Imuniza SUS

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Audiência Pública discutirá impactos da PEC 19/2024 sobre jornada e Piso da Enfermagem

 


O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) participa, na próxima terça-feira (4), da audiência pública que debaterá os impactos financeiros e orçamentários da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 19/2024, que estabelece a jornada máxima de 30 horas semanais para enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem.

O encontro, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Enfermagem, será realizado às 17h, no Plenário 7 do Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), e reunirá especialistas e representantes da categoria para discutir a viabilidade da medida, considerada um avanço histórico na valorização da profissão.

De autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), a PEC propõe alteração do § 12 do art. 198 da Constituição Federal para garantir que o Piso Salarial da Enfermagem seja aplicado à jornada máxima de 30 horas semanais. A proposta também estabelece que o reajuste anual do piso não seja inferior à inflação acumulada nos últimos 12 meses, assegurando maior equilíbrio e justiça salarial aos profissionais da área.

“A jornada de 30 horas é uma pauta histórica da Enfermagem e uma necessidade urgente. Trata-se de garantir condições dignas de trabalho, preservar a saúde dos profissionais e assegurar qualidade no cuidado à população”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri.

Um panorama do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) sobre as condições de emprego e renda dos profissionais de Enfermagem no Brasil evidencia os desafios da categoria: predominância de técnicos e auxiliares (84%), forte presença feminina (86%), jornadas extensas, múltiplos vínculos e desigualdades salariais regionais e de gênero, mesmo com crescimento médio salarial de 17% entre 2018 e 2023. Essas condições reforçam a necessidade de políticas públicas consistentes, como a Lei do Piso Salarial (Lei nº 14.434/2022) e a PEC 19/2024, que buscam assegurar remuneração justa, condições de trabalho adequadas e fortalecimento da qualidade da assistência à saúde.

De acordo com um estudo elaborado pelo DIEESE, a pedido da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), foi avaliado o impacto financeiro da aplicação do Piso Salarial da Enfermagem considerando a jornada de 30 horas semanais. Com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2023), o levantamento identificou cerca de 1,19 milhão de vínculos ativos com registro formal, abrangendo enfermeiros, técnicos e auxiliares.

Os dados indicam que, em dezembro de 2023, 53,5% dos enfermeiros, 68,4% dos técnicos e 38,7% dos auxiliares recebiam abaixo do piso nacional. A aplicação plena dos pisos sobre a jornada de 30 horas resultaria em um impacto médio adicional anual de apenas 2,16% na massa salarial total dos setores público e privado, percentual considerado administrável e sustentável, diante dos benefícios sociais, da valorização profissional e da melhoria das condições de trabalho.

O levantamento reforça que a jornada reduzida contribui para reduzir o adoecimento físico e mental, melhorar a qualidade da assistência à população e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil conta com mais de 3,2 milhões de profissionais de Enfermagem, sendo a maior força de trabalho da saúde.

Fonte _ COFEN

Entomologia forense: entenda como os insetos podem ajudar a desvendar crimes

 

Larvas de besouro do gênero Dermestes (conservação em via úmida)


Quem é fã de histórias de investigação criminal já deve ter ouvido falar em análise de DNA, necrópsias ou exames toxicológicos. Mas no universo do true crime, existem pequenos protagonistas pouco mencionados e de extrema importância para solucionar crimes: os insetos.

Na entomologia, ciência que estuda os insetos, há uma área dedicada exclusivamente à pesquisa das espécies que se alimentam de cadáveres, conhecida como entomologia forense médico-legal. Desse grupo fazem parte as moscas (Ordem Diptera) e os besouros (Ordem Coleoptera), que são mais comumente encontrados nos corpos em estado de decomposição. Mas formigas (Ordem Hymenoptera) e baratas (Ordem Blattaria) também podem aparecer, especialmente em ambientes urbanos.

No contexto investigativo, os insetos cadavéricos podem ajudar a determinar desde o intervalo de morte até se o corpo foi movido ou se houve consumo de substâncias ilícitas. Para isso, os especialistas observam o estágio evolutivo das larvas; se são espécies urbanas, rurais ou aquáticas; ou examinam seu conteúdo estomacal, por exemplo, em busca de evidências de substâncias que possam ajudar a esclarecer a causa do óbito. Também é possível extrair DNA humano do trato digestivo das larvas, a fim de identificar a vítima ou o suspeito.

“Após a morte, o corpo libera fluidos que atraem os insetos em poucas horas. A colonização começa por orifícios, como a região dos olhos, ouvidos e boca, ou regiões lesionadas, onde os insetos adultos depositam seus ovos, para que as larvas possam crescer e se alimentar”, explica a bióloga Beatriz dos Reis, que estuda entomologia forense e acaba de concluir a Especialização em Animais de Interesse em Saúde no Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan. 

