segunda-feira, 25 de maio de 2026

Foco na Saúde

 


1ª Semana do Técnico de Enfermagem do CETEAC reúne mais de 700 pessoas e reforça valorização dos profissionais da linha de frente da saúde O CETEAC. Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação.

Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes. A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes.

A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores.

Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.

O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem.

O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente. Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala.

O CETEAC Cursos Técnicos realizou, com grande sucesso, a 1ª Semana do Técnico de Enfermagem 2026, evento que reuniu mais de 700 participantes ao longo de toda a programação. Mais do que uma semana de atividades e capacitação, o evento teve como principal objetivo fortalecer, reconhecer e valorizar a identidade do Técnico de Enfermagem, profissional essencial que atua diariamente na linha de frente da assistência, do acolhimento e do cuidado com os pacientes.

A edição deste ano seguiu o tema nacional proposto pelo COREN (Conselho Regional de Enfermagem), reforçando a importância da valorização da enfermagem e dos profissionais que atuam diretamente na assistência à população.

Durante toda a programação, o CETEAC destacou o papel indispensável do Técnico de Enfermagem dentro das unidades de saúde, sendo o profissional que acompanha, acolhe, auxilia e presta os primeiros cuidados aos pacientes. A instituição reforçou que, além da formação técnica, a enfermagem exige responsabilidade, empatia, humanização e compromisso com a vida, já que são esses profissionais que permanecem mais próximos do paciente em momentos delicados e decisivos.

A programação contou com o Método Start, minicursos profissionalizantes, atividades de integração e o concurso Miss & Mister CETEAC 2026, que consagrou Thiago e Elaine como vencedores. Como reconhecimento, os ganhadores do Miss e Mister CETEAC receberam 30% de desconto na mensalidade até o fim do curso. Entre os minicursos oferecidos estiveram aplicações de injetáveis, primeiros socorros básicos, feridas e curativos, além de contenção de hemorragias, proporcionando aos alunos experiências práticas e conhecimentos essenciais para a atuação profissional.


O encerramento aconteceu com o simpósio “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”, realizado no auditório da Uninorte. O momento reuniu os palestrantes André Alab, Renato Melo e Letícia Pontes, além de contar com destaque especial para o Secretário Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, que abordou as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho na área da saúde, ressaltando a importância da qualificação profissional e da valorização dos Técnicos de Enfermagem. O simpósio promoveu importantes reflexões sobre ética, responsabilidade profissional e o papel indispensável da enfermagem no cuidado humanizado, tornando a noite marcada por debates enriquecedores e inspiradores.

A direção do CETEAC destacou que a realização da semana representou um importante marco para a instituição e para os alunos, reforçando o compromisso de formar profissionais preparados não apenas tecnicamente, mas também humanamente, conscientes da relevância e da responsabilidade de cuidar de vidas diariamente.

Por Thays Nogueira, Hospital do Rim – Grupo Nasserala

Fonte _ AC24hs

Instituto Butantan firma parceria com Instituto de Saúde para oferecer cursos de capacitação a profissionais do SUS

 


O Instituto Butantan e o Instituto de Saúde (IS) assinaram acordo para ampliar o acesso aos cursos de Ensino à Distância (EaD) produzidos pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Estabelecida em setembro de 2025, a parceria permite que enfermeiros, médicos, técnicos e agentes de saúde ingressem em ao menos 12 cursos da ESIB por meio do site do IS. O objetivo é integrar os cursos, que envolvem temas como imunização e biologia animal, ao plano de desenvolvimento desses profissionais, fortalecendo o atendimento em áreas como vacinação e acidentes com animais peçonhentos.

O interesse pela plataforma da ESIB por parte do Instituto de Saúde surgiu da necessidade de sanar lacunas identificadas na formação de profissionais da saúde. Com cursos gravados, que podem ser acessados a qualquer momento, o modelo incentiva gestores a indicá-los às suas equipes - conforme a necessidade e área de atuação - e acompanhar a evolução dos profissionais até a certificação.

Embora o foco seja o estado de São Paulo, a divulgação dos cursos em canais especializados ajuda a expandir o alcance da plataforma para outras localidades. Atualmente, os cursos EaD da ESIB já atingem todos os estados brasileiros, com maior concentração no Sudeste, seguido das regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Além do Brasil, os cursos da ESIB já foram realizados por alunos residentes em cerca de 30 países como Argentina, Angola, Japão e Estados Unidos. 

