Imuniza SUS

sábado, 31 de janeiro de 2026

Com praticidade no dia a dia e risco de golpes, idosos vivem relação de amor e ódio com celular

 


Bandido. É esse o apelido que Joana, de 90 anos, deu para o seu aparelho celular. O crime? Roubar a sua paciência. Ela adora tirar fotos com o smartphone, mas passa um sufoco para achar o aplicativo da câmera e entender como funciona, isso sem falar de todos os outros aplicativos. "Me ajuda a mexer no meu bandido! Me dá uma aula para eu entender esse bandido", vive dizendo.

Joana e seu malvado favorito retratam uma típica relação de amor e ódio que boa parte dos idosos vive com os smartphones. Com o celular disseminado na sociedade, as pessoas mais velhas desenvolveram uma vida digital ativa.

Dos internautas de 75 anos ou mais no Brasil, 94% utilizam a internet todos os dias ou quase todos os dias. E 76% a acessam somente pelo celular (pesquisa TIC Domicílios, em estudo que compila dados de 2023 e 2024). Nessa mesma faixa etária de internautas, 87% mandam mensagens instantâneas, 76% conversam por chamada de voz ou vídeo e 37% usam redes sociais.

Mesmo que encantados com as possibilidades do aparelho, os mais velhos costumam ter dificuldades para utilizá-lo, muitas vezes agravadas por problemas de visão, de audição, pelo tremor das mãos que atrapalha a digitação e pela queda da cognição.

"Para a Joana [nome fictício], o celular é um fardo. Ela se sente refém do aparelho. Quando recebe uma ligação e não consegue atender, fica ansiosa para saber quem ligou, se era algo importante, se precisa retornar", conta Isabela de Paula Jesus, assistente de atendimento aos idosos do Residencial Israelita Albert Einstein, na Vila Mariana (zona sul de São Paulo), onde Joana mora –são 115 residentes, entre os pagantes e os atendidos gratuitamente.

Isabela lembra que o filho de Joana um dia resolveu presenteá-la com um iPhone 15, na época o de última geração. O aparelho dela era bem mais antigo, do modelo que ainda tinha um botão na tela. Joana passou a perguntar o tempo todo "Cadê o botão?!", e o jeito foi desfazer a troca.

Nos últimos anos, o auxílio para lidar com os "bandidos" se tornou protagonista na assistência aos idosos no residencial, a maioria nonagenária. Eles precisam de ajuda para fazer compras, acessar o banco e passar pix, para usar as redes sociais e os serviços plataforma do Governo Federal (Gov.br), entre outras coisas.

Há também um estado de alerta permanente para evitar que caiam em golpes digitais e, quando isso acaba acontecendo, tentar reparar os danos. "Tem um senhor que pede ajuda para todo mundo para usar o celular. Mesmo quando sai, na rua, pede para quem nem conhece. Então já caiu em golpe", conta Isabela.

"A maioria é de um tempo em que não existia nem telefone fixo em casa, nem televisão, então a dificuldade com o celular é grande", comenta a assistente social Maria Laura Barreto, responsável pelo atendimento aos idosos no residencial.

Mas eles se esforçam para driblar o bandido. Aos 100 anos, Frida Braunstein Taranto resolveu aprender a pedir carro de aplicativo sozinha pelo seu celular. Ela costuma sair para fazer compras ou para se encontrar com um grupo de amigas.

"Antes disso, meus netos vinham me buscar para me levar para fazer as coisas", conta. "Mas nem sempre eles podiam, aí começaram a pedir Uber para mim. Até que um dia eu falei: ‘Não quero ser dependente para nada, principalmente para o lazer, para quando não estou indo para uma visita médica'."

Ela conta que a filha, de 69, e o filho, de 73, ficaram preocupados. "Acharam que eu ia me enrolar. Mas fui a uma loja comprar um celular novo e pedi para a vendedora me cadastrar no Uber. Na primeira vez que saí, mandei mensagem para a família: ‘Gente, adivinha, estou com as minhas amigas, vim sozinha de Uber."

Ela tem um perfil no Instagram, @vovofrida, feito pela neta, com posts inspirados. "Minha neta é empolgada de me mostrar na internet", diz, orgulhosa.

Não é uma tarefa fácil dar conta do celular, ela admite. Com problema de visão, está usando uma lupa para conseguir ler –o aumento das letras pelo celular não tem sido suficiente. "O fato de eu não estar enxergando bem me deixa chateada, ainda mais agora que a gente depende do celular para tudo", diz.

E, como a maioria das pessoas, anda com o smartphone para cima e para baixo. "O celular é tudo para mim, não largo. Ele fica no meu Cadillac e vai aonde vou [Cadillac é o apelido do andador, que tem uma cesta em que guarda o aparelho]. Sou muito requisitada pelo celular, a família, as amigas. Ficam me chamando."

O psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), diz que o celular pode ser positivo para os idosos, desde que o uso seja moderado, sem substituir atividades e conexões presenciais.

Esse equilíbrio reduz a chance de vício nos smartphones, que recentemente se tornou mais comum entre os idosos, com sérios prejuízos à saúde física e mental no envelhecimento. "Se bem utilizado, o smartphone pode ser uma ferramenta de acessibilidade para o idoso. Pode ajudar, por exemplo, com auxiliar de voz, e, agora, com a IA, se tornar um facilitador para atividades do cotidiano."

Com um tablet, Isabel Cristina Jachimowicz, 62, consegue seguir trabalhando apesar das sequelas físicas deixadas por um AVC, que comprometeu significativamente sua mobilidade e a fala. A tela do tablet, maior do que a do celular, favorece a sua digitação. Ela atua como corretora de seguros e, pelo tablet, troca mensagens com os clientes, faz compras e conversa com os filhos. Também usa o ChatGPT, principalmente para saber mais sobre os remédios prescritos pelos seus médicos. "Sei que ele falha, mas dou uma conferida."