Segundo Beatriz, o conhecimento dos insetos de importância forense é útil até em casos em que o corpo encontrado já está em estágio avançado de decomposição, quando não é possível fazer análises conclusivas somente observando o organismo. 

“Apenas observar as características do corpo nem sempre traz resultados precisos, já que o tempo de decomposição também varia de acordo com a temperatura e umidade do local ou com os hábitos que a pessoa teve em vida, como consumo de álcool ou de certos medicamentos”, completa a bióloga.

Gêneros Hermetia (larva de mosca), Dermestes (larva de besouro) e Dermestes (besouro adulto) conservados em via úmida


Os insetos respondem

Uma das principais aplicações da entomologia forense é a determinação do intervalo de morte. Dependendo do estágio evolutivo das larvas encontradas no corpo, é possível estimar há quantas horas ocorreu o óbito. Esse foi um fator determinante, por exemplo, durante a investigação da morte de Juliana Marins, brasileira de 26 anos que se acidentou na trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, em junho deste ano. “A análise conduzida por legistas e peritos do Rio de Janeiro mostrou que Juliana sobreviveu por até 32 horas após a queda”, lembra Beatriz dos Reis.

Durante sua especialização no Instituto Butantan, a bióloga conduziu um projeto de pesquisa pioneiro no estado de São Paulo, em parceria com o Núcleo de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) Central do estado. Ela fez um levantamento dos insetos encontrados em cadáveres humanos em estágio avançado de decomposição – a maioria das pesquisas coleta os artrópodes em carcaças de animais. 

“Foi possível coletar espécies diversas provenientes de quatro municípios do estado de São Paulo, que foram identificadas e organizadas conforme o estágio de vida. Ao todo, foram coletados 349 exemplares”, conta Beatriz.

O trabalho rendeu à Coleção Entomológica do Butantan os primeiros exemplares de insetos de importância forense. Ter esses animais catalogados em coleções zoológicas é fundamental para ampliar o conhecimento na área e auxiliar os peritos na correta identificação das espécies e dos seus estágios de desenvolvimento.

Exemplares adultos de moscas das famílias Sarcophagidae e Calliphoridae (via seca)


Quebrando o tabu

Embora os primeiros trabalhos publicados sobre entomologia forense datem do final do século XIX, a área só começou a tomar forma no começo dos anos 2000 – e ainda há muitas lacunas a serem preenchidas.

Para a bióloga e técnica do laboratório de Coleções Zoológicas – Coleção Entomológica do Butantan, Natália Khatourian, existe um tabu que deve ser superado para fomentar essas pesquisas. “As pessoas não imaginam que uma mosca pode ajudar a descobrir a causa de uma morte. Os insetos formam o maior grupo de animais que conhecemos, e ainda há muitas espécies a se descobrir e estudar. Tudo tem um porquê, tudo tem uma função e uma importância na natureza. A entomologia forense é uma ciência e precisa de incentivo”, afirma. 

O tema, apesar de visto como “mórbido” por algumas pessoas, é tratado com naturalidade por Beatriz, que cresceu em contato direto com a natureza por incentivo do avô e guarda uma coleção de ossos de pequenos animais desde a infância. “Esses insetos fazem a ciclagem do meio ambiente. É uma matéria que está se renovando, e que vai alimentar outra vida e voltar ao ponto de origem. Isso, para mim, é incrível. É o movimento da vida.”

Várias pupas (vazias) de mosca do gênero Chrysomya


Fonte _ Butantan

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

InfoGripe: casos de SRAG por influenza avançam para Rio de Janeiro e Espírito Santo

 


Divulgada nesta quinta-feira (30/10), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta para manutenção do aumento do número de casos de graves de influenza A em São Paulo e indícios do avanço do vírus no Rio de Janeiro e Espírito Santo. A análise já alertava para uma segunda onda bastante atípica do vírus para esta época do ano em Goiás e no Distrito Federal, onde os casos começam a diminuir.



A análise é referente à Semana Epidemiológica 43, período de 19 de agosto a 25 de outubro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, aponta que o rinovírus tem impulsionado o aumento do número de casos de SRAG em crianças e/ou adolescentes no Acre, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Além disso, o metapneumovírus também tem contribuído para o crescimento do número de casos de SRAG em crianças no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina, além do adenovírus no Mato Grosso do Sul.

As hospitalizações por Covid-19 continuam aumentando em toda a Região Sul e em São Paulo, mas ainda em níveis baixos de incidência. O único estado que apresenta incidência moderada de casos graves pelo vírus é o Espírito Santo, mas os casos de SRAG entre os idosos apresentam sinal de queda.

