sexta-feira, 17 de abril de 2026

Imagens que curam: coleção histórica de cartazes narra evolução da saúde pública brasileira

 


Lançamento do novo inventário do MUSPER traz luz a campanhas de combate a endemias e epidemias ao longo do século XX; acervo de 6599 peças foi digitalizado e já pode ser acessado pelo público geral

Traçar uma linha do tempo da saúde pública brasileira e preservar essa memória também é um dos compromissos do Instituto Butantan. Nesse contexto, entender como a prevenção a doenças e as campanhas de conscientização da população mudaram ao longo dos anos fica ainda mais fácil quando essa evolução pode ser vista em imagens – ou cartazes. É exatamente isso que o Museu de Saúde Pública Emílio Ribas (MUSPER) do Instituto Butantan disponibiliza ao público geral a partir desta sexta (17/4) por meio do Inventário das Coleções de Cartazes de Campanha e Material Educativo da Área da Saúde e do Catálogo dos Cartazes de Dengue e Febre Amarela da Coleção de Cartazes de Campanhas de Saúde.

Após três anos de um minucioso trabalho de higienização e identificação de aproximadamente 7000 itens - sendo 1725 exemplares únicos de cartazes, 262 materiais educativos e cópias das respectivas coleções -, o MUSPER transpõe para o ambiente digital um acervo antes restrito à consulta presencial. As Coleções de Cartazes de Campanha e Material Educativo da Área da Saúde oferecem um mergulho na comunicação visual brasileira desde a década de 1940, cobrindo temas que vão do combate ao alcoolismo e tabagismo à prevenção de doenças como pneumonia, cólera, tuberculose e HIV. O material educativo, além de sensibilizar a população com relação à prevenção de doenças, era utilizado como recurso pedagógico no treinamento de profissionais da saúde em educação sanitária. O inventário como um todo permite que pesquisadores e educadores analisem as profundas mudanças estéticas e de tom que moldaram o combate a epidemias no Brasil ao longo de um século.


O esforço de sistematização do acervo, iniciado em 2014, ganhou fôlego em 2023 com uma força-tarefa de higienização, reparos físicos e catalogação técnica. O projeto vai além da conservação física das peças: a digitalização permite decifrar as mudanças históricas nas estratégias de saúde pública. Ao tornar acessíveis desde ilustrações feitas à mão até campanhas modernas, o inventário oferece um mapa visual de como o Brasil enfrentou suas epidemias e moldou o discurso de educação sanitária ao longo do tempo.

“Essa coleção, com diversidade de temas e períodos, nos possibilita interpretar como a visão sobre doenças e educação sanitária se modificam ao longo dos anos e observar os períodos de epidemias. Além da questão visual, porque temos desde cartazes que eram desenhados à mão, poder digitalizar e tornar eles acessíveis é um ganho muito grande para pesquisa e o interesse geral”, aponta Maria Talib Assad, analista de Documentação do MUSPER.


Dengue em destaque

Em um recorte ainda mais específico, o Catálogo dos Cartazes de Dengue e Febre Amarela chega alguns meses depois da disponibilização à população brasileira da Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida e produzida pelo Instituto. “O Butantan lançou um olhar atento sobre essa doença, ocupando um espaço de conscientização que, em certos períodos, perdeu o devido destaque nas esferas governamentais”, afirma a coordenadora cultural do MUSPER, Elisandra Gasparini Silva. 

O inventário permite inclusive identificar que a preocupação com doenças transmitidas por mosquitos vem desde muito antes da dengue se tornar uma preocupação nacional, a partir dos anos 1980. “Há um documento no inventário da década de 1920 dizendo que o código sanitário da época previa multa para reincidência de focos. A responsabilização já começava desde aquela época”, conta Maria.

Esse documento é o folheto O Mosquito (pernilongo), elaborado pelo Serviço Sanitário de São Paulo, que já estipulava multas para quem falhasse nos esforços de eliminar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e, então, da febre amarela urbana. Era a "Guerra aos Mosquitos", onde o cidadão era um alvo da lei. “O Codigo Sanitário do Estado de São Paulo determina que sejam multados os responsáveis pelas casas e terrenos, onde fôrem encontrados na reincidencia, fócos de mosquitos. (sic)” (trecho do Folheto “O mosquito (pernilongo)”. Fundo Serviço Sanitário do Estado de São Paulo. [1925-1937]. Acervo MUSPER)

Ao longo do tempo, houve uma mudança da representação do Aedes aegypti – tanto na figura quanto na intensidade do discurso à população. “Antes predominava um discurso de medo, com cartazes que personificavam o mosquito como um vilão. Hoje, a abordagem é mais educativa e próxima do cotidiano”, aponta Elisandra. “O público mudou, e a nossa forma de dialogar com a sociedade também se transformou”, completa ela.


