A Fiocruz
celebrou parceria com o Ministério da Saúde (MS) cujo objetivo é
potencializar o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria
(CSEGSF) como espaço de inovação, formação e qualificação da Atenção
Primária à Saúde (APS). Para celebrar e marcar o início do acordo,
representantes do MS e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro
realizaram uma visita técnica ao CSEGSF.
Com vigência de
cinco anos, o projeto Qualificação em ensino e serviço de
profissionais da atenção primária à saúde, em território vulnerabilizado reafirma
o compromisso do MS com o fortalecimento do Centro de Saúde como unidade-escola
e das atividades de ensino da Escola Nacional de Saúde Pública
(Ensp/Fiocruz). A iniciativa prevê ações de formação permanente,
desenvolvimento de trilhas formativas em áreas prioritárias, aumento da
participação social, aprimoramento de programas de residência e pós-graduação
no âmbito da APS, ampliação do uso de indicadores e da produção de conhecimento
voltado à tomada de decisão em saúde. Assim, a iniciativa visa consolidar
Manguinhos como território-escola, aprimorar a resolutividade da APS, melhorar
o cuidado e gerar modelos replicáveis para outros territórios do SUS, alinhados
à Política Nacional de Atenção Básica e às necessidades reais da população.
A visita foi
marcada por dois momentos. De manhã, após um momento de recepção e abertura
institucional em que as equipes se apresentaram, foi realizada uma visita a
todos os espaços do Centro de Saúde. Na parte da tarde, a apresentação
institucional continuou, seguida de uma mesa de cooperação e alinhamento de
expectativas.
Representantes
destacam potencial estratégico
O SUS no
território e para o território. Segundo o diretor da Ensp/Fiocruz, Marco
Menezes, esse é um dos pontos centrais reforçados pelo projeto. Menezes
destacou que a execução do projeto parte da experiência prática no cuidado
realizado no território, tendo o Centro de Saúde como referência e origem da
articulação em Manguinhos. O diretor ressaltou que se trata de uma iniciativa
construída de forma integrada, que envolve Fiocruz, movimentos sociais e outras
áreas da instituição.
"Este projeto
também contribui para afirmar o papel estratégico da Fundação. Um dos temas
centrais desse debate é como melhoramos nossa atuação nos territórios, e esta
iniciativa tem grande potencial para valorizar ainda mais esse papel",
enfatizou. Menezes ressaltou a intenção de desenvolver uma experiência
inovadora de gestão e a possibilidade de expansão da iniciativa: "O
projeto nasce no Centro de Saúde, mas envolve toda a Escola. Essa integração é
uma das suas maiores fortalezas e representa uma oportunidade importante para
ampliar e valorizar ainda mais seus resultados".
"Estamos
muito felizes com este momento, que marca uma transformação importante na
gestão da Atenção Primária à Saúde no âmbito da Escola", afirmou a
vice-diretora de Atenção à Saúde e Laboratórios, Fátima Rocha. Segundo ela, a
cooperação fortalece o papel da Fiocruz no campo das políticas públicas, além
de representar a possibilidade de avançar no cuidado com a promoção de uma
atenção integrada. A vice-diretora enfatizou a importância da atuação coletiva
e reafirmou compromissos para realizar os objetivos: "É uma experiência
nova, que construiremos da forma mais cuidadosa possível. Contamos com o olhar
atento e a sensibilidade de todos para enfrentar os desafios e esperamos que o
processo dê robustez à rede de afetos e aos compromissos políticos fundamentais
para a dimensão e a importância dos desafios que temos pela frente".
Patrícia Canto, da
Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz),
destacou a satisfação de celebrar mais uma oportunidade de aprofundar a
cooperação entre a instituição e o MS. "Experiências como as desenvolvidas
aqui levaram a muitos dos princípios da Reforma Sanitária brasileira e do SUS.
Ao longo dos anos, o Centro sempre se renovou. Acredito que fará história ao
participar deste modelo inovador". Para Canto, o valor da iniciativa está
em fortalecer o papel da Fiocruz como espaço de inovação, formação, produção de
conhecimento e discussão de novas práticas, sempre integrado ao SUS.
"É um momento
de ressignificar a forma como atuamos, fortalecendo identidades, vínculos e
modos de produzir cuidado", defendeu a coordenadora de Atenção à Saúde da
Ensp, Lucélia Santos. Ela contextualizou que, frente às inúmeras iniciativas do
CSEGSF em formação, assistência, pesquisa e inovação, a parceria representa uma
oportunidade estratégica de garantir condições adequadas para os trabalhadores
e trabalhadoras, bem como de retomar uma vocação histórica: a de ser um centro
formador para o Brasil. "Nosso desafio é potencializar este legado. O
Centro já ocupa esse lugar, mas agora temos a possibilidade de ampliar seu
alcance e sua capacidade de formação, bem como de compartilhar suas
experiências de forma mais abrangente", reforçou.