“Diante do cenário de aumento dos casos de SRAG por Covid-19 e influenza A em alguns estados, é fundamental que a população mais vulnerável, como idosos, pessoas com comorbidades e imunocomprometidos, que têm maior risco de desenvolver quadros mais graves dessas doenças, mantenham a vacinação em dia contra esses vírus. Para quem mora em regiões com alta de casos de SRAG, recomendamos o uso de máscara em locais fechados, com maior aglomeração de pessoas e dentro dos postos de saúde”, afirma a cientista.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 22,5% de influenza A, 1,4% de influenza B, 7,2% de vírus sincicial respiratório, 38,4% de rinovírus e 14,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos no mesmo recorte temporal foi de 20,2% de influenza A, 2,8% de influenza B, 3,9% de vírus sincicial respiratório, 27,5% de rinovírus e 44,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% são de Influenza A, 1,2% de influenza B, 40,6% de vírus sincicial respiratório, 28% de rinovírus e 8,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19)). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 22,5% de influenza A, 1,4% de influenza B, 7,2% de vírus sincicial respiratório, 38,4% de rinovírus e 14,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2025, já foram notificados 200.652 casos de SRAG, sendo 105.721 (52,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 72.766 (36,3%) negativos, e ao menos 9.039 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Estados e capitais

Observa-se que 6 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 43: Acre, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins. A alta do número de casos de SRAG com tendência de crescimento nesses estados se concentra especialmente nas crianças e/ou adolescentes de até 14 anos e tem sido impulsionada em grande parte pelo rinovírus.

No Espírito Santo há um aumento dos casos de SRAG na população de jovens e adultos de 15 a 49 anos, associado principalmente à influenza A. No Tocantins há sinal de crescimento do número de casos de SRAG na população de 50 a 64 anos, possivelmente também relacionado à influenza A.

Os casos graves por influenza A continuam aumentando em São Paulo e mostram sinais de início de expansão para o Rio de Janeiro e  Espírito Santo. Em Goiás e no Distrito Federal, os casos graves pelo vírus mostram sinal de início ou manutenção de queda.

Verificou-se ainda a manutenção do aumento das notificações de SRAG por Covid-19 no Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os idosos, associados à Covid-19, começaram a dar sinal de início de queda, mas estão em um patamar considerado moderado para a região.

Cinco das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 43: Aracaju, Campo Grande, Florianópolis, Palmas e São Luís.

Óbitos

Em relação aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 11.967 óbitos de SRAG, sendo 6.129 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.723 (39,5%) negativos, e ao menos 193 (1,6%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,7% são de influenza A, 1,8% de influenza B, 11,7% de vírus sincicial respiratório, 14,3% de rinovírus e 23,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos positivos foi de 20,2% de influenza A, 2,8% de influenza B, 3,9% de vírus sincicial respiratório, 27,5% de rinovírus e 44,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Fonte _ FioCruz

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Pressão de 12 por 8 é reclassificada como pré-hipertensão em nova diretriz

 


A pressão arterial considerada de risco no Brasil mudou de patamar. Uma nova diretriz endossada por três sociedades médicas passa a enquadrar como pré-hipertensão valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica).

O documento foi divulgado nesta quinta-feira (18) no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia. Ele foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Antes vistos como “normais limítrofes”, esses números agora exigem atenção médica. O objetivo da reclassificação é reforçar a prevenção: nessa fase, sem que a hipertensão esteja totalmente instalada, os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco do paciente, podem até receitar o uso de medicamentos.


➡️A mudança vai ao encontro de novas diretrizes internacionais divulgadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em 2024. À época, a pressão 12 por 8 passou a ser classificada como "pressão arterial elevada" nos padrões europeus.

Meta de tratamento

Aqui no Brasil, outra mudança importante é a meta de tratamento. Até agora, aceitava-se que manter a pressão a partir de 14 por 9 (140/90 mmHg) era suficiente. A nova diretriz endurece a recomendação: o alvo passa a ser abaixo de 13 por 8 (<130/80 mmHg) para todos os hipertensos, independentemente da idade, sexo ou presença de outras doenças.

Segundo os autores da nova diretriz, o limite mais baixo é fundamental para reduzir riscos de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Nos casos em que o paciente não tolera reduções tão intensas, a orientação é buscar o nível mais baixo possível dentro da segurança clínica.

Pela primeira vez, o relatório estabelece que não basta controlar apenas os números da pressão. O foco agora é reduzir também o risco cardiovascular global.

Foi incorporado o escore PREVENT, que calcula a chance de um paciente sofrer um evento cardiovascular em dez anos. O cálculo leva em conta variáveis como obesidade, diabetes, colesterol alto e lesões já instaladas em órgãos-alvo, como rins e coração.