Evolução do discurso

Em um dos textos incluídos no inventário, a professora Associada da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e doutora em História Social Maria Cristina da Costa Marques aponta que, desde o século XVIII, o Estado deixou de ser apenas uma "polícia médica" para se tornar um gestor, buscando melhorar, prolongar e tornar a vida das pessoas mais produtiva. Se antes a higiene flertava com a eugenia para moldar comportamentos, o desafio atual é “atuar na perspectiva da Educação e Comunicação em Saúde voltada ao encontro cultural, participativo e de direito ao conhecimento em saúde”. A consequência dessa mudança é que, ao longo dos séculos XX e XXI, “a Educação Sanitária ganhou status de política pública com estratégias de intervenção na saúde individual e coletiva”.

Outro nome a assinar um dos textos do inventário é a gerente de Projetos do Laboratório Piloto de Vacinas Virais do Instituto Butantan, Neuza Maria Frazatti Gallina, uma das pesquisadoras responsáveis pelo desenvolvimento da Butantan-DV. “Quando uma pessoa se depara com cartazes dizendo ‘Não dê chance à dengue’, ‘Dengue. Um país inteiro não pode ser derrotado por um mosquito’ ou ‘Eu não deixo a dengue entrar aqui’ está sendo estimulada não somente ao combate à dengue, mas também a sua cidadania e a união de um país”, resume.

Segundo Neuza, enquanto a ciência busca vacinas seguras, a comunicação combate a desinformação. O cartaz é um instrumento de cidadania que conecta o passado de "polícia médica" ao presente de proteção social. “Nos tempos em que a desinformação tomou conta da mídia, os cartazes continuam com seu papel de informar bem, para transformar. Cartazes nas campanhas de saúde continuam sendo peça primordial para o combate, não só da dengue, mas também de outras doenças que trazem tanto sofrimento à população e oneram tanto o nosso Sistema Nacional de Saúde.”

Fonte _ Butantan

quinta-feira, 16 de abril de 2026

InfoGripe: Casos de SRAG Crescem Em Crianças Menores de 2 Anos

 


O Boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado nesta quinta-feira (16/4) alerta para o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos em quatro das cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste). A análise aponta que o crescimento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal fator de elevação dos casos nessa faixa etária. A atualização também indicou que os casos graves por Covid-19 seguem em baixa no Brasil. 

O levantamento é referente à Semana Epidemiológica (SE 14), período de 5 a 11 de abril. O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

“O VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG em crianças pequenas, e uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para que seus bebês fiquem protegidos nos primeiros meses de vida”, explica a pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella. “Além disso, com o aumento das hospitalizações por influenza A em diversos estados do país, também é fundamental que a população prioritária que ainda não se vacinou procure um posto de saúde o quanto antes para receber a dose anual da vacina”. 

Capitais e estados 



No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam estabilidade nas tendências de curto e longo prazo. Em relação aos estados, o novo Boletim aponta que 14 das 27 UFs continuam com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14, localizadas nas regiões Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Piaui, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro).

Sobre o VSR, o quadro de crescimento foi constado em todo o Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), além de em muitos estados do Norte (Acre, Pará, Tocantins e Roraima) e Nordeste (Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia).

Com relação a influenza A, a nova edição do Boletim mostra que as ocorrências continuam aumentando em boa parte da região Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de  em algumas regiões do Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Por outro lado, o estudo sinaliza que os casos de SRAG associados à influenza A se mantêm em queda em muitos estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco), além do Pará e do Rio de Janeiro. 

Já os casos de SRAG associados ao rinovírus apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país. No entanto, continuam aumentando no Pará e Mato Grosso.

Sobre as capitais, quatorze das 27 apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 14: Rio Branco (Acre), Belém (Pará), Palmas (Tocantins), Cuiabá (Mato Grosso do Sul), Campo Grande (Mato Grosso), São Luís (Maranhão), Teresina (Piauí), João Pessoa (Paraíba), Recife (Pernambuco), Aracaju (Sergipe), Maceió (Alagoas), Belo Horizonte (Minas Gerais), Vitória (Espírito Santo) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).