Para o diretor da ESIB e vice-diretor do Instituto Butantan, Rui Curi, a democratização do saber científico é central. “É preciso criar mecanismos para que as pessoas compreendam o que está sendo ensinado. Por mais complexo que possa parecer, há formas alternativas de fazer o conhecimento chegar e ser assimilado”, afirma.

Um exemplo prático é o curso Dengue: do mosquito ao diagnóstico, o primeiro a ser integrado à parceria e que segue aberto ao público geral. Ele une especialistas acerca do vírus da dengue, do mosquito Aedes aegypti e um médico que aborda o contexto clínico da doença, explica a analista de cursos e programas da ESIB, Leticia Sueiro. “São recursos multidisciplinares completos que, muitas vezes, permanecem desconhecidos pelos profissionais”, afirma. Além de a proximidade com instituições parceiras contribuir para que mais profissionais conheçam a ESIB, a colaboração ajuda na identificação de novas demandas de cursos e permite o ajuste de carga horária e de nível técnico das disciplinas com mais precisão.

A ESIB oferece também a capacitação Veneno ou Peçonha? e a formação Anfíbios: anuros e cobras-cegas, integrantes de uma série de cursos sobre escorpiões, aranhas, serpentes e peixes peçonhentos - que está sendo lançada gradualmente na plataforma - para auxiliar profissionais na identificação de animais e sintomas em caso de acidentes.

“Queremos que tanto o paciente quanto o enfermeiro que aplica a dose ou o médico que faz o diagnóstico possam efetivamente aprender com nossos cursos”, diz Rui Curi ao ressaltar o compromisso do Instituto Butantan e da ESIB com a elaboração e a disseminação do conhecimento científico em saúde. 

Para Rui Curi, a missão de divulgar a ciência realizada dentro do Butantan para a população faz parte da vocação educadora do Instituto. “Não entregamos apenas vacinas, damos o subsídio científico para que o usuário tire dúvidas e se sinta seguro, ajudando a esclarecer sua comunidade e família”, conclui.

Feito por quem produz conhecimento

A credibilidade da plataforma da ESIB é respaldada pelo seu corpo docente, formado pelos próprios pesquisadores do Instituto Butantan que atuam no desenvolvimento de imunizantes e nos laboratórios de pesquisa, descrevendo e estudando espécies peçonhentas e seus venenos para a produção de imunobiológicos. “Quem ministra o conteúdo é quem efetivamente produz o conhecimento”, destaca o diretor. Desde 2018, a instituição oferece especializações presenciais, semipresenciais e cursos online ao vivo e EaD nas áreas de conhecimento do Instituto Butantan.

Ao todo, os cursos EaD já somavam 64.836 inscritos em abril deste ano, com destaque para Vacinas e Imunidade, que lidera a procura com 24.421 inscrições. Em 2025, o alcance total da plataforma - considerando todas as modalidades - chegou a 130 mil usuários. 

Os cursos de curta duração da ESIB também estão abertos ao público geral interessado nos temas da instituição.

Serviço

Acesse o site da ESIB para conhecer os cursos 

Fonte _ Butantan

domingo, 24 de maio de 2026

Novo registro de genérico amplia acesso ao tratamento de diabetes tipo 2

 


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu nesta segunda-feira (25/5) o registro do primeiro medicamento genérico que contém dapagliflozina e cloridrato de metformina. O produto é equivalente ao medicamento de referência Xigduo XR, indicado para pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2. 

O produto, da Eurofarma, combina dois princípios ativos para otimizar o controle do açúcar no sangue. A dapagliflozina bloqueia a proteína responsável pela reabsorção de glicose (açúcar) no rim, fazendo com que essa glicose seja eliminada na urina. Já a metformina diminui a produção de glicose no fígado, reduz sua absorção intestinal e melhora a sensibilidade à insulina.  

A chegada do genérico ao mercado é considerada um avanço importante para os pacientes, uma vez que esse tipo de medicamento tem preços mais acessíveis, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia exigidos para o produto de referência. Com isso, a tendência é ampliar o acesso ao tratamento, especialmente para pessoas que necessitam do uso contínuo da medicação. 

Como todo medicamento genérico aprovado pela Anvisa, esse novo produto passou por avaliação técnica rigorosa, que comprova sua equivalência terapêutica em relação ao produto de referência. A Lei dos Genéricos (Lei 9.787/1999) determina que os medicamentos genéricos devem ser, no mínimo, 35% mais baratos que os medicamentos de referência.

Leia a Resolução 2.105/2026 no Diário Oficial da União.