A partir desse resultado, médicos devem adotar condutas mais intensas para quem está em alto ou muito alto risco, aproximando o cuidado da chamada medicina de precisão.


SUS em pauta

Pela primeira vez, a diretriz dedica um capítulo exclusivo ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão reflete a realidade brasileira: cerca de 75% dos pacientes hipertensos são acompanhados na rede pública.

O texto adapta recomendações às condições do SUS, com foco na atenção primária. Entre as orientações, estão: priorizar medicamentos já disponíveis na rede, garantir protocolos de acompanhamento multiprofissional e estimular monitoramento com MAPA (monitorização ambulatorial) e MRPA (monitorização residencial), quando possível.

A ideia é oferecer um guia prático e aplicável para médicos e enfermeiros da rede básica, ajudando a reduzir desigualdades regionais e a melhorar o controle da pressão em todo o país.

Outro capítulo inédito do documento traz orientações voltadas à saúde feminina, reconhecendo que há fases de maior vulnerabilidade para a hipertensão.

  • Anticoncepcionais: a diretriz recomenda medir a pressão antes da prescrição e monitorar regularmente durante o uso.
  • Gestação: medicamentos considerados seguros, como a metildopa e alguns bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina de longa duração, amlodipina), devem ser priorizados em gestantes hipertensas.
  • Peri e pós-menopausa: fases em que a pressão tende a subir, exigindo acompanhamento mais próximo.
  • Histórico gestacional: mulheres que tiveram hipertensão na gravidez precisam de acompanhamento de longo prazo, já que esse histórico aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro.

Outras recomendações práticas

O documento reforça, ainda, medidas já conhecidas, mas fundamentais:

  • Mudanças no estilo de vida: perda de peso, redução do sal, aumento de potássio na dieta, padrão alimentar DASH e prática regular de atividade física.
  • Tratamento medicamentoso: para a maioria dos pacientes, a recomendação é começar com associação de dois medicamentos em baixa dose, preferencialmente em um único comprimido. As classes mais indicadas incluem diuréticos tiazídicos, inibidores da ECA, bloqueadores de receptores de angiotensina e bloqueadores de canais de cálcio.
  • Populações específicas: a meta de 13x8 (<130/80 mmHg) também vale para pacientes com diabetes, obesidade, insuficiência renal, doença arterial coronariana e após AVC.

Hipertensão atinge ⅓ dos brasileiros

A hipertensão é silenciosa, mas responde pela maioria dos infartos e AVC no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão, 27,9% dos adultos brasileiros convivem com a doença — e apenas um terço tem a pressão realmente controlada.

Com a reclassificação, as metas mais rígidas e a inclusão de protocolos específicos para o SUS e para as mulheres, milhões de brasileiros podem passar a ser considerados em risco. O desafio, agora, é transformar as recomendações em prática diária, tanto nos consultórios privados quanto nas unidades de saúde pública.

Fonte _ G1

Ministério da Saúde cria auxílio de transporte para garantir acesso de pacientes à radioterapia

 


Para garantir o tratamento de câncer longe de casa, o Ministério da Saúde cria um auxílio exclusivo para custear o transporte, a alimentação e a hospedagem de pacientes que precisam fazer radioterapia. Atualmente, no Brasil, quem precisa desse tratamento percorre cerca de 145 km até os serviços. Agora, cada paciente e seu acompanhante terão direito a R$ 150 para refeições e hospedagem e R$ 150 por trajeto, assegurando que ninguém deixe de se tratar por falta de condições de deslocamento ou acolhimento.

"Estamos fazendo o maior Outubro Rosa da história dos 35 anos do SUS. Quando lançamos o programa Agora Tem Especialistas, com o presidente Lula, estabelecemos o desafio de construir a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, e estou convencido de que vamos conseguir. Vamos consolidar a rede pública e privada para assegurar um serviço integral aos pacientes”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Salles, destacou que quase 40% dos pacientes do SUS buscam atendimento fora de sua região de saúde. “Esse benefício representa um alívio no custo das famílias, reduz barreiras geográficas, diminui o abandono e os atrasos no tratamento, e garante melhores condições de acesso para pacientes que vivem em regiões rurais.” 

O novo benefício integra um pacote de medidas do programa Agora Tem Especialistas, que amplia os serviços oncológicos em todo o país. Entre as ações está o investimento adicional de R$ 156 milhões por ano para que os serviços de radioterapia ampliem o atendimento, incluindo até 60 novos pacientes. Isso representa um aumento de 20,7% do valor repassado pelo Ministério da Saúde, chegando a um total de R$ 907 milhões por ano. Outra medida é a criação da Assistência Farmacêutica Oncológica, que garante o custeio federal de 100% dos medicamentos para câncer no SUS.