Incidência e mortalidade 

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem impactado mais crianças de até quatro anos e idosos, enquanto a mortalidade continua apresentando maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 37.244 casos, sendo 15.816 (42,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) negativos e ao menos 3.990 (10,7%) aguardando resultado. Entre os casos positivos do ano corrente, os pesquisadores do Boletim InfoGripe verificaram que 41,1% foram de rinovírus 25,5% de influenza A; 17,4% de VSR; 10,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,7% de influenza B.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 33% para rinovírus; 32,2% para influenza A; 26,3% para VSR; 5,5% para Sars-CoV-2 (Covid-19); e 2,4% para influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 40,8% para influenza A; 26,9% para rinovírus; 23,3% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 5,3% para VSR; e 4,1% para influenza B.

Fonte _ FioCruz

Acre recebe mais de 5 mil doses da vacina contra a covid-19

 


Nesta semana, o Ministério da Saúde enviou mais 2,2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 para todos os estados e o Distrito Federal, garantindo estoque suficiente para atender às demandas regionais. O Acre recebeu 5.406 doses do imunizante. Com essa entrega, o total de doses distribuídas pela pasta nos primeiros meses deste ano chega a 6,3 milhões. Os estoques estão garantidos em todo o país.  

As vacinas ofertadas pelo SUS são as mais atualizadas contra as cepas em circulação e seguem recomendadas de forma prioritária para os grupos mais vulneráveis. “As vacinas continuam sendo a principal forma de prevenir casos graves, hospitalizações e mortes pela doença. O Brasil tem doses suficientes e segue garantindo o acesso da população à imunização”, afirma o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.  

O Ministério da Saúde mantém quantitativo suficiente em estoque para atender todo o país. A distribuição das doses às unidades de saúde e a organização da logística local são de responsabilidade dos estados e municípios, que gerenciam seus estoques, controle de validade e aplicação das doses.  

O envio é feito por meio de pauta automática, baseada em critérios como estimativa da população-alvo e o número de doses aplicadas. Estados podem formalizar solicitações adicionais caso identifiquem necessidades excepcionais. Quando acionado, o Ministério realiza o envio de mais doses.  

Abastecimento contínuo em todo o país  

Entre janeiro e março de 2026, o Ministério da Saúde enviou 4,1 milhões de doses aos estados, com 2 milhões já aplicadas. Na oportunidade, o estado do Acre foi contemplado com 21.212 doses.

Com a nova remessa enviada esta semana, a Pasta dá continuidade ao envio regular e se soma aos estoques regionais para crianças e adultos, reforçando a estratégia de ampliação da cobertura vacinal.  

A distribuição é feita pelo Ministério da Saúde diretamente às secretarias estaduais de saúde (SES), responsáveis pela logística de recebimento e distribuição das doses aos municípios.  

Quem deve se vacinar?   

O esquema de vacinação contra a covid-19 no Brasil segue diretrizes atualizadas, estruturadas conforme faixa etária e condições de saúde, com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis:  

  • Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;  
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;  
  • Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;  
  • Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);  
  • População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.  

A estratégia de vacinação também contempla outros grupos especiais, como trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios.  

A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e manter a proteção em dia.  

Cenário epidemiológico  

A covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, com potencial de agravamento, especialmente em grupos de maior risco, podendo evoluir para óbito. Em 2026, até 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal (SG) por covid-19. Também foram notificados 30.871 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 4,7% por covid-19 (1.456 casos), com 188 óbitos de SRAG por covid-19.  

Diante desse cenário, a vacinação continua sendo a principal forma de proteção. As vacinas oferecidas gratuitamente pelo SUS são seguras e eficazes para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos. Por isso, é fundamental manter o esquema vacinal atualizado, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Fonte _ Saúde.gov

Ministério da Saúde envia mais 2,2 milhões de doses contra Covid-19 e mantém estoques garantidos no país

 


Nesta semana, o Ministério da Saúde enviou mais 2,2 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 para todos os estados e o Distrito Federal, garantindo estoque suficiente para atender às demandas regionais. Com essa entrega, o total de doses distribuídas pela pasta nos primeiros meses deste ano chega a 6,3 milhões. Os estoques estão garantidos em todo o país.

As vacinas ofertadas pelo SUS são as mais atualizadas contra as cepas em circulação e seguem recomendadas de forma prioritária para os grupos mais vulneráveis. “As vacinas continuam sendo a principal forma de prevenir casos graves, hospitalizações e mortes pela doença. O Brasil tem doses suficientes e segue garantindo o acesso da população à imunização”, afirma o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.