Fonte _ Saúde.gov

sexta-feira, 22 de maio de 2026

MS lança curso básico sobre vigilância da qualidade da água para consumo humano

 


Ministério da Saúde (MS) lançou, na segunda-feira (18), o Curso Básico de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). A formação é ofertada na modalidade de Ensino à Distância (EaD), em formato autoinstrucional, e tem como objetivo fortalecer a capacitação contínua e permanente dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Vigilância em Saúde Ambiental das secretarias estaduais e municipais de saúde.

A atividade contribui para o aprimoramento das ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano em todo o país. O curso é uma realização da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) em parceria com a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).

O curso possui carga horária de 50 horas e aborda conteúdos fundamentais para qualificação técnica das equipes responsáveis pela vigilância da água para consumo humano. O tema é estratégico para a promoção da saúde pública e prevenção de doenças de veiculação hídrica. O trabalho de aprimoramento e divulgação do conhecimento é conduzido pela equipe da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador.

Nesta primeira edição, em caráter piloto, 260 participantes de todas as Unidades da Federação foram inscritos. A turma terá duração de 10 semanas e contará com representantes indicados pelas secretarias de saúde estaduais e municipais. Trata-se da reformulação de um curso ofertado anteriormente disponibilizados, no formato de tutoria.

Após a conclusão da turma piloto, a formação será disponibilizada ao público em geral, na plataforma da UNA-SUS, em formato de livre demanda, conforme cronograma divulgado posteriormente. A proposta amplia o acesso e fortalece a estratégia de educação permanente no âmbito do SUS.

Confira os cursos disponíveis na UNA-SUS

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Por que o governo do Brasil é obcecado por vacinas

 


Nos últimos meses, mais de 1 milhão de médicos e enfermeiros no Brasil foram vacinados contra a dengue. A doença transmitida por mosquitos é um problema perene, e a vacinação contra a dengue normalmente depende de doses estrangeiras caras. Mas este ano, pela primeira vez, a vacina é nacional. Aprovada em novembro, a Butantan-DV é a primeira imunização de dose única do mundo contra a dengue (uma dose é mais fácil do que duas, especialmente quando se vacina populações pobres e rurais).

É também a primeira vacina totalmente desenvolvida no Brasil. O Instituto Butantan, uma instituição de pesquisa pertencente ao estado de São Paulo, cuidou da formulação, dos testes e da fabricação. Em 4 de maio, a produção de uma vacina contra a chikungunya, outra doença transmitida por mosquitos, também foi aprovada pelo instituto. Ele está trabalhando em uma vacina para a zika, diz Esper Kallás, diretor do Butantan.

Esse é o tipo de "soberania médica" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja. Lula, como é popularmente conhecido, voltou ao poder em 2023 após a pandemia de Covid. A onda da doença expôs a fragilidade do setor farmacêutico brasileiro. A participação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) produzidos domesticamente era de apenas 5% no início da pandemia —menor do que em Bangladesh—, segundo dados da Abiquifi, associação comercial brasileira.

Cadeias de suprimentos globais apertadas deixaram o Brasil sem seringas e anestésicos, quanto mais vacinas. Uma vacina brasileira, a ButanVac, foi abandonada devido ao desempenho insatisfatório. Mais de 700 mil pessoas morreram de Covid no Brasil.

Essa fragilidade criou pressão política por melhorias. Lula assumiu a bandeira. Mas antes, o setor farmacêutico definhava durante seus dois primeiros mandatos como presidente, de 2003 a 2010. Depois que governos de direita liberalizaram e reduziram tarifas sobre o setor nos anos 1990, ele desistiu efetivamente de pesquisa e desenvolvimento em favor de produzir medicamentos genéricos e fazer o trabalho de "envase e acabamento" final para marcas estrangeiras. Seus esforços para criar "campeãs nacionais" enfrentaram dificuldades.

A maioria das empresas estava satisfeita vendendo genéricos. Um programa de empréstimos para empresas de saúde criado pelo BNDES, o banco de desenvolvimento estatal do país, teve baixa adesão. Um programa de transferência de tecnologia de 2009 avançou pouco. China e Coreia do Sul dispararam na frente em pesquisa e desenvolvimento; a Índia aumentou sua produção de genéricos. O Brasil ficou estagnado no meio, diz Jorge Guimarães, ex-presidente da Embrapii, a agência de inovação industrial.



O sucesso recente do Butantan é resultado de uma abordagem nova e mais vigorosa. Mais dinheiro é um elemento. Desde 2023, o orçamento do Ministério da Saúde aumentou 30%. Em 2024, o BNDES mais que dobrou o valor que empresta para empresas de saúde (veja o gráfico). Faz parte de um programa industrial mais amplo para o "complexo econômico-industrial da saúde" com um orçamento de cerca de US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).

