fluxos de atendimento e no encaminhamento oportuno para serviços especializados.

O principal sinal de alerta para a doença é um reflexo branco na pupila, que pode estar associado ou não ao estrabismo. As crianças com menos de 5 anos são as mais atingidas. O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Quando identificada rapidamente e tratada em serviço especializado, a sobrevida global supera 90%, com possibilidade de preservação do globo ocular e da visão.

Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica

O incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) será prorrogado até 2031. O edital, que é destinado para instituições privadas sem fins lucrativos está com inscrições abertas até 26 de outubro.

O Pronon apoia projetos de prevenção e combate ao câncer, incluindo ações de diagnóstico, tratamento, reabilitação e pesquisa. Em oito anos, mais de 2500 entidades foram habilitadas e mais de 1470 projetos aprovados.

Fonte _ Saúde.gov