O Ministério da Saúde mantém estoque para atender todo o país. A distribuição das doses às unidades de saúde e a organização da logística local são de responsabilidade dos estados e municípios, que gerenciam seus estoques, controle de validade e aplicação das doses.

O envio é feito por meio de pauta automática, baseada em critérios como estimativa da população-alvo e o número de doses aplicadas. Estados podem formalizar solicitações adicionais caso identifiquem necessidades excepcionais. Quando acionado, o Ministério realiza o envio de mais doses.

 

Abastecimento contínuo em todo o país

Entre janeiro e março de 2026, o Ministério da Saúde enviou 4,1 milhões de doses aos estados, com 2 milhões já aplicadas. A nova remessa, com mais 2,2 milhões de doses enviada nesta semana, dá continuidade ao envio regular e se soma aos estoques regionais para crianças e adultos, reforçando a estratégia de ampliação da cobertura vacinal.

A distribuição é feita pelo Ministério da Saúde diretamente às secretarias estaduais de saúde (SES), responsáveis pela logística de recebimento e distribuição das doses aos municípios.

 

Quem deve se vacinar?

  • O esquema de vacinação contra a Covid-19 no Brasil segue diretrizes atualizadas, estruturadas conforme faixa etária e condições de saúde, com foco na proteção dos grupos mais vulneráveis:
  • Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;
  • Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;
  • Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;
  • Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);
  • População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.

A estratégia de vacinação também contempla outros grupos especiais, como trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios.

A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e manter a proteção em dia.

 

Cenário epidemiológico

A Covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, com potencial de agravamento, especialmente em grupos de maior risco, podendo evoluir para óbito. Em 2026, até 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal (SG) por Covid-19. Também foram notificados 30.871 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 4,7% por Covid-19 (1.456 casos), com 188 óbitos de SRAG por Covid-19.

Diante desse cenário, a vacinação continua sendo a principal forma de proteção. As vacinas oferecidas gratuitamente pelo SUS são seguras e eficazes para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos. Por isso, é fundamental manter o esquema vacinal atualizado, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 9 de abril de 2026

InfoGripe: casos de influenza A têm queda no Norte e Nordeste e aumento no Centro-Sul

 


Divulgada nesta quinta-feira (9/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, em nível nacional, o quadro é de interrupção do crescimento ou queda do número de casos graves de influenza A em muitos estados do Norte e Nordeste e por rinovírus em boa parte do país. Apesar deste cenário, a influenza A ainda apresenta níveis elevados de incidência nessas regiões. A análise verificou que 13 das 27 unidades federativas (UF) - localizadas no Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Espírito Santo) - continuam com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, com sinal de crescimento nas últimas seis semanas. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 13, período de 29 de março a 4 de abril.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 30,7% de influenza A, 2,0% de influenza B, 19,9% de vírus sincicial respiratório, 40,8% de rinovírus e 6,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Quanto aos óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 40,5% de influenza A, 3,2% de influenza B, 5,5% de vírus sincicial respiratório, 27,3% de rinovírus e 25,0% de Sars-CoV-2.

Em 2026 já foram notificados 31.768 casos de SRAG, sendo 13.205 (41,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 12.678 (39,9%) negativos e cerca de 3.527 (11,1%) aguardando resultado laboratorial. Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a queda de SRAG em crianças e adolescentes está associada à diminuição dos casos graves por rinovírus parte significativa do país. Entre adultos e idosos, a diminuição dos casos de SRAG tem sido impulsionada pela queda das hospitalizações por influenza A em muitos estados, especialmente das regiões Norte e Nordeste.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a vacina contra a influenza é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos pelo vírus. Portanto, ela reforça que é fundamental que a população de maior risco – como as crianças, idosos e pessoas com comorbidades, e também os grupos mais expostos, como profissionais de saúde – vacinem-se o quanto antes.

"Além disso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o VSR, garantindo a proteção dos bebês ao nascer. Também recomendamos que pessoas com sintomas de gripe ou resfriado permaneçam em casa em isolamento; caso isso não seja possível, o ideal é sair usando uma boa máscara", destaca Portella.


 

Estados e capitais

Observa-se que 13 das 27 UF continuam com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 13, localizadas nas regiões Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Espírito Santo). Além disso, 6 UF continuam apresentando incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), porém já com sinal de interrupção do crescimento ou queda na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 13: Amazonas, Roraima, Rondônia, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro continuam com sinal de crescimento dos casos de SRAG na tendência de longo prazo, porém com incidência de SRAG em nível de segurança.