A psicóloga especializada em gerontologia Jeane Silva, que atua em projetos sociais para idosos na zona leste de São Paulo, observa que, ultimamente, a maior parte dos que moram nas ILPI’s (Instituições de Longa Permanência para Idosos) têm celular. Ela diz que o smartphone "dá a sensação de fazer parte", especialmente para aqueles sem mobilidade ou com mobilidade reduzida.

"Conheci uma senhora acamada, de 75 anos, que usa para se comunicar com outras pessoas", conta. "Também fui visitar uma casa de três irmãs idosas, de 86, 91 e 100 anos. Elas não conseguiam sair porque estavam com mobilidade reduzida. Qual é o contato delas com o mundo? O celular", diz. Quando bem utilizado, com moderação, ele "acaba propiciando a participação social do idoso".

As assistentes sociais do residencial do Einstein dizem que as ligações de vídeo tanto podem tranquilizar os idosos como gerar ansiedade. "Podem dar uma sensação de proximidade com familiares que estão distantes, mas também deixá-los muito ansiosos, depende da situação", diz Maria Laura.

Tem dia que o celular é mocinho, tem dia que é bandido.

Fonte _ Folha/SP

Cinema em Casa

 

Em A Empregada, uma jovem começa a trabalhar na casa de um casal muito rico, mas tanto ela quanto os patrões escondem segredos sombrios.



Avatar: Fogo e Cinzas

Diante de novas ameaças, humanas e de uma misteriosa tribo Na'vi, a família de Jake Sully e Neytiri deve lutar pelo futuro de Pandora.



Zootopia 2

Os parceiros Judy e Nick embarcam numa missão sinuosa para desvendar um mistério ligado a um novo cidadão da cidade, a cobra Gary De'Snake.



Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada

Bob Esponja segue o misterioso navio fantasma Holandês Voador para provar que já é um cara grandinho com coragem suficiente para embarcar numa aventura pelas profundezas marítimas.



Davi - Nasce um Rei

Um jovem pastor chamado Davi enfrenta gigantes e, da sua devoção e coragem, torna-se um rei.



Justiça Artificial

Um detetive é colocado no banco dos réus acusado de um crime violento: matar sua esposa. No julgamento, então, o detetive tem apenas 90 minutos para provar sua inocência para uma inteligência artificial avançada que ele, no passado, defendeu.



O Agente Secreto

O Agente Secreto se passa no Brasil de 1977 onde Marcelo (Wagner Moura), um homem de 40 anos que trabalha como professor especializado em tecnologia, sai da movimentada São Paulo e vai para Recife. Ele tenta fugir do seu passado violento e misterioso.



Marty Supreme

De malandro apostador com uma vida difícil à astro de tênis de mesa, Marty Reisman alcança a grandeza no esporte de raquete.



Anaconda

Um grupo de amigos em crise de meia-idade decide refazer o filme favorito de sua juventude e viaja para uma floresta tropical. O que começa como uma aventura nostálgica logo se torna um pesadelo. Enfrentando desastres naturais, criminosos perigosos e cobras gigantes, eles percebem que a realidade é muito mais assustadora do que a ficção. Entre ação e suspense, Anaconda resgata a essência da franquia de 1997, trazendo novos desafios e explorando os limites da amizade e da sobrevivência.



Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Essa é a história ficcional da vida doméstica de um dos cânones da literatura ocidental. Ao lado de sua esposa Agnes Shakespeare, William Shakespeare perde seu filho de 11 anos, um menino chamado Hamnet, para uma das pragas que assolou a Inglaterra no século 16.



Apocalypto

Jaguar Paw (Rudy Youngblood) levava uma vida tranquila, que foi interrompida devido à uma invasão. Os governantes de um império maia em declínio acreditavam que a chave para a prosperidade seria construir mais templos e realizar mais sacrifícios humanos. Jaguar é capturado para ser um destes sacrifícios, mas consegue escapar por acaso. Agora, guiado apenas pelo amor que sente por sua esposa e pela filha, ele realiza uma corrida desesperada para chegar em casa e salvar sua família.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas: entenda o conceito e a importância desse controle para a saúde pública

 


O que dengue, Zika, chikungunya, esquistossomose e a doença de Chagas têm em comum? Além de serem enfermidades mais comumente encontradas em países em desenvolvimento, todas elas constam no grupo de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). Essa classificação, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em meados dos anos 2000, tem como objetivo jogar luz para doenças que historicamente, tardaram a fazer parte da agenda global de saúde, recebendo menos atenção e investimento ao longo das décadas.

As DTNs compreendem 21 enfermidadesa maioria delas infecciosas – podendo ser causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas – e que afetam mais de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo. O nome do grupo faz referência ao fato de que essas doenças atingem principalmente comunidades em situação de vulnerabilidade social – como zonas rurais, zonas de conflito e regiões de difícil acesso –, em grande maioria localizadas em regiões como África, América Latina e Ásia. Nesses locais, as desigualdades sociais e econômicas se fazem tão presentes que comprometem questões básicas e fundamentais para a saúde e a qualidade de vida, como tratamento de água e esgoto

Para a pesquisadora científica e diretora do Laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan, Eliana Nakano, o resultado é um ciclo vicioso: as Doenças Tropicais Negligenciadas são a causa e a consequência das condições de uma pobreza estrutural, uma vez que a falta de condições ideais de vida é o ambiente propício para a propagação de patógenos, somada à ausência de políticas públicas dedicadas a sua erradicação. No Brasil, as Doenças Tropicais Negligenciadas mais frequentes são

•    Doença de Chagas: causada pelo protozoário Tripanossoma cruzi e transmitida pelo inseto barbeiro

