A Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (15) o
recolhimento de dois lotes de água Mamba Water após a detecção da
bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma encontrada recentemente
em produtos
Ypê.
Consumidores
que tiverem produtos dos lotes afetados devem interromper o consumo. A medida
afeta a Mamba Water Água Mineral sem Gás, em lata de 350 ml, dos lotes 13 e 14.
O lote 13 foi fabricado em 3 de abril de 2026 e tem validade até 3 de abril de
2027. O lote 14 foi fabricado em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de
abril de 2027.
A
ingestão de pequenas quantidades da bactéria geralmente não causa doença em
pessoas saudáveis, mas o risco aumenta em caso de exposição a uma carga
bacteriana elevada e entre pessoas imunossuprimidas ou gravemente enfermas,
segundo especialistas.
"Quando
a carga bacteriana é muito elevada ou a pessoa apresenta fatores de risco, a
bactéria pode causar uma infecção. Nesses casos, pode provocar gastroenterite,
com sintomas como diarreia, dor abdominal, náusea e vômito", afirma
Gabriela Leite de Camargo, infectologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede
Américas.
"Se
houver febre, vômito persistente, diarreia intensa ou piora clínica, [o
consumidor deve] procurar atendimento", diz Henrique Lacerda,
infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas. "Não se deve tomar
antibiótico por conta própria", acrescenta.
Em
nota ao mercado, a Mamba Water afirma que cerca de 82% do volume dos lotes
envolvidos já havia sido bloqueado preventivamente e permanecia fora de
circulação comercial.
A empresa diz não ter registro de reclamações ou de impactos à saúde de consumidores relacionados aos lotes em seus canais de atendimento. A marca orienta que consumidores que tenham unidades dos lotes afetados não consumam o produto e entrem em contato para solicitar reembolso.
Saiba
como identificar o lote da água Mamba Water - Divulgação/Mamba Water
A Mamba Water afirma, ainda, que os produtos foram envasados em uma unidade autorizada e que "medidas corretivas foram adotadas junto ao fornecedor".
A Pseudomonas
aeruginosa esteve recentemente no centro de uma medida da Anvisa
contra produtos da Ypê. A agência determinou o recolhimento
de lotes de detergentes, sabão líquido para lavar roupas e
desinfetantes da marca e suspendeu a produção na fábrica da Química Amparo, em
Amparo (SP), após identificar falhas em etapas críticas do processo produtivo.
Presente
em ambientes
hospitalares, a Pseudomonas aeruginosa é até cem vezes
mais resistente
a antibióticos do que bactérias comuns. Possui uma taxa global de
mortalidade que pode variar de 32% a 58% em casos graves, como infecções na
corrente sanguínea ou pneumonia associada
à ventilação.
A
bactéria é considerada oportunista, ou seja, o risco de quadros graves tende a
ser maior entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes
com câncer, com HIV, transplantados, idosos e internados em unidades de terapia
intensiva. O tratamento é feito com antibióticos.
"É
uma bactéria que tem mecanismos naturais e adquiridos de resistência, e isso
pode limitar bastante o antibiótico disponível para tratar aquela
infecção", afirma Lacerda.
A OMS (Organização
Mundial da Saúde)
identifica a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças
à saúde
pública mundial.
Um
estudo da Universidade Politécnica de Hong Kong,
publicado em 2025 na revista Microorganisms, classifica a Pseudomonas
aeruginosa como uma das principais causas de infecções hospitalares.
Os
pesquisadores destacam a capacidade de formar biofilmes, colônias protegidas
por uma matriz viscosa que atua como um escudo físico, permitindo que a
bactéria sobreviva até mesmo em ambientes hostis, como frascos de produtos de
limpeza.
Em
pessoas saudáveis, a pele e as mucosas normalmente dificultam a entrada do
microrganismo. O risco, porém, depende de fatores como a quantidade de
bactérias presente e a forma de exposição.
Em
ambiente doméstico, o contato com a Pseudomonas aeruginosa pode
causar irritação na pele, alergias, coceiras e ardências nos olhos. Há ainda
riscos de problemas respiratórios e dermatite, uma inflamação na pele
caracterizadas por coceira, vermelhidão e descamação.
Fonte _ Folha/SP


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