Mais vagas nos serviços de radioterapia do SUS

Com a nova portaria, o Ministério da Saúde muda a forma de financiamento dos serviços de radioterapia: quanto mais pacientes atendidos, mais recursos repassados. Os estabelecimentos de saúde que já atendem o SUS passam a receber progressivamente por procedimento realizado, por meio do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC). Até então, eram recursos do orçamento do Teto MAC, valor fixo repassado mensalmente aos estados e municípios para custeio dos serviços de média e alta complexidade.

O objetivo é atender o maior número de pessoas que precisem desse tratamento, estimulando ao máximo, o uso da capacidade do acelerador linear, equipamento utilizado nas sessões de radioterapia. Cada máquina pode realizar cerca de 60 novos atendimentos por mês. Outro avanço é premiar os serviços com maior produtividade: unidades que atendem entre 40 e 50 novos pacientes por acelerador linear receberão 10% a mais por procedimento; 20%, entre 50 e 60; e 30%, acima de 60 novos pacientes.

Para expandir ainda mais a radioterapia em todo o país, o Agora Tem Especialistas também mobiliza o setor privado. O programa vai habilitar estabelecimentos de saúde com e sem fins lucrativos, que somente poderão atender os pacientes do SUS se ofertarem, no mínimo, 30% de sua capacidade instalada para a rede pública de saúde por, no mínimo, três anos.

Ministério da Saúde vai financiar 100% dos medicamentos de câncer no SUS

Com a nova portaria de assistência farmacêutica oncológica será ampliado ainda mais o acesso a medicamentos modernos. A expectativa é reduzir preços em até 60% com as negociações nacionais.

Na atual gestão, o Ministério da Saúde ampliou em 60% os investimentos em medicamentos oncológicos, passando de R$ 3 bilhões em 2022 para R$ 4,8 bilhões em 2024.

“Essas portarias reorganizam não apenas o financiamento, mas toda a lógica de cuidado ao paciente com câncer, conectando a atenção básica, a atenção especializada e todos os pontos da rede”, ressaltou o secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda.

Alinhada ao Plano Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), a AF-Onco organiza e nacionaliza a oferta, com financiamento 100% federal, promovendo mais equidade entre regiões, transparência e eficiência na gestão dos recursos. O formato combina compra centralizada feita diretamente pelo Ministério, negociações nacionais via registro de preços e aquisições descentralizadas pelos serviços oncológicos, mediante autorização específica (APAC Oncológica).

Entre os resultados práticos, já há reduções expressivas nos preços. Na compra do trastuzumabe entansina, usado no tratamento do câncer de mama, o Ministério obteve desconto superior a 50%, economizando R$ 165,8 milhões e ampliando o acesso a 2 mil pacientes em todo o país.

O novo componente também garante ressarcimento a estados e municípios por demandas judiciais: durante o período de transição de 12 meses, a União reembolsará 80% dos valores judicializados, assegurando equilíbrio financeiro.

Outra inovação é a criação de centros regionais de diluição de medicamentos oncológicos, que reduzem desperdícios e otimizam o uso dos insumos, gerando economia e ampliando o acesso aos tratamentos.

Balanço: Agora Tem Especialistas amplia acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer

Com investimento anual de R$ 2,4 bilhões, o programa Agora Tem Especialistas fomenta a formação de 3 mil novos médicos especialistas, o uso de telessaúde e a implantação do Programa Nacional de Navegação do Paciente, que garante acompanhamento individualizado e reduz deslocamentos, melhorando a adesão ao tratamento em todas as regiões do país.

Entre as iniciativas, destacam-se as 28 carretas da saúde da mulher, que, neste Outubro Rosa, percorrem 22 estados levando exames, consultas e biópsias a locais de difícil acesso, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero. Mutirões realizados em territórios indígenas e nos 45 hospitais universitários da Rede Ebserh já somam 65,5 mil atendimentos neste ano, com novas ações previstas até o fim de 2025.

Por meio do programa, 11 aceleradores lineares já foram entregues; e R$ 134 milhões, destinados pelo Pronon para a aquisição de 13 novos equipamentos.

Até o final de 2026, 121 aceleradores devem ser entregues, garantindo o tratamento de mais de 84,7 mil novos pacientes/ano.

Atualmente, o SUS contam com 369 aceleradores lineares, que realizaram 180,6 mil procedimentos em 2024, um aumento de 16,1% em relação a 2022, quando 155,5 mil foram realizados.

Outra iniciativa é o provimento e a formação de especialistas. Neste mês, 320 novos médicos especialistas reforçaram o atendimento no SUS em 156 municípios. A expectativa é que esse número aumente em nova convocação do Ministério da Saúde.