•    Leishmaniose (visceral e cutânea): transmitida pelo mosquito-palha

•    Hanseníase: doença crônica que afeta pele e nervos

•    Esquistossomose: transmitida por caramujos

•    Dengue, Zika e chikungunya: transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti

•    Raiva: transmitida por mamíferos infectados

•    Helmintíases: transmitidas por parasitas encontrados em solo contaminado

•    Tracoma: infecção ocular que causa cegueira

•    Envenenamento por picada de serpente

•    Sarna: causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, é transmitida por contato direto com a pele da pessoa infectada

Entre as ações já realizadas pela OMS para dedicar esforços ao combate das DTNs estão a criação de um Departamento de Controle focado nelas; a publicação da Declaração de Londres, em 2012, com o primeiro roteiro de combate às DTNs; e o roteiro atual sobre o assunto, lançado em janeiro de 2021, durante a Assembleia da Saúde da OMS, que colocou o 30 de janeiro como o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas e estabeleceu diversas metas a serem cumpridas até 2030, entre elas: 

•    Reduzir em 90% o número de pessoas que necessitam de intervenções contra Doenças Tropicais Negligenciadas

•    Reduzir em 75% as mortes por doenças transmitidas por vetores

•    Alcançar o número de 100 países eliminando ao menos uma Doença Tropical Negligenciada

•    Garantir que 90% dos países coletem e divulguem dados sobre DTNs desagregados por gênero

Importância crescente e caminhos possíveis 

Embora as DTNs não causem um impacto tão evidente em termos de mortalidade, o impacto se dá em questão de morbidade. “Como as DTNs são crônicas, acabam por tirar a pessoa de sua vida normal”, explica Eliana Nakano. Isso significa que um adulto produtivo, ao ser infectado por uma doença negligenciada, poderá perder anos de vida saudável, o que reduz sua produtividade econômica e capacidade de geração de renda, afetando a economia dos países endêmicos e sobrecarregando o sistema público de saúde, o que dificulta ainda mais o atendimento eficaz. 

Ainda que continuem recebendo menos recursos do que doenças como câncer, condições cardíacas e HIV/AIDS, o cenário das DTNs vem mudando. Os principais fatores para isso são as mudanças climáticas, que afetam os mais diversos padrões naturais; e a globalização, que reflete em migrações por deslocamento forçado em casos de guerras, problemas econômicos e, também, por mudanças climáticas. “Essa maior mobilidade de pessoas contribui para que os patógenos circulem com mais facilidade por vários lugares e acabem encontrando locais com condições favoráveis para sua propagação, inclusive em zonas até então não endêmicas, como América do Norte e Europa”, destaca a pesquisadora do Instituto Butantan. 

Para evitar o efeito cascata, é preciso agir de maneira preventiva. No caso das DTNs, a prevenção começa com investimento em políticas públicas para melhoria de saneamento básicofornecimento de água tratada e educação ambiental, e passa pela vacinação de doenças preveníveis como dengue e chikungunya – o Instituto Butantan atua na produção e desenvolvimento dos dois imunizantes. Outra frente de esforço envolve combater a subnotificação dos casos: nem todas as pessoas infectadas por DNTs procuram ajuda médica, especialmente quando os sintomas são mais abrangentes.

O monitoramento ambiental de vetores das doenças também é uma estratégia, alinhada com a política da OMS dentro do programa Global Vector Control Response.

A partir do conceito de Saúde Únicacontrolar os vetores por meio de monitoramento ambiental torna possível eliminar a transmissão de algumas dessas doenças”, aponta Eliana.

O Butantan e as DNTs

Pesquisar e propor alternativas para combater as Doenças Tropicais Negligenciadas é um dos focos do Butantan desde sua fundação. O tratamento de acidentes ofídicos, por exemplo, foi uma das primeiras esferas de atuação do Instituto, no início do século XX, e até hoje a instituição é a maior produtora de soros contra picadas de serpente do Brasil. A vacina da dengue, que foi aprovada para aplicação no Brasil no final de 2025, já está sendo distribuída para a população, e o mesmo deve acontecer com a vacina da chikungunya em breve. Em relação à Zika, o Instituto trabalha no desenvolvimento de um anticorpo monoclonal para o tratamento da doença, e em uma vacina preventiva. Já quanto à raiva, o Butantan produz o soro usado atualmente na prevenção e no tratamento pós-infecção, e desenvolve uma vacina contra a doença. Além disso, a doença de Chagas também é foco de estudo do Instituto.

“Como pesquisadores e cientistas do Butantan, que é um instituto voltado para a saúde pública, temos essa missão de divulgar cada vez mais sobre as Doenças Tropicais Negligenciadas e a importância de combatê-las. Faz parte do nosso papel falar, no dia a dia, sobre o tema e conscientizar a população”, ressalta Eliana Nakano, que tem como seu objeto de estudo outra DNT: a esquistossomose. 

Popularmente conhecida como barriga d'água e causada pelo parasita Schistosoma mansoni, a enfermidade é transmitida pelo caramujo de água doce, que abriga o parasita e libera larvas que infectam o homem ao penetrarem em sua pele. Quando desenvolve a doença, o homem também libera ovos do parasita através das fezes, que, por sua vez, vão infectar a água novamente – e assim sucessivamente. É por isso que locais com baixas condições de saneamento estão mais suscetíveis a registrar casos da doença.

A mitigação da esquistossomose exige o controle dos hospedeiros intermediários, mas a prática pode causar desequilíbrio ambiental, uma vez que o produto usado para o controle é altamente tóxico. É possível, então, detectar se um determinado local está infectado a partir da coleta e análise da água. “Isso acontece com investimento público, mas, como essas doenças foram negligenciadas por muito tempo, ainda é difícil colocar em prática. A indústria farmacêutica também não se voltou para investir em novos fármacos de combate à esquistossomose. Os que existem estão no mercado há décadas”, ressalta Eliana.

