O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (3) o início da
vacinação com a pneumo 20 para crianças de até 5 anos. O imunizante, novidade
no SUS, protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus
pneumoniae, principal causadora de doenças graves, como pneumonia e meningite, responsáveis por hospitalizações, sequelas e
óbitos. Esse é o quarto imunobiológico incorporado para crianças durante a
gestão — na rede privada, o custo chega a mais de R$ 500.
“Já
tomamos todos os passos necessários, inclusive com a publicação da nota técnica
e o início da distribuição para estados e municípios. A expectativa é que, a
partir da segunda quinzena de junho, as crianças possam receber a vacina nas
unidades básicas de saúde”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O
ministro também afirmou que o país seguirá fortalecendo a vacinação e a
confiança da população no Programa Nacional de Imunizações, além de combater o
negacionismo e os movimentos antivacina.
A
distribuição das primeiras 514 mil doses já começou. A vacinação será iniciada
à medida que os estados receberem os imunizantes e concluírem o envio aos
municípios. A previsão do Ministério da Saúde é disponibilizar mais de 6,1
milhões de doses ainda este ano.
O
diferencial da nova vacina é a ampliação da proteção imunológica, relacionadas
aos sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A
e 19A, sendo mais abrangente do que as formulações anteriores. A vacina também
atua contra a otite média, condição que pode levar à perda auditiva e infecção
generalizada quer pode levar à morte.
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a maior causa de
mortalidade infantil por doença prevenível. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram
registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos no Brasil,
o que representa uma taxa de letalidade superior a 30%. Entre crianças menores
de 5 anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período.
Além
de reduzir a incidência e a mortalidade pela doença pneumocócica, a vacinação
em larga escala deve aliviar significativamente os custos do SUS com
internações, tratamentos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), manejo de
sequelas e processos de reabilitação. Entre 2024 e outubro de 2025, o SUS
registrou mais de 34 mil atendimentos relacionados a doenças causadas pela
bactéria responsável por infecções graves, como pneumonia e meningite. Somente
em 2025, as internações de crianças de até cinco anos chegaram a 365 casos.
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina
em dezembro de 2023. As primeiras doses começaram a ser aplicadas na rede
privada em 2025, mas com acesso restrito devido ao alto custo. Com a
incorporação ao SUS, a vacina passa a ser ofertada gratuitamente à população,
ampliando o acesso a uma tecnologia avançada, reduzindo desigualdades no acesso
à proteção contra doenças graves. A medida reforça o compromisso do Ministério
da Saúde com o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a
ampliação da cobertura vacinal no país.
Novo
esquema vacinal e substituição das vacinas anteriores
O
SUS oferece as vacinas conjugadas pneumo10 e pneumo13 (com proteção mais
robusta e duradoura), e também a polissacarídica 23 (que amplia a cobertura
contra mais tipos da bactéria). As formulações atualmente utilizadas estão
alinhadas às diretrizes internacionais e apresentam uma relação custo-benefício
comprovada para as políticas de saúde pública.
Com
a incorporação da pneumo 20, o Ministério da Saúde iniciará uma transição
gradual para substituir esses imunizantes, já que a nova vacina amplia a
proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria pneumococo, aumenta o
potencial de prevenção de casos graves.
A
pneumo 20 será ofertada aos seguintes grupos prioritários:
- Crianças
menores de 5 anos;
- Povos
indígenas maiores de 5 anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo
conjugada);
- Idosos com 60
anos ou mais acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com
condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para
Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Durante
o período de transição, o esquema vacinal básico para a criança seguirá o
seguinte modelo: uma dose da pneumo 20 aos 2 meses de idade; uma dose da pneumo
10 aos 4 meses, e uma dose de reforço da pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o
intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. As vacinas VPC13
e VPP23 serão utilizadas em estratégias diferenciadas até a finalização dos
estoques.
Essa
estratégia será mantida até o término dos estoques da Pneumo 10. Após o
esgotamento dessas doses, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a
Pneumo 20. Por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no
aplicativo Meu SUS Digital, pais, mães e responsáveis podem acompanhar, em
tempo real, o histórico de vacinação.
Histórico
de resultados
Desde
a introdução da pneumo 10 no Programa
Nacional de Imunizações (PNI), em 2010, o Brasil registrou reduções
expressivas na incidência da doença pneumocócica invasiva causada por sorotipos
vacinais: entre 55% e 60% em crianças menores de 2 anos e queda superior a 65%
nos casos de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária. Entre adultos com
60 anos ou mais, a redução variou de 20% a 30%.
Nos
últimos três anos, o Ministério da Saúde recuperou todas as coberturas vacinais
infantis, revertendo a tendência de queda observada até 2022. A vacinação
contra doenças pneumocócicas acompanhou esse avanço, com a cobertura do esquema
básico passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em
2026, a cobertura parcial acumulada até o momento já alcança 86,33%, mantendo a
trajetória de proteção da população infantil.
A
vacinação permanece a estratégia mais eficaz para reduzir a ocorrência das
formas graves das doenças pneumocócicas invasivas e suas consequências mais
severas, como hospitalização, sequelas e óbito.
Fonte _ Saúde.gov

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