Acesse a Portaria GM/MS nº 8.516/2025

Fonte _ Saúde.gov

InfoGripe: casos de SRAG atingem nível de alerta na capital paulista

 


Divulgado nesta quinta-feira (23/10), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz indica que as hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associadas à influenza A seguem aumentando no estado de São Paulo. Na capital paulista, o aumento de casos já atingiu o nível de alerta. No Norte do país (Acre, Amazônia e Roraima), no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, o rinovírus se mantém como um dos principais responsáveis pelo aumento de SRAG, especialmente em crianças e adolescentes. No Espírito Santo, os casos associados à Covid-19 em idosos permanecem estáveis, mas ainda em um patamar considerado alto para a região.

A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 42, que abrange o período de 12 a 18 de outubro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e respostas a eventos em saúde pública.

Pesquisadora do Programação de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e responsável pelo boletim InfoGripe, Tatiana Portella reforça a necessidade da população de maior risco estar em dia com a vacinação. “Nessa nova edição do Boletim, a gente observa um cenário epidemiológico muito parecido com o da semana passada”, comenta. “A vacinação é a principal forma de prevenção contra as formas mais graves e óbitos causados por esses vírus”. 

Estados e capitais



De acordo com a análise, seis das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 42: Acre, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

Além disso, 11 estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul e Sergipe.

No Amazonas, o rinovírus mostra sinal de interrupção do crescimento de casos. Em Santa Catarina, para além do rinovírus, o aumento dos casos de SRAG nas crianças de até dois anos também tem sido impulsionado pelo metapneumovírus. 

Casos graves de influenza A já mostram sinais de interrupção do crescimento em Goiás e queda no Distrito Federal. Com relação à Covid-19, ainda há a manutenção do aumento das notificações graves nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. 

Em Tocantins, ainda não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus que tem impulsionado o crescimento de SRAG no estado.

Sobre as capitais, observa-se que seis das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a SE 42: Aracaju (Sergipe), Belém (Pará), Cuiabá (Mato Grosso), Palmas (Tocantins), Rio Branco (Acre) e São Paulo (São Paulo). O aumento de SRAG tem ocorrido principalmente em crianças e adolescentes de até 14 anos. Em São Paulo e Palmas, também há um aumento de SRAG na população idosa.

Além disso, 10 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista (Roraima), Brasília (Distrito Federal), Florianópolis (Santa Catarina), João Pessoa (Paraíba), Manaus (Amazonas), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Salvador (Bahia), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência de casos positivos foi de 38,8% para rinovírus; 21,1% para influenza A; 15,7% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 7,8% para vírus sincicial respiratório (VSR); e 1,5% pata influenza B. Já a prevalência de óbitos positivos foi de 49,5% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 22,3% para rinovírus; 18,5% para influenza A; 5,4% para VSR; e 3,3% para influenza B. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Em 2025, já foram notificados 197.033 casos de SRAG, sendo 103.885 (52,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 71.215 (36,1%) negativos e ao menos 9.040 (4,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos para o ano corrente, observou-se 41,1% foram causados por VSR; 27,8% por rinovírus; 23,3% por influenza A; 8,1% por Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,2% por influenza B. 

Com relação aos óbitos por SRAG em 2025, já foram registrados 11.777 casos, sendo 6.043 (51,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.642 (39,4%) negativos e ao menos 187 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre as causas dos óbitos, observou-se 50% ocorreram devido à influenza A; 23,2% ao Sars-CoV-2 (Covid-19); 11,7% ao VSR; 14,1% ao rinovírus; e 1,8% a influenza B.

Fonte _ FioCruz

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Metanol: 47 casos de intoxicação são confirmados

 


Ministério da Saúde atualiza, nesta segunda-feira (20), o número de notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Até o momento, 104 notificações foram registradas, sendo 47 casos confirmados e 57 em investigação. Outras 578 notificações foram descartadas.

O estado de São Paulo continua com o maior número de notificações, com 38 casos confirmados e 19 em investigação. O estado já descartou outras 408 notificações.

Além de São Paulo, há casos confirmados em outros estados: Pernambuco (3), Paraná (5) e Rio Grande do Sul (1).

Em relação aos casos em investigação, São Paulo analisa 19, Pernambuco (26), Rio de Janeiro (2), Piauí (3), Mato Grosso do Sul (1), Goiás (1), Paraná (2), Bahia (1), Minas Gerais (1) e Tocantins (1).

O número de óbitos confirmados chega a 9, sendo 6 em São Paulo, 2 em Pernambuco e 1 no Paraná. Outros 7 seguem em investigação: 1 em SP, 3 em PE, 1 no MS, um em MG e 1 no PR. Outras 27 notificações de óbitos foram descartadas.