Foi esse cenário que levou a pesquisadora, junto com sua equipe, a desenvolver estudos de bioprospecção dentro do Laboratório de Parasitologia do Butantan: a busca é por compostos ativos provenientes da biodiversidade brasileira que possam atuar no combate à esquistossomose.

O estudo analisa mais de 40 espécies de algas marinhas que possuem um composto que, ao ser extraído e testado nos vetores da doença, reage de maneira combativa contra os caramujos. O grupo também busca compostos ativos em venenos de espécies estudadas no próprio instituto, e já identificou um deles em sapos. A partir desses estudos, foram identificados compostos com atividade antiparasitária em venenos e algas marinhas. Futuramente, a pesquisa pode dar origem a um produto para o controle do vetor – atualmente a eliminação dos caramujos se dá com o uso de produtos químicos de alta toxicidade, e o único composto do tipo é proibido no Brasil.

Fonte _ Butantan

Pacientes do SUS de Tarauacá (AC) agora contam com carreta de saúde da mulher do programa Agora Tem Especialistas

 


Mais 32 municípios brasileiros passam a contar, a partir desta sexta-feira (30), com as carretas de saúde do programa Agora Tem Especialistas, que ofertam para os pacientes do SUS atendimentos para prevenção de câncer de mama e do colo do útero, cirurgias de catarata e correções de visão, além de exames de imagem diagnósticos, essenciais para garantir o tratamento de doenças graves no tempo certo.  

Nesta nova rodada de deslocamento, os estados de Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe, São Paulo e Tocantins recebem as 47 unidades móveis de saúde especializada do governo federal, incluindo novas unidades que engrossam a ampliação da oferta. Elas estão posicionadas em regiões de difícil acesso, alta demanda por assistência especializada ou cidades-polo, referência para atendimento de outros municípios da região.   

No Acre, a população de Tarauacá recebe, pela primeira vez, uma carreta do programa, especializada em saúde da mulher. Anteriormente, essa unidade estava em Brasileia (AC).

“O Agora Tem Especialistas nasceu para levar atendimento especializado para onde antes faltava, para encurtar distâncias, reduzir filas e garantir que a assistência chegue mais perto do povo. Já fizemos isso em todos os municípios por onde as carretas de saúde passaram, garantindo mais saúde, mais diagnósticos, mais tratamento. Hoje, elas chegam em outras cidades do Brasil, porque o nosso objetivo é continuar ampliando o acesso ao SUS onde ele é mais necessário”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.   

Nessa unidade móvel, os pacientes da rede pública de Tarauacá (AC), previamente agendados e encaminhados pela secretaria de saúde local, podem fazer consultas especializadas, mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginal e até biópsias para diagnosticar precocemente câncer de mama e de colo de útero.  Uma equipe multiprofissional, composta por médico, técnico de enfermagem e enfermeiro, já está pronta para receber a população.   

Em todas as carretas de saúde da mulher do Agora Tem Especialistas, que desde outubro do ano passado rodam o país, os cinco procedimentos mais frequentes estão relacionados ao diagnóstico de câncer de mama e avaliação ginecológica. Juntos, representam 67,61% de todo o atendimento, reforçando a importância da oferta da iniciativa e do compromisso do governo federal com a saúde da mulher.  O programa também conta com carretas oftalmológicas e de exames de imagem. 

32 municípios em 20 estados: os novos locais em que as carretas começaram a atuar 

Além de Tarauacá (AC), nesta nova rodada recebem carretas de saúde da mulher os municípios de Tartarugalzinho (AP), Ribeira do Pombal (BA), Barreiras (BA), Acopiara (CE), Quixadá (CE), Porangatu (GO), Caxias (MA), Coxim (MS), Acará (PA), Mamanguape (PB), Sapé (PB), Telêmaco Borba (PR), Capão Bonito (SP), Sepetiba (RJ), Cacoal (RO), Itabaiana (SE), Várzea Grande (MT), Guarapari (ES) e Guaraí (TO).  

Já em Mazagão (AP), Cruz das Almas (BA), Mauriti (CE), Inhumas (GO), Camanducaia (MG), Cajazeiras (PB), Serra Talhada (PE) e Mauá (SP), chegaram carretas especializadas em exames de imagem, essenciais para fechar diagnósticos e auxiliar o especialista na melhor conduta médica para tratamento de doenças.   

Outras quatro carretas de oftalmologia começaram os atendimentos em Santa Cruz (RN), Porto Velho (RO), Salinas (MG) e Eunápolis (BA).  

Carretas desafogam atendimento local e zeram filas em 15 municípios  

Até o final deste ano, um total de 150 unidades móveis estará em funcionamento no país. Das 47 atualmente disponíveis, 33 são de saúde da mulher, 9 são de exames de imagem e 5 são especializadas em oftalmologia. Todas estão estruturadas com equipamentos, insumos e equipes multiprofissionais e atuam para desafogar a demanda reprimida. Quinze municípios, inclusive, já zeraram a fila por atendimento.   

É o que aconteceu em Ceilândia (DF), Garanhuns (PE), Urucânia (RJ), Brasiléia (AC), Tauá (CE), Cariacica (ES), Taiobeiras (MG), Princesa Isabel (PB), Parnamirim (RN) e em Canoinhas (SC), em que todos que precisavam fazer diagnóstico de câncer de mama e exames ginecológicos receberam o atendimento. O mesmo aconteceu em Ribeirão Preto (SP) e Ariquemes (RO) para aqueles que esperavam por cirurgia de catarata.  

Com mais de 1,2 mil procedimentos cirúrgicos realizados em todas as carretas oftalmológicas do programa, 1 mil pessoas voltaram a enxergar. Essas unidades móveis ofertam, também, outros procedimentos como mapeamento de retina e ultrassom ocular.  