O governo faz empréstimos e doações para empresas brasileiras, além de adquirir participações acionárias. O objetivo é aumentar a participação de medicamentos e equipamentos médicos produzidos localmente de 45% em 2024 para 70% em 2033. Uma fábrica sendo construída perto do Rio de Janeiro vai quadruplicar a capacidade do Brasil de finalizar vacinas parcialmente processadas.

Novas leis também ajudaram. O governo mudou as regras para pesquisa clínica em 2025 para acelerar a aprovação de ensaios. Isso deve ajudar investigações iniciais sobre novos medicamentos, onde a relativa inexperiência da Anvisa, a agência reguladora, estava sufocando a inovação, diz Reginaldo Arcuri, da FarmaBrasil, uma associação comercial. O Senado também deve votar uma estratégia nacional de saúde que daria preferência adicional a fabricantes nacionais em compras públicas.

A fuga de cérebros era outro problema. Quase 7.000 pesquisadores deixaram o Brasil entre 2015 e 2022, segundo um instituto de pesquisa. O governo Lula respondeu com programas para atrair e reter cientistas, bem como para fomentar parcerias com brasileiros trabalhando no exterior. Um deles, "Conhecimento Brasil", tinha um orçamento de mais de US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) para gastar em pesquisa em 2025 e conseguiu atrair 600 cientistas de volta para casa.

Outros US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) foram destinados a pesquisas no exterior. Este ano, o projeto vai financiar mil doutorados e investir mais US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) em, entre outras coisas, atrair estrangeiros. Os Estados Unidos são um alvo suculento, diz Alexandre Padilha, o ministro da Saúde, já que a agenda anticientífica de Donald Trump está afastando pesquisadores.

Lula também está de olho em benefícios mais amplos. A economia do Brasil funciona com exportações de commodities. Ele espera que dominar a biotecnologia traga retornos extraordinários e habilidades transferíveis para a manufatura como um todo. O governo também espera que impulsionar a indústria farmacêutica doméstica possa reduzir o alto custo de importar medicamentos para o sistema público de saúde, o maior sistema de saúde pública universal e gratuito do mundo.

O Ministério da Saúde diz que o governo economizou US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) entre 2011 e 2017 graças aos preços mais baixos cobrados por empresas usando IFAs nacionais. Não está claro se o governo inclui os custos dos pesados subsídios por trás desses números.

Há obstáculos para um boom farmacêutico brasileiro. A cultura é o mais complicado. Poucas empresas farmacêuticas se importam com os objetivos de Lula. Seu negócio de genéricos rende lucro consistente com pouco risco. O fato de o Estado estar financiando tudo abre espaço para acusações de concorrência desleal. O governo Trump tem uma investigação pendente sobre as políticas industriais do Brasil, incluindo no setor farmacêutico.

Suas coisas, meus preços

A atitude relaxada de Lula em relação à propriedade intelectual também pode ser um problema. Ele supostamente considerou escalar a briga com Trump encerrando as patentes brasileiras de corporações americanas. Nenhuma empresa farmacêutica quer investir em um país que pode confiscar sua propriedade. Lula também precisa lidar com algumas escolhas difíceis.

Preços altos de medicamentos são impopulares, mas usar tetos de preços para manter os remédios baratos pode desencorajar P&D (pesquisa e desenvolvimento) privado. A autarquia pode colocar mais de uma indústria sob controle estatal, mas também pode desestimular a inovação.

O desenvolvimento de novos medicamentos está acontecendo no Butantan. Mas o instituto se beneficia de um alinhamento incomum de pesquisa, regulação e fabricação em torno das necessidades —e do dinheiro— do Estado. O Brasil não pode esperar replicar isso em toda a indústria. A Merck, uma gigante farmacêutica multinacional, gasta cerca de US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões) por ano em pesquisa e desenvolvimento, aproximadamente dez vezes todo o gasto farmacêutico estatal do Brasil, mesmo após a expansão de Lula.

Na melhor das hipóteses, o Estado pode desenvolver alguns produtos, como vacinas, onde a economia de saúde pública faz sentido. Um boom mais amplo exige que Lula abandone sua desconfiança da iniciativa privada. Enquanto se prepara para concorrer à presidência pela sétima vez em outubro, isso parece improvável.

Fonte _ Folha/SP

SUS vai incorporar exame mais eficaz para detectar câncer colorretal

 


Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) que o SUS (Sistema Único de Saúde) adotará um novo exame para o diagnóstico de câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal.

A incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em um evento em Lyon, na França, que marcou o início de uma parceria entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde). A previsão é que o FIT esteja disponível a partir do segundo semestre.

Segundo a pasta, o novo exame poderá ser feito por homensmulheres assintomáticos que tenham entre 50 e 75 anos, faixa etária em que se inicia o rastreamento para o câncer de intestino. Com eficácia de 85% a 92%, o FIT é considerado mais eficaz do que o método utilizado atualmente, de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

À Folha o ministro Alexandre Padilha afirmou que o exame facilita o rastramento porque pode ser feito na atenção primária, excluindo a necessidade de visita a um hospital. "O protocolo de coleta no ambiente extra hospitalar é fundamental para a identificação dos casos assintomáticos", disse.

O câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil. Entre homens, fica atrás apenas do câncer de próstata; entre mulheres, é superado pelo câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que 53,8 mil novos casos de câncer colorretal apareçam por ano no país no triênio 2026-2028.

Olival de Oliveira, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), afirma que a incorporação do FIT no sistema público eleva a qualidade do diagnóstico do câncer do intestino no país. Segundo ele, o exame reduz o índice de falsos positivos e evita gastos desnecessários com colonoscopia no SUS.

"O modelo utilizado atualmente foca em sangue oculto nas fezes, evidenciado por manchas vermelhas. Porém, para funcionar, o paciente precisa fazer dieta com restrição de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes. Por essa particularidade, é comum o falso positivo", explica Oliveira.

O FIT, por sua vez, não exige restrição alimentar. Segundo o especialista, a oferta do exame era uma reivindicação antiga das entidades que representam as especialidades de proctologia e endoscopia.

Para pessoas com menos de 50 anos, o protocolo continua sendo a colonoscopia, feita quando há histórico de câncer entre familiares do paciente ou sintomas da doença. Sem esses dois condicionantes, não é comum o rastreamento em pessoas com menos de 50 anos, idade em que a incidência aumenta.

O FIT detecta marcas de sangue nas fezes invisíveis a olho nu. O método é considerado uma das principais estratégias de rastreamento por ser simples, não invasivo e de baixo custo.

O exame é feito a partir da coleta de uma pequena amostra de fezes em casa, usando um kit fornecido pelo serviço de saúde ou laboratório. O material é então enviado para análise laboratorial, onde busca-se traços de hemoglobina humana, proteína presente no sangue.

O FIT é uma das etapas do rastreio, não a única. Em casos positivos, os pacientes examinados são enviados para colonoscopia, que vai identificar a existência ou não de lesões e alterações como pólipos, inflamações e tumores.

O preparo para a realização de colonoscopia inclui dieta leve e uso de laxantes para limpar completamente o cólon, essencial para que o médico visualize adequadamente a parede intestinal.

O procedimento é realizado com sedação. O médico introduz pelo ânus do paciente um aparelho fino e flexível equipado com câmera, chamado colonoscópio, que percorre o reto e o intestino grosso transmitindo imagens em tempo real para um monitor.

Além de identificar lesões suspeitas, a colonoscopia permite retirar tumores que podem evoluir para câncer e coletar fragmentos de tecido para biópsia. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.

Fonte _ Folha/SP

InfoGripe alerta para aumento do número de casos de SRAG no país

 


Divulgada nesta quinta-feira (21/5), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. O estudo alerta que a incidência de SRAG se mantém mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem sido impulsionado pela influenza A. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 19, período de 10 a 16 de maio.

A análise destaca ainda que - com exceção de Rondônia - todas as unidades federativas (UF), estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), sendo que 18 delas também estão com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19. São Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Em relação às regiões, a atualização mostra que os casos de SRAG por VSR têm aumentado na maioria dos estados da região Nordeste e no centro-sul. No Norte, o Pará apresenta tendência de aumento das hospitalizações pelo vírus, atingindo uma incidência extremamente alta. Nos demais estados do Norte, assim como no Distrito Federal e em Goiás, as ocorrências graves por VSR estão estáveis ou em queda. Já os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, porém mostram retomada do crescimento no Ceará e Maranhão.

“Diante da alta atividade dos vírus influenza A e VSR, é essencial que a população elegível esteja vacinada contra esses vírus. E mesmo com a baixa circulação da Covid-19, também é importante que a população de risco esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra o vírus, já que ele ainda é uma causa importante de óbitos por SRAG entre os idosos”, ressalta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.


Estados e capitais

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando no Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins. Nos demais estados, seguem com tendência de queda ou interrupção do crescimento. Contudo, mesmo com indícios de interrupção do crescimento ou queda, as hospitalizações por influenza A continuam altas em Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Sergipe.