Os casos de SRAG associados à influenza A mostram sinal de interrupção do crescimento ou queda em muitos estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco), Norte (Amapá, Pará e Rondônia) além do Rio de Janeiro. Porém continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), e em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe).

Os casos de SRAG por VSR, que afetam especialmente crianças de até dois anos, continuam aumentando em muitos estados do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), mas já estão em queda em alguns estados do Norte (Acre, Roraima e Amazonas).  Os casos de SRAG associados ao rinovírus apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país, mas continuam aumentando no Pará, Maranhão, Mato Grosso e Alagoas.

Os registros de SRAG por rinovírus, apesar de mostram interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país, continuam aumentando no Pará, Maranhão, Mato Grosso e Alagoas.

O estudo constatou também que 11 das 27 capitais apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento últimas seis semanas até a semana 13: Palmas (TO), Cuiabá (MT), São Luís (MA), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Aracaju (SE), Maceió (AL), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ). Segundo o Boletim, oito capitais mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda dos casos de SRAG na tendência de longo prazo (seis semanas), continuam com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco até a semana 13: Boa Vista (RR), Manaus (AM), Belém (PA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO), Brasília (DF), Salvador (BA), Teresina (PI).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A e Covid-19. A incidência de SRAG por influenza A e Covid-19 é maior entre crianças pequenas. Em relação à mortalidade, a Covid-19 afeta principalmente os idosos, enquanto a influenza A apresenta maior impacto também nos idosos, seguido das crianças pequenas.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Ministério da Saúde vai qualificar 160 profissionais no Acre para ampliar a oferta de implante contraceptivo

 


Ministério da Saúde iniciou a segunda fase das oficinas de qualificação para a inserção do implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel no SUS, conhecido como Implanon. A previsão é qualificar mais 11 mil profissionais, entre médicos e enfermeiros, para ampliar a oferta do método na rede pública. Serão mais 32 treinamentos em todo o país, com foco em municípios com menos de 50 mil habitantes. No Acre, a oficina será realizada em Rio Branco nos dias 15 e 16 de abril. A previsão é que 160 profissionais da atenção primária do estado sejam treinados para ofertar métodos contraceptivos, incluindo a inserção do Implanon, além de abordagens que visam o diálogo sobre a saúde sexual e reprodutiva do paciente.   

O novo ciclo já passou por Vitória (ES), João Pessoa (PB), Recife (PE), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Salvador (BA) nos primeiros meses de 2026. As oficinas são presenciais e combinam teoria e prática com uso de simuladores anatômicos, supervisionadas por facilitadores do Ministério da Saúde. A carga horária foi ampliada para 12 horas no caso de enfermeiros e 6 horas para médicos, com foco na prática segura e no cumprimento das normativas profissionais. Os encontros também incluem espaços de diálogo com gestores locais para fortalecer a implementação nos territórios. 

Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 500 mil unidades para todos os estados, priorizando municípios com mais de 50 mil habitantes e critérios de vulnerabilidade social. O Acre já recebeu cerca de 1.700 implantes.  E para 2026, está prevista a entrega de mais 1,3 milhão de unidades do Implanon.  

A realização das novas oficinas é mais uma etapa da estratégia de implementação do Implanon no SUS, que busca qualificar os profissionais para inserção, retirada e manejo de possíveis intercorrências e reforçar a conduta nas consultas em saúde sexual e reprodutiva com uma abordagem abrangente, que inclui direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual, enfrentamento ao racismo, abordagem às violências na atenção primária à saúde e todos os demais métodos contraceptivos ofertados no SUS.

 

Primeiro ciclo alcançou mais de 2,8 mil profissionais em todo o país 

A primeira fase das oficinas, realizada entre outubro e dezembro de 2025, percorreu 27 estados com 30 oficinas. Ezequiel Martins, enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília (DF), reforça que a formação vai além da técnica. “A atividade trouxe discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de mais segurança para realizar o procedimento”, afirma. 

Ao todo, participaram aproximadamente 2,9 mil profissionais e gestores, alcançando 682 municípios. Desse total, cerca de 1,8 mil médicos e enfermeiros foram qualificados para realizar a inserção e retirada do Implanon. 

O novo ciclo busca consolidar a oferta do implante no SUS, aliando ampliação de acesso, qualificação das equipes e integração ao cuidado em saúde sexual e reprodutiva. 

 

Sobre o Implanon 

O implante subdérmico é um método considerado vantajoso para prevenir a gravidez não planejada por sua longa duração e alta eficácia, podendo atuar no organismo por até três anos.  Após esse tempo, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção. 