Já em Santana do Ipanema (AL), todos os pacientes do município e de outros 13 da região que precisavam de tomografia se submeteram ao procedimento, garantindo maior agilidade para descobrir condições graves de saúde ou descartar hipóteses, contribuindo para levar o paciente para o diagnóstico correto. O mesmo ocorreu em Crato (CE) e Paracambi (RJ), que também receberam carretas especializadas em exames de imagem. 

Mais acesso e cuidado especializado   

Para desafogar a demanda por atendimento especializado nos estados e municípios, o Agora Tem Especialistas tem em andamento várias ações, com a mobilização da estrutura de saúde da rede pública e privada. Para aumentar a oferta de atendimento do SUS e reduzir o tempo de espera, oferece, além das carretas, mutirões, ampliação do horário de atendimento em policlínicas, provimento de mais médicos especialistas, atendimento aos pacientes da rede pública em hospitais privados, entre outros.

Fonte _ Saúde.gov

O que um paciente precisa levar em conta antes de escolher um médico?

 


No último dia 19 de janeiro, a divulgação dos resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) trouxeram à tona o debate sobre a qualidade do ensino de medicina no Brasil e seus reflexos diretos no cuidado ao paciente. Apenas 49 faculdades atingiram a nota máxima, enquanto 99 ficaram entre conceitos 1 e 2, o que reforça as disparidades na qualidade do ensino.

O Enamed avaliou 89.024 participantes, entre estudantes concluintes (39.256) e médicos formados (49.768). Segundo levantamento do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas 67% dos alunos que estavam concluindo o curso alcançaram desempenho considerado proficiente.

Esse índice é bem menor que o de profissionais já formados, com 75% dos candidatos alcançando o mínimo indicado pelo MEC (Ministério da Educação). Agora, a pasta deve implementar sanções contra os cursos com notas insuficientes, que passarão por auditorias e terão restrições, como redução de novas vagas para vestibulares.

Entre as discussões suscitadas por esses resultados está o processo de formação de médicos brasileiros. "Nos últimos anos, o Brasil teve um aumento grande de faculdades de medicina. Algumas têm dificuldade em proporcionar aos estudantes um cenário de aprendizado na prática em hospitais e UBS, o que leva muitos alunos a se formarem sem tanto contato com pacientes", afirma a médica Elda Pires, coordenadora da graduação em Medicina da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, instituição que obteve nota máxima na avalição.

Além de permitir rever essa formação, os resultados do Enamed também podem servir como um ponto de partida para que o paciente faça escolhas mais informadas, sem reduzir a competência profissional a uma nota ou ao nome do diploma.

Como escolher seu médico

Em um cenário de formação médica desigual e excesso de informações nas redes sociais, o paciente deve adotar critérios objetivos na hora de escolher um médico. O primeiro passo é verificar se o profissional possui registro ativo no CRM (Conselho Regional de Medicina) e se tem título de especialista reconhecido, o que pode ser confirmado por meio do Registro de Qualificação de Especialista (RQE), disponível no site do Conselho Federal de Medicina.

Outro ponto importante é avaliar o vínculo do médico com instituições de saúde reconhecidas, como hospitais, clínicas ou serviços públicos estruturados, que costumam adotar critérios mais rigorosos de credenciamento e atualização profissional. A experiência em residência médica e a atuação em equipes multiprofissionais também são indicativos relevantes de formação prática e continuidade do cuidado.

Além da formação técnica, a qualidade da consulta deve ser observada. Um médico confiável é aquele que escuta, explica o diagnóstico e as opções de tratamento, responde às dúvidas com clareza e considera o histórico clínico do paciente nas decisões. Relações construídas ao longo do tempo, especialmente com clínicos, médicos de família ou especialistas de referência, tendem a favorecer a coordenação do cuidado e reduzir riscos de condutas fragmentadas.

Não escolha pelos likes

A busca por um profissional de saúde tampouco deve se pautar pelo número de seguidores ou curtidas nas redes sociais. "A forma de procurar atendimento médico mudou muito nos últimos anos e talvez essa seja uma oportunidade de repensar como estabelecemos a relação médico-paciente", reflete Elda Pires. "Temos visto cada vez mais o espaço das redes sociais ser ocupado por informações erradas e incompletas e profissionais sendo valorizados pelo seu número de seguidores."

Em meio aos conteúdos gerados por inteligência artificial e promovidos na web de forma tendenciosa, a população deve ficar ainda mais atenta. "É preciso desviar dessas informações deturpadas e buscar médicos a partir de registros de confiança, como o RQE", aconselha a docente. "Foque em profissionais com reconhecida competência profissional ou recomendados por médicos que já te atendem."

Além disso, o segredo da confiança entre médico e paciente está em estabelecer uma relação de longo prazo com um profissional que ajude a encontrar o cuidado mais adequado e individualizado.

"A relação de confiança se estabelece no olho no olho. Uma vez que você tem um médico que te conhece, que é vinculado a uma instituição que você confia, é muito mais fácil receber dele as indicações de novos especialistas, quando necessários, que vão poder conduzir esse cuidado de forma adequada", avalia a especialista.

Fonte _ Folha/SP

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Desdenhar do SUS é pura vira-latice brasileira

 


Meu amigo Mike ligou de Londres com uma tosse que o impedia de falar. Fiquei aflito do lado de cá, fazendo perguntas sem respostas, até que ele conseguiu dizer: “Engasguei-me com uma cápsula".

Tossiu mais um tempão, respirou fundo e continuou: "Acabei de eliminar o invólucro da cápsula, mas o pó ficou preso".

Recomendei que corresse para o pronto-socorro, expliquei que fariam uma endoscopia e uma "lavagem" nos brônquios, mas ele interrompeu: "Não vou de jeito nenhum. Há quatro meses fui ao pronto-socorro da minha área, cheguei às 10 da noite. Aguardei sentado na sala de espera até às 9 da manhã. No mês passado fui outra vez, cheguei às 5 da tarde, para ser atendido à 6 da manhã: 11 horas de espera na primeira vez, 13 na segunda".