Segundo o InfoGripe, 16 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Porto Alegre (RS), Rio de  Janeiro (RJ) e Salvador (BA).

Dados epidemiológicos

O cenário atual, em nível nacional, aponta crescimento de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Referente ao ano epidemiológico 2026, foram notificados 63.634 casos de SRAG, sendo 29.517 (46,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 23.594 (37,1%) negativos e cerca de 6.014 (9,5%) aguardando resultado laboratorial.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 24,5% de influenza A, 4,4% de influenza B, 44,5% de vírus sincicial respiratório, 24,4% de rinovírus e 2,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 51,8% de influenza A, 4% de influenza B, 11,4% de vírus sincicial respiratório, 15,4% de rinovírus e 11,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26% de Influenza A, 2,4% de influenza B, 27,4% de vírus sincicial respiratório, 35% de rinovírus e 6,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR, enquanto o aumento de SRAG nas demais faixas. A incidência de SRAG por Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.

Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 20 de maio de 2026

SNCR: o que muda para farmácias e drogarias com o novo sistema de controle de receitas



 Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vai mudar a forma como receitas de medicamentos controlados serão emitidas, validadas e dispensadas no Brasil.

A ferramenta foi instituída pela RDC nº 873/2024 e tem como objetivo centralizar, em âmbito nacional, a gestão das numerações de receitas de medicamentos sujeitos a controle especial, ampliando a segurança e reduzindo fraudes e falsificações.

Na prática, o SNCR permitirá rastrear todo o ciclo da receita: emissão, dispensação e baixa. Antes, cada Vigilância Sanitária estadual possuía seu próprio controle de numeração. Com o novo sistema, a numeração passa a ser única em todo o território nacional.

As Vigilâncias Sanitárias continuam responsáveis pela concessão e pelo controle das numerações aos prescritores, agora por meio de uma ferramenta digital padronizada e automatizada.

O sistema está em funcionamento desde 2024, para uso das Vigilâncias Sanitárias, e terá novas funcionalidades voltadas para farmácias e drogarias a partir de junho de 2026.

Nova fase - emissão eletrônica de Notificações de Receita

A próxima fase do sistema prevê a emissão de Notificações de Receita em meio eletrônico, integrando numeração, prescrição e registro de utilização em um único ambiente digital.

Para isso, a Anvisa irá disponibilizar ferramentas específicas no sistema, cujas etapas terão início em junho de 2026. Os receituários físicos, no entanto, continuam válidos e conviverão com o modelo eletrônico e não serão registrados no SNCR neste momento.

As Vigilâncias Sanitárias permanecem responsáveis pela concessão e pelo controle da numeração dos receituários, agora apoiadas por uma plataforma digital nacional. Já as farmácias e drogarias passarão a contar com funcionalidades voltadas ao registro do uso das receitas eletrônicas.

O que muda para farmácias e drogarias?

As farmácias passarão a participar ativamente do SNCR para o controle sanitário das receitas eletrônicas de medicamentos controlados, sendo responsáveis por “fechar o ciclo” da prescrição dentro do sistema. Isso inclui:

  • validar a autenticidade da receita;
  • confirmar os dados do prescritor;
  • realizar a baixa eletrônica da receita;
  • impedir reutilização da numeração.

Quando o sistema passa a valer para farmácias e drogarias?

A Anvisa está trabalhando em uma etapa prévia, que é a integração do sistema com as plataformas eletrônicas de prescrição. Essa etapa terá início a partir de junho de 2026.

Posteriormente, será concedido o acesso às farmácias e drogarias. O cronograma será divulgado oportunamente, com prazos de adequação e orientações detalhadas.

O receituário físico vai acabar?

Não. O receituário físico continuará existindo, e os talonários ainda poderão ser utilizados.

O SNCR vai substituir o SNGPC?

Não. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) continuará em funcionamento. Inicialmente, os dois sistemas deverão coexistir. Enquanto o SNGPC controla a movimentação de estoque, o SNCR terá foco na receita.

As Receitas de Controle Especial (brancas), de antimicrobianos e de agonistas de GLP-1 eletrônicas, poderão continuar a ser emitidas?

As Receitas de Controle Especial (brancas), de antimicrobianos e de agonistas de GLP-1 eletrônicas poderão continuar a ser emitidas, desde que integradas ao SNCR.

A partir da disponibilização da ferramenta de integração, as receitas emitidas até essa data, ou seja, sem integração com o SNCR, poderão ser aceitas pelas farmácias por até 30 dias. Dentro desse período, não será necessário registrar a utilização dessas receitas no SNCR.