Atualização 

A atualização das notificações de intoxicação por metanol, decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas, será realizada às segundas, quartas e sextas-feiras, após as 17hs.

Fonte _ Saúde.gov

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia D de multivacinação será realizado neste sexta-feira em Cruzeiro do Sul

 


A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Saúde realiza nesta sexta-feira, 17, o Dia D de Multivacinação, com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação do publico geral, de 2 meses de idade a 59 anos. A ação faz parte da campanha nacional de imunização e busca garantir a proteção contra diversas doenças.


As vacinas estarão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde e na TENDA da vacinação na rotatória da Avenida 25 de Agosto, das 8hs.


De acordo com a SEMSA, a mobilização é uma oportunidade para que pais e responsáveis verifiquem a situação vacinal dos filhos e coloquem as doses em dia. A orientação é levar a caderneta de vacinação e um documento de identificação.


Com o tema “Vacinar é cuidar de quem você ama”, a campanha reforça a importância da imunização como uma forma segura e eficaz de prevenir doenças e proteger a saúde das famílias.

InfoGripe: casos graves de influenza A e Covid-19 aumentam em alguns estados

 


nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada pela Fiocruz nesta quinta-feira (16/10), indica a continuidade do crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A em Goiás e São Paulo. Em relação à Covid-19, as notificações de casos graves seguem aumentando nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em São Paulo e na Bahia, ainda sem grandes impactos nas hospitalizações. Com relação as faixas etárias mais afetadas, apenas no Espírito Santo as ocorrências de SRAG por Covid-19, especificamente em idosos, seguem estáveis, ainda que em um patamar alto para a região.

A análise é referente à Semana Epidemiológica 41, que abrange o período de 5 a 11 de outubro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e respostas a eventos em saúde pública.

Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do InfoGripe, Tatiana Portela alerta que, diante do cenário de maior circulação da Covid-19 e da influenza A em alguns estados do país, é fundamental que especialmente as pessoas dos grupos de risco estejam com a vacinação em dia. Portella ressalta ainda que a vacina contra esses vírus é a principal forma para evitar as formas mais graves e os óbitos por essas doenças.

Campanha nacional de imunização

Com o mote Vacina é vida, o Fiocruz pra Você ocorrerá no próximo sábado (18/10), data escolhida pelo Ministério da Saúde como o Dia D de mobilização nacional pela vacinação. Em 2025, o evento integra as comemorações dos 125 anos da Fundação e apresentará atividades de Norte a Sul do país, nas cidades de Manaus, Porto Velho, Brasília, Eusébio (CE), Teresina, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ribeirão Preto (SP) e Curitiba, que sediam unidades e escritórios regionais da Fiocruz. 

“Trata-se de uma ótima oportunidade para crianças a partir de 6 meses e adultos que ainda não se imunizaram tomarem a vacina contra a Covid-19 e se protegerem”, destaca Portela. “Crianças de dois meses até quatro anos também poderão tomar vacinas para poliomielite, paralisia infantil, tétano, coqueluche, difteria, hepatite B e meningite". 

A pesquisadora ainda ressalta que a incidência de SRAG por Covid-19 é maior nas crianças pequenas de até dois anos. Já mortalidade é maior entre os idosos. Como objetivo de diminuir os riscos de contaminação por vírus respiratórios, Portela recomenda o uso de máscaras em postos de saúde e o isolamento em casa caso haja aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer esse isolamento, a orientação é sair de casa usando uma boa máscara, como a PFF2 ou a N95.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos para SRAG foi de 39,8% para rinovírus; 20,1% para influenza A; 16,2% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 9,1% para vírus sincicial respiratório (VSR); e 2% para influenza B. Entre os óbitos, 51,5% foram em decorrência de Sars-CoV-2; 21,4% de rinovírus; 15,5% de influenza A; 6,8% de VSR; e 2,9% de influenza B.

Dentre os casos positivos para SRAG em 2025, observou-se 41,6% para VSR; 27,7% para rinovírus; 23,3% para influenza A; 8% de Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,2% para influenza B. Com relação aos óbitos, já foram registrados 11.552 óbitos de SRAG em 2025, sendo 5.963 (51,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.530 (39,2%) negativos, e ao menos 181 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Observou-se 50,3% dos óbitos por SRAG foram causados por influenza A; 23% por Sars-CoV-2 (Covid-19); 14% por rinovírus; 11,8% por VSR; e 1,8% por influenza B.