Mike é ator, estudou nas melhores escolas da Inglaterra, é um homem culto com amigos na intelectualidade londrina. Tem uma longa paixão pelo Brasil, que lhe deu dois casamentos e anos de moradia em São Paulo, Rio e Bahia.

Quando pode falar com fluência, acrescentou: "No ano passado, estava em Rio das Pedras, no estado do Rio, quando torci o pé. Me levaram para o pronto-socorro do SUS. Em dez minutos veio o ortopedista, me examinou e pediu uma radiografia. Ele olhou, disse que não tinha fratura, imobilizou meu pé e me mandou para casa. Tudo levou uma hora, no máximo".

Na cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres, havia um círculo no centro do gramado com as letras NHS, as iniciais do National Health System. Por que na abertura da Olimpíada no Maracanã não fizemos o mesmo? Por que não escrevemos SUS?

Qual a justificativa para os ingleses se orgulharem de seu sistema de saúde, enquanto nós desprezamos o nosso?

O NHS tem 80 anos —é mais do que o dobro da idade do SUS. A Inglaterra é um país pequeno, que enriqueceu com a exploração impiedosas das colônias. O nível educacional da população é alto, os desníveis sociais dos seus 66 milhões de habitantes são muito menores que os nossos. Assim, até eu organizo um sistema de saúde.

Quero ver num país quase continente, com 215 milhões de cidadãos, distribuição de renda perversa, nível educacional baixo, pobreza e tremenda desigualdade regional. É tão difícil que nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou oferecer acesso universal à saúde.

Fico revoltado quando escuto gente que nunca precisou do SUS citar o NHS como o exemplo a ser admirado. É a vira-latice brasileira na sua mais pura expressão.

O British Medical Journal acaba de publicar um artigo sobre o caos instalado nas unidades de pronto atendimento dos hospitais ingleses. Segundo a revista, 8 em cada 10 hospitais que atendem emergências acomodam os pacientes em macas e cadeiras nos corredores, salas de espera, salas de reunião e até nas áreas de café e outros espaços improvisados.

A prática não se acha restrita a períodos de demanda extrema, mas enraizada na rotina diária da maioria dos hospitais,

Ian Higginson, presidente do Royal College of Physicians, descreve a situação como "um completo escândalo". Atribui à espera de mais de 12 horas (como a de meu amigo Mike) a responsabilidade por mais de 16,6 mil mortes evitáveis apenas no ano de 2024.

O sindicato das enfermeiras ouviu 438 dessas profissionais sobre a crise atual. Os relatos são dramáticos: uma enfermeira de um hospital no sudoeste da Inglaterra disse que "pacientes lamentam não ter ficado em casa, mesmo correndo o risco de morrer"; outra, na região sudeste, disse que "nesses corredores gelados não há oxigênio ou monitores para facilitar o trabalho"; uma terceira foi mais longe e afirmou que "não tratamos assim nem animais na prática veterinária".

Prezada leitora, sabe por que um sistema de saúde que funcionou bem durante décadas entrou em colapso? Porque a população envelheceu sem programas de prevenção à altura do desafio de evitar internações hospitalares.

É cada vez maior o número de técnicos do NHS que consideram o único caminho para evitar o colapso do sistema a adoção do Estratégia Saúde da Família, o programa brasileiro de atenção primária que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera um exemplo para o mundo.

Antes de repetir frases feitas sobre a excelência da saúde pública na América do Norte e na Europa, procure se informar sobre a realidade local. O SUS está cheio de defeitos que precisamos corrigir, mas, antes de vilipendiá-lo, dobre a língua.

Fonte _ Coluna Drauzio na Folha/SP

Anvisa aprova por unanimidade regras que cumprem decisão do STJ para produção de cannabis medicinal

 


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28/01/2026), durante a 1ª Reunião Pública da Diretoria Colegiada (Dicol) de 2026, a regulamentação de todas as etapas de produção da cannabis para fins medicinais no Brasil. A medida cumpre determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de novembro de 2024, que definiu a legalidade da produção "para fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos atrelados à proteção do direito à saúde”. 

“Trata‑se de um passo que leva esperança concreta a milhares de famílias brasileiras: ao dar previsibilidade e segurança para pesquisa e fins medicinais, abrimos caminho para que a ciência e o setor produtivo do país desenvolvam soluções de qualidade para crianças, adolescentes, adultos e idosos, colocando o cuidado em primeiro lugar e aproximando inovação de quem mais precisa”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. 

Três Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) foram apresentadas para atender as questões de acesso aos produtos e as iniciativas de pesquisa científica que, de acordo com Leandro Safatle, cumprem o papel da Vigilância Sanitária de “dar respostas regulatórias responsáveis, baseadas em evidências, para que o paciente esteja no centro das decisões.” A regulamentação é exclusivamente para fins medicinais e considera todas as regras sanitárias estabelecidas.

Produção

A primeira RDC prevê a emissão de uma Autorização Especial (AE) para produção exclusivamente por pessoas jurídicas, com inspeção sanitária prévia e exigência de mecanismos de rastreabilidade, controle e segurança.

A produção deverá ser restrita ao teor de THC de até 0,3%, substância não psicotrópica, conforme estabelecido pelo STJ. Somente poderão ser importados ou adquiridos materiais comprovadamente dentro desse padrão. Todos os insumos devem estar previamente regulados pelo Mapa (cultivares registradas) e todos os lotes do material produzido deverão ser submetidos à análise laboratorial.

Há previsão de que as atividades possam ser imediatamente suspensas e a produção destruída em casos de padrão não justificado ou qualquer outra possível irregularidade. As medidas atendem aos requisitos de controle internacional das Convenções da ONU e da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).