Como já ocorre atualmente, essas receitas não precisam de numeração concedida antecipadamente. A integração com o SNCR permitirá a identificação numérica da receita no momento da emissão.

O que as farmácias precisam fazer agora?

Neste momento, não existe acesso direto ao SNCR para farmácias e drogarias. O sistema é utilizado exclusivamente pelas Vigilâncias Sanitárias estaduais, municipais e do Distrito Federal.

As funcionalidades específicas para farmácias e drogarias, assim como estabelecimentos dispensadores, ainda serão disponibilizadas.

O que será necessário para acessar o sistema futuramente?

Farmácias e dispensários públicos:

Possuir Cadastro Nacional de Estabelecimentos de saúde (CNES).

Farmácias e drogarias privadas:

  • e-CNPJ
  • AFE válida (Autorização de Funcionamento de Empresa);
  • estabelecimento regularizado;
  • conta GOV.BR dos gestores;

Serviços de emissão de receitas eletrônicas:

  • integrar seus sistemas ao SNCR, após a disponibilização da documentação da API pela Anvisa.

Obs.: neste momento, os prescritores não precisarão se cadastrar ou acessar o SNCR diretamente.

Vai haver treinamento para as farmácias?

Sim. A Anvisa irá disponibilizar manuais de utilização, orientações técnicas e webinares sobre o uso do sistema. SNGPC x SNCR: qual a diferença?

SNGPC

SNCR

Escrituração sanitária

Controle de  estoque

Controle de receitas

Foco na movimentação do medicamento

Foco na prescrição e sua utilização

Recebe informações consolidadas por período

Rastreabilidade de cada receita

Já utilizado pelas farmácias

Novo sistema nacional

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Fonte _ Saúde.gov

terça-feira, 19 de maio de 2026

Diretor da OMS diz estar 'profundamente preocupado' com escala e velocidade da epidemia de ebola

 


O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) se declarou "profundamente preocupado com a escala e velocidade" da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo.

"Convocaremos hoje o comitê de emergências para que nos aconselhe sobre recomendações temporárias", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia annual dos Estados-membros da OMS.

A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia de ebola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15 mil mortes na África.

"Não tomei essa decisão levianamente... Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia", afirmou Adhanom Ghebreyesus sobre a declaração de emergência. Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto.

A atual epidemia na República Democrática do Congo teria provocado 131 óbitos e 513 casos suspeitos até o momento, afirmou nesta terça-feira (19) o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba.

"Registramos 131 mortes e temos 513 casos suspeitos", declarou o ministro à televisão nacional. "Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola", explicou.


Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços são baseados principalmente em casos suspeitos.

O balanço anterior do ministro congolês da Saúde mencionava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.
A situação levou a agência de saúde da União Africana (África CDC) a declarar uma "emergência de saúde pública" continental.


Segundo a agência, a declaração permitirá "reforçar a coordenação regional, facilitar a mobilização rápida de recursos financeiros e técnicos, e consolidar os sistemas de vigilância e de laboratório".

O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste do Congo, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade de mineração.

O vírus se propagou para além de Ituri e das fronteiras da RDC, com duas mortes registradas em Uganda, segundo a OMS.

As vítimas são pessoas que viajaram ao país a partir do congo, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.

Fonte _ Folha/SP

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que é a doença mão-pé-boca, infecção altamente contagiosa comum em crianças pequenas

 


Muita gente nunca ouviu falar da doença mão-pé-boca (MPB), mas quem já enfrentou o problema, não esquece. "Houve noites que a gente chorava junto, de tanta dor que minha filha sentia", relata a autônoma Viviane Rodrigues, 37 anos.

Ester, 3, contraiu a síndrome de outra criança da família há cerca de quatro meses e, na ocasião, teve muita febre e foi mais afetada na garganta —a escola do menino de 8 anos havia passado por alguns surtos de MPB. "Não foi culpa dele, mas é algo que prolifera muito rápido. Ela tentava mamar e não conseguia, acho que não conseguia engolir nem saliva", lembra a mãe.

Altamente contagiosa, a síndrome MPB é causada por enterovírus como o Coxsackie e é marcada por febre alta, dor de garganta e lesões vesiculares (bolhas), em especial na mucosa bucal, língua, mãos e pés.

