O Instituto
Butantan vai firmar nesta quarta-feira (17) um acordo de
cooperação com o Hemocentro de Ribeirão
Preto, a USP e a
Fapesp para desenvolver terapias avançadas contra doenças autoimunes, como
lúpus eritematoso sistêmico e miastenia gravis generalizada.
A
parceria prevê a realização de ensaios clínicos com a terapia celular CAR-T,
tecnologia que modifica células de defesa do próprio paciente para combater
doenças. Os estudos ainda precisam passar pelas etapas regulatórias e serão
submetidos à aprovação da Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária).
Se
autorizados, os testes deverão recrutar 16 pacientes com lúpus e outros dez com
miastenia gravis. Os voluntários serão atendidos no Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto e no Hospital das Clínicas da USP, na capital paulista.
Os
participantes deverão ter quadros graves das doenças e já ter passado por pelo
menos duas linhas de tratamento sem resposta adequada.
O
diretor do Butantan, Esper Kallás, afirma que a iniciativa busca ampliar o
acesso a uma tecnologia que vem transformando o tratamento de cânceres e que
também tem mostrado potencial no combate a doenças autoimunes. Segundo ele, a
meta é que, no futuro, a terapia possa ser incorporada ao SUS.
O
presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, Rodrigo Calado, diz que os
estudos podem colocar o sistema público brasileiro na fronteira mundial das
terapias avançadas caso os resultados sejam positivos.
O
Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a USP já atuam juntos desde 2022 no
desenvolvimento de uma terapia CAR-T voltada ao tratamento de leucemia linfoide
aguda e linfoma não-Hodgkin de células B. Em 2024, as instituições iniciaram um
ensaio clínico de fase 1 para esses cânceres hematológicos, com resultados
considerados promissores pelas equipes envolvidas.
A
cerimônia de assinatura do acordo contará com a presença de Kallás, do
diretor-executivo da Fundação Butantan, Saulo Nacif, do reitor da USP, Aluísio
Segurado, do presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, e de Calado.
Fonte _ Folha/SP
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