A
mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta
quinta-feira (23/7), mostra que as ocorrências de Síndrome Respiratória
Aguda Grave (SRAG) apresentam sinal de queda nas tendências de longo
prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). A queda é
impulsionada principalmente pela diminuição do número de hospitalizações pelo vírus
sincicial respiratório (VSR) e pelos vírus da influenza A
e B, em muitos estados do país. Apenas os estados do Sul (PR, RS
e SC), Acre e Maranhão estão com incidência de SRAG em nível
de risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na
tendência de longo prazo (últimas 6 semanas). A atualização refere-se à Semana
Epidemiológica 28, período de 12 a 18 de julho.
De acordo com os pesquisadores do InfoGripe, como os casos de SRAG ainda estão altos em boa parte do país, apesar da tendência de queda ou estabilização, é importante que a população prioritária esteja em dia com a vacinação contra os principais vírus respiratórios que causam SRAG, como a influenza, Covid-19 e VSR. A vacina contra o VSR está disponível para gestantes, e protege o recém-nascido contra o vírus por pelo menos seus seis primeiros meses de vida. Também é importante que a população continue tomando alguns cuidados, como usar máscaras em postos de saúde, lavar sempre as mãos, evitar ter contato próximo com pessoas que apresentam sintomas de gripe ou resfriado. Para quem já apresenta sintomas, é importante ficar em casa em isolamento e, se não for possível, a recomendação é a de que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara.
Estados
e capitais
Segundo
a atualização, 5 das 27 unidades federativas (UF) apresentam incidência de SRAG
em nível de risco ou alto risco últimas duas semanas) com sinal de crescimento
na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 28: Acre,
Maranhão, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além disso, 16 UF também
apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém
sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Alagoas, Amapá, Amazonas,
Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Sergipe e São Paulo.
A alta de SRAG nesses estados está associada principalmente a alta de casos por
VSR, e em alguns estados, também pelas influenzas A e B.
Os
casos de SRAG por VSR continuam aumentando em toda a Região Sul (PR, RS e SC),
além do Maranhão, mas mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda no
restante do país. Nos estados de Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito
Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro,
Roraima, São Paulo e Sergipe, os casos de SRAG por VSR continuam altos, apesar
da tendência de estabilização ou queda.
O período
da sazonalidade da influenza A já se encerrou em boa parte do país,
contudo, mesmo com sinal de queda, os casos graves pelo vírus continuam altos
no Acre, Minas Gerais, Paraná e Roraima Já os casos graves por
influenza B continuam aumentando em alguns estados da região Centro-Sul (DF,
ES, MG, RJ, RS e SC), mas já mostram sinal de interrupção do crescimento ou
queda no Ceará, Goiás. Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
De
acordo com o InfoGripe, 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade
de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de
crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a
Semana 28: João Pessoa (PB), Rio Branco (AC) e São Luís (MA).
Além disso, 14 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de
alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de
longo prazo: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR),
Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Goiânia (GO),
Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio De Janeiro (RJ) e Salvador
(BA). O aumento de SRAG em São Luís se concentra nas crianças menores de dois
anos, e em Rio Branco, nas crianças de 5 a 14 anos e idosos a
partir de 65 anos. Já em João Pessoa, o aumento de SRAG ocorre em todas as
faixas etárias acima de 5 anos de idade.
Incidência
e mortalidade
A
incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das
faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais
elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade temos o inverso, com
a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.
A
incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada
principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como
principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a
segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.
Em
relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior
impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior
impacto na população a partir de 65 anos de idade. Já a influenza B também
apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a
mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A
incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Dados
epidemiológicos
Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos
foi de 9,1% de influenza A, 8,8% de influenza B, 58,5% de vírus sincicial
respiratório, 24,6% de rinovírus e 1,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os
óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte
temporal foi de 29,7% de influenza A, 14,7% de influenza B, 27,3% de vírus
sincicial respiratório, 25,2% de rinovírus e 5,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dentre
os casos positivos do ano corrente, observou-se 20,1% de influenza A, 4,8% de
influenza B, 41,1% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 4,3% de
Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a
prevalência entre os casos positivos foi de 9,1% de influenza A, 8,8% de
influenza B, 58,5% de vírus sincicial respiratório, 24,6% de rinovírus e 1,5%
de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente
ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 120.920 casos de SRAG, sendo
63.698 (52,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus
respiratório, 41.541 (34,4%) negativos, e ao menos 8.420 (7%) aguardando
resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão
sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de
notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Período
eleitoral
Durante
o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais
publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham
as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece
que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de
serviço ao cidadão".
Fonte _ FioCruz


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