O Implanon integra o rol de métodos contraceptivos gratuitos do SUS – que inclui preservativos externos e internos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais combinados e de progestagênio, pílulas de emergência, laqueadura tubária bilateral e vasectomia, entre outros. O Ministério da Saúde reforça, contudo, que o uso de preservativos é indispensável, por ser o único método que garante proteção simultânea contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Fonte _ Saúde.gov

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Determinantes sociais ampliam desigualdades e exigem ação além da saúde, diz diretor da OMS

 


Os fatores que mais influenciam a saúde das populações estão, em grande parte, fora dos hospitais. Condições de moradia, renda, educação, acesso à tecnologia, mudanças climáticas e decisões econômicas moldam quem vive mais e melhor.

É o que afirma o médico Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para ele, compreender essa teia é essencial para enfrentar desigualdades persistentes, ainda que a complexidade do tema dificulte sua tradução em políticas concretas.


"São todos esses aspectos da sociedade que impactam a saúde. E há muitos: habitação, digitalização, guerras, mudança climática. Não é porque é complexo que devemos ignorar", afirmou Krug, em entrevista à Folha. Ele esteve no Rio de Janeiro na semana passada participando da Cúpula da Parceria para Cidades Saudáveis.

A iniciativa é apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Vital Strategies, e trabalha de forma colaborativa em políticas públicas voltadas à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e lesões passíveis de prevenção.

Segundo ele, houve uma evolução na forma de pensar a saúde pública —do foco em doenças infecciosas e hospitais para a incorporação das doenças crônicas e, mais recentemente, dos fatores sociais que determinam o adoecimento.

Os dados mais recentes da OMS ajudam a dimensionar o problema. Há uma diferença de 33 anos na expectativa de vida entre países com melhores e piores indicadores, enquanto 94% das mortes maternas ocorrem em países de baixa e média renda.

Embora tenha havido avanços, como a queda de 40% na mortalidade materna entre 2000 e 2023, a desigualdade de renda dentro dos países aumentou, agravando os desfechos em saúde. A pandemia da Covid também reverteu parte desses ganhos, atingindo de forma desproporcional as populações mais pobres.

Krug ressalta que esses determinantes têm peso maior do que fatores individuais. "Eles são mais importantes do que a genética e até do que o acesso aos serviços de saúde", afirma. "Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública."

Se não olharmos para desigualdade, discriminação e condições de vida, perdemos a maior parte do impacto possível em saúde pública

Etienne Krug

médico e diretor do Departamento de Determinantes Sociais de Saúde da OMS

As disparidades aparecem de forma contundente em diferentes contextos. Entre populações indígenas, a diferença de expectativa de vida ultrapassa uma década em países como Canadá e Austrália e chega a mais de 20 anos em grupos específicos na África.

Na Europa, homens com menor escolaridade vivem mais de dez anos a menos do que aqueles com maior nível educacional em países como Hungria e Polônia. Nos Estados Unidos, a mortalidade materna entre mulheres negras é quase três vezes maior do que entre mulheres brancas.

No Brasil, há disparidades semelhantes. As diferenças de expectativa de vida em São Paulo, por exemplo, chegam a 24 anos. Enquanto moradores do Alto de Pinheiros (zona oeste) vivem em média cerca de 82 a 85 anos, os que moram em áreas como Anhanguera (zona oeste) e Cidade Tiradentes (zona leste) têm uma idade média ao morrer próxima aos 58-62 anos.

O local onde se vive também pesa. Mais da metade da população mundial está em áreas urbanas, e cerca de um quarto vive em assentamentos precários, com maior exposição a doenças. A poluição do ar, outro determinante relevante, está associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano. "Não somos todos afetados da mesma forma", diz Krug. "As populações mais vulneráveis acumulam riscos."

Para avançar, a OMS aposta em uma agenda mais pragmática. Um dos pilares é a criação de métricas comparáveis entre países. "Se não entendermos o tamanho do problema e continuarmos a coletar dados de forma não padronizada, não conseguimos comparar nem monitorar progresso", afirma. A organização lançou um sistema internacional de monitoramento, já adotado por alguns países.

Outra frente é a identificação de políticas custo-efetivas, com destaque para a proteção social. Hoje, mais de 3,8 bilhões de pessoas no mundo não têm qualquer cobertura nessa área. "Sabemos que oferecer algum nível de proteção às populações mais pobres funciona", diz.

