O
Instituto Butantan segue com o ensaio clínico da Butantan-DV, sua
vacina contra a dengue em dose única, voltado especificamente para a população
com mais de 60 anos.
Iniciado
em 13 de janeiro de 2026, o estudo concentra-se em quatro centros de pesquisa
no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Pelotas) e um no Paraná (Curitiba). O
objetivo central do estudo clínico é avaliar a segurança e a resposta
imunológica estimulada pelo imunizante em pessoas de 60 a 79 anos,
comparando-as a um grupo controle formado por pessoas de 40 a 59 anos.
Dados
atualizados do painel de monitoramento do estudo clínico apontam que o
recrutamento atingiu 74% da meta estabelecida. Até 12 de junho de
2026, foram randomizados 736 voluntários, dos quais 733 já foram
vacinados. O grupo é composto por 545 pessoas acima de 60 anos e
188 adultos na faixa de controle.
A
distribuição dos voluntários imunizados por centro de pesquisa é a seguinte:
194 no Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de
Curitiba; 155 no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (Porto Alegre); 151 no Hospital
Escola da Universidade Federal de Pelotas (Pelotas); 136 no Hospital
Moinhos de Vento (Porto Alegre) e 100 no Núcleo de Pesquisa
Clínica (Porto Alegre).
Estudo
é seguro para voluntários
Apesar
da recente interrupção temporária da estratégia de vacinação
com a Butantan-DV pelo Ministério da Saúde, devido à investigação de casos de
segurança, o ensaio clínico não foi interrompido justamente porque garante a
segurança dos participantes.
A
diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destaca que os voluntários estão
no ambiente mais controlado possível para o monitoramento de qualquer reação:
"Os
voluntários estão cercados de pessoas extremamente capazes dentro dos centros
de pesquisa, que estão de olho em qualquer sintoma que eles apresentem depois
da vacinação. É sempre o ambiente mais seguro e confortável para o uso de um
produto",
esclarece.
O
gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, Érique Miranda, reforça
que o estudo mantém sua atividade.
"O
recrutamento está acontecendo e o estudo não está parado. Tivemos
recentemente a inclusão de novos voluntários, mesmo após a suspensão temporária
da vacina", explica.
Estudo
mantém rigor científico
O
estudo visa atingir a marca de 997 participantes do sexo
masculino e feminino, saudáveis ou com comorbidades controladas,
especificamente para permitir a avaliação de eventos adversos. Esse volume de
voluntários é necessário para detectar reações que seriam consideradas
relativamente raras em uma nova faixa etária.
“Esse
número permite a avaliação de eventos com taxa de incidência em torno de 0,5%.
Um estudo de uma vacina que inclui uma faixa etária nova precisa ter um número
grande o suficiente para permitir a detecção de eventos adversos relativamente
mais raros", ressalta Érique Miranda.
A escolha da região Sul para os testes foi estratégica. Cidades com baixa prevalência de dengue, como Porto Alegre e Curitiba (onde a exposição prévia ao vírus é de 5% a 10%), garantem dados de soroconversão mais limpos e de maior qualidade.
Importância
da vacina para população idosa
A
Butantan-DV já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) para pessoas de 12 a 59 anos e, em janeiro de 2026,
começou a ser aplicada em pessoas de 15 a 59 anos em um projeto piloto realizado em cidades de São Paulo,
Minas Gerais e Ceará. Em fevereiro de 2026, o Ministério da Saúde iniciou
a vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde em todo o país,
imunizando mais de 500 mil pessoas até 30 de maio .
Em
estudo publicado na revista científica internacional Nature
Medicine, a Butantan-DV demonstrou eficácia global de 65% e 80,5%
contra casos de dengue grave e dengue com sinais de alarme.
Como
a doença causa milhares de casos e mortes todos os anos – com pico de casos em
2024, quando mais de 6 milhões de pessoas foram infectadas – a inclusão do
público com mais de 60 anos é vital, pois é a população mais suscetível a
complicações graves e óbitos pela enfermidade.
"Por
isso consideramos de suma importância que tal faixa etária tenha a oportunidade
de se proteger por meio da vacinação. Este é o objetivo primordial deste
estudo: garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber
a Butantan-DV",
conclui Fernanda Boulos.
Fonte _ Butantan


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