O controle e a segurança permanente dos locais também constam da resolução. Está prevista ainda a criação de um comitê coordenado por Anvisa, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde (MS) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para promover a fiscalização e a segurança em todas as etapas de produção, com ações permanentes de controle.

Pesquisa

Já a RDC de Pesquisa prevê a concessão de Autorização Especial exclusivamente para instituições de ensino e pesquisa reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICT) públicas, indústrias farmacêuticas e Órgãos de Defesa do Estado.

Os requisitos de segurança e controle também estão previstos e envolvem inspeção prévia do local pela autoridade sanitária, exigência de barreiras físicas de proteção e vigilância 24 horas por dia – com sistema de câmeras e alarmes, acesso restrito e controle de entrada e saída.

Os produtos resultantes da pesquisa não poderão ser comercializados, mas poderão ser compartilhados com outras instituições, devidamente autorizadas pela Anvisa, para realização de análises e outras atividades inerentes à pesquisa. Produtos para pesquisa com THC acima de 0,3%, deverão ser obtidos por meio de importação com autorização prévia da Anvisa e atendimento das exigências estabelecidas pela ONU.

Associações

A terceira Resolução aprovada cria um instrumento específico para associações de pacientes sem fins lucrativos, que também não prevê autorização para comercialização. O objetivo é avaliar, em ambiente controlado e supervisionado, a viabilidade sanitária da produção e operação em pequena escala, fora do modelo industrial; e produzir dados e evidências sobre qualidade e segurança da produção por essas instituições para decisão regulatória futura da Anvisa.

A Anvisa fará um chamamento público com número máximo de projetos selecionados para cada ciclo, conforme critérios técnicos e sanitários, limites de produção e de pacientes atendidos.

Assim como as demais resoluções, essa proposta também prevê um plano de monitoramento com definição de indicadores e requisitos de controle de qualidade, bem como rastreabilidade dos insumos e produtos até a dispensação aos pacientes.

Construção baseada em dados

A elaboração das propostas, relatadas pelo diretor Thiago Campos, contou com o respaldo científico e de outras instituições governamentais. Foram realizadas 29 consultas com associações de pacientes e a comunidade científica, além de analisadas experiências internacionais. A Agência recebeu 47 trabalhos científicos de 139 pesquisadores, sendo 41 do Brasil. As discussões envolveram ainda os Ministérios da Saúde, da Agricultura e Pecuária, da Justiça e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Segundo o relator, as normas aprovadas instituem um ambiente regulatório que cobre toda a cadeia produtiva de fármacos. “Parte-se da premissa de que o cultivo regulado, seguro e monitorado, vedado qualquer uso não autorizado ou desvinculado da cadeia sanitária formal, viabiliza a produção do insumo; o insumo possibilita, em estágios mais avançados, a produção de medicamentos; e a pesquisa fornece o substrato necessário para determinar, com maior precisão, o real potencial terapêutico da planta”, observou.

Atualização de normas de regularização

A Agência aprovou na mesma reunião a atualização do marco regulatório para a fabricação e importação de produtos de cannabis para uso medicinal no país, RDC 327/2019.

Atualmente, 49 produtos de cannabis estão regularizados pela Anvisa e podem estar disponíveis em farmácias e drogarias. Esses produtos, que hoje estão no mercado, deverão avançar para as etapas de estudos clínicos que indiquem base de eficácia para uma futura adequação, já na condição de medicamento.

Entre as inovações da resolução, está a ampliação do público que pode fazer uso medicinal de produtos à base de cannabis, incluindo pacientes que sofrem de doenças debilitantes graves.

Outra novidade é a possibilidade de novas vias de administração farmacêutica. Até então, estavam previstas apenas as vias nasal e oral. Com base em evidências científicas já conhecidas, a norma passa a autorizar o uso dermatológico, sublingual, bucal e inalatório, que ampliam a adesão ao tratamento para pacientes em condições especiais.

Por fim, a divulgação de medicamentos à base de cannabis pelos laboratórios está restrita aos profissionais prescritores e as informações devem ser previamente aprovadas pela Anvisa.

Manipulação

Esse tema específico deverá ser objeto de uma nova resolução, que ainda será discutida pela Anvisa.

Assista a gravação da reunião

Fonte _ ANVISA

Vacina do HPV não acelera vida sexual, nem causa doenças ou muda DNA

 


O HPV (Papilomavírus Humano) é um grupo de mais de 200 tipos de vírus, responsável por causar a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. Alguns destes vírus podem provocar verrugas genitais, outros afetam a pele e as mucosas, enquanto os mais agressivos estão associados a diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. 

vacinação contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção por ajudar a reduzir o risco de contágio, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar disso, uma série de falsidades relacionadas ao imunizante continuam circulando em conversas e nas redes sociais. A consequência disso é que a taxa de vacinação no Brasil ainda não alcançou a meta de 95% de cobertura, embora tenha tido um aumento importante em 2024 – para 82% de cobertura global, ante 78,5% em 2022, segundo o Ministério da Saúde.

“A vacina contra o HPV funciona exatamente como usar um capacete: ninguém espera sofrer um acidente para colocá-lo; o capacete só protege quem o utiliza antes de subir na moto ou na bicicleta. Com a vacina, a lógica é exatamente a mesma”, afirma o pediatra e gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Butantan, Mário Bochembuzio. 

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Para garantir a eficácia da proteção, ele esclarece que “a vacina deve ser aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos, quando o sistema imunológico responde melhor e antes do início da vida sexual, que é quando o risco real de exposição ao vírus começa”. 

A grande questão é: se essa proteção é tão eficaz e oferecida gratuitamente pelo SUS, por que tantas pessoas ainda deixam de se vacinar? 