Ele reconhece, porém, que o tema enfrenta resistência fiscal. "É difícil, mas a inação também tem um custo. Sem investir, teremos mais doenças e mais gastos no futuro."

A pressão econômica global agrava o cenário. O valor pago em juros da dívida pelos 75 países mais pobres quadruplicou na última década, reduzindo o espaço para investimentos em saúde, educação e proteção social. "Muitos países estão presos em um ciclo que alimenta a má saúde", afirma.

A transformação digital e as mudanças climáticas ampliam ainda mais as desigualdades. "Durante a Covid, vimos que quem não tinha acesso à internet sequer conseguia informações básicas", diz.

Já o aquecimento global afeta mais intensamente populações vulneráveis, expostas a enchentes, calor extremo e moradias precárias. Em paralelo, o número de pessoas deslocadas à força triplicou nos últimos 15 anos, em meio ao aumento de conflitos.

O relatório também destaca o peso de interesses comerciais. Indústrias como as de alimentos ultraprocessados, combustíveis fósseis, álcool e tabaco respondem por cerca de um terço das mortes evitáveis no mundo —cerca de 19 milhões por ano— e influenciam políticas públicas e o debate científico.

Para Krug, enfrentar os determinantes sociais exige ação coordenada muito além do setor saúde. "Não são apenas os ministros da Saúde. São os de Finanças, Educação, Desenvolvimento Social. E coordenar isso não é fácil", afirma. Ainda assim, ele vê avanços. "Se deixarmos de lado essa parte mais complexa, perdemos a maior oportunidade de melhorar a saúde pública."

A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da PHC (Partnership for Healthy Cities)

Fonte _ Folha/SP

quarta-feira, 1 de abril de 2026

InfoGripe: número de casos de influenza continua aumentando no país

 


Divulgada nesta quarta-feira (1º/4), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de influenza A continua aumentando no cenário nacional. A análise verificou que a maioria das unidades federativas (UF) no Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estão com nível de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento. A maioria dessas ocorrências de SRAG, que pode causar morte nos casos mais graves, tem sido motivada por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.

Este cenário, de acordo com os pesquisadores, torna ainda mais importante a vacinação contra a influenza. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a ação segue até 30 de maio, com imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os registros apontam que, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,4% de influenza A, 1,5% de influenza B, 17,7% de vírus sincicial respiratório, 45,3% de rinovírus e 7,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Em relação aos óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março.

Diante desse cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por influenza A e o VSR é a vacinação. “Por isso, é fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza. Também é importante que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o VSR, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento”, afirma.

Portella reforçou ainda que a recomendação é que as pessoas que vivem em estados com alta de SRAG - especialmente as que fazem parte dos grupos de risco utilizem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração.” Além disso, é importante também manter a higiene, como lavar sempre as mãos. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”.


Estados e capitais

Observa-se que a maioria das UF do Norte (Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento nos casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis emanas) até a Semana 12. Acre, Amapá, Goiás, e Ceará continuam com nível de incidência de SRAG em alerta ou risco (últimas duas semanas), porém apresentando sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 12.

Os casos de SRAG associados à influenza A mostram sinais de queda no Pará, Ceará e Pernambuco, mas continuam em crescimento na maior parte do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e em parte do Norte (Amapá e Rondônia) e do Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Além desses estados, o Paraná começou a apresentar sinais de aumento do número de casos.

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentando em muitas UF do Norte (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) e começam a dar sinais de início de aumento no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). As ocorrências de SRAG por metapneumovírus também tem aumentado ainda nas crianças no Distrito Federal e Minas Gerais.

Os registros de SRAG associados ao rinovírus continuam aumentando em muitos estados do Norte (Amapá, Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Mas mostram sinais de interrupção do crescimento em todos os estados do Centro-Oeste e Sul, em alguns estados do Nordeste (Maranhão, Ceará, Pernambuco e Sergipe) e em São Paulo.

Quatorze das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 12: Boa Vista, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Teresina, Natal, João Pessoa Recife, Aracaju, Maceió, Salvador, Belo Horizonte, Vitória  e Rio de Janeiro.

Dados epidemiológicos

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária indicam que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes continua sendo impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. No entanto, os casos de SRAG associados a ambos os vírus já apresentam sinais de desaceleração do crescimento ou início de queda em alguns estados. O VSR também tem contribuído para o aumento de SRAG em crianças pequenas.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela Covid-19 e influenza A.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias na identificação de casos prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

É falso que alumínio presente nas vacinas aumenta casos de autismo

 


Uma desinformação antiga volta a circular nas redes sociais: a de que o alumínio em vacinas infantis aumentaria casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Em vídeo no Instagram, o médico Felipe Belanda Trofino, que frequentemente questiona a eficácia e a segurança da vacinação infantil, volta a sugerir esse vínculo — tese já desmentida repetidas vezes.

