A
nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta
quinta-feira (22/1), sinaliza que os estados do Acre e do Amazonas continuam
com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de risco e
com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. O aumento acelerado de
casos de SRAG nesses estados vem sendo impulsionado principalmente pela
influenza A, que tem levado ao crescimento do número de hospitalizações tanto
em crianças pequenas, quanto em jovens, adultos e idosos.
No
cenário nacional há sinalização de queda de casos de SRAG nas tendências de
longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). A
análise é referente à Semana epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência no país entre os
casos positivos foi de 20,5% de influenza A, 2,6% de influenza B, 8,5% de vírus
sincicial respiratório, 33,2% de rinovírus e 19,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo
recorte temporal foi de 29,4% de influenza A, 3,2% de influenza B, 4,8% de
vírus sincicial respiratório, 19% de rinovírus e 32,5% de Sars-CoV-2
(Covid-19). A análise é referente à Semana Epidemiológica 2, período de 11 a 17
de janeiro.
A
pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe,
Tatiana Portella, recomenda que a população do Amazonas e Acre adote medidas de
proteção, tais como o uso de máscaras em postos de saúde, e em locais fechados
com maior aglomeração de pessoas. “É fundamental que as pessoas do grupo
prioritário, a exemplo das crianças, idosos, indígenas e pessoas que apresentam
comorbidade tome a vacina o quanto antes, que já começou na Região Norte”,
reforçou Portella.
Estados
e capitais
No
Ceará, em Pernambuco e em Sergipe, as hospitalizações por influenza A seguem
apresentando sinal de interrupção do crescimento ou início de queda. Na Paraíba
também se observa um leve sinal de aumento das hospitalizações por VSR, porém
ainda sem refletir crescimento de casos de SRAG nas crianças pequenas. Apenas 3
das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto
risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de
longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 2: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e
São Luís (MA).
Incidência
e mortalidade
Em
nível nacional, observa-se uma tendência de estabilidade ou leve queda dos
casos de SRAG em todas as faixas etárias. Os dados referentes aos resultados
laboratoriais por faixa etária mostram que a redução ou estabilidade do número
de novos casos de SRAG nas diferentes faixas etárias se deve à baixa atividade
de diversos vírus respiratórios. A exceção é a Influenza A, que, apesar da
baixa circulação na maioria dos estados, tem impulsionado o aumento de SRAG no
AC e AM.
A
incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas
epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos
das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as
crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos
idosos. A incidência de SRAG por SARS-CoV-2 e influenza A é maior entre
crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os
idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto
nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está
associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.
Dados
epidemiológicos
Referente
ao ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 1.765 casos de SRAG, 399
(22,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 611
(34,6%) negativos e ao menos 615 (34,8%) aguardando resultado. Dados de
positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em
atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do
resultado laboratorial associado.
O Boletim
InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao
monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às
vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações,
preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Fonte _ FioCruz

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