Isso ocorre, em grande parte, por causa de um mito perigoso de que a vacina 'antecipa' o início da vida sexual dos adolescentes. “O foco da vacina é justamente o oposto: é uma ferramenta de prevenção para proteger contra doenças graves, como o câncer, e ela funciona se for usada antes da exposição ao risco, ou seja, antes do início da vida sexual”, ressalta o pediatra.

No Brasil, a vacina contra o HPV é recomendada para a faixa etária de 9 a 14 anos. Em 2025, ela passou a ser oferecida em dose única também para jovens de 15 a 19 anos, em uma campanha que deve ir até dezembro deste ano. O grupo prioritário também inclui imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e pessoas com outras condições específicas, conforme disposição do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Esse público pode receber a vacina até os 45 anos, em um esquema de três doses.

Apesar de seu caráter preventivo, há outros tantos boatos acerca da vacina contra o HPV. O Portal do Butantan consultou o gestor médico Mário Bochembuzio para desmenti-los.

1. A vacina é uma experiência genética que muda o DNA.

FALSO. A vacina não tem nenhum poder de alterar o nosso DNA. Ela é feita a partir de partículas semelhantes ao vírus (VLP, do inglês virus like particles). Baseada em engenharia genética, a tecnologia consiste em desenvolver uma molécula contendo a principal proteína da superfície do vírus, a L1, mas sem o DNA viral que normalmente fica dentro do vírus. A partícula criada em laboratório “imita” a estrutura do vírus, fazendo o sistema imune acreditar que ela é uma ameaça e tomar medidas para combatê-la. Por não conter o material genético do patógeno, a estratégia é considerada extremamente segura e sem risco de causar infecção. Em resumo: a vacina não entra no núcleo das nossas células, que é onde o DNA fica guardado.

 

2. A vacina contra o HPV causa a Síndrome de Guillén Barré (SGB).

FALSOComitê Consultivo Global para Segurança de Vacinas (GACVS, na sigla em inglês), da OMS, analisou uma revisão abrangente da literatura científica e concluiu que não há associação direta entre a vacina contra o HPV e a Síndrome de Guillén Barré.

Entre as pesquisas avaliadas estão estudos de coorte populacional da Dinamarca e da Suécia; uma publicação online da França que sugeria um risco aumentado da síndrome em pessoas vacinadas; e um grande estudo de série de casos autocontrolado no Reino Unido, com base em uma população onde 10,4 milhões de pessoas receberam a vacina. Esta pesquisa não encontrou aumento significativo no risco de SGB após qualquer dose da vacina em nenhum dos vários períodos de risco avaliados ou para qualquer marca de imunizante. 

A SGB foi especificamente selecionada como um desfecho em estudos dos Estados Unidos que usaram o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS, na sigla em inglês) e o Vaccine Safety Datalink (VSD). O GACVS recebeu novos dados do VAERS após a distribuição de 60 milhões de doses e os dados do VSD com mais de 2,7 milhões de doses administradas até o final de 2015. Na análise atualizada, não foi identificada nenhuma associação entre a vacina contra o HPV e a SGB. A conclusão do GACVS após analisar os estudos do Reino Unido e dos EUA foi de que o risco de >1 caso de SGB por milhão de doses de vacina, que antes havia sido sugerido, pode hoje ser excluído.

 

3. A vacina contra o HPV causa mais danos do que benefícios.

FALSO. Os benefícios da vacina são imensamente maiores do que qualquer risco. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como dor no local da aplicação. O benefício é a proteção contra cânceres que matam milhares de pessoas.

 

4. Só pega HPV quem tem muitos parceiros, então não preciso da vacina.

FALSO. Qualquer pessoa que tenha ou venha a ter contato íntimo com outra pode pegar o HPV, mesmo que seja com um único parceiro ou parceira. O vírus é muito comum e fácil de ser transmitido.

 

5. Como HPV não tem cura, não adianta tomar a vacina.

FALSO. É justamente por não existir um remédio que combata diretamente o vírus que a vacina é tão importante. Ela impede que a pessoa seja infectada transmita a doença para outras. Segundo dados da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), a vacinação de mulheres adolescentes contra o HPV pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.

 

6. Quem já foi infectado com o HPV não precisa da vacina.

FALSO. Mesmo quem já teve contato com um tipo de HPV pode se beneficiar da vacina. Existem muitos tipos diferentes de HPV, e a vacina protege contra os principais que causam câncer. O Programa Nacional de Imunizações foca no público mais jovem por se tratar de uma recomendação da OMS, e por ser um programa focado em estratégias de imunização coletiva, não individual.

 

7. Estou fora do público-alvo, portanto não preciso tomar.

DEPENDEO Ministério da Saúde oferece a vacina gratuitamente para a faixa etária com a melhor resposta e com a indicação preconizada pela OMS. No entanto, pessoas mais velhas também podem se beneficiar. Se você está fora da idade indicada no calendário de vacinação nacional do PNI, pode conversar com um médico para averiguar se é o caso de procurar a vacina em clínicas particulares.

 

8. A vacina foi suspensa no Japão, então não devo tomar.

A HISTÓRIA NÃO É BEM ASSIM. O Japão nunca suspendeu a vacina. O que aconteceu foi que o governo parou de recomendá-la ativamente até investigar as causas da desinformação acerca da vacina, que também atingiu o país. Após as taxas de câncer começarem a subir e os boatos serem desmentidos, o governo japonês voltou a recomendar ativamente a vacina em 2022.

Um estudo publicado em 2020 na revista BMC Infectious Diseases por cientistas da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), um braço de estudos de oncologia da OMS, relatou que mulheres jovens vacinadas contra o HPV apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver lesões pré-cancerosas cervicais em comparação com um grupo não vacinado. A eficácia da vacina contra lesões de grau 2 ou superior foi de 76%, e a eficácia contra lesões de grau 3 ou superior foi de 91%, em comparação com mulheres não vacinadas da mesma idade.

Fonte _ Butantan