"Entendemos o
projeto como uma possibilidade de potencializar o Centro de Saúde na formação
de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, na qualificação das nossas equipes
de Saúde da Família, pensando em um cuidado integral, cada vez mais alinhado com
as questões do território", afirmou a chefe do CSEGSF, Janine Santos, que
reforçou a participação histórica do Centro na construção da saúde pública
brasileira.
Ana Luiza Caldas,
da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS), destacou que este projeto
é resultado de uma demanda antiga e reforçou a importância do momento. Ela
defendeu que era necessário encontrar uma solução capaz de fortalecer a
vinculação do Centro de Saúde à Fiocruz, assim como seu papel histórico e
estratégico. "Foi com esse entendimento que construímos uma alternativa
que aprofunda o papel do Centro de Saúde Escola como espaço de assistência,
formação, pesquisa e inovação, sem perder de vista sua integração com a rede
municipal de saúde e sua contribuição histórica para o SUS", afirmou.
Segundo a representante da SAPS/MS, a expectativa é aprimorar mecanismos de
cooperação já existentes e avançar para instrumentos mais estruturados de
colaboração institucional, preservando a continuidade da assistência e das
atividades desenvolvidas no território.
"Nosso
objetivo é contribuir para que esta unidade se consolide como uma referência e
um modelo para o SUS. Acreditamos nessa força e estamos aqui para construir
esse caminho em parceria com vocês", declarou Ana Cláudia Cardozo Chaves,
coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade (SAPS/MS). A representante
do MS reforçou a expectativa positiva em relação à parceria e o potencial de
crescimento da cooperação: "Não tenho dúvidas de que a Fiocruz, a equipe
do Centro de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, com o apoio do
Ministério, conseguirão construir uma experiência de grande relevância. Estamos
aqui para apoiar, colaborar e experimentar conjuntamente novas possibilidades,
tanto no âmbito da formação quanto da inovação e do desenvolvimento tecnológico,
avaliando o que a parceria pode produzir e transformar".
Hannah Shiva
Ludgero Farias, da Coordenação de Atributos e Estratégias da APS (SAPS/MS),
reforçou a potencialidade de pensar o cuidado em saúde a partir da formação, da
qualificação, da atuação junto à população e da construção coletiva realizada
cotidianamente. "Este é o momento inicial da trajetória de um trabalho
muito potente", defendeu.
A assessora
técnica do Subsecretaria de Atenção Primária, Promoção e Vigilância em Saúde,
Laís Pimenta, afirmou que o Rio de Janeiro é pioneiro em diversas estratégias
de Atenção Primária, e a Ensp/Fiocruz ocupa papel central nesse processo ao
formar profissionais comprometidos com o SUS e preparados para pensar o cuidado
a partir das necessidades concretas da população. "Nenhuma transformação é
feita de forma isolada. Temos a oportunidade de consolidar o CSEGSF como um
laboratório de inovação não apenas para Manguinhos, mas para o Brasil e para o
mundo. Um espaço capaz de desenvolver experiências, tecnologias e estratégias
que transformem a vida das pessoas e fortaleçam o SUS", concluiu.
Outros
representantes da ENSP e do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do
projeto também marcaram presença na atividade. Entre eles Renata Collazos, da
Assessoria da Direção da Ensp; Pedro Lima, Patrícia Costa, Érica Souza e
Fabrício Araújo, da VDAL/Ensp; além de Janaína Rangel, Fabiano Santos, Isabella
Lopes, Vera Frossard, Eliane Vianna, Cristiane Coutinho Figueiredo e Rafael
Arnoso Leitão, integrantes das equipes de gestão, ensino, pesquisa, cuidado e
formação do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria.
O projeto
A proposta parte
do reconhecimento dos desafios enfrentados pela APS em territórios marcados por
vulnerabilidades sociais, desigualdades socioeconômicas e situações recorrentes
de violência armada, como Manguinhos. Este contexto foi agravado após a pandemia
de Covid-19, com o aumento das demandas relacionadas às condições crônicas, ao
sofrimento mental e à insegurança alimentar, complexificando o cuidado ofertado
às populações do território.
Nesse cenário, o
CSEGSF foi reconhecido como um espaço estratégico por articular assistência,
ensino, pesquisa e participação social. O projeto busca fortalecer essa vocação
por meio da qualificação de profissionais, da implementação de processos
sistemáticos de monitoramento e avaliação e do desenvolvimento de ações
voltadas a temas prioritários da APS, como cuidado integral, saúde mental,
vigilância em saúde, práticas integrativas e complementares, bem como segurança
do paciente e atenção à saúde em contextos de violência armada.
O objetivo da
iniciativa é contribuir para a melhoria do cuidado e da organização dos
processos de trabalho na APS, por meio da formação de profissionais capazes de
atuar de forma resolutiva, humanizada, interprofissional e comprometida com os
princípios do SUS. Para tanto, prevê o aperfeiçoamento de competências
técnicas, pedagógicas e de gestão, além da implementação de ações de
monitoramento e avaliação das práticas clínicas e dos indicadores de cuidado
integral, fortalecendo o acompanhamento longitudinal dos usuários, a
identificação das necessidades do território e a tomada de decisão.
Fonte _ FioCruz

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