O novo
Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta que casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) têm impactado principalmente as
crianças. Divulgada nesta quinta-feira (13/11), a análise aponta que o Mato
Grosso do Sul, o Pará e o Rio de Janeiro são os três estados que apresentam
incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco. O crescimento
desses casos atinge, em sua maioria, as crianças e os adolescentes, e tem sido
impulsionado pelo rinovírus.
O cenário nacional
sugere que os casos notificados de SRAG apresentam indícios de estabilidade nas
tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três
semanas). A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 45,
período de 2 de outubro a 8 de novembro.
O InfoGripe é uma
estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de
SRAG no Brasil. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na
identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a
eventos em saúde pública.
Estados
No Rio de Janeiro,
o metapneumovírus e a influenza A também têm contribuído para o crescimento dos
registros de SRAG em recém-nascidos até os 4 anos. O estudo observa ainda que,
no Mato Grosso do Sul, também foi verificado um aumento de SRAG na faixa etária
entre 15 e 49 anos, porém ainda não há dados laboratoriais suficientes para
determinar o vírus responsável por esse crescimento.
Além disso, 11
unidades federativas também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta,
risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo
prazo: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande
do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.
A pesquisadora do
Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do Boletim InfoGripe,
Tatiana Portella informa que, na maioria desses estados, a alta de SRAG se
concentra nas crianças e adolescentes de até 14 anos e tem como principal causa
o rinovírus. “Em alguns estados do Sul, como Rio Grande do Sul e Santa
Catarina, o metapneumovírus também tem contribuído para essa incidência”,
complementa.
Em Goiás, a
incidência de SRAG ainda está em nível moderado devido a recente onda de
hospitalizações por influenza A, que continua em declínio no estado. Em São
Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, as hospitalizações por influenza
A continuam aumentando.
A análise observou
ainda a manutenção do aumento das notificações de SRAG por Covid-19 no Paraná,
Santa Catarina e São Paulo, além do início ou retomada do crescimento no
Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, o estudo mostra que
o número de hospitalizações semanais pelo vírus permanece em níveis baixos
nesses estados, com exceção do Espírito Santo, onde os casos graves seguem em
patamar moderado.
Capitais
Duas das 27
capitais do país apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto
risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de
longo prazo (últimas quatro semanas) até a SE 45: Porto Alegre (Rio Grande do
Sul) e São Paulo (São Paulo).
O aumento de casos
de SRAG na capital paulista se concentra na população de jovens, adultos e
idosos, e tem sido impulsionado principalmente pela influenza A e, entre os
idosos, pela Covid-19.
Já em Sergipe
(Alagoas), a incidência de SRAG se mantêm em nível moderado devido ao aumento
atípico das hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) para essa
época do ano, atingindo especialmente crianças de até dois anos.
Dados
epidemiológicos
No ano de 2025, já
foram notificados 207.852 casos de SRAG, sendo 109.566 (52,7%) com resultado
laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 76.111 (36,6%) negativos,
e ao menos 8.736 (4,2%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos
do ano corrente, observou-se 39,5% foram devido a VRS; 28,5% a rinovírus; 23,1%
a influenza A; 8,3% a Sars-CoV-2 (Covid-19); e 1,2% a influenza B.
Nas quatro últimas
semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi 37,9% para
rinovírus; 25,4% para influenza A; 14,2% para Sars-CoV-2 (Covid-19); 6,1% para
VSR; e 1,4% para influenza B.
Incidência e
mortalidade
Nas últimas oito
semanas epidemiológicas, a incidência e a mortalidade semanais médias
mantiveram o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas
etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças,
enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos.
Em relação aos
casos de Covid-19, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças e
nos idosos, enquanto a mortalidade tem sido maior entre os idosos a partir de
65 anos. A incidência por influenza A também é maior entre crianças de até 4
anos de idade e nos idosos, enquanto a mortalidade é mais elevada na terceira
idade.
Com relação aos
óbitos em 2025, observou-se 49% se deram por influenza A; 23,6% por Sars-CoV-2
(Covid-19); 14,6% por rinovírus; 11,5% por VSR; e 1,8% por influenza B. Nas
quatro últimas semanas epidemiológicas, foi constatada a presença, dentre os
casos positivos de óbitos, dos seguintes vírus: 36,4% para Sars-CoV-2
(Covid-19); 26,7% para influenza A; 25,7% para rinovírus; 2,4% para VSR; e 1%
para influenza B.
Fonte _ FioCruz


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