O Brasil atingiu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública. Nesse período, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus, resultado que atende ao parâmetro internacional estabelecido para a certificação. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, o país entregou à OPAS/OMS o dossiê com as evidências que embasam o pedido de certificação.
"O
dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as
hepatites virais. Hoje estamos entregando formalmente ao diretor da OPAS e ao
diretor-geral da OMS o relatório do Ministério da Saúde e do Sistema Único de
Saúde brasileiro que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil
alcançou as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B”,
destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Um
dos principais indicadores é a prevalência de infecção ativa pelo vírus em
crianças de até 5 anos, identificada pelo exame HBsAg. Para a eliminação
da transmissão como problema de saúde pública, esse índice deve ser inferior a
0,1%. Essa meta considera o último ano completo de dados, 2025,
quando a prevalência estimada foi de 0,0111% — abaixo do limite de
0,1% estabelecido para a eliminação. A modelagem matemática atualizada em
2026 também confirma que o país atende a esse critério.
Outro
indicador é a cobertura de pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%. No
Brasil, mais de 98% das gestantes realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e
2025. Os resultados refletem medidas de cuidado ofertadas no SUS durante a
gestação e após o nascimento.
Segundo
critérios da OPAS/OMS, as metas de cobertura vacinal precisam ser mantidas por
pelo menos dois anos consecutivos. A vacinação contra a hepatite B
nas primeiras horas de vida alcançou cobertura de 97% em 2024 e 100% em 2025,
acima do mínimo de 90% estabelecido. Na infância, a proteção é ampliada com a
vacina pentavalente, administrada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. A
cobertura da terceira dose foi de 90,4% em 2024 e de 88,7% em 2025, dado ainda
preliminar que deve superar a meta.
A
eliminação da transmissão vertical da hepatite B faz parte de uma estratégia
internacional de enfrentamento às infecções. Após receber, em dezembro de 2025,
a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, o Brasil assumiu
o compromisso de, até 2030, eliminar como problemas de saúde pública as demais
quatro infecções de transmissão vertical: hepatite B, sífilis, doença de Chagas
e HTLV, consolidando o país como referência mundial na prevenção dessas
doenças.
A
elaboração do dossiê brasileiro foi concluída em julho de 2026. Com a
entrega, o pedido será submetido à avaliação interna da Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS), à revisão de um comitê externo de especialistas
e, posteriormente, à análise do Comitê Global de Validação da OMS.
Como
o Brasil chegou a esses resultados
A
eliminação da transmissão vertical da hepatite B resulta de uma rede de
prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS. A testagem
para hepatite B é realizada durante o pré-natal, com testagem na maternidade
para gestantes que não fizeram o exame. Quando necessário, o SUS oferece
tratamento antiviral para reduzir o risco de transmissão durante a
gravidez.
Após
o nascimento, os bebês recebem a vacina contra a hepatite B, preferencialmente
nas primeiras 12 horas de vida. Filhos de mães com hepatite B também recebem
imunoglobulina (HBIG) no mesmo período. A combinação das duas medidas evita
cerca de 99% das infecções perinatais.
Desde
2016, 100% das doações de sangue realizadas no SUS são testadas para hepatite B
por meio de testagem molecular (NAT), tecnologia desenvolvida pela
Fiocruz.
Em
2024, a notificação obrigatória foi ampliada para casos de hepatite B em
gestantes, puérperas e crianças expostas ao risco de transmissão vertical,
permitindo o acompanhamento dos casos e a adoção das medidas necessárias.
A
prevenção e o cuidado também incluem vacinação, testes rápidos, tratamento
e capacitação de profissionais de saúde. As medidas são ofertadas em diferentes
contextos, incluindo áreas remotas e populações em situação de maior
vulnerabilidade.
Novo
boletim aponta avanços no cenário epidemiológico
Nos
últimos dez anos, o Brasil registrou redução no número de casos e óbitos por
hepatites virais, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais
2026.
Entre
2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5%, de 14,8 mil para 11 mil
registros. Na hepatite C, a redução foi de 34%, de 25,8 mil para 17 mil casos.
Já os registros de hepatite D caíram 57,9%, de 202 para 85 notificações.
No
mesmo período, o número de óbitos por hepatite B caiu 31,9%, de 451 para 307
mortes. Na hepatite C, a redução foi de 61,5%, de 2.028 para 780 óbitos.
Prevenção
e tratamento
O
SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B e tratamento para
as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a
população, com vacinação iniciada ao nascer e continuidade conforme o esquema
previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Pessoas não vacinadas ou com
esquema incompleto também podem receber a vacina.
A
vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil e é aplicada em
dose única aos 15 meses. Também é indicada para pessoas com condições
específicas, como doenças crônicas do fígado, hepatites B ou C, coagulopatias,
pessoas vivendo com HIV, em uso de PrEP, imunodeprimidas e candidatas ou
submetidas a transplante, entre outras situações previstas nos protocolos do
Ministério da Saúde.
Para
a hepatite C, o SUS oferece antivirais de ação direta (DAA) para adultos e
crianças a partir de 3 anos. O tratamento apresenta taxas de cura superiores a
95%.
Para
a hepatite B, o SUS oferece tratamento contínuo às pessoas com indicação
clínica, reduzindo o risco de progressão da doença e de complicações, como
cirrose e câncer de fígado.
Fonte _ Saúde.gov

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