Divulgado
nesta quinta-feira (18/6), o
novo Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já apresentava
crescimento em todo o país nas últimas semanas, voltou a aumentar na população
de jovens, adultos e idosos. Este cenário é impulsionado pelo aumento das
hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) nas
crianças pequenas e das hospitalizações pelos vírus da influenza A
e B na população de jovens, adultos e idosos.
Em
nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento do número de casos de
SRAG nas crianças até 4 anos e queda dos casos graves nas crianças e
adolescentes de 5 a 14 anos. Referente à Semana Epidemiológica 23,
a atualização abrange o período de 7 a 13 de junho.
A
pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação
Científica da Fiocruz, reforça que o importante é que a vacina contra a
influenza protege contra os vírus da influenza A e B. Por isso, afirma
Portella, é fundamental que as pessoas dos grupos de maior risco, como
crianças, idosos e pessoas com comorbidades, estejam vacinadas. A cientista
enfatiza ainda que também é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de
gestação, se vacinem contra o vírus sincicial respiratório para proteger seus
bebês contra o vírus.
Além disso, diante do leve aumento da Covid-19 em alguns estados, Portella orienta que é importante que a população de risco, como idosos e imunocomprometidos, esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19. “No mais, recomendamos alguns cuidados adicionais, como usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.
Estados
e capitais
A
análise mostra que 14 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG
em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de
crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 23:
Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa
Catarina e São Paulo.
Além
disso, 9 unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso,
Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Os
casos de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam aumentando na
maioria dos estados das regiões Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio
Grande do Norte) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em alguns
estados do Norte (Amapá e Roraima) e Sudeste (Rio de Janeiro e
São Paulo). Em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre,
Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, os casos de SRAG por
VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou
queda.
Na
atualização observa-se que 11 das 27 capitais apresentam nível de atividade de
SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de
crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a
semana 23: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS),
Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio
Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).
Além
disso, 12 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Aracaju (SE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), João Pessoa
(PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Rio De Janeiro (RJ),
Salvador (BA) e São Paulo (SP).
A
tendência de queda dos casos de SRAG na capital de São Paulo é puxada pela
diminuição dos casos de SRAG nas crianças pequenas, associados ao VSR. Contudo,
os casos de SRAG nos jovens, adultos e idosos continuam aumentando na capital
paulista, provavelmente relacionado ao aumento das hospitalizações por
influenza.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial
respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus
sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 89.725 casos de SRAG, sendo
44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 31.637 (35,3%) negativos e ao menos 7.740 (8,6%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes, por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Entre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,6% de influenza A, 3,5% de
influenza B, 35% de vírus sincicial respiratório, 31,8% de rinovírus e 5,4% de
Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de
influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência
e mortalidade
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças
pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre
os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado
maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior
impacto na população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por
Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Referente
aos óbitos de SRAG em 2026, foram registrados 3.842 óbitos de SRAG, sendo 1.772
(46,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório,
1.679 (43,7%) negativos e ao menos 82 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.
Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 41,7% de influenza A,
5,8% de influenza B, 9,6% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e
20,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os óbitos positivos foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de
influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz

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