Rico
em proteínas e
minerais, como cálcio, fósforo e potássio,
o leite já
é conhecido como um aliado da recuperação
muscular. Agora, um estudo publicado na revista científica Nutrients
sugere que o alimento também
pode aumentar a sensação de saciedade e
reduzir a ingestão de calorias na refeição seguinte.
A
revisão com meta-análise reuniu resultados de 82 pesquisas, metodologia
considerada uma das mais robustas para avaliar o conjunto das evidências
científicas disponíveis. Embora haja limitações —como diferenças entre os
estudos, no perfil dos participantes, no volume das bebidas utilizadas e em
protocolos de exercícios adotados—, a composição do leite ajuda a explicar
mecanismos potencialmente envolvidos no controle
do apetite.
Uma
das hipóteses envolve a combinação de proteínas, com destaque para o soro do
leite e a caseína. "O soro do leite é rapidamente digerido e absorvido,
promovendo aumento das concentrações de aminoácidos, moléculas orgânicas que
formam proteínas circulantes", explica o endocrinologista Carlos Minanni,
do Einstein
Hospital Israelita.
Esse
processo parece estimular a secreção de hormônios relacionados
à saciedade, sobretudo GLP-1 e
PYY, além de contribuir para a redução da grelina, hormônio associado à fome.
Já a caseína é de digestão lenta, fator que prolonga a sensação de plenitude.
Benefícios
para a recuperação muscular
Se
os efeitos sobre o controle do peso ainda dependem de mais investigações, os
benefícios do leite para a recuperação muscular contam com evidências mais
consolidadas. Além de proteínas de alto valor biológico, oferece água, sais
minerais, entre outros nutrientes importantes para a saúde
muscular.
Há
trabalhos demonstrando que beber leite depois da atividade
física ajuda na síntese proteica muscular, auxilia na reposição
dos estoques de glicogênio (reserva energética) e contribui para a reidratação.
"Também pode atenuar perdas no desempenho em sessões subsequentes de
treinamento," destaca o nutricionista Guilherme de Freitas Miranda, do
Einstein.
Sais
minerais, como sódio,
potássio, cálcio e fósforo, participam da reposição
hídrica e de processos metabólicos relacionados à saúde musculoesquelética.
O cálcio, em especial, atua na mineralização dos ossos na mineralização dos
ossos, contribuindo para fortalecer o esqueleto. "Mais do que a presença
isolada de nutrientes específicos, a literatura científica tem destacado a
importância da chamada matriz láctea, conceito que considera a interação entre
eles", revela Miranda.
Apesar
das evidências favoráveis, o leite ainda é excluído do cardápio de muitas
pessoas pela crença de que seria um alimento inflamatório. "Do ponto de
vista fisiopatológico, não existem mecanismos que sustentem a indução de
inflamação sistêmica pelo consumo da bebida em indivíduos saudáveis",
afirma o nutricionista.
Segundo
ele, revisões de estudos e meta-análises já publicadas não relacionam o consumo
habitual de lácteos ao aumento de marcadores inflamatórios. Exceto em casos de
intolerância à lactose ou alergia às proteínas do leite — condições que devem
ser diagnosticadas por meio de avaliação médica e, quando indicados, exames
complementares —, os laticínios podem fazer parte da alimentação cotidiana.
"Bebidas lácteas podem representar uma estratégia interessante em um
padrão
alimentar equilibrado", afirma Minanni.
O
endocrinologista ressalta, porém, que o controle do peso corporal não depende
de um único alimento, mas de um conjunto de fatores, como contexto geral da
dieta, prática regular de atividade física, qualidade do sono e outros hábitos
de vida.
Fonte _ Folha/SP

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