Estados e capitais



O Boletim mostra que sete das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a SE 41: Amazonas, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Tocantins. Em Tocantins, ainda não há dados laboratoriais suficientes para determinar o vírus que tem impulsionado o crescimento de SRAG no estado.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a SE 41: Belém (Pará), Boa Vista (Roraima), Campo Grande (Mato Grosso do SUL), Cuiabá (Mato Grosso), Goiânia (Goiás), Palmas (Tocantins), São Paulo (São Paulo) e Vitória (Espírito Santo).

Fonte _ FioCruz

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS

 


No mês do Outubro Rosa, o Ministério da Saúde recebe o primeiro lote do Trastuzumabe Entansina, medicamento de última geração incorporado ao SUS para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, uma forma agressiva da doença que estimula o crescimento das células tumorais. A primeira remessa, com 11.978 unidades (6.206 de 100 mg e 5.772 de 160 mg), chegou nesta segunda-feira (13) ao almoxarifado do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).

Ao todo, serão quatro lotes do medicamento. As próximas entregas estão previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026. Os insumos atenderão 100% da demanda atual pelo medicamento no SUS, beneficiando 1.144 pacientes em 2025.

“É um avanço gigantesco para a oncologia nacional, com o primeiro protocolo clínico voltado a esse tratamento. Trata-se de uma medicação muito esperada pela nossa população, que poderá reduzir em até 50% a mortalidade das pacientes com câncer de mama do tipo HER2 positivo. É uma grande vitória para a saúde pública e para o povo brasileiro”, afirmou o diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto.

O investimento total é de R$ 159,3 milhões para a compra de 34,4 mil frascos-ampola do medicamento, sendo 17,2 mil unidades de 100 mg e 17,2 mil de 160 mg. O Ministério da Saúde negociou a compra no valor de cerca de 50% abaixo do mercado, garantindo economia de aproximadamente R$ 165,8 milhões e ampliando o acesso ao tratamento no SUS. Os preços negociados passaram de R$ 7,2 mil por frasco de 100 mg e R$ 11,6 mil por frasco de 160 mg, para R$ 3,5 mil e R$ 5,6 mil respectivamente.

O Trastuzumabe Entansina é indicado para mulheres que ainda apresentam sinais da doença após a quimioterapia inicial, geralmente em casos de câncer de mama HER2- positivo em estágio III. A nova terapia representa um avanço no cuidado, ampliando as opções de tratamento no SUS e oferecendo melhores perspectivas de controle da doença e qualidade de vida. O medicamento será distribuído às secretarias estaduais de saúde,  que  farão a dispensação conforme os protocolos clínicos vigentes.

Além do Trastuzumabe Entansina, o Ministério da Saúde avança na oferta dos inibidores de ciclinas (abemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe) indicados para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo e HER2- negativo.

A portaria que autoriza a compra descentralizada desses medicamentos, por meio da Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC), será publicada ainda neste mês. Esse modelo permite que estados e municípios realizem diretamente a aquisição dos medicamentos, com financiamento federal, otimizando a logística e garantindo que o tratamento chegue com mais agilidade às pacientes atendidas nos serviços especializados.

Ampliação de Mamografia

Recentemente o Ministério da Saúde anunciou mudança na faixa etária para realização da mamografia no SUS. A partir de agora o exame está disponível também para mulheres a partir dos 40 anos, mesmo na ausência de sintomas de câncer. A ampliação da faixa etária fortalece o diagnóstico precoce e o acesso à assistência, especialmente para mulheres que antes encontravam barreiras no sistema público de saúde, como a exigência de histórico familiar ou de sinais clínicos da doença. Em 2024, as mamografias realizadas em mulheres com menos de 50 anos já corresponderam a 30% do total, ultrapassando 1 milhão de exames.

Carretas Agora Tem Especialistas

Neste mês também foi iniciado o trabalho das 28 carretas do Agora Tem Especialistas, que levam atendimento para o público feminino em regiões com vazios assistenciais em 20 estados brasileiros. Para reduzir o tempo de espera no SUS, a iniciativa inédita do Governo do Brasil tem foco na saúde da mulher, com trabalho voltado para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero.

As carretas da saúde da mulher atuam em locais de difícil acesso e com pouca oferta de serviços especializados de saúde. Os primeiros atendimentos começaram nesta sexta- feira (10), com 15 unidades móveis distribuídas em municípios de 13 estados: Humaitá (AM), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Paulo Afonso (BA), Imperatriz (MA), Juiz de Fora (MG), Diamantina (MG), Campo Grande (MS), Lagarto (SE), Registro (SP), Palmas (TO), Senhor do Bonfim (BA), Japeri (RJ) Guaranhuns (PE) e Goiânia (GO). A estimativa é que sejam atendidos 42,5 mil pacientes ao longo do mês, sendo realizados 130 mil procedimentos, entre consultas, exames e biópsias.

Fonte _ Saúde.gov