Coxsackie é mais comum nos meses de outono e verão no hemisfério Norte, mas, no Brasil, o padrão é menos característico, segundo documento científico da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A transmissão ocorre entre indivíduos pelo contato com secreções respiratórias —como saliva, tosse e espirros— e fecais. "A pessoa infectada pode transmitir o vírus mesmo antes do aparecimento dos sintomas e continuar eliminando o agente infeccioso por semanas, especialmente nas fezes", alerta, por meio de nota, o médico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do departamento científico de Infectologia da SBP.

Nas redes sociais, em postagens sobre o tema, é comum encontrar relatos de pais que contraíram a doença dos filhos, com sintomas como descamações tão intensas que levaram a perda das unhas e até quadros em que o vírus chegou ao sistema nervoso, causando encefalite.

Embora sejam raros, nos últimos anos, a literatura médica observou em epidemias na Ásia casos em que a doença foi fatal, principalmente quando estava presente a cepa viral EV71. Nos óbitos registrados, o vírus atingiu o sistema nervoso central, "provocando alterações circulatórias, cardíacas e edema pulmonar", afirma o relatório da SBP.

Em geral, os sintomas melhoram em duas semanas, com tratamento que costuma ser paliativo, focado em amenizar os sintomas. O pediatra e infectologista Marcos Junqueira do Lago, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que é uma doença que "muito raramente pode até evoluir de uma forma mais grave".

O docente também diz que o MPB costuma acometer o paciente apenas uma vez na vida de forma mais intensa. "Não é impossível ter uma segunda infecção, caso o vírus tenha sofrido alguma mutação, mas normalmente é bem mais branda que a primeira e não é comum, é bastante raro", afirma Lago.

Por essa razão, os principais grupos de risco são os de crianças abaixo dos cinco anos de idade e o de adultos que nunca foram expostos ao vírus.

Como saber se é pé-mão-boca?

O médico Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico do Hospital Infantil Darcy Vargas, diz que as lesões características da MPB costumam ser dolorosas e variam de formato, podendo se apresentar como "bolinhas com líquido dentro", chamadas vesículas ou pápulas. "E, às vezes, são tipo caroços pequenos, que podem ser muito dolorosos, frequentemente nas mãos e nos pés, [além de] úlceras na boca", diz Otsuka.

Outro sintoma que pode surgir de três a oito semanas após a fase aguda é a onicomadese, que consiste no descolamento da unha a partir da base. Apesar de assustar os pais, o quadro costuma melhorar gradualmente com a recuperação total das unhas em cerca de dois meses, sem necessidade de tratamento específico.

De acordo com Lago, o diagnóstico de pé-mão-boca hoje é facilitado por exames como PCR, técnica de reação em cadeia de polimerase que ficou popular durante a Covid. "Você consegue fazer exame de secreção respiratória e detectar o vírus na saliva da pessoa contaminada e, eventualmente, até nas fezes. Existem também exames de sangue se já teve ou não infecção pelo Coxsackie", afirma o docente.

Tratamento

Não existem medicamentos antivirais específicos para a MPB. A doença é, na maioria das vezes, benigna e autolimitada, durando de sete a dez dias. O tratamento foca no alívio dos sintomas, como controle da febre e da dor —que tendem a melhorar logo na primeira semana.

"A doença não exige internação, existe só observação clínica, acompanhamento, tratamento sintomático. Caso haja alguma alteração neurológica ou física, exames vão ser feitos, mas isso é extremamente raro", ressalta Lago.

Além disso, é recomendado fazer a higiene das lesões para evitar contaminação. O uso de laser para aliviar sintomas ou melhorar a cicatrização é uma terapia que precisa ser indicada e acompanhada pelo médico responsável.

Prevenção

Os cuidados preventivos consistem em hábitos de higiene básicos, como lavar as mãos sempre que for ao banheiro ou fizer uma troca de fralda. Otsuka recomenda ainda evitar beijar crianças na boca ou próxima a esta parte do corpo e "higienizar adequadamente brinquedos e superfícies", uma vez que crianças pequenas tendem a morder objetos.

"Nos pequenos, o principal desafio está relacionado à dor causada pelas lesões na boca, que pode dificultar a ingestão de líquidos e alimentos, aumentando o risco de desidratação, a complicação mais comum", diz Sáfadi.

A SBP informa que a MPB "não é considerada de notificação compulsória, entretanto, a ocorrência de dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto."

Crianças com sintomas também não devem ser enviadas para escola. Para Rodrigues, mesmo com período de incubação, estar atento é uma medida simples e pode preservar os colegas de muito sofrimento. "Se você tem um filho em ano letivo e vê que está com esse problema, não deixe ele ir para a escola, cuide em casa para que não passe para outra criança", reforça a mãe.

Fonte _ Folha/SP