Ele também resgata a ideia falsa de que uma suposta “encefalite por alumínio” explicaria sintomas de autismo. Outra mentira, já que vacinas não causam encefalite. Vamos aos fatos. A seguir, confira o que é fato e o que é fake.

Como o alumínio aparece nas vacinas

O alumínio é utilizado como adjuvante, isto é, uma substância que potencializa a resposta imune e ajuda a vacina a funcionar melhor. Sua utilização está consolidada há décadas e não está associada ao aumento de risco de desenvolvimento de doenças atópicas ou neurodesenvolvimentais em crianças.

As quantidades presentes nos imunizantes são muito baixas e não fazem mal à saúde. A segurança dos adjuvantes de alumínio é amplamente documentada, e defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o adjuvante é entendido como parte importante da eficácia de diversas vacinas.

O que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Segundo a OMS, ocorre em cerca de uma a cada 100 crianças. O espectro inclui diferentes graus e manifestações, com sinais que podem surgir ainda nos primeiros meses de vida; o diagnóstico costuma acontecer por volta dos 2 a 3 anos.

O transtorno se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e por interesses e comportamentos repetitivos, variando em gravidade (níveis 1, 2 ou 3).

As causas do TEA têm origem genética: mais de 100 genes já foram associados ao transtorno. Um estudo recente sequenciou o genoma de mais de 20 mil pessoas e identificou 134 genes relacionados ao distúrbio. Por ser multifatorial e complexo, o diagnóstico requer uma avaliação minuciosa e equipe multidisciplinar.

De onde veio o boato

A desinformação que liga vacinas ao autismo ganhou força em 1998, com um estudo publicado na revista The Lancet pelo médico britânico Andrew Wakefield. A pesquisa tinha falhas graves, dados falsos e conflitos de interesse. A farsa foi exposta em 2004 por reportagem investigativa de Brian Deer no The Sunday Times.

Em 2010, Wakefield foi considerado inapto para exercer a medicina pelo Conselho Geral de Medicina do Reino Unido por conduta “irresponsável”, “antiética” e “enganosa”. A própria The Lancet retratou o artigo, reconhecendo que suas conclusões eram falsas. Ainda assim, o estudo fraudulento alimentou movimentos antivacinas e queda de coberturas vacinais em vários países.

O que dizem as evidências confiáveis

  • Não há relação causal entre vacinas e TEA. Uma análise publicada em 2014 na revista Vaccines, envolvendo mais de 1 milhão de crianças, não encontrou associação entre vacinação e autismo.
  • O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas (GACVS/OMS) confirmou que não existem evidências de relação causal entre a tríplice viral (MMR) e o autismo.
  • Em relação às vacinas MMR e covid-19, diversos estudos foram conduzidos e nenhum demonstrou conexão com o desenvolvimento do TEA.

Vacinas são seguras — e salvam vidas

Vacinas passam por pesquisas rigorosas e são a forma mais segura de prevenir doenças graves. A pandemia de covid-19 — responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil — foi controlada com a vacinação em massa. No Sistema Único de Saúde (SUS), os imunizantes são gratuitos e protegem contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, entre outras.

Por que vacinar crianças e adolescentes

A vacinação protege o indivíduo e a comunidade, evita surtos e salva milhões de vidas. Estima-se que as vacinas contra o sarampo tenham evitado mais de 23 milhões de mortes entre 2000 e 2018 no mundo. Manter o calendário vacinal em dia impede o retorno de doenças altamente contagiosas — como rubéola, tétano e poliomielite. E, mais uma vez, é importante reforçar: vacinas não causam autismo.

Resumindo: o alumínio presente nas vacinas é seguro, o TEA tem base genética e a hipótese de ligação entre vacinas e autismo nasceu de um estudo fraudulento já desmentido e retratado. Vacinar protege e salva vidas. Não deixe a desinformação se espalhar. Consulte sempre fontes confiáveis como o Ministério da Saúde ou a OMS.

Fontes

As referências usadas nesta matéria são:

Vacinas infantis não causam autismo

Por que é mentira que vacinas causam autismo? Conheça a história por trás desse mito

Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo

Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle das hepatites virais

Fonte _ Saúde.gov